segunda-feira, 16 de julho de 2012

NÉMESIS: APOCALYPSE


     Imortalizado na História dos quadradinhos como tendo sido o carrasco do Super-homem, Apocalypse é uma formidável máquina assassina cuja origem remonta aos primórdios do planeta natal do Homem de Aço.

Nome original: Doomsday
Primeira aparição: Superman: The Man of Steel nº18 (dezembro de 1992)
Criador: Dan Jurgens
Licenciadora: DC
Origem: Krypton
Parentes conhecidos: Bertron (criador/"pai" falecido)
Filiação: Sociedade Secreta de Supervilões III, Esquadrão Suicida, Apokolips
Poderes e habilidades: Criado para ser a suprema arma de destruição maciça, Apocalypse é o resultado da perversa engenharia genética levada a cabo pelo misterioso Bertron. Repetidamente morto pelas espécies mais letais do universo na inóspita superfície pré-histórica de Krypton, um bebé foi sucessivamente  clonado. De cada vez que isso acontecia, a criatura evoluía, tornando-se resistente ou imune ao que a tinha matado antes. Daí resultando a impossibilidade de Apocalypse ser derrotado duas vezes da mesma maneira. O monstro é, com efeito,  virtualmente indestrutível pois é invulnerável a quase tudo, dispõe de uma capacidade regenerativa quase instantânea, não precisa de se alimentar ou de respirar e consegue sobreviver no vácuo espacial. Todas estas características - a que se somam as protusões ósseas que lhe protegem os poucos órgãos vitais e a capacidade de gerar contramedidas adaptativas - são o corolário de sucessivas evoluções.  Por outro lado, Apocalypse possui uma força descomunal (superior a cem toneladas), supervelocidade e células absorventes que lhe permitem assimilar as capacidades meta-humanas de qualquer oponente seu (foi assim que adquiriu o poder de voo de que não dispunha anteriormente). Entre a sua vastíssima parafernália conta ainda com o Sentido Kryptoniano. Trata-se de uma habilidade genética que lhe permite pressentir a presença de qualquer outro ser com ADN kryptoniano. O que, por sua vez, leva imediatamente Apocalypse a considerá-lo como uma ameaça (o que explica a sua obstinação em matar o Super-homem aquando do primeiro encontro entre ambos).

A primeira aparição de Apocalypse em Superman: The Man of Steel nº18 (1992).

Biografia: No passado remoto de Krypton, muito antes da raça humanoide nativa dominar o planeta, uma abominação sem nome foi artificialmente criada com o propósito de se tornar a suprema arma de destruição em massa. Krypton era então um local inóspito onde apenas os predadores mais fortes e impiedosos tinham alguma hipótese de sobrevivência. Desejando criar uma forma de vida superior, um misterioso alienígena chamado Bertron enviou um bebé para a superfície desolada do planeta para que fosse quase imediatamente morto pelo ambiente hostil ou pelas criaturas ferozes que nele habitavam. Vezes sem conta os despojos mortais do bebé assassinado foram clonados a fim de criar um ser mais forte, mais rápido e mais resistente do que a sua versão anterior. Não tardou, porém, a que o insano cientista usasse a clonagem para acelerar a evolução da sua criatura. Ao longo das décadas que durou este processo, o ser que mais tarde se tornaria o carrasco do Homem de Aço, foi obrigado a sentir a agonia da tortura e da morte milhares de vezes. As recordações das suas incontáveis mortes ficaram gravadas nos seus genes, levando-o a odiar toda e qualquer forma de vida. Por fim, o monstro desenvolveu a capacidade de evoluir sem a tecnologia de Bertron. Tornou-se assim no mais poderoso predador do universo, caçando as feras que antes o tinham tentado matar.
Uma máquina assassina kryptoniana.
                  Depois de dizimar todas as formas de vida existentes em Krypton, Apocalypse partiu no encalço dos seus algozes: Bertron e a sua equipa de cientistas. Em resultado do sofrimento que lhe haviam infligido, todos foram chacinados às mãos da criatura.
                 Apocalypse escapou de Krypton a bordo de uma nave que Bertron construíra e espalhou um enorme rasto de sangue e destruição em vários mundos. Bylan 5 foi a primeira vítima da indómita fúria da criatura. Sucede que Darkseid se encontrava no planeta a fim de desposar um princesa nativa. Movido por interesses obscuros (Darkseid planeava apoderar-se dos depósitos químicos de Bylon 5 para produzir armamento para Apokolips), o vilão tentou impedir que Apocalypse aniquilasse aquele mundo. O confronto entre ambos, porém, foi breve pois, em resultado dele, a atmosfera de Bylan 5 tornou-se tóxica e o planeta deixou de ter qualquer utilidade para o soberano de Apokolips.
                 Apanhando boleia de uma nave salva-vidas, Apocalypse logrou escapar de Bylan 5. A próxima paragem na sua jornada de destruição foi Khundia, planeta onde a nave  salva-vidas se despenhou. Face à ameaça que o monstro representava, os vários clãs khundios juntaram esforços para conceber uma armadura para um bravo guerreiro chamado Kobald. A sua missão era forçar Apocalypse a entrar num foguetão que o levaria para longe de Khundia. Uma vez no espaço, Apocalypse matou Kobald e a explosão que se seguiu deixou-o à deriva no espaço sideral.

