sábado, 6 de setembro de 2014

EM CARTAZ: HOMEM-ARANHA 3

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   Para levar de vencida as sinistras ameaças que impendem sobre si e os que lhe são queridos, o herói aracnídeo terá primeiro de travar uma batalha interior. Menos consensual do que os seus antecessores, o último capítulo da trilogia dirigida por Sam Raimi continua, ainda assim, a ser um dos filmes mais lucrativos de sempre da Marvel.

Titulo original: Spider-Man 3
Ano: 2007
País: EUA
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 139 minutos
Distribuição: Columbia Pictures
Realização: Sam Raimi
Argumento: Sam e Ivan Raimi
Elenco: Tobey Maguire (Peter Parker/Homem-Aranha); Kirsten Dunst (Mary Jane Watson); James Franco (Harry Osborn/ Duende Verde II); Thomas Haden Church (Flint Marko/Homem-Areia); Topher Grace (Eddie Brock/Venom); Bryce Dallas Howard (Gwen Stacy); Rosemary Harris (May Parker) e J.K. Simmons (J.Jonah Jameson)
Orçamento: 258 milhões de dólares
Receitas: 891 milhões de dólares (a terceira produção cinematográfica mais lucrativa da Marvel, superada apenas por Os Vingadores e Homem de Ferro 3)
Prémios e nomeações: Nomeado, entre 2007 e 2008, para vários prémios e galardões, Homem-Aranha 3 apenas conseguiu sair vencedor na categoria de Melhor Filme de Verão nos Golden Trailer Awards.

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Uma das cenas mais icónicas de toda a trilogia original do herói aracnídeo.
 
Produção e desenvolvimento: A produção de um terceiro filme do Escalador de Paredes arrancou em março de 2004, três meses antes da chegada às salas de cinema de todo o mundo de Homem-Aranha 2. Antevendo o sucesso comercial da sequela, os estúdios da Marvel definiram 2 de maio de 2007 ( data posteriormente alterada para 4 do mesmo mês) para a estreia do próximo capítulo de uma franquia comprovadamente rentável.
    Imediatamente após a chegada aos cinemas de Homem-Aranha 2, Sam Raimi escreveu (a meias com o seu irmão Ivan) uma primeira versão do argumento para o filme seguinte. O realizador pretendia explorar a faceta menos luminosa do herói por contraponto ao lado mais humano dos criminosos. Nesse sentido, Harry Osborn foi repescado porque Sam Raimi acreditava que ele não seguiria o legado maligno do pai, sendo antes retratado como uma personagem de moral ambígua.
    Couberam, assim, ao Homem-Areia as honras de antagonista principal, tendo Raimi ficado fascinado com o potencial visual da personagem. Apesar de, nos quadradinhos, se tratar de um criminoso de segunda linha, os argumentistas criaram-lhe um background em que era ele o verdadeiro assassino de Ben Parker, potenciando dessa forma o sentimento de culpa de Peter relativamente à morte do tio. Em última análise, Raimi descreveu a sua história como sendo uma jornada de expiação dos pecados dos protagonistas.
    Raimi desejava incluir outro vilão na trama, indo a sua preferência para o Abutre. No entanto, o produtor Avi Arad convenceu-o a optar por Venom, por forma a agradar aos muitos fãs da personagem. Na sua versão cinematográfica, Eddie Brock serve, pois, de reflexo distorcido de Peter Parker, já que ambos têm a mesma profissão e interesses românticos em comum. Por outro lado, a conduta antiética de Brock permitia explorar temas contemporâneos como os paparazzi e as perversidades do jornalismo tabloide.

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Sam Raimi relutou em incluir Venom no argumento.
  
   Os produtores sugeriram ainda que fosse acrescentada ao enredo uma disputa amorosa entre Eddie e Peter por Gwen Stacy. Com tantas alterações a adensarem a complexidade da história, a dado momento foi equacionada a hipótese de dividir o filme em duas partes. Ideia que só não vingou porque nenhum dos argumentistas conseguiu conceber um clímax intermédio.
    Entretanto, a 5 de novembro de 2005, arrancaram as gravações de cenas envolvendo grande quantidade de efeitos especiais. Processo que levou dez dias a concluir e que permitia à Sony, a exemplo do que já sucedera com Homem-Aranha 2, ir trabalhando nesses segmentos enquanto decorria a produção do resto da película.
   Entre janeiro e julho de 2006, decorreram as filmagens, tendo como cenários Los Angeles, Cleveland e Nova Iorque. Em agosto, porém, as mesmas foram retomadas dada a necessidade de incluir cenas de ação adicionais. Só no início de 2007 a produção ficaria finalmente concluída. Para esta demora contribuiu a indecisão quanto a qual das quatro versões da origem do Homem-Areia seria utilizada no filme.

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Mesmo os heróis mais nobres possuem um lado lunar.
 
Enredo: Enquanto desfruta da sua enorme popularidade como Homem-Aranha, Peter Parker planeia pedir Mary Jane (que acaba de se estrear como atriz na Broadway) em casamento. Durante um passeio noturno do casal no Central Park, um meteorito despenha-se a pouca distância deles e um simbionte alienígena atraca-se a Peter sem que este se aperceba.
    Longe dali, enquanto tenta escapar da Polícia, o criminoso evadido Flint Marko cai acidentalmente dentro de um acelerador de partículas e tem o seu ADN combinado com a areia que havia no local. Em consequência disso, adquire a capacidade de moldar a sua forma e de transformar o seu corpo em areia.
   Harry Osborn, que culpa Peter pela morte do seu pai (Norman Osborn, o Duende Verde), usa um sofisticado arsenal herdado do seu genitor para atacar o ex-amigo. Na refrega entre os dois, Harry sofre uma contusão na cabeça que o deixa parcialmente amnésico ao ponto de se esquecer que Peter e o Homem-Aranha são uma só pessoa, ficando assim suprimido o seu desejo de vingança em relação a ambos.
    Durante um festival em homenagem ao herói aracnídeo, Flint Marko rouba um carro blindado carregado de dinheiro. O capitão George Stacy, do Departamento de Polícia de Nova Iorque, informa Peter e a sua tia May que Marko foi o verdadeiro assassino de Ben Parker, sendo Dennis Carradine um simples cúmplice.
    Nessa noite, enquanto Peter tem o seu sono povoado por pesadelos, o simbionte alienígena funde-se com ele. Peter desperta pendurado no cimo de um arranha-céus envergando um uniforme negro, logo constatando que os seus poderes foram amplificados.

O célebre uniforme negro que fez furor nos quadradinhos e fora deles.

