sábado, 23 de novembro de 2013

GALERIA DE VILÕES: CHARADA





      Também conhecido por Enigma, é um dos mais antigos inimigos do Batman, e um dos poucos a conhecer a sua verdadeira identidade. Apesar disso, prefere continuar a desafiar o maior detetive do mundo a usar essa informação para o liquidar.
 
 
Nome original: The Riddler
Primeira aparição: Detective Comics nº140 (outubro de 1948)
Criadores: Bill Finger (história) e Dick Sprang (arte)
Licenciadora: DC
Identidade civil: Edward Nashton
Local de nascimento: Waterbury, Connecticut
Filiação: Sociedade Secreta dos Supervilões, Liga da Anarquia do Joker
Base de operações: Gotham City
Armas, poderes e habilidades: À semelhança da maioria dos arqui-inimigos do Batman (e do próprio herói), o Charada não possui qualquer habilidade meta-humana. Dispõe todavia de outros recursos, que fazem dele um oponente temível:

* Intelecto superior: dono de um Q.I. muito acima da média, o Charada possui excecionais capacidades dedutivas. O que faz dele um génio criminoso, especialista na conceção e resolução dos mais intrincados quebra-cabeças. Por outro lado, as suas habilidades analíticas fazem dele um investigador de excelência, capaz de rivalizar com o próprio Batman;
* Escapismo: desde a infância que Edward Nashton idolatra as proezas escapistas de Harold Houdini. Foi nele que se inspirou para conceber as complexas (e potencialmente fatais) armadilhas que utiliza nas suas atividades criminosas. É também graças ao seu domínio dessas técnicas que, em incontáveis ocasiões, conseguiu evadir-se de prisões ou do Asilo Arkham;
* Parafernália: pouco dado a confrontos físicos, o Charada dispõe de um vasto arsenal onde pontifica o seu cajado metálico em forma de ponto de interrogação (embora possua um objeto idêntico feito em madeira) e que inclui também uma panóplia de armas, explosivos e excêntricas engenhocas.

A primeira vez que o Charada enfrentou o Duo Dinâmico foi em Detective Comics nº140 (1948).
 
Fraquezas: Os enigmas e quebra-cabeças do Charada são, de facto, uma expressão do seu distúrbio obsessivo-compulsivo. No fundo, ele usa-os porque quer ser apanhado. A prová-lo está o facto de, vezes sem conta, as pistas por ele deixadas terem permitido ao Batman capturá-lo. Com efeito, o vilão apenas executa crimes que possam ser descritos sob a forma de enigmas. É também esse o motivo que explica a sua incapacidade para matar o seu principal oponente, mesmo quando este se encontra à sua mercê. Ao invés, o Charada prefere desafiar as capacidades detetivescas do Cavaleiro das Trevas porquanto isso lhe proporciona enorme prazer.
 
Graças às suas enormes capacidades dedutivas, o Charada descobriu que Batman e Bruce Wayne são uma só pessoa.

Biografia: Edward Nashton cresceu no seio de uma família desfeita. Abandonado pela mãe pouco tempo depois de ter nascido, foi criado por um pai violento, que o espancava com frequência. Nalgumas histórias é sugerido que o fazia por invejar a inteligência do filho.
       Certa vez, um dos professores de Edward prometeu um prémio a quem resolvesse mais rapidamente um puzzle por ele apresentado. Entusiasmado com a ideia, o jovem Edward fez batota para ganhar o concurso: a coberto da noite introduziu-se no gabinete onde o professor guardava o quebra-cabeças, fotografou-o e depois montou-o facilmente. Como prémio, recebeu um livro de enigmas que o deixou fascinado. A partir desse momento Edward tornou-se obcecado com puzzles, charadas e toda a sorte de quebra-cabeças.
       Já adulto, Edward trabalhou num parque de diversões onde ganhava a vida a ludibriar os incautos que tentavam, em vão, solucionar os seus bizarros enigmas. Não tardou porém a ambicionar desafios maiores e, por isso, idealizou o seu alter ego uniformizado para enfrentar Batman. O Charada acreditava que o Homem-Morcego seria o único adversário à altura do seu intelecto. Foi também por essa altura que alterou o seu apelido para Nigma, criando com a inicial do seu primeiro nome um anagrama para a palavra "enigma" (E. Nigma).
 
 
 
       Em Gotham City, o Charada iniciou a sua carreira no submundo do crime como um simples informante. Com o tempo ganhou, contudo, o estatuto de arqui-inimigo do Batman, cujas capacidades detetivescas testa obsessivamente.
       O modus operandi do Charada consiste em fornecer, tanto à polícia como ao Cavaleiro das Trevas, pistas complexas sobre os seus planos criminosos. Os quais se caracterizam, invariavelmente, pela sua extravagância e ostentação.
       Habitualmente descrito como um indivíduo de falinhas mansas, embora excêntrico e matreiro, o Charada foi diversas vezes declarado insano devido ao seu comportamento obsessivo-compulsivo. No entanto, por contraponto a vários outros vilões que integram a galeria de inimigos do Batman, não se trata de um psicopata homicida. Trata-se antes de um narcisista maligno dono de um ego desmesurado. Ele comete crimes com o propósito de demonstrar a sua superioridade intelectual, pelo que estes raramente são violentos. Daí que os seus confrontos com o Homem-Morcego sejam mais cerebrais do que físicos. Todos os seus comportamentos resultam, em última análise, de uma profunda neurose.
       Graças às suas capacidades dedutivas, o Charada, a par do Professor Hugo Strange, Ra's al Ghul e da Mulher-Gato, é um dos poucos inimigos do Batman a conhecer a sua identidade secreta.
       Em 2009, obteve um honroso 59º lugar no ranking dos Melhores Vilões De Todos Os Tempos do site IGN.
 
