sábado, 28 de setembro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: PUNHO DE FERRO


 
       Surgido numa época de enorme popularidade dos mestre das artes marciais, o Punho de Ferro deve o seu nome ao título de um filme do género. Como Vingador ou herói de aluguer, ele luta sempre por causas justas.


Nome original: Iron Fist
Primeira aparição: Marvel Premiere nº15 ( maio de 1974)
Criadores: Roy Thomas (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Daniel Thomas Rand-K'ai
Local de nascimento: Nova Iorque
Parentes conhecidos: Wendell Rand-K'ai (pai falecido), Heather Duncan Rand (mãe falecida), Miranda Rand-K'ai (meia-irmã)
Filiação: Heróis de Aluguer, Vingadores e Defensores Secretos
Base de operações: Nova Iorque
Poderes, armas e habilidades: Atleta e acrobata de excelência, o Punho de Ferro é também um mestre em praticamente todas as artes marciais conhecidas. O que faz dele uma verdadeira arma viva, além de lhe permitir controlar o seu sistema nervoso de forma a entorpecer a dor.
       Através da concentração, o herói consegue canalizar a sua energia espiritual (chi) de modo a  amplificar as suas capacidades físicas e mentais até níveis sobre-humanos. Focalizando esse mesmo chi no seu punho, ele consegue controlar a energia de Shou-Lao, a qual fornece temporariamente a essa parte da sua anatomia superforça, invulnerabilidade e imunidade à dor. Este processo é, todavia, mentalmente extenuante, pelo que o Punho de Ferro necessita de algum tempo para descansar antes de voltar a repeti-lo.
       Entre as suas habilidades destaca-se ainda o seu fator de cura, que pode ser aplicado em outrem. Pode também captar energias místicas, bem como fundir a sua consciência com a de outros indivíduos, percecionando dessa forma as suas memórias e emoções.
       Em circunstâncias muito excecionais, ele pode inclusivamente empregar o seu chi para abrir portais dimensionais.

A estreia de Punho de Ferro em Marvel Premiere nº15 (1974).
 
História de publicação: Em meados da década de 1970, na cultura norte-americana, assistiu-se a uma súbita popularidade dos heróis de ação e dos mestres das artes marciais. Na senda desse fenómeno, a Marvel lançou, em dezembro de 1973, Shang-Chi, O Mestre do Kung-Fu, personagem que fez furor entre os leitores. Em resultado disso, menos de um ano depois, a Casa das Ideias resolveu apostar em novo herói do género, criado pelo argumentista Roy Thomas e pelo desenhador Gil Kane (vide texto anterior).
      Numa pequeno texto introdutório publicado em Marvel Premiere nº15 (onde o Punho de Ferro fez a sua primeira aparição), Roy Thomas explicava que muitos dos elementos da origem do herói derivavam de um conceito originalmente desenvolvido por Bill Everett nos anos 1940: o Amazing-Man.  Já o nome dado à neófita personagem foi inspirado no título de um filme de artes marciais, visto por Gil Kane, muito antes de Bruce Lee se tornar o expoente máximo do género, The Iron Fist Ceremony (A Cerimónia do Punho de Ferro).
      Apesar de algumas dúvidas iniciais em relação ao nome Punho de Ferro - sendo passível de ser confundido com o Homem de Ferro - Stan Lee, o editor-chefe da Marvel à época, deu-lhe o seu aval e, pouco tempo depois, o novo herói debutava nas páginas de Marvel Premiere. Título onde foi sucessivamente escrito e desenhado por valores consagrados como Len Wein, Chris Claremont, John Byrne ou Larry Hama, apenas para citar alguns.
      Devido ao seu sucesso, o Punho de Ferro ganharia um título próprio a partir de novembro de 1975, com os argumentos a cargo de Chris Claremont e arte de Jonh Byrne. Uma dupla criativa de luxo que, ainda assim, foi incapaz de evitar o cancelamento da série ao cabo de quinze edições.
      Após a sua participação numa história em três partes nos números 48, 49 e 50 de Power Man (conhecido entre nós como Luke Cage), o Punho de Ferro passou a dividir o título com o herói de ébano. Juntos, os dois viveriam incontáveis aventuras e desventuras como Heróis de Aluguer, até à última edição da série, publicada em setembro de 1986.
      Seguiu-se uma longa travessia do deserto, interrompida apenas por algumas minisséries e participações ocasionais em títulos de outras personagens Marvel. Foi, pois, preciso esperar até 2007 para ver o herói estrelar um título próprio. Ao longo de 27 números (o último foi lançado em agosto de 2009), Immortal Iron Fist devolveu o Punho de Ferro à ribalta.
     Mais recentemente, entre agosto de 2010 e janeiro de 2013 foi presença regular na série New Avengers combatendo ao lado dos heróis mais poderosos da Terra toda a sorte de ameaças.


Em 2007, o Punho de Ferro voltou à ribalta com uma série própria, The Immortal Iron Fist.
 

