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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

GALERIA DE VILÕES: DENTES-DE-SABRE




 
       Arquirrival de Wolverine, com quem tem uma ligação obscura, Dentes-de-sabre começou por ser oponente de outro famoso super-herói. Também nem sempre foi mutante. Porém, ontem como hoje, trata-se de um impiedoso assassino de sangue frio.


Nome original: Sabretooth
Criadores: Chris Claremont (história) e John Byrne (arte)
Primeira aparição: Iron Fist nº14 ( agosto de1977)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Victor Creed
Local de nascimento: Desconhecido
Parentes conhecidos: Zebadiah Creed (pai falecido), mãe não identificada e Graydon Creed (filho falecido)
Filiação: Ex-membro da Arma X, Irmandade dos Mutantes, X-Men e X-Factor
Base de operações: Móvel
Armas, poderes e habilidades: Dentes-de-sabre possui poderes similares aos de Wolverine: agilidade e resistência sobre-humanas, sentidos superaguçados e autorregeneração acelerada. Embora consiga curar ferimentos letais em questão de minutos, esta sua habilidade é ligeiramente inferior à do Wolverine. É, ainda assim, suficiente para o tornar virtualmente imune a um amplo espectro de toxinas, bactérias e vírus, além de retardar consideravelmente o seu envelhecimento.
      Dentes-de-sabre é igualmente dotado de força amplificada, derivada tanto da sua mutação genética como da bioengenharia executada pelo projeto Arma X. Recentemente, o seu esqueleto foi revestido com adamantium, o metal indestrutível usado para o mesmo efeito em Wolverine, décadas atrás.
      Treinado pela CIA, Arma X  e pelo misterioso Estrangeiro, Dente-de-sabre é um formidável lutador corpo a corpo, bem como um exímio caçador e rastreador.
      O seu nome deriva do tigre dentes-de-sabre, um felino pré-histórico que possuía garras e presas afiadas como lâminas, características que faziam dele um temível predador. Com efeito, Dentes-de-sabre possui garras retráteis em cada um dos dedos. As quais, inicialmente, lhe permitiam cortar facilmente madeira, ossos e pedras. Com o recente revestimento de adamantium, as suas garras tornaram-se não só indestrutíveis como capazes de cortar qualquer material sólido, que não o próprio metal que as recobre.
 
Tal como o felino que lhe dá nome, Dentes-de-sabre é um predador implacável.
 
História de publicação: Remonta a agosto de 1977 a primeira aparição de Dentes-de-sabre, nas páginas de Iron Fist nº14. Idealizado pela dupla Chris Claremont e John Byrne, foi originalmente introduzido como antagonista recorrente nas histórias do Punho de Ferro. Não tardou porém a tornar-se um dos vilões mais polivalentes da Marvel, condição que lhe valeu diversos confrontos com outros heróis da editora, nomeadamente com o Homem-Aranha.
 
Na sua estreia em Iron Fist nº14 (1977), Dentes-de-sabre não era um mutante.
 
       A personagem ganhou proeminência quando Chris Claremont o converteu num adversário dos X-Men durante a saga Mutant Massacre ( O Massacre dos Mutantes), lançada nos EUA em 1986. Daí em diante, tornou-se um arqui-inimigo do Wolverine, granjeando dessa forma uma crescente popularidade, que se traduziu em várias minisséries e edições especiais protagonizadas pelo vilão.
       Chris Claremont, ao introduzir Dentes-de-sabre na mitologia dos X-Men, partiu da premissa de que o vilão seria filho de Wolverine. Facto que seria ulteriormente desmentido por outros argumentistas. Em 2009, no entanto, na série X-Men Forever, Claremont reciclou essa ideia, numa realidade divergente onde Dentes-de-sabre era agora apresentado como sendo o pai de Wolverine. Era igualmente sugerido que o Dentes-de-sabre que vinha infernizando a vida aos pupilos de Charles Xavier era na realidade um clone produzido pelo Senhor Sinistro.
       Na sequência destes eventos, o vilão juntou-se temporariamente aos X-Men, os quais acabaria por atraiçoar.
 
Wolverine e Dentes-de-sabre: separados à nascença, unidos pelo ódio.

Biografia: Pouco se sabe sobre os primeiros anos de vida de Victor Creed (este poderá nem ser o seu nome verdadeiro). Muitas das suas memórias poderão, com efeito, ter sido implantadas pelo projeto Arma X. Acredita-se contudo que Victor terá sido brutalizado pelo seu pai, desgostoso com a natureza mutante do filho.  Além dos espancamento recorrentes às mãos do progenitor, o garoto era muitas vezes trancado numa cave escura onde permanecia por largas temporadas. Apesar das suas súplicas, a mãe nunca o libertou. O pai, por sua vez, arrancava-lhe os caninos salientes, os quais invariavelmente tornavam a crescer. Após anos de suplício, Victor conseguiu escapar e assassinou os seus pais.
       Em meados da primeira década do século XX, já adulto, Victor assumiu a identidade de Dentes-de-sabre. No seio da pequena comunidade fronteiriça canadiana onde vivia, ganhou uma sanguinolenta reputação. Todos o temiam. Exceto um jovem chamado Logan, detentor de habilidades mutantes similares às de Victor e com um passado ainda mais nebuloso.
       Invejando a ligação amorosa entre Logan e uma jovem índia de seu nome Raposa Prateada, certa vez Victor agrediu a rapariga, violou-a e deixou-a para morrer na neve. Era o dia de aniversário de Logan. Este episódio marcou assim o início de uma macabra tradição: todos os anos, no dia de aniversário de Logan, Dentes-de-sabre rastreia-o com o intuito de o enfrentar em encarniçadas refregas.
      Sem que Logan ou Victor o soubessem, Raposa Prateada sobrevivera ao brutal ataque e abandonara em segredo a comunidade.
 
Ao contrário de Wolverine, Dentes-de-sabre nunca tentou controlar os seus instintos animais.
 
      Permanecem difusas as atividades de Dentes-de-sabre até aos primeiros anos da década de 1960 quando reapareceu, agora integrando a Team X, uma unidade especial criada pela CIA no âmbito do projeto Arma X. Além de Logan - agora conhecido como Wolverine - Victor reencontrou a Raposa Prateada, apesar de nenhum dos três se recordar das suas vivências passadas devido às falsas memórias implantadas por um telepata ao serviço do projeto Arma X. Todavia, havia uma animosidade latente entre Dentes-de-sabre e Wolverine.
       Durante uma missão em Berlim Oriental em meados da década de 1960, Dentes-de-sabre envolveu-se romanticamente com Leni Zauber, uma operacional de outra agência governamental secreta. Sem que Dentes-de-sabre o soubesse, Zauber era na realidade a mutante transmorfa Mística. O casal permaneceu junto ao longo de meses, até que Dentes-de-sabre teve de regressar para a Team X. Quando esta foi desmantelada, Dentes-de-sabre encetou uma carreira de mercenário e assassino de aluguer, granjeando uma reputação a nível mundial. Pelo meio, tornou-se pupilo do enigmático Estrangeiro, mentor da liga de assassinos conhecida como Clube 1400 e um dos poucos homens que o vilão respeita.
       Pouco tempo depois, Dentes-de-sabre foi novamente seduzido e manipulado por Mística. Desse novo relacionamento resultou a gravidez da ex-integrante da Irmandade dos Mutantes. Contudo, o bebé nasceu desprovido do gene X (sem qualquer potencial mutante) e foi abandonado pela mãe. Anos depois, Graydon Creed, o filho rejeitado, tornar-se-ia num feroz ativista antimutante e candidato à presidência dos EUA.
       Já atuando como um supervilão em parceria com o Constritor, Dentes-de-sabre defrontou em várias ocasiões o Punho de Ferro e os seus aliados. Foi por esta altura que Dentes-de-sabre começou a caçar e matar pessoas apenas por prazer.
       Desfeita a parceria com o Constritor, Dentes-de-sabre é recrutado por Gambit, um charmoso ladrão francês que viria a ser um X-Man, para integrar um bando de mutantes renegados conhecidos como Saqueadores. Sob as ordens do Senhor Sinistro, os Saqueadores chacinaram os Morlocks, a comunidade mutante que habitava os subterrâneos de Nova Iorque. Evento que ficou conhecido como Massacre dos Mutantes.
       Anos depois, Dentes-de-sabre é recrutado à força para o renovado projeto Arma X. É por essa altura que tem o seu esqueleto revestido com adamantium e a sua força amplificada. Usa de seguida essas modificações para escapar do Arma X e retomar a sua carreira a solo. No entanto, ele ocasionalmente trabalha em equipa. Um bom exemplo disso foi quando aceitou fazer parte da nova Irmandade dos Mutantes que atacou o Instituto Xavier para Jovens Sobredotados, lar dos X-Men.
       O que se sempre permaneceu inalterada foi a sua inimizade com Wolverine. Os dois já de duelaram um sem número de vezes. Porém, ao contrário do X-Man, Dentes-de-sabre jamais se preocupou em tentar controlar o seu lado animalesco. Ao invés disso, o seu comportamento assemelha-se cada vez mais ao de uma fera assassina de sangue frio.

