terça-feira, 4 de setembro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: CANÁRIO NEGRO






       A atual Canário Negro é filha da original e de um agente policial, estando portanto predestinada a ser uma combatente do crime. Porém, ao contrário da sua antecessora, possui um impressionante poder sónico, graças a um misterioso metagene.
Nome original: Black Canary
Primeira aparição: Justice League of America nº220 (novembro de 1983)
Criadores: Denny O'Neil e Dick Dillin
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Dinah Laurel Lance
Local de nascimento: Gotham City
Base de operações: Gotham City
Parentes conhecidos: Larry Lance e Dinah Drake (pais falecidos), Oliver Queen (ex-marido), Craig Windrow (ex-marido), Sin (filha adotiva) e Connor Hawke (enteado).
Filiação: Aves de Rapina (membro fundador no ativo), Liga da Justiça da América (ex-membro), Liga da Justiça Internacional (ex-membro).
Poderes e habilidades: Devido à presença de um metagene no seu organismo, a Canário Negro possui a capacidade de lançar potentes rajadas sónicas. O chamado Grito do Canário consegue aturdir os seus oponentes, bem como danificar objetos, ao ponto de amolgar metal. Graças à sua extraordinária capacidade de controlar as suas cordas vocais, a heroína consegue reproduzir e/ou gerar uma vasta gama de sons. Em algumas ocasiões, o Grito do Canário atingiu os 300 decibéis, o que é suficiente para fazer uma pessoa sangrar dos ouvidos, mesmo que não seja o alvo do ataque.  Dinah Lance é também uma das mais exímias lutadoras corpo a corpo do universo DC, dominando várias artes marciais, entre as quais a Capoeira, o Krav Maga e o Muay Thai, apenas para mencionar algumas. É ainda uma brilhante estratega, dotada de um forte carisma e capacidade de liderança. Essas valências conduziram-na, em tempos, ao comando da Liga da Justiça. Com uma longa carreira de combatente do crime, a Canário Negro desenvolveu também notáveis aptidões detetivescas. Adepta da velocidade, normalmente faz-se transportar numa potente mota e não dispensa o uso de vários gadgets de alta tecnologia.

A segunda versão da Canário Negro debutou nas páginas de JLA nº220 (1983).
Biografia: Com a publicação da maxissérie Crise nas Infinitas Terras em meados dos anos 1980, toda a continuidade da DC foi reescrita. Consequentemente, a personagem Canário Negro foi dividida em duas. Uma delas, Dinah Drake, foi uma super-heroína que atuou na Era de Ouro, integrando a Sociedade da Justiça da América (SJA); a outra, Dinah Lance, era filha da primeira, fez parte da Liga da Justiça da América (LJA) e, ao contrário da sua antecessora, possuía um superpoder.
                  Na cronologia oficial pós-Crise, Dinah Drake casou-se com Larry Lance, um agente policial. Pouco tempo depois, o casal teve uma filha. Recebendo o mesmo nome da mãe, a menina cresceu rodeada de super-heróis, ex-companheiros da mãe na SJA. Isso despertou nela o desejo de, um dia, se tornar ela própria uma combatente do crime. Nunca contou, porém, com o encorajamento da progenitora que, por todos os meios, tentou demover a jovem Dinah de lhe seguir as pisadas.
                 Devido à presença de um misterioso metagene no seu ADN, Dinah possui a capacidade de emitir potentes rajadas sónicas.  Esta descoberta reforçou ainda mais o seu desejo de assumir o manto da Canário Negro. Nesse sentido, procurou vários mestres de artes marciais para que estes a treinassem. Um dos seus tutores foi o ex-membro da SJA conhecido como Pantera. Os anos de treino rigoroso e intensa dedicação foram recompensados quando Dinah se tornou a nova Canário Negro.

Dois antigos uniformes usados pela heroína.