Biografia: Daniel Rand é filho do empresário Wendell Rand que, na sua juventude, visitou a cidade mística de K'un-Lun, a qual, uma vez a cada década, se materializa nos Himalaias. Fundada por extraterrestres aproximadamente um milhão de anos atrás, K'un-Lun foi governada ao longo dos séculos pelos descendentes dessa raça alienígena e por seres conhecidos como os Reis Dragões. Ambas as espécies obedeciam, porém, ao Mestre Khan, um poderosíssimo mago.
     Aquando da sua visita à cidade mística, Wendell Rand salvou a vida de Lorde Tuan, o regente de K'un-Lun. Este retribuiu perfilhando-o e, para ressentimento do seu filho biológico, designando-o como seu herdeiro.
     Durante a sua estada em K'un-Lun, Wendell desposou uma mulher chamada Shakari e adotou uma filha, a que deu o nome de Miranda Rand-K'ai. Algum tempo depois, Wendell derrotou num combate ritualístico o filho do mais formidável guerreiro da cidade, conquistando assim o direito a reclamar para si o poder de Shou-Lao, o Imortal. Tratava-se de uma criatura horrenda resultante da transformação, mil anos atrás, de um homem em serpente mística pela ação do Rei Dragão Chiantang. No entanto, apesar de os melhores guerreiros de K'un-Lun terem sido periodicamente detentores do poder do Punho de Ferro, Wendell recusou-o.


     Dez anos após a sua chegada a K'un-Lun, Wendell e a sua esposa, Shakari, foram atacados por asseclas do filho de Lorde Tuan. Do ataque resultou a morte de Shakari, facto que, por sua vez, ditou o regresso de Wendell aos EUA. No seu país de origem, não tardou a tornar-se num bem-sucedido empresário acumulando uma considerável fortuna. Também refez a sua vida familiar casando em segundas núpcias com Heather Duncan, uma socialite nova-iorquina. Desse casamento nasceu Daniel.
     Entretanto, sem que Wendell soubesse, Lord Tuan deixara o mundo dos vivos e, perante a ausência do seu herdeiro designado, o poder régio de K'un-Lun transitou para o seu pérfido filho, Yu-Ti.
    Quando Daniel tinha nove anos, o pai resolveu levar a família a K'un-Lun, cuja próxima materialização terrena estava iminente. A expedição aos Himalaias contou também com a presença de Harold Meachum, sócio de Wendell. Quando Wendell caiu numa escarpa da montanha, sendo a sua queda sustida pela saliência de um rocha, Meachum, vendo ali uma oportunidade de tomar os negócios do seu sócio, forçou-o a precipitar-se no abismo, provocando-lhe a morte.
     Heather, por seu turno, sacrificou a própria vida para salvar a do filho do ataque de uma alcateia enfurecida. Daniel foi encontrado pelos habitantes de K'un-Lun e levado por eles para a cidade mística entretanto materializada. Mutilado pelo frio, Meachum regressou a Nova Iorque sabendo que o herdeiro do seu falecido sócio sobrevivera. Ao longo da década seguinte, engendrou um elaborado plano de defesa contra o ataque que sabia inevitável.
     Jurando vingar a morte dos seus pais, o pequeno Daniel estudou artes marciais durante a sua estada em K'un-Lun. Enquanto crescia, tinha como melhor amiga Miranda Rand-K'ai, que, no entanto, desconhecia ser sua meia-irmã. Pouco depois de completar dezanove anos, Daniel reclamou a oportunidade de conquistar o poder do Punho de Ferro defrontando, tal como o seu pai fizera anos antes, Shou-Lao, O Imortal, cujo poder residia agora num braseiro místico.
 
Aliando as artes marciais ao misticismo, o Punho de Ferro é uma arma viva ao serviço do Bem.
 
     Num feito inédito, Daniel matou Shou-Lao e mergulhou as suas mãos no braseiro místico, ficando assim imbuído do poder do Punho de Ferro. Quando o portal dimensional que permitia o acesso à Terra se reabriu, Daniel deixou K'un-Lun para rumar a Nova Iorque.
      Ao tomar conhecimento do regresso do filho do seu malogrado sócio, Meachum pôs a cabeça de Daniel a prémio. Nada que impedisse o jovem de chegar até ele. No entanto, ao constatar que o assassino do seu pai não passava agora de um inválido, Daniel compadeceu-se e poupou-lhe a vida.
     Envergando o traje cerimonial do Punho de Ferro, Daniel Rand passou a operar como um justiceiro mascarado. Entre os vários vilões que enfrentou nos primórdios da sua carreira heroica, destacam-se Dentes-de-sabre, Mestre Khan e Serpente de Aço. Pelo meio, tornou-se amante de Misty Knight, uma agente policial especializada em missões como infiltrada. Numa dessas operações, a sua identidade foi descoberta e, em resultado disso, o gângster em cuja organização Misty se infiltrara, sequestrou dois amigos de Luke Cage, um mercenário invulnerável. Chantageado pelo criminoso, Cage tentou matar Misty. Coube ao Punho de Ferro protegê-la  e, após uma breve batalha com Cage, a verdade veio à tona. Punho de Ferro e Luke Cage acabaram unindo esforços para resgatar os amigos deste e para entregar Bushmaster à justiça. Desta parceria fortuita resultariam os Heróis de Aluguer, uma empresa de prestação de serviços de proteção pessoal e corporativa.

Luke Cage & Punho de Ferro, os Heróis de Aluguer.
  
