20 janeiro 2017

HERÓIS EM AÇÃO: LANTERNA VERDE



  Primeiro de uma linhagem de gladiadores esmeralda, a sua luz brilhou intensamente antes de ser ofuscada pela do seu sucessor da Idade da Prata. Resgatado vezes sem conta à obscuridade, passou por diversas transformações, chegando aos nossos dias como um dos campeões da Terra 2, avatar da Mãe-Natureza e ícone gay.

Denominação original: Green Lantern
Licenciador: Detective Comics (DC)
Primeira aparição: All-American Comics nº16 (julho de 1940)
Criador: Martin Nodell (com a colaboração de Bill Finger)
Identidade civil: Alan Wellington Scott
Local de nascimento: Metrópolis
Parentes conhecidos: Rose Canton (primeira esposa, falecida), Molly Mayne (segunda esposa), Todd Rice (filho) e Jennie-Lynn Hayden (filha)
Profissão: Engenheiro ferroviário e executivo televisivo (em Os Novos 52)
Afiliação: Membro fundador e vice-líder da Sociedade da Justiça da América (Justice Society of America); ex-membro do Comando Invencível (All-Star Squadron), Xeque-Mate (Checkmate) e dos Sentinelas da Magia (Sentinels of Magic)
Base de operações: Originalmente, as aventuras do herói eram ambientadas em Capitol City, metrópole fictícia localizada no Centro-Oeste dos EUA. De onde, logo depois, se transferiria para Nova Iorque, e daí para Gotham City, passando assim a partilhar com Batman o estatuto de seu guardião.
Armas, poderes e habilidades: Um simples mortal, Alan Scott extrai todo o seu poder do Coração Estelar (Star Heart, no original). Assim se chama o seu anel energético que é na verdade um artefacto místico concebido milénios atrás pelos Guardiões do Universo para encapsular boa parte da magia aleatória do Cosmos. Residindo neste ponto a principal diferença entre o Lanterna Verde da Idade do Ouro e os seus sucessores das épocas subsequentes: enquanto o poder destes é, essencialmente, tecnológico, o de Alan Scott é de matriz sobrenatural.
Ainda que permaneça por apurar a real extensão do poderio do Coração Estelar, sabe-se que confere ao seu usuário uma vasta gama de habilidades. Citando apenas as mais impressionantes: capacidade de voo, teleporte, desmaterialização,  projeção de energia e de campos de força e, claro, a criação de construtos de luz sólida. Imagem de marca de qualquer Lanterna Verde, estes últimos podem adquirir as mais variadas formas e dimensões: desde uma espada para cortar uma corda a um punho cerrado para esmurrar um adversário, passando por uma pá gigante para recolher detritos em tempo recorde. Enfim, tudo aquilo que possa sair da imaginação do herói.
Nas suas primeiras aparições, sempre que fazia uso do seu poder o Lanterna Verde tinha o seu corpo envolto por um halo esmeralda. No entanto, isso raramente acontecia. À boa maneira das personagens que, nessa época, povoavam os magazines pulp, ele preferia usar os punhos nas suas escaramuças com os malfeitores. Opção justificada pelo facto de, salvo honrosas exceções, os adversários do herói serem homens e mulheres de carne e osso, e não monstros alienígenas como aqueles que os seus sucessores enfrentam num normal dia de trabalho ao serviço da Tropa dos Lanternas Verdes*. Esta proficiência de Alan Scott no combate corpo a corpo resulta do seu domínio de várias artes marciais, nas quais foi treinado pelo Pantera (Wild Cat), seu colega da Sociedade da Justiça da América.
Era também comum, no início das suas histórias da Idade do Ouro, o Gladiador Esmeralda ser mostrado a recarregar o seu anel na icónica lanterna verde que lhe serve de bateria portátil. Durante 24 horas, e independentemente do dispêndio de energia realizado durante esse período, o Coração Estelar manter-se-ia funcional.

Alan Scott faz o seu juramento solene
enquanto recarrega o Coração Estelar.
Quando, em meados da década de 1980, após o fim do Multiverso DC  ditado pela Crise Nas Infinitas Terras, os Lanternas Verdes Alan Scott e Hal Jordan passaram a coabitar no mesmo universo, houve a necessidade de diferenciá-los aos olhos dos leitores mais recentes. O que foi conseguido, em primeiro lugar, alterando os poderes do Gladiador Esmeralda da Idade do Ouro. Cujos construtos passaram, então, a surgir envoltos numa chama mística, acentuando assim a respetiva natureza esotérica .
Mais tarde, Alan Scott fundir-se-ia com a sua lanterna, deixando de precisar de recarregar o seu anel a cada 24 horas. As transformações não se ficaram por aqui e, em 1995, o Lanterna Verde foi expropriado do seu anel, aprendendo rapidamente a conjurar o seu poder através das mãos que irradiavam agora um fantasmagórico brilho esverdeado. Pelo meio, foi rebatizado de Sentinela (Sentinel, em inglês), como forma de demarcá-lo dos restantes Lanternas Verdes terráqueos entretanto cooptados pelos Guardiões do Universo.
Mais recentemente, em Os Novos 52, a personagem recuperou o seu vínculo com o Verde (uma das forças primordiais da Natureza), com o qual já tinha uma vaga relação nos seus primórdios. E que serve também de fonte de poder a outras personagens do Universo DC, como o Monstro do Pântano.

Alan Scott e Hal Jordan:
 duas gerações de Gladiadores Esmeralda.

* Prontuário da Tropa dos Lanternas Verdes em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2013/09/herois-em-acao-tropa-dos-lanternas.html

Fraquezas: Às naturais vulnerabilidades decorrentes da condição humana de Alan Scott, acresce, neste capítulo, a ineficácia do seu anel contra a madeira. Quaisquer objetos fabricados com este material, ou cuja composição o inclua, não podem ser levantados, tampouco destruídos pela energia do Coração Estelar. Podendo estes, ao invés, atravessar facilmente qualquer campo de força projetado pelo Lanterna Verde.
Constrangimentos aplicáveis, também, a plantas, flores e outras espécies do reino vegetal. Sendo quase certo que os mesmos derivam do facto de o Coração Estelar ser simultaneamente energizado pelo Verde, a essência da Terra. Estando assim interdito o seu uso contra as manifestações vivas da Mãe-Natureza.
Em casos extremos, a inobservância desta regra poderá induzir uma disrupção no anel, cujo refluxo energético será suscetível de causar a morte ao seu usuário. Assim se explica, também, a elevada resistência de Solomon Grundy, arqui-inimigo do Lanterna Verde, aos poderes do herói. É que Grundy é na verdade um zombie superpoderoso composto, em parte, pela flora do pântano onde foi gerado.


Ontem como hoje, o primeiro Lanterna Verde
 tem em Solomon Grundy o seu mais formidável inimigo.

