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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: OS CAMPEÕES


    
    
      Entre 1975 e 1978, Los Angeles teve, pela primeira vez, a sua própria equipa de super-heróis. Reunindo dois mutantes, um semideus, um vigilante sobrenatural e uma espia soviética, os Campeões foram um grupo pouco ortodoxo. Assim se explicando a sua curta carreira. Saibam agora como se juntou este lote de heróis improváveis:

Nome original: The Champions of Los Angeles
Criadores: Tony Isabella e Don Heck
Licenciador: Marvel Comics
Primeira aparição: Champions nº1 (outubro de 1975)
Composição: Anjo, Homem de Gelo, Hércules, Motoqueiro Fantasma e Viúva Negra. Mais tarde, Estrela Negra juntar-se-ia ao grupo e o Golias Negro tornar-se-ia membro honorário.
Base de operações: Los Angeles

      Com pompa e circunstância, os Campeões estrearam-se como a primeira superequipa de Los Angeles. A falta de liderança e de união entre os seus membros cedo traçou, porém, o seu destino.
       O grupo reuniu-se para travar o ataque lançado pelo deus Plutão ao campus da Universidade de Los Angeles onde Hércules e a deusa Vénus lecionavam na altura. O plano consistia em forçar ambos a casar com Hipólita e Ares, respetivamente com o objetivo de derrubar Zeus do trono do Olimpo.
       Com o auxílio dos antigos X-Men Anjo e Homem de Gelo, do demoníaco Motoqueiro Fantasma e da ex-espia soviética Viúva Negra, Hércules e Vénus conseguiram frustrar os planos de Plutão. Findo o conflito, Vénus regressou ao Olimpo enquanto Hércules resolveu permanecer na Terra ao lado dos seus novos aliados. Surgiam assim os Campeões. Os créditos pelo crisma da equipa são normalmente atribuídos ao argumentista e editor da Marvel Comics David Anthony Kraft. Contudo, a ideia de criar um grupo de super-heróis sediado em LA partiu do também argumentista Tony Isabella. Inicialmente, a equipa deveria integrar antigos X-Men (daí a inclusão do Anjo e do Homem de  Gelo, membros fundadores do grupo mutante) e o recém-criado Golias Negro. Este último, porém, teve direito a um título próprio pelo que Tony Isabella teve de reformular o conceito original.
Capa de Champions nº1 (1975).

       Face à insistência do editor Len Wein em que os Campeões contassem com, pelo menos, cinco integrantes, Isabella não teve outro remédio senão adicionar três personagens consagradas à equipa. Até ao último momento, o Capitão Marvel, Luke Cage e O Filho de Satã foram cogitados para ocupar a terceira vaga, antes de a mesma ser atribuída ao Motoqueiro Fantasma.
        Principiava assim a  efémera carreira dos Campeões nos comics: entre outubro de 1975 e janeiro de 1978, foram publicados apenas 17 números. Ao longo dos quais, o grupo, financiado por Warren Worthington III (alter-ego milionário do Anjo), enfrentou ameaças exóticas como os Supersoldados  criados pelo cientista louco Dr. Edward Lansing,  pseudo Sentinelas ou o Homem Titânio, entre outros. Pelo meio, outra heroína russa, Estrela Negra, juntar-se-ia aos Campeões que, todavia, sempre tiveram enormes dificuldades em funcionar como uma verdadeira equipa. Também o Golias Negro passou a colaborar ocasionalmente com a equipa como consultor científico.
Estrela Negra

        Um dos grandes equívocos em que os Campeões estiveram envolvidos foi quando tentaram travar o Hulk quando este procurava salvar Jennifer Walters (a futura Mulher-Hulk) que estava à beira da morte na sequência de uma transfusão sanguínea contaminada com radiação gama.
        No fundo, os Campeões foram os seus próprios maiores inimigos. O Motoqueiro Fantasma e Estrela Negra nunca foram aceites pelos seus companheiros; o Homem de Gelo era um herói renitente; Hércules não tinha eira nem beira e as tensões internas não tardaram a ditar o desmantelamento da equipa.
        Excetuando o Anjo, todos os restantes membros desistiram dos Campeões. Conservando a velha amizade que os unia, ele e o Homem de Gelo lutaram lado a lado em várias outras equipas (como os Novos Defensores e X-Factor). Hércules e a Viúva Negra tornaram-se amantes mas não tardaram a separar-se, embora ambos se tenham entretanto juntado aos Vingadores. Estrela Negra regressou à URSS e os Campeões perderam-se na memória dos fãs.
        Ainda houve, num passado recente, uma pouco convicta tentativa de reunir a equipa numa aventura da X-Force onde novamente frustraram os planos de Plutão. Não resultou. Mas todos sabemos que, nos comics, tudo é possível e, tal como na vida, nunca se deve dizer nunca...

Golias Negro

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

NÉMESIS: PALHAÇO / VIOLADOR




     Já repararam como um palhaço pode ser uma figura sinistra? Quem não se assustaria se se cruzasse com um numa viela escura à noite? E se na realidade ele fosse um demónio medonho nascido das profundezas infernais e que responde pelo sugestivo nome de Violador?

Nome original: The Clown/Violator
Criador: Todd McFarlane
Primeira aparição: Spawn nº1 (como Palhaço) e Spawn nº2 (como Violador) em abril e maio de 1992, respetivamente.
Licenciador: Image Comics
Alter-ego: Palhaço
Origem: Inferno
Base de operações: Móvel
Poderes e armas:  O  Violador é um demónio e como tal possui todos os poderes infernais tais como superforça, teletransporte, transformismo, fator de cura, telepatia, necromancia e telepatia. Desconhece-se a verdadeira extensão do seu poder embora seja claro que ele pode facilmente obliterar um Spawn. Está contudo proibido de o fazer sem ordens do seu mestre Malebolgia.

      O Violador é o mais velho e poderoso dos cinco demónios nascidos no Inferno conhecidos por Irmãos Flebíacos. A sua missão consiste em treinar e supervisionar os novos generais do exército infernal, o que tem feito ao longo de séculos. Esses generais são os Hellspawns. Sendo o atual Spawn Al Simmons (ver "Heróis em Ação: Spawn"), o Violador nutre uma especial antipatia por ele por considerar que deveriam ser os demónios e não os humanos a comandar as legiões infernais aquando do Armagedão. 
     Sob o disfarce de Palhaço (um anão disforme com um sentido de humor retorcido que faz o Joker parecer um menino do coro), esconde-se uma poderosa e vil criatura que figura na lista dos vilões mais temíveis de todos os tempos. A comprová-lo está o facto de o site IGN ter recentemente divulgado o top 100 dos vilões, ocupando o Violador a 97ª posição.
      Depois de se estrear  nas páginas do primeiro número de Spawn como Palhaço, foi na edição seguinte que os leitores conheceram o abominável Violador. Desde então que ele, literalmente, inferniza a vida do Spawn. O Palhaço é o alter-ego que o demónio assume sempre que precisa mover-se entre os humanos. Como imagem de marca, usa o rosto pintado de azul. Sempre  que se apodera de um corpo, o rosto da vítima assume o mesmo aspeto.

A verdadeira aparência do Violador.

      As batalhas que opuseram o Violador ao atual Spawn foram brutais e humilhantes para o vilão. Numa em particular, o demónio veio ao nosso mundo para impedir que Spawn se afastasse do caminho do Mal mas foi prontamente derrotado. Dado como morto, o Violador ressuscitou pouco tempo depois e continuou a atormentar Spawn e todos os que lhe são queridos. Muitas vezes os combates entre ambos são tanto psicológicos como físicos. Como Palhaço, obtém grande deleite em "trabalhar nos bastidores", virando do avesso a vida de Spawn. Uma das suas manobras favoritas consiste em virar amigos e aliados de Spawn contra ele, levando a que o traiam ou tentem matar.
       No filme Spawn (1997), coube ao ator John Leguizamo encarnar o Palhaço num papel que lhe valeu muitos elogios por parte dos fãs de comics. Já o Violador foi digitalmente concebido. Na série animada transmitida pelo canal HBO Todd McFarlane's Spawn, o Violador surge apenas em três episódios. Já o Palhaço marca presença em quase todos. A banda heavy metal Iced Earth compôs a canção "Violate" baseada no Violador, sendo todo o álbum The Dark Saga inspirado no universo de Spawn.

