quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: GEN 13





        Ação, irreverência, sensualidade e alguma controvérsia à mistura são os principais ingredientes para a receita de sucesso de Gen 13, um grupo de jovens  superpoderosos e voláteis que em tempos abrilhantaram o universo Image.
 
 
Nome original: Gen 13
Primeira aparição: Deathmate Black (1993)
Criadores: Jim Lee e Brandon Choi (argumento) e J. Scott Campbell (arte)
Licenciadora: Image Comics (1993-2009) e DC Comics (2010-atualidade)
Base de operações: La Jolla, Califórnia
Membros (entre parêntesis os nomes originais em Inglês, sempre que os mesmos hajam sido traduzidos):
 
* Caitlin Fairchild: Em tempos uma rapariga franzina, Caitlin viu a sua massa muscular aumentar espontaneamente, proporcionando-lhe força, velocidade, resistência e agilidade sobre-humanas. A manifestação do seu gene ativo transformou-a numa escultural Amazona. De longe a integrante mais inteligente da equipa (e porventura a mais ingénua), Caitlin sente-se pouco confortável com a sua nova figura curvilínea. É meia-irmã de Queda-Livre;
Caitlin Fairchild.
 
* Queda-Livre (Freefall): Roxanne Spaulding é a benjamim do grupo e possui a habilidade de manipular a gravidade. Tanto pode anulá-la (o que lhe permite flutuar) como aumentá-la exponencialmente (tornando objetos mais pesados, por exemplo). Especula-se que, caso atinja o pleno potencial dos seus poderes, Queda-Livre conseguiria manipular o espaço e o tempo, uma vez que ambos têm uma correlação com a gravidade. Tem uma paixoneta por Grunge e morre de ciúmes da aparência da sua meia-irmã Caitlin;
Queda-Livre.
 
* Grunge: Percival Edmund Chang possui a capacidade de absorver e  mimetizar a estrutura molecular de qualquer material que toque. Praticante de surf, é cinturão castanho em cinco artes marciais. Descontraído e brincalhão, é amiúde intelectualmente subestimado, não obstante já ter comprovado ser extremamente inteligente e dotado de uma impressionante memória fotográfica;
 
Grunge.
* Granizo (Rainmaker): Sarah Rainmaker, uma bela Apache, tem o poder de manipular o clima. As braceletes amplificadoras que usa nos pulsos permitem-lhe disparar relâmpagos com elevada potência e precisão. Inicialmente apresentada como sendo bissexual, em histórias recentes assumiu-se como lésbica;
Granizo.
*Queimada (Burnout): Filho de John Lynch (o mentor do grupo), Bobby Lane possui a habilidade de gerar e manipular plasma concentrado, que se torna incandescente em contacto com o oxigénio. Posteriormente, desenvolveu também a capacidade de voar, bem como algumas habilidades psiónicas;
 
Queimada.
* John Lynch: Mentor do grupo e pai de Queimada, Lynch foi o líder da Team 7 (a equipa antecessora do Gen 13, composta pelos pais dos cinco jovens). A exemplo de todos os sobreviventes do projeto Team 7, Lynch adquiriu poderosas  habilidades telepáticas e telecinéticas. Em resultado da forte instabilidade das mesmas, evita ao máximo empregá-las.
 
John Lynch.
 

 
A exemplo de muitas outras personagens do universo Image, Gen 13 debutou nas páginas de Deathmate.