Desenvolvimento e histórico de publicação: O que têm em comum uma antiga lanterna dos caminhos de ferro e uma ópera de Richard Wagner? À primeira vista, nada. Martin Nodell, o artista de ascendência judaica "pai" do Lanterna Verde Alan Scott, conseguiu, no entanto, descortinar uma relação entre essas duas coisas. Foi nelas que ele se inspirou para imaginar a personagem que o imortalizaria na história da 9ª Arte.
Admirador confesso da obra do prodigioso compositor germânico do século XIX, foi depois de assistir ao ciclo de óperas épicas intitulado O Anel do Nibelungo que Nodell teve a ideia de criar um super-herói detentor de enorme poder fornecido por um anel mágico. Para recarregá-lo, teria à sua disposição uma bateria portátil com a forma de uma lanterna outrora usada pelos funcionários ferroviários para dar ordem de partida ou de paragem aos comboios. Meio de transporte que Nodell usava habitualmente nas suas deslocações do dia a dia e que sobre ele exercia grande fascínio desde tenra idade.
Igualmente fascinado pela mitologia helénica, Nodell logo estabeleceu que a sua personagem envergaria um traje colorido e com elementos dela retirados. Figurino ao qual não poderia faltar a inevitável capa, acessório quase obrigatório tanto nos super-heróis como nos supervilões da época.
Em 2000, numa das últimas entrevistas que concedeu em vida (faleceria seis anos depois), Nodell recordou os dias que antecederam a estreia do primeiro Gladiador Esmeralda. Aqui fica o seu relato na primeira pessoa, transcrito da revista Alter Ego nº5: "Depois de enviar os esboços da minha personagem para a All-American Comics (uma das predecessoras da DC Comics), tive de esperar duas longas semanas por uma resposta. Por fim, fui convocado para uma reunião com o próprio Max Gaines, o proprietário da editora. Que, após passar os olhos distraidamente pelo meu trabalho, me anunciou que estava contratado. Apesar de não caber em mim de contente, tratei logo de deitar mãos à obra. Escrevi cinco das oito páginas daquela que seria a história de estreia do Lanterna Verde. Foi então que me sugeriram que ficasse responsável apenas pelos desenhos, deixando as tramas a cargo de Bill Finger. Devo confessar que, mesmo tendo sido ele um dos autores do Batman, quase nada conhecia do seu trabalho. E, a bem dizer, pouco sabia na altura acerca do funcionamento da indústria dos quadradinhos. Aceitei a sugestão sem levantar ondas porque pensei que estavam apenas a querer ajudar-me. Tanto mais que me foi dito que Finger tinhas muitas ideias para aperfeiçoar a minha personagem."

Martin Nodell deu ao mundo o seu primeiro Gladiador Esmeralda.
Esta anuência de Nodell suscitaria, contudo, uma celeuma que perdura até aos dias de hoje. Não só porque dela resultou um conjunto de importantes modificações ao conceito por ele originalmente desenvolvido, como valeria a Bill Finger os créditos pela coautoria de uma personagem que, em bom rigor, se limitou a retocar. Não obstante, os dois trabalhariam juntos durante sete anos, entre 1940 e 1947. Sem que haja registo de qualquer fricção entre ambos.
Mas puxemos um pouco atrás o filme dos acontecimentos. Segundo o próprio confessou, Martin Nodell passou a lista telefónica a pente fino até encontrar dois nomes que lhe soassem bem ao ouvido para assim definir a identidade civil da sua personagem. Alan Scott correspondeu a esse critério fonético e, em julho de 1940, debutaria nas páginas de All-American Comics nº16, combatendo o crime como Lanterna Verde.

All-American Comis nº16 (1940) apadrinhou a estreia do Lanterna Verde.
Logo no inverno desse ano, o neófito herói começaria também a marcar presença nas aventuras da Sociedade da Justiça da América (SJA), publicadas em All-Star Comics, outro dos títulos de charneira da editora capitaneada por Max Gaines. A passagem do Lanterna Verde pelas fileiras da equipa seria, contudo, meteórica. Mesmo tendo sido designado seu vice-líder, abandoná-la-ia escassos meses depois, com regresso marcado apenas na década seguinte.
Alheio a esta sua saída prematura da SJA não terá sido o facto de, mercê da crescente popularidade de que gozava entre os leitores, o Lanterna Verde ter sido entretanto contemplado com um título a solo. Corria o ano de 1941 e, por esses dias, os adversários do Gladiador Esmeralda eram ainda, na sua larga maioria, delinquentes comuns. Havendo já, porém, a registar duas exceções de peso: o tirano imortal Vandal Savage, e o mais pujante dos mortos-vivos, Solomon Grundy. Com o tempo, ambos se tornariam vilões de referência no Universo DC.
Numa altura em que Nova Iorque servia amiúde de cenário às aventuras do herói, ainda no decurso de 1941 o Lanterna Verde, em linha com a tendência que faria escola nessa época, ganharia o seu adjunto da praxe. Doiby Dickles era um roliço e truculento taxista do Brooklyn que se tornaria presença assídua em Green Lantern até 1949, dando-lhe um toque humorístico.
Mais surpreendente fora o sucesso de Streak, a mascote canina do herói introduzida no ano anterior, e que logo caíra nas boas graças dos fãs. Tanto que teria direito a estrelar a sua própria série periódica. Prerrogativa de que o seu dono não mais voltaria a usufruir, após o cancelamento de Green Lantern em 1949. Naquele que seria um efeito colateral do declínio do género super-heroico instalado no pós-guerra, a que poucas personagens escapariam indemnes.



SJA (cima) e Doiby Dickles,
parceiros de aventuras do Lanterna Verde na Idade do Ouro.
A derradeira aparição do Lanterna Verde na Idade do Ouro ocorreria, no entanto, um par de anos volvidos, em 1951, nas páginas de All-Star Comics nº57. Seguir-se-ia uma longa travessia do deserto que só terminaria doze anos depois. Mas nada voltaria a ser como dantes para o primeiro - e, até aí, único - dos Lanternas Verdes.
Em 1959, já em plena Idade da Prata, o editor-chefe da DC, Julius Shwartz, reinventaria o Lanterna Verde como um herói de ficção científica. Renegando dessa forma a matriz sobrenatural do seu antecessor da Idade do Ouro. Embora com poderes idênticos aos do seu homónimo, o novo Gladiador Esmeralda incorporava uma força policial intergaláctica chamada Tropa dos Lanternas Verdes, passando, por isso, menos tempo na Terra do que nos confins do espaço sideral.
Ausentes das suas histórias estavam, também, quaisquer referências ao seu antecessor. Que, para todos os efeitos, nunca existira. Decisão que, somada à enorme popularidade de Hal Jordan, não bastou ainda assim para apagar Alan Scott da memória afetiva dos leitores da velha guarda. Estava, portanto, aberto o caminho para o regresso do Lanterna Verde original. O qual se verificaria em 1963 numa história do Flash em que participou como convidado especial.
Prevenindo as incoerências na continuidade do novo Lanterna Verde, as histórias do seu antepassado foram relegada para um universo paralelo. A partir do qual, ao longo das décadas de 60 e 70, ele desenvolveria a sua atividade heroica. Sem, contudo, deixar de usar a sua magia para visitar pontualmente o nosso mundo. Aparições que se tornariam mais regulares com a reabilitação da Sociedade da Justiça da América em 1976 e, depois, em 1981, com o lançamento do Comando Invencível (coletivo que agrupava a SJA, os 7 Soldados da Vitória e os Combatentes da Liberdade em histórias ambientadas na 2ª Guerra Mundial).
Na sequência da extinção do Multiverso DC, em 1986, estabeleceu-se que todas as personagens da Editora das Lendas que haviam sobrevivido à Crise nas Infinitas Terras passariam doravante a coexistir na nova realidade unificada. Alan Scott foi, no entanto, visto como uma ponta solta que era imperativo atar ou cortar de vez. Foi assim que, em Last Day of the Justice Society (volume especial dado à estampa logo nesse ano), ele e os membros remanescentes da SJA foram aprisionados para todo o sempre numa dimensão paralela. Degredo que, por exigências dos fãs, seria abreviado no princípio da década de 1990.

