quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ETERNOS: FRANK MILLER (1957 - ...)



      Autor de algumas das mais marcantes bandas desenhadas de sempre, Frank Miller revolucionou personagens como Batman e Demolidor. Escreveu também vários argumentos para filmes de sucesso como Robocop 3.
Biografia: Frank Miller nasceu em Olney, no estado norte-americano de Maryland, no dia 27 de janeiro de 1957. Filho de uma enfermeira e de um carpinteiro/eletricista irlandeses, é o quinto de sete irmãos e foi criado de acordo com os preceitos católicos em Montpelier (Vermont).
                   Muito jovem ainda, mudou-se para Nova Iorque, onde iniciaria uma profícua carreira como argumentista e ilustrador, ao serviço de várias editoras, entre as quais a Marvel e a DC. Durante esse período morou no mal afamado bairro Hell´s Kitchen, o que influenciaria o material por ele produzido ao longo dos anos 80, em particular as histórias do Demolidor. Na década seguinte Miller mudou-se para Los Angeles, o que motivou o desenvolvimento de Sin City. Em 2001 regressou a Nova Iorque e a Hell's Kitchen. Daí resultando, ao cabo de quinze anos de espera, a tão aguardada sequência do clássico Batman, The Dark Knight Returns (ver texto anterior). Consta que a narrativa de Batman, The Dark Knight Strikes Again (minissérie em três edições conhecida entre nós como Batman, O Cavaleiro das Trevas 2), foi fortemente influenciada pelos ataques terroristas do 11 de setembro.
                 Até 2005, Miller foi casado com a colorista Lynn Varley. Em conjunto, o casal produziu trabalhos notórios como Ronin (1984) e 300 (1998). Além, claro, das duas aclamadas minisséries do Cavaleiro das Trevas acima mencionadas.
                 Em novembro de 2011, Miller esteve envolvido numa intensa polémica, em resultado de algumas opiniões publicadas no seu blogue pessoal, a respeito do movimento Ocuppy Wall Street. Classificando-o de "moralmente suspeito" e de "ignorante em relação ao islamismo", Miller foi alvo de duras críticas, inclusive por parte do consagrado escritor/argumentista Alan Moore.
Miller na Comic-Con de 1982.
Carreira: Remonta a 1978 o início da longa e prolixa carreira de Frank Miller na indústria dos comics. Nesse ano, foi contratado pela Golden Key Comics para ilustrar duas histórias baseadas na mítica série televisiva The Twilght Zone (por cá batizada de Quinta Dimensão).
                  Após essa experiência, passou a trabalhar como freelancer para várias editoras, entre as quais DC e a Marvel. Nesta última chamou à atenção devido a uma história em duas partes do Homem-Aranha, que chocou os fãs por apresentar um Justiceiro capaz de antecipar os movimentos (até aí imprevisíveis) do herói aracnídeo, e que só não o liquidou por estar convencido que este não era um criminoso.
                 Miller tornar-se-ia depois desenhista regular do Demolidor, não tardando a acumular a responsabilidade pelo argumento. Aclamado pela crítica, atraiu um número crescente de leitores e granjeou respeito entre os seus pares. Durante essa fase Miller criou Elektra, a ninja assassina que de coadjuvante, rapidamente passaria a interesse amoroso do Homem Sem Medo.
                 Direcionada para um público mais adulto e exigente, a sua visão do Demolidor prevaleceu, estendendo-se inclusive à adaptação cinematográfica de 2003, a qual assimilou vários elementos das histórias de Miller. A Queda de Murdock (1986), da sua autoria e ilustrada por David Mazzuchelli, é considerada a melhor história alguma vez escrita do Homem Sem Medo. 
