terça-feira, 28 de agosto de 2012

FÁBRICA DE MITOS: MALIBU COMICS





 
          Antes de ser absorvida em 1994 pela Marvel, a Malibu Comics deu cartas no mercado editorial norte-americano de quadradinhos. Nomes sonantes como Jim Starlin e Steve Englehart deram o seu contributo para o êxito do projeto.
         Também conhecida como Malibu Graphics, a Malibu Comics foi fundada em 1986 por Tom Mason e Dave Olbrich (aos  quais se juntou Chris Ulm no ano seguinte) em Calabasas, Califórnia. Ganhou notoriedade com a sua linha de super-heróis batizada de Ultraverse, na qual pontuavam personagens como Prime ou Ultraforce. No entanto, o projeto apenas singrou graças ao financiamento de Scott Mitchell Rosenberg que, na altura, dirigia uma distribuidora de banda desenhada, a Sunrise Distributors. Por sua vez, Olbrich já colaborara com uma editora independente de comics (a Fantagraphics) e fora administrador dos Prémios Jack Kirby (uma espécie de Óscares das histórias aos quadradinhos).

Da esquerda para a direita: Tom Mason, Chris Ulm, David Olbrich e Scott Rosenberg.
 
           A nova editora teve um começo de carreira modesto, limitando-se a publicar títulos a preto e branco. Combinando, porém, o lançamento de séries inéditas com a aquisição do licenciamento de personagens clássicas como Tarzan ou Sherlock Holmes e com as adaptações aos quadradinhos de filmes, séries televisivas e videojogos de sucesso, a Malibu Comics conquistou o seu lugar ao sol na competitiva indústria dos comics, dominada pelas gigantes Marvel e DC.
          Apenas um ano depois da sua fundação, a Malibu Comics adquiriu as editoras Eternity Comics e Aircel Comics (sendo esta canadiana). No âmbito dessa estratégia de crescimento, em 1989 foi a vez de a Adventure Publications ser também absorvida.
         O auge foi atingido em 1992. Nesse ano, os super-heróis da extinta Centaur Publications (uma editora da Idade do Ouro dos Quadradinhos, cujas propriedades autorais se tornaram do domínio público) ressurgiram fugazmente em títulos próprios publicados pela Malibu.  Ainda nesse ano, a Malibu associou-se ao revolucionário projeto da Image Comics (ver Fábrica de Mitos: Image Comics), assegurando-lhe a impressão do material produzido, assim como o acesso aos canais de distribuição. Essa decisão permitiu à Malibu conquistar uma quota de mercado de quase 10%, suplantando, ainda que apenas temporariamente, a toda-poderosa DC. Foi, contudo, sol de pouca dura. No ano seguinte, já com a sua situação financeira consolidada, a Image Comics passou a publicar os seus próprios títulos e pôs um ponto final à sua parceria com a Malibu. Na sequência desse revés, a empresa procurou capitalizar a crescente popularidade dos videojogos e fundiu-se com a ACME Interactive. Nascia assim a Malibu Entertainment, Inc.

Capa de Mortal Kombat nº1.
 
          Durante o boom de super-heróis verificado nos primeiros anos da década de 1990 com o surgimento da Image Comics, da Valiant, mas também com a reinvenção do conceito por parte da DC e da Dark Horse Comics, a Malibu regressou à ribalta com o lançamento do seu Ultraverse. Em parte, essa nova linha de super-heróis destinava-se a preencher o vazio deixado pela emancipação da Image. Todavia, o sucesso do projeto deveu-se, essencialmente, à aposta em novos talentos e ao incremento de qualidade do material produzido face aos quadradinhos tradicionais. À semelhança da Image (e para gáudio dos leitores), a Malibu investiu em papel de melhor qualidade e aderiu ao tratamento digital de cores.
          De modo a enfatizar a interligação entre as diferentes séries que compunham o Ultraverse, a Malibu massificou os crossovers entre as suas várias personagens. Era comum um arco de histórias iniciado num determinado título ter o seu desfecho noutro. Também foram promovidos vários encontros entre personagens do Ultraverse e de outras editoras, nomeadamente da Marvel. Dentre eles, destacam-se: Os Vingadores/Ultraforce, Prime versus Hulk, Night Man versus Wolverine, etc.
           Para rentabilizar ao máximo o êxito da sua linha super-heroica, a Malibu promoveu também intensamente as edições especiais e as edições limitadas. Foi, pois,  sem surpresa que o Ultraverse rapidamente passou a dominar o catálogo da editora.


