terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ETERNOS: C.C. BECK (1910-1989)




      Advém da criação da Família Marvel a notoriedade de C.C. Beck - pseudónimo de Charles Clarence Beck - que, no entanto, só postumamente obteve o reconhecimento merecido.

     Charles Clarence Beck nasceu a 8 de junho de 1910 em Zumbrota, no estado norte-americano do Minnesotta. Na sua juventude estudou na Academia de Belas Artes da Universidade do Minnesota, tendo também tirado um curso de ilustração por correspondência. Pouco mais se sabe da sua vida pessoal.
      A sua carreira profissional principiou em 1933, quando Beck se juntou à editora Fawcett Comics, onde trabalhou como ilustrador em vários títulos pulp. Seis anos depois, quando a Fawcett decidiu apostar na publicação de banda desenhada com super-heróis, foi designado para desenhar uma personagem idealizada pelo escritor Bill Parker: Captain Thunder. Contudo, antes que o primeiro número da série Whiz Comics fosse lançado, a personagem em questão foi rebatizada de Captain Marvel. Além das aventuras do Mortal Mais Poderoso da Terra, Beck também ilustrava à época outros dois títulos publicados pela Fawcett: Spy Smasher e Ibis, The Invencible.
   O estilo que Beck imprimiu nas primeiras histórias do Capitão Marvel  serviria de bitola aos seus sucessores à frente da série. Beck privilegiava um traço mais próximo do habitualmente empregue em cartoons. Esse estilo límpido permitia, quer aos seus assistentes quer a outros ilustradores da casa, imitarem facilmente o seu trabalho.

A arte de C.C. Beck marcaria para sempre o visual das histórias do Capitão Marvel.

     Decorrente da crescente popularidade do Capitão Marvel, floresceram vários outros títulos relacionados com o universo do herói. Em consequência disso, Beck teve condições para criar o seu próprio estúdio em Nova York, corria o ano de 1941. Algum tempo depois abriria um segundo, em Nova Jérsia. Ambos os estúdios de Beck forneciam a maior parte do material artístico utilizado nas várias séries que tinham a Família Marvel (Capitão Marvel, Mary Marvel, Capitão Marvel Jr. e um lote de derivados) como protagonistas.
     Durante esse período áureo, Beck assumiu as funções de Diretor de Arte na Fawcett Comics. Cargo que lhe permitiu promover um visual coerente em todas as histórias do Capitão Marvel e restante Família Marvel, assegurando assim que estas se mantinham fiéis ao seu estilo original. Paralelamente à produção de comics, os estúdios dirigidos por Beck também fizeram sucesso na publicidade comercial.

Retrato oficial da Família Marvel pela mão do seu criador.

      Nos primeiros anos da década de 1950, porém, tudo mudaria. Após anos de litigância jurídica devido ao processo movido pela National Comics (antecessora da atual DC) contra a Fawcett, por alegado plágio do Capitão Marvel em relação ao Super-homem, esta última concordaria em cancelar a publicação da sua personagem de charneira. Não terá sido contudo alheia a esta decisão a acentuada quebra de vendas verificada nos títulos da Família Marvel.
      Com a falência da Fawcett, Beck abandonou a indústria dos quadradinhos, dedicando-se durante um curto período de tempo em exclusivo à publicidade. Não obstante, em parceria com o argumentista Otto Binder, Beck ainda apresentou alguns esboços para tiras diárias a serem publicadas num jornal, e que seriam estreladas por Tawky Tawny, um tigre falante com aspeto humanoide. O projeto foi, no entanto, sumariamente rejeitado pelos vários jornais a que a dupla o remeteu. Anos mais tarde, Tawky Tawny seria reabilitado e incorporado no renovado universo do Capitão Marvel, então já propriedade da DC.
Tawky Tawny foi crismado de Senhor Malhado no Brasil.

