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sábado, 27 de junho de 2015

GALERIA DE VILÕES: MONGUL



  Pela sua natureza brutal e implacável, o Senhor do Mundo Bélico representa uma enorme ameaça à paz intergaláctica. Inimigo jurado do Homem de Aço, em incontáveis ocasiões teve os seus planos de conquista por ele travados.

Nome original da personagem: Mongul, The Elder
Licenciadora: DC Comics
Criadores: Len Wein (história) e Jim Starlin (arte)
Primeira aparição: DC Comics Presents nº27 (novembro de 1980)
Local de nascimento:  Desconhecido
Parentes conhecidos: Mongul II (filho) e Mongal (filha falecida)
Afiliação: Mongul II foi em tempos membro da Tropa Sinestro
Base de operações: Mundo Bélico

A primeira aparição de Mongul em DC Comics Presents nº27, numa história datada de 1980 que contava ainda com a participação especial do Caçador de Marte. 

Armas, poderes e habilidades: Na sua versão primordial, introduzida ainda na Idade do Bronze dos Quadradinhos, Mongul era descrito como virtualmente invulnerável e fisicamente mais forte do que o próprio Super-Homem. Consequentemente, as derrotas do vilão às mãos do Homem de Aço eram ocasionadas pela astúcia deste último que, invariavelmente, encontrava maneira de abortar os esquemas do Senhor do Mundo Bélico. Na única vez em que o Super-Homem logrou superiorizar-se a Mongul num combate corpo a corpo, o herói kryptoniano tombou inconsciente, logo depois de o mesmo ter acontecido com o seu oponente.
  Ao seu formidável poderio físico, Mongul somava habilidades de teletransporte, vestígios de telepatia e a capacidade de disparar rajadas energéticas de elevada potência através das mãos e dos olhos. O vilão dispunha ainda de tecnologia que lhe permitia encolher os seus adversários, colocando-os de seguida em cubos de inversão dimensional. Estes sofisticados dispositivos de contenção eram concebidos para serem à prova de fugas. Para isso, os cubos distorciam a realidade percecionada pelos que neles eram aprisionados, além de absorverem quaisquer poderes usados no seu interior.
  Na sua versão moderna, retocada no pós-Crise, Mongul começou por aparentar ser ligeiramente menos poderoso do que o seu predecessor. Ideia desfeita quando o vilão derrotou alguns pesos-pesados do Universo DC (com a Mulher-Maravilha à cabeça) e chacinou diversos elementos da Tropa Sinestro com o intuito de os expropriar dos seus anéis energéticos.
  Exímio estratega e proficiente em múltiplas artes marciais, Mongul tem, contudo, no Mundo Bélico a sua mais temível arma. Trata-se de um gigantesco satélite artificial móvel criado muito tempo atrás por uma raça de conquistadores espaciais chamados Warzoons. Apetrechado com um vasto arsenal que incluí canhões laser e mísseis termonucleares, o Mundo Bélico dispõe de poder de fogo suficiente para pulverizar um planetoide.

O Mundo Bélico (qualquer semelhança com a Estrela da Morte da saga Guerra das Estrelas será decerto mera coincidência).
   

Biografia: Apesar dos créditos pela criação da personagem serem frequentemente imputados apenas a Jim Starlin, Mongul foi, na verdade, uma conceção do escritor Len Wein. Questionado sobre este facto no decurso de uma entrevista à The Krypton Companion, Lein  foi perentório: "Bem, Starlin foi o autor dos esboços, mas o conceito foi desenvolvido por mim". Acrescentando ainda: "A ideia era criar um vilão que pudesse igualar ou até suplantar o poderio físico do Super-Homem".
 Com efeito, foi nesses termos que o vilão alienígena foi descrito na sua estreia em DC Comics Presents nº27. Mongul era o regente tirânico do Mundo Bélico, um colossal satélite artificial que percorria a galáxia em busca de escravos que pudessem ser usados como gladiadores em arenas mortíferas. 

Len Wein reclama a paternidade de Mongul.

