terça-feira, 17 de abril de 2012

NÉMESIS: DARKSEID

    

         A maior criação do mestre Jack Kirby não foi um herói mas sim um vilão. Senhor absoluto de Apokolips, deus apócrifo, Darkseid é a personificação do Mal. Com o tempo, tornou-se também um dos mais temíveis némesis do Homem de Aço.

Nome original: Darkseid
Primeira aparição: Superman´s Pal Jimmy Olsen nº134 (novembro de 1970)
Criador:  Jack Kirby
Licencidadora: Detective Comics
Identidade civil: Príncipe Uxas
Parentes conhecidos: Rei Yuga Khan e Rainha Heggra (pais), Drax (irmão falecido).
Origem: Apokolips
Base de operações: Apokolips
Filiação: Sociedade Secreta dos Supervilões, Intergangue, Elite de Darkseid.
Poderes e habilidades: Sendo um dos mais poderosos Novos Deuses, Darkseid possui imortalidade, invulnerabilidade e força incomensurável. Pode também aumentar de tamanho, além de dispor de poderes telepáticos e telecinéticos. Com um simples pensamento pode teletransportar-se para qualquer ponto do espaço ou do tempo. O seu poder mais formidável são, porém, os Raios Ómega. Tratam-se de rajadas de energia que o tirano emite pelos olhos e capazes de desintegrar qualquer coisa. Podem também servir para ressuscitar os mortos, dependendo da vontade de Darkseid. Não obstantes todos os seus recursos, o vilão prefere usar o seu intelecto superior para controlar ou manipular vontades de modo a atingir os seus propósitos, evitando, sempre que possível, a confrontação física com o seus oponentes. É ainda o comandante supremo do exército de Apokolips, onde se destacam os Parademónios.
Foi nesta edição que Darkseid fez a sua 1ª aparição.

Biografia: Reza a lenda que Jack Kirby se inspirou no falecido ator Jack Palance para modelar fisicamente aquele que seria, muitos anos depois, eleito pelo site IGN o sexto maior vilão da história dos quadradinhos. Darkseid, criado em plena Idade do Bronze dos comics, é um anagrama para dark side (lado negro em Inglês) e nem sempre possuiu a sua atual aparência rochosa e os seus poderes semidivinos.
                Quando chegou o dia do Ragnarok (o apocalipse na mitologia nórdica), os velhos deuses pereceram  e o mundo em que viviam foi dividido em dois: Nova Génese e Apokolips. O primeiro era habitado por deuses benévolos, ao passo que o segundo albergava os malévolos. Foi neste último que Darkseid nasceu.
                Filho dos monarcas de Apokolips, Yuga Khan e Heggra, o Príncipe Uxas, segundo na linha de sucessão ao trono, desde cedo começou a conspirar para tomar o poder. Tal como os restantes Novos Deuses, Uxas tinha, à época, aspeto humano. Quando o seu irmão mais velho, Drax, tentou reclamar a lendária Força Ómega, foi assassinado por Uxas que assim se apoderou dela. Em consequência disso, adquiriu o seu atual aspeto rochoso e adotou o nome Darkseid.
                Algum tempo depois, Darkseid enamorou-se por uma jovem e bela cientista chamada Suli. Do fugaz idílio resultaria um filho, Kalibak. Receando que Suli estivesse a corromper o filho, a Rainha Heggra ordenou a Desaad que a envenenasse. Após a morte da sua amada, Darkseid foi obrigado pela mãe a casar com Tigra, daí resultando o nascimento do seu segundo filho, Oríon.
                Com o coração mais gelado do que nunca, Darkseid ordenou a Desaad que matasse a Rainha Heggra., tornando-se assim o novo monarca de Apokolips. Ato contínuo, baniu Tigra e Oríon do planeta. Esta decisão deriva da antiga profecia segundo a qual Darkseid está destinado a morrer às mãos do próprio filho.
               Seguiu-se uma devastadora guerra entre Apokolips e Nova Génese, a qual só terminaria com a troca de filhos entre os respetivos monarcas. Assim, o Pai Celestial recebeu Oríon, o segundo filho de Darkseid, ao passo que este adotou Scott Free que, ulteriormente, se tornaria o mestre do escapismo conhecido como Senhor Milagre.
               Encarando qualquer divindade como uma potencial ameaça, Darkseid ordenou de seguida a invasão de Themyscira, lar das Amazonas (raça a que pertence a Mulher-Maravilha) a fim de obter a localização dos deuses do Olimpo. Por se recusarem a ajudar o tirano, metade das amazonas foi exterminada pelos Parademónios.
                Darkseid ambiciona suprimir o livre-arbítrio do universo para depois o recriar à sua própria imagem e semelhança. Para isso, busca obstinadamente a misteriosa Equação Antivida, a qual oferece o total controlo sobre os pensamentos e as emoções de qualquer ser vivo. Foi isso que motivou as suas primeiras incursões à Terra, onde enfrentou vários super-heróis, principalmente o Super-homem.
O Homem de Aço e Darkseid são velhos inimigos.