John Leguizamo como Palhaço em Spawn (1997).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ETERNOS: JOE SIMON (1913-2011)

   

    Com a vetusta idade de 98 anos, faleceu no pretérito dia 14 de dezembro em Nova Iorque Joe Simon, um dos decanos dos comics e cocriador do Capitão América. Desaparece assim um dos últimos representantes de uma geração extraordinária de criadores que deu a conhecer ao mundo a chamada Idade do Ouro da banda desenhada norte-americana. É com enorme pesar e respeito que lhe presto aqui a minha homenagem póstuma.
     Argumentista, desenhador e editor, Joe Simon era considerado uma lenda viva. Em parceria com Jack Kirby, criou em 1941 o Capitão América para a editora Timely Comics (antecessora da Marvel). Foi aliás da sua colaboração com Kirby que nasceu o protótipo do Homem-Aranha (cujos créditos são oficialmente atribuídos a Stan Lee e Steve Ditko).
     Crismado à nascença de Hymie Simon a 11 de outubro de 1913 em Rochester (Nova Iorque), Joe era filho de um emigrante inglês e de uma norte-americana. Na adolescência, frequentou o liceu Benjamin Franklin onde trabalhou como diretor artístico no jornal escolar e no respetivo anuário. Concluídos os estudos liceais em 1932, logo foi contratado como assistente do diretor artístico do Rochester Journal American, substituindo o seu futuro colega nos comics, Al Liederman. Dois anos depois, Simon transferiu-se para o Syracuse Herald onde trabalhou, entre outras coisas, como cartunista. O jornal contudo não tardaria a falir e Simon, então com 23 anos, resolveu tentar a sua sorte em Nova Iorque. Na Grande Maçã trabalhou como freenlancer em várias publicações e também na Broadway onde retocava as fotos publicitárias dos estúdios.
       Foi nessa época que conheceu Lloyd Jacquet, diretor executivo da Funnies, Inc. que fornecia material a pedido das editoras que ainda não dispunham das suas próprias equipas criativas. O primeiro trabalho de Simon nessa área foi um western de sete páginas.
       Não tardaria contudo a ser convidado a criar um novo super-herói para a Timely Comics depois do êxito do primeiro Tocha Humana (The Human Torch) em 1939. Usando o pseudónimo Gregory Sykes, Simon criou assim a sua primeira personagem: Fiery Mask. À qual se seguiriam muitas outras. A notoriedade, porém, só chegaria em 1941 com o patriótico Captain America, resultado da parceria de Simon e Jack Kirby. As perspetivas dinâmicas das histórias do Sentinela da Liberdade, assim como um uso arrojado dos layouts, fez furor entre os leitores. E por isso Simon convidou Kirby a juntar-se à equipa criativa da Timely.
Captain America nº1 com arte de Jack Kirby.

       Descontente com as suas condições salariais, Simon abandonaria pouco tempo depois a Timely para se juntar à arquirrival National Comics (antepassada da atual DC). Nessa nova etapa, Simon criou várias novas personagens, entre quais Sandman (1939) e Manhunter (1942).
       Durante a II Guerra Mundial, Simon serviu na Guarda Costeira norte-americana. Findo o conflito, regressou a Nova Iorque onde desposaria Harriet Feldman com a qual teria quatro filhos.
       Ao longo da década de 1950 , Simon desenvolveu um trabalho profícuo em vários géneros. Pelo meio, em 1955. chegaria ao fim a sua parceria com Kirby, embora a amizade entre ambos perdurasse. Contudo, em 1966, a dupla voltaria a juntar-se ao serviço da Harvey Comics que os encarregara de relançar a sua principal personagem: Fighting American. Dois anos mais tarde, Joe Simon teria uma nova passagem pela DC, ainda que fugaz.  Seria em 1974 que a dupla maravilha Simon/Kirby se reuniria pela última vez com o objetivo de relançar Sandman.
       Já no século XXI, Simon dedicou-se a pintar e vender reproduções de algumas das primeiras capas da sua autoria. Viveu ainda o suficiente para, em 2007, testemunhar a morte do seu filho dileto, o Capitão América, no âmbito da maxissaga "Guerra Civil" (Civil War), a qual o deixou consternado.
        Ao longo da sua prolífica carreira, apenas foi premiado em duas ocasiões: conquistou o Inkpot Award em 1998 e o Will Eisner Comic Book Hall of Fame no ano seguinte. O maior prémio contudo foi o carinho granjeou junto de várias gerações de fãs.
Sandman, outra das criações emblemáticas de Simon.


DO FUNDO DO BAÚ




      Revisito hoje com um misto de ternura e nostalgia aquela que foi uma das melhores histórias do Quarteto Fantástico que tive o privilégio de ler ainda antes de me tornar um colecionador compulsivo de comics. Fã incondicional do Quarteto à época (sendo esta ainda hoje uma das minhas superequipas favoritas), foi com assombro e deleite que devorei as páginas do 12º número da 1ª série de Grandes Heróis Marvel, o qual me fora gentilmente emprestado por um primo mais velho, também ele consumidor de banda desenhada com super-heróis. Alguns anos depois, este seria um dos primeiros volumes que acrescentaria ao meu acervo.
      Publicado no Brasil em junho de 1986 (a Portugal chegaria cerca de 6 meses depois dado o habitual desfasamento editorial) pela Abril Jovem, o Grandes Heróis Marvel (GHM) nº12 apresentava uma aventura épica de tirar o fôlego. Para salvar a Terra da ameaça do terrível vilão cósmico Esfinge, o Quarteto Fantástico procura a ajuda de um dos seus arqui-inimigos. Nada mais nada menos do que Galactus, o Devorador de Mundos. Isto porque três dos membros do grupo (exceto o Tocha Humana), haviam sido atingidos por um raio que provocava o envelhecimento precoce quando ajudavam a soberana de Xandar a rechaçar uma invasão dos Skrulls, também eles velhos inimigos do Quarteto.
     Relutante, Galactus aceita aliar-se ao Quarteto Fantástico para derrotar Esfinge. Como contrapartida, Reed Richards revoga o juramento que obrigara a criatura a fazer décadas antes e que a proibia de atacar o nosso planeta. Pelo meio, os leitores testemunharam o nascimento do mais recente arauto do Devorador de Mundos: Terrax, o Dominador.
     Numa batalha titânica tendo como cenário as pirâmides egípcias, Galactus derrota Esfinge que sonhava destruir a Terra para fazer renascer o Antigo Egito onde nascera. No final, Galactus reclama o seu prémio mas é surpreendido pela audácia do Senhor Fantástico que, enquanto os colossos se digladiavam, construíra uma réplica do nulificador definitivo, a única arma temida pelo Devorador de Mundos. Com a promessa de regressar um dia, Galactus abandona a Terra. Aos três membros do Quarteto precocememente envelhecidos já não restam, porém,  forças para comemorar.
     Numa corrida contra o tempo, cabe ao benjamim da equipa tentar reverter os efeitos do raio dos Skrulls enquanto o Sr. Fantástico, a Mulher Invisível e o Coisa repousam em câmaras criogénicas. Para complicar ainda mais as coisas, enquanto procura auxílio junto de velhos aliados, o Tocha Humana é atacado de surpresa por um  robô Skrull que lograra infiltrar-se no quartel-general da equipa. Só a muito custo consegue desenvencilhar-se dele e não tem outro remédio senão acordar Reed Richards do seu estase pois apenas o seu intelecto poderá encontrar uma cura para o envelhecimento acelerado. Trabalhando contrarrelógio, ambos conseguem construir um dispositivo que reverterá a terrível condição dos demais membros do grupo.
     Embora inicialmente (para desespero de Johny Storm) os esforços pareçam infrutíferos, os seus companheiros acabam por rejuvenescer e o Quarteto Fantástico continua sequioso de novas aventuras.
     A história em três partes, foi magistralmente escrita por Marv Wolfman e primorosamente ilustrada por John Byrne, uma dupla maravilha que, quando se juntava, produzia épicos inolvidáveis como este.
    Recorde-se que Grandes Heróis Marvel era um título trimestral da editora Abril Jovem que teve três séries: na primeira foram lançados 66 números entre 1983 e 1999; na segunda (2000) 6 números; e na terceira (2000-2001) foram publicados 17 volumes. Recentemente, a Panini Comics (atual detentora dos direitos de publicação das personagens Marvel/DC no Brasil) ressuscitou esse lendário título agora com periodicidade mensal. Claro que aproveitei a oportunidade para o adicionar à minha coleção.
        