                 Tendo como terreno de operações Gotham City (onde, em diversas ocasiões, se cruzou com Batman), a jovem heroína batizou o seu superpoder de Grito do Canário e não tardaria a ser admitida na renovada Liga da Justiça. Foi durante esse período que conheceu Oliver Queen (vulgo Arqueiro Verde) com quem, apesar da diferença de idades, se envolveria romanticamente.
                Ao longo de seis anos, a Canário Negro lutou ao lado dos restantes heróis e heroínas que compunham a LJA, antes do grupo ser dissolvido. Esse facto coincidiu com a morte da mãe, em resultado de um envenenamento radioativo. Profundamente abalada, a Canário Negro mudou-se para Seattle na companhia do Arqueiro Verde, cidade onde atuaram como parceiros no combate ao crime.
               Atravessando uma espécie de crise precoce de meia-idade, Oliver quis casar com a sua companheira de longa data, assentar e construir uma família. Ideia rejeitada por Dinah, que considerava as suas vidas demasiado perigosas para assumirem tão grandes responsabilidades.
               Durante esse conturbado período, depois de falhar numa operação para desmantelar uma rede de narcotráfico, a Canário Negro foi capturada e torturada antes de ser resgatada pelo Arqueiro Verde. Essa experiência traumática deixou mazelas físicas e emocionais em Dinah: além de perder temporariamente a sua capacidade de usar o Grito do Canário, deixou de poder ter filhos. Não obstante, ela perseverou e continuou a combater o crime, mesmo privada do seu poder. Por fim, Dinah e Oliver acabaram por se separar após a descoberta de uma infidelidade conjugal dele. A amizade entre ambos, porém, sobreviveu. Anos mais tarde, o casal acabaria mesmo por casar (e mesmo depois do divórcio, muitos acreditam que se continuam a amar).

Parceiros no combate ao crime, Arqueiro Verde e Canário Negro foram também marido e mulher.

             Muito tempo após esses eventos, e sentindo falta de um objetivo de vida, a Canário Negro foi recrutada pela Oráculo (Barbara Gordon) para executar várias missões de combate ao crime em Gotham City. Dessa parceria nasceriam as Aves de Rapina (Birds of Prey no original), um coletivo de super-heroínas que contava nas suas fileiras  com a Caçadora e a Lady Falcão Negro, após o abandono precoce da Poderosa. Ainda privada do seu poder, a Canário Negro usou durante essa fase as Bombas de Grito do Canário, um dispositivo eletrónico que reproduzia a sua habilidade meta-humana perdida. A qual recuperaria após mergulhar no Poço de Lázaro de Ra´s al Ghul (vide Némesis: Ra's al Ghul). Na sequência desse episódio, recuperou também a sua capacidade reprodutiva.
           Recentemente, no âmbito de nova reformulação da continuidade do universo DC (Os Novos 52) a história da Canário Negro e das Aves de Rapina foi reescrita: o casamento de Dinah e Oliver Queen foi omitido da nova cronologia; Barbara Gordon voltou a assumir a identidade de Batgirl e a equipa conta agora nas suas fileiras com a ex-vilã Hera Venenosa. Decorrente desse e de outros factos, as Aves de Rapina são encaradas como um bando de renegadas, atuando à margem da Lei. Facto que, por sua vez, motivou a mudança do grupo para Metrópolis.

O Grito do Canário em ação.
O trio fundador das Aves de Rapina: Caçadora, Oráculo e Canário Negro.
Noutros media: A primeira aparição televisiva da Canário Negro remonta a 1979. Interpretada por Danuta Wesley, participou em dois episódios especiais da série Legends of the superheroes, produzida pela Hanna-Barbera e transmitida pela NBC.
                        Um episódio da sétima temporada de Smallville, intitulado Siren, marcou o regresso ao pequeno ecrã da heroína loira, desta feita interpretada por Alaina Huffman. Repetiria a sua participação em vários episódios das temporadas seguintes da série.
                       Com maior ou menor destaque, a Canário Negro também participou, ao longo dos anos, em diversas séries de animação com a chancela da DC: Justice League Unlimited, Batman, The Brave and the Bold, foram apenas algumas delas.