      Embora os Heróis de Aluguer supostamente apenas agissem a troco de dinheiro, a verdade é que eles nunca deixavam de lutar por causas justas acabando assim por se revelar uma atividade muito pouco lucrativa. Como Daniel Rand, o Punho de Ferro reassumira entretanto o controlo da fortuna paterna, facto que gerou tensões com o seu associado, nascido e criado na pobreza do gueto.
      Muitos anos após a dissolução dos Heróis de Aluguer, quando a identidade secreta do Demolidor foi comprometida, Daniel assumiu temporariamente o uniforme do Homem Sem Medo, tentando dessa forma fornecer um álibi a Matt Murdock.  Foi nessa qualidade que, durante a Guerra Civil, se juntou à fação de opositores ao registo obrigatório de meta-humanos, liderada pelo Capitão América. Com a prisão deste, Daniel, reassumindo a identidade de Punho de Ferro, passou a integrar Os Novos Vingadores, um grupo clandestino de super-heróis que, entre outros, incluía também o seu ex-associado Luke Cage. Adotou também um novo uniforme, substituindo o tradicional verde e dourado por um branco e dourado.
 
Nos Novos Vingadores, o Punho de Ferro reencontrou Luke Cage (em 1º plano na imagem).
      
Noutros media: Ainda enquanto membro dos Heróis de Aluguer, o Punho de Ferro fez a sua estreia fora da banda desenhada num episódio da série animada The Avengers: Earth's Mightiest Heroes (2010-2012). A comprovar a sua diminuta expressão noutros media, o facto de, desde 2000, um filme baseado no herói ter vindo a ser sucessivamente adiado. A última informação referente a este projeto foi divulgada em agosto de 2010, com os estúdios da Marvel a anunciarem a contratação de um novo argumentista. Nada mais foi, contudo, concretizado até ao momento.
 
Poderão os fãs esperar um filme do Punho de Ferro num futuro próximo?


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ETERNOS: GIL KANE (1926-2000)



      Viveu as Idades do Ouro e da Prata dos Quadradinhos. O seu traço distinto fez escola na Marvel e na DC. Criou personagens emblemáticas para ambas as editoras. Sempre a coberto de pseudónimos.
 
 
Biografia e carreira: Gil Kane foi o pseudónimo mais famoso de Eli Katz, nascido na Letónia, no seio de uma família a judaica, a 6 de abril de 1926.  Scott Edward, Gil Stack, Stack Til, Pen Star e Phil Martell foram outros dos pseudónimos que usou ao longo da sua extensa carreira como ilustrador.
      Em 1929 a família de Gil Kane emigrou para os EUA, assentando arraiais em Brooklyn, Nova Iorque. Filho de um modesto comerciante de carne de aves, Kane frequentou a School of Industrial Art, em Manhattan, mas abandonou os estudos no último ano, quando surgiu a oportunidade de trabalhar na MLJ Comics (antecessora da Archie Comics). Corria o ano de 1942 e Kane tinha acabado de completar 16 anos.
      A sua passagem pela editora seria, contudo, efémera. Ao fim de apenas três semanas, Kane foi dispensado. Durante esse breve período, o seu trabalho consistiu, quase exclusivamente, em fazer a balonagem de algumas histórias aos quadradinhos, embora, pontualmente, tenha arte-finalizado algumas delas.
      Pouco tempo depois, foi convidado por Jack Binder a trabalhar na sua agência. Esta, no entanto, resumia-se a um apartamento situado na Quinta Avenida, que Gil Kane descreveria mais tarde como uma espécie de campo de trabalhos forçados. Dentro daquele espaço amontoavam-se entre 50 a 60 ilustradores, trabalhando afincadamente diante dos seus estiradores. Dados os parcos recursos da agência, até o papel era racionado.
     Foi todavia lá que Kane se profissionalizou como desenhador. Mas o resultado do seu trabalho não entusiasmou Jack Binder e o seu emprego na agência ficou em xeque.
     Inesperadamente, passadas três semanas, a MLJ Comics resolveu não só readmiti-lo, como também atribuir-lhe novas funções e um aumento salarial. De um dia para o outro, Kane assumiu um dos títulos principais da editora, ao mesmo tempo que colaborava como freelancer com outros estúdios.
     Em 1944 realizou o seu primeiro trabalho para a Timely Comics (antepassada da Marvel), sendo um dos dois coloristas que colaboraram numa história de 28 páginas dos Young Allies (um grupo de heróis adolescentes criado com motivos patrióticos durante a II Guerra Mundial). Nesse mesmo ano arte-finalizou o trabalho do mestre Jack Kirby numa história de Sandman, não figurando, porém, o seu nome nos créditos da mesma (o que, na gíria da indústria dos comics, se designa por "artista fantasma").
     Ainda em 1944, foi incorporado no Exército estadounidense, sendo posteriormente destacado para o teatro de operações do Pacífico. Ao cabo de 19 meses de serviço millitar, regressou a casa, em dezembro de 1945. Dois anos depois, em 1947, foi contratado por Sheldon Mayer, o editor-chefe da All-American Publications, para um projeto que duraria um semestre.
     Pelo meio, e sempre sob pseudónimos, trabalhou como ilustrador e colorista em projetos de diversas editoras, chegando também a desenhar alguns guiões televisivos.
     Em 1949 Gil Kane iniciou uma longa relação profissional com Julius Schwartz, um dos editores da National Comics (atual DC).
    Ao longo da década de 1950, Gil Kane viveu por dentro a eferverscência criativa da denominada Idade da Prata dos Quadradinhos. Em conjunto com o argumentista John Broome, foi cocriador da versão moderna do Lanterna Verde, assim como da Tropa dos Lanternas Verdes.
 