Biografia: A agência governamental Operações Internacionais (OI) reuniu um lote de jovens sobredotados numa instalação de treino ultrassecreta. Na sequência da manifestação dos poderes de Caitlin Fairchild, alguns internos lograram escapar sob disfarce: Roxy Spaulding,  BobBy Lane, Threshold e Grunge. Aos quais se juntaria ainda Sarah Rainmaker.
                   Os jovens haviam sido convidados a participar numa projeto de pesquisas genéticas patrocinado pelo governo norte-americano, mas quando perceberam que o real objetivo era aprisioná-los, para assim os submeterem a uma bateria de testes, o grupo fugiu. Classificados pelas autoridades como perigosas ameaças, em consequência das habilidades meta-humanas entretanto manifestadas, a sua única esperança era confiarem uns nos outros.
                   Juntos, descobriram que o projeto Gen 13 era a extensão de um outro, denominado Team 7, e que todos eles eram filhos dos integrantes dessa outra equipa.
                   Enganados por Threshold, que os convenceu a regressarem às instalações de onde haviam escapado para resgatar outras cobaias, o grupo (à exceção de Fairchild) seria recapturado e sujeito a novos testes. Com a ajuda do misterioso John Lynch, a pandilha acabou por voltar a fugir, refugiando-se de seguida em La Jolla (Califórnia) onde formaram oficialmente o Gen 13. A partir desse momento, usaram os seus poderes e habilidades para combaterem a OI e a sua violenta contraparte DV8.
                  Paralelamente, os seus membros dedicaram muito tempo a investigar a sua ligação à Team 7, à qual o seu mentor também pertencera. Fairchild e Roxy Spaulding descobriram ser meias-irmãs, ao passo que John Lynch revelou ser o pai de Bobby Lane.
                 Algum tempo depois, a equipa foi apanhada pela explosão de uma bomba de seis megatoneladas e os seus membros acreditaram ter morrido. Única sobrevivente, Fairchild formou um novo Gen 13 e substituiu Lynch no comando. No entanto, como seria ulteriormente revelado, esta formação existia somente numa realidade alternativa, em tudo idêntica ao universo Wildstorm, aparte esta divergência.
                 Após uma pequena viagem no tempo a fim de evitar a detonação da bomba que pretensamente dizimara a maior parte do Gen 13, os membros originais reuniram-se e regressaram à linha cronológica correta onde continuaram a viver emocionantes aventuras.

 
Curiosidades:

* Os X-Men (Marvel Comics) são a mais notória influência no desenvolvimento de Gen 13. Originalmente, a formação da equipa mutante mais famosa do planeta era composta por cinco jovens detentores de poderes extraordinários, tendo como mentor um homem mais velho que os tentava proteger de um mundo perigoso. Mais a mais, o nome primitivo escolhido para o Gen 13 era Gen X, o qual só foi alterado devido ao lançamento de Geração X por parte da Casa das Ideias;
* Granizo, à semelhança da X-Man Tempestade, controla o clima;
* Queda-Livre parece decalcada de outra X-Man (no caso Jubileu), tantas são as parecenças físicas e psicológicas entre ambas. Em comum, têm ainda o facto de serem as benjamins das respetivas equipas;
* São também evidentes as semelhanças conceptuais entre os poderes pirocinéticos de Queimada e o Tocha Humana do Quarteto Fantástico, bem como de Pyro da Irmandade dos Mutantes;
* Clint Eastwood serviu de inspiração, quer a nível físico quer a nível de personalidade, na conceção de Johh Lynch;
* Quando a Wildstorm desejou relançar a série de Gen 13 contratou, nada mais nada menos, do que Chris Claremont, o lendário argumentista de algumas das mais notáveis sagas produzidas durante a época áurea dos X-Men (vide texto seguinte);
* Na sequência da incorporação do universo Wildstorm na cronologia oficial da DC, vários ex-membros do Gen 13 começaram a participar em títulos da editora. Fairchild, por exemplo, começou por ser uma personagem coadjuvante em algumas histórias do Superboy, para depois estrelar a série The Ravagers.

Gen 13: qualquer semelhança com os X-Men pode ou não ser mera coincidência.

 
Noutros media:

     Em 1999, Kevin Altieri (realizador de Batman: A Máscara do Fantasma), dirigiu um filme de animação de Gen 13, encomendado pela Buena Vista Pictures, uma subsidiária da Disney.  Pouco depois de os direitos de publicação da equipa serem adquiridos pela DC (pertencente à rival Warner Bros.), a Disney proibiu o lançamento do filme em território dos EUA. O que não impediu que algumas cópias fosses distribuídas na Europa e na Austrália.

