segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DO FUNDO DO BAÚ






          Aclamada internacionalmente, malgrado alguma controvérsia, a minissérie Batman, O Cavaleiro das Trevas, da autoria de Frank Miller, representa um marco na história dos quadradinhos. Com uma temática adulta, um estilo arrojado e um naipe de personagens burlescas, revolucionou - a exemplo de Watchmen, de Alan Moore - o universo DC, atraindo uma nova gama de leitores.
Título: Batman, O Cavaleiro das Trevas
Data: De abril a julho de 1987
Licenciadora: Detective Comics
Editora: Abril Jovem
Número de páginas: 48 por edição
Categoria: Minissérie
Periodicidade: mensal
Formato:  Americano (17 cm x 26 cm), colorido, lombada agrafada.
Argumento e arte: Frank Miller
Arte-final: Klaus Janson
Publicada originalmente em: Batman: The Dark Knight Returns nº1 a 4 (1986)
As capas dos quatro volumes que compõem a minissérie.
Nota prévia: A história narrada em Batman, O Cavaleiro das Trevas tem lugar numa realidade alternativa, fora da continuidade do universo DC. É, contudo, parcialmente fiel à mitologia oficial do Homem-Morcego pela inclusão de personagens pós-Crise nas Infinitas Terras. Miller, por exemplo, apresenta um Batman atormentado pela morte de Robin. Anos depois, em resultado da sua fraca aceitação por parte dos leitores, o segundo Menino Prodígio (Jason Todd) seria assassinado pelo Joker.
                       A exemplo do Ragnarok da mitologia nórdica, Frank Miller escreveu uma saga que apresentava um final épico para a carreia heroica do Cavaleiro das Trevas. Originalmente, a história foi publicada em formato prestige, o qual se tornaria comum com o passar dos anos.
Sinopse: Na sequência da morte do segundo Robin, Bruce Wayne abandonou o manto do morcego e votou-se ao ostracismo, numa espécie de exílio autoimposto. Transcorrida uma década desde a última aparição pública de Batman, Gotham City é uma cidade estropiada pelo crime, pela violência e pela corrupção. Entre os vários bandos criminosos que aterrorizam os seus habitantes, destacam-se os Mutantes, cujo grotesco líder há muito ameaça tomar pela força as ruas da cidade.
               Certa noite, quando visitava o beco onde os seu pais foram assassinados quando ele apenas uma criança, Bruce é atacado por elementos dos Mutantes. Este episódio leva-o a regressar ao ativo, facto que desperta sentimentos contraditórios na opinião pública de Gotham. Se há quem aplauda o regresso do Cavaleiro das Trevas, não falta quem, por outro lado, condene os seus métodos.
               Na sua renovada cruzada contra o crime, a primeira ameaça enfrentada pelo regressado herói é o seu velho inimigo Duas Caras que, a despeito de já não ter o rosto desfigurado pelas horrendas cicatrizes de outrora, está mais insano do que nunca. Entretanto, o septuagenário comissário Gordon é obrigado a reformar-se devido à sua provecta idade, sendo substituído por Ellen Yindel, uma feroz detratora das atividades do Homem-Morcego.
                Graças suas às lendárias capacidades detetivescas, Batman descobre que um general do Exército norte-americano tem vendido armamento pesado aos Mutantes. Confrontado pelo herói, o militar confessa o seu delito, justificando-se com a grave doença da sua esposa. Consumido pelos remorsos, o general suicida-se na presença do Homem-Morcego.
                Ao comandos de uma versão melhorada do Batmóvel, Batman ataca Os Mutantes, reunidos na lixeira municipal de Gotham. Segue-se um brutal combate corpo a corpo com o líder do bando. Gravemente ferido, o Homem-Morcego é salvo in extremis pela intervenção de Carrie Kelly, uma adolescente que sempre o idolatrara. Carrie torna-se assim merecedora de ser a nova Robin.
                Na cadeia, o líder dos Mutantes continua a ameaçar tomar a cidade. O mayor tenta negociar com ele mas acaba por ter a sua garganta rasgada pelo vilão. Enquanto o medo e a tensão crescem em Gotham City, Carrie, a pedido de Batman, infiltra-se nas fileiras dos Mutantes para espalhar o boato que o seu líder convocou uma assembleia magna.
                A pedido do seu velho aliado, o comissário Gotham permite a fuga do líder dos Mutantes da prisão. Atraído ao mesmo local onde antes espancara Batman, o vilão é desta vez sumariamente derrotado pelo Cavaleiro das Trevas, perante o olhar de dezenas de elementos da quadrilha. No final, estes aceitam Batman como seu novo líder, autoproclamando-se Os Filhos do Morcego.
               Emergindo de um estado catatónico depois de saber do regresso do seu eterno némesis, o Joker convence os médicos do Asilo Arkham de que está curado da sua insanidade e é libertado. Em consequência disso, lança uma campanha de terror em Gotham, que culmina com várias mortes antes de ser detido pelo Cavaleiro das Trevas. Encurralado, o Palhaço do Crime comete suicídio, de modo a incriminar Batman pela sua morte.
