sábado, 19 de outubro de 2013

GALERIA DE VILÃS: GATA NEGRA



     Quem sai aos seus não degenera. Filha de um afamado gatuno, a Gata Negra só podia seguir as pisadas do pai. Fazendo jus ao nome, dá azar a quem com ela se cruza. Que o diga um certo herói aracnídeo.
 
Nome original: Black Cat
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº194 (1979)
Criadores: Marv Wolfman (história) e Keith Pollard (desenhos)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Felicia Hardy
Local de nascimento: Flushing, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Walter Hardy (pai falecido) e Lydia Hardy (mãe)
Filiação: Ex-parceira do Homem-Aranha, ex-proprietária da agência de detetives Investigações Olho de Gato e atualmente membro dos Heróis de Aluguer
Base de operações: Nova Iorque
Armas, poderes e habilidades: Como qualquer ladrão que se preze, a Gata Negra dispõe de uma considerável parafernáfila de gadgets essenciais ao desenvolvimento do seu ofício. A saber:
* garras retráteis escondidas sob as luvas (que lhe permitem escalar paredes ou serem usadas como armas de ataque ou defesa);
* lentes de contacto infravermelhas (para visão noturna);
*ganchos e cabos metálicos;
* brincos especialmente desenhados para aumentarem a sua aerodinâmica e lhe permitirem, a exemplo do animal em que se inspirou, aterrar sempre de pé.
      Devido ao intenso treino a que foi sujeita, Felicia Hardy tornou-se uma acrobata de exceção, dotada de agilidade e reflexos felinos. Domina também várias artes marciais e técnicas de luta corpo a corpo.
      Sedutora nata, uma das suas armas mais eficazes é o seu charme irresistível.

Uma ladra cheia de recursos.
 
História de publicação: Em 1979, Marv Wolfman, estava empenhado na criação de uma nova antagonista para as histórias da Mulher-Aranha. Tomando como referência a personagem animada idealizada por Tex Avery, Bad Luck Blackie (um gato preto que trazia azar a quem dele se aproximava), Wolfman desenvolveu o conceito da Gata Negra, cabendo a Dave Cockrum desenhar o respetivo uniforme.
     A estreia da Gata Negra estava prevista para o primeiro número de Spider-Woman. Contudo, Marv Wolfman foi designado para assumir o título Amazing Spider-Man, e fez questão de levar consigo a nova personagem. A qual seria, porém, reformulada, permanecendo somente o nome e as habilidades da versão primitiva.
    Por esse motivo, na secção de leitores da edição original de Amazing Spider-Man nº194 foram publicadas reproduções miniaturizadas da capa projetada para Spider-Woman nº9 e de uma versão rejeitada da capa de Amazing Spider-Man nº194.
    Em virtude das notórias semelhanças entre ambas, a Gata Negra é frequentemente confundida com a Mulher-Gato/Catwoman, da concorrente DC. Em comum, além das habilidades felinas, estas amigas do alheio têm  o facto de ambas terem sido interesses românticos do Homem-Aranha e do Batman, respetivamente. A sua ambiguidade moral, por outro lado, aproxima-as mais do modelo de anti-heroínas do que do de vilãs.

A primeira vez que a Gata Negra cruzou o caminho do Escalador de Paredes foi em Amazing Spider-Man nº194 (1979).
 
Biografia: Felicia Hardy cresceu a idolatrar o pai. Quando este desapareceu repentinamente sem deixar rasto, a mãe da jovem construiu uma narrativa para ocultar o verdadeiro motivo do seu desaparecimento. Durante anos, Felicia acreditou que o pai morrera num acidente de aviação, quando na realidade se encontrava a cumprir pena pelos incontáveis furtos que perpetrara.
     Quando por fim descobriu a verdade, ao invés de se sentir dececionada com o seu progenitor, Felicia decidiu seguir-lhe as pisadas. Seria, todavia, um episódio mais traumático a redirecionar a sua vida: no seu ano de caloira na Universidade Empire State, Felicia foi violada pelo seu namorado, Ryan.
     Transformando a sua dor e a sua vergonha em raiva, Felicia intensificou o seu treino em artes marciais, ao mesmo tempo que aprimorava a sua forma física. Como combustível, tinha o seu enorme desejo de vingança. A qual, no entanto, lhe acabaria por ser negada quando Ryan, conduzindo alcoolizado, perdeu a vida num acidente de automóvel.
     Aprendendo sofisticadas técnicas de arrombamento de cofres e fechaduras, começou a roubar pertences de outros à laia de compensação psicológica pelo que lhe tinha, segundo ela acreditava, sido roubado. Na primeira ocasião em que assumiu a identidade de Gata Negra, Felicia, numa audaciosa incursão noturna, procurou libertar o seu pai da prisão, antes que ele, velho e doente, morresse. Viu, todavia, os seus planos frustrados pela intervenção do Homem-Aranha.
     Nos primórdios da sua carreira criminosa, os "acidentes" que aconteciam a quem se cruzava com a Gata Negra - e que eram atribuídos à sua habilidade de causar azar - não passavam de truques e armadilhas cuidadosamente preparados pela vilã. Esta, no entanto, alimentou a suspeita de que se tratava de um poder mutante.
     Após a morte do seu pai, a Gata Negra empenhou-se em dar continuidade ao seu legado como a mais reputada ladra de Nova Iorque. Nada que a impedisse de manter alguns flirts com o Homem-Aranha, os quais, com o tempo, evoluíram para um romance entre ambos. Enamorada pelo herói, a Gata Negra comprometeu-se a abandonar as suas atividades ilícitas. Durante algum tempo, chegaram mesmo a ser parceiros no combate ao crime.
 
Homem-Aranha e Gata Negra: uma relação conturbada.
 
