25 março 2015

HERÓIS EM AÇÃO: PANTERA NEGRA


  Personificação do Espírito da Pantera, T'Challa foi preparado desde o berço para ser o monarca de Wakanda. Primeiro herói negro na era moderna dos quadradinhos, notabilizou-se ao serviço dos Vingadores e será uma das próximas personagens da Casa das Ideias a ganhar vida no cinema. 

Nome original: Black Panther
Primeira aparição: Fantastic Four #52 (julho de 1966)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: T'Challa (convencionou-se que o T do seu nome é mudo)
Lugar de nascimento: Wakanda (minúsculo reino fictício localizado no coração da África)
Parentes conhecidos: Chanda e Nanali (avós paternos falecidos); T'Chaka e N'Yami (pais falecidos); Ramonda (madrasta); S'Yan (tio falecido); Hunter (irmão adotivo); Shuri e Jakarra (meios-irmãos); Ororo Munroe (ex-esposa)
Afiliação: Ex-membro dos Vingadores, do Quarteto Fantástico, dos Defensores e dos Vingadores Secretos (durante a saga  Guerra Civil). Atual integrante dos Illuminati, patrocina também os Mutantes Sem Fronteiras.
Base de operações: Necrópole, Wakanda (Nova Iorque durante a sua passagem pelos Vingadores e quando substituiu o Demolidor)

A estreia do Pantera Negra em Fantastic Four nº52 (1966).

Armas, poderes e habilidades: Na hierarquia do Clã Pantera que há séculos governa Wakanda, o título máximo a que algum dos seus membros poderá aspirar é o de Pantera Negra. Quando é encontrado um herdeiro condigno dessa nobre linhagem africana, ele tem de comer uma erva em forma de coração. A qual, além de um vínculo místico com o deus Pantera, lhe concederá capacidades sobre-humanas. T'Challa possui, portanto, força, velocidade, resistência, reflexos e agilidade muito superiores aos de um humano comum. À semelhança do felino que inspirou o seu nome, o Pantera Negra dispõe igualmente de sentidos apurados. Entre outras coisas, ele consegue farejar o cheiro de uma presa à distância e memorizar dezenas de outros.
   Enquanto monarca de Wakanda, o Pantera Negra tem acesso a uma panóplia de artefactos místicos, assim como à mais sofisticada tecnologia civil e militar. Ainda nessa qualidade, o herói enverga um uniforme confecionado à base de vibranium (metal fictício que representa a principal fonte de riqueza de Wakanda), que mais não é do que um traje cerimonial do Culto da Pantera. Entre as várias funcionalidades da indumentária (adornada por vezes com um manto) destaca-se a cota de micro-ondas capaz de travar em pleno ar qualquer projétil disparada no direção do seu usuário. Com o tempo, a tecnologia da veste foi sendo aprimorada. Hoje, além de um dispositivo de teletransporte incorporado, inclui também adagas energéticas, garras retráteis de vibranium e botas especiais que, entre outras coisas, permitem ao Pantera Negra escalar paredes, deslizar sobre a água e aterrar sempre de pé, como um gato.
   Treinado desde tenra idade para ser o guerreiro supremo do seu povo, T'Challa é um exímio caçador, rastreador, estratega, político e cientista. Senhor de uma das mais fulgurantes mentes do planeta, o soberano de Wakanda possui  um doutoramento em Física pela Universidade de Oxford. Sendo esse conhecimento académico complementado pela sabedoria ancestral que lhe foi transmitida pelos seus antepassados.
   Perito em diversas artes marciais, T'Challa é um atleta e acrobata de nível olímpico. Tempos atrás, ele perdeu o seu vínculo místico com o deus Pantera. Forjou então nova conexão com uma divindade felina desconhecida de quem se tornou seu avatar. Em resultado disso, viu os seus atributos físicos amplificados, assim como a sua resistência à magia.

Um herói com muitos recursos.

Conceção:  O nome Pantera Negra é anterior à fundação, em 1966, do partido político homónimo que, nas décadas de 60 e 70 do século XX, adotou métodos radicais na luta pelos direitos cívicos dos negros nos EUA. O mesmo não se verificando relativamente ao logotipo dos Panteras Negras, o lendário regimento militar composto exclusivamente por afro-americanos que, durante a II Guerra Mundial e numa época em que vigorava ainda o segregacionismo racial nas forças armadas estadunidenses, combateu corajosamente pela Liberdade.
  Historicamente, o Pantera Negra foi, de facto, o primeiro super-herói negro nos quadradinhos mainstream, e o primeiro a possuir superpoderes. Antes dele, as personagens de cor eram, invariavelmente, caricaturadas. As únicas exceções foram Waku, o Príncipe de Bantu e Lobo. O primeiro protagonizou, em 1947, uma edição especial intitulada All-Negro Comics na série Jungle Tales publicada pela Atlas Comics (uma das predecessoras da Marvel); o segundo foi o primeiro herói negro a estrelar um título próprio sob a égide da Dell Comics Western.
   Considerando estes factos, é notório o forte pendor político inerente à conceção do Pantera Negra, num contexto de afirmação social e cultural dos afro-americanos.


Símbolo africano.

Histórico de publicação: Após a sua estreia nas páginas de Fantastic Four #52-53 (julho e agosto de 1966), da subsequente participação especial em Fantastic Four Annual #5 (1967) e ao lado do Capitão América em Tales of Suspense #97-99 (janeiro a março de 1968), o Pantera Negra viajou do coração de África para Nova Iorque, para reforçar as fileiras dos Vingadores. Facto ocorrido em maio de 1968, em The Avengers #52, título onde marcaria presença nos anos que se seguiram.
   Durante a sua passagem pelos Vingadores, o Pantera Negra fez uma aparição a solo em três edições de Daredevil e enfrentou o Doutor Destino em Astonishing Tales #6-7 (julho e agosto de 1971). Saliente-se que este último título, de curta longevidade, tinha a particularidade de ser estrelado por vilões do Universo Marvel.

Em The Avengers nº52 (1968), o Pantera Negra viveu a sua primeira aventura ao lado dos Vingadores. Usava então uma máscara em forma de capuz que logo desapareceria.

  Em fevereiro de 1972, o herói africano regressaria fugazmente às páginas de Fantastic Four. Período durante o qual se autodenominou Leopardo Negro (Black Leopard, no original) a fim de evitar ser conotado com o já citado Partido dos Panteras Negras.
  No ano seguinte, o Pantera Negra teve direito a um arco de histórias próprio em  Jungle Action. Facto que se repetiria entre janeiro e novembro de 1976, nos números 19 a 24 do referido título. A inclusão do Ku Klux Klan no enredo foi controversa, criando sérias dificuldades à respetiva equipa criativa.
  Embora popular entre os estudantes universitários norte-americanos, as vendas de Jungle Action eram baixas. Receando estar a subaproveitar a personagem, os editores da Marvel acharam por bem conceder um título próprio ao Pantera Negra. E para que este fosse um sucesso, convocaram ninguém menos que o seu cocriador, Jack Kirby, para assumi-lo. Recém-regressado à Casa das Ideias após uma estada na Distinta Concorrência, o Rei estava, contudo, pouco interessado em trabalhar com uma personagem que nada tinha de novo para si. Tomando, portanto, a contragosto as rédeas do neófito Black Panther. Quando, depois de ter produzido somente uma dúzia de números, Kirby abandonou a série, ninguém ficou propriamente surpreendido. A saída do Rei sentenciaria, porém, à morte o primeiro título autónomo do Pantera Negra, que resistiu apenas mais um trimestre.
   Entre 1988 e 2009 sucederam-se as tentativas, mais ou menos bem-sucedidas, de relançamento de Black Panther. Pelas suas páginas desfilaram escritores e artistas consagrados, como Gene Colan ou John Romita, Jr. Ao longo desses 21 anos, o Pantera Negra foi sofrendo algumas alterações, ganhou novos coadjuvantes e deixou gradualmente de ter como público-alvo os leitores afro-americanos. O herói fez também parte de equipas como o Quarteto Fantástico, Defensores e Vingadores Sombrios.
  A convite de Matt Murdock (identidade civil do Demolidor), em 2011 o Pantera Negra concordou em tornar-se o novo protetor do problemático bairro nova-iorquino conhecido como Cozinha do Inferno. Daí resultando a renomeação da série Daredevil, que, a partir do seu 513º número, passou a chegar às bancas como Black Panther: The Man Without Fear. 


Antes de ganhar um título próprio, o Pantera Negra passou pelas páginas de Jungle Action.