               Os Filhos do Morcego são treinados por Batman em métodos não letais de manutenção da ordem pública, passando a atuar como uma milícia ao serviço do herói. Entretanto, uma ogiva nuclear soviética é lançada na órbita terrestre e, decorrente da sua detonação, o sol é bloqueado, ao mesmo tempo que os sistemas eletrónicos dos Estados Unidos são desligados pelo subsequente impulso eletromagnético. Em Gotham, Batman e os Filhos do Morcego restauram a ordem, mas logo o Governo federal, considerando que a ação destes põe em causa a sua autoridade, envia o Superman para neutralizar o seu velho amigo.
               Informado por Oliver Queen ( o ex-Arqueiro Verde, agora reciclado como revolucionário) dos planos governamentais, Batman prepara-se devidamente para o embate com o Último Filho de Krypton. Durante a refrega que se segue, Oliver atinge o Superman com uma flecha contendo kryptonita sintética, permitindo a vitória do Homem-Morcego. Contudo, este sucumbe pouco depois a um fulminante ataque cardíaco. Seguindo escrupulosamente as diretrizes previamente fornecidas pelo seu patrão, o mordomo Alfred detona uma bomba que destrói a Batcaverna e a mansão Wayne.
               A identidade secreta de Batman logo se torna do conhecimento público e o seu corpo é reclamado por uma prima distante (na verdade, Casey Kelly disfarçada). 
               No funeral, a superaudição do Homem de Aço capta um batimento cardíaco no interior do caixão mas limita-se a piscar o olho a Carrie e a partir. Mais tarde, Carrie desenterra Bruce Wayne, que simulou a própria morte, tomando uma misteriosa pílula.
               Nos labirínticos túneis sob a antiga Batcaverna, Batman, em conjunto com Robin, Arqueiro Verde e os Filhos do Morcego, inicia os preparativos para uma nova guerra contra o governo corrupto que tomou em mãos o destino dos EUA.
A arte de Miller em Batman, O Cavaleiro das Trevas não agradou a todos os fãs.
Reputação: Batman, O Cavaleiro das Trevas, a par de Watchmen de Alan Moore, lançou uma nova tendência nos quadradinhos, introduzindo temáticas adultas. O que lhe valeu uma atenção nunca vista por parte dos media. No entanto, alguns críticos acusaram Frank Miller de ter produzido uma história demasiado crua e violenta, nos limites da decência. Esta nova abordagem ao Homem-Morcego libertou-o definitivamente do histrionismo infantil que se lhe colara desde a célebre série televisiva dos anos 1960. Retratado como um indivíduo soturno e obcecado, o Batman de Frank Miller influenciaria a personalidade e o visual do Homem-Morcego no filme dirigido por Tim Burton em 1989. Outras vozes críticas insurgiram-se contra o facto de Miller ter transformado Batman num psicopata que não olha a meios para atingir os seus fins. Esquecendo, todavia, que as suas ações extremas e obsessivas na minissérie derivam do seu avassalador sentimento de culpa pela morte de Robin e pela sua covardia de abandonar Gotham à mercê de todo o tipo de facínoras.
                    Outra inovação introduzida por Miller prende-se com a forma de tratamento aplicada entre os vários super-heróis. Em vez de se tratarem pelos respetivos codinomes, referem-se uns aos outros pelos nomes próprios (Bruce, Clark, Ollie, etc).  Outra decisão polémica foi a não inclusão de Dick Grayson (o primeiro Robin) na narrativa, sendo o seu nome apenas mencionado por Bruce.
                    Expressão do hiper-realismo imprimido ao enredo, a inclusão de figuras públicas como Ronald Reagan (presidente dos EUA à época), David Letterman e o Dr. Ruth. Essa nova corrente atingiria o seu clímax com a consagrada banda desenhada Sin City, também da autoria de Miller. Apesar da reação favorável da maior parte dos fãs à arte arrojada de Batman, O Cavaleiro das Trevas, esta esteve longe de ser consensual.
                   No Brasil, pelas mãos das editoras Abril Jovem e Panini, foram publicadas, entre 1987 e 2011, várias reedições e edições encadernadas desta mítica minissérie. A qual teve direito nos EUA a uma igualmente eletrizante sequela em 2001: Batman: The Dark Knigt Strikes Again (lançada no ano seguinte em Português pela Abril, sob o título Batman, O Cavaleiro das Trevas II,e sobre a qual me comprometo a falar muito em breve).
                   Batman, O Cavaleiro das Trevas é, indubitavelmente, uma das melhores histórias alguma vez escritas do Homem-Morcego e uma das coqueluches da minha coleção,  a par da respetiva sequela.
Batman versus Superman: um duelo entre velhos amigo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