Foi a partir da saga O Massacre dos Mutantes que Dentes-de-sabre se tornou inimigo figadal dos X-Men (em particular de Wolverine).
 
Noutros media: Em 2008, a revista Wizard (especializada em comics e seus derivados) colocou Dentes-de-sabre na 193ª posição da sua lista das 200 melhores personagens dos quadradinhos de todos os tempos. No ano seguinte, foi a vez de o site IGN lhe atribuir o 44º lugar no seu ranking dos 100 Melhores Vilões dos Quadradinhos.
        Em algumas versões apresentadas noutros media, Dentes-de-sabre surge frequentemente como um aliado ou subalterno de Magneto. Exemplo disso é o primeiro filme dos X-Men, realizado em 2000 por Bryan Singer. Interpretado pelo ex-lutador Tyler Mane, o vilão integra a Irmandade dos Mutantes liderada pelo mestre do magnetismo. Nos quadradinhos, porém, os dois nunca apreciaram a companhia um do outro.
 
Tyler Mane como Dentes-de-sabre em X-Men (2000).
 
       Tendo marcado presença em diversas séries animadas e videojogos produzidos pela Marvel, foi contudo graças às suas aparições cinematográficas que Dentes-de-sabre ganhou maior notoriedade. Em 2009, agora interpretado por Liev Schreiber, teve um papel preponderante no spin-off  X-Men Origins: Wolverine. O filme tem a particularidade de o retratar como meio-irmão de Logan, tendo ambos combatido lado a lado na Guerra Civil americana, nas duas Guerras Mundiais e na Guerra do Vietname.
       
Liev Schreiber deu vida a um Dentes-de-sabre menos animalesco, porém igualmente feroz ,no primeiro filme a solo de Wolverine.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

DO FUNDO DO BAÚ: A MORTE DE ROBIN

 



       Mal-amado pelos leitores, Jason Todd (o segundo Menino Prodígio) foi sentenciado à morte por meio de uma polémica votação telefónica, cujos resultados poderão ter sido falseados.

Título original: Batman: A Death in the Family
Licenciadora: DC
Publicado em: Batman nº426, 427, 428 e 429 (dezembro de 1988 e janeiro de 1989)
Argumento: Jim Starlin
Arte: Jim Aparo e Mike Mignola (capas)

Capa de Batman nº427 com a inconfundível arte de Mike Mignola.


Edição em Português: DC Especial 1 - A Morte de Robin
Data: novembro de 1989
Editora: Abril Jovem
Número de páginas: 132
Formato: formatinho (13,5 x 19cm), colorido e com lombada colada
Na minha coleção desde: 2007

DC Especial 1 compilava o arco de histórias Batman: A Death in the Family.

História de publicação: Cientes da impopularidade de Jason Todd entre os leitores, a DC e Dennis O'Neil, editor à época dos títulos do Homem-Morcego, tomaram a decisão de eliminar a personagem. Restava contudo a dúvida de como isso seria feito. Procurando uma forma inovadora de interagirem com os fãs - e, muito provavelmente, influenciados pelas referências à morte de Jason Todd no futuro alternativo retratado na minissérie Batman, O Cavaleiro das Trevas - a editora teve a ideia de criar dois números telefónicos através dos quais os leitores poderiam votar contra ou a favor da morte do segundo Menino Prodígio. O escrutínio teve início após a publicação do capítulo da história em que Jason Todd e a sua mãe ficavam encurralados num armazém.
       Foram recebidos mais de dez mil telefonemas numa votação renhida, que culminou, porém, com um resultado favorável à morte de Jason Todd (5343 votos contra 5271 em sentido contrário). A DC publicou então, sob grande alarido mediático, o terceiro dos quatro capítulos da saga Batman: A Death in the Family, o qual mostrava o momento que em Batman encontrava o corpo sem vida do seu pupilo.
       Dez anos volvidos sobre estes factos, numa entrevista concedida à Newsarama, Dennis O'Neil declarou: " Ouvi dizer que houve um tipo que programou o seu computador para marcar a cada 90 segundos - e durante oito horas - o número a favor da morte de Jason Todd. A ser verdade, obviamente que isso terá falseado o resultado final da votação.".
      Mesmo carecendo de comprovação, esse rumor reforça as dúvidas quanto à fiabilidade da votação telefónica e, por conseguinte, se a maioria dos leitores desejaria efetivamente o fim de Jason Todd. No entanto, a despeito de toda a polémica que antecedeu e seguiu a sua publicação, Batman: A Death in the Family foi um sucesso de vendas, ocupando a 15ª posição na lista das 25 melhores sagas do Cavaleiro das Trevas publicada no site IGN.
 
Capas das 4 edições onde a saga foi originalmente publicada, acompanhadas de algumas reações mediáticas.
 
Enredo: Jason Todd, o segundo Robin, encontra-se num momento difícil na sua relação com Batman. As suas lutas contra os criminosos são cada vez mais descuidadas e suicidas, como se tudo não passasse de um jogo. À medida que a tensão cresce no seio do Duo Dinâmico, o Homem-Morcego questiona-se se não se terá precipitado ao permitir que o jovem assumisse o lugar deixado vago por Dick Grayson (ver texto anterior). Ciente de que Jason ainda não superara a morte dos pais, Batman procura em vão conversar com ele sobre esse assunto.
      Algum tempo depois, ao passear pela sua antiga vizinhança, Jason encontra  uma velha amiga da sua família desaparecida, que lhe dá fotos e documentos que foram dos seus pais. Ao ler a sua certidão de nascimento, Jason percebe que o nome da sua mãe está rasurado mas a inicial é um "S" e não o "C" de Catherine Todd, a mulher que ele pensava ser sua progenitora.
     O rapaz conclui assim que Catherine era na verdade sua madrasta e resolve investigar a identidade da sua mãe biológica. Na agenda que pertencera ao seu pai ele encontra os nomes de três mulheres, todos começados por "S" e usa o Batcomputador para descobrir o paradeiro atual delas. Todas estão fora dos Estados Unidos, vivendo no Médio Oriente e em África. Jason foge de casa com o propósito de localizar as três candidatas.
 
Antes de ser assassinado pelo Joker, Robin vinha assumindo comportamentos imprudentes.
 