Biografia: Num passado distante, um meteorito feito do estranho metal que, anos depois, se convencionou chamar vibranium, despenhou-se em Wakanda. Nunca desenterrado, o meteorito disseminou o vibranium pelo subsolo do pequeno reino africano. Temendo a ação depredatória exercida sobre os recursos naturais wakandianos por rapinadores estrangeiros, T'Chaka, à semelhança de todos os anteriores Panteras Negras, optou pelo isolacionismo.
  Anos depois, o soberano wakandano viu a sua esposa, N'Yami, morrer durante o parto do seu primogénito, T'Challa. Com este a ser culpado da tragédia pelo seu irmão adotivo, Hunter.
  Casado entretanto em segundas núpcias com Ramonda, T'Chaka viu-a abandonar a sua família para regressar à sua África do Sul natal. Com apenas oito anos de idade, o pequeno T'Challa viu-se, assim, privado pela segunda vez de uma figura materna. Tendo sido, portanto, educado quase em exclusivo pelo seu pai. Este seria, todavia, assassinado quando T'Challa mal atingira a puberdade. Por causa do vibranium, T'Chaka foi morto às mãos de Ulysses Klaw, filho de um criminoso nazi.
   Sedento de vingança e com o seu povo ainda em perigo, o jovem T'Challa usou contra Klaw a mesma arma sónica que este usara para tirar a vida ao seu progenitor. Com a mão direita decepada, o vilão e o seus asseclas bateram em retirada.
   Primeiro na linha de sucessão ao trono wakandiano e ao título de Pantera Negra, T'Challa não estava ainda preparado para assumir essas funções. Cabendo assim ao seu tio S'Yan (irmão mais novo do malogrado T'Chaka) fazê-lo. Não sem antes se submeter aos exigentes desafios para provar ser digno de se tornar o avatar do deus Pantera.
   Enquanto realizava uma longa jornada inserida nos seus ritos de passagem, T'Challa cruzou-se com Ororo Munroe, a órfã mutante que, anos depois, se tornaria a X-Man Tempestade. O casal apaixonou-se, mas o incipiente romance foi interrompido devido à obstinação de T'Challa em honrar a memória do seu pai. Antes de se separarem, os dois prometeram, contudo, tudo fazerem para manterem contacto. Ficava assim suspensa uma história de amor cujos capítulos finais só seriam escritos muitos anos depois, quando T'Challa desposou Ororo, fazendo dela sua rainha consorte.

T'Challa e Ororo: destinos entrelaçados.
   Após levar de vencida os campeões das diversas tribos wakandianas, T'Challa conquistou o direito a ser investido do poder do deus Pantera. Um dos seus primeiros atos oficiais consistiu em ordenar o desmantelamento da polícia política do reino (responsável por inúmeras arbitrariedades), e o exílio do seu sádico intendente: Hunter, o seu irmão adotivo.
   T'Challa decidiu também vender pequenas quantidades de vibranium a instituições científicas de vários pontos do globo, acumulando dessa forma uma fortuna que usou de seguida para adquirir tecnologia de ponta para o seu país. Para apaziguar as tensões entre as tribos rivais, o novo soberano recrutou alguns dos seus mais valorosos mancebos para a sua guarda pessoal, e algumas das suas mais formosas raparigas para o seu harém. Do qual, de acordo com a tradição, deveria sair a sua futura esposa.
  Ansioso por descobrir o mundo e por ampliar os seus conhecimentos, T'Challa foi estudar para o estrangeiro durante uma temporada.  Em Oxford obteve um doutoramento em Física, sobressaindo pela sua genialidade e empenho.
  Quando regressou a Wakanda, já adulto, T'Challa convidou o Quarteto Fantástico a visitar o pequeno reino africano. Apenas para atacar e subjugar individualmente cada um dos elementos do grupo. Com este desafio, T'Challa queria testar as suas capacidades, certificando-se de que estaria pronto para defrontar Klaw. Este substituíra a sua mão amputada por uma devastadora arma sónica e clamava por vingança em relação ao novo Pantera Negra.
  Depois de apresentados os devidos esclarecimentos, o Quarteto Fantástico prontificou-se a ajudar o Pantera Negra a derrotar Klaw. Com o herói africano a retribuir a cortesia adjuvando o grupo na sua liça com o Homem Psíquico.
  Esses episódios espevitaram, no entanto, o espírito aventureiro de T'Challa. Tendo garantido paz e prosperidade aos seus súbditos, ele viaja para Nova Iorque, para se juntar aos Vingadores. Começando, assim, uma longa associação com os heróis mais poderosos da Terra. Período durante o qual se envolveu romanticamente com a cantora Monica Lynne.

Na savana africana ou na selva urbana, o Pantera Negra é adversário de respeito.

   Com Wakanda a ferro e fogo devido a uma sangrenta guerra civil,  o Pantera Negra viu-se forçado a abandonar os Vingadores e a regressar à terra dos seus antepassados. Fê-lo, contudo, na companhia de Monica Lynne.
  Restabelecida a paz em Wakanda, o Pantera Negra aventura-se no Sul dos EUA para combater o Ku Klux Klan. Seguindo depois para a África do Sul, numa demanda pela sua madrasta, onde choca de frente com as autoridades do apartheid. Pelo meio, T'Challa propõe casamento a Monica Lynne. Os dois ficam noivos, mas nunca chegam a unir-se pelos laços do matrimónio.
   Depois de ter ajudado a sua antiga paixão Ororo a reencontrar os membros remanescente da sua família no Quénia e nos EUA, T'Challa pediu a Rainha dos Ventos em casamento. Na sumptuosa cerimónia em que o casal trocou os seus votos nupciais, estiveram presentes muitos super-heróis. Quase sem tempo para desfrutarem da sua lua de mel, os monarcas wakandianos partiram numa missão diplomática quando já se adivinhava a eclosão de um conflito entre os defensores e os opositores do registo obrigatório de meta-humanos decretado pelas autoridades estadunidenses. Falhados os seus esforços diplomáticos, o casal aliou-se à fação liderada pelo Capitão América que se opunha à referida medida legislativa.

O casamento do Pantera Negra com Tempestade foi um dos mais grandiosos eventos da história da Marvel.

  Finda a Guerra Civil, T'Challa e Ororo ofereceram-se para substituir temporariamente Reed e Susan Richards no Quarteto Fantástico, casal que estivera em lados opostos da barricada durante a contenda.
  Deixando Ororo em Nova Iorque para que esta pudesse ajudar os seus camaradas X-Men, o Pantera Negra regressou sozinho a Wakanda. Na sua terra natal, enfrentou e derrotou novamente Erik Killmonger, o responsável pela guerra civil que devastara o reino anos atrás.
  Ainda mal refeito do esforço, o Pantera Negro é atacado pelas forças da Cabala, uma congregação secreta de supervilões a que pertencem, entre outros, Namor e o Dr. Destino. Deixado em estado comatoso, ao despertar, o soberano de Wakanda é forçado a passar o cetro à sua irmã Shuri.
   Além do trono, T'Challa perdeu também os seus poderes. Com o auxílio de um feiticeiro do reino, ele firma um pacto com uma divindade felina anónima. Em consequência disso, vê os seus atributos físicos amplificados e adquire uma resistência superior a ataques místicos.
   De volta à cidade que nunca dorme, o Pantera Negra concorda em tomar o lugar do Demolidor como guardião da Cozinha do Inferno. Para medir o pulso aos habitantes do bairro, assume a identidade de um imigrante proveniente da República Democrática do Congo e passa a gerenciar um modesto restaurante.
   Algum tempo depois, T'Challa retorna a Wakanda para acolitar a sua irmã, atual regente da pequena nação africana. Antecipando o perigo que paira sobre o reino, o deus Pantera restitui os poderes a T'Challa. Mas eles de nada valem quando, possesso pela Força Fénix, Namor empreende um ataque massivo contra Wakanda (eventos ocorridos na minissérie X-Men versus Avengers, já publicada no Brasil pela Panini Comics)
    Regressada para auxilar os sobreviventes da destruição, Ororo é surpreendida pelo anúncio do marido de que o casamento de ambos chegara ao fim. Na sua qualidade de sumo-sacerdote wakandiano, T'Challa decretara a nulidade da união. Decisão motivada tanto pela prolongada ausência de Ororo, como pelo facto de a catástrofe ter sido causada por um mutante.
   
Rei solitário.

Noutros media: A revista Wizard, especializada em comics e seu derivados, colocou o Pantera Negra na 71ª posição do seu ranking das cem melhores personagens da história dos quadradinhos. Por sua vez, o site IGN, atribuiu-lhe o 51º lugar numa tabela idêntica por ele organizada. Referindo-se ao herói africano como o Batman da Marvel. Não pelas semelhanças de visual, mas pelo caráter obstinado e pelos muitos recursos de que dispõe.
   Data de 1994, a primeira aparição televisiva do Pantera Negra. Aconteceu num episódio da série animada Fantastic Four, intitulado Prey of the Black Panther. Seguindo-se várias participações do herói, com maior ou menor relevo, em séries do género. Num episódio de The Avengers: Earth's Mightiest Heroes, foi apresentada a sua origem.

O Pantera Negra na série animada Fantastic Four (1994).

