quarta-feira, 31 de julho de 2013

ETERNOS: CURT SWAN (1920-1996)



 
     Há um antes e um depois de Curt Swan nas histórias do Homem de Aço. Ao longo de mais de trinta anos, a sua arte fez as delícias de várias gerações de fãs. Ele, no entanto, considerava-se menos um artista do que um operário.
 
 
 
 
     Nascido na pequena cidade de Wilmar (no estado norte-americano do Minnesota) a 17 de fevereiro de 1920, Douglas Curtis Swan, de seu nome completo, era o mais novo dos cinco filhos do casal John Swanson e Leotine Hanson. O pai trabalhava nos caminhos-de-ferro e a mãe no hospital local.
      De origem sueca, o apelido Swanson fora abreviado para Swan pela avó paterna de Curt em finais do século XIX quando os seus antepassados ainda viviam no Canadá. 
      À medida que crescia, o pequeno Curt admirava as tiras ilustradas publicadas em jornais como o Saturday Evening Post, tendo desde tenra idade evidenciado talento para o desenho. Na escola, os seus dotes artísticos eram frequentemente requisitados tanto por colegas como por professores. Porém, apenas em sonhos ele acreditava um dia poder ganhar a vida a desenhar.
      Terminado o liceu, Curt começou a trabalhar num armazém para ajudar a família a enfrentar a Grande Depressão que assolava os EUA. Aos 18 anos alistou-se na Guarda Nacional do Minnesota, tendo sido incorporado no Exército dois anos depois.
      Corria o ano de 1941 quando a Companhia de Infantaria em que estava integrado foi destacada para a Irlanda do Norte, no âmbito da II Guerra Mundial.  Uma vez mais graças ao seu talento como ilustrador, Curt teve mais sorte do que a grande maioria dos seus camaradas de armas, mobilizados para combater em Itália e no Norte de África. Ao invés disso, Curt passou a maior parte do conflito a trabalhar como desenhador no boletim militar Star and Stripes. Período em que conheceu o escritor France Herron do qual se tornou amigo e que, anos depois, o ajudaria a arranjar emprego na DC Comics.
 
 
      Em finais de 1943, Curt foi transferido para Paris, onde arrendou um pequeno apartamento perto da Torre Eiffel. Vivendo o sonho de qualquer artista, decidiu casar no ano seguinte com Helene Brickley, uma trabalhadora da Cruz Vermelha também ela estacionada na capital francesa. O casal conhecera-se, anos atrás, num baile em Fort Dixon, Nova Jérsia.
      Depois da guerra, o jovem casal regressou aos EUA. Curt ambicionava obter um emprego como ilustrador e, nesse sentido, trocou o seu Minnesota natal por Nova Iorque, onde disporia de maiores oportunidades profissionais. 
      Por sugestão do seu amigo France Herron - que entretanto retomara o seu emprego como argumentista na DC - Curt enviou algumas amostras do seu trabalho a um dos responsáveis da editora. Causou tão boa impressão que não tardou a ser convocado para uma entrevista de emprego. 
    Admitido como desenhador, foi-lhe fornecido um argumento para uma história de Boy Commandos - um projeto de Jack "O Rei" Kirby. Por cada página desenhada, Curt receberia 18 dólares, uma excelente maquia para os valores da época. Curt, no entanto, acreditava que aquele seria um bom emprego somente durante um ou dois anos, pois não antevia grande futuro para a indústria dos quadradinhos. Estava portanto longe de imaginar que trabalharia no ramo ao longo de mais de quatro décadas.
 
Antes de Super-Homem, Curt Swan desenhou Superboy.
 
