quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

ETERNOS: JIM STARLIN (1949 - ...)




     Especializado na produção de grandes sagas cósmicas, notabilizou-se também através da revitalização de personagens como Capitão Marvel ou Adam Warlock. Pelo seu talento, versatilidade e veterania, aos 65 anos, Jim Starlin continua a ser uma referência incontornável na indústria dos quadradinhos.


Biografia e carreira: Nascido a 9 de outubro de 1949 em Detroit (no estado norte-americano do Michigan), James P. "Jim" Starlin começou por escrever e desenhar histórias aos quadradinhos em vários fanzines afetos à 9º arte. Em 1972, estreou-se como profissional trabalhando lado a lado na Marvel Comics com um par de nomes sonantes: John Romita e Roy Thomas.
      Trazido para a Casa das Ideias pelo seu velho amigo Rick Buckler, Starlin faz parte da geração de argumentistas e ilustradores que cresceram com a Idade da Prata da Marvel. A este propósito, numa conferência dedicada a Steve Ditko (cocriador do Homem-Aranha em 1962), no âmbito da edição de 2008 da Comic-Con International, Starlin declarou: "Tudo o que sei sobre o processo narrativo devo-o a Steve Ditko e a Jack Kirby. A arte de ambos é insuperável."
      O primeiro trabalho profissional de Starlin ao serviço da Marvel consistiu em arte-finalizar algumas páginas do título The Amazing Spider-Man. Assumiu depois a arte de três números de Iron Man, ao longo dos quais foram introduzidas duas novas personagens por si idealizadas: Thanos e Drax, o Destruidor.
      Agradados com a qualidade do seu trabalho enquanto ilustrador de Captain Marvel nº25, os seus editores ofereceram-lhe a oportunidade de mostrar o seu valor como argumentista, convidando-o a escrever a história da edição seguinte. Sem hesitar, Starlin começou a desenvolver uma elaborada saga centrada no vilão cósmico Thanos, a qual logo se estendeu a outros títulos da editora. Starlin acabaria contudo por abandonar o título do herói kree antes de concluir o épico que ficou conhecido como A saga de Thanos.
Da esq. para a dir.: Adam Warlock, Surfista Prateado e Capitão Marvel. Jim Starlin sempre teve uma predileção por heróis cósmicos.
 
      Concumitantemente, em meados da década de 70 do século passado, Starlin produziu uma série de histórias para a antologia de ficção científica Star Reach, um projeto editorial independente. Nele desenvolveu as suas ideias acerca de Deus, Morte e Infinito (um tríptico omnipresente nas sagas cósmicas que produziu ao longo dos anos), liberto das restrições impostas pela autocensura vigente na indústria mainstream dos comics (sujeita aos ditames da Comics Code Authority).
       Após a sua passagem por Captain Marvel, Starlin e o argumentista Steve Englehart criaram Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, apesar de só terem produzido os primeiros números da respetiva série. Isto porque Starlin foi destacado para assumir Warlock, um título em declínio, centrado num herói geneticamente modificado, criado nos anos 1960 por Stan Lee e Jack Kirby, e reinventado por Roy Thomas e Gil Kane na década seguinte, tendo como inspiração Jesus Cristo. Perspetivando a personagem como alguém filosófica e existencialmente torturado, Starlin concebeu sozinho uma intrincada saga cósmica com uma forte componente psicológica e teológica. Com efeito, Warlock procurava contrariar os desígnios da Igreja da Verdade Universal, que almejava evangelizar todo o Cosmos e que, na verdade, fora fundada e liderada por uma versão maligna do próprio Warlock, autodenominada Magnus (numa clara referência às figuras de Cristo e do Anti-Cristo).
       Starlin teve assim o condão de pegar em dois títulos decadentes - Captain Marvel e Warlock - e transformá-los em séries de culto, arregimentando uma vasta legião de fãs.
 
Thanos foi uma das mais bem-sucedidas criações de Jim Starlin.
 
       Já com os seus créditos firmados no seio da indústria dos quadradinhos, em 1978 Jim Starlin associou-se a Howard Chaykin, Walt Simonson e Val Mayerik na fundação do Upstart Associates, uma espécie de estúdio partilhado com sede em Nova Iorque e cujo staff foi variando ao longo do tempo.
       Por essa altura, Starlin começou a trabalhar ocasionalmente para a DC. Além de desenhar algumas histórias de Batman publicadas em Detective Comics, passou por Legion of the Super Heroes. Em novembro de 1980, em parceria com o argumentista Len Wein, criou o vilão Mongul em DC Comics Presents nº27.
       Na sua constante demanda por  novos desafios, Starlin concebeu a saga Metamorphosis Odyssey, que apresentou ao mundo a personagem Vanth Dreadstar, em Epic Illustrated nº3. Originalmente, a história foi produzida a preto e branco, acabando, no entanto, por ganhar uma versão final colorida. Face ao sucesso da saga, primeiro a Epic Comics e depois a First Comics, publicaram a série regular Dreadstar.
 

Dreadstar foi um dos expoentes máximos do trabalho de Jim Starlin.
 
       Ciente do fascínio de Starlin em relação à morte, a Marvel concedeu-lhe entretanto a oportunidade de conceber uma história que retrataria o ocaso de uma das suas personagens de charneira. The Death of Captain Marvel (1982) tornou-se assim a primeira novela gráfica publicada sob a égide da Casa das Ideias.
       Em 1985, Starlin e Bernie Wrightson  (ilustrador celebrizado pelos seus trabalhos na BD de terror) produziram Heroes for Hope, uma edição especial com a chancela da Marvel, que serviu para angariar fundos para o combate à fome em África. Iniciativa à qual se associaram  outros notáveis sem qualquer ligação aos comics, como o escritor Stephen King.
       No ano seguinte, agora sob os auspícios da DC, Starlin voltou a colaborar num projeto beneficente com propósito idêntico: Heroes Against Unger (edição estrelada por Batman e Super-Homem). Na sequência deste seu trabalho, foi convidado para escrever as histórias do Cavaleiro das Trevas. Entre elas destacam-se Ten Nights of the Beast e Batman: A Death in the Family, esta última narrando a morte do segundo Robin.
 
