sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

GALERIA DE VILÕES: MORBIUS





     Na sua desesperada busca por uma cura para a rara doença sanguínea de que é portador, Michael Morbius transformou-se num vampiro vivo. Entre ele e as suas vítimas, costuma intrometer-se um certo escalador de paredes.

Nome original: Morbius, The Living Vampire
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº101 (outubro de 1971)
Criadores: Roy Thomas (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade Civil: Michael Morbius
Nacionalidade: grega
Parentes conhecidos: Makarioa Morbius (pai)
Base de operações: Móvel
Filiação: Filhos da Meia Noite, Legião dos Monstros e A.R.M.O.R.
Poderes e armas: Em resultado de a sua transformação ter uma origem científica ao invés de mística, Morbius é considerado um pseudo vampiro. Ainda assim, ele possui um conjunto de habilidades meta-humanas características da espécie vampírica. A saber:

* força, velocidade, resistência e reflexos sobre-humanos;
* sentidos hiperaguçados;
* fator de cura acelerada;
* presas e garras;
* capacidade de planar;
* hipnotismo;
*criação vampírica (à semelhança dos vampiros genuínos, Morbius consegue converter indivíduos em vampiros através de uma simples mordedura);
* imunidade à maior parte das vulnerabilidades dos vampiros (tratando-se de um pseudo vampiro, Morbius não é afetado por ícones religiosos, nem é incinerado quando exposto à luz solar)

Fraquezas: Enquanto pseudo vampiro, a principal fraqueza de Morbius reside na sua necessidade de se alimentar regularmente com sangue fresco para assim manter a sua vitalidade física e mental. Pode, no entanto, abster-se de o fazer durante largos períodos de tempo, bastando para isso dispor da força de vontade necessária. Essa prolongada privação de alimento conduz a uma fraqueza crescente, inversamente proporcional ao seu autocontrolo. Por outro lado, embora a exposição solar não lhe seja letal, os seus olhos e a sua pele são muitos sensíveis à radiação emanada do astro-rei.

O primeiro confronto entre Morbius e o Homem-Aranha ocorreu nas páginas de The Amazing Spider-Man nº101.

Biografia e história de publicação:  A personagem Morbius foi criada na sequência do levantamento da autocensura imposta na indústria norte-americana de quadradinhos, consubstanciada na Comics Code Authority. A qual, anteriormente, banira das páginas desse tipo de publicações todo o tipo de monstros e criaturas sobrenaturais como vampiros, lobisomens e quejandos.
           Instruída a evitar todo e qualquer elemento gótico nas suas histórias, a dupla criativa composta pelo argumentista Roy Thomas e pelo desenhador Gil Kane, optou por conferir um visual mais sóbrio ao novel vilão do universo Marvel. Nesse sentido, foram escolhidas duas cores primárias (azul e vermelho, em linha com os uniformes do Homem-Aranha e do Capitão América) para o seu traje. Com o propósito de se demarcar dos clichés vampíricos, a origem de Morbius não era mística, mas antes científica.
          Com efeito, o Doutor Michael Morbius antes de sofrer a sua macabra transformação, era um brilhante bioquímico grego, laureado com um prémio Nobel e especialista em doenças sanguíneas. Quando descobriu que ele próprio era portador de uma rara patologia, tornou-se obcecado na busca de uma cura e começou a estudar morcegos vampiros.  Um acidente durante uma experiência envolvendo esses animais e eletrochoques converteu-o numa criatura em tudo semelhante a um vampiro, com uma desmesurada sede de sangue. Para a saciar, Morbius jurou matar apenas criminosos. Não obstante, os seus atos colocaram-no em rota de colisão com vários super-heróis, designadamente o Homem-Aranha.
          Tiveram pouco sucesso as várias tentativas de cura de Morbius ao longo dos anos. Numa das ocasiões em que conseguiu curar-se temporariamente da sua condição depois de ser atingido por um relâmpago, Michael Morbius foi julgado pelos seus crimes, tendo a sua defesa ficado a cargo da advogada Jennifer Walters (também conhecida como Mulher-Hulk).
 