                Até ao lançamento da minissérie "Odisseia Cósmica", da autoria de Jim Starlin, ninguém sabia ao certo o que era a Equação Antivida. Era tão-só uma ponta solta deixada por Jack Kirby aquando da criação da história dos Novos Deuses. Na versão de Starlin, a equação é, na verdade, uma entidade superior de poder inimaginável. A qual Darkseid logra finalmente encontrar apenas para perceber que jamais a poderia dominar.
                Darkseid, contudo, não desistiu dos seus intentos e passou a trabalhar nos bastidores, manipulando peões superpoderosos no seu perverso esquema para conquistar o nosso mundo. Incluindo a Intergangue, o sindicato do crime  sediado em Metrópolis e que, com o tempo, se tornou uma seita religiosa que adora o monarca de Apokolips.
                Mais recentemente, na minissérie "Crise Final" (já publicada no Brasil com a chancela da Panini Comics), Darkseid aparentemente assassinou Batman quando este, em conjunto com o segundo Flash (Barry Allen) tentava liquidar o vilão com uma bala capaz de matar deuses e fabricada pelo próprio Darkseid.
                A personagem é presença assídua em todo o tipo de merchandising lançado pela DC: brinquedos, cartas, videojogos,etc.  A sua estreia televisiva ocorreu em 1984 na série de animação Super Friends: The Legendary Super Powers Show. Seguiram-se diversas participações noutras séries do género como Superman: The Animated Series (1996), Justice League (2001), entre outras.  Foi ainda o vilão de serviço na décima e última temporada de Smallville (embora sob a forma de uma força maligna incorpórea) e é ele o catalisador para a transformação do jovem Clark Kent em Super-homem.

A sombra de Darkseid paira sobre Smallville.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: VINGADORES



     Eles são os heróis mais poderosos da Terra. Unem esforços sempre que surge uma ameaça que nenhum deles poderia enfrentar sozinho. Ao longo dos anos, os Vingadores contaram nas suas fileiras com alienígenas, deuses, mutantes, robôs e até ex-vilões. Mas a sua missão permaneceu sempre a mesma: proteger o nosso mundo de todas as formas do Mal.
 
 
Nome original: Avengers
Primeira aparição: Avengers nº1 (setembro de 1963)
Criadores: Stan Lee (texto) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Membros fundadores: Homem de Ferro, Thor, Hulk, Vespa e Homem-Formiga
Membros atuais: Luke Cage, Homem de Ferro, Miss Marvel, Capitão América, Gavião Arqueiro, Mercúrio, Jocasta, Homem-Aranha, Visão, Thor, Mulher-Aranha, Harpia, Wolverine e Homem-Gigante
Base de operações: Torre Stark (Manhattan, Nova Iorque)