Apocalypse ficará na História como o carrasco do Homem de Aço.
                   O próximo a cruzar o caminho de Apocalypse foi um Lanterna Verde chamado Zharan Pel. Não só o monstro assassinou Zharan Pel como se apoderou do seu anel energético e, pressentindo o imenso poder dos Guardiões do Universo, partiu no encalço deles. Milhares de Lanternas Verdes foram enviados para detê-lo.  Todos, no entanto, sucumbiram às mãos de Apocalypse. A criatura prosseguiu a sua viagem até Oa (lar dos Guardiões do Universo) onde um dos Guardiões sacrificou a própria vida para travar a monstruosidade. Com Apocalypse morto, os Guardiões voltaram a sua atenção para a reorganização da Tropa dos Lanternas Verdes. Na verdade, em resultado das energias massivas usadas pelos Guardiões para derrotar o monstro, foi aberta uma brecha no espaço pela qual um Apocalypse ferido e inconsciente caiu.
                  Próxima paragem: Catalon. Após três anos de destruição genocida, e quando já só a capital restava de pé, todos os membros da família real cataloniana combinaram as suas forças vitais num ser composto de pura energia. Assim nasceu o Radiante, que matou Apocalypse com uma potente rajada energética (e destruindo um quinto do seu planeta no processo). Seguindo a tradição fúnebre cataloniana, Apocalypse foi amarrado, envolvido numa mortalha e, por se tratar de um assassino, foi lançado no espaço. Essa viagem acabaria por ter como destino final a Terra.
                 Devido ao impacto da aterragem, o que restava do casco da nave ficou enterrado nas entranhas do nosso planeta. Desconhece-se durante quanto tempo permaneceu no subsolo terrestre. Todavia, Apocalypse não estava morto. À semelhança do que sucedera incontáveis vezes no passado, ele evoluiu em resultado da sua morte. E ali permaneceu aprisionado até ao fatídico dia em que semearia o caos e a morte no nosso mundo, sendo apenas travado devido ao supremo sacrifício do Homem de Aço.
Super-homem versus Apocalyse: um choque de titãs.

Noutros media: Graças ao seu estatuto de assassino do Super-homem, Apocalypse tornou-se um fenómeno de popularidade dentro e fora dos comics. Em 2011, ficou em 46º lugar no Top 100 dos Melhores Vilões de Todos os Tempos, promovido pelo site britânico IGN. Na TV, marcou já presença em várias séries de animação produzidas pela DC: Justice League (com a particularidade de ter sido Michael Jai White - o ator que interpretou Spawn no cinema - a emprestar-lhe a voz); Justice League Unlimited (num episódio em que surge como um clone do próprio Homem de Aço, gerado pelo Projeto Cadmus); em Legion of  Super Heroes surge como um prisioneiro na Zona Fantasma (prisão extradimensional para criminosos kryptonianos); finalmente, na oitava temporada de Smallville surge como o principal antagonista do jovem Super-homem, sendo interpretado na forma humana por  Sam Witwer e por Dario Delacio na forma monstruosa. Nesta versão, Apocalypse foi criado pelo General Zod a partir do ADN das criaturas mais poderosas de Krypton.
                           No filme de animação Superman: Doomsday (2007), a sua origem é simplificada, passando a ser descrito como um supersoldado biomecânico. Já em Superman/Batman: Apocalypse (2010), um exército de clones de Apocalypse, criados por Darkseid, é enviado para atacar Themyscira, lar das Amazonas e da Mulher-Maravilha.
Apocalypse também marcou presença em Smallville.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

ETERNOS: TODD MCFARLANE (1961 - ...)