       

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: O FANTASMA



    Reza a lenda que o descendente de um navegante inglês aportou, há mais de 400 anos, na costa de Bengalla (África). Sobre o crânio do assassino do seu pai, jurou que devotaria a vida a combater a crueldade, a injustiça e a pirataria. Nascia assim o Fantasma, o Espírito-Que-Anda.    

Nome original: The Phantom
Criadores: Lee Falk  (texto) e Ray Moore (arte)
Primeira aparição: Edição de 17 de fevereiro de 1936 do New York American Journal
Licenciador: King Features Syndicate
Identidade civil: Christopher "Kit" Walker
Família conhecida: Diana Palmer (esposa) , Kit e Heloíse (filhos), Rex King (sobrinho)
Base de operações: Bengalla
Filiação: Patrulha da Selva e tribo Bandar
Poderes e armas: O grande poder do Fantasma reside na lenda que lhe está associada. Muitos julgam-no imortal e por isso temem-no. Na verdade, não passa de um atleta altamente treinado, perito em várias artes marciais e com uma astúcia acima da média. Como companheiras inseparáveis, tem duas pistolas que evita usar de forma letal. Conta ainda com a prestimosa ajuda do cavalo Herói e de um lobo chamado Diabo. Na versão moderna, usa um uniforme de kevlar.

     Na esteira do sucesso alcançado dois anos antes por Mandrake, Lee Falk apresentou ao mundo em 1936 a sua segunda criação. Considerado o primeiro super-herói mascarado da história dos comics, o Fantasma é ainda hoje uma das personagens mais populares da nona arte e as suas aventuras encantaram sucessivas gerações.
    Influenciado pelo seu antigo fascínio por mitos e lendas como a do Rei Artur ou a de El Cid, assim como pelas aventuras de Tarzan, Zorro e Mowgli (personagem de "O Livro da Selva"), Lee Falk imaginou inicialmente um playboy milionário que à noite combateria o crime como o misterioso Fantasma (seria esta, curiosamente, a premissa para a criação do Batman por Bob Kane em 1939). Sem nunca revelar a verdadeira identidade do herói na sua primeira história - "The Singh Brotherhood" - Falk logo transportou o Fantasma para as profundezas da selva, dando-lhe uma aura de imortalidade. Dada a existência na literatura de várias personagens com o nome fantasma associado, Falk desisitiu de batizar o herói de "Gray Ghost".
     Numa entrevista concedida muitos anos depois, Lee Falk revelaria que se inspirou no visual clássico de Robin Hood para conceber o uniforme colante do Fantasma. Já a ausência de pupilas (que ditaria uma tendência na indústria dos super-heróis) decorreu dos bustos esculpidos na Grécia antiga que também não tinham pupilas. Falk achou que esse pormenor daria um aspeto inumano e enigmático à sua nova personagem.
      A sua história começou 400 anos atrás quando, após um ataque pirata, um naúfrago alcançou a costa de Bengalla, um país africano fictício. Filho de um marinheiro inglês que na sua juventude navegara com Cristóvão Colombo, Cristopher Standish jurou, sobre a caveira do assassino do seu pai, lutar pela justiça e combater a pirataria. O apelido Standish seria posteriormente alterado para Walker por Lee Falk, decorrendo do epíteto "The Ghost Who Walks" (Espírito-Que-Anda) numa alusão à sua suposta imortalidade. A verdade, porém, é que o atual Fantasma é o 21º de uma linhagem de justiceiros cuja missão foi sendo transmitida de pais para filhos ao longo de várias gerações.
      O Fantasma usa dois anéis: um com a forma de caveira e outro com a imagem de duas espadas cruzadas. O primeiro deixa uma marca indelével em quem é esmurrado pelo herói; o segundo assinala que determinada pessoa ou local estão sob sua proteção. Segundo a lenda, o primeiro usuário do anel da caveira foi o imperador romano Nero, sendo a joia feita a partir dos pregos que prenderam Jesus Cristo à cruz. A Marca da Caveira é um estigma para os que enfrentam a ira do Fantasma.
      Como base de operações, o Espírito-Que-Anda tem a selva de Bengalla (país entretanto rebatizado de Bengali) que Lee originalmente localizou na Ásia mas que na década de 1960 transferiu para o continente africano.
      O Fantasma tem dois ajudantes: um lobo da montanha chamado Diabo e Herói, um magnífico corcel branco. Em 1978, casou com a sua eterna namorada Diana Palmer (numa história que contou com a participação especial de Mandrake), daí resultando o nascimento dos gémeos Kit e Heloíse (cabendo ao primeiro dar continuidade ao legado do Espírito-Que-Anda).
     Em todos os países onde foi publicado, o uniforme do Fantasma sempre foi roxo, exceto no Brasil. Para conseguir obter essa cor, as gráficas brasileiras teriam de sobrepor várias vezes as cores o que acarrateria um aumento do custo de produção. Optaram assim pelo vermelho. Já equipadas com impressoras modernas, as gráficas tentaram, após muitos anos de publicação, obter o padrão da cor original do uniforme mas os leitores estranharam a mudança. O Fantasma continuou assim a ter uma versão exclusiva para o Brasil (e também para Portugal onde foi publicado por editoras como a RGE).

A exclusiva versão brasileira do Fantasma.

     Antes de saltar para as páginas dos comics, o Fantasma foi lido diariamente por milhares de pessoas sob a forma de tiras publicadas em vários jornais norte-americanos. A partir de meados da década de 1940, a série passou a ser publicada por várias editoras como a Harvey Comics, a King Comics, entre outras. Em 1987, foi a vez da Marvel Comics lançar uma minissérie escrita por Stan Lee e baseada na série de animação Defenders of the Earth.
     O Fantasma protagonizou ainda várias novelas escritas por diferentes autores,entre os quais o próprio Lee Falk. Logo em 1943 teve direito a uma série televisiva de 15 episódios com Tom Tyler no papel principal. A série fez furor e em 1955 tentou lançar-se uma segunda temporada com um novo ator (John Hart) a dar vida ao Fantasma. Devido a problemas relacionados com direitos autorais, a série seria apressadamente reescrita e rebatizada de "As aventuras do Capitão África"(!).
     Seria preciso esperar mais de 40 anos para voltar a ver o Fantasma no grande ecrã. Em 1996, com Billy Zane vestindo o lendário uniforme roxo, estreou a primeira longa-metragem do herói, a qual esteve longe de ser um sucesso de bilheteira, apesar de contar no elenco com nomes sonantes como Catherine Zeta-Jones e Timothy Dalton.
     Em março de 2009, o canal SyFy anunciou que encomendara uma minissérie em dois episódios baseada na história do 22º Fantasma (ainda inédita em Portugal).
Billy Zane em The Phantom (1996).
    