The Ten Nights of the Beast foi uma das produções mais notáveis de Starlin ao serviço da DC.
 
       Regressado à Casa das Ideias, em meados da década de 1990, Starlin começou por revitalizar a série Silver Surfer. Como se tornara norma na sua colaboração com a Marvel, introduziu Thanos na narrativa, a qual desaguaria  na aclamada minissérie Infinity Gaunlet (Desafio Infinito). A história trouxe de volta Adam Warlock, morto pelo próprio Starlin em 1977. O êxito de Infinity Gaunlet abriu caminho para duas sequelas (ambas escritas por Starlin): Infinity War (Guerra Infinita) e Infinity Cruzade (Cruzada Infinita).
        Em 2003, Starlin escreveu e desenhou Marvel: The End, saga novamente estrelada por Thanos e que incluía uma miríade de personagens da editora. Nos anos que seguiram, Starlin colaborou com editoras independentes como a Devil's Due e a Dynamite Entertainment.
        De novo ao serviço da DC, entre 2007 e 2008, Starlin escreveu e desenhou The Death of the New Gods, reformulando de passagem a origem do Gavião Negro. Em 2013, assumiu a responsabilidade pelos argumentos de Stormwatch, a partir do 19º número da série lançada no âmbito de Os Novos 52!.
         Fora dos quadradinhos, Starlin - casado há 24 anos com a colorista Daina Graziunas - escreveu quatro novelas a meias com a sua esposa. A primeira - Pawns - data de 1989 e a última - Thinning the Predators - foi publicada em 1996.
         Em 2010, a IDW/Desperado publicou uma retrospetiva de 312 páginas da carreira do autor, sob o título The Art of Jim Starlin. Escrita pelo próprio, foi também lançada uma série numerada e assinada da obra, composta por 250 exemplares.
 
Stormwatch trouxe Jim Starlin de volta à ribalta.

Prémios e distinções: Desde os primórdios da sua extensa carreira artística que Jim Starlin começou a colecionar prémios e nomeações. Logo em 1973, arrecadou um Shazam Award na categoria de Assombroso Novo Talento, a meias com Walt Simonson. Em 1986, viu reconhecido o seu trabalho em Dreadstar ao ser-lhe atribuído um Haxtur Award para a melhor saga. Distinção que acumulou, nesse mesmo ano, com o Bob Clampett Humanitarian Award (cujos louros repartiu com Bernie Wrightson por Heroes for Hope). Já este século, em 2005, recebeu novo Haxtur Award, desta feita na categoria de Melhor Autor. A estes prémios soma-se um vasto rol de nomeações e distinções em segmentos tão diversificados como Melhor Argumento, Melhor Capa, Melhor Ilustrador, entre muitos outros.
 
Jim Starlin: um autor de sucesso, dentro e fora da BD.
 
 
 
  
   

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

BD CINE APRESENTA: «QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO»



 
      Ligeiramente mais bem conseguida do que o primeiro filme, a sequela de Quarteto Fantástico, de tão insossa, esteve contudo longe de convencer a crítica e os fãs, ficando assim a franquia irremediavelmente comprometida.
 

Título original:  Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer
Ano: 2007
País: EUA
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 92 minutos
Estúdio: 20th Century Fox e Marvel Studios
Realização: Tim Story
Argumento: Don Payne e Mark Frost
Elenco: Ioan Gruffudd (Reed Richards/Senhor Fantástico); Jessica Alba (Susan Storm/Mulher Invisível); Chris Evans (Johnny Storm/Tocha Humana); Michael Chiklis (Ben Grimm/O Coisa); Doug Jones (Norrin Radd/Surfista Prateado); Laurence Fishburne (voz do Surfista Prateado) e Julian MacMahon (Victor Von Doom/Doutor Destino)
Orçamento: 130 milhões de dólares
Receitas: 289 milhões de dólares

O premiado cartaz promocional de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado.
 
Produção: Em 2005, a primeira longa-metragem oficial do Quarteto Fantástico rendeu 300 milhões de dólares a nível mundial. Razão mais do que suficiente para, nesse mesmo ano, o cineasta Tim Story e o argumentista Mark Frost se sentarem à mesa para trocarem ideias sobre uma sequela. A eles juntou-se um segundo argumentista, Don Payne.  Os três deliberaram então que a história seria baseada na primeira aparição de Galactus nas páginas de Fantastic Four, bem como no arco de histórias em o Dr. Destino rouba os poderes ao Surfista Prateado. Outra referência para a conceção do argumento foi a série limitada Ultimate Extinction, integrada no Universo Marvel Ultimate.
       Provisoriamente intitulada Fantastic Four 2, era ponto assente que a sequela mostraria o famoso Fantastic-Car e daria maior destaque à personagem Alicia Masters. Já o anúncio da participação do Surfista Prateado na dupla qualidade herói/vilão, só foi feito em meados de 2006. A sua conceção resultou da combinação da interpretação de Doug Jones envergando um traje especial de cor prateada, com imagens geradas através de um sofisticado programa de computador.
       Em agosto de 2006, o projeto foi oficialmente renomeado de Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, tendo as filmagens arrancado no final desse mês em Vancouver, no Canadá. Foi igualmente definida a data de lançamento: 15 de junho de 2007.

