segunda-feira, 26 de agosto de 2013

BD CINE APRESENTA: LANTERNA VERDE





     Na banda desenhada, o Lanterna Verde é um dos mais icónicos heróis do Universo DC. No entanto, a sua primeira aventura no grande ecrã, não obstante o orçamento milionário, redundou num fiasco. Saibam tudo sobre um dos mais mal-amados filmes de super-heróis de sempre.
 
 
Título original: Green Lantern
Ano: 2011
País: Estados Unidos da América
Duração: 114 minutos
Estúdio: DC Comics
Distribuidora: Warner Bros.
Realização: Martin Campbell
Argumento: Greg Berlanti e Michael Green
Elenco: Ryan Reynolds (Hal Jordan/Lanterna Verde); Blake Lively (Carol Ferris); Peter Sarsgaard (Dr. Hector Hammond); Mark Strong (Thaal Sinestro); Angela Bassett (Dra. Amanda Waller); Tim Robbins (senador Robert Hammond); Temuera Morrinson (Abin Sur); Geoffrey Rush (voz de Tomar-Re) e Michael Clarke Duncan (voz de Kilowog)
Género: Ficção científica/ação e aventura
Orçamento: 200 milhões de dólares
Receitas: 220 milhões de dólares

Lanterna Verde: no dia mais claro, na noite mais densa, o Mal sucumbirá na sua presença.
 
Enredo: Milhões de anos antes da formação da Terra, um grupo de seres conhecidos como Os Guardiões do Universo, usaram a essência verde da força de vontade para criar uma força policial intergaláctica a que deram o nome de Tropa dos Lanternas Verdes. Eles também mapearam o Cosmos, dividindo-o em 3600 setores, sendo a cada um deles atribuído um protetor oriundo dessa tropa.
      Abin Sur, o mais poderoso dos Lanternas Verdes, foi o único capaz de derrotar a essência do medo, corporizada na entidade cósmica Parallax, tendo-a aprisionado no Setor Perdido.
      Parallax, contudo, consegue escapar da sua prisão e ruma ao setor 2814 - a que pertence a Terra e sob a alçada de Abin Sur - matando de caminho quatro Lanternas e destruindo dois planetas. Quando Abin Sur procura deter a entidade é gravemente ferido, não lhe restando outro remédio senão refugiar-se no nosso mundo.
      Moribundo, Abin Sur ordena ao seu anel energético que busque um sucessor digno para assumir as suas funções de protetor daquele setor espacial.
      Hal Jordan, um destemido piloto de testes ao serviço da Ferris Aeronáutica, é o eleito, sendo prontamente transportado pelo anel para o local onde Abin Sur agoniza. Após uma breve explicação, este nomeia-o como seu sucessor, obrigando o atónito e relutante terráqueo a prestar o juramento solene dos Lanternas Verdes.
      Mais tarde, já em casa, Hal repete o juramento, entrando em transe ao mesmo tempo que é envolto pelo brilho da bateria portátil em forma de lanterna que serve para recarregar o anel energético.
      Aturdido pela estonteante sucessão de eventos, Hal resolve sair para tomar uma bebida, mas acaba sendo atacado à saída de um bar. Antes que consiga recompor-se, é teletransportado para Oa, o planeta natal dos Guardiões do Universo e quartel-general da Tropa dos Lanternas Verdes. Lá, trava conhecimento com o petulante Sinestro, o líder da tropa, que não esconde o seu desagrado com a escolha de um terráqueo (espécie primitiva comparada com outras) para Lanterna Verde.
     Depois de treinado por Tomar-Re, Hal Jordan, perante a desconfiança dos outros membros da tropa, regressa à Terra, conservando contudo o anel e respetiva bateria.

Escolhido por Abin Sur para ser o seu sucessor, Hal Jordan torna-se o Lantena Verde.
 
      Enquanto isso, depois de ter sido convocado pelo seu pai, o senador Robert Hammond, para uma instalação governamental secreta, o cientista Hector Hammond realiza a autópsia de Abin Sur, cujo cadáver fora resgatado pelos militares. Sem que ninguém saiba, uma parcela da essência de Parallax havia-se alojado no corpo sem vida de Abin Sur. Num ápice, Hector torna-se o novo hospedeiro da entidade que, reconfigurando o seu ADN humano, lhe confere poderes telepáticos e telecinéticos.
      Ensandecido, o cientista usa os seus recém-adquiridos poderes para tentar matar o próprio pai. Contudo, este é salvo por Hal Jordan, cuja verdadeira identidade é dissimulada pelo uniforme de Lanterna Verde e pela máscara que usa.
     Pouco tempo depois, porém, Hector acaba por conseguir matar o seu pai, antes que o Lanterna Verde o consiga impedir novamente. É nesse ponto que o Gladiador Esmeralda descobre que Parallax está a caminho da Terra.
     Em Oa, os Guardiões revelam a Sinestro que, outrora, Parallax foi um deles até que, movido pela obsessão de controlar a essência amarela do medo, se tornou, ele próprio, a personificação do medo.   
    Acreditando que o único antídoto para o medo é o próprio medo, Sinestro convence os Guardiões a forjarem um anel do mesmo poder amarelo (cor que neutraliza a energia verde dos Lanternas). Disposto a imolar a Terra para salvar Oa, Sinestro vê os seus planos frustrados pela repentina aparição de Hal Jordan, que pede ajuda à tropa para proteger o nosso planeta da ameaça de Parallax. Eles recusam o seu pedido mas autorizam-no a voltar para que proteja o seu mundo natal.

