quarta-feira, 24 de julho de 2013

GALERIA DE VILÕES: ELECTRO





    Vilão clássico das histórias do Homem-Aranha, Electro será o principal antagonista do herói aracnídeo no seu próximo filme, The Amazing Spider-Man 2. Conheçam a sua eletrizante origem.
 
Nome original: Electro
Primeira aparição: The Amazing Spider-Man nº9 (fevereiro de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Steve Ditko (arte)
Licenciadora:  Marvel Comics
Identidade civil: Maxwell "Max" Dillon
Local de nascimento: Endicott, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Jonathan e Anita Dillon (pais falecidos), Norma Lynn Dillon (ex-esposa)
Filiação: Exterminadores, Sexteto Sinistro, os Sete Sinistros, Os Doze Sinistros, Emissários do Mal
Base de operações: Nova Iorque
Poderes e habilidades: Max Dillon é um gerador elétrico humano, constantemente energizado pela contração dos músculos ultrafinos que habitualmente servem para regular a temperatura corporal. Em resultado disso consegue gerar energia eletroestática a cerca de mil volts por minuto, bem como acumular até um milhão de volts no seu organismo. Quando isto sucede, ele adquire força e velocidade sobre-humanas. Também pode emitir rajadas elétricas pelas mãos, de potência variável.
      Acresce ainda a habilidade de sobrecarregar dispositivos eletrónicos, os quais também consegue por vezes controlar mentalmente. Para infortúnio de um certo Escalador de Paredes, a energia eletroestática de Electro consegue anular a sua capacidade de aderir a qualquer tipo de superfície.
      Electro já manifestou pontualmente poderes de magnetismo, pese embora limitados. Mas que, ainda assim, lhe permitem manipular campos magnéticos e mover objetos metálicos, ao estilo do mutante Magneto.
Fraqueza: Quando sobrecarregado de energia, Electro torna-se extremamente sensível a tudo o que possa causar-lhe um curto-circuito, principalmente água.
 
A eletrizante estreia de Electro ocorreu em The Amazing Spider-Man nº9 (1964).
 
Biografia: Pertence à mesma dupla que criou o Homem-Aranha em 1962 - Stan Lee e Steve Ditko - a "paternidade" de Electro, que em 2009 foi considerado o 87º Melhor Vilão De Todos Os Tempos no ranking do site IGN. Sendo um dos arqui-inimigos mais antigos do Escalador de Paredes, Electro já marcou presença em incontáveis histórias do herói, não só nos quadradinhos mas também fora deles, nomeadamente em séries animadas e jogos de vídeo. No próximo ano ganhará vida pela primeira vez no grande ecrã em O Fantástico Homem-Aranha 2 (The Amazing Spider-Man 2), interpretado pelo ator Jamie Foxx ((Django Libertado).
     Criado pela sua superprotetora mãe depois de o pai os ter abandonado a ambos, na sua juventude Max Dillon ambicionava tornar-se um engenheiro eletrotécnico. Persuadido pela progenitora de que não era suficientemente inteligente para abraçar uma carreira desse tipo, Max resignou-se a trabalhar como técnico de alta tensão numa empresa do ramo.
     Certo dia, enquanto reparava uma cabo elétrico ainda ligado à respetiva bobine, Max foi atingido por um relâmpago. Em vez de matá-lo, o insólito acidente provocou uma transformação mutagénica no seu sistema nervoso, permitindo-lhe doravante gerar e controlar elevadas quantidades de energia eletroestática.
     Passando então  a usar um uniforme de cores berrantes, Max adotou o codinome Electro e dedicou-se a cometer pequenos delitos, particularmente assaltos a bancos. Visto que, inicialmente, os seus poderes eram mais limitados do que no presente, tinha por vezes de roubar equipamento elétrico para se recarregar.
 
Apesar das suas fantásticas habilidades, Electro parece condenado ao estatuto de vilão de 2ª categoria.
 
