sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

BD CINE APRESENTA: «QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO»



 
      Ligeiramente mais bem conseguida do que o primeiro filme, a sequela de Quarteto Fantástico, de tão insossa, esteve contudo longe de convencer a crítica e os fãs, ficando assim a franquia irremediavelmente comprometida.
 

Título original:  Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer
Ano: 2007
País: EUA
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 92 minutos
Estúdio: 20th Century Fox e Marvel Studios
Realização: Tim Story
Argumento: Don Payne e Mark Frost
Elenco: Ioan Gruffudd (Reed Richards/Senhor Fantástico); Jessica Alba (Susan Storm/Mulher Invisível); Chris Evans (Johnny Storm/Tocha Humana); Michael Chiklis (Ben Grimm/O Coisa); Doug Jones (Norrin Radd/Surfista Prateado); Laurence Fishburne (voz do Surfista Prateado) e Julian MacMahon (Victor Von Doom/Doutor Destino)
Orçamento: 130 milhões de dólares
Receitas: 289 milhões de dólares

O premiado cartaz promocional de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado.
 
Produção: Em 2005, a primeira longa-metragem oficial do Quarteto Fantástico rendeu 300 milhões de dólares a nível mundial. Razão mais do que suficiente para, nesse mesmo ano, o cineasta Tim Story e o argumentista Mark Frost se sentarem à mesa para trocarem ideias sobre uma sequela. A eles juntou-se um segundo argumentista, Don Payne.  Os três deliberaram então que a história seria baseada na primeira aparição de Galactus nas páginas de Fantastic Four, bem como no arco de histórias em o Dr. Destino rouba os poderes ao Surfista Prateado. Outra referência para a conceção do argumento foi a série limitada Ultimate Extinction, integrada no Universo Marvel Ultimate.
       Provisoriamente intitulada Fantastic Four 2, era ponto assente que a sequela mostraria o famoso Fantastic-Car e daria maior destaque à personagem Alicia Masters. Já o anúncio da participação do Surfista Prateado na dupla qualidade herói/vilão, só foi feito em meados de 2006. A sua conceção resultou da combinação da interpretação de Doug Jones envergando um traje especial de cor prateada, com imagens geradas através de um sofisticado programa de computador.
       Em agosto de 2006, o projeto foi oficialmente renomeado de Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, tendo as filmagens arrancado no final desse mês em Vancouver, no Canadá. Foi igualmente definida a data de lançamento: 15 de junho de 2007.

Dois anos após a estreia do primeiro filme, o Quarteto Fantástico voltou ao cinema em 2007.
 
Enredo:  Enquanto Reed Richards e Susan Storm se afadigam nos preparativos para o seu casamento, um misterioso corpo celeste prateado penetra na atmosfera da Terra, abrindo uma enorme cratera ao atingir o solo. Na sequência desse evento, o  Exército norte-americano pede a Reed para identificar e monitorizar os movimentos do citado objeto. Perante o desagrado da noiva, que o acusa de negligenciar os preparativos do casamento em prol do trabalho, o líder do Quarteto Fantástico recusa inicialmente o pedido feito pelos militares. No entanto, constrói em segredo um radar que lhe permite rastrear o objeto.
        Em plena cerimónia do casamento, o dispositivo criado por Reed deteta a rápida aproximação do fenómeno em direção a Nova Iorque. Devido aos pulsos eletromagnéticos por ele emitidos, ocorre um blackout que deixa a Grande Maçã mergulhada na escuridão.

Reed e Susan veem o seu casamento interrompido pela chegada do Surfista Prateado.
 
        Johnny Storm - o Tocha Humana - voa em perseguição do objeto e descobre, para seu assombro, tratar-se de um humanoide montado numa prancha de surf. Ao tentar intercetar o Surfista Prateado, Johnny é arrastado por este até à estratosfera e deixado cair de seguida. Sem oxigénio para alimentar as suas labaredas, o Tocha Humana despenca desamparado em direção ao solo, conseguindo, contudo, inflamar-se no derradeiro instante, escapando assim a uma morte certa.
        Horas depois, Ben e Johnny trocam de poderes, o que leva Reed a deduzir que a exposição à radiação cósmica emanada pelo Surfista Prateado modificou a estrutura molecular do Tocha Humana, permitindo-lhe, por meio do toque, absorver as habilidades dos seus colegas de equipa.
        Rastreando os resíduos de energia cósmica deixados pelo Surfista Prateado, Reed constata que uma série de planetas visitados pela criatura foram destruídos.
        À medida que o Surfista Prateado abre gigantescas crateras em redor do globo, Reed calcula que Londres será o próximo alvo do alienígena. O Quarteto Fantástico ruma à capital britânica, mas não chega a tempo de evitar que o rio Tamisa seja drenado pela enorme cratera entretanto criada.

Surfista Prateado: herói ou vilão?

        Frustrados, Reed e Susan consideram desistir das identidades de Senhor Fantástico e Mulher Invisível para constituírem uma família e viverem uma vida normal.  O Surfista Prateado, entretanto, chega à Latvéria e, inadvertidamente, liberta Victor Von Doom do sarcófago metálico onde permanecera aprisionado nos últimos dois anos.  O Dr. Destino propõe então uma aliança ao alienígena, mas este rejeita-a. Após uma breve refrega entre ambos, o Surfista parte, deixando para trás o vilão cujo corpo mutilado foi miraculosamente curado pela exposição ao seu poder cósmico.
        O Dr. Destino oferece então os seus préstimos ao Exército americano, com quem firma um acordo. O Quarteto Fantástico vê-se dessa forma obrigado a trabalhar em conjunto com o seu arqui-inimigo. Concluindo que a prancha usada pelo Surfista Prateado é a sua fonte de poder, Reed concebe um pulso energético capaz de separar os dois. Enquanto isso, o Dr. Destino constrói uma máquina cujo propósito se recusa a revelar.
O Dr. Destino volta a aprontar no segundo filme do Quarteto.

