quarta-feira, 30 de outubro de 2013

BD CINE APRESENTA: THOR




 
     Na semana em que Thor: O Mundo das Trevas chega às salas de cinema nacionais, recordamos aqui o primeiro filme do Deus do Trovão que, apesar das boas intenções e do elenco sólido, revelou algumas fragilidades.
 
 
Título original: Thor
Ano: 2011
Género: Ação/aventura/fantasia
País: EUA
Duração: 114 minutos
Estúdios: Marvel Studios
Realização: Kenneth Branagh
Argumento: J. Michael Straczynski e Mark Protosevich
Elenco: Chris Hemsworth (Thor), Natalie Portman (Jane Foster), Anthony Hopkins (Odin), Tom Hiddleston (Loki), Jaimie Alexander (Sif) e Rene Russo (Frigga)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 449,5 milhões de dólares

 
Pré-produção: Foi na esteira do êxito granjeado em 1990 por Darkman (filme que em Portugal recebeu o título de Vingança Sem Rosto) que o realizador Sam Raimi, numa reunião com Stan Lee e representantes da 20th Century Fox, apresentou a sua ideia para uma longa-metragem de Thor. O projeto, contudo, não teve aceitação por parte dos seus interlocutores, pelo que foi abandonado. Raimi, recorde-se, dirigiria, anos mais tarde, a trilogia original do Homem-Aranha (2002-2007).
       Só em finais da década de 1990, quando a Marvel Studios estava apostada em expandir-se rapidamente, é que a ideia foi repescada, embora em moldes diferentes. Desta feita, o Deus do Trovão, impulsionado pelo sucesso de X-Men (2000), ganharia vida não no grande mas no pequeno ecrã, em formato de telefilme a ser produzido pela United Paramount Network. Animada com a perspetiva, a produtora negociou com Tyle Mane para interpretar o papel principal.
       Em maio de 2000, a Marvel Studios associou-se à Artisan Entertainment para ajudar o financiamento do projeto, já não como telefilme mas como um adaptação cinematográfica do herói. Os anos, no entanto, foram passando e, em 2004, a película ainda não fora acolhida por qualquer estúdio. Entretanto, a Sony Pictures Entertainment comprou os direitos do filme e, em dezembro de 2004, David S. Goyer estava em negociações para assumir o argumento e a realização.
        No ano seguinte, debalde as conversações em curso entre Goyer e a Marvel, foi revelado que o cineasta já não estava ligado ao projeto. Foi também por essa altura definido que o filme seria distribuído através da Sony Pictures.
        Mark Protosevich, um fã das histórias do Deus do Trovão, foi contratado em 2006 para escrever o argumento do filme, período em que a Paramount Pictures adquiriu os direitos à Sony. Ainda nesse ano, o filme foi anunciado como uma futura produção da Marvel Studios.

Kenneth Branagh foi o escolhido para dirigir Thor.
 
        Em agosto de 2007, Matthew Vaughn foi o realizador escolhido para dirigir a película do Deus do Trovão. Uma das suas primeiras medidas consistiu em reescrever o guião original de Protosevich, de molde a reduzir o orçamento do projeto para 150 milhões de dólares, já que o primeiro rascunho teria um custo de produção estimado no dobro. Vaughn pretendia iniciar as filmagens no final de 2008 (ano em que Iron Man estreou com enorme sucesso). Razão pela qual a Marvel Studios calendarizou para 4 de junho de 2010 o lançamento de Thor, com Homem de Ferro 2 a servir de introdução ao Filho de Odin.
        Matthew Vaughn acabaria todavia por abandonar o projeto, depois de o seu contrato expirar em maio de 2008, sem que o elenco do filme estivesse sequer definido. Em dezembro desse mesmo ano, Kenneth Branagh foi anunciado como o novo realizador, com a Marvel Studios a aprazar a estreia para 17 de junho de 2011. Data pouco tempo depois alterada para 20 de maio de 2011, com o propósito de a distanciar do lançamento de outro filme estrelado por uma das figuras de proa da Casa das Ideias: Capitão América: O Primeiro Vingador.
        A rodagem de Thor arrancou em meados de janeiro de 2010 em Los Angeles, tendo sido transferida, dois meses depois, para Santa Fé e Galisteo (ambas no estado do Novo México), tendo sido construída nesta última uma cidade inteira para servir de cenário.

O poder do Deus do Trovão.
 
 
Enredo: Em 965 D.C., Odin, rei de Asgard, declara guerra aos Gigantes de Gelo de Jotunheim e ao seu líder Laufey, para os impedir de conquistar os nove reinos (que incluem a Terra).
       Os guerreiros Asgardianos saem vitoriosos da peleja e confiscam a fonte de poder dos Gigantes de Gelo.
       Muitos anos depois, Thor, o filho de Odin, prepara-se para ascender ao trono do Reino Dourado, mas a cerimónia de coroação é interrompida por uma invasão dos Gigantes de Gelo que procuram reaver a sua fonte de poder. Desobedecendo ao pai, o príncipe de Asgard, acompanhado pelo seu meio-irmão Loki e pelos seus amigos Sif, Volstagg, Fandral e Hogun (os Três Guerreiros), viaja para Jotunheim para confrontar Laufey.
      Segue-se uma violenta batalha que só termina com a intervenção do próprio Odin. Os Asgardianos são salvos mas a frágil trégua entre as duas raças é desfeita.
      Para punir Thor pela sua arrogância, Odin tira-lhe todo o poder divino e bane-o para a Terra como um mero mortal, acompanhado do seu martelo Mjolnir, agora protegido por um encantamento que impede que os indignos o possam empunhar.

Thor e Odin: o filho insolente e o pai severo.