Poster promocional do filme de animação Gen 13 (1999).





sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

GALERIA DE VILÕES: MORBIUS





     Na sua desesperada busca por uma cura para a rara doença sanguínea de que é portador, Michael Morbius transformou-se num vampiro vivo. Entre ele e as suas vítimas, costuma intrometer-se um certo escalador de paredes.

Nome original: Morbius, The Living Vampire
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº101 (outubro de 1971)
Criadores: Roy Thomas (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade Civil: Michael Morbius
Nacionalidade: grega
Parentes conhecidos: Makarioa Morbius (pai)
Base de operações: Móvel
Filiação: Filhos da Meia Noite, Legião dos Monstros e A.R.M.O.R.
Poderes e armas: Em resultado de a sua transformação ter uma origem científica ao invés de mística, Morbius é considerado um pseudo vampiro. Ainda assim, ele possui um conjunto de habilidades meta-humanas características da espécie vampírica. A saber:

* força, velocidade, resistência e reflexos sobre-humanos;
* sentidos hiperaguçados;
* fator de cura acelerada;
* presas e garras;
* capacidade de planar;
* hipnotismo;
*criação vampírica (à semelhança dos vampiros genuínos, Morbius consegue converter indivíduos em vampiros através de uma simples mordedura);
* imunidade à maior parte das vulnerabilidades dos vampiros (tratando-se de um pseudo vampiro, Morbius não é afetado por ícones religiosos, nem é incinerado quando exposto à luz solar)

Fraquezas: Enquanto pseudo vampiro, a principal fraqueza de Morbius reside na sua necessidade de se alimentar regularmente com sangue fresco para assim manter a sua vitalidade física e mental. Pode, no entanto, abster-se de o fazer durante largos períodos de tempo, bastando para isso dispor da força de vontade necessária. Essa prolongada privação de alimento conduz a uma fraqueza crescente, inversamente proporcional ao seu autocontrolo. Por outro lado, embora a exposição solar não lhe seja letal, os seus olhos e a sua pele são muitos sensíveis à radiação emanada do astro-rei.

O primeiro confronto entre Morbius e o Homem-Aranha ocorreu nas páginas de The Amazing Spider-Man nº101.

Biografia e história de publicação:  A personagem Morbius foi criada na sequência do levantamento da autocensura imposta na indústria norte-americana de quadradinhos, consubstanciada na Comics Code Authority. A qual, anteriormente, banira das páginas desse tipo de publicações todo o tipo de monstros e criaturas sobrenaturais como vampiros, lobisomens e quejandos.
           Instruída a evitar todo e qualquer elemento gótico nas suas histórias, a dupla criativa composta pelo argumentista Roy Thomas e pelo desenhador Gil Kane, optou por conferir um visual mais sóbrio ao novel vilão do universo Marvel. Nesse sentido, foram escolhidas duas cores primárias (azul e vermelho, em linha com os uniformes do Homem-Aranha e do Capitão América) para o seu traje. Com o propósito de se demarcar dos clichés vampíricos, a origem de Morbius não era mística, mas antes científica.
          Com efeito, o Doutor Michael Morbius antes de sofrer a sua macabra transformação, era um brilhante bioquímico grego, laureado com um prémio Nobel e especialista em doenças sanguíneas. Quando descobriu que ele próprio era portador de uma rara patologia, tornou-se obcecado na busca de uma cura e começou a estudar morcegos vampiros.  Um acidente durante uma experiência envolvendo esses animais e eletrochoques converteu-o numa criatura em tudo semelhante a um vampiro, com uma desmesurada sede de sangue. Para a saciar, Morbius jurou matar apenas criminosos. Não obstante, os seus atos colocaram-no em rota de colisão com vários super-heróis, designadamente o Homem-Aranha.
          Tiveram pouco sucesso as várias tentativas de cura de Morbius ao longo dos anos. Numa das ocasiões em que conseguiu curar-se temporariamente da sua condição depois de ser atingido por um relâmpago, Michael Morbius foi julgado pelos seus crimes, tendo a sua defesa ficado a cargo da advogada Jennifer Walters (também conhecida como Mulher-Hulk).
 
