quinta-feira, 7 de março de 2013

ETERNOS: CHRIS CLAREMONT (1950 - ...)





          Mais do que um decano, aos 62 anos Chris Claremont é um monstro sagrado da 9ª arte. Sob a sua batuta, os X-Men conheceram o seu período áureo. Nos quadradinhos ou fora deles, o seu trabalho foi quase sempre sinónimo de excelência.
 
 
Biografia: Chris Claremont nasceu em Londres a 25 de novembro de 1950. Aos três anos de idade a sua família emigrou para os EUA, radicando-se em Long Island, no estado de Nova York.
          Sem qualquer interesse pelos desportos coletivos praticados pelos outros jovens dos subúrbios, Chris preferia ler as aventuras de Dan Dare, publicadas na mítica revista britânica de quadradinhos Eagle, da qual a sua avó lhe oferecera uma assinatura. Chris considerava essas histórias mais excitantes do que as de Batman e Superman, os dois super-heróis mais populares nos anos 1950 e início da década seguinte. Era também um leitor devoto de ficção científica, bem como de outros géneros literários, sendo notórias as influências de autores como Robert Heinlein, Rudyard Kipling, entre outros na sua escrita.
           Enquanto estudava Teoria Política e Representção no Bard College (um instituto superior privado), Chris estava longe de se imaginar a fazer carreira como argumentista na indústria dos quadradinhos, a qual considerava em franco declínio, e cujo material produzido lhe parecia desinteressante. Empenhou-se, por isso, em escrever romances e novelas, na esperança de, um dia,  vir a ser escritor. A sua primeira obra publicada foi, de resto, uma história em prosa. Tentou ainda, sem grande sucesso, ser ator. Chris obteve o seu diploma no Bard College em 1972.
          Em meados dessa mesma década, Chris casou com Bonnie Wilford, a sua primeira esposa. Atualmente é casado com Beth Fleisher, prima de Dan Raspler, editor de Justice League of America durante o arco de histórias Tenth Circle, produzido em 2004 por Chris em parceria com John Byrne (reeditando assim a dupla criativa que tantas boas leituras proporcionou aos fãs dos X-Men). Chris e Beth são pais de dois gémeos.
         




Chris Claremont, 1982.“Rarely will you find among fans, comic or SF, a magnificent physical specimen of humanity,” observed Chris Claremont. “Because if you’re that good mentally or physically, you don’t need the fantasy—the reality’s good enough. It’s people who need the fantasy who indulge in it, and people who need the fantasy are usually lacking something. They’re usually a bit too smart, or they’re not Raquel Welch or Dolly Parton—any of the clone varieties of cuties you see on TV.”
Chris Claremont em 1982, no auge do seu trabalho em X-Men
 
Carreira: Oficialmente, a colaboração de Chris Claremont com a Marvel Comics principiou em agosto de 1973 quando foi destacado pelo então editor-chefe Roy Thomas para escrever Daredevil nº102. Quatro anos antes, porém, quando ainda era um estudante universitário, Chris fora contratado para as funções de assistente editorial na Casa das Ideias, tendo recebido o crédito de coargumentista de X-Men nº59, escrito pelo próprio Roy Thomas.
                 Em 1974, assumiu, em parceria com John Byrne, o título Iron Fist. Foi a segunda vez que ambos trabalharam juntos, depois de uma breve colaboração em Marvel Premiere, série onde Byrne desenhou as duas primeiras aparições do Punho de Ferro. No ano seguinte, Len Wein (sucessor de Roy Thomas no cargo de editor-chefe da Marvel), incumbiu Chris de escrever as histórias dos renovados X-Men. Esta opção decorreu do entusiasmo que Chris vinha evidenciando em relação à segunda geração dos heróis mutantes, criada por Wein e Dave Cockrum
                Chris abordou metodicamente as personagens, estudando as suas motivações, os seus desejos e as suas personalidades. Esta abordagem inovadora obteve reações muito positivas por parte dos leitores dos X-Men.
                Ao longo dos 16 anos consecutivos (1975-1991) em que esteve à frente de Uncanny X-Men, Chris Claremont escreveu ou coescreveu algumas das mais emblemáticas histórias da equipa mutante, tais como A Saga Da Fénix Negra (que serviu de inspiração a X-Men 3: O Confronto Final, no qual Chris faz um cameo) ou Dias De Um Futuro Esquecido ( a ser brevemente adaptada ao cinema). Detentor do recorde absoluto de longevidade à frente de uma série produzida pela Casa das Ideias, Chris criou várias personagens importantes que ainda hoje fazem parte do universo X: Vampira, Dentes-de-sabre, Fénix, Rainha Branca e Mística, só para citar algumas.
               O primeiro número de X-Men (1991), escrito a meias com Jim Lee, figura no Livro de Recordes do Guiness como a banda desenhada mais vendida de todos os tempos: nada mais nada menos, do que uns assombrosos 8,1 milhões de exemplares (perfazendo o não menos impressionante valor de 7 milhões de dólares).
               Paralelamente ao trabalho desenvolvido nos X-Men, Chris ajudou a promover vários produtos derivados como Os Novos Mutantes, Excalibur e Wolverine.