BD CINE APRESENTA: A LEI DE DREDD




     
          Se no grande ecrã Stallone, para gáudio dos fãs, aplicou à sua maneira a lei de Dredd, fora dele o filme não convenceu a crítica nem a generalidade do público, colando-se-lhe assim o indesejável rótulo de flop.
 
Título original: Judge Dredd
Ano: 1995
País: EUA
Duração: 95 minutos
Realização: Danny Cannon
Argumento: Michael De Luca, William Wisher, Jr. e Steven E. de Souza
Elenco: Sylvester Stallone (Joseph Dredd), Armand Assante (Rico Dredd), Diane Lane (Juíza Hershey), Max Von Sydow (Juiz-chefe Fargo) e Rob Schneider (Fergie).
Orçamento: 90 milhões de dólares
Receitas: 113,5 milhões de dólares
 
Stallone em pose heroica como Judge Dredd.
 
Sinopse: No ano 2139, o nosso planeta tornou-se praticamente inabitável, sendo rebatizado de Terra Amaldiçoada. Em consequência disso, toda a população mundial se concentrou em megacidades espalhadas à volta do globo. Nelas,  a taxa de criminalidade é estratosférica e o sistema de justiça tradicional tornou-se impotente para sustê-la, acabando por colapsar. Das suas cinzas emergiu uma nova Justiça. Com ela surgiu também uma nova força policial cujos agentes - designados Juízes -  aplicam sumariamente a lei, sendo portanto juízes, júri e executores em simultâneo.
               Em Mega City 1 (antiga Nova Iorque), Joseph Dredd, o mais duro e implacável dos Juízes, tornou-se uma lenda viva, temido pelos infratores e admirado pelos colegas. Um dia, porém, é acusado de um homicídio que não cometeu e sentenciado a prisão perpétua na colónia penal de Aspen, fora dos muros da cidade. 
              Ao descobrir que o verdadeiro assassino é o seu irmão gémeo, Rico, Dredd procurará por todos os meios provar a sua inocência, ao mesmo tempo que vão sendo revelados segredos do seu passado e os pormenores de uma conspiração orquestrada por um membro corrupto do Conselho de Juízes. Para tal contará com a ajuda da Juíza Hershey e de um hacker pouco afoito chamado Fergie.
 
Aspeto das ruas de Mega City 1.
 
Curiosidades:
             * Arnold Schwarzenegger foi o primeiro ator a ser sondado para encarnar Judge Dredd no cinema;
             * Devido às constantes disputas criativas com Stallone, o realizador Danny Cannon jurou solenemente nunca mais trabalhar com vedetas;
             * Alegadamente, a versão final do argumento do filme é completamente diferente da original, em consequência das inúmeras alterações exigidas por Stallone;
             * Segundo Rob Schneider, Stallone telefonou-lhe para lhe oferecer o papel de Fergie, depois de Joe Pesci o ter recusado;
              * Na banda desenhada que deu origem ao filme, Dredd raramente remove o seu capacete, mas os produtores obviamente não podiam permitr que um astro tão caro como Stallone não mostrasse o rosto.
        
