segunda-feira, 24 de junho de 2013

ETERNOS: CARMINE INFANTINO (1925-2013)




 
        Pela sua visão e talento, Carmine Infantino foi um dos artífices da Idade da Prata dos Quadradinhos. Ao homem, finado em abril último, sobreviverá o seu extraordinário legado.
 
Biografia: Nascido no apartamento da sua família em Brooklyn (Nova Iorque) a 24 de maio de 1925, Carmine Infantino teve como pais um ex-músico obrigado pela Grande Depressão a reciclar-se como canalizador, e uma doméstica de origem italiana.
        Antes de ingressar na prestigiada Escola Superior de Arte e Design de Manhattan, o jovem Carmine frequentou dois liceus públicos, o 75 e o 85, no seu bairro natal. No seu ano de caloiro travou conhecimento com Harry Chesler, proprietário de um dos vários estúdios que despontavam à época e que forneciam material às editoras no florescente mercado dos comics nos anos 1930 e 1940, em plena Idade do Ouro dos Quadradinhos.
        Foi justamente em meados da década de 1940 que Carmine encetou a sua carreira na 9º arte. Um dos seus primeiros trabalhos consistiu em colorir uma história intitulada Jack Frost e ilustrada pelo seu amigo Frank Giancoia. Nos anos seguintes  trabalhou em várias editoras, como a Hillman e a Holyoke, até ser contratado pela DC onde assumiu a arte de algumas das suas personagens emblemáticas.
       No princípio dos anos 50, colaborou como freelancer na Prize Comics, propriedade de Jack Kirby e Joe Simon (criadores do Capitão América). Em concomitância, além dos super-heróis, abraçou vários géneros na DC: western, suspense e ficção científica.
 
Carmine Infantino (data desconhecida).
      Se nos primórdios da sua carreira como desenhador eram notórias as influências de Jack Kirby e de Milton Caniff no seu traço, com o tempo este foi evoluindo e ganhando uma personalidade própria, caracterizada por um estilo límpido e linear que serviria de escola a futuros profissionais do ramo.
      Em 1956, o então editor-chefe da DC, Julius Schwartz, incumbiu Carmine Infantino de desenhar as novas histórias do Flash, a serem publicadas no título Showcase. Com o argumento a cargo de Robert Kanigher, caberia a Infantino reformular o visual do herói velocista.
      O resultado foi de tal forma satisfatório que logo Infantino foi designado por Schwartz para assumir a arte de outros títulos da editora como Adam Strange. Estava dado o tiro de partida para a Idade da Prata dos Quadradinhos.
 
A estreia do Flash da Idade da Prata  pelo traço de Carmine Infantino.
 
      O grande desafio surgiria, porém, oito anos volvidos quando, em parceria com o argumentista John Broome, foi encarregue de revitalizar as bafientas histórias de Batman. Depois de se desembaraçar de alguns dos elementos que tornavam as aventuras do Homem-Morcego ridículas, a nova dupla criativa imprimiu um tom mais realístico às mesmas, o qual esteve longe ser consensual entre os fãs do herói. No entanto, as vendas dos títulos do Batman subiram em flecha e, uma vez mais, Carmine Infantino provou a sua visão e talento.
     Entre as inúmeras solicitações que recebia neste período, contavam-se igualmente as ilustrações das histórias do Homem-Elástico, do Flash e de Adam Strange (bem como a arte das respetivas capas), às quais se somavam ainda um punhado de histórias de ficção científica. A sua ética profissional obrigava-o assim a desenhar duas páginas por dia. Proeza, de resto,  ainda hoje difícil de reproduzir, a despeito da utilização das novas tecnologias no trabalho dos artistas contemporâneos.
     Quando, em 1967, se tornou óbvio que as edições cujas capas eram desenhadas por Infantino se vendiam melhor, ele ficou responsável pela arte de capa das demais publicações da DC.
     Após a DC ter sido adquirida pela National, Infantino foi promovido a Diretor Editorial. Nessa qualidade, apostou em novos talentos e colocou artistas veteranos em cargos editoriais. Foi assim que nomes como Dick Giordano (recentemente contratado à Charlton Comics), Joe Orlando ou Joe Kubert se tornaram editores. Simultaneamente, novos títulos foram lançados, neles pontificando os trabalhos dos então novatos Neal Adams e Denny O'Neil.
     A partir de 1971, Carmine Infantino foi desafiado a inverter a progressiva queda na circulação dos títulos DC. Um desafio que se revelou ainda mais complicado, dada a pouca fé depositada na companhia, quer pelos seus novos proprietários - a Warner Communications - quer pela distribuidora IDN (os revendedores estavam pouco interessados em comercializar um produto com tão reduzida margem de lucro).
     Em resposta a estas reservas, Infantino levou a cabo profundas mudanças, incluindo o lançamento de novas séries (Bat Lash, The Secret Six) e de novas personagens (Deadman, The Creeper), em paralelo com a reciclagem de outras (Lanterna Verde, Arqueiro Verde, etc.). As vendas, porém, ficaram aquém das expectativas e Infantino optou - na opinião de alguns, cedo demais - por cancelar os novos títulos.
 