   Ainda sem direito a transposição para o grande ecrã, o Pantera Negra teve, contudo, papel de destaque em três filmes de animação produzidos pelos Estúdios Marvel: Ultimate Avengers 2 (2006), Next Avengers: Heroes of Tomorrow (2008) e Marvel Knights: Wolverine versus Sabretooth (2014). Todos eles foram lançados diretamente em DVD.
  Há mais de uma vintena de anos que circulam rumores sobre uma adaptação cinematográfica do Pantera Negra. Em junho de 1992, Wesley Snipes anunciou a intenção de fazer um filme baseado no herói. O tempo foi passando sem que o projeto saísse da gaveta. Snipes daria entretanto vida na grande tela a outro super-herói negro da Marvel: Blade, o Caçador de Vampiros, cujos três primeiros capítulos da franquia protagonizou.
  Por fim, em outubro de 2014, os Estúdios Marvel confirmaram oficialmente a produção de uma longa-metragem do Pantera Negra. Com estreia agendada para julho de 2018, a película insere-se na Fase III do universo cinemático da Casa Das Ideias. Segundo a mesma fonte, Chadwick Boseman (Dia de Treino) será o ator escolhido para encarnar o herói. O qual fará uma aparição preliminar, já no próximo ano, em Captain America: Civil War.


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Chadwick Boseman é o nome de que fala para interpretar o Pantera Negra.

13 fevereiro 2015

GALERIA DE VILÕES: SENHOR SINISTRO



   Na Inglaterra vitoriana, um excêntrico geneticista obcecado com as teorias darwinistas aceita tornar-se acólito de Apocalipse. Surgiu assim o Senhor Sinistro, cujo grau de poder e de perversidade fazem dele um dos mais temíveis arqui-inimigos dos X-Men.

Nome original da personagem: Mister Sinister
Primeira aparição: Uncanny X-Men #221 (setembro de 1987)
Criadores: Chris Claremont (história) e Marc Silvestri (arte)
Licenciadora: Marvel Comics 
Identidade civil: Nathaniel Essex
Local de nascimento: Londres, Reino Unido
Parentes conhecidos: Mary Essex (mãe), Rebecca Essex (esposa falecida), Adam Essex (filho falecido), Claudine Renko (filha clonada), N2, Hans, Xraven e Madelyne Prior (criações)
Filiação: Ex-membro do Projeto Arma X e da Academia Real das Ciências de Londres; líder e fundador dos Carrascos; líder dos Cavaleiros de Apocalipse;
Base de operações: O Sr. Sinistro tem à sua disposição uma vasta rede de bases secretas espalhadas pelo globo
Armas, poderes e habilidades: Em consequência da bioengenharia nele operada por Apocalipse, o Sr. Sinistro possui um amplo espectro de poderes e habilidades. Ao longo dos anos, o vilão tem também usado material genético de mutantes para obter  dons adicionais aos que lhe foram concedidos pelo seu mentor. Dentre esse impressionante cardápio destacam-se os seguintes:

- controlo molecular do seu corpo (permitindo-lhe assumir qualquer forma que desejar);
- fator de cura acelerada (graças ao qual regenera, quase instantaneamente, ossos quebrados ou tecidos orgânicos danificados);
- força, velocidade, resistência e durabilidade sobre-humanas;
- telepatia (a que recorre para projetar os seus pensamentos a distâncias consideráveis, bem como para controlar mentalmente outros indivíduos, quando na sua presença);
- telecinesia (que usa para levitar e manipular psionicamente pessoas, objetos e determinados tipos de energia);
- rajadas concussivas (que tanto podem ser disparadas pelas suas mãos, olhos ou pela marca em forma de diamante que lhe adorna a testa);
- campos de força (poderosos o suficiente para, quando erguidos pelo vilão, repelirem ataques de natureza diversa);
- imortalidade (embora relativa, esta característica advém da imunidade do Sr. Sinistro a doenças e aos efeitos do envelhecimento, somada ao seu fator de regeneração acelerada)

   Complementarmente a tudo isto, o Sr. Sinistro, além de um bem treinado combatente, possui um intelecto superior. Geneticista supremo, é igualmente um exímio cirurgião e engenheiro mecânico.

Um vilão saído de um pesadelo distorcido.


Fraquezas: Residem em alguns traços da sua personalidade as maiores fraquezas do Sr. Sinistro. Desprovido de emoções ou sentimentos, não olha a meios para atingir os seus fins. Assume-se, porém, em primeiro lugar, como um cientista apostado em criar condições para que a humanidade atinja todo o seu potencial. Razão pela qual, num punhado de ocasiões, se aliou aos heróis para neutralizar qualquer ameaça que prejudicasse esse desígnio.
   Arrogante e prepotente, espera sempre total obediência às suas diretivas. O que, obviamente, nem sempre acontece. Por desprezar o trabalho sujo, Sinistro prefere manobrar a partir das sombras. Facto que acaba frequentemente por comprometer os resultados dos seus maquiavélicos planos.

Planos sinistros de uma mente diabólica.

Histórico de publicação: Cansado de usar sempre Magneto, ora sozinho ora adjuvado pela sua Irmandade de Mutantes, como principal antagonista dos X-Men,  em meados dos anos 1980, o escritor Chris Claremont decidiu conceber um novo e poderoso vilão para as histórias dos Filhos do Átomo.
   Na sequência de diversas reuniões com Dave Cockrum (desenhador e cocriador de alguns dos X-Men de segunda geração, falecido em 2006), vingou a ideia de criar um vilão cuja aparência sinistra seria por si só suscetível de infundir medo aos seus oponentes. Um passado enigmático e um elevado nível de poder foram os outros dois ingredientes da receita que serviu de base à conceção daquela que se tornaria uma personagem ímpar nos meandros do Universo Marvel.
   A primeira referência ao Senhor Sinistro foi feita por Dentes-de-Sabre em Uncanny X-Men #219 (julho de 1987). No decurso da saga Mutant Massacre (Massacre dos Mutantes, publicado na 1ª série de X-Men da Abril), o estrante vilão foi identificado como o líder dos Carrascos (Marauders no original), a quem ordenara a chacina dos Morlocks que habitavam os túneis subterrâneos de Nova Iorque. Na edição seguinte, a X-Man Psylocke captaria telepaticamente uma imagem difusa do Sr. Sinistro na mente do Dentes-de-Sabre.
  Seria, no entanto, preciso esperar mais um mês para, nas páginas de Uncanny X-Men #221, Sinistro fazer enfim a sua triunfal primeira aparição.

A estreia de Sr. Sinistro não mereceu destaque na capa de Uncanny X-Men #221 (1987).

  Ainda com poucos detalhes conhecidos acerca da sua origem, Sinistro desempenharia um papel proeminente em Inferno (saga dos X-Men publicada originalmente no biénio 1988-89). Sendo então revelado que o vilão clonara Madelyne Pryor a partir de Jean Grey, com o propósito de que ela concebesse um filho em conjunto com Ciclope. Este, por sua vez, ficaria a saber que fora manipulado desde a infância por Sinistro.  
   No culminar de uma batalha travada com os X-Men e o X-Factor, o Sr. Sinistro seria aparentemente morto por uma rajada ótica de Ciclope.
    Sem grande surpresa o vilão, reapareceria, em 1992, nas páginas de X-Factor, determinado a infernizar a equipa de heróis mutantes composta pelos X-Men originais. Quatro anos volvidos, em 1996, a sua origem seria finalmente revelada em The Further Adventures of Cyclops and Phoenix (As Aventuras de Ciclope e Fénix, minissérie editada nesse mesmo ano no Brasil pela Abril). Dentre as várias revelações bombásticas vindas então a lume, destacava-se a descoberta de que o Sr. Sinistro seria na realidade um geneticista do século XIX que fizera um pacto com o mutante Apocalipse para se tornar virtualmente imortal. Foi igualmente convencionado que Sinistro criara Nathan Summers (o viajante temporal conhecido como Cable, filho de Ciclope e Madelyne Pryor) para derrubar Apocalipse.
   Já este século, foi também finalmente revelada a ligação existente entre o Sr. Sinistro e o antigo X-Man Gambit. Durante o Massacre dos Mutantes, o mutante francês fizera parte dos Carrascos, guiando-os através dos túneis subterrâneos até ao santuário dos Morlocks. Recebendo agora do seu ex-patrono o composto químico que neutralizava a mutação genética induzida pelos Skrulls como parte do seu plano de infiltração na Terra.

Antes de se unir aos X-Men, Gambit serviu o Sr. Sinisto.
   Depois de ter escapado uma vez mais à morte, transferindo a sua consciência e poderes para uma máquina que deveria garantir a sua ressurreição -  se não fosse pela sabotagem levada a cabo por Gambit e Sebastian Shaw -, o Sr. Sinistro desapareceu sem deixar rasto. No seu lugar surgiria então uma sua versão feminina. Crismada de Senhorita Sinistra (Miss Sinister em Inglês),  tratava-se na realidade de um clone produzido pelo vilão para dar  continuidade ao seu legado. Temporariamente usada como hospedeira do seu criador, a Senhorita Sinistra acabaria imolada para que ele ressuscitasse.

