sábado, 11 de maio de 2013

GALERIA DE VILÕES: MANDARIM





     Na China imperial, era um alto funcionário público civil ou militar. Nos quadradinhos, o Mandarim é um vilão dos tempos modernos, inimigo jurado do Homem de Ferro, muito diferente, porém, da versão dada a conhecer no mais recente filme do Vingador Dourado.


Nome original: Mandarin
Primeira aparição: Tales of Suspense nº50 (fevereiro de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Don Heck (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Desconhecida (por vezes tem sido chamado de Gene Khan, o qual poderá ser o seu nome verdadeiro ou apenas um heterónimo)
Local de nascimento: Desconhecido
Parentes conhecidos: Genghis Khan (suposto antepassado), Mei Ling (noiva falecida), Temugin (filho) e Sasha Hammer (filha)
Filiação: Atual diretor executivo da Corporação Prometeu
Base de operações: Sede da Corporação Prometeu, Omaha (Nebraska). Em tempos, usou como base de operações o Palácio do Dragão Estelar, no Vale dos Espíritos.
Poderes e armas: As principais armas de que dispõe o Mandarim são os dez Anéis do Poder que usa em cada um dos dedos de ambas as mãos, e com os quais, ao longo dos anos, estabeleceu um forte vínculo psiónico que lhos permite comandar mentalmente, mesmo a grandes distâncias.
      A origem dos referidos anéis é alienígena, tendo sido adaptados pelo Mandarim a partir da tecnologia que encontrou entre os destroços de uma nave extraterrestre despenhada.
      Cada um dos anéis tem associado um poder específico, designadamente transmutação da matéria, rajadas energéticas e de luz negra, entre outros. Por outro lado, o Mandarim é dono de um intelecto prodigioso, fazendo dele um dos maiores génios científicos do planeta, capaz de ombrear com Tony Stark, Hank Pym ou Reed Richards.
      O Mandarim é ainda um formidável atleta, tendo ao longo dos anos alcançado o pináculo da forma física, ao mesmo tempo que se tornava mestre em várias artes marciais. Alimentando-se apenas do chi (nome dado à energia vital nas filosofias orientais) armazenado, o vilão consegue sobreviver por longos períodos sem comida nem água.

Em 1964, o Mandarim deu-se a conhecer pela primeira vez em Tales of Suspense nº50.

Biografia: Retratado desde o primeiro momento como um génio científico e megalómano, o Mandarim, cujo nome verdadeiro e local exato de nascimento permanecem um mistério, é filho de um dos homens mais abastados da China pré-comunista (e suposto descendente de Genghis Khan) e de uma aristocrata britânica. Ambos morreram pouco tempo depois do nascimento do filho, tendo este sido criado por uma tia.
     Ressentida com o mundo ocidental, a tia do Mandarim educou-o com base nesse rancor. Ao atingir a maioridade, o jovem sofreu o vexame de ser despejado do sumptuoso palácio que pertencera à sua família por várias gerações, em resultado de dívidas fiscais. Isto porque, para sublimar as suas capacidades físicas e intelectuais, ele havia desbaratado até ao último cêntimo a considerável fortuna que herdara dos pais.
     Apostado em encontrar os meios de se vingar de tamanho ultraje, o jovem viajou até ao Vale dos Espíritos. Nesse lugar proibido onde ninguém ousara adentrar por séculos, ele encontrou os destroços de uma nave extraterrestre despenhada e, entre eles, o esqueleto de um dragão alienígena, de seu nome Axonn-Karr.
     Durante os anos que se seguiram, o Mandarim estudou exaustivamente a ciência e a tecnologia alienígenas que encontrou a bordo da nave destruída, em especial os dez misteriosos anéis que conferiam enorme poder ao seu usuário. Foi assim que se tornou um conquistador implacável que sonhava com a dominação mundial.
     Para atingir os seus desígnios, o vilão sabotou mísseis e aviões espiões norte-americanos, fabricados pelas Indústrias Stark, com vista a desencadear uma guerra entre os EUA e a China. Em resposta, Tony Stark, envergando a armadura do Homem de Ferro, viajou até ao Império do Meio para investigar o sucedido e assim restaurar a confiança nos seus produtos. Daí resultando o primeiro confronto entre o Vingador Dourado e o Mandarim.
     Em três dos seus primeiros encontros, o Mandarim conseguiu capturar o Homem de Ferro (ou o seu alter ego civil Tony Stark) sem, contudo, conseguir matá-lo. Já o Vingador Dourado, a despeito de ter arruinado vários esquemas do vilão, nunca logrou levá-lo à justiça.


Os dez Anéis do Poder tornam o Mandarim um adversário temível.