     No entanto, era pelo Homem-Aranha  que a Gata Negra estava fascinada, não pelo desconhecido por detrás da máscara. Por esse motivo, ela relutou sempre em conhecer a verdadeira identidade do seu amante e parceiro de aventuras, apesar da insistência deste. Quando o Homem-Aranha, no modesto apartamento do seu alter ego Peter Parker, finalmente lhe mostrou o seu verdadeiro rosto, a Gata Negra ficou desapontada. Para ela, aquela revelação acabava com a excitação decorrente do mistério em torno da identidade do amante.
      A separação de ambos foi todavia motivada pelo facto de a Gata Negra quase ter morrido às mãos do Doutor Octopus e do Coruja. Por se considerar um estorvo para o seu companheiro, afastou-se dele. Um decisão dolorosa porquanto nunca deixou de amá-lo.
 
De inimigos a amantes; de amantes a aliados.
 
      Durante a ausência do Homem-Aranha devido à sua participação nas Guerras Secretas, a Gata Negra firmou um pacto com o Rei do Crime para adquirir um superpoder (uma genuína aura de azar). Não tardou, porém, a perceber que o pacto não passara de um logro, pois nem mesmo o Homem-Aranha (de quem se reaproximara após o regresso deste à Terra) era imune à sua recém-adquirida habilidade. O que ia de encontro aos desejos do Rei do Crime que, aproveitando a proximidade entre ambos, pretendia dessa forma neutralizar o herói.
      Furioso com o pacto feita pela ex-amante com o Rei do Crime e frustrado por ela não amar Peter Parker, o Homem-Aranha tomou a decisão de pôr um ponto final à relação entre ambos, que já estava por um fio. Um alívio para a Gata Negra que tencionava, ela própria, decretar a rutura definitiva por recear voltar a fazer perigar a vida do homem que amava.
      O Homem-Aranha recorreu então à ajuda do Dr. Estranho para anular o feitiço que estivera na origem da aura de azar concedida pelo Rei do Crime à Gata Negra. No processo, ela ganhou novas habilidades felinas.
      Separada do Escalador de Paredes e dotada de novos poderes, a Gata Negra procurou trilhar o seu próprio caminho, esforçando-se ao mesmo tempo por preservar a amizade com o ex-namorado. 
      Quando teve conhecimento do casamento de Peter com Mary Jane Watson, a Gata Negra, sentido-se despeitada, ameaçou a sua rival. Como Felicia Hardy, também namorou por um breve período com Flash Thompson, velho amigo de Peter. Apenas uma manobra na sua estratégia com vista a provocar ciúmes a Peter. Constatando que a mesma não dera o resultado esperado, Felicia abandonou Flash que, por estar apaixonado por ela e se sentir usado, ficou devastado.
      Com a aprovação no Congresso da Lei do Registo Meta-humano, Felicia optou por se registar, passando a operar como uma super-heroína com reconhecimento oficial. Pouco tempo depois, juntou-se aos Heróis de Aluguer de Misty Knight e Colleen Wing, uma equipa que, em colaboração com as autoridades federais, persegue e captura heróis e vilões não registados. Os seus companheiros, porém, creem que a sua única e verdadeira motivação é o dinheiro.


A Gata Negra entre os restantes membros dos Heróis de Aluguer.
 
Noutros media: Apenas dois anos após a sua estreia na banda desenhada, a Gata Negra marcou presença, em 1981, num episódio da série de animação Spider-Man. Já em Spider-Man: The Animated Series (1994-98), Felicia Hardy foi apresentada como o primeiro interesse amoroso de Peter Parker, acabando contudo por ser substituída por Mary Jane Watson. Mais recentemente, em The Spectacular Spider-Man (2008-09), a Gata Negra é retratada como uma ladra vulgar, sem quaisquer poderes, cujo pai fora o responsável pela morte de Ben Parker, tio de Peter.

Gata Negra e Homem-Aranha lado a lado em Spider-Man: The Animated Series.
      Num primeiro rascunho do argumento do filme Homem-Aranha 2 (2004), Felicia Hardy teria como função convencer o Escalador de Paredes a desistir de ser Peter Parker, por contraponto ao subtexto em que Peter equaciona a hipótese de pôr um ponto final à sua carreira heroica. Felicia seria contudo cortada na versão final da história.
      Caso o quarto capítulo da saga cinematográfica do Homem-Aranha, realizada por Sam Raimi, tivesse sido produzido, a Gata Negra teria lugar assegurado nele, cabendo a Anne Hathaway (curiosamente, a atriz escolhida para encarnar Catwoman em Batman - O Cavaleiro das Trevas Renasce) dar vida à charmosa vilã.
 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