A Saga da Fénix Negra é considerada uma das melhores histórias dos X-Men alguma vez escrita.
 
               O dealbar da década de 1990 assinalou um ponto de viragem na carreira de Chris Claremont, que apostou na  diversificação do seu trabalho como argumentista de BD. Nesse sentido, colaborou com outras editoras que não a Marvel. Logo em 1992, escreveu a aclamada graphic novel Star Trek: Debt of Honor, ilustrada por Adam Hughes. No ano seguinte, começou a escrever a minissérie em doze volumes Aliens/Predator: Deadliest Of The Species para a Dark Horse (embora a mesma só haja sido completada em 1995). Nesse ínterim,  mudou-se de armas e bagagens, corria o ano de 1994, para a recém-criada Image Comics, a fim de escrever três números de WildC.A.T.s, o grupo de super-heróis criado por Jim Lee e Brandon Choi. Seria também o escolhido para, anos depois, relançar outra criação de Lee e Choi: Gen 13 (ver artigo anterior).  Entre 1995 e 1998, Chris narrou as histórias de Sovereign Seven (S7), uma criação sua publicada sob a égide da DC.

S7: uma criação de Chris Claremont publicada pela DC.
 
                Em 1998, sete anos após a sua saída, Chris regressou à Marvel, agora na dupla qualidade de diretor editorial e de argumentista de Fantastic Four. Dois anos depois reassumiu Uncanny X-Men, título que acumulou com X-Men, antes de ser transferido para X-Treme X-Men. Após passagens por várias outras séries mutantes como Exiles e New Excalibur, o veterano escriba escreveu em 2008 a minissérie GeNext, seguida da sequela GeNext: United (2009). Foi ainda argumentista de X-Men Forever, uma história que tem lugar numa realidade alternativa, assente na premissa de Magneto nunca ter regressado à Terra após a destruição do asteroide M, ocorrida em X-Men nº3 (dezembro de 1991).
               Fora dos quadradinhos, Chris Claremont foi coautor, entre 1995 e 1999, da trilogia Chronicles of the Shadow War, em parceria com George Lucas, a qual dava continuidade à história narrada no filme Willow (1988). Já antes, na década de 1980, Chris publicara outra trilogia literária que tinha como protagonista uma astronauta estadounidense de sua graça Nicole Shea.
 
Claremont & Byrne: uma dupla de sucesso.
Prémios e distinções: Entre os vários prémios arrecadados ao longo da sua extensa e profícua carreira, contam-se cinco Comics Buyer's Guide Fan Award para melhor escritor. Conquistou igualmente, em 1990, o CBG Fan Awards na categoria de melhor argumento, feito que repetiu dois anos depois com a novela gráfica Star Trek: Debt Of Honor.
 
Star Trek: Debt Of Honor valeu mais um prémio a Chris Claremont.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: GEN 13





        Ação, irreverência, sensualidade e alguma controvérsia à mistura são os principais ingredientes para a receita de sucesso de Gen 13, um grupo de jovens  superpoderosos e voláteis que em tempos abrilhantaram o universo Image.
 