No vasto portefólio artístico de Carmine Infantino, a Liga da Justiça merece especial destaque.
 
     Ainda em 1971, Carmine Infantino tirou um ás da manga ao desviar o mestre Jack Kirby da arquirrival Marvel, aproveitando as disputas criativas que opunham este a Stan Lee no seio da Casa das Ideias.
    Kirby desenvolvera nos últimos anos uma panóplia de novas personagens que estava relutante em ceder à Marvel. Na DC, em conjunto com Infantino, ele deu a conhecer o Quarto Mundo, Os Novos Deuses e o Senhor Milagre.
    No início dos anos 1980, foi a vez de, temporariamente, Infantino trocar a DC pela Marvel. Período durante o qual  desenhou algumas histórias da Mulher-Aranha, assim como de outras personagens da Casa das Ideias. Retornaria, porém, antes do final da década à DC para reassumir a arte das histórias do Flash. Lá permaneceria até se retirar da vida ativa.
 
File:Spwm108.jpg
Capa de Spider-Woman nº8 (1978) com arte de Carmine Infantino.
   
    Depois de reformado, Carmine Infantino concedeu entrevistas esporádicas e brindou os fãs com a sua presença em convenções da especialidade. Pelo meio, em 2004, publicou uma autobiografia, The Amazing World of Carmine Infantino, no mesmo ano em que processou a DC pela violação dos direitos autorais sobre personagens que, alegadamente, criara durante o período em que lá trabalhara como freelancer.
    Faleceu em 4 de abril último, de causas naturais, na sua casa em Manhattan, não deixando herdeiros. Tinha 87 anos.
    Num comunicado emitido pela DC, o atual editor-chefe Dan DiDio escreveu: " Haverá poucas pessoas neste mundo que tenham causado tanto impacto na indústria dos comics como Carmine Infantino. Ele estabeleceu pontes entre a Idade do Ouro e a Idade da Prata dos Quadradinhos, daí resultando um dos períodos mais bem-sucedidos da nossa história. Definiu um rumo para várias personagens, que ainda hoje é notório. Sentiremos a sua falta mas o seu legado perdurará para sempre".
 
 
Publicada com a chancela da Vanguard Press, a autobiografia de Carmine Infantino exibia na capa uma coletânea de capas da sua autoria.


sábado, 15 de junho de 2013

GALERIA DE VILÕES: LOKI




    
     Saído diretamente da mitologia nórdica, Loki, deus da trapaça e irmão adotivo de Thor, é um dos mais poderosos e maquiavélicos vilões dos quadradinhos. Foi também o responsável pela formação dos Vingadores.
 