        Algures na Floresta Negra alemã, a Mulher Invisível estabelece diálogo com o Surfista Prateado, acabando este por confidenciar-lhe o seu remorso pela destruição por ele causada, na sua condição de servo de uma entidade cósmica de incomensurável poder chamada Galactus. Aproveitando a distração da criatura, os militares abrem fogo e o Senhor Fantástico dispara o seu pulso energético. Separado da sua prancha, o Surfista é facilmente capturado e levado para um complexo militar secreto na Sibéria, onde é torturado pelos seus captores que tentam assim  obter informações sobre os desígnios de Galactus.
        Usando o dispositivo por ele criado, o Dr. Destino rouba a prancha do Surfista Prateado. Depois de este ser libertado pelo Quarteto Fantástico, os cinco confrontam o vilão em Xangai. No decurso da batalha, a Mulher Invisível é mortalmente ferida. Com o arauto de Galactus ainda enfraquecido, o Tocha Humana absorve os poderes dos companheiros para enfrentar um Dr. Destino agora dotado de poder cósmico.
        O Dr. Destino é derrotado e o Surfista reavê a sua prancha. Porém, Galactus chega à Terra e Susan morre nos braços do marido.

A ameaça de Galactus, o Devorador de Mundos.
         Com o seu poder restaurado, o Surfista Prateado ressuscita a Mulher Invisível e escolhe defender o nosso mundo do cruel destino que lhe foi traçado pelo seu mestre. A batalha que se segue culmina numa enorme explosão de energia que engolfa ambos. Quando o clarão se dissipa, Galactus e o seu arauto desapareceram sem deixar rasto.
        Dias depois, Reed e Susan casam no Japão. Johnny, após estar em contacto com a prancha do Surfista, recuperou a sua estabilidade molecular. A meio dos festejos, surge a notícia de que Veneza se está afundar no Adriático. A equipa parta de imediato para Itália.
        Numa cena após os créditos finais, o corpo inerte do Surfista Prateado flutua no vácuo espacial, aparentemente sem vida. Subitamente, os seus olhos abrem-se e a sua prancha voa ao seu encontro.
     
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=q1QYHMMX_v4
 
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Curiosidades:
* Na primeira versão do argumento, estava prevista a participação de Nick Fury (o diretor da agência governamental secreta S.H.I.E.L.D.), personagem entretanto substituída pelo General Hager;
* No filme, Susan Storm receia ter um filho que será alvo da curiosidade pública. Na banda desenhada original, ela e Reed têm um filho, Franklin Richards, dotado de poderes mutantes cuja verdadeira amplitude ainda está por descobrir;
* Para melhorar o desempenho de Michael Chiklis no papel de Coisa, foi produzido um novo conjunto de próteses. Estas não só eram mais fáceis de usar e remover, como lhe providenciavam melhor ventilação. Os modelos protéticos utilizados no primeiro filme demoravam seis horas a aplicar e eram extremamente desconfortáveis;
 

 
* Jessica Alba usou uma peruca loira, depois de o seu cabelo ter ficado maltratado com a coloração aplicada no primeiro filme;
* Já com as filmagens em curso, os produtores  estavam ainda indecisos quanto a dotar ou não o Surfista Prateado de voz. Entre os vários nomes cogitados para emprestar a voz ao herói cósmico estiveram os atores Gary Sinise e Timothy Olyphant. A escolha, porém, recaiu em Laurence Fishburne que, inicialmente, fora pensado para dar voz a Galactus;
* Por terem detestado a caracterização do Dr. Destino no primeiro filme, os produtores exigiram que ele ficasse oculto sob uma túnica com capuz em todas as cenas da sequela em que figurasse;
* Em tempos, o realizador Tim Story afirmara que jamais teria robôs gigantes nos seus filmes. Não será portanto alheia a este facto a opção de Galactus - normalmente retratado como um ser robótico de proporções colossais - surgir sob a forma de uma imensa nuvem cósmica.
 

Prémios e nomeações: Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado ganhou dois prémios em 2008: um Gold Trailer Award para o melhor cartaz promocional e um Kids Choice Award para melhor atriz atribuído a Jessica Alba. O filme recebeu ainda duas nomeações para os Razzie Awards (uma espécie de anti-Óscares que distinguem o que de pior se faz em Hollywood): uma na categoria de pior atriz (Jessica Alba) e outra na de pior casal (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), não tendo contudo saído vencedor em nenhuma delas.
 