O Lanterna Verde da Idade da Prata pelo traço de Gil Kane.
 
    Ao serviço da DC, desenhou também, nos anos 1960, várias histórias de Os Novos Titãs, bem como de Rapina e Columba. Paralelamente, ilustrou um punhado de histórias do Hulk, sob o pseudónimo Scott Edward, para a arquirrival Marvel.
    Renegando esse pseudónimo, Gil Kane colaborou com a Tower Comics e a Harvey Comics, antes de se mudar de armas e bagagens para a Marvel, onde, nos primeiros anos da década de 70 do século passado, sucedeu a John Romita Sr. como responsável artístico do título The Amazing Spider-Man. Muito apreciado pelo seu traço ímpar, logo se tornou no mais proeminente artista de capas da Casa das Ideias.
    Em parceria com o escritor/editor Stan Lee, Kane produziu um arco de histórias em três capítulos, publicado nos números 96, 97 e 98 de The Amazing Spider-Man em 1971, que assinalou o primeiro grande desafio à autorregulação da indústria dos quadradinhos desde a introdução, em 1954, do Comics Code Authority. Essa espécie de código de ética proibia expressamente qualquer referência ao uso de drogas nos comics, mesmo num contexto negativo. Fazendo tábua rasa dessa interdição, Lee e Kane, sob os auspícios do Departamento Federal de Saúde, Educação e Bem-estar, lançaram uma história do Escalador de Paredes, que alertava para os malefícios do consumo de estupefacientes, mesmo sem a aprovação do Comics Code Authority.
     O resultado não podia ter sido melhor: além de aclamada pela crítica, a história foi um enorme sucesso de vendas. Em consequência disso, a indústria rejeitou a censura autoimposta, abrindo assim caminho para a revisão do seu código de ética.
     Com o escritor Roy Thomas, Gil Kane reformulou o Capitão Marvel e relançou Adam Warlock, dois heróis cósmicos do universo Marvel caídos no oblívio. Esta dupla seria também responsável pela criação do Punho de Ferro e do vampiro Morbius.
 
Homem-Aranha e Punho de Ferro foram dois dos heróis Marvel desenhados por Gil Kane.

     Em concomitância com este afã criativo na Casa das Ideias, Kane desenvolveu vários projetos a título individual. Agora sob o pseudónimo Robert Franklin, ele concebeu, ilustrou e coescreveu duas novelas gráficas: His name is... Savage (publicada em 1968 pela Adventure House Press) e Blackmark (Bantam Books, 1971).
 
Com Blackmark, Kane inaugurou a tendência das novelas gráficas.
 
     Nos anos 1970 e 1980, Kane revitalizou diversas personagens das séries animadas da Hanna-Barbera e da Ruby-Spears. Em 1977, em parceria com o escritor Ron Goulart, lançou uma bem-sucedida série de tiras diárias num jornal, a que deu o título de Star Hawks. Depois de, no princípio dos anos 1980, se ter revezado com Curt Swan na arte das histórias do Homem de Aço, em 1989, Gil Kane  ilustrou uma adaptação aos quadradinhos da ópera épica de Richard Wagner, O Anel dos Nibelungos.
     Na década seguinte, Kane diversificou as suas colaborações, tendo ilustrado minisséries e edições especiais para a Topp Comics, a Malibu Comics e Awesome Entertainment.
      O seu último trabalho publicado em vida teria, contudo, a chancela da Dark Horse Comics: uma página ilustrada em Sin City: Hell and Back nº4 (outubro de 1999). Postumamente, em junho de 2000, foi lançada a história em duas partes reunindo o Lanterna Verde e Eléktron (outro herói da DC de que foi cocriador) por si desenhada.
     Até ao seu falecimento, em 31 de janeiro de 2000 em Miami (Florida), devido a um linfoma, Gil Kane manteve-se ativo enquanto artista. Deixou viúva a sua segunda esposa, Elaine, e órfão o filho Scott.
 
Gil Kane inscreveu o seu nome nos anais da história da banda desenhada.
 
Prémios e distinções: Distinguido diversas vezes ao longo da sua carreira, Gil Kane arrecadou em três ocasiões (1971,1972 e 1975) o prémio para melhor desenhador atribuído pela National Cartoonists Society. Em 1977 Star Hawks foi eleita a melhor tira diária pela mesma instituição. Recebeu ainda um SHAZAM Award, em 1971, pela graphic novel Blackmark, sendo igualmente nomeado para o Eisner Award Hall of Fame e para o Harvey Award Jack Kirby Hall of Fame em 1997. Antes, em 1995, o seu trabalho fez parte da exibição KAPOW: A Showcase of Superheroes, realizada no Centro Cultural Muckenthaler, em Fullerton (Califórnia).
      No entanto, o mais importante prémio da sua carreira foi, sem dúvida, o reconhecimento de uma legião de fãs que cresceram a apreciar o seu traço inconfundível.
 
Star Hawks, uma das obras-primas de Gil Kane.
 


