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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

BD CINE APRESENTA: BLADE




 
     Ação ininterrupta. Efeitos especiais espetaculares. Doses industriais de hemoglobina. Eis os principais ingredientes que fizeram de Blade um filme de sucesso. E não só entre os fãs de super-heróis.
 
Título original: Blade
Ano: 1998
País: EUA
Duração: 120 minutos
Realização: Stephen Norrington
Argumento: David S. Goyer
Elenco: Wesley Snipes (Blade), Stephen Dorff (Deacon Frost), Kris Kristofferson (Abraham Whistler), N'Bushe Wright (Doutora Karen Jenson)
Orçamento: 45 milhões de dólares
Receitas: 131,2 milhões de dólares
 
Wesley Snipes encarna o implacável caçador de vampiros.
 
 
Sinopse: Uma mulher grávida recebe assistência num hospital depois de ter sido mordida por um vampiro, embora os médicos assumam que se tratou de um ataque cometido por um animal.  A mulher acaba por dar à luz um menino, morrendo logo depois do parto.
                O rapaz herda assim a força sobre-humana, os sentidos aguçados, o fator de cura acelerada e a sede de sangue dos vampiros. Porém, não as suas principais fraquezas: ao contrário dos seus semelhantes, Blade é imune ao sol e ao alho.
                Já adulto, Blade torna-se um implacável caçador de vampiros, conhecido entre a comunidade vampírica como O Diurno.
                Certa noite, Blade localiza um clube noturno gerido por vampiros e extermina a quase totalidade dos frequentadores. Entres eles encontrava-se Quinn, empalado pelo Diurno. O seu cadáver é então levado para a morgue, onde é autopsiado pela Dra. Karen Jenson, uma reputada hermatologista. Inesperadamente, Quinn volta à vida e morde a Dra. Jenson.  Blade aparece a tempo de salvá-la da morte certa mas, devido à intervenção da polícia, não consegue evitar que Quinn escape.
              Com o propósito de impedir a transformação da Dra. Jenson numa vampira, Blade leva-a para o seu esconderijo secreto, onde já se encontrava o seu mentor e armeiro, Abraham Whistler.
              Entretanto, tem lugar uma reunião do Conselho das Sombras, na qual Dragonetti, o decano dessa organização secreta de vampiros, disserta sobre a intensificação dos ataques de Blade e repreende Deacon Frost pela sua incúria na gestão do seu clube noturno. A hierarquia vampírica defende uma coabitação pacífica com os humanos, em vez de um conflito em larga escala entre ambas as espécies. Por seu lado, a fação renegada chefiada por Frost defende que os vampiros devem governar o mundo e tratar os humanos como gado. Tendo esse objetivo em vista, Frost estuda com afinco a mitologia vampírica, na esperança de poder transformar-se na divindade conhecida como La Magra.
              Enquanto a Dra. Jenson se oferece para tentar encontrar uma cura para a necessidade de sangue que afeta Blade, Frost mata Dragonetti e aprisiona a cúpula do Conselho das Sombras.
             Quando Blade deixa o seu esconderijo para tentar encontrar os materiais necessários à produção do soro experimental da Dra. Jenson, Frost e os seus comparsas atacam o local.  Jenson é raptada e Whistler espancado e mordido. Quando Blade regressa ao local, dá uma arma ao amigo para que este ponha termo à própria vida antes que se transforme num monstro sedento de sangue.
 
Blade versus Frost.
 
             Após um combate renhido com Frost, Blade é capturado e levado para o Templo da Noite Eterna. O vilão planeia usar o sangue do Diurno, bem como o sacrifício dos doze membros do Conselho das Sombras, para ressuscitar La Magra, tornando-se a nova encarnação da divindade.
             Frost atira a Dra. Jenson para dentro de um poço mas esta consegue escapar. Inicia-se então o ritual, durante o qual Blade tem o seu sangue drenado e os ex-membros do Conselho das Sombras têm os seus espíritos arrancados dos seus corpos para se fundirem com Frost. Quando este está prestes a encarnar La Magra, Blade é libertado pela Dra. Jenson. O herói está, porém, muito enfraquecido, pelo que Jenson lhe oferece o seu próprio sangue.  No rescaldo do confronto que se segue, Frost morre às mãos do Diurno. Jenson oferece-se para continuar a trabalhar numa cura para a condição de Blade. Mas este recusa pois isso privá-lo-ia das vantagens que a mesma lhe confere na sua guerra sem quartel contra as cruéis criaturas da noite. 
            
