segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

GALERIA DE VILÕES: ABOMINÁVEL




      Produto da mesma radiação gama que transformou Bruce Banner no Incrível Hulk, pela sua força titânica, o Abominável é um dos raros seres à face da terra capaz de lutar de igual para igual com o Golias Esmeralda. Razão pela qual é um dos mais temidos vilões do Universo Marvel.


Nome original: Abomination
Primeira aparição: Tales to Astonish nº90 (abril de 1967)
Criadores: Stan Lee (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Emil Blonsky
Local de nascimento: Zagreb, Croácia
Parentes conhecidos: Nadia Dornova Blonsky (ex-esposa)
Filiação: Aliado das Abominações e dos Esquecidos; antigo parceiro de MODOK e Rhino.
Base de operações: Móvel
Armas, poderes e habilidades: Apesar de possuir vários poderes em comum com o Hulk, por ter sido exposto a uma dose superior de radiação gama, o Abominável tem algumas dessas habilidades amplificadas, além de características próprias.

*Superforça: O Abominável consegue facilmente atingir as cem toneladas de força (equivalente ao nível máximo de força estimado do Hulk). No entanto, contrariamente ao Golias Esmeralda, a força do vilão não oscila em função das emoções, mantendo-se portanto inalterada. Outra diferença reside no porte de ambos. Os 2,5 metros de altura e os 612 quilos de peso do Abominável suplantam os 2,28m e os 471 kg do Gigante Verde.
      Fazendo-se a comparação da força bruta de ambos, constata-se que, quando o Hulk não está enfurecido, o Abominável é duas vezes mais forte do que ele. Acresce o facto de Emil Blonsky, enquanto espião do KGB, ter recebido treino militar, sendo por isso um excelente lutador;
* Irreversibilidade da transformação: Outra grande diferença passa pela incapacidade de Emil Blonsky reverter ao estado humano, por contraponto ao que sucede com Bruce Banner quando o Hulk se acalma. Mais um efeito colateral da sobredosagem de radiação gama a que o vilão foi exposto;
*Resistência física sobre-humana: Dotado de um organismo modificado e de características reptilianas, o corpo do Abominável é blindado por escamas, razão pela qual consegue resistir a temperaturas extremas e a baixos índices de oxigénio (é inclusivamente capaz de respirar debaixo de água, algo que o Hulk não consegue fazer);
*Regeneração celular espontânea: O Abominável possui um dos mais rápidos e impressionantes fatores de cura do Universo Marvel, apenas superado pelo do próprio Hulk. Ao contrário deste, o monstro pode eventualmente sofrer lesões. Quando atingido mortalmente, o Abominável mergulha num estado de animação suspensa enquanto o seu organismo se regenera;
*Intelecto: Esta é, com efeito, a maior vantagem que o Abominável possui sobre o Golias Esmeralda. Uma vez transformado na sua contraparte monstruosa, Emil Blonsky - contrariamente a Bruce Banner - preservou a sua capacidade de raciocínio.

Tales to Astonsih nº90 (antigo título conjunto do Hulk e do Príncipe Submarino) foi onde onde debutou o Abominável.

Histórico de publicação: Stan Lee escolheu o nome Abominável ("Abomination", no original) antes mesmo de idealizar a sua aparência e motivações ao constatar que nenhuma outra personagem fora ainda assim denominada. Para a sua conceção, Lee limitou-se a pedir a Gil Kane que desenhasse um vilão maior e mais forte do que Hulk, de modo a que os confrontos entre ambos fossem "divertidos".
      Em plena Guerra Fria, para alter ego da criatura Lee escolheu um espião jugoslavo ao serviço do KGB, que procurava replicar a mutação ocorrida em Bruce Banner após ter sido colhido anos antes no âmago de uma explosão nuclear.  Para isso, Emil socorreu-se de uma máquina que o amargurado cientista planeava usar para se suicidar.
      Na sua primeira aparição em Tales to Astonish nº90 (1967), o Abominável é retratado como um humanoide de grande envergadura dono de uma força duas vezes superior à do Golias Esmeralda. Satisfazendo o pedido de Stan Lee, a neófita personagem derrota o Hulk na primeira batalha entre ambos.

A aparência primitiva do Abominável.

      Desde então, o vilão tem figurado numa plêiade de títulos do Universo Marvel. Gradualmente passou de mera personificação da força bruta a mestre do crime e a alma torturada. Manteve contudo intocável o seu estatuto de um dos mais proeminentes vilões da Casa das Ideias.

Hulk versus Abominável: titãs em fúria.

Biografia: Emil Blonsky, um ex-operacional do KGB de origem jugoslava, tentou emular em si os efeitos da radiação gama. Cumprindo uma missão de espionagem encomendada pelos soviéticos, descobriu uma máquina projetada pelo cientista Bruce Banner (o Hulk) e expôs-se deliberadamente à mesma radiação que originara o Gigante Verde. Desconhecia, porém, que o aparelho em questão fora concebido pelo atormentado cientista para pôr termo à própria vida e à maldição do Hulk.
        Aparentemente, a dose de radiação recebida por Blonsky foi muito maior do que aquela que atingira Banner anos antes. Em consequência desse facto, o seu efeito sobre Blonsky assumiu caráter irreversível.
        Além disso, as alterações no corpo de Blonsky deixaram-no com características ainda menos humanas do que Banner, quando transformado no Hulk. Enquanto este conservou o seu cabelo (embora com um tom esverdeado), bem como a totalidade dos dedos das mãos e dos pés, Blonsky ficou com o corpo recoberto de escamas ultrarresistentes (inclusive onde outrora se localizava o seu couro cabeludo), tem apenas dois dedos em cada pé e as suas orelhas adquiriram o formato de guelras.
        Adotando o nome de Abominável, Blonsky afastou-se da sua esposa Nadia, temendo a sua reação ao vê-lo naquele estado.

Nas suas versões mais recentes, o Abominável ganhou um aspeto ainda mais hediondo.