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: TROPA DOS LANTERNAS VERDES


File:Green Lantern Corps Logo.jpg


       Milhões de anos atrás, os Guardiões do Universo criaram uma força policial para proteger e servir cada um dos 3600 setores mapeados do Cosmos. Recrutados devido à sua imbatível força de vontade, esses agentes da lei e da ordem galácticas formam a Tropa dos Lanternas Verdes.


Nome original: Green Lantern Corps
Primeira aparição: Showcase nº22 (outubro de 1959)
Criadores: John Broome (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Quartel-general: Planeta Oa
Base de operações: Todo o Universo
Estrutura: Contando atualmente com 7200 efetivos ao seu serviço (o dobro do contigente original), a Tropa dos Lanternas Verdes concede um elevado grau de autonomia aos seus operacionais, que assim podem escolher os métodos mais adequados para exercer a sua autoridade no seio da sua jurisdição.  Esta autoridade pode, contudo, ser revogada pelos Guardiões do Universo caso se verifiquem abusos.
     Em setores mais populosos como o 2814 (a que pertence a Terra), poderá haver mais do que um agente responsável pela sua proteção. Assim se explicando a coexistência de quatro lanternas verdes humanos (Hal Jordan, Guy Gardner, John Stewart e Kyle Rayner).
     Entre outros deveres, cada lanterna é incumbido de, em caso de reforma ou de morte iminente, encontrar um substituto condigno. Se o operacional morrer antes de poder cumprir esta obrigação, o seu anel encarregar-se-á de, após reportar o óbito a Oa, encontrar um sucessor. Em circunstâncias muito excecionais, a escolha poderá ser feita pessoalmente pelos Guardiões.
     Uma vez recrutado, o novo lanterna verde é sujeito a um treino intensivo em Oa. Findo este, é-lhe fornecido um anel energético, uma bateria em forma de lanterna para o recarregar e um uniforme padrão (que poderá, no entanto, ser personalizado). Após prestar o juramento solene da organização, é-lhe atribuída a proteção de um setor espacial.

Showcase nº22 (1959) assinalou a estreia da Tropa dos Lanternas Verdes.
 
Outros departamentos:

* Tropa dos Lanternas Alfa: força especial criada para gerir assuntos internos da organização;
* Guarda de Honra dos Lanternas Verdes: tropa de elite sediada em Oa, cuja esfera de atuação não está restringida a um único setor;
* A Milícia: divisão secreta da Tropa dos Lanternas Verdes responsável pelas missões mais arriscadas e cujos operacionais não obedecem ao código de conduta padrão da organização.
 
 
Origem: Na cúpula dirigente da Tropa dos Lanternas Verdes encontram-se os seus fundadores e líderes, os Guardiões do Universo. Trata-se de uma das várias espécies originárias do planeta Maltus. Sendo também uma das mais antigas formas de vida inteligente do Cosmos, com o tempo estes seres tornaram-se cientistas e pensadores, usando outros mundos como cobaias para as suas experiências.
      Incontáveis eras atrás, um deles, Krona, viajou no tempo a fim de observar o exato momento da criação do Universo. Esta experiência seria, porém, catastrófica para toda a Existência, dela resultando a criação do multiverso e do universo de antimatéria.
      Perante o caos, os maltusianos dividiram-se quanto à melhor solução a dar ao problema: uma das partes decidiu devotar a sua existência imortal a conter o Mal. Este grupo, por sua vez, dividiu-se em duas fações, Os Guardiões do Universo e os Controladores. Estes últimos eram adeptos de métodos mais violentos e fundaram uma outra força policial intergaláctica, os Darkstars.
     Já as fêmeas maltusianas não viram necessidade de tomar partido nesta contenda e, considerando que a imortalidade da sua espécie dispensava qualquer necessidade reprodutiva, abandonaram Oa e os seus congéneres masculinos.

Os Guardiões do Universo.
      Reposicionando o seu mundo natal  no centro do Universo, os Guardiões passaram daí em diante a combater o Mal e a assegurar a ordem cósmica. Tendo em vista esses dois propósitos, criaram uma legião robótica a que deram o nome de Caçadores Cósmicos.
     Contudo, os Caçadores  Cósmicos não tardaram a revelar-se defeituosos devido à sua incapacidade de sentir medo. Acabariam mesmo por se rebelar contra os seus criadores, desencadeando uma guerra milenar, a qual culminaria num ataque dos robôs a Oa.
    Quando, por fim, os Guardiões lograram derrotar os seus antigos servos, retiraram-lhes os poderes e baniram-nos para diferentes quadrantes do Cosmos. O que não impediu os Caçadores Cósmicos de fundarem a sua própria sociedade robótica e de continuarem a interferir nos desígnios dos seus criadores.
   
Antes da Tropa dos Lanternas Verdes, os Guardiões criaram os Caçadores Cósmicos.
 
