sexta-feira, 27 de julho de 2012

BD CINE APRESENTA: DEMOLIDOR




      Procurando replicar o sucesso dos filmes X-Men e Homem-Aranha, em 2003 a Marvel apostou forte na adaptação do Homem Sem Medo ao grande ecrã. Para a generalidade dos fãs e dos críticos, porém, não obstante o orçamento chorudo e o elenco de luxo, Demolidor foi um fiasco.

Título original: Daredevil
Ano: 2003
País: EUA
Duração: 103 minutos
Argumento e realização: Mark Steven Johnson
Elenco: Ben Affleck (Matt Murdock/Demolidor); Jennifer Garner (Elektra Natchios); Michael Clarke Duncan (Wilson Fisk/Rei do Crime); Colin Farrel (Bullseye)
Orçamento: 79 milhões de dólares
Receitas: 179,2 milhões de dólares
Trailer: http://marvel.com/videos/watch/211/daredevil_trailer

Demolidor, o Homem Sem Medo.
Sinopse: Matt Murdock é um advogado nova-iorquino cego que apenas aceita defender inocentes pro bono. A sua cegueira resultou de um acidente sofrido em criança quando os seus olhos foram salpicados por resíduos tóxicos. O acidente, porém, também amplificou os restantes sentidos do pequeno Matt, dotando-o ainda de uma espécie de sonar que lhe permite "ver" através de vibrações sónicas. Recriminado-se pelo sucedido, o pai de Matt (um ex-pugilista que trabalhava para o crime organizado) resolve regressar ao boxe. Ao recusar perder um combate combinado, Jack "The Devil" Murdock paga a ousadia com a sua própria vida às mãos do misterioso Rei do Crime (Kingpin no original).
              Para vingar o assassínio do seu pai, Matt passa a usar as suas habilidades para combater o crime sob a identidade de Demolidor.  Ao mesmo tempo que, nas salas de tribunal, procura incansavelmente fazer justiça. 
               Num encontro fortuito, Matt conhece Elektra Natchios, a graciosa filha de um empresário com ligações ao todo-poderoso Wilson Fisk (o qual secretamente controla o submundo do crime nova-iorquino). Quando o pai de Elektra revela a sua intenção de cessar os seus negócios com Fisk, este contrata o assassino psicótico que responde pelo nome de Bullseye (conhecido entre nós como Mercenário) para o eliminar.
Elektra, uma órfã em busca de vingança.
               O Demolidor tenta, em vão, impedir que Bullseye seja bem-sucedido na sua missão. Não só o vilão mata o pai de Elektra como consegue incriminar o Homem Sem Medo, levando a jovem órfã a jurar vingança em relação ao herói.
              Entretanto, o repórter Ben Urich, que há tempos vinha investigando as atividades do Demolidor descobre que ele e Matt Murdock são a mesma pessoa. Considerando que o herói tem feito um trabalho positivo, opta por não revelar publicamente a sua identidade. Alerta-o ainda para o facto de Elektra ser o novo alvo de Bullseye.
              A fim de salvar Elektra, o Demolidor parte no encalço de Bullseye. É, porém, atacado pela jovem, cujo domínio de várias artes marciais e sede de vingança a tornam uma adversária temível. Durante a refrega o Demolidor é ferido por Elektra e esta desmascara-o, ficando siderada ao descobrir que se trata do seu amante.
Bullseye, um assassino que nunca falhara antes de se cruzar com o Demolidor.
             Obrigada a enfrentar Bullseye sozinha, Elektra acaba por ser brutalmente assassinada pelo vilão.  Ferido, o Demolidor procura refúgio numa igreja local mas é perseguido pelo sicário. Segue-se uma violenta batalha entre ambos, durante a qual Bullseye descobre que os sons altos são a fraqueza do seu oponente. Quando se preparava para desferir um golpe fatal, o Demolidor bloqueia o ataque e coloca o vilão na linha de fogo de um sniper da polícia posicionado nas imediações. O disparo atravessa as mãos de Bullseye, neutralizando-o.
