segunda-feira, 26 de março de 2012

ETERNOS: STEVE DITKO




       Com Stan Lee, criou o Homem-Aranha, uma das mais icónicas personagens dos comics. Ao contrário, porém, do seu parceiro criativo (com o qual, segundo reza a lenda, teve fortes divergências que ditaram a sua saída prematura da Marvel Comics), Steve Ditko, espécie de eremita genial, manteve-se sempre na penumbra.
       Aos 84 anos, há muito reformado, Ditko é uma lenda viva, estatuto reforçado pela aura de mistério que envolve um dos mais talentosos ilustradores da sua geração.
       Stephen "Steve" Ditko nasceu em Johnstown (no estado norte-americano da Pensilvânia) no dia 2 de novembro de 1927, segundo filho de imigrantes eslovacos. Influenciado pela paixão do seu pai pelas tiras de banda desenhada publicadas em jornais, Steve, muito habilidoso com as mãos, começou a interessar-se pelo desenho. Para isso muito contribuiu também o surgimento das personagens Batman e de The Spirit, das quais Steve era fã.
        Após ter cumprido o serviço militar durante II Guerra Mundial, Ditko mudou-se em 1950 para Nova Iorque onde ingressou na Cartoonists and Ilustrators School. Teve como professor Jerry Robinson, desenhador à época das aventuras do Homem-Morcego e que há muito era idolatrado pelo jovem Ditko.
        Descrito como talentoso e trabalhador incansável pelos seus ex-professores, Steve Ditko começou a sua carreira profissional em 1953 desenhando contos de ficção científica para a Key Publications. Pouco tempo depois, contudo, passaria a trabalhar como arte-finalista no estúdio de Joe Simon e Jack Kirby (criadores do Capitão América).
         Foi também nessa época que Ditko iniciou a sua longa colaboração com a Charlton Comics para a qual criou, entre outros, o herói conhecido como Capitão Átomo (Captain Atom no original), cujos direitos seriam posteriormente adquiridos pela DC.
        Seria, contudo, em 1955 que se daria a grande viragem na sua carreira artística. Nesse ano, Steve Ditko foi contratado pela Atlas Comics (precursora da Marvel Comics) para ilustrar várias estórias publicadas em alguns dos seus títulos mais emblemáticos como Strange Tales e Journey Into Mistery.
        Quando o editor-chefe da Marvel Comics, Stan Lee, obteve autorização para criar um novo super-herói adolescente, a sua primeira escolha para desenhar o visual da personagem recaiu sobre Jack Kirby. O esboço apresentado por Kirby, porém, desagradou a Lee e este virou-se então para Steve Ditko. Numa das raras entrevistas concedidas ao longo da sua carreira, Ditko revelou, em 1965, ter sido ele a conceber o uniforme e os lançadores de teias do herói aracnídeo, ao passo que Lee crismou a novel personagem. Estávamos em 1962 e o Homem-Aranha fez furor desde a sua primeira aparição. No ano seguinte, novamente em parceria com Stan Lee, Steve Ditko criou o Doutor Estranho (Doctor Strange), mestre do ocultismo e das artes místicas. Embora ofuscado pelo sucesso do Escalador de Paredes, o Doutor Estranho viria a ser muito popular, em especial entre os estudantes universitários que muito apreciavam os cenários psicadélicos das suas estórias.
O Homem-Aranha desenhado por Steve Ditko.

           Paralelamente, Ditko desenhou várias outras personagens da Casa das Ideias como o Hulk e o Homem de Ferro. Tornou-se igualmente coargumentista das estórias do Homem-Aranha, apesar de algumas fricções com Stan Lee. As mesmas que culminariam com a saída de Ditko da Marvel em circunstâncias nunca cabalmente esclarecidas. Ainda hoje se especula que, por trás desta sua decisão, estiveram divergências em torno da identidade secreta do principal némesis do Homem-Aranha, o Duende Verde. Ao que consta, Ditko discordava da escolha de Norman Osborne para alter ego do vilão por considerá-la demasiado óbvia.  Outra explicação possível deriva dos caráter autobiográfico que Ditko imprimiu nas estórias do Escalador de Paredes. Ao longo dos anos, Ditko terá criado laços afetivos com a personagem e não terá sabido lidar com a pressão dos leitores que exigiam uma nova orientação.
Dr. Estranho, outra das criações de Ditko para a Marvel.