       O ódio do Abominável pelo Golias Esmeralda foi aumentando com o tempo, na exata medida em que culpava Bruce Banner pela sua transformação. Acrescia a isto o facto de Banner ter conseguido, malgrado o seu infortúnio, casar-se com Betty Ross e manter as pessoas que o amavam à sua volta, ao passo que Emil Blonsky, após a sua grotesca mutação, perdeu todos os que lhe eram queridos. Fruto desse rancor, Blonsky chegou mesmo a envenenar Betty, matando-a.
    O Hulk e o Abominável já se enfrentaram vezes sem conta, em duelos titânicos que invariavelmente deixam um rasto de destruição e morte, saindo o Golias Esmeralda vencedor em algumas dessas ocasiões e o seu rival noutras.
        

A força destruidora do Abominável em ação.
 
Noutros media: Apenas em 1996 o Abominável se estreou fora dos quadradinhos, mais precisamente em alguns episódios avulsos da série de animação The Incredible Hulk.
       Assemelhando-se a um réptil gigante de aspeto escamoso, o vilão, por contraponto à sua versão da banda desenhada, era ainda mais irracional do que o Gigante Verde. Com o Gárgula e a Ogra formou os Guerreiros Gama do Líder (outro dos inimigos jurados do Hulk, também ele um subproduto da radiação gama).
       Seguiram-se participações esporádicas em outras séries do género produzidas sob a chancela da Marvel, como The Super Hero Squad Show (2009-2011), The Avengers: Earth's Mightiest Heroes (2010-2013)  e  Hulk and the agents of S.M.A.S.H. (estreada em 2013 e ainda em exibição nos EUA).
       Antes, porém, no filme de 2008 O Incrível Hulk, já o vilão se celebrizara junto do grande público.  Coube a Tim Roth interpretar o seu alter ego humano, emprestando também a voz ao Abominável, criado digitalmente. Nesta versão, Emil Blonsky é um capitão dos fuzileiros navais britânicos nascido na Rússia que oferece os seus préstimos ao Exército dos EUA para ajudar a recapturar o Hulk.
      Obecado em obter um nível de poder semelhante ao do Golias Esmeralda, Blonsky voluntaria-se para servir de cobaia num experimento científico que consiste na inoculação de um soro derivado da fórmula do supersoldado (que esteve na origem do Capitão América) combinado com radiação gama. Em resultado disso, transforma-se no infame Abominável.



Em 2008, o Abominável foi o antagonista escolhido para o Golias Esmeralda em O Incrível Hulk.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

HEROÍNAS EM AÇÃO: SUPERGIRL



 
      Kara Zor-El, a Supergirl original, é prima do Super-Homem e, tal como ele, uma das derradeiras sobreviventes de Krypton. Criada para ser uma contraparte feminina do Homem de Aço, foi reinventada vezes sem conta - e até eliminada. Na suas versões mais recentes, ganhou densidade e poder.
 
Nome original: Supergirl (durante décadas foi conhecida como Supermoça nos países lusófonos em virtude da tradução brasileira)
Primeira aparição: Action Comics nº252 (maio de 1959)
Criadores: Otto Binder (história) e Al Plastino (arte)
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Kara Zor-El (nome original kryptoniano) e Linda Lee/Danvers (identidades terrestres adotadas nos seus primórdios e suprimidas nas suas versões pós-Crise nas Infinitas Terras)
Local de nascimento: Argo City, Krypton
Parentes conhecidos: Zor-El e Alura (pais), Jor-El e Lara (tios falecidos) e Kal-El (primo)
Base de operações: Terra e Kandor
Filiação: Liga da Justiça e Legião dos Super-Heróis (na sua versão pré-Crise)
Armas, poderes e habilidades: Decorrente da sua fisiologia kryptoniana, quando exposta à radiação de um sol amarelo, a Supergirl detém poderes em tudo idênticos aos do Homem de Aço. A saber: invulnerabilidade, voo, superforça, supervelocidade, visão de calor, visão de raios X, visão microscópica, visão telescópica, superaudição e supersopro.
      Se na sua versão primitiva a Rapariga de Aço era claramente menos poderosa do que o seu primo, nas suas versões mais recentes - em que é retratada como uma intempestiva adolescente com cerca de 16 anos -  sugere-se que o seu nível de poder, ainda não completamente desenvolvido, poderá superar o do próprio Super-Homem.
Fraquezas: Uma exposição prolongada a kriptonita (fragmentos radioativos do seu mundo natal) pode ser-lhe fatal. É também vulnerável à magia.


A chegada à Terra da Supergirl em Action Comics nº252 (1959).

Predecessoras: Desde meados da década de 1940 que surgiram nas histórias do Homem de Aço vários protótipos de contrapartes femininas do herói. A reação positiva dos leitores a estas personagens ditaria, em 1959, a criação da Supergirl. Eis a lista das suas predecessoras:

*Lois Lane/Superwoman: Publicada em Action Comics nº60 (maio de 1943), a história Lois Lane - Superwoman deu a conhecer a primeira versão feminina do Super-Homem. Nela, a intrépida repórter do Planeta Diário e eterna namorada do Homem de Aço é hospitalizada na sequência de um acidente e é salva por uma transfusão sanguínea do herói kryptoniano, ganhando assim superpoderes similares aos dele. Adotanto uma variante do uniforme do Super-Homem, Lois assume a identidade de Superwoman e inicia uma carreira autónoma de combate ao crime.
     Várias outras histórias em que Lois Lane adquiria superpoderes foram sendo lançadas ulteriormente. Numa delas, publicada em maio de 1951, nas páginas de Action Comics nº156, ela opta por usar uma peruca loira com vista a ocultar a sua verdadeira identidade, adereço que lhe conferia uma aparência muito próxima da Surpergirl clássica.
*Rainha Lucy/Super-Girl: Em Superboy nº5 (novembro/dezembro de 1949), numa história intitulada Superboy Meets Supergirl, o jovem herói trava conhecimento com a rainha Lucy da fictícia nação sul-americana de Borgónia. Lucy é uma atleta excecional dotada de uma inteligência superior que, farta dos seus deveres de monarca, viaja até Smallville onde conhece o Superboy, a quem rapidamente arrebata o coração.
       Num concurso onde a jovem participa, Superboy usa secretamente os seus poderes para fazer crer ao público que Lucy possui habilidades meta-humanas. Facto que vale à jovem a alcunha de Super-Girl. Nesta sua identidade, Lucy usa um vestido com um S estilizado e uma capa castanha.
*Claire Kent: Em Claire Kent, Alias Super-Sister, história publicada em Superboy nº78, o Superboy salva a vida a uma alienígena chamada Shar-La, cuja espaçonave se despenhara na Terra. No entanto, o Rapaz de Aço ridiculariza o acidente e, agastada, Shar-La transforma-o numa rapariga.
       De volta a Smallville, o Superboy vê-se obrigado a criar um novo alter ego: Claire Kent, apresentada como uma parente distante de visita à cidade. Quando assume a sua identidade heroica, a jovem apresenta-se como sendo a irmã do Superboy. Este acaba todavia por descobrir que tudo não passara de uma ilusão criada por Shar-La como castigo pelo desrespeito manifestado por Superboy em relação às mulheres.
*Super-Girl: Em agosto de  1958 (menos de um ano antes da criação oficial da Supergirl), numa história publicada em Superman nº123,Jimmy Olsen (o fotógrafo do Planeta Diário amigo de Clark Kent e do Super-Homem) usa um totem mágico para desejar uma parceira feminina para o Homem de Aço. Nasce assim a Super-Girl.
       Não obstante essa personagem ter morrido no final da citada história, a DC usou-a para testar a reação dos leitores à eventual introdução de uma contraparte feminina do Homem de Aço.  Para isso, apresentou a Super-Girl como uma jovem loira trajando um uniforme muito similar ao do Super-Homem. Contudo, em reedições posteriores da história, a Super-Girl tornou-se ruiva e passou a usar uma indumentária castanha e verde, de molde a evitar confusões com a verdadeira Supergirl.

A Super-Girl introduzida em Superman nº123 serviu de teste antes do lançamento de uma nova contraparte feminina do Homem de Aço.

 
A evolução do mito: Oficialmente introduzida na mitologia da DC em 1959, Kara Zor-El foi a primeira e mais famosa Supergirl. No entanto, várias outras personagens assumiram o seu manto ao longo das décadas.
       Depois de ao longo de muitos anos a coadjuvar o Homem de Aço em Superman e Action Comics, a heroína kryptoniana ganhou um título próprio em 1972, o qual foi publicado durante os dois anos subsequentes. Seguiu-se, entre 1982 e 1984, nova série mensal, The Daring New Adventures of Supergirl.
      Em virtude da mudança de política editorial da DC, a Supergirl foi morta em 1985, no âmbito da saga Crise nas Infinitas Terras, que abriu caminho ao relançamento do universo da Editora das Lendas. Convencionou-se então que o Super-Homem seria doravante o único sobrevivente de Krypton, facto que levou à supressão da Supergirl da renovada mitologia da DC.

A morte da Supergirl foi um dos momentos mais trágicos da história dos comics.
 
     Nada que impedisse, porém, que nos anos que se seguiram surgisse uma profusão de personagens que adotaram a identidade de Supergirl, embora nenhuma delas possuísse qualquer ligação familiar com o Homem de Aço.

Supergirl: uma heroína, múltiplas faces.

* Matriz: Uma forma de vida sintética produzida por uma versão alternativa de Lex Luthor no chamado Universo Compacto, e a quem foram implantadas as memórias de Lana Lang. Criada a partir de protoplasma, possuía poderes diversos dos do Super-Homem, designadamente habilidades pirocinéticas, invisibilidade e transmorfismo. Estreou-se em 1988 e foi o primeiro ensaio para o regresso da personagem após Crise nas Infinitas Terras.

Malgrado as semelhanças, Matriz era muito diferente da sua antecessora.
* Matriz/Linda Danvers: Em 1996, Matriz foi fundida a uma rapariga humana de sua graça Linda Danvers (a identidade civil usada em tempos pela Supergirl original). Muitos elementos pré-Crise foram, de resto, incorporados nesta nova versão da personagem.
     Para salvar Linda da morte, Matriz imolou-se, daí resultando a amálgama dos corpos, mentes e espíritos de ambas. Dessa fusão resulta uma criatura angélica. A Supergirl perde alguns dos seus poderes, mas, em compensação, ganha novas habilidades - como teletransporte-  e um par de asas flamejantes.
      Linda e Matriz acabariam por separar-se, conservando a primeira alguns dos poderes da segunda. Ambas desapareceriam durante os eventos mostrados em Crise Infinita (2005).

Da combinação de Matriz e Linda Danvers  nasceu uma nova Supergirl.
 
* Cir-El: Corria o ano de 2003 quando uma Supergirl chamada Cir-El fez a sua aparição em Superman: The 10 Cent Adventure nº1. Clamando ser a futura filha do Super-Homem e de Lois Lane, a jovem detinha poderes idênticos aos do Homem de Aço, exceto pela ausência de capacidade de voo. Em contrapartida, Cir-El podia emitir rajadas incandescentes de sol vermelho (o qual anula os superpoderes adquiridos pelos kryptonianos sob um sol de cor amarela).
      Cir-El acabaria contudo por descobrir que não passava de uma adolescente humana cujo ADN fora manipulado por Brainiac de modo a parecer kryptoniana. Morreria pouco tempo depois. Retificada a linha temporal de onde provinha, a existência desta putativa Supergirl foi apagada.

Cir-El.
 
      Após o cancelamento da terceira série de Supergirl - estrelada por Linda Danvers - Kara Zor-El foi reintroduzida na cronologia oficial da DC em Superman/Batman nº8 (2004).
      Em 2011, decorrente da reestruturação editorial Os Novos 52!, a Supergirl teve direito a um novo título próprio, sendo igualmente presença assídua nas histórias do Homem de Aço. Na sua versão atual, Kara aparenta ter cerca de 16 anos, sendo contudo mais velha do que o primo. Na verdade, ela foi enviada para a Terra antes do bebé Kal-El para cuidar dele. Mas ficou à deriva no espaço, em animação suspensa, e, por esse motivo, chegou ao nosso planeta quando o primo já atingira a idade adulta.
      Uma diferença significativa relativamente à Supergirl clássica, sempre retratada como uma adolescente enviada para a Terra vários anos após a destruição de Krypton e o advento de Kal-El à Terra.
A renovada Supergirl de Os Novos 52!
 