O Demolidor ganhou nova vida pelas mãos de Miller.
                 Foi, no entanto, ao serviço da DC que Miller produziu aquela que muitos consideram a sua obra-prima: Batman, The Dark Night Returns (1986), um conto sombrio do Homem-Morcego num futuro não muito distante. A exemplo do que sucedera com Demolidor, a interpretação de Batman feita por Miller dominou a personagem durante quase duas décadas influenciando a versão cinematográfica de Tim Burton (ver BD Cine Apresenta: Batman) e graphic novels como A Piada Mortal, de Alan Moore e Asilo Arkham de Grant Morrison.
A obra-prima de Frank Miller.
                Miller também ganhou notoriedade através da produção de trabalhos na categoria Propriedade Do Autor. Ronin, uma história de ficção científica protagonizada por um samurai, foi a primeira de inúmeras parcerias criativas com a sua ex-esposa Lynn Varley. Sin City (1991) é o seu primeiro trabalho a solo. Trata-se de uma série de estórias a preto e branco, fortemente influenciadas pelo cinema noir, publicadas pela Dark Horse Comics.
                  Outro marco de sucesso foi 300 (1999), uma minissérie escrita e desenhada por Miller e colorida por Lynn Varley, que recontava a batalha de Termópilas, travada entre os Espartanos e o Império Persa  no contexto da Segunda Guerra Médica. Em 2007 a história seria adaptada ao grande ecrã, ficando a realização a cargo de Zack Snyder.
                 Sanadas as suas divergências com a DC, Miller começou auspiciosamente o terceiro milénio com a tão aguardada sequela de Batman, The Dark Night Returns. A despeito das boas vendas, a reação da crítica e dos fãs a Batman, The Dark Knight Strikes Again, não foi consensual.
                 Paralelamente ao seu trabalho como argumentista de banda desenhada, Miller começou a escrever guiões para o cinema, sendo os mais notáveis Robocop 2 e Robocop 3. Depois deste último, Miller terá afirmado que nunca mais permitiria que Hollywood fizesse adaptações das suas histórias, dececionado por praticamente nenhuma das suas ideias figurar nas versões finais das películas. Isto apesar de o seu nome surgir destacado nos respetivos créditos.
                 Esta posição só se alteraria depois de o realizador Robert Rodríguez lhe mostrar uma curta-metragem (produzida sem o conhecimento de Miller) baseada num dos contos de Sin City. Miller, no entanto, terá ficado tão satisfeito com o resultado que aceitou adaptar Sin City ao cinema. Datado de 2005, o filme seria realizado por Rodríguez e Miller. Três anos depois, Miller aventurou-se novamente atrás das câmaras, dirigindo The Spirit, a famosa personagem dos quadradinhos criada por Will Eisner.
A premiada BD Sin City foi o primeiro trabalho a solo de Miller.
Prémios: Ao longo da sua já longa carreira, Frank Miller arrecadou uma panóplia de prémios e distinções em várias categorias. Aqui ficam alguns:
* Kirby Award Para Melhor Álbum Gráfico (1987): Batman, The Dark Night Returns;
* Harvey Award Para Melhor Álbum Gráfico Com Trabalho Original (1998): Sin City: Family Values;
* Eisner Award Para Melhor Escritor/Artista (1991): Elektra Lives Again;
* Nomeação para a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes (2005): Sin City.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DO FUNDO DO BAÚ






