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sexta-feira, 17 de abril de 2015

GALERIA DE VILÕES: DUAS-CARAS




  Bem ou mal? Vida ou morte? Cara ou coroa? Para este velho inimigo do Batman, personificação fascinante da dualidade da natureza humana, o destino é ditado pelo lançamento de uma moeda ar. Sentem-se com sorte?

Nome original da personagem: Two-Face
Criadores: Bob Kane (conceito) e Bill Finger (desenvolvimento)
Primeira aparição: Detective Comics nº66 (agosto de 1942)
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Harvey Dent
Local de nascimento e base de operações: Gotham City
Parentes conhecidos: Gilda Dent (ex-esposa) e Duela Dent (filha)
Afiliação: Liga da Injustiça e Sociedade do Submundo
Armas, poderes e habilidades: Antes da sua transformação em Duas-Caras, Harvey Dent era reputado como um dos mais brilhantes e honestos promotores de Gotham City, especializado em intrincados casos de investigação criminal. Apesar da insanidade que derivou da sua desfiguração, o seu intelecto manteve-se intacto. Conservando, portanto, as suas excecionais capacidades analíticas e dedutivas, que fazem dele um génio criminoso.
   Em tempos treinado pelo Exterminador e pelo próprio Batman, o Duas-Caras é cinturão negro de Kung Fu e um exímio atirador (é, de resto, comum ele usar armas de fogo de diferentes calibres). Aptidões que fazem dele um dos mais temidos e influentes patrões do crime organizado de Gotham, tendo como principal concorrente o Pinguim.
Fraquezas: Estas consistem essencialmente na personalidade bipolar do Duas Caras e na total dependência do vilão em relação à sua moeda riscada para a tomada de decisões.

As duas faces da mesma moeda.
Conceção e desenvolvimento: Na sua autobiografia, Bob Kane (a par de Bill Finger, cocriador de Batman e Duas-Caras), assume ter-se inspirado no clássico literário The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (vulgo O Médico e o Monstro), escrito por Robert Louis Stevenson em 1886, para a conceção daquele que viria a ser um dos antagonistas clássicos do Cruzado Encapuzado. Mais especificamente, no filme homónimo de 1931 que Kane assistira na infância. Outra das influências no desenvolvimento da personagem remete para a cultura pulp dos anos 1930, designadamente para Black Bat. Tratando-se este de um herói muito popular entre os fãs desse tipo de publicações que, tal como Harvey Dent, teve o seu rosto desfigurado por ácido.

Bob Kane, cocriador de Batman e também do Duas Caras.

  Mercê de sucessivas modernizações do conceito primordial, nos anos mais recentes o Duas-Caras tem sido retratado como um indivíduo atormentado pela esquizofrenia, bipolaridade  e por um severo transtorno de personalidade. Patologias psíquicas indissociáveis da sua obsessão com a dualidade e com o Destino. Na sua versão contemporânea convencionou-se ainda que Harvey Dent fora, outrora, amigo e aliado tanto do Batman como do Comissário James Gordon.


As duas principais influências na conceção do Duas-Caras.

