quarta-feira, 21 de maio de 2014

GALERIA DE VILÕES: IRMANDADE DE MUTANTES

 


     Contraparte maligna dos X-Men, foi fundada por Magneto, que não comungava do sonho de Charles Xavier de uma coexistência pacífica entre humanos e mutantes. Teve diferentes formações ao longo dos anos e trocou o ativismo radical pelo terrorismo.

Nome original da equipa: The Brotherhood of Evil Mutants, Brotherhood of Mutants ou simplesmente The Brotherhood
Primeira aparição: X-Men nº4 (março de 1964)
Criadores:  Stan Lee (história) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Membros fundadores: Magneto, Sapo, Mestre Mental, Mercúrio e Feiticeira Escarlate
Membros atuais: Mística, Dentes-de-Sabre, Lady Mental, Blob e Samurai de Prata
Base de operações: Móvel

Nota prévia: Devido ao elevado número de integrantes que fizeram parte da Irmandade de Mutantes ao longo dos anos, o presente artigo cingir-se-á somente a três das suas onze encarnações: a original, a liderada por Mística  nos anos 1980 e a atual.
 

Irmandade de Mutantes versus X-Men: dois ideais antagónicos em conflito.

 
Ideologia: Embora as mais recentes encarnações da Irmandade de Mutantes se tenham assumido como rivais políticos e ideológicos do sonho de Charles Xavier de uma coexistência pacífica entre homo sapiens e homo superior, o grupo foi inicialmente concebido para ser um pequeno, porém poderoso, braço armado do projeto de dominação mundial arquitetado por Magneto.
      No entanto, a partir da sua segunda encarnação - ainda sob os auspícios do Mestre do Magnetismo -, as atividades da Irmandade adquiriram um pendor político mais pronunciado. Nada que obstasse, porém, ao emprego da violência por parte do grupo, tanto a pretexto da defesa da causa mutante como da promoção de uma revolução global contra a suposta tirania da humanidade.
      Para melhor compreender as motivações do grupo, vários dos seus elementos têm sido retratados como vítimas de preconceito e discriminação por parte dos humanos, fazendo portanto da Irmandade uma espécie de porto seguro para mutantes que se sentem párias. Se muitos deles abraçaram a ideologia radical e os métodos violentos da Irmandade, outros houve que os renegaram e acabaram por desertar da equipa. Entre estes, destacam-se Mercúrio e a Feiticeira Escarlate - filhos de Magneto - que se afastaram da Irmandade por discordarem dos planos de dominação do pai.
 
Uma das mais recentes formações da Irmandade de Mutantes.
 
A primeira Irmandade de Mutantes: Magneto, um poderoso mutante capaz de manipular campos magnéticos a seu bel-prazer, foi o líder e fundador da primeira Irmandade. Seria posteriormente revelado que ele sobrevivera ao Holocausto nazi, daí resultando a sua visceral desconfiança em relação aos humanos e a sua patológica intolerância para com eles.
      A formação original do grupo incluía também Mercúrio (dotado de supervelocidade), Feiticeira Escarlate (com o poder de afetar os campos de probabilidades), Sapo ( um ser grotesco com uma língua semelhante a um chicote e capaz de saltar a grandes distâncias) e Mestre Mental ( com a habilidade de gerar ilusões sensoriais).
 
A estreia da Irmandade de Mutantes em X-Men nº4 (1964).

 
      Mercúrio e a Feiticeira Escarlate são filhos de Magneto, embora, à época, nenhum deles tivesse conhecimento disso. Os gémeos tinham-se juntado à Irmandade depois de o Mestre do Magnetismo ter salvado Wanda de uma multidão em fúria que se preparava para linchá-la devido ao facto de ela acidentalmente ter provocado um incêndio (ver texto anterior).
      Vezes sem conta a Irmandade de Mutantes confrontou os X-Men, liderados por Charles Xavier, um velho amigo de Magneto. O primeiro duelo entre as duas fações mutantes, teve como cenário São Marco, um pequeno país conquistado pelos acólitos de Magneto graças a um falso exército criado pelo Mestre Mental. Na peleja, Anjo (um dos X-Men originais) foi capturado pela Irmandade e levado para o Asteroide M, a base orbital dos vilões. Seria contudo rapidamente resgatado pelos seus companheiros de equipa.
      Com o intuito de reforçar o seu poder de fogo, a Irmandade procurou recrutar Namor, o Príncipe Submarino e Thor, o Deus do Trovão, mas ambos recusaram. Por fim, Magneto e Sapo foram capturados por um alienígena chamado Estranho (que eles tomaram inicialmente por um poderoso mutante) e levados para o seu planeta natal. Mercúrio e a Feiticeira Escarlate aproveitaram a ocasião para se afastarem definitivamente do grupo, juntando-se de seguida aos Vingadores.
      Regressado à Terra, Magneto reorganizou três vezes a equipa, recrutando criminosos mutantes como Blob e Unus, o Intocável. Estas novas formações estiveram depois na origem da Resistência Mutante.

A Irmande de Mutantes de Mística: A vilã transmorfa chamada Mística fundou e liderou a sua própria Irmandade, no início dos anos 80 do século passado. Para esse efeito, recrutou vários mutantes renegados, nomeadamente Blob (inamovível graças ao seu peso descomunal), Pyro (capaz de produzir e manipular labaredas), Sina (dotada de poderes precognitivos), Avalanche (com o poder de reproduzir o fenómeno natural que lhe dá nome) e Vampira (a filha adotiva de Mística, que, com um simples toque, consegue absorver  habilidades e memórias alheias).
 

Mística (ao centro) fundou a sua própria Irmandade de Mutantes.
      Numa das primeiras missões do grupo, Mística enviou os seus aliados contra a Miss Marvel (Carol Danvers, a atual Capitã Marvel). Durante a batalha que se seguiu, Vampira absorveu os poderes cósmicos e as memórias da heroína. Contrariamente ao que era habitual, o processo teve efeitos permanentes. Vampira possui desde então, além do seu talento mutante atrás referido, habilidades similares às da Miss Marvel.
 

Vampira absorveu os poderes e as memórias da Miss Marvel.
 