Biografia: Na sua versão clássica, Kara Zor-El é a última sobrevivente de Argo City, uma metrópole kryptoniana que escapara à destruição do planeta e que vagueava pelo espaço sideral desde então. Quando os seus habitantes foram dizimados pela radiação de kryptonita verde - que atingiu a cidade sob a forma de uma chuva de meteoritos - Kara foi enviada pelo pai para a Terra, onde deveria juntar-se ao seu primo Kal-El.
      Receando que o Homem de Aço não reconhecesse a jovem, Zor-El confecionou-lhe uma traje similar ao usado pelo sobrinho na Terra.
     Uma vez no nosso mundo, Kara adquiriu poderes idênticos aos do Super-Homem e, para passar despercebida, adotou a identidade civil de Linda Lee, uma jovem estudante órfã. Para completar o seu disfarce, escondia a sua cabeleira loira sob uma peruca castanha. Enquanto aprendia a controlar os seus superpoderes, Kara apenas a pedido do primo atuava como Supergirl.
      Depois de Linda Lee ser adotada pelo casal Fred e Edna Danvers (daí resultando a sua mudança de apelido), Kal-El dá por concluída a sua preparação e a Supergirl passa a operar publicamente.
      Todavia, a sua identidade secreta é do conhecimento apenas de um grupo muito restrito que, além do primo e dos pais adotivos, inclui ainda a Legião dos Super-Heróis, equipa de justiceiros do século XXXI que Kara integrou durante algum tempo.
       Anos depois, Kara descobre que os seus pais biológicos haviam afinal sobrevivido ao envenenamento radioativo que causara a morte aos demais habitantes de Argo City. O que só fora possível devido ao facto de se terem refugiado na Zona de Sobrevivência, espécie de continnum paralelo da Zona Fantasma (a prisão extradimensional para onde as autoridades kryptonianas enviavam os seus mais infames criminosos).
      Resgatados pela filha, Zor-El e Alura passam a viver na cidade engarrafada de Kandor (outra urbe que, pela ação de Brainiac, sobrevivera à destruição do seu mundo natal).
      No auge de Crise nas Infinitas Terras, a Supergirl sacrificou a própria vida para salvar o primo e todo o Multiverso da destruição iminente orquestrada pelo Antimonitor. Na sequência desta saga - que vitimou várias outras personagens da editora, como o Flash Barry Allen - a Heroína de Aço foi removida da nova cronologia oficial da DC. Contudo, contrariamente aos outros finados, ninguém se lembrava da sua morte ou sequer da sua  existência.
 
A Supergirl contemporânea encontra a Supergirl original.
 
       Na atual cronologia da Editora das Lendas, saída do projeto Os Novos 52!, Kara Zor-El é uma intempestiva adolescente recém-chegada ao nosso planeta. Após anos à deriva nas estrelas, ao emergir do seu estase, a jovem julga que tudo não passa de um sonho. Não tarda, porém, a ser perseguida pelos agentes do malévolo Simon Tycho, líder de uma poderosa corporação que, ciente da sua prsença no nosso planeta, pretende capturá-la com vista a estudar os seus poderes.
       Depois de se desembaraçar de Tycho, Kara encontrou-se pela primeira vez com o Super-Homem. Este encontro, porém, esteve longe de ser pacífico. Ao contrário do primo, Kara não domina ainda o Inglês, facto que obsta à comunicação entre ambos, visto que, por sua vez, Kal-El expressa-se num kryptonês arcaico.
       Ignorando o tempo que passou à deriva no espaço, Kara toma o Homem de Aço por um impostor, porquanto contava encontrar uma criança, ao invés de um adulto. Também não acredita quando Kal-El lhe dá a triste notícia de que são eles os dois últimos krptonianos. Após uma violenta refrega com o primo, a jovem acaba por cair em si  e procura adaptar-se à nova realidade.
       Sempre sob a supervisão do Homem de Aço - uma vez que a real amplitude das suas habilidades continua por determinar - Kara opera presentemente como Supergirl.
 
Super-Homem e Supergirl: uma reunião familiar atribulada.

Noutros media: Contrariamente ao que é habitual, a primeira incursão da Supergirl fora dos quadradinhos não ocorreu numa qualquer série ou filme de animação, mas sim no cinema. Em 1984, interpretada por Helen Slater, a Heroína de Aço voou para o grande ecrã, num spin-off  da franquia Superman. Através da participação de Jimmy Olsen (Marc McClure), ficou assegurada a interligação entre Supergirl (em cujo elenco pontificavam ainda nomes como Peter O'Toole e Faye Dunaway) e a série de películas já realizadas do Homem de Aço (à época personificado por Christopher Reeve).
      Numa versão muito fiel às raízes da personagem, Kara Zor-El surgia retratada no filme como a prima do Super-Homem, oriunda de Argo City. Estava, de resto, prevista uma participação especial do campeão de Metrópolis na película, inviabilizada por constragimentos orçamentais e lítigios judiciais (para mais informações, consultar a minha crítica de Supergirl).
 
Helen Slater foi a primeira atriz a dar corpo à Supergirl no cinema.
 
        Já este século, no decurso da sétima temporada da série Smallville (2007/08), a Supergirl regressou à ribalta, desta feita interpretada por Laura Vandervoort. Numa versão baseada na reformulação da personagem a partir de 2004, Kara era retratada como sendo a prima de Kal-El chegada à Terra após vários anos em estase enquanto a sua espaçonave vagueava pelo espaço.
 
Laura Vandervoort deu vida à prima de Kal-El em Smallville.
 