Dredd enfrenta o seu gémeo maligno, Rico (Armand Assante).
 
Minha avaliação: 44%
           Não sendo intragável, A Lei de Dredd deixa uma estranha sensação de vazio. A haver alguma mensagem política sobre sociedades totalitárias, terá sido certamente omitida  durante a pré-produção. Com efeito, a principal preocupação do argumento parece ser a de fazer brilhar Stallone através de sucessivos recontros com facínoras de toda a espécie, ao bom estilo de Rambo e de outros filmes de ação protagonizados pelo ator na década de 1980.
                 Redundantes, os diálogos chegam a ser maçadores (expressões como "Eu sou a Lei" ou "Sabia que dirias isso" são várias vezes repetidas ao longo do filme), enfatizando assim a superficialidade do argumento. Tensão e intriga existem mas numa escala minimalista: as complexas idiossincracias de um futuro distópico são preteridas em relação a estafados clichés, promovendo uma visão demasiado redutora e maniqueísta, que se resume ao clássico herói versus vilão.
                 Muito menos violento do que a banda desenhada original, A Lei de Dredd permite, ainda assim, a Stallone brilhar como herói de ação, dada a proliferação de tiroteios, explosões e combates corpo a corpo.
                 Caso o espectador não se importe de conceder um folga de 95 minutos ao cérebro e/ou seja um fã indefetível de Stallone, A Lei de Dredd não o desiludirá. Se, pelo contrário, prefere filmes com maior substrato intelectual e maior investimento emocional, o melhor mesmo será procurar noutro lado.

A Lei de Dredd foi um tiro ao lado.
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: JUDGE DREDD





      Num futuro distópico dominado pelo caos e pela violência, ele é a Lei. Judge Dredd é juiz, júri e executor.

Nome original: Judge Dredd
Primeira aparição: 2000 AD nº2 (março de 1977)
Criadores: John Wagner (argumento), Carlos Ezquerra (arte) e Pat Mills (editor).
Licenciadora: IPC Media/ Fleetway (até 1999) e Rebellion Developments (de 1999 até à atualidade).
Identidade civil: Joseph Dredd
Local de nascimento: Mega City 1
Base de operações: Mega City 1
Parentes conhecidos: Juiz-chefe Fargo (pai) e Rico Dredd (irmão falecido).
Filiação: Departamento de Justiça de Mega City 1
Poderes e armas: Geneticamente aprimorado, Judge Dredd recebeu olhos biónicos que lhe proporcionam visão noturna. Em resultado do seu treino na Academia da Lei, domina várias artes marciais e técnicas de auto-defesa, além de ser um exímio atirador. Como armas, usa uma pistola (Lawgiver) capaz de disparar seis tipos diferentes de munição e programada para reconhecer apenas a sua impressão palmar. Um bastão, uma faca e granadas de gás completam o seu arsenal. No entanto, a sua arma mais impressionante é a Lawmaster, uma mota equipada com metralhadoras e um potente canhão laser, dotada também da mais avançada inteligência artificial, que lhe permite obedecer às diretivas de Dredd ou operar-se autonomamente.

Judge Dredd debutou nas páginas de 2000 AD nº2 (1977).