Sinestro: herói ou vilão?

     De volta à Terra, Hal salva Carol Ferris, que fora sequestrada por Hector Hammond. Usando a parcela da sua essência presente no corpo de Hammond como um farol, Parallax chega ao nosso planeta, causando enorme destruição em Coast City.
    Após drenar toda a energia vital de Hammond, Parallax falha em matar Jordan e acaba atraído por este em direção ao Sol. A gravidade do astro arrasta a entidade para o seu núcleo, desintegrando-a.
    Jordan fica inanimado e à deriva no espaço sideral, mas acaba resgatado por Sinestro e um punhado de Lanternas.  Quando recobra os sentidos, Hal é felicitado pela sua bravura e Sinestro notifica-o de que, doravante, terá a árdua missão de proteger o setor 2814 como um Lanterna Verde de pleno direito.
     O filme termina com Sinestro, ainda na posse do anel de energia amarela, a colocá-lo no dedo ao mesmo tempo que o seu traje passa de verde para amarelo. Estava assim dado o mote para uma sequela que acabaria, em virtude das fracas receitas de bilheteira e do repositório de críticas desfavoráveis, por nunca ser produzida.
 
O cientista Hector Hammond alberga a essência de Parallax.
 
Prémios e nomeações: Malgrado a azeda  receção  de grande parte do público e da crítica, Lanterna Verde arrecadou um Scream Award na categoria de Filme Mais Esperado. Ryan Reynolds, por sua vez, foi  nomeado nas categorias de Super-herói Favorito, Ator Favorito de Filmes de Ação e Ator Favorito nos 38th People's Choice Awards, tendo conquistado o título na primeira.
Curiosidades:
* Greg Berlanti foi inicialmente contratado para dirigir e escrever o argumento de Lanterna Verde, mas acabaria por abandonar o projeto, sucedendo-lhe Martin Campbell. Contudo, Berlanti manteve a sua ligação ao filme na sua qualidade de produtor e coargumentista;
* Porventura antecipando as fracas receitas de bilheteira, depois de ter sido filmado em 2D, o filme foi reconvertido em 3D, chegando apenas nesse formato às salas de cinema portuguesas;
* Antes da escolha de Ryan Reynolds para o papel principal, Bradley Cooper, Jared Leto e Justin Timberlake foram alguns dos nomes equacionados;
* No caso de Carol Ferris, o interesse romântico do herói, Eva Green, Jennifer Garner e Diane Kruger foram cogitadas para o papel, tendo a escolha recaído, todavia, em Blake Lively;


Ryan Reynolds e Blake Lively como Hal Jordan e Carol Ferris em Lanterna Verde.
 
* Em 1997, a Warner Bros. sondou o realizador e argumentista Kevin Smith, mas este declinou o convite para dirigir um filme do Lanterna Verde, por considerar haver cineastas mais competentes para assumir o projeto. Um dos nomes equacionados foi o de Quentin Tarantino;
* O uniforme usado pelo herói no filme foi digitalmente criado por computador. Tratou-se de uma abordagem inovadora dos produtores que, no lugar de um traje convencional, preferiram que Hal Jordan usasse um construto gerado pelo seu anel energético. Posteriormente este elemento foi adicionado às histórias do Gladiador Esmeralda nos quadradinhos;
* Na BD original, Carol Ferris transforma-se em Safira Estrela, originalmente uma vilã com poderes similares aos do Lanterna Verde, entretanto reconvertida em soldado do exército de Safiras Estrelas. Trata-se de uma tropa feminina que opera em paralelo com a Tropa dos Lanternas Verdes na proteção do Universo, portando as suas integrantes um anel com a energia violeta do amor. No filme, o codinome de voo de Carol Ferris é Safira, e o símbolo das Safiras Estrelas adorna o capacete que ela usa quando pilota o seu jato.
 
 
 
Veredito: 37%
     Foram vários os fatores que concorreram para os maus resultados obtidos por Lanterna Verde junto do público e da crítica. Desde logo o facto de a sua data de estreia o ter entalado entre dois outros filmes do género, ambos com a chancela da Marvel: Thor e X-Men: First Class. Na comparação direta, ele perde para ambos. Não fosse por essa concorrência de peso - que porventura terá contribuído em certa medida para alguma saturação por parte dos espectadores não fãs de super-heróis - e, provavelmente, a receção a esta primeira aventura cinematográfica do Gladiador Esmeralda teria sido diferente.
     Não obstante, são notórias as muitas lacunas do filme. A saber: com um enredo insípido e inconsistente, não raras vezes as personagens são ofuscadas pela espetacularidade dos efeitos especiais. O próprio Hal Jordan, personagem psicologicamente densa na BD, surge retratado de forma unidimensional, totalmente destituído de profundidade emocional.
      É, de resto, nesta vertente que radica a principal fraqueza de Lanterna Verde. Contrastando com a crescente humanização dos super-heróis quando transpostos ao grande ecrã, assiste-se aqui, mercê do registo pueril que pauta a narrativa, a um retrocesso na idoneidade de um género que finalmente granjeou respeitabilidade em Hollywood. Descurando a humanidade do protagonista, o filme resume-se praticamente a um repositório de efeitos visuais e de cenas de ação mirabolantes, passíveis de deixar o espectador estonteado. Nada, porém, que colmate o vazio de uma história onde o vilão consegue ser mais interessante do que herói (Sinestro é, com efeito, a única personagem cuja densidade não é igual à de uma folha de papel).
       Por norma, as películas com super-heróis são redutos de personagens sofridas (órfãos, proscritos, rebeldes, etc.). É esse o caminho - ao invés de exibições feéricas de superpoderes - para gerar empatia com o público. Em Lanterna Verde vemos, por assim dizer, os ricos ficarem mais ricos.  A módica dose de diversão proporcionada por este filme poderá satisfazer alguns espectadores menos exigentes, mas seguramente deixará desapontados os conhecedores da mitologia do Gladiador Esmeralda.
 