A Senhorita Sinistra teve vida curta.

   Adotando o visual de um aristocrata vitoriano,  nos últimos anos o Sr. Sinistro recuperou protagonismo no Universo Marvel. Durante o arco de histórias Avengers versus X-Men (Vingadores versus X-Men, minissérie publicada pela Panini Comics no Brasil em 2013) foi revelada a existência de uma cidadela subterrânea construída pelo vilão sob São Francisco. Habitada exclusivamente por clones do próprio, bem como de outros mutantes célebres, como Dentes-de-Sabre, Ciclope ou Mística, era uma réplica quase exata da Londres do século XIX, que  Sinistro considerava o expoente máximo de civilização. Tanto a cidadela como os seus habitantes seriam. contudo, incinerados pela Força Fénix, depois de Sinistro  ter tentado capturar a entidade para usar o seu imensurável poder em proveito próprio.
 Sobrevivendo ao desastre, Sinistro ressurgiu recentemente na Latvéria (nação fictícia governada pelo Doutor Destino), apostado em assenhorar-se das amostras genéticas de Loki em posse de Victor Von Doom. Objetivo: clonar o Deus da Trapaça para o usar como servo. Veria, no entanto, os seus planos frustrados pela intervenção de uma versão púbere do próprio Loki.

Nathaniel Essex (Earth-616) from Marvel War of Heroes 001
Primus inter pares.
      
Biografia: Devido ao seu envolvimento em assuntos relacionados com os mutantes, o Senhor Sinistro é frequentemente tomado por um. Tendo inclusivamente sido classificado como mutante de Nível Alfa, grau que preside à escala de poder dos homos superior. Trata-se, todavia, de um humano geneticamente modificado por intermédio de sofisticadas técnicas de bioengenharia.
  Quando criança, ao visitar uma das zonas abastadas de Londres, Nathaniel Essex ficou fascinado com o aspeto saudável e elegante dos transeuntes que por lá passeavam. Aos seus olhos tratavam-se de exemplos de pureza genética, predestinados a contribuírem para a evolução da humanidade.
  À medida que os anos passavam, crescia a sua obsessão pelas teorias evolucionistas de Charles Darwin. O jovem Essex considerava, no entanto, que o autor de A Origem das Espécies  estava demasiado espartilhado por princípios ético-morais. Por conseguinte, em 1859, recém-doutorado em Biologia, Essex apresentou à comunidade científica as suas revolucionárias teorias genéticas. Consistindo o seu maior sonho no aprimoramento da espécie humana por via da manipulação genética.
   Embora reconhecido  por muitos dos seus pares como o maior génio científico da sua geração, as teses de Essex foram consideradas excessivas e radicais. Fazendo dele um homem perigoso aos olhos de outros. Nada que o demovesse de aprofundar a sua pesquisa. A qual ganhou novo impulso após a morte do seu filho de quatro anos, Adam Essex, em resultado de diversas malformações congénitas, mormente ossos quebradiços e hemofilia.

Nathaniel Essex 0001
 Dr. Nathaniel Essex, um evolucionista radical. 
   Ateu convicto, Essex depositava uma fé cega nos postulados de Darwin, acreditando, com fervor religioso, que a humanidade se encontra em permanente mutação devido à ação do que ele designou por Fatores Essex no genoma dos homos sapien. Sustentava também que, na descendência de certos espécimes geneticamente superiores, esses elementos serviriam, no espaço de aproximadamente um século, de catalisadores para um enorme salto evolutivo em alguns ramos da espécie humana. Teses impiedosamente ridicularizadas pelos outros membros da Academia Real das Ciências. Instituição de que Essex seria banido após a descoberta de que realizara secretamente experiências pouco ortodoxas.
   Para aumentar ainda mais o vexame do cientista caído em desgraça, o próprio Darwin sugeriu que Essex estaria transtornado em consequência do trauma causado pela morte do filho. Cáustico, Essex retorquiu que, se transformar-se num monstro seria o preço a pagar pelo progresso da Ciência, estaria mais do que disposto a tornar-se num.
  Depois de travar conhecimento com Cootie Tremble, Essex seria levado para o subsolo da capital britânica onde os Carrascos mantinham cativos indigentes, dementes e todo o tipo de párias da sociedade. Os quais serviriam doravante de cobaias aos seus experimentos científicos.
  Uma vez desperto, o mutante imortal En Sabah Nur (nome de batismo de Apocalipse) ordenou aos Carrascos que o levassem até ao Dr. Essex. Dominado como nunca pelas suas obsessões, este exumara o cadáver do seu filho a fim de usá-lo em mais uma das suas aterradoras experiências. Ao tomar conhecimento dessa macabra operação, Rebecca Essex, a  estarrecida esposa do cientista, deu-lhe a escolher entre o casamento de ambos ou a prossecução do seu trabalho. Apesar da gravidez de Rebecca, Essex hesitou na sua decisão.
   Abordado por En Sabah Nur, que lhe expressou o seu interesse nas pesquisas que vinha desenvolvendo, o Dr. Essex aceitaria aliar-se a ele. Mais tarde reconsideraria, porém, esta decisão.
  Disposto a renunciar à sua vida como cientista, Essex voltou para casa na expectativa de reconstruir a sua família. Apenas para descobrir que, durante a sua ausência, Rebecca libertara todas as suas cobaias, entrara em trabalho de parto prematuramente, agonizando agora, moribunda. Devastado, o cientista implorou pelo perdão da mulher que, contudo, lho negou antes do seu derradeiro suspiro. Momentos antes pronunciara palavras que se revelariam proféticas: Já não te reconheço. Aos meus olhos transformaste-te num ser sinistro.
    Essex voltaria então a procurar En Sabah Nur, comunicando-lhe que aceitava a sua proposta. Sem perda de tempo, o mutante egípcio ordenou-lhe que criasse uma praga que eliminasse a fraqueza existente no mundo, no que seria um prelúdio do nascimento de Pestilência, o primeiro dos quatro Cavaleiros do Apocalipse. Como recompensa pelo seu trabalho, Essex foi dolorosamente transformado por En Sabah Nur num ser imortal de aparência medonha e dotado de habilidades telecinéticas. A pedido do seu mestre, Essex renunciou à sua antiga identidade, assumindo o nome de Senhor Sinistro e tornando-se assim o lugar-tenente de Apocalipse.

Criado sob o signo do Apocalipse.
   Contudo, nas décadas que seguiram, temendo o poderio de Apocalipse, o Sr. Sinistro afadigou-se na sua demanda por um mutante poderoso o suficiente para fazer frente ao seu mestre. Isto enquanto continuava a coletar o ADN de incontáveis humanos e mutantes para a sua gigantesca base de dados genética.
  Por fim, Sinistro compreendeu que a combinação dos genes de Scott Summers e de Jean Grey daria origem ao mutante supremo capaz de levar a melhor sobre Apocalipse. À época, porém, Jean Grey servia de hospedeira à Força Fénix, o que a tornava incontrolável. Decorrente desse facto, o vilão produziria um clone da heroína mutante. O seu plano consistia em usar essa cópia genética para seduzir Ciclope (que Sinistro considerava um mutante superior) daí resultando um filho. Para seu grande desapontamento, o processo de clonagem foi, porém, malsucedido. Acabando o clone esquecido no seu tubo de incubação até, que anos depois, aquando da morte da Fénix Negra, uma faísca da Força Fénix lhe concedeu acidentalmente vida, renovando assim o interesse de Sinistro.

Madelyne Pryor como Rainha dos Duendes na saga Inferno.

  Recebendo do seu criador o nome de Madelyne Pryor e um conjunto de memórias falsas, o clone partiu em busca de Scott Summers com a missão de ser fecundada por ele. Daí resultando o nascimento de Nathan Summers (nome que Sinistro induziu Madelyne a escolher). E cujo poder era de tal ordem que a sua vinda ao mundo acordou Apocalipse da sua hibernação.
  Antes, porém, que Sinistro pudesse manipular o infante, Madelyne Pryor descobriu a sua verdadeira origem e traiu o seu criador, unindo-se ao demónio Nastirth após entregar o pequeno Nathan ao cuidados do pai e de Jean Grey (que, afinal, não morrera).
   Intuindo a ameaça que a criança poderia representar para ele, Apocalipse apressou-se a infetá-la com um vírus tecno-orgânico. Não restando a Scott Summers outra opção que não enviar o filho para o futuro onde seria curado, tornando-se o viajante temporal conhecido como Cable.

Cable, o predestinado verdugo de Apocalipse.
     