     

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

NÉMESIS: MÍSTICA




    Quem é realmente Mística, a enigmática mutante de pele azul e mil caras? Será ela uma vilã de sangue-frio ou uma vítima do preconceito? Tirem as vossas próprias conclusões lendo a sua biografia...

Nome original: Mystique
Criadores: Chris Claremont e Dave Cockrum
Licenciadora: Marvel Comics
Primeira aparição: Miss Marvel nº17 (junho de 1978)
Identidade civil: Raven Darkholme
Parentes conhecidos: Kurt Wagner (filho), Graydon Creed (filho) e Anna Marie Raven (filha adotiva)
Filiação: Irmandade dos Mutantes, X-Men, Força Federal, X-Factor, etc.
Base de operações: móvel
Poderes e habilidades: Sendo o transformismo a sua principal habilidade mutante, Mística é também imune a uma vasta gama de doenças e envelhece mais lentamente do que os humanos. Possui uma agilidade sobre-humana, fator de regeneração e elevada resistência a ataques psíquicos. É ainda uma exímia estratega e lutadora corpo-a-corpo.

    Desde muito nova, Raven Darkholme aprendeu a ter controlo sobre o seu dom mutante de transmutação, podendo manter sempre uma falsa aparência humana. De acordo com uma prequela escrita por Chuck Austen, ela teve um relacionamento secreto na Alemanha com o mutante Azazel (enquanto era casada com o barão Christian Wagner). Dessa relação nasceu  Kurt Wagner, um mutante  de pele azul e aparência demoníaca (parecido com Azazel), que mais tarde se tornaria Noturno, integrante dos X-Men. Perseguida pela ira dos habitantes locais, Raven foi obrigada a lançar a um rio o recém-nascido para salvar a sua própria vida.
    Incapaz de mostrar  o seu verdadeiro rosto com medo da discriminação, Mística  tornou-se uma mestra em manipular as pessoas e em mentir para garantir a sua sobrevivência entre os humanos. Usar os seus poderes em prol da humanidade mostrou-se sempre difícil e a cada insucesso ela ficava mais frustrada e raivosa. Em razão disso, passou a acreditar que a humanidade a odiava.
    Assim, Mística veio a atuar como mercenária, trabalhando para a organização terrorista H.I.D.R.A. Só ganhou contudo notoriedade enquanto líder da segunda formação da Irmandade dos Mutantes, grupo responsável pela tentativa de assassínio do senador Robert Kelly, um ativista antimutante. Os planos da Irmandade foram - como de resto em muitas outras ocasiões - gorados pelos X-Men.
   Mística viveu após isso um caso amoroso com a sua companheira de equipa Sina, e as duas adotaram uma jovem mutante chamada Anna Marie que mais tarde assumiria a identidade de Vampira e se juntaria aos X-Men.

Mística à frente da Irmandade dos Mutantes.

    Numa reviravolta surpreendente, Mística obteve um indulto ao vincular a Irmandade dos Mutantes ao Governo dos EUA com o nome de Força Federal. Nessa fase, executou várias missões ordenadas pelo Governo, como a prisão de Magneto (seu ex-mentor) e até mesmo dos Vingadores, que estavam a ser investigados por traição.
     Após a extinção da Força Federal, Mística saiu de circulação durante algum tempo. Viria depois a infiltrar-se na recém-formada Tropa X (liderada pelo antigo X-Man Banshee) com o propósito de desencadear uma guerra entre humanos e mutantes. Durante o ataque, matou Solar e feriu Banshee, acabando presa. Mas a sua carreira não terminou aí pois foi recrutada pelo Professor Xavier para levar a cabo arriscadas missões secretas. Acabou, todavia, por trair o mentor dos X-Men.
     No cinema, Mística marcou presença na trilogia X-Men iniciada em 2000, tendo sido representada pela atriz e ex-modelo Rebecca Romijn. Já este ano, na prequela "X-Men: First Class", coube a Jennifer Lawrence interpretar a personagem.
     Mística foi também presença assídua em várias séries de animação estreladas pelos X-Men como X-Men: Evolution e X-Men: Animated Series, entre outras. Surge também como vilã no videojogo X-Men Legends e como personagem não jogável em X-Men Legends II.

Jennifer Lawson (esq.) e Rebecca Romijn encarnaram Mística no cinema.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

DO FUNDO DO BAÚ

   
    
    Entre 1990 e 1996, foi publicada no Brasil com a chancela da Abril Jovem a série "Batman Anual". Ao contrário, porém, do que o respetivo título indica, a sua periodicidade nem sempre foi anual, daí resultando que durante os seus seis anos de existência hajam sido produzidos apenas cinco números. Acontece que entre o primeiro volume (novembro de 1990) e o segundo (janeiro de 1992), houve um interregno de mais de um ano, o mesmo sucedendo entre o lançamento do segundo e o do terceiro (novembro de 1994). Nem este nem o quarto e quinto volumes foram alguma vez publicados em Portugal.
     Tratavam-se de edições especiais inicialmente com 164 páginas (reduzidas para 100 nos três últimos números) que apresentavam histórias selecionadas e inéditas do Homem-Morcego.
     Em "Batman Anual nº3", os fãs do Cavaleiro da Trevas tiveram a oportunidade de ler duas boas histórias numa edição que tinha ainda a particularidade de possuir duas capas invertidas (o mesmo é dizer um lado A e um lado B).
     A primeira história, intitulada "Imagens", foi escrita por Denny O'Neil e ilustrada por Bret Blevins, correspondendo a Batman: Legends of the Dark Knight nº50 (1989). Nela, é revisitado o primeiro contacto do Homem-morcego com o seu eterno némesis, o Joker (ou Coringa na versão brasileira) quando este ainda era um ilustre desconhecido que se procurava afirmar no submundo do crime. Para esse efeito, o Palhaço do Crime arquiteta um ignóbil plano de extorsão e assassínio de vários membros proeminentes da sociedade de Gotham City. Face à incapacidade  de Batman - que não o reconhece no primeiro encontro de ambos, deixando-o por isso escapar-se - em detê-lo, o Joker consegue cometer vários homicídios graças a um mortífero veneno desenvolvido por Melvin Reipan, um seu pretenso primo que, apesar de genial em Química, tem a mente de uma criança.
     Fazendo uso dos seus talentos detetivescos, Batman consegue não só descobrir a antiga identidade do Joker como travar a sua ameaça antes que mais vidas sejam tiradas.