Nome original: Loki
Primeira aparição (Timely Comics): Venus nº6 (agosto de 1949)
Primeira aparição (Marvel Comics): Journey Into Mystery nº85 (outubro de 1962)
Criadores: Stan Lee (argumentista), Larry Lieber (coargumentista) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Loki Laufeyson
Local de nascimento: Jotunheim, Asgard
Parentes conhecidos: Laufey e Farbauti (pais biológicos falecidos), Odin e Frigga (pais adotivos) e Thor (irmão adotivo)
Base de operações: Asgard e Terra
Poderes e habilidades: Apesar de pertencer à raça dos Gigantes do Gelo, Loki possui poderes similares aos dos demais asgardianos, sendo portanto dotado de força, resistência e longevidade sobre-humanas. Aos quais se soma uma panóplia de habilidades de natureza mística:
* Telepatia;
* Poder de voo;
* Transmorfismo;
* Teletransporte interdimensional;
* Projeção astral;
* Hipnose;
* Transmutação da matéria;
*Rajadas de energia


Na mitologia nórdica, Loki é o deus da trapaça, da insídia e da malícia.
 
História de publicação:  Eleito o oitavo melhor vilão de todos os tempos pelo site IGN em 2009, Loki debutou 60 anos antes nas páginas de Venus nº6, título publicado pela Timely Comics (predecessora da Marvel). Nessa versão primitiva da personagem, o vilão era apresentado como sendo um dos deuses olimpianos que, mercê das suas constantes ignomínias, fora exilado para o Submundo, reino sombrio povoado por demónios do qual se tornaria senhor absoluto. Verificava-se portanto uma curiosa mescla entre a mitologia nórdica e a greco-romana.
      Insidioso, Loki convenceu Júpiter a autorizar - tal como fizera a Vénus -  a sua ida à Terra onde tencionava disseminar o ódio e a discórdia. Os seus planos seriam, contudo, frustrados pela ação da deusa e Loki foi novamente banido para o Submundo.
 

File:Loki in venus.jpg
Loki na sua primeira aparição em Venus nº6 (1949), título da Timely Comics.


      Em outubro de 1962, Loki fez a sua estreia oficial no Universo Marvel numa aventura de Thor publicada no número 85 de Journey into Mystery. Idealizada pelos irmãos Stan Lee e Larry Lieber e com o traço do mestre Jack Kirby, a versão moderna do vilão introduzia-o como meio-irmão do Deus do Trovão e seu principal arqui-inimigo. Nessa qualidade, Loki tornou-se presença assídua em vários títulos da editora desde então.
 
Journey into Mystery nº85 (1962) assinala a estreia da versão moderna de Loki.
 
