segunda-feira, 22 de julho de 2013

BD CINE APRESENTA: X-MEN ORIGENS: WOLVERINE





     Na semana em que chega aos cinemas portugueses o segundo filme do Wolverine, recordemos a primeira aventura a solo no grande ecrã do mutante mais carismático dos quadradinhos.
 
 
Título original: X-Men Origins: Wolverine
País: EUA
Ano: 2009
Duração: 107 minutos
Realização: Gavin Hood
Argumento: David Benioff e Skip Woods
Elenco: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Liev Schreiber (Victor Creed/Dentes-de-sabre), Danny Huston (Coronel William Stryker), Lynn Collins (Raposa Prateada), Ryan Reynolds (Wade Wilson/Deadpool) e Taylor Kitsch (Remy LeBeau/Gambit)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 373 milhões de dólares

A ferocidade de Wolverine faz dele um dos super-heróis mais populares.
 
Sinopse: Neste primeiro spin-off da trilogia cinematográfica dos X-Men, acompanhamos a história de Logan desde a sua infância no Canadá, quando faz uma surpreendente descoberta sobre a sua herança genética, ganhando um irmão no processo. Anos depois, vemos Logan e Victor Creed a combaterem lado a lado na Guerra da Secessão americana, em ambas as Guerras Mundiais e na Guerra do Vietname. Nesta última, são sentenciados à morte pelo assassínio de um oficial superior. Pena que é, todavia, anulada quando ambos aceitam integrar uma força-tarefa ultrassecreta ao serviço do governo canadiano.
     Quando os seus alvos passam a incluir civis inocentes, Logan deserta da equipa e refugia-se nas Montanhas Rochosas canadianas, passando a partilhar a sua vida com uma doce nativa chamada Raposa de Prata.
     Posto ao corrente pelo Coronel Stryker - seu ex-comandante -  de que alguém tem vindo a eliminar os antigos membros da força-tarefa, Logan descobre que o carrasco é o seu próprio irmão que, entretanto, assassina Raposa de Prata.

Wolverine versus Dentes-de-sabre: um duelo mortal entre irmãos.
 
    Jurando vingança, Logan aceita participar num perigoso experimento científico tutelado pelos militares, acabando por ter o seu esqueleto revestido por um metal virtualmente indestrutível denominado adamantium.
   Traído por Stryker, Logan - agora atuando sob o codinome Wolverine - parte no encalço do seu sanguinolento irmão, decidido a detê-lo de uma vez por todas. Para isso contará com a ajuda de outros mutantes com quem se cruza, entre os quais Gambit, um sedutor ladrão de origem francesa.
   Antes porém de confrontar Stryker e Dentes-de-sabre, Wolverine terá de se haver com Deadpool, um mutante dotado de formidáveis habilidades e mentalmente instável.

Antes de dar vida ao Lanterna Verde no cinema, Ryan Reynolds encarnou Deadpool.
 
Curiosidades:
* Os realizadores Zack Snyder (Watchmen, Homem de Aço) e Bryan Singer (X-Men 1 e 2, Super-Homem, o regresso) recusaram o convite para assumirem a direção do primeiro filme a solo de Wolverine;
* Gambit, um dos mais populares membros dos X-Men na BD, faz a sua primeira aparição no grande ecrã, depois de terem corrido rumores de que teria uma pequena participação em X-Men 2 (2003);
* Liev Schreiber tomou parte no projeto a convite de Hugh Jackman, seu amigo de longa data. Inicialmente cogitado para o papel de Coronel William Stryker, o ator mostrou-se mais interessado em dar vida ao implacável Dentes-de-sabre (se bem que, ao longo de todo o filme, ele nunca seja chamado dessa forma);
* Com "X-Men Origens: Wolverine", Hugh Jackman igualou o recorde de longevidade de um ator a interpretar um super-herói no cinema, até então detido por Christopher Reeve, que assumiu o manto do Super-Homem em quatro ocasiões;
* O blusão  castanho e laranja usado por Wolverine em várias sequências do filme é uma clara homenagem ao uniforme em tempos usado pelo herói nos quadradinhos;
* O casal idoso que ajuda Logan é composto por James e Heather Hudson, identidades civis, respetivamente, de Víndix e Guardiã, membros da Tropa Alfa, outro grupo de meta-humanos criado pelo governo canadiano;
* Entre os vários jovens mutantes libertados na reta final da película, alguns são facilmente identificáveis: o rapaz com a língua bífida é o Sapo, ao passo que o adolescente que pula no interior de uma das jaulas é Mercúrio, filho de Magneto e irmão da Feiticeira Escarlate.
 
