sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: ROBIN





         Para tornar as soturnas histórias de Batman mais apelativas ao público infantil, em 1940 foi criado Robin, pioneiro na tendência dos parceiros juvenis. Mais inspirado em Robin dos Bosques do que no pássaro que lhe dá nome, ao longo dos anos houve vários Meninos (e até uma Menina) Prodígio.

Robin I

Primeira aparição: Detective Comics nº38 (abril de 1940)
Criadores: Bob Kane e Bill Finger (história) e Jerry Robinson (arte)
Identidade civil: Richard "Dick" Grayson
Biografia e história de publicação:  Concebido para atrair o público infantil através do colorido que trazia às sombrias histórias do Homem-Morcego, Robin foi, desde a sua estreia, um estrondoso sucesso. O que se traduziu desde logo na duplicação do número de exemplares vendidos dos títulos estrelados por Batman. Ao mesmo tempo, lançava a moda dos sidekicks juvenis que adjuvavam heróis seniores (Capitão América e Bucky, Flash e Kid Flash, Aquaman e Aqualad, apenas para citar alguns exemplos).
        Embora o seu nome derive de uma ave ("robin" significa "tordo" em inglês), a maior inspiração para a sua criação foi na verdade Robin dos Bosques, personagem idolatrada por Jerry Robinson desde os seus tempos de infância. A prová-lo, o estilo medieval do uniforme primitivo do Menino Prodígio, decalcado de The Adventures of Robin Hood.

A estreia do Menino Prodígio em Batman nº38 (1940).
 
        Dick Grayson, o mais novo membro de uma família de acrobatas conhecidos por Os Graysons Voadores, ficou órfão depois de os seus pais serem assassinados por um mafioso chamado Boss Zucco, que vinha extorquindo dinheiro ao circo onde atuavam. Com o propósito de intimidar o proprietário do circo, o patife sabotou os trapézios dos Graysons Voadores causando-lhes uma queda para a morte.
        Batman investigou o crime e o seu alter ego Bruce Wayne assumiu a custódia legal do pequeno Dick, à época com apenas oito anos. Depois de ambos terem recolhido provas suficientes para incriminar Zucco, impressionado com a sua inteligência e determinação, o Homem-Morcego treinou o garoto para ser seu parceiro no combate ao crime. Finda a sua exigente preparação, Dick assumiu a identidade de Robin, trajando o célebre uniforme verde, vermelho e amarelo.
        Desde a sua primeira aparição, em 1940 (apenas um ano após a estreia de Batman), Robin ficou conhecido como o Menino Prodígio. Em meados da década de 1950, surgiu porém uma polémica em torno do facto de um homem adulto coabitar sozinho (o mordomo Alfred ainda não era residente na Mansão Wayne) com um pequeno órfão traumatizado. Os quadradinhos- e em particular as histírias do Duo Dinâmico -  foram por isso acusados de promoverem comportamentos sexuais desviantes como a pedofilia, mas também a delinquência juvenil, a homossexualidade e até o comunismo(!). Foi de resto o comportamento "indecente" do Duo Dinâmico que esteve, em grande medida, na génese do The Comics Code (espécie de exame prévio às histórias aos quadradinhos, que muitos classificaram de censura). A reputação de Robin foi severamente beliscada em resultado dessa controvérsia, com as repercussões a chegarem até aos dias de hoje, designadamente sob a forma de paródias maliciosas à suposta relação homossexual que o ligava ao seu mentor.

Nem sempre a relação de Batman e Robin foi bem vista.
 
        Com o tempo, porém, Robin foi sendo retratado como um adolescente. Entre 1970 e os primeiros anos da década de 1980, os leitores puderam assistir ao processo de crescimento do Menino Prodígio rumo à idade adulta. Depois de concluir o liceu, Dick ingressou na Universidade Hudson, afastando-se progressivamente da sombra do seu mentor.
       Entretanto renomeado de Jovem Prodígio, Robin foi redescoberto por uma nova geração de fãs ao longo da década de 80 do século passado, em grande medida devido ao enorme êxito da série The New Teen Titans (grupo de super-heróis adolescentes conhecido entre nós como os Novos Titãs).
       Atingida a maioridade, Dick, já desligado de Batman e liderando agora os Novos Titãs, abandonou a identidade de Robin e assumiu a de Asa Noturna (Nightwing no original), assinalando dessa forma a sua emancipação em relação ao Cavaleiro das Trevas. Nunca deixando contudo de, sempre que requisitado,  adjuvar o Homem-Morcego no combate ao crime.
       Recentemente chegou mesmo a assumir temporiamente o manto do morcego quando Batman foi dado como morto, no final da saga Crise Infinita. Com Damian Wayne, filho de Bruce Wayne e a mais recente encarnação do Menino Prodígio, Dick reeditou o Duo Dinâmico, agora no papel de tutor.

Robin II

Primeira aparição: Batman nº366 (dezembro de 1983)
Criadores: Gerry Conway (história) e Don Newton (arte)
Identidade civil: Jason Peter Todd
Biografia e história de publicação:  Ultrapassada a relutância da DC em transformar Dick Grayson no Asa Norturna, iniciou-se a busca por um novo Robin. Para minimizar o impacto da mudança, a escolha recaiu sobre Jason Todd que, nas suas primeiras aparições, fazia lembrar uma versão infantil de Dick. Tal como este, Jason também pertencia a uma família de acrobatas circenses assassinados por um criminoso (desta feita o Crocodilo) e posteriormente adotado por Bruce Wayne.
        Originalmente, Jason Todd era ruivo, muito alegre e usava o seu fato de circo para combater o crime. Quando Dick Grayson o presenteou com um uniforme de Robin idêntico ao que ele próprio usara no passado, Jason resolveu pintar o cabelo de preto para dessa forma ficar mais parecido com o primeiro Menino Prodígio.
        Na cronologia pós-Crise nas Infinitas Terras, Jason Todd foi, porém, profundamente reformulado. Era agora um órfão delinquente que encontrou Batman pela primeira vez quando tentava roubar os pneus do Batmóvel. Apesar do perfil problemático do rapaz, o Cruzado de Capa viu nele potencialidades e ofereceu-lhe a vaga de Robin.