        Aquando da aprovação da polémica lei que determinava o registo obrigatório de todos os meta-humanos, Morbius acedeu a fazê-lo, passando a colaborar com a agência governamental de contraespionagem SHIELD. Numa das primeiras missões para que foi designado, caçou Blade. O qual, em tempos, também lhe havia movido uma perseguição sem tréguas.
        Mais recentemente, Morbius tornou-se um operacional da A.R.M.O.R., uma organização responsável pela monitorização da atividade extra-dimensional ocorrida no nosso planeta. Nessa qualidade, desempenhou um papel preponderante durante uma crise em larga escala, provocada por um epidemia de zombies provenientes de outra dimensão.
        Na sequência desses eventos, Morbius abandonou a A.R.M.O.R. para ingressar nos Laboratórios Horizonte, onde, em colaboração com o Senhor Fantástico,  desenvolveu um antídoto para um vírus mortal, ao mesmo tempo que leva a cabo pesquisas no sentido de encontrar uma cura para a sua própria doença.
                                               
Noutros media: Morbius participou em vários episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98), a partir da respetiva segunda temporada. Ainda que com algumas nuances em relação à história original, o vampiro evidencia também neste contexto a sua proverbial ambivalência moral: ora combatendo o Homem-Aranha e seus aliados, ora lutando ao lado deles.
 
Morbius em Spider-Man: The Animated Series.
 
          Nos extras do dvd Blade é apresentado um final alternativo para o filme, no qual Morbius é introduzido como o vilão de serviço na sequela. O que acabou por não se verificar, tendo sido, como é sabido, preterido em favor de Reaper. Morbius continua assim à espera de uma oportunidade para debutar no grande ecrã.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

BD CINE APRESENTA: HULK







      Dez anos atrás, pela mão do realizador Ang Lee, o Golias Esmeralda debutou no grande ecrã, num filme que esteve, todavia, longe de corresponder às expetativas dos fãs e que acabou esmagado pelo peso de críticas demolidoras.
 
 
Título original: Hulk
Ano: 2003
País: EUA
Duração: 138 minutos
Realização: Ang Lee
Argumento: James Shcamus, Michael France e John Truman
Elenco: Eric Bana (Bruce Banner), Jennifer Connelly (Betty Ross), Sam Elliott (general Thaddeus Ross), Josh Lucas (major Glenn Talbot) e Nick Nolte (David Banner)
Orçamento: 137 milhões de dólares
Receitas: 245,4 milhões de dólares
Sinopse: David Banner é um geneticista que descobriu como alterar o ADN humano, de modo a reforçar o sistema imunitário e a desenvolver um fator de cura acelerado. Depois lhe ser negada a autorização para proceder a experiências em militares, David testa em si próprio o soro. Quando o seu filho Bruce nasce, herda a mutação genética induzida pelo pai que, por sua vez, tenta por todos os meios encontrar uma cura.
               O governo norte-americano, ciente da perigosidade dos experimentos conduzidos por David Banner, ordena o encerramento do projeto. Num acesso de fúria, o cientista explode um reator de raios gama, arrasando as instalações. De volta a casa, com o propósito de evitar que o filho se transforme num monstro, tenta matá-lo, mas acaba por matar acidentalmente a esposa.
              Com apenas quatro anos de idade, Bruce é enviado para um orfanato, sendo posteriormente adotado, ao passo que o seu pai é internado num manicómio. Em consequência desses episódios, o pequeno Bruce suprime todas as memórias dos seus pais biológicos, acreditando que ambos pereceram naquele dia fatídico.
             Anos depois, Bruce Banner é um prestigiado físico nuclear que integra uma equipa de pesquisas da Universidade da Califórnia. O complexo industrial-militar, corporizado pelo major Glenn Talbot, está assaz interessado no trabalho desenvolvido por Bruce e sua equipa no campo da nanotecnologia. Disfarçado de faxineiro, o pai de Bruce infiltra-se nas instalações onde decorre a pesquisa, bem como na vida do filho.
            Para salvar a vida de um colega durante um acidente no laboratório, Bruce é atingido por radiação gama que opera nele uma monstruosa metamorfose, apenas testemunhada pelo seu pai. O qual não hesita em expor-se à mesma radiação que transformou o filho num monstro verde e irascível.
           Crismada de Hulk, a grotesca criatura salva Betty Ross, ex-namorada de Bruce e filha do general Thaddeus Ross, do ataque de um par de cães mutantes criados secretamente por David Banner. Apostado em patentear os poderes do Hulk, o major Talbot captura o Golias Esmeralda numa base militar desativada no deserto. Quando se liberta, o monstro ruma a São Francisco, deixando um enorme rasto de destruição atrás de si, a despeito dos esforços dos militares para travá-lo. Apenas a presença de Betty Ross consegue aplacar a fúria do Hulk, que acaba por reverter à sua forma humana.
Eric Bana e Jennifer Connelly interpretam Bruce Banner e Betty Ross em Hulk.