Biografia: Joseph Dredd e o seu irmão Rico foram clonados em 2066 a partir do ADN do Juiz-chefe Fargo, o primeiro magistrado de Mega City 1. Fargo foi o fundador do Sistema dos Juízes que, originalmente, concedia poderes à nova força policial para aplicar justiça sumária aos criminosos norte-americanos do século XXI.
                   Em 2070, porém, na sequência de um golpe de estado, o Departamento de Justiça dos EUA assumiu o controlo do país e formou um novo governo de cariz autocrático, encabeçado pelo Juiz-chefe. Desde então os juízes-chefes têm disposto de enorme poder, a despeito de os EUA se terem dividido em três gigantescas cidades-estado independentes, entre as quais Mega City 1.
                  Por todo o globo, várias outras megalópoles substituíram as nações de outrora, e em todas elas foram implementados sistemas similares.
                  Com o seu crescimento acelerado artificialmente, Dredd e Rico nasceram com a fisiologia equivalente à de uma criança de 5 anos. Durante a gestação foi-lhes implantado eletronicamente conhecimento adequado às suas futuras funções. O nome Dredd (que em Inglês significa "temor") foi escolhido pelo cientista que os criou, a fim de instilar medo à população.
                 Dredd e Rico entraram em ação pela primeira vez em 2070, no auge das Guerras Atómicas. Embora à época ainda fossem cadetes na Academia da Lei, foram temporariamente promovidos a Juízes e destacados para restaurar a ordem nas ruas. Essa primeira missão permitiu-lhes distinguirem-se entre os demais cadetes e, pouco tempo depois, participaram no assalto à Casa Branca, quando o Departamento de Justiça depôs o Presidente dos EUA.
                  Em 2079, os dois irmãos terminaram o curso na Academia da Lei, tendo Rico ficado em primeiro lugar na sua turma. Algum tempo depois, contudo, Dredd seria obrigado a executar o próprio irmão, corrompido pelo poder e pela ganância.
                 De volta às ruas de uma Mega City 1 estropiada pelo crime e pela corrupção, Dredd revelou-se um excelente Juiz. Não tardou portanto a ser promovido a juiz sénior.
                 Apesar da sua dedicação à aplicação da Lei, a sua lealdade não é cega. Em duas ocasiões (2099 e 2112), Dredd demitiu-se do Departamento de Justiça de Mega Ciy 1 por questões éticas. Em ambas as ocasiões, porém, acabaria por reingressar na força.
                  Judge Dredd movimenta-se num futuro distópico, onde a Terra foi arrasada por uma série de conflitos internacionais em larga escala, tendo a maior parte do planeta sido transformada em desertos radioativos. O que levou as populações a concentrarem-se em gigantescas áreas urbanas, conhecidas como megacidades. Uma delas, Mega City 1, lar de Dredd, agrega toda a antiga costa leste norte-americana. Um dos maiores problemas dessas megalópoles é a elevadíssima taxa de desemprego, resultante de uma automatização do quotidiano, traduzida na criação de robôs inteligentes. Consequentemente, os índices de criminalidade são estratosféricos.
                  Com uma população residente de 400 milhões de almas, Mega City 1 encontra-se seccionada em gigantescos blocos habitacionais, cada um com capacidade para mais de 50 mil pessoas. Cada um desses blocos foi batizado com o nome de personalidades históricas ou de celebridades televisivas, normalmente com um propósito satírico.
                  Mega City 1 é rodeada pelo inóspito território conhecido como Terra Amaldiçoada, um imenso deserto radioativo habitado por todo o tipo de párias e mutantes.
                 Não obstante haver referências a outras megacidades espalhadas pelo globo, a nova geografia mundial é sempre vaga nas histórias de Dredd. Em todas elas, porém, os elevados níveis de poluição originaram mutações em humanos e animais. Foi assim instituído um sistema de apartheid genético, sendo a expulsão das cidades o castigo supremo.
                Não é de estranhar, portanto, que, ao longo dos anos, vários escritores das histórias de Dredd tenham usado o Sistema de Juízes de Mega City 1 e os seus métodos fascizantes para satirizar algumas políticas securitárias contemporâneas.


Juiz, júri e executor. Assim é a lei de Dredd.
 
Curiosidades:
* Como as primeiras histórias de Dredd eram publicadas a preto e branco, as suas origens étnicas eram ambíguas, uma vez que nos primeiros esboços de Carlos Ezquerra a personagem era desenhada com lábios grossos, sugerindo tratar-se de um afro-americano.
* A face de Dredd nunca é totalmente revelada na banda desenhada, numa metáfora à ausência de rosto da Justiça.
* A passagem do tempo na vida real reflete-se no universo de Dredd. Por conseguinte, ele é atualmente um ancião de 70 anos de idade, com mais de 50 anos de serviço, e a quem foi diagnosticado um cancro benigno no duodeno.
* Sendo a mais célebre personagem dos quadradinhos britânicos, Judge Dredd ocupa o 35º lugar no ranking Top 100 Comic Book Heroes do site IGN.
O visual original de Judge Dredd, pelo traço de Mike McMahon em 1977.
 