              Após descobrir que Wilson Fisk é o Rei do Crime e que fora ele quem matara o seu pai, o Demolidor vai até à  torre do vilão para confrontá-lo e trazê-lo à justiça. Embora se revele um exímio lutador, Fisk acaba derrotado pelo Homem Sem Medo. Não sem antes descobrir a sua identidade secreta. Com o vilão à sua completa mercê, o Demolidor optar por entregá-lo às autoridades em vez de o matar.
              Embora com o coração despedaçado pela perda de Elektra, Matt regressa à sua rotina quotidiana como advogado durante o dia e vigilante a coberto da noite. Ao encontrar um fio usado por Elektra no telhado do prédio onde se beijaram pela primeira vez, renasce a sua esperança de que a sua amada ainda esteja viva.
O impiedoso Rei do Crime.
Curiosidades:
- Além do habitual cameo de Stan Lee (cocriador do Demolidor e de várias outras personagens da Marvel), também Kevin Smith (que durante algum tempo escreveu as histórias do Homem Sem Medo) participa no filme no papel de um assistente de laboratório que fornece informações a Ben Urich a troco de dinheiro. São igualmente feitas várias referências a escritores e artistas de alguma forma ligados à personagem: Jack Kirby, John Romita Senior,Joe Quesada, Frank Miller, entre outros.
- Ben Affleck foi recomendado por Kevin Smith ao realizador Mark Steven Johnson para o papel de protagonista. Affleck já participara em vários filmes dirigidos por Smith e fora inicialmente cogitado para interpretar Bullseye.
- Apesar dos seus respeitáveis 132kg, foi pedido a Michael Clarke Duncan que ganhasse mais 40kg a fim de obter a imponente corpulência que o Rei do Crime possui nos quadradinhos. Para esse efeito, o ator teve de levantar pesos durante 30 minutos todos os dias e foi autorizado a comer tudo o que lhe apetecesse.
- Neve Campbell foi equacionada para o papel de Elektra.
- Demolidor foi o primeiro filme onde um efeito sonoro foi adicionado ao logótipo da Marvel nos créditos iniciais. Tornou-se usual nas produções subsequentes da editora.
Minha avaliação: 55% Este é um daqueles filmes que tinha tudo para dar certo mas que acaba por defraudar as expetativas. Talvez porque falta carisma a Ben Affleck para desempenhar um papel deveras exigente. Talvez porque a atmosfera sombria do filme o aproxime em demasia do Batman de Tim Burton. Talvez porque a trama é demasido linear, sendo, portanto, o desfecho previsível desde o início da película. Talvez porque o Demolidor seja um dos muitos super-heróis que não foram talhados para o grande ecrã. Talvez porque o argumento não explora devidamente a faceta mais humana do herói (Matt Murdock acaba por funcionar como um mero apêndice do Demolidor). Ou talvez apenas porque, depois de Homem-Aranha (2002), os fãs de super-heróis haviam colocado a fasquia demasiado elevada.
                             Na melhor das hipóteses, Demolidor é um filme sofrível com algumas cenas de ação bem conseguidas e um vilão que, em alguns momentos, ofusca o herói. Trata-se de um filme ideal para um serão caseiro numa tarde chuvosa de domingo. Ou para quem tem curiosidade em conhecer melhor o Homem Sem Medo mas não quer queimar as pestanas a ler a respetiva banda desenhada (ou o post que publicarei depois deste). A fidelidade do filme aos quadradinhos será, proventura, a sua maior força e, em simultâneo, a sua maior fraqueza.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: LIGA DA JUSTIÇA


      Reunindo os maiores heróis do mundo, a Liga da Justiça já foi da América, tornou-se Internacional e em 2011 deu o salto definitivo para o século XXI. O seu poder, contudo, é muito superior à soma das partes que a compõem, sendo por isso a primeira linha de defesa da Humanidade face a qualquer ameaça.