  Depois de uma das suas naves esclavagistas capturar o Homem de Aço, Mongul promoveu um combate entre o herói e Draaga, um seu rival que cobiçava o trono do Mundo Bélico. Quando o Super-Homem se recusou a tirar a vida ao seu adversário, Mongul resolveu travar ele próprio um combate com o kryptoniano. Que foi salvo in extremis de uma morte brutal pela intervenção do Clérigo. 
  À medida que os súbditos de Mongul se começaram a revoltar contra a sua tirania, o vilão foi sobrepujado por Draaga e viu o trono do Mundo Bélico ser usurpado por ele. Por entre um arrazoado de juras de vingança, o tirano apeado fugiu do planeta.

Figurino clássico de Mongul.

  Na posse de uma reduzida parcela da tecnologia do Mundo Bélico e acolitado somente por algumas dezenas de esbirros, Mongul conseguiu conquistar um pequeno planeta onde se exilara. Foi nele que seria casualmente encontrado pelo Supercyborg (um dos quatro falsos Super-Homens que reclamaram o  legado do herói após a sua a morte às mãos de Apocalypse). Reconhecendo o seu ódio mútuo pelo Último Filho de Krypton, o impostor cibernético propôs uma aliança a Mongul.
  Em troca da sua lealdade, o Supercyborg ofereceu a Mongul um novo Mundo Bélico para governar. Perante a recusa do orgulhoso alienígena em ser seu subalterno, o Supercyborg obrigou-o à força a participar no seu esquema..
  A bordo de uma gigantesca nave espacial, Mongul rumou então à Terra, tendo como alvo Coast City. Com a cidade na mira, o vilão lançou um ataque massivo que a obliterou, assim como a quase totalidade dos seus habitantes. 
  De seguida, a nave expeliu centenas de milhares de nanitas que, em poucos minutos, construíram um colossal motor para servir aos intentos do Supercyborg. Mongul, entretanto, esperava pelo momento certo para trair o seu amo. O qual se proporcionaria após um ataque fracassado a Metrópolis com mísseis e a subsequente retaliação levada a cabo pelo verdadeiro Super-Homem (regressado entretanto dos mortos),  secundado por Superboy e Aço (dois outros émulos do herói kryptoniano).

O Supercyborg obrigou Mongul a participar no seu infame esquema.

  O referido ataque a Metróplis tinha como objetivo sentenciar a cidade a idêntico destino ao sofrido por Coast City, para lá instalar um segundo motor  que transformaria a Terra e seus habitantes numa nova versão do Mundo Bélico. Caso fosse acionado o único motor construído, o planeta sairia da sua órbita e despedaçar-se-ia. E foi justamente isso que Mongul ordenou aos seus asseclas que fizessem.
  Ao consciencializarem-se das funestas intenções do vilão, o Super-Homem (praticamente sem poderes) e a Supergirl tentaram travá-lo. Os seus esforços resultaram, porém, infrutíferos, tendo ambos sido prontamente subjugados por Mongul.
 Simultaneamente, Aço confrontou o Supercyborg numa desesperada - e bem-sucedida - tentativa de impedir o acionamento do motor. Ciente da traição de Mongul e do iminente fracasso dos seus planos, o Supercyborg permitiu o acesso do Lanterna Verde Hal Jordan ao motor, vendo nele um veículo de fuga. 
  As coisas, porém, não correram como previsto: enraivecido pela destruição da sua cidade e pelo extermínio dos seus cidadãos, o Lanterna Verde investiu violentamente contra Mongul. Apesar de a pele amarela do alienígena anular os poderes do anel energético de Hal Jordan, este conseguiu ainda assim derrotá-lo e encarcerá-lo. Logo depois, foi a vez de o Supercyborg ser neutralizado pelo Super-Homem.

Além do Super-Homem, Mongul tem também um longo historial de confrontos com Lanternas Verdes.