Veredito: 35%

       Depois de ver Quarteto Fantástico, em 2005, interrompi de imediato os meus esforços no sentido de tentar encontrar na internet a versão integral do filme maldito de 1994 (aquele que a Marvel se arrependeu de ter autorizado e depois fez de conta que o mesmo nunca existiu). Ora, se uma adaptação oficial ao grande ecrã era atroz, nem queria imaginar quão má seria a oficiosa. Como não sou dado a esse tipo de exercícios masoquistas, escusei-me a descobrir.
        Em virtude desses dois antecedentes negativos, foi pois com baixíssimas expectativas que recebi este segundo filme do Quarteto. O que me poupou a maiores dissabores. Isto porque, apesar de estar uns furinhos acima do seu predecessor, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado tem desde logo  o demérito de arruinar uma das sagas mais emblemáticas e intemporais do Universo Marvel. 
        Aparentemente, o realizador Tim Story discordava desta minha apreciação. Motivo pelo qual pegou na história original - escrita pelo próprio Stan Lee - e decidiu adulterá-la (embora acreditasse porventura estar a melhorá-la), alterando a essência e os poderes de algumas personagens.
        Não sendo eu um "purista", daqueles que zurzem um filme que não retrata fielmente cada pormenor da banda desenhada em que se baseia, há limites para as alterações a introduzir. A meu ver, não encontro justificação para o facto de, na sua versão cinematográfica, o Surfista Prateado retirar o seu poder da sua prancha. Para quem não sabe (ou para os mais distraídos), nos quadradinhos o ex-arauto de Galactus pode voar e usar o seu poder cósmico mesmo quando separado da sua prancha. Esta serve apenas para lhe poupar o dispêndio extra de energia que voar implica. Para terem uma ideia do absurdo, seria como fazerem um filme do Super-Homem em que os seus poderes derivassem da capa.
        Não obstante estas nuances ridículas - a que se soma a ausência da componente filosófica que sempre caracterizou as histórias de um homem que imolou a própria liberdade para salvar o seu mundo - o Surfista Prateado é o que de melhor a película tem para oferecer. Cada movimento seu no ecrã é hipnotizante. Absolutamente delicioso também o pormenor de o seu corpo parecer pulsar de energia cósmica. Parece, no entanto, que orçamento para os efeitos especiais se terá esgotado na conceção desta personagem porque, por outro lado, a elasticidade do Sr. Fantástico afigura-se ainda mais inverosímel do que no primeiro filme. O mesmo se passando com os campos de força da Mulher Invisível e as labaredas do Tocha Humana (poupo-me a fazer qualquer referência à ignóbil caracterização do Coisa).
        Desagradou-me igualmente o registo cómico. Se o humor é fundamental neste género de filmes, quando em excesso, torna-se contraproducente e pode mesmo pôr em xeque a credibilidade da história.
         Outro dos aspetos negativos de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é a total ausência de química entre o casal de protagonistas (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), fazendo lembrar dois adolescentes tímidos a quem arranjaram um encontro às cegas. Pior só mesmo o insípido Julian MacMahon como Dr. Destino. Um inegável erro de casting, indigno de dar vida a um dos mais carismáticos vilões da banda desenhada.
        Resumindo, não sendo intragável Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado consegue entreter  sem contudo deslumbrar. Pouco ou nada acrescenta em relação ao seu predecessor. Diz o povo que à terceira é de vez mas, neste caso, esse aforismo não se concretizou. Na verdade, desperdiçou-se nova oportunidade de promover junto do grande público uma das melhores equipas de super-heróis dos comics. Acredito que, tal como eu, muitos fãs do Quarteto continuem a preferir as velhinhas séries animadas do grupo. Venha de lá o reboot!
 
       

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

HERÓIS EM AÇÃO: SURFISTA PRATEADO





    Para salvar o seu mundo da aniquilação, um homem sacrificou a própria liberdade. Com um coração puro e uma alma atormentada, o Surfista Prateado singra desde então pelo Cosmos como um arauto da justiça e da esperança.
 
 
Nome original: Silver Surfer
Primeira aparição: The Fantastic Four nº48 (março de 1966)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (história e arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Norrin Radd
Local de nascimento: Planeta Zenn-La
Parentes conhecidos: Jartran e Elmar Radd (pais falecidos), Fennan Radd (meio-irmão presumivelmente falecido)
Filiação: Ex-arauto de Galactus, ex-membro do Trio Titânico, dos Defensores, dos Defensores Secretos e dos Mestres das Estrelas
Base de operações: Todo o Universo conhecido
Armas, poderes e habilidades: Um dos mais poderosos (e trágicos) seres do Universo, o Surfista Prateado possui força, velocidade e resistência sobre-humanas, bem como a capacidade de absorver e manipular vários tipos de energia. Com a ajuda da sua prancha - que mesmo quando fisicamente separada do seu usuário, obedece aos seus comandos telepáticos- o herói consegue viajar no hiperespaço e até no fluxo temporal.
       Dotado de perceção cósmica, o Surfista Prateado, que também já ocasionalmente evidenciou habilidades telepáticas, consegue detetar objetos e fenómenos energéticos a anos-luz de distância. Da mesma forma que uma só rajada do seu poder cósmico pode obliterar planetas inteiros, o ex-arauto de Galactus pode usar esse poder para curar organismos vivos à escala planetária (sem contudo conseguir reviver os mortos).
       Somam-se a estas fabulosas habilidades o seu conhecimento da avançada tecnologia de Zenn-La, uma vez que Norrin Radd era um promissor cientista no seu mundo natal.

O Surfista Prateado é um dos seres mais poderosos do Universo.
 
História de publicação: Em março de 1966, no 48º número do título Fantastic Four, o Surfista Prateado foi apresentado ao mundo de forma quase fortuita. Stan Lee (argumentista e editor da Casa das Ideias) e Jack Kirby (cuja arte era uma das principais referências da editora) haviam desenvolvido em conjunto o chamado Método Marvel. Este consistia em discutir ideias para histórias, cabendo depois a Kirby desenhar uma sinopse das mesmas. Finda esta etapa, Stan incluiria os diálogos e restante texto. Sucede que, contrariando os preceitos da referida metodologia, Kirby, à revelia do seu parceiro criativo, resolveu adicionar uma nova personagem ao argumento previamente aprovado por ambos.


Fantastic Four nº48 (1966) foi onde debutou o Surfista Prateado, na sua qualidade de arauto de Galactus.

       A este propósito, Stan Lee declarou o seguinte em 1995: "Para minha grande surpresa, a meio de uma história que tínhamos discutido detalhadamente, surgia um louco montado numa prancha voadora. Pensei para os meus botões que o Jack fora longe demais dessa vez." Kirby explicou então que incluíra a misteriosa personagem por considerar que o antagonista principal - Galactus - precisaria de uma espécie de arauto que anunciasse o seu advento aos planetas que escolhera devorar, e também porque, segundo ele, estava cansado de desenhar naves espaciais.
       Sensibilizado pelo caráter nobre da neófita personagem - que se rebelou contra o seu mestre a fim de defender a Terra - Stan Lee conferiu-lhe maior densidade emocional e psicológica, tornando-a dessa forma um elemento-chave nos capítulos subsequentes do enredo.
       Após a primeira aparição do Surfista Prateado - e face à reação positiva dos leitores -, Lee e Kirby acordaram em conceder-lhe o estatuto de coadjuvante nas histórias do Quarteto Fantástico. Facto que conduziria, em 1968, à sua estreia numa história a solo em Fantastic Four Annual nº5.
       No ano seguinte, a Marvel lançou o novíssimo título The Silver Surfer, com os argumentos ainda a cargo de Stan Lee e com John Buscema a assumir a respetiva arte nos dezassete primeiros números (Jack Kirby desenharia o 18º e derradeiro número da série). Com o cancelamento de Silver Surfer, o herói cósmico passou a fazer aparições pontuais noutros títulos da editora, como Thor, The Defenders e, claro, Fantastic Four.