Da esq. para a dir.: Deadpool, Gambit, Wolverine, Dentes-de-sabre e Raposa Prateada
 
Veredito: Não sendo uma absoluta deceção, esta primeira longa-metragem a solo de Wolverine também está longe de encher as medidas aos espectadores mais exigentes (aqueles que não se satisfazem com um cortejo de sequências de ação, pautadas por uma violência primeva e onde sujeitos  berram a plenos pulmões, por vezes sem motivo aparente).
     Estamos, com feito,  perante um filme facilmente"esquecível que, ainda assim, garante uma razoável dose de entretenimento. Do registo mais sério imprimido pelo realizador Bryan Singer nos dois primeiros filmes dos X-Men nem sinal, reduzindo X-Men Origens: Wolverine a uma banal película de ação, alimentada por elevados níveis de adrenalina e testosterona.
    De lamentar ainda a superficialidade da abordagem feita ao passado de uma das mais complexas personagens dos quadradinhos.
    Oxalá a sequela seja melhor (não que seja propriamente difícil...).

 


quinta-feira, 11 de julho de 2013

HEROÍNAS EM AÇÃO: BATWOMAN


 

    Na sua versão moderna - com muito pouco em comum com a original - a Batwoman é a primeira super-heroína assumidamente lésbica da história dos quadradinhos. Inspirada pela sua contraparte masculina, jurou combater o crime nas suas mais variadas formas nas obscuras ruas de Gotham City.
 
Nome original: Batwoman
Primeira aparição (Idade da Prata): Detective Comics nº233 (julho de 1956)
Primeira aparição (versão moderna): 52 nº7 (junho de 2006)
Criadores (Idade da Prata): Bob Kane (arte) e Edmond Hamilton (história)
Criadores (versão moderna): Grant Morrison, Geoff Johns, Mark Waid, Greg Rucka e Keith Giffen
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Katherine "Kate" Rebecca Kane
Local de nascimento: Gotham City
Parentes conhecidos: Coronel Jacob Kane (pai), Gabi Kane (mãe falecida), Elizabeth Kane (irmã gémea supostamente falecida), Bette Kane (prima) e Margie Swayer (noiva)
Filiação: Fúrias Femininas
Base de operações: Gotham City
Habilidades e armas: Única herdeira da colossal fortuna da sua família, Katherine Kane dispõe de vastos recursos que lhe permitem financiar as suas operações como vigilante mascarada, bem como a aquisição de uma sofisticada parafernália similar à do Cavaleiro das Trevas. Entre esta destacam-se o cinto de utilidades (onde transporta, entre outras coisas, cordas e cápsulas de gás) e os icónicos batarangues.
      Ginasta de elite, a Batwoman domina também várias artes marciais. É ainda uma exímia investigadora forense, uma mestra do disfarce e camuflagem, além de possuir elevados conhecimentos de informática.
Fraquezas: Tempos atrás, a Batwoman foi esfaqueada no coração por uma criminoso. Desde então, e apesar de ter recuperado do ferimento, a heroína padece de ligeiros problemas cardíacos.

File:Detective233.JPG
Detective Comics nº233 (1956) assinala o nascimento da primeira Batwoman.
 
História de publicação: A montante da criação da primeira Batwoman em plena Idade da Prata dos Quadradinhos, estão dois motivos: em primeiro lugar, o desejo da DC de, a exemplo do que fizera antes com o Super-Homem, providenciar uma "família" ao Batman, visto que a fórmula se tinha revelado muito lucrativa; em segundo lugar, a introdução dessa nova personagem feminina no universo do Homem-Morcego pretendia contrapor as acusações de homossexualidade dirigidas  anteriormente ao Duo Dinâmico pelo psiquiatra germânico Fredric Wertham no seu livro A Sedução dos Inocentes (1954).
         Nesse sentido, na sua estreia oficial nas páginas de Detective Comics nº233, a Batwoman é apresentada como uma nova combatente do crime, mas também como um interesse romântico de Batman. 
         A heroína, contudo, não correspondia exatamente à contraparte feminina do Cruzado de Capa. Na sua bolsa de utilidades, por exemplo, transportava armas disfarçadas de acessórios femininos, como batons, lacas, braceletes ou redes para o cabelo. Também as cores do seu uniforme - vermelho e amarelo - contrastavam com as tonalidades escuras do traje de Batman.