      Aproveitando esse facto, Mística decidiu intensificar as atividades terroristas da Irmandade e escolheu como alvo a abater o senador Kelly, que vinha levando a cabo uma virulenta campanha antimutante. Embora esse fosse apenas o primeiro de vários assassínios seletivos programados, a Irmandade foi derrotada pelos X-Men e os planos de Mística gorados.
      Encarcerados, os membros da Irmandade seriam pouco tempo depois libertados pela ação da Vampira. Contudo, os seus elementos masculinos não tardariam a ser devolvidos à prisão na sequência de um confronto que os opôs a Rom, O Cavaleiro Espacial.
      Já depois de Vampira abandonar a equipa para se tornar uma X-Men, Mística e os restantes membros da Irmandade estiveram na base da formação da Força Federal (Freedom Force, no original), uma equipa de mutantes patrocinada pelo governo norte-americano. A eles juntar-se-iam entretanto Espiral, Super-Sabre, Muralha ,Comando Vermelho e segunda Mulher-Aranha.
 
Blob, um repetente em diferentes gerações da Irmandade de Mutantes.
 
A nova Irmandade de Mutantes: No rescaldo da guerra que opôs recentemente os Vingadores aos X-Men, Mística recrutou Dentes-de-Sabre e Lady Mental (filha do Mestre Mental) com o propósito de ressuscitar a Irmandade. O grupo cometeu diversos assaltos usando as ilusões de Lady Mental para incriminar os X-Men originais, trazidos para o presente pelo Fera. Blob e Samurai de Prata reforçariam pouco depois o contingente.
 
Dentes-de-Sabre e Mística são o núcleo duro da atual Irmandade de Mutantes.

Noutros media: Curiosamente, a primeira aparição da Irmandade de Mutantes fora da banda desenhada não ocorreu numa qualquer série animada dos X-Men, mas sim em Spider-Man And His Amazing Friends (1981-83), num episódio intitulado The Prison Plot. Nele, a equipa era composta por Magneto, Blob, Mestre Mental, Sapo e Sina.
      De lá para cá, o coletivo de vilões mutantes deu um ar da sua graça em praticamente todas as séries de animação protagonizadas pelos Filhos do Átomo, ainda que com diferentes configurações: desde X-Men: Pryde of X-Men (1989) até Wolverine and the X-Men (2009), passando por X-Men: Evolution (2000-2003).
A Irmandade de Mutantes que figurou na 1ª temporada da série animada X-Men (1992-93).
      No cinema, a Irmandade de Mutantes antagonizou os pupilos do Professor Xavier em X-Men, datado de 2000. Numa versão híbrida que reunia elementos da equipa original e da encarnação comandada por Mística, o grupo era constituído por Magneto (Ian McKellen), Mística (Rebecca Romijn-Stamos), Sapo (Ray Park) e Dentes-de-Sabre (Tyler Mane). Na sequela produzida três anos depois (X-Men 2), a Irmandade ficou reduzida a Magneto e a Mística, apesar de, no final da história, se lhes juntar Pyro (Aaron Stanford). No terceiro e último capítulo da trilogia cinematográfica dos Filhos do Átomo, X-Men 3: O Confronto Final (2006), a Irmandade surge com uma formação expandida. Nas suas fileiras incluem-se agora o Fanático (Vinnie Jones), Homem-Múltiplo (Eric Dane), Arco Voltaico (Omahyra Mota), Fénix Negra (Famke Janssen) , Psylocke (Meiling Melacon), Callisto (Dania Ramirez), entre outros.
       Apesar de o grupo não ser referido pelo nome, no final do reboot X-Men: First Class (2011), Magneto (agora intepretado por Michael Fassbender) reúne os membros remanescentes do Clube do Inferno: Rainha Branca, Riptide, Mística, Azazel e Angel Salvadore
 

Magneto à frente da sua renovada Irmandade em X-Men 3: O Confronto Final.

       
    

terça-feira, 6 de maio de 2014

HEROÍNAS EM AÇÃO: FEITICEIRA ESCARLATE





        Antes de ser uma Vingadora fez parte da Irmandade de Mutantes, liderada pelo pai (Magneto). Devido ao seu formidável poder de alterar possibilidades e à sua mente volátil, é temida tanto pelos seus inimigos como pelos seus aliados. Temor reforçado após a Feiticeira Escarlate ter usado as suas habilidades para erradicar a quase totalidade da população mutante da Terra.

Nome original da personagem: Scarlet Witch
Primeira aparição: X-Men nº4 (março de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Wanda Maximoff
Local de nascimento: Montanha Wundagore (na nação fictícia de Transia, localizada no leste europeu)
Parentes conhecidos: Erik Lehnsherr/Magneto (pai), Magda (mãe), Pietro Maximoff/Mercúrio (irmão), Django e Marya Maximoff (pais adotivos), Visão (ex-marido)
Afiliação: Irmandade de Mutantes, Vingadores, Vingadores da Costa Oeste, Defensores Secretos
Base de operações: Torre dos Vingadores, Nova Iorque

Na sua primeira aparição, em X-Men nº4 (1964), Wanda Maximoff  (à direita de Magneto) usava uma indumentária verde.
 
Armas, poderes e habilidades: Mutante, a Feiticeira Escarlate nasceu com a habilidade de manipular as probabilidades. Uma habilidade que pouco tem, no entanto, a ver com magia. Ainda assim, ela refere-se aos seus poderes como "feitiços" ou "encantamentos". Estes possuíam inicialmente um curto alcance, limitado ao campo de visão da heroína. Para lançá-los, é necessária enorme concentração por parte dela. O que não é garantia de precisão e eficácia. Em situações de cansaço ou de uso excessivo dos poderes por parte de Wanda, os seus feitiços podem ter o efeito contrário ao pretendido ou até anular outros previamente conjurados.
        Originalmente, os poderes da Feiticeira Escarlate manifestavam-se subconscientemente. Eram, pois, espoletados quando ela fazia um determinado gesto ou formulava um determinado desejo. À época, contudo, os seus feitiços apenas causavam má sorte aos seus alvos.
        Com o passar do tempo, Wanda foi adquirindo um cada vez maior domínio sobre as suas habilidades, as quais passaram a manifestar-se somente quando ela assim o desejava. Também deixaram de produzir apenas efeitos negativos. Existe uma ténue linha que separa o possível do impossível e a Feiticeira Escarlate consegue manipulá-la.
        À medida que foi sublimando os seus dons, Wanda passou a poder emitir rajadas energéticas, conter ou remover oxigénio de um volume, rechaçar objetos, congelar projéteis em pleno ar, gerar campos de força, defletir ataques místicos e produzir explosões. Mais recentemente, desenvolveu ainda a capacidade voar.
        Após descobrir que estava predestinada a ser um catalisador vivo para as energias místicas que emanam da Terra, a Feiticeira Escarlate passou a conseguir expandir os seus encantamentos para níveis nunca vistos.
        Tendo sido treinada pelo Capitão América, Wanda é uma excelente lutadora corpo a corpo. Dada a sua vasta experiência em combate como Vingadora, é ainda uma dotada estratega.