O Golias Esmeralda à solta nas ruas de São Francisco.

            Quando Bruce Banner é finalmente capturado pelos militares, o seu pai reaparece, sob a forma do Homem-Absorvente, para o confronto final. No término da violenta batalha que se segue, ambos são dados como mortos. No entanto, Bruce sobreviveu e, um ano depois, acha-se refugiado na floresta amazónica, onde trabalha como médico.
             
Curiosidades:
 
* Ang Lee recusou uma proposta para dirigir Exterminador Implacável 3 - A Ascensão das Máquinas para realizar a primeira longa-metragem do Golias Esmeralda;
* Nick Nolte foi a primeira escolha dos produtores para interpretar o papel de David Banner, pai do alter ego humano do monstruoso herói;
* Parte do trabalho preparatório levado a cabo por Sam Elliott para dar vida ao austero general Thaddeus Ross consistiu em ler algumas bandas desenhadas do Hulk. O ator aceitou prontamente o papel, entusiasmado com a perspetiva de ser dirigido por Ang Lee;
* De acordo com o realizador, o guião do filme foi influenciado por histórias clássicas como Frankenstein, King Kong, Dr. Jekill & Mr. Hyde, A Bela e o Monstro, assim como por algumas tragédias da mitologia grega;
* Na banda desenhada original, o pai de Bruce Banner chama-se Brian, tendo sido rebatizado de David no filme, em homenagem à mítica série do Hulk dos anos 1970, por ser esse o nome nela usado por Bruce;
* Muitos dos trabalhos de microbiologia vistos na película são reais e foram desenvolvidos pela esposa de Ang Lee;
* Lou Ferrigno, o ex-culturista que interpretava o Hulk na série televisiva de 1977, faz um cameo como segurança.