      Entretanto, evadido uma vez mais do Asilo Arkham, o Joker deixa um rasto de morte atrás de si antes de deixar os EUA. Batman descobre que o seu eterno némesis conseguiu um dispositivo nuclear e que tenciona vendê-lo a terroristas. Viaja, por isso,  para o Líbano, país onde Jason já se encontra, seguindo as pistas que o conduziram a Sharmin Rosen, uma agente da Mossad (os serviços secretos de Israel). Questionada por Jason, a mulher nega que algum dia tivesse dado à luz em Gotham City.
      De seguida, Jason vai no encalço da segunda possível mãe. Trata-se de Lady Shiva, uma velha inimiga de Batman, presentemente instalada num campo de treino de terroristas. Ajudado pelo Homem-Morcego, Jason derrota os asseclas da vilã, a quem  administra depois uma dose de soro da verdade. Descobre dessa forma que Shiva também não é a sua mãe.
      Por fim, Jason vai até à Etiópia, onde se encontra com Sheila Haywood, uma enfermeira ao serviço de uma ONG. Ela prova ser a mãe do rapaz e o encontro entre ambos é emocionante. Sem que, porém, Batman e Robin o soubessem , Sheila estava a ser chantageada pelo Joker, pois este último descobrira que ela praticara abortos ilegais em adolescentes de Gotham. Na sequência da morte de uma dessas raparigas, ela fora proibida de exercer medicina em território norte-americano. Munido dessa informação, o Joker forçou Sheila a fornecer-lhe medicamentos contrabandeados, que guarda num armazém secreto. O vilão pretendia substituir o conteúdo dos remédios pelo seu mortífero gás hilariante e dessa forma matar milhares de pessoas.
      Ao descobrir que Jason é Robin, Sheila entrega-o ao Joker. O vilão espanca o garoto com um pé-de-cabra e  prende-o juntamente com a mãe num armazém com uma bomba-relógio. Batman chega tarde demais e depara-se com os cadáveres de ambos.
 
A sequência que mostra o brutal espancamento de Robin com um pé-de-cabra.
 
O momento em que Batman encontra o corpo sem vida de Jason Todd.
 
      Os corpos são enviados para Gotham City para serem sepultados. Apenas Bruce Wayne e três amigos - o mordomo Alfred Pennyworth, o Comissário Gordon e a sua filha paraplégica Barbara -comparecem à cerimónia fúnebre.
     Recriminando-se pela morte do seu pupilo, Batman prossegue sozinho a sua cruzada contra o crime. Mais taciturno do que nunca, recusa a sugestão de Alfred de reatar a sua parceria com Dick Grayson, o primeiro Menino Prodígio, a operar agora como Asa Noturna.
     A milhares de quilómetros dali, no Irão, o Joker é recebido pessoalmente pelo aiatola Khomeini que lhe promete um cargo no governo do seu país. De seguida, o Palhaço do Crime, na sua nova condição de embaixador da República Islâmica, ruma a Nova Iorque, mais precisamente ao edifício-sede das Nações Unidas. Enquanto espera no exterior do edifício, Batman é interpelado pelo Super-Homem, enviado pelo Departamento de Estado norte-americano. O Homem de Aço tenta dissuadir o Cavaleiro das Trevas de atentar contra o Joker, desencadeando assim um incidente diplomático de consequências imprevisíveis. Perante a recusa do amigo em responder às suas perguntas, Batman esmurra o queixo do Super-Homem, quase partindo a mão. Isto no preciso momento em que o Joker chega às Nações Unidas onde é esperado para discursar diante da Assembleia Geral.
     Assumindo a sua identidade de Bruce Wayne e socorrendo-se dos seus contactos ao mais alto nível, Batman consegue estar presente na reunião magna da ONU sob o estatuto de observador não oficial.
     No seu discurso, o Joker proclama que tanto ele como a nação que agora representa têm sido desrespeitados pela comunidade internacional. Dito isto, anuncia a sua intenção de matar todos os delegados e espectadores presentes na Assembleia Geral, lançando uma dose letal do seu gás hilariante. Subitamente, porém, um segurança intervém, desarmando o vilão e inalando todo o gás entretanto libertado. Na verdade trata-se do Super-Homem disfarçado.
 
Joker discursando na ONU como novo embaixador iraniano.
 
     Enquanto o herói kryptoniano voa para fora do edifício em busca de um lugar seguro para libertar o gás, Batman e Joker confrontam-se. O vilão acaba no entanto por conseguir escapar a bordo de um helicóptero enviado pelo seus patronos. Quando percebe que Batman está agarrado ao aparelho, um dos homens de Joker abre fogo com uma metralhadora. Voam balas em todas as direções, atingindo o próprio Palhaço do Crime e o piloto, levando assim à queda desgovernada da aeronave no mar.
      Salvo pelo Super-Homem, Batman exige-lhe que procure o corpo do Joker. Apesar dos esforços do herói de aço, o corpo do vilão não é encontrado. Batman lamenta que tudo entre ele e o seu arqui-inimigo fique sempre por resolver.
 
 
Curiosidades:

*Além de mostrar um Batman mais violento do que nunca, a narrativa aflora diversos temas sociais e políticos que marcavam a atualidade em finais do anos 80 do século passado. Destacam-se entre eles a guerra civil libanesa, o conflito israelo-arábe, a fome na Etiópia e a ameaça à segurança internacional representada por Estados-párias;
* Quando viaja para o Líbano, Bruce Wayne usa um passaporte falso da Irlanda do Norte, território que era sinónimo de terrorismo à época;
* Apesar de, na altura, parecer pouco verosímil um criminoso como o Joker ter acesso a uma ogiva nuclear, o contrabando desse tipo de armas tornou-se uma enorme preocupação nos últimos anos;
* São feitas na história referências explícitas ao escândalo Irão-Contras, que manchou a presidência de Ronald Reagan. Um bom exemplo é a venda de um míssil de cruzeiro por parte do Joker a milícias árabes inimigas de Israel;
* O Joker atribui a sua precária condição financeira às políticas económicas implementadas pela Administração Reagan;
* Em várias passagens da história é sugerido que o Joker conhece a verdadeira identidade de Batman. Quando Jason Todd revela à mãe ser o parceiro do herói, o Palhaço do Crime estava suficientemente próximo para o ouvir.  Mais tarde ele diria a Batman que "até um louco consegue somar 2 mais 2".

Uma história com uma violência pouco comum nos comics.
Repercussões:
 
      Mostrando um Batman prestes a perder o autocontrolo e a morte de uma personagem emblemática da DC decidida por meio de uma votação telefónica, Batman: A Death in the Family tornou-se naturalmente um marco na história dos quadradinhos norte-americanos, com repercussões que se prolongaram no tempo. Com efeito, a morte de Jason Todd assumiu na vida do Homem-Morcego uma importância apenas superada pelo assassínio dos seus pais. Por outro lado, acentuou o caráter pessoal da inimizade entre o herói e o Joker.
      Anos depois, exposto à toxina do medo do Espantalho, o Cavaleiro das Trevas alucina com a morte do seu antigo protegido. Em vez de, como esperado, reagir com tristeza, explode num fúria quase homicida. Julgando estar a espancar o Palhaço do Crime, ele grita incessantemente o nome de Jason Todd.
      Depois do fim trágico do segundo Menino Prodígio, Batman relutou durante muito tempo em admitir novos parceiros juvenis que o coadjuvassem na sua cruzada contra o crime. Para preservar a memória de Jason Todd, conserva numa redoma de vidro colocada na Batcaverna uma réplica do uniforme de Robin usado pelo seu malogrado pupilo. Na base da referida redoma pode ler-se o epitáfio "Um bom soldado".
 