 
            Um dos seus títulos mais populares era  The Night Man (criado por Steve Englehart) que, entre 1997 e 1999, teve direito a uma série televisiva homónima (também exibida em Portugal na TVI).
 
            Em paralelo, a Malibu lançou a linha Bravura. Destinada a promover o trabalho de criadores independentes, nela colaboraram pesos-pesados da indústria como Jim Starlin, Marv Wolfman ou Howard Chaykin. Já Rock-It Comix apresentava histórias aos quadradinhos baseadas em bandas rock.
Breed foi um projeto de Jim Starlin, publicado na linha Bravura.

           Com o generalizado declínio das vendas que, em meados dos anos 1990, afetava grande parte das editoras, a Malibu cancelou as séries menos rentáveis. Foi nesse contexto que, em 1994, a Marvel Comics avançou com a compra da concorrente. Daí resultando a saída de Tom Mason e de Chris Ulm, pouco tempo depois.
           Ato contínuo, a Marvel cancelou toda a linha Ultraverse. Apenas para, algum tempo depois, relançar os seus títulos mais populares, assim como vários novos crossovers com personagens do universo Marvel. Ou melhor dizendo, do multiverso Marvel, uma vez que o Ultraverse foi incorporado nele sob a designação de Earth 93060. Esse renascimento do Ultraverse foi, porém, efémero e, uma vez mais, a Marvel acabou por cessar a sua publicação.
          Numa entrevista concedida já este ano, Steve Englehart insinuou que, na origem dessa decisão, estaria o facto de 5% dos lucros reverterem para os fundadores da Malibu ainda vivos. Tom Breevort, editor-chefe da Marvel, negou que fosse esse o motivo mas também não aventou outra explicação para o facto, escudando-se num suposto acordo de confidencialidade.

O universo Malibu dá as boas vindas a Evil Ernie (ex-Eternity Comics).
 
          

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ETERNOS: JOE KUBERT (1926-2012)