A edição que marcou o início do exílio da SJA.
Contrariamente ao que se verificara com alguns dos seus contemporâneos da Idade do Ouro, com Batman e Superman à cabeça, Alan Scott não foi, porém, objeto de rejuvenescimento, sendo antes retratado como um herói sénior cuja longevidade fora magicamente prolongada. Para assegurar a sua distinção da encarnação moderna do Lanterna Verde, a personagem passou a atender pelo nome de Sentinela. Alteração que vigoraria até 2003, ano em que Alan Scott recuperou o direito a ostentar o título de Lanterna Verde. Reavendo, de caminho, o seu anel energético do qual fora também espoliado. A ribalta, essa, seria conseguida por via da sua participação no título da SJA ao longo do resto da década.
Em 2011, no contexto de Os Novos 52 (penúltimo dos cíclicos reboots do Universo DC), Alan Scott ganharia nova vida, novo visual, nova fonte de poder e até uma nova orientação sexual. Devolvido à Terra 2, lá pontifica como o único Lanterna Verde, sendo apresentado como um jovem herói gay que, por conta do seu vínculo místico ao Verde, opera também como um avatar da Mãe-Natureza. Ao lado dos restantes campeões desse mundo (que não intitulam SJA), assume a defesa da Terra 2 após o perecimento da Trindade durante a brutal guerra travada contra Apokolips, o domínio infernal de Darkseid.
Com o regresso do Universo DC à continuidade pré-Novos 52 ditada no ano passo por Rebirth, o mais recente (e, certamente, um dos mais ambiciosos) reboots da Editora das Lendas, subsistem ainda muitas dúvidas quanto ao status de Alan Scott nessa nova velha realidade. Sendo a reabilitação da SJA um dos pontos fortes de Rebirth, é provável que lhe esteva reservado um papel relevante nesse contexto, e que seja passada uma borracha sobre a sua versão anterior. Preceito, de resto aplicável, a tudo o que diz respeito aos Novos 52, fase controversa que, no geral, foi mal acolhida muita pelos fãs, procurando agora a DC emendar a mão.

O renascimento de uma lenda em Os Novos 52.
Origem: Milénios atrás, uma chama mística cor de jade caiu, sob a forma de um meteorito, numa aldeia remota da China. Uma voz no interior do corpo celeste profetizou que a chama se manifestaria três vezes: a primeira para trazer a morte, a segunda para trazer a vida e a terceira para trazer o poder.
Para que a primeira parte da profecia se cumprisse, um ferreiro da aldeia forjou o metal do meteorito com a forma de uma lanterna. Temendo serem castigados pelo que consideravam ser um sacrilégio, os restantes aldeões mataram o ferreiro. Apenas para, quase de imediato, serem eles próprios fulminados por uma violenta irrupção da chama esverdeada.
Já nos tempos modernos, a lanterna chegaria às mãos de um paciente internado numa instituição psiquiátrica. Depois de a ter moldado numa lanterna de caminhos de ferro, o homem teve a sua demência milagrosamente curada pela luz que dela emanava, ganhando assim uma nova vida.
A terceira e última parte da profecia seria cumprida em 1940, quando a lanterna escolheu para seu portador Alan Scott, um jovem engenheiro ferroviário. A quem começaria por salvar a vida na sequência do colapso de uma ponte na qual Alan trabalhava. De seguida, a lanterna instruiu-o a criar um anel a partir do metal que a compunha. Alan obedeceu, adquirindo dessa forma uma panóplia de poderes mágicos. Os quais, sob a identidade heroica de Lanterna Verde, passaria a empregar no combate ao crime, à injustiça e à opressão que ensombram o coração da humanidade. Missão que executava a solo ou ao lado dos seus companheiros da Sociedade da Justiça da América.

Tributo artístico de Alex Ross ao Lanterna Verde da Idade do Ouro.
Seria posteriormente revelado que o meteorito a partir do qual foram forjados o anel e a lanterna do Gladiador Esmeralda era, afinal. um fragmento do Coração Estelar, aglomerado senciente criado pelos Guardiões do Universo para reunir boa parta da magia aleatória do Cosmos. E que, outrora, fora pertença de Yalan Gur, um alienígena ao serviço da então desconhecida Tropa dos Lanternas Verdes,  e por esta designado protetor do setor espacial 2814 que inclui a Terra.
Muito diferente desta origem clássica do herói foi a releitura que dela foi feita em 2011, no âmbito de Os Novos 52. Agora um jovem e dinâmico executivo de uma estação televisiva da Terra 2, Alan Scott tencionava aproveitar uma viagem de negócios à China para pedir em casamento Sam, o seu namorado de longa data. Os seus planos seriam, todavia, frustrados devido ao descarrilamento do comboio magnético no qual ambos seguiam. Desse acidente resultaria a morte de Sam e de vários outros passageiros. Alan, por sua vez, seria protegido por um estranho halo verde.

Foi controversa a decisão de transformar
Alan Scott no primeiro super-herói gay da DC.
Logo depois, uma voz descarnada anunciou-lhe que a tragédia que vitimou o amor da sua vida havia sido causada pela mesma força malévola que ameaçava todo o planeta. Tomado pela dor e pelo desejo de vingança, Alan aceitou de bom grado a missão de defender a Terra e de encontrar o responsável pela morte de Sam. Para isso, contará com uma armadura de luz sólida construída pela chama esmeralda e com um anel energético forjado a partir da aliança que pretendia enfiar no dedo do malogrado Sam.
De acordo com o que já aqui foi referido, esta encarnação moderna do Gladiador Esmeralda está associada ao Verde, entidade mística conectada com toda vida vegetal do nosso planeta. Fazendo do herói um dos avatares da Mãe-Natureza e infundindo dessa forma as suas histórias de um subtexto ecológico.

Heroísmo policromático.

Trivialidades:

* "E derramarei a minha luz sobre as trevas do Mal, porque as criaturas da escuridão não suportam a luz. A luz do Lanterna Verde!" é a tradução livre do juramento solene feito pelo primeiro Gladiador Esmeralda. Cuja versão original reza assim: "And I shall shed my light over dark evil, for dark things cannot stand the light. The light of the Green Lantern!";
* Alan Scott é canhoto, motivo pelo qual usa quase sempre o seu anel energético na mão esquerda. Já o seu nome do meio é uma homenagem a Arthur Wellesley, Primeiro Duque de Wellington e general do Exército britânico responsável por uma das maiores derrotas militares infligidas às forças napoleónicas no decurso da Guerra Peninsular (1807-1814);
* Apesar de ser a cidade-berço de Alan Scott, Metrópolis tem no Super-Homem o seu mais insigne habitante;
* São tantas as celebridades que a compõem, que a família de Alan Scott faz inveja ao clã Kardashian. Senão vejamos: Rose Canton, a sua primeira esposa, era Espinho (Thorn), uma esquizofrénica vilã do Flash da Idade do Ouro; Molly Mayne, com quem Alan casou em segundas núpcias, usou durante algum tempo a persona de Arlequim (Harlequin, não confundir com a Arlequina), uma destrambelhada vilã da mesma época; quantos aos seus filhos (ambos fruto do primeiro casamento), os gémeos Todd Rice e Jennie-Lynn Hayden, notabilizaram-se, respetivamente, como Manto Negro (Obsidian) e Jade ao serviço da Corporação Infinito (Infinity, Inc., coletivo heroico que reunia os filhos dos membros da SJA);