 
Nome original: Gen 13
Primeira aparição: Deathmate Black (1993)
Criadores: Jim Lee e Brandon Choi (argumento) e J. Scott Campbell (arte)
Licenciadora: Image Comics (1993-2009) e DC Comics (2010-atualidade)
Base de operações: La Jolla, Califórnia
Membros (entre parêntesis os nomes originais em Inglês, sempre que os mesmos hajam sido traduzidos):
 
* Caitlin Fairchild: Em tempos uma rapariga franzina, Caitlin viu a sua massa muscular aumentar espontaneamente, proporcionando-lhe força, velocidade, resistência e agilidade sobre-humanas. A manifestação do seu gene ativo transformou-a numa escultural Amazona. De longe a integrante mais inteligente da equipa (e porventura a mais ingénua), Caitlin sente-se pouco confortável com a sua nova figura curvilínea. É meia-irmã de Queda-Livre;
Caitlin Fairchild.
 
* Queda-Livre (Freefall): Roxanne Spaulding é a benjamim do grupo e possui a habilidade de manipular a gravidade. Tanto pode anulá-la (o que lhe permite flutuar) como aumentá-la exponencialmente (tornando objetos mais pesados, por exemplo). Especula-se que, caso atinja o pleno potencial dos seus poderes, Queda-Livre conseguiria manipular o espaço e o tempo, uma vez que ambos têm uma correlação com a gravidade. Tem uma paixoneta por Grunge e morre de ciúmes da aparência da sua meia-irmã Caitlin;
Queda-Livre.
 
* Grunge: Percival Edmund Chang possui a capacidade de absorver e  mimetizar a estrutura molecular de qualquer material que toque. Praticante de surf, é cinturão castanho em cinco artes marciais. Descontraído e brincalhão, é amiúde intelectualmente subestimado, não obstante já ter comprovado ser extremamente inteligente e dotado de uma impressionante memória fotográfica;
 
Grunge.
* Granizo (Rainmaker): Sarah Rainmaker, uma bela Apache, tem o poder de manipular o clima. As braceletes amplificadoras que usa nos pulsos permitem-lhe disparar relâmpagos com elevada potência e precisão. Inicialmente apresentada como sendo bissexual, em histórias recentes assumiu-se como lésbica;
Granizo.
*Queimada (Burnout): Filho de John Lynch (o mentor do grupo), Bobby Lane possui a habilidade de gerar e manipular plasma concentrado, que se torna incandescente em contacto com o oxigénio. Posteriormente, desenvolveu também a capacidade de voar, bem como algumas habilidades psiónicas;
 
Queimada.
* John Lynch: Mentor do grupo e pai de Queimada, Lynch foi o líder da Team 7 (a equipa antecessora do Gen 13, composta pelos pais dos cinco jovens). A exemplo de todos os sobreviventes do projeto Team 7, Lynch adquiriu poderosas  habilidades telepáticas e telecinéticas. Em resultado da forte instabilidade das mesmas, evita ao máximo empregá-las.
 
John Lynch.
 

 
A exemplo de muitas outras personagens do universo Image, Gen 13 debutou nas páginas de Deathmate.