    A sua ligação com o simbionte traz, porém, à tona o seu lado mais sombrio. Assim, quando localiza o Homem-Areia num túnel do metro, o Escalador de Paredes espanca-o com violência e usa água para reduzir o vilão a uma poça de lama.
   Mary Jane, cuja carreira artística se encontra estagnada, sente-se humilhada pela súbita mudança de comportamento de Peter e busca consolo em Harry Osborn. Influenciado por uma alucinação do seu pai, Harry recupera a memória e chantageia Mary Jane para levá-la romper o seu noivado com Peter. Coagida por Harry, MJ declara-se apaixonada por outro homem, deixando Peter devastado.
    Numa atitude provocatória, Harry procura Peter para se assumir como o novo dono do coração de Mary Jane. Mais tarde, usando o seu novo traje, Peter confronta Harry. Este lança uma abóbora explosiva na direção do ex-amigo, que a rebate em pleno ar. A bomba rebenta desfigurando o rosto de Harry.
    Manipulado pelo simbionte, Peter denuncia as fotografias forjadas retratando o Homem-Aranha como um criminoso, tiradas por Eddie Brock, um fotógrafo rival do Clarim Diário. Furioso por ter de publicar um desmentido, o diretor do jornal, J. Jonah Jameson, demite Brock.
    Numa tentativa de causar ciúmes a Mary Jane, Peter faz-se acompanhar de Gwen Stacy (uma jovem que Brock acreditava ser sua namorada) à discoteca onde a sua ex-noiva trabalha atualmente. No entanto, nem tudo corre conforme desejado: ao vê-los juntos, Brock assume que Peter e Gwen namoram; apercebendo-se de que foi usada por Peter, Gwen bate em retirada; Peter, por sua vez, envolve-se numa zaragata com os seguranças do estabelecimento acabando acidentalmente por atingir Mary Jane. É nesse momento que toma enfim consciência da influência perniciosa que o simbionte vem exercendo sobre ele.

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Homem-Areia, Novo Duende e Venom: um triunvirato vilanesco de respeito.

    No campanário de uma catedral, Peter procura desesperadamente desenvencilhar-se do uniforme, que é afinal um ser vivo.Quando, acidentalmente, faz tocar o sino da catedral, as vibrações sónicas por ele emitidas enfraquecem o simbionte, e Peter consegui removê-lo de si. Em agonia, o simbionte cai no interior da edifício onde, naquele momento, Eddie Brock rezava pela morte de Peter. Encontrando em Brock um novo hospedeiro, o simbionte transforma-o em Venom. Ainda que inicialmente horrorizado com a metamorfose, logo Brock aceita a sua nova forma. Sem perder tempo, Venom vai ao encontro do Homem-Areia a fim de lhe propor uma aliança contra o Escalador de Paredes.
    Mary Jane viaja a bordo de um táxi que é sequestrado por Venom, pendurando-o de seguida numa teia sobre um enorme monte de areia num estaleiro de obras.  Perante o sucedido, Peter procura a ajuda de Harry, mas é rejeitado.
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Na BD , Gwen Stacy foi o primeiro grande amor de Peter Parker. No cinema, esse papel coube a Mary Jane Watson.

   Ao mesmo tempo que o Homem-Aranha combate sozinho os poderes combinados de Venom e do Homem-Areia, Harry descobre, através do seu velho mordomo, a verdade sobre a natureza maléfica do seu falecido pai e resolve ir em auxílio de Peter.
    Prestes a ser subjugado pelos vilões, o Homem-Aranha é salvo no último momento pela chegada de Harry usando um uniforme inspirado no primeiro Duende Verde. Unindo forças, os dois amigos conseguem levar a melhor sobre Venom e o seu comparsa.
   Venom ainda tenta usar o planador do novo Duende para empalar o Homem-Aranha, mas Harry interpõe-se e é ferido mortalmente.
   O Homem-Aranha constrói então um círculo de guizos com as suas teias, criando dessa forma uma muralha de vibrações sónicas. O simbionte liberta Brock, o qual é prontamente resgatado pelo herói aracnídeo. No entanto, quando o Escalador de Paredes atira uma das bombas-abóbora de Harry na direção do simbionte, Brock salta para junto da criatura, sendo colhido pela violenta explosão. Dela resultando a aparente morte de ambos.
    Flint Marko confessa a Peter nunca ter tido intenção de assassinar o seu tio tio. Apenas queria o seu carro para escapar à Polícia, tendo o disparo fatal ocorrido quando o seu cúmplice lhe agarrou o braço.Uma morte que o assombra desde então. Peter perdoa Marko, que se dissolve em areia e desaparece.
    Peter e Harry fazem as pazes antes deste último soltar o seu derradeiro suspiro, sendo o momento testemunhado por Mary Jane.
    Algumas noites depois, Peter visita o club de jazz onde Mary Jane agora atua como cantora e ambos começam a remendar o seu relacionamento. 
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=8X6W2VG_MaA

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Duelo ao espelho.

Curiosidades: 
* Todos os gritos de Kristen Dunst ao longo da película foram reciclados de Homem-Aranha 2 (2004);
* Bryce Dallas Howard dispensou a utilização de uma dupla na sua cena mais arriscada, desconhecendo na altura estar grávida;
* Embora assumindo-se como um fã de super-heróis que leu as primeiras histórias de Venom na sua infância, Topher Grace viveu um verdadeiro calvário na pele do vilão. Além de muito desconfortável, o traje demorava uma hora a ser vestido (à qual se somavam outras quatro para a aplicação de próteses) e tinha de ser constantemente lambuzado com gosma por forma a conceder-lhe o seu característico aspeto viscoso. Como se isso não bastasse, o ator teve também de utilizar presas postiças que lhe feriram as gengivas;
* Um dos sons guturais emitidos por Venom no filme pertencia a um demónio da Tasmânia;
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Topher Grace teve de penar para dar vida a Venom no grande ecrã.
 * Sam Raimi foi o primeiro realizador a dirigir três filmes consecutivos de uma franquia super-heroica. Em 2012, ao concluir a sua trilogia do Cavaleiro das Trevas, Chris Nolan tornou-se o segundo cineasta a conseguir essa proeza. Raimi, de resto, na sequência do sucesso comercial de Homem-Aranha 3, foi convidado para dirigir nova sequela. Divergências entre o realizador e a Sony ditaram, porém, o seu afastamento do projeto, abrindo dessa forma caminho a um reboot  da franquia;
* Foram necessários três anos para criar os efeitos visuais que permitiram reproduzir os poderes do Homem-Areia. Por forma a compreender a dinâmica da areia, ao longo desse período foram conduzidas diversas experiências e consultados escultores habituados a trabalhar com esse material;
* Pode dizer-se que Homem-Aranha 3 foi um projeto familiar, uma vez que teve o condão de reunir os três irmãos Raimi: Sam assumiu a realização, Ivan foi coargumentista e Ted interpretou um pequeno papel como Hoffman;
* Com 139 minutos, este é o filme mais longo da trilogia original do Escalador de Paredes. É também o único em que o antagonista principal (Homem-Areia) sobrevive no final da história. Recorde-se que, nos dois capítulos anteriores, o Duende Verde e o Dr. Octopus tiveram fins trágicos;
* Segundo Grant Curtis (um dos produtores da trilogia), inicialmente estava prevista a participação do Abutre na película, tendo Ben Kingsley sido sondado para o papel. O vilão acabaria, contudo, por ser substituído por Venom, malgrado a renitência de Sam Raimi, que considerava a personagem repulsivamente desumana;
* Na BD, foi o Senhor Fantástico quem descobriu a verdadeira natureza alienígena e simbiótica do uniforme negro do herói aracnídeo. Devido aos direitos do Quarteto Fantástico pertencerem à 20th Century Fox - e não à Sony Entertainment como o Escalador de Paredes - esse mérito coube no filme ao Dr. Curt Connors (o Lagarto).

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Mary Jane e Peter: a bonança antes da tempestade.
 