     Não obstante, as habilidades de Electro atraíram a atenção de Magneto que tentou em vão recrutá-lo para as fileiras da Irmandade dos Mutantes. Prosseguindo com a sua incipiente carreira criminosa a solo, o vilão, após assaltar J.J. Jamenson - o irascível diretor do Clarim Diário -, enfrentou pela primeira vez o Homem-Aranha, tendo derrotado o herói graças à corrente elétrica gerada pelo seu corpo e que apanhou o Escalador de Paredes desprevenido. No segundo round desse combate, o Homem-Aranha muniu-se de luvas de borracha e de uma boca de incêndio para levar de vencida o vilão.
      Pouco tempo depois, Electro veria outro justiceiro uniformizado a cruzar-lhe o caminho, desta feita o Demolidor. Novamente derrotado e enviado para a cadeia, Electro resolveu juntar-se à formação de malfeitores conhecida como Sexteto Sinistro, composta por outros inimigos jurados do Homem-Aranha: Kraven, o Caçador, Doutor Octopus, Abutre, Mysterio e Homem-Areia. No entanto, ao invés de unirem forças contra o adversário comum, os seis vilões optaram por uma espécie de competição entre si para ver qual deles era bem-sucedido em derrotar o Escalador de Paredes. Resultado: acabaram derrotados um a um pelo herói.
 
Electro foi incontáveis vezes derrotado pelo Homem-Aranha, mas também por outros super-heróis.
     Numa tentativa de conquistar o respeito e a glória que lhe julgava merecidos, Electro retomou a sua carreira a solo, tendo arquitetado um audacioso plano para controlar a rede elétrica de Nova Iorque. Uma vez mais acabaria, porém, por ser detido pelo Homem-Aranha, que logrou convencê-lo a abandonar o crime. Decisão contudo apenas temporária...
     Quando, algum tempo volvido, Kaine  - o clone insano do Homem-Aranha - começou a exterminar os inimigos do Escalador de Paredes um por um, Electro temeu pela vida e juntou-se durante um breve período aos Sete Sinistros, grupo de malfeitores reunido e liderado por Mysterio. Com o desaparecimento de Kaine, a pandilha desfez-se e Electro retomou a sua reforma.  A qual seria novamente interrompida pelo Rosa, sucessor do Rei do Crime na chefia do submundo nova-iorquino. Aliciado com a possibilidade de ter os seus poderes ampliados através de uma experiência científica, Electro concordou em prestar os seus serviços ao Rosa. Secretamente, porém, planeava usar as recém-adquiridas habilidades para retomar o seu plano de controlar a rede elétrica da Grande Maçã.
    Quando pôs em prática esse seu plano, o vilão foi novamente derrotado pelo Homem-Aranha. Frustrado, Electro atirou-se às águas do rio Hudson, num aparente suicídio.
     Todavia, o vilão voltaria a dar um ar da sua graça como membro das sucessivas encarnações do Sexteto Sinistro que, invariavelmente, acabavam derrotadas devido às recorrentes traições dos seus integrantes.
     Apenas por uma vez Electro e os seus comparsas estiveram perto de alcançar o seu objetivo de eliminar o Homem-Aranha: foi quando o Duende Verde reuniu os Doze Sinistros. Para derrotá-los foi necessária a força combinada do Capitão América, Quarteto Fantástico, Demolidor, Jaqueta Amarela e Homem de Ferro.
    Mais recentemente, Electro foi inadvertidamente responsável pela formação dos Novos Vingadores. Contratado para libertar Karl Lykos da Balsa - prisão de máxima segurança para meta-humanos - ele provocou uma fuga em massa no presídio, tendo as suas ações levado à intervenção de diversos super-heróis, incluindo o Capitão América, Homem de Ferro, Luke Cage, Mulher-Aranha, Demolidor, Sentinela e o inevitável Homem-Aranha. Controlada a situação, todos eles - exceto o Demolidor - se reuniram nos Novos Vingadores.
    Electro ainda tentou escapar na companhia da sua namorada, mas acabaria capturado pela nova superequipa que ele próprio ajudara a fundar.
 