        Aquando da aprovação da polémica lei que determinava o registo obrigatório de todos os meta-humanos, Morbius acedeu a fazê-lo, passando a colaborar com a agência governamental de contraespionagem SHIELD. Numa das primeiras missões para que foi designado, caçou Blade. O qual, em tempos, também lhe havia movido uma perseguição sem tréguas.
        Mais recentemente, Morbius tornou-se um operacional da A.R.M.O.R., uma organização responsável pela monitorização da atividade extra-dimensional ocorrida no nosso planeta. Nessa qualidade, desempenhou um papel preponderante durante uma crise em larga escala, provocada por um epidemia de zombies provenientes de outra dimensão.
        Na sequência desses eventos, Morbius abandonou a A.R.M.O.R. para ingressar nos Laboratórios Horizonte, onde, em colaboração com o Senhor Fantástico,  desenvolveu um antídoto para um vírus mortal, ao mesmo tempo que leva a cabo pesquisas no sentido de encontrar uma cura para a sua própria doença.
                                               
Noutros media: Morbius participou em vários episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98), a partir da respetiva segunda temporada. Ainda que com algumas nuances em relação à história original, o vampiro evidencia também neste contexto a sua proverbial ambivalência moral: ora combatendo o Homem-Aranha e seus aliados, ora lutando ao lado deles.
 
Morbius em Spider-Man: The Animated Series.
 
          Nos extras do dvd Blade é apresentado um final alternativo para o filme, no qual Morbius é introduzido como o vilão de serviço na sequela. O que acabou por não se verificar, tendo sido, como é sabido, preterido em favor de Reaper. Morbius continua assim à espera de uma oportunidade para debutar no grande ecrã.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

BD CINE APRESENTA: HULK







      Dez anos atrás, pela mão do realizador Ang Lee, o Golias Esmeralda debutou no grande ecrã, num filme que esteve, todavia, longe de corresponder às expetativas dos fãs e que acabou esmagado pelo peso de críticas demolidoras.
 
 
Título original: Hulk
Ano: 2003
País: EUA
Duração: 138 minutos
Realização: Ang Lee
Argumento: James Shcamus, Michael France e John Truman
Elenco: Eric Bana (Bruce Banner), Jennifer Connelly (Betty Ross), Sam Elliott (general Thaddeus Ross), Josh Lucas (major Glenn Talbot) e Nick Nolte (David Banner)
Orçamento: 137 milhões de dólares
Receitas: 245,4 milhões de dólares
Sinopse: David Banner é um geneticista que descobriu como alterar o ADN humano, de modo a reforçar o sistema imunitário e a desenvolver um fator de cura acelerado. Depois lhe ser negada a autorização para proceder a experiências em militares, David testa em si próprio o soro. Quando o seu filho Bruce nasce, herda a mutação genética induzida pelo pai que, por sua vez, tenta por todos os meios encontrar uma cura.
               O governo norte-americano, ciente da perigosidade dos experimentos conduzidos por David Banner, ordena o encerramento do projeto. Num acesso de fúria, o cientista explode um reator de raios gama, arrasando as instalações. De volta a casa, com o propósito de evitar que o filho se transforme num monstro, tenta matá-lo, mas acaba por matar acidentalmente a esposa.
              Com apenas quatro anos de idade, Bruce é enviado para um orfanato, sendo posteriormente adotado, ao passo que o seu pai é internado num manicómio. Em consequência desses episódios, o pequeno Bruce suprime todas as memórias dos seus pais biológicos, acreditando que ambos pereceram naquele dia fatídico.
             Anos depois, Bruce Banner é um prestigiado físico nuclear que integra uma equipa de pesquisas da Universidade da Califórnia. O complexo industrial-militar, corporizado pelo major Glenn Talbot, está assaz interessado no trabalho desenvolvido por Bruce e sua equipa no campo da nanotecnologia. Disfarçado de faxineiro, o pai de Bruce infiltra-se nas instalações onde decorre a pesquisa, bem como na vida do filho.
            Para salvar a vida de um colega durante um acidente no laboratório, Bruce é atingido por radiação gama que opera nele uma monstruosa metamorfose, apenas testemunhada pelo seu pai. O qual não hesita em expor-se à mesma radiação que transformou o filho num monstro verde e irascível.
           Crismada de Hulk, a grotesca criatura salva Betty Ross, ex-namorada de Bruce e filha do general Thaddeus Ross, do ataque de um par de cães mutantes criados secretamente por David Banner. Apostado em patentear os poderes do Hulk, o major Talbot captura o Golias Esmeralda numa base militar desativada no deserto. Quando se liberta, o monstro ruma a São Francisco, deixando um enorme rasto de destruição atrás de si, a despeito dos esforços dos militares para travá-lo. Apenas a presença de Betty Ross consegue aplacar a fúria do Hulk, que acaba por reverter à sua forma humana.
Eric Bana e Jennifer Connelly interpretam Bruce Banner e Betty Ross em Hulk.