Biografia: Muitos anos atrás, quando Bor, rei de Asgard e pai de Odin, combatia os Gigantes do Gelo, seguiu uma das criaturas feridas até a uma caverna onde um poderoso feiticeiro o esperava. Apanhado desprevenido, Bor foi transformado em neve pelo mago.
      Moribundo, o monarca de Asgard foi encontrado pelo seu filho Odin que, não obstante as súplicas desesperadas do pai, não fez qualquer esforço para salvá-lo. Testemunhando a cena, o feiticeiro amaldiçoou Odin, profetizando que ele adotaria o filho de um rei caído e que o criaria como se fosse sangue do seu sangue. Menos de uma semana depois, Odin, entretanto entronizado como soberano de Asgard, liderou nova batalha contra os Gigantes de Gelo, acabando por matar o seu rei, Laufey. Encontrou então uma criança que na verdade se tratava do filho do agora finado Laufey, escondido do mundo pelo pai, envergonhado da sua pequena estatura. Movido por um misto de compaixão e de mesquinhez (tratava-se, afinal, de um valioso troféu de batalha), Odin levou consigo o menino para Asgard, criando-o em pé de igualdade com o seu filho biológico, Thor.
      Ao longo da sua infância e adolescência, Loki foi acumulando um crescente ressentimento em relação ao seu meio-irmão, mercê do tratamento desigual que recebia por parte dos restantes asgardianos. Sendo um povo guerreiro, estes valorizavam sobremaneira a força, coragem e tenacidade demonstradas no campo de batalha, características que Loki não possuía, sentindo-se portanto inferiorizado relativamente ao Deus do Trovão.
      No entanto, o que lhe faltava em força e valentia, sobejava-lhe em argúcia e determinação. Enquanto o meio-irmão reforçava a sua reputação de guerreiro timorato, Loki sublimava os seus conhecimentos de feitiçaria e refinava a sua perversidade. Assim, ao atingir a idade adulta e em virtude do seu talento natural para a insídia, Loki foi agraciado com o pouco honroso título de deus da trapaça. Entretanto, a sua sede de poder e de vingança - já de si enormes - não cessavam de aumentar.
      Em diveras ocasiões, Loki empregou toda a sorte de elaborados estratagemas para se livrar de Thor, os quais, invariavelmente, acabaram gorados. Com o propósito de derrubar Odin e  assim assumir o trono do Reino Dourado, o deus da trapaça chegou a mancomunar-se com alguns dos inimigos jurados do seu povo.
     Cansado das intermináveis maldades do seu filho adotivo, Odin, através de um encanto mágico, aprisionou-o dentro de uma árvore, de onde seria libertado apenas se alguém vertesse uma lágrima por ele. O que acabou por acontecer quando Loki conseguiu fazer com que uma folha da dita árvore ferisse o olho do seu guardião, Heimdall, fazendo-o assim verter uma lágrima.
     Repetidas vezes expulso de Asgard, o deus da trapaça acabaria por voltar a sua atenção para Midgard (o nome pelo qual é conhecida a Terra entre os asgardianos). Numa dessas suas primeiras incursões ao nosso planeta, Loki manipulou o Hulk para que o Golias Esmeralda semeasse o caos e a destruição. Isto ao mesmo tempo que, assumindo a sua forma astral, o vilão atraía Thor para a Terra. Inadvertidamente, estes eventos conduziriam à formação dos Vingadores, pois também o Homem de Ferro, o Homem-Formiga e a Vespa haviam entrado em ação numa tentativa de travar o Hulk. Quando isso aconteceu, Thor e os restantes Vingadores derrotaram Loki. Nada que o impedisse, porém, de regressar vezes sem conta -e sob múltiplas formas -  ao nosso mundo para pôr em prática os seus infindáveis planos de conquista.
      
 
Thor versus Loki: confronto de irmãos.


Noutros media: A primeira aparição de Loki fora da banda desenhada ocorreu em 1966, no segmento reservado a Thor na série de animação The Marvel Super Heroes. Mais recentemente marcou presença em The Avengers: Earth's Mightiest Heroes, série de animação coproduzida pela Marvel Animation e pela Film Roman, exibida online e no canal televisivo Disney XD desde o outono de 2010.
        Antes da sua chegada ao grande ecrã em 2011 como antagonista principal de Thor no filme homónimo em que foi interpretado por Tom Hiddleston, Loki participara já em duas películas de animação - Hulk Vs Thor (2009) e Thor: Tales of Asgard (2011) -, ambas lançadas diretamente no circuito de vídeo.
        Em 2012 foi o peão de Thanos em Os Vingadores, com Tom Hiddleston a reassumir o papel do deus da trapaça, o que voltará a acontecer na sequela do filme do Deus do Trovão com estreia nacional prevista para dezembro e  intitulada Thor: The Dark World.

Tom Hiddleston deu vida a Loki no cinema.
 
 
 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: CAPITÃO ÁTOMO




     Senhor de um imenso poder que lhe permite manipular o campo quântico e o próprio fluxo cronal a seu belo prazer, o Capitão Átomo nem sempre fez parte do universo DC. Hoje, porém, após várias reformulações, é um dos seus mais icónicos heróis.
 