Personalidade e aparência: Não sendo intrinsecamente maligno, sempre que congemina um plano criminoso, o Duas-Caras faz depender a execução do mesmo da sorte ditada pela sua moeda. Ou seja, ele apenas infringe a lei quando, depois de lançar a moeda ao ar, esta cai com a face riscada virada para cima. E, em circunstância alguma, o vilão questiona o resultado do lançamento. Este ritual expressa uma espécie de compromisso entre Harvey Dent e a sua persona vilanesca, obrigados ambos a coabitar no mesmo corpo.
   Uma vez que a sua face esquerda está horrivelmente desfigurada, o Duas-Caras opta por usar um padrão de tecido diferente na sua roupa desse lado, de molde a enfatizar essa faceta distorcida da sua personalidade. No entanto, a sua aparência sofreu diversas modificações ao longo do tempo: na sua primeira aparição, a face deformada do vilão era verde clara, ao passo que nas suas versões mais recentes (porventura influenciadas pelo visual da personagem no filme Batman Para Sempre) esta passou a ser púrpura.
  Fora da banda desenhada, há ainda a registar o azul celeste da face desfigurada do Duas-Caras em Batman: The Animated Series e a aparência grotesca do vilão na película O Cavaleiro das Trevas (ver texto anterior). Neste último caso, além da ausência de cabelo do lado esquerdo do crânio, são visíveis músculos, tendões e a estrutura óssea sob a pele queimada dessa metade do rosto de Harvey Dent.
  Outra das obsessões do Duas-Caras reside no número 2, símbolo da sua própria dualidade e do mundo em geral. Daí derivando uma compulsão para arquitetar todos os seus planos com base nesse algarismo. O que acaba amiúde por comprometer o êxito dos mesmos.
  Embora, ao longo dos anos, o Duas-Caras tenha sido submetido a várias cirurgias plásticas com vista à reparação das suas pavorosas cicatrizes faciais, esse facto foi insuficiente para curar a sua demência. Numa ocasião, depois de a personalidade de Harvey Dent ter aparentemente subjugado a do Duas-Caras, o antigo promotor automutilou a sua face esquerda, permitindo dessa forma o regresso do seu alter ego maligno.

Um vilão com a face e a mente deformadas.
Outras versões: Aquando da sua terceira aparição nas histórias do Batman, ainda nos anos 1940, o Duas-Caras teve a sua face e a sua sanidade mental restauradas. Apesar de muitos leitores reivindicarem o regresso do malfeitor, os argumentistas preferiram conceber outras personagens para assumir o papel. Wilkins, o assistente do cirurgião que reconstruiu o rosto de Harvey Dent, foi o primeiro desse rol de impostores. Recorrendo a maquilhagem para se fazer passar pelo Duas-Caras, Wilkins perpetrou vários crimes.
  Paul Sloane, um ator escolhido para protagonizar um filme biográfico de Harvey Dent, foi, todavia, o mais notório e duradouro dos émulos do Duas-Caras. Desfigurado devido a um acidente registado no set, Sloane teve a sua mente estilhaçada e assumiu como sua a personalidade da personagem que encarnava. Mesmo depois de ter recuperado a sua sanidade mental, Sloane continuou a cometer crimes como Duas-Caras. Reintroduzido na cronologia da DC pós-Crise nas Infinitas Terras, este falso Duas-Caras logo voltaria a ser votado ao esquecimento. Sendo posteriormente repescado para a continuidade da editora saída de Zero Hora, agora operando sob o codinome Charlatão (The Charlatan, em inglês).
  Duas-Caras II (alter ego criminoso de Terry McGinnis) foi o mais recente impostor. Ao contrário do Duas-Caras original, esta sua versão genérica nasceu com metade do rosto deformada e usava não uma, mas duas moedas para determinar as suas ações. Foi dado como morto depois de ter sido esmagado por uma máquina.Não sem antes assegurar o seu lugar nos cânones da Editora das Lendas.
  Da lista de imitadores do Duas-Caras fazem também parte George Blake, Harvey Apollo, Harvey Kent e o próprio Batman (que, numa história publicada em 1968, assumiu temporariamente a identidade do seu velho inimigo após ter ingerido uma poção mágica).

Batman versus Duas-Caras: ontem aliados, hoje inimigos figadais.