 Transportado para uma prisão de máxima segurança especificamente concebida para albergar meta-humanos, Mongul revelou-se, porém, um recluso difícil de conter. Durante um motim, o vilão conseguiu evadir-se e, sedento de vingança, rumou à Costa Oeste dos EUA.
  Indiferente ao facto de Hal Jordan - o humano que o humilhou - já não ser o Lanterna Verde responsável pela proteção do nosso mundo,  envolveu-se numa feroz batalha com Kyle Rainer (o sucessor de Jordan). Foi, no entanto, apanhado de surpresa pelo facto de o anel energético do novo Lanterna Verde o conseguir ferir. Com a ajuda do Super-Homem, Kyle Rainer conseguiu conter o vilão e levá-lo de volta ao cárcere de onde escapara.
  Algum tempo depois, quando voltou a conseguir evadir-se, Mongul resolveu abandonar de vez a Terra, tendo sido, todavia, impedido pelo Flash de o fazer.
  Confinado no nosso planeta, Mongul marinou o seu ódio aos seus carcereiros até ser aliciado pelo demónio Neron que, a troco da sua alma, se prontificava a amplificar-lhe os seus poderes (eventos ocorridos na saga A Vingança do Submundo, publicada em 1995 pela Abril brasileira). Vendo nisso uma assunção do seu fracasso, o ex-soberano do Mundo Bélico declinou a oferta de Neron e ameaçou matá-lo. Foi, no entanto, Mongul quem acabou morto às mãos do demónio, que aproveitou o ensejo para lhe subtrair a alma.
  Facto que, contudo, não ditou o fim do legado maligno de Mongul. O seu filho, Mongul II, deu-lhe continuidade, tornando o Universo um lugar menos seguro.

Nota final: Não obstante Mongul ter sido introduzido na cronologia da DC anterior a Crise Nas Infinitas Terras, a sua existência não foi apagada da nova realidade resultante dos eventos nela retratados. Alguns elementos referentes à história da personagem no período pré-Crise foram, porém, alterados ou suprimidos, pelo que deverão ser considerados apócrifos. 

São sempre renhidos os combates entre o Homem de Aço e o Senhor do Mundo Bélico.
   
Noutros media: Na lista dos cem melhores vilões dos quadradinhos de todos os tempos, divulgada em 2009 no site IGN, Mongul quedou-se no 41º lugar. A sua estreia fora da banda desenhada ocorreu em 2001, na série de animação Justice League. Marcaria igualmente presença na sua sucessora, Justice League Unlimited (2004-2006). Em ambas as produções o ator Eric Roberts emprestou a voz ao déspota do Mundo Bélico.
  Em 2008, Mongul II participou no episódio inaugural de Batman: The Brave and the Bold. Dois anos depois, a versão original da personagem voltaria a dar um ar da sua graça em Young Justice.
   Pelo meio, em 2009, Mongul foi o principal antagonista do Homem de Aço e do Cavaleiro das Trevas no filme de animação Superman/Batman: Public Enemies (lançado apenas em DVD).

Tirania personificada.

sábado, 13 de junho de 2015

EM CARTAZ: « CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR»


   Apesar do subtítulo, foi o último filme a solo de um Vingador antes do lançamento da película que reuniu o resto da equipa. Devido a percalços de vária ordem, o projeto demorou quase década a meia a ganhar forma. A longa espera valeu, porém, a pena. Com o produto final a assegurar a reabilitação cinematográfica do Sentinela da Liberdade após o monumental fiasco de 1990.

Título original: Captain America: The First Avenger
Ano: 2011
País: EUA
Duração: 124 minutos
Género: Ação/Aventura/Guerra/Fantasia
Produção: Marvel Studios
Realização: Joe Johnston
Distribuição: Paramount Pictures
Argumento: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Tommy Lee Jones (coronel Chester Phillips), Hugo Weaving (Johann Schmidt/Caveira Vermelha), Hayley Atwell (Peggy Carter), Sebastian Stan ( sargento James "Bucky" Barnes) e Dominic Cooper (Howard Stark)
Orçamento: 140 milhões de dólares
Receitas: 370,6 milhões de dólares