Biografia: A agência governamental Operações Internacionais (OI) reuniu um lote de jovens sobredotados numa instalação de treino ultrassecreta. Na sequência da manifestação dos poderes de Caitlin Fairchild, alguns internos lograram escapar sob disfarce: Roxy Spaulding,  BobBy Lane, Threshold e Grunge. Aos quais se juntaria ainda Sarah Rainmaker.
                   Os jovens haviam sido convidados a participar numa projeto de pesquisas genéticas patrocinado pelo governo norte-americano, mas quando perceberam que o real objetivo era aprisioná-los, para assim os submeterem a uma bateria de testes, o grupo fugiu. Classificados pelas autoridades como perigosas ameaças, em consequência das habilidades meta-humanas entretanto manifestadas, a sua única esperança era confiarem uns nos outros.
                   Juntos, descobriram que o projeto Gen 13 era a extensão de um outro, denominado Team 7, e que todos eles eram filhos dos integrantes dessa outra equipa.
                   Enganados por Threshold, que os convenceu a regressarem às instalações de onde haviam escapado para resgatar outras cobaias, o grupo (à exceção de Fairchild) seria recapturado e sujeito a novos testes. Com a ajuda do misterioso John Lynch, a pandilha acabou por voltar a fugir, refugiando-se de seguida em La Jolla (Califórnia) onde formaram oficialmente o Gen 13. A partir desse momento, usaram os seus poderes e habilidades para combaterem a OI e a sua violenta contraparte DV8.
                  Paralelamente, os seus membros dedicaram muito tempo a investigar a sua ligação à Team 7, à qual o seu mentor também pertencera. Fairchild e Roxy Spaulding descobriram ser meias-irmãs, ao passo que John Lynch revelou ser o pai de Bobby Lane.
                 Algum tempo depois, a equipa foi apanhada pela explosão de uma bomba de seis megatoneladas e os seus membros acreditaram ter morrido. Única sobrevivente, Fairchild formou um novo Gen 13 e substituiu Lynch no comando. No entanto, como seria ulteriormente revelado, esta formação existia somente numa realidade alternativa, em tudo idêntica ao universo Wildstorm, aparte esta divergência.
                 Após uma pequena viagem no tempo a fim de evitar a detonação da bomba que pretensamente dizimara a maior parte do Gen 13, os membros originais reuniram-se e regressaram à linha cronológica correta onde continuaram a viver emocionantes aventuras.

 
Curiosidades:

* Os X-Men (Marvel Comics) são a mais notória influência no desenvolvimento de Gen 13. Originalmente, a formação da equipa mutante mais famosa do planeta era composta por cinco jovens detentores de poderes extraordinários, tendo como mentor um homem mais velho que os tentava proteger de um mundo perigoso. Mais a mais, o nome primitivo escolhido para o Gen 13 era Gen X, o qual só foi alterado devido ao lançamento de Geração X por parte da Casa das Ideias;
* Granizo, à semelhança da X-Man Tempestade, controla o clima;
* Queda-Livre parece decalcada de outra X-Man (no caso Jubileu), tantas são as parecenças físicas e psicológicas entre ambas. Em comum, têm ainda o facto de serem as benjamins das respetivas equipas;
* São também evidentes as semelhanças conceptuais entre os poderes pirocinéticos de Queimada e o Tocha Humana do Quarteto Fantástico, bem como de Pyro da Irmandade dos Mutantes;
* Clint Eastwood serviu de inspiração, quer a nível físico quer a nível de personalidade, na conceção de Johh Lynch;
* Quando a Wildstorm desejou relançar a série de Gen 13 contratou, nada mais nada menos, do que Chris Claremont, o lendário argumentista de algumas das mais notáveis sagas produzidas durante a época áurea dos X-Men (vide texto seguinte);
* Na sequência da incorporação do universo Wildstorm na cronologia oficial da DC, vários ex-membros do Gen 13 começaram a participar em títulos da editora. Fairchild, por exemplo, começou por ser uma personagem coadjuvante em algumas histórias do Superboy, para depois estrelar a série The Ravagers.

Gen 13: qualquer semelhança com os X-Men pode ou não ser mera coincidência.

 
Noutros media:

     Em 1999, Kevin Altieri (realizador de Batman: A Máscara do Fantasma), dirigiu um filme de animação de Gen 13, encomendado pela Buena Vista Pictures, uma subsidiária da Disney.  Pouco depois de os direitos de publicação da equipa serem adquiridos pela DC (pertencente à rival Warner Bros.), a Disney proibiu o lançamento do filme em território dos EUA. O que não impediu que algumas cópias fosses distribuídas na Europa e na Austrália.

Poster promocional do filme de animação Gen 13 (1999).





sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

GALERIA DE VILÕES: MORBIUS





     Na sua desesperada busca por uma cura para a rara doença sanguínea de que é portador, Michael Morbius transformou-se num vampiro vivo. Entre ele e as suas vítimas, costuma intrometer-se um certo escalador de paredes.