          Aclamada internacionalmente, malgrado alguma controvérsia, a minissérie Batman, O Cavaleiro das Trevas, da autoria de Frank Miller, representa um marco na história dos quadradinhos. Com uma temática adulta, um estilo arrojado e um naipe de personagens burlescas, revolucionou - a exemplo de Watchmen, de Alan Moore - o universo DC, atraindo uma nova gama de leitores.
Título: Batman, O Cavaleiro das Trevas
Data: De abril a julho de 1987
Licenciadora: Detective Comics
Editora: Abril Jovem
Número de páginas: 48 por edição
Categoria: Minissérie
Periodicidade: mensal
Formato:  Americano (17 cm x 26 cm), colorido, lombada agrafada.
Argumento e arte: Frank Miller
Arte-final: Klaus Janson
Publicada originalmente em: Batman: The Dark Knight Returns nº1 a 4 (1986)
As capas dos quatro volumes que compõem a minissérie.
Nota prévia: A história narrada em Batman, O Cavaleiro das Trevas tem lugar numa realidade alternativa, fora da continuidade do universo DC. É, contudo, parcialmente fiel à mitologia oficial do Homem-Morcego pela inclusão de personagens pós-Crise nas Infinitas Terras. Miller, por exemplo, apresenta um Batman atormentado pela morte de Robin. Anos depois, em resultado da sua fraca aceitação por parte dos leitores, o segundo Menino Prodígio (Jason Todd) seria assassinado pelo Joker.
                       A exemplo do Ragnarok da mitologia nórdica, Frank Miller escreveu uma saga que apresentava um final épico para a carreia heroica do Cavaleiro das Trevas. Originalmente, a história foi publicada em formato prestige, o qual se tornaria comum com o passar dos anos.
Sinopse: Na sequência da morte do segundo Robin, Bruce Wayne abandonou o manto do morcego e votou-se ao ostracismo, numa espécie de exílio autoimposto. Transcorrida uma década desde a última aparição pública de Batman, Gotham City é uma cidade estropiada pelo crime, pela violência e pela corrupção. Entre os vários bandos criminosos que aterrorizam os seus habitantes, destacam-se os Mutantes, cujo grotesco líder há muito ameaça tomar pela força as ruas da cidade.
               Certa noite, quando visitava o beco onde os seu pais foram assassinados quando ele apenas uma criança, Bruce é atacado por elementos dos Mutantes. Este episódio leva-o a regressar ao ativo, facto que desperta sentimentos contraditórios na opinião pública de Gotham. Se há quem aplauda o regresso do Cavaleiro das Trevas, não falta quem, por outro lado, condene os seus métodos.
               Na sua renovada cruzada contra o crime, a primeira ameaça enfrentada pelo regressado herói é o seu velho inimigo Duas Caras que, a despeito de já não ter o rosto desfigurado pelas horrendas cicatrizes de outrora, está mais insano do que nunca. Entretanto, o septuagenário comissário Gordon é obrigado a reformar-se devido à sua provecta idade, sendo substituído por Ellen Yindel, uma feroz detratora das atividades do Homem-Morcego.
                Graças suas às lendárias capacidades detetivescas, Batman descobre que um general do Exército norte-americano tem vendido armamento pesado aos Mutantes. Confrontado pelo herói, o militar confessa o seu delito, justificando-se com a grave doença da sua esposa. Consumido pelos remorsos, o general suicida-se na presença do Homem-Morcego.
                Ao comandos de uma versão melhorada do Batmóvel, Batman ataca Os Mutantes, reunidos na lixeira municipal de Gotham. Segue-se um brutal combate corpo a corpo com o líder do bando. Gravemente ferido, o Homem-Morcego é salvo in extremis pela intervenção de Carrie Kelly, uma adolescente que sempre o idolatrara. Carrie torna-se assim merecedora de ser a nova Robin.
                Na cadeia, o líder dos Mutantes continua a ameaçar tomar a cidade. O mayor tenta negociar com ele mas acaba por ter a sua garganta rasgada pelo vilão. Enquanto o medo e a tensão crescem em Gotham City, Carrie, a pedido de Batman, infiltra-se nas fileiras dos Mutantes para espalhar o boato que o seu líder convocou uma assembleia magna.
                A pedido do seu velho aliado, o comissário Gotham permite a fuga do líder dos Mutantes da prisão. Atraído ao mesmo local onde antes espancara Batman, o vilão é desta vez sumariamente derrotado pelo Cavaleiro das Trevas, perante o olhar de dezenas de elementos da quadrilha. No final, estes aceitam Batman como seu novo líder, autoproclamando-se Os Filhos do Morcego.
               Emergindo de um estado catatónico depois de saber do regresso do seu eterno némesis, o Joker convence os médicos do Asilo Arkham de que está curado da sua insanidade e é libertado. Em consequência disso, lança uma campanha de terror em Gotham, que culmina com várias mortes antes de ser detido pelo Cavaleiro das Trevas. Encurralado, o Palhaço do Crime comete suicídio, de modo a incriminar Batman pela sua morte.