 
Fraqueza: Apesar de presentemente aparentar estar sã, a estabilidade mental da Feiticeira Escarlate está longe de ser inquestionável. Facto que deixa apreensivos mesmo os que lhe são mais próximos.
       Durante o período em que esteve casada com o androide Visão, e perante a impossibilidade de o casal procriar, ela gerou dois filhos que, na verdade, não passavam de manifestações do seu desejo subconsciente de ser mãe. Mais recentemente, Wanda usou os seus poderes para eliminar o gene X em 99% da população mutante da Terra. Daí resultando uma catastrófica cadeia de eventos que culminou numa épica contenda que opôs os Vingadores aos X-Men.

Os poderes da Feiticeira Escarlate não pararam de crescer ao longo dos anos, assim como a sua instabilidade mental.

Histórico de publicação: A Feiticeira Escarlate, em conjunto com o seu irmão, Mercúrio, debutou, integrando a Irmandade de Mutantes, nas páginas de X-Men nº4, em março de 1964.
        Depois de breves aparições como vilões em números subsequentes da aludida série, os gémeos transferiram-se para os Vingadores, iniciando assim as suas carreiras heroicas.
        Até 1968, a Feiticeira Escarlate foi um membro ocasional da equipa. Só um par de anos depois, em 1970, ganhou o estatuto de membro permanente.
        Entre novembro de 1982 e fevereiro de 1983, Wanda estrelou, ao lado do seu então marido e colega Vingador,Visão, uma série limitada composta por quatro números. Intitulada The Vision and the Scarlet Witch, foi escrita por Bill Mantlo e desenhada por Rick Leonardi.
        A partir de outubro de 1985, e ao longo de doze edições, foi lançado um segundo volume da série, cujos argumentos estavam agora a cargo de Steve Englehart e a arte de Richard Howell.

Capa do primeiro número do segundo volume da série limitada The Vision and the Scarlet Witch (1985).
      Quase uma década volvida, em 1994, a Feiticeira Escarlate teve direito a um série limitada própria (Scarlet Witch), da qual foram editados quatro números.
       Em 1998, George Pérez concebeu um novo uniforme para a personagem, inspirado nos trajes das sacerdotisas romanas. Contudo, este visual raramente foi utilizado por outros artistas.
       Já este século, em 2007, foi lançada a edição especial Mystic Arcana Scarlet Witch, a que se seguiu Avengers Origins: The Scarlet Witch and Quicksilver, em 2009. Desde 2012 que a Feiticeira Escarlate é presença assídua num dos novos títulos dos Vingadores - Uncanny Avengers -, inserido no projeto Marvel Now (Nova Marvel).
 

Heroína ou ameaça? Persiste a dúvida.


Biografia: Uma jovem mulher grávida chamada Magda procurou refúgio na montanha Wundagore, na nação de Transia, depois de ver o seu marido, Magnus, usar os seus poderes magnéticos pela primeira vez. A referida montanha servia de lar ao Alto Evolucionário e foi lá que Magda deu à luz dois gémeos (um menino e uma menina).
      Receando que Magnus descobrisse a existência das crianças, Magda abandonou-as no laboratório do Alto Evolucionário e partiu a coberto da noite, acabando contudo por sucumbir aos elementos.
      Os gémeos foram então entregues pelo Alto Evolucionário aos cuidados de um casal cigano - Django e Marya Maximoff - que os criaram como se fossem seus filhos e os batizaram de Wanda e Pietro.
      Já adolescentes, os gémeos descobriram a sua natureza mutante que lhes confere habilidades extraordinárias. Com efeito, Pietro possui supervelocidade, ao passo que a irmã tem o dom de alterar as possibilidades. Quando ambos usaram os seus poderes em público pela primeira vez, quase foram linchados por uma multidão supersticiosa que os tomou por demónios.


Filhos de Magneto, Feiticeira Escarlate e Mercúrio são irmãos inseparáveis.
 
      Pouco depois, a mesma turba enfurecida atacou o acampamento cigano onde residia a família Maximoff. Ao usar as suas habilidades recém-descobertas para se proteger, Wanda causou um incêndio que matou acidentalmente a sua mãe adotiva.
      Wanda e Pietro acabaram por ser resgatados por Magneto, líder do grupo terrorista conhecido como Irmandade de Mutantes. A convite deste, os gémeos juntaram-se às fileiras da organização, passando a atuar sob os codinomes Mercúrio e Feiticeira Escarlate. Todavia, na altura, tanto eles como Magneto ignoravam em absoluto os laços familiares que os uniam. Muito tempo atrás, Magneto fora Magnus, pai biológico dos dois mais recentes membros da Irmandade.
      Durante a sua efémera colaboração com a organização de Magneto, Mercúrio e Feiticeira Escarlate defrontaram algumas vezes os X-Men. Com o passar do tempo, porém, os dois irmãos tornaram-se cada vez mais relutantes em participar nas ações da Irmandade. Faziam-no apenas pelo débito de gratidão que tinham para com o seu líder.
      Quando Magneto e Sapo - outro dos seus apaniguados - foram capturados pelo Estranho, a Irmandade de Mutantes foi dissolvida. Wanda e Pietro aproveitaram o ensejo para se afastarem, dando como saldada a sua dívida.
      Pouco tempo depois, os gémeos foram recrutados pelo Homem de Ferro para se juntarem aos Vingadores. Juntamente com o Capitão América e o também ex-criminoso Gavião Arqueiro, a Feiticeira Escarlate e Mercúrio formaram a terceira geração da equipa.


Da esq. para a dir.: Gavião Arqueiro, Capitão América, Mercúrio e Feiticeira Escarlate. A terceira geração de Vingadores incluía três ex-criminosos. 