 
 
Noutros media: A primeira aparição televisiva de Electro foi um cameo num episódio da série animada The Marvel Super Heroes (1966), curiosamente no segmento do Príncipe Submarino. Ainda na década de 1960 participou em três ocasiões na série de animação Spider-Man (1967-1970). Após o que marcou presença - com maior ou menor preponderância - em todas as séries animadas estreladas pelo herói aracnídeo. Na mais recente, Ultimate Spider-Man (2012), teve direito pela primeira vez a um episódio titulado com o seu nome.
 
O visual de Electro em Ultimate Spider-Man.
     
    No cinema aguarda-se com grande expectativa a performance de Jamie Foxx como Electro no segundo capítulo da nova vida do Escalador de Paredes no grande ecrã: The Amazing Spider-Man 2 (com estreia prevista para meados do próximo ano e onde o vilão surgirá com um visual renovado, muito diferente do da banda desenhada).
 
Em O Fantástico Homem-Aranha 2, Jamie Foxx encarnará um Electro muito diferente do da BD, porém com muitas semelhanças com a versão do vilão na série animada Ultimate Spider-Man.
 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

BD CINE APRESENTA: X-MEN ORIGENS: WOLVERINE





     Na semana em que chega aos cinemas portugueses o segundo filme do Wolverine, recordemos a primeira aventura a solo no grande ecrã do mutante mais carismático dos quadradinhos.
 
 
Título original: X-Men Origins: Wolverine
País: EUA
Ano: 2009
Duração: 107 minutos
Realização: Gavin Hood
Argumento: David Benioff e Skip Woods
Elenco: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Liev Schreiber (Victor Creed/Dentes-de-sabre), Danny Huston (Coronel William Stryker), Lynn Collins (Raposa Prateada), Ryan Reynolds (Wade Wilson/Deadpool) e Taylor Kitsch (Remy LeBeau/Gambit)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 373 milhões de dólares

A ferocidade de Wolverine faz dele um dos super-heróis mais populares.
 
Sinopse: Neste primeiro spin-off da trilogia cinematográfica dos X-Men, acompanhamos a história de Logan desde a sua infância no Canadá, quando faz uma surpreendente descoberta sobre a sua herança genética, ganhando um irmão no processo. Anos depois, vemos Logan e Victor Creed a combaterem lado a lado na Guerra da Secessão americana, em ambas as Guerras Mundiais e na Guerra do Vietname. Nesta última, são sentenciados à morte pelo assassínio de um oficial superior. Pena que é, todavia, anulada quando ambos aceitam integrar uma força-tarefa ultrassecreta ao serviço do governo canadiano.
     Quando os seus alvos passam a incluir civis inocentes, Logan deserta da equipa e refugia-se nas Montanhas Rochosas canadianas, passando a partilhar a sua vida com uma doce nativa chamada Raposa de Prata.
     Posto ao corrente pelo Coronel Stryker - seu ex-comandante -  de que alguém tem vindo a eliminar os antigos membros da força-tarefa, Logan descobre que o carrasco é o seu próprio irmão que, entretanto, assassina Raposa de Prata.

Wolverine versus Dentes-de-sabre: um duelo mortal entre irmãos.
 
    Jurando vingança, Logan aceita participar num perigoso experimento científico tutelado pelos militares, acabando por ter o seu esqueleto revestido por um metal virtualmente indestrutível denominado adamantium.
   Traído por Stryker, Logan - agora atuando sob o codinome Wolverine - parte no encalço do seu sanguinolento irmão, decidido a detê-lo de uma vez por todas. Para isso contará com a ajuda de outros mutantes com quem se cruza, entre os quais Gambit, um sedutor ladrão de origem francesa.
   Antes porém de confrontar Stryker e Dentes-de-sabre, Wolverine terá de se haver com Deadpool, um mutante dotado de formidáveis habilidades e mentalmente instável.