Alaina Huffman como Canário Negro em Smallville.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

BD CINE APRESENTA: BLADE




 
     Ação ininterrupta. Efeitos especiais espetaculares. Doses industriais de hemoglobina. Eis os principais ingredientes que fizeram de Blade um filme de sucesso. E não só entre os fãs de super-heróis.
 
Título original: Blade
Ano: 1998
País: EUA
Duração: 120 minutos
Realização: Stephen Norrington
Argumento: David S. Goyer
Elenco: Wesley Snipes (Blade), Stephen Dorff (Deacon Frost), Kris Kristofferson (Abraham Whistler), N'Bushe Wright (Doutora Karen Jenson)
Orçamento: 45 milhões de dólares
Receitas: 131,2 milhões de dólares
 
Wesley Snipes encarna o implacável caçador de vampiros.
 
 
Sinopse: Uma mulher grávida recebe assistência num hospital depois de ter sido mordida por um vampiro, embora os médicos assumam que se tratou de um ataque cometido por um animal.  A mulher acaba por dar à luz um menino, morrendo logo depois do parto.
                O rapaz herda assim a força sobre-humana, os sentidos aguçados, o fator de cura acelerada e a sede de sangue dos vampiros. Porém, não as suas principais fraquezas: ao contrário dos seus semelhantes, Blade é imune ao sol e ao alho.
                Já adulto, Blade torna-se um implacável caçador de vampiros, conhecido entre a comunidade vampírica como O Diurno.
                Certa noite, Blade localiza um clube noturno gerido por vampiros e extermina a quase totalidade dos frequentadores. Entres eles encontrava-se Quinn, empalado pelo Diurno. O seu cadáver é então levado para a morgue, onde é autopsiado pela Dra. Karen Jenson, uma reputada hermatologista. Inesperadamente, Quinn volta à vida e morde a Dra. Jenson.  Blade aparece a tempo de salvá-la da morte certa mas, devido à intervenção da polícia, não consegue evitar que Quinn escape.
              Com o propósito de impedir a transformação da Dra. Jenson numa vampira, Blade leva-a para o seu esconderijo secreto, onde já se encontrava o seu mentor e armeiro, Abraham Whistler.
              Entretanto, tem lugar uma reunião do Conselho das Sombras, na qual Dragonetti, o decano dessa organização secreta de vampiros, disserta sobre a intensificação dos ataques de Blade e repreende Deacon Frost pela sua incúria na gestão do seu clube noturno. A hierarquia vampírica defende uma coabitação pacífica com os humanos, em vez de um conflito em larga escala entre ambas as espécies. Por seu lado, a fação renegada chefiada por Frost defende que os vampiros devem governar o mundo e tratar os humanos como gado. Tendo esse objetivo em vista, Frost estuda com afinco a mitologia vampírica, na esperança de poder transformar-se na divindade conhecida como La Magra.
              Enquanto a Dra. Jenson se oferece para tentar encontrar uma cura para a necessidade de sangue que afeta Blade, Frost mata Dragonetti e aprisiona a cúpula do Conselho das Sombras.
             Quando Blade deixa o seu esconderijo para tentar encontrar os materiais necessários à produção do soro experimental da Dra. Jenson, Frost e os seus comparsas atacam o local.  Jenson é raptada e Whistler espancado e mordido. Quando Blade regressa ao local, dá uma arma ao amigo para que este ponha termo à própria vida antes que se transforme num monstro sedento de sangue.
 
Blade versus Frost.
 
             Após um combate renhido com Frost, Blade é capturado e levado para o Templo da Noite Eterna. O vilão planeia usar o sangue do Diurno, bem como o sacrifício dos doze membros do Conselho das Sombras, para ressuscitar La Magra, tornando-se a nova encarnação da divindade.
             Frost atira a Dra. Jenson para dentro de um poço mas esta consegue escapar. Inicia-se então o ritual, durante o qual Blade tem o seu sangue drenado e os ex-membros do Conselho das Sombras têm os seus espíritos arrancados dos seus corpos para se fundirem com Frost. Quando este está prestes a encarnar La Magra, Blade é libertado pela Dra. Jenson. O herói está, porém, muito enfraquecido, pelo que Jenson lhe oferece o seu próprio sangue.  No rescaldo do confronto que se segue, Frost morre às mãos do Diurno. Jenson oferece-se para continuar a trabalhar numa cura para a condição de Blade. Mas este recusa pois isso privá-lo-ia das vantagens que a mesma lhe confere na sua guerra sem quartel contra as cruéis criaturas da noite. 
            