     Wanda cedo se tornou próxima do Gavião Arqueiro ao mesmo tempo que se revelava um membro leal dos Vingadores, até ser acidentalmente atingida numa missão contra Magneto. Na sequência deste incidente, Mercúrio procurou auxílio junto do seu antigo mentor, que o transportou a ele e à sua irmã ferida para a sua base secreta localizada algures no Atlântico. Lá permaneceram durante algumas semanas enquanto a Feiticeira Escarlate recuperava dos seus ferimentos. Durante a sua estadia os gémeos assistiram à captura dos X-Men e tomaram finalmente consciência da malignidade de Magneto.
     Readmitidos nos Vingadores, os gémeos passaram a agir ao lado de novos integrantes da equipa. Wanda enamorou-se por Visão, um androide originalmente criado por Ultron para destruir o grupo. Os dois acabaram por envolver-se emocionalmente, não obstante a forte oposição de Mercúrio e do Gavião Arqueiro. O primeiro não aceitava a ideia de a irmã amar um robô, ao passo que o segundo há muito amava Wanda em segredo. A despeito destas objeções, o Visão e a Feiticeira Escarlate acabaram mesmo por casar, com a bênção de todos os seus companheiros de equipa.
     Crescentemente frustrada com as flutuações das suas habilidades mutantes, Wanda providenciou como sua tutora uma genuína mestra da feitiçaria de seu nome Agatha Harkness. O treino a que foi sujeita permitiu à Feiticeira Escarlate controlar melhor os seus talentos.

 
     Entretanto, Pietro foi raptado por Django Maximoff e levado de volta para a montanha Wundagore. Wanda, por seu lado, foi temporariamente possessa pelo demónio Chthon. Quando se libertou da influência demoníaca, descobriu, por intermédio de uma antiga serviçal do Alto Evolucionário, que Django e Marya Maximoff não eram os seus pais biológicos.
     Quase em simultâneo, enquanto procurava descobrir o paradeiro de Magda, Magneto descobriu que Mercúrio e a Feiticeira Escarlate eram seus filhos. O vilão apressou-se a transmitir-lhes essa informação coincidindo a revelação com o nascimento de Luna, filha de Mercúrio e, portanto, sua neta.
    Transtornada pelos acontecimentos, Wanda convence o Visão a suspenderem temporariamente a sua atividade como Vingadores e a mudarem-se para uma pequena cidade em Nova Jérsia. Com as suas habilidades ampliadas, a Feiticeira Escarlate concebeu artificialmente dois filhos. Antes, porém, do nascimento das crianças - dois rapazes, Thomas e William - chegou ao fim o casamento de Wanda e do Visão.
    Ainda destroçada por este revés, a sanidade mental de Wanda foi uma vez mais abalada pela descoberta de que os seus filhos não eram reais, mas meras projeções do seu desejo subconsciente de ser mãe. Condoída pelo atroz sofrimento emocional da sua pupila, Agatha Harkness apagou temporariamente as suas memórias de Thomas e William.
    Vários anos depois, recuperadas essas memórias, Wanda procurou o Doutor Destino na esperança de que este pudesse ressuscitar os seus filhos. O vilão aceita o desafio e os dois conjuram uma misteriosa e poderosa entidade cósmica que se funde com a Feiticeira Escarlate. Sob influência da entidade, a Feiticeira Escarlate lançou uma campanha de terror contra os Vingadores, a quem culpava pela morte de Thomas e William.
     Apenas os esforços combinados dos Vingadores e do Doutor Estranho conseguiram deter a fúria incontrolável de Wanda, que foi colocada em estase. De seguida Magneto apareceu em cena e, perante a anuência dos heróis, reclamou o corpo inerte da filha.


Só a muito custo os Vingadores e o Dr. Estranho lograram deter uma Feiticeira Escarlate ensandecida.
      Suspeitando que os Vingadores e os X-Men estavam a considerar seriamente a hipótese de matar a sua irmã devido à crescente instabilidade dos seus poderes, Mercúrio convence Wanda a criar um mundo onde todos os desejos fossem possíveis, um mundo dominado por Magneto e no qual todo o clã Maximoff pudesse estar finalmente reunido. Nasceu assim a Casa de M.
      Rapidamente, porém, o sonho degenerou em pesadelo e, em resultado disso, a Feiticeira Escarlate usou os seus poderes para eliminar 90% da população mutante da Terra.
      Terminado o conflito que ulteriomente opôs os X-Men aos Vingadores, Wanda foi reabilitada e, a convite do Capitão América, integra agora uma unidade especial reunindo elementos de ambas as equipas. Não consegue, porém, vencer a desconfiança e a  animosidade de Vampira.

Três palavrinhas bastaram para decretar o quase extermínio dos mutantes.
     
Noutros media: Eleita pela revista Wizard  como a 97ª melhor personagem de banda desenhada de todos os tempos - num universo de 200 -, a Feiticeira Escarlate ocupa ainda a 14ª posição no Top 100 das mulheres mais sexys dos comics do Comics Buyer's Guide.
      Ao longo dos anos a heroína participou num sortido de séries de animação estreladas por outras personagens do universo Marvel, como X-Men: Evolution (1992), The Avengers: United They Stand (1999) ou, mais recentemente, em Ultimate Spider-Man (2012).
      Depois de ter estado prevista uma aparição da Feiticeira Escarlate no filme X-Men: Days of Future Past (que chegará a 22 de maio próximo às salas de cinema portuguesas), a cena em questão acabou por ser apagada na versão final da película realizada por Bryan Singer.
      Está no entanto confirmada a sua participação, bem como a do seu irmão Mercúrio, em Avengers: Age of Ultron (a estrear em 2015), sendo interpretada pela atriz Elizabeth Olsen. Antes, numa cena após os créditos finais de Captain America: The Winter Soldier (2014), os dois surgem como prisioneiros do Barão Von Strucker.

Elizabeth Olsen dará vida à Feiticeira Escarlate no cinema.
 

sábado, 26 de abril de 2014

GALERIA DE VILÕES: SUPER-SKRULL


       Campeão de uma das mais perigosas raças alienígenas do Universo, o Super-Skrull reúne em si as habilidades do Quarteto Fantástico, de quem é inimigo jurado. Visto no passado tanto como um herói como um proscrito pelos seus semelhantes, é agora o governante supremo do seu mundo natal.