        "Votos", a segunda história do volume, narra os atribulados preparativos para o segundo casamento do Comissário Gordon sendo portanto a intriga centrada nele. Os créditos do argumento cabem novamente a Denny O'Neil e a arte é de Michael Netzer. Originalmente, a história foi publicada em Batman: Legends of the Dark Night Annual nº2 (1992)
        Quando se preparavam para comprar o vestido de noiva, Gordon e a sargento Sarah Essen ( a futura esposa) são surpreendidos em plena loja por dois bandidos. Um deles é um velho conhecido do Comissário. Trata-se de Flass, um polícia corrupto expulso da corporação graças a Gordon. Tem por isso contas a ajustar com ele e fá-lo de uma forma brutal: espancando-o e intimidando Sarah. As cenas de violência foram primorosamente ilustradas por Netzer, propiciando uma leitura dinâmica (quase como se assistíssemos a um filme).
         Não contente, Flass intima o comissário para ele eliminar as provas incriminatórias contra um juiz candidato a mayor de Gotham City. Caso contrário, o filho de Gordon, Jimmy (já antes sequestrado) será lançado ao rio conforme aconteceu na primeira ocasião.
        Gordon contudo recusa-se a ceder e envia para vários órgãos de comunicação social os documentos que incriminam o juiz. Posto isto, parte no encalço de Flass para tentar reaver o filho, apesar dos protestos da noiva. Desesperada, Sarah convoca Batman, embora reprove os seus métodos.
        O Cavaleiro das Trevas encontra e liberta o filho de Gordon que se encontra são e salvo. Entretanto, o comissário também encontrou Flass a bordo de um iate propriedade de Gleam (um maníaco viciado em oxigénio puro para quem Flass trabalhava). Com ele estava o juiz corrupto e não tarda a chegar também a sargento Essen. Vendo uma oportunidade única para eliminar provas contra si, Gleam manda explodir a embarcação, ficando o grupo encurralado no seu interior. Entre a vida e a morte, Gordon aproveita a presença do juiz para consumar o casamento com Sarah Essen. Posto isto, graças à astúcia de Gordon, todos conseguem fugir daquele que seria o seu caixão subaquático. Flass, que não sabia nadar, acaba ironicamente por ser salvo pelo comissário Gordon que prefere entregá-lo à Justiça a deixá-lo afogar-se nas águas geladas.
       Uma história repleta de ação e suspense capaz de agarrar o leitor pelo pescoço da primeira à última vinheta.
         

      
   

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ETERNOS: LEE FALK (1911-1999)



      Pai de dois heróis clássicos - Mandrake (1934) e Fantasma (1936) - Lee Falk viu as suas personagens saltarem das tiras dos jornais para as páginas dos comics onde se tornaram ícones, abrindo caminho ao dealbar de uma nova era nas histórias aos quadradinhos.
      Nascido Leon Harrison Gross, a 28 de abril de 1911 em Saint Louis (Missouri, EUA), Falk foi também dramaturgo e produtor teatral. Várias estrelas de cinema como Marlon Brando e Paul Newman participaram nas suas peças.
      Filho de pais judeus, Leon nunca conheceu o pai, Albert Gross, que morreu quando ele ainda era bebé. Entretanto, a mãe, Eleanore Aleina, casaria com Albert Epstein que se tornou a sua figura paternal.
      Passou a infância e a adolescência em Saint Louis e, terminados os estudos universitários, Leon adotou o pseudónimo Lee Falk. Desconhece-se o que o levou a escolher "Falk" mas "Lee" era a sua alcunha desde criança.
      Quando iniciou a sua carreira como escritor de banda desenhada, a sua biografia oficial apresentava-o como um experimentado viajante que explorara o mundo e que estudara com grandes místicos do Oriente. A verdade, porém, é que inventou esses dados de modo a tornar mais credíveis as histórias de Mandrake e do Fantasma, ambos aventureiros cosmopolitas. A viagem a Nova Iorque para dar a conhecer Mandrake à editora King Features Syndicate foi, com efeito, a maior que fizera na sua vida até então. Posteriormente, viajaria à volta do mundo, em parte para evitar o embaraço de ser desmascarado por aventureiros autênticos.

Lee Falk ladeado pelas suas duas criações mais famosas.

       Falk era desde criança fascinado por mágicos e ilusionistas. Segundo ele, foram da sua autoria os primeiros esboços de Mandrake. Quando interrogado sobre as semelhanças notórias entre a personagem e ele próprio, Falk respondeu divertido: "Claro que o Mandrake é parecido comigo. Eu estava sozinho num quarto com um espelho quando o desenhei." 
     Com o sucesso de Mandrake, Lee Falk e Phil Davis criam o Fantasma (The Phantom). Publicado pela primeira vez em fevereiro de 1936, o mascarado de fantasia púrpura rapidamente ascendeu ao panteão dos grandes heróis da BD com a história de Kit Walker, o 21º de uma linhagem de combatentes do crime que começara em 1536, com a chegada de um antepassado seu, vítima de um ataque de piratas, a Bengalla, um país africano fictício. O Homem Que Não Podia Morrer não tinha nenhum superpoder, confiando apenas na sua astúcia e na reputação de imortal conseguida com a passagem do título de Fantasma de pais para filhos ao longo de 400 anos.
       O Fantasma foi inspirado no fascínio de Falk por mitos e lendas, em especial as do Rei Artur e de El Cid. Também o folclore grego e nórdico, a par de personagens como Tarzan influenciaram a criação do Espírito-que-anda. 
      Inicialmente, Falk considerou a ideia de batizar a sua criação de "Gray Ghost" mas acabou por se decidir por "The Phantom".  Numa entrevista concedida anos mais tarde, Falk revelaria que foi o visual clássico de Robin Hood (que usava collants) que serviu de base ao uniforme do Fantasma que, por seu turno, influenciaria toda a indústria dos comics. O Fantasma foi, com efeito, o primeiro vigilante mascarado na história da 9ª arte.
     Falk pensou que as tiras onde eram publicadas as suas criações durariam apenas algumas semanas. Ao invés disso, testemunhou a crescente popularidade das personagens por si imaginadas e que eram lidas diariamente por milhares de pessoas. Por conseguinte, ao longo de seis décadas, Falk continuou a escrever centenas de estórias de Mandrake e do Fantasma. 
     Apesar de escrever duas tiras diárias, Falk ainda teve tempo para ser dramaturgo, romancista e radialista. Durante a II Guerra Mundial, trabalhou como chefe de propaganda na recém-lançada rádio KMOX de Saint Louis, em colaboração com o Gabinete de Informação de Guerra norte-americano.
     Lee Falk casou três vezes e teve três filhos com as suas duas primeiras esposas. O seu terceiro matrimónio ocorreu pouco antes de escrever a história que narrava o casamento do Fantasma com Diana Palmer, a sua eterna namorada. Coincidência ou talvez não, também Mandrake desposaria pouco tempo depois a princesa Narda com quem mantinha um romance de longa data.
     Falk passou os últimos anos de vida em Nova Iorque. Já hospitalizado, retirava a máscara de oxigénio para ditar as  histórias que continuavam a florescer na sua mente. Elizabeth Moxley, a sua terceira e última esposa, era uma renomada diretora de teatro e chegou a acabar de escrever alguns dos argumentos do Fantasma após a morte do marido a 13 de março de 1999, vítima de enfarte. Depois, Fred Fredericks, que já desenhava os dois heróis imaginados por Falk, assumiu também os argumentos, juntando-os em aventuras comuns a partir de 2002.

São notórias as parecenças de Mandrake com o seu criador.


    

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: ZATANNA



   Hocus pocus. Abracadabra. Palavras mágicas que habitualmente acompanham os truques de ilusionistas e prestidigitadores. Meros aprendizes de feiticeiros quando comparados com Zatanna, mestra das artes arcanas que tem uma forma muito peculiar de conjurar os seus encantamentos: dizendo as frases de trás para a frente. Não se deixem, porém, iludir pelo seu visual pitoresco (misto de Mandrake e coelhinha da Playboy) pois Zatanna é uma poderosa feiticeira, descendente de uma longa linhagem de magos e alquimistas. Sem truques na manga, fiquem agora a conhecê-la melhor...
 
 
Criadores: Gardner Fox e Murphy Anderson
Primeira aparição: Hawkman nº4 (novembro de 1964)
Licenciador: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Zatanna Zatara
Parentes conhecidos: Giovanni "John" Zatara e Sindella Zatara (pais falecidos), Zachary Zatara (primo), Nostradamus, Cagliostro e Leonardo Da Vinci (antepassados paternos).
Filiação: Liga da Justiça da América, Sete Soldados e Sentinelas da Magia
Base de operações: Shadowcrest
Poderes e habilidades:Desconhece-se ainda a verdadeira extensão dos poderes de Zatanna. Ela já mostrou ser capaz de comandar os elementos, curar, transformar e transportar objetos, manipular mentes, etc. Além desses poderes, Zatanna consegue ler cartas de Tarô, ver o futuro numa bola de cristal e até emitir profecias. É ainda imune a ataques psíquicos. O uso excessivo dos seus poderes pode exauri-la, forçando-a a hibernar até o seu organismo se recuperar totalmente.