 
 
Curiosidades:
 
* Denzel Washington e Laurence Fishburne também foram cogitados para o papel principal;
* A escolha recaiu sobre Wesley Snipes porque, na altura, ele estava em negociações com a Marvel para participar num filme do Pantera Negra;
* A identidade civil de Blade é Eric Brooke, sendo o nome apenas mencionado uma vez no filme;
* O carro usado por Blade é um Dodge Charger de 1968 com várias modificações;
* Marv Wolfman, cocriador com Gene Colan de Blade, processou a Marvel após a estreia da película, exigindo 50 milhões de dólares. Tudo o que obteve foi a inclusão do seu nome nos créditos do filme;
* O habitual cameo de Stan Lee  foi cortado na versão final do filme;
* Racquel, a sedutora vampira que conduz um homem para uma das raves vampíricas, é interpretada pela ex-estrela porno Traci Lords.
 
Minha avaliação: 60%
     Blade foi a primeira adaptação ao cinema bem-sucedida por parte da Marvel, especialmente depois dos desastres que os inenarráveis Batman & Robin e Steel representaram para a rival DC. O seu êxito convenceu a editora a apostar na produção de outros filmes baseados em personagens suas, como o Homem-Aranha ou os X-Men.
     Visualmente, Blade é magnífico. Um deleite para os apreciadores de filmes de ação, com as suas mirabolantes batalhas aéreas, duelos de espadas, efeitos pirotécnicos, etc. Por outro lado, os cenários neogóticos também fizeram decerto as delícias dos fãs de vampiros e de filmes de terror.
      No entanto, a narrativa de Blade é falha. Desde logo pela unidimensionalidade do herói, que nos é apresentado tão-só como um autómato assassino, deixando por explorar os dilemas que a sua condição de híbrido certamente lhe suscitariam. Enquanto metáfora para alguns dos flagelos contemporâneos (Sida, racismo, homofobia, etc.), o vampirismo é de igual modo subaproveitado.
      Blade, em suma, passa ao lado de alguns temas mais profundos, resumindo-se a um bom filme de ação. Talvez fosse, porém, exatamente isso que se pretendia...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

FÁBRICA DE MITOS: MALIBU COMICS





 
          Antes de ser absorvida em 1994 pela Marvel, a Malibu Comics deu cartas no mercado editorial norte-americano de quadradinhos. Nomes sonantes como Jim Starlin e Steve Englehart deram o seu contributo para o êxito do projeto.
         Também conhecida como Malibu Graphics, a Malibu Comics foi fundada em 1986 por Tom Mason e Dave Olbrich (aos  quais se juntou Chris Ulm no ano seguinte) em Calabasas, Califórnia. Ganhou notoriedade com a sua linha de super-heróis batizada de Ultraverse, na qual pontuavam personagens como Prime ou Ultraforce. No entanto, o projeto apenas singrou graças ao financiamento de Scott Mitchell Rosenberg que, na altura, dirigia uma distribuidora de banda desenhada, a Sunrise Distributors. Por sua vez, Olbrich já colaborara com uma editora independente de comics (a Fantagraphics) e fora administrador dos Prémios Jack Kirby (uma espécie de Óscares das histórias aos quadradinhos).

Da esquerda para a direita: Tom Mason, Chris Ulm, David Olbrich e Scott Rosenberg.
 