Veredito:  58% 

   Depois de dois capítulos épicos que mereceram plenamente o seu sucesso, seguiu-se um terceiro menos equilibrado, balançando precariamente entre  arrebatadoras sequências de ação e monótonos intervalos dramáticos.
   Era sabido que Homem-Aranha 3 teria de superar os seus predecessores, sob pena de - como, de facto, aconteceu - a franquia perder gás. Desse imperativo decorreram, com efeito, os seus principais problemas.
   Conquanto seja maior(e mais lucrativa), a terceira aventura cinematográfica do herói aracnídeo não é, todavia, melhor do que as anteriores. Dada a profusão de personagens (no caso particular dos vilões, assenta como uma luva o velho axioma "dois é bom, três é demais") e uma intrincada tapeçaria de narrativas secundárias, o Escalador de Paredes parece ter de lutar por destaque no seu próprio filme. Facto que, por si só, justificaria a divisão do projeto em duas partes - hipótese, de resto, cogitada pelos produtores. Tal não aconteceu e, à imagem de um arranha-céus construído sobre frágeis alicerces, a película acabou por ceder ao próprio peso. Homem-Aranha 3 acaba, portanto, por ser vítima de alguma megalomania.
   Faltando-lhe em fluidez narrativa o que lhe sobra em melodrama e personagens, Homem-Aranha 3 é bem-sucedido no seu objetivo de conservar os fãs dos dois primeiros filmes (mesmo perdendo na comparação com eles), embora fracassando em arregimentar novos.
   No entanto, como vieram comprovar as duas mais recentes adaptações ao grande ecrã do Escalador de Paredes dirigidas por Marc Webb, Homem-Aranha 3 não é afinal assim tão mau como muitos sentenciaram. Não faltando por aí quem suspire já pelo regresso de Sam Raimi à cadeira de realizador...

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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

GALERIA DE VILÕES: KRAVEN, O CAÇADOR




    Criado no seio de uma aristocracia decadente, Sergei Kravinoff procurou recuperar a nobreza perdida tornando-se um dos melhores caçadores do planeta. Não foi, contudo, na savana, mas sim na selva de betão, que encontrou a sua presa de eleição. No Homem-Aranha encontrou um desafio à sua altura.

Nome original da personagem: Kraven, the Hunter
Primeira aparição: The Amazing Spider-Man nº15 (agosto de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Steve Ditko (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Sergei Nikolaevich Kravinoff (originalmente, o apelido era Kravinov)
Local de nascimento: Volgogrado (antiga Estalinegrado), Rússia
Parentes conhecidos: Nikolai Kravinoff (pai falecido), Ana Kravinoff (mãe) Dmitri Smerdyakov (o vilão conhecido como Camaleão, seu meio-irmão), Sasha Kravinoff (esposa falecida), Alyosha Kravinoff (filho), Ana Tatiana Kravinoff (filha), Ned Tannengarden (filho falecido), Gog (filho adotivo) e Xraven (clone)
Afiliação: Ex-membro do Sexteto Sinistro e dos Vingadores (grupo ativo na década de 1950, sem qualquer conotação com a atual equipa); ex-aliado do Camaleão e de Calypso
Base de operações: Móvel
Armas, poderes e habilidades: Graças à ingestão regular de poções produzidas a partir de misteriosas ervas colhidas nas profundezas das selvas africanas, Kraven adquire capacidades físicas (como força, velocidade e resistência sobre-humanas) que lhe permitem rivalizar com oponentes mais poderosos. Também os seus sentidos são amplificados pela ação das referidas poções herbáceas, aumentando dessa forma as suas já impressionantes habilidades de rastreamento.
     Como efeito colateral das supracitadas poções, Kraven teve o seu processo natural de envelhecimento profundamente retardado. Apesar de ser já septuagenário, o vilão não aparenta ter mais de trinta anos.
    Mesmo despojado de habilidades sobre-humanas, Kraven é um atleta de nível olímpico, um estrategista brilhante e um exímio lutador corpo a corpo. É ainda um profundo conhecedor da anatomia humana e de muitos animais, estando por isso familiarizado com os pontos de pressão que, quando tocados com precisão, lhe permitem facilmente neutralizar os seus adversários.
   Avesso ao uso de armas de fogo, nas suas caçadas Kraven opta frequentemente pela utilização de armadilhas, redes, lanças e dardos embebidos em venenos ou tranquilizantes naturais. 
    Poucos são os animais que Kraven não consegue domar e/ou treinar no sentido de obedecerem quase na perfeição aos seus comandos. Muitos especulam que este facto se deverá a algum tipo de controlo mental exercido pelo vilão sobre as feras, o que nunca ficou demonstrado.

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Kraven sonha adicionar o Homem-Aranha à sua coleção de troféus de caça.
 
Histórico de publicação:  Há precisamente meio século, em agosto de 1964, Kraven, o Caçador debutava nas páginas de The Amazing Spider-Man nº15. Conquanto, nos anos subsequentes, tenha ocasionalmente marcado presença em títulos de outras personagens do Universo Marvel, notabilizou-se como antagonista do Homem-Aranha.

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Kraven fez a sua primeira aparição em Amazing Spider-Man nº15 (1964), numa edição que contava ainda com participação especial de outro dos antagonistas clássicos do herói aracnídeo: o Camaleão.

    Conforme mostrado no texto anterior, o vilão suicidou-se no final da saga Kraven's Last Hunt (1987), da autoria de J.M. DeMatteis e Mike Zeck. Também como vimos anteriormente, sendo quase unanimamente considerada a história suprema da personagem, Kraven acabou por ser uma segunda escolha do argumentista, que idealizara outro némesis para o Escalador de Paredes.
    A este propósito, DeMatteis recorda: "Estava pronto para começar a trabalhar na história. Estava sentado meu escritório e dei comigo a folhear o «Marvel Universe Official Handbook». Por nenhuma razão especial, li a entrada referente a Kraven, o Caçador. Desconhecia em absoluto que a personagem tinha nacionalidade russa. Aos olhos de um indefetível de Dostoiévski como eu, isso tornou-a logo mais interessante. Ocorreu-me que Kraven, a exemplo de muitas personagens de Dostoiévski, poderia ser dono de uma alma torturada. Adquiri subitamente um entendimento totalmente novo da sua quintessência. Considerei interessante a possibilidade de explorar as motivações de Kraven para ser quem era. Foi uma verdadeira epifania, visto que a personagem em questão nunca me suscitara o menor interesse. Honestamente, sempre o considerei um dos mais ridículos inimigos do Homem-Aranha. Porém, a partir daquele momento, passei a percecioná-lo de uma forma completamente diversa".
   Não obstante tratar-se de um dos mais antigos oponentes do herói aracnídeo, DeMatteis afirma que nenhum dos mandachuvas da Marvel levantou objeções à morte de Kraven no final da história em questão. No entanto, o vilão - ainda que numa forma espectral - seria ulteriormente devolvido ao mundo dos vivos na novela gráfica Soul of the Hunter, produzida em 1992 pelos mesmos autores de Kraven's Last Hunt. DeMatteis escreveu ainda Kraven's First Hunt, espécie de prequela publicada em The Sensational Spider-Man Annual '96. Entre outras coisas, na história eram abordados pormenores do passado de Kraven, nomeadamente as sevícias por ele infligidas ao seu meio-irmão (Dmitri Smerdyakov, o Camaleão).