         No campo da animação, Supergirl debutou em Superman: The Animated Series(1996-2000), série estrelada pelo seu primo. Respondendo pelo nome de Kara In-Ze (o apelido de solteira da sua mãe biológica), era proveniente do planeta Argus (espécie de mundo gémeo de Krypton) e, por conseguinte, não tinha qualquer grau de parentesco com o Homem de Aço.
        Numa versão mais próxima da original, em 2008 a Supergirl teve uma participação secundária no filme de animação Justice League: A New Frontier. Ganhou contudo destaque em  Superman/Batman: Apocalypse, outro filme de animação com a chancela da DC e que foi lançado diretamente no circuito de vídeo em 2010. Nele, é apresentada a versão moderna da Heroína de Aço.
        Em Superman Unbound (2013) a Supergirl combate ao lado do primo a terrível ameaça representada por Brainiac.
 
A Supergirl em ação em Superman Unbound (2013).
 
 
        Rivalizando em poder e em popularidade com o Super-Homem, em 2011 a Supergirl foi colocada na 94ª posição no top dos 100 Melhores Super-Heróis de Todos os Tempos, organizado pelo site IGN. Razão pela qual, à semelhança do primo, a sua influência extrapola em muito a banda desenhada. Além de um enorme filão de merchandising, a jovem heroína kryptoniana é igualmente muito acarinhada pelos fãs de cosplay, granjeando assim o estatuto de ícone da cultura pop.
 
        

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

ETERNOS: JIM STARLIN (1949 - ...)




     Especializado na produção de grandes sagas cósmicas, notabilizou-se também através da revitalização de personagens como Capitão Marvel ou Adam Warlock. Pelo seu talento, versatilidade e veterania, aos 65 anos, Jim Starlin continua a ser uma referência incontornável na indústria dos quadradinhos.


Biografia e carreira: Nascido a 9 de outubro de 1949 em Detroit (no estado norte-americano do Michigan), James P. "Jim" Starlin começou por escrever e desenhar histórias aos quadradinhos em vários fanzines afetos à 9º arte. Em 1972, estreou-se como profissional trabalhando lado a lado na Marvel Comics com um par de nomes sonantes: John Romita e Roy Thomas.
      Trazido para a Casa das Ideias pelo seu velho amigo Rick Buckler, Starlin faz parte da geração de argumentistas e ilustradores que cresceram com a Idade da Prata da Marvel. A este propósito, numa conferência dedicada a Steve Ditko (cocriador do Homem-Aranha em 1962), no âmbito da edição de 2008 da Comic-Con International, Starlin declarou: "Tudo o que sei sobre o processo narrativo devo-o a Steve Ditko e a Jack Kirby. A arte de ambos é insuperável."
      O primeiro trabalho profissional de Starlin ao serviço da Marvel consistiu em arte-finalizar algumas páginas do título The Amazing Spider-Man. Assumiu depois a arte de três números de Iron Man, ao longo dos quais foram introduzidas duas novas personagens por si idealizadas: Thanos e Drax, o Destruidor.
      Agradados com a qualidade do seu trabalho enquanto ilustrador de Captain Marvel nº25, os seus editores ofereceram-lhe a oportunidade de mostrar o seu valor como argumentista, convidando-o a escrever a história da edição seguinte. Sem hesitar, Starlin começou a desenvolver uma elaborada saga centrada no vilão cósmico Thanos, a qual logo se estendeu a outros títulos da editora. Starlin acabaria contudo por abandonar o título do herói kree antes de concluir o épico que ficou conhecido como A saga de Thanos.
Da esq. para a dir.: Adam Warlock, Surfista Prateado e Capitão Marvel. Jim Starlin sempre teve uma predileção por heróis cósmicos.
 
      Concumitantemente, em meados da década de 70 do século passado, Starlin produziu uma série de histórias para a antologia de ficção científica Star Reach, um projeto editorial independente. Nele desenvolveu as suas ideias acerca de Deus, Morte e Infinito (um tríptico omnipresente nas sagas cósmicas que produziu ao longo dos anos), liberto das restrições impostas pela autocensura vigente na indústria mainstream dos comics (sujeita aos ditames da Comics Code Authority).
       Após a sua passagem por Captain Marvel, Starlin e o argumentista Steve Englehart criaram Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, apesar de só terem produzido os primeiros números da respetiva série. Isto porque Starlin foi destacado para assumir Warlock, um título em declínio, centrado num herói geneticamente modificado, criado nos anos 1960 por Stan Lee e Jack Kirby, e reinventado por Roy Thomas e Gil Kane na década seguinte, tendo como inspiração Jesus Cristo. Perspetivando a personagem como alguém filosófica e existencialmente torturado, Starlin concebeu sozinho uma intrincada saga cósmica com uma forte componente psicológica e teológica. Com efeito, Warlock procurava contrariar os desígnios da Igreja da Verdade Universal, que almejava evangelizar todo o Cosmos e que, na verdade, fora fundada e liderada por uma versão maligna do próprio Warlock, autodenominada Magnus (numa clara referência às figuras de Cristo e do Anti-Cristo).
       Starlin teve assim o condão de pegar em dois títulos decadentes - Captain Marvel e Warlock - e transformá-los em séries de culto, arregimentando uma vasta legião de fãs.
 
Thanos foi uma das mais bem-sucedidas criações de Jim Starlin.
 
       Já com os seus créditos firmados no seio da indústria dos quadradinhos, em 1978 Jim Starlin associou-se a Howard Chaykin, Walt Simonson e Val Mayerik na fundação do Upstart Associates, uma espécie de estúdio partilhado com sede em Nova Iorque e cujo staff foi variando ao longo do tempo.
       Por essa altura, Starlin começou a trabalhar ocasionalmente para a DC. Além de desenhar algumas histórias de Batman publicadas em Detective Comics, passou por Legion of the Super Heroes. Em novembro de 1980, em parceria com o argumentista Len Wein, criou o vilão Mongul em DC Comics Presents nº27.
       Na sua constante demanda por  novos desafios, Starlin concebeu a saga Metamorphosis Odyssey, que apresentou ao mundo a personagem Vanth Dreadstar, em Epic Illustrated nº3. Originalmente, a história foi produzida a preto e branco, acabando, no entanto, por ganhar uma versão final colorida. Face ao sucesso da saga, primeiro a Epic Comics e depois a First Comics, publicaram a série regular Dreadstar.
 