Antes de dar vida ao Lanterna Verde no cinema, Ryan Reynolds encarnou Deadpool.
 
Curiosidades:
* Os realizadores Zack Snyder (Watchmen, Homem de Aço) e Bryan Singer (X-Men 1 e 2, Super-Homem, o regresso) recusaram o convite para assumirem a direção do primeiro filme a solo de Wolverine;
* Gambit, um dos mais populares membros dos X-Men na BD, faz a sua primeira aparição no grande ecrã, depois de terem corrido rumores de que teria uma pequena participação em X-Men 2 (2003);
* Liev Schreiber tomou parte no projeto a convite de Hugh Jackman, seu amigo de longa data. Inicialmente cogitado para o papel de Coronel William Stryker, o ator mostrou-se mais interessado em dar vida ao implacável Dentes-de-sabre (se bem que, ao longo de todo o filme, ele nunca seja chamado dessa forma);
* Com "X-Men Origens: Wolverine", Hugh Jackman igualou o recorde de longevidade de um ator a interpretar um super-herói no cinema, até então detido por Christopher Reeve, que assumiu o manto do Super-Homem em quatro ocasiões;
* O blusão  castanho e laranja usado por Wolverine em várias sequências do filme é uma clara homenagem ao uniforme em tempos usado pelo herói nos quadradinhos;
* O casal idoso que ajuda Logan é composto por James e Heather Hudson, identidades civis, respetivamente, de Víndix e Guardiã, membros da Tropa Alfa, outro grupo de meta-humanos criado pelo governo canadiano;
* Entre os vários jovens mutantes libertados na reta final da película, alguns são facilmente identificáveis: o rapaz com a língua bífida é o Sapo, ao passo que o adolescente que pula no interior de uma das jaulas é Mercúrio, filho de Magneto e irmão da Feiticeira Escarlate.
 
Da esq. para a dir.: Deadpool, Gambit, Wolverine, Dentes-de-sabre e Raposa Prateada
 
Veredito: Não sendo uma absoluta deceção, esta primeira longa-metragem a solo de Wolverine também está longe de encher as medidas aos espectadores mais exigentes (aqueles que não se satisfazem com um cortejo de sequências de ação, pautadas por uma violência primeva e onde sujeitos  berram a plenos pulmões, por vezes sem motivo aparente).
     Estamos, com feito,  perante um filme facilmente"esquecível que, ainda assim, garante uma razoável dose de entretenimento. Do registo mais sério imprimido pelo realizador Bryan Singer nos dois primeiros filmes dos X-Men nem sinal, reduzindo X-Men Origens: Wolverine a uma banal película de ação, alimentada por elevados níveis de adrenalina e testosterona.
    De lamentar ainda a superficialidade da abordagem feita ao passado de uma das mais complexas personagens dos quadradinhos.
    Oxalá a sequela seja melhor (não que seja propriamente difícil...).

 


quinta-feira, 11 de julho de 2013

HEROÍNAS EM AÇÃO: BATWOMAN


 

    Na sua versão moderna - com muito pouco em comum com a original - a Batwoman é a primeira super-heroína assumidamente lésbica da história dos quadradinhos. Inspirada pela sua contraparte masculina, jurou combater o crime nas suas mais variadas formas nas obscuras ruas de Gotham City.
 