Jade e Manto Negro, os filhos de Alan Scott e Rose Canton.
* Na sua versão primitiva, o Coração Estelar provinha do Universo ao qual pertencia a Terra 1, embora Alan Scott habitasse, juntamente com outros heróis da Idade do Ouro, a Terra 2. Após a extinção do primeiro Multiverso, ocorrida no corolário de Crise nas Infinitas Terras (1985-86), o anel passou a ser originário do mesmo universo do seu usuário. Na continuidade emanada de Os Novos 52, ambos provêm, por isso, do Universo da Terra 2;
* Igualmente na senda do ocaso do Multiverso original, conquanto a existência do Lanterna Verde tenha prevalecido na cronologia pós-Crise, alguns dos elementos da sua história pregressa poderão ter sido suprimidos e/ou alterados, pelo que deverão ser desconsiderados para efeitos canónicos;
* Num aditamento retroativo à continuidade da personagem, uma história publicada nos idos de 1984, em All-Star Squadron Annual nº3, serviu, de uma penada, para explicar a aparência viçosa dos membros da Sociedade da Justiça da América - aparentemente imunes à passagem do tempo - e a prolongada ausência do Lanterna Verde das fileiras da equipa. Consequências diretas, conforme foi mostrado, do confronto dos veteranos heróis com um vilão chamado Ian Karkull, que os imbuiu, bem como às respetivas esposas, das energias responsáveis pelo retardamento do seu envelhecimento;

O encontro entre a Sociedade da Justiça da América
 e a Liga da Justiça em All-Star Squadron Annual nº3 (1984).
* De igual modo, também o rejuvenescimento de Alan Scott em Os Novos 52 não se ficou a dever a algum tipo de elixir milagroso ou a um peeling facial. O segredo para a juventude do Lanterna Verde - em harmonia, de resto, com as demais personagens dessa realidade - reside no facto de o seu corpo ser agora composto da energia mística irradiada pelo Coração Estelar. Certa vez, o herói foi gravemente ferido em combate, daí resultando a perda de um olho. Órgão que seria, no entanto, rapidamente regenerado devido à ação do anel, algo que nunca se verificara anteriormente;
* Aquando da criação da personagem que lhe valeria um lugar no panteão da 9ª Arte, Martin Nodell assinava os seus trabalhos artísticos com o pseudónimo Matt Dellon. Prática corrente e recorrente nos alvores da indústria dos comics, quando estes eram ainda encarados como um subproduto cultural destinado, fundamentalmente, ao público infantil. Circunstância que levava muitos autores a não se orgulharem da própria obra, acoitando-se, por isso, num cómodo anonimato.

Uma lanterna de esperança que alumia a penumbra
 e espanta os que dela se nutrem.
Noutros segmentos culturais: Como boa parte dos heróis da Idade do Ouro cobertos pela areia do tempo e do esquecimento, o Lanterna Verde original tem uma expressão quase nula fora da banda desenhada. As únicas exceções a esse ostracismo mediático consistiriam, até ao momento, em participações pontuais suas em séries animadas e de ação real baseadas no Universo DC, designadamente em Smallville e Batman: The Brave and The Bold.
Apesar dessa sua débil representação no panorama audiovisual, o herói recebeu, contudo, o merecido destaque no segundo tomo de Sleepers, trilogia literária da autoria de Christopher Priest e Mike Baron que dá a conhecer três gerações de Lanternas Verdes: Alan Scott (Idade do Ouro), Hal Jordan (Idade da Prata) e Kyle Rayner (Idade Moderna).

O primeiro dos Lanternas Verdes
 em evidência no segundo volume de Sleepers.

05 janeiro 2017

ETERNOS: DICK SPRANG (1915-2000)




  Sempre na sombra de Bob Kane, de quem foi o "fantasma" favorito, influenciou decisivamente a estética das histórias do Batman. Da sua imaginação saiu também um dos mais icónicos modelos do Batmobile. O merecido reconhecimento só chegaria, contudo, após ter trocado a 9ª Arte pela exploração arqueológica, outra das suas paixões.

No já longínquo verão de 1915, a pequena cidade de Fremont, no estado norte-americano do Ohio, viu nascer aquele que viria a ser o seu segundo filho mais ilustre. No campeonato local de notoriedade, Richard W. Sprang (Dick para os mais íntimos) perde apenas para Rutherford B. Hayes, o advogado da terra que, entre 1877 e 1881, ocupou a Sala Oval. O antigo Presidente dos EUA seria, de resto, uma das duas celebridades à sombra das quais Sprang se habituaria a viver. Sendo a outra Bob Kane, cocriador do Batman sobejamente conhecido por ser avesso a dividir os louros com quem quer que fosse.
Da infância e vida familiar de Dick Sprang quase nada se sabe. Ainda adolescente, desdobrava-se entre os bancos da escola e as agências publicitárias da sua cidade natal. Onde, a troco de um punhado de dólares, coloria cartazes e panfletos depois das aulas. Embora modesto, esse seu primeiro emprego dotou-o do arcaboiço necessário para fazer face às exigências do ofício de ilustrador que abraçaria já homem feito.
Segundo Jerry Bails, eminente historiador da Nona Arte, quando ainda frequentava o liceu, na viragem da década de 1930, Dick Sprang começou a colaborar com a Thrilling Publications, editora especializada em magazines pulp. Essa não foi, porém, a única incursão do jovem artista nesse tipo de publicações que, à época, gozavam de enorme popularidade sobretudo entre o público juvenil.
Sem nunca negligenciar os estudos, Sprang emprestava também o seu traço às historietas do mesmo género publicadas com os selos da Columbia Publications e da Street & Smith. Transpondo dessa forma as fronteiras do seu Ohio natal, visto que esta última estava sediada em Nova Iorque. Cidade para onde o jovem Sprang se mudaria anos depois.


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Em cima: Dick Sprang na juventude.
Em baixo: Capa da sua autoria para um dos magazines pulp com que colaborou.
Com o diploma do secundário na mão, por volta de 1934 Dick Sprang arranjou emprego como cartunista num tabloide da cidade vizinha de Toledo. Demonstrando uma admirável capacidade de trabalho que se tornaria seu cartão de visita, não cessou a sua colaboração com os vários magazines pulp onde dera os primeiros passos como ilustrador e, ocasionalmente, como editor.
Famoso pela sua inatacável ética profissional, numa entrevista dada em 1987 Sprang descreveu nos seguintes termos os primórdios da sua notável carreira: "Eu fazia parte do departamento de arte de um jornal, onde tínhamos diariamente de cumprir religiosamente cinco prazos de entrega. Tínhamos outras tantas edições na rua que incluíam anúncios publicitários dos mais variados negócios, desde lojas de móveis a joalharias. Significando isto que, além dos cartunes humorísticos e das ilustrações que acompanhavam algumas das notícias, tínhamos ainda de desenhar os produtos que cada uma dessas empresas se propunha vender. Aprendi a usar gravadores para o fazer e a dominar como poucos as técnicas de impressão. Mas o mais importante foi ter aprendido o valor de um prazo. Que, para mim, é sagrado. Habituei-me, por isso, desde muito cedo, a trabalhar contra o relógio. Sem, no entanto, retirar esmero ao meu serviço. Temos de saber respeitar o nosso ganha-pão, pois só assim poderemos conservá-lo."

Retrato do Presidente Franklin D. Roosevelt desenhado por Dick Sprang.
E foi assim, com a mala a abarrotar de brio e esperança, que, nos primeiros meses de 1936, Dick Sprang trocaria a pacatez de Toledo pela azáfama da cidade insone. Em Nova Iorque trabalharia nos anos seguintes como ilustrador freelancer de diversos títulos pulp, sentindo-se como peixe na água. Tanto que, de quando em vez, se aventurava na escrita dessas historietas protagonizadas por cowboys, detetives particulares e toda a estirpe de heróis temerários que, com as suas aventuras mirabolantes, incendiavam a imaginação a miúdos e graúdos.
Facto pouco conhecido, em 1938 saíram da pena de Dick Sprang os guiões de uma mão-cheia de episódios de Lone Ranger, o lendário folhetim radiofónico que deu a conhecer o mais afamado dos justiceiros mascarados do Velho Oeste. Personagem com a qual Sprang já havia, aliás, trabalhado um par de anos antes, quando arte-finalizou algumas das suas histórias aos quadradinhos.