      Em meados de 1953, Beck mudou-se para Miami onde gerenciou um bar. Apesar de o negócio prosperar, nesse mesmo ano contactou Joe Simon (cocriador do Capitão América), expressando-lhe o seu desejo de regressar à indústria dos comics. Simon, por sua vez, procurava um ilustrador talentoso para desenhar os esboços da nova personagem que pretendia lançar. Dessa sinergia resultou The Silver Spider, com Beck a desenhar uma história escrita por Jack Oleck. Contudo, a personagem não vingaria, tendo sido rejeitada pela Harvey Comics.
      Na esteira de mais esse revés, só em meados da década seguinte Beck se aventuraria novamente a ilustrar banda desenhada. Da sua fugaz colaboração com a igualmente fugaz Milson Publications, resultou a criação de Fatman: the Human Flying Saucer, uma personagem que, em última análise, era o reverso do Capitão Marvel, embora dotada de poderes muito diferentes. Com a revitalização do Mortal Mais Poderoso da Terra operada pela DC, em 1973 Beck mudou-se de armas e bagagens para a antiga concorrente, tendo assumido a arte da neófita série SHAZAM!. Abandonaria, porém,  o projeto ao fim de seis edições, por alegadas divergências criativas com os argumentistas.
      A convite do escritor E. Nelson Bridwell, Beck ainda escreveu uma história intitulada Captain Marvel Battles Evil Incarnate. No entanto, as inúmeras alterações editoriais à mesma, deixaram Beck descontente ao ponto de desistir de desenhá-la.

Criador e criatura reunidos numa caricatura datada de 1975.

      Uma vez aposentado, Beck passou a escrever regularmente uma coluna de opinião para o The Comics Journal. Um dos tópicos recorrentemente abordados eram as suas objeções ao crescente realismo que caracterizava a arte dos quadradinhos, por contraponto ao estilo simples (e até pueril) que sempre cultivara.
      Nos anos que precederam a sua morte, Beck dedicou-se a recriar capas emblemáticas da Idade do Ouro, nas quais figuravam tanto super-heróis, como o Pato Donald e outras personagens da Disney.
      Em abril de 1980, Beck tornou-se o editor do boletim informativo da Fawcett Collectors of America (uma espécie de fanzine que pretendia dar a conhecer o universo da defunta editora). Problemas de saúde ditaram, no entanto, o afastamento de Beck do projeto ao cabo de 19 edições.
      Em resultado de uma insuficiência renal, Beck faleceria no dia 22 de novembro de 1989 em Gainesville, Flórida. Tinha 79 anos.
     No ano seguinte veria reconhecido o seu trabalho ao ser nomeado finalista para o Jack Kirby Hall of Fame, onde teria o seu nome inscrito em 1997. Antes, em 1993, venceu, a título póstumo, o conceituado Prémio Will Esiner (uma espécie de Óscar dos quadradinhos).
     Porquanto para os leigos e para as novas safras de leitores de comics, C.C. Beck permanece ainda um ilustre desconhecido, presto aqui o meu humilde tributo a um criador que, goste-se ou não do seu estilo, merece decerto figurar no panteão dos Eternos.
        
C.C. Beck numa sessão de autógrafos durante uma convenção de BD.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

GALERIA DE VILÃS: HERA VENENOSA




      Como a planta que lhe dá nome, Hera Venenosa tem tanto de perigosa como de fascinante. Nem mesmo Batman - com quem mantém uma tóxica relação de amor-ódio - está imune aos encantos desta vilã de moral dúbia.
  