               Os Filhos do Morcego são treinados por Batman em métodos não letais de manutenção da ordem pública, passando a atuar como uma milícia ao serviço do herói. Entretanto, uma ogiva nuclear soviética é lançada na órbita terrestre e, decorrente da sua detonação, o sol é bloqueado, ao mesmo tempo que os sistemas eletrónicos dos Estados Unidos são desligados pelo subsequente impulso eletromagnético. Em Gotham, Batman e os Filhos do Morcego restauram a ordem, mas logo o Governo federal, considerando que a ação destes põe em causa a sua autoridade, envia o Superman para neutralizar o seu velho amigo.
               Informado por Oliver Queen ( o ex-Arqueiro Verde, agora reciclado como revolucionário) dos planos governamentais, Batman prepara-se devidamente para o embate com o Último Filho de Krypton. Durante a refrega que se segue, Oliver atinge o Superman com uma flecha contendo kryptonita sintética, permitindo a vitória do Homem-Morcego. Contudo, este sucumbe pouco depois a um fulminante ataque cardíaco. Seguindo escrupulosamente as diretrizes previamente fornecidas pelo seu patrão, o mordomo Alfred detona uma bomba que destrói a Batcaverna e a mansão Wayne.
               A identidade secreta de Batman logo se torna do conhecimento público e o seu corpo é reclamado por uma prima distante (na verdade, Casey Kelly disfarçada). 
               No funeral, a superaudição do Homem de Aço capta um batimento cardíaco no interior do caixão mas limita-se a piscar o olho a Carrie e a partir. Mais tarde, Carrie desenterra Bruce Wayne, que simulou a própria morte, tomando uma misteriosa pílula.
               Nos labirínticos túneis sob a antiga Batcaverna, Batman, em conjunto com Robin, Arqueiro Verde e os Filhos do Morcego, inicia os preparativos para uma nova guerra contra o governo corrupto que tomou em mãos o destino dos EUA.
A arte de Miller em Batman, O Cavaleiro das Trevas não agradou a todos os fãs.
Reputação: Batman, O Cavaleiro das Trevas, a par de Watchmen de Alan Moore, lançou uma nova tendência nos quadradinhos, introduzindo temáticas adultas. O que lhe valeu uma atenção nunca vista por parte dos media. No entanto, alguns críticos acusaram Frank Miller de ter produzido uma história demasiado crua e violenta, nos limites da decência. Esta nova abordagem ao Homem-Morcego libertou-o definitivamente do histrionismo infantil que se lhe colara desde a célebre série televisiva dos anos 1960. Retratado como um indivíduo soturno e obcecado, o Batman de Frank Miller influenciaria a personalidade e o visual do Homem-Morcego no filme dirigido por Tim Burton em 1989. Outras vozes críticas insurgiram-se contra o facto de Miller ter transformado Batman num psicopata que não olha a meios para atingir os seus fins. Esquecendo, todavia, que as suas ações extremas e obsessivas na minissérie derivam do seu avassalador sentimento de culpa pela morte de Robin e pela sua covardia de abandonar Gotham à mercê de todo o tipo de facínoras.
                    Outra inovação introduzida por Miller prende-se com a forma de tratamento aplicada entre os vários super-heróis. Em vez de se tratarem pelos respetivos codinomes, referem-se uns aos outros pelos nomes próprios (Bruce, Clark, Ollie, etc).  Outra decisão polémica foi a não inclusão de Dick Grayson (o primeiro Robin) na narrativa, sendo o seu nome apenas mencionado por Bruce.
                    Expressão do hiper-realismo imprimido ao enredo, a inclusão de figuras públicas como Ronald Reagan (presidente dos EUA à época), David Letterman e o Dr. Ruth. Essa nova corrente atingiria o seu clímax com a consagrada banda desenhada Sin City, também da autoria de Miller. Apesar da reação favorável da maior parte dos fãs à arte arrojada de Batman, O Cavaleiro das Trevas, esta esteve longe de ser consensual.
                   No Brasil, pelas mãos das editoras Abril Jovem e Panini, foram publicadas, entre 1987 e 2011, várias reedições e edições encadernadas desta mítica minissérie. A qual teve direito nos EUA a uma igualmente eletrizante sequela em 2001: Batman: The Dark Knigt Strikes Again (lançada no ano seguinte em Português pela Abril, sob o título Batman, O Cavaleiro das Trevas II,e sobre a qual me comprometo a falar muito em breve).
                   Batman, O Cavaleiro das Trevas é, indubitavelmente, uma das melhores histórias alguma vez escritas do Homem-Morcego e uma das coqueluches da minha coleção,  a par da respetiva sequela.
Batman versus Superman: um duelo entre velhos amigo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