Dick Sprang escreveu alguns episódios de Lone Ranger (1933-54).
A década seguinte começaria com a entrada dos EUA na II Guerra Mundial e o inexorável declínio da literatura pulp. Quadro pouco auspicioso que levaria Dick Sprang a tentar a sua sorte na florescente indústria dos comics, a viver então os seus anos dourados.
De facto, as histórias com super-heróis estavam na moda e, por isso, vendiam como pãezinhos quentes no inverno. Raro era o dia em que não surgia mais uma dessas figuras espampanantes. Parecendo, no entanto, haver sempre lugar para mais uma, tal era a sofreguidão dos leitores. Princípio aplicável, também, às editoras que, por esses dias, se acotovelavam por um lugar ao Sol num mercado em convulsão e que prometia fama e fortuna a quem nele se conseguisse afirmar.
Cavalgando essa onda de euforia criativa, Dick Sprang propôs sociedade a dois colegas de ofício, Norman Fallon e Ed Kressey, assim nascendo logo depois o Estúdio Fallon-Sprang. Operando a partir de um minúsculo apartamento no coração de Manhattan, o trio providenciava material artístico a editoras de menor dimensão sem recursos para a contratação de ilustradores residentes.
Apesar desse seu projeto ir de vento em popa, Dick Sprang aspirava a voos mais altos. Na esperança de que isso desse asas ao seu sonho, ainda em 1941 apresentou parte do seu portefólio a Whitney Ellsworth, o todo-poderoso editor-chefe da DC Comics. Que, impressionado com o talento do jovem artista e precavendo a mais que provável mobilização de Bob Kane(1) para a guerra, nem hesitou em contratá-lo para desenhar as histórias do Batman.
No entanto, aquilo que poderia ter sido um passaporte para a ribalta, esbarrou na cláusula contratual, imposta por Kane, que impedia qualquer artista, que não ele, de ser creditado pelo seu trabalho com o Cavaleiro das Trevas.
Dick Sprang engrossaria, assim, a extensa lista de desenhadores-fantasmas do Batman que, até meados dos anos 1960 - quando a citada cláusula foi por fim revogada - foram obrigados a permanecer incógnitos de modo a que o obeso ego de Bob Kane não fosse sequer beliscado ao de leve.
Edição dada à estampa em setembro de 1943, Batman nº18 assinalou, sem pompa nem circunstância, a estreia de Dick Sprang como desenhador do Homem-Morcego. Era dele o traço da Dupla Dinâmica que surgia em destaque na respetiva capa. Menos modesta seria a sua contribuição para a edição seguinte ao assumir a arte da capa e de três das quatro histórias nela inclusas, tendo ainda feito os esboços da quarta. Um verdadeiro teste à sua capacidade de trabalho que Sprang superou com distinção.

O primeiro trabalho de Dick Sprang em Batman nº18 (1943).
Sempre à sombra de Bob Kane, ao longo das duas décadas seguintes Sprang foi um obreiro anónimo dedicando-se quase em exclusivo ao Cruzado da Capa. Sem nunca cortar o cordão umbilical que o ligava à personagem, entre 1955 e 1963 (ano em que se retirou dos quadradinhos), foi o "fantasma" de Curt Swan(2) em World's Finest Comics, série mensal que apresentava as aventuras conjuntas da Dupla Dinâmica e do Super-Homem. Caberia, aliás, a Sprang desenhar o primeiro protótipo da Supergirl, a fim de testar a recetividade dos leitores a uma contraparte feminina do Homem de Aço.

Uma das capas de World's Finest Comics ilustradas por Sprang.
Paralelamente a tudo isto, os títulos periódicos do Homem-Morcego continuavam a ser abrilhantados pela singular arte de Dick Sprang. Cuja influência, embora desconhecida dos fãs, seria decisiva para a evolução visual do herói, bem como para o enriquecimento da sua mitologia.
Juntamente com Bill Finger (a quem só muito tardiamente a DC reconheceu a "paternidade" do Batman), em 1948 Dick Sprang introduziu um novo e carismático vilão nas histórias da Dupla Dinâmica: o Charada (3).
Dando rédea solta à sua criatividade, nesse mesmo ano Sprang apresentou também um novo modelo do Batmobile. Com linhas modernas e equipado com tecnologia de ponta, tornar-se-ia uma referência na história do veículo que há quase 80 anos serve de meio de transporte ao Cavaleiro das Trevas e seus ocasionais escudeiros. Motivos de sobra para que Bob Kane tenha confidenciado mais do que uma vez ter em Dick Sprang o seu "fantasma" favorito.



Charada e um novo Batmobile:
 duas das criações mais emblemáticas de Sprang para a Bat-universo.
Sprang sobressaía, de facto, entre a chusma de desenhadores-fantasmas que acolitavam anonimamente Bob Kane. Les Daniels, outro renomado estudioso da Nona Arte, não hesita mesmo em qualificá-lo como o artista supremo do Batman na chamada Idade de Prata dos comics. Segundo ele, Sprang conhecia como ninguém a forma como os mais pequenos liam as bandas desenhadas. Para os manter suspensos do que aconteceria ao virar de cada página, ele trabalhava meticulosamente na transição de painéis, conferindo desse modo maior fluidez à narrativa. Para a qual muito concorria a limpidez e o dinamismo que caracterizavam o seu traço.
Outra explicação possível para o desenvolvimento desse estilo poderá ser atribuída aos constantes atrasos de Bill Finger na entrega dos seus roteiros. Uma vez que estes começavam frequentemente a ser desenhados com o final em aberto, isso requeria um enorme jogo de cintura da parte de Sprang.
Nada disso teria sido, porém, possível sem a valiosa ajuda de Lora Sprang, a polivalente cara-metade de Dick Sprang. A quem ele, logo após ter sido contratado pela DC, tratara de ensinar os segredos da balonagem. Sob o pseudónimo de Pat Gordon, Lora, que era também fotógrafa freelancer, seria a letrista de largas dezenas de histórias do Batman, Super-Homem e outros até 1961, ano em que cessou a sua colaboração com a Editora das Lendas.
Dick Sprang incutiu maior dinamismo às aventuras de Batman e Robin.
Em busca de geografias mais arejadas, em 1946 o casal Sprang tinha-se mudado de armas e bagagens para Sedona, cidadezinha do Arizona que tem nas suas imponentes formações de areia vermelha o seu ex libris. Foi lá que Dick Sprang descobriu outra das suas paixões: a exploração arqueológica. Atividade à qual se dedicou de corpo e alma depois de ter abandonado, corria o ano de 1963, a indústria dos comics. E que lhe valeu a notoriedade que esta durante tanto tempo lhe sonegou.
Dessas suas prospeções no terreno resultaria, em 1952, um importante achado arqueológico. Em conjunto com um casal amigo, Dick Sprang trouxe à luz do dia umas ruínas Anasazi (tribo indígena desaparecida antes do advento dos europeus à América), nunca antes vistas pelo homem branco.
Fascinado também pela fotografia, Sprang tornar-se-ia nos anos seguintes um perito no mapeamento de antigos trilhos usados pelos pioneiros que, nos alvores do século XIX, haviam partido à conquista do Oeste bravio. A sua voz pode ser, de resto, ouvida em diversos registos áudio do National Park Service, agência federal à qual compete administrar a rede de parques naturais e de monumentos nacionais dos EUA.
A despeito de ter tido a sua obra parcialmente republicada em 1961, apenas em meados da década seguinte Dick Sprang obteve o merecido reconhecimento por parte dos fãs. Para quem, até então, por força das circunstâncias acima descritas, não passava de um perfeito desconhecido.
Subitamente basculado ao estrelato, nos anos seguintes Dick Sprang tornar-se-ia um habitué das convenções de banda desenhada e outros certames ligados à cultura pop. Quando não estava a distribuir autógrafos aos fãs embevecidos, vendia as suas reproduções de capas da Idade do Ouro a colecionadores endinheirados. Conservando, no entanto, intacta a sua proverbial modéstia.
Após ter ensaiado o seu regresso aos quadradinhos em 1987, através de colaborações esporádicas com a DC, em 1995 Sprang lançaria aquela que seria a sua obra testamentária: duas edições limitadas contendo litografias da sua autoria mostrando os segredos da Bat-Caverna e a galeria de personagens do Batman.
Segredos da Bat-Caverna revelados numa das litografias de Sprang.
Três anos antes, em 1992, Sprang fora agraciado com um Inkpot Award, galardão que distingue anualmente a nata dos iconoclastas. Prémio mais do que merecido, porém insuficiente para reparar a indignidade a que ele, à semelhança de tantos outros artistas da sua geração, havia sido sujeito.
Com a mesma discrição com que vivera, Dick Sprang despediu-se do mundo dos vivos em 2000, escassos meses depois de ter sido indicado para o Will Eisner Comic Book Hall of Fame. Deixando para trás  um impressionante espólio que vale a pena (re)descobrir. Sendo, portanto, da mais elementar justiça que eu, na minha dupla condição de fã do Batman e diletante da Nona Arte, renda aqui a minha singela, porém sentida, homenagem a este grande vulto dos quadradinhos. A quem o tempo se encarregou de resgatar ao ostracismo a que parecia condenado devido ao exacerbado narcisismo de alguns dos seus pares.