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: ROBIN





         Para tornar as soturnas histórias de Batman mais apelativas ao público infantil, em 1940 foi criado Robin, pioneiro na tendência dos parceiros juvenis. Mais inspirado em Robin dos Bosques do que no pássaro que lhe dá nome, ao longo dos anos houve vários Meninos (e até uma Menina) Prodígio.

Robin I

Primeira aparição: Detective Comics nº38 (abril de 1940)
Criadores: Bob Kane e Bill Finger (história) e Jerry Robinson (arte)
Identidade civil: Richard "Dick" Grayson
Biografia e história de publicação:  Concebido para atrair o público infantil através do colorido que trazia às sombrias histórias do Homem-Morcego, Robin foi, desde a sua estreia, um estrondoso sucesso. O que se traduziu desde logo na duplicação do número de exemplares vendidos dos títulos estrelados por Batman. Ao mesmo tempo, lançava a moda dos sidekicks juvenis que adjuvavam heróis seniores (Capitão América e Bucky, Flash e Kid Flash, Aquaman e Aqualad, apenas para citar alguns exemplos).
        Embora o seu nome derive de uma ave ("robin" significa "tordo" em inglês), a maior inspiração para a sua criação foi na verdade Robin dos Bosques, personagem idolatrada por Jerry Robinson desde os seus tempos de infância. A prová-lo, o estilo medieval do uniforme primitivo do Menino Prodígio, decalcado de The Adventures of Robin Hood.

A estreia do Menino Prodígio em Batman nº38 (1940).
 
        Dick Grayson, o mais novo membro de uma família de acrobatas conhecidos por Os Graysons Voadores, ficou órfão depois de os seus pais serem assassinados por um mafioso chamado Boss Zucco, que vinha extorquindo dinheiro ao circo onde atuavam. Com o propósito de intimidar o proprietário do circo, o patife sabotou os trapézios dos Graysons Voadores causando-lhes uma queda para a morte.
        Batman investigou o crime e o seu alter ego Bruce Wayne assumiu a custódia legal do pequeno Dick, à época com apenas oito anos. Depois de ambos terem recolhido provas suficientes para incriminar Zucco, impressionado com a sua inteligência e determinação, o Homem-Morcego treinou o garoto para ser seu parceiro no combate ao crime. Finda a sua exigente preparação, Dick assumiu a identidade de Robin, trajando o célebre uniforme verde, vermelho e amarelo.
        Desde a sua primeira aparição, em 1940 (apenas um ano após a estreia de Batman), Robin ficou conhecido como o Menino Prodígio. Em meados da década de 1950, surgiu porém uma polémica em torno do facto de um homem adulto coabitar sozinho (o mordomo Alfred ainda não era residente na Mansão Wayne) com um pequeno órfão traumatizado. Os quadradinhos- e em particular as histírias do Duo Dinâmico -  foram por isso acusados de promoverem comportamentos sexuais desviantes como a pedofilia, mas também a delinquência juvenil, a homossexualidade e até o comunismo(!). Foi de resto o comportamento "indecente" do Duo Dinâmico que esteve, em grande medida, na génese do The Comics Code (espécie de exame prévio às histórias aos quadradinhos, que muitos classificaram de censura). A reputação de Robin foi severamente beliscada em resultado dessa controvérsia, com as repercussões a chegarem até aos dias de hoje, designadamente sob a forma de paródias maliciosas à suposta relação homossexual que o ligava ao seu mentor.

Nem sempre a relação de Batman e Robin foi bem vista.
 
        Com o tempo, porém, Robin foi sendo retratado como um adolescente. Entre 1970 e os primeiros anos da década de 1980, os leitores puderam assistir ao processo de crescimento do Menino Prodígio rumo à idade adulta. Depois de concluir o liceu, Dick ingressou na Universidade Hudson, afastando-se progressivamente da sombra do seu mentor.
       Entretanto renomeado de Jovem Prodígio, Robin foi redescoberto por uma nova geração de fãs ao longo da década de 80 do século passado, em grande medida devido ao enorme êxito da série The New Teen Titans (grupo de super-heróis adolescentes conhecido entre nós como os Novos Titãs).
       Atingida a maioridade, Dick, já desligado de Batman e liderando agora os Novos Titãs, abandonou a identidade de Robin e assumiu a de Asa Noturna (Nightwing no original), assinalando dessa forma a sua emancipação em relação ao Cavaleiro das Trevas. Nunca deixando contudo de, sempre que requisitado,  adjuvar o Homem-Morcego no combate ao crime.
       Recentemente chegou mesmo a assumir temporiamente o manto do morcego quando Batman foi dado como morto, no final da saga Crise Infinita. Com Damian Wayne, filho de Bruce Wayne e a mais recente encarnação do Menino Prodígio, Dick reeditou o Duo Dinâmico, agora no papel de tutor.

Robin II

Primeira aparição: Batman nº366 (dezembro de 1983)
Criadores: Gerry Conway (história) e Don Newton (arte)
Identidade civil: Jason Peter Todd
Biografia e história de publicação:  Ultrapassada a relutância da DC em transformar Dick Grayson no Asa Norturna, iniciou-se a busca por um novo Robin. Para minimizar o impacto da mudança, a escolha recaiu sobre Jason Todd que, nas suas primeiras aparições, fazia lembrar uma versão infantil de Dick. Tal como este, Jason também pertencia a uma família de acrobatas circenses assassinados por um criminoso (desta feita o Crocodilo) e posteriormente adotado por Bruce Wayne.
        Originalmente, Jason Todd era ruivo, muito alegre e usava o seu fato de circo para combater o crime. Quando Dick Grayson o presenteou com um uniforme de Robin idêntico ao que ele próprio usara no passado, Jason resolveu pintar o cabelo de preto para dessa forma ficar mais parecido com o primeiro Menino Prodígio.
        Na cronologia pós-Crise nas Infinitas Terras, Jason Todd foi, porém, profundamente reformulado. Era agora um órfão delinquente que encontrou Batman pela primeira vez quando tentava roubar os pneus do Batmóvel. Apesar do perfil problemático do rapaz, o Cruzado de Capa viu nele potencialidades e ofereceu-lhe a vaga de Robin.

Capa de Batman nº408 (1987), onde foi a apresentada a nova versão de Jason Todd.

        Não obstante a popularidade de Jason Todd no período pré-Crise nas Infinitas Terras, esta nova versão da personagem não foi bem acolhida pelos fãs. Como consequência, em 1988, a DC realizou uma controversa votação telefónica para determinar se os leitores preferiam a sobrevivência ou a morte da personagem no arco de histórias Batman: A Death in the Family. Por uma curta margem de votos (5343 contra 5271), os fãs ditaram a sentença de morte da segunda encarnação do Menino Prodígio às mãos do Joker. As histórias subsequentes do Homem-Morcego exploravam a sua incapacidade em evitar a morte do seu protegido, mostrando um herói mais amargo do que nunca e consumido pelos remorsos.
Perante a reação adversa dos leitores, à DC não restou outro remédio senão matar o segundo Menino Prodígio.

        No entanto, anos mais tarde, Jason Todd regressaria ao mundo dos vivos, agora sob a identidade de Capuz Vermelho (o nome com que o Joker, seu verdugo, começara a sua carreira criminosa) e com uma moral distorcida, que o colocou em rota de colisão com Batman e restantes membros da Batfamília.