Nome original: Justice League of America (JLA)
Primeira aparição: Brave and the Bold nº28 (março de 1960)
Criador: Gardner Fox
Licenciadora: DC
Membros fundadores: Super-Homem, Mulher-Maravilha, Batman, Aquaman, Lanterna Verde (Hal Jordan), Flash (Barry Allen) e Caçador de Marte.
Membros atuais: Super-Homem, Mulher-Maravilha, Batman, Aquaman, Lanterna Verde (Hal Jordan), Flash (Barry Allen) e Cyborg.
Base de operações: Ao longo dos anos, a Liga da Justiça teve como sede vários tipos de instalações: a primeira foi o Santuário Secreto (1960), seguiu-se o Satélite da Liga (1970), o Complexo da Liga da Justiça (1984), as Embaixadas da Liga da Justiça Internacional (1987), a Torre da Liga (1997), o Hall da Justiça (2007) e o novo Satélite da Liga (2007).

A estreia da LJA no número 28 de Brave and the Bold (1960).
Origem: Diferentes versões da origem da equipa foram sendo apresentadas ao longo das mais de cinco décadas de publicação. Quase todas com variações significativas na continuidade.
                Na primeira versão, publicada na Idade da Prata dos quadradinhos, a Liga da Justiça, pelas mãos de Gardner Fox (vide Eternos: Gardner Fox), surge como uma reciclagem da clássica Sociedade da Justiça da América. Fox optou por "Liga" por considerar esse um nome mais dinâmico do que "Sociedade", e também pela conotação do termo com o basebol e o futebol americano, duas das mais populares modalidades desportivas nos EUA.
                Tudo começou com a invasão de um grupo de competidores alienígenas, os Appellaxianos, enviados para a Terra numa missão de conquista que determinaria qual deles seria o soberano do seu mundo natal. Os ataques das criaturas chamaram a atenção do Super-Homem, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash, Aquaman, Caçador de Marte e Batman. Enquanto os heróis iam, individualmente, neutralizando cada um dos invasores, acabaram por tornar-se o alvo do mais poderoso dos extraterrestres. Apenas unindo forças os Sete Magníficos (cognome comummente atribuído à Liga), lograram derrotar a criatura. No final, os heróis decidiram manter a equipa a fim de enfrentarem juntos ameaças de grande magnitude.
                Essa história, no entanto, seria completamente revista anos mais tarde, já em plena Idade do Bronze. Depois de ter detetado várias incongruências nos registos da Liga, o Arqueiro Verde (entretanto admitido) obteve a confissão dos seus colegas de que, de facto, a equipa fora formada depois de os outros seis membros fundadores terem resgatado o Caçador de Marte de forças marcianas. Nessa missão participaram outros heróis como Robin, Homem-Robô e até a repórter Lois Lane(!). Formalizada a formação da equipa, os seus membros concordaram em omitir estes factos de modo a evitar uma histeria antimarciana (refletindo a paranoia anticomunista da época).
               Com o fim do multiverso, decorrente da Crise nas Infinitas Terras, a origem da Liga da Justiça foi, uma vez mais, reformulada. Nesta terceira versão, a Canário Negro foi incluída como um dos membros fundadores, ao passo que o triunvirato composto por Batman, Super-Homem e Mulher-Maravilha foi suprimido em virtude das suas versões pós-Crise serem mais jovens e em início de carreira.
               À semelhança da sua origem, também a composição do grupo variou muito ao longo dos anos. Na década de 1970, depois de a Liga se mudar para um satélite em órbita da Terra,  Homem-Elástico, Mulher-Gavião, Tornado Vermelho, Zatanna e Nuclear juntaram-se à equipa. Este período ficou igualmente marcado pelo regresso da Mulher-Maravilha.
               A década seguinte trouxe nova mudança de instalações e novos integrantes. Depois de quase todos os restantes membros fundadores da Liga não terem respondido atempadamente ao chamado de Aquaman para combater uma invasão marciana, o herói subaquático decidiu recrutar novos membros: Vixen, Gládio, Vibro e Cigana. Aos quais se juntavam os veteranos Zatanna, Homem-Elástico e  Caçador de Marte. Detroit foi a cidade escolhida para servir de base de operações à equipa agora liderada por Aquaman. Este seria, no entanto, pouco tempo depois substituído no cargo pelo Caçador de Marte de modo a poder salvar o seu próprio casamento.