Nome original: Captain Atom
Primeira aparição (Charlton Comics):  Space Adventures nº33 (março de 1960)
Primeira aparição (Detective Comics): Captain Atom  nº1 (março de 1987)
Criadores (versão original): Joel Gill (história) e Steve Ditko (história e arte)
Criadores (versão atual): Cary Bates (história), Greg Weisman (história) e Pat Broderick (arte)
Licenciadora: Charlton Comics (1960-1985) e DC ( de 1987 até à atualidade)
Identidade civil: Nathaniel Cristopher Adam (Allen Adam na Charlton Comics)
Parentes conhecidos: Angela Adam Eiling (esposa falecida), Peggy e Randy Eiling (filhos), Bette Sans Souci (ex-mulher)
Base de operações: Móvel
Filiação: Liga da Justiça, Força Aérea dos Estados Unidos e exército do Monarca
Poderes e habilidades:
* Couraça de metal alienígena: o corpo do Capitão Átomo é totalmente revestido por um misterioso metal extraterrestre, que o torna virtualmente indestrutível e que lhe permite aceder ao campo quântico;
* Manipulação do campo quântico: a relação simbiótica do Capitão Átomo com o metal extraterrestre que lhe serve de couraça possibilita a sua conexão ao campo quântico. Isto permite-lhe absorver e manipular enormes quantidades de energia, dependendo apenas dos limites da sua própria imaginação;
* Poder de voo: a energia absorvida permite-lhe voar acima da velocidade da luz;
* Superforça: o nível de força do Capitão Átomo permite-lhe ombrear com pesos-pesados como o Superman;
*Autossustentabilidade: não necessita de água, alimentos ou oxigénio para sobreviver;
* Produção de matéria: consegue gerar matéria com a mesma facilidade com que produz energia;
* Transmutação atómica: habilidade de manipular a matéria ao nível dos átomos;
*Interface tecnológica: habilidade de se conectar telepaticamente a computadores e sistemas informáticos;
* Deslocamento temporal: através da sua ligação ao campo quântico, consegue viajar para o futuro;
* Invulnerabilidade
Fraqueza: Se absorver demasiada energia de uma só vez, o Capitão Átomo poderá ser arrastado por um salto quântico involuntário, que o deixa à deriva no fluxo cronal. Dependendo do tipo de energia absorvida, poderá ser lançado no passado ou no futuro.

O Capitão Átomo é provavelmente o mais poderoso herói do universo DC.
 
Biografia e história de publicação (Charlton Comics): Na sua versão original, o Capitão Átomo era o alter ego de Allen Adam, um técnico que trabalhava num foguetão espacial experimental. Lançado acidentalmente para órbita com Adam a bordo, o foguetão explodiu ao reentrar na atmosfera terrestre, atomizando o seu desafortunado tripulante.
      Inexplicavelmente, porém, Adam não só sobreviveu ao acidente como ganhou assombrosos superpoderes, os quais, entre outros prodígios, lhe permitiram reconstruir o seu corpo. Envergando um traje vermelho e dourado concebido para proteger da radiação que dele emanava quem dele se aproximava,  quando Adam se energizava, assumia um aspeto metalizado.
        Mais tarde, quando passou a estrelar o seu próprio título, o Capitão Átomo substituiu o traje vermelho e dourado por uma couraça metálica de cor prateada que permanecia oculta sob a sua pele até ele se energizar.

O Capitão Átomo primordial na capa do nº75 de Strange Suspense Stories (1965).

        Entre março de 1960 e outubro de 1961, o Capitão Átomo foi publicado em Space Adventures (tendo feito a sua primeira aparição no número 33 da série), uma antologia de contos ilustrados de ficção científica. Após um interregno de quatro anos, em junho de 1965 a Charlton Comics republicou várias dessas histórias em Strange Suspense Stories, título entretanto renomeado de Captain Atom em dezembro de 1965. A partir dessa data, o herói teve direito a arcos de histórias maiores e aos supervilões da praxe, com o Dr. Spectro à cabeça. Antes, as suas aventuras tinham como pano de fundo invasões extraterrestres e temas da Guerra Fria como o combate à ameaça comunista.
       Captain Atom seria cancelado em dezembro de 1967, ao cabo de 89 edições. Seguiram-se, entre 1975 e 1983, várias tentativas malsucedidas de relançamento da personagem por parte da Charlton que, em resultado de dificuldades financeiras, acabaria por fechar portas pouco tempo depois.