     Com um extenso historial de confrontos, não só com o Homem de Ferro mas também com vários outros super-heróis do universo Marvel, o Mandarim teve a sua origem revista em 2010, nas páginas de Invencible Iron Man Annual nº1. Depois de raptar um jovem cineasta com o propósito de o obrigar a fazer um filme sobre a sua vida, o vilão levou a cabo um relato muito semelhante à sua origem clássica, acima descrita.
     O realizador, porém, detetou diversas contradições na narrativa fornecida pelo Mandarim, acabando por descobrir que ele, na verdade, é filho não de um milionário chinês e de uma aristocrata inglesa, mas sim de uma prostituta viciada em ópio. Abandonado pela progenitora, o rapaz cresceu sozinho nas ruas, acabando por ingressar no submundo do crime. Certo dia deparou-se com uma espaçonave despenhada, cujo único tripulante chacinou brutalmente a fim de se apoderar dos dez Anéis do Poder.
     Nesta nova versão, é ainda revelado que o Mandarim estava presente no local de cativeiro de Tony Stark,  onde este desenvolveu a primitiva armadura do Homem de Ferro. Antes, porém, de estas revelações serem tornadas públicas, o vilão matou o diretor e destruiu o filme.
    Atualmente, depois de ganhar roupagens mais modernas e sob a identidade falsa de Tem Borjigin , o Mandarim chefia a Corporação Prometeu, uma empresa especializada no fabrico e comercialização de armas biológicas. Ao mesmo tempo que  fornece clandestinamente esse tipo de arsenal a grupos terroristas internacionais.

O Mandarim e o Vingador Dourado num dos seus inúmeros duelos.

       
Noutros media: Foi na qualidade de arqui-inimigo do Homem de Ferro que, em 1966, o Mandarim fez a sua estreia na série de animação Marvel Super Heroes. Marcou também presença em várias outras séries e filme de animação, bem como em videojogos do Vingador Dourado produzidos ao longo dos anos. Contudo, foi através do recente Homem de Ferro 3 que o vilão mais se notabilizou junto do grande público. Interpretada por Ben Kingsley, esta sua versão cinematográfica, por ser substancialmente diferente da original, gerou alguma controvérsia entre os fãs.
        Ocupando a 81ª posição no ranking do site IGN para os melhores vilões de sempre, já em 2008, aquando do lançamento da primeira longa-metragem do Vingador Dourado, o Mandarim fora cogitado para ser o antagonista principal, liderando o grupo terrorista Os Dez Anéis. Escolha que acabaria por não se concretizar.


Ben Kingsley dá vida a uma versão muito peculiar do Mandarim no terceiro filme do Homem de Ferro.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

BD CINE APRESENTA: OS 9 CONDENADOS





         Desde o início deste século, Hollywood parece ter (re)descoberto o maná das megaproduções com super-heróis.  Nos últimos anos, para gáudio dos fãs e com maior ou menor êxito, têm-se sucedido as adaptações ao grande ecrã de várias personagens icónicas da Marvel e da  DC.
         Houve, contudo, um considerável rol de projetos do género que nunca conheceram a luz do dia. Dentre os que nunca saíram do papel e os que morreram na praia; dentre os que foram dados como quase certos e os que permaneceram na obscuridade, aqui fica uma resenha composta por nove exemplos desses nados-mortos cinéfilos, convidando o leitor a tirar as suas próprias conclusões acerca da viabilidade dos mesmos:

1- MULHER-MARAVILHA

       Muito antes de dirigir a sensacional versão cinematográfica dos Vingadores, o realizador Joss Whedon (criador da série televisiva de sucesso Buffy, Caçadora de Vampiros) fora o eleito para levar a Princesa Amazona ao grande ecrã pela primeira vez.
      Whedon ficou em êxtase com tão aliciante desafio, mas logo perceberia que era bom de mais para ser verdade. Com efeito, apesar de ter sido contratado para escrever e dirigir a primeira longa-metragem da mais famosa heroína da DC, Whedon acabaria por ser descartado pela Warner Bros. que, alegadamente, ficou desagradada com a abordagem proposta pelo realizador à personagem.
      Algum tempo após o seu afastamento do projeto, em entrevista ao site RookieMag.com, Whedon levantou um pouco do véu sobre os seus planos para a primeira incursão da Princesa Amazona no cinema: "Ela seria algo parecida com a Angelina Jolie. (risos) Embora poderosa, seria muito ingénua em relação á natureza humana. O facto de ser uma semideusa seria, simultaneamente, a sua maior força e a sua maior fraqueza. Ela olharia, por exemplo, para a forma como os humanos se matam uns aos outros, como deixam crianças morrer á fome e, aos olhos dela, isso não faria qualquer sentido.  Por outro lado, o seu romance com Steve Trevor serviria para lhe mostrar a vulnerabilidade dos humanos, mas também o que há de melhor em cada um de nós. Steve seria portanto uma espécie de professor para ela".

Arte conceptual desenvolvida para o filme da Mulher-Maravilha que nunca chegou a ser realizado.

      Confessando-se desapontado com o cancelamento de um projeto que, não obstante os elevados custos envolvidos, muito provavelmente iria arrasar nas bilheteiras, Whedon não se coibiu de, na mesma entrevista, revelar que atriz sugerira aos produtores para encarnar a Princesa Amazona: nada mais nada menos que Cobie Smulders (celebrizada pelo papel da sedutora Robin na série Foi Assim Que Aconteceu e a quem o realizador outorgou o papel da agente da SHIELD Maria Hill em Os Vingadores).