A Liga da Justiça de Detroit foi mal recebida pelos fãs.

               Em resultado da reação negativa dos fãs a esta nova versão da Liga da Justiça, a equipa internacionalizou-se no final da saga Lendas. Nesta encarnação, o grupo contava inicialmente nas suas fileiras com Batman, Besouro Azul, Canário Negro, Capitão Marvel, Doutora Luz, Senhor Destino, Guy Gardner, Caçador de Marte e Senhor Milagre. Aos quais logo se juntaram o Gladiador Dourado, Fogo, Gelo, Capitão Átomo e dois Sovietes Supremos. Além de maior poder de fogo, a nova Liga da Justiça Internacional ganhou uma dimensão mais global, abrindo embaixadas nos quatro cantos mundo. Foi, de resto, esta a formação que, num primeiro momento, enfrentou Apocalypse em A Morte do Super-Homem. Durante este período as histórias possuíam um tom humorístico que não agradou a todos os leitores. O mesmo sucedendo com a segmentação da equipa (Liga da Justiça Europa, Liga da Justiça Força-Tarefa e até Liga da Justiça Antártida).  A acentuada quebra nas vendas, levou ao cancelamento dos vários títulos do grupo em 1996.

A irreverente Liga da Justiça Internacional.

                No ano seguinte, porém, surgia a LJA, uma equipa reunificada em histórias sérias. Numa clara tentativa de regresso às origens, o núcleo duro da equipa era formado por Super-Homem, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde (Kyle Rayner), Flash (Wally West), Aquaman, Caçador de Marte e Batman. Como quartel-general, o grupo dispunha agora da Torre da Liga, localizada na Lua. Nesta versão, a LJA era uma alegoria para o panteão dos deuses e, por isso, foram incorporadas personagens de origem divina ou semidivina como a Grande Barda, Orion, Asteca e Zauriel. A par de operacionais humanos como a Caçadora, Aço, Arqueiro Verde (Connor Hawke) e Plastic Man. Outra aquisição importante foi Oráculo (Barbara Gordon) que providenciava informação valiosa para as ações do grupo.

Elenco clássico da LJA.
Da esq. para a dir.: Eléktron, Gavião Negro, Aquaman, Flash, Mulher-Maravilha, Super-Homem, Batman, Caçador de Marte, Lanterna Verde, Arqueiro Verde e Canário Negro.

              Finalmente, em 2011, no corolário da minissérie Flashpoint (Ponto de Ignição, já publicada no Brasil pela Panini Comics), todos os títulos da DC foram cancelados e relançados a partir do número um. Agora crismada simplesmente de Liga da Justiça, a equipa ganhou uma nova origem e voltou a contar (exceção feita ao Caçador de Marte que deu lugar ao ex-Titã Cyborg) com todos os membros fundadores, incluindo os "ressuscitados" Lanterna Verde/Hal Jordan e Flash/Barry Allen.  A este núcleo duro juntam-se ainda ocasionalmente Eléktron, Gavião Negro, Nuclear, Arqueiro Verde, entre outros.
A mais recente encarnação da Liga da Justiça.

Noutros media: Na sua qualidade de grupo de charneira da DC, a Liga da Justiça cedo extravasou o seu sucesso para a televisão através de várias séries de animação. A primeira das quais data de 1973 e é hoje icónica: Super Friends. Seguiram-se Justice League (2001), Justice League Unlimited (2004) e Young Justice (2011).  Pelo meio, em 1997, foi produzido um episódio-piloto de um série baseada na equipa mas o projeto foi prontamente cancelado devido à má qualidade do mesmo. Ainda nesse ano, estreou o filme de animação Justice League of America. Mais recentemente, na 6ª temporada de Smallville, foi apresentada uma versão alternativa da Liga, composta por Impulso, Aquaman, Cyborg, Canário Negro, Arqueiro Verde e, claro,  a versão jovem do Super-Homem.