       O Deus do Trovão chega à Terra - mais precisamente ao Novo México, nos EUA - onde a astrofísica Jane Foster, a sua assistente Darcy Lewis e o mentor de ambas Dr. Erik Selvig o encontram. Entretanto, o Mjolnir é encontrado pela população local e o agente da S.H.I.E.L.D. Phil Coulson confisca os dados da pesquisa de Jane Foster sobre o portal interdimensional que trouxe Thor ao nosso planeta.
       Thor, tendo localizado o Mjolnir, procura recuperá-lo mas é incapaz de levantá-lo, acabando capturado pela S.H.I.E.L.D. Com a ajuda de Selvig, ele é libertado e resigna-se ao exílio na Terra, ao mesmo tempo que se envolve romanticamente com Jane Foster.
       Loki, por sua vez, descobre que foi adotado por Odin e que o seu verdadeiro pai é Laufey, o rei dos Gigantes de Gelo. Debilitado pelo stresse da descoberta de Loki e pelo banimento de Thor, o monarca de Asgard mergulha num sono profundo que lhe permitirá recuperar-se. Loki autoproclama-se rei e oferece a Laufey a oportunidade de matar Odin e de reaver a fonte de poder do seu povo.
        Sif e os Três Guerreiros, descontentes com o governo de Loki, tentam resgatar Thor do seu exílio, convencendo Heimdall, guardião da Ponte Arco-íris - a ligação entre os nove mundos  - a permitir a sua passagem para Midgard (nome por que é conhecida a Terra entre os Asgardianos).
        Consciente do plano dos aliados do seu meio-irmão, Loki envia na sua peugada o Destruidor, um robô aparentemente indestrutível . Os Asgardianos encontram Thor, mas o Destruidor derrota  o grupo, obrigando o Deus do Trovão a oferecer a própria vida para que os outros possam afastar-se em segurança.
       À mercê do robô e próximo da morte, o sacrifício de Thor prova-o digno de empunhar o Mjolnir. De imediato, o martelo voa ao seu encontro, devolvendo-lhe os poderes divinos e habilitando-o a neutralizar o Destruidor.
Despojado dos seus poderes divinos, Thor é exiliado na Terra para viver como um mortal.
 
O Deus do Trovão sucumbe aos encantos de Jane Foster.
 
       Thor e os seus aliados regressam então a Asgard para derrubar Loki. Este, entretanto, trai e assassina Laufey, revelando o seu plano de usar a tentativa do rei do Gigantes de Gelo para atentar contra a vida de Odin como pretexto para destruir Jotunheim e assim se provar digno do seu pai adotivo.
      Thor chega a tempo de frustrar os planos do seu ignóbil meio-irmão, destruindo a Ponte Arco-íris no processo. Desperto do seu sono regenerador, Odin impede que os filhos caiam no abismo dimensional. Loki, porém, deixa-se cair.
      Odin faz as pazes com o seu filho pródigo, admitindo no entanto que ele não está ainda pronto para reinar. Na Terra, Jane Foster e a sua equipa procuram uma forma de abrir um portal para Asgard.
       Após os créditos finais do filme, surge uma breve cena que mostra o Dr. Selvig e Nick Fury (diretor da S.H.I.E.L.D.). Este último pede ao cientista para estudar um misterioso objeto, que diz ter um poder incalculável. Um Loki invisível ordena a Selvig que concorde, e o cientista aquiesce.

O insidioso Loki conspira nas sombras.

 
Curiosidades:
* Kenneth Branagh é fã de Thor desde a infância. Quando a Marvel o selecionou para assumir a direção do filme do Deus do Trovão, enviou-lhe a coleção completa dos vários títulos da editora estrelados pelo herói, para lhe servir de referência;
* Stan Lee afirma ter-se oferecido para desempenhar o papel de Odin, tendo contudo ficado satisfeito com a escolha de Anthony Hopkins;
* Para se preparar para dar vida ao imponente Deus do Trovão, Chris Hemsworth foi sujeito a um intenso programa de treino físico e a uma rigorosa dieta à base de ovos, vegetais, carne, arroz integral e bebidas proteicas. O ator já dispunha também, depois de um temporada em que trabalhou na construção civil na Austrália, de alguma experiência no manejo de martelos;
* Na pesquisa que levou a cabo para assumir o papel de Loki, Tom Hiddleston descobriu tratar-se de uma personagem multifacetada. Baseou por isso a sua interpretação em três atores de nomeada: Peter O'Toole, Jack Nicholson e Clint Eastwood;
* Os artefactos visíveis no arsenal Asgardiano são vários objetos místicos utilizados na mitologia da Marvel: a Chama Eterna, o Orbe de Agamotto, o Olho de Agamotto, a Tábua da Vida e do Tempo e a Manopla do Infinito;
* A armadura envergada por Thor no filme é uma amálgama dos uniformes do herói na cronologia oficial da Casa das Ideias e no universo paralelo Ultimate Marvel;
* Um modelo da armadura do Destruidor foi construído para ser utilizado na película;
* Depois de V de Vingança, Thor é a segunda adaptação cinematográfica de uma banda desenhada em que Natalie Portman participa;
* Stan Lee (um dos criadores do Deus do Trovão em 1962), faz, como habitualmente, um cameo no fime. Trata-se do motorista da pick-up que tenta rebocar o Mjolnir do sítio onde está cravado. Também J. Michael Strackzynski (autor de várias histórias de Thor na BD e coargumentista do filme) e Walter Simonson (ex-desenhador das histórias do Deus do Trovão) estão entre as primeiras pessoas que procuram arrancar o martelo encantado.