      À parte algumas aulas noturnas no Instituto Pratt (uma instituição privada de ensino superior com uma forte tradição nas artes), no âmbito de uma programa de reintegração social de veteranos da II Guerra Mundial promovido pelo Governo dos EUA, Curt era, acima de tudo, um autodidata. Por conseguinte, embora o salário que auferia na DC fosse apelativo, só então se conscencializou da enorme quantidade de tempo de que necessitava para ilustrar cada página.
     À semelhança de muitos outros artistas novatos, Curt colocava muitos detalhes no seu trabalho, ficando desiludido quer pelo pouco material que conseguia produzir, quer pelo aspeto do mesmo depois de colorido.
     Graças às dicas de Steve Brody, um colorista veterano da DC, Curt aprendeu a deixar os pormenores a cargo dos arte-finalistas. Logo começou a produzir três a quatro páginas por dia, chegando a embolsar perto de dez mil dólares ao longo de seu segundo ano ao serviço da editora.
     Cada vez mais solicitado, Curt assumiu a arte de vários títulos da DC, dispendendo entre 14 a 16 horas diárias de trabalho, sete dias por semana. A dada altura, passou também a desenhar as capas de Superboy. Começou assim a sua longa relação com os títulos do Último Filho de Krypton, cuja primeira história por si ilustrada foi publicada em Superman nº51 (abril de 1948).
     Mas nem tudo foram rosas. Os seus recorrentes atritos com Mort Weisinger - à época editor dos títulos do Homem de Aço - levaram Curt a abandonar a DC em 1951 para ir trabalhar numa agência publicitária. Uma experiência malsucedida e fugaz, na medida em que, um mês volvido, Curt retornou à DC, depois de concluir que o modesto salário de 50 dólares semanais que auferia na referida agência não lhe permitia pagar as contas no fim do mês.
 
As cenas de voo do Super-Homem tornaram-se mais dinâmicas graças à arte de Curt Swan.
 
     Recebido de braços abertos pelos seus antigos colegas e superiores, Curt regressou ao trabalho. Porém, também as suas enxaquecas voltaram. Como durante o mês em que estivera afastado de Mort Weisinger não fora acometido por elas, Curt concluiu que estavas resultavam da tensão acumulada pelas constantes críticas de Weisinger ao seu trabalho. Resolveu então confrontá-lo e dizer-lhe o que pensava. Para seu espanto, Weisinger respondeu favoravelmente e as enxaquecas de Curt desapareceram como que por magia.
     Em 1952, Curt foi pontualmente chamado a substituir o desenhador principal das histórias do Super-Homem. Como já vinha ilustrando os títulos Superboy e Jimmy Olsen, pareceu-lhe uma extensão natural do trabalho até aí desenvolvido.
     Três anos depois, na sequência da saída do seu predecessor, Curt assumiu a arte do Homem de Aço. Especula-se que terá sido uma escolha pessoal de Mort Weisinger. A pedido deste, alterou o visual do herói, suavizando-lhe o queixo de lanterna e acentuando-lhe os músculos, de molde a torná-lo menos caricatural.
     Através do traço de Curt, as expressões faciais do Super-Homem humanizaram-se e as suas cenas de voo tornaram-se mais fluidas - e até mesmo graciosas. Para esse efeito, tomou como modelos os atores Johnny Weissmuller ( o mítico Tarzan cinematográfico  dos anos 1930 e 1940) e George Reeves (que deu vida ao herói kryptoniano na não menos lendária série televisiva da década de 1950).
 
 Johnny Weissmuller (em cima) e George Reeves serviram de modelo ao Super-Homem idealizado por Curt Swan.
 
Pelo traço de Curt Swan, as expressões faciais do Super-Homem humanizaram-se.
 
     Quando, em meados da década de 70 do século passado, a DC e a Warner Bros. decidiram transpor pela primeira vez o Homem de Aço ao cinema, foi no visual do herói desenvolvido por Curt Swan que Christopher Reeve se baseou para a sua abordagem à personagem.
     Até 1986, ano em que foi substituído por John Byrne na arte das histórias do Super-Homem, Curt Swan revelou-se um artista consistente e prolífico, tendo colaborado ao longo dos anos com um extenso rol de argumentistas, arte-finalistas e editores, unânimes em reconhecer o seu talento e ética profissional. Despediu-se definitivamente da personagem com Whatever Happened to the Man of Tomorrow?, uma realidade alternativa escrita por Alan Moore. Entre os seus contributos para a mitologia do Homem de Aço destaca-se a criação (em parceria com o escritor Cary Bates) do supervilão Terra-Man e do herói alienígena Vartox.
 
File:Superman423.jpg
Whatever Happened to the Man of Tomorrow? (1986) marcou a despedida definitiva de Curt Swan das histórias do Super-Homem.
 