Imagem do episódio-piloto da série cancelada da LJA (1997).

              
                  
       
          

segunda-feira, 16 de julho de 2012

NÉMESIS: APOCALYPSE


     Imortalizado na História dos quadradinhos como tendo sido o carrasco do Super-homem, Apocalypse é uma formidável máquina assassina cuja origem remonta aos primórdios do planeta natal do Homem de Aço.

Nome original: Doomsday
Primeira aparição: Superman: The Man of Steel nº18 (dezembro de 1992)
Criador: Dan Jurgens
Licenciadora: DC
Origem: Krypton
Parentes conhecidos: Bertron (criador/"pai" falecido)
Filiação: Sociedade Secreta de Supervilões III, Esquadrão Suicida, Apokolips
Poderes e habilidades: Criado para ser a suprema arma de destruição maciça, Apocalypse é o resultado da perversa engenharia genética levada a cabo pelo misterioso Bertron. Repetidamente morto pelas espécies mais letais do universo na inóspita superfície pré-histórica de Krypton, um bebé foi sucessivamente  clonado. De cada vez que isso acontecia, a criatura evoluía, tornando-se resistente ou imune ao que a tinha matado antes. Daí resultando a impossibilidade de Apocalypse ser derrotado duas vezes da mesma maneira. O monstro é, com efeito,  virtualmente indestrutível pois é invulnerável a quase tudo, dispõe de uma capacidade regenerativa quase instantânea, não precisa de se alimentar ou de respirar e consegue sobreviver no vácuo espacial. Todas estas características - a que se somam as protusões ósseas que lhe protegem os poucos órgãos vitais e a capacidade de gerar contramedidas adaptativas - são o corolário de sucessivas evoluções.  Por outro lado, Apocalypse possui uma força descomunal (superior a cem toneladas), supervelocidade e células absorventes que lhe permitem assimilar as capacidades meta-humanas de qualquer oponente seu (foi assim que adquiriu o poder de voo de que não dispunha anteriormente). Entre a sua vastíssima parafernália conta ainda com o Sentido Kryptoniano. Trata-se de uma habilidade genética que lhe permite pressentir a presença de qualquer outro ser com ADN kryptoniano. O que, por sua vez, leva imediatamente Apocalypse a considerá-lo como uma ameaça (o que explica a sua obstinação em matar o Super-homem aquando do primeiro encontro entre ambos).

A primeira aparição de Apocalypse em Superman: The Man of Steel nº18 (1992).

Biografia: No passado remoto de Krypton, muito antes da raça humanoide nativa dominar o planeta, uma abominação sem nome foi artificialmente criada com o propósito de se tornar a suprema arma de destruição em massa. Krypton era então um local inóspito onde apenas os predadores mais fortes e impiedosos tinham alguma hipótese de sobrevivência. Desejando criar uma forma de vida superior, um misterioso alienígena chamado Bertron enviou um bebé para a superfície desolada do planeta para que fosse quase imediatamente morto pelo ambiente hostil ou pelas criaturas ferozes que nele habitavam. Vezes sem conta os despojos mortais do bebé assassinado foram clonados a fim de criar um ser mais forte, mais rápido e mais resistente do que a sua versão anterior. Não tardou, porém, a que o insano cientista usasse a clonagem para acelerar a evolução da sua criatura. Ao longo das décadas que durou este processo, o ser que mais tarde se tornaria o carrasco do Homem de Aço, foi obrigado a sentir a agonia da tortura e da morte milhares de vezes. As recordações das suas incontáveis mortes ficaram gravadas nos seus genes, levando-o a odiar toda e qualquer forma de vida. Por fim, o monstro desenvolveu a capacidade de evoluir sem a tecnologia de Bertron. Tornou-se assim no mais poderoso predador do universo, caçando as feras que antes o tinham tentado matar.
Uma máquina assassina kryptoniana.
                  Depois de dizimar todas as formas de vida existentes em Krypton, Apocalypse partiu no encalço dos seus algozes: Bertron e a sua equipa de cientistas. Em resultado do sofrimento que lhe haviam infligido, todos foram chacinados às mãos da criatura.
                 Apocalypse escapou de Krypton a bordo de uma nave que Bertron construíra e espalhou um enorme rasto de sangue e destruição em vários mundos. Bylan 5 foi a primeira vítima da indómita fúria da criatura. Sucede que Darkseid se encontrava no planeta a fim de desposar um princesa nativa. Movido por interesses obscuros (Darkseid planeava apoderar-se dos depósitos químicos de Bylon 5 para produzir armamento para Apokolips), o vilão tentou impedir que Apocalypse aniquilasse aquele mundo. O confronto entre ambos, porém, foi breve pois, em resultado dele, a atmosfera de Bylan 5 tornou-se tóxica e o planeta deixou de ter qualquer utilidade para o soberano de Apokolips.
                 Apanhando boleia de uma nave salva-vidas, Apocalypse logrou escapar de Bylan 5. A próxima paragem na sua jornada de destruição foi Khundia, planeta onde a nave  salva-vidas se despenhou. Face à ameaça que o monstro representava, os vários clãs khundios juntaram esforços para conceber uma armadura para um bravo guerreiro chamado Kobald. A sua missão era forçar Apocalypse a entrar num foguetão que o levaria para longe de Khundia. Uma vez no espaço, Apocalypse matou Kobald e a explosão que se seguiu deixou-o à deriva no espaço sideral.