Nome original: Batwoman
Primeira aparição (Idade da Prata): Detective Comics nº233 (julho de 1956)
Primeira aparição (versão moderna): 52 nº7 (junho de 2006)
Criadores (Idade da Prata): Bob Kane (arte) e Edmond Hamilton (história)
Criadores (versão moderna): Grant Morrison, Geoff Johns, Mark Waid, Greg Rucka e Keith Giffen
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Katherine "Kate" Rebecca Kane
Local de nascimento: Gotham City
Parentes conhecidos: Coronel Jacob Kane (pai), Gabi Kane (mãe falecida), Elizabeth Kane (irmã gémea supostamente falecida), Bette Kane (prima) e Margie Swayer (noiva)
Filiação: Fúrias Femininas
Base de operações: Gotham City
Habilidades e armas: Única herdeira da colossal fortuna da sua família, Katherine Kane dispõe de vastos recursos que lhe permitem financiar as suas operações como vigilante mascarada, bem como a aquisição de uma sofisticada parafernália similar à do Cavaleiro das Trevas. Entre esta destacam-se o cinto de utilidades (onde transporta, entre outras coisas, cordas e cápsulas de gás) e os icónicos batarangues.
      Ginasta de elite, a Batwoman domina também várias artes marciais. É ainda uma exímia investigadora forense, uma mestra do disfarce e camuflagem, além de possuir elevados conhecimentos de informática.
Fraquezas: Tempos atrás, a Batwoman foi esfaqueada no coração por uma criminoso. Desde então, e apesar de ter recuperado do ferimento, a heroína padece de ligeiros problemas cardíacos.

File:Detective233.JPG
Detective Comics nº233 (1956) assinala o nascimento da primeira Batwoman.
 
História de publicação: A montante da criação da primeira Batwoman em plena Idade da Prata dos Quadradinhos, estão dois motivos: em primeiro lugar, o desejo da DC de, a exemplo do que fizera antes com o Super-Homem, providenciar uma "família" ao Batman, visto que a fórmula se tinha revelado muito lucrativa; em segundo lugar, a introdução dessa nova personagem feminina no universo do Homem-Morcego pretendia contrapor as acusações de homossexualidade dirigidas  anteriormente ao Duo Dinâmico pelo psiquiatra germânico Fredric Wertham no seu livro A Sedução dos Inocentes (1954).
         Nesse sentido, na sua estreia oficial nas páginas de Detective Comics nº233, a Batwoman é apresentada como uma nova combatente do crime, mas também como um interesse romântico de Batman. 
         A heroína, contudo, não correspondia exatamente à contraparte feminina do Cruzado de Capa. Na sua bolsa de utilidades, por exemplo, transportava armas disfarçadas de acessórios femininos, como batons, lacas, braceletes ou redes para o cabelo. Também as cores do seu uniforme - vermelho e amarelo - contrastavam com as tonalidades escuras do traje de Batman.

A primeira Batwoman em ação.
 
        Até aos primeiros anos da década de 1960, a Batwoman foi presença assídua em Batman e Detective Comics. A despeito da popularidade que granjeara junto dos leitores, o então editor-chefe da DC, Julius Schwartz, achou por bem remover a personagem das histórias do Batman por considerá-la inapropriada para a direção que pretendia incutir-lhes doravante. Assim, quando ocorreu o relançamento do título Detective Comics em 1964, a Batwoman foi substituída por uma nova heroína: Batgirl.  Esta, além de nova contraparte feminina do Homem-Morcego, superou em popularidade a sua antecessora, mercê do tom mais realístico das suas histórias, tão ao gosto da nova geração de leitores.
         Malgrado os pedidos de muitos fãs para que a Batwoman regressasse ao ativo, os responsáveis editoriais da DC não transigiram, argumentando, por um lado, que ela fora criada num contexto muito específico e, por outro, que a sua imagem de donzela em apuros destoava do novo arquétipo feminino, decorrente da emancipação das mulheres na sociedade.
        Após um longo hiato, em 2006 uma renovada versão da Batwoman fazia a sua primeira aparição na maxissérie retroativa 52. A pedido dos editores da DC, o conceituado ilustrador Alex Ross desenvolveu,a partir de uma versão modificada do traje da Batgirl por ele concebida anos antes,o novo visual da heroína.

2006 foi o ano em que a Batwoman regressou ao ativo.
   