Noutros media: Fora dos quadradinhos, foram várias as incursões de Judge Dredd noutros media: videojogos, novelas literárias, cartas colecionáveis e até e-books e audiolivros. Contudo, atingiu maior notoriedade junto do grande público através dos dois filmes já produzidos. O primeiro, Judge Dredd (conhecido entre nós como "A Lei de Dredd"), chegou às salas de cinema em 1995 e tinha Sylvester Stallone no papel principal. Ao contrário do que é habitual nos comics, Dredd surge em vários momentos da película com o rosto descoberto.
                            Já este ano, estreou um reboot da personagem, intitulado simplesmente Dredd, cabendo desta feita a Karl Urban dar vida ao implacável combatente do crime no grande ecrã. Dirigido por Pete Travis, o filme foi rodado em 3D na Cidade do Cabo (África do Sul) e ainda se encontra em exibição nas salas de cinema nacionais.
Karl Urban foi o ator eleito para interpretar Judge Dredd no respetivo reboot.

Cartaz promocional de Judge Dredd (1995).

 



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: NOTURNO







       Filho de um demónio e de uma mutante, Noturno é muitas vezes confundido com uma criatura infernal. Na verdade, este X-Man é profundamente devoto a Deus e tem um coração de ouro, sendo muito acarinhado pelos seus companheiros de equipa.
 
Nome original: Nightcrawler
Primeira aparição: Giant Size X-Men nº1 (maio de 1975)
Criadores: Len Wein e Dave Cockrum
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Kurt Wagner
Local de nascimento: Castelo do barão Christian Wagner, Baviera (Alemanha).
Base de operações: móvel
Parentes conhecidos: Azazel (pai), Mística (mãe), barão Christian Wagner (padrasto falecido), Margali Szardos (mãe adotiva),  Dentes-de-sabre (meio-irmão), Talia Wagner/Noturna (filha  de uma realidade alternativa).
Filiação: X-Men e Excalibur (membro fundador).
Poderes e habilidades: A principal habilidade mutante de Noturno é o teletransporte. Sempre que o faz, deixa atrás de si uma nuvem com um intenso cheiro a enxofre. Quanto maior for a distância percorrida, maior é o esforço dispendido. Para evitar materializar-se no interior de objetos sólidos ou em qualquer outro lugar que coloque em risco a sua integridade física, Noturno dispõe de uma perceção espacial extrassensorial, ainda que limitada.
                                    Entre as várias características invulgares da sua fisionomia mutante, destaca-se a sua cauda preênsil (que lhe permite suportar o seu próprio peso e agarrar ou lançar objetos), a visão infravermelha, a estrutura óssea flexível e os micro-discos de sucção nas mãos e nos pés (que lhe permitem aderir a quase todo o tipo de superfícies).
                                    Acrobata exímio, Noturno possui agilidade e reflexos sobre-humanos que  fazem dele também um excelente lutador corpo a corpo.
 
A estreia de Noturno ocorreu em 1975, nas páginas de Giant Size X-Men nº1.
 
Biografia: Perfilhado por uma feiticeira cigana chamada Margali Szardos, Noturno só muitos anos mais tarde descobriria a verdadeira identidade dos seus pais. Estes eram, nada mais nada menos, do que a mutante transmorfa Mística (ver Némesis: Mística) e o demónio Azazel.
                  Para evitar que o filho recém-nascido fosse linchado por uma turba enfurecida e amedrontada pelo seu aspeto demoníaco, Mística lançou-o para dentro de um poço. O que teria custado a vida ao bebé, não fosse pela intervenção de Azazel que, de seguida, o entregou aos cuidados de Margali Szardos. 
                  Kurt foi então levado para o circo onde Margali trabalhava como vidente, e lá cresceu feliz. Acarinhado por todos os membros do circo (que não eram preconceituosos em relação aos mutantes), os seus amigos mais próximos eram os filhos biológicos de Margali, Stefan e Jimaine. Aos olhos destes, Kurt era um irmão, pese embora o facto de Margali nunca o ter adotado oficialmente.
                   Muito antes de o seu poder de teletransporte se manifestar na puberdade, Kurt, em resultado da sua agilidade sobre-humana, tornou-se a principal atração do circo. O público que se extasiava com as suas assombrosas acrobacias acreditava, contudo, tratar-se de um rapaz comum fantasiado de demónio.
                  Anos depois, Arnos Jardine, um milionário texano, proprietário de um circo na Flórida, comprou o circo onde Kurt trabalhava. Jardine determinou que os melhores artistas passariam a atuar nos EUA e que Kurt passaria a integrar um circo de aberrações. No entanto, o jovem mutante foi ajudado a escapar por outro da sua espécie e partiu ao encontro de Stefan, um dos seus irmãos adotivos. O reencontro de ambos, porém, não aconteceu como Kurt esperava: Stefan enlouquecera e chacinara várias crianças num pequeno vilarejo germânico. Tentando detê-lo, Kurt acabou por, acidentalmente, quebrar o pescoço do irmão.
                  Assumindo que Kurt era um demónio e que fora ele o responsável pela morte das crianças, os aldeões tentaram linchá-lo. E estavam prestes a consegui-lo quando foram telepaticamente paralisados pelo Professor Charles Xavier, mentor dos X-Men. Depois de lhe ter salvo a vida, Xavier convidou Kurt a juntar-se à sua renovada equipa de heróis mutantes. Kurt anuiu e passou a atuar sob a identidade de Noturno, ao lado de Ciclope, Wolverine, Tempestade, entre outros.