Capa de Batman nº408 (1987), onde foi a apresentada a nova versão de Jason Todd.

        Não obstante a popularidade de Jason Todd no período pré-Crise nas Infinitas Terras, esta nova versão da personagem não foi bem acolhida pelos fãs. Como consequência, em 1988, a DC realizou uma controversa votação telefónica para determinar se os leitores preferiam a sobrevivência ou a morte da personagem no arco de histórias Batman: A Death in the Family. Por uma curta margem de votos (5343 contra 5271), os fãs ditaram a sentença de morte da segunda encarnação do Menino Prodígio às mãos do Joker. As histórias subsequentes do Homem-Morcego exploravam a sua incapacidade em evitar a morte do seu protegido, mostrando um herói mais amargo do que nunca e consumido pelos remorsos.
Perante a reação adversa dos leitores, à DC não restou outro remédio senão matar o segundo Menino Prodígio.

        No entanto, anos mais tarde, Jason Todd regressaria ao mundo dos vivos, agora sob a identidade de Capuz Vermelho (o nome com que o Joker, seu verdugo, começara a sua carreira criminosa) e com uma moral distorcida, que o colocou em rota de colisão com Batman e restantes membros da Batfamília.

Robin III

Primeira aparição: Batman nº442 (dezembro de 1989)
Criadores: Marv Wolfman (história) e Pat Broderick (arte)
Identidade civil: Timothy "Tim" Jackson Drake
Biografia e história de publicação: Na sequência do fiasco de Jason Todd, a DC questionava-se se por detrás da decisão dos leitores de matá-lo estaria o facto de preferirem ver Batman a operar como um vigilante solitário, se tinham antipatizado com a personagem ou se apenas tinham pretendido, com os seus votos, testar a coragem da editora em liquidar o Menino Prodígio. Com a ausência de Robin no filme Batman (1989), a DC via ainda menos motivos para reviver a personagem.
         Surpreendeu, portanto, a decisão de  Denny O´Neill, editor à época dos títulos do Homem-Morcego, de apresentar um terceiro Menino Prodígio. Timothy Drake apareceu pela primeira vez, num flashback, em Batman nº436 (1989). Tratava-se de um jovem que acompanhara as aventuras do Duo Dinâmico desde que testemunhara o assassinato dos Graysons Voadores, quando assistia a um espetáculo de circo. Este facto serviu para criar uma ligação entre Tim e Dick, a qual a DC esperava possibilitar uma melhor aceitação deste novo Robin por parte dos fãs.
         Graças aos seus talentos detetivescos, Drake conseguira descobrir as identidades secretas do Duo Dinâmico, proeza que muito impressionou Batman. Já as suas capacidades atléticas ficavam aquém das de Dick Grayson (embora superassem as de Jason Todd), lacuna compensada pela sua disciplina e determinação, bem como pelo uso de uma armadura de kevlar.
          Aos olhos dos leitores, Tim Drake era uma espécie de meio termo entre o excessivamente bem-comportado Dick Grayson e o imprudente Jason Todd. Foi também o primeiro Robin a dispor de um título próprio, no qual combatia o crime a solo. Paralelamente, foi um dos fundadores do grupo Justiça Jovem (Young Justice) e seria também responsável pela refundação dos Novos Titãs.

Tim Drake foi o primeiro Robin a dispor de um título individual.

         Após o desaparecimento de Batman e com o seu filho, Damian Wayne, a assumir o manto de Robin, Tim adotou a identidade de Robin Vermelho (Red Robin). Na cronologia reformulada da DC, no âmbito de Os Novos 52!, convencionou-se que Drake nunca sucedeu a Jason Todd nas funções de parceiro juvenil do Cavaleiro das Trevas, optando em vez disso por atuar de forma independente como Robin Vermelho.

Robin IV

Primeira aparição: Robin nº126 (julho de 2004)
Criadores: Chuck Dixon (história) e Tom Lyle (arte)
Identidade civil: Stephanie Brown
Biografia e história de publicação: Filha do Mestre das Pistas, um criminoso de segunda linha de Gotham City, Stephanie Brown atuou durante algum tempo sob a identidade de Spoiler, uma aventureira mascarada. Foi nessa qualidade que conheceu Tim Drake, tornando-se sua namorada. Quando Tim desistiu de ser Robin, ela ofereceu-se para assumir o seu lugar.
           Tentado provar o seu valor a Batman, a jovem roubou um dos planos inacabadosdo herói para controlar o crime organizado de Gotham City e executou-o, desencadeando inadvertidamente uma sangrenta guerra de quadrilhas nas ruas da cidade. Quando tentava emendar o seu erro, a nova Robin foi capturada pelo sádico Máscara Negra, que a torturou quase até à morte. Apesar de ter conseguido escapar do seu cativeiro, Stephanie morreria pouco tempo depois em resultado da gravidade dos seus ferimentos.

Stephanie Brown foi uma Robin fugaz.

           Suscitou grande controvérsia na comunidade de fãs tanto a tortura a que Stephanie foi sujeita como o facto de, não obstante ela ter sido Robin por um curtíssimo período, ter tido direito, ao contrário do malogrado Jason Todd, a um memorial na Batcaverna.
           Numa história publicada em 2008 foi contudo revelado que a sua morte não passara de um embuste e, no ano seguinte, Stephanie assumiu a identidade de Batgirl, com direito a série própria.