Sozinho ou integrado no Sexteto Sinistro, Kraven é um dos mais antigos oponentes do Homem-Aranha.

Biografia: Sergei Kravinoff é filho de um aristocrata russo obrigado a exilar-se com a sua família em terras do Tio Sam na sequência da Revolução Bolchevique e da consequente queda do regime do Czar Nicolau II em 1917.
   Procurando recuperar o prestígio perdido, Sergei procurou os serviços de um misterioso mercenário  conhecido apenas como Gregor, que o treinou para ser um dos melhores caçadores do mundo. Celebrizado internacionalmente como Kraven, o Caçador, Sergei rapidamente se entediou por conta da escassez de desafios à sua altura. Por sugestão do seu associado, Dmitri Smerdyakov (futuro Camaleão), Kraven elegeu o Homem-Aranha como o seu supremo troféu de caça.
   No entanto, ao invés da maioria dos seus congéneres, Kraven desdenha o uso de armas de fogo (bem como de arcos e de flechas), preferindo subjugar animais ferozes e de grande porte com as próprias mãos ou recorrendo a sofisticadas armadilhas. Rege-se igualmente por um estrito código de honra que o leva a tratar com respeito as suas presas. Em Kraven's Last Hunt abriu, contudo, uma exceção no que tange à utilização de armas de fogo. Ainda que não tenha disparado munição real, mas sim dardos tranquilizantes que deixaram o Escalador de Paredes em estado comatoso.
   Graças às infusões e poções confecionadas pela sua amante Calypso (uma sacerdotisa vudu) a partir de extratos de plantas exóticas trazidas das selvas mais profundas, Kraven adquire capacidades acima da média, que o tornam um caçador ainda mais eficiente.
   Embora coadjuvado pelo Camaleão, Kraven foi malsucedido na sua primeira tentativa de caçar o Homem-Aranha e acabou deportado dos EUA. Regressaria pouco tempo depois ao país, para integrar o Sexteto Sinistro (coletivo vilanesco que, na sua primeira formação, contava também com o Dr. Octopus, Mysterio, Abutre, Electro e Homem-Areia). Ele e os seus comparsas acabariam, todavia, derrotados pelo herói aracnídeo.

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Formação original do Sexteto Sinistro, com Kraven em primeiro plano.

    Por sempre ter subestimado o Escalador de Paredes, Kraven foi sucessivamente sobrepujado por ele. Após anos a acumular frustração e rancor, o vilão empreendeu, como vimos, a sua derradeira caçada ao Homem-Aranha. Derrotado uma vez mais pelo herói, colocou aparentemente termo à vida.
   Na esteira desses eventos, Dmitri Smerdyakov - tido até então como um mero serviçal de Kraven - revelou o grau de parentesco existente entre os dois (meios-irmãos) e denunciou os maus-tratos de que foi continuadamente vítima por parte do falecido.
    Mercê do seu suicídio, a alma de Kraven foi condenada ao purgatório, sendo-lhe interdito o perpétuo descanso. Ciente disso, a sua esposa Sasha, adjuvada pela prole do casal Kravinoff (Ana, Vladimir e Alyosha), levou a cabo um ritual de ressurreição no qual foi pretensamente utilizado sangue do Homem-Aranha. Mas alguma coisa correu mal. Devolvido à vida, Kraven revelou-se mais psicótico e violento do que nunca.
     Após ter espancado Alyosha e Ana, foi esfaqueado por esta. Sasha constatou então que o sangue usado no ritual não pertencia ao Homem-Aranha, mas sim a Kaine, o seu clone corrompido. O que explicava os comportamentos erráticos do marido
   Depois de o clã ser desbaratado pelo verdadeiro Escalador de Paredes, todos os seus elementos escaparam para a Terra Selvagem. Kraven decidiu então caçá-los um por um, a fim de confirmar se eles eram dignos de ostentarem o seu apelido. Em consequência disso, Sasha foi morta pelo marido, Vladimir foi eutanasiado pelo pai, Alyosha fugiu e Ana implorou ao progenitor que lhe concedesse a oportunidade de ser treinada por ele, para assim poder reconstituir o clã Kravinoff. Kraven aquiesceu a troco da promessa feita por Ana de que iria caçar o irmão foragido.

O caçador supremo.
      
Legado: Durante o período em que Kraven foi dado como morto, e mesmo após o seu regresso ao mundo dos vivos, vários descendentes seus tentaram honrar o seu legado. O primeiro a assumir essa responsabilidade foi o seu filho Vladimir que moveu caça tanto ao Homem-Aranha como a alguns dos seus inimigos, acabando assassinado por Kaine, o clone insano do Escalador de Paredes. Seria posteriormente ressuscitado por Sasha Kravinoff através de um ritual envolvendo sacrifícios humanos. O redivivo Vladimir, no entanto, regressou sob a forma de uma leão humanoide. Numa expressão de respeito pelos mortos, Kraven eutanasiou o filho durante a estada do clã Kravinoff na Terra Selvagem.
     Pouco tempo após a morte do seu meio-irmão, foi a vez de Alyosha assumir, durante um breve período, a identidade de Kraven. A qual abandonou para se mudar de armas e bagagens para Hollywood.
    Houve ainda um terceiro filho, Ned Tannengarden, que tentou matar Alyosha, acabando ele próprio por ser morto pelo Camaleão, cujo grau de insanidade o levava a acreditar ser ele o verdadeiro Kraven.
    Mais tarde foi a vez de Ana Kravinoff seguir as pisadas do pai. Pelo meio houve ainda Gog, um ser extraterrestre perfilhado por Kraven depois de ter sido resgatado por ele da sua espaçonave despenhada.
    Em 2009, no crossover X-Men/Spider-Man, foi revelada a existência de Xraven, um clone produzido pelo Senhor Sinistro a partir  do ADN de Kraven combinado com o dos X-Men originais. Facto que lhe conferia as habilidades do quinteto de heróis mutantes.

Ana Kravinoff: quem sai aos seus não degenera.

Noutros media: No seu ranking de 2009 dos Melhores Vilões de Sempre dos Quadradinhos, o site IGN atribuiu a Kraven a 59ª posição. No pequeno ecrã, a sua estreia ocorreu na série animada de 1966 The Marvel Super-Heroes - curiosamente no segmento estrelado pelo Homem de Ferro. Em 1981, Kraven participou pela primeira vez numa série similar  - Spider-Man - tendo o Homem-Aranha como protagonista. Antes, numa produção homónima datada de 1967, uma personagem decalcada de Kraven (um caçador australiano chamado Harley Clivington) havia marcado presença num episódio intitulado The One-Eyed Idol. Remonta a 2012, na série de animação Ultimate Spider-Man, a  mais recente incursão televisiva do vilão.
   Marc Webb, realizador das duas últimas aventuras cinematográficas do Escalador de Paredes, já manifestou o seu interesse em incluir Kraven no terceiro capítulo da nova saga, muito provavelmente com o vilão a surgir integrado no Sexteto Sinistro.

Kraven em Spider-Man: The Animated Series (1994-1998).

terça-feira, 19 de agosto de 2014

DO FUNDO DO BAÚ: «A ÚLTIMA CAÇADA DE KRAVEN»




    Numa perturbadora aventura em tons condizentes com o uniforme negro que então usava, o Homem-Aranha vê-se na pele da presa de um caçador obstinado em fazer dele o seu troféu supremo. Levado ao limite pelo seu algoz, o herói aracnídeo terá de superar-se como nunca para sobreviver a tamanha provação.