O quinteto fundador em Avengers nº1 (1963).
Biografia: Na esteira do sucesso alcançado pela Liga da Justiça da América, da arquirrival DC, Stan Lee e Jack Kirby criaram, em 1963, a segunda equipa de superseres da Marvel (a primeira fora o Quarteto Fantástico dois anos antes). Na sua primeira aventura, cinco heróis (Thor, Homem de Ferro, Hulk, Vespa e Homem-Formiga) reuniram-se aleatoriamente para deter Loki, o perverso deus asgardiano das trapaças e meio-irmão de Thor. Derrotado o vilão, o Homem-Formiga propôs que o quinteto formasse uma força conjunta para enfrentar ameaças de grande magnitude. Os restantes heróis anuíram e a nova equipa foi crismada pela Vespa. Já o financiamento dos Vingadores ficou a cargo de Tony Stark (o multimilionário alter ego do Homem de Ferro) que também providenciou um quartel-general: a mítica Mansão do Vingadores situada na não menos mítica 5ª Avenida de Manhattan.
                 Logo no segundo número de Avengers, a formação da equipa foi alterada: o Homem-Formiga tornou-se o Gigante e o Hulk abandonou o grupo por sentir que os restantes membros temiam a sua personalidade instável. Esta constante mutação de integrantes tornar-se-ia, de resto, uma das principais características dos Vingadores ao longo dos anos.
                O primeiro marco importante na história dos Vingadores ocorreu em Avengers nº4 (março de 1964) quando os heróis encontraram o corpo congelado do Capitão América. Em animação suspensa desde os últimos dias da II Guerra Mundial, o Sentinela da Liberdade necessitava de um sítio para se adaptar a uma época assaz diferente daquela em que vivera. Iniciava-se assim um relação quase ininterrupta entre o Capitão América e os Vingadores. Estes, com a integração do lendário herói, granjearam maior credibilidade quer junto do público, quer junto do governo dos EUA. Ganharam igualmente um líder, pois mesmo quando comandados por outrem, os Vingadores viam no Capitão América um exímio estratega a cujas instruções não hesitavam em obedecer.
                Com o abandono da equipa por parte de todos os membros (exceto o Capitão América) e sua ulterior substituição por um lote de ex-vilões em busca de reabilitação, composto pelos irmãos mutantes Mercúrio e Feiticeira Escarlate (filhos de Magneto, mestre do Magnetismo e némesis dos X-Men) e do Gavião Arqueiro, em Avengers nº16, assinalou-se o segundo marco importante na história dos Vingadores. Apesar da desconfiança inicial do público face ao passado criminal dos três novos recrutas, a nova formação dos Vingadores logo provou o seu valor, deixando os seus membros fundadores orgulhosos.
                Não tardaria, porém, que Thor, Vespa e o Homem de Ferro regressassem aos Vingadores. Assim como um volátil Hank Pym que depois de ser o Homem-Formiga e o Gigante, adotou diversas identidades: Golias (nome também usado temporariamente pelo Gavião Arqueiro), Jaqueta Amarela e Dr. Pym. Membro fundador e ex-marido da Vespa, o Dr. Pym seria anos  depois expulso dos Vingadores, acusado de traição. Paralelamente, foram também recrutados vários novos integrantes, entre quais o semideus Hércules, o androide Visão, o monarca africano Pantera Negra, a ex-espia soviética Viúva Negra e o enigmático Espadachim (que seria expulso por ser um agente duplo).
               Com a crescente expansão da equipa, surgiram, em 1984, os Vingadores da Costa Oeste. Tratava-se, inicialmente, de uma filial do grupo em Los Angeles, chefiada pelo  Gavião Arqueiro. Pelos Vingadores da Costa Oeste passaram, entre outros, o Cavaleiro da Lua, Harpia, o Tocha Humana original, Magnum, Mulher-Aranha II, Máquina de Guerra e Agente Americano. Sob posteriores lideranças, a equipa perdeu coesão e acabaria mesmo por ser extinta. Por seu turno, os Vingadores da Costa Leste continuaram a admitir novos membros (alguns dos quais temporários ou honorários). Entre eles destacam-se Namor, o Príncipe Submarino, Fera, Homem-aranha, Capitã Marvel, etc.
Os Vingadores da Costa Oeste
              Ao longo da sua história, foram muitos os reveses sofridos pelos Vingadores mas a equipa conseguiu sempre ultrapassá-los e reagrupar-se. Foi, todavia, uma ameaça vinda de dentro que quase ditou o fim dos Vingadores. Com a mente corroída pelos seus poderes de alterar as probabilidades, a Feiticeira Escarlate (que, em tempos chegara a liderar a divisão oeste da equipa) provocou uma cadeia de eventos que culminaria com a aparente morte dos seus companheiros Visão, Gavião Arqueiro, Homem-Formiga e Valete de Copas. Também a Mansão dos Vingadores foi destruída e, à época, Stark não dispunha de verba para a reconstruir. Os membros remanescentes acabariam, entretanto, por deixar a equipa. Meses depois, porém, à semelhança do que acontecera com a formação original dos Vingadores, um conjunto de super-heróis reuniu-se por acaso para deter uma fuga em massa de uma prisão de segurança máxima para criminosos superpoderosos.  Além dos veteranos Capitão América e Homem de Ferro, os Novos Vingadores contavam ainda com o Homem-Aranha, Mulher-aranha original, Sentinela, Wolverine e Luke Cage.  Como nova base de operações, a equipa passou a usar a Torre Stark, gentilmente cedida pelo Homem de Ferro.