Dois anos após a estreia do primeiro filme, o Quarteto Fantástico voltou ao cinema em 2007.
 
Enredo:  Enquanto Reed Richards e Susan Storm se afadigam nos preparativos para o seu casamento, um misterioso corpo celeste prateado penetra na atmosfera da Terra, abrindo uma enorme cratera ao atingir o solo. Na sequência desse evento, o  Exército norte-americano pede a Reed para identificar e monitorizar os movimentos do citado objeto. Perante o desagrado da noiva, que o acusa de negligenciar os preparativos do casamento em prol do trabalho, o líder do Quarteto Fantástico recusa inicialmente o pedido feito pelos militares. No entanto, constrói em segredo um radar que lhe permite rastrear o objeto.
        Em plena cerimónia do casamento, o dispositivo criado por Reed deteta a rápida aproximação do fenómeno em direção a Nova Iorque. Devido aos pulsos eletromagnéticos por ele emitidos, ocorre um blackout que deixa a Grande Maçã mergulhada na escuridão.

Reed e Susan veem o seu casamento interrompido pela chegada do Surfista Prateado.
 
        Johnny Storm - o Tocha Humana - voa em perseguição do objeto e descobre, para seu assombro, tratar-se de um humanoide montado numa prancha de surf. Ao tentar intercetar o Surfista Prateado, Johnny é arrastado por este até à estratosfera e deixado cair de seguida. Sem oxigénio para alimentar as suas labaredas, o Tocha Humana despenca desamparado em direção ao solo, conseguindo, contudo, inflamar-se no derradeiro instante, escapando assim a uma morte certa.
        Horas depois, Ben e Johnny trocam de poderes, o que leva Reed a deduzir que a exposição à radiação cósmica emanada pelo Surfista Prateado modificou a estrutura molecular do Tocha Humana, permitindo-lhe, por meio do toque, absorver as habilidades dos seus colegas de equipa.
        Rastreando os resíduos de energia cósmica deixados pelo Surfista Prateado, Reed constata que uma série de planetas visitados pela criatura foram destruídos.
        À medida que o Surfista Prateado abre gigantescas crateras em redor do globo, Reed calcula que Londres será o próximo alvo do alienígena. O Quarteto Fantástico ruma à capital britânica, mas não chega a tempo de evitar que o rio Tamisa seja drenado pela enorme cratera entretanto criada.

Surfista Prateado: herói ou vilão?

        Frustrados, Reed e Susan consideram desistir das identidades de Senhor Fantástico e Mulher Invisível para constituírem uma família e viverem uma vida normal.  O Surfista Prateado, entretanto, chega à Latvéria e, inadvertidamente, liberta Victor Von Doom do sarcófago metálico onde permanecera aprisionado nos últimos dois anos.  O Dr. Destino propõe então uma aliança ao alienígena, mas este rejeita-a. Após uma breve refrega entre ambos, o Surfista parte, deixando para trás o vilão cujo corpo mutilado foi miraculosamente curado pela exposição ao seu poder cósmico.
        O Dr. Destino oferece então os seus préstimos ao Exército americano, com quem firma um acordo. O Quarteto Fantástico vê-se dessa forma obrigado a trabalhar em conjunto com o seu arqui-inimigo. Concluindo que a prancha usada pelo Surfista Prateado é a sua fonte de poder, Reed concebe um pulso energético capaz de separar os dois. Enquanto isso, o Dr. Destino constrói uma máquina cujo propósito se recusa a revelar.
O Dr. Destino volta a aprontar no segundo filme do Quarteto.

        Algures na Floresta Negra alemã, a Mulher Invisível estabelece diálogo com o Surfista Prateado, acabando este por confidenciar-lhe o seu remorso pela destruição por ele causada, na sua condição de servo de uma entidade cósmica de incomensurável poder chamada Galactus. Aproveitando a distração da criatura, os militares abrem fogo e o Senhor Fantástico dispara o seu pulso energético. Separado da sua prancha, o Surfista é facilmente capturado e levado para um complexo militar secreto na Sibéria, onde é torturado pelos seus captores que tentam assim  obter informações sobre os desígnios de Galactus.
        Usando o dispositivo por ele criado, o Dr. Destino rouba a prancha do Surfista Prateado. Depois de este ser libertado pelo Quarteto Fantástico, os cinco confrontam o vilão em Xangai. No decurso da batalha, a Mulher Invisível é mortalmente ferida. Com o arauto de Galactus ainda enfraquecido, o Tocha Humana absorve os poderes dos companheiros para enfrentar um Dr. Destino agora dotado de poder cósmico.
        O Dr. Destino é derrotado e o Surfista reavê a sua prancha. Porém, Galactus chega à Terra e Susan morre nos braços do marido.

A ameaça de Galactus, o Devorador de Mundos.
         Com o seu poder restaurado, o Surfista Prateado ressuscita a Mulher Invisível e escolhe defender o nosso mundo do cruel destino que lhe foi traçado pelo seu mestre. A batalha que se segue culmina numa enorme explosão de energia que engolfa ambos. Quando o clarão se dissipa, Galactus e o seu arauto desapareceram sem deixar rasto.
        Dias depois, Reed e Susan casam no Japão. Johnny, após estar em contacto com a prancha do Surfista, recuperou a sua estabilidade molecular. A meio dos festejos, surge a notícia de que Veneza se está afundar no Adriático. A equipa parta de imediato para Itália.
        Numa cena após os créditos finais, o corpo inerte do Surfista Prateado flutua no vácuo espacial, aparentemente sem vida. Subitamente, os seus olhos abrem-se e a sua prancha voa ao seu encontro.
     