  
       Com a provecta idade de 85 anos, Joe Kubert, um dos decanos dos quadradinhos, faleceu no pretérito dia 12 de agosto. Além de uma vasta obra produzida ao longo de mais de seis décadas, deixa como legado a sua escola para ilustradores e dois filhos, também eles talentosos desenhistas.
       Presto-lhe aqui a minha humilde homenagem com esta breve resenha biográfica daquele que foi um dos mestres da 9ª arte, que assim fica mais pobre com a sua perda.
        Joe Kubert nasceu a 18 de setembro de 1926 no seio de uma família judia radicada no sudeste da Polónia. Quando tinha apenas dois meses, os seus pais emigraram para os Estados Unidos, levando consigo o pequeno Joe e a sua irmã mais velha Ida.
        Criado na zona leste da cidade de Nova Iorque, Joe Kubert desde cedo começou a desenhar, encorajado pelos seus pais.
        Na introdução à sua graphic novel Yossel, escreveu: "Recebi o meu primeiro ordenado como desenhador quando tinha cerca de doze anos. Cinco dólares por página. Em 1938, era muito dinheiro." De acordo com outras fontes, nesse mesmo ano um seu colega de escola, próximo de um dos mandachuvas dos Estúdios MLJ (futuramente conhecidos como Archie Comics), incentivou-o a visitar a companhia. Joe anuiu e começou a trabalhar, não oficialmente,  como aprendiz. Ao longo dos anos, porém, Joe Kubert relatou diferentes versões dos primórdios da sua carreira. Embora refira o ano de 1938 como o ponto de partida da sua entrada na indústria dos comics, a verdade é que só no ano seguinte os Estúdios MLJ começaram a produzir material. Joe teria então treze anos.
        Anos depois, Joe Kubert ingressou na High School of Music and Arts, localizada em Manhattan. Durante esse período ele e o seu colega (e futuro colaborador) Norman Maurer faltavam por vezes às aulas para se encontrarem com editores. Entretanto, Kubert aprimorava o seu traço graças ao trabalho que desenvolvia no Chester Studio, um dos muitos estúdios independentes que, à época, forneciam material às editoras de quadradinhos.
Tor foi uma mais bem-sucedidas criações de Joe Kubert.
        Em 1942, Kubert viu publicado nas páginas de Catman Comics nº8 (da editora Holyoke Publishing) o seu primeiro trabalho profissional. Tratava-se de uma história de seis páginas protagonizada por Volton, que Joe desenhou e coloriu. Não tardaria a executar serviço idêntico para a Fox Comics e para a Quality Comics. Seria, no entanto, ao serviço da Detective Comics (DC) que alcançaria maior notoriedade e produziria alguns dos seus trabalhos mais notáveis. A sua colaboração com esse colosso da indústria dos quadradinhos principiou em 1943 com Joe a ser contratado para ilustrar e colorir uma história de 50 páginas dos Sete Soldados da Vitória, publicada em Leading Comics nº8.
O Gavião Negro com a arte de Joe Kubert.

          No decurso da década de 1940, a arte de Kubert pôde ser vista em vários títulos da Fiction House, Avon e Harvey Comics. Não tardaria, contudo, a que começasse a trabalhar em exclusivo para a DC. Com efeito, a partir de 1945, iniciou-se uma longa ligação de Kubert com a personagem Gavião Negro (Hawkman).
          Na sua qualidade de editor da St. John Publications, nos anos de 1950, Kubert, em parceria com o seu ex-colega Norman Maurer e o irmão deste, começaram a produzir as primeiras bandas desenhadas em três dimensões. A primeira das quais data de setembro de 1953, tinha como personagem principal Mighty Mouse e  vendeu uns impressionantes 1,2 milhões de exemplares. Ainda durante a passagem de Kubert pela St. John Publications - e de novo em colaboração com Norman Maurer - criou a personagem Tor, um aventureiro pré-histórico sem qualquer relação com o seu quase homónimo da Marvel. A personagem debutou nas páginas de 3-D Comics, tendo logo de seguida migrado para um título próprio no tradicional 2D, totalmente da autoria de Kubert. Tor foi, com efeito, uma das criações mais bem-sucedidas e duradouras de Kubert. Até ao início da década de 1990, o herói pré-histórico surgiu em diversas séries lançadas por editoras como a Eclipse Comics, a Marvel Comics Epic e a DC.
           1955 marca o regresso de Kubert à DC, uma casa que tão bem conhecia. Entre outros, desenhou histórias do Gavião Negro e do Sargento Rock. Trabalhos que lhe trouxeram a consagração definitiva.
Durante muito tempo o Sargento Rock teve as suas aventuras ilustradas por Kubert.


           Entre 1967 e 1976 Kubert desempenhou as funções de diretor de publicações na DC. Período durante o qual apostou no lançamento de títulos baseados na obra de Edgar Rice Burroughs, nomeadamente Tarzan e Korak. Em simultâneo, Kubert supervisionava a produção do material de Sargento Rock e de Weird Worlds, sem nunca deixa de desenhar.
           Depois de se ter mudado com a família para Dover (Nova Jérsia), Kubert fundou em 1976 a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art (coloquialmente conhecida como The Kubert School), uma escola técnica onde os candidatos a desenhadores podiam aprender, num curso de três anos, os princípios básicos da arte sequencial, bem como as particularidades da ilustração comercial e dos comics. Ao mesmo tempo que criava, em conjunto com a sua esposa, os cinco filhos do casal. Dois deles, Adam e Andy Kubert, seguiriam as pisadas do pai e são hoje dois conceituados desenhadores, muito requisitados quer pela Marvel que pela DC.