"A imortalidade é uma espécie de vida que adquirimos na memória dos homens."
 (Denis Diderot, filósofo francês do século XVIII)

(1) Perfil de Bob Kane: http://bdmarveldc.blogspot.pt/2011/10/eternos-bob-kane-1915-1998.html
(2)  Idem de Curt Swan: http://bdmarveldc.blogspot.pt/2013/07/eternos-curt-swan-1920-1996.html
(3) Prontuário do Charada: http://bdmarveldc.blogspot.pt/2013/11/galeria-de-viloes-charada.html

Galeria de capas desenhadas por Sprang:

































20 dezembro 2016

GALERIA DE VILÕES: DUENDE MACABRO

   

  Emergiu, por entre risadas maníacas, das ruínas do legado do Duende Verde para levar o medo mesmo aos corações mais empedernidos. Deslindando enfim o mistério da sua identidade, muitas perguntas ficaram, porém, sem resposta. Fruto das inúmeras peripécias que marcaram a conceção deste que é um dos mais carismáticos e perigosos inimigos do Homem-Aranha.

Denominação original: Hobgoblin
Licenciador: Marvel Comics
Primeira aparição (como Roderick Kingsley): Peter Parker, The Spectacular Spider-Man nº43 (junho de 1980)
Primeira aparição como Duende Macabro: Amazing Spider-Man nº238 (março de 1983)
Criadores: Roger Stern (história) e John Romita Jr. (arte conceitual)
Identidade civil: Roderick Kingsley
Local de nascimento: Belize
Parentes conhecidos: Daniel Kingsley (irmão gémeo falecido)
Afiliação: Presidente-executivo da Kingsley Ltd e ex-membro da Legião Amaldiçoada (Accursed Legion) durante as segundas Guerras Secretas
Base de operações: Nova Iorque, Paris e Caraíbas
Armas, poderes e habilidades: Dada a sua fonte comum, as valências especiais do Duende Macabro são em tudo semelhantes às do Duende Verde. Ambos tiveram a sua fisiologia incrementada pelo chamado Soro do Duende. Composto químico com propriedades mutagénicas, foi uma invenção de Norman Osborn aprimorada por Roderick Kingsley. Esse aprimoramento objetivou a supressão dos efeitos secundários da fórmula original, o principal dos quais era a demência.
Quando ingerido ou inoculado, o Soro do Duende capacita o seu usuário de força, resistência e velocidade sobre-humanas, acrescendo ainda um fator de cura acelerado. Os seus efeitos fazem sentir-se também a nível intelectual, potenciando as capacidades cognitivas de quem o toma.
Este aumento de inteligência é, no entanto, normalmente acompanhado por psicoses, alucinações e outros distúrbios do foro psíquico. Apesar de menos afetado por estas contraindicações devido às melhorias que introduziu na fórmula original, Roderick Kingsley não lhes ficou totalmente imune. Instabilidade mental que, em maior ou menor grau, caracterizou igualmente todos aqueles que, depois dele, portaram o manto do Duende Macabro. E que, em última análise, representa a principal fraqueza do vilão, estando frequentemente na base das suas derrotas.
Estrategista brilhante, o Duende Macabro é também um exímio lutador. Não se furtando, por isso, à confrontação direta com os seus adversários, nomeadamente com o Homem-Aranha. Nesses combates mano a mano conta com a proteção adicional conferida pela sua armadura, cuja cota de metal absorve eficazmente o impacto dos golpes que lhe são desferidos. O traje é uma declinação do modelo usado pelo Duende Verde, inicialmente projetado pela Oscorp para fins militares.
Equipadas com micro-circuitos e filamentos, as luvas da sua vestimenta habilitam o Duende Macabro a disparar rajadas elétricas. Em função da respetiva potência, elas podem atordoar ou eletrocutar os seus adversários de circunstância. Já as botas possuem minijatos propulsores incorporados que lhe permitem voar curtas distâncias.
Sem embargo, é no seu planador (também ele uma réplica do utilizado pelo Duende Verde) que o vilão tem o seu meio de transporte de eleição. Aparato que, devido às suas rebarbas pontiagudas e cortantes, pode igualmente ser usado em manobras ofensivas, ou até mesmo como arma de arremesso. São, todavia, as bombas-abóbora (outra patente do Duende Verde) as armais mais icónicas e mortíferas do arsenal do Duende Macabro. Que inclui ainda granadas de gás e de fumaça.

A morte risonha que vem do céu.
Histórico de publicação: Nos primeiros anos da década de 1980, as histórias do Homem-Aranha ressentiam-se ainda da morte do Duende Verde. Como tantos outros escritores antes dele, Roger Stern sentiu-se pressionado a ressuscitar o vilão para preencher esse vazio na vida do herói aracnídeo, há largos anos privado do seu némesis.
Stern resistiu, porém, a carimbar a passagem de Norman Osborn para o mundo dos vivos, a repassar o testemunho ao seu filho, Harry, e até mesmo a criar um novo alter ego para o Duende Verde. Em alternativa, decidiu-se pela inserção de uma personagem inédita, uma espécie de herdeiro para o funesto legado do arqui-inimigo do Escalador de Paredes.
Ao som de risadas maníacas capazes de gelar mesmo a mais valente das almas, em março de 1983, nas páginas de The Amazing Spider-Man nº238, entrava em cena o Duende Macabro. À primeira vista um mero pastiche do Duende Verde, o novo vilão logo provou ser muito mais do que isso. No entanto, o processo criativo a montante da sua primeira aparição é recordado de maneiras distintas pelos seus dois intervenientes.