Robin V

          Depois de vários protegidos e filhos adotivos de Bruce Wayne terem assumido a identidade de Robin ao longo dos anos, temos pela primeira vez um Menino Prodígio que é filho biológico do multimilionário. Damian Wayne é  o resultado do fugaz romance de Bruce com Talia al Ghul, filha do terrorista internacional e arqui-inimigo de Batman, Ra's al Ghul.
          Ignorando a existência de Damian até há pouco tempo, Bruce acolheu o catraio depois de Talia lho ter entregue aos seus cuidados. Treinado pela Liga de Assassinos, Damian é arrogante, indisciplinado, violento e rege-se por um código moral muito próprio.
          Habituado a matar desde tenra idade, o jovem revelou-se um autêntico quebra-cabeças para o seu pai, que, pelo contrário, jurou solenemente nunca tirar uma vida humana.  O que Damian não sabia é que fora concebido com o intuito de servir de hospedeiro à alma imortal do seu avô materno, assim como para ser usado como um peão na guerra movida por Ra's al Ghul contra o Cavaleiro das Trevas.
Damian Wayne, um Robin problemático.

         Salvo por Batman do seu cruel destino, Damian afeiçoou-se ao pai. Com o desaparecimento deste, o garoto, profundamente abalado pela aparente morte do progenitor, foi deixado pela mãe aos cuidados de Dick Grayson e do mordomo Alfred Pennyworth.
        Quando Dick assumiu o manto do morcego, Damian tornou-se o novo Robin em detrimento de Tim Drake. Com o regresso de Bruce Wayne, Dick retoma a sua identidade de Asa Noturna mas Damian continua a ser o Menino Prodígio. Pai e filho formam assim uma versão inédita do Duo Dinâmico. Damian acabaria contudo por morrer às mãos de Herético, um brutal vilão que era na verdade um clone adulto dele próprio.

Da esq. para dir.: Jason Todd, Dick Grayson, Tim Drake, Stephanie Brown e Damian Wayne.

Armas, poderes e habilidades: Tendo como denominador comum  exigente treino físico, intelecutal e psicológico a que foram sujeitos por Batman, todos os Robins são atletas de exceção, dominando várias artes marciais e técnicas de combate corpo a corpo. Todos possuem igualmente, embora em graus diferentes, elevadas capacidades dedutivas e na área da criminologia.
        A exemplo do seu precetor, dispõem de uma vasta parafernália que inclui, além dos icónicos batarangues, cápsulas de gás, ganchos e cabos metálicos e ainda motos e outros veículos. Desde que Tim Drake se tornou o terceiro Robin que uma armadura feita à base de kevlar e de tecido à prova de fogo, para uma proteção corporal mais eficaz, substituiu o uniforme tradicional. Este modelo serviu aliás de base à conceção do traje usado por Robin no filme Batman Para Sempre (vide texto anterior).

A mais recente versão do Duo Dinâmico.
 

Noutros media:  A despeito do seu habitual papel de coadjuvante nas histórias do Homem-Morcego, Robin (em qualquer umas das suas encarnações) logrou sempre distinguir-se a título individual, tendo tido participações preponderantes em eventos cruciais no Universo DC. É também considerado o arquétipo dos parceiros juvenis que secundaram os heróis seniores durante a época áurea dos sidekicks.
         Quando transposto ao cinema e à TV, porém, foi-lhe sempre reservado um papel subalterno relativamente a Batman. Data de 1943 a primeira aparição do Menino Prodígio fora dos quadradinhos. Na série televisiva Batman, Douglas Croft interpretou o herói juvenil. Seis anos depois, em 1949, foi a vez do ator Johnny Duncan dar vida a Robin noutra série televisiva estrelada pelo Duo Dinâmico, Batman and Robin.
         Todavia, o parceiro de Batman, agora encarnado por Burt Ward, seria definitavente catapultado para a ribalta graças à série televisiva Batman, campeã de audiências nos EUA no biénio 1966-68. Para a notoriedade da personagem contribiu igualmente a sua participação na longa-metragem (por cá intitulada Batman, O Invencível) baseada na referida série. Seguiu-se uma longa travessia do deserto mediático, interrompida apenas em 1995, quando Chris O' Donnel foi o ator escolhido para dar vida a Robin no filme Batman Para Sempre, ganhando maior destaque, dois anos depois, na sequela Batman & Robin.

Burt Ward (esq.) e Chris O'Donnell: duas gerações de Robins na TV e no cinema.
 
        No campo da animação, o Menino Prodígio estreou-se em 1968 na série juvenil The Batman/Superman Hour. Seguiram-se participações em variadíssimas produções do género baseadas no Universo DC, como The Adventures of Batman (1969), Super Friends (1975) ou, mais recentemente em Batman: The Brave and the Bold (2008-2011).  Também marcou presença nos filmes de animação Justice League: A New Frontier (2008) e Batman: Under The Red Hood (2010).

           



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

BD CINE APRESENTA: «BATMAN PARA SEMPRE»





       Insatisfeitos com as receitas e o registo lúgubre do segundo filme do Cavaleiro das Trevas dirigido por Tim Burton, os produtores resolveram substituí-lo por Joel Schumacher. No papel principal, Val Kilmer sucedeu a Michael Keaton. As mudanças não ficaram por aí mas o resultado final, esse, esteve longe agradar aos fãs.
 
 
Título original: Batman Forever
Ano: 1995
Duração: 121 minutos
Género:  Ação/Aventura/Fantasia
País: EUA
Estúdio: Warner Bros e Tim Burton Productions
Realização: Joel Schumacher
Argumento: Lee Batchler, Janet Scott-Batchler e Akiva Goldsman
Elenco: Val Kilmer (Batman/Bruce Wayne); Jim Carrey (Edward Nygma/Charada); Tommy Lee Jones (Duas-Caras); Nicole Kidman (Drª. Chase Meridian) e Chris O'Donnell (Dick Grayson/Robin)
Orçamento: 100 milhões de dólares
Receita: 336,5 milhões de dólares

Batman regressou ao grande ecrã em 1995.
 