Kubert trouxe Tarzan de volta à ribalta.
            Joe Kubert voltaria a escrever e a desenhar em 1991 com a graphic novel Country Mouse, City Rat, lançada pela Malibu Comics. Também regressaria à Epic Comics dois anos depois com a produção de uma nova minissérie em 4 edições de Tor. Já neste século, produziria duas aclamadas graphic novels: Yossel: April 19, 1943 (2003) e Jew Gangster (2005), ambas para a Ibooks. Entre 2003 e 2006, colaborou em duas minisséries de outra das suas personagens favoritas, o Sargento Rock.
           Entre os seus últimos trabalhos, destaca-se a série limitada de seis edições Tor: A Prehistoric Odissey (2008) e uma história inédita do Sargento Rock, escrita em 2009 pelo seu filho Adam.
           Ao longo da sua carreira, Joe Kubert foi agraciado com vários prémios e nomeado para outros tantos. O primeiro foi o Alley Award para a Melhor Ilustração de Capa e remonta a 1962. O último foi-lhe atribuído em 2010. Trata-se de um prémio de carreira conferido pela National Cartoonists Society.
           Vítima de cancro, Joe Kubert faleceu a 12 de agosto último, um mês antes de completar o seu 86º aniversário. O homem partiu mas a obra perdurará no tempo. Assim nasceu uma lenda com lugar reservado no panteão dos deuses eternos da 9ª arte.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

NÉMESIS: RA'S AL GHUL





      
         Traduzido literalmente do Árabe, Ra's al Ghul significa "Cabeça do Demónio". Um dos mais poderosos inimigos do Homem-Morcego, foi também o primeiro a descobrir a sua identidade secreta. Um génio insano que não olha a meios na sua secular demanda pela conquista do mundo.

Nome original: Ra´s al Ghul
Primeira aparição: Batman nº232 (junho de 1971)
Criadores: Denny O'Neil (texto) e Neal Adams (arte)
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Desconhecida
Origem: Egito (apesar da óbvia incongruência geográfica com a biografia abaixo, é esta a nacionalidade atribuída à personagem no site oficial da DC)
Parentes conhecidos: Sensei (pai), Sora (primeira esposa falecida), Melisande (segunda esposa falecida), Dusan al Ghul (filho, também conhecido como Fantasma Branco), Talia al Ghul (filha), Nyssa Raatko (filha) e Damian Wayne (neto e o atual Robin).
Base de operações: Móvel
Filiação: Liga de Assassinos
Poderes e armas:  Graças ao Poço de Lázaro, Ra´s al Ghul tornou-se virtualmente imortal. As milagrosas águas do poço permitem-lhe rejuvenescer, sarar ou até ressuscitar o seu corpo vezes sem conta. Ao longo dos séculos, a longevidade do vilão permitiu-lhe acumular vastos conhecimentos e recursos que, somados ao seu intelecto superior e ao seu domínio de várias artes marciais, o tornam num adversário de respeito. Em combate, as suas armas de eleição são as cimitarras e as catanas dado tratar-se de um exímio espadachim. Em resultado das suas inúmeras exposições ao Poço de Lázaro, Ra's al Ghul viu a sua força, velocidade e resistência ampliadas a um nível sobre-humano. Por outro lado, outro dos efeitos secundários dessa sobreexposição é a demência progressiva.


A primeira aparição de Ra's al Ghul em Batman nº232 (1971).