Desenvolvimento: Em abril de 1997, a Marvel estava em negociações para produzir um novo filme do Capitão América. Sete anos antes, outra transposição ao grande ecrã da personagem criada em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby redundara num confrangedor fiasco. Estando, por isso, a Casa das Ideias empenhada em assegurar a reabilitação cinematográfica do herói, em pleno boom de produções do género.
  Já com dois argumentistas designados, em maio de 2000 a Marvel estabeleceu uma parceria com a Artisan Entertainment com vista ao financiamento do projeto. Este seria, porém, suspenso ao longo dos três anos seguintes em virtude de um litígio judicial entre Joe Simon e a Casa das Ideias envolvendo os direitos de autor do Capitão América.
 Em 2005, a Marvel recebeu uma injeção de capital na ordem dos 525 milhões de dólares por parte do fundo de investimento Merrill Lynch. Montante que lhe permitiu assegurar a produção independente de uma dezena de filmes. Incluindo um baseado no Sentinela da Liberdade cuja distribuição ficaria a cargo da Paramount Pictures. Seria, de resto, a última vez que a Paramount o faria antes de os Estúdios Marvel passarem a ser uma subsidiária da Disney.
 Originalmente, os produtores tencionavam explorar a premissa de o Capitão América ser um homem fora do seu tempo. Metade do filme teria, assim, como pano de fundo a II Guerra Mundial, e a outra metade desenrolar-se-ia na atualidade. Com Avi Arad, um dos produtores do projeto, a indicar a trilogia de Regresso ao Futuro como uma das principais influências do enredo.
 Em meados de 2006, e já depois de Jon Favreau se ter oferecido para dirigir a película - acabando, no entanto, por assumir a realização de Homem de Ferro- , Joe Johnston foi sondado para dar forma ao projeto. Sem que das negociações entre o cineasta e a Marvel saísse, porém, fumo branco.

Joe Johnston, o homem por trás das câmaras.

  O cronograma da produção seria entretanto atrasado devido à greve de argumentistas que, entre 2007 e 2008, semiparalisou Hollywood. Após chegar a um acordo com o sindicato dessa classe profissional, a Marvel, empolgada pelo sucesso de Homem de Ferro, anunciou o lançamento de uma longa-metragem do Capitão América no verão de 2011.
  Apesar deste anúncio extemporâneo, a cadeira de realizador continuava vaga. Louis Leterrier, que dirigira O Incrível Hulk, ofereceu os seus serviços. A Marvel tinha, porém, outro nome em mente.
  Finalmente, em novembro de 2008, foi formalizada a contratação de Joe Johnston para assumir a direção do projeto. A sua experiência prévia em realizar filmes com super-heróis (Rocketeer em 1991) e o seu trabalho no campo dos efeitos especiais na primeira trilogia de Guerra das Estrelas, fizeram dele o candidato ideal aos olhos dos produtores. Com Johnston vieram dois novos argumentistas encarregues de reescrever o enredo da película: Christopher Markus e Stephen McFeely.
  Sobre o projeto pairou durante algum tempo o espectro do antiamericanismo instalado em vários pontos do globo, essencialmente devido à ocupação do Iraque. Sentimentos entretanto mitigados pela eleição de Barack Obama para a Casa Branca.
 Alheio a preocupações políticas, em dezembro de 2009 Joe Johnston anunciou que pretendia iniciar as filmagens em abril do ano seguinte. Escassas semanas antes de isso acontecer, a Variety confirmou que Chris Evans e Hugo Weaving haviam sido selecionados para interpretar, respetivamente, o Capitão América e o Caveira Vermelha. Nos meses seguintes foram sendo conhecidos outros nomes do elenco, como Tommy Lee Jones e Sebastian Stan.
  Passando por Londres, Manchester e vários outros pontos do Reino Unido e dos EUA, as filmagens de Capitão América: O Primeiro Vingador prolongaram-se por cerca de dez meses (junho de 2010 a abril de 2011). A antestreia mundial teve lugar a 19 de julho de 2011, no cinema El Capitan Theatre, em Hollywood.

Da esq. para dir.: Joe Johnston. Chris Evans e Hugo Weaving na Comic Con 2010 de San Diego.
   