O Golias Esmeralda à solta nas ruas de São Francisco.

            Quando Bruce Banner é finalmente capturado pelos militares, o seu pai reaparece, sob a forma do Homem-Absorvente, para o confronto final. No término da violenta batalha que se segue, ambos são dados como mortos. No entanto, Bruce sobreviveu e, um ano depois, acha-se refugiado na floresta amazónica, onde trabalha como médico.
             
Curiosidades:
 
* Ang Lee recusou uma proposta para dirigir Exterminador Implacável 3 - A Ascensão das Máquinas para realizar a primeira longa-metragem do Golias Esmeralda;
* Nick Nolte foi a primeira escolha dos produtores para interpretar o papel de David Banner, pai do alter ego humano do monstruoso herói;
* Parte do trabalho preparatório levado a cabo por Sam Elliott para dar vida ao austero general Thaddeus Ross consistiu em ler algumas bandas desenhadas do Hulk. O ator aceitou prontamente o papel, entusiasmado com a perspetiva de ser dirigido por Ang Lee;
* De acordo com o realizador, o guião do filme foi influenciado por histórias clássicas como Frankenstein, King Kong, Dr. Jekill & Mr. Hyde, A Bela e o Monstro, assim como por algumas tragédias da mitologia grega;
* Na banda desenhada original, o pai de Bruce Banner chama-se Brian, tendo sido rebatizado de David no filme, em homenagem à mítica série do Hulk dos anos 1970, por ser esse o nome nela usado por Bruce;
* Muitos dos trabalhos de microbiologia vistos na película são reais e foram desenvolvidos pela esposa de Ang Lee;
* Lou Ferrigno, o ex-culturista que interpretava o Hulk na série televisiva de 1977, faz um cameo como segurança.

 
Minha avaliação: 51%

        Transcorrida uma década, a audaciosa abordagem de Ang Lee ao género super-heroico permanece controversa. Hulk é, com efeito, um daqueles filmes de que se convencionou dizer mal, pese embora o facto de, em abono da verdade, também não estarmos perante uma pérola da 7ª arte.
        À parte a dialética homem/monstro, o Golias Esmeralda, pela sua natureza tosca e violenta, pouco mais terá a oferecer a um público desconhecedor da banda desenhada original. Os fãs do herói, por outro lado, talvez não se revejam no psicodrama em que redunda a narrativa que peca, a meu ver, pela falta de um supervilão à altura. O que não impediu, porém, que o filme, a exemplo do protagonista, fosse demasiado grande. Sobrepovoada de flashbacks, a intriga torna-se por vezes pouco fluida, com alguns detalhes melodramáticos, resultando numa combinação soporífera.
        Pelo lado positivo, realço os espetaculares efeitos especiais e todas as cenas onde figura o Golias Verde digitalmente  concebido, assim como a sólida interpretação de Jennifer Connelly (uma Betty Ross bastante mais convincente do que Liv Tyler em O Incrível Hulk).
        Em suma, não sendo um dos piores filmes de super-heróis alguma vez produzidos, Hulk também não consegue encher as medidas a espectadores mais exigentes. Por mais que isso possa deixar o monstro verde irritado. E todos sabemos como isso não é uma coisa agradável de se ver...