 Todavia, ao contrário da sua antecessora da Idade da Prata, a nova Batwoman não tinha qualquer interesse afetivo no Cavaleiro das Trevas, visto ser lésbica. A sua orientação sexual, de resto, causou celeuma nos media estadounidenses e também na comunidade de fãs, com as opiniões a dividirem-se.
       Na génese desta opção da DC esteve a sua intenção de diversificar o universo da editora de modo a refletir as tendências das sociedades contemporâneas. De acordo com essa premissa de modernidade, Katherine Kane - a identidade civil da Batwoman - é descrita como sendo judia, ex-militar e adepta de tatuagens.
       Desde 2010 que a heroína passou a dispor de um título próprio nos EUA, distanciando-se progressivamente da "família" Batman.

File:Batwoman 01 2011.jpg
Arte promocional para Batwoman nº1 (2011)
     
Biografia: Na sua versão primitiva, Kathy Kane, uma herdeira rica e antiga acrobata circense de Gotham City, decide utilizar as suas habilidades e recursos para combater o crime usando um nome e um uniforme inspirados no Homem-Morcego.
         Já a atual Batwoman, embora mantendo a mesma identidade civil, é filha de dois oficiais do exército norte-americano (o coronel Jacob Kane e a capitã Gabi Kane) que,a par das suas carreiras militares, colaboraram intensivamente com os serviços secretos.
         Katherine cresceu com os pais e a sua irmã gémea, Elizabeth Kane. Devido à profissão dos seus progenitores, a família mudava constantemente de cidade.
         Assim, ao serviço da NATO, os pais de Katherine foram destacados para Bruxelas - capital belga - onde a família se radicou. Não tardou porém a que a tragédia se abatesse sobre eles. Gabi e
as suas filhas foram raptadas por um grupo terrorista. O resgate foi conduzido pelo próprio marido, mas era já tarde demais. Gabi e Elizabeth haviam sido executadas pelos seus captores. Kate sobreviveu tendo contudo ficado severamente traumatizada por ter testemunhado a morte da mãe e da irmã.
À parte o nome, pouco têm em comum as duas Batwomen.

         Para agradar ao pai, Kate ingressou na Academia Militar, onde se destaca pelas suas excelentes notas. Acusada de manter uma relação amorosa com outra cadete, a jovem é vítima de bullying por parte dos colegas e acaba expulsa da instituição.
        Kate muda-se então para Gotham City passando a frequentar a universidade e a levar uma vida social marcada pelos excessos. Nessa nova fase da sua vida envolve-se romanticamente com uma jovem agente policial de seu nome Renee Montoya. Relação que resiste somente alguns meses e que termina em rutura depois de Kate confrontar a sua companheira com o facto de esta ocultar a sua homossexualidade a familiares e colegas.
        Sem norte, Kate desiste dos estudos e procura em vão reatar a relação com a ex-amante. Durante um assalto aplica o seu treino militar para neutralizar o ladrão, instantes antes de Batman vir em seu socorro.
        Inspirada por este breve encontro com o Cavaleiro das Trevas, Kate resolve começar a combater o crime usando armamento e o protótipo de uma armadura militar roubados. Quando a sua atividade de vigilante é descoberta pelo pai, a jovem aceita levar a cabo um treino de dois anos ao redor do globo. Regressada a Gotham, esperava-a um traje especial concebido pelo pai, assim como um arsenal ultramoderno e um bunker escondido na mansão da família Kane. Assim (re)nascia a lenda da Batwoman.


Noutros media: Escasseiam as incursões da Batwoman noutros formatos que não os quadradinhos. Na série de animação The Batman (2004-2008), no episódio em duas partes Batgirl Begins, o seu nome é indiretamente citado pela heroína juvenil,que exige ser chamada de Batwoman.
        Num episódio de outra série animada estrelada pelo Homem-Morcego, Batman: The Brave and the Bold, surge uma personagem com um visual semelhante ao da primeira Batwoman sem contudo ser assim denominada. Trata-se afinal de Katrina Moldoff, herdeira milionária do Circo Moldoff.
        Já no filme de animação Batman: The Mistery of the Batwoman (com lançamento direto em vídeo em 2003), é apresentada uma versão alternativa da personagem consentânea com universo animado da DC. Pelos seus métodos violentos, esta Batwoman é encarada com desconfiança pelo Homem-Morcego e a sua verdadeira identidade permanece um mistério.