      Depois de ter passado pela Marvel e pela DC (onde reformulou algumas das mais importantes personagens dessas editoras), Todd McFarlane foi, em 1992, um dos cofundadores da Image Comics. Pelo meio, criou Spawn, um dos mais carismáticos anti-heróis dos quadradinhos, e é hoje um dos homens mais influentes do ramo.
      McFarlane nasceu a 16 de março de 1961 em Calgary, na província canadiana de Alberta. Aos 17 anos descobriu os quadradinhos. Era fã do trabalho do seu compatriota John Byrne, assim como de outros desenhadores consagrados como George Pérez , Jack Kirby e Frank Miller. Apreciava igualmente o trabalho do conceituado argumentista britânico Alan Moore (Watchmen). Era, porém, a arte atípica de Michael Golden (Micronautas) e do criador da manga Akira, Katsuhiro Õtomo que lhe enchiam as medidas.
      No início dos anos 80, após concluir o liceu, McFarlane ingressou na Eastern Washington University com uma bolsa de estudo obtida graças ao basebol (outra das suas paixões) e estudou artes gráficas. Ambicionava vir a ser jogador profissional da modalidade após a conclusão dos estudos superiores. Porém, uma grave lesão no tornozelo, sofrida durante o seu primeiro ano, deitou por terra esse sonho. Passou então a trabalhar numa loja de banda desenhada em Spokane, Washington. Alguns desenhos que fez de várias personagens da Marvel e da DC foram vendidos nessa e noutras lojas da especialidade.
       Coyote, da editora Epic Comics, foi o seu primeiro trabalho publicado quando corria o ano de 1984. Não tardaria, porém, a começar a trabalhar em simultâneo para as arquirrivais Marvel e DC. Foi nesta última que ganhou maior projeção mercê do trabalho desenvolvido no título Infinity, Inc. (conhecido entre nós como Corporação Infinito) entre 1985 e 1987. Nesse mesmo ano ilustrou várias edições de Batman: Year Two. Daí passaria para a Marvel a fim de desenhar Incredible Hulk (1987-88).
Coyote nº13 (1985) contava com a arte de McFarlane no interior.


Capa de Batman nº423 (1988) ilustrada por McFarlane.
       Em parceria com o argumentista David Michelinie, McFarlane assumiu, em 1988, o título Amazing Spider-Man, a partir do número 298. E logo revolucionou o herói aracnídeo. Entre outras alterações introduzidas, destacou-se a forma como passou a desenhar as teias do Escalador de Paredes: o modelo clássico foi substituído pelo que ficaria conhecido como "teia esparguete". Coube-lhe igualmente a honra de ser o primeiro artista a desenhar Eddie Brock, o alter ego original do popular vilão Venom. Embora lhe tenham sido atribuídos os créditos de cocriador da personagem, essa decisão nunca foi consensual e tem sido motivo de discussão no seio da indústria dos comics.
        Seja como for, o trabalho de McFarlane em Amazing Spider-Man converteu-o numa superestrela dos quadradinhos. Pela conceção da capa do número 313 desse título, McFarlane recebeu, em 1989, uns módicos 700 dólares. Em 2010, essa mesma capa seria vendida por 71,2 mil dólares. Talvez por isso, em 1990, depois de ter coproduzido 28 edições de Amazing Spider-Man, McFarlane anunciou ao seu editor a sua intenção de abandonar a série devido à sua saturação de desenhar as histórias de outrem. Tentando demovê-lo dessa decisão, Jim Salicrup ofereceu-lhe um novo título mensal do Escalador de Paredes que McFarlane escreveria e desenharia, gozando de ampla liberdade criativa. Batizada simplesmente Spider-Man, a nova série do herói aracnídeo foi um retumbante sucesso (tendo o primeiro número vendido uns impressionantes 2,5 milhões de exemplares). Ao cabo de 16 edições, onde os leitores foram brindados com vários crossovers do Homem-Aranha com outros heróis da editora como Wolverine, Motoqueiro Fantasma ou X-Force, McFarlane,  em rota de colisão com o novo editor, abandonou o projeto, sendo substituído por Erik Larsen - outro dos futuros cofundadores da Image.