 
     Nos anos seguintes, Curt continuou a trabalhar para a DC, desenhando títulos como Swamp Thing, Teen Titans e vários anuais de outras personagens, apesar de reformado. Tal como muitos dos seus pares, Curt não acautelara financeiramente o seu futuro, pelo que se viu obrigado a continuar a trabalhar, em prol quer da sua sanidade mental, quer da sua sobrevivência.
     Com o tempo, porém, as suas colaborações com a DC foram-se tornada cada vez mais escassas, o que levou Curt ter problemas de alcoolismo que ditariam o fim do seu casamento.
     Quando questionado sobre a sua ética profissional, Curt invariavelmente respondia que se limitava a fazer o que qualquer operário faz: no seu caso, tudo se resumia a receber um argumento, desenhá-lo, devolvê-lo, receber o respetivo pagamento e trazer novo argumento para assim começar tudo de novo. Havia, no entanto, mais do que isso. Mesmo não se assumindo como um artista, Curt reconhecia que nada se comparava ao sorriso de um jovem enquanto folheava uma história por ele desenhada. Esse era, para ele, o aspeto mais gratificante do seu ofício.
      Malgrado a sua extensa e prolixa carreira, apenas em 1984 Curt foi agraciado com o primeiro prémio oficial, o Inkpot Award. A título póstumo, receberia também  The Will Eisner Award Hall of Fame, em 1997.
     Aos 76 anos de idade, Curt Swan morreu durante o sono a 16 de junho de 1996, deixando como legado ao mundo três filhos e a sensasional arte do Homem de Aço que encantou - e continua a encantar - sucessivas gerações de fãs em todo o mundo, que recordam com saudade e carinho aquele que foi, indubitavalmente, um dos grandes nomes dos 9ª arte.
 
 
O Homem de Aço nunca mais seria o mesmo depois de Curt Swan.
 


quarta-feira, 24 de julho de 2013

GALERIA DE VILÕES: ELECTRO





    Vilão clássico das histórias do Homem-Aranha, Electro será o principal antagonista do herói aracnídeo no seu próximo filme, The Amazing Spider-Man 2. Conheçam a sua eletrizante origem.
 
Nome original: Electro
Primeira aparição: The Amazing Spider-Man nº9 (fevereiro de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Steve Ditko (arte)
Licenciadora:  Marvel Comics
Identidade civil: Maxwell "Max" Dillon
Local de nascimento: Endicott, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Jonathan e Anita Dillon (pais falecidos), Norma Lynn Dillon (ex-esposa)
Filiação: Exterminadores, Sexteto Sinistro, os Sete Sinistros, Os Doze Sinistros, Emissários do Mal
Base de operações: Nova Iorque
Poderes e habilidades: Max Dillon é um gerador elétrico humano, constantemente energizado pela contração dos músculos ultrafinos que habitualmente servem para regular a temperatura corporal. Em resultado disso consegue gerar energia eletroestática a cerca de mil volts por minuto, bem como acumular até um milhão de volts no seu organismo. Quando isto sucede, ele adquire força e velocidade sobre-humanas. Também pode emitir rajadas elétricas pelas mãos, de potência variável.
      Acresce ainda a habilidade de sobrecarregar dispositivos eletrónicos, os quais também consegue por vezes controlar mentalmente. Para infortúnio de um certo Escalador de Paredes, a energia eletroestática de Electro consegue anular a sua capacidade de aderir a qualquer tipo de superfície.
      Electro já manifestou pontualmente poderes de magnetismo, pese embora limitados. Mas que, ainda assim, lhe permitem manipular campos magnéticos e mover objetos metálicos, ao estilo do mutante Magneto.
Fraqueza: Quando sobrecarregado de energia, Electro torna-se extremamente sensível a tudo o que possa causar-lhe um curto-circuito, principalmente água.
 
A eletrizante estreia de Electro ocorreu em The Amazing Spider-Man nº9 (1964).
 