Amazing Spider-Man Vol 1 238 Direct
O Duende Macabro mostra ao que vem
na sua estreia em Amazing Spider-Man nº238 (1983).
Roger Stern sustenta que instruiu John Romita Jr. a basear-se no uniforme do Duende Verde para conceber o figurino do Duende Macabro, embora dando-lhe um toque mais medieval. Romita, por seu turno, nega que Stern lhe tenha sugerido essa cambiante. Malgrado estas pequenas discrepâncias nos seus relatos, ambos concordam que a aparência do mais recente inimigo do Homem-Aranha teve a assinatura de Romita.
Naquele que viria a ser um dos mais intrincados e duradouros enigmas das histórias do Escalador de Paredes, a verdadeira identidade do Duende Macabro seria mantida no segredo dos deuses durante largos meses. Tantos que, como veremos mais adiante, se transformaria numa rábula com mais buracos do que um queijo suíço. Culpa, em primeiro lugar, de Roger Stern. Conforme o próprio admitiria anos mais tarde, houve precipitação da sua parte ao lançar a personagem sem lhe ter definido previamente um alter ego.
Numa entrevista datada de 2009, Stern explicou como se deu esse momento eureca: "Enquanto escrevia aquelas magníficas páginas ilustradas pelo John Romita Jr., e ia estabelecendo os padrões discursivos do Duende Macabro, ocorreu-me que ele só poderia ser uma pessoa. Nenhum outro que Roderick Kingsley, o estilista amoral que eu introduzira logo na primeira edição que escrevera de The Spectacular Spider-Man."



Roger Stern (cima) e John Romita Jr.
dividem a "paternidade" do Duende Macabro.
De facto, uns quantos leitores com costela detetivesca depressa deduziram que seria o rosto insolente de Kingsley a esconder-se sob a máscara do Duende Macabro. A fim de despistá-los ao mesmo tempo que providenciava uma explicação retroativa para a caracterização inconsistente de Kingsley nas suas aparições pregressas, Stern atribuiu-lhe um irmão gémeo, criado propositadamente para o efeito.
Daniel Kingsley, assim foi crismado o sósia de Roderick, encarnaria por vezes o Duende Macabro. Com essa pirueta narrativa, os leitores seriam mantidos em suspense durante mais algum tempo até à grande revelação. Para que o logro fosse crível, Stern tratou de mostrar a presença simultânea de Roderick Kingsley e do Duende Macabro em Amazing Spider-Man nº249.
Determinado em bater o recorde de longevidade do mistério em redor da identidade do Duende Verde, Roger Stern pretendia expor a verdadeira face do Duende Macabro em The Amazing Spider-Man nº264. Superando desse modo o número de edições ao longo das quais, uma vintena de anos antes, os leitores haviam tentado adivinhar quem era o homem por detrás do duende que infernizava a vida do Cabeça de Teia.
O plano de Stern iria, contudo, por água abaixo quando ele foi inesperadamente afastado das histórias do herói aracnídeo em The Amazing Spider-Man nº252. Até então editor dos títulos periódicos do Homem-Aranha, Tom DeFalco assumiria logo depois o lugar deixado vago por Stern. E foi aí que a maré mudou, arrastando o Duende Macabro para águas ainda mais turvas.
Apostado em solucionar rapidamente o mistério acerca da verdadeira identidade do Duende Macabro sem desvirtuar o trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, DeFalco perguntou a Stern quem se escondia afinal atrás da máscara. Quando este lhe revelou que se tratava de Roderick Kingsley, DeFalco rejeitou prontamente essa hipótese. No seu entender, além de desonesto para com os leitores, o ardil de um irmão gémeo era um beco sem saída do ponto de vista narrativo, pois em momento algum a sua existência fora sequer sugerida.
Mesmo discordando do parecer do seu interlocutor, Stern deu-lhe carta branca para escolher outra persona civil para a sua criação. Confiante de que, fosse qual fosse a escolha de DeFalco, ela seria a mais acertada.
Após uma revisão exaustiva das pistas que Stern fora plantando desde o surgimento do Duende Macabro, DeFalco concluiu que ele deveria ser Richard Fisk, o filho pródigo do Rei do Crime*. Entendeu igualmente por bem manter o segredo pelo máximo tempo possível, por ser esse o elemento que tornava a personagem tão interessante aos olhos dos leitores. Com o intuito de lhes espicaçar ainda mais a curiosidade, várias capas de The Amazing Spider-Man mostravam o Homem-Aranha a desmascarar o Duende Macabro sem que, contudo, a verdade viesse ao de cima.

Uma das capas de Amazing Spider-Man
que serviram de chamariz aos leitores mais curiosos.
Tudo parecia bem encaminhado até James Owsley ser designado editor da linha de títulos do Escalador de Paredes. Tensa seria um eufemismo para caracterizar a sua relação com DeFalco. Por isso, quando, numa conferência de autores, Owsley o questionou sobre a verdadeira identidade do Duende Macabro, DeFalco mentiu despudoradamente, indicando Ned Leeds (ver lista de alter egos) como sendo o homem por detrás da máscara.
Na posse dessa informação privilegiada, Owsley escreveria num ápice Spider-Man versus Wolverine, crossover que incluía a presumível morte de Ned Leeds. De seguida, Owsley propôs a Peter David**, escriba responsável pelas estórias do aranhiço em The Spectacular Spider-Man, a apresentação do Estrangeiro (The Foreigner, no original) como o alter ego do Duende Macabro.
Conceito desenvolvido pouco tempo antes por David, o Estrangeiro era um assassino de gabarito mundial que tivera um breve recontro com o Homem-Aranha. Apesar de lisonjeado por a escolha de Owsley para tão importante papel contemplar uma personagem da sua autoria, David declinou a proposta.
A exemplo dos demais participantes na conferência de autores, Peter David estava firmemente convencido de que Ned Leeds seria, de facto, o Duende Macabro e sabia bem quão pouco amistosa era a relação entre Owsley e DeFalco. Razões de sobra para ele não se querer envolver na polémica que antevia.
A revelação de que Ned Leeds era o Duende Macabro
foi apenas o começo de um mistério maior.
Descartada a possibilidade de utilização do Estrangeiro, e uma vez que a história de Owsley já fora desenhada, era demasiado tarde para reverter a morte de Ned Leeds. A solução encontrada para o imbróglio passou, assim, por uma revelação póstuma, nas páginas de The Amazing Spider-Man nº289.
Ficando desse modo os leitores a conhecer a verdade, quando era já Jason Macendale o portador do capuz do Duende Macabro. Escusado será dizer que esta foi uma opção deveras impopular.
Ciente desse facto,  Peter David continua, ainda assim, a dizer-se orgulhoso da história que atamancou. Argumentando que, apesar de ser um lugar-comum, é sempre emocionante ver um vilão odioso ser desmascarado no clímax de uma batalha épica contra o herói de quem é inimigo.
Quem nunca se conformou com a decisão de transformar Ned Leeds no primeiro Duende Macabro foi Roger Stern. E, à primeira oportunidade, tratou de emendar isso. Em 1997, Stern escreveu Spider-Man: Hobgoblin Lives, minissérie em três volumes que serviu para recontar a origem do vilão.
Entre outros ajustamentos retroativos, a história mostrava a criação do Duende Macabro por parte de Roderick Kingsley e a lavagem cerebral a que ele submeteu Ned Leeds para que este lhe servisse de bode expiatório.
Após matar Macendale, Kingsley reassumiu a sua antiga persona criminosa. Solução proposta pelo editor de Roger Stern enquanto este se debatia com o problema da existência de dois Duendes Macabros. Mas, como veremos em seguida, a procissão de duendes ainda ia no adro...

* Biografia não autorizada do Rei do Crime em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2015/09/galeria-de-viloes-rei-do-crime.html
** Perfil disponível em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2015/12/eternos-peter-david-1956.html

Um vilão capaz de causar calafrios
 a quem lhe cruza o caminho.

Revoada de duendes

Conheçamos, então, um pouco melhor os homens que, ao longo dos anos, mantiveram vivo o legado do Duende Macabro. Note-se que a ordem pela qual eles figuram na lista abaixo é cronológica, não editorial.
Feito este esclarecimento prévio, passemos, sem mais delongas, às apresentações sumárias de cada um deles.