Noutros media: No Top 100 dos Melhores Vilões de Sempre dos Quadradinhos, organizado pelo IGN, o Senhor Sinistro quedou-se num respeitável 29º lugar. Em 2008, aquando da divulgação no site oficial da Marvel Comics da lista dos dez melhores antagonistas dos X-Men, o vilão classificou-se na 6ª posição.
 Com tão elevados índices de popularidade, não é de admirar que o Sr. Sinistro haja rapidamente extrapolado o circuito dos comics, passando a figurar em toda a sorte de merchandising associado à Casa das Ideias: séries animadas, jogos de vídeo, brinquedos, etc.
 A sua primeira incursão no pequeno ecrã verificou-se na série de animação X-Men: The Animated Series (1992-97). A exemplo da história original, o vilão surgia retratado como um cientista obcecado com a genética de Scott Summers e de Jean Grey.
 Depois de ter sido equacionada a produção de uma sua série animada a solo (projeto prontamente cancelado), o vilão marcaria presença num episódio de Wolverine and the X-Men (2009). Esta versão apresentava, porém, uma importante cambiante, com Sinistro a ser apresentado como um homo superiror em vez de um humano geneticamente modificado.
  Embora sem direito ainda a uma transposição para o cinema, Nathaniel Essex é um dos nomes contidos nos ficheiros do computador de Lady Letal invadido por Mística em X-Men 2 (2003). Há também a expectativa de que lhe sejam feitas referências no próximo filme dos heróis mutantes (X-Men: Age of Apocalypse, com estreia marcada para o próximo ano).



22 janeiro 2015

ETERNOS: JOHN BYRNE (1950 - ...)




    Canadiano naturalizado, o seu nome ficará para sempre associado a alguns dos marcos mais importantes na história da Marvel e da DC, ao serviço das quais erigiu o grosso da sua fulgurante - porém, não isenta de controvérsia - carreira. Dono de um traço inconfundível, gosta de explorar a sensualidade das personagens que desenha e detém créditos firmados como argumentista.

Biografia e carreira: A 6 de junho de 1950, John Lindley Byrne nascia na pequena cidade britânica de West Bromwich. Lá viveu, com os pais e avó materna, até aos 8 anos de idade, quando a sua família tomou a decisão de emigrar para o Canadá. Antes, porém, teve ainda tempo para um primeiro contacto com os comics. Este deu-se por via de Adventures of Superman, série televisiva dos anos 50 do século passado, estrelada por George Reeves e que, segundo recordou o próprio Byrne numa entrevista concedida em 2005, era exibida no Reino Unido pela BBC, quando ele tinha cerca de 6 anos.
    Em discurso direto Byrne evocou assim esse episódio da sua infância: "Pouco tempo depois de começar a acompanhar Adventures of Superman na TV, comprei um almanaque australiano chamado Super Comics que incluía histórias de Superboy, Johnny Quick e Batman. Esta última deixou-me positivamente fascinado. Nunca mais a esqueci. Quando, um par de anos depois, a minha família se mudou de armas e bagagens para o Canadá, tive oportunidade de descobrir o enorme repertório de títulos estadunidenses que lá eram distribuídos."
      Em 1962, Byrne teve o seu primeiro contacto com as publicações da Marvel através de Fanstastic Four #5 - título à data ainda produzido pela dupla-maravilha Stan Lee e Jack Kirby. Byrne diria mais tarde a propósito desta sua experiência que a revista tinha um charme muito próprio, totalmente diferente daquilo que ele estava habituado a ler na DC. O traço de Kirby influenciaria, de resto, a sua arte. Tendo, enquanto profissional da 9ª arte, trabalhado com diversas criações e cocriações do Rei. Outra das suas referências futuras seria o estilo naturalista de Neal Adams.
    Corria o ano de 1970 quando Byrne se matriculou pela primeira vez no Alberta College of Art and Design, em Calgary. Durante a sua passagem pela instituição, criou Gay Guy para o jornal universitário. Num registo cómico que Byrne transplantaria para trabalhos vindouros (como She-Hulk), o objetivo era parodiar os esterótipos homossexuais enraizados em muitos dos seus colegas. A personagem serviria igualmente de protótipo para Estrela Polar, um dos membros fundadores da Tropa Alfa (ver texto anterior). Ainda durante este período, Byrne publicou a sua primeira banda desenhada, ACA Comix #1.
     Três anos volvidos, Byrne abandonaria a escola de arte e design sem terminar o curso. No início de 1974 debutaria no circuito profissional dos comics através de uma pequena participação numa edição promocional da Marvel intitulada Foom. No verão desse ano assumiria a arte de uma estória de duas páginas publicada no nº 20 da revista de terror a preto e branco Nightmare, editada pela Skywald Publications. Passando de seguida a trabalhar como freelancer para a Charlton Comics. Foi ao serviço dessa editora que se estreou a desenhar um título colorido, E-Man. Para o qual criaria Rog-2000, um herói robótico cujas aventuras chegaram a ser escritas por Roger Stern e Bob Layton, e que se tornaria uma personagem emblemática da Charlton.
     Algum tempo depois, o trabalho desenvolvido por Byrne na Charlton chamou a atenção do escritor Chris Claremont, que o aliciou a desenhar uma das suas histórias. A oportunidade propiciar-se-ia quando, num inesperado golpe de asa do destino, o ilustrador encarregue da arte de Iron Fist falhou o seu prazo de entrega e a vaga foi oferecida a Byrne. Agradados pela qualidade do seu trabalho, os mandachuvas da Marvel oferecer-lhe-iam um lugar a tempo inteiro como desenhador. Em consequência disso, viu-se obrigado a deixar a Charlton por forma a poder concentrar-se exclusivamente nas empreitadas que lhe eram adjudicadas pelos seus novos empregadores.

John Byrne numa foto tirada em finais dos anos 1980.
    Demorou pouco para que Byrne começasse a desenhar títulos regulares, como The Champions e Marvel Team-Up. Neste último assumiria pela primeira vez a arte de uma história dos X-Men. Em vários números  subsequentes da série fez dupla com Chris Claremont. O mesmo sucedendo no título a preto e branco Marvel Preview, onde pontificava Star-Lord (futuro líder dos Guardiões da Galáxia).
     A sinergia de Chris Claremont e John Byrne que revolucionaria os heróis mutantes mais famosos do planeta principiou em dezembro de 1977, em X-Men #108. Arcos de histórias como Saga da Fénix Negra ou Dias de um Futuro Esquecido valeram-lhes o reconhecimento dos fãs e da crítica, guindando-os ao Olimpo da 9ª arte. Por insistência de Byrne, o seu patrício Wolverine continuou a marcar presença nas aventuras dos Filhos do Átomo. Facto que contribuiria inapelavelmente para a estratosférica popularidade daquela que é, ainda hoje, uma das figuras de proa do Universo Marvel.
      A partir de X-Men #114, Byrne passaria a acumular as funções de coargumentista com as de ilustrador. Foi, aliás, nessa dupla condição que deu o seu contributo na produção daquela que é quase unanimemente considerada uma das melhores histórias aos quadradinhos de todos os tempos: a Saga da Fénix Negra (The Dark Phoenix Saga no original). Chegando ao ponto de haver quem a compare com a Galactus Trilogy, da autoria de Stan Lee e Jack Kirby.

Capa de The Uncanny X-Men #135 (1980) pelo traço de John Byrne.

     Durante a sua passagem por X-Men, Byrne criou a nova benjamim da equipa, Kitty Pryde (vulgo Ninfa, posteriormente rebatizada de Lince Negra), o vilão Proteus (notabilizado também como Mutante X) e, claro, o grupo de superseres seus conterrâneos: a Tropa Alfa. Quando, em março de 1981, Byrne abandonou a série regular dos Filhos do Átomo, a periodicidade desta deixara de ser bimestral para passar a mensal devido ao pico de vendas, que se manteve por muito tempo após a saída do ilustrador canadiano.
   Do portefólio de John Byrne ao serviço da Casa das Ideias, no período pós-X-Men, destaca-se o quinquénio (1981-86) em que tomou em mãos Fantastic Four. Sob a sua batuta, o título viveu uma segunda idade do ouro, com Byrne a introduzir alterações importantes naquela que é uma das mais antigas e emblemáticas equipas de super-heróis na história da banda desenhada. Além da substituição do Coisa pela Mulher-Hulk (personagem cujas aventuras a solo Byrne também escreveria), os leitores puderam testemunhar a transformação da Mulher Invisível no elemento mais poderoso do grupo e o controverso romance entre o Tocha Humana e Alicia Masters (namorada de longa data do seu colega de equipa Ben Grimm).