Odin ladeado pelos filhos, Thor e Loki.
 
Veredito:  53%

      Não sendo particularmente fantástico, Thor proporciona, ainda assim, uma razoável dose de entretenimento com as suas explosivas cenas de ação, efeitos visuais convincentes e algumas personagens interessantes (com Loki à cabeça). No entanto, o registo incutido à narrativa seria porventura mais adequado a um filme de animação, até pela moralidade subjacente.
      Oscilando entre o pomposo e o pueril, Thor a espaços faz lembrar um conto de fadas, mais do que um filme de um super-herói. Facto que constitui um retrocesso na credibilidade granjeada para o género graças a películas como Homem de Ferro e Os Vingadores. Os quais, pela maturidade da sua abordagem às respetivas mitologias, tornaram-se atrativos para um público mais amplo.
      Se nos quadradinhos a prosa shakesperiana de Thor já é maçadora, torna-se intolerável ao ser transposta para o grande ecrã. Os diálogos são fracos e o próprio Odin - mercê de uma atuação em piloto automático de Anthony Hopkins - é uma pálida sombra do seu homólogo na BD. Salva-se a magnífica interpretação de Loki a cargo de Tom Hiddleston, numa história em que o vilão é de longe mais interessante do que o  herói. Ainda nos aspetos positivos, destacam-se algumas sequências de luta bem conseguidas, numa produção que parecia realmente predestinada a ser lançada como telefilme.
     Não deverá, portanto, ser difícil a Alan Tyler (sucessor de Branagh na realização) oferecer-nos uma sequela que supere o filme original.

 


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO:THOR





    Filho de Odin. Príncipe de Asgard. Deus do Trovão. Conhecido tanto pela sua bravura quanto pela sua arrogância, Thor foi exilado na Terra pelo próprio pai, para aprender a viver como um mortal. Uma lição de humildade que não mais esqueceu.
 
 
Nome original: Thor
Primeira aparição (Idade do Ouro): Venus nº11 (novembro de 1950)
Primeira aparição (Idade da Prata): Journey Into Mistery nº83 (agosto de 1962)
Criadores:  Stan Lee e Larry Lieber (história) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Thor Odinson (em tempos usou também o nome Donald Blake)
Local de nascimento: uma caverna algures na Noruega
Parentes conhecidos: Odin Borson (pai), Gaea (mãe), Frigga (madrasta), Loki Laufeyson (irmão adotivo) e Balder Odison (meio-irmão)
Filiação: Deuses de Asgard e Vingadores (membro fundador)
Base de operações: Asgard e Nova Iorque
Armas, poderes e habilidades: Além de ser o homem mais poderoso de toda a Criação, Thor consegue também manipular energia cósmica. Armado com o seu inseparável Mjolnir,o martelo de guerra forjado com o metal Uru, ele consegue abrir portais que lhe permitem viajar através do tempo e do espaço, assim como controlar os elementos a seu belo prazer.
       Dentre as suas extraordinárias capacidades destacam-se ainda:

* força, resistência,velocidade e longevidade sobre-humanas;
* imunidade divina;
* autossustento;
* poder de voo (proveniente do Mjolnir);
*controlo da Terra (capacidade de provocar sismos, avalanchas e outros fenómenos telúricos)

      Soma-se a isto o facto de o Filho de Odin ser um guerreiro experimentado, fruto dos incontáveis combates travados ao longo dos séculos, fazendo dele um oponente formidável capaz de ombrear com outros seres de enorme poder.

Thor é umas das personagens mais poderosas do Universo Marvel
 
História de publicação: A versão moderna do Deus dos Trovão foi apresentada nas páginas de Journey Into Mistery nº83 (1962). Desenvolvida por Stan Lee, pelo seu irmão Larry Lieber e por Jack Kirby, esta era substancialmente diferente da versão primitiva da personagem introduzida nos números 11, 12 e 13 de Venus, título publicado pela Casa das Ideias em plena Idade do Ouro dos Quadradinhos.
       Em 2002, numa entrevista concedida por Stan Lee para assinalar o 40º aniversário da criação de Thor, este descreveu assim a origem do conceito: "Como é que fazemos alguém mais forte do que a pessoa mais forte? Fazemos dele um deus. Sabia que os leitores já estavam bastante familiarizados com os deuses da mitologia greco-romana, Talvez fosse divertido explorar agora a mitologia nórdica. Até porque eu imaginava os deuses nórdicos como vikings, com as suas longas barbas loiras, capacetes adornados com chifres e sempre sedentos de batalhas. Journey Into Mistery precisava de um novo elã e eu escolhi Thor para estrelar a revista. Depois de escrever um rascunho da história com as personagens que tinha em mente, pedi ao meu irmão (Larry Lieber) que escrevesse o argumento, visto que eu não tinha tempo para tal. A escolha de Jack Kirby para ilustrar a história afigurou-se-me natural."

A fulgurante estreia do Deus do Trovão em Journey Into Mistery nº83 (1962).
 
      Em virtude do sucesso da nova personagem, um ano depois, em setembro de 1963, Lee e Kirby transpuseram-na para as páginas de Avengers nº1, dando-lhe o estatuto de membro fundador dos Vingadores.
      Em 1966, Journey Into Mistery foi renomeado Thor. E quando, em 1970, Kirby abandonou a série, foi substituído por Neal Adams. No entanto, Adams desenhou apenas duas edições, cabendo a John Buscema assumir a arte do Deus do Trovão nos oito anos seguintes. Também Stan Lee deixou de escrever as histórias do herói pouco depois da saída de Kirby. Seguiram-se vários autores, entre os quais Len Wein e Roy Thomas. Seria este último a introduzir nas suas histórias diversos elementos da mitologia nórdica, aproximando Thor da sua contraparte divina e afastando-o em definitivo do modelo de super-herói.