Cobie Smulders, a atriz que daria vida à Princesa Amazona.

2- HOMEM-ARANHA

      Depois de ter dirigido um dos melhores filmes de ação de todos os tempos (o inigualável Exterminador Implacável 2) e muito antes de Sam Raimi assumir a realização do primeiro filme do Escalador de Paredes mais famoso do planeta, James Cameron foi a primeira escolha para tornar realidade esse velho sonho dos fãs do herói aracnídeo.
      Efetuada alguma pesquisa, Cameron apresentou o seu conceito para a personagem. Entre as muitas alterações introduzidas em relação à sua contraparte da banda desenhada, destaque para um forte pendor sexual de Peter Parker, retratado como um adolescente com as hormonas aos saltos e com uma língua suja capaz de fazer corar os mais pudicos. Decorrente dessa abordagem, haveria várias cenas de sexo ao longo do filme, uma das quais tendo como cenário a ponte sobre o rio Hudson.

Esquisso conceptual de Peter Parker, idealizado por James Cameron.

      Seriam dois os antagonistas do Homem-Aranha: Electro e Homem-Areia. Todavia, o primeiro também seria substancialmente diferente do vilão original e habitué nas histórias dos Escalador de Paredes.
      Provavelmente, muitos fãs terão sentido alívio pelo facto de esta pouco ortodoxa abordagem ao seu querido herói não ter vingado. O que não impediu que alguns elementos do guião hajam sido repescados aquando da produção de Spider-Man em 2002, já sob a batuta de Sam Raimi. Exemplo disso foi a utilização de lançadores de teias orgânico em vez do tradicional fluido de teia sintético.

Na versão de Cameron, Peter Parker pouco teria de menino do coro.


3 - FLASH

      Exatamente oito dias após a estreia de Blade: Trinity nas salas de cinema norte-americanas, foi oficialmente anunciado que o cineasta David S. Goyer (obreiro da trilogia de sucesso do caçador de vampiros da Marvel) iria escrever e realizar uma longa-metragem estrelada por outro super-herói: desta feita Flash, da concorrente DC.


      Entusiasmando com o potencial cinematográfico do velocista escarlate, Goyer aventou inicialmente que optaria por Wally West (o terceiro Flash), por ser este o favorito dos fãs. Mas rapidamente mudou de ideias, anunciando a sua opção por Barry Allen (o Flash da Idade da Prata), estando reservado para Wally West um papel secundário na intriga.
      Para encarnar o herói nesta sua primeira aventura no grande ecrã, Goyer terá indicado Ryan Reynolds (ator que, em 2011, seria escolhido para ser o Lanterna Verde). O realizador assumiu igualmente que o filme teria um registo obscuro, influenciado pela abordagem análoga feita na BD por escritores como Mike Barron ou Mark Waid.
      Contudo, a exemplo do que sucedeu com Joss Whedon e o seu projeto para a Mulher-Maravilha, Goyer e a Warner Bros. não conseguiram chegar a acordo quanto aos termos do contrato, pelo que o Flash permanece ainda em lista de espera para ganhar vida no cinema.

Depois de Blade, David S. Goyer tentou adaptar Flash ao grande ecrã.



4- MAGNETO

      Após o lançamento de X-Men 3: O Confronto Final (2006), que encerrava a primeira trilogia cinéfila dos Filhos do Átomo, foi anunciada a produção de vários spin-offs (filmes a solo de personagens do universo X). Encabeçando a lista, estavam Wolverine e Magneto. Ao contrário do primeiro, o segundo nunca teve, porém, direito a qualquer película própria.
      Em 2004, o argumentista Sheldon Turner foi contratado pela 20th Century Fox para escrever o guião da longa-metragem do mestre do magnetismo.  Ian McKellen reassumiria o manto do vilão, retocado digitalmente de modo a parecer mais novo, à semelhança do que fora feito em X-Men 3.


      Desconhecendo-se o que motivou tal decisão, três anos volvidos, David S. Goyer (outra vez ele) foi contratado para escrever e dirigir o filme de Magneto. Na sua abordagem, o Professor Charles Xavier desempenharia um papel preponderante, pelo que os respetivos papéis foram redirecionados para outros atores.
      Adiado para meados de 2008 e tendo como cenário a Austrália, o arranque das filmagens acabaria suspenso até ser conhecido o resultado do projeto paralelo que foi X-Men Origins: Wolverine. Apesar do sucesso deste último, a película que escalpelizaria a origem de Magneto nunca foi realizada. Parte dos seus elementos foi, todavia, absorvida pelo enredo de X-Men First Class (2011), assim se explicando a atribuição de créditos de coargumentista a Sheldon Turner.