BD CINE APRESENTA: SUPER-HOMEM, O REGRESSO





      Após um interregno de quase duas décadas, ainda ao som da música de John Williams mas já sem Christopher Reeve, o Super-Homem voltou ao cinema em 2006, num filme de rara beleza visual mas que, pelo seu tom melancólico, desiludiu alguns fãs do herói kryptoniano.
Título original: Superman Returns
Ano: 2006
País: EUA
Duração: 154 minutos
Realização: Bryan Singer
Argumento: Bryan Singer, Michael Dougherty e Dan Harris
Estúdio: Legendary Pictures/ DC Comics
Elenco: Brandon Routh (Clark Kent/Superman), Kate Bosworth (Lois Lane), Kevin Spacey (Lex Luthor), James Marsden (Richard White) e Frank Langella (Perry White)
Orçamento: 204 milhões de dólares
Receitas: 391 milhões de dólares
Sinopse: Depois de ter derrotado o triunvirato kryptoniano liderado pelo General Zod, que aterrorizou a Terra em Superman II (1980), o Homem de Aço parte para o espaço em busca do seu planeta natal e de outros possíveis sobreviventes, baseado na suposta descoberta da localização de Krypton por parte de astrónomos terrestres. Tudo o que descobre, no entanto, são vestígios fantasmagóricos de um mundo morto há muito tempo, regressando então ao seu planeta adotivo. Apenas para descobrir que Lois Lane é agora casada com um sobrinho de Perry White, do qual tem um filho. E Lois parece não ter sido a única a seguir com a sua vida; também Metrópolis e a Terra parecem ter deixado de precisar do seu salvador.
       Lex Luthor, por seu turno, também se encontra novamente em liberdade, dispondo agora de vastíssimos recursos depois de ter desposado uma velhota milionária em fase terminal. Sedento de vingança por ter visto frustrados, pelo seu némesis, os seus planos de destruição da Califórnia, o vilão engendra um maquiavélico plano: usando a tecnologia kryptoniana baseada nos cristais de pedra solar, Luthor pretende gerar um novo continente que provocará a destruição da América do Norte e a consequente morte de milhões de inocentes.
       Incrustrados na nova estrutura, os cristais de kryponita (fragmentos radioativos do mundo natal do Super-Homem que são letais para ele) revelam-se uma armadilha mortal para o Homem de Aço. Este terá contudo de, numa corrida contra o tempo e apesar do coração partido, encontrar uma forma de deter os desígnios insanos de Luthor.
Luthor continua empenhado em vingar-se do seu arqui-inimigo.
Curiosidades:
* Na confeção do novo traje do Super-Homem foi utilizado um material especial que, com o uso, engelhava rapidamente. Decorrente desse facto, foram produzidos 80 uniformes, 100 capas, 30 botas e 90 cintos. Embora o preço unitário dos fatos nunca tenha sido divulgado, Bryan Singer gracejou numa entrevista que sempre que um deles se estragava, era como espatifar um Ferrari;
*O papel de Lex Luthor esteve sempre reservado para Kevin Spacey. Por conseguinte, o cronograma da produção foi ajustado à disponibilidade do ator que, à época, era também diretor do teatro Old Vic, em Londres;
*Brandon Routh, Kevin Spacey e Kate Bosworth aceitaram os respetivos papéis no filme antes sequer de lerem o guião;
* Foram necessários doze anos e três realizadores diferentes (entre os quais Tim Burton, o primeiro a assumi-lo em 1993) para que o projeto de fazer regressar o Último Filho de Krypton ao grande ecrã chegasse a bom porto;
* O filme foi rodado na Austrália (com Sydney a fazer as vezes de Metrópolis) e nos estúdios da Fox;
* Durante os castings, Henry Cavill e Amy Adams chegaram realizar audições para os papéis de Super-Homem e Lois Lane, respetivamente. Os mesmos que desempenham em Homem de Aço, o reboot que chegou este ano às salas de cinema de todo o mundo;
* Para a escolha de Brandon Routh foi preponderante a opinião favorável de Dana Reeve - viúva de Christopher Reeve - que viu nele uma enorme parecença física e vocal com o seu malogrado marido;
É um pássaro? É um avião? É o Christopher Reeve? Não, mas quase.
* Ao longo do filme, são várias as referências à banda desenhada: ao segurar um automóvel sobre a cabeça, o Super-Homem recria a icónica capa de Action Comics nº1 (onde o herói kryptoniano fez a sua estreia no já longínquo ano de 1938); já a sequência do salvamento do avião que transportava Lois Lane é decalcada da minissérie Homem de Aço, produzida em 1986 por John Byrne;
* Ao invés de contratar um ator para dar vida a Jor-El (pai biológico do Super-Homem), Bryan Singer optou por utilizar imagens de Marlon Brando, originalmente captadas para Superman e Superman II;
* Fazendo tábua rasa de Superman III e Superman IV - Em Busca da Paz, o enredo retoma a ação a partir dos eventos mostrados em Superman II. Ironicamente, porém, a última linha do quarto (e último filme) protagonizado por Christopher Reeve é "Vemo-nos dentro de vinte anos". Considerando que a cena em questão foi gravada em 1986, a frase assume contornos premonitórios;
* Entre as várias cenas cortadas durante a edição do filme (dedicado ao casal Christopher e Dana Reeve, ambos já falecidos), destaca-se uma, de aproximadamente seis minutos, mostrando a viagem exploratória do Super-Homem ao seu planeta natal, a qual, segundo é explicado, motivara a sua ausência da Terra durante cinco anos. Podem vê-la aqui:http://www.youtube.com/watch?v=sF44PEypDQs
Foram precisos quase 20 anos para o Super-Homem voltar a voar nos cinemas.
Veredito: 78%
      Este Super-Homem, O Regresso é, a vários títulos, especial para mim. Desde logo porque foi o primeiro filme do herói kryptoniano que pude ver no cinema, dada a minha tenra idade aquando do lançamento da quadrilogia original com o inigualável Christopher Reeve. Lembro-me bem da emoção pueril que senti ao escutar os primeiros acordes da magistral banda sonora de John Williams enquanto voavam no grande ecrã os créditos de abertura. Uma experiência extática que, até aí, só tinha podido vivenciar no recato do meu lar e nas reduzidas dimensões do meu televisor.
      Por outro lado, Super-Homem, O Regresso marcava o início da era pós-Christopher Reeve. Aos olhos de muitos fãs do Homem de Aço - eu incluído - Reeve foi - e, sem desprimor para os seus sucessores, provavelmente sempre será - O Super-Homem. A Brandon Routh cabia, portanto, a difícil tarefa de substituí-lo. Num esforço meritório, o jovem ator, ao invés de uma interpretação própria da personagem, optou por representar Christopher Reeve a fazer de Super-Homem. E convenhamos que foi bem-sucedido nessa tarefa. Muitas das expressões e maneirismos de Reeve foram mimetizados quase na perfeição por Routh que, tal como o seu antecessor, era  um ilustre desconhecido antes de assumir o manto do Último Filho de Krypton.
      Quanto à película em si, sob a batuta competente de Bryan Singer (um admirador confesso de super-heróis e, em particular, do Super-Homem), resulta numa verdadeira elegia aos dois primeiros filmes da série, realizados por Richard Donner. A prová-lo, o facto de Singer pura e simplesmente ter ignorado os inefáveis Superman III (1983) e Superman IV (1987). Ambos haviam redundado em estrondosos fracassos de bilheteira comprometendo a credibilidade da personagem e o futuro da franquia. Não surpreende, portanto, que o regresso do Super-Homem ao grande ecrã tenha levado quase duas décadas, com diversos projetos abortados pelo meio (e, nalguns casos, devemos todos ficar gratos por isso...).
      No entanto, uma tão prolongada espera criou uma grande ansiedade, e ainda maiores expectativas, nos fãs do herói. Ciente disso, Singer, a par do tributo a Superman e Superman II, empenhou-se em realizar um épico dos tempos modernos. Seguramente para se certificar que não mais o seu ídolo de infância voltaria a estar durante tanto tempo arredado do grande público.
Lois Lane e Super-Homem: um amargo reencontro.