Apocalypse ficará na História como o carrasco do Homem de Aço.
                   O próximo a cruzar o caminho de Apocalypse foi um Lanterna Verde chamado Zharan Pel. Não só o monstro assassinou Zharan Pel como se apoderou do seu anel energético e, pressentindo o imenso poder dos Guardiões do Universo, partiu no encalço deles. Milhares de Lanternas Verdes foram enviados para detê-lo.  Todos, no entanto, sucumbiram às mãos de Apocalypse. A criatura prosseguiu a sua viagem até Oa (lar dos Guardiões do Universo) onde um dos Guardiões sacrificou a própria vida para travar a monstruosidade. Com Apocalypse morto, os Guardiões voltaram a sua atenção para a reorganização da Tropa dos Lanternas Verdes. Na verdade, em resultado das energias massivas usadas pelos Guardiões para derrotar o monstro, foi aberta uma brecha no espaço pela qual um Apocalypse ferido e inconsciente caiu.
                  Próxima paragem: Catalon. Após três anos de destruição genocida, e quando já só a capital restava de pé, todos os membros da família real cataloniana combinaram as suas forças vitais num ser composto de pura energia. Assim nasceu o Radiante, que matou Apocalypse com uma potente rajada energética (e destruindo um quinto do seu planeta no processo). Seguindo a tradição fúnebre cataloniana, Apocalypse foi amarrado, envolvido numa mortalha e, por se tratar de um assassino, foi lançado no espaço. Essa viagem acabaria por ter como destino final a Terra.
                 Devido ao impacto da aterragem, o que restava do casco da nave ficou enterrado nas entranhas do nosso planeta. Desconhece-se durante quanto tempo permaneceu no subsolo terrestre. Todavia, Apocalypse não estava morto. À semelhança do que sucedera incontáveis vezes no passado, ele evoluiu em resultado da sua morte. E ali permaneceu aprisionado até ao fatídico dia em que semearia o caos e a morte no nosso mundo, sendo apenas travado devido ao supremo sacrifício do Homem de Aço.
Super-homem versus Apocalyse: um choque de titãs.