Robin III

Primeira aparição: Batman nº442 (dezembro de 1989)
Criadores: Marv Wolfman (história) e Pat Broderick (arte)
Identidade civil: Timothy "Tim" Jackson Drake
Biografia e história de publicação: Na sequência do fiasco de Jason Todd, a DC questionava-se se por detrás da decisão dos leitores de matá-lo estaria o facto de preferirem ver Batman a operar como um vigilante solitário, se tinham antipatizado com a personagem ou se apenas tinham pretendido, com os seus votos, testar a coragem da editora em liquidar o Menino Prodígio. Com a ausência de Robin no filme Batman (1989), a DC via ainda menos motivos para reviver a personagem.
         Surpreendeu, portanto, a decisão de  Denny O´Neill, editor à época dos títulos do Homem-Morcego, de apresentar um terceiro Menino Prodígio. Timothy Drake apareceu pela primeira vez, num flashback, em Batman nº436 (1989). Tratava-se de um jovem que acompanhara as aventuras do Duo Dinâmico desde que testemunhara o assassinato dos Graysons Voadores, quando assistia a um espetáculo de circo. Este facto serviu para criar uma ligação entre Tim e Dick, a qual a DC esperava possibilitar uma melhor aceitação deste novo Robin por parte dos fãs.
         Graças aos seus talentos detetivescos, Drake conseguira descobrir as identidades secretas do Duo Dinâmico, proeza que muito impressionou Batman. Já as suas capacidades atléticas ficavam aquém das de Dick Grayson (embora superassem as de Jason Todd), lacuna compensada pela sua disciplina e determinação, bem como pelo uso de uma armadura de kevlar.
          Aos olhos dos leitores, Tim Drake era uma espécie de meio termo entre o excessivamente bem-comportado Dick Grayson e o imprudente Jason Todd. Foi também o primeiro Robin a dispor de um título próprio, no qual combatia o crime a solo. Paralelamente, foi um dos fundadores do grupo Justiça Jovem (Young Justice) e seria também responsável pela refundação dos Novos Titãs.

Tim Drake foi o primeiro Robin a dispor de um título individual.

         Após o desaparecimento de Batman e com o seu filho, Damian Wayne, a assumir o manto de Robin, Tim adotou a identidade de Robin Vermelho (Red Robin). Na cronologia reformulada da DC, no âmbito de Os Novos 52!, convencionou-se que Drake nunca sucedeu a Jason Todd nas funções de parceiro juvenil do Cavaleiro das Trevas, optando em vez disso por atuar de forma independente como Robin Vermelho.

Robin IV

Primeira aparição: Robin nº126 (julho de 2004)
Criadores: Chuck Dixon (história) e Tom Lyle (arte)
Identidade civil: Stephanie Brown
Biografia e história de publicação: Filha do Mestre das Pistas, um criminoso de segunda linha de Gotham City, Stephanie Brown atuou durante algum tempo sob a identidade de Spoiler, uma aventureira mascarada. Foi nessa qualidade que conheceu Tim Drake, tornando-se sua namorada. Quando Tim desistiu de ser Robin, ela ofereceu-se para assumir o seu lugar.
           Tentado provar o seu valor a Batman, a jovem roubou um dos planos inacabadosdo herói para controlar o crime organizado de Gotham City e executou-o, desencadeando inadvertidamente uma sangrenta guerra de quadrilhas nas ruas da cidade. Quando tentava emendar o seu erro, a nova Robin foi capturada pelo sádico Máscara Negra, que a torturou quase até à morte. Apesar de ter conseguido escapar do seu cativeiro, Stephanie morreria pouco tempo depois em resultado da gravidade dos seus ferimentos.

Stephanie Brown foi uma Robin fugaz.

           Suscitou grande controvérsia na comunidade de fãs tanto a tortura a que Stephanie foi sujeita como o facto de, não obstante ela ter sido Robin por um curtíssimo período, ter tido direito, ao contrário do malogrado Jason Todd, a um memorial na Batcaverna.
           Numa história publicada em 2008 foi contudo revelado que a sua morte não passara de um embuste e, no ano seguinte, Stephanie assumiu a identidade de Batgirl, com direito a série própria.

Robin V

          Depois de vários protegidos e filhos adotivos de Bruce Wayne terem assumido a identidade de Robin ao longo dos anos, temos pela primeira vez um Menino Prodígio que é filho biológico do multimilionário. Damian Wayne é  o resultado do fugaz romance de Bruce com Talia al Ghul, filha do terrorista internacional e arqui-inimigo de Batman, Ra's al Ghul.
          Ignorando a existência de Damian até há pouco tempo, Bruce acolheu o catraio depois de Talia lho ter entregue aos seus cuidados. Treinado pela Liga de Assassinos, Damian é arrogante, indisciplinado, violento e rege-se por um código moral muito próprio.
          Habituado a matar desde tenra idade, o jovem revelou-se um autêntico quebra-cabeças para o seu pai, que, pelo contrário, jurou solenemente nunca tirar uma vida humana.  O que Damian não sabia é que fora concebido com o intuito de servir de hospedeiro à alma imortal do seu avô materno, assim como para ser usado como um peão na guerra movida por Ra's al Ghul contra o Cavaleiro das Trevas.
Damian Wayne, um Robin problemático.

         Salvo por Batman do seu cruel destino, Damian afeiçoou-se ao pai. Com o desaparecimento deste, o garoto, profundamente abalado pela aparente morte do progenitor, foi deixado pela mãe aos cuidados de Dick Grayson e do mordomo Alfred Pennyworth.
        Quando Dick assumiu o manto do morcego, Damian tornou-se o novo Robin em detrimento de Tim Drake. Com o regresso de Bruce Wayne, Dick retoma a sua identidade de Asa Noturna mas Damian continua a ser o Menino Prodígio. Pai e filho formam assim uma versão inédita do Duo Dinâmico. Damian acabaria contudo por morrer às mãos de Herético, um brutal vilão que era na verdade um clone adulto dele próprio.

Da esq. para dir.: Jason Todd, Dick Grayson, Tim Drake, Stephanie Brown e Damian Wayne.

Armas, poderes e habilidades: Tendo como denominador comum  exigente treino físico, intelecutal e psicológico a que foram sujeitos por Batman, todos os Robins são atletas de exceção, dominando várias artes marciais e técnicas de combate corpo a corpo. Todos possuem igualmente, embora em graus diferentes, elevadas capacidades dedutivas e na área da criminologia.
        A exemplo do seu precetor, dispõem de uma vasta parafernália que inclui, além dos icónicos batarangues, cápsulas de gás, ganchos e cabos metálicos e ainda motos e outros veículos. Desde que Tim Drake se tornou o terceiro Robin que uma armadura feita à base de kevlar e de tecido à prova de fogo, para uma proteção corporal mais eficaz, substituiu o uniforme tradicional. Este modelo serviu aliás de base à conceção do traje usado por Robin no filme Batman Para Sempre (vide texto anterior).

A mais recente versão do Duo Dinâmico.
 

Noutros media:  A despeito do seu habitual papel de coadjuvante nas histórias do Homem-Morcego, Robin (em qualquer umas das suas encarnações) logrou sempre distinguir-se a título individual, tendo tido participações preponderantes em eventos cruciais no Universo DC. É também considerado o arquétipo dos parceiros juvenis que secundaram os heróis seniores durante a época áurea dos sidekicks.
         Quando transposto ao cinema e à TV, porém, foi-lhe sempre reservado um papel subalterno relativamente a Batman. Data de 1943 a primeira aparição do Menino Prodígio fora dos quadradinhos. Na série televisiva Batman, Douglas Croft interpretou o herói juvenil. Seis anos depois, em 1949, foi a vez do ator Johnny Duncan dar vida a Robin noutra série televisiva estrelada pelo Duo Dinâmico, Batman and Robin.
         Todavia, o parceiro de Batman, agora encarnado por Burt Ward, seria definitavente catapultado para a ribalta graças à série televisiva Batman, campeã de audiências nos EUA no biénio 1966-68. Para a notoriedade da personagem contribiu igualmente a sua participação na longa-metragem (por cá intitulada Batman, O Invencível) baseada na referida série. Seguiu-se uma longa travessia do deserto mediático, interrompida apenas em 1995, quando Chris O' Donnel foi o ator escolhido para dar vida a Robin no filme Batman Para Sempre, ganhando maior destaque, dois anos depois, na sequela Batman & Robin.