Nome original: Poison Ivy
Primeira aparição: Batman nº181  (junho de 1966)
Criadores: Robert Kanigher e Sheldon Moldoff
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Pamela Lillian Isley
Local de nascimento: Seattle, Washington
Parentes conhecidos: nenhum
Base de operações: Gotham City
Filiação: Liga da Anarquia do Joker, Esquadrão Suicida, Sociedade Secreta dos Supervilões, Gangue da Injustiça e Aves de Rapina. Em tempos estabeleceu ainda uma parceria temporária com Harley Quinn (ver Némesis: Harley Quinn), a psicótica amante do Joker.
Poderes e habilidades:  
* Botânica: antes do acidente que mudaria para sempre a sua vida, a doutora Pamela Isley era uma renomada cientista com carreira feita em Gotham City. Os seus vastos conhecimentos botânicos permitem-lhe assim manipular as plantas a seu belo prazer;
*Toxicologia: com uma especialização nesta área, Pamela inicialmente usava essa valência para produzir perfumes, remédios e cosméticos. Após o acidente que a transformou em Hera Venenosa, passou a desenvolver venenos, toxinas e outras armadilhas potencialmente fatais para os seu inimigos;
*Sedução: embora sempre tivesse sido uma mulher assaz atraente, antes da sua transformação Pamela nunca usara os seus dotes de sedução em proveito próprio;
* Combate corpo a corpo: Hera Venenosa tem aprimorado as suas aptidões atléticas ao longo da sua carreira, dominando também algumas técnicas de autodefesa;
* Controlo de feromonas: graças à segregação de feromonas, a vilã consegue seduzir tanto homens como mulheres;
* Imunidade toxicológica: Hera venenosa é virtualmente imune a todas as toxinas, bactérias, fungos e vírus conhecidos:
* Telecinésia tóxica: uma overdose deliberada de toxinas vegetais e animais na sua corrente sanguínea tornou o seu toque letal. A vilã consegue criar as mais mortais toxinas florais, as quais são habitualmente segregadas pelos seus lábios;
* Vínculo com o mundo vegetal: uma ligação semi-mística com o mundo vegetal através de uma força conhecida simplesmente como Verde, permite-lhe animar e manipular plantas.
Fraquezas:
 * Vulnerabilidade à escuridão: para subsistir, Hera Venenosa necessita de quantidades substanciais de energia solar;
* Instabilidade mental: porventura em resultado do seu vínculo mental com o mundo vegetal, a psique da vilã tem-se revelado altamente volátil, tendo sido por diversas ocasiões internada no Asilo Arkham.


Hera Venenosa debutou nas páginas de Batman nº181 (1966) e logo semeou a discórdia entre a Duo Dinâmico.

Biografia: Coincidindo com a afirmação do movimento feminista, a promoção da Hera Venenosa adveio da necessidade de incluir um maior número de personagens femininas em séries predominantemente masculinas. Serviu também para substituir a Mulher-Gato como vilã principal nas aventuras de Batman.

               A sua origem, assim como o seu visual, foram sendo sucessivamente revistos ao longo dos anos. Curiosamente, aquando da sua primeira aparição, em 1966, Hera Venenosa foi apresentada apenas como uma ruiva sedutora, não tendo sido revelados quaisquer pormenores sobre a história a montante. Modelada por Robert Kanigher à imagem e semelhança de Betty Page (a famosa pin-up que se tornara um ícone de beleza na década anterior), dela herdou o corte de cabelo e o sotaque sulista. Já a sua indumentária consistia simplesmente numa espécie de fato de banho verde coberto de folhas e numas meias de nylon amarelas com folhas desenhadas. .

           Na sequência da Crise nas Infinitas Terras (a maxissérie que revolucionou o universo DC em meados dos anos 1980), a sua origem foi reescrita por Neil Gaiman. Nesta nova versão, Pamela Isley cresceu no seio de uma família abastada mas emocionalmente distante. Anos mais tarde, quando estudava Bioquímica e Botânica na universidade de Seattle, distinguiu-se pelo seu brilhantismo. A sua timidez e insegurança, porém, fizeram dela uma presa fácil para Jason Woodrue, seu professor. Seduzida e manipulada por Woodrue, a jovem serviria de cobaia às experiências com toxinas vegetais que este vinha desenvolvendo. Depois de Woodrue lhe ter injetado algumas dessas toxinas, Pamela tornou-se virtualmente imune a toda a sorte de fungos, bactérias, vírus e venenos naturais. Adquiriu também a capacidade de produzir feromonas que deixavam qualquer pessoa à sua total mercê.
                Embora tenha sobrevivido à transformação, Pamela permaneceu seis meses no hospital e teve a sua mente fortemente abalada. Ressentida pela traição de que fora vítima, a jovem passou a sofrer de violentas oscilações de humor, que a tornaram perigosamente volátil. Situação agravada pela morte do namorado num acidente de viação. Em consequência disso, Pamela abandonou a universidade e Seattle, mudando-se de armas e bagagens para Gotham City.
               Foi , de resto, na cidade natal de Batman que a Hera Venenosa debutou, iniciando a sua carreira criminosa chantageando as autoridades de Gotham City a satisfazerem as suas exigências, sob pena de lançar esporos mortais no ar. Os seus planos foram, contudo, gorados pela intervenção do Cavaleiro das Trevas, acabando a vilã encarcerada no Asilo Arkham.
                   É durante esse período que desenvolve uma obsessão patológica pelo Homem-Morcego, a única pessoa que ela não conseguia controlar.
 