        A despeito de toda a sua devoção e reverência, Singer não alcançou plenamente os seus objetivos. Pela sua intensa carga emocional e registo melancólico - inusual em produções do género e para o qual contribuiu igualmente o figurino retro - Super-Homem, O Regresso defraudou as expectativas de alguns fãs, que certamente desejavam ver  mais ação física. Com efeito, o verdadeiro vilão da história não é Lex Luthor (e muito menos a dispensável kryptonita). Esse papel coube a Lois Lane, a verdadeira causadora do sofrimento do herói, ao partir-lhe o coração (uma proeza, visto tratar-se do Homem de Aço) e ao sonegar-lhe a paternidade. Super-Homem, O Regresso é, pois, em última análise, uma história de amor. Entre o Último Filho de Krypton e a sua eterna namorada, por um lado, e entre Bryan Singer e os filmes clássicos de Richard Donner, por outro.
        De uma rara beleza visual, algumas cenas de Super-Homem, O Regresso tornaram-se icónicas (a cena em que o herói flutua em órbita da Terra é simplesmente sublime). As sumptuosas sequências de voo são muito mais convincentes dos que as mostradas recentemente em Homem de Aço. Kevin Spacey infunde de cinismo e perversidade a sua versão de Lex Luthor (por contraponto ao registo mais histriónico de Gene Hackman) e, malgrado alguma falta de carisma, Kate Bosworth é uma Lois Lane muito mais bonita do que era Margot Kidder. Ainda uma palavra para o novo uniforme, que tanta controvérsia causou mal foram divulgadas as primeiras imagens: A-D-O-R-E-I! A troca do tradicional encarnado por um grená torna o fato mais telegénico e, considerando a sua origem alienígena, faz todo o sentido que o símbolo no peito seja tridimensional. E até as cuecas por fora parecem menos ridículas agora.
Reprodução de uma das mais belas sequência do filme.
       Agora os aspetos negativos: a essência da trama é decalcada do filme original de 1978 enfermando, por isso, de um défice de suspense (apenas atenuado pela quase morte do Super-Homem decorrente da sobre-exposição à kryptonita). Qualquer fã do herói sabe, no entanto, que ele dispõe de um considerável naipe de némesis à altura, pelo que não se percebe a insistência nas pedras radioativas como principal ameaça.
      Nada, porém, que torne menos refrescante este remake não assumido de Superman, The Movie, devidamente aprimorado pelas tecnologias modernas. Estamos, portanto, em presença de uma aventura clássica de um herói intemporal.


sábado, 5 de outubro de 2013

DO FUNDO DO BAÚ: TERRA X - O MUNDO MUTANTE





 
      Num futuro distópico em que todos possuem superpoderes, a humanidade está extinta e os mutantes são a nova espécie dominante. Haverá ainda lugar para os heróis ou não serão estes mais do que relíquias de um passado distante? Uma odisseia sem precedentes, idealizada pelo talento incomparável de Alex Ross.
 
Título original: Earth X
Licenciadora: Marvel Comics
Argumento: Alex Ross e Jim Krueger
Arte: John Paul Leon e Alex Ross (capas)
Arte-final: Bill Reinhold
Publicado originalmente em: Earth X nº1 a 12 (EUA, 1999-2000)
 
Título em português: Terra X - O Mundo Mutante
Ano: 2001
Categoria: Minissérie
Número de volumes: 4
Formato: Americano (17 cm x 26 cm), colorido e com lombada agrafada
Número de páginas: 80 por edição
Editora: Mythos (em 2009 a Panini lançou uma edição encadernada)
Na minha coleção desde: 2013
 