 
 
Noutros media: Interpretado por Frank Gorshin, o Charada ganhou projeção mediática através da série televisiva do Batman exibida na década de 1960, bem como da respetiva longa-metragem. No campo da animação, o vilão fez a sua primeira aparição na série infantil The Batman/Superman Hour (1968). Seguiram-se várias participações em séries animadas estreladas não só pelo Cavaleiro das Trevas mas também por outros heróis do Universo DC, como Super-homem ou Justiça Jovem.
 

Frank Gorshin foi o Charada na 1ª e na 3ª temporadas da série televisiva Batman.

 
         Em Batman Para Sempre (1995), foi a vez de Jim Carrey  dar vida ao Charada no grande ecrã. No filme é recuperada a essência da personagem, reaproximando-a da sua versão original do quadradinhos.
 
Em Batman Forever coube a Jim Carrey dar vida ao espalhafatoso vilão.
         
Curiosidade: No parque de diversões Six Flags Magic Mountain, localizado em Valencia (Califórnia), existe a maior e mais rápida montanha-russa do mundo, inspirada no Charada. Foi por isso sugestivamente batizada de Riddler's Revenge (A Vingança do Charada).
 
 


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ETERNOS: ALEX ROSS (1970 - ...)



       Com um talento precoce, ganhou notoriedade a desenhar sagas emblemáticas da Marvel e da DC. O realismo fotográfico do seu traço tornou-o num dos mais requisitados ilustradores, dentro e fora dos quadradinhos.

Biografia e carreira: A 22 de janeiro de 1970, em Portland (no estado norte-americano do Oregon), filho de um pastor evangélico e de uma artista comercial, nasceu Nelson Alexander Ross. Segundo a mãe, com quem terá aprendido muitos dos traços distintivos do seu estilo artístico, Alex começou a desenhar com a precoce idade de três anos, depois de ter assistido a um episódio de uma série animada do Homem-Aranha na TV.
       Já depois de a família Ross se ter mudado para o Texas, e à medida que crescia, Alex foi aprimorando obstinadamente o seu talento. Como principais referências tinha George Pérez (cujo traço procurava imitar quando desenhava super-heróis) e Berni Wrightson (quando produzia trabalhos "sérios"). Foi contudo por volta dos 16 anos de idade que Alex descobriu o estilo hiper-realista de ilustradores como Andrew Loomis e Norman Rockwell. Visionário, acreditava que, um dia, aquele estilo poderia ser replicado na banda desenhada.
       Aos 17 anos, Alex principiou os seus estudos de pintura na American Academy of Art de Chicago, a mesma onde a sua mãe se formara. Durante a sua passagem pela academia, Alex descobriu a arte de, entre outros, Salvador Dalí, cujo hiper-realismo lhe parecia extraído das histórias aos quadradinhos. Foi também durante esse período que Alex deliberou que, no futuro, pintaria os seus próprios desenhos. Diplomou-se ao fim de três anos e, pouco tempo depois, foi contratado por uma agência de publicidade onde trabalhou como ilustrador.
       Entretanto, Kurt Busiek (editor da Marvel Comics à época) travou conhecimento com a arte de Alex Ross e sugeriu-lhe uma parceria criativa. Alex assentiu e, em 1993, o projeto consubstanciou-se sob a forma de uma novela gráfica intitulada Marvels, na qual era retratado o universo da Casa das Ideias do ponto de vista de um cidadão comum. A história foi um sucesso, muito por conta do realismo fotográfico do traço de Alex Ross. O que lhe valeu a primeira exposição mediática, dentro e fora da indústria dos comics. Os fãs, por sua vez, apreciaram o notório afeto e reverência de Alex para com as personagens que desenhou, bem patente de resto na atenção ao detalhe em cada vinheta.


Marvels guindou Alex Ross para a ribalta. 
 
       Cavalgando a onda de entusiasmo, Kurt Busiek e Alex Ross juntaram-se a Brent Anderson para criar Astro City. Publicada a partir de 1995, sob a égide da Image Comics e depois pela Wildstorm Comics, a série apresentava um universo povoado por super-heróis inéditos e dava sequência à abordagem feita em Marvels. Também em Astro City se explorava a reação dos cidadãos comuns ao surgimento de maravilhas superpoderosas. A Ross coube colorir as capas dos volumes que foram sendo intermitentemente publicados ao longo dos anos. Coube-lhe ainda colaborar na definição dos figurinos e cenários da série.
 

Em Astro City a arte de Alex Ross voltou a encantar os fãs.

        Em 1996, Alex Ross trabalhou com o escritor Mark Waid na produção de Kingdom Come (ver texto anterior), uma saga que apresentava um futuro distópico para o Universo DC e que tinha como narrador e personagem-chave o reverendo Norman McCay (inspirado no próprio pai de Ross). Além de reinventar o visual de várias personagens de charneira da Editora das Lendas, Alex introduziu também um naipe de novas personagens. Dividiu igualmente os créditos da criação de Magog (um dos anti-heróis da história), cujo visual teve como inspiração duas personagens idealizadas por Rob Liefeld: Cable e Shatterstar.