Burt Ward (esq.) e Chris O'Donnell: duas gerações de Robins na TV e no cinema.
 
        No campo da animação, o Menino Prodígio estreou-se em 1968 na série juvenil The Batman/Superman Hour. Seguiram-se participações em variadíssimas produções do género baseadas no Universo DC, como The Adventures of Batman (1969), Super Friends (1975) ou, mais recentemente em Batman: The Brave and the Bold (2008-2011).  Também marcou presença nos filmes de animação Justice League: A New Frontier (2008) e Batman: Under The Red Hood (2010).

           



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

BD CINE APRESENTA: «BATMAN PARA SEMPRE»





       Insatisfeitos com as receitas e o registo lúgubre do segundo filme do Cavaleiro das Trevas dirigido por Tim Burton, os produtores resolveram substituí-lo por Joel Schumacher. No papel principal, Val Kilmer sucedeu a Michael Keaton. As mudanças não ficaram por aí mas o resultado final, esse, esteve longe agradar aos fãs.
 
 
Título original: Batman Forever
Ano: 1995
Duração: 121 minutos
Género:  Ação/Aventura/Fantasia
País: EUA
Estúdio: Warner Bros e Tim Burton Productions
Realização: Joel Schumacher
Argumento: Lee Batchler, Janet Scott-Batchler e Akiva Goldsman
Elenco: Val Kilmer (Batman/Bruce Wayne); Jim Carrey (Edward Nygma/Charada); Tommy Lee Jones (Duas-Caras); Nicole Kidman (Drª. Chase Meridian) e Chris O'Donnell (Dick Grayson/Robin)
Orçamento: 100 milhões de dólares
Receita: 336,5 milhões de dólares

Batman regressou ao grande ecrã em 1995.
 
Produção: Apesar de Batman Regressa (1992) ter sido um sucesso financeiro, a Warner Bros sentiu que o filme deveria ter feito mais dinheiro e decidiu apostar numa fórmula diferente para o terceiro capítulo da saga. Tim Burton, que dirigira as duas películas anteriores, foi relegado ao papel de produtor, vendo Joel Schumacher suceder-lhe na cadeira de realizador. Este, por sua vez, afirmou que originalmente tinha em mente uma adaptação da saga Batman: Year One, de Frank Miller. O estúdio, porém, rejeitou a ideia, já que os produtores queriam uma sequela, não uma prequela. Ainda assim, Schumacher incluiu alguns flashbacks sobre o passado de Bruce Wayne em Batman Para Sempre.
       Para assumir o guião, Schumacher contratou Lee e Janet Scott-Batchler.  Na versão primitiva da história, figurava um Charada psicótico com um rato de estimação que o acompanhava para todo  o lado. Elementos que seriam posteriormente eliminados na segunda versão do argumento, da responsabilidade de Akiva Goldsman, com quem Schumacher já havia trabalhado em O Cliente (1994).
      A produção desenvolveu-se em ritmo acelerado, com Rene Russo no elenco como Drª. Chase Meridian. Michael Keaton, por seu lado, decidiu não repetir o seu papel como Batman, por não lhe ter agradado a nova orientação da franquia. Receando também ficar, a exemplo de Christopher Reeve com o Super-Homem,  permanentemente associado à sua interpretação do Cavaleiro das Trevas, o ator exigiu um cachet de 15 milhões de dólares para reassumir o manto do herói. Face à maquia exorbitante reclamada por Keaton, Val Kilmer foi escalado dias depois. Rene Russo foi assim considerada  velha demais para contracenar com o sucessor de Keaton, sendo substituída por Nicole Kidman. 
      Schumacher ficou interessado em Kilmer como Batman, após vê-lo em Tombstone. Já  o ator aceitou o papel sem sequer ler o argumento ou saber quem era o novo realizador.
 
Val Kilmer foi uma escolha pessoal de Joel Schumacher.
 
      Selecionado o elenco e aprovado o argumento, as filmagens arrancaram em setembro de 1994. Schumacher desejava demarcar-se do estilo imprimido por Burton aos dois filmes anteriores. Com esse propósito em vista, inspirou-se nas bandas desenhadas do Batman dos anos 40 e 50 do século passado. Também a estética de Gotham City foi reformulada, resultando agora de uma arrojada combinação da arquitetura de Nova Iorque da década de 1930  com a Tóquio moderna, patente de resto no maior número de estátuas e no tom feérico conferido pelos néones. E nem o Batmóvel escapou à onda de mudanças, tendo sido construído um novo modelo do emblemático veículo do Homem-Morcego.
       As filmagens não ficaram contudo isentas de alguns atritos: depois de Schumacher ter repreendido Val Kilmer pelo seu comportamento "infantil", o ator recusou-se a falar com ele durante duas semanas. Também entre Jim Carrey e Tommy Lee Jones houve fricções que levaram o realizador a intervir.
 
Capa da banda sonora original de Batman Para Sempre.
 
Enredo: Em Gotham City, Batman intervém numa situação de reféns durante um assalto a um banco perpetrado pelo Duas-Caras, o alter ego desfigurado do antigo promotor público Harvey Dent. Este mantém um segurança sob a ameaça de uma arma de fogo e quando o Homem-Morcego procura salvar o guarda , o vilão prende os dois num cofre, que é arrastado para fora do prédio pendurado num helicóptero por uma corrente.
     Enquanto a bizarra cena decorre nos céus de Gotham, o cofre começa a encher-se de ácido. Batman, porém, usa o aparelho auditivo do segurança para destrancar a trava do cofre. Dentro do helicóptero, Duas-Caras vê o herói a escapar e atira nele acabando por matar o piloto. Com o aparelho desgovernado, Dent  salta de paraquedas. Também Batman pula para fora pouco antes do helicóptero colidir com uma réplica da  Estátua da Liberdade e explodir.
     No dia seguinte, Edward Nygma, um investigador das Indústrias Wayne que vem desenvolvendo um dispositivo de transmissão de sinais televisivos  diretamente ao cérebro humano, apresenta a sua invenção a Bruce Wayne (por quem é obcecado).  O milionário, no entanto, rejeita o projeto e a parceria proposta pelo seu colaborador. Nessa noite, Nygma usa o seu chefe como cobaia para testar a sua invenção, depois de este ter ordenado o imediato encerramento do projeto. Após voltar do transe induzido pela máquina, o chefe demite Nygma e ameaça processá-lo, mas este lança-o pela janela simulando um suicídio. De seguida apresenta o seu pedido de demissão, fingido-se traumatizado pelo ocorrido. Antes porém de abandonar as instalações das Indústrias Wayne, Nygma deixa lá um quebra-cabeças.
     Após  uma reunião com a psiquiatra Drª. Chase Meridian, Bruce Wayne convida-a para um espetáculo circense. O qual é arruinado pelo Duas-Caras e os seus capangas. Numa tentativa de descobrir a identidade secreta de Batman, o vilão ameaça fazer explodir uma bomba e matar todos os presentes. No processo, uma família de acrobatas chamada Os Graysons Voadores são assassinados, caindo mortalmente quando os seus trapézios são cortados.  Dick, o benjamim, sobrevive e atira a bomba do Duas-Caras ao rio. Bruce assume a tutela do jovem órfão e oferece-lhe guarida  na Mansão Wayne. Dick anuncia então a  sua intenção de matar o Duas-Caras e vingar o assassinato da sua família, apesar das tentativas de Bruce para o demover.

Depois de Vicky Vale e da Mulher Gato, a Drª. Meridian foi a senhora que se seguiu no coração do herói.
 