 
 
Curiosidades:
 
* Denzel Washington e Laurence Fishburne também foram cogitados para o papel principal;
* A escolha recaiu sobre Wesley Snipes porque, na altura, ele estava em negociações com a Marvel para participar num filme do Pantera Negra;
* A identidade civil de Blade é Eric Brooke, sendo o nome apenas mencionado uma vez no filme;
* O carro usado por Blade é um Dodge Charger de 1968 com várias modificações;
* Marv Wolfman, cocriador com Gene Colan de Blade, processou a Marvel após a estreia da película, exigindo 50 milhões de dólares. Tudo o que obteve foi a inclusão do seu nome nos créditos do filme;
* O habitual cameo de Stan Lee  foi cortado na versão final do filme;
* Racquel, a sedutora vampira que conduz um homem para uma das raves vampíricas, é interpretada pela ex-estrela porno Traci Lords.
 
Minha avaliação: 60%
     Blade foi a primeira adaptação ao cinema bem-sucedida por parte da Marvel, especialmente depois dos desastres que os inenarráveis Batman & Robin e Steel representaram para a rival DC. O seu êxito convenceu a editora a apostar na produção de outros filmes baseados em personagens suas, como o Homem-Aranha ou os X-Men.
     Visualmente, Blade é magnífico. Um deleite para os apreciadores de filmes de ação, com as suas mirabolantes batalhas aéreas, duelos de espadas, efeitos pirotécnicos, etc. Por outro lado, os cenários neogóticos também fizeram decerto as delícias dos fãs de vampiros e de filmes de terror.
      No entanto, a narrativa de Blade é falha. Desde logo pela unidimensionalidade do herói, que nos é apresentado tão-só como um autómato assassino, deixando por explorar os dilemas que a sua condição de híbrido certamente lhe suscitariam. Enquanto metáfora para alguns dos flagelos contemporâneos (Sida, racismo, homofobia, etc.), o vampirismo é de igual modo subaproveitado.
      Blade, em suma, passa ao lado de alguns temas mais profundos, resumindo-se a um bom filme de ação. Talvez fosse, porém, exatamente isso que se pretendia...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

FÁBRICA DE MITOS: MALIBU COMICS





 
          Antes de ser absorvida em 1994 pela Marvel, a Malibu Comics deu cartas no mercado editorial norte-americano de quadradinhos. Nomes sonantes como Jim Starlin e Steve Englehart deram o seu contributo para o êxito do projeto.
         Também conhecida como Malibu Graphics, a Malibu Comics foi fundada em 1986 por Tom Mason e Dave Olbrich (aos  quais se juntou Chris Ulm no ano seguinte) em Calabasas, Califórnia. Ganhou notoriedade com a sua linha de super-heróis batizada de Ultraverse, na qual pontuavam personagens como Prime ou Ultraforce. No entanto, o projeto apenas singrou graças ao financiamento de Scott Mitchell Rosenberg que, na altura, dirigia uma distribuidora de banda desenhada, a Sunrise Distributors. Por sua vez, Olbrich já colaborara com uma editora independente de comics (a Fantagraphics) e fora administrador dos Prémios Jack Kirby (uma espécie de Óscares das histórias aos quadradinhos).

Da esquerda para a direita: Tom Mason, Chris Ulm, David Olbrich e Scott Rosenberg.
 