Membro fundador dos Vingadores, Thor esteve desde sempre ligado à equipa.
 
Biografia: Thor é filho de Odin (soberano do reino extradimensional chamado Asgard) e de Gaea (também conhecida como Jord), sua homóloga de Midgard (o nome pelo qual a Terra é conhecida entre os Asgardianos).
      Odin desejava ter um filho cujo poder derivasse desses dois reinos e, por isso, acasalou com Gaea. De seguida criou uma caverna, algures na Noruega, para que a sua consorte pudesse dar à luz o primogénito.
       Poucos meses após o seu nascimento, Thor foi levado pelo pai para Asgard. Frigga, esposa de Odin, criou o petiz como se de um filho seu se tratasse. Por conseguinte, só muitos anos mais tarde o Deus do Trovão descobriria a identidade da sua mãe biológica.
       O jovem Thor foi criado em conjunto com Loki, seu irmão adotivo. Este era filho do rei dos Gigantes de Gelo, Laufey, morto em batalha por Odin. Loki sempre invejou o seu irmão. Com o passar dos anos, a inveja deu lugar à raiva e a um enorme desejo de matar Thor. Assim nasceu uma inimizade que atravessou eras.
      Com apenas oito anos, Thor foi enviado por Odin a Nidavellir, a terras do Anões, tendo por missão pedir a dois dos seus senhores que construíssem três tesouros para o soberano de Asgard. Entre esses três tesouros, estava o martelo Mjolnir, forjado no metal Uru. Odin lançou então vários encantamentos sobre o Mjolnir. Um deles impedia que o martelo fosse erguido por alguém que não possuísse um coração puro. Odin prometeu entregá-lo a Thor no dia em que este, pelas suas ações nobres,  provasse ser merecedor dele. Isto levou a que, nos anos seguintes, Thor se empenhasse em fortalecer-se fisicamente, de modo a poder portar o Mjolnir.


Thor, Odin e Loki: trindade divina
       Quando completou dezasseis anos, e depois de vários atos heroicos, Thor, juntamente com os seus amigos Balder e Sif, foram enviados por Odin numa jornada que tinha como propósito ensinar-lhe aquilo de que realmente precisava para ser digno de receber o Mjolnir: um coração puro.
       Armado com o martelo encantado, Thor tornou-se no mais bravo guerreiro de Asgard. Era lendária a sua coragem em batalha. O jovem deus também se enamorou de Sif. Quando ela foi raptada pelos Gigantes da Tempestade e acabou como prisioneira de Hela (a deusa da morte na mitologia nórdica), Thor não hesitou em oferecer a própria vida em troca da libertação da amada. Impressionada pelo altruísmo do filho de Odin, Hela resolveu conceder a liberdade a ambos.
      Desse momento em diante, contudo, o Deus do Trovão tornou-se cada vez mais arrogante, declarando guerra aos Gigantes de Gelo e a outros inimigos do Reino Dourado. Exasperado, Odin decidiu que o filho carecia de uma lição de humildade. Depois de lhe exigir a devolução do Mjolnir, o soberano de Asgard exilou Thor na Terra.

A arrogância de Thor valeu-lhe o exílio na Terra.
 
       Sem memória da sua verdadeira origem e identidade, Thor veio para o nosso mundo sob a forma de um jovem e aleijado estudante de Medicina de seu nome Donald Blake. Foi dessa forma que aprendeu o valor da humildade e da vida.
      Ao fim de uma década, já como um reputado cirurgião, Donald Blake foi secretamente sugestionado por Odin a passar umas férias na Noruega. Lá, deparou-se com uma equipa de reconhecimento alienígena que preparava uma invasão da Terra. Tentado escapar das criaturas, Blake adentrou uma caverna. Tratava-se, sem que o soubesse, da mesma caverna onde, milénios antes, Thor nascera e onde Odin depositara, sob a forma de um cajado de madeira, o Mjolnir.
       Encurralado no interior da caverna devido a um enorme pedregulho que obstruíra a saída, Blake, enfurecido, bateu com o cajado no rochedo. Ato contínuo, transformou-se no Deus do Trovão. O que lhe permitiu remover o pedregulho e neutralizar os extraterrestres.
       Thor recuperou o seu poder, mas não as suas memórias. Ignorava portanto a sua vida passada como Príncipe de Asgard. Apenas alguns anos mais tarde Odin lhe revelaria a sua verdadeira origem, bem como o motivo do seu exílio no nosso mundo. Período durante o qual o Deus do Trovão desenvolveu fortes afinidades com os humanos. Facto decorrente, por um lado, da sua herança materna e, por outro, da sua admiração pelos mortais. Para isso contribuiu o seu amor por Jane Foster, uma modesta enfermeira que trabalhou com Donald Blake.
       Odin, no entanto, não aprovava a relação do seu filho com uma mortal, tendo recusado diversos pedidos deste para que concedesse a imortalidade a Jane Foster.
       Quando Thor resolveu revelar a sua verdadeira identidade à amada, Odin removeu-lhe temporariamente os poderes. O romance entre o Deus do Trovão e Jane Foster terminaria, contudo, por outros motivos. Em resultado disso, Thor e Sif reataram o namoro.
       Mercê das manipulações do seu meio-irmão Loki, Thor juntou-se a vários outros super-heróis terrestres para deter o Hulk. Foi assim que se tornou membro fundador dos Vingadores, grupo ao qual se manteve, quase ininterruptamente, ligado até hoje.

Thor e Sif: amor guerreiro.
      