Capa alternativa de Spider-Man nº1(1990).
        Depois da sua saída da Marvel, McFarlane, juntamente com seis outros ilustradores e argumentistas descontentes, fundou a Image Comics (vide Fábrica de Mitos: Image Comics). Dispondo de um estúdio independente, McFarlane deu a conhecer ao mundo a sua maior criação: Spawn, O Soldado Infernal (vide Heróis em Ação: Spawn), cujo número de estreia, em 1992, vendeu 1,7 milhões de exemplares. Um recorde de vendas absoluto para uma editora independente. Dois anos volvidos, McFarlane lançou uma linha de brinquedos própria - a McFarlane Toys. Em virtude desta nova aposta de mercado, delegou a produção criativa de Spawn, limitando-se doravante a participações esporádicas nos títulos da personagem. Além de estatuetas minuciosamente detalhadas do Soldado do Inferno e respetivos coadjuvantes, McFarlane obteve ainda licença para produzir action figures de atletas populares de modalidades como basebol, basquetebol, hóquei e futebol americano. Também lançou bonecos inspirados em estrelas do rock (Jim Morrison, Kiss, etc) e em filmes de culto (Terminator, Matrix, etc.).
Spawn nº1 (1992) vendeu 1,7 milhões de exemplares.
          Em 1996 criou um estúdio de cinema e animação chamado McFarlane Entertainment. Em colaboração com a New Line Cinema, produziu, no ano seguinte, o filme Spawn cujas modestas receitas de bilheteira inviabilizaram uma sequela.
          Fanático por basebol, McFarlane é um ávido colecionador de artigos relacionados com esse desporto e não olha a despesas para obtê-los. Ao longo dos anos tem adquirido várias bolas com que algumas estrelas da modalidade fizeram home runs. Por uma delas desembolsou 3 milhões de dólares...
         Como não há bela sem senão, McFarlane já esteve  envolvido em várias disputas judiciais. Na primeira, que remonta a 1997, foi processado pelo jogador de basebol Anthony Twist por apropriação indevida do seu nome para batizar um dos coadjuvantes das histórias de Spawn (Tony Twist). Condenado, em primeira instância, a pagar uma indemnização no valor de 24,5 milhões de dólares, McFarlane veria o veredicto ser anulado pelo Supremo Tribunal do Missouri em 2003. Um ano antes, novo processo movido contra si, desta vez pelo escritor e argumentista Neil Gaiman. Acusação: violação de direitos autorais e não pagamento de royalties referentes à personagem Miracle Man. McFarlane foi obrigado a pagar 45 mil dólares a Gaiman, assim como todas as custas judiciais, montante que o escritor doou a um fundo para a defesa legal de criadores de comics.
         Polémicas à parte, Todd McFarlane é hoje um dos nomes mais influentes na indústria dos quadradinhos, gerindo negócios que movimentam anualmente milhões de dólares.
Stan Lee e Todd McFarlane: duas lendas vivas dos quadradinhos.
     

segunda-feira, 25 de junho de 2012

NÉMESIS: LAGARTO




       Escolhido para ser o vilão de serviço no novíssimo filme do Homem-Aranha, o Lagarto é um dos seus mais antigos e implacáveis inimigos. Já o seu alter ego, Dr. Curtis Connors, é um velho amigo e ex-professor de Peter Parker.