Hal Jordan e alguns dos mais destacados membros da Tropa dos Lanternas Verdes.
 
 


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: O MASCARILHA





       Celebrizado através da banda desenhada, da televisão e do cinema, a verdade é que o Mascarilha começou por ser ouvido antes de ser visto. Isto porque as primeiras aventuras do justiceiro mascarado do Velho Oeste foram vividas num folhetim radiofónico de 1933.
 
Nome original: The Lone Ranger (devido a dificuldades de tradução, no Brasil recebeu o nome de Zorro e, em Portugal, de Mascarilha)
Primeira aparição: Rádio WXYZ de Detroit (no estado norte-americano do Michigan), em janeiro de 1933
Primeira aparição nos quadradinhos:  Em setembro de 1938, a King Features Syndicate lançou um conjunto de tiras do Mascarilha publicadas num jornal diário dos EUA. Em 1948, em parceria com a Dell Comics, a Western Publishing fez chegar às bancas uma série regular de BD que, inicialmente, compilava essas mesmas tiras. As primeiras histórias inéditas da personagem só surgiriam em 1951.
Criadores: As opiniões dividem-se sobre a quem deve ser atribuída a "paternidade" do herói: se a George W. Trendle (proprietário da estação de rádio onde o Mascarilha debutou), se a Fran Striker (o primeiro argumentista da série radiofónica). Tudo indica, contudo, que a personagem terá sido idealizada pelo primeiro e desenvolvida pelo segundo.
Licenciadoras: Rádio WXYZ (1933-1954), King Features Syndicate (1938-1971 e 1981-1984), Western Publishing/Dell Comics(1948-1962), Gold Key Comics (1964-1977), Topps Comics (1994) e Dynamite Entertainment (2006 até à atualidade)
Identidade civil: John Reid (o primeiro nome do Mascarilha só seria revelado aquando do 20º aniversário do seu programa radiofónico, em 1953)
Local de nascimento: Algures no Texas (EUA)
Parentes conhecidos: Dan Reid (irmão falecido) e Dan Reid Jr. (sobrinho)
Filiação: Ex-membro dos Texas Rangers (força policial cuja jurisdição se restringe ao estado do Texas e que tem como função, entre outras, capturar criminosos foragidos)
Base de operações: Texas
Armas e habilidades: Exímio cavaleiro, atirador e lutador corpo a corpo, o Mascarilha possui ainda apuradas competências detetivescas. Raramente se separa dos seus dois revólveres Colt .45, cuja munição se resume a balas de prata.

Ontem como hoje, as balas de prata são uma das imagens de marca do Mascarilha, dentro e fora dos quadradinhos.
 
História de publicação: Remonta a 1938 a primeira incursão do Mascarilha na banda desenhada. Nesse ano, a King Features Syndicate iniciou a publicação num jornal diário de tiras do já célebre cowboy mascarado. Inicialmente, o argumento era da autoria do próprio Fran Striker mas os constrangimentos de tempo logo ditariam a sua substituição por outros escritores, como Bob Green.
     Até 1971 as referidas tiras foram publicadas ininterruptamente. Após um ínterim de dez anos, em 1981, foi lançada uma segunda série das mesmas, agora sob a égide do  New York Times Syndicate, e que se prolongaria por três anos. Dois desses arcos de histórias seriam compilados em 1993 pela Pure Imagination Publishing.
     Antes, em 1948, pela mão da Western Publishing (em parceria com a Dell Comics) o Mascarilha tivera direito ao seu primeiro título regular de BD que, até 1951 (ano em que foram produzidas as  suas primeiras histórias inéditas), se limitava a compilar as tiras anteriormente publicadas pela King Features Syndicate. Entre 1948 e 1962 foram lançados 145 números da série. Pelo meio, em 1951, foi a vez de Tonto estrelar um título próprio, o qual, por sua vez, teve 31 números. Menos do que os 34 da série que, a partir de 1952, teve como protagonista, nada mais nada menos, do que Silver, o icónico cavalo do Mascarilha.

