quarta-feira, 3 de abril de 2013

BD CINE APRESENTA: WATCHMEN





     Após o êxito de 300, Zack Snyder foi o realizador escolhido para adaptar ao cinema Watchmen, a aclamada saga da autoria de Alan Moore e Dave Gibbons. O resultado superou todas as expectativas, exceto as do próprio Moore.
 
Título original: Watchmen (em Portugal foi subintitulado "Os Guardiões")
Ano: 2009
País: EUA
Duração: 162 minutos
Realização: Zack Snyder
Argumento: David Hayter e Alex Tse (baseado no argumento original de Alan Moore)
Elenco:  Malin Akerman (Laurie Jupiter/ Silk Spectre II); Billy Crudup (Dr. Manhattan); Mathew Goode (Adrian Veidt/Ozymandias); Jackie Earle Haley (Rorschach); Jeffrey Dean Morgan (Edward Blake/Comediante); Patrick Wilson (Dan Dreiberg/ Night Owl II); Carla Gugino (Sally Jupiter/Silk Spectre I);
Produção: Em 1986, os produtores Lawrence Gordon e Joel Silver adquiriram os direitos de Watchmen para a 20th Century Fox, a fim de adaptarem a prestigiada série ao grande ecrã. Devido à recusa de Alan Moore em escrever o guião do filme, baseado na BD original, a Fox contratou Sam Hamm (um dos argumentistas de Batman), que tomou a liberdade de reescrever o final apocalíptico da saga. Porém, transcorridos cinco anos, a Fox vendeu o projeto à Warner Bros. A qual, por sua vez, desistiria dele em virtude da falta de financiamento. Entre 2001 e 2005 houve algumas tentativas frustradas de ressuscitar o projeto, envolvendo diversos estúdios e equipas de produção. Foi, contudo, preciso esperar até finais de 2005 para Watchmen começar enfim a ganhar  forma. Impressionados com o seu trabalho em 300 (adaptação cinematográfica de uma graphic novel homónima de Frank Miller), os mandachuvas da Warner Bros. convidaram Zack Snyder (que dirigiu também a mais recente longa-metragem do Homem de Aço) a ocupar a cadeira de realizador. Secundado por uma competente equipa de argumentistas e tendo como consultor Dave Gibbons (o ilustrador que deu vida ao conceito primordial de Moore), Snyder usou, a exemplo do que fizera em 300,  a banda desenhada como ponto de partida para o seu filme. Adicionalmente, extendeu as cenas de luta e pediu para que fosse introduzido um subtexto sobre fontes de energia, com  vista a tornar o filme mais socialmente comprometido. Alterações que, aos olhos de Alan Moore, se afiguraram blasfemas. Sendo essa uma das razões que explicam a recusa do autor em ter o seu nome associado a qualquer adaptação ao grande ecrã das suas obras.
               Com início em setembro de 2007 e tendo como cenário principal a cidade de Vancouver (Canadá), as filmagens ficaram concluídas em fevereiro de 2008. Estima-se que os custos globais do projeto tenham ascendido aos 130 milhões de dólares.
Orçamento: 130 milhões de dólares
Receitas: 185 milhões de dólares
Prémios e nomeações: 3 Saturn Awards (Melhor Filme de Fantasia, Melhor Guarda-roupa e Melhor Edição em DVD), 1 Scream Award (Melhor Filme de Super-heróis) e várias nomeações em categorias como Melhor Realizador, Melhor Atriz Secundária e Melhor Argumento, apenas para citar algumas.