 
Minha avaliação: 51%

        Transcorrida uma década, a audaciosa abordagem de Ang Lee ao género super-heroico permanece controversa. Hulk é, com efeito, um daqueles filmes de que se convencionou dizer mal, pese embora o facto de, em abono da verdade, também não estarmos perante uma pérola da 7ª arte.
        À parte a dialética homem/monstro, o Golias Esmeralda, pela sua natureza tosca e violenta, pouco mais terá a oferecer a um público desconhecedor da banda desenhada original. Os fãs do herói, por outro lado, talvez não se revejam no psicodrama em que redunda a narrativa que peca, a meu ver, pela falta de um supervilão à altura. O que não impediu, porém, que o filme, a exemplo do protagonista, fosse demasiado grande. Sobrepovoada de flashbacks, a intriga torna-se por vezes pouco fluida, com alguns detalhes melodramáticos, resultando numa combinação soporífera.
        Pelo lado positivo, realço os espetaculares efeitos especiais e todas as cenas onde figura o Golias Verde digitalmente  concebido, assim como a sólida interpretação de Jennifer Connelly (uma Betty Ross bastante mais convincente do que Liv Tyler em O Incrível Hulk).
        Em suma, não sendo um dos piores filmes de super-heróis alguma vez produzidos, Hulk também não consegue encher as medidas a espectadores mais exigentes. Por mais que isso possa deixar o monstro verde irritado. E todos sabemos como isso não é uma coisa agradável de se ver...



    


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ETERNOS: C.C. BECK (1910-1989)




      Advém da criação da Família Marvel a notoriedade de C.C. Beck - pseudónimo de Charles Clarence Beck - que, no entanto, só postumamente obteve o reconhecimento merecido.

     Charles Clarence Beck nasceu a 8 de junho de 1910 em Zumbrota, no estado norte-americano do Minnesotta. Na sua juventude estudou na Academia de Belas Artes da Universidade do Minnesota, tendo também tirado um curso de ilustração por correspondência. Pouco mais se sabe da sua vida pessoal.
      A sua carreira profissional principiou em 1933, quando Beck se juntou à editora Fawcett Comics, onde trabalhou como ilustrador em vários títulos pulp. Seis anos depois, quando a Fawcett decidiu apostar na publicação de banda desenhada com super-heróis, foi designado para desenhar uma personagem idealizada pelo escritor Bill Parker: Captain Thunder. Contudo, antes que o primeiro número da série Whiz Comics fosse lançado, a personagem em questão foi rebatizada de Captain Marvel. Além das aventuras do Mortal Mais Poderoso da Terra, Beck também ilustrava à época outros dois títulos publicados pela Fawcett: Spy Smasher e Ibis, The Invencible.
   O estilo que Beck imprimiu nas primeiras histórias do Capitão Marvel  serviria de bitola aos seus sucessores à frente da série. Beck privilegiava um traço mais próximo do habitualmente empregue em cartoons. Esse estilo límpido permitia, quer aos seus assistentes quer a outros ilustradores da casa, imitarem facilmente o seu trabalho.

A arte de C.C. Beck marcaria para sempre o visual das histórias do Capitão Marvel.

     Decorrente da crescente popularidade do Capitão Marvel, floresceram vários outros títulos relacionados com o universo do herói. Em consequência disso, Beck teve condições para criar o seu próprio estúdio em Nova York, corria o ano de 1941. Algum tempo depois abriria um segundo, em Nova Jérsia. Ambos os estúdios de Beck forneciam a maior parte do material artístico utilizado nas várias séries que tinham a Família Marvel (Capitão Marvel, Mary Marvel, Capitão Marvel Jr. e um lote de derivados) como protagonistas.
     Durante esse período áureo, Beck assumiu as funções de Diretor de Arte na Fawcett Comics. Cargo que lhe permitiu promover um visual coerente em todas as histórias do Capitão Marvel e restante Família Marvel, assegurando assim que estas se mantinham fiéis ao seu estilo original. Paralelamente à produção de comics, os estúdios dirigidos por Beck também fizeram sucesso na publicidade comercial.

Retrato oficial da Família Marvel pela mão do seu criador.