Histórico de publicação: Remonta a agosto de 1942 a primeira aparição do Duas-Caras, nas páginas de Detective Comics nº66, com a identidade civil de Harvey "Apolo" Kent. A sua alcunha ficou a dever-se à sua aparência aprumada e à sua conduta galante. Já o seu apelido seria rapidamente substituído por Dent, por forma a evitar associações com o alter ego do Super-Homem.
  A personagem fez apenas três aparições durante a década de 1940, a que se somaram outras duas na década seguinte (sem contar com os impostores mencionados na lista acima). Por essa altura, o Duas-Caras foi preterido em prol de vilões menos suscetíveis de assustar o público infantil. Ressurgindo, contudo, em 1968 em World's Finest Comics nº173, edição em que o Batman assumia ser o Duas-Caras o criminoso que mais temia.
  Apesar dessa declaração do próprio Cavaleiro das Trevas, só três anos depois, em 1971, é que o escritor Dennis O'Neil concedeu ao Duas-Caras o estatuto de arqui-inimigo do sombrio guardião de Gotham City.
  A exemplo de muitas outras personagens da DC, após Crise Nas Infinitas Terras, o Duas-Caras teve a sua origem revisitada. Em linha com Batman: Year One, coube a Andrew Helfer reescrever a história do vilão em Batman Annual (vol. 1) nº14, vincando o cunho trágico da mesma. Entre os vários elementos inéditos introduzidos na biografia de Harvey Dent destacavam-se os abusos sofridos em criança às mãos do pai alcoólico e as primeiras manifestações da sua personalidade bipolar e paranoide. Foi também nesse âmbito que ficou convencionada a estreita ligação entre Harvey Dent, o Comissário Gordon e Batman, no período que precedeu a  transformação do ex-promotor em Duas-Caras.

A estreia do Duas-Caras em Detective Comics nº66 (1942).
Biografia: Após uma infância traumática, marcada pelas sevícias que lhe foram infligidas pelo pai alcoólico, Harvey Dent desenvolveu uma personalidade perturbada. Graças ao seu empenho e determinação, logrou ainda assim tornar-se, aos 26 anos de idade, o mais jovem promotor público na história de Gotham City. Com a sua eleição a preceder em seis meses o início da cruzada contra o crime empreendida pelo Batman.
   Dent, o então capitão do DPGC James Gordon e Batman forjaram uma aliança para libertar a cidade da influência nefasta de Sal Maroni e Carmine Falcone, os dois principais chefes mafiosos. Gordon chegou a conjeturar que Dent e Batman pudessem ser a mesma pessoa, mas logo percebeu que essa sua dedução estava errada.
  O triunvirato justiceiro desfez-se de forma trágica quando Sal Moroni, acreditando ter sido Dent o responsável pela morte do seu pai, lhe atirou ácido sulfúrico à cara durante um julgamento. Apesar de ter sobrevivido ao ataque, o promotor teve a sua face esquerda horrivelmente desfigurada.
  Dias depois do incidente, Dent fugiu do hospital onde estava internado e mergulhou numa espiral de loucura. Desenvolvendo uma obsessão com a dualidade, criou uma segunda persona diametralmente oposta à primeira.
  Nesse dia nasceu o Duas-Caras. Adotando entretanto como imagem de marca uma moeda de prata riscada numa das faces, que lança ao ar para determinar as suas ações. Assim, sempre que a face mutilada da moeda cai virada para cima, daí resulta um crime. Se, pelo contrário, for a face intacta a ficar virada para cima, Dent tem a oportunidade de agir corretamente.
   Este ritual trata-se, na verdade, de uma sórdida reminiscência do passado de maus tratos sofridos às mãos do pai, que também usava idêntico método para decidir se espancava ou não o pequeno Harvey. Essa espécie de jogo sádico do seu progenitor, instilou em Harvey o seu permanente dilema entre o livre arbítrio e a sua manifesta incapacidade para tomar as suas próprias decisões.