A primeira Batwoman em ação.
 
        Até aos primeiros anos da década de 1960, a Batwoman foi presença assídua em Batman e Detective Comics. A despeito da popularidade que granjeara junto dos leitores, o então editor-chefe da DC, Julius Schwartz, achou por bem remover a personagem das histórias do Batman por considerá-la inapropriada para a direção que pretendia incutir-lhes doravante. Assim, quando ocorreu o relançamento do título Detective Comics em 1964, a Batwoman foi substituída por uma nova heroína: Batgirl.  Esta, além de nova contraparte feminina do Homem-Morcego, superou em popularidade a sua antecessora, mercê do tom mais realístico das suas histórias, tão ao gosto da nova geração de leitores.
         Malgrado os pedidos de muitos fãs para que a Batwoman regressasse ao ativo, os responsáveis editoriais da DC não transigiram, argumentando, por um lado, que ela fora criada num contexto muito específico e, por outro, que a sua imagem de donzela em apuros destoava do novo arquétipo feminino, decorrente da emancipação das mulheres na sociedade.
        Após um longo hiato, em 2006 uma renovada versão da Batwoman fazia a sua primeira aparição na maxissérie retroativa 52. A pedido dos editores da DC, o conceituado ilustrador Alex Ross desenvolveu,a partir de uma versão modificada do traje da Batgirl por ele concebida anos antes,o novo visual da heroína.

2006 foi o ano em que a Batwoman regressou ao ativo.
   
 Todavia, ao contrário da sua antecessora da Idade da Prata, a nova Batwoman não tinha qualquer interesse afetivo no Cavaleiro das Trevas, visto ser lésbica. A sua orientação sexual, de resto, causou celeuma nos media estadounidenses e também na comunidade de fãs, com as opiniões a dividirem-se.
       Na génese desta opção da DC esteve a sua intenção de diversificar o universo da editora de modo a refletir as tendências das sociedades contemporâneas. De acordo com essa premissa de modernidade, Katherine Kane - a identidade civil da Batwoman - é descrita como sendo judia, ex-militar e adepta de tatuagens.
       Desde 2010 que a heroína passou a dispor de um título próprio nos EUA, distanciando-se progressivamente da "família" Batman.

File:Batwoman 01 2011.jpg
Arte promocional para Batwoman nº1 (2011)
     
Biografia: Na sua versão primitiva, Kathy Kane, uma herdeira rica e antiga acrobata circense de Gotham City, decide utilizar as suas habilidades e recursos para combater o crime usando um nome e um uniforme inspirados no Homem-Morcego.
         Já a atual Batwoman, embora mantendo a mesma identidade civil, é filha de dois oficiais do exército norte-americano (o coronel Jacob Kane e a capitã Gabi Kane) que,a par das suas carreiras militares, colaboraram intensivamente com os serviços secretos.
         Katherine cresceu com os pais e a sua irmã gémea, Elizabeth Kane. Devido à profissão dos seus progenitores, a família mudava constantemente de cidade.
         Assim, ao serviço da NATO, os pais de Katherine foram destacados para Bruxelas - capital belga - onde a família se radicou. Não tardou porém a que a tragédia se abatesse sobre eles. Gabi e
as suas filhas foram raptadas por um grupo terrorista. O resgate foi conduzido pelo próprio marido, mas era já tarde demais. Gabi e Elizabeth haviam sido executadas pelos seus captores. Kate sobreviveu tendo contudo ficado severamente traumatizada por ter testemunhado a morte da mãe e da irmã.
À parte o nome, pouco têm em comum as duas Batwomen.