Batman e Hera Venenosa: uma relação tóxica carregada de erotismo.
                  Com o passar dos anos, e à medida que se tornava cada vez mais perversa, Hera Venenosa desenvolveu superpoderes relacionados com o mundo vegetal, sendo o mais notório a produção de uma toxina letal nos seu lábios que lhe permitia, literalmente, matar com um simples beijo.

                   Em histórias posteriores, a vilã abandona Gotham, instalando-se numa ilha deserta no mar das Caraíbas, a qual transforma num segundo Jardim do Éden. Quando pela primeira vez na vida se sentia feliz, vê o seu paraíso particular ser arrasado pelo bombardeamento levado a cabo por uma corporação que, julgando-a desabitada, usou a ilha como local de testes ao armamento por ela fabricado.

                 Regressada a Gotham, Hera Venenosa ganha uma nova obsessão: tornar o mundo seguro para as plantas. Dedica-se então à missão impossível de "purificar" a cidade, sendo invariavelmente detida pelo seu soturno guardião.
                Atualmente, na esteira da reformulação introduzida na cronologia do universo DC no âmbito de Os Novos 52, Hera Venenosa integra As Aves de Rapina, um grupo de super-heroínas que leva a cabo operações secretas. Não obstante ter sido recrutada pessoalmente pela líder da equipa, Canário Negro, a agora ex-vilã é vista com desconfiança por parte das restantes companheiras, em resultado do seu passado criminal.
             A par da sua origem e visual, também o seu tom de pele variou ao longo dos anos: devido à presença de clorofila no seu sangue, a sua pigmentação sofreu mutações, conferindo-lhe uma cor esverdeada em alguns momentos da sua história. No entanto, nas suas encarnações mais recentes voltou ao tom de pele original, sendo retratada como uma mulher caucasiana e de cabelo ruivo.

Em Os Novos 52 Hera Venenosa integra as Aves de Rapina.

Noutros mediaPresença assídua em séries de animação produzidas com a chancela da DC, a estreia da Hera Venenosa fora dos quadradinhos remonta a 1992 em Batman: The Animated Series. Nela, as suas características meta-humanas foram enfatizadas, sendo a vilã descrita como alguém com enormes afinidades com plantas. Além das séries animadas estreladas pelo Homem-Morcego, Hera Venenosa participou ocasionalmente em episódios avulsos de Young Justice, Justice League e, mais recentemente, de Super Best Friends Forever.
       Desde 1994 até à atualidade, Hera Venenosa figurou numa plêiade de videojogos baseados no universo do Cavaleiro das Trevas. Na maior parte das vezes, porém, os dois não se confrontam diretamente, uma vez que a vilã - a exemplo do que amiúde sucede na banda desenhada -  prefere permanecer nas sombras enquanto as suas monstruosas criações vegetais fazem o trabalho sujo.
         Foi, contudo, graças à sua participação, na qualidade de antagonista principal, em Batman & Robin (1997) que Hera Venenosa (interpretada por Uma Thurman) alcançou maior notoriedade junto do grande público. Apesar das críticas abrasivas que o filme recebeu, ninguém ficou indiferente à curvilínea vilã que semeou a discórdia entre o Duo Dinâmico, ao mesmo tempo que orquestrava um mirabolante plano para mergulhar o mundo num inverno perpétuo. 