           Em 1967, Steve Ditko regressou à Charlton Comics onde gozava de maior liberdade criativa. Dessa nova colaboração nasceram os heróis Besouro Azul (Blue Beetle) e Questão (Question), ambos integrados anos depois no universo DC. A mesma editora por onde teve uma passagem fugaz (de junho de 1968 a abril de 1969). Tempo suficiente, ainda assim, para criar três novos super-heróis: O Rastejante (The Creeper) e a dupla Rapina & Columba (Hawk and Dove). Mais uma vez, os verdadeiros motivos da sua saída da DC permanecem um mistério.
           Até meados da década de 1970, Steve Ditko trabalhou em exclusivo para a Charlton e algumas editoras independentes. Acabaria, no entanto, por regressar em 1975 à DC onde, além de participar em vários projetos, criou Shade, o Mutante (Shade, the Changing Man). Quatro anos depois, novo regresso. Desta feita à Marvel onde, entre outras coisas, desenhou a saga dos Micronautas e as aventuras do Homem-Máquina (projeto iniciado por Jack Kirby). A partir de 1982, passou também a trabalhar como freelancer para várias editoras independentes, entre as quais a recém-fundada Pacific Comics.

Personagens criadas por Ditko para a DC.

          Steve Ditko reformou-se em 1998. Continua, todavia, a residir e a trabalhar em Nova Iorque. Pouco mais se sabe da sua vida pessoal, excetoperentoriamente a conceder entrevistas ou a fazer aparições públicas desde meados dos anos 1960, Ditko explicou em 1969 essa sua fobia à ribalta: "Quando executo um trabalho, não é a minha personalidade mas a minha arte que ofereço aos leitores. O que conta é a qualidade do meu trabalho, não aquilo que eu sou pois limito-me a produzir uma história aos quadradinhos".
           Uma personalidade enigmática que já assegurou o seu lugar no panteão dos Eternos...
          

segunda-feira, 19 de março de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: ARQUEIRO VERDE

  

      Um playboy órfão e milionário que se transforma numa vigilante urbano sedento de justiça. Soa familiar? Não, não se trata do Batman. Conheçam a história do Arqueiro Verde, esse Robin dos Bosques dos tempos modernos...

Nome original: Green Arrow
Primeira aparição: More Fun Comics nº73 (novembro de 1941)
Criadores: Mort Weisinger e George Papp
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Oliver "Ollie" Queen
Parentes conhecidos: Roy Harper (filho adotivo), Dinah Lance (ex-esposa que atua sob o identidade de Canário Negro), Connor Hawke (filho), Robert Queen (filho), Robert e Moira Queen (pais falecidos).
Base de operações: Star City e Seattle
Filiação: Liga da Justiça da América e Os Renegados (também teve como parceiros Ricardito, Canário Negro e Lanterna Verde)
Poderes e armas: Mesmo não possuindo qualquer superpoder, o Arqueiro Verde é um adversário de respeito. Domina várias artes marciais e é um exímio espadachim. Habilidades que conjuga com a sua extraordinária destreza com o arco e flecha. As flechas que utiliza têm diversas funções: algumas são explosivas, outras lançam gás lacrimógeneo, redes ou pequenas bombas de fósforo, etc.
Arqueiro Verde e Ricardito em More Fun Comics nº91 (1943)