Biografia: A criança sem nome que mais tarde se tornaria o ecoterrorista internacional conhecido como Ra´s al Ghul, nasceu cerca de 600 anos atrás, no seio de uma tribo nómada num deserto situado algures na Península Arábica, perto de uma cidade cujos antepassados dos seus habitantes haviam sido imigrantes chineses. Desde tenra idade que Ra's se interessou pela Ciência, em especial pela Alquimia. Incapaz de aprofundar os seus conhecimento na sua condição de nómada, abandonou a sua tribo e mudou-se para a cidade, onde inicia os seus estudos científicos. Torna-se um físico e desposa uma mulher chamada Sora, o grande amor amor da sua vida.
                   Ra's descobre os segredos do Poço de Lázaro, cujas propriedades regenerativas são usadas para salvar a vida de um príncipe moribundo. Este, porém, enlouquece depois de mergulhado nas águas do poço e estrangula Sora (que já cobiçava há algum tempo). Incapaz de admitir a culpa do filho pelo sucedido, o rei incrimina Ra's e sentencia-o a uma morte lenta dentro de uma jaula com o cadáver da sua esposa assassinada. É, no entanto, libertado pelo filho de uma velhota cega, cujo sofrimento mitigara algum tempo antes. Os dois fogem então para o deserto, em busca da antiga tribo de Ra's.
                  Sob a promessa do derrube do rei da cidade, Ra´s convence o chefe da sua tribo (e seu tio) a ajudá-lo na sua vingança. Congemina então um maquiavélico plano que consistia em infetar o príncipe com um vírus letal, enviando-lhe tecidos contaminados. Muitos séculos antes da descoberta dos germes e dos micróbios patogénicos, já Ra's possuía esse tipo de conhecimento.
                 Quando o rei traz o filho à presença de Ra´s, suplicando-lhe que lhe salve novamente a vida, são ambos executados por ele. De seguida, Ra´s lidera a sua tribo num brutal ataque à cidade onde vivera o seu maior pesadelo, arrasando-a e matando todos os seus habitantes. Após este episódio, auto proclama-se Cabeça do Demónio.

A Cabeça do Demónio.

                 Ra´s passa os séculos seguintes a viajar pelos quatro cantos do mundo. Durante esse tempo, ele, o seu tio e o rapaz que o libertara do cruel cativeiro imposto pelo ex-monarca da cidade, usam sucessivamente o Poço de Lázaro para aumentar a sua longevidade. Certo dia, porém, quando se encontravam de passagem por Londres, Ra's descobre que, não obstante a sua proibição expressa de registos escritos, o rapaz escrevia as sua memórias no seu próprio dialeto. Segue-se um confronto entre ambos, que termina com a morte do jovem às mãos do seu antigo mentor. O tio de Ra's, entretanto, desaparece sem deixar rasto e levando consigo os registos históricos lavrados pelo rapaz.
                Com os anos, Ra´s torna-se um mestre em diversas artes marciais, sendo a  esgrima a sua predileta. Acumula também uma vasta fortuna que lhe permite fundar a organização internacional O Demónio. Trata-se de um cartel criminoso que, segundo reza a lenda, tem sugado as riquezas do planeta ao longo dos últimos 500 anos. No seio de O Demónio surge a Liga de Assassinos com o propósito de manipular eventos-chave, de modo a garantir o domínio mundial que Ra´s tanto almeja.  Na verdade, o vilão (classificado pelas autoridades mundiais como um perigoso ecoterrorista internacional), acredita que os males causados pela humanidade à Terra deveriam ser punidos com a extinção. E não olha a meios para atingir esse fim. O que, frequentemente, o coloca em rota de colisão com Batman. Referindo-se-lhe, invariavelmente, como "o detetive", Ra's considera o Cavaleiro das Trevas como um dos pouco adversários à sua altura. Logo no primeiro encontro de ambos, o vilão deduziu que o Homem-Morcego e Bruce Wayne eram uma só pessoa, pois só este dispunha dos recursos necessários para financiar a atividade do herói.  Encorajou também a sua filha Talia a casar com o seu arqui-inimigo. Dessa união resultou Damian Wayne, o atual Robin.