Enredo: Na atualidade, um objeto metálico com formato circular e motivos azuis, brancos e vermelhos é descoberto por cientistas no habitáculo de uma vetusta aeronave militar soterrada pelo gelo do Ártico.
  Em 1942, na Noruega sob ocupação nazi, Johann Schmidt, um sinistro oficial germânico , e os seus homens tomam de assalto um pequeno vilarejo em busca de um misterioso artefacto conhecido como Tesseract, e ao qual são atribuídos enormes poderes.
 Do outro lado do Atlântico, em Nova Iorque, o franzino Steve Rogers é rejeitado pelo Exército em consequência dos seus diversos problemas de saúde. Depois de assistir a uma exposição de tecnologia futurista na companhia do seu amigo James "Bucky" Barnes, o jovem tenta novamente, sem sucesso, alistar-se.

Devido à sua debilidade física, Steve Rogers é sucessivamente rejeitado pelo Exército.

 Inconformado, Steve expressa a Bucky o seu desejo de participar ativamente na guerra. Ao escutar estas palavras, o Dr. Abraham Erskine usa a sua influência para autorizar o recrutamento do jovem, não para as fileiras das forças armadas, mas para um ultrassecreto projeto militar. Tutelado pelo próprio Erskine, pelo coronel Chester Phillips e pela agente secreta britânica Peggy Carter, o Programa do Supersoldado tem como objetivo conceber combatentes fisicamente aprimorados.
  Apesar de Erskine apresentar Steve como o candidato ideal para participar no experimento, o coronel Phillips veta a escolha do cientista. Mudando, contudo, de opinião após testemunhar um impressionante ato de bravura e autossacrifício praticado pelo rapaz.
  Na noite antes da realização da experiência, Erskine confidencia a Steve que o seu antecessor, um alemão de nome Johann Schmidt, sofreu terríveis efeitos colaterais, convertendo-se numa aberração com delírios de grandeza. Steve, porém, não vacila e reafirma-se ansioso por servir o seu país.
  De volta à Europa, Johann Schmidt e o Dr. Arnim Zola utilizam o Tesseract como fonte de energia para as invenções bélicas do cientista nazi. Ambos ambicionam montar uma ofensiva que mudaria o curso da guerra a favor do III Reich.

Da esq. para a dir.: Coronel Chester Phillips, Peggy Carter, Bucky Barnes, Dr. Erskine e Arnim Zola.

  Ao descobrir o paradeiro do Dr. Erskine, Schmidt envia um espião para assassiná-lo. Nos EUA, Steve Rogers é inoculado com um soro especial e de seguida irradiado com raios Vita. Perante o assombro dos que assistem ao experimento, o frágil Steve dá lugar a um vigoroso Adónis.
  Quando é felicitado pelos presentes pelo sucesso da experiência, o Dr. Erskine é baleado mortalmente pelo espião a soldo de Schmidt. Pondo-se de imediato em fuga, o homem é perseguido e finalmente capturado por Steve. Antes, porém, de poder ser levado para interrogatório, o agente nazi suicida-se trincando uma cápsula de cianeto.
  Com Erskine morto e a fórmula do soro do supersoldado perdida, em vez de permitir que os cientistas estudem Steve, o senador Brant leva-o em digressão pelos EUA. Batizado de Capitão América pelo político, Steve é obrigado a usar um uniforme inspirado no estandarte norte-americano para promover a compra de Obrigações de Guerra (instrumento financeiro comercializado pelo Governo estadunidense que tinha com objetivo ajudar a suportar os custos do conflito). Visto como um fantoche, o Capitão América é amiúde  ridicularizado pelas plateias que assistem às suas atuações.