Biografia: Na infância, o pequeno Oliver Queen idolatrava o Robin dos Bosques e cedo se revelou um arqueiro inato. Ficou, porém, traumatizado quando, acidentalmente, matou um animal durante uma sessão de treino com o seu arco e flecha. Isso fez com que, anos depois, hesitasse em abater o leão que atacou e matou os seus pais durante um safari em África.
                Órfão, Oliver foi criado por um tio e herdou a fortuna e os negócios da família. Teve um percurso de vida errático e acabou por se tornar um playboy alcoólico e sem o menor sentido de responsabilidade. Tudo mudou depois de ter caído ao mar quando viajava sozinho no seu iate. Sobreviveu ao acidente e conseguiu nadar até uma ilha desabitada, onde, sem comida nem abrigo, teve de desenvolver as suas habilidades de caçador para se manter vivo. Essa experiência tornou-o um novo homem. O seu segundo teste surgiu sob a forma de traficantes de droga que usavam a ilha como esconderijo. Usando as suas habilidades de arqueiro, Oliver capturou e entregou às autoridades os criminosos antes de regressar à civilização.
                Convicto de ter finalmente encontrado o seu destino, uma vez em Star City (sua cidade natal) Oliver dedicou-se a combater o crime, tendo sido batizado de Arqueiro Verde pela imprensa. Como parceiro  contava com Speedy - crismado de Ricardito(!) no Brasil - um adolescente fascinado pelas suas proezas heroicas. Oliver acabaria por adotar o jovem cujo nome verdadeiro era Roy Harper.
               Nos primórdios da sua carreira de vigilante mascarado, o Arqueiro Verde não perseguia bandidos por questões morais mas sim pela adrenalina que essa atividade lhe proporcionava.
               Com efeito, nos primeiros 25 anos de publicação, o Arqueiro Verde nunca passou de uma personagem secundária no universo DC. Somente em 1969 é que, pelas mãos do escritor Denny O´Neil e do ilustrador Neal Adams, ganhou alguma relevância. Numa drástica reviravolta na sua vida, Oliver Queen perdeu a sua fortuna. Em resultado desse episódio, adquiriu uma forte consciência social e tornou-se num implacável defensor dos fracos e oprimidos. Ganhou também um novo visual.
              No ano seguinte,  o Arqueiro Verde saltou definitivamente para a ribalta, mercê de uma parceria com o Lanterna Verde. A série, embora de curta duração, foi um enorme êxito dada a abordagem descomplexada de temas sociais e políticos. Enquanto o Lanterna Verde advogava soluções legais para os mesmos, o Arqueiro Verde defendia ações diretas e mudanças radicais no sistema. Juntos, embarcaram numa descoberta da América profunda, marcada pelo racismo, corrupção e injustiça social. Foi durante este período que foi publicada, senão a melhor, pelo menos a mais famosa história do Arqueiro Verde. Nela, era revelada a dependência de drogas do seu pupilo Ricardito. Empenhado em salvar a sociedade, Oliver negligenciara, porém, o seus deveres de mentor e pai adotivo e sentia-se culpado por isso.
Lanterna Verde e Arqueiro Verde, uma dupla de sucesso nos anos 1970.

              Com o cancelamento do título Green Lantern / Green Arrow, em 1972, o Arqueiro Verde voltou a agir a solo, pontualmente coadjuvado pela Canário Negro com quem mantinha também um romance intermitente. Ambos acabariam, todavia, por casar em 2007.
               Foi preciso esperar até 1987 para o Arqueiro Verde ser resgatado do limbo para onde fora relegado pelos fãs. Nesse ano, o talentoso Mike Grell assumiu os destinos do herói e reformulou-o de modo a atrair a um público mais adulto. As histórias tornaram-se assim mais violentas e, pela primeira vez, tiveram como cenário Seattle e não Star City. Por cá, essa fase foi publicada na revista "Os Caçadores" (Abril Jovem, 1990/91).
               Já no século XXI, várias foram as tentativas de relançamento da personagem: logo em 2000, ganhou um novo título (Green Arrow vol.3) no qual foi publicado o arco de histórias "Quiver", da autoria de Kevin Smith. Nele era explicada a misteriosa ressurreição do Arqueiro Verde, após a sua morte em meados dos anos 1990 e subsequente substituição por Connor Hawke, seu filho. Em 2006, teve a sua origem oficial reescrita por Andy Diggle, que repescou muitos dos conceitos originais. Ainda nesse ano, Oliver Queen investiu parte da sua fortuna pessoal para assegurar a sua eleição como mayor de Star City, cargo político que acumulou com o de vigilante mascarado.
Parceiros e amantes, o Arqueiro Verde e a Canário Negro
viveram muitas aventuras juntos.