Título original da saga: Kraven's Last Hunt (também conhecida como Fearful Simmetry)
Publicada originalmente em: Web of Spider-Man nº31, The Amazing Spider-Man nº293, Peter Parker, The Spectacular Spider-Man nº131, Web of Spider-Man nº32, The Amazing Spider-Man nº294 e Peter Parker, The Spectacular Spider-Man nº132 (títulos lançados nos EUA entre outubro e novembro de 1987)
Argumento: J.M. DeMatteis
Arte: Mike Zeck
Licenciadora: Marvel Comics

Capa de The Amazing Spider-Man nº294, onde foi publicado o quinto capítulo da saga.

Edição brasileira

Título: Homem-Aranha - A Última Caçada de Kraven (subintitulada Terrível Simetria)
Data: Maio de 1991
Editora: Abril Jovem  (em dezembro de 1991 a mesma editora lançou o volume encadernado da minissérie, a qual voltaria às bancas nesse formato em 2002 e em 2013, com a chancela da Panini e da Salvat, respetivamente)
Categoria: Minissérie em três edições
Número de páginas: 36 por edição
Formato: Americano (17 x 26 cm), colorido, com lombada agrafada
Na minha coleção desde: 1991 (edição encadernada da Abril)

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A sombra do caçador.

Histórico de publicação: Em meados da década de 1980, o argumentista J.M. DeMatteis propôs um arco de histórias em que Wonder Man (conhecido entre o público lusófono como Magnum), após um duelo com o seu meio-irmão Grim Reaper (o Ceifador), seria enterrado vivo, emergindo mais tarde do seu túmulo. Tom DeFalco, à data editor-chefe da Marvel, rejeitou a ideia.
   Anos depois, numa história de Batman que explorava a hipótese de o Cruzado Encapuzado ser assassinado pelo Joker, DeMatteis recuperou o conceito de um herói a erguer-se da própria sepultura.  Na sinopse fornecida aos responsáveis da DC, DeMatteis sustentava que seria essa a cura para a insanidade mental do Palhaço do Crime. O projeto não foi, contudo, aprovado, dadas as suas semelhanças com uma outra história de Batman que estava então a ser desenvolvida: nada mais nada menos do que a aclamada novela gráfica, da autoria de Alan Moore e Brian Bolland, Batman: The Killing Joke (A Piada Mortal).
 
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J.M. DeMatteis.
  
    Não se dando por vencido, DeMatteis introduziu algumas alterações na trama original. Tendo a principal consistido na substituição do Joker pelo Professor Hugo Strange (outro ilustre integrante da vasta e pitoresca galeria de vilões do Cavaleiro das Trevas).  Nada que impressionasse, porém, os editores da DC que voltaram a não dar luz verde à ideia.
    Inabalável nas suas convicções apesar das consecutivas recusas, DeMatteis voltou a trabalhar a história e apresentou a nova versão à Marvel. Agora com o Homem-Aranha como protagonista e com um novo vilão criado propositadamente para o efeito, o projeto recebeu finalmente o aval por parte dos editores da Casa das Ideias.
    Vários elementos importantes foram sendo acrescentados ao enredo, à medida que DeMatteis trabalhava nele. Com Peter Parker e Mary Jane recém-casados, o escritor optou por colocar o enfoque emocional da sua narrativa no casal. Já a ideia de usar Kraven, o Caçador como antagonista surgiu após DeMatteis ter lido o seu prontuário em The Official Handbook of the Marvel Universe (espécie de "quem é quem" da editora).
   Tendo Mike Zeck sido o eleito para assumir a arte da história, DeMatteis considerou que seria interessante incluir uma personagem criada por ambos. E, assim, o repulsivo Rattus (Vermin, no original) ganhou um lugar de destaque na saga, cuja publicação integral estava inicialmente prevista para Peter Parker: The Spectacular Spider-Man. Todavia, o editor Jim Salicrup deliberou que a publicação deveria ser transversal a todos os títulos do Escalador de Paredes, argumentando que o impacto da morte do herói seria atenuado se, em simultâneo, houvesse outras histórias suas a serem lançadas.

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Vermin/Rattus foi criado por J.M.DeMatteis e Mike Zeck em 1982.

     Enquanto limava as derradeiras arestas da trama, DeMatteis comentou: "Não estou a olhar para além destas seis edições. Esta história não se encaixa na continuidade dos restantes títulos do Homem-Aranha. Na verdade, creio que uma minissérie ou uma edição especial seriam formatos mais apropriados para a sua publicação".
     Ainda segundo o autor, a sua intenção era explorar a personalidade do herói aracnídeo e a forma como os outros - em especial os seus inimigos - o veem. DeMatteis explica: "O que Kraven planeia fazer é matar o Homem-Aranha e tomar o seu lugar, para assim provar que consegue ser melhor do que ele. Claro que aquilo em que ele se transforma não é o Homem-Aranha, mas sim a sua perceção dele. Kraven está, pois, longe de imaginar que Peter Parker não se limita a colocar uma máscara para caçar criminosos. O Homem-Aranha não é a sombria e violenta criatura notívaga interpretada pelo seu algoz. Não importa a cor do traje que veste, não importa o que ele faz, Peter Parker será sempre um sujeito com boa índole e um caráter íntegro. Características fundamentais da sua personalidade que o diferenciam muito de Kraven".
    Com a versão final do argumento em mãos, Mike Zeck optou por desenhar as seis capas antes de ilustrar a história. De acordo com o próprio, a icónica capa de Web of Spider-Man nº32 (título onde foi publicado originalmente o quarto capítulo da saga intitulado Resurrection) foi a primeira a ser produzida. Todas as outras derivaram dela.

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Mike Zeck.
    A título de curiosidade, refira-se que, na esteira do enorme sucesso comercial de Kraven's Last Hunt, em 1994 a DC autorizou finalmente a publicação da história apresentada cerca de uma década antes por DeMatteis, na qual o Joker aparentemente executava Batman. Sob o título Going Sane, a narrativa em quatro partes  foi apresentada aos leitores da Editora das Lendas nas páginas de Batman: Legends of the Dark Knight nº65- 68.

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Há um novo Homem-Aranha na cidade.