 
       Consagrado, artística e financeiramente no universo dos super-heróis, Alex Ross virou-se para o mundo real com Uncle Sam, uma história de 96 páginas que escalpelizava o lado negro da história dos EUA. 
       A partir de 1998, Alex Ross colaborou com o escritor Paul Dini na produção de edições anuais em formato tabloide que assinalavam o 60º aniversário do Super-Homem, Batman, Capitão Marvel e Mulher-Maravilha, aos quais se somaram dois volumes especiais dedicados à Liga da Justiça.

Capas dos álbuns que assinalavam o 60º aníversário do Super-Homem e da Mulher-Maravilha.
 
       Quando, em 2001, o filme Unbreakable (traduzido em terras lusitanas como O Protegido), do realizador M. Night Shyamalan e com Bruce Willis como protagonista, foi lançado em vídeo, o DVD incluía uma secção extra com arte original de Alex Ross, além de um comentário seu a propósito das afinidades entre a personagem principal da história e o paradigma super-heroico. Nesse mesmo ano, Ross foi aclamado pelo público devido ao seu trabalho numa série especial de bandas desenhadas cujas receitas reverteram a favor das famílias das vítimas dos atentados terroristas do 11 de setembro. Esse trabalho incluía retratos de polícias, bombeiros e paramédicos, apresentados como heróis de carne e osso, dispostos a sacrificar as próprias vidas em prol da comunidade.
       Ainda pelos terrenos da 7º arte, em 2002, Alex Ross concebeu o cartaz promocional da cerimónia de entrega dos Óscares desse ano. Para ajudá-lo na realização desse trabalho, a Academia cedeu-lhe uma das cobiçadas estatuetas douradas durante uma semana.


O poster dos Óscares de 2002, concebido por Alex Ross.

       No ano seguinte, finalizou a controversa trilogia, iniciada em 1999 com Earth X e a que se seguiram  Universe X e Paradise X, para a Marvel Comics.
        Em 2007, Alex Ross voltou a emprestar a sua soberba arte à capa do DVD de um filme. Desta feita, o feliz contemplado foi Flash Gordon (1980), película da qual Alex se assume como fã incondicional.
       Em meados de 2011, Alex Ross voltou a juntar-se a Kurt Busiek para, agora ao serviço da Dynamite Entertainment, produzir a minissérie em oito volumes Kirby: Genesis. Esta revisitava personagens criadas pelo lendário Jack Kirby, cujos direitos haviam sido adquiridos pela Dynamite. Tratou-se, por outro lado, do reencontro, 17 anos depois, da dupla-maravilha que presenteou os fãs com Marvels. Neste novo projeto, Alex acumulou as funções de desenhador e coargumentista.
       Desde então, sempre com outros projetos artísticos de permeio, Alex Ross tem desenhado as capas de vários títulos publicados pela Dynamite, entre os quais Green Hornet, The Spider, The Bionic Man e Silver Star.
 
Arte conceptual de Alex Ross usada na edição em DVD do filme de Flash Gordon.
 
Prémios e distinções: Kingdom Come valeu cinco Eisner Awards e um Harvey Award à dupla Mark Waid/Alex Ross em 1997. A título individual, Ross foi galardoado em 1998 com um prémio atribuído pela National Cartoonists Society pelo seu trabalho no álbum Superman: Peace on Earth.
      Durante sete anos consecutivos, Alex Ross arrebatou o prémio para Melhor Ilustrador do Comics Buyer Guide (CBG), daí resultando a eliminação dessa categoria por parte dos organizadores. A este propósito, a editora sénior do CBG, Maggie Thompson, declarou em 2010: "Ross é o melhor desenhador da atualidade. Ponto final. Isto apesar de haver por aí muitos outros artistas talentosos a darem um importante contributo para a vitalidade da indústria dos comics."
 
Consagrado pelo público e pela crítica, adivinha-se um futuro próspero para Alex Ross.
 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DO FUNDO DO BAÚ: O REINO DO AMANHÃ

 
    Num futuro não muito longínquo, uma nova geração de vigilantes impiedosos e amorais impõe a sua lei. Quando a velha guarda heroica volta ao ativo para tentar detê-los, estala a guerra. É este o mote para a multipremiada saga de Alex Ross.
 
Título original: Kingdom Come
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Argumento: Alex Ross e Mark Waid
Arte: Alex Ross
Publicado originalmente em: Kingdom Come nº1 a 4 (maio a agosto de 1996)
 
 
 
Título em Português: O Reino do Amanhã
Ano: 1997*
Categoria: Minissérie quinzenal
Número de volumes: 4
Formato: Americano (17 cm x 26 cm), colorido e com lombada agrafada
Número de páginas: 52 por edição
Editora: Abril Jovem**
Na minha coleção desde: 1998
 
* Data de publicação da primeira edição da minissérie no Brasil pela Abril Jovem. A mesma editora lançou em 1998 uma edição encadernada.
**Em 2004, já sob a égide da Panini Comics e num volume único, a saga foi reeditada no Brasil, seguindo-se, já este ano, o lançamento de uma edição definitiva.

Capa de O Reino do Amanhã nº4 (Abril Jovem, 1997).
 
