segunda-feira, 24 de março de 2014

ETERNOS: JOHN BUSCEMA (1927-2002)




      De ascendência italiana, em pequeno gostava de ler as banda desenhadas de Popeye e Flash Gordon. Em adulto, tornou-se num dos mais talentosos e prolixos artistas da sua geração. Com o seu traço, os Vingadores conheceram uma das suas melhores fases de sempre. Assim como Conan, O Bárbaro, de quem desenhou mais de 200 histórias.

Biografia: Nascido em Brooklyn (Nova Iorque), a 11 de dezembro de 1927, no seio de uma família italo-americana, John Buscema - cujo nome de batismo foi Giovanni Natale Buscema - desde muito cedo demonstrou interesse pelo desenho.
       Na infância entretinha-se a copiar as tiras de algumas das suas bandas desenhadas favoritas, em especial Popeye. Já adolescente, desenvolveu interesse tanto pelas histórias aos quadradinhos com super-heróis como pelas aventuras de personagens clássicas da 9ª arte, como Flash Gordon, Tarzan ou o Príncipe Valente. Revelou ainda interesse pelo trabalho de alguns reputados ilustradores de publicidade da altura, nomeadamente Norman Rockwell, Dean Cornell, Albert Dorne, entre outros.
       Depois de concluir o ensino secundário no Manhattan's High School of Music and Art, ingressou em regime noturno no Pratt Institute, frequentando durante o dia aulas de desenho no Museu de Brooklyn.
       Outra das suas paixões era o pugilismo (que lhe valeu a alcunha de Big John). Enquanto treinava esse desporto, começou a desenhar retratos de pugilistas e vendeu alguns trabalhos seus para o Hobo News, um jornal dedicado aos trabalhadores migrantes que viviam nas ruas da cidade que nunca dorme.
       Quando procurava emprego como ilustrador comercial, John Buscema deu por si a entrar - corria o ano de 1948 - na fervilhante indústria dos comics. O seu primeiro trabalho no ramo foi ao serviço da Timely Comics (antepassada da Marvel),  sob a supervisão do seu lendário editor-chefe Stan Lee.
       Datam de agosto desse ano os seus primeiros créditos como ilustrador, quando desenhou uma história em quatro páginas para o terceiro número da série policial da Timely Lawbrakers Always Lose. Deu também o seu contributo a outros títulos da editora que apresentavam histórias decalcadas do quotidiano, como True Adventures e Man Comics (cuja edição inaugural teve a sua capa desenhada por Buscema).
 
Man Comics nº1 (1949) foi uma das primeiras capas ilustradas por John Buscema.

        Enquanto se acentuava o declínio da indústria dos quadradinhos após a II Guerra Mundial, Buscema, ainda ao serviço da Timely, desenhou e coloriu uma panóplia de histórias policiais, românticas e do Velho Oeste.
        Em 1953 - ano em que se casou com Dolores Buscema, com quem viveria o resto dos seus dias - Big John trabalhava como freelancer para a Atlas Comics (ex-Timely Comics), assim como para vários outras licenciadoras, entre as quais a Ace Comics e a Hillman Periodics.
       A década de 1950 foi, no campo profissional, muito profícua para Buscema. Um dos pontos altos ocorreu em 1957 quando foi convidado a ilustrar as minibiografias de todos os presidentes dos EUA que haviam ocupado a Casa Branca até essa data.
       Contudo, face às pouco auspiciosas perspetivas de futuro do negócio dos comics, Buscema arriscou uma carreira no ramo publicitário, colaborando como freelancer com a agência nova-iorquina Chaite. Durante os oito anos que se seguiram, desdobrou-se entre ela e o estúdio Triad. Período em que produziu um vasto e diversificado portfólio. De acordo com o próprio, essas experiências permitiram-lhe, entre outras coisas, aperfeiçoar as suas técnicas.
       O seu regresso aos quadradinhos deu-se em 1966. Em novembro desse ano, arte-finalizou os esboços de Jack Kirby numa história de Nick Fury publicada em Strange Tales nº150. Estava assim de volta a uma casa que tão bem conhecia, embora entretanto renomeada de Marvel Comics.
       Após ter desenhado três histórias do Hulk em Tales to Astonish, Buscema transitou em 1967 para a série The Avengers, onde fez dupla com o argumentista Roy Thomas. Os dois foram responsáveis pela introdução das novas versões do Cavaleiro Negro e do Visão.
 
Os Vingadores e o Homem-Aranha pelo traço de John Buscema.
       Com vista a adaptar o seu estilo aos cânones artísticos consignados pela Casa das Ideias, Buscema sintetizou nele as principais características que identificavam o traço de Jack Kirby: sequências de ação altamente dinâmicas, perspetivas arrojadas e cenários imponentes. Processo que conferiu uma enorme vivacidade à sua arte e que deixou os leitores em delírio.
       Desenhando uma média de duas edições por mês, Buscema emprestou o seu traço a várias outras personagens icónicas da Marvel, como o Homem-Aranha e o Surfista Prateado. Foi de resto o seu trabalho em Silver Surfer nº4 (fevereiro de 1969) que lhe valeu os mais rasgados elogios por parte dos fãs. O duelo entre o herói cósmico e o Deus do Trovão é considerado por muitos a sua obra-prima.
 
Silver Surfer nº4 (1969) é por muitos considerado o melhor trabalho de John Buscema.
 