     Frustrados pelo fracasso da criação dos Caçadores Cósmicos, os Guardiões deliberaram que a sua nova força de manutenção da lei e da ordem galácticas seria composta por seres vivos, providos de livre arbítrio e de uma inabalável estrutura ética e moral.
     Para armar esta sua nova legião de cavaleiros celestiais, os Guardiões desenvolveram anéis energéticos. Estes dispositivos de avançadíssima tecnologia permitiam aos seus usuários criar toda a sorte de construtos, bem como disparar rajadas energéticas de intensidade variável. A imaginação e a força de vontade dos seus portadores seriam as grandes limitações destas armas incríveis.
      Embora a relação entre os Guardiões do Universo e a génese do símbolo da Tropa dos Lanternas Verdes nunca tenho sido cabalmente esclarecida, em tempos foi revelado que a lanterna tem as suas raízes na forma de vida primordial a habitar o Universo. Supostamente, a dita terá emergido de um mundo nebuloso e sem nome. Quando esses seres fundaram a primeira força policial intergaláctica, os seus agentes transportavam uma espécie de lanterna iluminada por uma chama química de cor verde.
      Acredita-se que este ideal foi adotado e espalhado pelos confins do Cosmos como um símbolo da ordem e da justiça. daí resultando a fundação da Tropa dos Lanternas Verdes.
      Contando apenas com algumas dezenas de efetivos nos seus primórdios, a organização aumentou drasticamente de número cerca de mil anos atrás. O que se deveu à necessidade de impor a ordem em Apokolips, planeta natal do tirânico Darkseid.
Juramento solene: Todos os novos lanternas verdes têm de prestar o juramento solene da organização antes de iniciarem a sua atividade como protetores do seu respetivo setor espacial: "No dia mais claro, na noite mais densa, o Mal sucumbirá ante a minha presença! Que os adoradores do poder do Mal temam a luz do Lanterna Verde!"

A Tropa dos Lanternas Verdes integra uma plêiade de raças alienígenas nas suas fileiras.
 
Poderes, armas e habilidades: Frequentemente classificados como sendo as mais poderosas armas do Universo, especula-se que os verdadeiros limites dos anéis energéticos que equipam os lanternas verdes não foram ainda atingidos. O seu efeito mais distintivo é a capacidade de gerarem construtos de luz sólida, cujas dimensões, força e complexidade são determinadas pela força de vontade e imaginação do seu usuário.
       Quando ativo e energizado, o anel pode igualmente encasular o seu portador num campo de forças protetor. Isto permite que qualquer lanterna verde viaje através do espaço sideral e sobreviva em planetas com diferentes tipos de atmosfera. Concomitantemente, o anel pode ainda servir de tradutor universal para qualquer língua ou dialeto alienígenas.
 
Hal Jordan apetrechado do anel e respetiva bateria em forma de lanterna, as imagens de marca da Tropa dos Lanternas Verdes.
      
       Numa vertente mais bélica, os anéis dos lanternas verdes podem converter radiação de múltiplas frequências em feixes energéticos, em tudo idênticos aos raios laser.
       Entre as limitações dos anéis há que destacar também a necessidade de recarga (utilizando a respetiva bateria em forma de lanterna) a cada 24 horas. Originalmente, os anéis eram incapazes de afetar objetos ou indivíduos de cor amarela. Embora variando de autor para autor a explicação para este facto, tudo indica que o mesmo deriva de uma imperfeição existente na primeira Bateria Central de Oa, que serviu durante milénios de prisão a Parallax, uma entidade de cor amarela que representava a própria essência do medo.
      De salientar ainda que a primeira aparição do anel energético teve lugar em julho de 1940, nas páginas de All-American Comics nº16 (título de charneira da editora All-American Publications, antecessora da DC), fruto da imaginação da dupla composta por Bill Finger (cocriador do Batman em 1939) e Martin Nodell.
      Como primeiro usuário o anel teve Alan Scott (o Lanterna Verde da Idade do Ouro), sendo contudo o seu poder de origem mística.
 
Embora tenha sido o primeiro usuário do anel, o poder do Lanterna Verde original tinha origem mística, não extraterrestre.
 
Noutros media:  Além da participação na primeiro longa-metragem do Gladiador Esmeralda (ver texto anterior), a Tropa dos Lanternas Verdes foi presença ocasional em diversas séries de animação baseadas no Universo DC, entre as quais Justice League Unlimited e Batman: The Brave and the Bold. No entanto, a sua participação mais proeminente ocorreu no filme de animação que revisitou a origem do Lanterna Verde Hal Jordan, Green Lantern: First Flight (2009), assim como na respetiva sequela, Green Lantern: Emerald Knights (2011).
 
A Tropa dos Lanternas Verdes num episódio de Justice League Unlimited.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

BD CINE APRESENTA: LANTERNA VERDE





     Na banda desenhada, o Lanterna Verde é um dos mais icónicos heróis do Universo DC. No entanto, a sua primeira aventura no grande ecrã, não obstante o orçamento milionário, redundou num fiasco. Saibam tudo sobre um dos mais mal-amados filmes de super-heróis de sempre.
 
 
Título original: Green Lantern
Ano: 2011
País: Estados Unidos da América
Duração: 114 minutos
Estúdio: DC Comics
Distribuidora: Warner Bros.
Realização: Martin Campbell
Argumento: Greg Berlanti e Michael Green
Elenco: Ryan Reynolds (Hal Jordan/Lanterna Verde); Blake Lively (Carol Ferris); Peter Sarsgaard (Dr. Hector Hammond); Mark Strong (Thaal Sinestro); Angela Bassett (Dra. Amanda Waller); Tim Robbins (senador Robert Hammond); Temuera Morrinson (Abin Sur); Geoffrey Rush (voz de Tomar-Re) e Michael Clarke Duncan (voz de Kilowog)
Género: Ficção científica/ação e aventura
Orçamento: 200 milhões de dólares
Receitas: 220 milhões de dólares

Lanterna Verde: no dia mais claro, na noite mais densa, o Mal sucumbirá na sua presença.
 