Os Novos Vingadores.
               Com o advento da Guerra Civil (arco de histórias em que o universo Marvel se dividiu em duas fações antagónicas devido à obrigatoriedade de registo de meta-humanos imposta pelo governo norte-americano), os Novos Vingadores viveram uma profunda crise que culminaria numa cisão. Surgem assim os Vingadores Secretos, equipa clandestina liderada pelo Capitão América que se opunha à fação pró-registo encabeçada pelo Homem de Ferro. À Guerra Civil seguiu-se a Invasão Secreta e o consequente desmantelamento dos Vingadores que foram substituídos por uma equipa de supervilões disfarçados de heróis e comandados pelo perverso Norman Osborn (anteriormente conhecido como Duende Verde e que, entretanto, assumira a identidade de Patriota de Ferro). Estas provações, todavia, serviram apenas para comprovar a resiliência dos Vingadores que delas saíram renascidos e revigorados. Sempre que uma ameaça de grande magnitude paira sobre a Terra, ecoa o grito de guerra "Avante, Vingadores!" O mesmo que, já no próximo mês de maio, ecoará na tão esperada megaprodução The Avengers onde Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro travarão numa acesa batalha contra as hordas malignas de Loki.
Poster promocional do filme "The Avengers".

terça-feira, 27 de março de 2012

BD CINE APRESENTA: THE PUNISHER (1989)



      Lançado em Portugal diretamente para o circuito de vídeo sob o insólito título "Fúria Silenciosa", o primeiro filme do Justiceiro passou quase despercebido. Controverso entre os fãs do anti-herói e mal acolhido pela crítica (ainda deslumbrada com o magistral Batman de Tim Burton), o tempo encarregou-se, contudo, de mostrar que fora menosprezado.

Título original: The Punisher
Ano: 1989
País: EUA/Austrália
Duração: 89 minutos
Realização: Mark Goldblatt
Argumento: Robert Mark Kamen e Boaz Yakin
Elenco: Dolph Lundgren (Frank Castle/Justiceiro), Louis Gossett Jr. (Jake Berkowitz) e Jeroen Krabbé (Gianni Franco)
Orçamento: 9 milhões de dólares
Sinopse: Conhecido como "The Punisher", Frank Castle é o mais misterioso e procurado vigilante da cidade. Nos últimos 5 anos, matou 125 malfeitores. É por isso investigado por Jake Berkowitz, um obstinado detetive da polícia que nutre por ele um misto de repulsa e admiração. Castle é, na verdade, um ex-polícia cuja família foi assassinada pela máfia. Vivendo nos esgotos, Castle leva a cabo uma guerra solitária contra o crime organizado. O seu único amigo é um bêbado chamado Shake. Devido aos mortíferos ataques de Castle, os vários clãs mafiosos encontram-se enfraquecidos. Gianni Franco, um dos mais poderosos chefes da máfia, regressa da Europa para assumir o controlo das várias famílias e organizar o contra-ataque. Este facto, porém, atrai a atenção da concorrente Yakuza (a máfia japonesa). Liderada pela implacável Lady Tanaka, a Yakuza ataca a máfia e todos os seus interesses. O objetivo é obrigar Franco e companhia a trabalharem para a Yakuza. Perante a recusa dos seus congéneres mafiosos, Lady Tanaka ordena o rapto do filho de Gianni Franco.
               Após uma tentativa frustrada de resgatar o garoto, Castle é persuadido por Franco a ajudá-lo a salvar o filho e a derrotar a Yakuza. Segue-se um violento assalto ao quartel-general da organização que resulta num massacre. Já com o filho são e salvo, Franco trai Castle e tenta matá-lo mas este ganha o duelo e liquida o criminoso. Antes de desaparecer, Castle avisa o filho de Franco para não seguir as pisadas do pai ou ele virá no seu encalço.
Trailer:http://www.youtube.com/watch?v=umYvv7K4Z_I
Armado até aos dentes, o Justiceiro trava uma guerra sem quartel contra o crime organizado.