BD CINE APRESENTA: A LEI DE DREDD




     
          Se no grande ecrã Stallone, para gáudio dos fãs, aplicou à sua maneira a lei de Dredd, fora dele o filme não convenceu a crítica nem a generalidade do público, colando-se-lhe assim o indesejável rótulo de flop.
 
Título original: Judge Dredd
Ano: 1995
País: EUA
Duração: 95 minutos
Realização: Danny Cannon
Argumento: Michael De Luca, William Wisher, Jr. e Steven E. de Souza
Elenco: Sylvester Stallone (Joseph Dredd), Armand Assante (Rico Dredd), Diane Lane (Juíza Hershey), Max Von Sydow (Juiz-chefe Fargo) e Rob Schneider (Fergie).
Orçamento: 90 milhões de dólares
Receitas: 113,5 milhões de dólares
 
Stallone em pose heroica como Judge Dredd.
 
Sinopse: No ano 2139, o nosso planeta tornou-se praticamente inabitável, sendo rebatizado de Terra Amaldiçoada. Em consequência disso, toda a população mundial se concentrou em megacidades espalhadas à volta do globo. Nelas,  a taxa de criminalidade é estratosférica e o sistema de justiça tradicional tornou-se impotente para sustê-la, acabando por colapsar. Das suas cinzas emergiu uma nova Justiça. Com ela surgiu também uma nova força policial cujos agentes - designados Juízes -  aplicam sumariamente a lei, sendo portanto juízes, júri e executores em simultâneo.
               Em Mega City 1 (antiga Nova Iorque), Joseph Dredd, o mais duro e implacável dos Juízes, tornou-se uma lenda viva, temido pelos infratores e admirado pelos colegas. Um dia, porém, é acusado de um homicídio que não cometeu e sentenciado a prisão perpétua na colónia penal de Aspen, fora dos muros da cidade. 
              Ao descobrir que o verdadeiro assassino é o seu irmão gémeo, Rico, Dredd procurará por todos os meios provar a sua inocência, ao mesmo tempo que vão sendo revelados segredos do seu passado e os pormenores de uma conspiração orquestrada por um membro corrupto do Conselho de Juízes. Para tal contará com a ajuda da Juíza Hershey e de um hacker pouco afoito chamado Fergie.
 
Aspeto das ruas de Mega City 1.
 
Curiosidades:
             * Arnold Schwarzenegger foi o primeiro ator a ser sondado para encarnar Judge Dredd no cinema;
             * Devido às constantes disputas criativas com Stallone, o realizador Danny Cannon jurou solenemente nunca mais trabalhar com vedetas;
             * Alegadamente, a versão final do argumento do filme é completamente diferente da original, em consequência das inúmeras alterações exigidas por Stallone;
             * Segundo Rob Schneider, Stallone telefonou-lhe para lhe oferecer o papel de Fergie, depois de Joe Pesci o ter recusado;
              * Na banda desenhada que deu origem ao filme, Dredd raramente remove o seu capacete, mas os produtores obviamente não podiam permitr que um astro tão caro como Stallone não mostrasse o rosto.
        
Dredd enfrenta o seu gémeo maligno, Rico (Armand Assante).
 
Minha avaliação: 44%
           Não sendo intragável, A Lei de Dredd deixa uma estranha sensação de vazio. A haver alguma mensagem política sobre sociedades totalitárias, terá sido certamente omitida  durante a pré-produção. Com efeito, a principal preocupação do argumento parece ser a de fazer brilhar Stallone através de sucessivos recontros com facínoras de toda a espécie, ao bom estilo de Rambo e de outros filmes de ação protagonizados pelo ator na década de 1980.
                 Redundantes, os diálogos chegam a ser maçadores (expressões como "Eu sou a Lei" ou "Sabia que dirias isso" são várias vezes repetidas ao longo do filme), enfatizando assim a superficialidade do argumento. Tensão e intriga existem mas numa escala minimalista: as complexas idiossincracias de um futuro distópico são preteridas em relação a estafados clichés, promovendo uma visão demasiado redutora e maniqueísta, que se resume ao clássico herói versus vilão.
                 Muito menos violento do que a banda desenhada original, A Lei de Dredd permite, ainda assim, a Stallone brilhar como herói de ação, dada a proliferação de tiroteios, explosões e combates corpo a corpo.
                 Caso o espectador não se importe de conceder um folga de 95 minutos ao cérebro e/ou seja um fã indefetível de Stallone, A Lei de Dredd não o desiludirá. Se, pelo contrário, prefere filmes com maior substrato intelectual e maior investimento emocional, o melhor mesmo será procurar noutro lado.