         Para agradar ao pai, Kate ingressou na Academia Militar, onde se destaca pelas suas excelentes notas. Acusada de manter uma relação amorosa com outra cadete, a jovem é vítima de bullying por parte dos colegas e acaba expulsa da instituição.
        Kate muda-se então para Gotham City passando a frequentar a universidade e a levar uma vida social marcada pelos excessos. Nessa nova fase da sua vida envolve-se romanticamente com uma jovem agente policial de seu nome Renee Montoya. Relação que resiste somente alguns meses e que termina em rutura depois de Kate confrontar a sua companheira com o facto de esta ocultar a sua homossexualidade a familiares e colegas.
        Sem norte, Kate desiste dos estudos e procura em vão reatar a relação com a ex-amante. Durante um assalto aplica o seu treino militar para neutralizar o ladrão, instantes antes de Batman vir em seu socorro.
        Inspirada por este breve encontro com o Cavaleiro das Trevas, Kate resolve começar a combater o crime usando armamento e o protótipo de uma armadura militar roubados. Quando a sua atividade de vigilante é descoberta pelo pai, a jovem aceita levar a cabo um treino de dois anos ao redor do globo. Regressada a Gotham, esperava-a um traje especial concebido pelo pai, assim como um arsenal ultramoderno e um bunker escondido na mansão da família Kane. Assim (re)nascia a lenda da Batwoman.


Noutros media: Escasseiam as incursões da Batwoman noutros formatos que não os quadradinhos. Na série de animação The Batman (2004-2008), no episódio em duas partes Batgirl Begins, o seu nome é indiretamente citado pela heroína juvenil,que exige ser chamada de Batwoman.
        Num episódio de outra série animada estrelada pelo Homem-Morcego, Batman: The Brave and the Bold, surge uma personagem com um visual semelhante ao da primeira Batwoman sem contudo ser assim denominada. Trata-se afinal de Katrina Moldoff, herdeira milionária do Circo Moldoff.
        Já no filme de animação Batman: The Mistery of the Batwoman (com lançamento direto em vídeo em 2003), é apresentada uma versão alternativa da personagem consentânea com universo animado da DC. Pelos seus métodos violentos, esta Batwoman é encarada com desconfiança pelo Homem-Morcego e a sua verdadeira identidade permanece um mistério.

 
Versão alternativa da Batwoman apresentada no filme Batman: The Mistery of the Batwoman.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

ETERNOS: CARMINE INFANTINO (1925-2013)




 
        Pela sua visão e talento, Carmine Infantino foi um dos artífices da Idade da Prata dos Quadradinhos. Ao homem, finado em abril último, sobreviverá o seu extraordinário legado.
 
Biografia: Nascido no apartamento da sua família em Brooklyn (Nova Iorque) a 24 de maio de 1925, Carmine Infantino teve como pais um ex-músico obrigado pela Grande Depressão a reciclar-se como canalizador, e uma doméstica de origem italiana.
        Antes de ingressar na prestigiada Escola Superior de Arte e Design de Manhattan, o jovem Carmine frequentou dois liceus públicos, o 75 e o 85, no seu bairro natal. No seu ano de caloiro travou conhecimento com Harry Chesler, proprietário de um dos vários estúdios que despontavam à época e que forneciam material às editoras no florescente mercado dos comics nos anos 1930 e 1940, em plena Idade do Ouro dos Quadradinhos.
        Foi justamente em meados da década de 1940 que Carmine encetou a sua carreira na 9º arte. Um dos seus primeiros trabalhos consistiu em colorir uma história intitulada Jack Frost e ilustrada pelo seu amigo Frank Giancoia. Nos anos seguintes  trabalhou em várias editoras, como a Hillman e a Holyoke, até ser contratado pela DC onde assumiu a arte de algumas das suas personagens emblemáticas.
       No princípio dos anos 50, colaborou como freelancer na Prize Comics, propriedade de Jack Kirby e Joe Simon (criadores do Capitão América). Em concomitância, além dos super-heróis, abraçou vários géneros na DC: western, suspense e ficção científica.
 
Carmine Infantino (data desconhecida).
      Se nos primórdios da sua carreira como desenhador eram notórias as influências de Jack Kirby e de Milton Caniff no seu traço, com o tempo este foi evoluindo e ganhando uma personalidade própria, caracterizada por um estilo límpido e linear que serviria de escola a futuros profissionais do ramo.
      Em 1956, o então editor-chefe da DC, Julius Schwartz, incumbiu Carmine Infantino de desenhar as novas histórias do Flash, a serem publicadas no título Showcase. Com o argumento a cargo de Robert Kanigher, caberia a Infantino reformular o visual do herói velocista.
      O resultado foi de tal forma satisfatório que logo Infantino foi designado por Schwartz para assumir a arte de outros títulos da editora como Adam Strange. Estava dado o tiro de partida para a Idade da Prata dos Quadradinhos.
 