           A nova editora teve um começo de carreira modesto, limitando-se a publicar títulos a preto e branco. Combinando, porém, o lançamento de séries inéditas com a aquisição do licenciamento de personagens clássicas como Tarzan ou Sherlock Holmes e com as adaptações aos quadradinhos de filmes, séries televisivas e videojogos de sucesso, a Malibu Comics conquistou o seu lugar ao sol na competitiva indústria dos comics, dominada pelas gigantes Marvel e DC.
          Apenas um ano depois da sua fundação, a Malibu Comics adquiriu as editoras Eternity Comics e Aircel Comics (sendo esta canadiana). No âmbito dessa estratégia de crescimento, em 1989 foi a vez de a Adventure Publications ser também absorvida.
         O auge foi atingido em 1992. Nesse ano, os super-heróis da extinta Centaur Publications (uma editora da Idade do Ouro dos Quadradinhos, cujas propriedades autorais se tornaram do domínio público) ressurgiram fugazmente em títulos próprios publicados pela Malibu.  Ainda nesse ano, a Malibu associou-se ao revolucionário projeto da Image Comics (ver Fábrica de Mitos: Image Comics), assegurando-lhe a impressão do material produzido, assim como o acesso aos canais de distribuição. Essa decisão permitiu à Malibu conquistar uma quota de mercado de quase 10%, suplantando, ainda que apenas temporariamente, a toda-poderosa DC. Foi, contudo, sol de pouca dura. No ano seguinte, já com a sua situação financeira consolidada, a Image Comics passou a publicar os seus próprios títulos e pôs um ponto final à sua parceria com a Malibu. Na sequência desse revés, a empresa procurou capitalizar a crescente popularidade dos videojogos e fundiu-se com a ACME Interactive. Nascia assim a Malibu Entertainment, Inc.

Capa de Mortal Kombat nº1.
 
          Durante o boom de super-heróis verificado nos primeiros anos da década de 1990 com o surgimento da Image Comics, da Valiant, mas também com a reinvenção do conceito por parte da DC e da Dark Horse Comics, a Malibu regressou à ribalta com o lançamento do seu Ultraverse. Em parte, essa nova linha de super-heróis destinava-se a preencher o vazio deixado pela emancipação da Image. Todavia, o sucesso do projeto deveu-se, essencialmente, à aposta em novos talentos e ao incremento de qualidade do material produzido face aos quadradinhos tradicionais. À semelhança da Image (e para gáudio dos leitores), a Malibu investiu em papel de melhor qualidade e aderiu ao tratamento digital de cores.
          De modo a enfatizar a interligação entre as diferentes séries que compunham o Ultraverse, a Malibu massificou os crossovers entre as suas várias personagens. Era comum um arco de histórias iniciado num determinado título ter o seu desfecho noutro. Também foram promovidos vários encontros entre personagens do Ultraverse e de outras editoras, nomeadamente da Marvel. Dentre eles, destacam-se: Os Vingadores/Ultraforce, Prime versus Hulk, Night Man versus Wolverine, etc.
           Para rentabilizar ao máximo o êxito da sua linha super-heroica, a Malibu promoveu também intensamente as edições especiais e as edições limitadas. Foi, pois,  sem surpresa que o Ultraverse rapidamente passou a dominar o catálogo da editora.


 
            Um dos seus títulos mais populares era  The Night Man (criado por Steve Englehart) que, entre 1997 e 1999, teve direito a uma série televisiva homónima (também exibida em Portugal na TVI).
 
            Em paralelo, a Malibu lançou a linha Bravura. Destinada a promover o trabalho de criadores independentes, nela colaboraram pesos-pesados da indústria como Jim Starlin, Marv Wolfman ou Howard Chaykin. Já Rock-It Comix apresentava histórias aos quadradinhos baseadas em bandas rock.
Breed foi um projeto de Jim Starlin, publicado na linha Bravura.

           Com o generalizado declínio das vendas que, em meados dos anos 1990, afetava grande parte das editoras, a Malibu cancelou as séries menos rentáveis. Foi nesse contexto que, em 1994, a Marvel Comics avançou com a compra da concorrente. Daí resultando a saída de Tom Mason e de Chris Ulm, pouco tempo depois.
           Ato contínuo, a Marvel cancelou toda a linha Ultraverse. Apenas para, algum tempo depois, relançar os seus títulos mais populares, assim como vários novos crossovers com personagens do universo Marvel. Ou melhor dizendo, do multiverso Marvel, uma vez que o Ultraverse foi incorporado nele sob a designação de Earth 93060. Esse renascimento do Ultraverse foi, porém, efémero e, uma vez mais, a Marvel acabou por cessar a sua publicação.
          Numa entrevista concedida já este ano, Steve Englehart insinuou que, na origem dessa decisão, estaria o facto de 5% dos lucros reverterem para os fundadores da Malibu ainda vivos. Tom Breevort, editor-chefe da Marvel, negou que fosse esse o motivo mas também não aventou outra explicação para o facto, escudando-se num suposto acordo de confidencialidade.

O universo Malibu dá as boas vindas a Evil Ernie (ex-Eternity Comics).