 
Sinopse: O enredo de Watchmen desenrola-se em 1985, numa realidade alternativa onde os super-heróis são reais, Richard Nixon cumpre um terceiro mandato presidencial na Casa Branca e as tensões entre os EUA e a URSS estão ao rubro.
             Tudo começou em 1938, data da formação dos Minutemen, um grupo de vigilantes mascarados antecessores dos Watchmen. A existência dessas personagens mudou o curso da História: os superpoderes do Dr. Manhattan ajudaram os EUA a vencer a Guerra do Vietname, daí resultando as sucessivas reeleições de Nixon e uma vantagem estratégica do bloco ocidental em relação à URSS e seus aliados. Facto que, por sua vez, conduziu a uma escalada da tensão entre as duas superpotências, deixando o mundo à beira de um conflito nuclear. Outra consequência foi um crescente sentimento anti-super-heróis em território norte-americano, culminando com a ilegalização do vigilantismo. Ao passo que muitos dos antigos justiceiros mascarados optaram por se reformar, o Dr. Manhattan e o Comediante tornaram-se agentes ao serviço do governo estadounidense. Rorschach, por seu turno, continuou a operar na clandestinidade. É ele, de resto, que, ao investigar a morte do Comediante desconfia que está em curso uma conspiração para exterminar os Watchmen. Alertados pelo seu antigo camarada, os demais super-heróis revelam-se céticos quanto a essa possibilidade. Até começarem a ser caçados um a um por um misterioso e desapiedado assassino. Acossados, não resta aos Watchmen remanescentes outra alternativa que não regressarem ao ativo, de modo a deterem o diabólico plano do seu insidioso némesis. 
Curiosidades:

* O traje de Ozymandias é uma paródia aos uniformes de borracha utilizados em outros filmes de super-heróis, como Batman & Robin;
* A par dos direitos de Watchmen, em 1986 foram adquiridos os de V de Vingança, outra graphic novel escrita por Alan Moore que seria levada ao grande ecrã em 2005;
* Michael Bay (Armageddon, Transformers) chegou a ser cogitado para o cargo de realizador em 2003;
* Ao longo dos anos, circularam vários rumores relacionados com o elenco: nomes como Sigourney Weaver, John Hurt, Arnold Schwarzenegger e Tom Cruise, entre muitos outros, foram dados como certos num futuro filme baseado no universo alternativo idealizado por Alan Moore;
* Jeffrey Dean Morgan inicialmente rejeitou o papel de Comediante depois de ter lido as três primeiras páginas do enredo, por julgar irrelevante a personagem. Foi, todavia, persuadido pelo seu agente a aceitar o papel;
* Apresentado pela primeira vez aquando da estreia de Batman, O Cavaleiro Das Trevas, o trailer de Watchmen catapultou novamente a banda desenhada original para os tops de vendas nos EUA.

 
Minha avaliação: 81%
       Desde logo, Watchmen tem o mérito de ser um daqueles raros filmes que mistura vários géneros (drama, ficção científica e policial noir), sem daí resultar uma intragável mixórdia cinéfila. Tendo como pano de fundo uma realidade onde pontifica o sadismo e onde a linha que separa o Bem do Mal é tão sombria como as ruas da metrópole onde opera um grupo de super-heróis tremendamente humanos, Watchmen está longe de corresponder ao cânones das adaptações ao grande ecrã de super-heróis nascidos nos quadradinhos. Assassínio, violação, sexo, nudez e guerra são nele retratados sem pudor.  A profusão de violência - a espaços gratuita  - é, com efeito, uma das pechas desta película, servindo por vezes para distrair o espectador da narrativa hipnótica que se vai desfiando no ecrã.
       Classificada pelo próprio autor de "infilmável", a saga Watchmen, pelas mãos do visionário Zack Snyder, resulta num exercício visual intoxicante, complementado pela abordagem de temas complexos e tradicionalmente ausentes em filmes do género. Só por isto Watchmen está fadado a servir de referência a futuras adaptações cinematográficas do universo super-heroico, sendo notória a sua influência em produções mais recentes como Os Vingadores ou Batman, O Cavaleiro das Trevas Renasce.

 
 

sábado, 30 de março de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: NOVOS TITÃS




     A formação primitiva dos Novos Titãs reunia os parceiros juvenis dos principais super-heróis seniores da DC. Seguiram-se várias reconfigurações, transformações e ressurreições da equipa, que nunca deixou de ser fiel à sua matriz.

Nota prévia: dada a plêiade de integrantes que ao longo das décadas fizeram parte dos Novos Titãs, o texto abaixo centrar-se-á apenas naquelas que, na minha opinião, foram as três fases mais importantes da história do grupo.


I- Os Titãs primordiais

Da esq. para a dir.: Ricardito, Aqualad, Kid Flash e Robin, com a Moça-Maravilha em segundo plano.