              Fora dos quadradinhos, o Arqueiro Verde teve a sua estreia televisiva em 1973 na série animada da DC Superfriends. Seguiram-se várias participações noutras séries do género como Justice League Unlimited, Batman: The Brave And The Bold, Young Justice, etc. A despeito dos recorrentes rumores sobre a produção de um filme baseado nas suas aventuras, o Arqueiro Verde não chegou ainda ao grande ecrã. Participou, todavia, em vários episódios da série televisiva Smallville, interpretado por Justin Hartley. Foi ainda personagem jogável em diversos videojogos inspirados no universo DC, sendo o mais recente DC Universe Online.

Em Smallville, Jason Hartley foi o Arqueiro Verde.

sexta-feira, 16 de março de 2012

BD CINE APRESENTA: BATMAN



     Para comemorar os 50 anos do Cavaleiro das Trevas, a Detective Comics e a Warner Brothers lançaram Batman em 1989. Realizado por Tim Burton e com Michael Keaton no principal papel, o filme foi um sucesso de bilheteira e de crítica, reabilitando o género super-heroico no cinema após os fracassos de Superman III e IV.

Título original: Batman
Ano: 1989
País: Estados Unidos da América
Duração: 126 minutos
Realização: Tim Burton
Argumento: Sam Hamm e Warren Skaaren
Elenco: Michael Keaton (Bruce Wayne/Batman), Jack Nicholson (Jack Napier/Joker), Kim Basinger (Vicky Vale)
Orçamento: 35 milhões de dólares
Receita:411,350 milhões de dólares
Michael Keaton, um improvável Batman que surpreendeu pela positiva.

Sinopse: Em vésperas do 200º aniversário de Gotham City, os habitantes da cidade estão demasiado atemorizados com a elevadíssima taxa de criminalidade para celebrarem. Lei e ordem são apenas miragens em Gotham. Uma cidade lúgubre e corrupta, dominada por Carl Grissom, o líder da máfia local. Harvey Dent, o novo Promotor de Gotham, é incumbido pelo mayor de tornar a cidade segura novamente. Dent elege como alvo principal Grissom mas este tem na sua lista de pagamentos grande parte dos polícias de Gotham.
               Entretanto, um misterioso vigilante vestido de morcego atrai a atenção da polícia e dos media. Em especial do repórter Alexander Knox que inicia uma investigação, em conjunto com a fotojornalista Vicky Vale, sobre o lendário Batman.
               Após descobrir que a sua amante o traíra com o seu lugar-tenente, Jack Napier, Grissom monta-lhe uma cilada numa fábrica de químicos. O plano, porém, fracassa devido à entrada em cena da Polícia e de Batman. Segue-se uma troca de tiros que culmina com a queda de Jack numa enorme tina contendo uma sopa química desconhecida.
              Dado como morto, Jack ressurge pouco tempo depois horrivelmente desfigurado e ensandecido. Autodenominado-se Joker, o antigo braço direito de Carl Grissom mata-o a sangue frio e usurpa o seu império do crime.
Jack Nicholson, um Joker inesquecível.