Curiosidades: Ao longo do filme, morrem 91 pessoas (sem contar com as que sucumbem nas explosões em massa); Dolph Lundgren fez todas as suas cenas de luta e escreveu os seus monólogos no início e no fim do filme; durante um flashback que mostra a morte da sua família, as filhas de Castle vestem pijamas do Homem-Aranha (o Justiceiro estreou-se nas histórias do aranhiço em 1974); por não ser uma criação sua, Stan Lee não faz a sua habitual aparição no filme.
Uma das facas com a caveira usadas pelo Justiceiro.

Minha avaliação: 55% Era ainda um pré-adolescente quando vi pela primeira vez The Punisher. Pareceu-me tosco e excessivamente violento, além de só vagamente inspirado na banda desenhada homónima. Claro que o facto de, meses antes, ter visto Batman explica em grande medida esta minha avaliação inicial. Também me desagradou a ausência da caveira que a personagem usa como símbolo na BD. Ainda assim, sempre considerei (e continuo a considerar) que Dolph Lundgren foi uma escolha acertada para o papel. Não apenas pelo seu físico imponente mas sobretudo pelas suas expressões faciais. Ao contrário dos seus sucessores (Thomas Jane e Ray Stevenson), Lundgren consegue tornar o Justiceiro realmente assustador, apesar das suas muitas lacunas como ator(?). Quanto ao filme em si, mudei ligeiramente de opinião depois de ter visto as duas mais recentes adaptações ao grande ecrã  (The Punisher e Punisher: War Zone). Embora rústico, o filme original do Justiceiro consegue ser muito melhor do que as suas pretensas sequelas. Recomendo-o a todos os fãs de filmes de ação com muitos tiros, explosões em série e hectolitros de hemoglobina, que não se importem de dar descanso ao cérebro durante os 90 minutos que dura o filme.
Louis Gossett Jr. (à esq.) é o detetive Berkowitz que persegue o Justiceiro.

segunda-feira, 26 de março de 2012

ETERNOS: STEVE DITKO




       Com Stan Lee, criou o Homem-Aranha, uma das mais icónicas personagens dos comics. Ao contrário, porém, do seu parceiro criativo (com o qual, segundo reza a lenda, teve fortes divergências que ditaram a sua saída prematura da Marvel Comics), Steve Ditko, espécie de eremita genial, manteve-se sempre na penumbra.
       Aos 84 anos, há muito reformado, Ditko é uma lenda viva, estatuto reforçado pela aura de mistério que envolve um dos mais talentosos ilustradores da sua geração.
       Stephen "Steve" Ditko nasceu em Johnstown (no estado norte-americano da Pensilvânia) no dia 2 de novembro de 1927, segundo filho de imigrantes eslovacos. Influenciado pela paixão do seu pai pelas tiras de banda desenhada publicadas em jornais, Steve, muito habilidoso com as mãos, começou a interessar-se pelo desenho. Para isso muito contribuiu também o surgimento das personagens Batman e de The Spirit, das quais Steve era fã.
        Após ter cumprido o serviço militar durante II Guerra Mundial, Ditko mudou-se em 1950 para Nova Iorque onde ingressou na Cartoonists and Ilustrators School. Teve como professor Jerry Robinson, desenhador à época das aventuras do Homem-Morcego e que há muito era idolatrado pelo jovem Ditko.
        Descrito como talentoso e trabalhador incansável pelos seus ex-professores, Steve Ditko começou a sua carreira profissional em 1953 desenhando contos de ficção científica para a Key Publications. Pouco tempo depois, contudo, passaria a trabalhar como arte-finalista no estúdio de Joe Simon e Jack Kirby (criadores do Capitão América).
         Foi também nessa época que Ditko iniciou a sua longa colaboração com a Charlton Comics para a qual criou, entre outros, o herói conhecido como Capitão Átomo (Captain Atom no original), cujos direitos seriam posteriormente adquiridos pela DC.
        Seria, contudo, em 1955 que se daria a grande viragem na sua carreira artística. Nesse ano, Steve Ditko foi contratado pela Atlas Comics (precursora da Marvel Comics) para ilustrar várias estórias publicadas em alguns dos seus títulos mais emblemáticos como Strange Tales e Journey Into Mistery.
        Quando o editor-chefe da Marvel Comics, Stan Lee, obteve autorização para criar um novo super-herói adolescente, a sua primeira escolha para desenhar o visual da personagem recaiu sobre Jack Kirby. O esboço apresentado por Kirby, porém, desagradou a Lee e este virou-se então para Steve Ditko. Numa das raras entrevistas concedidas ao longo da sua carreira, Ditko revelou, em 1965, ter sido ele a conceber o uniforme e os lançadores de teias do herói aracnídeo, ao passo que Lee crismou a novel personagem. Estávamos em 1962 e o Homem-Aranha fez furor desde a sua primeira aparição. No ano seguinte, novamente em parceria com Stan Lee, Steve Ditko criou o Doutor Estranho (Doctor Strange), mestre do ocultismo e das artes místicas. Embora ofuscado pelo sucesso do Escalador de Paredes, o Doutor Estranho viria a ser muito popular, em especial entre os estudantes universitários que muito apreciavam os cenários psicadélicos das suas estórias.
O Homem-Aranha desenhado por Steve Ditko.