 História de publicação: Enquanto ilustrava a aclamada minissérie Marvels (1994), ocorreu a Alex Ross desenvolver um conceito similar para o Universo DC. Sem hesitar, Ross escreveu um rascunho de 40 páginas e apresentou-o ao reputado argumentista britânico James Robinson. A ideia era abordar o Universo DC de um ângulo inédito, a exemplo do que sucedera com Watchmen ou Twilight of the Superheroes, ambas escritas por Alan Moore.
        O projeto de Ross foi aprovado pelos editores da DC, que lhe recomendaram contudo que trabalhasse em parceria com Mark Waid dada a sua enorme familiaridade com a história das mais proeminentes personagens da Editora das Lendas.
         Determinante para a decisão dos editores da DC foi também o facto de a história idealizada por Ross ser uma alegoria para a ética questionável dos novos super-heróis surgidos nos primeiros anos da década de 1990, em especial os publicados pela Image Comics. Com efeito, Magog e o seus sequazes funcionam como analogias perfeitas para a conduta violenta e amoral dessas personagens, mais próximas do paradigma de anti-heróis.


Pelo seu profundo conhecimento da mitologia da DC, Mark Waid foi escolhido para escrever a saga.


O traço hiper-realista de Alex Ross deu maior impacto visual à história.

Enredo: Em 2020, os antigos membros da Liga da Justiça reformaram-se há quase uma década, em resultado do fortíssimo apoio popular à nova geração de vigilantes entretanto surgida. Caracterizada pela brutalidade e pelo parco respeito pela vida humana, esta tinha em Magog o seu expoente principal.
        Quando o Joker chacinou os funcionários do Planeta Diário (incluindo Lois Lane mas excetuando, obviamente, Clark Kent), Super-Homem e Magog partiram no seu encalço. Por puro acaso, este último encontra o vilão primeiro e mata-o friamente.
        Em consequência desse ato, Magog é julgado em tribunal mas acaba absolvido devido à forte pressão popular. Mortificado com essa situação, o Super-Homem retira-se para a sua Fortaleza da Solidão, demitindo-se da sua função de principal protetor da Terra. Vários outros heróis da velha guarda  seguem-lhe o exemplo, deixando assim caminho aberto para a ascensão de uma nova geração de superseres.
        Sem pejo em matar a sangue-frio, com o tempo os novos meta-humanos envolvem-se em intermináveis refregas entre si, semeando o caos e a destruição, e tornando quase impossível diferenciá-los dos vilões.
 
Magog lidera a nova geração de vigilantes.
 
        Os eventos são narrados pelo reverendo Norman McCay (cuja fisionomia foi inspirada no próprio pai de Alex Ross), depois de este ter recebido visões apocalípticas do futuro através do moribundo Wesley Dodds (o primeiro Sandman).  Face ao iminente cataclismo, o Espectro recruta McCay para ser o seu avatar no nosso mundo. Para cumprir esse propósito, o Espectro transforma o velho reverendo num fantasma.
 
O reverendo McCay é uma testemunha privilegiada dos acontecimentos.
O primeiro encontro entre o Espectro e o reverendo McCay.
 
         Anos depois, no Kansas, o Batalhão da Justiça de Magog persegue o Parasita. Este golpeia brutalmente o Capitão Atómo, rasgando-lhe o peito e libertando toda a sua energia quântica na forma de uma explosão nuclear. Consequentemente, uma considerável parte do midwest norte-americano é pulverizado. Milhões de vidas são obliteradas. Apenas Magog sobrevive ao holocausto graças à sua invulnerabilidade.
        Coadjuvado pela Mulher-Maravilha, o Super-Homem resolve então regressar ao ativo, retomando a sua função heroica e reunindo uma nova Liga da Justiça. No entanto, o herói kryptoniano depara-se com um mundo povoado por meta-humanos destituídos de moral e de qualquer preocupação pelo bem comum.
        Após recusar juntar-se à cruzada do seu antigo aliado, Batman ativa os seus Renegados, um grupo de heróis com e sem superpoderes. Quase em simultâneo, Lex Luthor lança no jogo a sua Frente de Libertação da Humanidade (FLH), composta essencialmente por vilões da Idade da Prata dos Quadradinhos, como a Mulher-Gato ou o Charada. O seu objetivo é erradicar todos os meta-humanos para assim assumirem o controlo do mundo.
       Todos os superseres que se recusam a converter à ressuscitada ordem heroica, são aprisionados no Gulag, uma prisão especialmente criada para conter indivíduos com habilidades meta-humanas. Quando eclode uma rebelião no Gulag, o Super-Homem voa até lá para tentar impedir uma matança, sendo todavia impedido pelo Capitão Marvel, o qual havia sofrido uma lavagem cerebral às mãos de Luthor.
       Segue-se uma feroz batalha entre os dois titãs. Entrementes, o Governo dos EUA, numa tentativa desesperada de repor a ordem, ordena o lançamento de uma bomba nuclear.

Choque de titãs em meio ao caos: Super-Homem versus Capitão Marvel.

       Liberto do controlo mental de Luthor e buscando redimir-se dos seus atos, o Capitão Marvel procura intercetar o míssil mas falha e dá-se a explosão atómica.  A destruição é total e poucos sobrevivem: uns protegidos por um campo de forças gerado pelo Lanterna Verde e pela sua filha Jade; outros teleportados no último instante pelo Senhor Destino. Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha estão entre os sobreviventes.
 
Depois do Kansas, o Homem de Aço chora a morte de vários amigos.
 