Biografia: Pertence à mesma dupla que criou o Homem-Aranha em 1962 - Stan Lee e Steve Ditko - a "paternidade" de Electro, que em 2009 foi considerado o 87º Melhor Vilão De Todos Os Tempos no ranking do site IGN. Sendo um dos arqui-inimigos mais antigos do Escalador de Paredes, Electro já marcou presença em incontáveis histórias do herói, não só nos quadradinhos mas também fora deles, nomeadamente em séries animadas e jogos de vídeo. No próximo ano ganhará vida pela primeira vez no grande ecrã em O Fantástico Homem-Aranha 2 (The Amazing Spider-Man 2), interpretado pelo ator Jamie Foxx ((Django Libertado).
     Criado pela sua superprotetora mãe depois de o pai os ter abandonado a ambos, na sua juventude Max Dillon ambicionava tornar-se um engenheiro eletrotécnico. Persuadido pela progenitora de que não era suficientemente inteligente para abraçar uma carreira desse tipo, Max resignou-se a trabalhar como técnico de alta tensão numa empresa do ramo.
     Certo dia, enquanto reparava uma cabo elétrico ainda ligado à respetiva bobine, Max foi atingido por um relâmpago. Em vez de matá-lo, o insólito acidente provocou uma transformação mutagénica no seu sistema nervoso, permitindo-lhe doravante gerar e controlar elevadas quantidades de energia eletroestática.
     Passando então  a usar um uniforme de cores berrantes, Max adotou o codinome Electro e dedicou-se a cometer pequenos delitos, particularmente assaltos a bancos. Visto que, inicialmente, os seus poderes eram mais limitados do que no presente, tinha por vezes de roubar equipamento elétrico para se recarregar.
 
Apesar das suas fantásticas habilidades, Electro parece condenado ao estatuto de vilão de 2ª categoria.
 
     Não obstante, as habilidades de Electro atraíram a atenção de Magneto que tentou em vão recrutá-lo para as fileiras da Irmandade dos Mutantes. Prosseguindo com a sua incipiente carreira criminosa a solo, o vilão, após assaltar J.J. Jamenson - o irascível diretor do Clarim Diário -, enfrentou pela primeira vez o Homem-Aranha, tendo derrotado o herói graças à corrente elétrica gerada pelo seu corpo e que apanhou o Escalador de Paredes desprevenido. No segundo round desse combate, o Homem-Aranha muniu-se de luvas de borracha e de uma boca de incêndio para levar de vencida o vilão.
      Pouco tempo depois, Electro veria outro justiceiro uniformizado a cruzar-lhe o caminho, desta feita o Demolidor. Novamente derrotado e enviado para a cadeia, Electro resolveu juntar-se à formação de malfeitores conhecida como Sexteto Sinistro, composta por outros inimigos jurados do Homem-Aranha: Kraven, o Caçador, Doutor Octopus, Abutre, Mysterio e Homem-Areia. No entanto, ao invés de unirem forças contra o adversário comum, os seis vilões optaram por uma espécie de competição entre si para ver qual deles era bem-sucedido em derrotar o Escalador de Paredes. Resultado: acabaram derrotados um a um pelo herói.
 
Electro foi incontáveis vezes derrotado pelo Homem-Aranha, mas também por outros super-heróis.
     Numa tentativa de conquistar o respeito e a glória que lhe julgava merecidos, Electro retomou a sua carreira a solo, tendo arquitetado um audacioso plano para controlar a rede elétrica de Nova Iorque. Uma vez mais acabaria, porém, por ser detido pelo Homem-Aranha, que logrou convencê-lo a abandonar o crime. Decisão contudo apenas temporária...
     Quando, algum tempo volvido, Kaine  - o clone insano do Homem-Aranha - começou a exterminar os inimigos do Escalador de Paredes um por um, Electro temeu pela vida e juntou-se durante um breve período aos Sete Sinistros, grupo de malfeitores reunido e liderado por Mysterio. Com o desaparecimento de Kaine, a pandilha desfez-se e Electro retomou a sua reforma.  A qual seria novamente interrompida pelo Rosa, sucessor do Rei do Crime na chefia do submundo nova-iorquino. Aliciado com a possibilidade de ter os seus poderes ampliados através de uma experiência científica, Electro concordou em prestar os seus serviços ao Rosa. Secretamente, porém, planeava usar as recém-adquiridas habilidades para retomar o seu plano de controlar a rede elétrica da Grande Maçã.
    Quando pôs em prática esse seu plano, o vilão foi novamente derrotado pelo Homem-Aranha. Frustrado, Electro atirou-se às águas do rio Hudson, num aparente suicídio.
     Todavia, o vilão voltaria a dar um ar da sua graça como membro das sucessivas encarnações do Sexteto Sinistro que, invariavelmente, acabavam derrotadas devido às recorrentes traições dos seus integrantes.
     Apenas por uma vez Electro e os seus comparsas estiveram perto de alcançar o seu objetivo de eliminar o Homem-Aranha: foi quando o Duende Verde reuniu os Doze Sinistros. Para derrotá-los foi necessária a força combinada do Capitão América, Quarteto Fantástico, Demolidor, Jaqueta Amarela e Homem de Ferro.
    Mais recentemente, Electro foi inadvertidamente responsável pela formação dos Novos Vingadores. Contratado para libertar Karl Lykos da Balsa - prisão de máxima segurança para meta-humanos - ele provocou uma fuga em massa no presídio, tendo as suas ações levado à intervenção de diversos super-heróis, incluindo o Capitão América, Homem de Ferro, Luke Cage, Mulher-Aranha, Demolidor, Sentinela e o inevitável Homem-Aranha. Controlada a situação, todos eles - exceto o Demolidor - se reuniram nos Novos Vingadores.
    Electro ainda tentou escapar na companhia da sua namorada, mas acabaria capturado pela nova superequipa que ele próprio ajudara a fundar.
 