Nome original: Morbius, The Living Vampire
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº101 (outubro de 1971)
Criadores: Roy Thomas (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade Civil: Michael Morbius
Nacionalidade: grega
Parentes conhecidos: Makarioa Morbius (pai)
Base de operações: Móvel
Filiação: Filhos da Meia Noite, Legião dos Monstros e A.R.M.O.R.
Poderes e armas: Em resultado de a sua transformação ter uma origem científica ao invés de mística, Morbius é considerado um pseudo vampiro. Ainda assim, ele possui um conjunto de habilidades meta-humanas características da espécie vampírica. A saber:

* força, velocidade, resistência e reflexos sobre-humanos;
* sentidos hiperaguçados;
* fator de cura acelerada;
* presas e garras;
* capacidade de planar;
* hipnotismo;
*criação vampírica (à semelhança dos vampiros genuínos, Morbius consegue converter indivíduos em vampiros através de uma simples mordedura);
* imunidade à maior parte das vulnerabilidades dos vampiros (tratando-se de um pseudo vampiro, Morbius não é afetado por ícones religiosos, nem é incinerado quando exposto à luz solar)

Fraquezas: Enquanto pseudo vampiro, a principal fraqueza de Morbius reside na sua necessidade de se alimentar regularmente com sangue fresco para assim manter a sua vitalidade física e mental. Pode, no entanto, abster-se de o fazer durante largos períodos de tempo, bastando para isso dispor da força de vontade necessária. Essa prolongada privação de alimento conduz a uma fraqueza crescente, inversamente proporcional ao seu autocontrolo. Por outro lado, embora a exposição solar não lhe seja letal, os seus olhos e a sua pele são muitos sensíveis à radiação emanada do astro-rei.

O primeiro confronto entre Morbius e o Homem-Aranha ocorreu nas páginas de The Amazing Spider-Man nº101.

Biografia e história de publicação:  A personagem Morbius foi criada na sequência do levantamento da autocensura imposta na indústria norte-americana de quadradinhos, consubstanciada na Comics Code Authority. A qual, anteriormente, banira das páginas desse tipo de publicações todo o tipo de monstros e criaturas sobrenaturais como vampiros, lobisomens e quejandos.
           Instruída a evitar todo e qualquer elemento gótico nas suas histórias, a dupla criativa composta pelo argumentista Roy Thomas e pelo desenhador Gil Kane, optou por conferir um visual mais sóbrio ao novel vilão do universo Marvel. Nesse sentido, foram escolhidas duas cores primárias (azul e vermelho, em linha com os uniformes do Homem-Aranha e do Capitão América) para o seu traje. Com o propósito de se demarcar dos clichés vampíricos, a origem de Morbius não era mística, mas antes científica.
          Com efeito, o Doutor Michael Morbius antes de sofrer a sua macabra transformação, era um brilhante bioquímico grego, laureado com um prémio Nobel e especialista em doenças sanguíneas. Quando descobriu que ele próprio era portador de uma rara patologia, tornou-se obcecado na busca de uma cura e começou a estudar morcegos vampiros.  Um acidente durante uma experiência envolvendo esses animais e eletrochoques converteu-o numa criatura em tudo semelhante a um vampiro, com uma desmesurada sede de sangue. Para a saciar, Morbius jurou matar apenas criminosos. Não obstante, os seus atos colocaram-no em rota de colisão com vários super-heróis, designadamente o Homem-Aranha.
          Tiveram pouco sucesso as várias tentativas de cura de Morbius ao longo dos anos. Numa das ocasiões em que conseguiu curar-se temporariamente da sua condição depois de ser atingido por um relâmpago, Michael Morbius foi julgado pelos seus crimes, tendo a sua defesa ficado a cargo da advogada Jennifer Walters (também conhecida como Mulher-Hulk).
 