Capa de Earth X nº6 com os novos X-Men,
 
História de publicação: Earth X começou a ser concebida em 1997, um ano depois do estrondoso sucesso de Kingdom Come (Reino do Amanhã), saga produzida por Alex Ross e Mark Waid para a DC, e que deu a conhecer uma tenebrosa realidade alternativa do universo da Editora das Lendas. A pedido da Wizard - revista estadounidense dedicada aos super-heróis - Alex Ross idealizou uma realidade distópica para o Universo Marvel, a exemplo do que fizera antes para a sua arquirrival.
       Ross fez então alguns esboços, nos quais apresentava possíveis versões futuras das principais personagens Marvel (incluindo o Capitão América, o Homem-Aranha e o Hulk) num mundo onde todos possuíam superpoderes e onde os super-heróis de outrora deixaram de ter um lugar especial.
       A edição da Wizard contendo o artigo de Alex Ross (acompanhado das citadas ilustrações) esgotou num abrir e fechar de olhos. A procura foi de tal ordem que, dois anos depois e já em parceria com a Casa das Ideias, o artigo seria republicado numa separata intitulada Earth X Sketchbook (Livro de Esboços de Terra X), que também esgotou num ápice. Considerando isso como um claro indicador do elevado interesse por parte dos fãs, a Marvel contratou Alex Ross para desenvolver uma série completa baseada nos seus esboços e anotações. O resultado seria uma saga em doze números, com argumento a cargo do próprio Ross e de Jim Krueger, sendo John Paul Leon o escolhido para assumir a arte. De tão bem-sucedida, Earth X abriria caminho a duas sequelas: Universe X  e Paradise X (ambas publicadas no Brasil pela Panini em 2012 e 2013, respetivamente).
 
 
Enredo: A Terra X é apenas um dos inúmeros planetas onde foram implantadas sementes dos Celestiais, uma raça de gigantes alienígenas que sonha dominar o Cosmos. As histórias de alguns dos seus mais ilustres habitantes são consideravelmente diferentes das suas contrapartes do Universo Marvel tradicional.
       Cerca de uma década depois do fim da Era Heroica, Raio Negro, o monarca dos Inumanos, liberta em segredo as Névoas Terrígenas na atmosfera terrestre. Cumpria assim o seu propósito de provocar uma mutação genética à escala global que transformaria toda a humanidade em Inumanos. Desta forma, Raio Negro certificava-se de que o seu povo não mais voltaria a ser perseguido.
       A fim de evitar qualquer interferência na execução do seu plano, Raio Negro cegara previamente o Vigia, impedindo o ser alienígena de testemunhar as suas ações.
      À medida que as Névoas Terrígenas se convertem permanentemente num componente da superpoluída atmosfera terrestre, Raio Negro e a Família Real Inumana abandonam o planeta.
     Incapaz de operar o seu equipamento de observação e registo da atividade humana, o Vigia transporta o robô X-51 (anteriormente conhecido como Homem-Máquina) para a Lua, com o fito de designá-lo como seu adjunto. Para esse efeito, o Vigia procura remover todo e qualquer resquício de emoções humanas de X-51 (concebido para imitar a vida do seu criador, o Professor Abel Stack). No entanto, à medida que a trama se desenrola, o robô denota uma crescente irritação face aos planos do Vigia para assegurar a derrota dos  heróis perante uma ameaça sem precedentes.
     Na Terra X, depois de matar o Caveira Vermelha, o Capitão América abandona os Vingadores por considerar que já não se enquadra no espírito do grupo. Pouco tempo depois, Reed Richards (o Senhor Fantástico) constrói uma rede mundial de balizas de vibranium com o objetivo de dar resposta a uma grave crise energética. Porém, a experiência fracassa depois de um dos seus subordinados cair dentro de um reator causando uma reação em cadeia à escala planetária.
 
X-51, o novo Vigia da Terra.
 
      Quando as primeiras mutações genéticas se começam a manifestar na população terrestre, devido à ação das Névoas Terrígenas secretamente libertadas por Raio Negro, muitos culpam a experiência fracassada de Richards pelo sucedido. Entre os primeiros a ganhar habilidades meta-humanas está o jovem neonazi Benny Beckley. Capaz de controlar e manipular vontades alheias, o rapaz assume a identidade de Caveira. Como efeito colateral da manifestação do seu poder, todos os telepatas da Terra são mortos.
      Entretanto, o Doutor Destino e Namor atacam a sede da ONU em Nova Iorque, sendo confrontados pelo Quarteto Fantástico. Na peleja que se segue, o primeiro acaba por perecer numa explosão, que também ceifa a vida da Mulher Invisível. Namor, por sua vez, assassina o Tocha Humana e, em resultado disso, o filho de Reed e Sue Richards, Franklin, lança uma maldição sobre o Príncipe Submarino. Com metade do corpo a inflamar-se quando em contacto com o ar, Namor vê-se forçado a regressar ao oceano.
      Devastado pelas mortes da esposa e do cunhado, Reed Richards assume a armadura do Doutor Destino e autoexila-se no castelo do ex-soberano da Latvéria. Ben Grimm, por seu turno, casa com Alicia Masters, com quem tem dois filhos idênticos a ele. Assim chegava ao fim o Quarteto Fantástico.
      Dias depois, os Vingadores são chamados a travar um ataque contra Washington, D.C. perpetrado pelo Homem-Absorvente, agora dono de uma formidável inteligência artificial após ter absorvido as propriedades do robô Ultron. Usando um sofisticado vírus informático, o Visão consegue por fim derrotar o vilão. No entanto, vários Vingadores haviam sucumbido durante a batalha e a capital federal dos EUA fora obliterada.
 
Com a ajuda da Miss Marvel, o Capitão América tenta trazer Mar-Vell de volta ao mundo dos vivos.
 