Enredo: Houve um tempo em que o mundo admirava a sua pujança física. Uma época debruada a ouro em que a sua coragem inspirava reverência  e as suas façanhas eram lendárias. Uma época em que ele era considerado o melhor caçador do mundo. Mas isso foi antes de os ambientalistas e os ativistas dos direitos dos animais arruinarem a sua reputação. Antes de conhecer o Homem-Aranha.
    Sergei Kravinov - celebrizado nesse passado glorioso como Kraven, o Caçador -  está ciente que a morte se aproxima. Pressente a sua presença nas sombras e quase consegue perscrutar o seu semblante tétrico. Mas ele não está preparado para morrer. Não sem antes recuperar a honra e dignidade perdidas. Não sem antes saciar o seu orgulho e provar a sua superioridade.E isso só será possível derrotando o Homem-Aranha.
     Reunido as forças que ainda lhe restam, Kraven empreende, assim, a sua derradeira caçada.
    Conquanto seja ainda ágil como uma pantera e forte como um tigre, Kraven sabe que está longe do seu ápice físico de outrora. No entanto, ele acredita que nunca descansará em paz se não vergar o Homem-Aranha. Tomando poções e infusões de ervas trazidas das selvas mais profundas para amplificar os seus sentidos e a sua força, Kraven concebe um macabro plano: enterrar o seu rival com centenas de aranhas.
    Recém-regressado da sua lua de mel com Mary Jane e meditando sobre a morte à sua volta durante o funeral de um meliante, o Homem-Aranha sente necessidade de dar um passeio noturno. Absorto em divagações enquanto se balança nas suas teias, o herói é subitamente atacado, drogado e capturado por Kraven.
    Quando Kraven se acerca dele, o Homem-Aranha está prestes a perder os sentidos. Contudo, tem ainda tempo de ver a espingarda e o olhar sinistro do seu verdugo enquanto este se prepara para o executar a sangue frio. Balbuciando sobre a restauração da sua honra, Kraven aponta a arma à cabeça do Escalador de Paredes e dispara à queima-roupa, bem no meio dos olhos.

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O momento que antecede a presumível execução do Homem-Aranha.

   Transportando o corpo inerte da sua presa para o seu covil, Kraven coloca-o num ataúde repleto de aranhas  e enterra-o em local desconhecido. Não era, todavia, suficiente para o vilão chacinar o seu rival. Era imperativo demonstrar a sua superioridade sobre ele. Razão pela qual Kraven usurpa a identidade do Escalador de Paredes. Envergando uma cópia do traje do herói, Kraven começa a patrulhar a  cidade de Nova Iorque, aplicando o seu distorcido conceito de justiça.
    Ao invés do original, este falso Homem-Aranha não se inibe de liquidar alguns dos criminosos que tiveram a infelicidade de lhe cruzarem o caminho.
   Kraven, em dado momento, chega a salvar Mary Jane de um grupo de assaltantes, mas ela de imediato percebe estar na presença de um impostor.

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Epitáfio de um herói.

   Entretanto, Rattus - um híbrido de homem e rato - começa a semear o medo nas ruas de Nova Iorque por via dos seus sanguinolentos ataques a transeuntes. Dotada de força e sentidos sobre-humanos, a criatura atrai a atenção do falso Homem-Aranha que lhe move uma feroz perseguição através da rede subterrânea de esgotos. Quando finalmente encontra Rattus, Kraven espanca-o brutalmente, captura-o e leva-o para o seu esconderijo.
   Enquanto Kraven se regozija  com mais este seu triunfo, o verdadeiro Homem-Aranha desperta do coma e soergue-se da sua sepultura. Tinha, afinal, sido drogado e enterrado vivo pelo seu algoz.
   Duas semanas se haviam passado. Desesperado por rever a sua esposa, o herói aracnídeo vai ao encontro de Mary Jane. Após certificar-se de que ela está sã e salva, o Homem-Aranha parte na peugada de Kraven. E não demora a localizar o seu covil.
    Recorrendo a toda sorte de sevícias, Kraven subjugara Rattus. O vilão mantivera a criatura em cativeiro porque queria perceber se o Homem-Aranha seria capaz de fazer o mesmo. Mas o Escalador de Paredes nada tinha a provar nem qualquer desejo de infligir dor a Rattus. O monstro, porém, não hesitou em atacar o compassivo herói. Sendo, contudo, prontamente detido por Kraven, que não estava disposto a conceder a quem quer que fosse o privilégio de matar o seu rival. Confuso, Rattus aproveita o ensejo para escapar.
    Cego de raiva, o herói aracnídeo ataca Kraven sem dó nem piedade. Este, porém, nem se dá ao trabalho de revidar. Limita-se a encaixar os golpes desferidos pelo seu adversário enquanto sorri. Apesar de tudo, ele vencera. Permitira que a sua presa vivesse quando podia facilmente tê-la matado. Dessa forma provara a si mesmo a sua superioridade relativamente ao rival que o ensombrava.
  Cumprido o seu desígnio, Kraven permite que o Homem-Aranha parta no encalço de Rattus. Suicidando-se de seguida.

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Do ponto de vista de Kraven, a vitória final pertenceu-lhe.

Vale a pena ler?
   
    Esta é, obviamente, uma pergunta meramente retórica, já que A Última Caçada de Kraven é leitura obrigatória para qualquer fã de BD que se preze - e não apenas para os entusiastas do Escalador de Paredes. A par de Watchmen e de Batman, O Cavaleiro das Trevas, trata-se de uma das melhores histórias aos quadradinhos alguma vez produzidas. Ilustrando todas elas a importância e o imenso potencial criativo da nona arte.
     Aquando da sua publicação nos EUA, A Última Caçada de Kraven mereceu os mais rasgados elogios por parte da crítica e dos fãs. Mais recentemente, em 2012, foi eleita  pelos leitores de Comic Book Resources como a melhor história de sempre do Homem-Aranha. Mesmo sendo este título discutível, não há dúvidas de que estamos em presença de uma das mais magistrais e memoráveis sagas do aranhiço.
    Dirigindo-se, pela sua maturidade narrativa, a um público mais sofisticado, A Última Caçada de Kraven alia a dinâmica dos comics a elementos extraídos de clássicos da literatura. Ao longos das suas páginas, Kraven recita vários excertos do poema The Tyger, da autoria de William Blake. Isto enquanto a arte de Mike Zeck imprime um realismo fotográfico a uma trama que tem na elaborada caracterização psicológica dos seus protagonistas e na superior qualidade dos diálogos os seus principais pontos fortes.
    Embora a história seja, toda ela, uma alegoria para o perpétuo conflito entre presas e predadores, adquire susbstrato emocional ao colocar um enfoque especial no neófito casamento de Peter Parker e Mary Jane. Algumas das suas passagens mais intensas exploram, de facto, a forma como MJ lida com o desaparecimento do marido e como reagiria ela à sua hipotética morte em ação. Uma abordagem que não só acrescenta camadas emotivas à trama, como desvela o lado mais humano do herói aracnídeo cujos primeiros pensamentos, quando desperta do coma, são dirigidos à mulher que ama.

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Uma imagem que enriqueceu a iconografia da 9ª arte.
  
   Ao brilhantismo da escrita de J.M. DeMatteis, soma-se, pois, o traço soturno de Mike Zeck. Dessa sinergia nasce uma estética lúgubre onde pontifica o simbolismo imagético. Desde o primeiro relance de Kraven na primeira página da saga (envolto em fumo e numa luz escarlate a fazer lembrar o sangue), até ao momento climático em que o Homem-Aranha emerge do seu túmulo, passando pelas sequências tendo como cenário os esgotos subterrâneos (que, de tão densas, o leitor quase lhes consegue sentir o fedor), a arte de Zeck é inebriante do princípio ao fim.
   Mais do uma simples banda desenhada, A Última Caçada de Kraven é uma espécie de recriação contemporânea de mitos ancestrais. A trama, as personagens e o simbolismo são épicos - na aceção homérica do termo. Tornando o produto final capaz de satisfazer o palato do leitor mais exigente.
    DeMatteis e Zeck criaram uma fórmula de sucesso que tem sido replicada por diversos autores ao longo dos anos, dando assim origem a alguns sucedâneos que, todavia, não se comparam ao original.
     Dito isto, o meu veredito não podia ser outro: Imperdível!