 
Nome original: Teen Titans
Primeira aparição: Brave and the Bold nº54 (julho de 1964)
Licenciadora: DC
Criadores: Bob Haney, George Kashdan e Bruno Premiani
Membros fundadores: Robin (Dick Grayson), Kid Flash (Wally West), Aqualad (Garth), Moça-Maravilha/Wonder Girl (Donna Troy) e Ricardito/Speedy (Roy Harper)
Base de operações: Torre Titã (Nova York)
Origem e histórico de publicação: Na sua primeira aventura em conjunto, Robin, Kid Flash e Aqualad - parceiros juvenis, respetivamente, de Batman, Flash e Aquaman - juntaram forças para derrotar um vilão com poderes climáticos no 54º número de Brave and the Bold (1964). Um ano e seis edições volvidas, ao triunvirato primordial juntar-se-ia a Moça-Maravilha (pretensa irmã mais nova da Mulher-Maravilha, criada especificamente para integrar o grupo), passando então a pandilha a atuar sob o nome de Turma Titã (assim crismados no Brasil pela editora EBAL). Ainda em 1965, mas em dezembro, seria a vez de Ricardito ( então sidekick do Arqueiro Verde) se juntar ao grupo nas páginas de Showcase nº59. Em fevereiro do ano seguinte, os heroicos adolescentes estreariam a sua própria série. A qual tinha como premissa transformar os Titãs numa espécie de Liga da Justiça júnior, respondendo a pedidos de ajuda provenientes dos quatro cantos do mundo.
        Claramente elegendo os adolescentes como público-alvo, temas como jovens assumindo responsabilidades e papéis de adultos eram recorrentes na série. Nesse sentido, nas primeiras histórias da equipa eram exploradas situações contemporâneas, como a contestação à guerra no Vietname ou as tensões raciais que eclodiam um pouco por todos os EUA.
       Não obstante o sucesso relativo, a série seria cancelada em 1973, sendo relançada três anos decorridos, sem contudo lograr recuperar o fulgor inicial.


Numa antevisão do que seriam os Titãs, Kid Flash, Robin e Aqualad reuniram-se pela primeira vez em Brave and the Bold nº54 (1964).
 


II- A 2ª geração de Titãs

    A 2ª geração de Titãs (no sentido dos ponteiros do relógio e com a Torre Titã em fundo): Estelar, Robin, Kid Flash, Ravena, Cyborg, Mutano e Moça-Maravilha.