Batman versus Ra's al Ghul: duelo mortal.

 
Noutros media: Fora dos quadradinhos, a primeira aparição de Ra's al Ghul ocorreu num episódio em duas partes em Batman: The Animated Series (1992-95), intitulado "A Busca do Demónio".Além das séries de animação estreladas pelo Caveleiro das Trevas, Ra's também já fez aparições em séries como Superman: The Animated Series e Young Justice. Entre outros, enfrentou a Liga da Justiça, o Super-Homem e a Sociedade da Justiça da América. Foi, contudo, no cinema que obteve maior projeção ao seu escolhido para antagonista principal do Homem-Morcego em Batman Begins (2005), o primeiro filme da trilogia dirigida por Christopher Nolan. Liam Neeson encarnou o diabólico vilão, papel que repetiu num cameo em Batman: The Dark Knight Rises (ainda nos cinemas).

Liam Neeson (esq.) como Ra's al Ghul em Batman Begins (2005).

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

NÉMESIS: ENCANTOR





      Deuses ou reles mortais, todos sucumbem aos encantos desta sedutora feiticeira asgardiana. Velha inimiga de Thor (com quem mantém uma relação de amor-ódio), especula-se que Encantor será a vilã de serviço no próximo filme do Deus do Trovão.

Nome original: Enchantress
Primeira aparição: Journey Into Mistery nº103 ( abril de 1964)
Criadores: Stan Lee e Jack Kirby
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Amora
Local de nascimento: Asgard
Base de operações: Asgard e Terra
Parentes conhecidos: Lorelei (irmã falecida)
Filiação: Mestres do Terror
Poderes e habilidades:  Descrita como uma das feiticeiras mais poderosas de Asgard, entre a míriade de poderes de que Encantor dispõe destacam-se a levitação, a transmutação, o teletransporte inter-dimensional, a telepatia, o controlo mental e a capacidade de lançar rajadas energéticas. Como qualquer deusa asgardiana, possui força, velocidade e resistência sobre-humanas. No entanto, sempre que possível, Encantor prefere evitar o confronto físico, optando antes por usar a sua beleza e magia para seduzir e dominar os seus adversários. Um beijo seu é suficiente para escravizar um homem durante cerca de uma semana (e nem os seus pares asgardianos estão imunes aos seus encantos). Como complemento à sua magia, Encantor usa frequentemente poções especiais, talismãs e cristais capazes de aprisionar almas. Quando afastada de Asgard por um longo período de tempo, os poderes de Encantor diminuem gradualmente sem, contudo, desaparecerem por completo.

Encantor debutou em 1964 em Journey Into Mistery nº103.