Biografia e história de publicação (DC): Foi em plena Crise nas Infinitas Terras que, a par das restantes personagens da Charlton Comics entretanto adquiridas pela DC, o Capitão Átomo se estreou no universo da editora. Inicialmente, as suas histórias tinham lugar na Terra 4, a qual seria posteriormente incorporada na renovada cronologia da DC. Data assim de fevereiro de 1986 a derradeira aparição desta versão primitiva do herói atómico, nas páginas de DC Comics Presents nº90.
       Mais de um ano volvido, em março de 1987, foi introduzida a renovada versão do Capitão Átomo no universo DC pós-Crise. A qual, ainda que se mantendo fiel à essência da personagem, apresentava diferenças substanciais. Desde logo, a sua antiga identidade civil de Allen Adam deu lugar a Nathaniel Christopher Adam, já não um técnico espacial mas agora um piloto da Força Aérea norte-americana durante a guerra do Vietname.

Captain Atom nº1 marcou a estreia do antigo herói da Charlton no universo DC.

       Incriminado por um crime que não cometera, Adam fora sentenciado à morte em 1968. Em alternativa à execução, foi-lhe proposto que aceitasse participar no Projeto Capitão Átomo, um experimento militar ultrassecreto com ínfimas probabilidades de sobrevivência. A troco de um indulto presidencial, Adam acedeu a ser cobaia num teste à resistência de um metal de origem extraterrestre proveniente de uma espaçonave despenhada. Para esse efeito, foi colocado dentro de um casulo feito do referido metal e exposto a uma pequena explosão nuclear.
       Aparentemente, tanto o casulo metálico como Adam foram desintegrados pela detonação. No entanto, Adam ressurgiu com o seu corpo totalmente revestido pelo metal alienígena. Este absorvia energia conferindo assim formidáveis poderes a Adam. Quando porém era ultrapassado um determinado limite de absorção energética, Adam era lançado no futuro. Quão longe, dependia da quantidade de energia absorvida.
       Paralelamente, a simbiose de Adam com o metal extraterrestre permitia-lhe conectar-se ao campo quântico.
      Com a mudança de inquilino na Casa Branca, a nova Administração não reconheceu a promessa de indulto feita pelo anterior presidente dos EUAa Nathaniel Adam. Até porque ele fora dado como morto durante a experiência militar. Em resultado disso, Adam foi chantageado por um seu superior a operar como agente governamental com o nome de código Capitão Átomo.
      Quando, anos depois, Adam logrou finalmente limpar o seu nome, rebelou-se contra a tutela militar e passou a atuar como um super-herói. Não tardaria a tornar-se membro da Liga da Justiça, assumindo posteriormente o comando da sua filial europeia.
      Na atual realidade de Os Novos 52, a origem e o visual do Capitão Átomo foram retocados. Nathaniel Adam só  há poucos meses adquiriu as suas habilidades e ainda procura aprender a dominá-las com a ajuda do Dr. Megala e do Continuum. Decorrente desse facto, o mundo olha o novo herói com um misto de temor e desconfiança.
      Não obstante, o Capitão Átomo usa as suas extraordinárias habilidades para salvar a Terra e os seus habitantes das tenebrosas ameaças que sobre eles pairam.

O Capitão Átomo em Os Novos 52.

Curiosidade: Após a compra dos direitos de várias personagens da Charlton Comics por parte da DC, Alan Moore pretendia usá-las na aclamada saga Watchmen. Perante a recusa da DC, Moore optou por usá-las apenas como inspiração às personagens da sua história, tendo o Dr. Manhattan sido decalcado do Capitão Átomo (vide Do fundo do baú: Watchmen).

O Dr. Manhattan de Watchmen teve como modelo o Capitão Átomo.
      