Com Byrne à frente da série, Fantastic Four viveu novo período áureo.
     Pelo meio Byrne teve ainda tempo para criar a Tropa Alfa. Malgrado o bom desempenho comercial do novo título (meio milhão de exemplares vendidos da primeira edição), Byrne considerava-o pouco divertido e as personagens insípidas. Isto apesar de um dos integrantes da Tropa Alfa, Estrela Polar, se ter tornado o primeiro herói assumidamente gay da Marvel. A sua homossexualidade só seria, contudo,  abordada abertamente enquanto Byrne esteve à frente dos destinos da série.

A Tropa Alfa foi a principal criação de Byrne para a Marvel.
 
     Invocando cansaço criativo e questões de política interna, Byrne deixou Fantastic Four no verão de 1986 Depois de uma fugaz passagem por The Incredible Hulk (do qual escreveria e desenharia apenas 5 números), transferiu-se para a DC.
     Esta não foi, todavia, a sua primeira experiência na Editora das Lendas. No início da década de 1980, aproveitando um ínterim de três meses durante os quais esteve desvinculado contratualmente da Marvel, Byrne concretizou o seu velho sonho de desenhar o Cavaleiro das Trevas, assumindo a arte do primeiro capítulo da minissérie The Untold Legend of the Batman.
    Naquela que foi, portanto, a sua segunda passagem pela DC, Byrne foi incumbido de revitalizar a mitologia do Super-Homem pós-Crise nas Infinitas Terras. Pela mão do desenhador canadiano, o Homem de Aço foi humanizado, vendo significativamente reduzido o seu nível de poder. Trabalho que teve eco fora da indústria dos comics, sendo inclusivamente objeto de reportagem em dois dos mais circunspetos tabloides nova-iorquinos, o Times e o The New York Times.
     A origem e os primórdios da carreira heroica da versão de Byrne do Último Filho de Krypton (epíteto a que Kal-El fazia agora jus devido à eliminação de outros sobreviventes do seu mundo natal) foram apresentados na minissérie The Man of Steel (julho a setembro de 1986). Com a particularidade de Byrne ter produzido duas capas diferentes para o primeiro número da dita. Inaugurando assim a moda das capas variantes, tão voga ainda nos dias que correm.

Man of Steel #1 (1986) lançou a moda das capas variantes.

     Entre as várias alterações introduzidas na mitologia e na personalidade do Homem de Aço, avulta o facto de, nesta nova versão, os seus poderes só se terem começado a manifestar na adolescência e de ele só se ter revelado ao mundo já adulto. Inviabilizando desse modo a existência de um Superboy. Outros elementos clássicos, como a Fortaleza da Solidão e Krypto (o supercão que servia de mascote à versão juvenil do Super-Homem) foram igualmente suprimidos. Em contrapartida, os pais adotivos do herói foram mantidos vivos. Também o seu alter-ego, o acanhado repórter Clark Kent, viu a sua personalidade retocada, convertendo-se num indivíduo mais confiante e extrovertido.
    Ao mesmo tempo que escrevia e desenhava dois títulos mensais do Super-Homem (Superman e Action Comics), Byrne ilustrou os seis números da minissérie Legends. Em 1988, ano em que se assinalou o cinquentenário da criação do herói kryptoniano, Byrne colaborou em mais um punhado de projetos alusivos a essa efeméride: The World of Krypton, The World of Metropolis e The World of Smallville (respetivamente, O Mundo de Krypton, O Mundo de Metrópolis e O Mundo de Smallville, todos editados no Brasil pela Abril).
    Apesar  do sucesso do renovado Homem de Aço, Byrne acabaria por abandonar os seus títulos ao cabo de dois anos, descontente com uma alegada falta de apoio por parte dos responsáveis da DC. Saber-se-ia posteriormente que, na base do diferendo entre o desenhador e a editora, esteve o facto de a versão do Super-Homem licenciada para merchandising ser contrária àquela que fora burilada por Byrne na banda desenhada. Não obstante, muitos dos elementos introduzidos por Byrne na mitologia do herói kryptoniano não só continuam a ser usados no atual Universo DC, como influenciaram adaptações suas ao pequeno e grande ecrãs. Exemplos disso são as duas últimas incursões cinematográficas do Último Filho de Krypton: Superman Returns (2006) e Man of Steel (2013). No primeiro, a cena em que o Super-Homem resgata Lois Lane e demais passageiros de um avião prestes a despenhar-se é decalcada do desastroso voo inaugural de um vaivém espacial retratado na já referida minissérie Man of Steel. Sendo, por outro lado, óbvia a referência à mesma no título escolhido para a mais recente longa-metragem estrelada pela personagem criada por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938.
    Qual filho pródigo que a casa torna, Byrne regressou de seguida à Marvel. Desde meados de 1986 que, num projeto apadrinhado pelo à época seu editor-chefe Jim Shooter, a Casa das Ideias vinha publicando uma nova linha de títulos ambientados fora da continuidade oficial da editora, o chamado Novo Universo. No ano seguinte, já com Tom DeFalco no lugar de Shooter, Byrne foi convidado a assumir os argumentos e a arte de Star Brand (conhecido entre os leitores lusófonos que acompanharam as sua aventuras publicadas em Força Psi da Abril, como Estigma, a Marca da Estrela). Após o cancelamento da série, Byrne transitou para  Avengers West Coast (Vingadores da Costa Oeste), onde reformulou a origem para o Visão.
    A pedido de Mark Gruenwald (antigo argumentista da Mulher-Hulk), em 1989 John Byrne assumiu The Sensational She-Hulk, o segundo título a solo da Amazona de Jade. Com um refrescante registo humorístico, as aventuras da prima do Hulk fizeram as delícias dos leitores. Byrne seria, todavia, afastado da série depois de apenas oito edições publicadas. Na génese desse afastamento estiveram presumíveis divergências com a sua editora, Bobbie Chase. Byrne reassumiria ainda assim o título, a partir do seu 31º número, já com Renée Witterstaetter como sua editora.

Byrne carregado em ombros pela Mulher-Hulk em The Sensational She-Hulk #131.

   Em abril de 1990, Byrne inaugurou Namor, The Sub-Mariner, a nova série mensal do Príncipe Submarino. Tendo as 25 primeiras edições sido escritas e desenhadas pelo canadiano, altura em que a arte ficou a cargo de Jae Lee. Meses depois, Byrne começaria a escrever as histórias do Homem de Ferro. Deixando também aí a sua marca ao ser o primeiro argumentista a retocar a origem da personagem concebida em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby. De caminho ainda restituiu ao Mandarim o estatuto de principal némesis do herói blindado.
    Em meados da década de 1990, em linha com a tendência inaugurada pela ascensão de licenciadoras independentes como a Image Comics, Byrne criou material original próprio a ser editado pela Dark Horse Comics. Next Men deu a conhecer aos leitores a história de cinco jovens meta-humanos que eram o resultado de uma experimento militar ultrassecreto. Byrne incutiu na série um registo mais realístico e sombrio do que em qualquer um dos seus anteriores trabalhos. Tendo sido o seu projeto com maior visibilidade, não foi, porém, o único a ser criado nesse âmbito. A par de Next Men, Byrne deu também a conhecer Babe e Danger Unlimited, títulos vocacionados para um público adulto.

Next Men, o mais bem sucedido projeto independente de Byrne.
     Nos anos mais recentes, Byrne tem escrito e ilustrado uma panóplia de títulos da Marvel, DC e de outras editoras. Dentre os seus trabalhos mais ovacionados ressaltam Wonder Woman (com Byrne a elevar a Princesa Amazona ao estatuto de divindade), Spider-Man: Chapter One (série especial em que revisitou algumas das primeiras aventuras do Escalador de Paredes) e várias minisséries baseadas no universo de Star Trek publicadas com a chancela da IDW.
    Durante 15 anos, John Byrne foi casado com a fotógrafa e atriz Andrea Braun, que tinha um filho de uma anterior relação. O rapaz, de quem Byrne se tornou padastro quando ele tinha 13 anos de idade, era ninguém menos do que Kieron Dwyer, um dos mais versáteis e requisitados profissionais atualmente no ativo na indústria dos quadradinhos. Embora tenham vivido juntos apenas por um curto período de tempo, Byrne sempre encorajou o enteado a procurar cumprir as suas aspirações como cartunista. Foi, aliás, graças aos seus contactos que Dwyer conseguiu o seu primeiro trabalho, ilustrando Batman #413, em novembro de 1987.
 
Paródia de Byrne a uma das mais icónicas capas de Fantastic Four.