           A nova editora teve um começo de carreira modesto, limitando-se a publicar títulos a preto e branco. Combinando, porém, o lançamento de séries inéditas com a aquisição do licenciamento de personagens clássicas como Tarzan ou Sherlock Holmes e com as adaptações aos quadradinhos de filmes, séries televisivas e videojogos de sucesso, a Malibu Comics conquistou o seu lugar ao sol na competitiva indústria dos comics, dominada pelas gigantes Marvel e DC.
          Apenas um ano depois da sua fundação, a Malibu Comics adquiriu as editoras Eternity Comics e Aircel Comics (sendo esta canadiana). No âmbito dessa estratégia de crescimento, em 1989 foi a vez de a Adventure Publications ser também absorvida.
         O auge foi atingido em 1992. Nesse ano, os super-heróis da extinta Centaur Publications (uma editora da Idade do Ouro dos Quadradinhos, cujas propriedades autorais se tornaram do domínio público) ressurgiram fugazmente em títulos próprios publicados pela Malibu.  Ainda nesse ano, a Malibu associou-se ao revolucionário projeto da Image Comics (ver Fábrica de Mitos: Image Comics), assegurando-lhe a impressão do material produzido, assim como o acesso aos canais de distribuição. Essa decisão permitiu à Malibu conquistar uma quota de mercado de quase 10%, suplantando, ainda que apenas temporariamente, a toda-poderosa DC. Foi, contudo, sol de pouca dura. No ano seguinte, já com a sua situação financeira consolidada, a Image Comics passou a publicar os seus próprios títulos e pôs um ponto final à sua parceria com a Malibu. Na sequência desse revés, a empresa procurou capitalizar a crescente popularidade dos videojogos e fundiu-se com a ACME Interactive. Nascia assim a Malibu Entertainment, Inc.

Capa de Mortal Kombat nº1.
 
          Durante o boom de super-heróis verificado nos primeiros anos da década de 1990 com o surgimento da Image Comics, da Valiant, mas também com a reinvenção do conceito por parte da DC e da Dark Horse Comics, a Malibu regressou à ribalta com o lançamento do seu Ultraverse. Em parte, essa nova linha de super-heróis destinava-se a preencher o vazio deixado pela emancipação da Image. Todavia, o sucesso do projeto deveu-se, essencialmente, à aposta em novos talentos e ao incremento de qualidade do material produzido face aos quadradinhos tradicionais. À semelhança da Image (e para gáudio dos leitores), a Malibu investiu em papel de melhor qualidade e aderiu ao tratamento digital de cores.
          De modo a enfatizar a interligação entre as diferentes séries que compunham o Ultraverse, a Malibu massificou os crossovers entre as suas várias personagens. Era comum um arco de histórias iniciado num determinado título ter o seu desfecho noutro. Também foram promovidos vários encontros entre personagens do Ultraverse e de outras editoras, nomeadamente da Marvel. Dentre eles, destacam-se: Os Vingadores/Ultraforce, Prime versus Hulk, Night Man versus Wolverine, etc.
           Para rentabilizar ao máximo o êxito da sua linha super-heroica, a Malibu promoveu também intensamente as edições especiais e as edições limitadas. Foi, pois,  sem surpresa que o Ultraverse rapidamente passou a dominar o catálogo da editora.


 
            Um dos seus títulos mais populares era  The Night Man (criado por Steve Englehart) que, entre 1997 e 1999, teve direito a uma série televisiva homónima (também exibida em Portugal na TVI).
 
            Em paralelo, a Malibu lançou a linha Bravura. Destinada a promover o trabalho de criadores independentes, nela colaboraram pesos-pesados da indústria como Jim Starlin, Marv Wolfman ou Howard Chaykin. Já Rock-It Comix apresentava histórias aos quadradinhos baseadas em bandas rock.
Breed foi um projeto de Jim Starlin, publicado na linha Bravura.