 
 
Noutros media: A primeira aparição televisiva de Electro foi um cameo num episódio da série animada The Marvel Super Heroes (1966), curiosamente no segmento do Príncipe Submarino. Ainda na década de 1960 participou em três ocasiões na série de animação Spider-Man (1967-1970). Após o que marcou presença - com maior ou menor preponderância - em todas as séries animadas estreladas pelo herói aracnídeo. Na mais recente, Ultimate Spider-Man (2012), teve direito pela primeira vez a um episódio titulado com o seu nome.
 
O visual de Electro em Ultimate Spider-Man.
     
    No cinema aguarda-se com grande expectativa a performance de Jamie Foxx como Electro no segundo capítulo da nova vida do Escalador de Paredes no grande ecrã: The Amazing Spider-Man 2 (com estreia prevista para meados do próximo ano e onde o vilão surgirá com um visual renovado, muito diferente do da banda desenhada).
 
Em O Fantástico Homem-Aranha 2, Jamie Foxx encarnará um Electro muito diferente do da BD, porém com muitas semelhanças com a versão do vilão na série animada Ultimate Spider-Man.
 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

BD CINE APRESENTA: X-MEN ORIGENS: WOLVERINE





     Na semana em que chega aos cinemas portugueses o segundo filme do Wolverine, recordemos a primeira aventura a solo no grande ecrã do mutante mais carismático dos quadradinhos.
 
 
Título original: X-Men Origins: Wolverine
País: EUA
Ano: 2009
Duração: 107 minutos
Realização: Gavin Hood
Argumento: David Benioff e Skip Woods
Elenco: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Liev Schreiber (Victor Creed/Dentes-de-sabre), Danny Huston (Coronel William Stryker), Lynn Collins (Raposa Prateada), Ryan Reynolds (Wade Wilson/Deadpool) e Taylor Kitsch (Remy LeBeau/Gambit)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 373 milhões de dólares

A ferocidade de Wolverine faz dele um dos super-heróis mais populares.
 
Sinopse: Neste primeiro spin-off da trilogia cinematográfica dos X-Men, acompanhamos a história de Logan desde a sua infância no Canadá, quando faz uma surpreendente descoberta sobre a sua herança genética, ganhando um irmão no processo. Anos depois, vemos Logan e Victor Creed a combaterem lado a lado na Guerra da Secessão americana, em ambas as Guerras Mundiais e na Guerra do Vietname. Nesta última, são sentenciados à morte pelo assassínio de um oficial superior. Pena que é, todavia, anulada quando ambos aceitam integrar uma força-tarefa ultrassecreta ao serviço do governo canadiano.
     Quando os seus alvos passam a incluir civis inocentes, Logan deserta da equipa e refugia-se nas Montanhas Rochosas canadianas, passando a partilhar a sua vida com uma doce nativa chamada Raposa de Prata.
     Posto ao corrente pelo Coronel Stryker - seu ex-comandante -  de que alguém tem vindo a eliminar os antigos membros da força-tarefa, Logan descobre que o carrasco é o seu próprio irmão que, entretanto, assassina Raposa de Prata.

Wolverine versus Dentes-de-sabre: um duelo mortal entre irmãos.
 