       Em finais de 1969, John Buscema fez curta uma pausa no seu trabalho com super-heróis para reassumir a arte de histórias de cariz sobrenatural nas séries Chamber of Darkness e Tower of Shadows (ambas com a chancela da Marvel).
      No entanto, logo em abril do ano seguinte, regressou ao título dos Vingadores, onde reencontrou Roy Thomas. Dessa nova parceria criativa resultou uma das melhores fases de sempre da equipa que reúne os maiores heróis da Terra.
      Com a saída de Jack Kirby da Marvel nesse mesmo ano, coube a John Buscema a enorme responsabilidade de substituir o Rei em dois dos mais emblemáticos títulos da editora: Fantastic Four e Thor. Buscema não se sentiu intimidado e o seu trabalho superou, uma vez mais, todas as expectativas.
      Sucedendo a Barry Smith a partir do vigésimo quinto número de Conan, The Barbarian, Buscema iniciou dessa forma uma longeva ligação ao guerreiro cimério. A fim de maximizar o êxito comercial da personagem idealizada por Robert E. Howard, a Marvel lançou, em agosto de 1974, um segundo título seu, intitulado The Savage Sword of Conan, cuja arte a preto e branco foi assumida também por Buscema. Nos anos seguintes, o frenético lápis de Big Jonh desenharia mais de duas centenas de histórias do herói bárbaro.
 
A cores ou a preto e branco, Conan ficará para sempre associado a Jonh Buscema - e vice-versa.
 
        Em meados dos anos 1970, Buscema lançou a sua própria escola de artes, amplamente divulgada nas páginas de vários títulos  Marvel. Passou assim a acumular as funções de desenhador com as de professor. Apesar de ter considerado gratificante a sua experiência letiva, Big John, que tinha de realizar uma viagem de 70 quilómetros após um dia de trabalho, acabou, porém, por desistir de dar aulas.
        Dessa breve aventura pedagógica resultaria, porém, o livro How to Draw Comics the Marvel Way, produzido a meias com Stan Lee. Tratava-se de um manual prático para aspirantes a ilustradores, cujos ensinamentos tinham por base as aulas lecionadas por Buscema anos antes.
 
Em How to Draw Comics the Marvel Way, John Buscema dava dicas sobre como desenhar super-heróis.
 
        Depois de desenhar o primeiro número de She-Hulk (de quem foi cocriador), em fevereiro de 1980, John Buscema abandonou temporariamente as séries regulares de super-heróis para se dedicar por inteiro aos três títulos de Conan, cuja popularidade abriu caminho à realização de um filme do herói. Quando este chegou às salas de cinema em 1982, Buscema assumiu a arte da respetiva adaptação aos quadradinhos.
        Ao fim de quase cinco anos arredado do género super-heroico, em 1985 Buscema regressou a um terreno que lhe era muitíssimo familiar, reassumindo The Avengers. Três anos depois reeditou a sua parceria com Stan Lee para produzir a aclamada graphic novel Silver Surfer: The Judgment Day.
        O novo século trouxe novidades à sexagenária carreira de John Buscema. Pela primeira vez, ele trabalhou para a DC. Logo em 2000 assumiu a arte de Batman Black and White e, no ano seguinte, desenhou a edição especial Just Imagine Stan Lee Creating Superman, na qual ele e o Papa da Marvel reinventavam a origem e o conceito do Homem de Aço, no âmbito de um polémico projeto editorial da Distinta Concorrência.
 
No princípio deste século, Stan Lee e John Buscema revisitaram a origem do Super-Homem e de outras personagens icónicas da DC.
 
        Em meados de 2002, John Buscema viu ser-lhe diagnosticado um cancro do estômago em fase terminal, tendo falecido poucos meses depois, com 74 anos. Uma litografia gigante retratando os Vingadores dos anos 1960/70 foi o seu último trabalho enquanto profissional. A seu pedido, foi sepultado com uma caneta na mão.
        Sal Buscema, seu irmão mais novo e também ele um talentoso desenhador, declarou: "John era obcecado por desenhar. Não importava onde estivesse ou que se passava à sua volta; ele acabaria por aborrecer-se e começar a rabiscar alguma coisa. Agora que terá muito tempo livre no Céu, tenho a certeza de que a caneta lhe será útil".
        Além do irmão e da viúva, John Buscema deixou um filho, uma filha e uma neta - Stephanie Buscema -que parece apostada em seguir as pisadas do avô, trabalhando atualmente como ilustradora freelancer.
        A este legado biológico, soma-se o vastíssimo espólio artístico de uma figura incontornável na história da 9ª arte e que ainda hoje serve de referência a muitos a ela ligados.
 
John Buscema: um mito que perdurará pela eternidade.
 
Prémios e distinções: Entre os múltiplos prémios com que foi agraciado ao longo da sua carreira, destacam-se o Alley Award Para Melhor História Completa em 1968 (Origin of the Silver Surfer) e o Shazam Award de 1974 para Melhor Artista.
        Em jeito de homenagem póstuma, a partir de 2002, foi instituído o Prémio Especial John Buscema nos Haxtur Awards (que distinguem o que de melhor se publica em quadradinhos em Espanha). Nesse mesmo ano, foi nomeado para o Eisner Award Hall of Fame (espécie de Óscar honorário que distingue, em vida ou postumamente, carreiras artísticas de excelência).
 

sábado, 15 de março de 2014

HEROÍNAS EM AÇÃO: MULHER-HULK




      Foi a última criação de Stan Lee antes da saída de cena do Papa da Marvel. Surgiu na senda do sucesso da mítica série televisiva do Golias Esmeralda (de quem é prima). Uma das mais irreverentes e charmosas heroínas dos quadradinhos, a Mulher-Hulk deve os seus poderes a uma transfusão sanguínea.
 