Nome original: The New Teen Titans
Primeira aparição: The New Teen Titans nº1 (novembro de 1980)
Licenciadora: DC
Equipa criativa: Marv Wolfman (texto) e George Pérez (arte)
Membros: Robin/Asa Noturna, Kid Flash/Flash III, Ravena, Cyborg (Victor Stone), Mutano/Beast Boy (Garfield Logan), Moça-Maravilha/Tróia/Darkstar e Estelar (Koriander). A este elenco juntar-se-iam várias outras personagens, nomeadamente Jericó (filho do Exterminador, inimigo jurado dos Titãs), Terra, Fantasma, Pantha, Estrela Vermelha, Rapina & Columba, só para citar algumas.
Base de operações: Torre Titã (Nova York)
Origem e histórico de publicação: Em novembro de 1980, pelas mãos de Marv Wolfman e George Pérez, a segunda geração de Titãs debutou nas páginas de The New Teen Titans nº1. À formação original (exceto Ricardito), juntou-se um novo quarteto de personagens: Cyborg, meio homem, meio máquina; Mutano, um transmorfo capaz de assumir a forma de qualquer animal; Estelar, uma sensual e poderosa princesa alienígena; e Ravena, uma soturna empata filha do demónio Trigon. Foi, de resto, para frustrar os planos diabólicos de Trigon que a equipa foi reunida por Ravena. Sobrepujada a ameaça, os seus jovens integrantes decidiram manter o coletivo.
       Contrastando com o tom pueril das primeiras histórias dos Titãs, a nova safra narrativa assumia um registo mais adulto. Desde logo, as motivações dos vilões complexificaram-se, seguindo tendências que despontavam naquela época, introduzindo grande profundidade nos quadradinhos, particularmente no caso do Exterminador (vide texto anterior), um mercenário moralmente ambivalente , contratado para aniquilar o grupo, depois de o seu filho ter fracassado nessa missão. Fiel a esse desígnio, o vilão infiltraria no seio dos Titãs uma espia: Terra, uma meta-humana sua amante, com poderes geotérmicos e uma personalidade psicótica, que atraiçoaria os seus companheiros de equipa.
       Atestando o caráter mais adulto dos Novos Titãs, Robin e Kid Flash emanciparam-se dos seus respetivos tutores (Batman e Flash) e assumiram novas identidades: o primeiro seria doravante conhecido como Asa Noturna (Nightwing no original), ao passo que o segundo deixaria cair o Kid no nome, tornando-se assim a terceira encarnação do Flash (sucedendo a Barry Allen, falecido durante a Crise nas Infinitas Terras).
        A série, no entanto, experimentaria algumas confusões relacionadas com títulos e numerações quando, em 1984, no âmbito da iniciativa da DC informalmente designada hardcover/softcover (capa dura / capa mole), foi relançado um novo nº1. Juntamente com Legion of the Super-Heroes e Batman and the Outsiders, The New Teen Titans foi um dos três títulos abrangidos por esse controverso projeto editorial que consistia em publicar a mesma história duas vezes: a primeira numa edição mais cara com papel e impressão de alta qualidade distribuída exclusivamente em lojas especializadas; a segunda sendo republicada um ano depois no formato original de baixo custo e colocada à venda nas tradicionais bancas. Em resultado disso, a série foi renomeada Tales of the Teen Titans, passando a coexistir com uma outra agora publicada como The New Teen Titans (vol.2). Logo na sua primeira edição, a série causou polémica, ao mostrar Robin e Estelar deitados juntos na cama, embora já tivesse sido anteriormente estabelecido que os dois formavam um casal monogâmico, sem contudo estar unido pelo matrimónio.
        O número 50 da série foi duplamente marcante: por um lado, devido à supressão de Teen no respetivo título, na medida em que os Titãs já não eram adolescentes; por outro, a revelação da origem da Moça-Maravilha e da sua ligação com a Princesa Amazona. Ao longo dos sete anos seguintes, a The New Titans introduziu várias novas personagens (Jericó, Pantha, Estrela Vermelha, etc.), o regresso de outras (caso de Ricardito, agora respondendo pelo nome Arsenal) e transformações radicais noutras (a Moça-Maravilha deu lugar a Tróia e posteriormente a Darkstar).

 The New Teen Titans nº1 (1980) marcou o dealbar de uma nova era para a equipa.

III - Os Titãs do 3º milénio

Titãs do século 21 (no sentido dos ponteiros do relógio): Robin Vermelho, Solstício, Kid Flash II, Skitter, Moça-Maravilha II e Superboy (ao centro).


Nome orginal: Teen Titans
Primeira aparição: Teen Titans (vol. 4) nº1 (novembro de 2011)
Licenciadora: DC
Membros: Robin Vermelho/Red Robin (Tim Drake), Moça-Maravilha II/Wonder Girl (Cassie Sandsmark), Kid Flash II (Barry Allen), Bunker (Miguel Barragan), Solstício/Solstice (Kiran Singh), Skitter (Celine Patterson) e Danny the Street. Também Superboy (Kon-El) colabora ocasionalmente com o grupo, apesar de não ser oficialmente membro.
Base de operações: Nova York
Origem e histórico de publicação: Em setembro de 2011, a franquia dos Novos Titãs foi relançada nos EUA, acompanhando a revitalização da cronologia oficial do universo DC, operada através de "Os Novos 52".  No entanto, a maior novidade na mais recente encarnação da equipa radica no facto de Tim Drake nunca ter sido Robin, nem sidekick do Homem-Morcego. Atuando como Robin Vermelho, Drake, que vinha monitorizando as atividades de vários jovens meta-humanos espalhados pelo globo, reúne um grupo de heróis improváveis para enfrentar a ameaça representada pela Momentum (N.O.W.H.E.R.E. no original), uma organização secreta cujos objetivos são ainda desconhecidos. Mas que é responsável pela criação em laboratório de uma nova versão do Superboy, concebido com o propósito de ser a arma suprema ao serviço da Momentum, de molde a obliterar qualquer resistência ao seus desgínios.
           Inexperientes e impulsivos, os jovens heróis nem sempre funcionam bem em conjunto, apesar da assertiva liderança do Robin Vermelho.