Uma Thurman deu vida a Hera Venenosa em Batman & Robin.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

BD CINE APRESENTA: HOMEM DE FERRO





    Primeira megaprodução auto-financiada da Marvel, Homem de Ferro fez furor entre os fãs e a crítica, dando um importante contributo para a revitalização do género super-heroico no cinema. Foi ainda a rampa de lançamento para recente o filme dos Vingadores.
 
 
Título original: Iron Man
Ano: 2008
País: EUA
Duração: 126 minutos
Realização: Jon Favreau
Argumento: Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum e Matt Holloway
Elenco: Robert Downey, Jr. (Tony Stark/Homem de Ferro), Terrence Howard (James Rhodes/Máquina de Guerra), Jeff Bridges (Obadiah Stane) e Gwyneth Paltrow (Pepper Pots)
Orçamento: 140 milhões de dólares
Receita: 585 milhões de dólares
Sinopse: Em visita ao Afeganistão na companhia do coronel James Rodhes (responsável pela segurança das Indústrias Stark), para uma demonstração dos novos mísseis Jericó, o playboy bilionário Tony Stark é raptado e gravemente ferido por um grupo terrorista chamado Dez Anéis. Com um fragmento metálico alojado no peito, a escassos centímetros do seu coração, o magnata apenas sobrevive graças ao dispositivo eletromagnético que desenvolve com a preciosa ajuda do seu companheiro de cativeiro, o cientista Yinsen.
                Raza, o líder dos terroristas, oferece a liberdade a Stark em troca da construção de um míssil Jericó para a sua organização. Sabendo de antemão que Raza não cumpriria a sua parte no acordo, Stark e Yinsen constroem em segredo um traje blindado que lhes permita escapar.
               Envergando o protótipo, Stark consegue evadir-se. Yinsen, porém, não tem tanta sorte e acaba morto pelos seus captores. Furioso, Stark arrasa a base dos terroristas, servido-se do arsenal do traje. Depois voa para o deserto onde se despenha, destruindo a armadura antes de ser resgatado por Rhodes.
              De volta aos EUA, Stark anuncia a sua decisão de que a sua empresa não mais fabricará armamento. O que muito desagrada ao seu sócio, Obadiah Stane.
              Entretanto, na sua oficina caseira, Stark trabalha afincadamente numa nova versão da sua armadura e no aperfeiçoamento da sua respetiva fonte de energia. Para sua grande surpresa, é tornada pública a notícia de que material bélico fabricado pelas Indústrias Stark fora recentemente vendido à organização Dez Anéis. Desligado da realidade, Stark toma igualmente conhecimento do insidioso plano de Stane para o afastar da diretoria da empresa. Uma investigação levada a cabo pela sua fiel assistente Pepper Pots, traz também à luz do dia a venda secreta de armamento à Dez Anéis por parte de Obadiah Stane, assim como os seus planos para a eliminação física de Stark.

Stark realiza os primeiros ensaios da sua nova armadura.

               Terminando em tempo recorde o seu traje blindado, Stark voa até ao Afeganistão e lança um ataque devastador sobre a Dez Anéis. Alguns dos seus membros, entretanto, contactam Obadiah Stane depois de terem recuperado os destroços do protótipo usado por Stark para escapar do cativeiro, no sentido de que este recrie a tecnologia da armadura.
              Apoderando-se do protótipo, Stane recorre à engenharia reversa para construir o seu próprio traje blindado. Contudo, os seus cientistas não conseguem replicar o mini-reator que Stark desenvolveu para servir de fonte de energia à sua armadura. O que leva Stane a emboscar Stark na sua própria casa, deixando-o moribundo após lhe ter arrancado o reator do peito.
             Stark, no entanto, não só sobrevive ao ataque como, com a ajuda de Pepper Pots, arquiteta um plano para neutralizar o seu inimigo.
Tony Stark mantém uma relação que ultrapassa a esfera profissional com a sua bela assistente.

Obadiah Stane contempla a sua criação.