Prémios e controvérsias: Mercê da sua vetusta e prolixa carreira de iconoclasta, Jonh Byrne foi em múltiplas ocasiões agraciado com prémios e distinções. No seu impressionante currículo sobressaem, por exemplo, dois Eagle Awards para Melhor Artista de Banda Desenhada (conquistados em 1978 e 1979), um Inkpot Award (1980) e um Squiddy Award Para Melhor Ilustrador (1993). Em 2008, Byrne foi nomeado para o Joe Shuster Canadian Comic Book Creator Award (prémio anual criado em homenagem ao cocriador do Super-Homem e que serve para distinguir os maiores talentos em diversas categorias).
    Em paralelo com os prémios e distinções, John Byrne colecionou igualmente controvérsias. A mais antiga e célebre das quais remonta a 1981. Ano em que Jack Kirby começou a falar publicamente sobre a sua crença de que teria sido espoliado dos créditos e lucros decorrentes das inúmeras personagens que concebeu ao longo dos anos para a Marvel.  Em resposta a estas denúncias, Byrne escreveu um polémico editorial, no qual se afirmava orgulhoso da sua condição de mero obreiro na indústria dos comics. Argumentando de permeio que todos os criadores deveriam seguir as regras das companhias para as quais trabalhavam. Tomada de posição que lhe valeu ser satirizado por Kirby e Steve Gerber, numa paródia intitulada Destroyer Duck. Nela pontificava uma personagem a que deram o nome de Booster Cogburn, que pretendia retratar Byrne. Sendo a mesma descrita como uma criatura invertebrada que vivia apenas para servir a gigantesca corporação da qual era, literalmente, pertença.
   No ano seguinte, quando participava num painel de discussão na Dallas Fantasy Fair, Byrne voltou a melindrar suscetibilidades ao tecer considerações pouco simpáticas relativamente a Roy Thomas, veterano escritor de banda desenhada e em tempos editor-chefe da Marvel. Em consequência deste episódio, Thomas ameaçou processar Byrne a menos que este se retratasse publicamente. O que o artista canadiano faria através de uma carta publicada num jornal especializado em assuntos da 9ª arte.
  Quase uma década depois, em 1990, foi a vez de Erik Larsen criar um vilão, Johnny Readbeard (Joãozinho Barba Ruiva, numa clara alusão à tonalidade capilar de Byrne), com o intuito de parodiar o seu colega canadiano. Figurando em algumas histórias de Savage Dragon e Freak Force (títulos produzidos por Larsen para a Image Comics), Johnny Redbeard exibia um crânio enorme carregado por uns membros atrofiados e podia conceder superpoderes a quem lhe desse na real gana.

Caricatura de Byrne da autoria do próprio.
  Além dos já citados, outros nomes sonantes do meio com quem em algum momento Byrne se incompatibilizou foram: Peter David, Marv Wolfman, Jim Shooter e Joe Quesada.
    Gail Simone, que trabalhou em 2006 com Byrne em The All New Atom, descreve o colega nos seguintes termos: "John é muito opinativo. Essa é uma característica comum a muitos artistas e eu não tenho problemas com ela. Honestamente, considero que ele é brilhante e que a sua personalidade vincada contribui para esse brilhantismo".  Análise que parece ser corroborada pelo próprio Byrne que se autodefine como alguém "sem paciência para aturar idiotas".
   Polémicas e traços de personalidade à parte, John Byrne há muito conquistou o direito a figurar no panteão da 9ª arte, a bem da qual se espera que continue a presentear-nos com o seu extraordinário talento por muito e bom tempo.




12 janeiro 2015

HERÓIS EM AÇÃO: TROPA ALFA



   Descrita como uma espécie de variante canadiana dos Vingadores, a Tropa Alfa reunia originalmente um elenco de meta-humanos que atuava sob os auspícios do governo de Ottawa. Com um passado ligado ao de Wolverine, a equipa começou por coadjuvar as histórias dos X-Men. Contudo,  o seu sucesso entre os leitores permitiu-lhe conquistar o seu espaço próprio no Universo Marvel.

Nome original do grupo: Alpha Flight
Primeira aparição: X-Men #120 (abril de 1979)
Criador: John Byrne (história e arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Membros fundadores: 

* Vindicator/Víndix (posteriormente renomeado de Guardião): originalmente designado Arma Alfa, James MacDonald Hudson é um engenheiro de Ontário que enverga um sofisticado traje por ele próprio concebido que lhe permite voar e manipular o campo magnético da Terra. Líder da equipa desde o primeiro momento, foi dado como morto na sequência da explosão dos circuitos internos do seu uniforme;


* Snowbird/Pássaro da Neve: também conhecida como Narya, trata-se de uma semideusa inuíte (uma das nações indígenas do Canadá) dotada da habilidade de se transformar em qualquer espécie animal nativa dos territórios do Norte;

* Aurora: Jeanne-Marie Beaubier sofre de transtorno dissociativo de identidade, patologia psíquica que tem como principal consequência o desdobramento de personalidades. Natural de Montreal, é irmã gémea de Estrela Polar, sendo ambos mutantes agraciados com supervelocidade, poder de voo, geração de luz e aceleração molecular;

* Northstar/Estrela Polar: Jean-Paul Beaubier detém poderes análogos aos da sua irmã e é assumidamente homossexual;


* Shaman: Michael Twoyoungmen é um reputado médico e feiticeiro nativo das Primeiras Nações de Calgary. Guarda ervas, poções e segredos no interior da pequena sacola que transporta à cintura;

* Sasquatch: Walter Langowski é um cientista originário da Colúmbia Britânica com a capacidade de se transformar no gigante hirsuto conhecido no folclore local como Sasquatch (parente próximo do Pé Grande estadunidense ou do Yeti chinês). Embora os seus poderes se tenham manifestado após uma experiência com radiação gama afetada pelos efeitos de uma tempestade solar, veio mais tarde a apurar-se que Walter estava na verdade predestinado a ser o avatar dessa criatura mística.


  Logo após a fundação da equipa, dois outros membros recém-promovidos da Tropa Beta pelo Departamento H passaram a integrá-la. Foram eles:

*Puck/Pigmeu: Eugene Judd Nilton é um anão saltador de Saskatoon, dotado de resistência sobre-humana e de impressionantes habilidades acrobáticas. Serve ainda como hospedeiro ao espírito de um feiticeiro demoníaco chamado Razer:

*Marrina: Fêmea anfíbia de Newfoundland que, na verdade, faz parte de uma força extraterrestre invasora conhecida como Plodex.

Formação atual:
    Aos membros fundadores acima elencados, soma-se a seguinte parelha feminina:

* Talisman/Talismã: Elizabeth Twoyoungmen é filha de Shaman e o avatar de uma figura ancestral, dispondo por isso de poderes místicos e sobrenaturais;


* Vindicator/Víndix: Heather McNeil Hudson, esposa de James Hudson, substituiu temporariamente o marido no comando da equipa enquanto ele foi dado como morto. Usa desde então um traje similar ao do Guardião e chegou a autodenominar-se Guardiã.


Base de operações: Originalmente, a equipa usava como base de operações o Departamento H em Ottawa e Toronto; presentemente, a Tropa Alfa está sediada num complexo próprio localizado nas montanhas canadianas de Saint Elias.

Elenco clássico da Tropa Alfa, pelo traço de John Byrne.

Histórico de publicação: Remonta a abril de 1979 a estreia oficial da Tropa Alfa, nas páginas de X-Men #120. Nessa edição do título estrelado pelos pupilos de Charles Xavier, o grupo foi enviado para auxilar o Guardião na sua missão de capturar Wolverine.
   Depois de, nos quatro anos seguintes, a Tropa Alfa se limitar a coadjuvar ocasionalmente as histórias dos X-Men, em agosto de 1983, perante o êxito crescente da equipa juntos dos leitores, a Marvel decidiu atribuir-lhe um título próprio. O eleito para assumi-lo foi ninguém menos do que John Byrne,o criador do coletivo de heróis canadianos.

Em meio ao caos anunciado na capa de X-Men #120 (1979), a Tropa Alfa esperava a sua deixa para entrar em cena.
  Apesar de relutante ao início, Byrne acabaria por produzir 28 números da série, antes de passar o testemunho a outra equipa criativa. Durante o consulado de Byrne, as histórias da Tropa Alfa eram marcadas por dramas pessoais vivenciados individualmente pelos seus integrantes. Com a equipa a raramente enfrentar ameaças externas a si própria,  logo esta abordagem se tornou alvo de críticas por parte dos leitores.
  Um dos momentos altos desta primeira fase da série produzida sob a batuta de John Byrne aconteceu em Alpha Flight #12. Na sequência da aparente morte do Guardião, a sua esposa, Heather MacNeil, assumiu o comando da equipa, passando a usar um uniforme similar ao do falecido marido. Em homenagem a este, adotou, primeiro, a identidade de Víndix e, depois, a de Guardiã.
   Com a saída de Byrne, Bill Mantlo foi o senhor que se seguiu à frente dos enredos da série. Mantlo seria, com efeito, o recordista absoluto de longevidade entre os argumentistas que passaram por Alpha Flight (escreveu umas impressionantes 38 edições consecutivas). Dentre os que lhe sucederam, avultam nomes como Fabian Nicieza e Scott Lobdell (citando apenas os mais ovacionados).
   Nenhum deles era, contudo, polivalente como Byrne, que acumulava as funções de argumentista com as de desenhista. Advindo daí a necessidade de providenciar um novo responsável pela arte da série. Tendo a escolha recaído num compatriota de Byrne, o também canadiano Dave Ross - embora ele negue perentoriamente que esse haja sido um fator determinante para a sua contratação.
   Até ao seu cancelamento, em março de 1994, foi produzido o bonito número de 130 volumes de Alpha Flight. Ao longo desses onze anos de publicação ininterrupta, foram várias as novas personagens, entre aliados e inimigos, introduzidas na série. Desse extenso rol as mais proeminentes foram: Box, Talismã, Lili Diamante, Madison Jeffries e Persuasão.