O renascer de uma lenda em Teen Titans (vol. 4) nº1 (2011).

Noutros media: Data de 1967 a primeira incursão dos Titãs noutros meios de comunicação social que não os quadradinhos. Nesse ano, Ricardito, Aqualad, Moça-Maravilha e Kid Flash participaram pontualmente nalguns episódios da série de animação The Superman / Aquaman Hour Of Adventure, transmitida pela cadeia televisiva norte-americana CBS entre 1967 e 1968. Em 1983 foi a vez de  The New Teen Titans, série animada produzida pela Hanna-Barbera mas rejeitada pelo canal ABC. Seguiu-se uma longa travessia do deserto, somente interrompida em 2003 aquando do lançamento pela Cartoon Network de nova série de desenhos animados inspirada na equipa de heróis adolescentes e com notórias influências anime: Teen Titans teve cinco temporadas, ao longo das quais foram narradas algumas das histórias clássicas do grupo como "O Contrato de Judas" ou "O Reinado de Trigon".

Os Titãs em ação num episódio de The Superman/Aquaman Hour of Adventure (1967).
 Teen Titans: só em 2003 o grupo regressaria ao pequeno ecrã.



 

segunda-feira, 25 de março de 2013

GALERIA DE VILÕES: EXTERMINADOR





      Geneticamente aprimorado e regido por uma ética muito própria, o Exterminador é uma máquina assassina com tanto de eficiente como de imprevisível.
 
 
Nome original: Deathstroke, the Terminator
Primeira aparição: The New Teen Titans (vol.1) nº2 (dezembro de 1980)
Criadores: Marv Wolfman e George Pérez
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Slade Joseph Wilson
Parentes conhecidos: Nathaniel Wilson (pai), Adeline Kane (ex-esposa falecida), Grant Wilson/Ravager I (filho falecido), Joseph Wilson/Jericó (filho) e Rose Wilson/ Ravager V (filha)
Filiação: Exército dos EUA, Sociedade Secreta de Supervilões, Liga da Injustiça, Team 7, Xeque-mate e Titãs.
Base de operações: móvel
Habilidades e armas:
 
*Intelecto sobredotado: em resultado do experimento científico a que foi submetido, o Exterminador tornou-se capaz de usar 90% da capacidade do seu cérebro (em contraste com os 10% de um ser humano médio);
* Fator de cura acelerado: permite-lhe regenerar tecidos danificados e cicatrizar feridas potencialmente fatais;
* Imunidade: associada às suas capacidades regenerativas, o Exterminador desenvolveu igualmente ao longo dos anos imunidade a um largo espectro de doenças e venenos;
* Envelhecimento retardado: embora exiba sinais de envelhecimento, Slade Wilson é, na verdade, muito mais velho do que aparenta;
* Força, resistência, reflexos e velocidade amplificados;
* Sentidos hiperaguçados;
* Análise tática: estratego exímio e profundamente calculista, o Exterminador antecipa, quase sempre com precisão, os movimentos dos seus adversários;
* Técnicas avançadas de combate corpo a corpo: domina várias artes marciais, entre as quais ninjitsu, boxe e karaté. Acresce ainda a sua extraordinária destreza no manejo de espadas;
* Entre a sua vasta parafernália de combate, destaca-se a sua armadura (atualmente feita de metal Enésimo, cuja resistência é superior à do titânio), uma lança energética, uma espada de metal Promethium e uma superbomba atordoante (capaz, entre outras coisas, de incapacitar temporariamente toda a Liga da Justiça).
Fraquezas: Sendo zarolho, o Exterminador nem por isso se sente menos confiante ao enfrentar qualquer oponente. A prová-lo, o facto de usar uma máscara que expõe a sua deficiência, em vez de dissimulá-la.
 
Camuflado nas sombras, o Exterminador fez a sua primeira aparição em The New Teen Titans nº2 (1980).
 