Nome original da personagem: Super-Skrull
Primeira aparição: Fantastic Four nº18 (setembro de 1963)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Kl'rt
Local de nascimento: Planeta Tarnax IV ( sistema estelar Tarnax, na galáxia Andrómeda)
Parentes conhecidos: Sarnogg (filho falecido) e Jazinda (filha)
Afiliação: Império Skrull, Conselho Galáctico, Quarteto Sinistro e Defensores Secretos
Base de operações: Galáxia Andrómeda
Poderes, armas e habilidades:  Como todos os Skrulls, Kl'rt é um transmorfo, possuindo portanto a habilidade de assumir a forma e o aspeto que bem lhe aprouverem. Devido à bioengenharia a que foi submetido pelos cientistas do seu planeta, ele consegue igualmente replicar os poderes de cada um dos membros do Quarteto Fantástico. Estes incluem a elasticidade e maleabilidade do Senhor Fantástico; a força e resistência sobre-humanas do Coisa; o poder de voo e de ignição do Tocha Humana e a invisibilidade e projeção de campos de força da Mulher Invisível.
       Originalmente, esta panóplia de superpoderes era alimentada por cargas de energia provenientes do seu mundo natal, funcionando desse modo o Super-Skrull como uma espécie de bateria viva. No entanto, com o tempo o vilão sublimou as suas capacidades ao ponto de dispensar essas recargas energéticas.
       Aos poderes e habilidades supracitados soma-se o seu dom - único entre a sua espécie - de dominar as mentes alheias e o de paralisar os seus adversários através de um raio hipnótico ocular.
       Mercê do intenso treino marcial que recebeu com vista a uma mais eficaz aplicação dos seus poderes, o Super-Skrull, armado ou desarmado, é ainda  exímio no combate corpo a corpo.
       Entre os seus outros talentos e recursos, destaca-se o seu profundo conhecimento de tecnologia alienígena muito mais avançada do que a terrestre, os seus dotes de estratego e o facto de ser um experimentado piloto de combate.
 
O primeiro duelo entre o Quarteto Fantástico e o Super-Skrull ocorreu nas páginas de Fantastic Four nº18 (1963). 
  
Biografia: Após o Quarteto Fantástico travar uma tentativa de invasão da Terra por parte dos Skrulls, o Imperador Dorrek investiu vastos recursos com vista à criação de um campeão superpoderoso para a sua raça.
       Kl'rt, um soldado condecorado e valoroso guerreiro do Império Skrull, foi o escolhido para participar num arrojado experimento científico que o dotou de talentos e habilidades similares às do Quarteto Fantástico.
        Surpreendido pela amplitude dos poderes do Super-Skrull, o Quarteto Fantástico foi derrotado aquando do primeiro confronto com o seu novo némesis.  Até que a prodigiosa mente do Senhor Fantástico logrou identificar a origem da fonte de energia que alimentava o vilão, a qual provinha do seu mundo natal sob a forma de um raio interestelar.
        O líder do Quarteto criou então um dispositivo que bloqueava a transmissão do raio, privando dessa forma o Super-Skrull dos seus poderes.
        Para neutralizar definitivamente a ameaça representada pelo Super-Skrull, o Senhor Fantástico instruiu a Mulher Invisível a transportar o vilão dentro de um campo de força até uma cratera. Uma vez depositado no seu interior, o alienígena foi aprisionado sob várias toneladas de rochas derretidas pelo Tocha Humana.
        Inconformados com a derrota do seu campeão, os Skrulls desenvolveram uma nova e mais poderosa fonte de energia que utilizaram para libertar o Super-Skrull. Este, agora disfarçado de Doutor Franklin Storm - o pai da Mulher Invisível e do Tocha Humana que fora raptado pelos alienígenas - empreendeu novo ataque contra o Quarteto Fantástico.
 
Super-Skrull: o campeão de uma raça.
 
        Autodenominando-se Homem Invencível, o Super-Skrull afirmava ter recebido os seus poderes numa prisão do seu planeta. O Senhor Fantástico, porém, logo descobriu a verdade e ameaçou os Skrulls com um ataque nuclear, caso persistissem nos seus ataques.
        Perante esta ameaça, o Super-Skrull foi teletransportado de volta ao seu mundo natal, por troca com o Dr. Franklin Storm. No entanto, antes de o enviarem de volta à Terra, os Skrulls armadilharam o corpo do Dr. Storm com explosivos de alta potência, numa tentativa de liquidarem o Quarteto Fantástico. Plano que só não foi bem-sucedido porque o Dr. Storm sacrificou a própria vida para salvar a sua família e amigos.
        Anos depois, o Super-Skrull esteve entre o lote de vilões manipulados pelo Doutor Destino para atacar de surpresa o Quarteto Fantástico durante o casamento de Reed e Sue.
        As sucessivas derrotas do vilão às mãos dos heróis terráqueos fizeram-no cair em desgraça junto do seu povo. Apesar de uma segunda oportunidade que lhe foi concedida pelo Imperador, o Super-Skrull acabou vencido pelo Deus do Trovão, facto que lhe valeu o exílio.
        Todavia, a inexpugnável lealdade e o formidável nível de poder do Super-Skrull fizeram com que os seus compatriotas recorressem a ele em variadíssimas ocasiões depois disso. Numa delas, o Imperador Dorrek incumbiu-o de matar o Capitão Marvel, campeão dos Krees (inimigos jurados dos Skrulls). Missão que fracassou, deixando o Super-Skrull uma vez mais malvisto perante o seu povo.
 
Incumbido de matar o Capitão Marvel, o Super-Skrull acabou derrotado pelo herói Kree.
 
        Noutra ocasião, no auge da guerra entre Krees e Skrulls, o Super-Skrull recebeu ordens para eliminar os Vingadores. Acabaria, contudo, condenado ao exílio perpétuo acusado de alta traição, por ter procurado aproveitar o conflito para ampliar a sua influência política no Império.
        Presentemente, o Super-Skrull é o novo governante supremo do Império Skrull. Tudo começou quando a misteriosa raça cósmica chamada Construtores invadiu vários impérios galácticos. Embora inimigos figadais, os Skrulls remanescentes e os Senhores da Guerra forjaram uma aliança para enfrentarem a ameaça comum.
        Quando foi formado um Conselho de Guerra, composto por várias raças alienígenas vítimas dos Construtores, o Super-Skrull foi eleito para representar o seu povo nele. Foi então lançada uma gigantesca contra-ofensiva militar conjunta contra os Construtores.
        Uma vez derrotados os Construtores, o Super-Skrull foi coroado Imperador do redivivo Império Skrull, assumindo o título de Kl'rt I.