Capa de um dos números de The Lone Ranger com a chancela da Dell Comics (data desconhecida)
 
     A partir de 1964, já depois de desfeita a parceria entre a Western Publishing e a Dell Comics, foi relançada a série The Lone Ranger, agora com a chancela da Gold Key Comics. No entanto, a mesma só apresentaria material inédito a partir de 1975, limitando-se até aí a reeditar histórias antigas da personagem. Com apenas 28 números publicados, esta segunda série do Mascarilha chegaria ao fim em 1977.
     Seguiu-se um longo interregno de 17 anos que se prolongou até 1994, ano em que a Topps Comics produziu uma minissérie em quatro edições, intitulada The Lone Ranger and Tonto, escrita por Joe R. Lansdale e desenhada por Timothy Truman. Uma das novidades introduzidas por esta saga foi a caracterização de Tonto, agora transformado num adjuvante sarcástico e espirituoso.
      Após esse projeto editorial, somente em setembro de 2006 a Dynamite Entertainment relançaria o Mascarilha nos quadradinhos, sob o formato de uma minissérie em seis números. Devido ao seu êxito, a editora decidiu apostar numa nova série regular do herói, a qual seria, logo no ano seguinte, nomeada para os Eisner Awards, na categoria de melhor série. A consagração definitiva ocorreria, contudo, dois anos depois, quando a revista True West lhe atribuiu o prémio de Melhor Banda Desenhada de Cowboys de 2009.

Em 2006, pela mão da Dynamite Entertainment, o Mascarilha regressou à riblata com uma série premiada.
 
Biografia: Especula-se que o Mascarilha tenha sido inspirado no capitão John R. Hughes, um Texas Ranger que, nos primeiros anos do século passado, perseguiu e capturou o bando de malfeitores que assassinara um seu companheiro numa emboscada. Na sequência dessa façanha, logo em 1915 o escritor Zane Grey dedicou-lhe o seu livro The Lone Star Ranger.
     Com efeito, as semelhanças entre a história do capitão Hughes e a origem do Mascarilha são notórias:  o nome original do herói (The Lone Ranger) deriva do facto de ele ter sido o único sobrevivente de um grupo de seis Texas Rangers chacinados numa emboscada montada por uma perigosa quadrilha, chefiada pelo temível Bartholomew "Butch" Cavendish .
     Entre os Rangers mortos estava Dan Reid, irmão mais velho de John. A despeito de algumas cambiantes ao longo dos anos, a sua origem tem como premissa esse episódio.
     John Reid é encontrado à beira da morte por Tonto, um índio a quem, por sua vez, ela salvara a vida no passado. Noutra versão da história, os dois eram amigos de infância e reencontraram-se quando Tonto salvou Reid de índios renegados. Comum a ambas as versões, o facto de Tonto ter reconhecido Reid graças a um anel que lhe dera em sinal de gratidão por lhe ter salvado a vida.
     Depois de curado por Tonto, Reid resolve levar os seus algozes à justiça. Mas decide fazê-lo sob uma nova identidade, pelo que passa a usar uma máscara de cabedal preto (feita do colete usado pelo irmão no dia do massacre).
    Tonto, entretanto, cavou uma sexta sepultura na qual colocou uma cruz de madeira com o nome John Reid inscrito. Pretendia assim simbolizar a morte do homem e o nascimento da lenda do Mascarilha.
 
 
    Mesmo depois de ter capturado e entregue às autoridades Cavendish e os seus cúmplices, o Mascarilha prossegue a sua cruzada contra o crime, tendo Tonto como parceiro de aventuras.
    Sentenciado a prisão perpétua pelos seus crimes, ao fim de vinte anos Cavendish consegue evadir-se da prisão e parte no encalço do Mascarilha para se vingar. Os dois homens reencontram-se no desfiladeiro onde ocorrera a emboscada em que perdera a vida o capitão Dan Reid e os demais Texas Rangers.
    Acompanhado pelo seu sobrinho adolescente, Dan Reid Jr., o Mascarilha deslocara-se ao local para visitar a sepultura do seu irmão, quando foi surpreendido por Cavendish que, do alto de uma ravina, dispara sobre o herói, atingindo-o de raspão. Mesmo ferido, o Mascarilha consegue escalar a ravina enquanto Dan dispara as suas armas para manter Cavendish ocupado.
    Uma intensa luta corpo a corpo entre o Mascarilha e Cavendish culmina com a queda deste último do alto da ravina. Perante o vilão moribundo, o herói remove a sua máscara para que este o reconheça como um dos Rangers por ele assassinados anos atrás.
    Com Cavendish morto, Tonto remove a cruz com o nome de John Reid, deixando as restantes cinco.
    Adicionalmente a esta narrativa, os criadores do Mascarilha acrescentaram algumas diretrizes que ajudaram a definir a essência e a conduta da personagem:
 
* O Mascarilha nunca é visto sem a máscara (por esse motivo, nas suas histórias, ele nunca é detido pelas autoridades);
* Quando dispara as suas pistolas, o Mascarilha nunca atira a matar, procurando, ao invés, tentar apenas desarmar os seus oponentes da maneira mais indolor possível;
* A fim de evitar acusações de racismo ou xenofobia, os seus adversários são sempre cidadãos dos EUA (apesar de se terem verificado algumas exceções a esta regra);
* Nas sequências tendo como cenário os característicos saloons do Velho Oeste, o Mascarilha nunca é mostrado a ingerir qualquer bebida alcoólica ou a fumar;
* Obedecendo à mesma lógica assética, os vilões das suas histórias nunca são representados com glamour;
* O Mascarilha só usa balas de prata (extraída de uma mina particular secreta), à laia de lembrete metafórico para a preciosidade da vida humana, que deverá por isso ser preservada a todo o custo. Este elemento, a par da emblemática banda sonora das séries televisivas e do grito ""Hi-Yo, Silver! Away!" dado enquanto parte no seu cavalo branco em direção ao horizonte, contribuíram para lhe conferir o estatuto de ícone da cultura popular norte-americana.
 