 
Nome original da personagem: She-Hulk
Primeira aparição:  The Savage She-Hulk nº1 (fevereiro de 1980)
Criadores: Stan Lee (história) e John Buscema (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Jennifer Susan Walters
Local de nascimento: Los Angeles, Califórnia (EUA)
Parentes conhecidos: Morris Walters (pai), Elaine Banner-Walters (mãe falecida), Bruce Banner (primo), John Jameson (ex-marido)
Filiação: Vingadores, Quarteto Fantástico, Fundação Futuro, Heróis de Aluguer e Fantastic Force
Base de operações: Móvel (entre as suas  ex-bases de operações destacam-se a mansão dos Vingadores e o edifício Baxter,  antigas sedes, respetivamente, dos Vingadores e do Quarteto Fantástico)
Armas, poderes e habilidades: Derivando os seus poderes de uma transfusão de sangue radioativo recebida do seu primo Bruce Banner (o Hulk), estes são em tudo idênticos aos do Golias Esmeralda. Assim, a Mulher-Hulk possui força descomunal, velocidade e resistência sobre-humanas, fator de cura, invulnerabilidade e imunidade a um amplo espectro de doenças. Habilidades que fazem dela uma das mais formidáveis personagens femininas do Universo Marvel.
       Treinada pelo Capitão América, a Amazona de Jade domina várias técnicas de combate corpo a corpo. Acresce a isto que, contrariamente ao que sucede com o primo, a mutação de Jennifer Walters praticamente não afetou a sua personalidade e inteligência. Contudo, durante um longo período, ela foi incapaz de reverter à sua forma humana.

Mulher-Hulk, a Amazona de Jade.
 
Histórico de publicação: Mais um produto do génio criativo de Stan Lee (que, no entanto, escreveu apenas a sua primeira história), a Mulher-Hulk foi o último conceito desenvolvido pelo chamado Papa da Marvel antes da sua retirada da indústria dos quadradinhos.
      A personagem surgiu em consequência do enorme êxito da série televisiva The Incredible Hulk, transmitida nos EUA entre 1977 e 1982. Receando que, a exemplo do que sucedera com Bionic Man (outra série televisiva muito popular à epoca), os produtores da série do Golias Esmeralda introduzissem uma sua contraparte feminina, numa jogada de antecipação, a Marvel tomou a decisão de lançar a sua própria versão de uma personagem com essas características, assegurando assim os respetivos direitos de autor.

Stan Lee (esq.) e John Buscema foram os "progenitores" da Mulher-Hulk.

      Em fevereiro de 1980, chegou às bancas o mais recente título da Casa das Ideias, The Savage She-Hulk, estrelado pela neófita heroína cor de jade. Entre essa data e março de 1982, foram publicados 25 volumes da série. Com o cancelamento desta, a Mulher-Hulk, quase sempre no âmbito de participações especiais, passou a coadjuvar outras personagens do Universo Marvel.

A Mulher-Hulk debutou em 1980 em The Savage She-Hulk nº1.

      Pouco tempo depois, a Mulher-Hulk ingressou nas fileiras dos Vingadores. Ao mesmo tempo que vivia sensacionais aventuras ao lado dos heróis mais poderosos da Terra nas páginas de Avengers, participava ocasionalmente nas histórias do seu primo em The Incredible Hulk. Durante esse período foi desenhada por artistas consagrados como Sal Buscema (irmão mais novo de John Buscema, seu cocriador) ou John Byrne. Este último ficaria intimamente ligado à evolução da personagem quando, em 1989, assumiu o seu segundo título a solo, The Sensational She-Hulk.
      Antes, porém, em meados de 1984, na sequência da conclusão da saga Secret Wars, a Mulher-Hulk trocou os Vingadores pelo Quarteto Fantástico, em substituição do Coisa. Fantastic Four tornou-se assim o seu novo lar de acolhimento.
      Lançado em 1989, o título The Sensational She-Hulk - inicialmente escrito e desenhado por Jonh Byrne - catapultou para a ribalta a Gigante Verde. Com 60 números editados (o último chegou às bancas em fevereiro de 1994), foi, até ao momento, a mais duradoura série protagonizada por uma personagem feminina do Universo Marvel. A natureza irreverente das suas histórias, onde não faltavam sátiras bem-humoradas aos clichés do género super-heroico, fez da Mulher-Hulk um caso sério de popularidade.
      Na década seguinte, a Mulher-Hulk voltou, depois de uma breve passagem pelo título Heroes For Hire, às páginas de The Avengers. Esta sua itinerância só terminaria em maio de 2004, quando a heroína teve direito a uma nova série própria. Todavia, apesar das críticas favoráveis, She-Hulk acabaria suspensa ao fim de seis edições em virtude das fracas vendas. Ainda houve uma tentativa de relançamento, mas a série acabaria definitivamente cancelada após o seu 12º número.
      Seguiu-se novo interregno marcado pela participação da heroína em diversas minisséries e edições especiais, próprias ou alheias. Até que em, novembro de 2012, a Amazona de Jade se mudou de armas e bagagens para as páginas de Future Foundation, um dos mais recentes projetos editoriais da Casa das Ideias que retrata o quotidiano de uma fundação filantrópica criada pelo Senhor Fantástico para acautelar o futuro da humanidade.
       