Noturno fez parte da segunda geração de X-Men.
 
                   Julgando mortos os restantes X-Men durante uma missão fracassada em Dallas, Noturno e Lince Negra (os membros remanescentes da equipa), uniram esforços com o Capitão Britânia para expulsar um grupo de mercenários interdimensionais que ameaçavam o Reino Unido. O trio trabalhou tão bem em conjunto que, no final dessa aventura, resolveram formar um novo coletivo super-heroico crismado de  Excalibur.
                    Embora inicialmente o Capitão Britânia tenha assumido a liderança do Excalibur, vicissitudes várias ditaram que essa responsabilidade coubesse posteriormente a Noturno. Quando o grupo foi dissolvido, na sequência do casamento do Capitão Britânia, Noturno, Lince Negra e Colossus (que entretanto também se juntara ao Excalibur), reingressaram nos X-Men, não obstante a mágoa que todos partilhavam pelo facto de os seus antigos companheiros de equipa não os terem informado que a sua morte não passara, afinal, de uma encenação.

Com Lince Negra, Capitão Britânia, Fénix II e Meggan, Noturno fundou o Excalibur.

                   Durante um curto ínterim, Noturno, católico devoto, abandonou os X-Men para ingressar num seminário e assim realizar o seu sonho de ser padre. A sua ordenação, porém, nunca se concretizou e ele desistiu do sacerdócio. Regressado aos X-Men, assumiu-se como uma espécie de consciência moral da equipa, questionando muitas vezes, os seus métodos beligerantes.

Curiosidades: Dave Cockrum, cocriador de Noturno, concebeu originalmente a personagem com vista a integrá-la num grupo de super-heróis renegados chamado The Outsiders. A ideia foi rejeitada pela DC, que considerou o visual de Noturno demasiado sinistro. Quando Dave se transferiu para a arquirrival Marvel, levou consigo o conceito que, desta feita, foi prontamente aprovado.

Noturno é um acrobata exímio.
 
Noutros media: Fora dos quadradinhos, a estreia de Noturno deu-se num episódio intitulado The X-Men Adventure da série animada Spider-Man And His Amazing Friends (1981-83). Seguiu-se a sua participação, em 1989, no episódio-piloto da série de animação Pryde of the X-Men, a qual acabaria por nunca ser produzida.
                           Foi, com efeito, preciso esperar até 1992 para ver o herói mutante em pleno no pequeno ecrã em X-Men, outra série animada produzida pela Marvel e emitida pelo canal norte-americano Fox Kids.
                           Teve também papel de destaque em X-Men: Evolution (2000-2003) e aparições pontuais em Wolverine and the X-Men (2009).
                           No cinema, tornou-se conhecido junto do público em geral graças a X-Men 2 (ver texto anterior), onde foi interpretado por Alan Cumming. Dada a indisponibilidade do ator para repetir o papel no terceiro filme dos pupilos de Charles Xavier, o afastamento de Noturno foi justificado pela sua discordância relativamente aos métodos beligerantes da equipa.

Alan Cumming como Noturno em X-Men 2.