4 em 1: o Super-Skrull possui todos os poderes do Quarteto Fantástico.
 
Noutros media:  Nos anos 60 do século passado, o Super-Skrull estreou-se no pequeno ecrã. Primeiro, na série animada The Marvel Super Heroes (1966), e depois em Fantastic Four (1967-68), num episódio intitulado The invasion of the Super-Skrull.
        Depois de várias participações pontuais em outras produções do género com a chancela da Marvel, já este ano o Super-Skrull marcou presença num episódio da novíssima série de animação Hulk and the agents of S.M.A.S.H., emitida nos EUA pelo canal Disney XD.
 
 
 
 

terça-feira, 15 de abril de 2014

BD CINE APRESENTA: «BATMAN - O INÍCIO»

 



     Naquele que seria o primeiro capítulo da épica trilogia do Cavaleiro das Trevas dirigida por Christopher Nolan, a origem do soturno herói foi revisitada, sendo notórias as influências de Batman: Year One. Sucesso de crítica e de bilheteira, Batman - O Início resgatou uma franquia que muitos julgavam irremediavelmente perdida.

Título original: Batman Begins
Ano: 2005
País: EUA/Reino Unido
Género: Ação/Drama/Suspense/Fantasia
Duração: 140 minutos
Realização: Christopher Nolan
Argumento: David S. Goyer e Christopher Nolan
Estúdio: Legendary Pictures e Syncopy Films
Distribuição: Warner Bros.
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne/Batman), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Liam Neesson (Henri Ducard/ R'as Al Ghul), Katie Holmes (Rachel Dawes), Gary Oldman (Sargento James Gordon), Cillian Murphy (Dr. Jonathan Crane/Espantalho) e Morgan Freeman (Lucius Fox).
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 374,2 milhões de dólares

Oito anos após a sua última aventura cinematográfica, Batman regressou triunfalmente ao grande ecrã.
 
Produção e desenvolvimento: Em janeiro de 2003, a Warner Bros. contratou o realizador de Memento, Christopher Nolan, para dirigir um filme de Batman. Meses depois, foi a vez de David S. Goyer (argumentista da quadrilogia cinematográfica de Blade) ser contratado. Coube a ambos reabilitar a franquia do Homem-Morcego, após o monumental fracasso de Batman & Robin, em 1997.
       Nolan sempre assumiu que a sua intenção seria retratar a origem do Cavaleiro das Trevas, história nunca devidamente contada nas anteriores transposições da personagem ao grande ecrã. Para tal, a humanidade e o realismo seriam as duas pedras de toque do filme. Goyer, por seu turno, afirmou que o objetivo da sua história era levar o público a identificar-se com Bruce Wayne e com o seu sombrio alter ego.
      Nolan teve em Superman (dirigido em 1978 por Richard Donner), a sua principal referência. À semelhança dessa película, Nolan, que considerava que as anteriores adaptações de Batman ao cinema tinham tido mais estilo do que drama, desejava que a história do seu filme se centrasse na origem e evolução do herói. Seguindo ainda o exemplo de Superman, o cineasta reivindicou um elenco coadjuvante repleto de estrelas, o qual serviria para conferir uma maior credibilidade ao projeto e um registo épico à narrativa.
      Segundo o próprio revelou, o ponto de partida para Nolan foi uma antiga história do Homem-Morcego, The Man Who Falls - escrita por Dennis O'Neil e ilustrada por Dick Giordano -, que narra as viagens de Bruce à volta do globo. A cena inicial de Batman Begins, na qual Bruce cai num poço e é atacado por morcegos, foi adaptada dela.

Christopher Nolan: o realizador britânico captou como ninguém a essência de Batman.
 
      Por outro lado, Batman: The Long Halloween, da autoria de Jeph Loeb e Tim Sale, influenciou o guião de David S. Goyer. Carmine Falcone é, aliás, um dos elementos retirados desse arco de histórias. Além disso, o sargento James Gordon do filme é baseado na sua encarnação de Batman: Year One. Goyer, de resto, aproveitou o artifício de Frank Miller na referida saga, que passava por apresentar uma força policial corrupta que leva Gordon e Gotham City a precisarem de Batman.
      Como em todos os seus filmes, Nolan, a fim de manter uma apertada supervisão, recusou ter uma segunda unidade de produção. As filmagens arrancaram em março de 2004, num glaciar finlandês que serviu de cenário para as sequências situadas no Butão.
      A equipa construiu uma grande vila e os portões fronteiros do templo de R'as Al Ghul, assim como as vias de acesso à área remota. Com chuva, ventos de 120 km/h e falta de neve, o clima revelou-se um autêntico quebra-cabeças.
      No entanto, a maior parte da produção teve lugar no Reino Unido, especificamente nos Shepperton Studios. O cenário da Batcaverna foi construído lá, com 76 metros de comprimento, 37 de largura e 12 de altura. Foram ainda instaladas 12 bombas para criar uma queda de água artificial.
      O prédio escolhido para representar o Asilo Arkham foi o National Institute for Medical Research, a noroeste de Londres. Já a University College London foi usada para fazer as vezes dos tribunais de Gotham City.
      Apesar do tom sombrio da película, Nolan quis que ela fosse apelativa para uma ampla faixa etária. Motivo pelo qual nada de muito sangrento foi filmado.