 
                Numa conferência de imprensa concedida no dia seguinte, Tony Stark revela ser ele o herói blindado que os media haviam batizado de Homem de Ferro.
               Após os créditos finais, Nick Fury (Samuel L. Jackson), o diretor da agência de contraterrorismo SHIELD, visita Stark em sua casa, informando-o de um projeto ultrassecreto denominado Iniciativa Vingadores, abrindo assim caminho não só para uma sequela mas também para um filme baseado nos heróis mais poderosos da Terra.
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=jHVM7FpywIQ

Prémios e nomeações:
 
* Homem de Ferro foi eleito um dos dez melhores filmes de 2008 pelo American Film Institute;
* O filme do Vingador Dourado foi nomeado para dois Óscares nas categorias de Melhores Efeitos Especiais e Melhor Edição Sonora, tendo, no entanto, perdido para O Estranho Caso de Benjamin Button e Batman, O Cavaleiro das Trevas, respetivamente;
* Recebeu nomeações para nove categorias dos Saturn Awards, tendo arrecadado os prémios para Melhor Realizador (Jon Favreau), Melhor Ator (Robert Downey, Jr.) e Melhor Filme de Ficção Científica.

 
Curiosidades:
 
* Inicialmente, Jon Fraveau fora destacado para dirigir um novo filme do Capitão América, sob a forma de uma comédia de ação. No entanto, escolheu assumir a realização de Homem de Ferro, optando por imprimir-lhe um tom mais sério;
* Quando o filme começou a ser rodado, o guião não estava ainda completo, uma vez que os produtores estavam mais concentrados na história e nas cenas de ação, sendo os diálogos inclusos durante a filmagem;
* Nicholas Cage e Tom Cruise manifestaram interesse em assumir o papel principal, mas a escolha recaiu sobre Robert Downey, Jr.;
* O protótipo usado por Tony Stark para escapar do seu cativeiro no Afeganistão pesava 41 kg;
* Jarvis, o nome da Inteligência Artificial que assiste Tony Stark na construção da armadura do Homem de Ferro, é uma referência ao fiel mordomo dos Vingadores na banda desenhada;
* Para se preparar para o seu papel como Obadiah Stane, Jeff Bridges leu algumas das histórias do Homem de Ferro onde o vilão figurava e rapou a cabeça por ser algo que sempre desejara fazer;
* Numa primeira versão do argumento, o Mandarim (que será o antagonista do Vingador Dourado em Homem de Ferro 3), surgia como um terrorista indonésio ao invés de chinês;
* Vários escritores de banda desenhada, entre os quais Joe Quesada e Brian Bendis, foram contratados como consultores do argumento.

Uma pose em grande estilo do Vingador Dourado.

Minha avaliação: 73%
           Entre as várias virtualidades desta primeira adaptação cinematográfica do Vingador Dourado, destaco a abordagem madura feita à personagem (por contraponto à imaturidade quase pueril que caracteriza Tony Stark). Ao contrário de outras produções do género, Homem de Ferro fornece uma maior complexidade intelectual, emocional e moral de um herói terrivelmente humano, na linha do trabalho desenvolvido por Chris Nolan na recente trilogia do Cavaleiro das Trevas.
           Robert Downey, Jr. foi a escolha perfeita para o papel de um génio inventivo com um ego desmesurado, por trazer profundidade (e um toque de humor sarcástico) à personagem.
           Com um argumento fiel à banda desenhada original,  efeitos especiais convincentes e cenas de ação marcadas a espaços pela espetacularidade, Homem de Ferro, resulta, na pior da hipóteses, em duas horas de puro entretenimento  para espectadores pouco ou nada familiarizados com o universo Marvel.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: HOMEM DE FERRO



 
 
     Sob uma reluzente armadura de alta tecnologia, esconde-se um ser humano com várias fraquezas. Membro fundador dos Vingadores. o Homem de Ferro é um dos mais poderosos e carismáticos heróis dentro e fora dos quadradinhos, à beira de completar meio século de existência. 
 