    


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ETERNOS: C.C. BECK (1910-1989)




      Advém da criação da Família Marvel a notoriedade de C.C. Beck - pseudónimo de Charles Clarence Beck - que, no entanto, só postumamente obteve o reconhecimento merecido.

     Charles Clarence Beck nasceu a 8 de junho de 1910 em Zumbrota, no estado norte-americano do Minnesotta. Na sua juventude estudou na Academia de Belas Artes da Universidade do Minnesota, tendo também tirado um curso de ilustração por correspondência. Pouco mais se sabe da sua vida pessoal.
      A sua carreira profissional principiou em 1933, quando Beck se juntou à editora Fawcett Comics, onde trabalhou como ilustrador em vários títulos pulp. Seis anos depois, quando a Fawcett decidiu apostar na publicação de banda desenhada com super-heróis, foi designado para desenhar uma personagem idealizada pelo escritor Bill Parker: Captain Thunder. Contudo, antes que o primeiro número da série Whiz Comics fosse lançado, a personagem em questão foi rebatizada de Captain Marvel. Além das aventuras do Mortal Mais Poderoso da Terra, Beck também ilustrava à época outros dois títulos publicados pela Fawcett: Spy Smasher e Ibis, The Invencible.
   O estilo que Beck imprimiu nas primeiras histórias do Capitão Marvel  serviria de bitola aos seus sucessores à frente da série. Beck privilegiava um traço mais próximo do habitualmente empregue em cartoons. Esse estilo límpido permitia, quer aos seus assistentes quer a outros ilustradores da casa, imitarem facilmente o seu trabalho.

A arte de C.C. Beck marcaria para sempre o visual das histórias do Capitão Marvel.

     Decorrente da crescente popularidade do Capitão Marvel, floresceram vários outros títulos relacionados com o universo do herói. Em consequência disso, Beck teve condições para criar o seu próprio estúdio em Nova York, corria o ano de 1941. Algum tempo depois abriria um segundo, em Nova Jérsia. Ambos os estúdios de Beck forneciam a maior parte do material artístico utilizado nas várias séries que tinham a Família Marvel (Capitão Marvel, Mary Marvel, Capitão Marvel Jr. e um lote de derivados) como protagonistas.
     Durante esse período áureo, Beck assumiu as funções de Diretor de Arte na Fawcett Comics. Cargo que lhe permitiu promover um visual coerente em todas as histórias do Capitão Marvel e restante Família Marvel, assegurando assim que estas se mantinham fiéis ao seu estilo original. Paralelamente à produção de comics, os estúdios dirigidos por Beck também fizeram sucesso na publicidade comercial.

Retrato oficial da Família Marvel pela mão do seu criador.

      Nos primeiros anos da década de 1950, porém, tudo mudaria. Após anos de litigância jurídica devido ao processo movido pela National Comics (antecessora da atual DC) contra a Fawcett, por alegado plágio do Capitão Marvel em relação ao Super-homem, esta última concordaria em cancelar a publicação da sua personagem de charneira. Não terá sido contudo alheia a esta decisão a acentuada quebra de vendas verificada nos títulos da Família Marvel.
      Com a falência da Fawcett, Beck abandonou a indústria dos quadradinhos, dedicando-se durante um curto período de tempo em exclusivo à publicidade. Não obstante, em parceria com o argumentista Otto Binder, Beck ainda apresentou alguns esboços para tiras diárias a serem publicadas num jornal, e que seriam estreladas por Tawky Tawny, um tigre falante com aspeto humanoide. O projeto foi, no entanto, sumariamente rejeitado pelos vários jornais a que a dupla o remeteu. Anos mais tarde, Tawky Tawny seria reabilitado e incorporado no renovado universo do Capitão Marvel, então já propriedade da DC.
Tawky Tawny foi crismado de Senhor Malhado no Brasil.