A Lei de Dredd foi um tiro ao lado.
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: JUDGE DREDD





      Num futuro distópico dominado pelo caos e pela violência, ele é a Lei. Judge Dredd é juiz, júri e executor.

Nome original: Judge Dredd
Primeira aparição: 2000 AD nº2 (março de 1977)
Criadores: John Wagner (argumento), Carlos Ezquerra (arte) e Pat Mills (editor).
Licenciadora: IPC Media/ Fleetway (até 1999) e Rebellion Developments (de 1999 até à atualidade).
Identidade civil: Joseph Dredd
Local de nascimento: Mega City 1
Base de operações: Mega City 1
Parentes conhecidos: Juiz-chefe Fargo (pai) e Rico Dredd (irmão falecido).
Filiação: Departamento de Justiça de Mega City 1
Poderes e armas: Geneticamente aprimorado, Judge Dredd recebeu olhos biónicos que lhe proporcionam visão noturna. Em resultado do seu treino na Academia da Lei, domina várias artes marciais e técnicas de auto-defesa, além de ser um exímio atirador. Como armas, usa uma pistola (Lawgiver) capaz de disparar seis tipos diferentes de munição e programada para reconhecer apenas a sua impressão palmar. Um bastão, uma faca e granadas de gás completam o seu arsenal. No entanto, a sua arma mais impressionante é a Lawmaster, uma mota equipada com metralhadoras e um potente canhão laser, dotada também da mais avançada inteligência artificial, que lhe permite obedecer às diretivas de Dredd ou operar-se autonomamente.

Judge Dredd debutou nas páginas de 2000 AD nº2 (1977).