Nome original: Iron Man
Primeira aparição: Tales of Suspense nº39 (março de 1963)
Criadores: Stan Lee, Larry Lieber, Don Heck e Jack Kirby
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Anthony Edward "Tony" Stark
Local de nascimento: Long Island, Nova York
Parentes conhecidos: Howard e Maria Stark (pais falecidos), Edward Stark (tio falecido) e Morgan Stark (primo)
Base de operações: Nova York
Filiação: Vingadores (membro fundador), Indústrias Stark, SHIELD, Thunderbolts.
Poderes e habilidades: Dotado de um Q.I. muito acima da média, Tony Stark é um génio inventivo, especializado na criação de armamento tecnologicamente vanguardista. Entre outros recursos ofensivos e defensivos, a armadura-padrão do Homem de Ferro inclui raios repulsores com elevado poder destrutivo, geradores sónicos, mini-mísseis, um gerador de campos eletromagnéticos e um maçarico laser embutido no dedo indicador de cada luva. A armadura pode ainda gerar automaticamente um campo elétrico para rechaçar ataques de natureza diversa. Graças aos seus poderosos servomotores, a armadura fornece força sobre-humana ao seu usuário, bem como a capacidade voar a velocidade Mach 8, propulsionada pelos jatos incorporados nas botas. Dispõe ainda de uma vasta gama de sensores internos e externos, radar, sonar, suprimento de oxigénio, rádio, magnetoscópio, etc. Na sua versão mais recente, o traje consegue levantar cem toneladas de peso (quando na máxima potência) e possui um campo defletor.

A primeira aparição do Homem de Ferro em Tales of Suspense nº39 (1963).

 
Em Tales of Suspense nº48 o Homem de Ferro surgiu pela primeira com as cores vermelha e dourada que ainda hoje usa.
 

Biografia: Filho de um magnata industrial fundador das Indústrias Stark, Tony herdou a genialidade inventiva do pai. Desde tenra idade que se sentia fascinado pela construção de máquinas e outros dispositivos. Aos 15 anos foi precocemente admitido no MIT, onde cursou Engenharia Eletrónica. Quatro anos e duas pós-graduações depois, Tony começou a trabalhar na empresa paterna, tendo, contudo, revelado uma maior apetência pela boémia do que pelos negócios.
                  Aos 21 anos, Tony herdou inesperadamente o império industrial construído pelo pai, na sequência de um acidente de viação que vitimou os seus progenitores. Foi com relutância que o jovem bilionário assumiu o legado paterno, que via como um fardo do qual tudo faria para se livrar.
                  Anos depois, Tony supervisionou pessoalmente no Vietname um teste de campo de um dos equipamentos militares por ele desenvolvido. Acabou, porém, raptado por guerrilheiros vietcongues que pretendiam obrigá-lo a construir-lhe armamento avançado. Durante a refrega, uma mina terrestre explodiu, cravando um fragmento metálico no peito de Tony, a escassos centímetros do seu coração.
                  Transportado para a base secreta dos guerrilheiros, Tony teve como companheiro de cela um renomado físico chinês, também ele mantido em cativeiro. Sabendo que não sobreviveria muito tempo com o fragmento metálico alojado no peito, Tony, auxiliado pelo outro cientista, construiu uma armadura que projetara antes da sua viagem ao Vietname.  Dotado de um gerador de campo magnético, o traje blindado impediria que o pedaço de metal atingisse o coração de Tony. Usando a sua nova invenção para se evadir, Tony não conseguiu, porém, evitar que o seu cúmplice fosse morto pelos guerrilheiros. Sedento de vingança,  Tony arrasou a base, antes de ser finalmente resgatado por militares norte-americanos. Entre estes estava James Rodhes, com quem Tony encetou uma amizade duradoura e a quem ofereceu emprego nas Indústrias Stark.
                   De volta a casa, Tony descobriu que o fragmento metálico alojado no seu peito não poderia ser removido sem o matar. Obrigado a usar permanentemente a placa peitoral da armadura - que necessitava de ser recarregada  regularmente - a vida do herdeiro das Indústrias Stark tornou-se um verdadeiro tormento. Contudo, Tony manteve a sua condição em segredo. Ao mesmo tempo que mergulhava numa espiral autodestrutiva, marcada pelo alcoolismo e por tendências suicidas.
                   Valeu-lhe o apoio e o afeto da sua noiva à época, Joanna Nivena. Depois de lhe ter revelado a sua condição e a vida dupla que levava, Tony foi encorajado por Joanna a usar a armadura no combate ao crime. Só então o Homem de Ferro saiu da obscuridade para se tornar num heroico cavaleiro dos tempos modernos.
                   Nem tudo foram rosas, porém: consciente de que Tony nunca seria o marido e homem de família que ela desejava, Joanna cancelou o casamento e desapareceu da sua vida para sempre.
                   Em resultado disso, Tony tornou-se ainda mais obstinado e empenhou-se em aperfeiçoar a sua armadura, concebendo sucessivas versões da mesma. Para manter secreta a sua identidade, apresentou publicamente o seu alter ego blindado como sendo o seu guarda-costas.
Dos primórdios à atualidade: as múltiplas versões da armadura do Vingador Dourado.
 