Dreadstar foi um dos expoentes máximos do trabalho de Jim Starlin.
 
       Ciente do fascínio de Starlin em relação à morte, a Marvel concedeu-lhe entretanto a oportunidade de conceber uma história que retrataria o ocaso de uma das suas personagens de charneira. The Death of Captain Marvel (1982) tornou-se assim a primeira novela gráfica publicada sob a égide da Casa das Ideias.
       Em 1985, Starlin e Bernie Wrightson  (ilustrador celebrizado pelos seus trabalhos na BD de terror) produziram Heroes for Hope, uma edição especial com a chancela da Marvel, que serviu para angariar fundos para o combate à fome em África. Iniciativa à qual se associaram  outros notáveis sem qualquer ligação aos comics, como o escritor Stephen King.
       No ano seguinte, agora sob os auspícios da DC, Starlin voltou a colaborar num projeto beneficente com propósito idêntico: Heroes Against Unger (edição estrelada por Batman e Super-Homem). Na sequência deste seu trabalho, foi convidado para escrever as histórias do Cavaleiro das Trevas. Entre elas destacam-se Ten Nights of the Beast e Batman: A Death in the Family, esta última narrando a morte do segundo Robin.
 
The Ten Nights of the Beast foi uma das produções mais notáveis de Starlin ao serviço da DC.
 
       Regressado à Casa das Ideias, em meados da década de 1990, Starlin começou por revitalizar a série Silver Surfer. Como se tornara norma na sua colaboração com a Marvel, introduziu Thanos na narrativa, a qual desaguaria  na aclamada minissérie Infinity Gaunlet (Desafio Infinito). A história trouxe de volta Adam Warlock, morto pelo próprio Starlin em 1977. O êxito de Infinity Gaunlet abriu caminho para duas sequelas (ambas escritas por Starlin): Infinity War (Guerra Infinita) e Infinity Cruzade (Cruzada Infinita).
        Em 2003, Starlin escreveu e desenhou Marvel: The End, saga novamente estrelada por Thanos e que incluía uma miríade de personagens da editora. Nos anos que seguiram, Starlin colaborou com editoras independentes como a Devil's Due e a Dynamite Entertainment.
        De novo ao serviço da DC, entre 2007 e 2008, Starlin escreveu e desenhou The Death of the New Gods, reformulando de passagem a origem do Gavião Negro. Em 2013, assumiu a responsabilidade pelos argumentos de Stormwatch, a partir do 19º número da série lançada no âmbito de Os Novos 52!.
         Fora dos quadradinhos, Starlin - casado há 24 anos com a colorista Daina Graziunas - escreveu quatro novelas a meias com a sua esposa. A primeira - Pawns - data de 1989 e a última - Thinning the Predators - foi publicada em 1996.
         Em 2010, a IDW/Desperado publicou uma retrospetiva de 312 páginas da carreira do autor, sob o título The Art of Jim Starlin. Escrita pelo próprio, foi também lançada uma série numerada e assinada da obra, composta por 250 exemplares.
 
Stormwatch trouxe Jim Starlin de volta à ribalta.

Prémios e distinções: Desde os primórdios da sua extensa carreira artística que Jim Starlin começou a colecionar prémios e nomeações. Logo em 1973, arrecadou um Shazam Award na categoria de Assombroso Novo Talento, a meias com Walt Simonson. Em 1986, viu reconhecido o seu trabalho em Dreadstar ao ser-lhe atribuído um Haxtur Award para a melhor saga. Distinção que acumulou, nesse mesmo ano, com o Bob Clampett Humanitarian Award (cujos louros repartiu com Bernie Wrightson por Heroes for Hope). Já este século, em 2005, recebeu novo Haxtur Award, desta feita na categoria de Melhor Autor. A estes prémios soma-se um vasto rol de nomeações e distinções em segmentos tão diversificados como Melhor Argumento, Melhor Capa, Melhor Ilustrador, entre muitos outros.
 
Jim Starlin: um autor de sucesso, dentro e fora da BD.
 
 
 
  
   

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

BD CINE APRESENTA: «QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO»



 
      Ligeiramente mais bem conseguida do que o primeiro filme, a sequela de Quarteto Fantástico, de tão insossa, esteve contudo longe de convencer a crítica e os fãs, ficando assim a franquia irremediavelmente comprometida.
 

Título original:  Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer
Ano: 2007
País: EUA
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 92 minutos
Estúdio: 20th Century Fox e Marvel Studios
Realização: Tim Story
Argumento: Don Payne e Mark Frost
Elenco: Ioan Gruffudd (Reed Richards/Senhor Fantástico); Jessica Alba (Susan Storm/Mulher Invisível); Chris Evans (Johnny Storm/Tocha Humana); Michael Chiklis (Ben Grimm/O Coisa); Doug Jones (Norrin Radd/Surfista Prateado); Laurence Fishburne (voz do Surfista Prateado) e Julian MacMahon (Victor Von Doom/Doutor Destino)
Orçamento: 130 milhões de dólares
Receitas: 289 milhões de dólares

O premiado cartaz promocional de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado.
 
Produção: Em 2005, a primeira longa-metragem oficial do Quarteto Fantástico rendeu 300 milhões de dólares a nível mundial. Razão mais do que suficiente para, nesse mesmo ano, o cineasta Tim Story e o argumentista Mark Frost se sentarem à mesa para trocarem ideias sobre uma sequela. A eles juntou-se um segundo argumentista, Don Payne.  Os três deliberaram então que a história seria baseada na primeira aparição de Galactus nas páginas de Fantastic Four, bem como no arco de histórias em o Dr. Destino rouba os poderes ao Surfista Prateado. Outra referência para a conceção do argumento foi a série limitada Ultimate Extinction, integrada no Universo Marvel Ultimate.
       Provisoriamente intitulada Fantastic Four 2, era ponto assente que a sequela mostraria o famoso Fantastic-Car e daria maior destaque à personagem Alicia Masters. Já o anúncio da participação do Surfista Prateado na dupla qualidade herói/vilão, só foi feito em meados de 2006. A sua conceção resultou da combinação da interpretação de Doug Jones envergando um traje especial de cor prateada, com imagens geradas através de um sofisticado programa de computador.
       Em agosto de 2006, o projeto foi oficialmente renomeado de Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, tendo as filmagens arrancado no final desse mês em Vancouver, no Canadá. Foi igualmente definida a data de lançamento: 15 de junho de 2007.