 
Noutros media: Além dos 2956 episódios do seu folhetim radiofónico emitido pela WXYZ, o Mascarilha teve várias transposições para o pequeno e grande ecrãs.  Assim, a primeira série televisiva estrelada pelo justiceiro mascarado data de 1939. Produzida pela Republic Pictures, teve a particularidade de ter vários atores a interpretarem a personagem principal, mantendo assim o mistério quanto à sua verdadeira identidade, apenas revelada no derradeiro episódio.
     Foi, contudo, a série televisiva The Lone Ranger, que a estação ABC manteve no ar durante quase uma década (1949-1957) que catapultou o Mascarilha para a ribalta mundial. Com Clayton Moore a representar o herói em quatro das cinco temporadas da série (o ator foi substituído na terceira por John Hart, devido a disputas contratuais, regressando nas duas últimas), foram exibidos 221 episódios. Na quinta e última temporada, estes foram filmados a cores pela primeira vez.
 

Clayton Moore (esq.) e Jay Silverheels deram vida ao Mascarilha e ao Tonto numa mítica série televisiva.
 
     O primeiro dos cinco filmes (um dos quais, lançado em 2003 como telefilme) do Mascarilha realizados até ao momento, remonta a 1956. Os títulos, porém, nunca primaram pela originalidade, visto que The Lone Ranger foi comum a três deles. E isto inclui a mais recente incursão do herói mascarado do Velho Oeste na 7ª arte. Já este ano, chegou aos cinemas de todo o mundo mais uma adaptação cinematográfica de uma história octogenária, com Armie Hammer a dar vida ao Mascarilha e Johnny Depp a interpretar de forma singular o seu companheiro Tonto.
 
Jonhnny Depp (Tonto) e Armie Hammer (Mascarilha) no filme The Lone Ranger (2013).
 
     No campo da animação, onde o Mascarilha também deu cartas ao longo dos anos, a série mais popular foi transmitida pelo canal norte-americano CBS, entre 1966-68, fazendo as delícias de miúdos e graúdos de várias gerações.
 
O Mascarilha cavalgando Silver na sua mais popular série de animação.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

ETERNOS: CURT SWAN (1920-1996)



 
     Há um antes e um depois de Curt Swan nas histórias do Homem de Aço. Ao longo de mais de trinta anos, a sua arte fez as delícias de várias gerações de fãs. Ele, no entanto, considerava-se menos um artista do que um operário.
 
 
 
 
     Nascido na pequena cidade de Wilmar (no estado norte-americano do Minnesota) a 17 de fevereiro de 1920, Douglas Curtis Swan, de seu nome completo, era o mais novo dos cinco filhos do casal John Swanson e Leotine Hanson. O pai trabalhava nos caminhos-de-ferro e a mãe no hospital local.
      De origem sueca, o apelido Swanson fora abreviado para Swan pela avó paterna de Curt em finais do século XIX quando os seus antepassados ainda viviam no Canadá. 
      À medida que crescia, o pequeno Curt admirava as tiras ilustradas publicadas em jornais como o Saturday Evening Post, tendo desde tenra idade evidenciado talento para o desenho. Na escola, os seus dotes artísticos eram frequentemente requisitados tanto por colegas como por professores. Porém, apenas em sonhos ele acreditava um dia poder ganhar a vida a desenhar.
      Terminado o liceu, Curt começou a trabalhar num armazém para ajudar a família a enfrentar a Grande Depressão que assolava os EUA. Aos 18 anos alistou-se na Guarda Nacional do Minnesota, tendo sido incorporado no Exército dois anos depois.
      Corria o ano de 1941 quando a Companhia de Infantaria em que estava integrado foi destacada para a Irlanda do Norte, no âmbito da II Guerra Mundial.  Uma vez mais graças ao seu talento como ilustrador, Curt teve mais sorte do que a grande maioria dos seus camaradas de armas, mobilizados para combater em Itália e no Norte de África. Ao invés disso, Curt passou a maior parte do conflito a trabalhar como desenhador no boletim militar Star and Stripes. Período em que conheceu o escritor France Herron do qual se tornou amigo e que, anos depois, o ajudaria a arranjar emprego na DC Comics.
 
 
      Em finais de 1943, Curt foi transferido para Paris, onde arrendou um pequeno apartamento perto da Torre Eiffel. Vivendo o sonho de qualquer artista, decidiu casar no ano seguinte com Helene Brickley, uma trabalhadora da Cruz Vermelha também ela estacionada na capital francesa. O casal conhecera-se, anos atrás, num baile em Fort Dixon, Nova Jérsia.
      Depois da guerra, o jovem casal regressou aos EUA. Curt ambicionava obter um emprego como ilustrador e, nesse sentido, trocou o seu Minnesota natal por Nova Iorque, onde disporia de maiores oportunidades profissionais. 
      Por sugestão do seu amigo France Herron - que entretanto retomara o seu emprego como argumentista na DC - Curt enviou algumas amostras do seu trabalho a um dos responsáveis da editora. Causou tão boa impressão que não tardou a ser convocado para uma entrevista de emprego. 
    Admitido como desenhador, foi-lhe fornecido um argumento para uma história de Boy Commandos - um projeto de Jack "O Rei" Kirby. Por cada página desenhada, Curt receberia 18 dólares, uma excelente maquia para os valores da época. Curt, no entanto, acreditava que aquele seria um bom emprego somente durante um ou dois anos, pois não antevia grande futuro para a indústria dos quadradinhos. Estava portanto longe de imaginar que trabalharia no ramo ao longo de mais de quatro décadas.
 