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Os heróis não se abatem.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

GALERIA DE VILÕES: ESQUADRÃO SUICIDA



   Sempre que o Governo norte-americano precisa de agentes descartáveis para realizar missões clandestinas que mais ninguém pode cumprir, ele recorre ao Esquadrão Suicida. Vilões irrecuperáveis dispostos a tudo para obterem uma redução das suas penas. Mesmo que isso ponha em risco as suas próprias vidas.

Nome original do grupo: Suicide Squad (em tempos também designado Suicide Squadron)
Primeira aparição (Idade da Prata): The Brave and the Bold nº25 (setembro de 1959)
Criadores: Robert Kanigher (história) e Ross Andru (arte)
Primeira aparição (versão moderna): Legends nº3 (janeiro de 1987)
Criador: John Ostrander
Licenciadora: DC Comics
Base de operações: Penitenciária Belle Reeve (Louisiana, EUA)

A estreia do primeiro Esquadrão Suicida em The Brave and the Bold nº25 (1959).

Histórico de publicação: Quando, em setembro de 1959, debutou nas páginas de The Brave and the Bold nº25, o primeiro Esquadrão Suicida era composto por Rick Flag Jr., pela sua namorada Karin Grace, Jess Bright e pelo Dr. Hugh Evans. Conquanto nenhum dos seus integrantes possuísse habilidades meta-humanas, foi posteriormente convencionado que o grupo substituiria a Sociedade da Justiça da América  (cuja maioria dos seus membros se retirara devido a perseguições políticas em pleno McCarthismo ), no combate a ameaças monstruosas.
    Transcorridas quase três décadas, surgiu em Legends nº3 (1987) um redivivo Esquadrão Suicida. No renovado conceito introduzido pelo argumentista John Ostrander, supervilões a cumprir pena eram recrutados em segredo pelo Governo norte-americano para executarem operações confidenciais e envolvendo um elevado grau de risco. Muitas vezes a equipa - sempre sob a tutela férrea de Amanda Waller - operava em conjunto com outra agência governamental secreta: o Xeque-Mate.

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A versão moderna do Esquadrão Suicida fez a sua primeira aparição em Legends nº3 (1987).

    São, pois, notórias as influências do filme Doze Indomáveis Patifes (clássico de ação ambientado na II Guerra Mundial realizado, em 1967, por Robert Aldrich), assim como da célebre série televisiva Missão Impossível (1966-73). Por outro lado, o sigilo em torno da equipa induzia tensões entre os seus membros (já de si problemáticos e pouco atreitos à disciplina), além de a colocar no radar de Lois Lane e de Batman. Sendo que este último foi obrigado a desistir das suas investigações às atividades do Esquadrão depois de Amanda Waller ter ameaçado usar todos os recursos ao seu dispor para expor a verdadeira identidade do Homem-Morcego.
   Embora, com o tempo, alguns dos seus elementos (como Tigre de Bronze, Pistoleiro ou Capitão Bumerange) tenham adquirido o estatuto de membros permanentes, o elenco do Esquadrão Suicida caracterizou-se sempre pela rotatividade e por integrar supervilões de segunda linha. Os quais aceitavam executar missões "sujas" em troca de uma comutação das suas penas. Facto que explicava, em parte, a imagem de porta giratória associada ao sistema penal do Universo DC.

O primeiro Esquadrão Suicida (esq.) e a sua versão moderna.

    Bem-sucedido na maior parte das suas missões, ocasiões houve, contudo, em que o Esquadrão fracassou e fez jus ao seu nome, visto alguns dos seus operacionais terem perdido a vida nelas. Geralmente, os sacrificados eram criminosos de meia-tigela, autêntica carne para canhão de quem ninguém sentiria a falta. Não obstante, John Ostrander não se acanhou em liquidar uma das suas figuras de proa. No final do segundo ano de publicação de Suicide Squad (vol.1), Rick Flag foi morto em combate.
     Um dos pontos fortes da série era a análise feita às vidas, motivações e perfis psicológicos dos elementos que compunham o Esquadrão. Numa edição especial anual, os leitores podiam acompanhar a entrevista conduzida pelo psicólogo da equipa a um dos seus membros.
   No quinquénio 1987-1992, Suicide Squad (vol. 1) teve 66 números publicados, além de uma edição especial (Doom Patrol and the Suicide Squad Special #1) e outra anual. Após o cancelamento da série, o Esquadrão teve algumas participações especiais em títulos como Superboy (com a particularidade de vários antagonistas do Adolescente de Aço terem sido engajados para a equipa dirigida por Amanda Waller), Hawk & Dove, Chase e Adventures of Superman.

Formação padrão do Esquadrão Suicida nos anos 80 e 90. Da esq. para a dir.: Orquídea Negra, Sombra da Noite, Capitão Frio, Pistoleiro, Rick Flag, Víxen, Némesis, Tigre de Bronze, Duquesa e Capitão Bumerangue.

   No alvor do século XXI -  mais precisamente em 2001- , a DC deliberou dar nova vida ao Esquadrão Suicida nos quadradinhos. Com os argumentos a cargo de Keith Giffen e arte de Paco Medina, foi lançado Suicide Squad (vol.2). Embora no número inaugural da série a equipa fosse totalmente composta por vilões da Liga da Injustiça (criação do próprio Giffen), no final da história apenas o Major Desastre e Multiplex sobreviviam. Facto que obrigou o novo líder do Esquadrão, o Sargento Rock, a recrutar substitutos. A maioria dos quais, no entanto, seriam igualmente chacinados em missões subsequentes.
    Assinalando o regresso de John Ostrander, em 2007 a minissérie em oito volumes Suicide Squad (vol.3), focava-se em Rick Flag Jr. e na formação de um novo Esquadrão, com o propósito de atacar uma corporação responsável pelo desenvolvimento de uma mortífera arma biológica. De caminho, a equipa tinha de lidar com a traição do General Wade Eilling, bem como com a morte de vários dos seus agentes de campo.

Uma equipa renascida das cinzas pelas mãos do criador da sua versão moderna.

   Na renovada cronologia do Universo DC saída de The New 52!, em Suicide Squad (vol.4) - agora escrito por Adam Glass e desenhado por Federico Dallocchio e Ransom Getty- , Amanda Waller volta a assumir o comando da equipa a partir dos bastidores. Pistoleiro, Arlequina e Tubarão-Rei são os ativos mais proeminentes desta nova encarnação do Esquadrão, cujo título foi cancelado, já este ano, ao fim de 30 edições publicadas.

Um novíssimo Esquadrão nasceu com Os Novos 52!.

   Em julho último, estreou nas bancas norte-americanas New Suicide Squad. Com argumentos de Sean Ryan e arte de Jeremy Roberts, a nova série reúne antigos e novos membros da equipa: ao Pistoleiro e a Arlequina, juntam-se agora o Exterminador, Arraia Negra e a Filha do Joker.


A mais recente formação da equipa menos ortodoxa do Universo DC.