          
Noutros media: Figura de proa do Universo Marvel e ocupando a 14º posição no Top 100 dos Melhores Heróis dos Quadradinhos De Todos Tempos do site IGN, desde muito cedo Thor alargou a sua influência a outros media. Em 1966 teve direito a um segmento próprio (composto por treze episódios) na série animada The Marvel Super Heroes. Ao longo das décadas seguintes teve várias participações especiais em diversas séries de animação estreladas por outros heróis do Universo Marvel, não voltando contudo a dispor de uma série própria.
          A sua estreia no cinema remonta a 1988, no telefilme O Regresso do Incrível Hulk, que procurava dar sequência à série televisiva da década anterior. Nele, Thor e Donald Blake surgem separados, cabendo a Eric Allan Kramer interpretar o primeiro e a Steve Levitt o segundo.

Donald Blake e Thor frente a frente em O Regresso do Incrível Hulk (1988).

          Em 2011 chegou às salas de cinema de todo o mundo a primeira longa-metragem do Deus do Trovão, agora interpretado por Chris Hemsworth. Thor, a exemplo das peliculas estreladas pelo Capitão América, Hulk e Homem de Ferro, abriu caminho para o filme Os Vingadores (2012).
         Chris Hemsworth reassumirá o manto do Deus do Trovão em Thor: O Mundo das Trevas (com estreia nacional a 31 de outubro) e em Os Vingadores: A Idade de Ultron (com estreia prevista para meados de 2015).

Chris Hemsworth deu vida a Thor no filme homónimo e em Os Vingadores.



sábado, 19 de outubro de 2013

GALERIA DE VILÃS: GATA NEGRA



     Quem sai aos seus não degenera. Filha de um afamado gatuno, a Gata Negra só podia seguir as pisadas do pai. Fazendo jus ao nome, dá azar a quem com ela se cruza. Que o diga um certo herói aracnídeo.
 
Nome original: Black Cat
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº194 (1979)
Criadores: Marv Wolfman (história) e Keith Pollard (desenhos)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Felicia Hardy
Local de nascimento: Flushing, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Walter Hardy (pai falecido) e Lydia Hardy (mãe)
Filiação: Ex-parceira do Homem-Aranha, ex-proprietária da agência de detetives Investigações Olho de Gato e atualmente membro dos Heróis de Aluguer
Base de operações: Nova Iorque
Armas, poderes e habilidades: Como qualquer ladrão que se preze, a Gata Negra dispõe de uma considerável parafernáfila de gadgets essenciais ao desenvolvimento do seu ofício. A saber:
* garras retráteis escondidas sob as luvas (que lhe permitem escalar paredes ou serem usadas como armas de ataque ou defesa);
* lentes de contacto infravermelhas (para visão noturna);
*ganchos e cabos metálicos;
* brincos especialmente desenhados para aumentarem a sua aerodinâmica e lhe permitirem, a exemplo do animal em que se inspirou, aterrar sempre de pé.
      Devido ao intenso treino a que foi sujeita, Felicia Hardy tornou-se uma acrobata de exceção, dotada de agilidade e reflexos felinos. Domina também várias artes marciais e técnicas de luta corpo a corpo.
      Sedutora nata, uma das suas armas mais eficazes é o seu charme irresistível.

Uma ladra cheia de recursos.
 
História de publicação: Em 1979, Marv Wolfman, estava empenhado na criação de uma nova antagonista para as histórias da Mulher-Aranha. Tomando como referência a personagem animada idealizada por Tex Avery, Bad Luck Blackie (um gato preto que trazia azar a quem dele se aproximava), Wolfman desenvolveu o conceito da Gata Negra, cabendo a Dave Cockrum desenhar o respetivo uniforme.
     A estreia da Gata Negra estava prevista para o primeiro número de Spider-Woman. Contudo, Marv Wolfman foi designado para assumir o título Amazing Spider-Man, e fez questão de levar consigo a nova personagem. A qual seria, porém, reformulada, permanecendo somente o nome e as habilidades da versão primitiva.
    Por esse motivo, na secção de leitores da edição original de Amazing Spider-Man nº194 foram publicadas reproduções miniaturizadas da capa projetada para Spider-Woman nº9 e de uma versão rejeitada da capa de Amazing Spider-Man nº194.
    Em virtude das notórias semelhanças entre ambas, a Gata Negra é frequentemente confundida com a Mulher-Gato/Catwoman, da concorrente DC. Em comum, além das habilidades felinas, estas amigas do alheio têm  o facto de ambas terem sido interesses românticos do Homem-Aranha e do Batman, respetivamente. A sua ambiguidade moral, por outro lado, aproxima-as mais do modelo de anti-heroínas do que do de vilãs.

A primeira vez que a Gata Negra cruzou o caminho do Escalador de Paredes foi em Amazing Spider-Man nº194 (1979).
 