       Furioso pela perda massiva de vidas, o Super-Homem voa até à sede da ONU, em Nova Iorque, e ameaça soterrar os delegados sobre os escombros do edifício como castigo pela forma cobarde como puseram termo ao conflito entre as várias fações de superseres. Graças, porém, à sábia intervenção do reverendo McCay, o Homem de Aço serena os ânimos e perdoa os humanos retomando a sua função de principal protetor da Terra.
     No epílogo da saga, vemos a Mulher-Maravilha a assumir o papel de embaixadora dos meta-humanos, transportando alguns sobreviventes do Gulag para a Ilha Paraíso para reabilitação. Batman abandona a sua cruzada e transforma o que resta da Mansão Wayne num hospital que acolhe feridos do desastre do Kansas. O reverendo McCay reassume os destinos da sua congregação, pregando uma mensagem de esperança para toda a humanidade. No Kansas, o Super-Homem empreende a hercúlea tarefa de reconstruir o coração devastado da América.
 
O Homem de Aço afadiga-se na reconstrução do Kansas.

Curiosidade: A edição encadernada de Kingdom Come foi dedicada a Christopher Reeve, celebrizado pela sua interpretação em quatro filmes do Super-Homem e, à época, tetraplégico em resultado de uma queda quando praticava equitação. Na dedicatória lia-se: Para Christopher Reeve, que nos ensinou a voar.
Prémios e distinções: O magistral trabalho da dupla Mark Waid/Alex Ross foi recompensado com cinco Eisner Awards e um Harvey Award. Aclamada pela crítica, Kingdom Come foi também um enorme sucesso de vendas.
         
 
 
Personagens principais:
 
* A Liga da Justiça do Super-Homem
     Agremiação que reúne algumas das personagens de referência do Universo DC, com nova aparência ou sendo versões renovadas de heróis clássicos:

 
* Super-Homem: Um Homem de Aço envelhecido aprende a lidar com a sua novel condição de líder mundial numa época de extrema tensão e incerteza. Após décadas de exposição à radiação do nosso Sol, está mais forte do que nunca ao ponto de se ter tornado imune à kryptonita;
* Mulher-Maravilha: Tendo fracassado na sua missão de trazer a paz ao mundo dos homens, a Princesa Amazona recuperou a sua posição na corte de Themyscira, onde vive uma espécie de exílio dourado. Com o tempo torna-se lugar-tenente do Super-Homem na cruzada deste contra a nova safra de vigilantes;
* Robin Vermelho: Dick Grayson, o Robin original, substituiu Batman nesta nova versão da Liga da Justiça;
*Flash: Após fundir-se com a Força de Aceleração, as moléculas do Velocista Escarlate tornaram-se instáveis e, em resultado disso, ele está em constante movimento. Embora a sua identidade seja uma incógnita durante toda a saga, Mark Waid confirmou posteriormente tratar-se de Wally West (o Flash pós-Crise nas Infinitas Terras);
*Lanterna Verde: Finda a sua vigília nas estrelas, Alan Scott (o Lanterna Verde da Idade do Ouro dos Quadradinhos) regressa à Terra e une-se à cruzada do Super-Homem. No entanto, ele já não necessita de portar o seu tradicional anel energético, pois incorporou na sua armadura a bateria anteriormente usada para o recarregar.
 
    Fazem ainda parte da Liga, entre outros, Aquaman (Garth, o antigo Aqualad assumiu o manto do seu mentor), Arqueiro Vermelho (o antigo Ricardito, parceiro juvenil do Arqueiro Verde), Poderosa, Gavião Negro, Donna Troy (ex-Moça-Maravilha), Capitão Marvel Jr. e Mary Marvel (agora casados).
 
 
* Os Renegados de Batman
 
    O Cavaleiro das Trevas formou um nova equipa de meta-humanos destinada a combater a Liga da Justiça e a Frente de Libertação da Humanidade. Cinco dos seus membros são filhos dos Titãs originais, ao passo que os seus progenitores optaram pela fação do Super-Homem:
 
 

 
*Batman: Com a sua verdadeira identidade tornada pública, o Homem-Morcego viu a Mansão Wayne ser destruída pelo Duas-Caras e Bane. Devido às mazelas da idade, é obrigado a usar um sofisticado exoesqueleto para se mover, assim como uma armadura de combate para prosseguir a sua luta contra o crime. A sua desconfiança relativamente ao Super-Homem e a Lex Luthor (líderes, respetivamente, da Liga da Justiça e da Frente de Libertação da Humanidade) leva-o a formar os Renegados,assumindo-se como uma terceira via no conflito em curso;
*Ibn al Xu'ffasch: O filho de Batman e de Talia al Ghul  - e herdeiro da organização criminosa de R'as al Ghul, seu avô - é usado como espião para se infiltrar na FHL;
*Oliver Queen: O ex-Arqueiro Verde é um dos mais empenhados aliados de Batman. Do seu casamento com Dinah Lance (a ex-Canário Negro) resultou uma filha que opera sob o antigo codinome da mãe;
*Dinah Queen: A ex-Canário Negro utiliza agora um arco e flechas como o seu marido;
*Besouro Azul: Ted Kord passou a envergar uma armadura de combate energizada pelo escaravelho místico que concedeu os poderes ao seu antecessor;
*J'onn J'onzz: Outrora o Caçador de Marte, perdeu o controlo dos seus poderes telepáticos depois de ter tentado tocar as mentes de toda a humanidade de uma só vez. Com o espírito estilhaçado pelas torrentes de sentimentos e emoções, permanece na sua forma incorpórea.
 