O visual renovado do Cavaleiro das Trevas.
Enredo: Um jovem Bruce Wayne cai num poço e é atacado por morcegos esvoaçantes. Ele acorda desse pesadelo sobre o seu passado e descobre que se encontra encarcerado numa prisão algures no Butão.
      Pouco depois, Bruce é apresentado ao misterioso Henri Ducard, um emissário de R'as Al Ghul, o líder da lendária Liga das Sombras. Ducard convida-o a ser treinado no templo da sua organização. Bruce aceita.
      A narrativa regressa à infância de Bruce, mais precisamente à noite em que os seus pais foram mortalmente baleados durante um assalto num beco esconso de Gotham City. Joe Chill, o assassino, é preso e o pequeno Bruce é levado para a mansão Wayne, onde fica aos cuidados do devoto mordomo da família, Alfred Pennyworth.
      Anos depois, Bruce retorna a Gotham com a intenção de matar Chill, cuja sentença está prestes a ser revogada para que testemunhe contra o padrinho da Máfia Carmine Falcone. Antes, porém, que Bruce tenha oportunidade de concretizar os seus intentos, Chill é executado a sangue frio por um dos sicários ao serviço de Falcone.
      Ao descobrir o plano gorado de Bruce, Rachel Dawes,  sua amiga de infância e agora assistente do promotor público, repreende-o e fá-lo notar que o seu pai se envergonharia do homem em que ele se tornou.
      Nessa mesma noite, Bruce confronta Carmine Falcone, que lhe diz que o seu império é invencível porque é alicerçado no medo. Simultaneamente frustrado e inspirado, Bruce decide viajar pelo mundo, a fim de aprofundar os seus conhecimentos sobre o universo do crime. É dessa forma que acaba num presídio no Butão.

Depois de Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney, Christian Bale assumiu o manto do morcego no cinema.
 
      Concluído o treino de Bruce pela Liga das Sombras, R'as Al Ghul e Ducard revelam-lhe enfim o seu propósito: ele deverá liderar a Liga em Gotham City com vista à sua aniquilação, uma vez que a cidade se tornara demasiado corrupta para poder ser salva. Bruce recusa alinhar no plano de genocídio e envolve-se numa refrega com R'as. Dela resulta a destruição do templo e a aparente morte do mentor da Liga das Sombras. Ducard, no entanto, é salvo por Bruce, que regressa a Gotham City.
      Falcone domina agora a cidade a seu bel-prazer. Empenhado em derrubá-lo, Bruce pede ajuda ao sargento James Gordon, um dos poucos elementos honestos do Departamento de Polícia de Gotham City, e a Lucius Fox, antigo membro da diretoria das Indústrias Wayne. Este último ajuda-o a adquirir os protótipos de um veículo blindado e de uma armadura de combate. Ambos projetos desenvolvidos em tempos pelas Indústrias Wayne para os militares, mas entretanto cancelados.
      Com a ajuda de Alfred, Bruce descobre uma outra entrada para as cavernas subterrâneas existentes sob a mansão Wayne, as quais resolve converter na sua futura base de operações.
      Na sua primeira noite como Batman, Bruce interceta um carregamento de drogas e captura Falcone, providenciando a Rachel Dawes provas suficientes para incriminá-lo. Todavia, em vez de ser enviado para a penitenciária, Falcone e os seus sequazes são internados no Asilo Arkham graças à intervenção do seu corrupto administrador, o Dr. Jonathan Crane.  Este vinha há muito fazendo negócios com o mafioso, designadamente a importação ilegal de um poderoso alucinogénio que o psiquiatra aplicava secretamente nos seus pacientes.
      Quando Falcone reclama um lucro maior na transação, Crane injeta-o com essa espécie de toxina do medo, deixando-o totalmente insano.
 
Cillian Murphy no duplo papel de Dr. Jonathan Crane e Espantalho.
 
      Enquanto investiga o circuito de distribuição da nova droga, Batman depara-se com Crane, que lhe aplica uma dose da sua toxina do medo. À beira de perder a razão, o herói é salvo por Alfred, que lhe inocula uma antitoxina produzida por Lucius Fox.
      Crane, entretanto, atrai Rachel Dawes ao Asilo Arkham, revelando-lhe que a sua toxina do medo vem sendo libertada há semanas nos reservatórios de água de Gotham. A própria Dawes acaba infetada pelo vilão. É, no entanto, salva por Batman que, depois de obrigar Crane a provar do seu próprio remédio, a transporta para a sua caverna, onde administra a antitoxina na jovem.
      De seguida, o Cavaleiro das Trevas confia dois frascos da antitoxina a Rachel Dawes: o primeiro para Gordon, o segundo para ser produzido em massa.
     Na festa do trigésimo aniversário de Bruce Wayne, na sua mansão, o jovem milionário é confrontado por Henri Ducard, que revela ser o verdadeiro R'as Al Ghul. O vilão veio a Gotham City para testemunhar in loco a destruição da cidade. Mancomunado com Crane, Al Ghul promoveu a contaminação da água de Gotham com a toxina do medo, para depois a evaporar empregando um dispostivo de micro-ondas roubado das Indústrias Wayne.
     Fingindo-se embriagado, Bruce expulsa todos os convidados da mansão. Quando ele e R'as Al Ghul ficam a sós, tem início um duelo frenético.
 
R'as Al Ghul (esq.) e Bruce Wayne: mestre e pupilo reencontram-se ao cabo de vários anos.
 
     Em simultâneo, os homens de R'as incendeiam a mansão, libertam todos os prisioneiros do Asilo Arkham e vaporizam o alucinogénio na atmosfera, potenciando dessa forma os seus efeitos mortíferos. 
     Apesar de a mansão Wayne ficar reduzida a uma pilha de escombros e cinzas fumegantes,  Bruce consegue escapar com a ajuda de Alfred. Rachel, entretanto, entrega o antídoto a Gordon e neutraliza o Espantalho - o alter ego insano do Dr. Crane - atingindo-o com um taser.
     Batman revela a sua verdadeira identidade a uma estarrecida Rachel e depois convence Gordon a conduzir o Batmobile para a Torre Wayne, onde funciona a central do metro suspenso de Gotham.
      Enquanto o herói confronta R'as no topo do comboio, Gordon destrói os carris. Desgovernada, a composição galga os trilhos arrastando consigo R'as Al Ghul. Batman, por seu lado, salva-se por um triz.
      Após estes eventos, Batman torna-se um herói aos olhos da opinião pública e Bruce Wayne recupera o controlo da sua empresa. Como primeiro ato oficial, demite o anterior diretor executivo e nomeia Lucius Fox para o seu lugar.
      Incapaz de amar Bruce e Batman ao mesmo tempo, Rachel abandona Gotham City com a promessa de voltar caso ele desista de ser o Homem-Morcego.
 
Rachel Dawes (Katie Holmes) é o par romântico de Bruce Wayne em Batman Begins.
 