A estreia do Flash da Idade da Prata  pelo traço de Carmine Infantino.
 
      O grande desafio surgiria, porém, oito anos volvidos quando, em parceria com o argumentista John Broome, foi encarregue de revitalizar as bafientas histórias de Batman. Depois de se desembaraçar de alguns dos elementos que tornavam as aventuras do Homem-Morcego ridículas, a nova dupla criativa imprimiu um tom mais realístico às mesmas, o qual esteve longe ser consensual entre os fãs do herói. No entanto, as vendas dos títulos do Batman subiram em flecha e, uma vez mais, Carmine Infantino provou a sua visão e talento.
     Entre as inúmeras solicitações que recebia neste período, contavam-se igualmente as ilustrações das histórias do Homem-Elástico, do Flash e de Adam Strange (bem como a arte das respetivas capas), às quais se somavam ainda um punhado de histórias de ficção científica. A sua ética profissional obrigava-o assim a desenhar duas páginas por dia. Proeza, de resto,  ainda hoje difícil de reproduzir, a despeito da utilização das novas tecnologias no trabalho dos artistas contemporâneos.
     Quando, em 1967, se tornou óbvio que as edições cujas capas eram desenhadas por Infantino se vendiam melhor, ele ficou responsável pela arte de capa das demais publicações da DC.
     Após a DC ter sido adquirida pela National, Infantino foi promovido a Diretor Editorial. Nessa qualidade, apostou em novos talentos e colocou artistas veteranos em cargos editoriais. Foi assim que nomes como Dick Giordano (recentemente contratado à Charlton Comics), Joe Orlando ou Joe Kubert se tornaram editores. Simultaneamente, novos títulos foram lançados, neles pontificando os trabalhos dos então novatos Neal Adams e Denny O'Neil.
     A partir de 1971, Carmine Infantino foi desafiado a inverter a progressiva queda na circulação dos títulos DC. Um desafio que se revelou ainda mais complicado, dada a pouca fé depositada na companhia, quer pelos seus novos proprietários - a Warner Communications - quer pela distribuidora IDN (os revendedores estavam pouco interessados em comercializar um produto com tão reduzida margem de lucro).
     Em resposta a estas reservas, Infantino levou a cabo profundas mudanças, incluindo o lançamento de novas séries (Bat Lash, The Secret Six) e de novas personagens (Deadman, The Creeper), em paralelo com a reciclagem de outras (Lanterna Verde, Arqueiro Verde, etc.). As vendas, porém, ficaram aquém das expectativas e Infantino optou - na opinião de alguns, cedo demais - por cancelar os novos títulos.
 
No vasto portefólio artístico de Carmine Infantino, a Liga da Justiça merece especial destaque.
 
     Ainda em 1971, Carmine Infantino tirou um ás da manga ao desviar o mestre Jack Kirby da arquirrival Marvel, aproveitando as disputas criativas que opunham este a Stan Lee no seio da Casa das Ideias.
    Kirby desenvolvera nos últimos anos uma panóplia de novas personagens que estava relutante em ceder à Marvel. Na DC, em conjunto com Infantino, ele deu a conhecer o Quarto Mundo, Os Novos Deuses e o Senhor Milagre.
    No início dos anos 1980, foi a vez de, temporariamente, Infantino trocar a DC pela Marvel. Período durante o qual  desenhou algumas histórias da Mulher-Aranha, assim como de outras personagens da Casa das Ideias. Retornaria, porém, antes do final da década à DC para reassumir a arte das histórias do Flash. Lá permaneceria até se retirar da vida ativa.
 
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Capa de Spider-Woman nº8 (1978) com arte de Carmine Infantino.
   