5- ARQUEIRO VERDE

       Nota prévia: esta será a última vez que o nome de David S. Goyer será mencionado nesta lista.
      Sucede que em 2004 o cineasta em questão ( e, como vimos, repetente nestas andanças) e o argumentista Justin Marks (cujo currículo inclui vários guiões para megaproduções que nunca viram a luz do dia) foram contratados para escreverem o enredo de um filme simplesmente intitulado Super Max (posteriormente rebatizado Green Arrow: Escape From Super Max). A sua premissa certamente deixaria os fãs do Arqueiro Verde a salivar: incriminado num caso de homicídio, o vigilante mascarado seria encarcerado na penitenciária especial para meta-humanos chamada Super Max, de onde tentaria escapar para limpar o seu nome, contado para isso com a ajuda de alguns supervilões que ele anteriormente capturara.


      Se somarmos a esta premissa promissora a inclusão de alguns dos vilões mais famosos do universo DC como Joker, Lex Luthor ou Charada, e o facto de a Warner Bros. parecer apostada em dar uma resposta à altura aos projetos bem-sucedidos da arquirrival Marvel no que toca a transposições para o grande ecrã, a película arriscar-se-ia seriamente a ser um blockbuster. No entanto, contra todas as expectativas, o interesse dos estúdios em relação ao projeto foi lentamente esmorecendo, votando-o ao esquecimento e confirmando assim a malapata que parece perseguir Goyer.

6- CRISTAL

       Pequena curiosidade: a personagem Cristal (Dazzler, no original), uma mutante com a habilidade de converter som em luz e energia, foi criada exclusivamente por causa do sucesso da famosa banda rock KISS, nos palcos e também nos quadradinhos. Com efeito, a sua criação resultou de uma parceria entre a Marvel Comics e a produtora discográfica Casablanca Records.
       Surpreendentemente, o título próprio de Cristal tornou-se bastante popular entre os leitores do material produzido pelas Casa das Ideias e, em resultado disso, Jim Shooter (editor-chefe da Marvel à época) foi encarregado de coordenar o projeto para um filme de animação estrelado pela heroína. Em virtude de vários entraves e reveses, a Marvel resolveu apostar antes numa longa-metragem com atores de carne e osso.
        Para o papel principal, foi escolhida Bo Derek, facto que daria azo a uma guerra entre os estúdios. Já o argumento ficou a cargo de Leslie Stevens, apesar de Shooter ter entretanto apresentado um rascunho do mesmo.

Bo Derek foi a primeira escolha para ser a estonteante Cristal no cinema.

        No entanto, a sentença de morte do projeto surgiu sob a forma da espatafúrdia exigência de Bo Derek de que fosse o seu marido, John Derek, a dirigir o filme. Perante a recusa da Marvel, Bo desistiu do papel. Daryl Hannah ainda chegou a ser contratada para sua substituta, mas o projeto estava irremediavelmente comprometido.
       Jim Shooter aproveitou entretanto a sua ideia original para o guião do filme para lançar um graphic novel  intitulada, Dazzler, The Movie.

O guião original de Shooter deu origem a uma graphic novel.


7- WATCHMEN

      Até Zack Snyder descobrir a receita para adaptar ao cinema aquela que é considerada uma das melhores histórias de banda desenhada alguma vez escritas, houve várias tentativas goradas nesse sentido. Assim, a primeira tentativa de transpor Watchmen ao grande ecrã partiu do produtor Joel Silver que, depois de ter adquirido os direitos da série escrita por Alan Moore, sondou o realizador Terry Gilliam para dirigir a projeto.
     Considerando que Gilliam é um cineasta de reconhecido talento, famoso pela densidade das suas narrativas, tudo parecia bem encaminhado. Todavia, os  problemas começaram logo aquando da escolha do naipe de atores que interpretariam o singular grupo de super-heróis idealizado por Moore. Joel Silver exigiu que Arnold Scharwzenegger vestisse a pele do Dr. Manhattan.
     Dave Gibbons, ilustrador e cocriador dos Watchmen insurgiu-se, replicando que  concordava com a utilização dos atributos físicos do ator austríaco, mas que o seu forte sotaque germânico não se coadunaria com a personagem.

Teria Schwarzenegger dado um bom Dr. Manhattan? Nunca saberemos.

      Indiferente às críticas, Joel Silver encomendou um primeiro esboço do guião a Sam Hamm (argumentista de Batman e Batman Regressa), material que seria consideravelmente diferente da história original. Nesta versão, tudo começaria, não com o assassinato do Comediante, mas com um ataque terrorista à Estátua da Liberdade que os Watchmen falhariam em impedir. Daí resultando a revolta popular contra os heróis uniformizados. Em vez do exílio autoimposto em Marte, o Dr. Manhattan viajaria para o futuro e, a partir daí, o enredo seguiria fielmente a narrativa primordial, desembocando num final em tudo idêntico ao da BD.
      Classificando a história de Watchmen de "infilmável", Terry Gilliam, depois de ter proposto que a mesma fosse produzida no formato de uma minissérie em cinco capítulos, abandonaria o projeto. E assim Hollywood gerou mais um nado-morto.