Em 1969, o Surfista Prateado ganhou um título próprio.
 
      Na esteira de um arco de histórias produzido por John Byrne em 1982, o Surfista Prateado recuperou alguma da relevância perdida. Só voltaria, ainda assim, a dispor de um título próprio volvidos cinco anos.
      Já neste século, mais precisamente em 2007, o herói cósmico estrelou uma muito elogiada minissérie em quatro volumes -  Silver Surfer: Requiem - escrita por J. Michael Straczynski e com arte de Esad Ribic. O primeiro número foi lançado em 30 de maio de 2007, de molde a coincidir com a primeira aparição cinematográfica da personagem em Fantastic Four: The Rise of The Silver Surfer. Na história, o Surfista Prateado descobria estar a morrer em virtude da deterioração da camada prateada que reveste o seu corpo.
      No âmbito da arrojada revolução editorial levada a cabo recentemente pela Casa das Ideias, foi anunciado o lançamento, com data prevista para março deste ano, de uma nova série protagonizada pelo ex-arauto de Galactus. Escrita por Dan Slott e ilustrada por Mike Allred, constituirá uma das mais fortes apostas do projeto All-New Marvel NOW! (batizado Nova Marvel pela Panini brasileira).

2014 marcará o regresso do Surfista Prateado à ribalta graças ao projeto editorial Nova Marvel.

Biografia: No utópico planeta Zenn-La, localizado no sistema estelar Deneb na orla da Via Láctea, florescia uma civilização próspera e pacífica. Norrin Radd era um jovem e promissor cientista inconformado com a letargia em que mergulhara o seu povo, que  outrora explorara os confins do Cosmos.
      A vida de Norrin mudaria para sempre no dia em que ele e os seus compatriotas testemunharam a chegada de Galactus, O Devorador de Mundos ao seu planeta. Perante a ameaça de aniquilação de Zenn-La, Norrin persuadiu o Conselho Científico a providenciar-lhe uma nave que o levasse ao encontro do gigantesco invasor. Intrépido, Norrin confrontou Galactus e propôs-lhe uma troca: se o Devorador de Mundos poupasse Zenn-La e seus habitantes, ele aceitaria ser seu arauto e comprometer-se-ia a buscar outros mundos para servirem de alimento a Galactus. Este aceita a proposta de Norrin e banha-o com uma ínfima porção do seu poder cósmico, transformando-o no Surfista Prateado.

Para salvar o seu povo, Norrin Radd sacrificou a sua liberdade e aceitou servir Galactus.

      Norrin tencionava conduzir o seu novo mestre apenas a planetas desabitados, mas, prevenindo essa situação, Galactus manipulou a alma do seu arauto. Por um período indeterminado de tempo, o Surfista Prateado serviu lealmente o Devorador de Mundos. Até ao dia em que descobriu a Terra, onde travou conhecimento com o Quarteto Fantástico e com Alicia Masters, a escultora cega namorada do Coisa. Sensibilizado pela nobreza de caráter deles, Norrin rebelou-se contra Galactus. Este acabou por ser repelido para longe da Terra, não sem antes criar uma barreira invisível em redor do nosso planeta para assim confinar o seu ex-servo, como castigo pela sua traição. A citada barreira tinha ainda a particularidade de afetar apenas o Surfista.
      Ao longo do seu exílio entre os humanos, o Surfista Prateado defrontou diversos supervilões, com o Doutor Destino - que cobiçava o poder cósmico do herói - a presidir à extensa lista. Nela figurava também Mefisto, que desejava a alma do ex-arauto de Galactus.
      Reunindo-se ocasionalmente ao Hulk e ao Príncipe Submarino, o Surfista Prateado atuou em conjunto com este heróis num grupo inicialmente denominado Titans Three  (Trio Titânico), ao qual se juntaria depois o Doutor Estranho, dando assim origem aos Defensores.

O Surfista Prateado em ação com os Defensores.

      Com o auxílio de Reed Richards, o amargurado herói logrou finalmente romper a barreira invisível de Galactus e deixar a Terra rumo às estrelas. Apenas para descobrir que Zenn-La fora devastado pelo Devorador de Mundos e que a sua amada Shalla-Bal fora feita prisioneira por Mefisto e levada para a Terra.
      Mesmo sabendo que isso significaria ficar novamente aprisionado no nosso planeta, Norrin regressou à Terra para resgatar das garras do demónio a mulher que amava. Pressentindo a derrota iminente, Mefisto enviou Shalla-Bal de volta a Zenn-La, onde o herói cósmico não a poderia alcançar. No entanto, o Surfista Prateado conseguiu, in extremis, transmitir uma parcela do seu poder cósmico à jovem, para que esta a usasse para revitalizar o seu mundo natal.

De volta à Terra, o Surfista Prateado enfrentou Mefisto para resgatar a sua amada Shalla-Bal.

       Após ajudar o Quarteto Fantástico a derrotar o mais recente arauto de Galactus - o terrível Terrax - o Surfista Prateado conseguiu por fim atravessar a barreira invisível que o impedia de regressar às estrelas, seguindo a sugestão do Coisa de o fazer a bordo de uma espaçonave em vez de usar a sua prancha. Conseguiu também obter o perdão do seu antigo mestre ao salvar a vida de Nova, outra das arautas ao serviço do Devorador de Mundos.
       Terminado o seu longo exílio, logo o herói alienígena singrou a vastidão sideral até Zenn-La. Mas, uma vez mais, o destino pregou-lhe uma cruel partida: na sua ausência, Shalla-Bal fora coroada Imperadora, pelo que seria impossível reatarem o seu romance.
       De coração partido, o Surfista Prateado passo a vaguear pelo Universo, enfrentando ameaças cósmicas como Thanos, Ego, O Planeta Vivo, Nebula e muitos outros seres de enorme poder e ainda maior perversidade. De tempos a tempos viaja até à Terra onde encontra consolo nos braços de Alicia Masters.