Antes de Super-Homem, Curt Swan desenhou Superboy.
 
      À parte algumas aulas noturnas no Instituto Pratt (uma instituição privada de ensino superior com uma forte tradição nas artes), no âmbito de uma programa de reintegração social de veteranos da II Guerra Mundial promovido pelo Governo dos EUA, Curt era, acima de tudo, um autodidata. Por conseguinte, embora o salário que auferia na DC fosse apelativo, só então se conscencializou da enorme quantidade de tempo de que necessitava para ilustrar cada página.
     À semelhança de muitos outros artistas novatos, Curt colocava muitos detalhes no seu trabalho, ficando desiludido quer pelo pouco material que conseguia produzir, quer pelo aspeto do mesmo depois de colorido.
     Graças às dicas de Steve Brody, um colorista veterano da DC, Curt aprendeu a deixar os pormenores a cargo dos arte-finalistas. Logo começou a produzir três a quatro páginas por dia, chegando a embolsar perto de dez mil dólares ao longo de seu segundo ano ao serviço da editora.
     Cada vez mais solicitado, Curt assumiu a arte de vários títulos da DC, dispendendo entre 14 a 16 horas diárias de trabalho, sete dias por semana. A dada altura, passou também a desenhar as capas de Superboy. Começou assim a sua longa relação com os títulos do Último Filho de Krypton, cuja primeira história por si ilustrada foi publicada em Superman nº51 (abril de 1948).
     Mas nem tudo foram rosas. Os seus recorrentes atritos com Mort Weisinger - à época editor dos títulos do Homem de Aço - levaram Curt a abandonar a DC em 1951 para ir trabalhar numa agência publicitária. Uma experiência malsucedida e fugaz, na medida em que, um mês volvido, Curt retornou à DC, depois de concluir que o modesto salário de 50 dólares semanais que auferia na referida agência não lhe permitia pagar as contas no fim do mês.
 
As cenas de voo do Super-Homem tornaram-se mais dinâmicas graças à arte de Curt Swan.
 
     Recebido de braços abertos pelos seus antigos colegas e superiores, Curt regressou ao trabalho. Porém, também as suas enxaquecas voltaram. Como durante o mês em que estivera afastado de Mort Weisinger não fora acometido por elas, Curt concluiu que estavas resultavam da tensão acumulada pelas constantes críticas de Weisinger ao seu trabalho. Resolveu então confrontá-lo e dizer-lhe o que pensava. Para seu espanto, Weisinger respondeu favoravelmente e as enxaquecas de Curt desapareceram como que por magia.
     Em 1952, Curt foi pontualmente chamado a substituir o desenhador principal das histórias do Super-Homem. Como já vinha ilustrando os títulos Superboy e Jimmy Olsen, pareceu-lhe uma extensão natural do trabalho até aí desenvolvido.
     Três anos depois, na sequência da saída do seu predecessor, Curt assumiu a arte do Homem de Aço. Especula-se que terá sido uma escolha pessoal de Mort Weisinger. A pedido deste, alterou o visual do herói, suavizando-lhe o queixo de lanterna e acentuando-lhe os músculos, de molde a torná-lo menos caricatural.
     Através do traço de Curt, as expressões faciais do Super-Homem humanizaram-se e as suas cenas de voo tornaram-se mais fluidas - e até mesmo graciosas. Para esse efeito, tomou como modelos os atores Johnny Weissmuller ( o mítico Tarzan cinematográfico  dos anos 1930 e 1940) e George Reeves (que deu vida ao herói kryptoniano na não menos lendária série televisiva da década de 1950).
 
 Johnny Weissmuller (em cima) e George Reeves serviram de modelo ao Super-Homem idealizado por Curt Swan.
 
Pelo traço de Curt Swan, as expressões faciais do Super-Homem humanizaram-se.
 
     Quando, em meados da década de 70 do século passado, a DC e a Warner Bros. decidiram transpor pela primeira vez o Homem de Aço ao cinema, foi no visual do herói desenvolvido por Curt Swan que Christopher Reeve se baseou para a sua abordagem à personagem.
     Até 1986, ano em que foi substituído por John Byrne na arte das histórias do Super-Homem, Curt Swan revelou-se um artista consistente e prolífico, tendo colaborado ao longo dos anos com um extenso rol de argumentistas, arte-finalistas e editores, unânimes em reconhecer o seu talento e ética profissional. Despediu-se definitivamente da personagem com Whatever Happened to the Man of Tomorrow?, uma realidade alternativa escrita por Alan Moore. Entre os seus contributos para a mitologia do Homem de Aço destaca-se a criação (em parceria com o escritor Cary Bates) do supervilão Terra-Man e do herói alienígena Vartox.
 
File:Superman423.jpg
Whatever Happened to the Man of Tomorrow? (1986) marcou a despedida definitiva de Curt Swan das histórias do Super-Homem.
 