           Com o generalizado declínio das vendas que, em meados dos anos 1990, afetava grande parte das editoras, a Malibu cancelou as séries menos rentáveis. Foi nesse contexto que, em 1994, a Marvel Comics avançou com a compra da concorrente. Daí resultando a saída de Tom Mason e de Chris Ulm, pouco tempo depois.
           Ato contínuo, a Marvel cancelou toda a linha Ultraverse. Apenas para, algum tempo depois, relançar os seus títulos mais populares, assim como vários novos crossovers com personagens do universo Marvel. Ou melhor dizendo, do multiverso Marvel, uma vez que o Ultraverse foi incorporado nele sob a designação de Earth 93060. Esse renascimento do Ultraverse foi, porém, efémero e, uma vez mais, a Marvel acabou por cessar a sua publicação.
          Numa entrevista concedida já este ano, Steve Englehart insinuou que, na origem dessa decisão, estaria o facto de 5% dos lucros reverterem para os fundadores da Malibu ainda vivos. Tom Breevort, editor-chefe da Marvel, negou que fosse esse o motivo mas também não aventou outra explicação para o facto, escudando-se num suposto acordo de confidencialidade.

O universo Malibu dá as boas vindas a Evil Ernie (ex-Eternity Comics).
 
          

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ETERNOS: JOE KUBERT (1926-2012)




  
       Com a provecta idade de 85 anos, Joe Kubert, um dos decanos dos quadradinhos, faleceu no pretérito dia 12 de agosto. Além de uma vasta obra produzida ao longo de mais de seis décadas, deixa como legado a sua escola para ilustradores e dois filhos, também eles talentosos desenhistas.
       Presto-lhe aqui a minha humilde homenagem com esta breve resenha biográfica daquele que foi um dos mestres da 9ª arte, que assim fica mais pobre com a sua perda.
        Joe Kubert nasceu a 18 de setembro de 1926 no seio de uma família judia radicada no sudeste da Polónia. Quando tinha apenas dois meses, os seus pais emigraram para os Estados Unidos, levando consigo o pequeno Joe e a sua irmã mais velha Ida.
        Criado na zona leste da cidade de Nova Iorque, Joe Kubert desde cedo começou a desenhar, encorajado pelos seus pais.
        Na introdução à sua graphic novel Yossel, escreveu: "Recebi o meu primeiro ordenado como desenhador quando tinha cerca de doze anos. Cinco dólares por página. Em 1938, era muito dinheiro." De acordo com outras fontes, nesse mesmo ano um seu colega de escola, próximo de um dos mandachuvas dos Estúdios MLJ (futuramente conhecidos como Archie Comics), incentivou-o a visitar a companhia. Joe anuiu e começou a trabalhar, não oficialmente,  como aprendiz. Ao longo dos anos, porém, Joe Kubert relatou diferentes versões dos primórdios da sua carreira. Embora refira o ano de 1938 como o ponto de partida da sua entrada na indústria dos comics, a verdade é que só no ano seguinte os Estúdios MLJ começaram a produzir material. Joe teria então treze anos.
        Anos depois, Joe Kubert ingressou na High School of Music and Arts, localizada em Manhattan. Durante esse período ele e o seu colega (e futuro colaborador) Norman Maurer faltavam por vezes às aulas para se encontrarem com editores. Entretanto, Kubert aprimorava o seu traço graças ao trabalho que desenvolvia no Chester Studio, um dos muitos estúdios independentes que, à época, forneciam material às editoras de quadradinhos.
Tor foi uma mais bem-sucedidas criações de Joe Kubert.
        Em 1942, Kubert viu publicado nas páginas de Catman Comics nº8 (da editora Holyoke Publishing) o seu primeiro trabalho profissional. Tratava-se de uma história de seis páginas protagonizada por Volton, que Joe desenhou e coloriu. Não tardaria a executar serviço idêntico para a Fox Comics e para a Quality Comics. Seria, no entanto, ao serviço da Detective Comics (DC) que alcançaria maior notoriedade e produziria alguns dos seus trabalhos mais notáveis. A sua colaboração com esse colosso da indústria dos quadradinhos principiou em 1943 com Joe a ser contratado para ilustrar e colorir uma história de 50 páginas dos Sete Soldados da Vitória, publicada em Leading Comics nº8.
O Gavião Negro com a arte de Joe Kubert.