      Em meados de 1953, Beck mudou-se para Miami onde gerenciou um bar. Apesar de o negócio prosperar, nesse mesmo ano contactou Joe Simon (cocriador do Capitão América), expressando-lhe o seu desejo de regressar à indústria dos comics. Simon, por sua vez, procurava um ilustrador talentoso para desenhar os esboços da nova personagem que pretendia lançar. Dessa sinergia resultou The Silver Spider, com Beck a desenhar uma história escrita por Jack Oleck. Contudo, a personagem não vingaria, tendo sido rejeitada pela Harvey Comics.
      Na esteira de mais esse revés, só em meados da década seguinte Beck se aventuraria novamente a ilustrar banda desenhada. Da sua fugaz colaboração com a igualmente fugaz Milson Publications, resultou a criação de Fatman: the Human Flying Saucer, uma personagem que, em última análise, era o reverso do Capitão Marvel, embora dotada de poderes muito diferentes. Com a revitalização do Mortal Mais Poderoso da Terra operada pela DC, em 1973 Beck mudou-se de armas e bagagens para a antiga concorrente, tendo assumido a arte da neófita série SHAZAM!. Abandonaria, porém,  o projeto ao fim de seis edições, por alegadas divergências criativas com os argumentistas.
      A convite do escritor E. Nelson Bridwell, Beck ainda escreveu uma história intitulada Captain Marvel Battles Evil Incarnate. No entanto, as inúmeras alterações editoriais à mesma, deixaram Beck descontente ao ponto de desistir de desenhá-la.

Criador e criatura reunidos numa caricatura datada de 1975.

      Uma vez aposentado, Beck passou a escrever regularmente uma coluna de opinião para o The Comics Journal. Um dos tópicos recorrentemente abordados eram as suas objeções ao crescente realismo que caracterizava a arte dos quadradinhos, por contraponto ao estilo simples (e até pueril) que sempre cultivara.
      Nos anos que precederam a sua morte, Beck dedicou-se a recriar capas emblemáticas da Idade do Ouro, nas quais figuravam tanto super-heróis, como o Pato Donald e outras personagens da Disney.
      Em abril de 1980, Beck tornou-se o editor do boletim informativo da Fawcett Collectors of America (uma espécie de fanzine que pretendia dar a conhecer o universo da defunta editora). Problemas de saúde ditaram, no entanto, o afastamento de Beck do projeto ao cabo de 19 edições.
      Em resultado de uma insuficiência renal, Beck faleceria no dia 22 de novembro de 1989 em Gainesville, Flórida. Tinha 79 anos.
     No ano seguinte veria reconhecido o seu trabalho ao ser nomeado finalista para o Jack Kirby Hall of Fame, onde teria o seu nome inscrito em 1997. Antes, em 1993, venceu, a título póstumo, o conceituado Prémio Will Esiner (uma espécie de Óscar dos quadradinhos).
     Porquanto para os leigos e para as novas safras de leitores de comics, C.C. Beck permanece ainda um ilustre desconhecido, presto aqui o meu humilde tributo a um criador que, goste-se ou não do seu estilo, merece decerto figurar no panteão dos Eternos.
        
C.C. Beck numa sessão de autógrafos durante uma convenção de BD.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

GALERIA DE VILÃS: HERA VENENOSA




      Como a planta que lhe dá nome, Hera Venenosa tem tanto de perigosa como de fascinante. Nem mesmo Batman - com quem mantém uma tóxica relação de amor-ódio - está imune aos encantos desta vilã de moral dúbia.
  