Produção: Apesar de Batman Regressa (1992) ter sido um sucesso financeiro, a Warner Bros sentiu que o filme deveria ter feito mais dinheiro e decidiu apostar numa fórmula diferente para o terceiro capítulo da saga. Tim Burton, que dirigira as duas películas anteriores, foi relegado ao papel de produtor, vendo Joel Schumacher suceder-lhe na cadeira de realizador. Este, por sua vez, afirmou que originalmente tinha em mente uma adaptação da saga Batman: Year One, de Frank Miller. O estúdio, porém, rejeitou a ideia, já que os produtores queriam uma sequela, não uma prequela. Ainda assim, Schumacher incluiu alguns flashbacks sobre o passado de Bruce Wayne em Batman Para Sempre.
       Para assumir o guião, Schumacher contratou Lee e Janet Scott-Batchler.  Na versão primitiva da história, figurava um Charada psicótico com um rato de estimação que o acompanhava para todo  o lado. Elementos que seriam posteriormente eliminados na segunda versão do argumento, da responsabilidade de Akiva Goldsman, com quem Schumacher já havia trabalhado em O Cliente (1994).
      A produção desenvolveu-se em ritmo acelerado, com Rene Russo no elenco como Drª. Chase Meridian. Michael Keaton, por seu lado, decidiu não repetir o seu papel como Batman, por não lhe ter agradado a nova orientação da franquia. Receando também ficar, a exemplo de Christopher Reeve com o Super-Homem,  permanentemente associado à sua interpretação do Cavaleiro das Trevas, o ator exigiu um cachet de 15 milhões de dólares para reassumir o manto do herói. Face à maquia exorbitante reclamada por Keaton, Val Kilmer foi escalado dias depois. Rene Russo foi assim considerada  velha demais para contracenar com o sucessor de Keaton, sendo substituída por Nicole Kidman. 
      Schumacher ficou interessado em Kilmer como Batman, após vê-lo em Tombstone. Já  o ator aceitou o papel sem sequer ler o argumento ou saber quem era o novo realizador.
 
Val Kilmer foi uma escolha pessoal de Joel Schumacher.
 
      Selecionado o elenco e aprovado o argumento, as filmagens arrancaram em setembro de 1994. Schumacher desejava demarcar-se do estilo imprimido por Burton aos dois filmes anteriores. Com esse propósito em vista, inspirou-se nas bandas desenhadas do Batman dos anos 40 e 50 do século passado. Também a estética de Gotham City foi reformulada, resultando agora de uma arrojada combinação da arquitetura de Nova Iorque da década de 1930  com a Tóquio moderna, patente de resto no maior número de estátuas e no tom feérico conferido pelos néones. E nem o Batmóvel escapou à onda de mudanças, tendo sido construído um novo modelo do emblemático veículo do Homem-Morcego.
       As filmagens não ficaram contudo isentas de alguns atritos: depois de Schumacher ter repreendido Val Kilmer pelo seu comportamento "infantil", o ator recusou-se a falar com ele durante duas semanas. Também entre Jim Carrey e Tommy Lee Jones houve fricções que levaram o realizador a intervir.
 
Capa da banda sonora original de Batman Para Sempre.
 
Enredo: Em Gotham City, Batman intervém numa situação de reféns durante um assalto a um banco perpetrado pelo Duas-Caras, o alter ego desfigurado do antigo promotor público Harvey Dent. Este mantém um segurança sob a ameaça de uma arma de fogo e quando o Homem-Morcego procura salvar o guarda , o vilão prende os dois num cofre, que é arrastado para fora do prédio pendurado num helicóptero por uma corrente.
     Enquanto a bizarra cena decorre nos céus de Gotham, o cofre começa a encher-se de ácido. Batman, porém, usa o aparelho auditivo do segurança para destrancar a trava do cofre. Dentro do helicóptero, Duas-Caras vê o herói a escapar e atira nele acabando por matar o piloto. Com o aparelho desgovernado, Dent  salta de paraquedas. Também Batman pula para fora pouco antes do helicóptero colidir com uma réplica da  Estátua da Liberdade e explodir.
     No dia seguinte, Edward Nygma, um investigador das Indústrias Wayne que vem desenvolvendo um dispositivo de transmissão de sinais televisivos  diretamente ao cérebro humano, apresenta a sua invenção a Bruce Wayne (por quem é obcecado).  O milionário, no entanto, rejeita o projeto e a parceria proposta pelo seu colaborador. Nessa noite, Nygma usa o seu chefe como cobaia para testar a sua invenção, depois de este ter ordenado o imediato encerramento do projeto. Após voltar do transe induzido pela máquina, o chefe demite Nygma e ameaça processá-lo, mas este lança-o pela janela simulando um suicídio. De seguida apresenta o seu pedido de demissão, fingido-se traumatizado pelo ocorrido. Antes porém de abandonar as instalações das Indústrias Wayne, Nygma deixa lá um quebra-cabeças.
     Após  uma reunião com a psiquiatra Drª. Chase Meridian, Bruce Wayne convida-a para um espetáculo circense. O qual é arruinado pelo Duas-Caras e os seus capangas. Numa tentativa de descobrir a identidade secreta de Batman, o vilão ameaça fazer explodir uma bomba e matar todos os presentes. No processo, uma família de acrobatas chamada Os Graysons Voadores são assassinados, caindo mortalmente quando os seus trapézios são cortados.  Dick, o benjamim, sobrevive e atira a bomba do Duas-Caras ao rio. Bruce assume a tutela do jovem órfão e oferece-lhe guarida  na Mansão Wayne. Dick anuncia então a  sua intenção de matar o Duas-Caras e vingar o assassinato da sua família, apesar das tentativas de Bruce para o demover.

Depois de Vicky Vale e da Mulher Gato, a Drª. Meridian foi a senhora que se seguiu no coração do herói.
 