Biografia: Felicia Hardy cresceu a idolatrar o pai. Quando este desapareceu repentinamente sem deixar rasto, a mãe da jovem construiu uma narrativa para ocultar o verdadeiro motivo do seu desaparecimento. Durante anos, Felicia acreditou que o pai morrera num acidente de aviação, quando na realidade se encontrava a cumprir pena pelos incontáveis furtos que perpetrara.
     Quando por fim descobriu a verdade, ao invés de se sentir dececionada com o seu progenitor, Felicia decidiu seguir-lhe as pisadas. Seria, todavia, um episódio mais traumático a redirecionar a sua vida: no seu ano de caloira na Universidade Empire State, Felicia foi violada pelo seu namorado, Ryan.
     Transformando a sua dor e a sua vergonha em raiva, Felicia intensificou o seu treino em artes marciais, ao mesmo tempo que aprimorava a sua forma física. Como combustível, tinha o seu enorme desejo de vingança. A qual, no entanto, lhe acabaria por ser negada quando Ryan, conduzindo alcoolizado, perdeu a vida num acidente de automóvel.
     Aprendendo sofisticadas técnicas de arrombamento de cofres e fechaduras, começou a roubar pertences de outros à laia de compensação psicológica pelo que lhe tinha, segundo ela acreditava, sido roubado. Na primeira ocasião em que assumiu a identidade de Gata Negra, Felicia, numa audaciosa incursão noturna, procurou libertar o seu pai da prisão, antes que ele, velho e doente, morresse. Viu, todavia, os seus planos frustrados pela intervenção do Homem-Aranha.
     Nos primórdios da sua carreira criminosa, os "acidentes" que aconteciam a quem se cruzava com a Gata Negra - e que eram atribuídos à sua habilidade de causar azar - não passavam de truques e armadilhas cuidadosamente preparados pela vilã. Esta, no entanto, alimentou a suspeita de que se tratava de um poder mutante.
     Após a morte do seu pai, a Gata Negra empenhou-se em dar continuidade ao seu legado como a mais reputada ladra de Nova Iorque. Nada que a impedisse de manter alguns flirts com o Homem-Aranha, os quais, com o tempo, evoluíram para um romance entre ambos. Enamorada pelo herói, a Gata Negra comprometeu-se a abandonar as suas atividades ilícitas. Durante algum tempo, chegaram mesmo a ser parceiros no combate ao crime.
 
Homem-Aranha e Gata Negra: uma relação conturbada.
 
     No entanto, era pelo Homem-Aranha  que a Gata Negra estava fascinada, não pelo desconhecido por detrás da máscara. Por esse motivo, ela relutou sempre em conhecer a verdadeira identidade do seu amante e parceiro de aventuras, apesar da insistência deste. Quando o Homem-Aranha, no modesto apartamento do seu alter ego Peter Parker, finalmente lhe mostrou o seu verdadeiro rosto, a Gata Negra ficou desapontada. Para ela, aquela revelação acabava com a excitação decorrente do mistério em torno da identidade do amante.
      A separação de ambos foi todavia motivada pelo facto de a Gata Negra quase ter morrido às mãos do Doutor Octopus e do Coruja. Por se considerar um estorvo para o seu companheiro, afastou-se dele. Um decisão dolorosa porquanto nunca deixou de amá-lo.
 
De inimigos a amantes; de amantes a aliados.
 
      Durante a ausência do Homem-Aranha devido à sua participação nas Guerras Secretas, a Gata Negra firmou um pacto com o Rei do Crime para adquirir um superpoder (uma genuína aura de azar). Não tardou, porém, a perceber que o pacto não passara de um logro, pois nem mesmo o Homem-Aranha (de quem se reaproximara após o regresso deste à Terra) era imune à sua recém-adquirida habilidade. O que ia de encontro aos desejos do Rei do Crime que, aproveitando a proximidade entre ambos, pretendia dessa forma neutralizar o herói.
      Furioso com o pacto feita pela ex-amante com o Rei do Crime e frustrado por ela não amar Peter Parker, o Homem-Aranha tomou a decisão de pôr um ponto final à relação entre ambos, que já estava por um fio. Um alívio para a Gata Negra que tencionava, ela própria, decretar a rutura definitiva por recear voltar a fazer perigar a vida do homem que amava.
      O Homem-Aranha recorreu então à ajuda do Dr. Estranho para anular o feitiço que estivera na origem da aura de azar concedida pelo Rei do Crime à Gata Negra. No processo, ela ganhou novas habilidades felinas.
      Separada do Escalador de Paredes e dotada de novos poderes, a Gata Negra procurou trilhar o seu próprio caminho, esforçando-se ao mesmo tempo por preservar a amizade com o ex-namorado. 
      Quando teve conhecimento do casamento de Peter com Mary Jane Watson, a Gata Negra, sentido-se despeitada, ameaçou a sua rival. Como Felicia Hardy, também namorou por um breve período com Flash Thompson, velho amigo de Peter. Apenas uma manobra na sua estratégia com vista a provocar ciúmes a Peter. Constatando que a mesma não dera o resultado esperado, Felicia abandonou Flash que, por estar apaixonado por ela e se sentir usado, ficou devastado.
      Com a aprovação no Congresso da Lei do Registo Meta-humano, Felicia optou por se registar, passando a operar como uma super-heroína com reconhecimento oficial. Pouco tempo depois, juntou-se aos Heróis de Aluguer de Misty Knight e Colleen Wing, uma equipa que, em colaboração com as autoridades federais, persegue e captura heróis e vilões não registados. Os seus companheiros, porém, creem que a sua única e verdadeira motivação é o dinheiro.


A Gata Negra entre os restantes membros dos Heróis de Aluguer.
 
Noutros media: Apenas dois anos após a sua estreia na banda desenhada, a Gata Negra marcou presença, em 1981, num episódio da série de animação Spider-Man. Já em Spider-Man: The Animated Series (1994-98), Felicia Hardy foi apresentada como o primeiro interesse amoroso de Peter Parker, acabando contudo por ser substituída por Mary Jane Watson. Mais recentemente, em The Spectacular Spider-Man (2008-09), a Gata Negra é retratada como uma ladra vulgar, sem quaisquer poderes, cujo pai fora o responsável pela morte de Ben Parker, tio de Peter.