Biografia e histórico de publicação: Embora a estreia do Exterminador nos quadradinhos preceda em quatro anos a do filme Exterminador Implacável de James Cameron, nos EUA o vilão passou a ser designado simplesmente por Deathstroke.   
      Na sua primeira aparição nas páginas de The New Teen Titans nº2, o Exterminador foi apresentado como um mercenário empenhado em concluir um contrato deixado a meio pelo seu filho, o primeiro Ravager . Não tardou, porém, a converter-se num dos principais antagonistas dos Titãs com os quais, ao longo dos anos, também firmou algumas alianças pontuais.
       Em resultado da sua tremenda popularidade entre os fãs, em 1991 o Exterminador passou a estrelar uma série própria: inicialmente intitulada Deathstroke, the Terminator, seria rebatizada de Deathstroke, the Hunted a partir do número 46, e simplesmente de Deathstroke, já na reta final da série, que seria cancelada ao cabo de 60 números. A estes somam-se ainda quatro edições anuais protagonizadas pelo mercenário de ética dúbia.
       Com apenas 16 anos, e depois de mentir acerca da sua idade, Slade Wilson alistou-se no exército norte-americano. Teve a sua primeira experiência de combate na Guerra da Coreia, sendo posteriormente transferido para Camp Washington e promovido a major.
        Nos primeiros anos da década de 1960 conheceu a capitã Adeline Kane (sua futura esposa), a qual fora incumbida de treinar recrutas em novas formas de combate, antecipando a guerra que se desenhava no Vietname. A jovem oficial ficou impressionada com as habilidades guerreiras de Wilson, bem como com a sua fácil adaptação às neófitas convenções de combate. Completamente enamorada pelo seu pupilo, Adeline ofereceu-se para um treino privado em técnicas de guerrilha. Rapidamente se tornando notório para ela que estava em presença de um soldado dotado de um extraordinário potencial. Em menos de um ano, Wilson dominava com mestria todas as técnicas de combate em que fora iniciado, não tardando a ser promovido a tenente-coronel. Seis meses depois, ele e a sua antiga instrutora casaram, daí resultando a primeira gravidez do casal. Com a escalada do conflito no Vietname, Wilson foi destacado para o teatro de operações. Durante a sua presença nele, a unidade a que pertencia chacinou uma aldeia habitada por camponeses, atrocidade que repugnou Wilson. Nos EUA, a sua esposa dava entretanto à luz o primeiro filho de ambos, Grant Wilson.
        Regressado aos EUA, Wilson foi selecionado para participar num experimento militar ultrassecreto que tinha como objetivo criar supersoldados para o exército estadounidense. Com as suas capacidades físicas e mentais aprimoradas pela bioengenharia, Wilson tornou-se um mercenário pouco tempo depois ao desobedecer a ordens superiores indo resgatar um antigo camarada de armas, enviado numa missão suicida. Contudo, Wilson manteve em segredo junto da família essa sua nova atividade.
           Quando um vilão de nome Chacal raptou o filho mais novo de Wilson para assim o obrigar a revelar o nome de um cliente que contratara os seus serviços de sicário, ele recusou fazê-lo em nome do seu código de conduta profissional. Decisão que custou as cordas vocais do seu filho, cortadas pelo Chacal em retaliação.
           Ao tomar conhecimento do dramático episódio e da vida dupla do marido, Adeline tentou matá-lo. O disparo, porém, apenas conseguiu deixá-lo cego do olho direito.
           O Exterminador tem um extenso historial de contendas com os Novos Titãs (vide texto seguinte), equipa a que pertenceu, até revelar ser um traidor, o seu filho mais novo, Joseph Wilson, que atuava sob o codinome Jericó. Nada que  impedisse o Exterminador de  em várias ocasiões  lutar ao lado dos seus jovens némesis.
           No renovado Universo DC, o Exterminador é um mercenário de topo, famoso internacionalmente. Recentemente tentou, por iniciativa própria, matar o Batman, tarefa em que não foi bem-sucedido.
      
Visual clássico do Exterminador que, em tempos, teve uma série própria.

         
Noutros media: Na quarta e última temporada da série televisiva Lois & Clark: The New Adventures of Superman,  um assassino internacional que respondia pelo nome Deathstroke surgiu num episódio, quase nada tendo, porém, em comum esta versão com o original.
             O ator Ron Perlman (o Hellboy cinematográfico) emprestou a voz ao Extermiandor nas duas primeiras temporadas da série de animação Teen Titans. Nela o vilão era somente identificado pelo nome próprio, Slade.
            Na décima temporada de Smallville, coube a Michael Hogan vestir a pele do Exterminador, agora apresentado como sendo o tenente-general Slade Wilson que, manipulado secretamente por Darkseid, propugnava a aprovação de legislação anti-super-heróis.
            O Exterminador também já figurou em vários videojogos com a chancela da DC, com especial destaque para o Mortal Kombat versus DC Universe.
 