      Quando o rapaz descobre que o seu tutor é o Batman, insiste em tornar-se seu parceiro. Temendo pela vida de Dick, Bruce recusa vigorosamente a proposta.
     Enquanto isso, Nygma torna-se um criminoso fantasiado conhecido como o Charada (ver texto anterior) e alia-se ao Duas-Caras, prometendo-lhe descobrir a identidade de Batman.  Para esse efeito, usará  o dispositivo por ele inventado - a Caixa -  o qual lhe permite ler e controlar as mentes dos telespectadores, ao mesmo tempo que lhe aumenta o quociente de inteligência.
      Pouco tempo depois, numa festa de angariação de fundos, Nygma descobre por acaso que Bruce Wayne e Batman são uma só pessoa. Segue-se um ataque do Duas-Caras ao evento, que quase culmina com a morte do Cavaleiro das Trevas, salvo in extremis por Robin.

Duas-Caras e Charada conspirando contra Batman.
 
      Simultaneamente,  o Duas-Caras e o Charada invadem e destroem a batcaverna. Não satisfeitos, os dois malfeitores sequestram a Drª. Meridian. Igual a si próprio, o Charada não resiste a deixar um enigma contendo pistas sobre a localização do seu esconderijo. Ao decifrá-lo, Batman ruma ao covil do vilão, numa ilha ao largo de Gotham City. Chegado lá, o Duo Dinâmico separa-se. Robin encontra o Duas-Caras e espanco-o mas percebe que a vingança que procura não trará de volta os seus entes queridos nem a paz de espírito perdida. Acaba por se compadecer do vilão e este aproveita para o capturar.
      Ao penetrar no covil do Charada, Batman depara-se com o seu parceiro e a sua amante engaiolados e à mercê da dupla criminosa. O Charada insta o herói a escolher qual dos dois quer salvar, mas o Homem-Morcego encontra um expediente para salvar ambos. De caminho, destrói o dispositivo de recolha de ondas cerebrais que alimenta o intelecto do Charada, causando-lhe um colapso mental. Já o Duas-Caras despenca de uma ravina durante a refrega e é dado como morto.
      Enviado para o Asilo Arkham, o Charada é monitorizado pela Drª. Chase Meridian (a quem Bruce Wayne revelara entretanto o seu segredo). Certo dia, ele afirma conhecer a verdadeira identidade do Batman e prontifica-se a revelar-lha. Interrogado pela médica, assume ser ele mesmo o Homem-Morcego. Com o seu segredo a salvo, Batman e Robin podem prosseguir o seu trabalho de guardiões de Gotham City.

O Duo Dinâmico em grande estilo.
 
 
O Menino Prodígio surge pela primeira vez num filme do Batman.

Curiosidades:
 
* Numa das cenas do filme, o Duas-Caras atira ao ar a sua moeda até obter o resultado desejado. Na banda desenhada, pelo contrário, uma das regras autoimpostas pelo vilão consiste em jamais questionar a sorte ditada pelo lançamento aleatório da moeda, cujas faces refletem a sua personalidade bipolar;
* A ideia original de Jim Carrey de desenhar um ponto de interrogação no seu escalpe foi descartada devido à necessidade do ator de comparecer em tribunal no âmbito do seu processo de divórcio;
* A primeira parte do filme foi exaustivamente editada por forma a começar com uma sequência de ação. Na subsequente edição em DVD é apresentada a cena original mostrando a fuga do Duas-Caras do Asilo Arkham;
* Insistindo em tornar-se parceiro do Homem-Morcego na sua cruzada contra o crime, além de Batboy, Dick Grayson sugere Nightwing (Asa Noturna) como codinome a adotar. Trata-se da identidade assumida nos quadradinhos pelo primeiro Robin, assinalando assim a sua emancipação relativamente ao antigo tutor;
* As cores (vermelho, verde e amarelo) e o estilo dos trajes envergados pelos Graysons Voadores no circo onde atuavam são uma homenagem ao uniforme clássico usado pelos dois primeiros Robins na BD (Dick Grayson e Jason Todd). Já o fato que surge no filme é inspirado no utilizado, a partir de 1990, pelo terceiro Menino Prodígio (Tim Drake). Consta que foi idealizado pelo próprio Tim Burton e pesava 18,6 kg;
*Antes da escolha para assumir o manto do morcego recair sobre Val Kilmer, William Baldwin, Kurt Russell e Daniel Day-Lewis foram algumas das opções equacionadas;

À esquerda, o cartaz promocional original do filme, com o primeiro elenco escolhido.
 
* A decisão de Joel Schumacher de colocar mamilos nos uniformes de borracha usados pelo Duo Dinâmico no filme e um brinco na orelha de Robin gerou controvérsia, deixando desagradado o próprio Bob Kane (criador de Batman em 1939). O realizador justificou-se dizendo que a ideia era  aumentar a definição anatómica dos trajes e dar um visual mais cool ao Menino Prodígio;
* Igualmente controversa foi a hipótese de Marlon Wayans (ator negro celebrizado sobretudo pela franquia Scary Movie) vir a dar vida a Robin no grande ecrã, quando Tim Burton ainda estava à frente do projeto;
* A caracterização de Tommy Lee Jones como Duas-Caras demorava quatro horas. O ator foi a primeira escolha de Schumacher para o papel depois de terem trabalhado juntos em O Cliente (1994);
* Batman Para Sempre sinaliza a primeira aparição do Asilo Arkham (instituição psiquiátrica para criminosos insanos) no cinema;
* Foram produzidos mais de uma centena de fatos do Duo Dinâmico, para serem utilizados não só pelos atores, mas também pelos vários duplos em cenas de luta ou envolvendo água e fogo.
 
 
Prémios e nomeações: Nos Óscares de 1996, Batman Para Sempre foi nomeado para as categorias de Melhor Fotografia e Melhor Sonoplastia, não tendo contudo vencido em nenhuma delas. Já nos Saturn Awards do mesmo ano, o filme foi indicado para as categorias de Melhor Filme de Fantasia, Melhor Caracterização e Figurino e Melhores Efeitos Especiais, tendo voltado a perder em todas elas. O mesmo sucedendo em relação à meia-dúzia de nomeações recebidas nos MTV Awards, na sua edição de 1996.

A caracterização do Duas-Caras valeu uma nomeação nessa categoria a Batman Para Sempre.
 
Veredito: 44%

       À imagem do que acontecera com a franquia Superman anos antes, depois de dois filmes extraordinários do Homem-Morcego ambientados numa atmosfera lúgubre tão ao gosto de Tim Burton e onde pontificaram vilões credíveis (um Joker sádico e um Pinguim perverso com uma sedutora Mulher-Gato de permeio), seguiram-se duas sequelas horripilantes. Pese embora o facto de este Batman Para Sempre, a despeito dos seus muitos defeitos, ser uma pérola da 7ª arte quando comparado com o inenarrável Batman & Robin que se lhe seguiu, volvidos dois anos.
        Aos olhos dos fãs da mitologia do Homem-Morcego, o hiato entre o universo soturno de Burton e o registo psicadélico de Schumacher é inconcebível. É como se, de repente, fossemos transportados para um qualquer episódio da série televisiva do Homem-Morcego, que, de tão kitsch, se tornou um fenómeno de culto em finais dos anos 60 do século XX. E, com isso, toda a credibilidade granjeada por Burton em Batman e Batman Returns é deitada pelo ralo abaixo por Schumacher e companhia.
       Se, nos dois primeiros filmes, um dos pontos fortes foram os vilões, em Batman Para Sempre temos um Duas-Caras apatetado e um Charada alucinado, reforçando assim o registo histriónico de uma película que parece apostada em ridicularizar o Cavaleiro das Trevas. O que de resto está bem patente na insólita colocação de mamilos nos trajes usados pelo Duo Dinâmico e na quase total ausência de suspense num enredo delirante.
       Não obstante o próprio Bob Kane ter elogiado a prestação de Val Kilmer como Batman, não considero que tenha sido uma escolha feliz para o papel. Kilmer está longe de possuir o carisma e o charme psicótico que caracterizavam Michael Keaton e que - sem desprimor para a douta opinião do criador do Homem-Morcego - na minha opinião fizeram dele o melhor Batman cinematográfico até à data.
       Resumindo, há uma diferença - que Joel Schumacher, a julgar pelo que fez nos dois filmes de Batman que dirigiu, não aprendeu - entre prestar tributo a uma banda desenhada e transformar um filme numa banda desenhada. Pura e simplesmente não funciona, conforme atestam outros projetos similares (como The Spirit ou Hulk).
       Batman Para Sempre foi somente um mau augúrio para o que viria depois...
 