Hulk e Mulher-Hulk: primos com sangue radioativo.
 
Biografia: Jennifer Walters era a frágil e tímida filha do xerife do condado de Los Angeles, Morris Walters. Coincidindo com a visita do seu primo Bruce Banner à cidade, a jovem foi baleada pelos homens de um gângster com velhas contas a ajustar com o seu pai.
      Gravemente ferida, Jennifer foi transportada para o hospital em estado crítico. A sua única esperança era receber uma transfusão sanguínea de um dador compatível. Apesar da radioatividade do seu sangue, Bruce Banner ofereceu-se para salvar a vida da prima.
       Desse facto resultou uma mutação genética em Jennifer, transformando-a numa furiosa gigante de pele esmeralda.

Nos seus primórdios, a Mulher-Hulk tinha uma aparência - e um temperamento-  mais selvagem.
 
       Como Mulher-Hulk, a jovem passou a possuir poderes similares ao titânico alter ego do seu primo, embora num nível mais reduzido. Inicialmente, à semelhança de Banner, a sua transformação era espoletada pela raiva. No entanto, a sua aparência foi sempre menos monstruosa do que a do Hulk. Outra diferença em relação a este residiu no facto de, ao fim de pouco tempo, Jennifer ter aprendido a controlar a selvageria da sua contraparte, conservando assim a sua inteligência e racionalidade mesmo quando transformada em Mulher-Hulk. Razão pela qual rapidamente se passou a sentir mais confortável nesta sua forma.
       Após uma curta carreira heroica a solo, a Mulher-Hulk juntou-se aos Vingadores, de onde transitou para o Quarteto Fantástico. Durante o período em que substituiu o Coisa na equipa, a Amazona de Jade teve de travar uma fuga radioativa no porta-aviões aéreo da S.H.I.E.L.D. Dessa exposição massiva à radiação resultou a aparente irreversibilidade da sua transformação.
       Nada que, contudo, a deixasse abalada, visto que Jennifer preferia vestir a pele da sua poderosa contraparte. E este percalço também não obstou a que continuasse a sua bem-sucedida carreira como advogada.
       Vários anos transcorridos sobre estes eventos, foi revelado que a pretensa irreversibilidade da transformação da Mulher-Hulk resultava, na verdade, de um bloqueio psicológico. Uma vez desfeito, a heroína pôde reassumir a sua forma humana.

Mesmo incapaz de reverter à sua forma humana, a Mulher-Hulk construiu uma fulgurante carreira de advogada.
        Com o regresso do Coisa à Terra, a Mulher-Hulk abandonou o Quarteto Fantástico, sendo readmitida nos Vingadores. Paralelamente, foi convidada a integrar a equipa do Procurador Distrital de Nova Iorque. Anteriormente, enquanto advogada, Jennifer destacara-se na defesa dos direitos das minorias e na denúncia de práticas antiéticas das grande corporações.
        Anos depois, a Gigante Verde foi um dos membros fundadores da efémera Fantastic Force (equipa de meta-humanos sediada no reino de Wakanda e liderada pelo Pantera Negra). Nos Heróis de Aluguer prestou essencialmente apoio jurídico, apesar de também ter participado ativamente em algumas das aventuras do grupo.
       Devido à sua afiliação em diversos grupos ao longo do tempo, a Mulher-Hulk usou diferentes uniformes, não possuindo portanto um traje icónico como é regra entre os seus colegas de profissão.
       A sua personalidade também passou por alterações significativas: de personagem agressiva e irracional, passou a bem-humorada, sedutora e assertiva.

Divertida e inteligente, a Mulher-Hulk é uma das heroínas mais populares da BD.
  
Noutros media: Na lista das melhores personagens de sempre dos quadradinhos, publicada pela revista da especialidade Wizard, a Mulher-Hulk ocupa o 104º lugar. Já o site IGN atribuiu-lhe a 88ª posição no seu ranking dos maiores heróis e heroínas da BD, sublinhando tratar-se de uma das raras versões femininas de uma personagem masculina consagrada a conseguir libertar-se da sua sombra.
       Na televisão, a estreia da Mulher-Hulk ocorreu em 1982, em vários episódios da série de animação The Incredible Hulk. Em 1989 foi anunciada a sua participação  num telefilme baseado na antiga série televisiva do Gigante Verde, o que acabaria por não se concretizar. Tal como também não passou do papel a ideia, proposta em tempos ao canal ABC, de lançar um série protagonizada pela heroína de jade
       Na sequência destes dois projetos abortados de transposição ao pequeno ecrã, no início da década de 1990, surgiu a intenção de produzir um filme da Mulher-Hulk. Para lhe dar vida, foi escolhida a atriz dinamarquesa Brigitte Nielsen (Rocky IV), que chegou a posar em sessões fotográficas com vista à promoção da película. Esta, no entanto, acabou por nunca ser realizada.
       Emitida pelo canal Disney XD a partir de agosto de 2013, a série animada Hulk and the Agents of S.M.A.S.H. tem a Mulher-Hulk como coprotagonista, cabendo à atriz Eliza Dushku emprestar-lhe a voz.