        Aquando da aprovação da polémica lei que determinava o registo obrigatório de todos os meta-humanos, Morbius acedeu a fazê-lo, passando a colaborar com a agência governamental de contraespionagem SHIELD. Numa das primeiras missões para que foi designado, caçou Blade. O qual, em tempos, também lhe havia movido uma perseguição sem tréguas.
        Mais recentemente, Morbius tornou-se um operacional da A.R.M.O.R., uma organização responsável pela monitorização da atividade extra-dimensional ocorrida no nosso planeta. Nessa qualidade, desempenhou um papel preponderante durante uma crise em larga escala, provocada por um epidemia de zombies provenientes de outra dimensão.
        Na sequência desses eventos, Morbius abandonou a A.R.M.O.R. para ingressar nos Laboratórios Horizonte, onde, em colaboração com o Senhor Fantástico,  desenvolveu um antídoto para um vírus mortal, ao mesmo tempo que leva a cabo pesquisas no sentido de encontrar uma cura para a sua própria doença.
                                               
Noutros media: Morbius participou em vários episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98), a partir da respetiva segunda temporada. Ainda que com algumas nuances em relação à história original, o vampiro evidencia também neste contexto a sua proverbial ambivalência moral: ora combatendo o Homem-Aranha e seus aliados, ora lutando ao lado deles.
 
Morbius em Spider-Man: The Animated Series.
 
          Nos extras do dvd Blade é apresentado um final alternativo para o filme, no qual Morbius é introduzido como o vilão de serviço na sequela. O que acabou por não se verificar, tendo sido, como é sabido, preterido em favor de Reaper. Morbius continua assim à espera de uma oportunidade para debutar no grande ecrã.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

BD CINE APRESENTA: HULK







      Dez anos atrás, pela mão do realizador Ang Lee, o Golias Esmeralda debutou no grande ecrã, num filme que esteve, todavia, longe de corresponder às expetativas dos fãs e que acabou esmagado pelo peso de críticas demolidoras.
 
 
Título original: Hulk
Ano: 2003
País: EUA
Duração: 138 minutos
Realização: Ang Lee
Argumento: James Shcamus, Michael France e John Truman
Elenco: Eric Bana (Bruce Banner), Jennifer Connelly (Betty Ross), Sam Elliott (general Thaddeus Ross), Josh Lucas (major Glenn Talbot) e Nick Nolte (David Banner)
Orçamento: 137 milhões de dólares
Receitas: 245,4 milhões de dólares
Sinopse: David Banner é um geneticista que descobriu como alterar o ADN humano, de modo a reforçar o sistema imunitário e a desenvolver um fator de cura acelerado. Depois lhe ser negada a autorização para proceder a experiências em militares, David testa em si próprio o soro. Quando o seu filho Bruce nasce, herda a mutação genética induzida pelo pai que, por sua vez, tenta por todos os meios encontrar uma cura.
               O governo norte-americano, ciente da perigosidade dos experimentos conduzidos por David Banner, ordena o encerramento do projeto. Num acesso de fúria, o cientista explode um reator de raios gama, arrasando as instalações. De volta a casa, com o propósito de evitar que o filho se transforme num monstro, tenta matá-lo, mas acaba por matar acidentalmente a esposa.
              Com apenas quatro anos de idade, Bruce é enviado para um orfanato, sendo posteriormente adotado, ao passo que o seu pai é internado num manicómio. Em consequência desses episódios, o pequeno Bruce suprime todas as memórias dos seus pais biológicos, acreditando que ambos pereceram naquele dia fatídico.
             Anos depois, Bruce Banner é um prestigiado físico nuclear que integra uma equipa de pesquisas da Universidade da Califórnia. O complexo industrial-militar, corporizado pelo major Glenn Talbot, está assaz interessado no trabalho desenvolvido por Bruce e sua equipa no campo da nanotecnologia. Disfarçado de faxineiro, o pai de Bruce infiltra-se nas instalações onde decorre a pesquisa, bem como na vida do filho.
            Para salvar a vida de um colega durante um acidente no laboratório, Bruce é atingido por radiação gama que opera nele uma monstruosa metamorfose, apenas testemunhada pelo seu pai. O qual não hesita em expor-se à mesma radiação que transformou o filho num monstro verde e irascível.
           Crismada de Hulk, a grotesca criatura salva Betty Ross, ex-namorada de Bruce e filha do general Thaddeus Ross, do ataque de um par de cães mutantes criados secretamente por David Banner. Apostado em patentear os poderes do Hulk, o major Talbot captura o Golias Esmeralda numa base militar desativada no deserto. Quando se liberta, o monstro ruma a São Francisco, deixando um enorme rasto de destruição atrás de si, a despeito dos esforços dos militares para travá-lo. Apenas a presença de Betty Ross consegue aplacar a fúria do Hulk, que acaba por reverter à sua forma humana.
Eric Bana e Jennifer Connelly interpretam Bruce Banner e Betty Ross em Hulk.