      Quando o rapaz descobre que o seu tutor é o Batman, insiste em tornar-se seu parceiro. Temendo pela vida de Dick, Bruce recusa vigorosamente a proposta.
     Enquanto isso, Nygma torna-se um criminoso fantasiado conhecido como o Charada (ver texto anterior) e alia-se ao Duas-Caras, prometendo-lhe descobrir a identidade de Batman.  Para esse efeito, usará  o dispositivo por ele inventado - a Caixa -  o qual lhe permite ler e controlar as mentes dos telespectadores, ao mesmo tempo que lhe aumenta o quociente de inteligência.
      Pouco tempo depois, numa festa de angariação de fundos, Nygma descobre por acaso que Bruce Wayne e Batman são uma só pessoa. Segue-se um ataque do Duas-Caras ao evento, que quase culmina com a morte do Cavaleiro das Trevas, salvo in extremis por Robin.

Duas-Caras e Charada conspirando contra Batman.
 
      Simultaneamente,  o Duas-Caras e o Charada invadem e destroem a batcaverna. Não satisfeitos, os dois malfeitores sequestram a Drª. Meridian. Igual a si próprio, o Charada não resiste a deixar um enigma contendo pistas sobre a localização do seu esconderijo. Ao decifrá-lo, Batman ruma ao covil do vilão, numa ilha ao largo de Gotham City. Chegado lá, o Duo Dinâmico separa-se. Robin encontra o Duas-Caras e espanco-o mas percebe que a vingança que procura não trará de volta os seus entes queridos nem a paz de espírito perdida. Acaba por se compadecer do vilão e este aproveita para o capturar.
      Ao penetrar no covil do Charada, Batman depara-se com o seu parceiro e a sua amante engaiolados e à mercê da dupla criminosa. O Charada insta o herói a escolher qual dos dois quer salvar, mas o Homem-Morcego encontra um expediente para salvar ambos. De caminho, destrói o dispositivo de recolha de ondas cerebrais que alimenta o intelecto do Charada, causando-lhe um colapso mental. Já o Duas-Caras despenca de uma ravina durante a refrega e é dado como morto.
      Enviado para o Asilo Arkham, o Charada é monitorizado pela Drª. Chase Meridian (a quem Bruce Wayne revelara entretanto o seu segredo). Certo dia, ele afirma conhecer a verdadeira identidade do Batman e prontifica-se a revelar-lha. Interrogado pela médica, assume ser ele mesmo o Homem-Morcego. Com o seu segredo a salvo, Batman e Robin podem prosseguir o seu trabalho de guardiões de Gotham City.

O Duo Dinâmico em grande estilo.
 
 
O Menino Prodígio surge pela primeira vez num filme do Batman.

Curiosidades:
 
* Numa das cenas do filme, o Duas-Caras atira ao ar a sua moeda até obter o resultado desejado. Na banda desenhada, pelo contrário, uma das regras autoimpostas pelo vilão consiste em jamais questionar a sorte ditada pelo lançamento aleatório da moeda, cujas faces refletem a sua personalidade bipolar;
* A ideia original de Jim Carrey de desenhar um ponto de interrogação no seu escalpe foi descartada devido à necessidade do ator de comparecer em tribunal no âmbito do seu processo de divórcio;
* A primeira parte do filme foi exaustivamente editada por forma a começar com uma sequência de ação. Na subsequente edição em DVD é apresentada a cena original mostrando a fuga do Duas-Caras do Asilo Arkham;
* Insistindo em tornar-se parceiro do Homem-Morcego na sua cruzada contra o crime, além de Batboy, Dick Grayson sugere Nightwing (Asa Noturna) como codinome a adotar. Trata-se da identidade assumida nos quadradinhos pelo primeiro Robin, assinalando assim a sua emancipação relativamente ao antigo tutor;
* As cores (vermelho, verde e amarelo) e o estilo dos trajes envergados pelos Graysons Voadores no circo onde atuavam são uma homenagem ao uniforme clássico usado pelos dois primeiros Robins na BD (Dick Grayson e Jason Todd). Já o fato que surge no filme é inspirado no utilizado, a partir de 1990, pelo terceiro Menino Prodígio (Tim Drake). Consta que foi idealizado pelo próprio Tim Burton e pesava 18,6 kg;
*Antes da escolha para assumir o manto do morcego recair sobre Val Kilmer, William Baldwin, Kurt Russell e Daniel Day-Lewis foram algumas das opções equacionadas;

À esquerda, o cartaz promocional original do filme, com o primeiro elenco escolhido.
 
* A decisão de Joel Schumacher de colocar mamilos nos uniformes de borracha usados pelo Duo Dinâmico no filme e um brinco na orelha de Robin gerou controvérsia, deixando desagradado o próprio Bob Kane (criador de Batman em 1939). O realizador justificou-se dizendo que a ideia era  aumentar a definição anatómica dos trajes e dar um visual mais cool ao Menino Prodígio;
* Igualmente controversa foi a hipótese de Marlon Wayans (ator negro celebrizado sobretudo pela franquia Scary Movie) vir a dar vida a Robin no grande ecrã, quando Tim Burton ainda estava à frente do projeto;
* A caracterização de Tommy Lee Jones como Duas-Caras demorava quatro horas. O ator foi a primeira escolha de Schumacher para o papel depois de terem trabalhado juntos em O Cliente (1994);
* Batman Para Sempre sinaliza a primeira aparição do Asilo Arkham (instituição psiquiátrica para criminosos insanos) no cinema;
* Foram produzidos mais de uma centena de fatos do Duo Dinâmico, para serem utilizados não só pelos atores, mas também pelos vários duplos em cenas de luta ou envolvendo água e fogo.
 