              Morando com o seu fiel mordomo Alfred na sumptuosa Mansão Wayne, Bruce Wayne, o milionário órfão que se tornou Batman depois de testemunhar em criança o assassinato dos seus pais, vive um romance intermitente com Vicky Vale.
              Gotham está paralisada de medo na sequência de várias mortes causadas por produtos de higiene adulterados pelo Joker. Bruce descobre entretanto que se trata do mesmo homem que assassinou os seus pais.
              Em meio ao pandemónio, Joker rapta Vicky Vale,  cabendo ao Cavaleiro das Trevas resgatá-la. Antes terá, contudo, de salvar  a cidade de um plano genocida posto em marcha pelo Joker.
Trailer:http://www.youtube.com/watch?v=VRqa47-jv0M&sns=em
Curiosidades:
- Antes da escolha de Michael Keaton para vestir a pele do Homem-morcego, foram cogitados vários atores consagrados: Mel Gibson, Tom Selleck, Kevin Costner, entre outros.
- Por se ter celebrizado em comédias, a escolha de Keaton foi controversa. A Warner Brothers recebeu mais de 50 mil cartas de protesto enviadas por bat-fãs.
- Para aceitar o papel de Joker, Jack Nicholson exigiu receber uma percentagem das receitas de bilheteira ,além de um cachet de 6 milhões de dólares.
- O Batmobile apresentado no filme foi eleito o carro mais bonito da história do cinema.
- Tim Burton definiu o tema central do filme como "um duelo de freaks".
- Batman conquistou o Óscar de Melhor Direção Artística em 1990 e foi nomeado para vários outros prémios, entre os quais os Saturn Awards.
A bela e intrépida Vicky Vale (Kim Basinger) salva por Batman.

Minha avaliação: 87%. Já perdi a conta às vezes que vi e revi Batman. E fi-lo sempre com o mesmo prazer e entusiasmo da primeira vez. Se tivesse de eleger o meu filme preferido com super-heróis, Batman estaria decerto no pódio. Mais de 20 anos depois, a atmosfera sombria criada por Burton e a magistral representação de Jack Nicholson continuam a ser uma referência para os fãs do Cavaleiro das Trevas. A trama é envolvente e muito fiel à essência da personagem. As cenas de ação são espetaculares e os efeitos visuais também. Um exemplo para as atuais adaptações (nem sempre bem conseguidas) de personagens dos comics ao grande ecrã.

terça-feira, 13 de março de 2012

NÉMESIS: BANE

     
     Foi ele quem, literalmente, quebrou o Batman. Brutal e impiedoso, Bane entrou nos anais da história dos comics como o vilão que atirou o Cavaleiro das Trevas para uma cadeira de rodas. Desengane-se, porém, quem pensa que não passa de um brutamontes anabolizado...

Nome original: Bane
Primeira aparição: Batman: Vengeance of Bane nº1 (janeiro de 1993)
Criadores: Chuck Dixon, Doug Moench e Graham Nolan
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Desconhecida
Origem: República de Santa Prisca
Parentes conhecidos: Edmund  Dorrance (suposto pai)
Filiação: Esquadrão Suicida, Sexteto Secreto, Sociedade Secreta dos Supervilões
Poderes e habilidades: Bane é poliglota (fala fluentemente oito línguas, entre as quais Latim); possui memória fotográfica e raciocínio apurado (em menos de um ano deduziu a identidade secreta de Batman); é um exímio estratega; na prisão desenvolveu um estilo de luta único; o uso da substância Veneno dota-o de força e resistência sobre-humanas, assim como de um fator de cura acelerado; é ainda um mestre do disfarce.