Dois anos após a estreia do primeiro filme, o Quarteto Fantástico voltou ao cinema em 2007.
 
Enredo:  Enquanto Reed Richards e Susan Storm se afadigam nos preparativos para o seu casamento, um misterioso corpo celeste prateado penetra na atmosfera da Terra, abrindo uma enorme cratera ao atingir o solo. Na sequência desse evento, o  Exército norte-americano pede a Reed para identificar e monitorizar os movimentos do citado objeto. Perante o desagrado da noiva, que o acusa de negligenciar os preparativos do casamento em prol do trabalho, o líder do Quarteto Fantástico recusa inicialmente o pedido feito pelos militares. No entanto, constrói em segredo um radar que lhe permite rastrear o objeto.
        Em plena cerimónia do casamento, o dispositivo criado por Reed deteta a rápida aproximação do fenómeno em direção a Nova Iorque. Devido aos pulsos eletromagnéticos por ele emitidos, ocorre um blackout que deixa a Grande Maçã mergulhada na escuridão.

Reed e Susan veem o seu casamento interrompido pela chegada do Surfista Prateado.
 
        Johnny Storm - o Tocha Humana - voa em perseguição do objeto e descobre, para seu assombro, tratar-se de um humanoide montado numa prancha de surf. Ao tentar intercetar o Surfista Prateado, Johnny é arrastado por este até à estratosfera e deixado cair de seguida. Sem oxigénio para alimentar as suas labaredas, o Tocha Humana despenca desamparado em direção ao solo, conseguindo, contudo, inflamar-se no derradeiro instante, escapando assim a uma morte certa.
        Horas depois, Ben e Johnny trocam de poderes, o que leva Reed a deduzir que a exposição à radiação cósmica emanada pelo Surfista Prateado modificou a estrutura molecular do Tocha Humana, permitindo-lhe, por meio do toque, absorver as habilidades dos seus colegas de equipa.
        Rastreando os resíduos de energia cósmica deixados pelo Surfista Prateado, Reed constata que uma série de planetas visitados pela criatura foram destruídos.
        À medida que o Surfista Prateado abre gigantescas crateras em redor do globo, Reed calcula que Londres será o próximo alvo do alienígena. O Quarteto Fantástico ruma à capital britânica, mas não chega a tempo de evitar que o rio Tamisa seja drenado pela enorme cratera entretanto criada.

Surfista Prateado: herói ou vilão?

        Frustrados, Reed e Susan consideram desistir das identidades de Senhor Fantástico e Mulher Invisível para constituírem uma família e viverem uma vida normal.  O Surfista Prateado, entretanto, chega à Latvéria e, inadvertidamente, liberta Victor Von Doom do sarcófago metálico onde permanecera aprisionado nos últimos dois anos.  O Dr. Destino propõe então uma aliança ao alienígena, mas este rejeita-a. Após uma breve refrega entre ambos, o Surfista parte, deixando para trás o vilão cujo corpo mutilado foi miraculosamente curado pela exposição ao seu poder cósmico.
        O Dr. Destino oferece então os seus préstimos ao Exército americano, com quem firma um acordo. O Quarteto Fantástico vê-se dessa forma obrigado a trabalhar em conjunto com o seu arqui-inimigo. Concluindo que a prancha usada pelo Surfista Prateado é a sua fonte de poder, Reed concebe um pulso energético capaz de separar os dois. Enquanto isso, o Dr. Destino constrói uma máquina cujo propósito se recusa a revelar.
O Dr. Destino volta a aprontar no segundo filme do Quarteto.

        Algures na Floresta Negra alemã, a Mulher Invisível estabelece diálogo com o Surfista Prateado, acabando este por confidenciar-lhe o seu remorso pela destruição por ele causada, na sua condição de servo de uma entidade cósmica de incomensurável poder chamada Galactus. Aproveitando a distração da criatura, os militares abrem fogo e o Senhor Fantástico dispara o seu pulso energético. Separado da sua prancha, o Surfista é facilmente capturado e levado para um complexo militar secreto na Sibéria, onde é torturado pelos seus captores que tentam assim  obter informações sobre os desígnios de Galactus.
        Usando o dispositivo por ele criado, o Dr. Destino rouba a prancha do Surfista Prateado. Depois de este ser libertado pelo Quarteto Fantástico, os cinco confrontam o vilão em Xangai. No decurso da batalha, a Mulher Invisível é mortalmente ferida. Com o arauto de Galactus ainda enfraquecido, o Tocha Humana absorve os poderes dos companheiros para enfrentar um Dr. Destino agora dotado de poder cósmico.
        O Dr. Destino é derrotado e o Surfista reavê a sua prancha. Porém, Galactus chega à Terra e Susan morre nos braços do marido.

A ameaça de Galactus, o Devorador de Mundos.
         Com o seu poder restaurado, o Surfista Prateado ressuscita a Mulher Invisível e escolhe defender o nosso mundo do cruel destino que lhe foi traçado pelo seu mestre. A batalha que se segue culmina numa enorme explosão de energia que engolfa ambos. Quando o clarão se dissipa, Galactus e o seu arauto desapareceram sem deixar rasto.
        Dias depois, Reed e Susan casam no Japão. Johnny, após estar em contacto com a prancha do Surfista, recuperou a sua estabilidade molecular. A meio dos festejos, surge a notícia de que Veneza se está afundar no Adriático. A equipa parta de imediato para Itália.
        Numa cena após os créditos finais, o corpo inerte do Surfista Prateado flutua no vácuo espacial, aparentemente sem vida. Subitamente, os seus olhos abrem-se e a sua prancha voa ao seu encontro.
     