 
 
 
Noutros media: Em 2011, o site IGN colocou o Surfista Prateado no 41º lugar da sua lista dos 100 Melhores Heróis dos Quadradinhos. Na televisão, a sua estreia ocorreu num episódio da série animada produzida pela Hanna-Barbera, Fantastic Four (cuja vintena de episódios foi exibida pelo canal norte-americano ABC entre 1967 e 1970). A que se seguiram várias participações noutras séries animadas da Marvel, como The Marvel Action Hour (1994). Em 1998 chegou mesmo a estrelar uma série própria transmitida pela Fox e com a particularidade de recuperar a estética introduzida décadas antes por Jack Kirby.
 
São notórias as influências de Jack Kirby na estética da série animada Silver Surfer (1998).
 
        Ao grande ecrã, o herói cósmico chegou em 2007 com Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, o segundo filme do Quarteto Fantástico. Laurence Fishburne emprestou a voz à personagem cabendo a Doug Jones dar-lhe corpo nas cenas em que não era reproduzida digitalmente. Nesse mesmo ano, J. Michael Straczynski foi contratado pela Fox para escrever o guião de um spin-off. Straczynski adiantou que se trataria de uma sequela que abordaria também as origens do Surfista Prateado. O projeto, porém, nunca veria a luz do dia.
 
Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007) marcou a estreia cinematográfica do herói cósmico.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

GALERIA DE VILÕES: DENTES-DE-SABRE




 
       Arquirrival de Wolverine, com quem tem uma ligação obscura, Dentes-de-sabre começou por ser oponente de outro famoso super-herói. Também nem sempre foi mutante. Porém, ontem como hoje, trata-se de um impiedoso assassino de sangue frio.


Nome original: Sabretooth
Criadores: Chris Claremont (história) e John Byrne (arte)
Primeira aparição: Iron Fist nº14 ( agosto de1977)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Victor Creed
Local de nascimento: Desconhecido
Parentes conhecidos: Zebadiah Creed (pai falecido), mãe não identificada e Graydon Creed (filho falecido)
Filiação: Ex-membro da Arma X, Irmandade dos Mutantes, X-Men e X-Factor
Base de operações: Móvel
Armas, poderes e habilidades: Dentes-de-sabre possui poderes similares aos de Wolverine: agilidade e resistência sobre-humanas, sentidos superaguçados e autorregeneração acelerada. Embora consiga curar ferimentos letais em questão de minutos, esta sua habilidade é ligeiramente inferior à do Wolverine. É, ainda assim, suficiente para o tornar virtualmente imune a um amplo espectro de toxinas, bactérias e vírus, além de retardar consideravelmente o seu envelhecimento.
      Dentes-de-sabre é igualmente dotado de força amplificada, derivada tanto da sua mutação genética como da bioengenharia executada pelo projeto Arma X. Recentemente, o seu esqueleto foi revestido com adamantium, o metal indestrutível usado para o mesmo efeito em Wolverine, décadas atrás.
      Treinado pela CIA, Arma X  e pelo misterioso Estrangeiro, Dente-de-sabre é um formidável lutador corpo a corpo, bem como um exímio caçador e rastreador.
      O seu nome deriva do tigre dentes-de-sabre, um felino pré-histórico que possuía garras e presas afiadas como lâminas, características que faziam dele um temível predador. Com efeito, Dentes-de-sabre possui garras retráteis em cada um dos dedos. As quais, inicialmente, lhe permitiam cortar facilmente madeira, ossos e pedras. Com o recente revestimento de adamantium, as suas garras tornaram-se não só indestrutíveis como capazes de cortar qualquer material sólido, que não o próprio metal que as recobre.
 
Tal como o felino que lhe dá nome, Dentes-de-sabre é um predador implacável.
 
História de publicação: Remonta a agosto de 1977 a primeira aparição de Dentes-de-sabre, nas páginas de Iron Fist nº14. Idealizado pela dupla Chris Claremont e John Byrne, foi originalmente introduzido como antagonista recorrente nas histórias do Punho de Ferro. Não tardou porém a tornar-se um dos vilões mais polivalentes da Marvel, condição que lhe valeu diversos confrontos com outros heróis da editora, nomeadamente com o Homem-Aranha.
 
Na sua estreia em Iron Fist nº14 (1977), Dentes-de-sabre não era um mutante.
 
       A personagem ganhou proeminência quando Chris Claremont o converteu num adversário dos X-Men durante a saga Mutant Massacre ( O Massacre dos Mutantes), lançada nos EUA em 1986. Daí em diante, tornou-se um arqui-inimigo do Wolverine, granjeando dessa forma uma crescente popularidade, que se traduziu em várias minisséries e edições especiais protagonizadas pelo vilão.
       Chris Claremont, ao introduzir Dentes-de-sabre na mitologia dos X-Men, partiu da premissa de que o vilão seria filho de Wolverine. Facto que seria ulteriormente desmentido por outros argumentistas. Em 2009, no entanto, na série X-Men Forever, Claremont reciclou essa ideia, numa realidade divergente onde Dentes-de-sabre era agora apresentado como sendo o pai de Wolverine. Era igualmente sugerido que o Dentes-de-sabre que vinha infernizando a vida aos pupilos de Charles Xavier era na realidade um clone produzido pelo Senhor Sinistro.
       Na sequência destes eventos, o vilão juntou-se temporariamente aos X-Men, os quais acabaria por atraiçoar.
 
Wolverine e Dentes-de-sabre: separados à nascença, unidos pelo ódio.