 
Versão alternativa da Batwoman apresentada no filme Batman: The Mistery of the Batwoman.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

ETERNOS: CARMINE INFANTINO (1925-2013)




 
        Pela sua visão e talento, Carmine Infantino foi um dos artífices da Idade da Prata dos Quadradinhos. Ao homem, finado em abril último, sobreviverá o seu extraordinário legado.
 
Biografia: Nascido no apartamento da sua família em Brooklyn (Nova Iorque) a 24 de maio de 1925, Carmine Infantino teve como pais um ex-músico obrigado pela Grande Depressão a reciclar-se como canalizador, e uma doméstica de origem italiana.
        Antes de ingressar na prestigiada Escola Superior de Arte e Design de Manhattan, o jovem Carmine frequentou dois liceus públicos, o 75 e o 85, no seu bairro natal. No seu ano de caloiro travou conhecimento com Harry Chesler, proprietário de um dos vários estúdios que despontavam à época e que forneciam material às editoras no florescente mercado dos comics nos anos 1930 e 1940, em plena Idade do Ouro dos Quadradinhos.
        Foi justamente em meados da década de 1940 que Carmine encetou a sua carreira na 9º arte. Um dos seus primeiros trabalhos consistiu em colorir uma história intitulada Jack Frost e ilustrada pelo seu amigo Frank Giancoia. Nos anos seguintes  trabalhou em várias editoras, como a Hillman e a Holyoke, até ser contratado pela DC onde assumiu a arte de algumas das suas personagens emblemáticas.
       No princípio dos anos 50, colaborou como freelancer na Prize Comics, propriedade de Jack Kirby e Joe Simon (criadores do Capitão América). Em concomitância, além dos super-heróis, abraçou vários géneros na DC: western, suspense e ficção científica.
 
Carmine Infantino (data desconhecida).
      Se nos primórdios da sua carreira como desenhador eram notórias as influências de Jack Kirby e de Milton Caniff no seu traço, com o tempo este foi evoluindo e ganhando uma personalidade própria, caracterizada por um estilo límpido e linear que serviria de escola a futuros profissionais do ramo.
      Em 1956, o então editor-chefe da DC, Julius Schwartz, incumbiu Carmine Infantino de desenhar as novas histórias do Flash, a serem publicadas no título Showcase. Com o argumento a cargo de Robert Kanigher, caberia a Infantino reformular o visual do herói velocista.
      O resultado foi de tal forma satisfatório que logo Infantino foi designado por Schwartz para assumir a arte de outros títulos da editora como Adam Strange. Estava dado o tiro de partida para a Idade da Prata dos Quadradinhos.
 
A estreia do Flash da Idade da Prata  pelo traço de Carmine Infantino.
 