Noutros media: Com o advento do presente século, o Capitão Átomo participou em diversas séries e filmes de animação da Liga da Justiça e de outras personagens da DC. A primeira vez que isso aconteceu foi em Justice League Unlimited, série animada produzida pela Warner Bros. e transmitida pelo canal televisivo Cartoon Network, entre 2004 e 2006.

O Capitão Átomo num episódio de Justice League Unlimited.
       No seu currículo fora dos quadradinhos, o Capitão Átomo conta ainda com participações especiais em Young Justice e em Batman: The Brave And The Bold. Foi contudo no filme Superman/Batman: Public Enemies (2009) que teve o seu papel de maior relevo, integrando a força meta-humana ao serviço do Governo estadounidense destacada para capturar o Homem de Aço e o Cavaleiro das Trevas.
         

sábado, 11 de maio de 2013

GALERIA DE VILÕES: MANDARIM





     Na China imperial, era um alto funcionário público civil ou militar. Nos quadradinhos, o Mandarim é um vilão dos tempos modernos, inimigo jurado do Homem de Ferro, muito diferente, porém, da versão dada a conhecer no mais recente filme do Vingador Dourado.


Nome original: Mandarin
Primeira aparição: Tales of Suspense nº50 (fevereiro de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Don Heck (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Desconhecida (por vezes tem sido chamado de Gene Khan, o qual poderá ser o seu nome verdadeiro ou apenas um heterónimo)
Local de nascimento: Desconhecido
Parentes conhecidos: Genghis Khan (suposto antepassado), Mei Ling (noiva falecida), Temugin (filho) e Sasha Hammer (filha)
Filiação: Atual diretor executivo da Corporação Prometeu
Base de operações: Sede da Corporação Prometeu, Omaha (Nebraska). Em tempos, usou como base de operações o Palácio do Dragão Estelar, no Vale dos Espíritos.
Poderes e armas: As principais armas de que dispõe o Mandarim são os dez Anéis do Poder que usa em cada um dos dedos de ambas as mãos, e com os quais, ao longo dos anos, estabeleceu um forte vínculo psiónico que lhos permite comandar mentalmente, mesmo a grandes distâncias.
      A origem dos referidos anéis é alienígena, tendo sido adaptados pelo Mandarim a partir da tecnologia que encontrou entre os destroços de uma nave extraterrestre despenhada.
      Cada um dos anéis tem associado um poder específico, designadamente transmutação da matéria, rajadas energéticas e de luz negra, entre outros. Por outro lado, o Mandarim é dono de um intelecto prodigioso, fazendo dele um dos maiores génios científicos do planeta, capaz de ombrear com Tony Stark, Hank Pym ou Reed Richards.
      O Mandarim é ainda um formidável atleta, tendo ao longo dos anos alcançado o pináculo da forma física, ao mesmo tempo que se tornava mestre em várias artes marciais. Alimentando-se apenas do chi (nome dado à energia vital nas filosofias orientais) armazenado, o vilão consegue sobreviver por longos períodos sem comida nem água.

Em 1964, o Mandarim deu-se a conhecer pela primeira vez em Tales of Suspense nº50.