Nome original:  Lizard
Primeira aparição: Amazing Spider-Man vol.1 nº6 (novembro 1963)
Criadores: Stan Lee e Steve Ditko
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Curtis "Curt" Connors
Origem: Coral Gables, Florida
Parentes conhecidos:  Martha (esposa falecida) e Billy (filho)
Filiação: Ex-membro dos Doze Sinistros (Sinister Twelve)
Base de operações: Nova Iorque
Poderes e habilidades: Embora dotado de um Q.I. muito acima da média, o nível de inteligência do Dr. Connors, quando transformado em Lagarto, varia. Na maior parte das vezes, a criatura possui um grau de inteligência médio mas também já surgiu irracional. Com força, resistência, agilidade e velocidade equivalentes às do Escalador de Paredes, o Lagarto, também pela sua ferocidade, é um oponente temível. Ainda para mais dispondo de dentes e garras aguçados, bem como de uma longa cauda capaz de desferir golpes a mais de 100 km/h. A mesma que, quando cortada, se regenera quase de imediato, assim como qualquer outra parte do seu corpo. O Lagarto consegue ainda controlar telepaticamente répteis e, recentemente, desenvolveu a capacidade de produzir feromonas que despertam instintos violentos nos humanos. Devido à sua condição de animal de sangue frio, o Lagarto enfraquece quando prolongadamene exposto a altas temperaturas.

O primeiro confronto entre o herói aracnídeo e o Lagarto em The Amazing Spider-Man nº6 (1963).

Biografia: Reputado cirurgião, o doutor Curtis Connors foi destacado para a guerra do Vietname onde operou inúmeros soldados norte-americanos feridos em combate. Quando um dos seu braços foi amputado, devido ao ferimento causado por uma explosão, Connors tornou-se obcecado com as capacidades regenerativas dos répteis e passou a estudar intensivamente herpetologia no seu laboratório nos pântanos de Everglades (Florida). Em resultado da sua investigação, desenvolveu um soro produzido através do ADN de um réptil. Com ele conseguiu recuperar o membro decepado de um coelho e, a despeito dos avisos da mulher, Connors resolveu testar o soro em si próprio. Depois de ingeri-lo, o seu braço amputado voltou a crescer. Houve, no entanto, um efeito colateral inesperado: Connors transformou-se num monstruoso lagarto gigante.
                Ao tomar conhecimento dos catastróficos resultados das experiências do Dr. Connors, o Homem-Aranha viajou até à Florida, munido das anotações do seu ex-professor na Universidade Empire State.  Durante algum tempo, Peter Parker trabalhara nessa instituição como assistente do Dr. Connors, daí resultando laços de amizade entre ambos. No entanto, o melhor que o seu ex-pupilo conseguiu foi inventar um antídoto temporário para a atual condição de Connors. Embora revertida a transformação, a mesma passou a ser espoletada, de tempos em tempos,  em resultado do stresse ou de uma qualquer reação química operada no organismo de Connors. Sempre que tal sucedia, o Homem-Aranha via-se forçado a enfrentar o Lagarto.
                Com o tempo, uma segunda personalidade parece ter-se desenvolvido no Lagarto, a qual ambicionava conquistar o mundo com a ajuda de um exército de répteis. Após o fracasso desse projeto, o Lagarto voltou a trabalhar sozinho.


               Quando a sua mulher e filho o abandonaram (devido à ameaça que representava o seu alter ego), Connors tentou em vão endireitar a sua vida. Em desespero, o Lagarto assumiu o controlo, não obstante a sua fraca força mental. Isso permitiu que fosse dominado pelo vudu da misteriosa Calypso, que usou a criatura para os seus próprios propósitos (eventos mostrados na minissérie em duas edições "Tormento", publicada no Brasil pela Abril Jovem em 1992). No final de uma série de recontros sangrentos, o Lagarto e Calypso foram derrotados pelo Homem-Aranha e Connors conseguiu retomar o controlo da mente da fera.  Mais uma vez, a transformação foi revertida mas apenas temporariamente.
                Algum tempo volvido, um Lagarto totalmente irracional surgiu, levando a crer que a personalidade da fera era agora permanente. Porém, quando esta segunda versão da criatura foi no encalço de Connors, este ingeriu o soro original, transformando-se uma vez mais no verdadeiro Lagarto. Para salvar o seu filho, o Lagarto matou o impostor. Em nova tentativa de obter uma cura para a sua condição, o Doutor Connors testara em segredo uma nova fórmula do seu soro num pedaço da cauda do Lagarto, o que resultou na formação desta segunda criatura. No desfecho destes acontecimentos, Connors e a esposa voltaram a juntar-se.
               O idílio familiar, porém, seria de curta duração. Uma vez mais a tragédia abateu-se sobre a família Connors. Desta vez sobre Martha e Billy que, após anos de exposição a produtos cancerígenos, viram-lhes ser diagnosticado cancro a ambos. Apesar dos esforços conjuntos do Homem-Aranha e do Doutor Connors, Martha acabaria por sucumbir à doença. Billy, por sua vez, sobreviveu mas culpa o pai pelo sucedido.