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=q1QYHMMX_v4
 
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Curiosidades:
* Na primeira versão do argumento, estava prevista a participação de Nick Fury (o diretor da agência governamental secreta S.H.I.E.L.D.), personagem entretanto substituída pelo General Hager;
* No filme, Susan Storm receia ter um filho que será alvo da curiosidade pública. Na banda desenhada original, ela e Reed têm um filho, Franklin Richards, dotado de poderes mutantes cuja verdadeira amplitude ainda está por descobrir;
* Para melhorar o desempenho de Michael Chiklis no papel de Coisa, foi produzido um novo conjunto de próteses. Estas não só eram mais fáceis de usar e remover, como lhe providenciavam melhor ventilação. Os modelos protéticos utilizados no primeiro filme demoravam seis horas a aplicar e eram extremamente desconfortáveis;
 

 
* Jessica Alba usou uma peruca loira, depois de o seu cabelo ter ficado maltratado com a coloração aplicada no primeiro filme;
* Já com as filmagens em curso, os produtores  estavam ainda indecisos quanto a dotar ou não o Surfista Prateado de voz. Entre os vários nomes cogitados para emprestar a voz ao herói cósmico estiveram os atores Gary Sinise e Timothy Olyphant. A escolha, porém, recaiu em Laurence Fishburne que, inicialmente, fora pensado para dar voz a Galactus;
* Por terem detestado a caracterização do Dr. Destino no primeiro filme, os produtores exigiram que ele ficasse oculto sob uma túnica com capuz em todas as cenas da sequela em que figurasse;
* Em tempos, o realizador Tim Story afirmara que jamais teria robôs gigantes nos seus filmes. Não será portanto alheia a este facto a opção de Galactus - normalmente retratado como um ser robótico de proporções colossais - surgir sob a forma de uma imensa nuvem cósmica.
 

Prémios e nomeações: Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado ganhou dois prémios em 2008: um Gold Trailer Award para o melhor cartaz promocional e um Kids Choice Award para melhor atriz atribuído a Jessica Alba. O filme recebeu ainda duas nomeações para os Razzie Awards (uma espécie de anti-Óscares que distinguem o que de pior se faz em Hollywood): uma na categoria de pior atriz (Jessica Alba) e outra na de pior casal (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), não tendo contudo saído vencedor em nenhuma delas.
 

Veredito: 35%

       Depois de ver Quarteto Fantástico, em 2005, interrompi de imediato os meus esforços no sentido de tentar encontrar na internet a versão integral do filme maldito de 1994 (aquele que a Marvel se arrependeu de ter autorizado e depois fez de conta que o mesmo nunca existiu). Ora, se uma adaptação oficial ao grande ecrã era atroz, nem queria imaginar quão má seria a oficiosa. Como não sou dado a esse tipo de exercícios masoquistas, escusei-me a descobrir.
        Em virtude desses dois antecedentes negativos, foi pois com baixíssimas expectativas que recebi este segundo filme do Quarteto. O que me poupou a maiores dissabores. Isto porque, apesar de estar uns furinhos acima do seu predecessor, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado tem desde logo  o demérito de arruinar uma das sagas mais emblemáticas e intemporais do Universo Marvel. 
        Aparentemente, o realizador Tim Story discordava desta minha apreciação. Motivo pelo qual pegou na história original - escrita pelo próprio Stan Lee - e decidiu adulterá-la (embora acreditasse porventura estar a melhorá-la), alterando a essência e os poderes de algumas personagens.
        Não sendo eu um "purista", daqueles que zurzem um filme que não retrata fielmente cada pormenor da banda desenhada em que se baseia, há limites para as alterações a introduzir. A meu ver, não encontro justificação para o facto de, na sua versão cinematográfica, o Surfista Prateado retirar o seu poder da sua prancha. Para quem não sabe (ou para os mais distraídos), nos quadradinhos o ex-arauto de Galactus pode voar e usar o seu poder cósmico mesmo quando separado da sua prancha. Esta serve apenas para lhe poupar o dispêndio extra de energia que voar implica. Para terem uma ideia do absurdo, seria como fazerem um filme do Super-Homem em que os seus poderes derivassem da capa.
        Não obstante estas nuances ridículas - a que se soma a ausência da componente filosófica que sempre caracterizou as histórias de um homem que imolou a própria liberdade para salvar o seu mundo - o Surfista Prateado é o que de melhor a película tem para oferecer. Cada movimento seu no ecrã é hipnotizante. Absolutamente delicioso também o pormenor de o seu corpo parecer pulsar de energia cósmica. Parece, no entanto, que orçamento para os efeitos especiais se terá esgotado na conceção desta personagem porque, por outro lado, a elasticidade do Sr. Fantástico afigura-se ainda mais inverosímel do que no primeiro filme. O mesmo se passando com os campos de força da Mulher Invisível e as labaredas do Tocha Humana (poupo-me a fazer qualquer referência à ignóbil caracterização do Coisa).
        Desagradou-me igualmente o registo cómico. Se o humor é fundamental neste género de filmes, quando em excesso, torna-se contraproducente e pode mesmo pôr em xeque a credibilidade da história.
         Outro dos aspetos negativos de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é a total ausência de química entre o casal de protagonistas (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), fazendo lembrar dois adolescentes tímidos a quem arranjaram um encontro às cegas. Pior só mesmo o insípido Julian MacMahon como Dr. Destino. Um inegável erro de casting, indigno de dar vida a um dos mais carismáticos vilões da banda desenhada.
        Resumindo, não sendo intragável Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado consegue entreter  sem contudo deslumbrar. Pouco ou nada acrescenta em relação ao seu predecessor. Diz o povo que à terceira é de vez mas, neste caso, esse aforismo não se concretizou. Na verdade, desperdiçou-se nova oportunidade de promover junto do grande público uma das melhores equipas de super-heróis dos comics. Acredito que, tal como eu, muitos fãs do Quarteto continuem a preferir as velhinhas séries animadas do grupo. Venha de lá o reboot!
 