 
     Nos anos seguintes, Curt continuou a trabalhar para a DC, desenhando títulos como Swamp Thing, Teen Titans e vários anuais de outras personagens, apesar de reformado. Tal como muitos dos seus pares, Curt não acautelara financeiramente o seu futuro, pelo que se viu obrigado a continuar a trabalhar, em prol quer da sua sanidade mental, quer da sua sobrevivência.
     Com o tempo, porém, as suas colaborações com a DC foram-se tornada cada vez mais escassas, o que levou Curt ter problemas de alcoolismo que ditariam o fim do seu casamento.
     Quando questionado sobre a sua ética profissional, Curt invariavelmente respondia que se limitava a fazer o que qualquer operário faz: no seu caso, tudo se resumia a receber um argumento, desenhá-lo, devolvê-lo, receber o respetivo pagamento e trazer novo argumento para assim começar tudo de novo. Havia, no entanto, mais do que isso. Mesmo não se assumindo como um artista, Curt reconhecia que nada se comparava ao sorriso de um jovem enquanto folheava uma história por ele desenhada. Esse era, para ele, o aspeto mais gratificante do seu ofício.
      Malgrado a sua extensa e prolixa carreira, apenas em 1984 Curt foi agraciado com o primeiro prémio oficial, o Inkpot Award. A título póstumo, receberia também  The Will Eisner Award Hall of Fame, em 1997.
     Aos 76 anos de idade, Curt Swan morreu durante o sono a 16 de junho de 1996, deixando como legado ao mundo três filhos e a sensasional arte do Homem de Aço que encantou - e continua a encantar - sucessivas gerações de fãs em todo o mundo, que recordam com saudade e carinho aquele que foi, indubitavalmente, um dos grandes nomes dos 9ª arte.
 
 
O Homem de Aço nunca mais seria o mesmo depois de Curt Swan.
 


quarta-feira, 24 de julho de 2013

GALERIA DE VILÕES: ELECTRO





    Vilão clássico das histórias do Homem-Aranha, Electro será o principal antagonista do herói aracnídeo no seu próximo filme, The Amazing Spider-Man 2. Conheçam a sua eletrizante origem.
 
Nome original: Electro
Primeira aparição: The Amazing Spider-Man nº9 (fevereiro de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Steve Ditko (arte)
Licenciadora:  Marvel Comics
Identidade civil: Maxwell "Max" Dillon
Local de nascimento: Endicott, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Jonathan e Anita Dillon (pais falecidos), Norma Lynn Dillon (ex-esposa)
Filiação: Exterminadores, Sexteto Sinistro, os Sete Sinistros, Os Doze Sinistros, Emissários do Mal
Base de operações: Nova Iorque
Poderes e habilidades: Max Dillon é um gerador elétrico humano, constantemente energizado pela contração dos músculos ultrafinos que habitualmente servem para regular a temperatura corporal. Em resultado disso consegue gerar energia eletroestática a cerca de mil volts por minuto, bem como acumular até um milhão de volts no seu organismo. Quando isto sucede, ele adquire força e velocidade sobre-humanas. Também pode emitir rajadas elétricas pelas mãos, de potência variável.
      Acresce ainda a habilidade de sobrecarregar dispositivos eletrónicos, os quais também consegue por vezes controlar mentalmente. Para infortúnio de um certo Escalador de Paredes, a energia eletroestática de Electro consegue anular a sua capacidade de aderir a qualquer tipo de superfície.
      Electro já manifestou pontualmente poderes de magnetismo, pese embora limitados. Mas que, ainda assim, lhe permitem manipular campos magnéticos e mover objetos metálicos, ao estilo do mutante Magneto.
Fraqueza: Quando sobrecarregado de energia, Electro torna-se extremamente sensível a tudo o que possa causar-lhe um curto-circuito, principalmente água.
 
A eletrizante estreia de Electro ocorreu em The Amazing Spider-Man nº9 (1964).
 
Biografia: Pertence à mesma dupla que criou o Homem-Aranha em 1962 - Stan Lee e Steve Ditko - a "paternidade" de Electro, que em 2009 foi considerado o 87º Melhor Vilão De Todos Os Tempos no ranking do site IGN. Sendo um dos arqui-inimigos mais antigos do Escalador de Paredes, Electro já marcou presença em incontáveis histórias do herói, não só nos quadradinhos mas também fora deles, nomeadamente em séries animadas e jogos de vídeo. No próximo ano ganhará vida pela primeira vez no grande ecrã em O Fantástico Homem-Aranha 2 (The Amazing Spider-Man 2), interpretado pelo ator Jamie Foxx ((Django Libertado).
     Criado pela sua superprotetora mãe depois de o pai os ter abandonado a ambos, na sua juventude Max Dillon ambicionava tornar-se um engenheiro eletrotécnico. Persuadido pela progenitora de que não era suficientemente inteligente para abraçar uma carreira desse tipo, Max resignou-se a trabalhar como técnico de alta tensão numa empresa do ramo.
     Certo dia, enquanto reparava uma cabo elétrico ainda ligado à respetiva bobine, Max foi atingido por um relâmpago. Em vez de matá-lo, o insólito acidente provocou uma transformação mutagénica no seu sistema nervoso, permitindo-lhe doravante gerar e controlar elevadas quantidades de energia eletroestática.
     Passando então  a usar um uniforme de cores berrantes, Max adotou o codinome Electro e dedicou-se a cometer pequenos delitos, particularmente assaltos a bancos. Visto que, inicialmente, os seus poderes eram mais limitados do que no presente, tinha por vezes de roubar equipamento elétrico para se recarregar.
 