Noutros media: A primeira vez que o Lagarto saltou dos quadradinhos para a televisão foi em 1967, num episódio da série animada Spider-Man, no qual foi apresentado como o Homem-lagarto. Também o apelido do seu alter ego foi substituído por Conner. Outro facto curioso é que, o Dr. Connors surge com ambos os braços. Talvez a fim de evitar o tema da amputação de membros numa série cujo público-alvo eram crianças. Seguiram-se várias aparições do vilão em outras tantas séries de animação estreladas pelo aranhiço: Spider-Man (1981), Spider-Man: The Animated Series (1994), Spider-Man: The New Animated Series (2003), The Spectacular Spider-Man (2008) e Ultimate Spider-Man (2012).
                          Na trilogia cinematográfica do Homem-Aranha (2002-2007), o Dr. Connors é mencionado no primeiro filme e surge no segundo e no terceiro, interpretado por Dylan Baker. Já em The Amazing Spider-Man (estreia a 5 de julho nos cinemas nacionais), o vilão, encarnado por Rhys Ifans, será o principal antagonista de um jovem Escalador de Paredes em início de carreira.

Será este o aspeto do Lagarto no novo filme do Homem-Aranha.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: HOMEM-ARANHA




  
             Picado por uma aranha radioativa, o adolescente Peter Parker adquiriu habilidades assombrosas. Aprendeu, porém, da pior maneira que grandes poderes acarretam grandes responsabilidades. E assim passou a combater o crime como o sensacional Homem-Aranha. Conheçam as histórias (e as polémicas) por trás da origem desta personagem icónica.

Nome original: Spider-Man
Primeira aparição: Amazing  Fantasy nº15 (agosto de 1962)
Criadores: Stan Lee e Steve Ditko
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Peter Benjamin Parker
Parentes conhecidos: Richard e Mary Parker (pais falecidos); Benjamin Parker (tio falecido); May Parker (tia); Mary Jane Watson-Parker (ex-esposa).
Origem e base de operações: Nova Iorque
Filiação:  Vingadores, Novos Vingadores, Vingadores Secretos, Defensores Secretos, Novo Quarteto Fantástico, etc.
Poderes e habilidades: O Homem-Aranha possui os poderes proporcionais de uma aranha. As complexas enzimas  mutagénicas transferidas para o sangue de Peter Parker aquando da picada de uma aranha irradiada, concederam-lhe força, agilidade, velocidade e resistência sobre-humanas, bem como a capacidade de aderir a quase todo o tipo de superfícies. Outro dos seus poderes é o chamado "sentido de aranha". Trata-se de um alarme extrasensorial que, através de um zumbido na cabeça, o alerta para os perigos iminentes. Devido ao seu metabolismo acelerado, o herói aracnídeo também dispõe de uma resistência acima da média em relação a drogas, doenças e vários produtos químicos. Embora num nível inferior ao de Wolverine, o Homem-Aranha possui um fator de cura que lhe permite cicatrizar mais rapidamente fraturas ou danos nos tecidos. Da sua parafernália fazem parte o fluido de teia sintético e respetivos lançadores. No seu cinto de utilidades guarda os cartuchos de teia para recarregar os lançadores e um pequeno projetor para o seu Sinal-aranha.

O Homem-Aranha debutou nas páginas de Amazing Fantasy nº15 (1962).

Biografia: Órfão desde pequeno, Peter Parker foi acolhido pelos seus tios Ben e May Parker na sua casa em Forest Hills, Queens (Nova Iorque). Os seus pais - ambos agentes secretos - haviam partido numa missão no exterior da qual nunca regressaram. Com o tempo, Peter tornou-se um adolescente franzino e introvertido porém extremamente inteligente, com uma especial aptidão para a ciência. Devido a essas características estava longe de ser um aluno popular no liceu. No entanto, quando tinha apenas 15 anos, a sua vida sofreu uma reviravolta. Durante uma demonstração de equipamentos que manipulavam a radiação, Peter foi picado por uma aranha irradiada cujo veneno, em circunstâncias normais, é inofensivo para os seres humanos. O inseto, todavia, fora exposto à radioativdade do aparelho e por isso a sua picada provocou impressionantes mutações na genética, metabolismo e biologia do jovem.