      O grande desafio surgiria, porém, oito anos volvidos quando, em parceria com o argumentista John Broome, foi encarregue de revitalizar as bafientas histórias de Batman. Depois de se desembaraçar de alguns dos elementos que tornavam as aventuras do Homem-Morcego ridículas, a nova dupla criativa imprimiu um tom mais realístico às mesmas, o qual esteve longe ser consensual entre os fãs do herói. No entanto, as vendas dos títulos do Batman subiram em flecha e, uma vez mais, Carmine Infantino provou a sua visão e talento.
     Entre as inúmeras solicitações que recebia neste período, contavam-se igualmente as ilustrações das histórias do Homem-Elástico, do Flash e de Adam Strange (bem como a arte das respetivas capas), às quais se somavam ainda um punhado de histórias de ficção científica. A sua ética profissional obrigava-o assim a desenhar duas páginas por dia. Proeza, de resto,  ainda hoje difícil de reproduzir, a despeito da utilização das novas tecnologias no trabalho dos artistas contemporâneos.
     Quando, em 1967, se tornou óbvio que as edições cujas capas eram desenhadas por Infantino se vendiam melhor, ele ficou responsável pela arte de capa das demais publicações da DC.
     Após a DC ter sido adquirida pela National, Infantino foi promovido a Diretor Editorial. Nessa qualidade, apostou em novos talentos e colocou artistas veteranos em cargos editoriais. Foi assim que nomes como Dick Giordano (recentemente contratado à Charlton Comics), Joe Orlando ou Joe Kubert se tornaram editores. Simultaneamente, novos títulos foram lançados, neles pontificando os trabalhos dos então novatos Neal Adams e Denny O'Neil.
     A partir de 1971, Carmine Infantino foi desafiado a inverter a progressiva queda na circulação dos títulos DC. Um desafio que se revelou ainda mais complicado, dada a pouca fé depositada na companhia, quer pelos seus novos proprietários - a Warner Communications - quer pela distribuidora IDN (os revendedores estavam pouco interessados em comercializar um produto com tão reduzida margem de lucro).
     Em resposta a estas reservas, Infantino levou a cabo profundas mudanças, incluindo o lançamento de novas séries (Bat Lash, The Secret Six) e de novas personagens (Deadman, The Creeper), em paralelo com a reciclagem de outras (Lanterna Verde, Arqueiro Verde, etc.). As vendas, porém, ficaram aquém das expectativas e Infantino optou - na opinião de alguns, cedo demais - por cancelar os novos títulos.
 
No vasto portefólio artístico de Carmine Infantino, a Liga da Justiça merece especial destaque.
 
     Ainda em 1971, Carmine Infantino tirou um ás da manga ao desviar o mestre Jack Kirby da arquirrival Marvel, aproveitando as disputas criativas que opunham este a Stan Lee no seio da Casa das Ideias.
    Kirby desenvolvera nos últimos anos uma panóplia de novas personagens que estava relutante em ceder à Marvel. Na DC, em conjunto com Infantino, ele deu a conhecer o Quarto Mundo, Os Novos Deuses e o Senhor Milagre.
    No início dos anos 1980, foi a vez de, temporariamente, Infantino trocar a DC pela Marvel. Período durante o qual  desenhou algumas histórias da Mulher-Aranha, assim como de outras personagens da Casa das Ideias. Retornaria, porém, antes do final da década à DC para reassumir a arte das histórias do Flash. Lá permaneceria até se retirar da vida ativa.
 
File:Spwm108.jpg
Capa de Spider-Woman nº8 (1978) com arte de Carmine Infantino.
   
    Depois de reformado, Carmine Infantino concedeu entrevistas esporádicas e brindou os fãs com a sua presença em convenções da especialidade. Pelo meio, em 2004, publicou uma autobiografia, The Amazing World of Carmine Infantino, no mesmo ano em que processou a DC pela violação dos direitos autorais sobre personagens que, alegadamente, criara durante o período em que lá trabalhara como freelancer.
    Faleceu em 4 de abril último, de causas naturais, na sua casa em Manhattan, não deixando herdeiros. Tinha 87 anos.
    Num comunicado emitido pela DC, o atual editor-chefe Dan DiDio escreveu: " Haverá poucas pessoas neste mundo que tenham causado tanto impacto na indústria dos comics como Carmine Infantino. Ele estabeleceu pontes entre a Idade do Ouro e a Idade da Prata dos Quadradinhos, daí resultando um dos períodos mais bem-sucedidos da nossa história. Definiu um rumo para várias personagens, que ainda hoje é notório. Sentiremos a sua falta mas o seu legado perdurará para sempre".
 
 
Publicada com a chancela da Vanguard Press, a autobiografia de Carmine Infantino exibia na capa uma coletânea de capas da sua autoria.