 
Prémios e nomeações: Nos Óscares de 1996, Batman Para Sempre foi nomeado para as categorias de Melhor Fotografia e Melhor Sonoplastia, não tendo contudo vencido em nenhuma delas. Já nos Saturn Awards do mesmo ano, o filme foi indicado para as categorias de Melhor Filme de Fantasia, Melhor Caracterização e Figurino e Melhores Efeitos Especiais, tendo voltado a perder em todas elas. O mesmo sucedendo em relação à meia-dúzia de nomeações recebidas nos MTV Awards, na sua edição de 1996.

A caracterização do Duas-Caras valeu uma nomeação nessa categoria a Batman Para Sempre.
 
Veredito: 44%

       À imagem do que acontecera com a franquia Superman anos antes, depois de dois filmes extraordinários do Homem-Morcego ambientados numa atmosfera lúgubre tão ao gosto de Tim Burton e onde pontificaram vilões credíveis (um Joker sádico e um Pinguim perverso com uma sedutora Mulher-Gato de permeio), seguiram-se duas sequelas horripilantes. Pese embora o facto de este Batman Para Sempre, a despeito dos seus muitos defeitos, ser uma pérola da 7ª arte quando comparado com o inenarrável Batman & Robin que se lhe seguiu, volvidos dois anos.
        Aos olhos dos fãs da mitologia do Homem-Morcego, o hiato entre o universo soturno de Burton e o registo psicadélico de Schumacher é inconcebível. É como se, de repente, fossemos transportados para um qualquer episódio da série televisiva do Homem-Morcego, que, de tão kitsch, se tornou um fenómeno de culto em finais dos anos 60 do século XX. E, com isso, toda a credibilidade granjeada por Burton em Batman e Batman Returns é deitada pelo ralo abaixo por Schumacher e companhia.
       Se, nos dois primeiros filmes, um dos pontos fortes foram os vilões, em Batman Para Sempre temos um Duas-Caras apatetado e um Charada alucinado, reforçando assim o registo histriónico de uma película que parece apostada em ridicularizar o Cavaleiro das Trevas. O que de resto está bem patente na insólita colocação de mamilos nos trajes usados pelo Duo Dinâmico e na quase total ausência de suspense num enredo delirante.
       Não obstante o próprio Bob Kane ter elogiado a prestação de Val Kilmer como Batman, não considero que tenha sido uma escolha feliz para o papel. Kilmer está longe de possuir o carisma e o charme psicótico que caracterizavam Michael Keaton e que - sem desprimor para a douta opinião do criador do Homem-Morcego - na minha opinião fizeram dele o melhor Batman cinematográfico até à data.
       Resumindo, há uma diferença - que Joel Schumacher, a julgar pelo que fez nos dois filmes de Batman que dirigiu, não aprendeu - entre prestar tributo a uma banda desenhada e transformar um filme numa banda desenhada. Pura e simplesmente não funciona, conforme atestam outros projetos similares (como The Spirit ou Hulk).
       Batman Para Sempre foi somente um mau augúrio para o que viria depois...
 
 



sábado, 23 de novembro de 2013

GALERIA DE VILÕES: CHARADA





      Também conhecido por Enigma, é um dos mais antigos inimigos do Batman, e um dos poucos a conhecer a sua verdadeira identidade. Apesar disso, prefere continuar a desafiar o maior detetive do mundo a usar essa informação para o liquidar.
 
 
Nome original: The Riddler
Primeira aparição: Detective Comics nº140 (outubro de 1948)
Criadores: Bill Finger (história) e Dick Sprang (arte)
Licenciadora: DC
Identidade civil: Edward Nashton
Local de nascimento: Waterbury, Connecticut
Filiação: Sociedade Secreta dos Supervilões, Liga da Anarquia do Joker
Base de operações: Gotham City
Armas, poderes e habilidades: À semelhança da maioria dos arqui-inimigos do Batman (e do próprio herói), o Charada não possui qualquer habilidade meta-humana. Dispõe todavia de outros recursos, que fazem dele um oponente temível:

* Intelecto superior: dono de um Q.I. muito acima da média, o Charada possui excecionais capacidades dedutivas. O que faz dele um génio criminoso, especialista na conceção e resolução dos mais intrincados quebra-cabeças. Por outro lado, as suas habilidades analíticas fazem dele um investigador de excelência, capaz de rivalizar com o próprio Batman;
* Escapismo: desde a infância que Edward Nashton idolatra as proezas escapistas de Harold Houdini. Foi nele que se inspirou para conceber as complexas (e potencialmente fatais) armadilhas que utiliza nas suas atividades criminosas. É também graças ao seu domínio dessas técnicas que, em incontáveis ocasiões, conseguiu evadir-se de prisões ou do Asilo Arkham;
* Parafernália: pouco dado a confrontos físicos, o Charada dispõe de um vasto arsenal onde pontifica o seu cajado metálico em forma de ponto de interrogação (embora possua um objeto idêntico feito em madeira) e que inclui também uma panóplia de armas, explosivos e excêntricas engenhocas.

A primeira vez que o Charada enfrentou o Duo Dinâmico foi em Detective Comics nº140 (1948).
 
Fraquezas: Os enigmas e quebra-cabeças do Charada são, de facto, uma expressão do seu distúrbio obsessivo-compulsivo. No fundo, ele usa-os porque quer ser apanhado. A prová-lo está o facto de, vezes sem conta, as pistas por ele deixadas terem permitido ao Batman capturá-lo. Com efeito, o vilão apenas executa crimes que possam ser descritos sob a forma de enigmas. É também esse o motivo que explica a sua incapacidade para matar o seu principal oponente, mesmo quando este se encontra à sua mercê. Ao invés, o Charada prefere desafiar as capacidades detetivescas do Cavaleiro das Trevas porquanto isso lhe proporciona enorme prazer.
 
Graças às suas enormes capacidades dedutivas, o Charada descobriu que Batman e Bruce Wayne são uma só pessoa.