8- BATMAN: ANO UM

     Na esteira da hecatombe que representou o ignóbil Batman & Robin (1997), a Warner Bros. viu-se perante um dilema sobre o destino a dar à franquia do Cavaleiro das Trevas que, até então, se revelara extraordinariamente lucrativa. Joel Schumacher, o realizador responsável por esse flop, propôs que, para a salvar, seria necessário voltar à estaca zero. Nesse sentido, apresentou um projeto de adaptação de Batman: Year One, o emblemático arco de histórias da autoria de Frank Miller que reconta a origem do Homem-Morcego.


      A ideia agradou à Warner Bros. que, após muito sensatamente descartar Schumacher, começou a procura por um realizador competente que permitisse materializar o projeto. A escolha recaiu sobre Darren Aronofsky que dera nas vistas ao dirigir em 2000 o polémico A Vida Não É Um Sonho (Requiem For A Dream). Aronofsky seria também coargumentista, num enredo escrito a duas mãos com o próprio Frank Miller. Alguns dos pormenores entretanto revelados deixaram os puristas da BD original à beira de um ataque de nervos: Bruce Wayne não seria milionário, não seria órfão e não cresceria na mansão da sua família tendo Alfred como precetor. Ao invés disso, ele teria sido resgatado das ruas onde crescera por um mecânico negro chamado Big Al.
      Descrito como esquizofrénico, Bruce Wayne desenvolveria progressivamente o seu alter ego notívago, com um fetiche por morcegos. Haveria ainda várias referências a outras personagens importantes do universo de Batman, nomeadamente Selina Kyle (a Mulher-Gato) e o Joker.
       A certidão de óbito do projeto foi emitida quando Aranofsky indicou Clint Eastwood (!) para assumir o manto do Cavaleiro das Trevas neste reboot, que, também por exigência do realizador, seria integralmente rodado em Tóquio.

Clint Eastwood como Batman? Com menos 30 anos, quem sabe?

       Em 2005, já depois de ter visto abortar o projeto para a realização de uma megaprodução que reuniria Batman e Superman, a Warner Bros. tornaria a convidar Aranofsky para dirigir Batman Begins. Face à recusa deste, Christopher Nolan foi o senhor que seguiu, iniciando assim uma trilogia de enorme sucesso que reabilitou o Cruzado da Capa junto dos fãs da 7ª arte.

9- LIGA DA JUSTIÇA

      Em 2007 a Warner Bros. contratou Kieran e Michele Mulroney para escreverem o guião de um filme da Liga da Justiça, a ser realizado por George Miller (Mad Max).
      A produção foi suspensa durante alguns meses devido à greve dos argumentistas de Hollywood, mas a Warner Bros. não desistiu do projeto.
      Quando a greve terminou, os estúdios anunciaram que a película seria produzida recorrendo a tecnologia semelhante à utilizada em Beowulf e The Polar Express. Já o elenco, segundo rumores postos a circular na altura, mais se assemelharia a uma constelação.

Para quando um filme da Liga da Justiça?

       Duas coisas feriram, contudo, mortalmente o projeto: os produtores não estavam dispostos a pagar alguns milhões de dólares extras referentes a taxas e impostos cobrados na Austrália (local escolhido para servir de cenário à história, que tinha em Maxwell Lord o vilão de serviço), e o orçamento previsto de 300 milhões de dólares.
       E assim morreu à nascença outro projeto megalómano da Warner Bros. A boa notícia é que, segundo  rumores postos a circular com alguma insistência no ciberespaço, poderá haver em 2015 nova tentativa de dar vida no grande ecrã à mais proeminente superequipa da DC, na esteira do retumbante êxito de Os Vingadores.

        



terça-feira, 16 de abril de 2013

ETERNOS: ALAN MOORE (1953 - ...)


 
 
  
    Genialidade e excentricidade são dois traços indeléveis no caráter de Alan Moore, por muitos considerado um dos melhores escritores de BD de sempre. A despeito da sua renitência, várias das suas obras foram já adaptadas ao cinema.
 