Instrumento propagandístico de carne e osso.
  Durante uma passagem por Itália em 1943, Steve toma conhecimento de que a unidade militar do seu amigo Bucky Barnes havia desaparecido em combate após batalhar as forças de Schmidt. Recusando-se a aceitar a hipótese de Bucky estar morto, Steve convence Peggy Carter e Howard Stark a auxiliarem-no numa arriscadíssima missão de resgate atrás das linhas inimigas.
  Por sua conta e risco, Steve infiltra-se na fortaleza da Hidra onde se acoitam os apaniguados de Schmidt e são mantidos prisioneiros Bucky e os seus camaradas de armas.Após libertá-los, Steve vê-se frente a frente com Schmidt. Este remove a máscara para exibir o seu medonho rosto que lhe valeu a alcunha de Caveira Vermelha. Segue-se uma acirrada refrega entre as duas cobaias do Dr. Erskine, com o alemão a conseguir escapulir-se. Steve regressa então à base acompanhado de Bucky e dos demais soldados libertados, sendo aclamado como um herói.
  Determinado a debelar a ameaça representada pelo Caveira Vermelha, o Capitão América mobiliza o Comando Selvagem para empreender um  ataque a outras bases da Hidra. De Howard Stark o herói recebe um novo escudo feito de vibranium, um metal raro e virtualmente indestrutível.

Caveira Vermelha, o supersoldado do III Reich.

 Nos dias seguintes, o Sentinela da Liberdade e seus aliados sabotam diversas operações da Hidra. O seu próximo alvo é um comboio que transporta Arnim Zola. O cientista é capturado mas Bucky Barnes é dado como morto depois de cair da composição em movimento.
 Interrogado pelos americanos, Zola revela a localização do reduto secreto da Hidra onde estão a ser produzidas armas de destruição massiva para serem usadas contra os principais centro urbanos dos EUA.
 Novamente liderado pelo Capitão América, o Comando Selvagem invade o quartel-general do Caveira Vermelha. Pressentindo a derrota iminente, o vilão tenta escapar a bordo de um avião. Levando, contudo, um passageiro indesejado: ninguém menos que o Sentinela da Liberdade.

Comando Selvagem.
  Enquanto cruzam os céus, o Capitão América e o seu némesis guerreiam-se até que o recetáculo que continha o Tesseract é danificado. Ao empunhar o artefacto, o Caveira Vermelho é dissolvido em meio a um clarão de luz ofuscante. Em consequência disso, o Tesseract tomba no chão da aeronave, derretendo-o e caindo na vastidão do Atlântico.
  Sem conseguir descortinar uma forma de aterrar o avião sem deflagrar as armas a bordo, o Capitão América toma a decisão de despenhar o aparelho no Ártico. Pouco tempo depois, o Tesseract é resgatado por Howard Stark do fundo do oceano. As diligências deste para localizar Steve Rogers e a aeronave onde ele seguia, revelam-se, contudo, infrutíferas. O Capitão América é, por conseguinte, dado como morto.
  Steve Rogers desperta num quarto hospitalar que parece saído da década de 40. Quase imediatamente deduz que algo não bate certo, ao escutar uma transmissão radiofónica que veicula uma informação anacrónica.
  Aturdido, Rogers foge da instalação onde se encontra e depara-se com a vertigem feérica da Times Square dos nossos dias. Sendo então informado pelo diretor da SHIELD, Nick Fury, de que esteve em hibernação durante 70 anos.
  Numa cena pós-créditos, Fury convida Rogers a participar numa missão com ramificações globais.

Trailer:

Curiosidades: 

* Antes de aceitar interpretar o Capitão América no grande ecrã, Chris Evans declinou três vezes o papel. Não porque este lhe desagradasse, mas porque o ator temia o impacto que a fama acrescida que dele adviria poderia ter na sua vida pessoal. Foi Robert Downey Jr. (com quem, no ano seguinte, contracenaria no filme dos Vingadores) quem o fez mudar de ideias. Decisão que valeu a Evans um cachê de 300 mil dólares;
* A banda desenhada do Capitão América mostrada no filme é um fac-símile da capa de Captain America nº1, lançado em 1941. O escudo inicialmente manejado pelo herói é também uma réplica daquele que apetrechava a personagem nos seus primórdios nos quadradinhos. Tendo a sua posterior substituição pelo  icónico modelo circular sido ditada pelas acusações de plágio feitas pela Archie Comics. Editora que publicava o Escudo (The Shield em inglês), super-herói patriótico criado um ano antes do Sentinela da Liberdade;

 São notórias as parecenças entre o Capitão América e o Escudo da Archie Comics.