    Jurando vingança, Logan aceita participar num perigoso experimento científico tutelado pelos militares, acabando por ter o seu esqueleto revestido por um metal virtualmente indestrutível denominado adamantium.
   Traído por Stryker, Logan - agora atuando sob o codinome Wolverine - parte no encalço do seu sanguinolento irmão, decidido a detê-lo de uma vez por todas. Para isso contará com a ajuda de outros mutantes com quem se cruza, entre os quais Gambit, um sedutor ladrão de origem francesa.
   Antes porém de confrontar Stryker e Dentes-de-sabre, Wolverine terá de se haver com Deadpool, um mutante dotado de formidáveis habilidades e mentalmente instável.

Antes de dar vida ao Lanterna Verde no cinema, Ryan Reynolds encarnou Deadpool.
 
Curiosidades:
* Os realizadores Zack Snyder (Watchmen, Homem de Aço) e Bryan Singer (X-Men 1 e 2, Super-Homem, o regresso) recusaram o convite para assumirem a direção do primeiro filme a solo de Wolverine;
* Gambit, um dos mais populares membros dos X-Men na BD, faz a sua primeira aparição no grande ecrã, depois de terem corrido rumores de que teria uma pequena participação em X-Men 2 (2003);
* Liev Schreiber tomou parte no projeto a convite de Hugh Jackman, seu amigo de longa data. Inicialmente cogitado para o papel de Coronel William Stryker, o ator mostrou-se mais interessado em dar vida ao implacável Dentes-de-sabre (se bem que, ao longo de todo o filme, ele nunca seja chamado dessa forma);
* Com "X-Men Origens: Wolverine", Hugh Jackman igualou o recorde de longevidade de um ator a interpretar um super-herói no cinema, até então detido por Christopher Reeve, que assumiu o manto do Super-Homem em quatro ocasiões;
* O blusão  castanho e laranja usado por Wolverine em várias sequências do filme é uma clara homenagem ao uniforme em tempos usado pelo herói nos quadradinhos;
* O casal idoso que ajuda Logan é composto por James e Heather Hudson, identidades civis, respetivamente, de Víndix e Guardiã, membros da Tropa Alfa, outro grupo de meta-humanos criado pelo governo canadiano;
* Entre os vários jovens mutantes libertados na reta final da película, alguns são facilmente identificáveis: o rapaz com a língua bífida é o Sapo, ao passo que o adolescente que pula no interior de uma das jaulas é Mercúrio, filho de Magneto e irmão da Feiticeira Escarlate.
 
Da esq. para a dir.: Deadpool, Gambit, Wolverine, Dentes-de-sabre e Raposa Prateada
 
Veredito: Não sendo uma absoluta deceção, esta primeira longa-metragem a solo de Wolverine também está longe de encher as medidas aos espectadores mais exigentes (aqueles que não se satisfazem com um cortejo de sequências de ação, pautadas por uma violência primeva e onde sujeitos  berram a plenos pulmões, por vezes sem motivo aparente).
     Estamos, com feito,  perante um filme facilmente"esquecível que, ainda assim, garante uma razoável dose de entretenimento. Do registo mais sério imprimido pelo realizador Bryan Singer nos dois primeiros filmes dos X-Men nem sinal, reduzindo X-Men Origens: Wolverine a uma banal película de ação, alimentada por elevados níveis de adrenalina e testosterona.
    De lamentar ainda a superficialidade da abordagem feita ao passado de uma das mais complexas personagens dos quadradinhos.
    Oxalá a sequela seja melhor (não que seja propriamente difícil...).

 


quinta-feira, 11 de julho de 2013

HEROÍNAS EM AÇÃO: BATWOMAN


 

    Na sua versão moderna - com muito pouco em comum com a original - a Batwoman é a primeira super-heroína assumidamente lésbica da história dos quadradinhos. Inspirada pela sua contraparte masculina, jurou combater o crime nas suas mais variadas formas nas obscuras ruas de Gotham City.
 