Biografia: Primogénito de um casal composto por um taberneiro e uma tipógrafa, Alan Moore nasceu a 18 de novembro de 1953 (59 anos) em Northampton, uma pequena cidade industrial a meio caminho entre Londres e Birmingham, no Reino Unido.  A sua infância foi passada numa zona da cidade conhecida como The Boroughs, na qual floresciam a miséria e a iliteracia. Moore, no entanto, revelou-se um leitor precoce (aprendeu a ler com apenas 5 anos, antes mesmo de ingressar na escola primária) e compulsivo que, à falta de verba para comprar livros, recorria amiúde à biblioteca pública local. Paralelamente, descobriu as histórias aos quadradinhos. Primeiro as publicações indígenas como Topper e The Beezer; mais tarde os comics norte-americanos com especial predileção por títulos como Flash, Detective Comics, Fantastic Four e Blawkhawk.
      Em casa coabitava com os pais, o irmão mais novo e a sua beata e supersticiosa avó materna, a qual despertaria nele o fascínio pelo misticismo e pelo esoterismo (aquando do seu 40º aniversário, em 1993, Moore assumiu-se como um mago cerimonial).
      Devido às suas boas notas, Moore seria admitido na Northampton Grammar School, um prestigiado colégio masculino. Foi lá que, pela primeira vez, contactou com alunos provenientes de estratos sociais mais elevados. De aluno brilhante na escola primária, Moore passou a estudante medíocre, incapaz de competir com os seus novos colegas.
      Irreverente, desde os primórdios da adolescência que Moore começou a usar cabelo comprido (que, a par da barba desgrenhada e dos anéis, ainda hoje conserva como imagem de marca). Desmotivado de estudar, em finais do anos 1960, começou a publicar poemas e ensaios da sua autoria em toda a sorte de fanzines, antes de lançar o seu próprio, batizado de Embryo. Através deste projeto, Moore envolver-se-ia num outro, denominado Laboratório de Artes.
      Em 1970, Moore seria expulso da Northampton Grammar School por se dedicar ao tráfico de LSD e de outras substâncias alucinogénicas no interior do colégio. Em consequência disso, não voltaria a ser admitido em qualquer outro estabelecimento de ensino.
     No ano seguinte, enquanto continuava a morar na casa dos pais, Moore passou por vários empregos pouco qualificados. Nessa mesma época conheceu a sua primeira esposa com quem casou em 1974, daí resultando o nascimento de duas filhas. Durante quase duas décadas, o casal partilhou uma amante, porquanto nem Moore nem a mulher acreditavam na monogamia. As duas mulheres acabariam, porém, por abandonar Moore em meados da década de 1990, levando com elas as duas filhas do casal. Moore, por sua vez, voltaria a casar em 2007, desta feita com Melinda Gebbie com quem trabalhou na produção de várias bandas desenhadas.
     Moore continua a viver em Northampton, cuja história serviu de inspiração à novela da sua autoria Voice of the fire. Aderiu também ao vegetarianismo.
 
Miracleman foi um dos primeiros êxitos de Alan Moore.
 
Carreira: 1978 foi o ano que assinalou o arranque oficial da longa e eclética carreira profissional de Alan Moore. Após abandonar o seu anterior emprego como administrativo, resolveu escrever e desenhar as suas próprias histórias aos quadradinhos. Recebeu o seu primeiro cachê graças a umas ilustrações publicadas numa revista especializada em música. Até 1980, por vezes sob pseudónimos, Moore publicou várias tiras e séries em revistas e jornais. Concentrou-se, entretanto, em aprimorar a sua escrita, em detrimento da sua arte. Contou para isso com a ajuda do seu velho amigo e também argumentista Steve Moore.
     Entre 1980 e 1984, Alan Moore trabalhou como argumentista freelancer em várias editoras britânicas, nomeadamente a Marvel UK e a 2000AD, mas também na Warrior, onde teve a cargo duas séries regulares: Marvelman (posteriormente rebatizado de Miracleman por razões legais) e V for Vendetta. Esta narrativa distópica, que tinha lugar num futuro próximo marcado pelo totalitarismo fascizante, seria uma das obras-primas de Moore, muito provavelmente por se ter identificado com o herói da série que, a exemplo do escritor, era um assumido anarca. A despeito das reservas de Moore - que sempre recusou ver o seu nome associado às adaptações cinematográficas das suas obras - V for Vendetta deu origem a um filme de sucesso em 2005.
     O trabalho de Moore na 2000AD atraiu a atenção de Len Wein, o editor-chefe da DC à época, que o contratou em 1983 para escrever Swamp Thing, um título cujas vendas andavam pelas ruas da amargura. Secundado por uma competente equipa de ilustradores, Moore reinventou o Monstro do Pântano, misturando nas suas histórias elementos sobrenaturais e de terror com outros de cariz social e ambiental. A série obteve um sucesso sem precedentes junto do público e da crítica, abrindo assim caminho para a contratação por parte da DC de outros escritores britânicos, designadamente Neil Gaiman, com vista ao relançamento de outras personagens obscuras.
 
Antes de Alan Moore, o Monstro do Pântano não passava de uma personagem obscura do universo DC.
 