       

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

HERÓIS EM AÇÃO: SURFISTA PRATEADO





    Para salvar o seu mundo da aniquilação, um homem sacrificou a própria liberdade. Com um coração puro e uma alma atormentada, o Surfista Prateado singra desde então pelo Cosmos como um arauto da justiça e da esperança.
 
 
Nome original: Silver Surfer
Primeira aparição: The Fantastic Four nº48 (março de 1966)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (história e arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Norrin Radd
Local de nascimento: Planeta Zenn-La
Parentes conhecidos: Jartran e Elmar Radd (pais falecidos), Fennan Radd (meio-irmão presumivelmente falecido)
Filiação: Ex-arauto de Galactus, ex-membro do Trio Titânico, dos Defensores, dos Defensores Secretos e dos Mestres das Estrelas
Base de operações: Todo o Universo conhecido
Armas, poderes e habilidades: Um dos mais poderosos (e trágicos) seres do Universo, o Surfista Prateado possui força, velocidade e resistência sobre-humanas, bem como a capacidade de absorver e manipular vários tipos de energia. Com a ajuda da sua prancha - que mesmo quando fisicamente separada do seu usuário, obedece aos seus comandos telepáticos- o herói consegue viajar no hiperespaço e até no fluxo temporal.
       Dotado de perceção cósmica, o Surfista Prateado, que também já ocasionalmente evidenciou habilidades telepáticas, consegue detetar objetos e fenómenos energéticos a anos-luz de distância. Da mesma forma que uma só rajada do seu poder cósmico pode obliterar planetas inteiros, o ex-arauto de Galactus pode usar esse poder para curar organismos vivos à escala planetária (sem contudo conseguir reviver os mortos).
       Somam-se a estas fabulosas habilidades o seu conhecimento da avançada tecnologia de Zenn-La, uma vez que Norrin Radd era um promissor cientista no seu mundo natal.

O Surfista Prateado é um dos seres mais poderosos do Universo.
 
História de publicação: Em março de 1966, no 48º número do título Fantastic Four, o Surfista Prateado foi apresentado ao mundo de forma quase fortuita. Stan Lee (argumentista e editor da Casa das Ideias) e Jack Kirby (cuja arte era uma das principais referências da editora) haviam desenvolvido em conjunto o chamado Método Marvel. Este consistia em discutir ideias para histórias, cabendo depois a Kirby desenhar uma sinopse das mesmas. Finda esta etapa, Stan incluiria os diálogos e restante texto. Sucede que, contrariando os preceitos da referida metodologia, Kirby, à revelia do seu parceiro criativo, resolveu adicionar uma nova personagem ao argumento previamente aprovado por ambos.


Fantastic Four nº48 (1966) foi onde debutou o Surfista Prateado, na sua qualidade de arauto de Galactus.

       A este propósito, Stan Lee declarou o seguinte em 1995: "Para minha grande surpresa, a meio de uma história que tínhamos discutido detalhadamente, surgia um louco montado numa prancha voadora. Pensei para os meus botões que o Jack fora longe demais dessa vez." Kirby explicou então que incluíra a misteriosa personagem por considerar que o antagonista principal - Galactus - precisaria de uma espécie de arauto que anunciasse o seu advento aos planetas que escolhera devorar, e também porque, segundo ele, estava cansado de desenhar naves espaciais.
       Sensibilizado pelo caráter nobre da neófita personagem - que se rebelou contra o seu mestre a fim de defender a Terra - Stan Lee conferiu-lhe maior densidade emocional e psicológica, tornando-a dessa forma um elemento-chave nos capítulos subsequentes do enredo.
       Após a primeira aparição do Surfista Prateado - e face à reação positiva dos leitores -, Lee e Kirby acordaram em conceder-lhe o estatuto de coadjuvante nas histórias do Quarteto Fantástico. Facto que conduziria, em 1968, à sua estreia numa história a solo em Fantastic Four Annual nº5.
       No ano seguinte, a Marvel lançou o novíssimo título The Silver Surfer, com os argumentos ainda a cargo de Stan Lee e com John Buscema a assumir a respetiva arte nos dezassete primeiros números (Jack Kirby desenharia o 18º e derradeiro número da série). Com o cancelamento de Silver Surfer, o herói cósmico passou a fazer aparições pontuais noutros títulos da editora, como Thor, The Defenders e, claro, Fantastic Four.

Em 1969, o Surfista Prateado ganhou um título próprio.
 
      Na esteira de um arco de histórias produzido por John Byrne em 1982, o Surfista Prateado recuperou alguma da relevância perdida. Só voltaria, ainda assim, a dispor de um título próprio volvidos cinco anos.
      Já neste século, mais precisamente em 2007, o herói cósmico estrelou uma muito elogiada minissérie em quatro volumes -  Silver Surfer: Requiem - escrita por J. Michael Straczynski e com arte de Esad Ribic. O primeiro número foi lançado em 30 de maio de 2007, de molde a coincidir com a primeira aparição cinematográfica da personagem em Fantastic Four: The Rise of The Silver Surfer. Na história, o Surfista Prateado descobria estar a morrer em virtude da deterioração da camada prateada que reveste o seu corpo.
      No âmbito da arrojada revolução editorial levada a cabo recentemente pela Casa das Ideias, foi anunciado o lançamento, com data prevista para março deste ano, de uma nova série protagonizada pelo ex-arauto de Galactus. Escrita por Dan Slott e ilustrada por Mike Allred, constituirá uma das mais fortes apostas do projeto All-New Marvel NOW! (batizado Nova Marvel pela Panini brasileira).