Em agosto de 1983, a Tropa Alfa ganhou a sua própria série regular.
  
  Após um interregno de cerca de três anos, a Casa das Ideias achou por bem relançar Alpha Flight. Assim, com um elenco renovado, a equipa de super-heróis canadianos fez o seu regresso triunfal aos escaparates em 1997. Entre as novas aquisições da equipa, destacava-se um triunvirato mutante composto por Murmúrio, Radius e Flex.
  Com os argumentos agora a cargo de Steven Seagle (escritor notabilizado essencialmente pelo trabalho desenvolvido na linha Vertigo da DC, e homónimo de um certo canastrão que se diz ator de filmes de ação), esta segunda série foi desenhada por Scott Clark e Duncan Rouleau. O principal enfoque das histórias consistia na agenda secreta do Departamento H e na renitência da Tropa Alfa em cumprir esses desígnios obscuros. A despeito da reação positiva inicial por parte dos fãs, a nova série nunca conseguiu replicar o sucesso da sua antecessora. Em consequência disso, seria cancelada ao fim de vinte números, deixando incontáveis pontas soltas. Corria o ano de 1999.
  Entre maio de 2004 e abril de 2005, Alpha Flight teve a sua terceira - e efémera - vida. Na primeira metade dos doze números editados, os leitores assistiram à tentativa de Sasquatch de refundar a equipa com um novo lote de membros; na outra metade puderam testemunhar o regresso de alguns dos elementos originais da Tropa Alfa, como o Guardião, Shaman e Pigmeu.

John Byrne apresentou ao mundo um vasto conjunto de personagens suas compatriotas.

    Escrita por Michael Avon Oeming e desenhada por Scott Kolins, Alpha Flight foi revitalizada em abril de 2007, sob o formato de uma minissérie em cinco edições intitulada Omega Flight. Com Sasquatch a fazer as vezes de líder e de recrutador da equipa, esta era agora composta por Billy Raio Beta, Agente Americano, Talismã, Aracne e Michael Pointer (trajando uma indumentária idêntica à do Guardião). Esta formação seria, todavia, dissolvida no final desse arco de histórias.
   Na saga de 2010, Chaos War, os quatro membros fundadores ainda vivos da Tropa Alfa (Pássaro da Neve, Aurora, Estrela Polar e Sasquatch) foram reunidos com os ressuscitados Marrina, Guardião, Víndix e Shaman a fim de combaterem a ameaça representada pelas Grandes Feras. Isto ao mesmo tempo em que Pigmeu regressava do além-túmulo em Wolverine #2. Com o elenco clássico enfim reunido, estava dado o mote para a estreia de uma nova série mensal. Facto que ocorreu em meados de 2011, pelas mãos de Greg Pak e Fred Van Lente (argumento) e de Dave Eaglesham (arte).
   Esperava a Marvel com esse regresso às origens dar um novo elã a um título há muito afastado das boas graças dos leitores. No entanto, devido à reação fria destes traduzida num fraco índice de vendas, o projeto não resistiria mais do que oito edições.


Uma das mais recentes encarnações da Tropa Alfa.

Biografia: Aproximadamente uma década atrás, o engenheiro James MacDonald Hudson demitiu-se da petroquímica com capitais americanos e canadianos onde trabalhava, após descobrir que o traje especial que concebera para ser utilizado na exploração geológica iria, afinal, ser vendido ao Pentágono para fins militares. Solidária com esta decisão, Heather MacNeil, secretária particular do superior hierárquico de James, apresentou igualmente a sua demissão. De caminho, providenciou um encontro secreto de James com agentes do Governo canadiano a quem ela relatara o ocorrido. Sob a proteção destes, James logrou reaver o seu protótipo do traje sem sofrer quaisquer represálias por parte dos seus antigos empregadores.
  James seria posteriormente convidado pelo primeiro-ministro canadiano a participar na criação do Departamento H, uma agência ultrassecreta de pesquisa e desenvolvimento na órbita do ministério da Defesa. Aceite o repto, James desposou Heather e, nos anos seguintes, recrutou o mutante Wolverine (ele próprio canadiano) como um dos agentes especiais ao serviço do Departamento H.
  Ao ler uma reportagem que descrevia a forma como Reed Richards e três amigos seus se haviam transformado no Quarteto Fantástico, James obteve inspiração para tentar formar a sua própria equipa de meta-humanos. Os quais poderiam ser usados em missões especiais sob os auspícios do Governo do Canadá.
   Apesar de Wolverine ter colaborado com James Hudson nessa fase inicial, rapidamente abandonaria o projeto para se juntar aos X-Men. James, por seu lado, continuou a trabalhar no aperfeiçoamento do seu traje, até obter uma versão muito próxima daquela que ainda hoje enverga.
   Assente em critérios de seleção exigentes, o processo de recrutamento de agentes prosseguiu. Entre outros requisitos, foi estabelecido que os candidatos teriam de ser submetidos a um programa de treino intenso e faseado: todos obteriam a sua formação base na Tropa Gama, donde somente os mais aptos transitariam para a Tropa Beta. Nela receberiam um treino mais elaborado, com os bem-sucedidos a garantirem um lugar na Tropa Alfa.
   Findo o processo de seleção, restavam seis recrutas aptos a juntarem-se às fileiras da Tropa Alfa: Shaman, Sasquatch, os gémeos Aurora e Estrela Polar, Pássaro da Neve e o próprio James Hudson (que assumira entretanto o codinome Guardião).Uma das primeiras missões da equipa consistiu em tentar recapturar o expatriado Wolverine, o que a colocou em rota de colisão com os X-Men. No final, porém, tudo acabou bem: Wolverine continuou a ser um dos pupilos do Professor Xavier e os X-Men e a Tropa Alfa tornaram-se aliados.
    Pouco tempo volvido sobre este episódio, o Departamento H - e, com ele, o programa Tropa Alfa - seria desmantelado pelo governo canadiano devido a restrições orçamentais. Quando, porém, o país foi invadido por Tundra, os seis elementos da Tropa Alfa, reforçados por Pigmeu e Marrina da Tropa Beta, foram mobilizados para deter a criatura. Após a sua derrota, os oito concordaram em manter a equipa no ativo, embora raramente o elenco voltasse a ser completamente reunido, na medida em que os seus integrantes viviam em regiões distantes do Canadá.


  Algum tempo depois, o Guardião aparentemente pereceria no decurso da primeira grande batalha da Tropa Alfa com a Tropa Ómega. A fim de garantir a sobrevivência da equipa, a sua esposa Heather assumiu o comando, passando daí em diante a usar um uniforme inspirado no do falecido marido. Não conseguiu, ainda assim, evitar que a configuração da equipa se tornasse flutuante, num constante vaivém de elementos. Enquanto dois dos membros fundadores - Estrela Polar e Pássaro da Neve - invocaram motivos pessoais para abandonar a Tropa, outros se juntaram a ela: Talismã (filha de Shaman dotada de poderes místicos), Box (um robô gigante que servia de couraça a um génio com as pernas amputadas) e Madison Jeffries (um mutante tecnopata).
  À medida que a relação entre a Tropa Alfa e o Departamento H se crispava, o Governo canadiano resolveu avançar com a criação de uma segunda equipa de superseres que operasse sob as suas ordens. Nasceu assim a Tropa Gama.
  Não demorou muito para que as duas formações entrassem em rota de colisão. No final, a Tropa Alfa renunciou ao financiamento governamental, passando a atuar de forma independente. Ganhando assim a Tropa Gama o estatuto de equipa oficial de super-heróis do Canadá. O qual seria pouco tempo depois restituído à equipa liderada pelo Guardião, que o conserva até hoje.




Noutros media: Pouco notabilizada fora da banda desenhada, a Tropa Alfa debutou no pequeno ecrã num episódio da série animada X-Men (1992-97), no qual era reproduzida de forma bastante fiel a história inaugural da equipa. Ainda na mesma série, os heróis canadianos teriam posteriormente uma pequena participação num dos capítulos da saga da Fénix Negra.
  À parte essas participações, há apenas a registar as referências feitas ao Departamento H num episódio da série televisiva Agentes da SHIELD. Também em X-Men 2 (2003), é visível o nome da Tropa Alfa no monitor do computador de Stryker pirateado por Mística.