Nome original: Batwoman
Primeira aparição (Idade da Prata): Detective Comics nº233 (julho de 1956)
Primeira aparição (versão moderna): 52 nº7 (junho de 2006)
Criadores (Idade da Prata): Bob Kane (arte) e Edmond Hamilton (história)
Criadores (versão moderna): Grant Morrison, Geoff Johns, Mark Waid, Greg Rucka e Keith Giffen
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Katherine "Kate" Rebecca Kane
Local de nascimento: Gotham City
Parentes conhecidos: Coronel Jacob Kane (pai), Gabi Kane (mãe falecida), Elizabeth Kane (irmã gémea supostamente falecida), Bette Kane (prima) e Margie Swayer (noiva)
Filiação: Fúrias Femininas
Base de operações: Gotham City
Habilidades e armas: Única herdeira da colossal fortuna da sua família, Katherine Kane dispõe de vastos recursos que lhe permitem financiar as suas operações como vigilante mascarada, bem como a aquisição de uma sofisticada parafernália similar à do Cavaleiro das Trevas. Entre esta destacam-se o cinto de utilidades (onde transporta, entre outras coisas, cordas e cápsulas de gás) e os icónicos batarangues.
      Ginasta de elite, a Batwoman domina também várias artes marciais. É ainda uma exímia investigadora forense, uma mestra do disfarce e camuflagem, além de possuir elevados conhecimentos de informática.
Fraquezas: Tempos atrás, a Batwoman foi esfaqueada no coração por uma criminoso. Desde então, e apesar de ter recuperado do ferimento, a heroína padece de ligeiros problemas cardíacos.

File:Detective233.JPG
Detective Comics nº233 (1956) assinala o nascimento da primeira Batwoman.
 
História de publicação: A montante da criação da primeira Batwoman em plena Idade da Prata dos Quadradinhos, estão dois motivos: em primeiro lugar, o desejo da DC de, a exemplo do que fizera antes com o Super-Homem, providenciar uma "família" ao Batman, visto que a fórmula se tinha revelado muito lucrativa; em segundo lugar, a introdução dessa nova personagem feminina no universo do Homem-Morcego pretendia contrapor as acusações de homossexualidade dirigidas  anteriormente ao Duo Dinâmico pelo psiquiatra germânico Fredric Wertham no seu livro A Sedução dos Inocentes (1954).
         Nesse sentido, na sua estreia oficial nas páginas de Detective Comics nº233, a Batwoman é apresentada como uma nova combatente do crime, mas também como um interesse romântico de Batman. 
         A heroína, contudo, não correspondia exatamente à contraparte feminina do Cruzado de Capa. Na sua bolsa de utilidades, por exemplo, transportava armas disfarçadas de acessórios femininos, como batons, lacas, braceletes ou redes para o cabelo. Também as cores do seu uniforme - vermelho e amarelo - contrastavam com as tonalidades escuras do traje de Batman.

A primeira Batwoman em ação.
 
        Até aos primeiros anos da década de 1960, a Batwoman foi presença assídua em Batman e Detective Comics. A despeito da popularidade que granjeara junto dos leitores, o então editor-chefe da DC, Julius Schwartz, achou por bem remover a personagem das histórias do Batman por considerá-la inapropriada para a direção que pretendia incutir-lhes doravante. Assim, quando ocorreu o relançamento do título Detective Comics em 1964, a Batwoman foi substituída por uma nova heroína: Batgirl.  Esta, além de nova contraparte feminina do Homem-Morcego, superou em popularidade a sua antecessora, mercê do tom mais realístico das suas histórias, tão ao gosto da nova geração de leitores.
         Malgrado os pedidos de muitos fãs para que a Batwoman regressasse ao ativo, os responsáveis editoriais da DC não transigiram, argumentando, por um lado, que ela fora criada num contexto muito específico e, por outro, que a sua imagem de donzela em apuros destoava do novo arquétipo feminino, decorrente da emancipação das mulheres na sociedade.
        Após um longo hiato, em 2006 uma renovada versão da Batwoman fazia a sua primeira aparição na maxissérie retroativa 52. A pedido dos editores da DC, o conceituado ilustrador Alex Ross desenvolveu,a partir de uma versão modificada do traje da Batgirl por ele concebida anos antes,o novo visual da heroína.

2006 foi o ano em que a Batwoman regressou ao ativo.
   