      Nos primeiros anos da década de 1950, porém, tudo mudaria. Após anos de litigância jurídica devido ao processo movido pela National Comics (antecessora da atual DC) contra a Fawcett, por alegado plágio do Capitão Marvel em relação ao Super-homem, esta última concordaria em cancelar a publicação da sua personagem de charneira. Não terá sido contudo alheia a esta decisão a acentuada quebra de vendas verificada nos títulos da Família Marvel.
      Com a falência da Fawcett, Beck abandonou a indústria dos quadradinhos, dedicando-se durante um curto período de tempo em exclusivo à publicidade. Não obstante, em parceria com o argumentista Otto Binder, Beck ainda apresentou alguns esboços para tiras diárias a serem publicadas num jornal, e que seriam estreladas por Tawky Tawny, um tigre falante com aspeto humanoide. O projeto foi, no entanto, sumariamente rejeitado pelos vários jornais a que a dupla o remeteu. Anos mais tarde, Tawky Tawny seria reabilitado e incorporado no renovado universo do Capitão Marvel, então já propriedade da DC.
Tawky Tawny foi crismado de Senhor Malhado no Brasil.

      Em meados de 1953, Beck mudou-se para Miami onde gerenciou um bar. Apesar de o negócio prosperar, nesse mesmo ano contactou Joe Simon (cocriador do Capitão América), expressando-lhe o seu desejo de regressar à indústria dos comics. Simon, por sua vez, procurava um ilustrador talentoso para desenhar os esboços da nova personagem que pretendia lançar. Dessa sinergia resultou The Silver Spider, com Beck a desenhar uma história escrita por Jack Oleck. Contudo, a personagem não vingaria, tendo sido rejeitada pela Harvey Comics.
      Na esteira de mais esse revés, só em meados da década seguinte Beck se aventuraria novamente a ilustrar banda desenhada. Da sua fugaz colaboração com a igualmente fugaz Milson Publications, resultou a criação de Fatman: the Human Flying Saucer, uma personagem que, em última análise, era o reverso do Capitão Marvel, embora dotada de poderes muito diferentes. Com a revitalização do Mortal Mais Poderoso da Terra operada pela DC, em 1973 Beck mudou-se de armas e bagagens para a antiga concorrente, tendo assumido a arte da neófita série SHAZAM!. Abandonaria, porém,  o projeto ao fim de seis edições, por alegadas divergências criativas com os argumentistas.
      A convite do escritor E. Nelson Bridwell, Beck ainda escreveu uma história intitulada Captain Marvel Battles Evil Incarnate. No entanto, as inúmeras alterações editoriais à mesma, deixaram Beck descontente ao ponto de desistir de desenhá-la.

Criador e criatura reunidos numa caricatura datada de 1975.

      Uma vez aposentado, Beck passou a escrever regularmente uma coluna de opinião para o The Comics Journal. Um dos tópicos recorrentemente abordados eram as suas objeções ao crescente realismo que caracterizava a arte dos quadradinhos, por contraponto ao estilo simples (e até pueril) que sempre cultivara.
      Nos anos que precederam a sua morte, Beck dedicou-se a recriar capas emblemáticas da Idade do Ouro, nas quais figuravam tanto super-heróis, como o Pato Donald e outras personagens da Disney.
      Em abril de 1980, Beck tornou-se o editor do boletim informativo da Fawcett Collectors of America (uma espécie de fanzine que pretendia dar a conhecer o universo da defunta editora). Problemas de saúde ditaram, no entanto, o afastamento de Beck do projeto ao cabo de 19 edições.
      Em resultado de uma insuficiência renal, Beck faleceria no dia 22 de novembro de 1989 em Gainesville, Flórida. Tinha 79 anos.
     No ano seguinte veria reconhecido o seu trabalho ao ser nomeado finalista para o Jack Kirby Hall of Fame, onde teria o seu nome inscrito em 1997. Antes, em 1993, venceu, a título póstumo, o conceituado Prémio Will Esiner (uma espécie de Óscar dos quadradinhos).
     Porquanto para os leigos e para as novas safras de leitores de comics, C.C. Beck permanece ainda um ilustre desconhecido, presto aqui o meu humilde tributo a um criador que, goste-se ou não do seu estilo, merece decerto figurar no panteão dos Eternos.
        
C.C. Beck numa sessão de autógrafos durante uma convenção de BD.