Brigitte Nielsen posando como Mulher-Hulk para um filme que nunca veria a luz do dia.

sexta-feira, 7 de março de 2014

BD CINE APRESENTA: «O INCRÍVEL HULK»



 

 
     Inserido na Fase 1 da Marvel que precedeu o filme dos Vingadores, O Incrível Hulk contou com um novo elenco, um novo realizador e uma nova abordagem para tentar apagar a má imagem deixada pelo seu antecessor dirigido por Ang Lee.
 
Título original: The Incredible Hulk
Ano: 2008
País: EUA
Duração: 112 minutos
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Estúdios: Marvel Studios (produção) e Universal Studios (distribuição)
Realização: Louis Leterrier
Argumento: Zak Penn e Edward Harrison (pseudónimo de Edward Norton)
Elenco: Edward Norton (Bruce Banner), Liv Tyler (Betty Ross), Tim Roth (Emil Blonsky e voz do Abominável), William Hurt (General Thaddeus Ross), Ty Burrell (Dr. Leonard Samson) e Lou Ferrigno (voz do Hulk)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 263,5 milhões de dólares
 
Em 2008, a fúria do Golias Esmeralda voltou a explodir no grande ecrã.
 
Produção: Logo após o lançamento de Hulk (2003), o argumentista James Schamus escreveu um rascunho para uma sequela, na qual figuraria o Hulk Cinzento. Como antagonistas foram equacionados o Líder e o Abominável. Por considerar que este último representaria um desafio maior para o Golias Esmeralda, a Marvel descartou o primeiro, dada a sua natureza mais cerebral.
     Durante a rodagem do primeiro filme do Gigante Verde, o produtor Avi Arad definiu maio de 2005 como a data de lançamento da referida sequela. No entanto, só em janeiro de 2006 é que a Marvel confirmou o financiamento do projeto, anunciando de passagem que a segunda película seria distribuída pelos Universal Studios. Nesse ínterim, os direitos de produção concedidos à Universal haviam expirado, facto que explicava este volte-face no desenvolvimento do projeto.
     Com vista a assegurar a viabilidade da franquia, a Marvel achou por bem, perante as reações negativas a Hulk, enxotar Ang Lee da cadeira de realizador. Louis Leterrier, fã assumido da série televisiva do Gigante Verde da década de 70 do século passado, foi o senhor que se seguiu. Como principal referência do cineasta, a aclamada minissérie Hulk: Grey (publicada em 2004 no Brasil pela Panini Comics sob o título Hulk Cinza), da autoria de Jeph Loeb e Tim Sale.
     O argumento foi entregue a Zak Penn que, em 1996, escrevera a versão primitiva do guião para a primeira longa-metragem do Hulk. Este comprometeu-se a adotar um registo mais próximo da BD e da série televisiva.
     Entretanto, Edward Norton (Clube de Combate, América Proibida), escolhido para suceder a Eric Bana no papel de Bruce Banner, negociara um acordo com os produtores que lhe permitiu assumir as funções de coargumentista.
     As filmagens de O Incrível Hulk tiveram início a 9 de julho de 2007, em Toronto. Grande fã do Golias Esmeralda, o mayor da cidade canadiana, David Miller, comprometeu-se a proporcionar todas as condições à rodagem do filme. Além de Toronto, vários outros pontos do Canadá serviram de cenário antes de a equipa de produção rumar a Nova Iorque e ao Rio de Janeiro.
     Transcorridos 88 dias, as filmagens foram dadas como concluídas, em novembro de 2007. Nos EUA, a estreia ocorreu a 13 de junho do ano seguinte.
     
Enredo: Na Universidade de Culver, no estado norte-americano da Virgínia, o general Thaddeus Ross encontra-se com o Dr. Bruce Banner, colega e namorado da sua filha, Betty. O objetivo desse encontro é reativar o programa Supersoldado - iniciado nos alvores da II Guerra Mundial - de modo a, supostamente, tornar os seres humanos imunes aos efeitos da radiação gama.
     No entanto, a experiência fracassa e Banner é exposto a uma elevadíssima dose de radiação gama. Em consequência disso, sempre que a pressão arterial do cientista aumenta, ele transforma-se no monstro de pele esverdeada batizado de Hulk. 
     Depois de o Hulk destruir o laboratório, causando vários mortos e feridos, Banner torna-se um fugitivo perseguido pelos militares, empenhados em capturar a criatura para usá-la como arma.

Uma experiência científica malsucedida transformou o Dr. Banner no Incrível Hulk.

     Cinco anos volvidos, Banner trabalha numa fábrica numa favela do Rio de Janeiro, enquanto procura, secreta e obstinadamente, uma cura para a sua condição. Isto ao mesmo tempo que mantém contacto com o misterioso Sr. Blue, a quem envia uma amostra do seu sangue. 
     Quando o  paradeiro de Banner é descoberto, o general Ross envia para o local uma força-tarefa comandada por um fuzileiro naval britânico de origem russa, Emil Blonsky. Banner transforma-se no Hulk e massacra Blonsky e os seus homens.  
     Na sequência desses eventos, Blonsky voluntaria-se para ser injetado com uma pequena porção do soro do Supersoldado que esteve na origem do Capitão América. Blonsky ganha assim força, velocidade e resistência sobre-humanas. Como efeitos colaterais, o seu raciocínio é afetado e o seu esqueleto começa a deformar-se.
     Banner, entretanto, regressa à Universidade de Culver onde reencontra Betty. Esta, porém, namora agora com o psiquiatra Leonard Samson que, por sua vez,  informa os militares da presença de Banner no local. Após uma curta batalha nas imediações do campus universitário, as forças do general Ross(que incluem tanques e outro armamento pesado) são destroçadas pelo Hulk. De seguida, o Gigante Verde parte, levando consigo Betty.
 