 Todavia, ao contrário da sua antecessora da Idade da Prata, a nova Batwoman não tinha qualquer interesse afetivo no Cavaleiro das Trevas, visto ser lésbica. A sua orientação sexual, de resto, causou celeuma nos media estadounidenses e também na comunidade de fãs, com as opiniões a dividirem-se.
       Na génese desta opção da DC esteve a sua intenção de diversificar o universo da editora de modo a refletir as tendências das sociedades contemporâneas. De acordo com essa premissa de modernidade, Katherine Kane - a identidade civil da Batwoman - é descrita como sendo judia, ex-militar e adepta de tatuagens.
       Desde 2010 que a heroína passou a dispor de um título próprio nos EUA, distanciando-se progressivamente da "família" Batman.

File:Batwoman 01 2011.jpg
Arte promocional para Batwoman nº1 (2011)
     
Biografia: Na sua versão primitiva, Kathy Kane, uma herdeira rica e antiga acrobata circense de Gotham City, decide utilizar as suas habilidades e recursos para combater o crime usando um nome e um uniforme inspirados no Homem-Morcego.
         Já a atual Batwoman, embora mantendo a mesma identidade civil, é filha de dois oficiais do exército norte-americano (o coronel Jacob Kane e a capitã Gabi Kane) que,a par das suas carreiras militares, colaboraram intensivamente com os serviços secretos.
         Katherine cresceu com os pais e a sua irmã gémea, Elizabeth Kane. Devido à profissão dos seus progenitores, a família mudava constantemente de cidade.
         Assim, ao serviço da NATO, os pais de Katherine foram destacados para Bruxelas - capital belga - onde a família se radicou. Não tardou porém a que a tragédia se abatesse sobre eles. Gabi e
as suas filhas foram raptadas por um grupo terrorista. O resgate foi conduzido pelo próprio marido, mas era já tarde demais. Gabi e Elizabeth haviam sido executadas pelos seus captores. Kate sobreviveu tendo contudo ficado severamente traumatizada por ter testemunhado a morte da mãe e da irmã.
À parte o nome, pouco têm em comum as duas Batwomen.

         Para agradar ao pai, Kate ingressou na Academia Militar, onde se destaca pelas suas excelentes notas. Acusada de manter uma relação amorosa com outra cadete, a jovem é vítima de bullying por parte dos colegas e acaba expulsa da instituição.
        Kate muda-se então para Gotham City passando a frequentar a universidade e a levar uma vida social marcada pelos excessos. Nessa nova fase da sua vida envolve-se romanticamente com uma jovem agente policial de seu nome Renee Montoya. Relação que resiste somente alguns meses e que termina em rutura depois de Kate confrontar a sua companheira com o facto de esta ocultar a sua homossexualidade a familiares e colegas.
        Sem norte, Kate desiste dos estudos e procura em vão reatar a relação com a ex-amante. Durante um assalto aplica o seu treino militar para neutralizar o ladrão, instantes antes de Batman vir em seu socorro.
        Inspirada por este breve encontro com o Cavaleiro das Trevas, Kate resolve começar a combater o crime usando armamento e o protótipo de uma armadura militar roubados. Quando a sua atividade de vigilante é descoberta pelo pai, a jovem aceita levar a cabo um treino de dois anos ao redor do globo. Regressada a Gotham, esperava-a um traje especial concebido pelo pai, assim como um arsenal ultramoderno e um bunker escondido na mansão da família Kane. Assim (re)nascia a lenda da Batwoman.


Noutros media: Escasseiam as incursões da Batwoman noutros formatos que não os quadradinhos. Na série de animação The Batman (2004-2008), no episódio em duas partes Batgirl Begins, o seu nome é indiretamente citado pela heroína juvenil,que exige ser chamada de Batwoman.
        Num episódio de outra série animada estrelada pelo Homem-Morcego, Batman: The Brave and the Bold, surge uma personagem com um visual semelhante ao da primeira Batwoman sem contudo ser assim denominada. Trata-se afinal de Katrina Moldoff, herdeira milionária do Circo Moldoff.
        Já no filme de animação Batman: The Mistery of the Batwoman (com lançamento direto em vídeo em 2003), é apresentada uma versão alternativa da personagem consentânea com universo animado da DC. Pelos seus métodos violentos, esta Batwoman é encarada com desconfiança pelo Homem-Morcego e a sua verdadeira identidade permanece um mistério.

 
Versão alternativa da Batwoman apresentada no filme Batman: The Mistery of the Batwoman.