* Em apenas dois trechos do filme Johann Schmidt é referido como Caveira Vermelha: quando os emissários do Fuehrer trazem as ordens de encerramento da Hidra, e quando um oficial das SS lê em voz alta uma missiva da lavra do próprio Hitler;
* Na feira tecnológica onde Howard Stark dá a conhecer as suas criações visionárias, é visível dentro de uma redoma de vidro um manequim trajando um uniforme encarnado. Trata-se de uma referência ao primeiro Tocha Humana, um androide que foi também o mais antigo super-herói da Timely Comics (idealizado em 1939 pela precursora da Marvel). Na banda desenhada, o Tocha Humana foi um dos fundadores dos Invasores (ver prontuário da equipa já publicado neste blogue), grupo a que também pertenceu o Capitão América;
* Para se preparar para o papel de Bucky Barnes, Sebastian Stan assistiu a vários documentários e filmes sobre a II Guerra Mundial. Dentre estes últimos elegeu Irmãos de Armas (2011) como sua principal referência;
* Joe Simon (que com Jack Kirby criou o Capitão América em 1941, antes de Stan Lee o revitalizar em 1964) foi convidado a fazer um pequeno cameo no filme.Então com 97 anos e uma saúde debilitada, Simon viu-se, no entanto, impedido de corresponder ao convite. Acabaria, aliás, por falecer escassos meses após a estreia da fita;
* Hugo Weaving declarou publicamente o seu diminuto interesse em repetir o papel de Caveira Vermelha,  essencialmente por causa do desgastante processo de caracterização inerente à personagem;

Hugo Weaving em plena sessão de caracterização.
* Apesar do subtítulo o sugerir, na banda desenhada o Capitão América não fez parte do quinteto fundador dos Vingadores. Este era composto por Thor, Homem de Ferro, Vespa, Homem-Formiga e Hulk. Foi, aliás, na sequência do abandono da equipa por parte deste último que o Capitão foi recrutado para as suas fileiras. Cronologicamente, porém, o Sentinela da Liberdade é mais antigo do que qualquer um dos seus companheiros. Justificando-se assim o título de Primeiro Vingador;
* Capitão América: O Primeiro Vingador é a quinta adaptação em ação real do herói. A primeira remonta a 1944 e foi lançada sob o formato de uma série cinematográfica em  15 episódios -ainda a preto e branco - com Dick Purcell como protagonista; seguiram-se dois telefilmes produzidos em 1979 (Capitão América e Capitão América II), ambos estrelados por Reb Brown; finalmente, em 1990, no que pretendia ser a resposta da Marvel ao sucesso do Batman de Tim Burton no ano anterior, foi lançada uma tosca coprodução internacional de baixo orçamento e repleta de liberdades poéticas intitulada As Aventuras do Capitão América. Tendo como ator principal Matt Salinger, o descalabro foi de tal ordem que o filme acabaria por nunca chegar às salas de cinema, acabando por ser distribuído apenas no circuito de vídeo em 1992.

A evolução do Sentinela da Liberdade no pequeno e no grande ecrã.

Prémios e nomeações (2011): Chris Evans arrebatou o Scream Award na categoria de Melhor Super-Herói. Já a banda sonora composta por Alan Silvestri foi distinguida com um BMI Film & TV Award. Tanto o filme como  alguns elementos do elenco foram nomeados para diversos outros prémios. Destaque para o MTV Award para Melhor Ator (Chris Evans), o Saturn Award  para Melhores Efeitos Especiais e para o Teen Choice Award para Melhor Filme de Verão.