      Durante a sua passagem de cinco anos pela DC, Moore teve igualmente oportunidade de trabalhar com as personagens de charneira da editora. Para Superman escreveu, em 1985, For The Man Who Has Everything, com arte de Dave Gibbons (seu futuro parceiro criativo em Watchmen). The Killing Joke foi o seu tributo ao Homem-Morcego (mas também ao seu arqui-inimigo Joker).
       Após o êxito de Watchmen (vide texto anterior), a relação de Moore com a DC começou progressivamente a deteriorar-se, devido a divergências relacionadas com merchandising e direitos autorais. Situação que culminou com a saída de Moore da DC em 1989 para, em sociedade com a sua primeira esposa e a amante de ambos, fundar a sua própria editora, a qual sugestivamente crismaram de Mad Love. Até 1996, ano em que a Mad Love encerrou portas, Moore e os seus associados produziram toda a sorte de séries, antologias e novelas gráficas, com especial destaque para a controversa Lost Girls, descrita pelo próprio autor como sendo uma obra de pornografia inteligente. Ainda nesse ano Moore publicaria o romance Voice of the fire.
      Seguiu-se uma passagem pela Image Comics, tendo sido o seu trabalho com Supreme (personagem criada por Rob Liefeld e com notórias semelhanças com o Homem de Aço) o mais notável. Em 1999, Moore, desavindo com Liefeld, abandonou a Image para fundar a American Best Comics (ABC), associada à Wildstorm Studios de Jim Lee. Foi sob a égide da ABC que Moore lançou The League of Extraordinary Gentleman (adaptada ao grande ecrã em 2003).
      Atualmente, Alan Moore tem vários projetos em carteira começando por um livro dedicado ao Ocultismo, escrito a meias com o seu velho compincha Steve Moore. Isto ao mesmo tempo que escreve o seu segundo romance, com o título provisório Jerusalem.
 
A par de Watchmen, V for Vendetta é uma das obras mais emblemáticas de Moore, tendo ambas sido adaptadas ao cinema.
 
Prémios e distinções: Autor multipremiado, ao longo da sua carreira foram inúmeros os galardões e distinções atribuídos a Alan Moore.  No seu currículo, e apenas para citar alguns, constam 7 Harvey Awards para Melhor Escritor; 9 Kirby Awards em categorias que vão desde Melhor Escritor a Melhor Série Regular; 9 Eisner Awards para Melhor Escritor. Acrescem ainda várias honrarias internacionais como 2 prémios Angoulême para Melhor Álbum e outros tantos British National Comics Award que o distinguiram em duas ocasiões (2001 e 2002) como o melhor escritor de BD de sempre.
 
Alan Moore na companhia da sua atual esposa, Melinda Gebbie.
 
 
 


quarta-feira, 10 de abril de 2013

DO FUNDO DO BAÚ



 
 
 
     O que aconteceria se os super-heróis fossem reais e tivessem o poder de alterar o curso da história humana? Seriam eles considerados salvadores ou ameaças? Foi este o ponto de partida para Alan Moore escrever Watchmen, verdadeira obra-prima dos quadradinhos.
 
Título: Watchmen (minissérie de luxo em 6 edições mensais)
Data: Novembro de 1988 a abril de 1989
Número de páginas: 68 por volume
Formato: Americano (17 cm x 26 cm), colorido e com lombada agrafada
Licenciadora: DC
Editora: Entre 1988 e 1999, a Abril Jovem publicou duas séries de Watchmen e uma edição encadernada. Já neste século, surgiram mais quatro reedições da saga, uma lançada pela Via Lettera e as restantes com a chancela da Panini Comics.
Argumento: Alan Moore
Arte: Dave Gibbons
Publicado originalmente em: Watchmen nº1 a 12 (EUA, 1986/87)
História de publicação: Introduzindo abordagens e linguagens anteriormente ligadas apenas aos quadradinhos ditos "alternativos", além de lidar com temáticas de orientação mais madura e menos superficial quando comparada aos comics mainstream publicados à época nos EUA, Watchmen representa um marco importante na evolução da 9ª arte naquele país.
     Diz-se, aliás, que Watchmen foi, no contexto da indústria dos quadradinhos na década de 1980, um dos responsáveis por, a par de A Queda de Murdock e O Regresso do Cavaleiro das Trevas (ambas da autoria de Frank Miller) e de Maus (de Art Spiegelman), despertar o interesse do público adulto para um formato até então considerado infanto-juvenil. 
     Tudo começou em 1985, quando a DC se tornou detentora dos direitos da linha de personagens da Charlton Comics. Durante esse período, Alan Moore considerou escrever uma história que teria como protagonistas heróis obscuros que, a exemplo do que fez com Miracleman, ele pudesse remodelar a seu belo prazer.
     Julgando que o grupo Mighty Crusaders da MLJ Comics estaria disponível para o seu projeto, Moore desenvolveu um enredo de mistério envolvendo um assassinato, que começaria com a descoberta do corpo de um dos integrantes da equipa. Usando essa premissa, e perante a indisponibilidade das personagens da MLJ, Moore substituiu-as pelos super-heróis da Charlton, dando o título Who Killed The Peacemaker? (Quem Matou O Pacificador?) à narrativa e  apresentado-a ulteriormente a Dick Giordano, o então editor-chefe da DC. Este, embora recetivo à ideia, opôs-se à utilização de personagens da Charlton na história, ao perceber que as mesmas acabariam mortas ou inutilizadas. Por conseguinte, Giordano convenceu Moore a introduzir personagens inéditas. Moore mostrou-se relutante ao princípio, mas acabaria por aceder ao pedido.
      Dave Gibbons, desenhista que colaborara com Moore em projetos anteriores, manifestou o seu interesse em trabalhar novamente com o seu patrício (ambos são britânicos) e, após considerações de Giordano, foi aceite, trazendo consigo o colorista John Higgins.
     Originalmente, Moore e Gibbons tinham matéria-prima para apenas seis edições, pelo que  compensaram interpolando os assuntos principais com temas que proporcionariam uma espécie de retrato biográfico das personagens principais. Durante o processo, Gibbons teve grande autonomia para desenvolver o estilo visual de Watchmen, inserindo detalhes que Moore admitiu só perceber mais tarde, pois a saga foi feita para ser lida e compreendida totalmente somente após diversas leituras.
 