    Depois de reformado, Carmine Infantino concedeu entrevistas esporádicas e brindou os fãs com a sua presença em convenções da especialidade. Pelo meio, em 2004, publicou uma autobiografia, The Amazing World of Carmine Infantino, no mesmo ano em que processou a DC pela violação dos direitos autorais sobre personagens que, alegadamente, criara durante o período em que lá trabalhara como freelancer.
    Faleceu em 4 de abril último, de causas naturais, na sua casa em Manhattan, não deixando herdeiros. Tinha 87 anos.
    Num comunicado emitido pela DC, o atual editor-chefe Dan DiDio escreveu: " Haverá poucas pessoas neste mundo que tenham causado tanto impacto na indústria dos comics como Carmine Infantino. Ele estabeleceu pontes entre a Idade do Ouro e a Idade da Prata dos Quadradinhos, daí resultando um dos períodos mais bem-sucedidos da nossa história. Definiu um rumo para várias personagens, que ainda hoje é notório. Sentiremos a sua falta mas o seu legado perdurará para sempre".
 
 
Publicada com a chancela da Vanguard Press, a autobiografia de Carmine Infantino exibia na capa uma coletânea de capas da sua autoria.


sábado, 15 de junho de 2013

GALERIA DE VILÕES: LOKI




    
     Saído diretamente da mitologia nórdica, Loki, deus da trapaça e irmão adotivo de Thor, é um dos mais poderosos e maquiavélicos vilões dos quadradinhos. Foi também o responsável pela formação dos Vingadores.
 
Nome original: Loki
Primeira aparição (Timely Comics): Venus nº6 (agosto de 1949)
Primeira aparição (Marvel Comics): Journey Into Mystery nº85 (outubro de 1962)
Criadores: Stan Lee (argumentista), Larry Lieber (coargumentista) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Loki Laufeyson
Local de nascimento: Jotunheim, Asgard
Parentes conhecidos: Laufey e Farbauti (pais biológicos falecidos), Odin e Frigga (pais adotivos) e Thor (irmão adotivo)
Base de operações: Asgard e Terra
Poderes e habilidades: Apesar de pertencer à raça dos Gigantes do Gelo, Loki possui poderes similares aos dos demais asgardianos, sendo portanto dotado de força, resistência e longevidade sobre-humanas. Aos quais se soma uma panóplia de habilidades de natureza mística:
* Telepatia;
* Poder de voo;
* Transmorfismo;
* Teletransporte interdimensional;
* Projeção astral;
* Hipnose;
* Transmutação da matéria;
*Rajadas de energia


Na mitologia nórdica, Loki é o deus da trapaça, da insídia e da malícia.
 
História de publicação:  Eleito o oitavo melhor vilão de todos os tempos pelo site IGN em 2009, Loki debutou 60 anos antes nas páginas de Venus nº6, título publicado pela Timely Comics (predecessora da Marvel). Nessa versão primitiva da personagem, o vilão era apresentado como sendo um dos deuses olimpianos que, mercê das suas constantes ignomínias, fora exilado para o Submundo, reino sombrio povoado por demónios do qual se tornaria senhor absoluto. Verificava-se portanto uma curiosa mescla entre a mitologia nórdica e a greco-romana.
      Insidioso, Loki convenceu Júpiter a autorizar - tal como fizera a Vénus -  a sua ida à Terra onde tencionava disseminar o ódio e a discórdia. Os seus planos seriam, contudo, frustrados pela ação da deusa e Loki foi novamente banido para o Submundo.
 

File:Loki in venus.jpg
Loki na sua primeira aparição em Venus nº6 (1949), título da Timely Comics.


      Em outubro de 1962, Loki fez a sua estreia oficial no Universo Marvel numa aventura de Thor publicada no número 85 de Journey into Mystery. Idealizada pelos irmãos Stan Lee e Larry Lieber e com o traço do mestre Jack Kirby, a versão moderna do vilão introduzia-o como meio-irmão do Deus do Trovão e seu principal arqui-inimigo. Nessa qualidade, Loki tornou-se presença assídua em vários títulos da editora desde então.
 
Journey into Mystery nº85 (1962) assinala a estreia da versão moderna de Loki.
 