     A estes juntam-se ainda Darkstar (filho de Donna Troy), Rastejante, Aço, Kid Flash (filha de Wally West), Ralph Dibny (ex-Homem-Elástico), entre muitos outros.
 
*Frente de Libertação da Humanidade (FLH) de Luthor
 
    Desde a partida do Super-Homem, dez anos antes, Lex Luthor e a sua FLH vinham manobrando nos bastidores com o intento de destruírem os meta-humanos e assumirem o controlo do mundo. Além do arqui-inimigo do Homem de Aço fazem parte da FLH:
 
 
 
*Capitão Marvel: Derradeiro trunfo de Luthor para aniquilar o Super-Homem, o agora adulto Billy Batson sofre uma lavagem cerebral e torna-se indistinguível do seu poderoso alter ego. Por conseguinte, ao longo de boa parte da história assume-se que o Mortal Mais Poderoso da Terra está a ser manipulado por Luthor quando, na realidade, é Billy;
*Mulher-Gato: A ex-ladra enriqueceu depois de ter assumido o comando de uma corporação de cosméticos;
*Charada: Admitido por Luthor na FLH apenas por cortesia à Mulher-Gato, tem como principal passatempo testar a paciência do seu líder.
 
    Kobra, Vandal Savage, Rei de Espadas e o trio terrorista Azul, Branco e Vermelho completam o elenco da FLH.
 
* Batalhão da Justiça de Magog
 
   Os super-heróis do futuro são desprovidos de qualquer compaixão ou preocupação com a vida humana. Os seus atos violentos em nada os distinguem, portanto, dos vilões de que supostamente defendem a humanidade. Entre os mais notáveis destacam-se:
 
 

 
*Magog: Ironicamente designado "O Novo Homem Do Amanhã" (título ostentado anteriormente pelo Super-Homem), o seu primeiro ato público foi assassinar o Joker. Isto depois de o Palhaço do Crime ter chacinado 93 pessoas (entre as quais Lois Lane) no edifício do Planeta Diário. Aclamado pela opinião pública, substituiu o Último Filho de Krypton como maior herói da Terra;
*Von Bach: Um pretenso ditador jugoslavo que se expressa em alemão. É preso no Gulag por matar oponentes que se haviam rendido;
*666: Um homem-máquina gótico que tem pouquíssimo respeito pelos heróis do passado e que luta com outros meta-humanos por desporto;
*Filha do Joker/Arlequina: Uma adolescente revoltada e sádica que imita o estilo do falecido Palhaço do Crime.
 
    Capitão Atómo, Senhor Incrível, NIL-8, Sideral e Pacificador são outras figuras de proa deste lote de superseres de ética questionável.
 
*Outros
 
*Espectro: Desumanizado, necessita de uma perspetiva humana para julgar os eventos que se desenrolam diante do seu olhar. Obstinado em determinar quem será o responsável por desencadear o Armagedão, recruta o reverendo Norman McCay;
*Arthur Carry: Abriu mão da sua identidade como Aquaman para se dedicar de corpo e alma a ser o soberano da Atlântida. Mantém-se neutral quando eclode o conflito entre os seus antigos companheiros e a nova geração de superseres;
*Parasita: Em contraste com a sua versão tradicional, o vilão é retratado na história como um cobarde, cuja perda de memória a curto prazo o torna altamente instável. Corta literalmente o Capitão Átomo, provocando dessa forma a explosão nuclear que devasta o Kansas. É, portanto, ele o agente do Apocalipse.
  
As 4 fações em conflito: o Batalhão da Justiça (em cima), a Liga da Justiça (ao meio) e os Renegados/ FLH (em baixo).
 
 
 
 
 


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

BD CINE APRESENTA: THOR




 
     Na semana em que Thor: O Mundo das Trevas chega às salas de cinema nacionais, recordamos aqui o primeiro filme do Deus do Trovão que, apesar das boas intenções e do elenco sólido, revelou algumas fragilidades.
 
 
Título original: Thor
Ano: 2011
Género: Ação/aventura/fantasia
País: EUA
Duração: 114 minutos
Estúdios: Marvel Studios
Realização: Kenneth Branagh
Argumento: J. Michael Straczynski e Mark Protosevich
Elenco: Chris Hemsworth (Thor), Natalie Portman (Jane Foster), Anthony Hopkins (Odin), Tom Hiddleston (Loki), Jaimie Alexander (Sif) e Rene Russo (Frigga)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 449,5 milhões de dólares

 
Pré-produção: Foi na esteira do êxito granjeado em 1990 por Darkman (filme que em Portugal recebeu o título de Vingança Sem Rosto) que o realizador Sam Raimi, numa reunião com Stan Lee e representantes da 20th Century Fox, apresentou a sua ideia para uma longa-metragem de Thor. O projeto, contudo, não teve aceitação por parte dos seus interlocutores, pelo que foi abandonado. Raimi, recorde-se, dirigiria, anos mais tarde, a trilogia original do Homem-Aranha (2002-2007).
       Só em finais da década de 1990, quando a Marvel Studios estava apostada em expandir-se rapidamente, é que a ideia foi repescada, embora em moldes diferentes. Desta feita, o Deus do Trovão, impulsionado pelo sucesso de X-Men (2000), ganharia vida não no grande mas no pequeno ecrã, em formato de telefilme a ser produzido pela United Paramount Network. Animada com a perspetiva, a produtora negociou com Tyle Mane para interpretar o papel principal.
       Em maio de 2000, a Marvel Studios associou-se à Artisan Entertainment para ajudar o financiamento do projeto, já não como telefilme mas como um adaptação cinematográfica do herói. Os anos, no entanto, foram passando e, em 2004, a película ainda não fora acolhida por qualquer estúdio. Entretanto, a Sony Pictures Entertainment comprou os direitos do filme e, em dezembro de 2004, David S. Goyer estava em negociações para assumir o argumento e a realização.
        No ano seguinte, debalde as conversações em curso entre Goyer e a Marvel, foi revelado que o cineasta já não estava ligado ao projeto. Foi também por essa altura definido que o filme seria distribuído através da Sony Pictures.
        Mark Protosevich, um fã das histórias do Deus do Trovão, foi contratado em 2006 para escrever o argumento do filme, período em que a Paramount Pictures adquiriu os direitos à Sony. Ainda nesse ano, o filme foi anunciado como uma futura produção da Marvel Studios.