Apesar das suas fantásticas habilidades, Electro parece condenado ao estatuto de vilão de 2ª categoria.
 
     Não obstante, as habilidades de Electro atraíram a atenção de Magneto que tentou em vão recrutá-lo para as fileiras da Irmandade dos Mutantes. Prosseguindo com a sua incipiente carreira criminosa a solo, o vilão, após assaltar J.J. Jamenson - o irascível diretor do Clarim Diário -, enfrentou pela primeira vez o Homem-Aranha, tendo derrotado o herói graças à corrente elétrica gerada pelo seu corpo e que apanhou o Escalador de Paredes desprevenido. No segundo round desse combate, o Homem-Aranha muniu-se de luvas de borracha e de uma boca de incêndio para levar de vencida o vilão.
      Pouco tempo depois, Electro veria outro justiceiro uniformizado a cruzar-lhe o caminho, desta feita o Demolidor. Novamente derrotado e enviado para a cadeia, Electro resolveu juntar-se à formação de malfeitores conhecida como Sexteto Sinistro, composta por outros inimigos jurados do Homem-Aranha: Kraven, o Caçador, Doutor Octopus, Abutre, Mysterio e Homem-Areia. No entanto, ao invés de unirem forças contra o adversário comum, os seis vilões optaram por uma espécie de competição entre si para ver qual deles era bem-sucedido em derrotar o Escalador de Paredes. Resultado: acabaram derrotados um a um pelo herói.
 
Electro foi incontáveis vezes derrotado pelo Homem-Aranha, mas também por outros super-heróis.
     Numa tentativa de conquistar o respeito e a glória que lhe julgava merecidos, Electro retomou a sua carreira a solo, tendo arquitetado um audacioso plano para controlar a rede elétrica de Nova Iorque. Uma vez mais acabaria, porém, por ser detido pelo Homem-Aranha, que logrou convencê-lo a abandonar o crime. Decisão contudo apenas temporária...
     Quando, algum tempo volvido, Kaine  - o clone insano do Homem-Aranha - começou a exterminar os inimigos do Escalador de Paredes um por um, Electro temeu pela vida e juntou-se durante um breve período aos Sete Sinistros, grupo de malfeitores reunido e liderado por Mysterio. Com o desaparecimento de Kaine, a pandilha desfez-se e Electro retomou a sua reforma.  A qual seria novamente interrompida pelo Rosa, sucessor do Rei do Crime na chefia do submundo nova-iorquino. Aliciado com a possibilidade de ter os seus poderes ampliados através de uma experiência científica, Electro concordou em prestar os seus serviços ao Rosa. Secretamente, porém, planeava usar as recém-adquiridas habilidades para retomar o seu plano de controlar a rede elétrica da Grande Maçã.
    Quando pôs em prática esse seu plano, o vilão foi novamente derrotado pelo Homem-Aranha. Frustrado, Electro atirou-se às águas do rio Hudson, num aparente suicídio.
     Todavia, o vilão voltaria a dar um ar da sua graça como membro das sucessivas encarnações do Sexteto Sinistro que, invariavelmente, acabavam derrotadas devido às recorrentes traições dos seus integrantes.
     Apenas por uma vez Electro e os seus comparsas estiveram perto de alcançar o seu objetivo de eliminar o Homem-Aranha: foi quando o Duende Verde reuniu os Doze Sinistros. Para derrotá-los foi necessária a força combinada do Capitão América, Quarteto Fantástico, Demolidor, Jaqueta Amarela e Homem de Ferro.
    Mais recentemente, Electro foi inadvertidamente responsável pela formação dos Novos Vingadores. Contratado para libertar Karl Lykos da Balsa - prisão de máxima segurança para meta-humanos - ele provocou uma fuga em massa no presídio, tendo as suas ações levado à intervenção de diversos super-heróis, incluindo o Capitão América, Homem de Ferro, Luke Cage, Mulher-Aranha, Demolidor, Sentinela e o inevitável Homem-Aranha. Controlada a situação, todos eles - exceto o Demolidor - se reuniram nos Novos Vingadores.
    Electro ainda tentou escapar na companhia da sua namorada, mas acabaria capturado pela nova superequipa que ele próprio ajudara a fundar.
 
 
 
Noutros media: A primeira aparição televisiva de Electro foi um cameo num episódio da série animada The Marvel Super Heroes (1966), curiosamente no segmento do Príncipe Submarino. Ainda na década de 1960 participou em três ocasiões na série de animação Spider-Man (1967-1970). Após o que marcou presença - com maior ou menor preponderância - em todas as séries animadas estreladas pelo herói aracnídeo. Na mais recente, Ultimate Spider-Man (2012), teve direito pela primeira vez a um episódio titulado com o seu nome.
 
O visual de Electro em Ultimate Spider-Man.
     
    No cinema aguarda-se com grande expectativa a performance de Jamie Foxx como Electro no segundo capítulo da nova vida do Escalador de Paredes no grande ecrã: The Amazing Spider-Man 2 (com estreia prevista para meados do próximo ano e onde o vilão surgirá com um visual renovado, muito diferente do da banda desenhada).
 
Em O Fantástico Homem-Aranha 2, Jamie Foxx encarnará um Electro muito diferente do da BD, porém com muitas semelhanças com a versão do vilão na série animada Ultimate Spider-Man.