Noutros media: Graças ao seu estatuto de assassino do Super-homem, Apocalypse tornou-se um fenómeno de popularidade dentro e fora dos comics. Em 2011, ficou em 46º lugar no Top 100 dos Melhores Vilões de Todos os Tempos, promovido pelo site britânico IGN. Na TV, marcou já presença em várias séries de animação produzidas pela DC: Justice League (com a particularidade de ter sido Michael Jai White - o ator que interpretou Spawn no cinema - a emprestar-lhe a voz); Justice League Unlimited (num episódio em que surge como um clone do próprio Homem de Aço, gerado pelo Projeto Cadmus); em Legion of  Super Heroes surge como um prisioneiro na Zona Fantasma (prisão extradimensional para criminosos kryptonianos); finalmente, na oitava temporada de Smallville surge como o principal antagonista do jovem Super-homem, sendo interpretado na forma humana por  Sam Witwer e por Dario Delacio na forma monstruosa. Nesta versão, Apocalypse foi criado pelo General Zod a partir do ADN das criaturas mais poderosas de Krypton.
                           No filme de animação Superman: Doomsday (2007), a sua origem é simplificada, passando a ser descrito como um supersoldado biomecânico. Já em Superman/Batman: Apocalypse (2010), um exército de clones de Apocalypse, criados por Darkseid, é enviado para atacar Themyscira, lar das Amazonas e da Mulher-Maravilha.
Apocalypse também marcou presença em Smallville.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

ETERNOS: TODD MCFARLANE (1961 - ...)




      Depois de ter passado pela Marvel e pela DC (onde reformulou algumas das mais importantes personagens dessas editoras), Todd McFarlane foi, em 1992, um dos cofundadores da Image Comics. Pelo meio, criou Spawn, um dos mais carismáticos anti-heróis dos quadradinhos, e é hoje um dos homens mais influentes do ramo.
      McFarlane nasceu a 16 de março de 1961 em Calgary, na província canadiana de Alberta. Aos 17 anos descobriu os quadradinhos. Era fã do trabalho do seu compatriota John Byrne, assim como de outros desenhadores consagrados como George Pérez , Jack Kirby e Frank Miller. Apreciava igualmente o trabalho do conceituado argumentista britânico Alan Moore (Watchmen). Era, porém, a arte atípica de Michael Golden (Micronautas) e do criador da manga Akira, Katsuhiro Õtomo que lhe enchiam as medidas.
      No início dos anos 80, após concluir o liceu, McFarlane ingressou na Eastern Washington University com uma bolsa de estudo obtida graças ao basebol (outra das suas paixões) e estudou artes gráficas. Ambicionava vir a ser jogador profissional da modalidade após a conclusão dos estudos superiores. Porém, uma grave lesão no tornozelo, sofrida durante o seu primeiro ano, deitou por terra esse sonho. Passou então a trabalhar numa loja de banda desenhada em Spokane, Washington. Alguns desenhos que fez de várias personagens da Marvel e da DC foram vendidos nessa e noutras lojas da especialidade.
       Coyote, da editora Epic Comics, foi o seu primeiro trabalho publicado quando corria o ano de 1984. Não tardaria, porém, a começar a trabalhar em simultâneo para as arquirrivais Marvel e DC. Foi nesta última que ganhou maior projeção mercê do trabalho desenvolvido no título Infinity, Inc. (conhecido entre nós como Corporação Infinito) entre 1985 e 1987. Nesse mesmo ano ilustrou várias edições de Batman: Year Two. Daí passaria para a Marvel a fim de desenhar Incredible Hulk (1987-88).
Coyote nº13 (1985) contava com a arte de McFarlane no interior.