Alan Moore (esq.) e Dave Gibbons, a dupla criativa de Watchmen.
 
Sinopse: Na realidade histórica alternativa apresentada em Watchmen, Richard Nixon teria conduzido os EUA à vitória na Guerra do Vietname e, em resultado deste facto, teria permanecido no poder por um longo período. Esta vitória, além de muitas outras diferenças entre o mundo verdadeiro e o retratado na saga ( como, por exemplo, os carros elétricos serem a realidade da indústria dos automóveis e o petróleo já não ser a maior fonte de energia) derivaria da existência naquele cenário do Dr. Manhattan, um indivíduo dotado de poderes especiais, os quais o levam a possuir vasto controlo sobre a matéria e a energia, elevando-o ao estado de um semideus.
     Ambientada em 1985 e com o mundo à beira de holocausto termonuclear, a trama mostra que existiriam histórias aos quadradinhos de super-heróis no final dos anos de 1930, inclusive do Superman, os quais eventualmente seriam a principal inspiração para que uma das personagens da série viesse a  tornar-se um combatente do crime (o primeiro Coruja). As revistas deste género  teriam entretanto deixado de existir, sendo substituídas por novelas gráficas de piratas (talvez devido ao surgimento de super-heróis de carne e osso). O Dr. Manhattan, o único a possuir poderes (como explodir ou desmontar objetos, e até mesmo pessoas, pois controla os átomos), foi o primeiro da "nova era" de super-heróis mais sofisticados que durou do começo da década de 1960 até à promulgação da Lei Keene em 1977, implementada em resposta à greve da polícia e a consequente revolta da população contra os vigilantes que agiam acima da lei. À época, o grupo conhecido como Crimebusters  dispunha-se a combater a criminalidade na cidade de Nova Iorque.
     A Lei Keene exigia que todos os "aventureiros fantasiados" se registassem no governo. A maioria dos vigilantes resolveu aposentar-se, alguns revelando publicamente as suas identidades secretas para faturar com a atenção dos media  - caso de Adrian Veidt, o Ozymandias. Outros, como o Comediante e o Dr. Manhattan, continuaram a trabalhar sob a supervisão e o controlo do governo. O vigilante conhecido como Rorschach passou a operar como um herói renegado e fora-da-lei, sendo frequentemente perseguido pela polícia.
     A história abre com a investigação do assassinato de Edward Blake, logo revelado como sendo a identidade civil do vigilante mascarado conhecido como O Comediante. Tal assassinato chama a atenção de Rorschach, o qual passará toda a primeira metade da trama entrando em contacto com seus antigos companheiros em busca de pistas, considerando praticamente todos como possíveis suspeitos.
    Rorschach suspeita que o evento da morte de Blake estaria relacionado a um possível rancor de criminosos presos pelos heróis no passado, tese que ganha força à medida que outros ex-combatentes do crime e o próprio Rorschach são duramente atingidos por um aparentemente planificado ataque sistemático à sua integridade física e moral.
     No entanto, à medida que a investigação se aprofunda, os indícios apontam para uma maquiavélica conjura orquestrada por um insidioso némesis que não descansará enquanto não eliminar todos os heróis.

Watchmen (da esq. para a dir.): Espectral II, Comediante, Coruja II, Dr. Manhattan, Rorschach e Ozymandias.
 
Prémios e distinções: A série conquistou vários Prémios Kirby e Eisner (que estão para a BD como os Óscares estão para o cinema), além de uma honraria muito especial no Prémio Hugo, voltado para a literatura. É, de resto, até ao momento a única novela gráfica a merecer tal distinção, assim como também é a única história aos quadradinhos a figurar na lista dos cem melhores romances eleitos pela revista Time desde 1923.
 
 
Curiosidades:
* Os heróis que compõem os Watchmen tiveram como modelo várias personagens da editora Charlton Comics, cujos direitos de publicação haviam sido recentemente adquiridos pela DC. Assim, Coruja II, Espectral II, Dr. Manhattan, Rorschach, Comediante e Ozymandias correspondem, respetivamente, ao Besouro Azul, Sombra da Noite, Capitão Átomo, Questão, Pacificador e Thunderbolt.
* Antecessores dos Watchmen, os Minutemen são a única formação organizada de super-heróis referida na história. Trata-se de uma equipa de vigilantes mascarados fundada em 1938 (curiosamente, o ano da estreia do Super-homem) e que atuou durante a II Guerra Mundial. O termo Watchmen alude, portanto, genericamente a todos os vigilantes mascarados, não designando contudo o grupo de heróis remanescentes.
Na minha coleção desde: 1995 (edição encadernada da Abril)