      Em consequência disso, assiste-se um declínio da indústria, abrindo caminho à hegemonia das Indústrias Osborn graças ao seu controlo da produção agroalimentar. Norman Osborn, cuja mutação transformou a sua cabeça numa sinistra réplica da máscara de Duende Verde que usara durante anos para infernizar a vida do Homem-Aranha, assume a presidência dos EUA sem que tenha tido lugar qualquer eleição. A fim de resguardar o seu poder, Osborn usa ADN extraterrestre para criar a Hidra, um coletivo parasitário que controla mentalmente os seus hospedeiros. Também oferece a Tony Stark (em tempos o Homem de Ferro e um dos poucos humanos imunes à mutação) asilo político em troca da construção de réplicas metálicas dos falecidos Vingadores.
      Sob o comando do Czar de Ferro (o antigo X-Man Colossus), a Rússia torna-se o maior produtor mundial de alimentos, distribuídos pelos quatro cantos do globo pela marinha mercante do Reino Unido (cujo novo soberano é o Capitão Bretanha). O reino africano de Wakanda continua a ser governado pelo Pantera Negra, agora um híbrido de homem e animal, cuja Rainha é a ex-líder dos X-Men, Tempestade.
      Nos EUA, o Capitão América e o seu parceiro Asa Vermelha descobrem que o jovem Caveira está a usar o seu controlo mental para reunir um exército. Quando o Asa Vermelha é dominado pelo vilão, ao Sentinela da Liberdade não resta outra alternativa se não bater em retirada e partir em busca de novos aliados. O primeiro a perfilar-se é o novo Demolidor (cuja verdadeira identidade não é revelada, embora suspeite tratar-se de Deadpool), que em resultado da mutação que sofreu é agora uma atração circense com um fator de cura que lhe permite recuperar rapidamente de qualquer ferimento.
      Entretanto, a Família Real do Inumanos retorna à Terra e contacta Reed Richards, na esperança de poder reunir o seu povo. Enquanto procura localizar a antiga nação dos Inumanos com o supercomputador Cérebro, Richards descobre a verdadeira causa por detrás das mutações genéticas.
      Em Nova Iorque, o exército do Caveira destrói a Hidra, mata o Presidente Osborn e chacina as forças policiais da cidade comandadas por Luke Cage. May Parker, a nova hospedeira do simbionte alienígena Venom e filha de um envelhecido e amargo Peter Parker, tem também a sua mente dominada pelo vilão.
 
May Parker é a nova hospedeira de Venom.
  
      Última linha de defesa da cidade, o Capitão América e os seus aliados não demoram a tombar perante o poder do Caveira e a superioridade numérica das suas legiões.  Aproveitando uma distração do vilão, o Sentinela da Liberdade fere-o mortalmente, libertando desse modo os seus seguidores involuntários.
      Antes, porém, que os heróis possam festejar, os Celestiais chegam à Terra para germinar o embrião que implantaram no nosso planeta, milhões de anos atrás. Quando os gigantes se preparam para avançar sobre Nova Iorque, Tony Stark faz o seu derradeiro sacrifício lançando um ataque suicida contra as criaturas. Quase em simultâneo, na órbita terrestre, Raio Negro é morto por outro grupo de Celestiais, não sem antes soltar um grito hipersónico de ajuda através da galáxia. O qual é atendido pelo novo Galactus (nada mais nada menos do que Franklin Richards). Este expulsa os Celestiais da Terra e consome o seu embrião.
      Após estes eventos, X-51, farto da arrogância e frieza do Vigia, priva-o da audição, inutilizando-o definitivamente e assumindo as suas funções de testemunha ocular da história humana. Já Reed Richards converte a sua rede mundial de balizas de vibranium em Tochas Humanas (numa clara homenagem ao cunhado falecido), na esperança de conseguir queimar as Névoas Terrígenas e de reverter as mutações genéticas que transformaram pessoas comuns em superseres.
 
Franklin Richards é o novo Galactus.
 
Personagens principais:
 
Vigia: cego há quase duas décadas, Uatu tornou-se insensível e niilista;
Capitão América: com cem anos de idade, exibe uma aparência alquebrada e uma cicatriz a lembrar um A na testa;
Hulk: separado de Bruce Banner (que nesta versão alternativa não passa de uma criança cega), o Golias Esmeralda faz lembrar um símio verde e é os olhos do seu antigo alter ego;
Thor: é agora uma mulher devido a uma trapaça orquestrada pelo seu meio-irmão Loki junto de Odin;
 
A nova Deusa do Trovão.
 Doutor Estranho: assassinado na sua forma astral por Clea -  sua ex-discípula agora aliada a Loki - procura contactar Mar-Vell no Além;
Loki: descobriu que os deuses asgardianos são mutantes com enorme longevidade e poderes imaginados pelos humanos, bloqueados contudo pelos Celestiais que os induziram a acreditar serem imortais, impedindo-os assim de se tornarem uma ameaça aos seus desígnios.
 
O visual do Capitão América da Terra X.
 
Notas finais:
 
      Inicialmente, Earth X foi proposta como um futuro para a cronologia oficial do Universo Marvel. Contudo, as sucessivas revisões da série não se mostraram consistentes com essa possibilidade. Convencionou-se então que os eventos mostrados na saga prefigurariam uma realidade alternativa.
  
Hulk e Banner finalmente separados.
  

sábado, 28 de setembro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: PUNHO DE FERRO


 
       Surgido numa época de enorme popularidade dos mestre das artes marciais, o Punho de Ferro deve o seu nome ao título de um filme do género. Como Vingador ou herói de aluguer, ele luta sempre por causas justas.