     Zatanna é filha do famoso mágico Giovanni "John" Zatara e de Sindella, da raça mística Homo Magi. Na sua árvore genealógica, pontuam alquimistas, profetas e magos como Leonardo Da Vinci (de quem herdou o gosto pela escrita invertida), Nostradamus e Cagliostro.
     Algum tempo após o nascimento de Zatanna, Sindella simulou a sua própria morte num acidente de carro e voltou para o seu povo, na Turquia, evitando assim, que a filha fosse capturada por membros da Homo Magi.
     Antes de descobrir os seus poderes mágicos, Zatanna era uma bem-sucedida ilusionista. Isto aconteceu quando ela investigava o misterioso desaparecimento do seu pai. Com a ajuda de Batman e de outros heróis, conseguiu encontrar o progenitor que lhe ensinou tudo  o que sabia sobre ilusionismo e feitiçaria. Zatanna revelou ter mais potencial do que os seus pais juntos.
     Nesse período, a jovem Zatanna teve uma relação romântica com John Constantine quando ambos se encontraram num grupo de estudos tântricos em São Francisco. Como Zatanna ainda era uma adolescente, Zatara desaprovou esta união por achar que a sua filha merecia um homem melhor, mais inteligente e mais honrado que Constantine. O casal separou-se logo após um incidente em Newcastle onde Constantine, com a ajuda de três anjos, destruiu o demónio Nergal e foi em seguida internado num hospício.
     Ainda durante a adolencência de Zatanna, Giovanni Zatara foi atacado e amaldiçoado pela metade maligna de um ser chamado Allura. A maldição dizia que Zatanna e Zatara morreriam se os dois se tornassem a olhar fixamente . Incapaz de quebrar a maldição, Zatara decidiu então deixar Terra e viajar por entre vários reinos místicos na tentativa de encontrar um meio de reverter a mesma.
     Zatanna cresceu e iniciou uma carreira como ilusionista, seguindo os passos do seu pai. Rapidamente ela se tornou uma super-heroína (como o pai). Nesse período, Zatanna aprimorou com mestria os seus poderes e passou a figurar entre os principais ocultistas da Terra. Quando achou que já estava pronta, iniciou uma busca para resgatar o seu pai. Para isso, reuniu alguns heróis da Liga da Justiça da América (LJA) e juntos foram para a dimensão mística de Kharma, onde Zatara estava. Lá, encontraram a contraparte heroica de Allura que forçou a sua parte maligna a remover a maldição.
    De volta ao nosso mundo, Zatara decidiu aposentar-se, deixando o legado da família para a sua filha, que passou a dividir a agenda das suas apresentações com o combate ao crime, lutando ao lado da LJA por várias vezes até se tornar membro efetivo da equipa.
Zatanna (junto ao Flash e com o antigo visual) com a Liga da Justiça.
     
     Durante o seu período na LJA, Zatanna descobriu que a sua mãe estava viva e, juntamente com seu pai, foi procurá-la na Turquia. Mas esta história não teve um final feliz pois Sindella  sacrificou-se destruindo o seu povo para salvar Zatanna.
    Na série televisiva "Smallville", Zatanna é interpretada por Serinda Swan e prega algumas partidas ao jovem Clark Kent não deixando contudo de ser uma prestimosa aliada no combate ao Mal.
Serinda Swan é Zatanna em "Smallville".

terça-feira, 15 de novembro de 2011

DO FUNDO DO BAÚ


     
     Se a memória não me atraiçoa, O Incrível Hulk nº8 (fevereiro de 1984) foi a primeira revista que li do Golias Esmeralda. Já conhecia, contudo, a personagem através das suas participações noutros títulos do universo Marvel.
      Confesso que, antes de ler a primeira das três histórias que integram o volume em questão, não nutria especial simpatia pelo gigante verde. Considerava-o um brutamontes irracional que destruía tudo à sua passagem e repetia até à náusea "Hulk esmaga!". Foi, porém, a presença do Capitão Marvel na capa que despertou a minha curiosidade, visto tratar-se, à época, de um dos meus heróis favoritos  (e sobre o qual falarei aqui brevemente).
      Com o sugestivo título "Devastação!", a história, da autoria de Bill Mantlo e ilustrada por Sal Buscema, mostrava o regresso do Hulk à Base Gama - localizada algures no deserto do Novo México - a fim de resgatar Jarella, a sua amada alienígena. Ambos haviam, em tempos, vivido um romance fugaz no universo subatómico de onde Jarella provinha. Nesse mundo microscópico, Hulk era aceite porque todos os seus habitantes eram verdes como ele. Pela primeira vez na sua amargurada existência, o Golias Esmeralda foi feliz. Contudo, Hulk teve de retornar à Terra e Jarella seguiu-o, apenas para morrer esmagada por uma parede ao salvar uma criança. Esse ato heroico fez Hulk amá-la ainda mais e aumentou a dor causada pela sua perda. Hulk jurou então que devolveria Jarella ao seu mundo natal e para isso viajou até à Base Gama para recuperar o corpo da sua amada.
      À sua espera, porém, estavam os militares, comandados pelo major Talbot que tinha velhas contas a ajustar com o Hulk, a quem culpava, entre outros infortúnios, pelo seu divórcio de Betty Ross. Escusado será dizer que o ataque dos militares apenas serviu para enfurecer o Hulk. Cabe então ao Capitão Marvel impedir que o monstro mate Talbot e ajudar o Golias Esmeralda a viajar até ao mundo subatómico de Jarella, comovido pelo sofrimento da criatura. Não sem antes levar uns safanões, claro...
      Passei a ver o Hulk com outros olhos depois de ler esta história: em vez de um monstro violento, o gigante verde revelou-se uma criatura incompreendida e solitária que apenas queria ser deixada em paz. É comovente a cena em que Hulk encontra o corpo sem vida da sua amada e, abraçado a ele, verte uma lágrima. Até o coração de um monstro pode ser quebrado.
      A segunda história apresentada em  O Incrível Hulk nº8  tem como protagonista  Rom, o Cavaleiro do Espaço que prossegue o seu incansável combate contra os maléficos Espectros (vide Heróis em Ação: Rom). Para fechar com chave de ouro esta edição repleta de emoção, uma aventura do Quarteto Fantástico que, com a preciosa ajuda do Capitão Marvel (que, mesmo não sendo ubíquo,  duplica assim a sua participação), enfrentam os Skrulls, os alienígenas transmorfos que adoram fazer-se passar por humanos para atingirem os seus nefastos objetivos.
     Recordo que o título "O Incrível Hulk" foi lançado no Brasil pela editora Abril em julho de 1983, tendo sido publicados 165 números, até ao seu cancelamento em 1997. Foi justamente depois dessa data que decidi adicionar essa coleção ao meu acervo, o que se revelou um desafio difícil porém frutoso: orgulho-me de hoje em dia possuir a coleção completa de "O Incrível Hulk" (incluindo os 5 primeiros números que, tanto quanto sei, são inéditos em Portugal).
     
     
   

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

NÉMESIS: DOUTOR DESTINO

  
     Victor von Doom, monarca da Latvéria, é também o Doutor Destino (Doctor Doom), inimigo visceral, entre outros, do Quarteto Fantástico. Uma das mentes mais brilhantes e maquiavélicas do universo Marvel, o seu intelecto superior só é suplantado pelo do seu ex-amigo Reed Richards, o Senhor Fantástico.
     Mas como um órfão cigano se tornou rei e um dos vilões mais temíveis do mundo dos quadradinhos? Lê abaixo para conheceres a resposta a essa e a muitas outras perguntas...