Biografia: Joseph Dredd e o seu irmão Rico foram clonados em 2066 a partir do ADN do Juiz-chefe Fargo, o primeiro magistrado de Mega City 1. Fargo foi o fundador do Sistema dos Juízes que, originalmente, concedia poderes à nova força policial para aplicar justiça sumária aos criminosos norte-americanos do século XXI.
                   Em 2070, porém, na sequência de um golpe de estado, o Departamento de Justiça dos EUA assumiu o controlo do país e formou um novo governo de cariz autocrático, encabeçado pelo Juiz-chefe. Desde então os juízes-chefes têm disposto de enorme poder, a despeito de os EUA se terem dividido em três gigantescas cidades-estado independentes, entre as quais Mega City 1.
                  Por todo o globo, várias outras megalópoles substituíram as nações de outrora, e em todas elas foram implementados sistemas similares.
                  Com o seu crescimento acelerado artificialmente, Dredd e Rico nasceram com a fisiologia equivalente à de uma criança de 5 anos. Durante a gestação foi-lhes implantado eletronicamente conhecimento adequado às suas futuras funções. O nome Dredd (que em Inglês significa "temor") foi escolhido pelo cientista que os criou, a fim de instilar medo à população.
                 Dredd e Rico entraram em ação pela primeira vez em 2070, no auge das Guerras Atómicas. Embora à época ainda fossem cadetes na Academia da Lei, foram temporariamente promovidos a Juízes e destacados para restaurar a ordem nas ruas. Essa primeira missão permitiu-lhes distinguirem-se entre os demais cadetes e, pouco tempo depois, participaram no assalto à Casa Branca, quando o Departamento de Justiça depôs o Presidente dos EUA.
                  Em 2079, os dois irmãos terminaram o curso na Academia da Lei, tendo Rico ficado em primeiro lugar na sua turma. Algum tempo depois, contudo, Dredd seria obrigado a executar o próprio irmão, corrompido pelo poder e pela ganância.
                 De volta às ruas de uma Mega City 1 estropiada pelo crime e pela corrupção, Dredd revelou-se um excelente Juiz. Não tardou portanto a ser promovido a juiz sénior.
                 Apesar da sua dedicação à aplicação da Lei, a sua lealdade não é cega. Em duas ocasiões (2099 e 2112), Dredd demitiu-se do Departamento de Justiça de Mega Ciy 1 por questões éticas. Em ambas as ocasiões, porém, acabaria por reingressar na força.
                  Judge Dredd movimenta-se num futuro distópico, onde a Terra foi arrasada por uma série de conflitos internacionais em larga escala, tendo a maior parte do planeta sido transformada em desertos radioativos. O que levou as populações a concentrarem-se em gigantescas áreas urbanas, conhecidas como megacidades. Uma delas, Mega City 1, lar de Dredd, agrega toda a antiga costa leste norte-americana. Um dos maiores problemas dessas megalópoles é a elevadíssima taxa de desemprego, resultante de uma automatização do quotidiano, traduzida na criação de robôs inteligentes. Consequentemente, os índices de criminalidade são estratosféricos.
                  Com uma população residente de 400 milhões de almas, Mega City 1 encontra-se seccionada em gigantescos blocos habitacionais, cada um com capacidade para mais de 50 mil pessoas. Cada um desses blocos foi batizado com o nome de personalidades históricas ou de celebridades televisivas, normalmente com um propósito satírico.
                  Mega City 1 é rodeada pelo inóspito território conhecido como Terra Amaldiçoada, um imenso deserto radioativo habitado por todo o tipo de párias e mutantes.
                 Não obstante haver referências a outras megacidades espalhadas pelo globo, a nova geografia mundial é sempre vaga nas histórias de Dredd. Em todas elas, porém, os elevados níveis de poluição originaram mutações em humanos e animais. Foi assim instituído um sistema de apartheid genético, sendo a expulsão das cidades o castigo supremo.
                Não é de estranhar, portanto, que, ao longo dos anos, vários escritores das histórias de Dredd tenham usado o Sistema de Juízes de Mega City 1 e os seus métodos fascizantes para satirizar algumas políticas securitárias contemporâneas.


Juiz, júri e executor. Assim é a lei de Dredd.
 
Curiosidades:
* Como as primeiras histórias de Dredd eram publicadas a preto e branco, as suas origens étnicas eram ambíguas, uma vez que nos primeiros esboços de Carlos Ezquerra a personagem era desenhada com lábios grossos, sugerindo tratar-se de um afro-americano.
* A face de Dredd nunca é totalmente revelada na banda desenhada, numa metáfora à ausência de rosto da Justiça.
* A passagem do tempo na vida real reflete-se no universo de Dredd. Por conseguinte, ele é atualmente um ancião de 70 anos de idade, com mais de 50 anos de serviço, e a quem foi diagnosticado um cancro benigno no duodeno.
* Sendo a mais célebre personagem dos quadradinhos britânicos, Judge Dredd ocupa o 35º lugar no ranking Top 100 Comic Book Heroes do site IGN.
O visual original de Judge Dredd, pelo traço de Mike McMahon em 1977.
 

Noutros media: Fora dos quadradinhos, foram várias as incursões de Judge Dredd noutros media: videojogos, novelas literárias, cartas colecionáveis e até e-books e audiolivros. Contudo, atingiu maior notoriedade junto do grande público através dos dois filmes já produzidos. O primeiro, Judge Dredd (conhecido entre nós como "A Lei de Dredd"), chegou às salas de cinema em 1995 e tinha Sylvester Stallone no papel principal. Ao contrário do que é habitual nos comics, Dredd surge em vários momentos da película com o rosto descoberto.
                            Já este ano, estreou um reboot da personagem, intitulado simplesmente Dredd, cabendo desta feita a Karl Urban dar vida ao implacável combatente do crime no grande ecrã. Dirigido por Pete Travis, o filme foi rodado em 3D na Cidade do Cabo (África do Sul) e ainda se encontra em exibição nas salas de cinema nacionais.
Karl Urban foi o ator eleito para interpretar Judge Dredd no respetivo reboot.

Cartaz promocional de Judge Dredd (1995).