Biografia: Bane nasceu numa prisão chamada Peña Dura na república caribenha de Santa Prisca (país fictício). O  seu putativo pai, Edmund Dorrance, era um ex-revolucionário que logrou escapar ao sistema penal corrupto.  O mesmo que sentenciou o seu filho a cumprir, no seu lugar, a pena de prisão perpétua a que fora condenado. Foi assim que Bane passou a sua infância e início da idade adulta entre a amoralidade vigente dentro dos muros de Peña Dura.
                 Mesmo encarcerado, Bane desenvolveu ao máximo o seu potencial: leu o maior número de livros possível, enrijeceu o corpo no ginásio da prisão e aprendeu a combater sem regras. Aos oito anos comete o seu primeiro homicídio: esfaqueia até à morte um criminoso que o queria usar para obter informações sobre o funcionamento de Peña Dura. Também costumava fazer-se acompanhar de um ursinho de peluche a quem chamava Osito (palavra espanhola para "ursinho") e que ele afirmava ser o seu único amigo. A verdade, porém, é que, dentro do boneco escondia uma faca que usava para se defender de qualquer atacante.
                Com o passar do tempo, Bane acaba por se tornar no "rei" de Peña Dura. Estatuto que não passa despercebido aos responsáveis da prisão que o forçam a ser cobaia numa experiência com uma misteriosa substância chamada Veneno. A mesma que se revelara letal para todas as anteriores cobaias. Bane, porém, não só sobrevive como vê a sua força física ampliada para níveis sobre-humanos devido à ação da droga. Necessita contudo de tomá-la a cada doze horas(através de um sistema de tubos que injeta Veneno diretamente no cérebro),  sob pena de sofrer terríveis efeitos colaterais.
             Pouco tempo depois, Bane escapa de Peña Dura juntamente com alguns cúmplices. Está obcecado com a ideia de destruir o Batman sobre quem ouvira estórias no cativeiro. Gotham City fascina-o porque, tal como Penã Dura, é um lugar onde o medo impera. Bane acredita que o demoníaco morcego que lhe assombrara os sonhos de infância é, com efeito, uma representação simbólica do Cavaleiro das Trevas. E por isso está convencido que é seu destino confrontá-lo.
              Sabendo que um ataque direto ao Batman seria altamente arriscado, Bane opta por derrubar as paredes do Asilo Arkham, assim libertando uma horda de criminosos insanos: Joker, Hera Venenosa, Victor Zsasz, entre outros. Batman demora três meses a recapturar todos os foragidos, o que o deixa exausto. Ao regressar à Batcaverna, é emboscado por Bane (que, após minucioso estudo, deduzira a sua verdadeira identidade de Bruce Wayne). Após derrotar o Cavaleiro das Trevas em combate, Bane parte-lhe a coluna, deixando-o paraplégico.
Bane foi o primeiro a conseguir quebrar Batman.

              Assumindo-se como o novo rei do submundo do crime de Gotham, Bane é, no entanto, derrotado por um novo e violento Batman. Trata-se de Jean-Paul Valley, escolhido por Bruce Wayne para envergar o manto do morcego no final da saga "A Queda do Morcego" (Knightfall). Usando uma sofisticada armadura, Valley espanca Bane quase até à morte.
              De acordo com o seus criadores, Bane foi inicialmente pensado para ser uma espécie de reflexo distorcido de Doc Savage, uma personagem muito popular na pulp fiction dos anos 30 e 40 do século passado. Quer a droga Veneno quer  Santa Prisca já haviam contudo sido criadas anos antes por Denny O´Neil (argumentista veterano das estórias do Homem-Morcego e, à época, editor dos seus vários títulos) para uma aventura do Questão. Foi também O´Neil que, nas páginas de Azrael, descreveu um Bane consciente da sua dependência do Veneno.
              Bane, encarnado por Robert Swenson (um ex-lutador de luta livre já falecido), estreou-se no cinema em 1997 como um dos vilões de serviço no inefável Batman & Robin. Contrariamente ao original, o Bane cinematográfico é apresentado como uma criatura deformada e quase irracional que serve de guarda-costas à Hera Venenosa (Uma Thurman).
Robert Swenson foi Bane em Batman & Robin (1997).

              Diferentes versões do vilão figuraram também ao longo dos anos em várias séries e filmes de animação produzidos pela DC: desde Batman: The Animated Series até Justice League: Doom, passando por Batman Beyond.
               Em Batman: The Dark Knight Rises, o terceiro filme da trilogia do Cavaleiro das Trevas realizado por Christopher Nolan, Bane, representado por Tom Hardy, surgirá como o principal antagonista do herói, ao que tudo indica numa versão mais próxima da banda desenhada.
Em Dark Knight Rises, Tom Hardy