Biografia:  Desconhece-se a identidade dos pais de Amora. Sabe-se apenas que nasceu em Asgard e que tem uma irmã chamada Lorelei - a qual morreu em virtude de Amora se ter recusado a sacrificar a vida por ela. Ao contrário dos demais asgardianos, Amora não é baseada numa divindade nórdica. Está, todavia, relacionada com mitos associados a outras deusas como Iduna, Freyja e Gefn. É, por exemplo, referida em algumas histórias como sendo a guardiã das Maçãs Douradas, a fonte da imortalidade dos asgardianos de acordo com a mitologia nórdica.
                    Com o tempo, tornou-se uma das mais poderosas e temidas feiticeiras asgardianas, utilizando o seu vasto arsenal místico quase exclusivamente para controlar mentes.
                     Amora dedicou a sua vida imortal à busca de poder e prazer, não se coibindo de usar a sua feitiçaria e a sua sexualidade como meios para atingir esses fins. Para aprimorar os teus talentos místicos, foi treinada pela feiticeira suprema de Asgard, Karnilla, a rainha das Nornes. Seria, no entanto, banida pela sua mentora, em resultado da sua crónica indisciplina.
                    Passou então a estudar as artes arcanas sob a tutela de muitos outros magos asgardianos, seduzindo-os frequentemente a fim de se apoderar dos seus segredos. Ao atingir a idade adulta, Amora tornou-se uma poderosa feiticeira conhecida pela sua beleza inebriante, bem como pelos seus esquemas infames.
                    Na sua primeira aparição como Encantor, Amora é enviada a Midgard (nome por que é conhecida a Terra entre os deuses asgardianos) com a missão de eliminar Jane Foster, a humana por quem Thor se enamorara. Na esperança de fazer o Deus do Trovão sucumbir aos seus encantos, a feiticeira faz-se acompanhar de um assecla chamado Skurge, o Executor, que  amava loucamente Encantor e estava disposto a fazer qualquer coisa por ela.
Encantor e o Executor.
                     Forjando uma aliança estratégica com o meio-irmão de Thor, o maligno Loki, Encantor seduziu Donald Blake, o alter ego humano do Deus do Trovão. Enquanto isso, o Executor aprisionou Jane Foster numa dimensão paralela. Ambos acabaram, contudo, por ser derrotados pelo filho de Odin. Depois de resgatar a sua amada, Thor transportou Encantor e o Executor de volta a Asgard. Ambos seriam, porém, exilados na Terra por vontade de Odin.
                     Na sequência desses eventos, Encantor e o Executor juntaram-se ao grupo de supervilões liderado pelo Barão Zemo - os Mestres do Terror - tendo em diversas ocasiões medido forças com Thor e os seus companheiros Vingadores.
                    Movida pela sua insaciável sede de poder e de vingança, Encantor (uma vez mais auxiliada pelo seu fiel aliado Executor e também por um exército de trolls), tentou, anos mais tarde, conquistar Asgard. Também serviu sob as ordens de Loki durante o seu breve reinado no lar dos deuses nórdicos.
                 Na batalha final contra Surtur (o demónio que pretendia cumprir as profecias do Ragnarok), Encantor combateu ao lado dos restantes asgardianos. Fê-lo, contudo, por motivos egoístas uma vez que a criatura desejava destruir Asgard, ditando a morte de todos, incluindo a própria Encantor. Esse seu aparente ato abnegado valeu-lhe, ainda assim, uma amnistia concedida por Odin. Desde então tem mantido um romance intermitente com Thor, do qual se aproximou depois de ele ter herdado o trono de Asgard. Aliada, conselheira e, por vezes, amante do Deus do Trovão, Encantor tornou-se uma figura proeminente na governação do Reino do Arco-íris.
                 Mais recentemente, Encantor, à semelhança de muitos outros asgardianos, foi dada como morta na sequência da revolta levada cabo por Loki com o intuito de desencadear o Ragnarok. O futuro dirá se esta vilã de moral dúbia regressará ou não...
Thor e Encantor: uma relação de amor-ódio.

Noutros media: A estreia de Encantor na televisão teve lugar em 1966 ao participar nas aventuras de Thor na série de animação The Marvel Super Heroes. Em 2010, voltou a ter um papel de destaque na primeira temporada de The Avengers: Earth's Mightiest Heroes, surgindo novamente aliada a Loki.
                         Especula-se, entretanto, que Encantor será a antagonista do Deus do Trovão no segundo filme do herói (Thor 2: Dark World) atualmente em produção. Desconhece-se, porém, a veracidade dessa informação posta a circular na Internet, assim como o nome da atriz que eventualmente interpretará a vilã.
                        Encantor figura ainda em diversos videojogos relacionados com o universo Marvel, sendo igualmente uma das personagens mais populares entre os fãs de cosplay.
Será Encantor a vilã de Thor 2?