Nome original: Poison Ivy
Primeira aparição: Batman nº181  (junho de 1966)
Criadores: Robert Kanigher e Sheldon Moldoff
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Pamela Lillian Isley
Local de nascimento: Seattle, Washington
Parentes conhecidos: nenhum
Base de operações: Gotham City
Filiação: Liga da Anarquia do Joker, Esquadrão Suicida, Sociedade Secreta dos Supervilões, Gangue da Injustiça e Aves de Rapina. Em tempos estabeleceu ainda uma parceria temporária com Harley Quinn (ver Némesis: Harley Quinn), a psicótica amante do Joker.
Poderes e habilidades:  
* Botânica: antes do acidente que mudaria para sempre a sua vida, a doutora Pamela Isley era uma renomada cientista com carreira feita em Gotham City. Os seus vastos conhecimentos botânicos permitem-lhe assim manipular as plantas a seu belo prazer;
*Toxicologia: com uma especialização nesta área, Pamela inicialmente usava essa valência para produzir perfumes, remédios e cosméticos. Após o acidente que a transformou em Hera Venenosa, passou a desenvolver venenos, toxinas e outras armadilhas potencialmente fatais para os seu inimigos;
*Sedução: embora sempre tivesse sido uma mulher assaz atraente, antes da sua transformação Pamela nunca usara os seus dotes de sedução em proveito próprio;
* Combate corpo a corpo: Hera Venenosa tem aprimorado as suas aptidões atléticas ao longo da sua carreira, dominando também algumas técnicas de autodefesa;
* Controlo de feromonas: graças à segregação de feromonas, a vilã consegue seduzir tanto homens como mulheres;
* Imunidade toxicológica: Hera venenosa é virtualmente imune a todas as toxinas, bactérias, fungos e vírus conhecidos:
* Telecinésia tóxica: uma overdose deliberada de toxinas vegetais e animais na sua corrente sanguínea tornou o seu toque letal. A vilã consegue criar as mais mortais toxinas florais, as quais são habitualmente segregadas pelos seus lábios;
* Vínculo com o mundo vegetal: uma ligação semi-mística com o mundo vegetal através de uma força conhecida simplesmente como Verde, permite-lhe animar e manipular plantas.
Fraquezas:
 * Vulnerabilidade à escuridão: para subsistir, Hera Venenosa necessita de quantidades substanciais de energia solar;
* Instabilidade mental: porventura em resultado do seu vínculo mental com o mundo vegetal, a psique da vilã tem-se revelado altamente volátil, tendo sido por diversas ocasiões internada no Asilo Arkham.


Hera Venenosa debutou nas páginas de Batman nº181 (1966) e logo semeou a discórdia entre a Duo Dinâmico.

Biografia: Coincidindo com a afirmação do movimento feminista, a promoção da Hera Venenosa adveio da necessidade de incluir um maior número de personagens femininas em séries predominantemente masculinas. Serviu também para substituir a Mulher-Gato como vilã principal nas aventuras de Batman.

               A sua origem, assim como o seu visual, foram sendo sucessivamente revistos ao longo dos anos. Curiosamente, aquando da sua primeira aparição, em 1966, Hera Venenosa foi apresentada apenas como uma ruiva sedutora, não tendo sido revelados quaisquer pormenores sobre a história a montante. Modelada por Robert Kanigher à imagem e semelhança de Betty Page (a famosa pin-up que se tornara um ícone de beleza na década anterior), dela herdou o corte de cabelo e o sotaque sulista. Já a sua indumentária consistia simplesmente numa espécie de fato de banho verde coberto de folhas e numas meias de nylon amarelas com folhas desenhadas. .

           Na sequência da Crise nas Infinitas Terras (a maxissérie que revolucionou o universo DC em meados dos anos 1980), a sua origem foi reescrita por Neil Gaiman. Nesta nova versão, Pamela Isley cresceu no seio de uma família abastada mas emocionalmente distante. Anos mais tarde, quando estudava Bioquímica e Botânica na universidade de Seattle, distinguiu-se pelo seu brilhantismo. A sua timidez e insegurança, porém, fizeram dela uma presa fácil para Jason Woodrue, seu professor. Seduzida e manipulada por Woodrue, a jovem serviria de cobaia às experiências com toxinas vegetais que este vinha desenvolvendo. Depois de Woodrue lhe ter injetado algumas dessas toxinas, Pamela tornou-se virtualmente imune a toda a sorte de fungos, bactérias, vírus e venenos naturais. Adquiriu também a capacidade de produzir feromonas que deixavam qualquer pessoa à sua total mercê.
                Embora tenha sobrevivido à transformação, Pamela permaneceu seis meses no hospital e teve a sua mente fortemente abalada. Ressentida pela traição de que fora vítima, a jovem passou a sofrer de violentas oscilações de humor, que a tornaram perigosamente volátil. Situação agravada pela morte do namorado num acidente de viação. Em consequência disso, Pamela abandonou a universidade e Seattle, mudando-se de armas e bagagens para Gotham City.
               Foi , de resto, na cidade natal de Batman que a Hera Venenosa debutou, iniciando a sua carreira criminosa chantageando as autoridades de Gotham City a satisfazerem as suas exigências, sob pena de lançar esporos mortais no ar. Os seus planos foram, contudo, gorados pela intervenção do Cavaleiro das Trevas, acabando a vilã encarcerada no Asilo Arkham.
                   É durante esse período que desenvolve uma obsessão patológica pelo Homem-Morcego, a única pessoa que ela não conseguia controlar.
 