Kenneth Branagh foi o escolhido para dirigir Thor.
 
        Em agosto de 2007, Matthew Vaughn foi o realizador escolhido para dirigir a película do Deus do Trovão. Uma das suas primeiras medidas consistiu em reescrever o guião original de Protosevich, de molde a reduzir o orçamento do projeto para 150 milhões de dólares, já que o primeiro rascunho teria um custo de produção estimado no dobro. Vaughn pretendia iniciar as filmagens no final de 2008 (ano em que Iron Man estreou com enorme sucesso). Razão pela qual a Marvel Studios calendarizou para 4 de junho de 2010 o lançamento de Thor, com Homem de Ferro 2 a servir de introdução ao Filho de Odin.
        Matthew Vaughn acabaria todavia por abandonar o projeto, depois de o seu contrato expirar em maio de 2008, sem que o elenco do filme estivesse sequer definido. Em dezembro desse mesmo ano, Kenneth Branagh foi anunciado como o novo realizador, com a Marvel Studios a aprazar a estreia para 17 de junho de 2011. Data pouco tempo depois alterada para 20 de maio de 2011, com o propósito de a distanciar do lançamento de outro filme estrelado por uma das figuras de proa da Casa das Ideias: Capitão América: O Primeiro Vingador.
        A rodagem de Thor arrancou em meados de janeiro de 2010 em Los Angeles, tendo sido transferida, dois meses depois, para Santa Fé e Galisteo (ambas no estado do Novo México), tendo sido construída nesta última uma cidade inteira para servir de cenário.

O poder do Deus do Trovão.
 
 
Enredo: Em 965 D.C., Odin, rei de Asgard, declara guerra aos Gigantes de Gelo de Jotunheim e ao seu líder Laufey, para os impedir de conquistar os nove reinos (que incluem a Terra).
       Os guerreiros Asgardianos saem vitoriosos da peleja e confiscam a fonte de poder dos Gigantes de Gelo.
       Muitos anos depois, Thor, o filho de Odin, prepara-se para ascender ao trono do Reino Dourado, mas a cerimónia de coroação é interrompida por uma invasão dos Gigantes de Gelo que procuram reaver a sua fonte de poder. Desobedecendo ao pai, o príncipe de Asgard, acompanhado pelo seu meio-irmão Loki e pelos seus amigos Sif, Volstagg, Fandral e Hogun (os Três Guerreiros), viaja para Jotunheim para confrontar Laufey.
      Segue-se uma violenta batalha que só termina com a intervenção do próprio Odin. Os Asgardianos são salvos mas a frágil trégua entre as duas raças é desfeita.
      Para punir Thor pela sua arrogância, Odin tira-lhe todo o poder divino e bane-o para a Terra como um mero mortal, acompanhado do seu martelo Mjolnir, agora protegido por um encantamento que impede que os indignos o possam empunhar.

Thor e Odin: o filho insolente e o pai severo.

       O Deus do Trovão chega à Terra - mais precisamente ao Novo México, nos EUA - onde a astrofísica Jane Foster, a sua assistente Darcy Lewis e o mentor de ambas Dr. Erik Selvig o encontram. Entretanto, o Mjolnir é encontrado pela população local e o agente da S.H.I.E.L.D. Phil Coulson confisca os dados da pesquisa de Jane Foster sobre o portal interdimensional que trouxe Thor ao nosso planeta.
       Thor, tendo localizado o Mjolnir, procura recuperá-lo mas é incapaz de levantá-lo, acabando capturado pela S.H.I.E.L.D. Com a ajuda de Selvig, ele é libertado e resigna-se ao exílio na Terra, ao mesmo tempo que se envolve romanticamente com Jane Foster.
       Loki, por sua vez, descobre que foi adotado por Odin e que o seu verdadeiro pai é Laufey, o rei dos Gigantes de Gelo. Debilitado pelo stresse da descoberta de Loki e pelo banimento de Thor, o monarca de Asgard mergulha num sono profundo que lhe permitirá recuperar-se. Loki autoproclama-se rei e oferece a Laufey a oportunidade de matar Odin e de reaver a fonte de poder do seu povo.
        Sif e os Três Guerreiros, descontentes com o governo de Loki, tentam resgatar Thor do seu exílio, convencendo Heimdall, guardião da Ponte Arco-íris - a ligação entre os nove mundos  - a permitir a sua passagem para Midgard (nome por que é conhecida a Terra entre os Asgardianos).
        Consciente do plano dos aliados do seu meio-irmão, Loki envia na sua peugada o Destruidor, um robô aparentemente indestrutível . Os Asgardianos encontram Thor, mas o Destruidor derrota  o grupo, obrigando o Deus do Trovão a oferecer a própria vida para que os outros possam afastar-se em segurança.
       À mercê do robô e próximo da morte, o sacrifício de Thor prova-o digno de empunhar o Mjolnir. De imediato, o martelo voa ao seu encontro, devolvendo-lhe os poderes divinos e habilitando-o a neutralizar o Destruidor.
Despojado dos seus poderes divinos, Thor é exiliado na Terra para viver como um mortal.
 