Origem e evolução da equipa: O Esquadrão Suicida tem as suas raízes na II Guerra Mundial. Tratava-se então de uma equipa de soldados descartáveis reunida para levar a cabo missões perigosas contra as forças do Eixo. Findo o conflito, o Esquadrão foi absorvido pela Força Tarefa X, passando a realizar operações clandestinas ao serviço do Governo dos EUA.

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A equipa original. Da esq. para a dir.: Karin Grace, Rick Flag Jr, Jess Bright e Dr. Hugh Evans.


   Na sequência de Crise nas Infinitas Terras, surgiu a versão moderna da equipa, agora formada por supervilões que, em troca de uma redução das suas penas, aceitavam participar em missões sigilosas dentro e fora do território estadunidense. Desta forma o Governo dos EUA podia negar oficialmente a existência do Esquadrão, bem como o seu envolvimento nas referidas missões.
  Composto inicialmente por Pistoleiro, Tigre de Bronze, Arrasa-Quarteirão, Capitão Bumerange e Magia, o Esquadrão Suicida sofreu sucessivas reconfigurações no seu elenco durante essa fase. Salvo algumas exceções, a maioria dos seus integrantes eram criminosos. Alguns executaram múltiplas missões, outros apenas uma.

Capa de Suicide Squad nº1 (1987).


   Após os eventos narrados em Ponto de Ignição (Flashpoint, no original), a equipa manteve o seu status operacional. Todavia, a exemplo da sua predecessora, esta nova encarnação do Esquadrão esteve sujeita a constantes reconfigurações. Para este facto contribuiu, por um lado, a elevada taxa de mortalidade associada aos seus membros e, por outro, a preferência de Waller em relação a alguns deles. Nessa equação repleta de variáveis e incógnitas, existiram contudo algumas constantes: até à recente reestruturação do grupo, Pistoleiro, Arlequina, Tubarão-Rei, Aranha Negra, El Diablo e Voltaico foram, por assim dizer, titulares indiscutíveis.

Principais histórias de referência: 

* Lendas (Legends)
   
   Enquanto o esbirro de Darkseid, G. Gordon Godfrey, continua a envenenar a opinião pública contra os super-heróis, Amanda Waller reativa o Esquadrão Suicida. Composto por Tigre de Bronze, Pistoleiro, Magia, Capitão Bumerangue e Arrasa-Quarteirão, a primeira missão do grupo consistiu em neutralizar Enxofre, um monstro incandescente igualmente ao serviço do soberano de Apokolips. Antes de conseguir cumprir o seu objetivo, o Esquadrão sofre a sua primeira baixa: Arrasa-Quarteirão perde a vida durante a batalha com Enxofre. Waller resolve desmantelar a equipa, embora pouco tempo depois  a volte a mobilizar para resgatar o Capitão Bumerange, que havia desertado e fora entretanto feito prisioneiro por Godfrey.

* Missão em Moscovo (Mission to Moscow)

   Agora sob as ordens de Derek Tolliver (oficial de ligação da equipa com o Conselho de Segurança Nacional) e contando com o Pinguim nas suas fileiras, o Esquadrão Suicida é enviado a Moscovo com a missão de resgatar Zoya Trigorin, uma escritora dissidente. Apesar de bem-sucedido nessa missão, o grupo é surpreendido pela renitência de Zoya em ser libertada. Fiel à sua causa, a mulher anseia por se tornar uma mártir.
   Sanadas algumas fricções no seio grupo e vencidas as objeções de Zoya, o Esquadrão prepara-se para abandonar o território russo quando é intercetado pelo grupo de meta-humanos autóctones chamado Heróis do Povo. Apanhada no fogo cruzado, Zoya acaba por morrer enquanto Némesis é capturado. Sendo este último posteriormente resgatado pelos seus companheiros e pela Liga da Justiça Internacional.

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Nem sempre é fácil manter a coesão de um coletivo composto por supercriminosos.

* A Diretiva Janus (The Janus Directive)

    Em conflito com várias outras agências secretas governamentais, como consequência da Diretiva Janus - uma misteriosa agenda definida por Amanda Waller - o Esquadrão sofre diversas baixas quando estala uma guerra aberta com o Xeque-Mate  e o Projeto Átomo. A Diretiva Janus era, na realidade, um ardil montado por Waller que visava ludibriar o vilão Kobra, que a tinha tentado assassinar e tomar o seu lugar.
   No final da guerra, a Força Tarefa X é dissolvida, passando o Esquadrão Suicida e o Xeque-Mate a operarem autonomamente sob o comando de Sarge Steel.  Caída em desgraça, Waller é exonerada das suas funções e posteriormente encarcerada, acusada de insubordinação, conspiração e homicídio.

* Massacre (Onslaught)

   Reformado pelo Sargento Rock, o Esquadrão Suicida leva a cabo uma série de missões arriscadas, culminando num confronto com a Jihad (um grupo de superseres patrocinado pelo Governo do Qurac). Num primeiro momento derrotada pelos vilões, a equipa - depois de ter vários dos seus membros capturados ou mortos - consegue virar o jogo, graças à ajuda da Sociedade da Justiça da América. No final, Rock é desmascarado como sendo um impostor.

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O Esquadrão em mais uma missão suicida.


* Pontapé nos Dentes (Kicked in the Teeth)
    
    No âmbito de Os Novos 52!, o Esquadrão Suicida é formado pela primeira vez. Chefiada por Amanda Waller, a equipa é enviada para um estádio de futebol repleto de infetados por um misterioso vírus que transforma pessoas em zombies. O objetivo da missão consistia em resgatar um bebé que os cientistas acreditavam possuir no seu organismo os anticorpos que permitiriam curar a infeção. Apesar de bem-sucedido, o Esquadrão (já depois de ter perdido um dos seus operacionais) não consegue alcançar a tempo o seu ponto de extração. Quando os agentes de Waller finalmente chegam ao local, salvam o bebé mas obrigam a equipa a permanecer no estádio e a confrontar uma célula da organização terrorista Basilisco.
   Regressado à prisão, o Esquadrão vê-se na contingência de travar um motim causado pela fuga da Arlequina. Cumprida essa missão, o grupo é de imediato mandado no encalço da sua antiga companheira. Uma jornada que termina em Gotham City, onde a ex-namorada do Joker é recapturada. Não sem antes o Esquadrão sofrer nova baixa.

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A Filha do Joker (à esq.) e Arlequina são as atuais representantes femininas no Esquadrão.

Noutros media: Após a estreia da versão moderna do Esquadrão Suicida, a DC considerou a hipótese de produzir uma série televisiva baseada nas aventuras da equipa. De acordo com John Ostrander, de tão más que eram as ideias apresentadas, o projeto foi de imediato posto de parte.
     Assim, a primeira missão do Esquadrão fora dos quadradinhos ocorreu num episódio da série animada Justice League Unlimited (2004-06), intitulado "Task Force X". Ainda no pequeno ecrã, após uma subtil referência na 9ª temporada de Smallville, o Esquadrão teve participação direta na temporada seguinte. A qual repetiria num par de episódios da 2ª temporada de Arrow.
   No cinema, o currículo do Esquadrão salda-se por uma  participação no filme de animação Batman: Assault on Arkham, lançado já este ano no mercado de vídeo norte-americano. Segundo alguns rumores, a Warner Bros. estará presentemente a reunir uma equipa criativa com vista à produção de um filme da equipa.
  
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Amanda Waller à frente do Esquadrão Suicida em Arrow.