Betty e general  Ross: pai e filha nutrem sentimentos opostos em relação a Banner e ao seu monstruoso alter ego.
 
     Quando reverte à sua forma humana, Banner ruma a Nova Iorque na companhia de Betty. Lá é informado pelo microbiólogo Samuel Sterns (o misterioso Sr. Blue) de um possível antídoto para a sua condição, desenvolvido a partir da amostra de sangue fornecida pelo cientista. Alarmado com a possibilidade desse material cair nas mãos erradas, Banner insta o Dr. Sterns a destruir todas as amostras do seu sangue.
 
O Dr. Banner nunca desiste de encontrar uma cura para si.
     Novamente descoberto o seu paradeiro, Banner e Betty são levados sob custódia pelos militares. Blonsky, entretanto, obriga o Dr. Sterns a inoculá-lo com o sangue de Banner com o fito de adquirir poderes idênticos aos do Hulk.
     Da combinação do soro do Supersoldado com o sangue radioativo de Banner resulta uma abominação. Transformado numa criatura medonha e mais poderosa do que o próprio Hulk, Blonsky espalha caos e destruição no Harlem.
 
Hulk e Abominável digladiam-se no coração de Nova Iorque.

     Percebendo que somente o Hulk poderá travar o Abominável, Banner convence Ross a libertá-lo. Segue-se uma violenta refrega entre as duas criaturas, culminando com a vitória do Golias Esmeralda. Betty suplica-lhe que poupe a vida de Blonsky e, após um momento emotivo, o Hulk deixa Nova Iorque rumando a parte incerta.
     Um mês depois, Banner encontra-se algures na Colúmbia Britânica, onde tenta aprender a controlar as suas transformações, em vez de as tentar suprimir.
     Numa cena após os créditos finais, o general Ross encontra-se num bar com Tony Stark (o Homem de Ferro), que lhe anuncia que uma equipa está a ser formada (referência ao futuro filme dos Vingadores).

 
O Incrível Hulk abriu caminho para o filme dos Vingadores.
  
Curiosidades:
* Existem referências no filme à próxima produção dos Estúdios Marvel (Capitão América, O Primeiro Vingador, lançado em 2011 também no âmbito da Fase 1 que antecedeu Os Vingadores): no gabinete do general Ross pode ver-se um retrato de Steve Rogers (identidade civil do Sentinela da Liberdade). Noutra cena, uma etiqueta com o nome «Dr. Reinstein» escrito identifica um tanque de armazenamento. Trata-se, nada mais nada menos,  do cientista responsável pelo desenvolvimento do soro do Supersoldado que deu origem ao Capitão América;
* De acordo com o que Tim Roth (que aceitou participar no filme por ser um fã da antiga série televisiva do Hulk) afirmou, Edward Norton reescreveu várias cenas. Ele e Liv Tyler também passavam horas a discutir o background das suas personagens. Factos que valeram a Norton, ainda que sob o pseudónimo de Edward Harrison, ser creditado como coargumentista;
* William Hurt baseou a sua interpretação do general Ross no capitão Ahab, que obstinadamente perseguia a baleia branca Moby Dick no romance homónimo;
* Foi Lou Ferrigno (que dava vida ao Hulk na série televisiva dos anos 1970 e que lhe emprestou a voz nesta segunda longa-metragem) quem recomendou Edward Norton para o papel de Bruce Banner. Segundo ele, Norton fazia-lhe lembrar Bill Bixby, ator a quem coube dar vida à contraparte humana do monstro na citada série;
* David Duchovny (X-Files, Californication) foi um dos nomes considerados para assumir o papel de Bruce Banner;
* A dada altura do filme, Betty Ross compra um par de calças roxas a Bruce. Peça de vestuário icónica nos quadradinhos, onde o Gigante Verde surge muitas vezes vestido dessa forma;
* Louis Leterrier manifestara interesse em dirigir Homem de Ferro 2, mas seria Jon Favreau o realizador escolhido. O produtor Avi Arad ofereceu-lhe então a sequela de Hulk, sucedendo dessa forma a Ang Lee. Contudo, o  Leterrier teve de dirigir metade do filme com um pé partido;
* Leterrier justificou a aparência do Abominável no filme (muito diferente da sua contraparte da BD) com o facto de o público ter dificuldade em perceber porque teria o vilão um aspeto reptiliano em vez de surgir como uma versão disforme do Golias Esmeralda;
 
Tim Roth e a arte conceptual do Abominável.
* Ao longo de todo o filme, Hulk pronuncia somente seis palavras: "Deixem-me em paz", "Hulk esmaga" e "Betty";
* Ao invés do que sucedia na primeira película, o Hulk deixou de aumentar de tamanho à medida que ficava mais furioso. A sua pele também ganhou um tom de verde mais escuro.
 