 



sábado, 23 de novembro de 2013

GALERIA DE VILÕES: CHARADA





      Também conhecido por Enigma, é um dos mais antigos inimigos do Batman, e um dos poucos a conhecer a sua verdadeira identidade. Apesar disso, prefere continuar a desafiar o maior detetive do mundo a usar essa informação para o liquidar.
 
 
Nome original: The Riddler
Primeira aparição: Detective Comics nº140 (outubro de 1948)
Criadores: Bill Finger (história) e Dick Sprang (arte)
Licenciadora: DC
Identidade civil: Edward Nashton
Local de nascimento: Waterbury, Connecticut
Filiação: Sociedade Secreta dos Supervilões, Liga da Anarquia do Joker
Base de operações: Gotham City
Armas, poderes e habilidades: À semelhança da maioria dos arqui-inimigos do Batman (e do próprio herói), o Charada não possui qualquer habilidade meta-humana. Dispõe todavia de outros recursos, que fazem dele um oponente temível:

* Intelecto superior: dono de um Q.I. muito acima da média, o Charada possui excecionais capacidades dedutivas. O que faz dele um génio criminoso, especialista na conceção e resolução dos mais intrincados quebra-cabeças. Por outro lado, as suas habilidades analíticas fazem dele um investigador de excelência, capaz de rivalizar com o próprio Batman;
* Escapismo: desde a infância que Edward Nashton idolatra as proezas escapistas de Harold Houdini. Foi nele que se inspirou para conceber as complexas (e potencialmente fatais) armadilhas que utiliza nas suas atividades criminosas. É também graças ao seu domínio dessas técnicas que, em incontáveis ocasiões, conseguiu evadir-se de prisões ou do Asilo Arkham;
* Parafernália: pouco dado a confrontos físicos, o Charada dispõe de um vasto arsenal onde pontifica o seu cajado metálico em forma de ponto de interrogação (embora possua um objeto idêntico feito em madeira) e que inclui também uma panóplia de armas, explosivos e excêntricas engenhocas.

A primeira vez que o Charada enfrentou o Duo Dinâmico foi em Detective Comics nº140 (1948).
 
Fraquezas: Os enigmas e quebra-cabeças do Charada são, de facto, uma expressão do seu distúrbio obsessivo-compulsivo. No fundo, ele usa-os porque quer ser apanhado. A prová-lo está o facto de, vezes sem conta, as pistas por ele deixadas terem permitido ao Batman capturá-lo. Com efeito, o vilão apenas executa crimes que possam ser descritos sob a forma de enigmas. É também esse o motivo que explica a sua incapacidade para matar o seu principal oponente, mesmo quando este se encontra à sua mercê. Ao invés, o Charada prefere desafiar as capacidades detetivescas do Cavaleiro das Trevas porquanto isso lhe proporciona enorme prazer.
 
Graças às suas enormes capacidades dedutivas, o Charada descobriu que Batman e Bruce Wayne são uma só pessoa.

Biografia: Edward Nashton cresceu no seio de uma família desfeita. Abandonado pela mãe pouco tempo depois de ter nascido, foi criado por um pai violento, que o espancava com frequência. Nalgumas histórias é sugerido que o fazia por invejar a inteligência do filho.
       Certa vez, um dos professores de Edward prometeu um prémio a quem resolvesse mais rapidamente um puzzle por ele apresentado. Entusiasmado com a ideia, o jovem Edward fez batota para ganhar o concurso: a coberto da noite introduziu-se no gabinete onde o professor guardava o quebra-cabeças, fotografou-o e depois montou-o facilmente. Como prémio, recebeu um livro de enigmas que o deixou fascinado. A partir desse momento Edward tornou-se obcecado com puzzles, charadas e toda a sorte de quebra-cabeças.
       Já adulto, Edward trabalhou num parque de diversões onde ganhava a vida a ludibriar os incautos que tentavam, em vão, solucionar os seus bizarros enigmas. Não tardou porém a ambicionar desafios maiores e, por isso, idealizou o seu alter ego uniformizado para enfrentar Batman. O Charada acreditava que o Homem-Morcego seria o único adversário à altura do seu intelecto. Foi também por essa altura que alterou o seu apelido para Nigma, criando com a inicial do seu primeiro nome um anagrama para a palavra "enigma" (E. Nigma).
 
 
 
       Em Gotham City, o Charada iniciou a sua carreira no submundo do crime como um simples informante. Com o tempo ganhou, contudo, o estatuto de arqui-inimigo do Batman, cujas capacidades detetivescas testa obsessivamente.
       O modus operandi do Charada consiste em fornecer, tanto à polícia como ao Cavaleiro das Trevas, pistas complexas sobre os seus planos criminosos. Os quais se caracterizam, invariavelmente, pela sua extravagância e ostentação.
       Habitualmente descrito como um indivíduo de falinhas mansas, embora excêntrico e matreiro, o Charada foi diversas vezes declarado insano devido ao seu comportamento obsessivo-compulsivo. No entanto, por contraponto a vários outros vilões que integram a galeria de inimigos do Batman, não se trata de um psicopata homicida. Trata-se antes de um narcisista maligno dono de um ego desmesurado. Ele comete crimes com o propósito de demonstrar a sua superioridade intelectual, pelo que estes raramente são violentos. Daí que os seus confrontos com o Homem-Morcego sejam mais cerebrais do que físicos. Todos os seus comportamentos resultam, em última análise, de uma profunda neurose.
       Graças às suas capacidades dedutivas, o Charada, a par do Professor Hugo Strange, Ra's al Ghul e da Mulher-Gato, é um dos poucos inimigos do Batman a conhecer a sua identidade secreta.
       Em 2009, obteve um honroso 59º lugar no ranking dos Melhores Vilões De Todos Os Tempos do site IGN.
 
 
 
Noutros media: Interpretado por Frank Gorshin, o Charada ganhou projeção mediática através da série televisiva do Batman exibida na década de 1960, bem como da respetiva longa-metragem. No campo da animação, o vilão fez a sua primeira aparição na série infantil The Batman/Superman Hour (1968). Seguiram-se várias participações em séries animadas estreladas não só pelo Cavaleiro das Trevas mas também por outros heróis do Universo DC, como Super-homem ou Justiça Jovem.
 

Frank Gorshin foi o Charada na 1ª e na 3ª temporadas da série televisiva Batman.

 
         Em Batman Para Sempre (1995), foi a vez de Jim Carrey  dar vida ao Charada no grande ecrã. No filme é recuperada a essência da personagem, reaproximando-a da sua versão original do quadradinhos.
 
Em Batman Forever coube a Jim Carrey dar vida ao espalhafatoso vilão.
         
Curiosidade: No parque de diversões Six Flags Magic Mountain, localizado em Valencia (Califórnia), existe a maior e mais rápida montanha-russa do mundo, inspirada no Charada. Foi por isso sugestivamente batizada de Riddler's Revenge (A Vingança do Charada).