Criadores: Stan Lee e Jack Kirby
Primeira aparição: Fantastic Four nº5 (julho de 1962)
Licencidadora: Marvel Comics
Identidade civil: Victor von Doom
Origem: Latvéria
Família conhecida: Werner e Cynthia von Doom (pais falecidos)
Base de operações: Latvéria
Poderes e armas: Embora possua um Q.I. muito acima da média, o Doutor Destino é apenas humano. Por isso desenvolveu uma poderosa armadura (em tudo semelhante à do Homem de Ferro) que lhe concede força sobre-humana além de outros atributos como poder de voo ou de disparar rajadas energéticas. Após o contacto com um alienígena, desenvolveu também a capacidade de trocar mentalmente de corpo com outra pessoa através de um mero contacto visual. Possui ainda habilidades místicas ensinadas por monges tibetanos e pela sua amada Morgan Le Fey e que só em resultado da sua arrogância não são mais poderosas.

     Victor von Doom nasceu na Latvéria, filho de Werner von Doom, um conhecido curandeiro cigano e Cynthia von Doom, que diziam ser uma bruxa. A sua mãe foi morta quando ele ainda era uma criança por  tentar adquirir poder para proteger o seu clã da perseguição que sofria por parte do governo latveriano. Cynthia tentou obter esse poder através de um pacto com o demónio Mefisto, e acabou sendo traída e morta. Mais tarde, as autoridades latverianas caçaram o pai de Victor por ter falhado em salvar a esposa de um barão, que sofria de um cancro terminal. Werner von Doom foi morto enquanto fugia e o jovem Victor ficou aos cuidados de Bóris, um dos membros da comunidade cigana a que pertencia. Victor jurou vingança pela morte dos pais.
    Ainda em criança, ele descobriu os artefactos místicos da mãe e começou a estudar as artes ocultas e também a desenvolver o seu talento inato para a ciência. Conseguiu uma reputação impressionante que chegou ao conhecimento da Universidade Empire State nos Estados Unidos, da qual recebeu uma bolsa de estudos integral. Na universidade, von Doom encontrou-se pela primeira vez com Reed Richards e Ben Grimm (o Sr. Fantástico e o Coisa, respetivamente), dois homens que se tornariam seus inimigos alguns anos depois. Richards representava uma ameaça substancial à superioridade intelectual que Victor imaginava ter. Na tentativa de se destacar, Doom começou a conduzir experiências extra-dimensionais muito perigosas.
   O foco da pesquisa de Doom era a construção de um dispositivo transdimensional de projeção com que poderia comunicar com sua falecida mãe. Havia uma falha no projeto que Richards lhe indicou, mas o orgulho de Doom impediu-o de aceitar o conselho do amigo e consertar o dispositivo antes de o testar. A máquina trabalhou perfeitamente por breves instantes, durante os quais Doom descobriu que sua mãe estava presa na região do Inferno controlada por Mefisto. Em seguida o dispositivo explodiu, marcando a sua face com uma longa cicatriz que a sua vaidade encarava como uma desfiguração horrenda. Recusando-se a reconhecer a  sua própria culpa no ocorrido, Doom responsabilizou Richards pelo acidente, achando mais fácil acreditar que este sabotara o seu trabalho por inveja.
      Mais tarde Doom foi expulso da escola e viajou pelo mundo à procura de uma cura para seu rosto marcado. Nas primeiras versões da personagem,  a cicatriz não era particularmente feia, mas Doom era exageradamente sensível sobre ela por ser um símbolo do seu fracasso. Doom acabou descobrindo um templo de monges tibetanos e viveu entre eles durante alguns anos. Eles ajudaram-no a construir uma armadura que escondesse a sua "deformidade" e foi nesse momento que se queimou seriamente quando pediu que a máscara fosse colocada no seu rosto quando ainda estava em brasa. Essa armadura  transformar-se-ia na sua imagem de marca e, graças aos requintes tecnológicos posteriormente instalados, o Doutor Destino pode enfrentar de igual para igual a maioria dos super-heróis da Marvel. Depois disto, retornou à sua terra natal, derrubou o seu governo e declarou-se soberano absoluto da Latvéria. Governando com mão de ferro, Destino começou a direcionar os recursos da pequena nação para realizar os seus objetivos pessoais. Apesar do seu povo o considerar um governante justo, ele na verdade revela em dadas histórias que não veria problema algum em trocar a vida de todos os latverianos por mais poder. E também não demonstra qualquer misericórdia para com seus próprios soldados, a quem pune com a morte por qualquer falha.
Na BD ou fora dela, Destino e o Quarteto já
se enfrentaram vezes sem conta.

   Apesar dos seus avançados conhecimentos científicos e de usar o título de Doutor, Doom não possui qualquer título académico já que foi expulso da universidade antes de completar o seu curso. Sugeriu-se numa história que Destino tenha concedido a si mesmo um doutoramento honoris causa através de uma universidade da Latvéria.
    Uma das maiores características de Destino é, com efeito, o seu orgulho desmesurado. É narcisista, traiçoeiro e impiedoso até mesmo com os seus servos, e é cruel a ponto de matar qualquer pessoa que não o reconheça como um ser supremo. Não mede esforços para conseguir poderes cada vez maiores, pois a sua meta é o controlo do Universo. Tem total lealdade do seu povo que o considera um líder magnânimo.
    Fora da banda desenhada, o Doutor Destino já marcou presença em inúmeras séries de animação com a chancela da Marvel como The Marvel Super-heroes (1966), The New Fantastic Four (1978) ou, mais recentemente, num episódio especial de The Avengers: Earth's Mightiest Heroes (2011). Foi também o antagonista escolhido para os dois filmes do Quarteto Fantástico já produzidos. Neles, era encarnado pelo ator Julian McMahon cujo desempenho esteve longe de fazer jus ao carisma do vilão. Destino também figura em diversos vídeojogos baseados na mitologia Marvel.
A versão cinematográfica do Dr. Destino em Fantastic Four (2005).

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

DO FUNDO DO BAÚ

A capa de Superpowers nº11 (novembro de 1988).
   
     Na sequência da reformulação pós-Crise nas Infinitas Terras do universo DC, o Super-homem nunca foi Superboy. Nesta nova origem do Homem de Aço, os seus poderes desenvolveram-se de forma intermitente na puberdade e apenas atingiram a plenitude na idade adulta. Por conseguinte, Superboy (criado em 1944 sem a aprovação de Jerry Siegel, cocriador de Superman) foi eliminado da cronologia da DC.
     Todavia, no número 11 de "Superpowers" (título trimestral lançado pela Abril Jovem em 1986 e em tudo similar a "Grande Heróis Marvel"), o Rapaz de Aço ressurgia numa história complexa que visava explicar a sua influência na fundação da Legião dos Super-heróis, uma equipa de superseres do século XXX.
     Viajando no tempo até ao século XX, quatro legionários (Brainiac 5, Bloko, Rapaz Invisível e Solar) procuram deslindar o mistério por detrás dessa anomalia temporal. É assim que encontram o Super-homem que, tomando-os por inimigos, os ataca. Estupefactos por não serem reconhecidos pelo Último Filho de Krypton, os heróis do futuro narram-lhe os eventos que estiveram na origem da Legião dos Super-heróis, inspirada nos feitos do Superboy. O mesmo Superboy que faz então a sua triunfal entrada em cena. Tomando o Super-homem por impostor, o Rapaz de Aço trava um violento duelo com a sua versão adulta, no qual conta com a ajuda de Krypto, o seu fiel supercão. Não que esta fosse necessária visto que o novo Super-homem é consideravelmente menos poderoso do que o Superboy clássico. Acontece que este não é o Superboy clássico mas sim uma versão alternativa do chamado Universo Compacto criado pelo insidioso Senhor do Tempo. Nesse universo paralelo, apenas Krypton e a Terra existiam. Furioso com as constantes viagens no tempo levadas a cabo pelos legionários, o vilão visava erradicar o próprio tempo. Para isso, manipulou Superboy.