Biografia: Edward Nashton cresceu no seio de uma família desfeita. Abandonado pela mãe pouco tempo depois de ter nascido, foi criado por um pai violento, que o espancava com frequência. Nalgumas histórias é sugerido que o fazia por invejar a inteligência do filho.
       Certa vez, um dos professores de Edward prometeu um prémio a quem resolvesse mais rapidamente um puzzle por ele apresentado. Entusiasmado com a ideia, o jovem Edward fez batota para ganhar o concurso: a coberto da noite introduziu-se no gabinete onde o professor guardava o quebra-cabeças, fotografou-o e depois montou-o facilmente. Como prémio, recebeu um livro de enigmas que o deixou fascinado. A partir desse momento Edward tornou-se obcecado com puzzles, charadas e toda a sorte de quebra-cabeças.
       Já adulto, Edward trabalhou num parque de diversões onde ganhava a vida a ludibriar os incautos que tentavam, em vão, solucionar os seus bizarros enigmas. Não tardou porém a ambicionar desafios maiores e, por isso, idealizou o seu alter ego uniformizado para enfrentar Batman. O Charada acreditava que o Homem-Morcego seria o único adversário à altura do seu intelecto. Foi também por essa altura que alterou o seu apelido para Nigma, criando com a inicial do seu primeiro nome um anagrama para a palavra "enigma" (E. Nigma).
 
 
 
       Em Gotham City, o Charada iniciou a sua carreira no submundo do crime como um simples informante. Com o tempo ganhou, contudo, o estatuto de arqui-inimigo do Batman, cujas capacidades detetivescas testa obsessivamente.
       O modus operandi do Charada consiste em fornecer, tanto à polícia como ao Cavaleiro das Trevas, pistas complexas sobre os seus planos criminosos. Os quais se caracterizam, invariavelmente, pela sua extravagância e ostentação.
       Habitualmente descrito como um indivíduo de falinhas mansas, embora excêntrico e matreiro, o Charada foi diversas vezes declarado insano devido ao seu comportamento obsessivo-compulsivo. No entanto, por contraponto a vários outros vilões que integram a galeria de inimigos do Batman, não se trata de um psicopata homicida. Trata-se antes de um narcisista maligno dono de um ego desmesurado. Ele comete crimes com o propósito de demonstrar a sua superioridade intelectual, pelo que estes raramente são violentos. Daí que os seus confrontos com o Homem-Morcego sejam mais cerebrais do que físicos. Todos os seus comportamentos resultam, em última análise, de uma profunda neurose.
       Graças às suas capacidades dedutivas, o Charada, a par do Professor Hugo Strange, Ra's al Ghul e da Mulher-Gato, é um dos poucos inimigos do Batman a conhecer a sua identidade secreta.
       Em 2009, obteve um honroso 59º lugar no ranking dos Melhores Vilões De Todos Os Tempos do site IGN.
 
 
 
Noutros media: Interpretado por Frank Gorshin, o Charada ganhou projeção mediática através da série televisiva do Batman exibida na década de 1960, bem como da respetiva longa-metragem. No campo da animação, o vilão fez a sua primeira aparição na série infantil The Batman/Superman Hour (1968). Seguiram-se várias participações em séries animadas estreladas não só pelo Cavaleiro das Trevas mas também por outros heróis do Universo DC, como Super-homem ou Justiça Jovem.
 

Frank Gorshin foi o Charada na 1ª e na 3ª temporadas da série televisiva Batman.

 
         Em Batman Para Sempre (1995), foi a vez de Jim Carrey  dar vida ao Charada no grande ecrã. No filme é recuperada a essência da personagem, reaproximando-a da sua versão original do quadradinhos.
 
Em Batman Forever coube a Jim Carrey dar vida ao espalhafatoso vilão.
         
Curiosidade: No parque de diversões Six Flags Magic Mountain, localizado em Valencia (Califórnia), existe a maior e mais rápida montanha-russa do mundo, inspirada no Charada. Foi por isso sugestivamente batizada de Riddler's Revenge (A Vingança do Charada).
 
 


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ETERNOS: ALEX ROSS (1970 - ...)



       Com um talento precoce, ganhou notoriedade a desenhar sagas emblemáticas da Marvel e da DC. O realismo fotográfico do seu traço tornou-o num dos mais requisitados ilustradores, dentro e fora dos quadradinhos.

Biografia e carreira: A 22 de janeiro de 1970, em Portland (no estado norte-americano do Oregon), filho de um pastor evangélico e de uma artista comercial, nasceu Nelson Alexander Ross. Segundo a mãe, com quem terá aprendido muitos dos traços distintivos do seu estilo artístico, Alex começou a desenhar com a precoce idade de três anos, depois de ter assistido a um episódio de uma série animada do Homem-Aranha na TV.
       Já depois de a família Ross se ter mudado para o Texas, e à medida que crescia, Alex foi aprimorando obstinadamente o seu talento. Como principais referências tinha George Pérez (cujo traço procurava imitar quando desenhava super-heróis) e Berni Wrightson (quando produzia trabalhos "sérios"). Foi contudo por volta dos 16 anos de idade que Alex descobriu o estilo hiper-realista de ilustradores como Andrew Loomis e Norman Rockwell. Visionário, acreditava que, um dia, aquele estilo poderia ser replicado na banda desenhada.
       Aos 17 anos, Alex principiou os seus estudos de pintura na American Academy of Art de Chicago, a mesma onde a sua mãe se formara. Durante a sua passagem pela academia, Alex descobriu a arte de, entre outros, Salvador Dalí, cujo hiper-realismo lhe parecia extraído das histórias aos quadradinhos. Foi também durante esse período que Alex deliberou que, no futuro, pintaria os seus próprios desenhos. Diplomou-se ao fim de três anos e, pouco tempo depois, foi contratado por uma agência de publicidade onde trabalhou como ilustrador.
       Entretanto, Kurt Busiek (editor da Marvel Comics à época) travou conhecimento com a arte de Alex Ross e sugeriu-lhe uma parceria criativa. Alex assentiu e, em 1993, o projeto consubstanciou-se sob a forma de uma novela gráfica intitulada Marvels, na qual era retratado o universo da Casa das Ideias do ponto de vista de um cidadão comum. A história foi um sucesso, muito por conta do realismo fotográfico do traço de Alex Ross. O que lhe valeu a primeira exposição mediática, dentro e fora da indústria dos comics. Os fãs, por sua vez, apreciaram o notório afeto e reverência de Alex para com as personagens que desenhou, bem patente de resto na atenção ao detalhe em cada vinheta.