O Deus do Trovão sucumbe aos encantos de Jane Foster.
 
       Thor e os seus aliados regressam então a Asgard para derrubar Loki. Este, entretanto, trai e assassina Laufey, revelando o seu plano de usar a tentativa do rei do Gigantes de Gelo para atentar contra a vida de Odin como pretexto para destruir Jotunheim e assim se provar digno do seu pai adotivo.
      Thor chega a tempo de frustrar os planos do seu ignóbil meio-irmão, destruindo a Ponte Arco-íris no processo. Desperto do seu sono regenerador, Odin impede que os filhos caiam no abismo dimensional. Loki, porém, deixa-se cair.
      Odin faz as pazes com o seu filho pródigo, admitindo no entanto que ele não está ainda pronto para reinar. Na Terra, Jane Foster e a sua equipa procuram uma forma de abrir um portal para Asgard.
       Após os créditos finais do filme, surge uma breve cena que mostra o Dr. Selvig e Nick Fury (diretor da S.H.I.E.L.D.). Este último pede ao cientista para estudar um misterioso objeto, que diz ter um poder incalculável. Um Loki invisível ordena a Selvig que concorde, e o cientista aquiesce.

O insidioso Loki conspira nas sombras.

 
Curiosidades:
* Kenneth Branagh é fã de Thor desde a infância. Quando a Marvel o selecionou para assumir a direção do filme do Deus do Trovão, enviou-lhe a coleção completa dos vários títulos da editora estrelados pelo herói, para lhe servir de referência;
* Stan Lee afirma ter-se oferecido para desempenhar o papel de Odin, tendo contudo ficado satisfeito com a escolha de Anthony Hopkins;
* Para se preparar para dar vida ao imponente Deus do Trovão, Chris Hemsworth foi sujeito a um intenso programa de treino físico e a uma rigorosa dieta à base de ovos, vegetais, carne, arroz integral e bebidas proteicas. O ator já dispunha também, depois de um temporada em que trabalhou na construção civil na Austrália, de alguma experiência no manejo de martelos;
* Na pesquisa que levou a cabo para assumir o papel de Loki, Tom Hiddleston descobriu tratar-se de uma personagem multifacetada. Baseou por isso a sua interpretação em três atores de nomeada: Peter O'Toole, Jack Nicholson e Clint Eastwood;
* Os artefactos visíveis no arsenal Asgardiano são vários objetos místicos utilizados na mitologia da Marvel: a Chama Eterna, o Orbe de Agamotto, o Olho de Agamotto, a Tábua da Vida e do Tempo e a Manopla do Infinito;
* A armadura envergada por Thor no filme é uma amálgama dos uniformes do herói na cronologia oficial da Casa das Ideias e no universo paralelo Ultimate Marvel;
* Um modelo da armadura do Destruidor foi construído para ser utilizado na película;
* Depois de V de Vingança, Thor é a segunda adaptação cinematográfica de uma banda desenhada em que Natalie Portman participa;
* Stan Lee (um dos criadores do Deus do Trovão em 1962), faz, como habitualmente, um cameo no fime. Trata-se do motorista da pick-up que tenta rebocar o Mjolnir do sítio onde está cravado. Também J. Michael Strackzynski (autor de várias histórias de Thor na BD e coargumentista do filme) e Walter Simonson (ex-desenhador das histórias do Deus do Trovão) estão entre as primeiras pessoas que procuram arrancar o martelo encantado.

Odin ladeado pelos filhos, Thor e Loki.
 
Veredito:  53%

      Não sendo particularmente fantástico, Thor proporciona, ainda assim, uma razoável dose de entretenimento com as suas explosivas cenas de ação, efeitos visuais convincentes e algumas personagens interessantes (com Loki à cabeça). No entanto, o registo incutido à narrativa seria porventura mais adequado a um filme de animação, até pela moralidade subjacente.
      Oscilando entre o pomposo e o pueril, Thor a espaços faz lembrar um conto de fadas, mais do que um filme de um super-herói. Facto que constitui um retrocesso na credibilidade granjeada para o género graças a películas como Homem de Ferro e Os Vingadores. Os quais, pela maturidade da sua abordagem às respetivas mitologias, tornaram-se atrativos para um público mais amplo.
      Se nos quadradinhos a prosa shakesperiana de Thor já é maçadora, torna-se intolerável ao ser transposta para o grande ecrã. Os diálogos são fracos e o próprio Odin - mercê de uma atuação em piloto automático de Anthony Hopkins - é uma pálida sombra do seu homólogo na BD. Salva-se a magnífica interpretação de Loki a cargo de Tom Hiddleston, numa história em que o vilão é de longe mais interessante do que o  herói. Ainda nos aspetos positivos, destacam-se algumas sequências de luta bem conseguidas, numa produção que parecia realmente predestinada a ser lançada como telefilme.
     Não deverá, portanto, ser difícil a Alan Tyler (sucessor de Branagh na realização) oferecer-nos uma sequela que supere o filme original.