Capa de Batman nº423 (1988) ilustrada por McFarlane.
       Em parceria com o argumentista David Michelinie, McFarlane assumiu, em 1988, o título Amazing Spider-Man, a partir do número 298. E logo revolucionou o herói aracnídeo. Entre outras alterações introduzidas, destacou-se a forma como passou a desenhar as teias do Escalador de Paredes: o modelo clássico foi substituído pelo que ficaria conhecido como "teia esparguete". Coube-lhe igualmente a honra de ser o primeiro artista a desenhar Eddie Brock, o alter ego original do popular vilão Venom. Embora lhe tenham sido atribuídos os créditos de cocriador da personagem, essa decisão nunca foi consensual e tem sido motivo de discussão no seio da indústria dos comics.
        Seja como for, o trabalho de McFarlane em Amazing Spider-Man converteu-o numa superestrela dos quadradinhos. Pela conceção da capa do número 313 desse título, McFarlane recebeu, em 1989, uns módicos 700 dólares. Em 2010, essa mesma capa seria vendida por 71,2 mil dólares. Talvez por isso, em 1990, depois de ter coproduzido 28 edições de Amazing Spider-Man, McFarlane anunciou ao seu editor a sua intenção de abandonar a série devido à sua saturação de desenhar as histórias de outrem. Tentando demovê-lo dessa decisão, Jim Salicrup ofereceu-lhe um novo título mensal do Escalador de Paredes que McFarlane escreveria e desenharia, gozando de ampla liberdade criativa. Batizada simplesmente Spider-Man, a nova série do herói aracnídeo foi um retumbante sucesso (tendo o primeiro número vendido uns impressionantes 2,5 milhões de exemplares). Ao cabo de 16 edições, onde os leitores foram brindados com vários crossovers do Homem-Aranha com outros heróis da editora como Wolverine, Motoqueiro Fantasma ou X-Force, McFarlane,  em rota de colisão com o novo editor, abandonou o projeto, sendo substituído por Erik Larsen - outro dos futuros cofundadores da Image.

Capa alternativa de Spider-Man nº1(1990).
        Depois da sua saída da Marvel, McFarlane, juntamente com seis outros ilustradores e argumentistas descontentes, fundou a Image Comics (vide Fábrica de Mitos: Image Comics). Dispondo de um estúdio independente, McFarlane deu a conhecer ao mundo a sua maior criação: Spawn, O Soldado Infernal (vide Heróis em Ação: Spawn), cujo número de estreia, em 1992, vendeu 1,7 milhões de exemplares. Um recorde de vendas absoluto para uma editora independente. Dois anos volvidos, McFarlane lançou uma linha de brinquedos própria - a McFarlane Toys. Em virtude desta nova aposta de mercado, delegou a produção criativa de Spawn, limitando-se doravante a participações esporádicas nos títulos da personagem. Além de estatuetas minuciosamente detalhadas do Soldado do Inferno e respetivos coadjuvantes, McFarlane obteve ainda licença para produzir action figures de atletas populares de modalidades como basebol, basquetebol, hóquei e futebol americano. Também lançou bonecos inspirados em estrelas do rock (Jim Morrison, Kiss, etc) e em filmes de culto (Terminator, Matrix, etc.).
Spawn nº1 (1992) vendeu 1,7 milhões de exemplares.
          Em 1996 criou um estúdio de cinema e animação chamado McFarlane Entertainment. Em colaboração com a New Line Cinema, produziu, no ano seguinte, o filme Spawn cujas modestas receitas de bilheteira inviabilizaram uma sequela.
          Fanático por basebol, McFarlane é um ávido colecionador de artigos relacionados com esse desporto e não olha a despesas para obtê-los. Ao longo dos anos tem adquirido várias bolas com que algumas estrelas da modalidade fizeram home runs. Por uma delas desembolsou 3 milhões de dólares...
         Como não há bela sem senão, McFarlane já esteve  envolvido em várias disputas judiciais. Na primeira, que remonta a 1997, foi processado pelo jogador de basebol Anthony Twist por apropriação indevida do seu nome para batizar um dos coadjuvantes das histórias de Spawn (Tony Twist). Condenado, em primeira instância, a pagar uma indemnização no valor de 24,5 milhões de dólares, McFarlane veria o veredicto ser anulado pelo Supremo Tribunal do Missouri em 2003. Um ano antes, novo processo movido contra si, desta vez pelo escritor e argumentista Neil Gaiman. Acusação: violação de direitos autorais e não pagamento de royalties referentes à personagem Miracle Man. McFarlane foi obrigado a pagar 45 mil dólares a Gaiman, assim como todas as custas judiciais, montante que o escritor doou a um fundo para a defesa legal de criadores de comics.
         Polémicas à parte, Todd McFarlane é hoje um dos nomes mais influentes na indústria dos quadradinhos, gerindo negócios que movimentam anualmente milhões de dólares.
Stan Lee e Todd McFarlane: duas lendas vivas dos quadradinhos.