Nome original: Iron Fist
Primeira aparição: Marvel Premiere nº15 ( maio de 1974)
Criadores: Roy Thomas (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Daniel Thomas Rand-K'ai
Local de nascimento: Nova Iorque
Parentes conhecidos: Wendell Rand-K'ai (pai falecido), Heather Duncan Rand (mãe falecida), Miranda Rand-K'ai (meia-irmã)
Filiação: Heróis de Aluguer, Vingadores e Defensores Secretos
Base de operações: Nova Iorque
Poderes, armas e habilidades: Atleta e acrobata de excelência, o Punho de Ferro é também um mestre em praticamente todas as artes marciais conhecidas. O que faz dele uma verdadeira arma viva, além de lhe permitir controlar o seu sistema nervoso de forma a entorpecer a dor.
       Através da concentração, o herói consegue canalizar a sua energia espiritual (chi) de modo a  amplificar as suas capacidades físicas e mentais até níveis sobre-humanos. Focalizando esse mesmo chi no seu punho, ele consegue controlar a energia de Shou-Lao, a qual fornece temporariamente a essa parte da sua anatomia superforça, invulnerabilidade e imunidade à dor. Este processo é, todavia, mentalmente extenuante, pelo que o Punho de Ferro necessita de algum tempo para descansar antes de voltar a repeti-lo.
       Entre as suas habilidades destaca-se ainda o seu fator de cura, que pode ser aplicado em outrem. Pode também captar energias místicas, bem como fundir a sua consciência com a de outros indivíduos, percecionando dessa forma as suas memórias e emoções.
       Em circunstâncias muito excecionais, ele pode inclusivamente empregar o seu chi para abrir portais dimensionais.

A estreia de Punho de Ferro em Marvel Premiere nº15 (1974).
 
História de publicação: Em meados da década de 1970, na cultura norte-americana, assistiu-se a uma súbita popularidade dos heróis de ação e dos mestres das artes marciais. Na senda desse fenómeno, a Marvel lançou, em dezembro de 1973, Shang-Chi, O Mestre do Kung-Fu, personagem que fez furor entre os leitores. Em resultado disso, menos de um ano depois, a Casa das Ideias resolveu apostar em novo herói do género, criado pelo argumentista Roy Thomas e pelo desenhador Gil Kane (vide texto anterior).
      Numa pequeno texto introdutório publicado em Marvel Premiere nº15 (onde o Punho de Ferro fez a sua primeira aparição), Roy Thomas explicava que muitos dos elementos da origem do herói derivavam de um conceito originalmente desenvolvido por Bill Everett nos anos 1940: o Amazing-Man.  Já o nome dado à neófita personagem foi inspirado no título de um filme de artes marciais, visto por Gil Kane, muito antes de Bruce Lee se tornar o expoente máximo do género, The Iron Fist Ceremony (A Cerimónia do Punho de Ferro).
      Apesar de algumas dúvidas iniciais em relação ao nome Punho de Ferro - sendo passível de ser confundido com o Homem de Ferro - Stan Lee, o editor-chefe da Marvel à época, deu-lhe o seu aval e, pouco tempo depois, o novo herói debutava nas páginas de Marvel Premiere. Título onde foi sucessivamente escrito e desenhado por valores consagrados como Len Wein, Chris Claremont, John Byrne ou Larry Hama, apenas para citar alguns.
      Devido ao seu sucesso, o Punho de Ferro ganharia um título próprio a partir de novembro de 1975, com os argumentos a cargo de Chris Claremont e arte de Jonh Byrne. Uma dupla criativa de luxo que, ainda assim, foi incapaz de evitar o cancelamento da série ao cabo de quinze edições.
      Após a sua participação numa história em três partes nos números 48, 49 e 50 de Power Man (conhecido entre nós como Luke Cage), o Punho de Ferro passou a dividir o título com o herói de ébano. Juntos, os dois viveriam incontáveis aventuras e desventuras como Heróis de Aluguer, até à última edição da série, publicada em setembro de 1986.
      Seguiu-se uma longa travessia do deserto, interrompida apenas por algumas minisséries e participações ocasionais em títulos de outras personagens Marvel. Foi, pois, preciso esperar até 2007 para ver o herói estrelar um título próprio. Ao longo de 27 números (o último foi lançado em agosto de 2009), Immortal Iron Fist devolveu o Punho de Ferro à ribalta.
     Mais recentemente, entre agosto de 2010 e janeiro de 2013 foi presença regular na série New Avengers combatendo ao lado dos heróis mais poderosos da Terra toda a sorte de ameaças.


Em 2007, o Punho de Ferro voltou à ribalta com uma série própria, The Immortal Iron Fist.
 

Biografia: Daniel Rand é filho do empresário Wendell Rand que, na sua juventude, visitou a cidade mística de K'un-Lun, a qual, uma vez a cada década, se materializa nos Himalaias. Fundada por extraterrestres aproximadamente um milhão de anos atrás, K'un-Lun foi governada ao longo dos séculos pelos descendentes dessa raça alienígena e por seres conhecidos como os Reis Dragões. Ambas as espécies obedeciam, porém, ao Mestre Khan, um poderosíssimo mago.
     Aquando da sua visita à cidade mística, Wendell Rand salvou a vida de Lorde Tuan, o regente de K'un-Lun. Este retribuiu perfilhando-o e, para ressentimento do seu filho biológico, designando-o como seu herdeiro.
     Durante a sua estada em K'un-Lun, Wendell desposou uma mulher chamada Shakari e adotou uma filha, a que deu o nome de Miranda Rand-K'ai. Algum tempo depois, Wendell derrotou num combate ritualístico o filho do mais formidável guerreiro da cidade, conquistando assim o direito a reclamar para si o poder de Shou-Lao, o Imortal. Tratava-se de uma criatura horrenda resultante da transformação, mil anos atrás, de um homem em serpente mística pela ação do Rei Dragão Chiantang. No entanto, apesar de os melhores guerreiros de K'un-Lun terem sido periodicamente detentores do poder do Punho de Ferro, Wendell recusou-o.