           Paralelamente, Ditko desenhou várias outras personagens da Casa das Ideias como o Hulk e o Homem de Ferro. Tornou-se igualmente coargumentista das estórias do Homem-Aranha, apesar de algumas fricções com Stan Lee. As mesmas que culminariam com a saída de Ditko da Marvel em circunstâncias nunca cabalmente esclarecidas. Ainda hoje se especula que, por trás desta sua decisão, estiveram divergências em torno da identidade secreta do principal némesis do Homem-Aranha, o Duende Verde. Ao que consta, Ditko discordava da escolha de Norman Osborne para alter ego do vilão por considerá-la demasiado óbvia.  Outra explicação possível deriva dos caráter autobiográfico que Ditko imprimiu nas estórias do Escalador de Paredes. Ao longo dos anos, Ditko terá criado laços afetivos com a personagem e não terá sabido lidar com a pressão dos leitores que exigiam uma nova orientação.
Dr. Estranho, outra das criações de Ditko para a Marvel.

           Em 1967, Steve Ditko regressou à Charlton Comics onde gozava de maior liberdade criativa. Dessa nova colaboração nasceram os heróis Besouro Azul (Blue Beetle) e Questão (Question), ambos integrados anos depois no universo DC. A mesma editora por onde teve uma passagem fugaz (de junho de 1968 a abril de 1969). Tempo suficiente, ainda assim, para criar três novos super-heróis: O Rastejante (The Creeper) e a dupla Rapina & Columba (Hawk and Dove). Mais uma vez, os verdadeiros motivos da sua saída da DC permanecem um mistério.
           Até meados da década de 1970, Steve Ditko trabalhou em exclusivo para a Charlton e algumas editoras independentes. Acabaria, no entanto, por regressar em 1975 à DC onde, além de participar em vários projetos, criou Shade, o Mutante (Shade, the Changing Man). Quatro anos depois, novo regresso. Desta feita à Marvel onde, entre outras coisas, desenhou a saga dos Micronautas e as aventuras do Homem-Máquina (projeto iniciado por Jack Kirby). A partir de 1982, passou também a trabalhar como freelancer para várias editoras independentes, entre as quais a recém-fundada Pacific Comics.

Personagens criadas por Ditko para a DC.

          Steve Ditko reformou-se em 1998. Continua, todavia, a residir e a trabalhar em Nova Iorque. Pouco mais se sabe da sua vida pessoal, excetoperentoriamente a conceder entrevistas ou a fazer aparições públicas desde meados dos anos 1960, Ditko explicou em 1969 essa sua fobia à ribalta: "Quando executo um trabalho, não é a minha personalidade mas a minha arte que ofereço aos leitores. O que conta é a qualidade do meu trabalho, não aquilo que eu sou pois limito-me a produzir uma história aos quadradinhos".
           Uma personalidade enigmática que já assegurou o seu lugar no panteão dos Eternos...