2014 marcará o regresso do Surfista Prateado à ribalta graças ao projeto editorial Nova Marvel.

Biografia: No utópico planeta Zenn-La, localizado no sistema estelar Deneb na orla da Via Láctea, florescia uma civilização próspera e pacífica. Norrin Radd era um jovem e promissor cientista inconformado com a letargia em que mergulhara o seu povo, que  outrora explorara os confins do Cosmos.
      A vida de Norrin mudaria para sempre no dia em que ele e os seus compatriotas testemunharam a chegada de Galactus, O Devorador de Mundos ao seu planeta. Perante a ameaça de aniquilação de Zenn-La, Norrin persuadiu o Conselho Científico a providenciar-lhe uma nave que o levasse ao encontro do gigantesco invasor. Intrépido, Norrin confrontou Galactus e propôs-lhe uma troca: se o Devorador de Mundos poupasse Zenn-La e seus habitantes, ele aceitaria ser seu arauto e comprometer-se-ia a buscar outros mundos para servirem de alimento a Galactus. Este aceita a proposta de Norrin e banha-o com uma ínfima porção do seu poder cósmico, transformando-o no Surfista Prateado.

Para salvar o seu povo, Norrin Radd sacrificou a sua liberdade e aceitou servir Galactus.

      Norrin tencionava conduzir o seu novo mestre apenas a planetas desabitados, mas, prevenindo essa situação, Galactus manipulou a alma do seu arauto. Por um período indeterminado de tempo, o Surfista Prateado serviu lealmente o Devorador de Mundos. Até ao dia em que descobriu a Terra, onde travou conhecimento com o Quarteto Fantástico e com Alicia Masters, a escultora cega namorada do Coisa. Sensibilizado pela nobreza de caráter deles, Norrin rebelou-se contra Galactus. Este acabou por ser repelido para longe da Terra, não sem antes criar uma barreira invisível em redor do nosso planeta para assim confinar o seu ex-servo, como castigo pela sua traição. A citada barreira tinha ainda a particularidade de afetar apenas o Surfista.
      Ao longo do seu exílio entre os humanos, o Surfista Prateado defrontou diversos supervilões, com o Doutor Destino - que cobiçava o poder cósmico do herói - a presidir à extensa lista. Nela figurava também Mefisto, que desejava a alma do ex-arauto de Galactus.
      Reunindo-se ocasionalmente ao Hulk e ao Príncipe Submarino, o Surfista Prateado atuou em conjunto com este heróis num grupo inicialmente denominado Titans Three  (Trio Titânico), ao qual se juntaria depois o Doutor Estranho, dando assim origem aos Defensores.

O Surfista Prateado em ação com os Defensores.

      Com o auxílio de Reed Richards, o amargurado herói logrou finalmente romper a barreira invisível de Galactus e deixar a Terra rumo às estrelas. Apenas para descobrir que Zenn-La fora devastado pelo Devorador de Mundos e que a sua amada Shalla-Bal fora feita prisioneira por Mefisto e levada para a Terra.
      Mesmo sabendo que isso significaria ficar novamente aprisionado no nosso planeta, Norrin regressou à Terra para resgatar das garras do demónio a mulher que amava. Pressentindo a derrota iminente, Mefisto enviou Shalla-Bal de volta a Zenn-La, onde o herói cósmico não a poderia alcançar. No entanto, o Surfista Prateado conseguiu, in extremis, transmitir uma parcela do seu poder cósmico à jovem, para que esta a usasse para revitalizar o seu mundo natal.

De volta à Terra, o Surfista Prateado enfrentou Mefisto para resgatar a sua amada Shalla-Bal.

       Após ajudar o Quarteto Fantástico a derrotar o mais recente arauto de Galactus - o terrível Terrax - o Surfista Prateado conseguiu por fim atravessar a barreira invisível que o impedia de regressar às estrelas, seguindo a sugestão do Coisa de o fazer a bordo de uma espaçonave em vez de usar a sua prancha. Conseguiu também obter o perdão do seu antigo mestre ao salvar a vida de Nova, outra das arautas ao serviço do Devorador de Mundos.
       Terminado o seu longo exílio, logo o herói alienígena singrou a vastidão sideral até Zenn-La. Mas, uma vez mais, o destino pregou-lhe uma cruel partida: na sua ausência, Shalla-Bal fora coroada Imperadora, pelo que seria impossível reatarem o seu romance.
       De coração partido, o Surfista Prateado passo a vaguear pelo Universo, enfrentando ameaças cósmicas como Thanos, Ego, O Planeta Vivo, Nebula e muitos outros seres de enorme poder e ainda maior perversidade. De tempos a tempos viaja até à Terra onde encontra consolo nos braços de Alicia Masters.

 
 
 
Noutros media: Em 2011, o site IGN colocou o Surfista Prateado no 41º lugar da sua lista dos 100 Melhores Heróis dos Quadradinhos. Na televisão, a sua estreia ocorreu num episódio da série animada produzida pela Hanna-Barbera, Fantastic Four (cuja vintena de episódios foi exibida pelo canal norte-americano ABC entre 1967 e 1970). A que se seguiram várias participações noutras séries animadas da Marvel, como The Marvel Action Hour (1994). Em 1998 chegou mesmo a estrelar uma série própria transmitida pela Fox e com a particularidade de recuperar a estética introduzida décadas antes por Jack Kirby.
 
São notórias as influências de Jack Kirby na estética da série animada Silver Surfer (1998).
 