Enredo: Milhões de anos antes da formação da Terra, um grupo de seres conhecidos como Os Guardiões do Universo, usaram a essência verde da força de vontade para criar uma força policial intergaláctica a que deram o nome de Tropa dos Lanternas Verdes. Eles também mapearam o Cosmos, dividindo-o em 3600 setores, sendo a cada um deles atribuído um protetor oriundo dessa tropa.
      Abin Sur, o mais poderoso dos Lanternas Verdes, foi o único capaz de derrotar a essência do medo, corporizada na entidade cósmica Parallax, tendo-a aprisionado no Setor Perdido.
      Parallax, contudo, consegue escapar da sua prisão e ruma ao setor 2814 - a que pertence a Terra e sob a alçada de Abin Sur - matando de caminho quatro Lanternas e destruindo dois planetas. Quando Abin Sur procura deter a entidade é gravemente ferido, não lhe restando outro remédio senão refugiar-se no nosso mundo.
      Moribundo, Abin Sur ordena ao seu anel energético que busque um sucessor digno para assumir as suas funções de protetor daquele setor espacial.
      Hal Jordan, um destemido piloto de testes ao serviço da Ferris Aeronáutica, é o eleito, sendo prontamente transportado pelo anel para o local onde Abin Sur agoniza. Após uma breve explicação, este nomeia-o como seu sucessor, obrigando o atónito e relutante terráqueo a prestar o juramento solene dos Lanternas Verdes.
      Mais tarde, já em casa, Hal repete o juramento, entrando em transe ao mesmo tempo que é envolto pelo brilho da bateria portátil em forma de lanterna que serve para recarregar o anel energético.
      Aturdido pela estonteante sucessão de eventos, Hal resolve sair para tomar uma bebida, mas acaba sendo atacado à saída de um bar. Antes que consiga recompor-se, é teletransportado para Oa, o planeta natal dos Guardiões do Universo e quartel-general da Tropa dos Lanternas Verdes. Lá, trava conhecimento com o petulante Sinestro, o líder da tropa, que não esconde o seu desagrado com a escolha de um terráqueo (espécie primitiva comparada com outras) para Lanterna Verde.
     Depois de treinado por Tomar-Re, Hal Jordan, perante a desconfiança dos outros membros da tropa, regressa à Terra, conservando contudo o anel e respetiva bateria.

Escolhido por Abin Sur para ser o seu sucessor, Hal Jordan torna-se o Lantena Verde.
 
      Enquanto isso, depois de ter sido convocado pelo seu pai, o senador Robert Hammond, para uma instalação governamental secreta, o cientista Hector Hammond realiza a autópsia de Abin Sur, cujo cadáver fora resgatado pelos militares. Sem que ninguém saiba, uma parcela da essência de Parallax havia-se alojado no corpo sem vida de Abin Sur. Num ápice, Hector torna-se o novo hospedeiro da entidade que, reconfigurando o seu ADN humano, lhe confere poderes telepáticos e telecinéticos.
      Ensandecido, o cientista usa os seus recém-adquiridos poderes para tentar matar o próprio pai. Contudo, este é salvo por Hal Jordan, cuja verdadeira identidade é dissimulada pelo uniforme de Lanterna Verde e pela máscara que usa.
     Pouco tempo depois, porém, Hector acaba por conseguir matar o seu pai, antes que o Lanterna Verde o consiga impedir novamente. É nesse ponto que o Gladiador Esmeralda descobre que Parallax está a caminho da Terra.
     Em Oa, os Guardiões revelam a Sinestro que, outrora, Parallax foi um deles até que, movido pela obsessão de controlar a essência amarela do medo, se tornou, ele próprio, a personificação do medo.   
    Acreditando que o único antídoto para o medo é o próprio medo, Sinestro convence os Guardiões a forjarem um anel do mesmo poder amarelo (cor que neutraliza a energia verde dos Lanternas). Disposto a imolar a Terra para salvar Oa, Sinestro vê os seus planos frustrados pela repentina aparição de Hal Jordan, que pede ajuda à tropa para proteger o nosso planeta da ameaça de Parallax. Eles recusam o seu pedido mas autorizam-no a voltar para que proteja o seu mundo natal.

Sinestro: herói ou vilão?

     De volta à Terra, Hal salva Carol Ferris, que fora sequestrada por Hector Hammond. Usando a parcela da sua essência presente no corpo de Hammond como um farol, Parallax chega ao nosso planeta, causando enorme destruição em Coast City.
    Após drenar toda a energia vital de Hammond, Parallax falha em matar Jordan e acaba atraído por este em direção ao Sol. A gravidade do astro arrasta a entidade para o seu núcleo, desintegrando-a.
    Jordan fica inanimado e à deriva no espaço sideral, mas acaba resgatado por Sinestro e um punhado de Lanternas.  Quando recobra os sentidos, Hal é felicitado pela sua bravura e Sinestro notifica-o de que, doravante, terá a árdua missão de proteger o setor 2814 como um Lanterna Verde de pleno direito.
     O filme termina com Sinestro, ainda na posse do anel de energia amarela, a colocá-lo no dedo ao mesmo tempo que o seu traje passa de verde para amarelo. Estava assim dado o mote para uma sequela que acabaria, em virtude das fracas receitas de bilheteira e do repositório de críticas desfavoráveis, por nunca ser produzida.
 