A picada que mudou para sempre a vida de Peter Parker.

                   Peter descobre os seus poderes quando, ainda aturdido, vagueia pela rua e quase é atropelado por um carro. O seu "sentido de aranha" alerta-o para o perigo e, por puro reflexo, ele salta e fixa-se na parede de um prédio. Assustado, ele escala até ao telhado do edifício e amassa uma chaminé de aço como se fosse de papel. A cena em que um menino o vê a escalar a dita parede ficou imortalizada em todas as bandas desenhadas que (re)contaram a origem do Homem-Aranha, mas não no cinema nem na versão de Ultimate Marvel.
                   Empolgado com os seus novos poderes, inicialmente Peter pensa apenas em ganhar dinheiro com eles. Participa por isso em combates de luta-livre e em vários programas televisivos onde exibe as suas assombrosas habilidades a troco de dinheiro. Levado por esses pensamentos individualistas, não mexe um dedo para impedir a fuga de um ladrão, que logo depois assassinaria o seu adorado tio Ben.  Este episódio trouxe-lhe um profundo sentimento de culpa e ensinou-lhe uma dura lição: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Depois disso passa a usar os seus poderes no combate ao crime sob o disfarce do Homem-Aranha. O que, no entanto, não é suficiente para que seja considerado um herói. Muitos veem-no como uma ameaça, em resultado das sucessivas campanhas difamatórias realizadas por J.J. Jamenson, diretor do jornal Clarim Diário. Depois de ingressar na Universidade Empire State, Peter começa a trabalhar no Clarim como fotógrafo freelancer de modo a ajudar a equilibrar o parco orçamento familiar. É, de resto, este humanismo que o distingue de heróis como o Super-Homem e que o tornaram tão popular entre os leitores.

A origem da personagem: Muitos detalhes acerca do processo de criação do Homem-Aranha permanecem obscuros até hoje. Sabe-se, essencialmente, que foi produto da criatividade de três monstros sagrados dos quadradinhos: Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko (vide as respetivas biografias já publicadas neste blogue na rubrica Eternos). Existe, porém, uma controvérsia em torno da "paternidade" de um dos super-heróis mais populares de sempre. À época editor-chefe e principal escritor da Marvel Comics, Stan Lee desenvolveu um método rápido de escrever argumentos: em duas ou três páginas datilografadas, Stan apresentava as linhas gerais das personagens e do respetivo enredo, ficando o restante trabalho a cargo dos ilustradores. No final, Stan incluía os diálogos. Este método rendeu mais tarde inúmeros questionamentos sobre a real participação de Stan Lee  na criação de algumas das personagens mais famosas da editora. Já Jack Kirby, embora tenha participado no desenvolvimento inicial do Escalador de Paredes, nunca chegou a ser seu desenhador regular. Essa honra coube a Steve Ditko, fazendo dele cocriador do Homem-Aranha.
                    Mas qual foi o verdadeiro contributo de cada um deles na criação da personagem?
                    Segundo Stan Lee, o nome "Homem-Aranha" foi baseado na personagem The Spider (o Aranha), protagonista de vários contos publicados em revistas pulp que Stan lera durante a infância. À parte o nome, o violento justiceiro não tinha qualquer semelhança com o herói idealizado por Stan Lee. Um nome que esteve longe de agradar a Martin Goodman, o mandachuva da Marvel à época. Para ele, uma personagem conotada com aranhas estaria fadada ao fracasso uma vez que quase toda a gene odeia esses bichos. Stan Lee teve de usar toda a sua lábia para convencer Goodman a permitir a publicação de uma história-piloto na revista Amazing Fantasy, que estava prestes a ser cancelada.

The Spider serviu de inspiração a Stan Lee.