*Roderick Kingsley: Notório pela sua visão e práticas empresariais antiéticas, Roderick Kingsley era um bem-sucedido criador de alta costura que administrava um vasto império financeiro. Após descobrir a localização de alguns dos esconderijos secretos de Norman Osborn - o Duende Verde original - Kingsley tornou-se obcecado com o legado do malogrado vilão e decidiu dar-lhe continuidade. Sempre com esse objetivo em mente, apropriou-se da parafernália tecnológica projetada por Osborn e aplicou em si mesmo uma versão melhorada do Soro do Duende, adquirindo habilidades sobre-humanas similares às do seu antecessor.

Roderick Kingsley,
o fundador de uma macabra dinastia.
Operando como Duende Macabro, Kingsley começou por usar o seu novo alter ego para chantagear alguns dos seus rivais na indústria da moda. Rapidamente se tornaria, no entanto, uma das figuras mais temidas do submundo nova-iorquino, o que fez tilintar o sentido de aranha de um certo Escalador de Paredes.
Para acobertar os seus incontáveis crimes, Kingsley raptou Ned Leeds e sujeitou-o a uma lavagem cerebral, induzindo-o a acreditar que era ele o verdadeiro Duende Macabro. Quando teve a sua identidade comprometida pelo Homem-Aranha e por Betty Brant, a viúva de Ned Leeds, Kingsley fugiu para as Caraíbas, onde pretendia gozar a sua reforma dourada.

*Ned Leeds: Edward "Ned" Leeds era um promissor repórter do Clarim Diário casado com Betty Brant, também ela secretária pessoal de J. Jonah Jameson, o temperamental editor do jornal. Usado como bode expiatório por Roderick Kingsley, julgava-se o verdadeiro Duende Macabro. Acabaria executado pelo Estrangeiro na ex-RDA quando deixou de ter utilidade para Kingsley.

Ned Leeds, o bode expiatório.

*Jason Philip Macendale Jr.:
O mais veterano dos Duendes Macabros (envergou o uniforme durante exatamente uma década, de 1987 a 1997), Jason Macendale era um mercenário de sangue frio treinado pela CIA e que se notabilizara como Halloween, um criminoso fantasiado que enfrentou o Homem-Aranha em diversas ocasiões.
Macendale entraria em cena quando, empenhado em arranjar novo testa-de-ferro, Roderick Kingsley incriminou Flash Thompson, velho amigo de Peter Parker. Julgando estar a fazer um favor ao Duende Macabro que o faria cair nas boas graças do vilão, Macendale ajudou Thompson a fugir da prisão. Ao perceber o logro, decidiu ele próprio tornar-se o Duende Macabro.

Jason Macendale, o mercenário de sangue frio.
Durante os eventos de Inferno (saga já dissecada neste blogue), Macendale foi imbuído de poderes sobrenaturais e sofreu uma horrível transformação física que o dotou de uma aparência monstruosa. Período durante o qual o Duende Macabro deu lugar ao ainda mais sinistro Duende Demoníaco (Demogoblin).
Tal como o seu antecessor, Macendale acabaria assassinado. Desta feita, pelo próprio Roderick Kingsley, regressado ao ativo para reclamar o seu legado.

*Daniel Kingsley: Quando o seu irmão gémeo foi forçado a abandonar a identidade de Duende Macabro e a procurar novamente santuário nas Caraíbas em consequência da sua derrota às mãos do Duende Verde, coube a Daniel Kingsley manter vivo o seu legado. Seria, porém, assassinado por Phil Urich, sobrinho de Ben Urich, o veterano jornalista do Clarim Diário e amigo de longa data de Peter Parker.

Daniel Kingsley, o sósia.
*Phil Urich: Depois de matar, em legítima defesa, Daniel Kingsley e de assumir o manto do Duende Macabro, Urich tornar-se-ia um agente do Rei do Crime. Quando o império criminoso de Wilson Fisk foi desmantelado pelo Homem-Aranha Superior (combinação da mente de Otto Octavius com o corpo de Peter Parker), Urich foi preso e teve a sua identidade exposta. Libertado pelo Duende Verde, jurou-lhe lealdade e adjuvou-o na sua campanha para reconquistar o submundo de Nova Iorque. Na esteira da presumível morte do seu benfeitor, Urich autoproclamou-se Rei Duende.

Phil Urich, o príncipe degenerado.
*Claude: Mordomo de Roderick Kingsley, por ordem do patrão fez-se passar pelo Duende Macabro numa tentativa de derrubar o Rei Duende. Não sobreviveu à batalha com o vilão e teve o seu corpo destruído. Após estes eventos, Roderick Kingsley viajou para Paris. De onde passou a administrar discretamente o seu império pessoal, dedicando-se, em paralelo, ao lucrativo negócio da venda de patentes a aspirantes a supervilões.

Guerra de Duendes.

Trivialidades:

*Senhor de uma mente maquiavélica e de uma psicologia sui generis, Roderick Kingsley integra o restrito lote dos que lograram trapacear génios criminosos como Norman Osborn ou Wilson Fisk;
* Arnold "Lefty" Donovan, um patife de meia-tigela, serviu de cobaia humana a Kingsley quando este necessitou testar a nova fórmula do Soro do Duende. Apesar dos resultados satisfatórios do ensaio, Lefty acabaria assassinado pelo seu "benfeitor";
* Durante a sua segunda estada nas Caraíbas, Roderick Kingsley criou a persona Devil-Spider, para prosseguir a sua atividade criminosa. Tudo apontando para que o figurino do Tarântula, outro dos inimigos clássicos do Homem-Aranha, lhe tenha servido de inspiração na hora de definir o novo visual;

Devil-Spider, a outra faceta criminosa de Roderick Kingsley.
* Certa vez, após ter escapado do hospício onde fora internado, Deadpool usou o disfarce de Duende Macabro para fazer explodir um hangar a mando de um empregador. No entanto, o Mercenário Tagarela não gostou de vestir a fatiota e, depois de ter mandado pelos ares o hangar errado, não mais voltou a enfiar-se dentro dela;
* O Duende Macabro tem papel de destaque em The Amazing Adventures of Spider-Man, uma das atrações mais populares do Islands Adventures, parque temático aberto ao público desde 1999 em Orlando (Florida).

A aranha e o duende: inimigos naturais.
Noutros segmentos culturais: Quedando-se num mui digno 57º lugar no Top 100 dos melhores vilões da banda desenhada elaborado em 2009 pela plataforma IGN, a popularidade do Duende Macabro nos quadradinhos não teve, até ao momento, correspondência fora deles.
Ainda sem espaço no Universo Expandido da Marvel, a única incursão do vilão no panorama audiovisual reporta a meados dos anos 1990, quando participou em diversos episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98). Com a particularidade de surgir retratado como um dos primeiros inimigos do Homem-Aranha, precedendo mesmo a sua aparição a do Duende Verde.

Mark Hamill (o eterno Luke Skywalker, de Star Wars) emprestou a sua voz
 ao Duende Macabro em Spider-Man. The Animated Series.
Mais ou menos na mesma altura, o Duende Macabro marcou presença em The Amazing Spider-Man, série de tiras diárias da autoria de Stan Lee e do seu irmão Larry Lieber, que vêm sendo publicadas desde 1977 em vários jornais de todo o mundo.
Também aí a personagem teve, no entanto, a sua história revista. Nesta versão, era Harry Osborn, filho de Norman Osborn, quem assumia a identidade do Duende Macabro para vingar a morte do pai. Em comum com o original, o ódio visceral em relação ao herói aracnídeo, a quem culpava pela sua tragédia familiar.

O legado do Mal.