Biografia: Pouco se sabe sobre os primeiros anos de vida de Victor Creed (este poderá nem ser o seu nome verdadeiro). Muitas das suas memórias poderão, com efeito, ter sido implantadas pelo projeto Arma X. Acredita-se contudo que Victor terá sido brutalizado pelo seu pai, desgostoso com a natureza mutante do filho.  Além dos espancamento recorrentes às mãos do progenitor, o garoto era muitas vezes trancado numa cave escura onde permanecia por largas temporadas. Apesar das suas súplicas, a mãe nunca o libertou. O pai, por sua vez, arrancava-lhe os caninos salientes, os quais invariavelmente tornavam a crescer. Após anos de suplício, Victor conseguiu escapar e assassinou os seus pais.
       Em meados da primeira década do século XX, já adulto, Victor assumiu a identidade de Dentes-de-sabre. No seio da pequena comunidade fronteiriça canadiana onde vivia, ganhou uma sanguinolenta reputação. Todos o temiam. Exceto um jovem chamado Logan, detentor de habilidades mutantes similares às de Victor e com um passado ainda mais nebuloso.
       Invejando a ligação amorosa entre Logan e uma jovem índia de seu nome Raposa Prateada, certa vez Victor agrediu a rapariga, violou-a e deixou-a para morrer na neve. Era o dia de aniversário de Logan. Este episódio marcou assim o início de uma macabra tradição: todos os anos, no dia de aniversário de Logan, Dentes-de-sabre rastreia-o com o intuito de o enfrentar em encarniçadas refregas.
      Sem que Logan ou Victor o soubessem, Raposa Prateada sobrevivera ao brutal ataque e abandonara em segredo a comunidade.
 
Ao contrário de Wolverine, Dentes-de-sabre nunca tentou controlar os seus instintos animais.
 
      Permanecem difusas as atividades de Dentes-de-sabre até aos primeiros anos da década de 1960 quando reapareceu, agora integrando a Team X, uma unidade especial criada pela CIA no âmbito do projeto Arma X. Além de Logan - agora conhecido como Wolverine - Victor reencontrou a Raposa Prateada, apesar de nenhum dos três se recordar das suas vivências passadas devido às falsas memórias implantadas por um telepata ao serviço do projeto Arma X. Todavia, havia uma animosidade latente entre Dentes-de-sabre e Wolverine.
       Durante uma missão em Berlim Oriental em meados da década de 1960, Dentes-de-sabre envolveu-se romanticamente com Leni Zauber, uma operacional de outra agência governamental secreta. Sem que Dentes-de-sabre o soubesse, Zauber era na realidade a mutante transmorfa Mística. O casal permaneceu junto ao longo de meses, até que Dentes-de-sabre teve de regressar para a Team X. Quando esta foi desmantelada, Dentes-de-sabre encetou uma carreira de mercenário e assassino de aluguer, granjeando uma reputação a nível mundial. Pelo meio, tornou-se pupilo do enigmático Estrangeiro, mentor da liga de assassinos conhecida como Clube 1400 e um dos poucos homens que o vilão respeita.
       Pouco tempo depois, Dentes-de-sabre foi novamente seduzido e manipulado por Mística. Desse novo relacionamento resultou a gravidez da ex-integrante da Irmandade dos Mutantes. Contudo, o bebé nasceu desprovido do gene X (sem qualquer potencial mutante) e foi abandonado pela mãe. Anos depois, Graydon Creed, o filho rejeitado, tornar-se-ia num feroz ativista antimutante e candidato à presidência dos EUA.
       Já atuando como um supervilão em parceria com o Constritor, Dentes-de-sabre defrontou em várias ocasiões o Punho de Ferro e os seus aliados. Foi por esta altura que Dentes-de-sabre começou a caçar e matar pessoas apenas por prazer.
       Desfeita a parceria com o Constritor, Dentes-de-sabre é recrutado por Gambit, um charmoso ladrão francês que viria a ser um X-Man, para integrar um bando de mutantes renegados conhecidos como Saqueadores. Sob as ordens do Senhor Sinistro, os Saqueadores chacinaram os Morlocks, a comunidade mutante que habitava os subterrâneos de Nova Iorque. Evento que ficou conhecido como Massacre dos Mutantes.
       Anos depois, Dentes-de-sabre é recrutado à força para o renovado projeto Arma X. É por essa altura que tem o seu esqueleto revestido com adamantium e a sua força amplificada. Usa de seguida essas modificações para escapar do Arma X e retomar a sua carreira a solo. No entanto, ele ocasionalmente trabalha em equipa. Um bom exemplo disso foi quando aceitou fazer parte da nova Irmandade dos Mutantes que atacou o Instituto Xavier para Jovens Sobredotados, lar dos X-Men.
       O que se sempre permaneceu inalterada foi a sua inimizade com Wolverine. Os dois já de duelaram um sem número de vezes. Porém, ao contrário do X-Man, Dentes-de-sabre jamais se preocupou em tentar controlar o seu lado animalesco. Ao invés disso, o seu comportamento assemelha-se cada vez mais ao de uma fera assassina de sangue frio.

Foi a partir da saga O Massacre dos Mutantes que Dentes-de-sabre se tornou inimigo figadal dos X-Men (em particular de Wolverine).
 
Noutros media: Em 2008, a revista Wizard (especializada em comics e seus derivados) colocou Dentes-de-sabre na 193ª posição da sua lista das 200 melhores personagens dos quadradinhos de todos os tempos. No ano seguinte, foi a vez de o site IGN lhe atribuir o 44º lugar no seu ranking dos 100 Melhores Vilões dos Quadradinhos.
        Em algumas versões apresentadas noutros media, Dentes-de-sabre surge frequentemente como um aliado ou subalterno de Magneto. Exemplo disso é o primeiro filme dos X-Men, realizado em 2000 por Bryan Singer. Interpretado pelo ex-lutador Tyler Mane, o vilão integra a Irmandade dos Mutantes liderada pelo mestre do magnetismo. Nos quadradinhos, porém, os dois nunca apreciaram a companhia um do outro.
 
Tyler Mane como Dentes-de-sabre em X-Men (2000).
 
       Tendo marcado presença em diversas séries animadas e videojogos produzidos pela Marvel, foi contudo graças às suas aparições cinematográficas que Dentes-de-sabre ganhou maior notoriedade. Em 2009, agora interpretado por Liev Schreiber, teve um papel preponderante no spin-off  X-Men Origins: Wolverine. O filme tem a particularidade de o retratar como meio-irmão de Logan, tendo ambos combatido lado a lado na Guerra Civil americana, nas duas Guerras Mundiais e na Guerra do Vietname.
       