Batman e Hera Venenosa: uma relação tóxica carregada de erotismo.
                  Com o passar dos anos, e à medida que se tornava cada vez mais perversa, Hera Venenosa desenvolveu superpoderes relacionados com o mundo vegetal, sendo o mais notório a produção de uma toxina letal nos seu lábios que lhe permitia, literalmente, matar com um simples beijo.

                   Em histórias posteriores, a vilã abandona Gotham, instalando-se numa ilha deserta no mar das Caraíbas, a qual transforma num segundo Jardim do Éden. Quando pela primeira vez na vida se sentia feliz, vê o seu paraíso particular ser arrasado pelo bombardeamento levado a cabo por uma corporação que, julgando-a desabitada, usou a ilha como local de testes ao armamento por ela fabricado.

                 Regressada a Gotham, Hera Venenosa ganha uma nova obsessão: tornar o mundo seguro para as plantas. Dedica-se então à missão impossível de "purificar" a cidade, sendo invariavelmente detida pelo seu soturno guardião.
                Atualmente, na esteira da reformulação introduzida na cronologia do universo DC no âmbito de Os Novos 52, Hera Venenosa integra As Aves de Rapina, um grupo de super-heroínas que leva a cabo operações secretas. Não obstante ter sido recrutada pessoalmente pela líder da equipa, Canário Negro, a agora ex-vilã é vista com desconfiança por parte das restantes companheiras, em resultado do seu passado criminal.
             A par da sua origem e visual, também o seu tom de pele variou ao longo dos anos: devido à presença de clorofila no seu sangue, a sua pigmentação sofreu mutações, conferindo-lhe uma cor esverdeada em alguns momentos da sua história. No entanto, nas suas encarnações mais recentes voltou ao tom de pele original, sendo retratada como uma mulher caucasiana e de cabelo ruivo.

Em Os Novos 52 Hera Venenosa integra as Aves de Rapina.

Noutros mediaPresença assídua em séries de animação produzidas com a chancela da DC, a estreia da Hera Venenosa fora dos quadradinhos remonta a 1992 em Batman: The Animated Series. Nela, as suas características meta-humanas foram enfatizadas, sendo a vilã descrita como alguém com enormes afinidades com plantas. Além das séries animadas estreladas pelo Homem-Morcego, Hera Venenosa participou ocasionalmente em episódios avulsos de Young Justice, Justice League e, mais recentemente, de Super Best Friends Forever.
       Desde 1994 até à atualidade, Hera Venenosa figurou numa plêiade de videojogos baseados no universo do Cavaleiro das Trevas. Na maior parte das vezes, porém, os dois não se confrontam diretamente, uma vez que a vilã - a exemplo do que amiúde sucede na banda desenhada -  prefere permanecer nas sombras enquanto as suas monstruosas criações vegetais fazem o trabalho sujo.
         Foi, contudo, graças à sua participação, na qualidade de antagonista principal, em Batman & Robin (1997) que Hera Venenosa (interpretada por Uma Thurman) alcançou maior notoriedade junto do grande público. Apesar das críticas abrasivas que o filme recebeu, ninguém ficou indiferente à curvilínea vilã que semeou a discórdia entre o Duo Dinâmico, ao mesmo tempo que orquestrava um mirabolante plano para mergulhar o mundo num inverno perpétuo. 

Uma Thurman deu vida a Hera Venenosa em Batman & Robin.