 
Veredito: 64%
 
     Mais um reboot do que uma sequela, O Incrível Hulk  supera em todos os aspetos a primeira adaptação do Gigante Verde ao grande ecrã, dirigida cinco anos antes por Ang Lee. O que, convenhamos, também não era propriamente missão difícil, considerando que Hulk, de tão entediante e desfasado do conceito original da BD, redundou num confrangedor fiasco. Não restou por isso outro remédio à Marvel se não relegá-lo para o limbo de uma pretensa realidade alternativa.
      Com o lançamento de um filme dos Vingadores no horizonte, a Casa das Ideias teve de relançar a série para se retratar juntos dos fãs e, claro, para fazer mais dinheiro. Percebe-se assim que, ao fazer regressar a personagem às suas raízes, Louis Leterrier haja preferido jogar pelo seguro.
      Não obstante a dialética Dr. Jekyll/Mr. Hyde, que subjaz ao conceito desenvolvido por Stan Lee e Jack Kirby há mais de meio século, ser ligeiramente preterida em favor de uma história mais centrada no atribulado romance entre Bruce e Betty, o resultado final, também pelas formidáveis sequências de ação presentes ao longo filme, é claramente satisfatório. Para isto contribuiu também a forte evolução em matéria de efeitos especiais desde a primeira aventura cinematográfica do Gigante Verde.
      Edward Norton, um dos mais brilhantes e versáteis atores da sua geração, possui, na minha opinião, um perfil muito mais adequado ao papel de Bruce Banner do que o seu antecessor, Eric Bana. E também não perde na comparação com Mark Ruffalo em Os Vingadores (2012). Norton, pela sua aparência frágil, personifica na perfeição o drama de um homem obrigado a lutar constantemente contra a sua indómita fera interior, ao mesmo tempo que vive o pavor dos caçados e o tormento de uma mente que não é totalmente sua nem inteiramente sã.
      Não estando, portanto, em presença do melhor filme produzido até à data pelos estúdios da Marvel, O Incrível Hulk está longe de ser o pior. Pela sua espetacularidade, pela história mais fiel à banda desenhada original e pela densidade conferida às principais personagens por um elenco renovado (e manifestamente mais competente do que o anterior), vale a pena ser visto na companhia de um grande balde de pipocas. Não mudará a vida de ninguém mas garantirá uma generosa dose de entretenimento.
 
 
         

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

GALERIA DE VILÕES: ABOMINÁVEL




      Produto da mesma radiação gama que transformou Bruce Banner no Incrível Hulk, pela sua força titânica, o Abominável é um dos raros seres à face da terra capaz de lutar de igual para igual com o Golias Esmeralda. Razão pela qual é um dos mais temidos vilões do Universo Marvel.


Nome original: Abomination
Primeira aparição: Tales to Astonish nº90 (abril de 1967)
Criadores: Stan Lee (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Emil Blonsky
Local de nascimento: Zagreb, Croácia
Parentes conhecidos: Nadia Dornova Blonsky (ex-esposa)
Filiação: Aliado das Abominações e dos Esquecidos; antigo parceiro de MODOK e Rhino.
Base de operações: Móvel
Armas, poderes e habilidades: Apesar de possuir vários poderes em comum com o Hulk, por ter sido exposto a uma dose superior de radiação gama, o Abominável tem algumas dessas habilidades amplificadas, além de características próprias.

*Superforça: O Abominável consegue facilmente atingir as cem toneladas de força (equivalente ao nível máximo de força estimado do Hulk). No entanto, contrariamente ao Golias Esmeralda, a força do vilão não oscila em função das emoções, mantendo-se portanto inalterada. Outra diferença reside no porte de ambos. Os 2,5 metros de altura e os 612 quilos de peso do Abominável suplantam os 2,28m e os 471 kg do Gigante Verde.
      Fazendo-se a comparação da força bruta de ambos, constata-se que, quando o Hulk não está enfurecido, o Abominável é duas vezes mais forte do que ele. Acresce o facto de Emil Blonsky, enquanto espião do KGB, ter recebido treino militar, sendo por isso um excelente lutador;
* Irreversibilidade da transformação: Outra grande diferença passa pela incapacidade de Emil Blonsky reverter ao estado humano, por contraponto ao que sucede com Bruce Banner quando o Hulk se acalma. Mais um efeito colateral da sobredosagem de radiação gama a que o vilão foi exposto;
*Resistência física sobre-humana: Dotado de um organismo modificado e de características reptilianas, o corpo do Abominável é blindado por escamas, razão pela qual consegue resistir a temperaturas extremas e a baixos índices de oxigénio (é inclusivamente capaz de respirar debaixo de água, algo que o Hulk não consegue fazer);
*Regeneração celular espontânea: O Abominável possui um dos mais rápidos e impressionantes fatores de cura do Universo Marvel, apenas superado pelo do próprio Hulk. Ao contrário deste, o monstro pode eventualmente sofrer lesões. Quando atingido mortalmente, o Abominável mergulha num estado de animação suspensa enquanto o seu organismo se regenera;
*Intelecto: Esta é, com efeito, a maior vantagem que o Abominável possui sobre o Golias Esmeralda. Uma vez transformado na sua contraparte monstruosa, Emil Blonsky - contrariamente a Bruce Banner - preservou a sua capacidade de raciocínio.

Tales to Astonsih nº90 (antigo título conjunto do Hulk e do Príncipe Submarino) foi onde onde debutou o Abominável.