Biografia: Muitos anos atrás, quando Bor, rei de Asgard e pai de Odin, combatia os Gigantes do Gelo, seguiu uma das criaturas feridas até a uma caverna onde um poderoso feiticeiro o esperava. Apanhado desprevenido, Bor foi transformado em neve pelo mago.
      Moribundo, o monarca de Asgard foi encontrado pelo seu filho Odin que, não obstante as súplicas desesperadas do pai, não fez qualquer esforço para salvá-lo. Testemunhando a cena, o feiticeiro amaldiçoou Odin, profetizando que ele adotaria o filho de um rei caído e que o criaria como se fosse sangue do seu sangue. Menos de uma semana depois, Odin, entretanto entronizado como soberano de Asgard, liderou nova batalha contra os Gigantes de Gelo, acabando por matar o seu rei, Laufey. Encontrou então uma criança que na verdade se tratava do filho do agora finado Laufey, escondido do mundo pelo pai, envergonhado da sua pequena estatura. Movido por um misto de compaixão e de mesquinhez (tratava-se, afinal, de um valioso troféu de batalha), Odin levou consigo o menino para Asgard, criando-o em pé de igualdade com o seu filho biológico, Thor.
      Ao longo da sua infância e adolescência, Loki foi acumulando um crescente ressentimento em relação ao seu meio-irmão, mercê do tratamento desigual que recebia por parte dos restantes asgardianos. Sendo um povo guerreiro, estes valorizavam sobremaneira a força, coragem e tenacidade demonstradas no campo de batalha, características que Loki não possuía, sentindo-se portanto inferiorizado relativamente ao Deus do Trovão.
      No entanto, o que lhe faltava em força e valentia, sobejava-lhe em argúcia e determinação. Enquanto o meio-irmão reforçava a sua reputação de guerreiro timorato, Loki sublimava os seus conhecimentos de feitiçaria e refinava a sua perversidade. Assim, ao atingir a idade adulta e em virtude do seu talento natural para a insídia, Loki foi agraciado com o pouco honroso título de deus da trapaça. Entretanto, a sua sede de poder e de vingança - já de si enormes - não cessavam de aumentar.
      Em diveras ocasiões, Loki empregou toda a sorte de elaborados estratagemas para se livrar de Thor, os quais, invariavelmente, acabaram gorados. Com o propósito de derrubar Odin e  assim assumir o trono do Reino Dourado, o deus da trapaça chegou a mancomunar-se com alguns dos inimigos jurados do seu povo.
     Cansado das intermináveis maldades do seu filho adotivo, Odin, através de um encanto mágico, aprisionou-o dentro de uma árvore, de onde seria libertado apenas se alguém vertesse uma lágrima por ele. O que acabou por acontecer quando Loki conseguiu fazer com que uma folha da dita árvore ferisse o olho do seu guardião, Heimdall, fazendo-o assim verter uma lágrima.
     Repetidas vezes expulso de Asgard, o deus da trapaça acabaria por voltar a sua atenção para Midgard (o nome pelo qual é conhecida a Terra entre os asgardianos). Numa dessas suas primeiras incursões ao nosso planeta, Loki manipulou o Hulk para que o Golias Esmeralda semeasse o caos e a destruição. Isto ao mesmo tempo que, assumindo a sua forma astral, o vilão atraía Thor para a Terra. Inadvertidamente, estes eventos conduziriam à formação dos Vingadores, pois também o Homem de Ferro, o Homem-Formiga e a Vespa haviam entrado em ação numa tentativa de travar o Hulk. Quando isso aconteceu, Thor e os restantes Vingadores derrotaram Loki. Nada que o impedisse, porém, de regressar vezes sem conta -e sob múltiplas formas -  ao nosso mundo para pôr em prática os seus infindáveis planos de conquista.
      
 
Thor versus Loki: confronto de irmãos.


Noutros media: A primeira aparição de Loki fora da banda desenhada ocorreu em 1966, no segmento reservado a Thor na série de animação The Marvel Super Heroes. Mais recentemente marcou presença em The Avengers: Earth's Mightiest Heroes, série de animação coproduzida pela Marvel Animation e pela Film Roman, exibida online e no canal televisivo Disney XD desde o outono de 2010.
        Antes da sua chegada ao grande ecrã em 2011 como antagonista principal de Thor no filme homónimo em que foi interpretado por Tom Hiddleston, Loki participara já em duas películas de animação - Hulk Vs Thor (2009) e Thor: Tales of Asgard (2011) -, ambas lançadas diretamente no circuito de vídeo.
        Em 2012 foi o peão de Thanos em Os Vingadores, com Tom Hiddleston a reassumir o papel do deus da trapaça, o que voltará a acontecer na sequela do filme do Deus do Trovão com estreia nacional prevista para dezembro e  intitulada Thor: The Dark World.

Tom Hiddleston deu vida a Loki no cinema.