      Na cena final - decalcada do epílogo da saga Batman: Year One (ver texto anterior) - Gordon encontra-se com Batman no telhado do Departamento de Polícia de Gotham e mostra-lhe uma carta com um Joker sorridente, representando a mais recente ameaça à segurança dos habitantes da cidade.
 
No seu regresso ao grande ecrã, Batman deu lugar ao Cavaleiro das Trevas.

Prémios e indicações: Foi na categoria de Melhor Fotografia que Batman - O Início teve a sua única nomeação para um Óscar, a qual acabaria contudo por não vencer. Foi igualmente indicado para Melhor Direção de Arte, Melhor Som e Melhores Efeitos Visuais nos BAFTA (homólogos britânicos dos Óscares).
      Escassos meses após o seu lançamento, o primeiro capítulo da nova vida do Cavaleiro das Trevas no cinema foi eleito o 36º melhor filme de todos os tempos pelos leitores da revista Empire. Venceu ainda três Saturn Awards nos segmentos Melhor Filme de Fantasia, Melhor Argumento (David S. Goyer e Chris Nolan) e Melhor Ator (Christian Bale). Já a performance de Katie Holmes no papel de Rachel Dawes foi pouco apreciada pelos espectadores, facto que lhe valeu um indicação para o Razzie (espécie de anti-Óscar) de Pior Atriz Secundária.
 
O olhar penetrante de um herói atormentado.

Curiosidades:
* Numa entrevista concedida ao site Moviefone, Christian Bale revelou que ficou interessado em interpretar Batman depois de ler a aclamada novela gráfica da autoria de Grant Morrison e David McKean, Arkham Asylum, que lhe fora emprestada por um amigo em 2000;
* O tremendo desconforto que o fato de Homem-Morcego provocava no ator  deixava-o genuinamente mal-humorado, facto que ajudou à sua performance representativa. No primeiro dia de filmagens, Bale, num esforço homérico para se adaptar ao traje, usou-o horas a fio;
* Grande parte da parafernália usada pelo herói no filme - incluindo a sua capa e armadura - é baseada em tecnologia militar real;
* Antes do arranque das filmagens, Chris Nolan reuniu toda a equipa para o visionamento do clássico futurista Blade Runner (1982). No final da sessão cinematográfica, o realizador anunciou que a película seria a pedra de toque para Batman Begins;
* Durante as filmagens, Christian Bale ficou afónico em três ocasiões, em resultado das suas modelações de voz para tornar Batman mais sinistro;
* O cantor Marilyn Manson foi um dos nomes equacionados para assumir o papel de Espantalho;
* Na trilogia do Cavaleiro das Trevas dirigida por Nolan, apenas o primeiro filme conta com vilões inéditos, ou seja, que não figuraram na quadrilogia anterior a cargo de Tim Burton e Joel Schumacher;
* Foi também a primeira adaptação de Batman ao grande ecrã que não teve o seu criador como consultor (Bob Kane falecera em 1998), e na qual figurou o  novo logótipo da DC;
* Tim Burton e Michael Keaton reconheceram terem ficado impressionados após o visionamento de Batman Begins;
* Rachel Dawes é uma personagem inexistente na BD original, tendo sido criada a pensar especificamente na atriz Katie Holmes;
* Foram produzidos cinco Batmobiles. Apesar de dispensar duplos em muitas das suas cenas de luta, Christian Bale foi expressamente proibido de se aproximar dos veículos. Cautelas que não impediram, contudo, um episódio caricato: durante a gravação de uma cena nas ruas de Chicago, um condutor, aparentemente alcoolizado, abalroou o Batmobile, por o ter confundido com uma nave extraterrestre(!).

A nova versão do Batmobile foi batizada de Tumbler.
Veredito: 73%

     Muito distante do ambiente psicadélico de Batman Forever e Batman & Robin (ambos dirigidos por Joel Schumacher em 1995 e 1997, respetivamente), Batman Begins recupera a atmosfera sombria dos dois primeiros filmes do Homem- Morcego (Batman e Batman Returns), realizados por Tim Burton, acrescentando-lhe uma inédita densidade psicológica. Com efeito, nunca, fora dos quadradinhos, as motivações (leia-se obsessões) e medos da personagem haviam sido tão profundamente explorados. Tanto Bruce Wayne como a sua taciturna contraparte veem as suas forças e fraquezas postas a nu, tornando-os mais humanos do que nunca aos olhos dos espectadores e, dessa forma, conferindo maior verosimilhança à narrativa.
     Por outro lado, um enredo inteligente sustentado por um rol de atores de primeira grandeza - onde pontificam, entre outros, Morgan Freeman, Gary Oldman e Michael Caine -  robustece a carga dramática do filme, habilmente temperada por sequências de ação, a espaços, espetaculares.

No sentido dos ponteiros do relógio: Morgan Freeman, Gary Oldman, Michael Caine e Liam Neeson. Uma verdadeira constelação a abrilhantar Batman Begins.
 
     Ainda a propósito do magnífico elenco de Batman Begins, muitos são os que consideram que a escolha de Christian Bale para encarnar o Cavaleiro das Trevas foi o ingrediente que faltava na receita para o sucesso dos filmes baseados naquele que é, indubitavelmente, um dos mais populares super-heróis à escala planetária. Sem depreciar as inegáveis virtualidades representativas do ator galês, na minha opinião, ele perde na comparação com Michael Keaton. Falta a Bale o charme psicótico que Keaton esbanjou nos dois primeiros filmes da quadrilogia original. Na verdade, é curioso notar que se o segundo captou melhor a essência do Homem-Morcego, o primeiro é muito mais credível como Bruce Wayne.
     Christopher Nolan percebeu bem a importância de uma boa origem, algo que os seus antecessores na cadeira da realização negligenciaram. Quando a história apresentada teve como principais referências algumas das mais magistrais sagas do Homem-Morcego, é (quase) impossível o resultado final não ser fantástico.
     Por tudo isto, Batman Begins deixou enlevados os fãs, que, na altura, estavam longe de imaginar que as suas duas sequelas o superariam. Sim, porque, apesar da sua elevada qualidade, o primeiro capítulo é, ainda assim, o menos arrebatador da trilogia. É, pois, caso para dizer que o melhor ainda estava por vir. E ainda bem.