                   Entretanto, Tony Stark desempenhou um duplo papel na formação dos Vingadores: o de patrocinador e o de membro-fundador (como Homem de Ferro).
                   Posteriormente, Tony estaria também envolvido na fundação da SHIELD, uma super-agência secreta antiterrorista. O Homem de Ferro, no dealbar da sua carreira heroica, enfrentava, de acordo  com o espírito da época, vilões conotados com a ameaça soviética: Viúva Negra (a bela espia do KGB entretanto regenerada), Homem de Titânio e Dínamo Escarlate eram apenas alguns dos exemplos.
                  As suas primeiras histórias estavam, com efeito, fortemente marcadas por temáticas relacionadas com a Guerra Fria: espionagem industrial, corrida armamentista, paranoia anticomunista, etc. Por esse motivo, ao longo dos anos, a sua origem tem sido sucessivamente revista e atualizada. Assim, na década de 1990 a primeira  Guerra do Golfo substituiu o conflito no Vietname como cenário de fundo. Já neste século, a narrativa foi transferida para o Afeganistão. No entanto, a premissa original que  levou à construção da armadura, assim como a colaboração do cientista chinês que Tony conheceu no cativeiro, mantiveram-se inalterados.
                  A propósito da conceção do Vingador Dourado, Stan Lee disse certa vez que quis criar uma personagem que encarnasse a quintessência do capitalismo, tendo-se inspirado principalmente no magnata Howard Hughes. Surgiu assim a ideia de um playboy genial, egocênctrico e obscenamente rico, mas que carregava dentro de si um segredo que lhe dilacerava a alma. Os criadores do Homem de Ferro, quiseram, em suma, criar um herói blindado com pés de barro.
       
A mais recente versão da armadura do Homem de Ferro emprega nanotecnologia.
 
Noutros media: Foi na série animada de 1966 The Marvel Super Heroes que o Vingador Dourado fez a sua estreia fora dos quadradinhos. Ao longo dos quase cinquenta anos de existência, o herói tem marcado presença em várias outras produções do género, ora na qualidade de protagonista, ora como coadjuvante.
                           Nos últimos anos participou igualmente em diversos filmes de animação com a chancela da Marvel, quase sempre integrado nos Vingadores (Ultimate Avengers 1 e 2, por exemplo).
                           Num filme dirigido por Jon Favreau e com Robert Downey Jr. no papel principal, o Homem de Ferro teve direito à sua primeira adaptação ao cinema em 2008. Na esteira do sucesso obtido por Iron Man, seguiu-se uma sequela (Iron Man 2) em 2010. Já este ano, o herói enfrentou Loki e uma invasão extraterrestre ao lado dos restantes Vingadores numa megaprodução para o grande ecrã. Foi entretanto anunciada a data oficial da estreia do terceiro filme a solo do Vingador Dourado: Iron Man 3 chegará aos cinemas de todo o mundo a 3 de maio de 2013, já com Shane Black sentado na cadeira do realizador, mas ainda com Robert Downey Jr. a envergar a armadura.
 
O primeiro filme do Homem de Ferro estreou em 2008.
 
 

Iron Man 2 (2010) contou com participação especial da Viúva Negra, numa espécie de prólogo para o filme dos Vingadores.