        Ao grande ecrã, o herói cósmico chegou em 2007 com Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, o segundo filme do Quarteto Fantástico. Laurence Fishburne emprestou a voz à personagem cabendo a Doug Jones dar-lhe corpo nas cenas em que não era reproduzida digitalmente. Nesse mesmo ano, J. Michael Straczynski foi contratado pela Fox para escrever o guião de um spin-off. Straczynski adiantou que se trataria de uma sequela que abordaria também as origens do Surfista Prateado. O projeto, porém, nunca veria a luz do dia.
 
Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007) marcou a estreia cinematográfica do herói cósmico.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

GALERIA DE VILÕES: DENTES-DE-SABRE




 
       Arquirrival de Wolverine, com quem tem uma ligação obscura, Dentes-de-sabre começou por ser oponente de outro famoso super-herói. Também nem sempre foi mutante. Porém, ontem como hoje, trata-se de um impiedoso assassino de sangue frio.


Nome original: Sabretooth
Criadores: Chris Claremont (história) e John Byrne (arte)
Primeira aparição: Iron Fist nº14 ( agosto de1977)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Victor Creed
Local de nascimento: Desconhecido
Parentes conhecidos: Zebadiah Creed (pai falecido), mãe não identificada e Graydon Creed (filho falecido)
Filiação: Ex-membro da Arma X, Irmandade dos Mutantes, X-Men e X-Factor
Base de operações: Móvel
Armas, poderes e habilidades: Dentes-de-sabre possui poderes similares aos de Wolverine: agilidade e resistência sobre-humanas, sentidos superaguçados e autorregeneração acelerada. Embora consiga curar ferimentos letais em questão de minutos, esta sua habilidade é ligeiramente inferior à do Wolverine. É, ainda assim, suficiente para o tornar virtualmente imune a um amplo espectro de toxinas, bactérias e vírus, além de retardar consideravelmente o seu envelhecimento.
      Dentes-de-sabre é igualmente dotado de força amplificada, derivada tanto da sua mutação genética como da bioengenharia executada pelo projeto Arma X. Recentemente, o seu esqueleto foi revestido com adamantium, o metal indestrutível usado para o mesmo efeito em Wolverine, décadas atrás.
      Treinado pela CIA, Arma X  e pelo misterioso Estrangeiro, Dente-de-sabre é um formidável lutador corpo a corpo, bem como um exímio caçador e rastreador.
      O seu nome deriva do tigre dentes-de-sabre, um felino pré-histórico que possuía garras e presas afiadas como lâminas, características que faziam dele um temível predador. Com efeito, Dentes-de-sabre possui garras retráteis em cada um dos dedos. As quais, inicialmente, lhe permitiam cortar facilmente madeira, ossos e pedras. Com o recente revestimento de adamantium, as suas garras tornaram-se não só indestrutíveis como capazes de cortar qualquer material sólido, que não o próprio metal que as recobre.
 
Tal como o felino que lhe dá nome, Dentes-de-sabre é um predador implacável.
 
História de publicação: Remonta a agosto de 1977 a primeira aparição de Dentes-de-sabre, nas páginas de Iron Fist nº14. Idealizado pela dupla Chris Claremont e John Byrne, foi originalmente introduzido como antagonista recorrente nas histórias do Punho de Ferro. Não tardou porém a tornar-se um dos vilões mais polivalentes da Marvel, condição que lhe valeu diversos confrontos com outros heróis da editora, nomeadamente com o Homem-Aranha.
 
Na sua estreia em Iron Fist nº14 (1977), Dentes-de-sabre não era um mutante.
 
       A personagem ganhou proeminência quando Chris Claremont o converteu num adversário dos X-Men durante a saga Mutant Massacre ( O Massacre dos Mutantes), lançada nos EUA em 1986. Daí em diante, tornou-se um arqui-inimigo do Wolverine, granjeando dessa forma uma crescente popularidade, que se traduziu em várias minisséries e edições especiais protagonizadas pelo vilão.
       Chris Claremont, ao introduzir Dentes-de-sabre na mitologia dos X-Men, partiu da premissa de que o vilão seria filho de Wolverine. Facto que seria ulteriormente desmentido por outros argumentistas. Em 2009, no entanto, na série X-Men Forever, Claremont reciclou essa ideia, numa realidade divergente onde Dentes-de-sabre era agora apresentado como sendo o pai de Wolverine. Era igualmente sugerido que o Dentes-de-sabre que vinha infernizando a vida aos pupilos de Charles Xavier era na realidade um clone produzido pelo Senhor Sinistro.
       Na sequência destes eventos, o vilão juntou-se temporariamente aos X-Men, os quais acabaria por atraiçoar.
 
Wolverine e Dentes-de-sabre: separados à nascença, unidos pelo ódio.

Biografia: Pouco se sabe sobre os primeiros anos de vida de Victor Creed (este poderá nem ser o seu nome verdadeiro). Muitas das suas memórias poderão, com efeito, ter sido implantadas pelo projeto Arma X. Acredita-se contudo que Victor terá sido brutalizado pelo seu pai, desgostoso com a natureza mutante do filho.  Além dos espancamento recorrentes às mãos do progenitor, o garoto era muitas vezes trancado numa cave escura onde permanecia por largas temporadas. Apesar das suas súplicas, a mãe nunca o libertou. O pai, por sua vez, arrancava-lhe os caninos salientes, os quais invariavelmente tornavam a crescer. Após anos de suplício, Victor conseguiu escapar e assassinou os seus pais.
       Em meados da primeira década do século XX, já adulto, Victor assumiu a identidade de Dentes-de-sabre. No seio da pequena comunidade fronteiriça canadiana onde vivia, ganhou uma sanguinolenta reputação. Todos o temiam. Exceto um jovem chamado Logan, detentor de habilidades mutantes similares às de Victor e com um passado ainda mais nebuloso.
       Invejando a ligação amorosa entre Logan e uma jovem índia de seu nome Raposa Prateada, certa vez Victor agrediu a rapariga, violou-a e deixou-a para morrer na neve. Era o dia de aniversário de Logan. Este episódio marcou assim o início de uma macabra tradição: todos os anos, no dia de aniversário de Logan, Dentes-de-sabre rastreia-o com o intuito de o enfrentar em encarniçadas refregas.
      Sem que Logan ou Victor o soubessem, Raposa Prateada sobrevivera ao brutal ataque e abandonara em segredo a comunidade.
 