Marvels guindou Alex Ross para a ribalta. 
 
       Cavalgando a onda de entusiasmo, Kurt Busiek e Alex Ross juntaram-se a Brent Anderson para criar Astro City. Publicada a partir de 1995, sob a égide da Image Comics e depois pela Wildstorm Comics, a série apresentava um universo povoado por super-heróis inéditos e dava sequência à abordagem feita em Marvels. Também em Astro City se explorava a reação dos cidadãos comuns ao surgimento de maravilhas superpoderosas. A Ross coube colorir as capas dos volumes que foram sendo intermitentemente publicados ao longo dos anos. Coube-lhe ainda colaborar na definição dos figurinos e cenários da série.
 

Em Astro City a arte de Alex Ross voltou a encantar os fãs.

        Em 1996, Alex Ross trabalhou com o escritor Mark Waid na produção de Kingdom Come (ver texto anterior), uma saga que apresentava um futuro distópico para o Universo DC e que tinha como narrador e personagem-chave o reverendo Norman McCay (inspirado no próprio pai de Ross). Além de reinventar o visual de várias personagens de charneira da Editora das Lendas, Alex introduziu também um naipe de novas personagens. Dividiu igualmente os créditos da criação de Magog (um dos anti-heróis da história), cujo visual teve como inspiração duas personagens idealizadas por Rob Liefeld: Cable e Shatterstar.

 
       Consagrado, artística e financeiramente no universo dos super-heróis, Alex Ross virou-se para o mundo real com Uncle Sam, uma história de 96 páginas que escalpelizava o lado negro da história dos EUA. 
       A partir de 1998, Alex Ross colaborou com o escritor Paul Dini na produção de edições anuais em formato tabloide que assinalavam o 60º aniversário do Super-Homem, Batman, Capitão Marvel e Mulher-Maravilha, aos quais se somaram dois volumes especiais dedicados à Liga da Justiça.

Capas dos álbuns que assinalavam o 60º aníversário do Super-Homem e da Mulher-Maravilha.
 
       Quando, em 2001, o filme Unbreakable (traduzido em terras lusitanas como O Protegido), do realizador M. Night Shyamalan e com Bruce Willis como protagonista, foi lançado em vídeo, o DVD incluía uma secção extra com arte original de Alex Ross, além de um comentário seu a propósito das afinidades entre a personagem principal da história e o paradigma super-heroico. Nesse mesmo ano, Ross foi aclamado pelo público devido ao seu trabalho numa série especial de bandas desenhadas cujas receitas reverteram a favor das famílias das vítimas dos atentados terroristas do 11 de setembro. Esse trabalho incluía retratos de polícias, bombeiros e paramédicos, apresentados como heróis de carne e osso, dispostos a sacrificar as próprias vidas em prol da comunidade.
       Ainda pelos terrenos da 7º arte, em 2002, Alex Ross concebeu o cartaz promocional da cerimónia de entrega dos Óscares desse ano. Para ajudá-lo na realização desse trabalho, a Academia cedeu-lhe uma das cobiçadas estatuetas douradas durante uma semana.


O poster dos Óscares de 2002, concebido por Alex Ross.

       No ano seguinte, finalizou a controversa trilogia, iniciada em 1999 com Earth X e a que se seguiram  Universe X e Paradise X, para a Marvel Comics.
        Em 2007, Alex Ross voltou a emprestar a sua soberba arte à capa do DVD de um filme. Desta feita, o feliz contemplado foi Flash Gordon (1980), película da qual Alex se assume como fã incondicional.
       Em meados de 2011, Alex Ross voltou a juntar-se a Kurt Busiek para, agora ao serviço da Dynamite Entertainment, produzir a minissérie em oito volumes Kirby: Genesis. Esta revisitava personagens criadas pelo lendário Jack Kirby, cujos direitos haviam sido adquiridos pela Dynamite. Tratou-se, por outro lado, do reencontro, 17 anos depois, da dupla-maravilha que presenteou os fãs com Marvels. Neste novo projeto, Alex acumulou as funções de desenhador e coargumentista.
       Desde então, sempre com outros projetos artísticos de permeio, Alex Ross tem desenhado as capas de vários títulos publicados pela Dynamite, entre os quais Green Hornet, The Spider, The Bionic Man e Silver Star.
 
Arte conceptual de Alex Ross usada na edição em DVD do filme de Flash Gordon.
 
Prémios e distinções: Kingdom Come valeu cinco Eisner Awards e um Harvey Award à dupla Mark Waid/Alex Ross em 1997. A título individual, Ross foi galardoado em 1998 com um prémio atribuído pela National Cartoonists Society pelo seu trabalho no álbum Superman: Peace on Earth.
      Durante sete anos consecutivos, Alex Ross arrebatou o prémio para Melhor Ilustrador do Comics Buyer Guide (CBG), daí resultando a eliminação dessa categoria por parte dos organizadores. A este propósito, a editora sénior do CBG, Maggie Thompson, declarou em 2010: "Ross é o melhor desenhador da atualidade. Ponto final. Isto apesar de haver por aí muitos outros artistas talentosos a darem um importante contributo para a vitalidade da indústria dos comics."
 
Consagrado pelo público e pela crítica, adivinha-se um futuro próspero para Alex Ross.