Biografia: Retratado desde o primeiro momento como um génio científico e megalómano, o Mandarim, cujo nome verdadeiro e local exato de nascimento permanecem um mistério, é filho de um dos homens mais abastados da China pré-comunista (e suposto descendente de Genghis Khan) e de uma aristocrata britânica. Ambos morreram pouco tempo depois do nascimento do filho, tendo este sido criado por uma tia.
     Ressentida com o mundo ocidental, a tia do Mandarim educou-o com base nesse rancor. Ao atingir a maioridade, o jovem sofreu o vexame de ser despejado do sumptuoso palácio que pertencera à sua família por várias gerações, em resultado de dívidas fiscais. Isto porque, para sublimar as suas capacidades físicas e intelectuais, ele havia desbaratado até ao último cêntimo a considerável fortuna que herdara dos pais.
     Apostado em encontrar os meios de se vingar de tamanho ultraje, o jovem viajou até ao Vale dos Espíritos. Nesse lugar proibido onde ninguém ousara adentrar por séculos, ele encontrou os destroços de uma nave extraterrestre despenhada e, entre eles, o esqueleto de um dragão alienígena, de seu nome Axonn-Karr.
     Durante os anos que se seguiram, o Mandarim estudou exaustivamente a ciência e a tecnologia alienígenas que encontrou a bordo da nave destruída, em especial os dez misteriosos anéis que conferiam enorme poder ao seu usuário. Foi assim que se tornou um conquistador implacável que sonhava com a dominação mundial.
     Para atingir os seus desígnios, o vilão sabotou mísseis e aviões espiões norte-americanos, fabricados pelas Indústrias Stark, com vista a desencadear uma guerra entre os EUA e a China. Em resposta, Tony Stark, envergando a armadura do Homem de Ferro, viajou até ao Império do Meio para investigar o sucedido e assim restaurar a confiança nos seus produtos. Daí resultando o primeiro confronto entre o Vingador Dourado e o Mandarim.
     Em três dos seus primeiros encontros, o Mandarim conseguiu capturar o Homem de Ferro (ou o seu alter ego civil Tony Stark) sem, contudo, conseguir matá-lo. Já o Vingador Dourado, a despeito de ter arruinado vários esquemas do vilão, nunca logrou levá-lo à justiça.


Os dez Anéis do Poder tornam o Mandarim um adversário temível.

     Com um extenso historial de confrontos, não só com o Homem de Ferro mas também com vários outros super-heróis do universo Marvel, o Mandarim teve a sua origem revista em 2010, nas páginas de Invencible Iron Man Annual nº1. Depois de raptar um jovem cineasta com o propósito de o obrigar a fazer um filme sobre a sua vida, o vilão levou a cabo um relato muito semelhante à sua origem clássica, acima descrita.
     O realizador, porém, detetou diversas contradições na narrativa fornecida pelo Mandarim, acabando por descobrir que ele, na verdade, é filho não de um milionário chinês e de uma aristocrata inglesa, mas sim de uma prostituta viciada em ópio. Abandonado pela progenitora, o rapaz cresceu sozinho nas ruas, acabando por ingressar no submundo do crime. Certo dia deparou-se com uma espaçonave despenhada, cujo único tripulante chacinou brutalmente a fim de se apoderar dos dez Anéis do Poder.
     Nesta nova versão, é ainda revelado que o Mandarim estava presente no local de cativeiro de Tony Stark,  onde este desenvolveu a primitiva armadura do Homem de Ferro. Antes, porém, de estas revelações serem tornadas públicas, o vilão matou o diretor e destruiu o filme.
    Atualmente, depois de ganhar roupagens mais modernas e sob a identidade falsa de Tem Borjigin , o Mandarim chefia a Corporação Prometeu, uma empresa especializada no fabrico e comercialização de armas biológicas. Ao mesmo tempo que  fornece clandestinamente esse tipo de arsenal a grupos terroristas internacionais.

O Mandarim e o Vingador Dourado num dos seus inúmeros duelos.

       
Noutros media: Foi na qualidade de arqui-inimigo do Homem de Ferro que, em 1966, o Mandarim fez a sua estreia na série de animação Marvel Super Heroes. Marcou também presença em várias outras séries e filme de animação, bem como em videojogos do Vingador Dourado produzidos ao longo dos anos. Contudo, foi através do recente Homem de Ferro 3 que o vilão mais se notabilizou junto do grande público. Interpretada por Ben Kingsley, esta sua versão cinematográfica, por ser substancialmente diferente da original, gerou alguma controvérsia entre os fãs.
        Ocupando a 81ª posição no ranking do site IGN para os melhores vilões de sempre, já em 2008, aquando do lançamento da primeira longa-metragem do Vingador Dourado, o Mandarim fora cogitado para ser o antagonista principal, liderando o grupo terrorista Os Dez Anéis. Escolha que acabaria por não se concretizar.


Ben Kingsley dá vida a uma versão muito peculiar do Mandarim no terceiro filme do Homem de Ferro.