     Dez anos após a sua chegada a K'un-Lun, Wendell e a sua esposa, Shakari, foram atacados por asseclas do filho de Lorde Tuan. Do ataque resultou a morte de Shakari, facto que, por sua vez, ditou o regresso de Wendell aos EUA. No seu país de origem, não tardou a tornar-se num bem-sucedido empresário acumulando uma considerável fortuna. Também refez a sua vida familiar casando em segundas núpcias com Heather Duncan, uma socialite nova-iorquina. Desse casamento nasceu Daniel.
     Entretanto, sem que Wendell soubesse, Lord Tuan deixara o mundo dos vivos e, perante a ausência do seu herdeiro designado, o poder régio de K'un-Lun transitou para o seu pérfido filho, Yu-Ti.
    Quando Daniel tinha nove anos, o pai resolveu levar a família a K'un-Lun, cuja próxima materialização terrena estava iminente. A expedição aos Himalaias contou também com a presença de Harold Meachum, sócio de Wendell. Quando Wendell caiu numa escarpa da montanha, sendo a sua queda sustida pela saliência de um rocha, Meachum, vendo ali uma oportunidade de tomar os negócios do seu sócio, forçou-o a precipitar-se no abismo, provocando-lhe a morte.
     Heather, por seu turno, sacrificou a própria vida para salvar a do filho do ataque de uma alcateia enfurecida. Daniel foi encontrado pelos habitantes de K'un-Lun e levado por eles para a cidade mística entretanto materializada. Mutilado pelo frio, Meachum regressou a Nova Iorque sabendo que o herdeiro do seu falecido sócio sobrevivera. Ao longo da década seguinte, engendrou um elaborado plano de defesa contra o ataque que sabia inevitável.
     Jurando vingar a morte dos seus pais, o pequeno Daniel estudou artes marciais durante a sua estada em K'un-Lun. Enquanto crescia, tinha como melhor amiga Miranda Rand-K'ai, que, no entanto, desconhecia ser sua meia-irmã. Pouco depois de completar dezanove anos, Daniel reclamou a oportunidade de conquistar o poder do Punho de Ferro defrontando, tal como o seu pai fizera anos antes, Shou-Lao, O Imortal, cujo poder residia agora num braseiro místico.
 
Aliando as artes marciais ao misticismo, o Punho de Ferro é uma arma viva ao serviço do Bem.
 
     Num feito inédito, Daniel matou Shou-Lao e mergulhou as suas mãos no braseiro místico, ficando assim imbuído do poder do Punho de Ferro. Quando o portal dimensional que permitia o acesso à Terra se reabriu, Daniel deixou K'un-Lun para rumar a Nova Iorque.
      Ao tomar conhecimento do regresso do filho do seu malogrado sócio, Meachum pôs a cabeça de Daniel a prémio. Nada que impedisse o jovem de chegar até ele. No entanto, ao constatar que o assassino do seu pai não passava agora de um inválido, Daniel compadeceu-se e poupou-lhe a vida.
     Envergando o traje cerimonial do Punho de Ferro, Daniel Rand passou a operar como um justiceiro mascarado. Entre os vários vilões que enfrentou nos primórdios da sua carreira heroica, destacam-se Dentes-de-sabre, Mestre Khan e Serpente de Aço. Pelo meio, tornou-se amante de Misty Knight, uma agente policial especializada em missões como infiltrada. Numa dessas operações, a sua identidade foi descoberta e, em resultado disso, o gângster em cuja organização Misty se infiltrara, sequestrou dois amigos de Luke Cage, um mercenário invulnerável. Chantageado pelo criminoso, Cage tentou matar Misty. Coube ao Punho de Ferro protegê-la  e, após uma breve batalha com Cage, a verdade veio à tona. Punho de Ferro e Luke Cage acabaram unindo esforços para resgatar os amigos deste e para entregar Bushmaster à justiça. Desta parceria fortuita resultariam os Heróis de Aluguer, uma empresa de prestação de serviços de proteção pessoal e corporativa.

Luke Cage & Punho de Ferro, os Heróis de Aluguer.
  
      Embora os Heróis de Aluguer supostamente apenas agissem a troco de dinheiro, a verdade é que eles nunca deixavam de lutar por causas justas acabando assim por se revelar uma atividade muito pouco lucrativa. Como Daniel Rand, o Punho de Ferro reassumira entretanto o controlo da fortuna paterna, facto que gerou tensões com o seu associado, nascido e criado na pobreza do gueto.
      Muitos anos após a dissolução dos Heróis de Aluguer, quando a identidade secreta do Demolidor foi comprometida, Daniel assumiu temporariamente o uniforme do Homem Sem Medo, tentando dessa forma fornecer um álibi a Matt Murdock.  Foi nessa qualidade que, durante a Guerra Civil, se juntou à fação de opositores ao registo obrigatório de meta-humanos, liderada pelo Capitão América. Com a prisão deste, Daniel, reassumindo a identidade de Punho de Ferro, passou a integrar Os Novos Vingadores, um grupo clandestino de super-heróis que, entre outros, incluía também o seu ex-associado Luke Cage. Adotou também um novo uniforme, substituindo o tradicional verde e dourado por um branco e dourado.
 
Nos Novos Vingadores, o Punho de Ferro reencontrou Luke Cage (em 1º plano na imagem).
      
Noutros media: Ainda enquanto membro dos Heróis de Aluguer, o Punho de Ferro fez a sua estreia fora da banda desenhada num episódio da série animada The Avengers: Earth's Mightiest Heroes (2010-2012). A comprovar a sua diminuta expressão noutros media, o facto de, desde 2000, um filme baseado no herói ter vindo a ser sucessivamente adiado. A última informação referente a este projeto foi divulgada em agosto de 2010, com os estúdios da Marvel a anunciarem a contratação de um novo argumentista. Nada mais foi, contudo, concretizado até ao momento.
 
Poderão os fãs esperar um filme do Punho de Ferro num futuro próximo?