O cientista Hector Hammond alberga a essência de Parallax.
 
Prémios e nomeações: Malgrado a azeda  receção  de grande parte do público e da crítica, Lanterna Verde arrecadou um Scream Award na categoria de Filme Mais Esperado. Ryan Reynolds, por sua vez, foi  nomeado nas categorias de Super-herói Favorito, Ator Favorito de Filmes de Ação e Ator Favorito nos 38th People's Choice Awards, tendo conquistado o título na primeira.
Curiosidades:
* Greg Berlanti foi inicialmente contratado para dirigir e escrever o argumento de Lanterna Verde, mas acabaria por abandonar o projeto, sucedendo-lhe Martin Campbell. Contudo, Berlanti manteve a sua ligação ao filme na sua qualidade de produtor e coargumentista;
* Porventura antecipando as fracas receitas de bilheteira, depois de ter sido filmado em 2D, o filme foi reconvertido em 3D, chegando apenas nesse formato às salas de cinema portuguesas;
* Antes da escolha de Ryan Reynolds para o papel principal, Bradley Cooper, Jared Leto e Justin Timberlake foram alguns dos nomes equacionados;
* No caso de Carol Ferris, o interesse romântico do herói, Eva Green, Jennifer Garner e Diane Kruger foram cogitadas para o papel, tendo a escolha recaído, todavia, em Blake Lively;


Ryan Reynolds e Blake Lively como Hal Jordan e Carol Ferris em Lanterna Verde.
 
* Em 1997, a Warner Bros. sondou o realizador e argumentista Kevin Smith, mas este declinou o convite para dirigir um filme do Lanterna Verde, por considerar haver cineastas mais competentes para assumir o projeto. Um dos nomes equacionados foi o de Quentin Tarantino;
* O uniforme usado pelo herói no filme foi digitalmente criado por computador. Tratou-se de uma abordagem inovadora dos produtores que, no lugar de um traje convencional, preferiram que Hal Jordan usasse um construto gerado pelo seu anel energético. Posteriormente este elemento foi adicionado às histórias do Gladiador Esmeralda nos quadradinhos;
* Na BD original, Carol Ferris transforma-se em Safira Estrela, originalmente uma vilã com poderes similares aos do Lanterna Verde, entretanto reconvertida em soldado do exército de Safiras Estrelas. Trata-se de uma tropa feminina que opera em paralelo com a Tropa dos Lanternas Verdes na proteção do Universo, portando as suas integrantes um anel com a energia violeta do amor. No filme, o codinome de voo de Carol Ferris é Safira, e o símbolo das Safiras Estrelas adorna o capacete que ela usa quando pilota o seu jato.
 
 
 
Veredito: 37%
     Foram vários os fatores que concorreram para os maus resultados obtidos por Lanterna Verde junto do público e da crítica. Desde logo o facto de a sua data de estreia o ter entalado entre dois outros filmes do género, ambos com a chancela da Marvel: Thor e X-Men: First Class. Na comparação direta, ele perde para ambos. Não fosse por essa concorrência de peso - que porventura terá contribuído em certa medida para alguma saturação por parte dos espectadores não fãs de super-heróis - e, provavelmente, a receção a esta primeira aventura cinematográfica do Gladiador Esmeralda teria sido diferente.
     Não obstante, são notórias as muitas lacunas do filme. A saber: com um enredo insípido e inconsistente, não raras vezes as personagens são ofuscadas pela espetacularidade dos efeitos especiais. O próprio Hal Jordan, personagem psicologicamente densa na BD, surge retratado de forma unidimensional, totalmente destituído de profundidade emocional.
      É, de resto, nesta vertente que radica a principal fraqueza de Lanterna Verde. Contrastando com a crescente humanização dos super-heróis quando transpostos ao grande ecrã, assiste-se aqui, mercê do registo pueril que pauta a narrativa, a um retrocesso na idoneidade de um género que finalmente granjeou respeitabilidade em Hollywood. Descurando a humanidade do protagonista, o filme resume-se praticamente a um repositório de efeitos visuais e de cenas de ação mirabolantes, passíveis de deixar o espectador estonteado. Nada, porém, que colmate o vazio de uma história onde o vilão consegue ser mais interessante do que herói (Sinestro é, com efeito, a única personagem cuja densidade não é igual à de uma folha de papel).
       Por norma, as películas com super-heróis são redutos de personagens sofridas (órfãos, proscritos, rebeldes, etc.). É esse o caminho - ao invés de exibições feéricas de superpoderes - para gerar empatia com o público. Em Lanterna Verde vemos, por assim dizer, os ricos ficarem mais ricos.  A módica dose de diversão proporcionada por este filme poderá satisfazer alguns espectadores menos exigentes, mas seguramente deixará desapontados os conhecedores da mitologia do Gladiador Esmeralda.
 
Hal Jordan e alguns dos mais destacados membros da Tropa dos Lanternas Verdes.