                   Habituado a desenhar super-heróis, Jack Kirby foi a escolha natural para ilustrar a primeira história do Homem-Aranha. Stan, porém, idealizara um adolescente franzino (numa época em que aos jovens estava reservado o estatuto de sidekicks de heróis séniores como Batman ou Capitão América) e, ao ver os esboços de Kirby, deparou-se com um novo Capitão América. Decidiu assim entregar o projeto a Steve Ditko, mais habituado a retratar o mundo real do que o épico Kirby.
                    Stan Lee, cuja memória é proverbialmente fraca, não se recorda se o uniforme do aranhiço foi idealizado por Ditko ou Kirby. Este questionava diversos pormenores da história de Lee. Segundo ele, o herói era, na verdade, uma reciclagem de Silver Spider (Aranha Prateada), personagem criada por Kirby em parceria com Joe Simon em 1953 mas que fora rejeitada pela editora Harvey Comics. De realçar que Simon afirmava que o nome original da personagem era Spiderman (sem o hífen distintivo do homólogo da Marvel) e que os esboços foram feitos por C.C. Beck, nada mais nada menos que o criador do Capitão Marvel/SHAZAM. Existem, contudo, incongruências na versão de Simon uma vez que o traço de Beck nada tem a ver com o de Kirby, pelo que dificilmente este conseguiria fazer passar por seus os esboços apresentados a Ditko. Kirby alegava também ter sido ele o criador do traje do aracnídeo. Apesar de a roupa não fazer lembrar nenhuma das indumentárias idealizadas por ele, mas sim as poucas criadas por Ditko.

Simon e Kirby criaram Silver Spider em 1953.

                   A solução de tais mistérios residia em Steve Ditko. Avesso a entrevistas, absteve-se durante décadas de comentar o assunto. Porém, um artigo publicado em 1990 lançou nova luz sobre o assunto. Nele, Ditko confirma que Kirby foi efetivamente o primeiro ilustrador designado para a série mas saiu por motivos desconhecidos. Conta ainda que o conceito original de Kirby era o de um adolescente que ganhava superpoderes e corpo de adulto graças a um anel mágico. Salvo um desenho abastrato no peito, nada no uniforme projetado por Kirby fazia lembrar uma aranha. Pese embora fossem evidentes as semelhanças com o Capitão América, o que atesta a versão de Stan Lee. No lugar dos discretos lançadores de teias propostos por Ditko, o protótipo do herói carregava uma arma de teias à cintura.
O traje original do Homem-Aranha desenvolvido por Kirby.

                 Ditko ignorou toda essa versão, refez a história e projetou o uniforme que todos conhecemos. Uma mudança significativa que, provavelmente, resultou numa personagem bem mais interessante do que a da versão original de Lee e Kirby. Ditko também desenhou uma capa para o número 15 de Amazing Fantasy que foi, todavia, rejeitada. Ironicamente, a dita capa seria desenhada por Kirby.
                 Embora Amazing Fantasy fosse cancelada após essa edição, o Homem-Aranha teve direito a um título próprio: Amazing Spider-Man, coescrito por Lee e Ditko e ilustrado por este último até à sua saída da Marvel. E é esta versão que povoa a imaginação dos leitores há quase meio século. Em 2011, o Escalador de Paredes mais famoso do mundo obteve o terceiro lugar no Top 100 Dos Melhores Super-heróis de Sempre do site IGN, suplantado apenas por Batman (2º) e Super-homem (1º).
Stan Lee e Steve Ditko, os cocriadores do Escalador de Paredes.

 
Noutros media: Sendo um fenómeno de popularidade global, ao longo dos anos o Homem-Aranha já teve direito a diversas séries animadas, a uma lendária série televisiva de 1977 e a quatro adaptações ao grande ecrã, a mais recente das quais é The Amazing Spider-Man (com estreia prevista em Portugal a 5 de julho).  A sua imagem também está associada a todo o tipo de merchandise: desde mochilas a bonecos, passando por pijamas e sapatilhas. Em 2010 estreou na Broadway um musical baseado no herói, cuja música e letra foram da autoria de Bono e The Edge, dos U2. Spider-Man: Turn Off The Dark foi a produção mais cara da história da Broadway (aproximadamente 70 milhões de dólares).
Andrew Garfield (esq.) e Tobey Maguire deram vida ao Homem-Aranha no cinema.