O Golias Esmeralda à solta nas ruas de São Francisco.

            Quando Bruce Banner é finalmente capturado pelos militares, o seu pai reaparece, sob a forma do Homem-Absorvente, para o confronto final. No término da violenta batalha que se segue, ambos são dados como mortos. No entanto, Bruce sobreviveu e, um ano depois, acha-se refugiado na floresta amazónica, onde trabalha como médico.
             
Curiosidades:
 
* Ang Lee recusou uma proposta para dirigir Exterminador Implacável 3 - A Ascensão das Máquinas para realizar a primeira longa-metragem do Golias Esmeralda;
* Nick Nolte foi a primeira escolha dos produtores para interpretar o papel de David Banner, pai do alter ego humano do monstruoso herói;
* Parte do trabalho preparatório levado a cabo por Sam Elliott para dar vida ao austero general Thaddeus Ross consistiu em ler algumas bandas desenhadas do Hulk. O ator aceitou prontamente o papel, entusiasmado com a perspetiva de ser dirigido por Ang Lee;
* De acordo com o realizador, o guião do filme foi influenciado por histórias clássicas como Frankenstein, King Kong, Dr. Jekill & Mr. Hyde, A Bela e o Monstro, assim como por algumas tragédias da mitologia grega;
* Na banda desenhada original, o pai de Bruce Banner chama-se Brian, tendo sido rebatizado de David no filme, em homenagem à mítica série do Hulk dos anos 1970, por ser esse o nome nela usado por Bruce;
* Muitos dos trabalhos de microbiologia vistos na película são reais e foram desenvolvidos pela esposa de Ang Lee;
* Lou Ferrigno, o ex-culturista que interpretava o Hulk na série televisiva de 1977, faz um cameo como segurança.

 
Minha avaliação: 51%

        Transcorrida uma década, a audaciosa abordagem de Ang Lee ao género super-heroico permanece controversa. Hulk é, com efeito, um daqueles filmes de que se convencionou dizer mal, pese embora o facto de, em abono da verdade, também não estarmos perante uma pérola da 7ª arte.
        À parte a dialética homem/monstro, o Golias Esmeralda, pela sua natureza tosca e violenta, pouco mais terá a oferecer a um público desconhecedor da banda desenhada original. Os fãs do herói, por outro lado, talvez não se revejam no psicodrama em que redunda a narrativa que peca, a meu ver, pela falta de um supervilão à altura. O que não impediu, porém, que o filme, a exemplo do protagonista, fosse demasiado grande. Sobrepovoada de flashbacks, a intriga torna-se por vezes pouco fluida, com alguns detalhes melodramáticos, resultando numa combinação soporífera.
        Pelo lado positivo, realço os espetaculares efeitos especiais e todas as cenas onde figura o Golias Verde digitalmente  concebido, assim como a sólida interpretação de Jennifer Connelly (uma Betty Ross bastante mais convincente do que Liv Tyler em O Incrível Hulk).
        Em suma, não sendo um dos piores filmes de super-heróis alguma vez produzidos, Hulk também não consegue encher as medidas a espectadores mais exigentes. Por mais que isso possa deixar o monstro verde irritado. E todos sabemos como isso não é uma coisa agradável de se ver...