O Superboy clássico e Krypto.

        Superboy logra, porém, libertar-se do domínio do vilão e salvar o seu mundo de uma tempestade cósmica. De seguida faz uma alucinante viagem através do fluxo temporal a fim de salvar os legionários e a nossa realidade. Para isso tem de fazer o sacrifício supremo e morrer como o maior herói de todos os tempos.
        Um épico dos quadradinhos produzido, entre outros, pelo mestre John Byrne e publicado originalmente nos EUA em 1987 em Superman nº8, Action Comics nº591 e Legion of Super-heroes nº38.
        A capa de Superpowers nº11- que corresponde à capa de Superman nº8 - é idêntica à de Fantastic Four nº249, também da autoria de John Byrne. Falta de imaginação ou homenagem? Só Byrne saberia responder...

A capa de Fantastic Four nº249. Descubra as diferenças.

   

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: HULK




    Qual é a coisa qual é ela que é grande, verde e tem muito mau feitio? Não, não é o Sapo Cocas de ressaca. A resposta correta é: o incrível Hulk. E refiro-me ao original e verdadeiro, não à imitação barata (e platinada) que joga num certo clube nortenho.
     Incompreendido e solitário, o Golias Esmeralda nem sempre foi, porém, verde e já integrou várias equipas de superseres. Lê o artigo abaixo e descobre tudo o que sempre quiseste saber sobre um dos maiores ícones da mitologia Marvel.

Criadores: Stan Lee e Jack Kirby
Primeira aparição: The Incredible Hulk nº1 (maio de 1962)
Licenciador: Marvel Comics
Identidade civil: Robert Bruce Banner
Família conhecida: Brian e Rebecca Banner (pais falecidos), Elizabeth "Betty" Ross Banner (esposa falecida), Jennifer Walters (prima que, para quem não sabe, é a Mulher-Hulk sobre quem falarei em momento oportuno)
Filiação: Os Vingadores (membro fundador), Defensores, Panteão, Os Cavaleiros do Apocalipse, O Novo Quarteto Fantástico, etc.
Base de operações: móvel
Poderes e habilidades: Hulk possui força física potencialmente ilimitada e amplificada pela fúria. Além de virtualmente indestrutível, dispõe também de velocidade e resistência mental muito acima dos níveis médios humanos. A sua regeneração celular espontânea é considerada o melhor fator de cura do universo Marvel. É ainda muito resistente à magia e possui a capacidade de comunicar com formas astrais.

    Dando continuidade à revolução nos quadradinhos inciada com o lançamento do Quarteto Fantástico, a dupla maravilha Stan Lee/Jack Kirby apresentou ao mundo, em 1962, uma criatura com tanto de extraordinária como de selvática, de sua graça Hulk cujo alter-ego era um brilhante físico nuclear chamado Robert Bruce Banner. Qualquer semelhança com a história  de "O Médico e o Monstro" de Robert Louis Stevenson não é mera coincidência. Não foi porém apenas nesse clássico da literatura que os criadores de Hulk se inspiraram. Também o filme "Frankenstein", de James Whale, influenciou a origem e o aspeto da personagem, bem como o Golem da mitologia judaica.
      Depois de desenvolver uma poderosa bomba  para o exército norte-americano, o Dr. Bruce Banner foi exposto a uma elevada dose de radiação gama no dia do teste da mesma. E tudo porque um adolescente imprudente, chamado Rick Jones, invadira o campo de testes momentos antes de a bomba deflagrar no subsolo. Para o salvar, Banner atirou-o para uma vala mas foi apanhado pelas ondas de radiação decorrentes da explosão. Banner não só sobreviveu milagrosamente como também ganhou um amigo para a vida. 
      Nessa noite, porém, uma assombrosa transformação ocorreu: o franzino Banner deu lugar a uma criatura grotesca de força sobre-humana mas com o intelecto de uma criança. Com efeito, nas suas primeiras histórias, o Hulk só aparecia à noite. Mas logo a transformação passou a ocorrer sempre que Banner se irritava, libertando assim o seu lado mais selvagem.
     Com a ajuda de Rick Jones, Banner manteve a sua identidade em segredo e conseguiu escapar à perseguição dos militares que desejavam usar Hulk como arma. Esta relação hostil com os militares prolongar-se-ia durante grande parte da vida do cientista e do seu monstruoso alter-ego.
      Outra curiosidade tem a ver com a cor original do Hulk que era cinzenta e não verde. Devido a problemas de impressão (a gráfica não conseguia acertar com a tonalidade), o Hulk surgia esverdeado nas páginas dos comics e foi assim que se tornou o Golias Esmeralda. No início da década de 1990,  essa versão cinzenta ressurgiria. Mais fraco porém mais inteligente, esse Hulk cinzento recebeu o nome de Senhor Tira-Teimas(!) no Brasil quando ainda era publicado pela Abril Jovem.

Inicialmente, Hulk era cinzento.

       Selvagem e irracional, o Hulk é acima de tudo uma força da Natureza pelo que não é talhado para trabalhar em equipa. Não obstante, foi membro fundador dos Vingadores e integrou vários outros grupos de super-heróis como os Defensores ou o novo Quarteto Fantástico, ainda que fugazmente.
       A luta constante de Bruce Banner para controlar o Hulk deu os seus frutos quando o cientista conseguiu conservar o seu intelecto aquando da transformação. Após um breve período de consagração heroica, deu-se a separação de ambos e o Hulk tornou-se um monstro furioso que quase destruiu Nova York, a despeito dos esforços de vários heróis para detê-lo. Em desespero, o Doutor Estranho enviou o gigante para outra dimensão.
       Dos muitos momentos pertubadores da sua vida, a morte de Betty Ross foi talvez o mais traumático uma vez que tanto Banner como Hulk a amavam. Outro capítulo sombrio ocorreu quando o Hulk foi levado até um possível futuro totalitário onde o Golias Esmeralda era um brutal tirano chamado Maestro. Forçado a enfrentar esta versão maligna de si mesmo, Hulk acaba por matar o déspota, não sem antes ouvir a profecia de que seu destino é  tornar-se o Maestro.
       Hulk também fez muito sucesso em filmes feitos para a TV. Entre 1977-82 foi exibida a famosa série televisiva com Bill Bixby (Dr. Banner) e Lou Ferrigno (Hulk). Já antes, em 1966, o êxito de uma série animada de 13 episódios permitira o relançamento da personagem depois de a sua revista ter sido cancelada ao cabo de seis números. De ressaltar que esse facto não derivou de más vendas mas sim do desejo da Marvel de lançar um novo título do Homem-aranha, tendo para isso de cancelar outro. Isto porque, na altura, quem distribuía os títulos da editora era a arquirrival DC que impunha uma quota máxima para os mesmos.
        Já neste século,  foram produzidos dois filmes do gigante verde. Em ambos, utilizou-se um Hulk virtual, gerado por computador, mas a parte do Dr. Banner foi interpretada por atores de carne e osso: Eric Bana no primeiro filme (2003) e Edward Norton no segundo (2008). Este último já tinha expressado interesse em participar no filme de 2003, mas foi preterido. Ferrigno, por sua vez, fez uma pequena aparição no primeiro filme e emprestou a voz à criatura no segundo.
       Em 2012, Hulk (com Mark Ruffalo a representar agora Bruce Banner), alinhará ao lado do Capitão América, Thor e Homem de Ferro na longa-metragem "The Avengers".
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À falta de efeitos especiais, Lou Ferrigno era pintado de verde para
interpretar Hulk na famosa série dos anos 70/80.
Nos dois filmes do gigante verde, Hulk foi gerado por computador.