Liev Schreiber deu vida a um Dentes-de-sabre menos animalesco, porém igualmente feroz ,no primeiro filme a solo de Wolverine.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

DO FUNDO DO BAÚ: A MORTE DE ROBIN

 



       Mal-amado pelos leitores, Jason Todd (o segundo Menino Prodígio) foi sentenciado à morte por meio de uma polémica votação telefónica, cujos resultados poderão ter sido falseados.

Título original: Batman: A Death in the Family
Licenciadora: DC
Publicado em: Batman nº426, 427, 428 e 429 (dezembro de 1988 e janeiro de 1989)
Argumento: Jim Starlin
Arte: Jim Aparo e Mike Mignola (capas)

Capa de Batman nº427 com a inconfundível arte de Mike Mignola.


Edição em Português: DC Especial 1 - A Morte de Robin
Data: novembro de 1989
Editora: Abril Jovem
Número de páginas: 132
Formato: formatinho (13,5 x 19cm), colorido e com lombada colada
Na minha coleção desde: 2007

DC Especial 1 compilava o arco de histórias Batman: A Death in the Family.

História de publicação: Cientes da impopularidade de Jason Todd entre os leitores, a DC e Dennis O'Neil, editor à época dos títulos do Homem-Morcego, tomaram a decisão de eliminar a personagem. Restava contudo a dúvida de como isso seria feito. Procurando uma forma inovadora de interagirem com os fãs - e, muito provavelmente, influenciados pelas referências à morte de Jason Todd no futuro alternativo retratado na minissérie Batman, O Cavaleiro das Trevas - a editora teve a ideia de criar dois números telefónicos através dos quais os leitores poderiam votar contra ou a favor da morte do segundo Menino Prodígio. O escrutínio teve início após a publicação do capítulo da história em que Jason Todd e a sua mãe ficavam encurralados num armazém.
       Foram recebidos mais de dez mil telefonemas numa votação renhida, que culminou, porém, com um resultado favorável à morte de Jason Todd (5343 votos contra 5271 em sentido contrário). A DC publicou então, sob grande alarido mediático, o terceiro dos quatro capítulos da saga Batman: A Death in the Family, o qual mostrava o momento que em Batman encontrava o corpo sem vida do seu pupilo.
       Dez anos volvidos sobre estes factos, numa entrevista concedida à Newsarama, Dennis O'Neil declarou: " Ouvi dizer que houve um tipo que programou o seu computador para marcar a cada 90 segundos - e durante oito horas - o número a favor da morte de Jason Todd. A ser verdade, obviamente que isso terá falseado o resultado final da votação.".
      Mesmo carecendo de comprovação, esse rumor reforça as dúvidas quanto à fiabilidade da votação telefónica e, por conseguinte, se a maioria dos leitores desejaria efetivamente o fim de Jason Todd. No entanto, a despeito de toda a polémica que antecedeu e seguiu a sua publicação, Batman: A Death in the Family foi um sucesso de vendas, ocupando a 15ª posição na lista das 25 melhores sagas do Cavaleiro das Trevas publicada no site IGN.
 
Capas das 4 edições onde a saga foi originalmente publicada, acompanhadas de algumas reações mediáticas.
 
Enredo: Jason Todd, o segundo Robin, encontra-se num momento difícil na sua relação com Batman. As suas lutas contra os criminosos são cada vez mais descuidadas e suicidas, como se tudo não passasse de um jogo. À medida que a tensão cresce no seio do Duo Dinâmico, o Homem-Morcego questiona-se se não se terá precipitado ao permitir que o jovem assumisse o lugar deixado vago por Dick Grayson (ver texto anterior). Ciente de que Jason ainda não superara a morte dos pais, Batman procura em vão conversar com ele sobre esse assunto.
      Algum tempo depois, ao passear pela sua antiga vizinhança, Jason encontra  uma velha amiga da sua família desaparecida, que lhe dá fotos e documentos que foram dos seus pais. Ao ler a sua certidão de nascimento, Jason percebe que o nome da sua mãe está rasurado mas a inicial é um "S" e não o "C" de Catherine Todd, a mulher que ele pensava ser sua progenitora.
     O rapaz conclui assim que Catherine era na verdade sua madrasta e resolve investigar a identidade da sua mãe biológica. Na agenda que pertencera ao seu pai ele encontra os nomes de três mulheres, todos começados por "S" e usa o Batcomputador para descobrir o paradeiro atual delas. Todas estão fora dos Estados Unidos, vivendo no Médio Oriente e em África. Jason foge de casa com o propósito de localizar as três candidatas.
 
Antes de ser assassinado pelo Joker, Robin vinha assumindo comportamentos imprudentes.
 
      Entretanto, evadido uma vez mais do Asilo Arkham, o Joker deixa um rasto de morte atrás de si antes de deixar os EUA. Batman descobre que o seu eterno némesis conseguiu um dispositivo nuclear e que tenciona vendê-lo a terroristas. Viaja, por isso,  para o Líbano, país onde Jason já se encontra, seguindo as pistas que o conduziram a Sharmin Rosen, uma agente da Mossad (os serviços secretos de Israel). Questionada por Jason, a mulher nega que algum dia tivesse dado à luz em Gotham City.
      De seguida, Jason vai no encalço da segunda possível mãe. Trata-se de Lady Shiva, uma velha inimiga de Batman, presentemente instalada num campo de treino de terroristas. Ajudado pelo Homem-Morcego, Jason derrota os asseclas da vilã, a quem  administra depois uma dose de soro da verdade. Descobre dessa forma que Shiva também não é a sua mãe.
      Por fim, Jason vai até à Etiópia, onde se encontra com Sheila Haywood, uma enfermeira ao serviço de uma ONG. Ela prova ser a mãe do rapaz e o encontro entre ambos é emocionante. Sem que, porém, Batman e Robin o soubessem , Sheila estava a ser chantageada pelo Joker, pois este último descobrira que ela praticara abortos ilegais em adolescentes de Gotham. Na sequência da morte de uma dessas raparigas, ela fora proibida de exercer medicina em território norte-americano. Munido dessa informação, o Joker forçou Sheila a fornecer-lhe medicamentos contrabandeados, que guarda num armazém secreto. O vilão pretendia substituir o conteúdo dos remédios pelo seu mortífero gás hilariante e dessa forma matar milhares de pessoas.
      Ao descobrir que Jason é Robin, Sheila entrega-o ao Joker. O vilão espanca o garoto com um pé-de-cabra e  prende-o juntamente com a mãe num armazém com uma bomba-relógio. Batman chega tarde demais e depara-se com os cadáveres de ambos.
 