Gata Negra e Homem-Aranha lado a lado em Spider-Man: The Animated Series.
      Num primeiro rascunho do argumento do filme Homem-Aranha 2 (2004), Felicia Hardy teria como função convencer o Escalador de Paredes a desistir de ser Peter Parker, por contraponto ao subtexto em que Peter equaciona a hipótese de pôr um ponto final à sua carreira heroica. Felicia seria contudo cortada na versão final da história.
      Caso o quarto capítulo da saga cinematográfica do Homem-Aranha, realizada por Sam Raimi, tivesse sido produzido, a Gata Negra teria lugar assegurado nele, cabendo a Anne Hathaway (curiosamente, a atriz escolhida para encarnar Catwoman em Batman - O Cavaleiro das Trevas Renasce) dar vida à charmosa vilã.
 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

BD CINE APRESENTA: SUPER-HOMEM, O REGRESSO





      Após um interregno de quase duas décadas, ainda ao som da música de John Williams mas já sem Christopher Reeve, o Super-Homem voltou ao cinema em 2006, num filme de rara beleza visual mas que, pelo seu tom melancólico, desiludiu alguns fãs do herói kryptoniano.
Título original: Superman Returns
Ano: 2006
País: EUA
Duração: 154 minutos
Realização: Bryan Singer
Argumento: Bryan Singer, Michael Dougherty e Dan Harris
Estúdio: Legendary Pictures/ DC Comics
Elenco: Brandon Routh (Clark Kent/Superman), Kate Bosworth (Lois Lane), Kevin Spacey (Lex Luthor), James Marsden (Richard White) e Frank Langella (Perry White)
Orçamento: 204 milhões de dólares
Receitas: 391 milhões de dólares
Sinopse: Depois de ter derrotado o triunvirato kryptoniano liderado pelo General Zod, que aterrorizou a Terra em Superman II (1980), o Homem de Aço parte para o espaço em busca do seu planeta natal e de outros possíveis sobreviventes, baseado na suposta descoberta da localização de Krypton por parte de astrónomos terrestres. Tudo o que descobre, no entanto, são vestígios fantasmagóricos de um mundo morto há muito tempo, regressando então ao seu planeta adotivo. Apenas para descobrir que Lois Lane é agora casada com um sobrinho de Perry White, do qual tem um filho. E Lois parece não ter sido a única a seguir com a sua vida; também Metrópolis e a Terra parecem ter deixado de precisar do seu salvador.
       Lex Luthor, por seu turno, também se encontra novamente em liberdade, dispondo agora de vastíssimos recursos depois de ter desposado uma velhota milionária em fase terminal. Sedento de vingança por ter visto frustrados, pelo seu némesis, os seus planos de destruição da Califórnia, o vilão engendra um maquiavélico plano: usando a tecnologia kryptoniana baseada nos cristais de pedra solar, Luthor pretende gerar um novo continente que provocará a destruição da América do Norte e a consequente morte de milhões de inocentes.
       Incrustrados na nova estrutura, os cristais de kryponita (fragmentos radioativos do mundo natal do Super-Homem que são letais para ele) revelam-se uma armadilha mortal para o Homem de Aço. Este terá contudo de, numa corrida contra o tempo e apesar do coração partido, encontrar uma forma de deter os desígnios insanos de Luthor.
Luthor continua empenhado em vingar-se do seu arqui-inimigo.
Curiosidades:
* Na confeção do novo traje do Super-Homem foi utilizado um material especial que, com o uso, engelhava rapidamente. Decorrente desse facto, foram produzidos 80 uniformes, 100 capas, 30 botas e 90 cintos. Embora o preço unitário dos fatos nunca tenha sido divulgado, Bryan Singer gracejou numa entrevista que sempre que um deles se estragava, era como espatifar um Ferrari;
*O papel de Lex Luthor esteve sempre reservado para Kevin Spacey. Por conseguinte, o cronograma da produção foi ajustado à disponibilidade do ator que, à época, era também diretor do teatro Old Vic, em Londres;
*Brandon Routh, Kevin Spacey e Kate Bosworth aceitaram os respetivos papéis no filme antes sequer de lerem o guião;
* Foram necessários doze anos e três realizadores diferentes (entre os quais Tim Burton, o primeiro a assumi-lo em 1993) para que o projeto de fazer regressar o Último Filho de Krypton ao grande ecrã chegasse a bom porto;
* O filme foi rodado na Austrália (com Sydney a fazer as vezes de Metrópolis) e nos estúdios da Fox;
* Durante os castings, Henry Cavill e Amy Adams chegaram realizar audições para os papéis de Super-Homem e Lois Lane, respetivamente. Os mesmos que desempenham em Homem de Aço, o reboot que chegou este ano às salas de cinema de todo o mundo;
* Para a escolha de Brandon Routh foi preponderante a opinião favorável de Dana Reeve - viúva de Christopher Reeve - que viu nele uma enorme parecença física e vocal com o seu malogrado marido;
É um pássaro? É um avião? É o Christopher Reeve? Não, mas quase.
* Ao longo do filme, são várias as referências à banda desenhada: ao segurar um automóvel sobre a cabeça, o Super-Homem recria a icónica capa de Action Comics nº1 (onde o herói kryptoniano fez a sua estreia no já longínquo ano de 1938); já a sequência do salvamento do avião que transportava Lois Lane é decalcada da minissérie Homem de Aço, produzida em 1986 por John Byrne;
* Ao invés de contratar um ator para dar vida a Jor-El (pai biológico do Super-Homem), Bryan Singer optou por utilizar imagens de Marlon Brando, originalmente captadas para Superman e Superman II;
* Fazendo tábua rasa de Superman III e Superman IV - Em Busca da Paz, o enredo retoma a ação a partir dos eventos mostrados em Superman II. Ironicamente, porém, a última linha do quarto (e último filme) protagonizado por Christopher Reeve é "Vemo-nos dentro de vinte anos". Considerando que a cena em questão foi gravada em 1986, a frase assume contornos premonitórios;
* Entre as várias cenas cortadas durante a edição do filme (dedicado ao casal Christopher e Dana Reeve, ambos já falecidos), destaca-se uma, de aproximadamente seis minutos, mostrando a viagem exploratória do Super-Homem ao seu planeta natal, a qual, segundo é explicado, motivara a sua ausência da Terra durante cinco anos. Podem vê-la aqui:http://www.youtube.com/watch?v=sF44PEypDQs
Foram precisos quase 20 anos para o Super-Homem voltar a voar nos cinemas.
Veredito: 78%
      Este Super-Homem, O Regresso é, a vários títulos, especial para mim. Desde logo porque foi o primeiro filme do herói kryptoniano que pude ver no cinema, dada a minha tenra idade aquando do lançamento da quadrilogia original com o inigualável Christopher Reeve. Lembro-me bem da emoção pueril que senti ao escutar os primeiros acordes da magistral banda sonora de John Williams enquanto voavam no grande ecrã os créditos de abertura. Uma experiência extática que, até aí, só tinha podido vivenciar no recato do meu lar e nas reduzidas dimensões do meu televisor.
      Por outro lado, Super-Homem, O Regresso marcava o início da era pós-Christopher Reeve. Aos olhos de muitos fãs do Homem de Aço - eu incluído - Reeve foi - e, sem desprimor para os seus sucessores, provavelmente sempre será - O Super-Homem. A Brandon Routh cabia, portanto, a difícil tarefa de substituí-lo. Num esforço meritório, o jovem ator, ao invés de uma interpretação própria da personagem, optou por representar Christopher Reeve a fazer de Super-Homem. E convenhamos que foi bem-sucedido nessa tarefa. Muitas das expressões e maneirismos de Reeve foram mimetizados quase na perfeição por Routh que, tal como o seu antecessor, era  um ilustre desconhecido antes de assumir o manto do Último Filho de Krypton.
      Quanto à película em si, sob a batuta competente de Bryan Singer (um admirador confesso de super-heróis e, em particular, do Super-Homem), resulta numa verdadeira elegia aos dois primeiros filmes da série, realizados por Richard Donner. A prová-lo, o facto de Singer pura e simplesmente ter ignorado os inefáveis Superman III (1983) e Superman IV (1987). Ambos haviam redundado em estrondosos fracassos de bilheteira comprometendo a credibilidade da personagem e o futuro da franquia. Não surpreende, portanto, que o regresso do Super-Homem ao grande ecrã tenha levado quase duas décadas, com diversos projetos abortados pelo meio (e, nalguns casos, devemos todos ficar gratos por isso...).
      No entanto, uma tão prolongada espera criou uma grande ansiedade, e ainda maiores expectativas, nos fãs do herói. Ciente disso, Singer, a par do tributo a Superman e Superman II, empenhou-se em realizar um épico dos tempos modernos. Seguramente para se certificar que não mais o seu ídolo de infância voltaria a estar durante tanto tempo arredado do grande público.
Lois Lane e Super-Homem: um amargo reencontro.