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=q1QYHMMX_v4
 
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Curiosidades:
* Na primeira versão do argumento, estava prevista a participação de Nick Fury (o diretor da agência governamental secreta S.H.I.E.L.D.), personagem entretanto substituída pelo General Hager;
* No filme, Susan Storm receia ter um filho que será alvo da curiosidade pública. Na banda desenhada original, ela e Reed têm um filho, Franklin Richards, dotado de poderes mutantes cuja verdadeira amplitude ainda está por descobrir;
* Para melhorar o desempenho de Michael Chiklis no papel de Coisa, foi produzido um novo conjunto de próteses. Estas não só eram mais fáceis de usar e remover, como lhe providenciavam melhor ventilação. Os modelos protéticos utilizados no primeiro filme demoravam seis horas a aplicar e eram extremamente desconfortáveis;
 

 
* Jessica Alba usou uma peruca loira, depois de o seu cabelo ter ficado maltratado com a coloração aplicada no primeiro filme;
* Já com as filmagens em curso, os produtores  estavam ainda indecisos quanto a dotar ou não o Surfista Prateado de voz. Entre os vários nomes cogitados para emprestar a voz ao herói cósmico estiveram os atores Gary Sinise e Timothy Olyphant. A escolha, porém, recaiu em Laurence Fishburne que, inicialmente, fora pensado para dar voz a Galactus;
* Por terem detestado a caracterização do Dr. Destino no primeiro filme, os produtores exigiram que ele ficasse oculto sob uma túnica com capuz em todas as cenas da sequela em que figurasse;
* Em tempos, o realizador Tim Story afirmara que jamais teria robôs gigantes nos seus filmes. Não será portanto alheia a este facto a opção de Galactus - normalmente retratado como um ser robótico de proporções colossais - surgir sob a forma de uma imensa nuvem cósmica.
 

Prémios e nomeações: Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado ganhou dois prémios em 2008: um Gold Trailer Award para o melhor cartaz promocional e um Kids Choice Award para melhor atriz atribuído a Jessica Alba. O filme recebeu ainda duas nomeações para os Razzie Awards (uma espécie de anti-Óscares que distinguem o que de pior se faz em Hollywood): uma na categoria de pior atriz (Jessica Alba) e outra na de pior casal (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), não tendo contudo saído vencedor em nenhuma delas.
 

Veredito: 35%

       Depois de ver Quarteto Fantástico, em 2005, interrompi de imediato os meus esforços no sentido de tentar encontrar na internet a versão integral do filme maldito de 1994 (aquele que a Marvel se arrependeu de ter autorizado e depois fez de conta que o mesmo nunca existiu). Ora, se uma adaptação oficial ao grande ecrã era atroz, nem queria imaginar quão má seria a oficiosa. Como não sou dado a esse tipo de exercícios masoquistas, escusei-me a descobrir.
        Em virtude desses dois antecedentes negativos, foi pois com baixíssimas expectativas que recebi este segundo filme do Quarteto. O que me poupou a maiores dissabores. Isto porque, apesar de estar uns furinhos acima do seu predecessor, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado tem desde logo  o demérito de arruinar uma das sagas mais emblemáticas e intemporais do Universo Marvel. 
        Aparentemente, o realizador Tim Story discordava desta minha apreciação. Motivo pelo qual pegou na história original - escrita pelo próprio Stan Lee - e decidiu adulterá-la (embora acreditasse porventura estar a melhorá-la), alterando a essência e os poderes de algumas personagens.
        Não sendo eu um "purista", daqueles que zurzem um filme que não retrata fielmente cada pormenor da banda desenhada em que se baseia, há limites para as alterações a introduzir. A meu ver, não encontro justificação para o facto de, na sua versão cinematográfica, o Surfista Prateado retirar o seu poder da sua prancha. Para quem não sabe (ou para os mais distraídos), nos quadradinhos o ex-arauto de Galactus pode voar e usar o seu poder cósmico mesmo quando separado da sua prancha. Esta serve apenas para lhe poupar o dispêndio extra de energia que voar implica. Para terem uma ideia do absurdo, seria como fazerem um filme do Super-Homem em que os seus poderes derivassem da capa.
        Não obstante estas nuances ridículas - a que se soma a ausência da componente filosófica que sempre caracterizou as histórias de um homem que imolou a própria liberdade para salvar o seu mundo - o Surfista Prateado é o que de melhor a película tem para oferecer. Cada movimento seu no ecrã é hipnotizante. Absolutamente delicioso também o pormenor de o seu corpo parecer pulsar de energia cósmica. Parece, no entanto, que orçamento para os efeitos especiais se terá esgotado na conceção desta personagem porque, por outro lado, a elasticidade do Sr. Fantástico afigura-se ainda mais inverosímel do que no primeiro filme. O mesmo se passando com os campos de força da Mulher Invisível e as labaredas do Tocha Humana (poupo-me a fazer qualquer referência à ignóbil caracterização do Coisa).
        Desagradou-me igualmente o registo cómico. Se o humor é fundamental neste género de filmes, quando em excesso, torna-se contraproducente e pode mesmo pôr em xeque a credibilidade da história.
         Outro dos aspetos negativos de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é a total ausência de química entre o casal de protagonistas (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), fazendo lembrar dois adolescentes tímidos a quem arranjaram um encontro às cegas. Pior só mesmo o insípido Julian MacMahon como Dr. Destino. Um inegável erro de casting, indigno de dar vida a um dos mais carismáticos vilões da banda desenhada.
        Resumindo, não sendo intragável Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado consegue entreter  sem contudo deslumbrar. Pouco ou nada acrescenta em relação ao seu predecessor. Diz o povo que à terceira é de vez mas, neste caso, esse aforismo não se concretizou. Na verdade, desperdiçou-se nova oportunidade de promover junto do grande público uma das melhores equipas de super-heróis dos comics. Acredito que, tal como eu, muitos fãs do Quarteto continuem a preferir as velhinhas séries animadas do grupo. Venha de lá o reboot!