Moeda ao ar para decidir a vida ou a morte do Homem-Morcego. 
   Depois dos seus primeiros confrontos com o Batman, o Duas-Caras procurou cortar todos os laços com a sua vida passada, incluindo com a sua esposa Gilda. Facto que se revelou, todavia, demasiado doloroso para a sua faceta de Harvey Dent. Arrependido, o vilão tentou reaproximar-se da mulher, convencendo-a de que restaurara a sua aparência por via de cirurgias plásticas. Quando Gilda descobriu o logro, afastou-se dele, deixando-o ainda mais perturbado.
  Capturado pelo Duo Dinâmico, o Duas-Caras teve o seu rosto reconstruído pelo bisturi do Dr. Eckhart. Daí resultando uma cura parcial da sua mente fraturada. Durante um par de anos, Harvey Dent levou uma vida relativamente normal. Período durante o qual vários impostores se fizeram passar por ele.
  Alguns anos depois, Dent voltaria, porém, a ter metade do rosto deformado, após ter sido colhido por uma explosão. Novamente ensandecido, reviveu o Duas-Caras e retomou a sua carreira criminosa.
  Na cronologia saída de Os Novos 52, o Duas-Caras teve a sua origem profundamente retocada. Na sua encarnação moderna, Harvey Dent começou por ser um bem-sucedido advogado, cuja carteira de clientes incluía as gémeas Shannon e Erin, do clã mafioso McKillen. Coagido a assinar um contrato vitalício de assistência jurídica às duas irmãs, Dent assiste impotente aos planos delas para assassinar James Gordon e toda a sua família.
   No entanto, os planos das manas McKillen fracassam, os Gordons sobrevivem e Bruce Wayne decide financiar a campanha de Dent para se fazer eleger promotor público de Gotham. Num dos seus primeiros atos oficiais nessa qualidade, Dent processa as suas antigas clientes, que acabam sentenciadas a prisão perpétua.
   Na cadeia, Shannon comete suicídio e Erin consegue escapar, trocando de lugar com o cadáver da irmã. Culpando Dent pelo sucedido, Erin invade a casa do casal Dent, mata Gilda à frente do marido e desfigura parte do rosto de Harvey com ácido. Entrando, uma vez mais, em cena o Duas-Caras.

Visual clássico do Duas-Caras no período pré-Crise.

Noutros media: Ocupando uma notável 12ª posição na lista dos 100 melhores vilões de sempre dos quadradinhos elaborada pelo site IGN, o Duas-Caras tem sido presença assídua em filmes, séries e jogos de vídeo estrelados pelo Batman.
  A primeira vez que o vilão esteve prestes a dar o salto das páginas da BD para o pequeno ecrã foi em meados dos anos 1960. Clint Eastwood chegou a ser cogitado para emprestar corpo ao Duas-Caras na série televisiva Batman. Reimaginado como um pivô de noticiário desfigurado numa das faces em consequência da explosão de um projetor no estúdio, a inclusão do vilão na série acabaria por nunca se verificar. Aos olhos dos produtores, a aparência medonha e a personalidade violenta do Duas-Caras não se coadunavam com o registo cómico de uma programa televisivo que se queria para toda a família.
  Frustada essa primeira tentativa de transpor o Duas-Caras para a TV, a sua estreia fora dos quadradinhos aconteceria apenas quase três décadas depois, em Batman: The Animated Series (1994-95).
  Com maior ou menor protagonismo, o vilão participou em diversas outras produções do género: The New Batman Adventures, Batman: The Brave and the Bold, Beware the Batman, etc. Além de em vários filmes de animação da DC, como Batman: Year One, Batman: The Dark Knight Returns ou Batman: Assault on Arkham. 
  Embora sem assumir o seu alter ego maligno, Harvey Dent (interpretado por Billy Dee Williams) surge no filme Batman (1989). Afastado entretanto da franquia, o ator negro veria o seu lugar ser ocupado em Batman Para Sempre (1995) por Tommy Lee Jones, a quem coube pela primeira vez dar vida ao Duas- Caras no cinema. Papel que, de resto, lhe valeria uma nomeação para os MTV Awards, na categoria de Melhor Vilão. Ainda no grande ecrã, em 2008 seria a vez de Aaron Eckhart encarnar o Duas-Caras em O Cavaleiro das Trevas, segundo capítulo da trilogia dirigida por Christopher Nolan.

Tommy Lee Jones foi um exuberante Duas-Caras em Batman Para Sempre, contrastando com a abordagem mais sombria feita por Aaron Eckhart à personagem em O Cavaleiro das Trevas (em baixo).

   De volta ao pequeno ecrã, Nicholas D'Agosto é Harvey Dent na série Gotham (atualmente em exibição). Retratado como um jovem e aparentemente incorruptível promotor público, Dent, numa clara alusão ao seu percurso antes de se transformar no Duas Caras em Batman: Ano Um, alia-se ao detetive James Gordon com o objetivo de investigar o homicídio de Thomas e Martha Wayne e de expor os esquemas ilícitos do Comissário Loeb do DPGC.

Cara ou coroa? A moeda decide.