        A despeito de toda a sua devoção e reverência, Singer não alcançou plenamente os seus objetivos. Pela sua intensa carga emocional e registo melancólico - inusual em produções do género e para o qual contribuiu igualmente o figurino retro - Super-Homem, O Regresso defraudou as expectativas de alguns fãs, que certamente desejavam ver  mais ação física. Com efeito, o verdadeiro vilão da história não é Lex Luthor (e muito menos a dispensável kryptonita). Esse papel coube a Lois Lane, a verdadeira causadora do sofrimento do herói, ao partir-lhe o coração (uma proeza, visto tratar-se do Homem de Aço) e ao sonegar-lhe a paternidade. Super-Homem, O Regresso é, pois, em última análise, uma história de amor. Entre o Último Filho de Krypton e a sua eterna namorada, por um lado, e entre Bryan Singer e os filmes clássicos de Richard Donner, por outro.
        De uma rara beleza visual, algumas cenas de Super-Homem, O Regresso tornaram-se icónicas (a cena em que o herói flutua em órbita da Terra é simplesmente sublime). As sumptuosas sequências de voo são muito mais convincentes dos que as mostradas recentemente em Homem de Aço. Kevin Spacey infunde de cinismo e perversidade a sua versão de Lex Luthor (por contraponto ao registo mais histriónico de Gene Hackman) e, malgrado alguma falta de carisma, Kate Bosworth é uma Lois Lane muito mais bonita do que era Margot Kidder. Ainda uma palavra para o novo uniforme, que tanta controvérsia causou mal foram divulgadas as primeiras imagens: A-D-O-R-E-I! A troca do tradicional encarnado por um grená torna o fato mais telegénico e, considerando a sua origem alienígena, faz todo o sentido que o símbolo no peito seja tridimensional. E até as cuecas por fora parecem menos ridículas agora.
Reprodução de uma das mais belas sequência do filme.
       Agora os aspetos negativos: a essência da trama é decalcada do filme original de 1978 enfermando, por isso, de um défice de suspense (apenas atenuado pela quase morte do Super-Homem decorrente da sobre-exposição à kryptonita). Qualquer fã do herói sabe, no entanto, que ele dispõe de um considerável naipe de némesis à altura, pelo que não se percebe a insistência nas pedras radioativas como principal ameaça.
      Nada, porém, que torne menos refrescante este remake não assumido de Superman, The Movie, devidamente aprimorado pelas tecnologias modernas. Estamos, portanto, em presença de uma aventura clássica de um herói intemporal.