Histórico de publicação: Stan Lee escolheu o nome Abominável ("Abomination", no original) antes mesmo de idealizar a sua aparência e motivações ao constatar que nenhuma outra personagem fora ainda assim denominada. Para a sua conceção, Lee limitou-se a pedir a Gil Kane que desenhasse um vilão maior e mais forte do que Hulk, de modo a que os confrontos entre ambos fossem "divertidos".
      Em plena Guerra Fria, para alter ego da criatura Lee escolheu um espião jugoslavo ao serviço do KGB, que procurava replicar a mutação ocorrida em Bruce Banner após ter sido colhido anos antes no âmago de uma explosão nuclear.  Para isso, Emil socorreu-se de uma máquina que o amargurado cientista planeava usar para se suicidar.
      Na sua primeira aparição em Tales to Astonish nº90 (1967), o Abominável é retratado como um humanoide de grande envergadura dono de uma força duas vezes superior à do Golias Esmeralda. Satisfazendo o pedido de Stan Lee, a neófita personagem derrota o Hulk na primeira batalha entre ambos.

A aparência primitiva do Abominável.

      Desde então, o vilão tem figurado numa plêiade de títulos do Universo Marvel. Gradualmente passou de mera personificação da força bruta a mestre do crime e a alma torturada. Manteve contudo intocável o seu estatuto de um dos mais proeminentes vilões da Casa das Ideias.

Hulk versus Abominável: titãs em fúria.

Biografia: Emil Blonsky, um ex-operacional do KGB de origem jugoslava, tentou emular em si os efeitos da radiação gama. Cumprindo uma missão de espionagem encomendada pelos soviéticos, descobriu uma máquina projetada pelo cientista Bruce Banner (o Hulk) e expôs-se deliberadamente à mesma radiação que originara o Gigante Verde. Desconhecia, porém, que o aparelho em questão fora concebido pelo atormentado cientista para pôr termo à própria vida e à maldição do Hulk.
        Aparentemente, a dose de radiação recebida por Blonsky foi muito maior do que aquela que atingira Banner anos antes. Em consequência desse facto, o seu efeito sobre Blonsky assumiu caráter irreversível.
        Além disso, as alterações no corpo de Blonsky deixaram-no com características ainda menos humanas do que Banner, quando transformado no Hulk. Enquanto este conservou o seu cabelo (embora com um tom esverdeado), bem como a totalidade dos dedos das mãos e dos pés, Blonsky ficou com o corpo recoberto de escamas ultrarresistentes (inclusive onde outrora se localizava o seu couro cabeludo), tem apenas dois dedos em cada pé e as suas orelhas adquiriram o formato de guelras.
        Adotando o nome de Abominável, Blonsky afastou-se da sua esposa Nadia, temendo a sua reação ao vê-lo naquele estado.

Nas suas versões mais recentes, o Abominável ganhou um aspeto ainda mais hediondo.

       O ódio do Abominável pelo Golias Esmeralda foi aumentando com o tempo, na exata medida em que culpava Bruce Banner pela sua transformação. Acrescia a isto o facto de Banner ter conseguido, malgrado o seu infortúnio, casar-se com Betty Ross e manter as pessoas que o amavam à sua volta, ao passo que Emil Blonsky, após a sua grotesca mutação, perdeu todos os que lhe eram queridos. Fruto desse rancor, Blonsky chegou mesmo a envenenar Betty, matando-a.
    O Hulk e o Abominável já se enfrentaram vezes sem conta, em duelos titânicos que invariavelmente deixam um rasto de destruição e morte, saindo o Golias Esmeralda vencedor em algumas dessas ocasiões e o seu rival noutras.
        

A força destruidora do Abominável em ação.
 
Noutros media: Apenas em 1996 o Abominável se estreou fora dos quadradinhos, mais precisamente em alguns episódios avulsos da série de animação The Incredible Hulk.
       Assemelhando-se a um réptil gigante de aspeto escamoso, o vilão, por contraponto à sua versão da banda desenhada, era ainda mais irracional do que o Gigante Verde. Com o Gárgula e a Ogra formou os Guerreiros Gama do Líder (outro dos inimigos jurados do Hulk, também ele um subproduto da radiação gama).
       Seguiram-se participações esporádicas em outras séries do género produzidas sob a chancela da Marvel, como The Super Hero Squad Show (2009-2011), The Avengers: Earth's Mightiest Heroes (2010-2013)  e  Hulk and the agents of S.M.A.S.H. (estreada em 2013 e ainda em exibição nos EUA).
       Antes, porém, no filme de 2008 O Incrível Hulk, já o vilão se celebrizara junto do grande público.  Coube a Tim Roth interpretar o seu alter ego humano, emprestando também a voz ao Abominável, criado digitalmente. Nesta versão, Emil Blonsky é um capitão dos fuzileiros navais britânicos nascido na Rússia que oferece os seus préstimos ao Exército dos EUA para ajudar a recapturar o Hulk.
      Obecado em obter um nível de poder semelhante ao do Golias Esmeralda, Blonsky voluntaria-se para servir de cobaia num experimento científico que consiste na inoculação de um soro derivado da fórmula do supersoldado (que esteve na origem do Capitão América) combinado com radiação gama. Em resultado disso, transforma-se no infame Abominável.



Em 2008, o Abominável foi o antagonista escolhido para o Golias Esmeralda em O Incrível Hulk.