Ao contrário de Wolverine, Dentes-de-sabre nunca tentou controlar os seus instintos animais.
 
      Permanecem difusas as atividades de Dentes-de-sabre até aos primeiros anos da década de 1960 quando reapareceu, agora integrando a Team X, uma unidade especial criada pela CIA no âmbito do projeto Arma X. Além de Logan - agora conhecido como Wolverine - Victor reencontrou a Raposa Prateada, apesar de nenhum dos três se recordar das suas vivências passadas devido às falsas memórias implantadas por um telepata ao serviço do projeto Arma X. Todavia, havia uma animosidade latente entre Dentes-de-sabre e Wolverine.
       Durante uma missão em Berlim Oriental em meados da década de 1960, Dentes-de-sabre envolveu-se romanticamente com Leni Zauber, uma operacional de outra agência governamental secreta. Sem que Dentes-de-sabre o soubesse, Zauber era na realidade a mutante transmorfa Mística. O casal permaneceu junto ao longo de meses, até que Dentes-de-sabre teve de regressar para a Team X. Quando esta foi desmantelada, Dentes-de-sabre encetou uma carreira de mercenário e assassino de aluguer, granjeando uma reputação a nível mundial. Pelo meio, tornou-se pupilo do enigmático Estrangeiro, mentor da liga de assassinos conhecida como Clube 1400 e um dos poucos homens que o vilão respeita.
       Pouco tempo depois, Dentes-de-sabre foi novamente seduzido e manipulado por Mística. Desse novo relacionamento resultou a gravidez da ex-integrante da Irmandade dos Mutantes. Contudo, o bebé nasceu desprovido do gene X (sem qualquer potencial mutante) e foi abandonado pela mãe. Anos depois, Graydon Creed, o filho rejeitado, tornar-se-ia num feroz ativista antimutante e candidato à presidência dos EUA.
       Já atuando como um supervilão em parceria com o Constritor, Dentes-de-sabre defrontou em várias ocasiões o Punho de Ferro e os seus aliados. Foi por esta altura que Dentes-de-sabre começou a caçar e matar pessoas apenas por prazer.
       Desfeita a parceria com o Constritor, Dentes-de-sabre é recrutado por Gambit, um charmoso ladrão francês que viria a ser um X-Man, para integrar um bando de mutantes renegados conhecidos como Saqueadores. Sob as ordens do Senhor Sinistro, os Saqueadores chacinaram os Morlocks, a comunidade mutante que habitava os subterrâneos de Nova Iorque. Evento que ficou conhecido como Massacre dos Mutantes.
       Anos depois, Dentes-de-sabre é recrutado à força para o renovado projeto Arma X. É por essa altura que tem o seu esqueleto revestido com adamantium e a sua força amplificada. Usa de seguida essas modificações para escapar do Arma X e retomar a sua carreira a solo. No entanto, ele ocasionalmente trabalha em equipa. Um bom exemplo disso foi quando aceitou fazer parte da nova Irmandade dos Mutantes que atacou o Instituto Xavier para Jovens Sobredotados, lar dos X-Men.
       O que se sempre permaneceu inalterada foi a sua inimizade com Wolverine. Os dois já de duelaram um sem número de vezes. Porém, ao contrário do X-Man, Dentes-de-sabre jamais se preocupou em tentar controlar o seu lado animalesco. Ao invés disso, o seu comportamento assemelha-se cada vez mais ao de uma fera assassina de sangue frio.

Foi a partir da saga O Massacre dos Mutantes que Dentes-de-sabre se tornou inimigo figadal dos X-Men (em particular de Wolverine).
 
Noutros media: Em 2008, a revista Wizard (especializada em comics e seus derivados) colocou Dentes-de-sabre na 193ª posição da sua lista das 200 melhores personagens dos quadradinhos de todos os tempos. No ano seguinte, foi a vez de o site IGN lhe atribuir o 44º lugar no seu ranking dos 100 Melhores Vilões dos Quadradinhos.
        Em algumas versões apresentadas noutros media, Dentes-de-sabre surge frequentemente como um aliado ou subalterno de Magneto. Exemplo disso é o primeiro filme dos X-Men, realizado em 2000 por Bryan Singer. Interpretado pelo ex-lutador Tyler Mane, o vilão integra a Irmandade dos Mutantes liderada pelo mestre do magnetismo. Nos quadradinhos, porém, os dois nunca apreciaram a companhia um do outro.
 
Tyler Mane como Dentes-de-sabre em X-Men (2000).
 
       Tendo marcado presença em diversas séries animadas e videojogos produzidos pela Marvel, foi contudo graças às suas aparições cinematográficas que Dentes-de-sabre ganhou maior notoriedade. Em 2009, agora interpretado por Liev Schreiber, teve um papel preponderante no spin-off  X-Men Origins: Wolverine. O filme tem a particularidade de o retratar como meio-irmão de Logan, tendo ambos combatido lado a lado na Guerra Civil americana, nas duas Guerras Mundiais e na Guerra do Vietname.
       
Liev Schreiber deu vida a um Dentes-de-sabre menos animalesco, porém igualmente feroz ,no primeiro filme a solo de Wolverine.