 
Enfrentando Robin na série animada Teen Titans.


quinta-feira, 7 de março de 2013

ETERNOS: CHRIS CLAREMONT (1950 - ...)





          Mais do que um decano, aos 62 anos Chris Claremont é um monstro sagrado da 9ª arte. Sob a sua batuta, os X-Men conheceram o seu período áureo. Nos quadradinhos ou fora deles, o seu trabalho foi quase sempre sinónimo de excelência.
 
 
Biografia: Chris Claremont nasceu em Londres a 25 de novembro de 1950. Aos três anos de idade a sua família emigrou para os EUA, radicando-se em Long Island, no estado de Nova York.
          Sem qualquer interesse pelos desportos coletivos praticados pelos outros jovens dos subúrbios, Chris preferia ler as aventuras de Dan Dare, publicadas na mítica revista britânica de quadradinhos Eagle, da qual a sua avó lhe oferecera uma assinatura. Chris considerava essas histórias mais excitantes do que as de Batman e Superman, os dois super-heróis mais populares nos anos 1950 e início da década seguinte. Era também um leitor devoto de ficção científica, bem como de outros géneros literários, sendo notórias as influências de autores como Robert Heinlein, Rudyard Kipling, entre outros na sua escrita.
           Enquanto estudava Teoria Política e Representção no Bard College (um instituto superior privado), Chris estava longe de se imaginar a fazer carreira como argumentista na indústria dos quadradinhos, a qual considerava em franco declínio, e cujo material produzido lhe parecia desinteressante. Empenhou-se, por isso, em escrever romances e novelas, na esperança de, um dia,  vir a ser escritor. A sua primeira obra publicada foi, de resto, uma história em prosa. Tentou ainda, sem grande sucesso, ser ator. Chris obteve o seu diploma no Bard College em 1972.
          Em meados dessa mesma década, Chris casou com Bonnie Wilford, a sua primeira esposa. Atualmente é casado com Beth Fleisher, prima de Dan Raspler, editor de Justice League of America durante o arco de histórias Tenth Circle, produzido em 2004 por Chris em parceria com John Byrne (reeditando assim a dupla criativa que tantas boas leituras proporcionou aos fãs dos X-Men). Chris e Beth são pais de dois gémeos.
         




Chris Claremont, 1982.“Rarely will you find among fans, comic or SF, a magnificent physical specimen of humanity,” observed Chris Claremont. “Because if you’re that good mentally or physically, you don’t need the fantasy—the reality’s good enough. It’s people who need the fantasy who indulge in it, and people who need the fantasy are usually lacking something. They’re usually a bit too smart, or they’re not Raquel Welch or Dolly Parton—any of the clone varieties of cuties you see on TV.”
Chris Claremont em 1982, no auge do seu trabalho em X-Men
 