A sequência que mostra o brutal espancamento de Robin com um pé-de-cabra.
 
O momento em que Batman encontra o corpo sem vida de Jason Todd.
 
      Os corpos são enviados para Gotham City para serem sepultados. Apenas Bruce Wayne e três amigos - o mordomo Alfred Pennyworth, o Comissário Gordon e a sua filha paraplégica Barbara -comparecem à cerimónia fúnebre.
     Recriminando-se pela morte do seu pupilo, Batman prossegue sozinho a sua cruzada contra o crime. Mais taciturno do que nunca, recusa a sugestão de Alfred de reatar a sua parceria com Dick Grayson, o primeiro Menino Prodígio, a operar agora como Asa Noturna.
     A milhares de quilómetros dali, no Irão, o Joker é recebido pessoalmente pelo aiatola Khomeini que lhe promete um cargo no governo do seu país. De seguida, o Palhaço do Crime, na sua nova condição de embaixador da República Islâmica, ruma a Nova Iorque, mais precisamente ao edifício-sede das Nações Unidas. Enquanto espera no exterior do edifício, Batman é interpelado pelo Super-Homem, enviado pelo Departamento de Estado norte-americano. O Homem de Aço tenta dissuadir o Cavaleiro das Trevas de atentar contra o Joker, desencadeando assim um incidente diplomático de consequências imprevisíveis. Perante a recusa do amigo em responder às suas perguntas, Batman esmurra o queixo do Super-Homem, quase partindo a mão. Isto no preciso momento em que o Joker chega às Nações Unidas onde é esperado para discursar diante da Assembleia Geral.
     Assumindo a sua identidade de Bruce Wayne e socorrendo-se dos seus contactos ao mais alto nível, Batman consegue estar presente na reunião magna da ONU sob o estatuto de observador não oficial.
     No seu discurso, o Joker proclama que tanto ele como a nação que agora representa têm sido desrespeitados pela comunidade internacional. Dito isto, anuncia a sua intenção de matar todos os delegados e espectadores presentes na Assembleia Geral, lançando uma dose letal do seu gás hilariante. Subitamente, porém, um segurança intervém, desarmando o vilão e inalando todo o gás entretanto libertado. Na verdade trata-se do Super-Homem disfarçado.
 
Joker discursando na ONU como novo embaixador iraniano.
 
     Enquanto o herói kryptoniano voa para fora do edifício em busca de um lugar seguro para libertar o gás, Batman e Joker confrontam-se. O vilão acaba no entanto por conseguir escapar a bordo de um helicóptero enviado pelo seus patronos. Quando percebe que Batman está agarrado ao aparelho, um dos homens de Joker abre fogo com uma metralhadora. Voam balas em todas as direções, atingindo o próprio Palhaço do Crime e o piloto, levando assim à queda desgovernada da aeronave no mar.
      Salvo pelo Super-Homem, Batman exige-lhe que procure o corpo do Joker. Apesar dos esforços do herói de aço, o corpo do vilão não é encontrado. Batman lamenta que tudo entre ele e o seu arqui-inimigo fique sempre por resolver.
 
 
Curiosidades:

*Além de mostrar um Batman mais violento do que nunca, a narrativa aflora diversos temas sociais e políticos que marcavam a atualidade em finais do anos 80 do século passado. Destacam-se entre eles a guerra civil libanesa, o conflito israelo-arábe, a fome na Etiópia e a ameaça à segurança internacional representada por Estados-párias;
* Quando viaja para o Líbano, Bruce Wayne usa um passaporte falso da Irlanda do Norte, território que era sinónimo de terrorismo à época;
* Apesar de, na altura, parecer pouco verosímil um criminoso como o Joker ter acesso a uma ogiva nuclear, o contrabando desse tipo de armas tornou-se uma enorme preocupação nos últimos anos;
* São feitas na história referências explícitas ao escândalo Irão-Contras, que manchou a presidência de Ronald Reagan. Um bom exemplo é a venda de um míssil de cruzeiro por parte do Joker a milícias árabes inimigas de Israel;
* O Joker atribui a sua precária condição financeira às políticas económicas implementadas pela Administração Reagan;
* Em várias passagens da história é sugerido que o Joker conhece a verdadeira identidade de Batman. Quando Jason Todd revela à mãe ser o parceiro do herói, o Palhaço do Crime estava suficientemente próximo para o ouvir.  Mais tarde ele diria a Batman que "até um louco consegue somar 2 mais 2".

Uma história com uma violência pouco comum nos comics.
Repercussões:
 
      Mostrando um Batman prestes a perder o autocontrolo e a morte de uma personagem emblemática da DC decidida por meio de uma votação telefónica, Batman: A Death in the Family tornou-se naturalmente um marco na história dos quadradinhos norte-americanos, com repercussões que se prolongaram no tempo. Com efeito, a morte de Jason Todd assumiu na vida do Homem-Morcego uma importância apenas superada pelo assassínio dos seus pais. Por outro lado, acentuou o caráter pessoal da inimizade entre o herói e o Joker.
      Anos depois, exposto à toxina do medo do Espantalho, o Cavaleiro das Trevas alucina com a morte do seu antigo protegido. Em vez de, como esperado, reagir com tristeza, explode num fúria quase homicida. Julgando estar a espancar o Palhaço do Crime, ele grita incessantemente o nome de Jason Todd.
      Depois do fim trágico do segundo Menino Prodígio, Batman relutou durante muito tempo em admitir novos parceiros juvenis que o coadjuvassem na sua cruzada contra o crime. Para preservar a memória de Jason Todd, conserva numa redoma de vidro colocada na Batcaverna uma réplica do uniforme de Robin usado pelo seu malogrado pupilo. Na base da referida redoma pode ler-se o epitáfio "Um bom soldado".