          No decurso da década de 1940, a arte de Kubert pôde ser vista em vários títulos da Fiction House, Avon e Harvey Comics. Não tardaria, contudo, a que começasse a trabalhar em exclusivo para a DC. Com efeito, a partir de 1945, iniciou-se uma longa ligação de Kubert com a personagem Gavião Negro (Hawkman).
          Na sua qualidade de editor da St. John Publications, nos anos de 1950, Kubert, em parceria com o seu ex-colega Norman Maurer e o irmão deste, começaram a produzir as primeiras bandas desenhadas em três dimensões. A primeira das quais data de setembro de 1953, tinha como personagem principal Mighty Mouse e  vendeu uns impressionantes 1,2 milhões de exemplares. Ainda durante a passagem de Kubert pela St. John Publications - e de novo em colaboração com Norman Maurer - criou a personagem Tor, um aventureiro pré-histórico sem qualquer relação com o seu quase homónimo da Marvel. A personagem debutou nas páginas de 3-D Comics, tendo logo de seguida migrado para um título próprio no tradicional 2D, totalmente da autoria de Kubert. Tor foi, com efeito, uma das criações mais bem-sucedidas e duradouras de Kubert. Até ao início da década de 1990, o herói pré-histórico surgiu em diversas séries lançadas por editoras como a Eclipse Comics, a Marvel Comics Epic e a DC.
           1955 marca o regresso de Kubert à DC, uma casa que tão bem conhecia. Entre outros, desenhou histórias do Gavião Negro e do Sargento Rock. Trabalhos que lhe trouxeram a consagração definitiva.
Durante muito tempo o Sargento Rock teve as suas aventuras ilustradas por Kubert.


           Entre 1967 e 1976 Kubert desempenhou as funções de diretor de publicações na DC. Período durante o qual apostou no lançamento de títulos baseados na obra de Edgar Rice Burroughs, nomeadamente Tarzan e Korak. Em simultâneo, Kubert supervisionava a produção do material de Sargento Rock e de Weird Worlds, sem nunca deixa de desenhar.
           Depois de se ter mudado com a família para Dover (Nova Jérsia), Kubert fundou em 1976 a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art (coloquialmente conhecida como The Kubert School), uma escola técnica onde os candidatos a desenhadores podiam aprender, num curso de três anos, os princípios básicos da arte sequencial, bem como as particularidades da ilustração comercial e dos comics. Ao mesmo tempo que criava, em conjunto com a sua esposa, os cinco filhos do casal. Dois deles, Adam e Andy Kubert, seguiriam as pisadas do pai e são hoje dois conceituados desenhadores, muito requisitados quer pela Marvel que pela DC.

Kubert trouxe Tarzan de volta à ribalta.
            Joe Kubert voltaria a escrever e a desenhar em 1991 com a graphic novel Country Mouse, City Rat, lançada pela Malibu Comics. Também regressaria à Epic Comics dois anos depois com a produção de uma nova minissérie em 4 edições de Tor. Já neste século, produziria duas aclamadas graphic novels: Yossel: April 19, 1943 (2003) e Jew Gangster (2005), ambas para a Ibooks. Entre 2003 e 2006, colaborou em duas minisséries de outra das suas personagens favoritas, o Sargento Rock.
           Entre os seus últimos trabalhos, destaca-se a série limitada de seis edições Tor: A Prehistoric Odissey (2008) e uma história inédita do Sargento Rock, escrita em 2009 pelo seu filho Adam.
           Ao longo da sua carreira, Joe Kubert foi agraciado com vários prémios e nomeado para outros tantos. O primeiro foi o Alley Award para a Melhor Ilustração de Capa e remonta a 1962. O último foi-lhe atribuído em 2010. Trata-se de um prémio de carreira conferido pela National Cartoonists Society.
           Vítima de cancro, Joe Kubert faleceu a 12 de agosto último, um mês antes de completar o seu 86º aniversário. O homem partiu mas a obra perdurará no tempo. Assim nasceu uma lenda com lugar reservado no panteão dos deuses eternos da 9ª arte.