Carreira: Oficialmente, a colaboração de Chris Claremont com a Marvel Comics principiou em agosto de 1973 quando foi destacado pelo então editor-chefe Roy Thomas para escrever Daredevil nº102. Quatro anos antes, porém, quando ainda era um estudante universitário, Chris fora contratado para as funções de assistente editorial na Casa das Ideias, tendo recebido o crédito de coargumentista de X-Men nº59, escrito pelo próprio Roy Thomas.
                 Em 1974, assumiu, em parceria com John Byrne, o título Iron Fist. Foi a segunda vez que ambos trabalharam juntos, depois de uma breve colaboração em Marvel Premiere, série onde Byrne desenhou as duas primeiras aparições do Punho de Ferro. No ano seguinte, Len Wein (sucessor de Roy Thomas no cargo de editor-chefe da Marvel), incumbiu Chris de escrever as histórias dos renovados X-Men. Esta opção decorreu do entusiasmo que Chris vinha evidenciando em relação à segunda geração dos heróis mutantes, criada por Wein e Dave Cockrum
                Chris abordou metodicamente as personagens, estudando as suas motivações, os seus desejos e as suas personalidades. Esta abordagem inovadora obteve reações muito positivas por parte dos leitores dos X-Men.
                Ao longo dos 16 anos consecutivos (1975-1991) em que esteve à frente de Uncanny X-Men, Chris Claremont escreveu ou coescreveu algumas das mais emblemáticas histórias da equipa mutante, tais como A Saga Da Fénix Negra (que serviu de inspiração a X-Men 3: O Confronto Final, no qual Chris faz um cameo) ou Dias De Um Futuro Esquecido ( a ser brevemente adaptada ao cinema). Detentor do recorde absoluto de longevidade à frente de uma série produzida pela Casa das Ideias, Chris criou várias personagens importantes que ainda hoje fazem parte do universo X: Vampira, Dentes-de-sabre, Fénix, Rainha Branca e Mística, só para citar algumas.
               O primeiro número de X-Men (1991), escrito a meias com Jim Lee, figura no Livro de Recordes do Guiness como a banda desenhada mais vendida de todos os tempos: nada mais nada menos, do que uns assombrosos 8,1 milhões de exemplares (perfazendo o não menos impressionante valor de 7 milhões de dólares).
               Paralelamente ao trabalho desenvolvido nos X-Men, Chris ajudou a promover vários produtos derivados como Os Novos Mutantes, Excalibur e Wolverine.

A Saga da Fénix Negra é considerada uma das melhores histórias dos X-Men alguma vez escrita.
 
               O dealbar da década de 1990 assinalou um ponto de viragem na carreira de Chris Claremont, que apostou na  diversificação do seu trabalho como argumentista de BD. Nesse sentido, colaborou com outras editoras que não a Marvel. Logo em 1992, escreveu a aclamada graphic novel Star Trek: Debt of Honor, ilustrada por Adam Hughes. No ano seguinte, começou a escrever a minissérie em doze volumes Aliens/Predator: Deadliest Of The Species para a Dark Horse (embora a mesma só haja sido completada em 1995). Nesse ínterim,  mudou-se de armas e bagagens, corria o ano de 1994, para a recém-criada Image Comics, a fim de escrever três números de WildC.A.T.s, o grupo de super-heróis criado por Jim Lee e Brandon Choi. Seria também o escolhido para, anos depois, relançar outra criação de Lee e Choi: Gen 13 (ver artigo anterior).  Entre 1995 e 1998, Chris narrou as histórias de Sovereign Seven (S7), uma criação sua publicada sob a égide da DC.

S7: uma criação de Chris Claremont publicada pela DC.
 
                Em 1998, sete anos após a sua saída, Chris regressou à Marvel, agora na dupla qualidade de diretor editorial e de argumentista de Fantastic Four. Dois anos depois reassumiu Uncanny X-Men, título que acumulou com X-Men, antes de ser transferido para X-Treme X-Men. Após passagens por várias outras séries mutantes como Exiles e New Excalibur, o veterano escriba escreveu em 2008 a minissérie GeNext, seguida da sequela GeNext: United (2009). Foi ainda argumentista de X-Men Forever, uma história que tem lugar numa realidade alternativa, assente na premissa de Magneto nunca ter regressado à Terra após a destruição do asteroide M, ocorrida em X-Men nº3 (dezembro de 1991).
               Fora dos quadradinhos, Chris Claremont foi coautor, entre 1995 e 1999, da trilogia Chronicles of the Shadow War, em parceria com George Lucas, a qual dava continuidade à história narrada no filme Willow (1988). Já antes, na década de 1980, Chris publicara outra trilogia literária que tinha como protagonista uma astronauta estadounidense de sua graça Nicole Shea.
 
Claremont & Byrne: uma dupla de sucesso.
Prémios e distinções: Entre os vários prémios arrecadados ao longo da sua extensa e profícua carreira, contam-se cinco Comics Buyer's Guide Fan Award para melhor escritor. Conquistou igualmente, em 1990, o CBG Fan Awards na categoria de melhor argumento, feito que repetiu dois anos depois com a novela gráfica Star Trek: Debt Of Honor.
 
Star Trek: Debt Of Honor valeu mais um prémio a Chris Claremont.