Veredito: 74%

  Precedo a minha avaliação com uma declaração de interesses: Capitão América é o meu segundo herói favorito do Universo Marvel (perdendo apenas para o Homem-Aranha). Chamem-me antiquado, mas identifico-me com muitos dos valores e princípios defendidos pela personagem. Tal como Steve Rogers, sinto-me frequentemente como se tivesse nascido na época errada.
  Dito isto, e tendo visto na minha adolescência o infame As Aventuras do Capitão América, seria muito difícil eu não gostar desta nova vida do Sentinela da Liberdade no grande ecrã.
 Ao contrário de Matt Salinger na fita de 1990, Chris Evans sabe realmente representar e interpretou admiravelmente bem o Capitão América, captando a essência idealista e tenaz do herói. Hugo Weaving também foi uma escolha acertada para Caveira Vermelha (com os argumentistas a não trocarem desta vez a nacionalidade ao vilão).
 Apesar do seu fortíssimo cunho patriótico e anacrónico, o Capitão América é também um símbolo vivo da Liberdade. Em paralelo com a sua valentia, é esse o aspeto mais destacado na película. Tornando, assim, o herói simpático aos olhos da maioria dos espectadores (exceto, porventura, os tiranetes em potencial ou os visceralmente antiamericanos).
 Com um argumento consistente temperado com as doses certas de humor e ação, Capitão América: O Primeiro Vingador possui mais substância do que à primeira vista possa parecer. Num mundo onde a fronteira entre o Bem e o Mal está cada vez mais esbatida, é agradável evocar um conflito onde os bons e os maus estavam perfeitamente identificados.
 Mesmo aos leigos, o filme conseguirá facilmente garantir um par de horas bem passadas graças ao seu registo ligeiro e ao seu charme retro. Sugiro que o vejam acompanhados por um balde de pipocas, ao bom estilo americano.


   
    

terça-feira, 26 de maio de 2015

HEROÍNAS EM AÇÃO: VAMPIRA


   Mutante de passado obscuro e vincado pela tragédia, foi perfilhada por Mística antes de se unir aos X-Men. Impedida, apesar da sua bela aparência, de levar uma vida normal, viu sempre mais como uma maldição do que como uma bênção o  seu poder de absorver as habilidades e as memórias de qualquer pessoa cuja pele toque.

Nome original da personagem: Rogue (palavra inglesa para patife ou canalha)
Licenciadora: Marvel Comics
Criadores: Chris Claremont (história) e Michael Golden (arte)
Primeira aparição: Avengers Annual nº10 (novembro de 1981)
Identidade civil: Anna Marie (apelido verdadeiro desconhecido)
Local de nascimento: Caldecott County, Mississipi
Parentes conhecidos: Owen e Priscilla (pais biológicos), Carrie (tia materna), Raven Darkholme/Mística (mãe adotiva), Irene Adler/Sina (idem), Kurt Wagner/Noturno e Graydon Creed (irmãos adotivos, o segundo já falecido)
Afiliação: Ex-integrante da Irmandade dos Mutantes, ex-aluna da Escola Xavier para Jovens Sobredotados, atualmente membro ativo dos X-Men
Base de operações: móvel
Armas, poderes e habilidades: Através do contacto físico, Vampira rouba a energia vital, as recordações e as habilidades físicas e mentais - normais ou especiais - que a sua vítima possua. Assimilando dessa forma não só eventuais superpoderes, mas também alguns dos seus traços de personalidade. Normalmente, este processo ocasiona perda de consciência e de memória no alvo. Sendo o efeito da transferência temporário: uma vez escoadas as características absorvidas, a vítima volta ao normal. Contactos prolongados podem, no entanto, causar o dreno permanente ou até a morte da pessoa vampirizada.
   Circunstâncias que explicam como conseguiu Vampira conservar durante vários anos os poderes da Miss Marvel (superforça, voo e invulnerabilidade). Além destes, a heroína mutante já demonstrou a capacidade de manifestar aleatoriamente dons anteriormente absorvidos, sem a ocorrência de novo contacto com os seus legítimos detentores. Casos, por exemplo, do fator de cura de Wolverine ou das habilidades flamejantes de Solaris.
 Hoje em dia, porém, Vampira dispõe apenas do seu poder original de absorção. Com a diferença de, ao invés do que se verificou na maior parte da sua vida, conseguir agora de forma consciente ativá-lo, desativá-lo ou direcioná-lo para o que quer drenar especificamente, podendo igualmente decidir se o seu toque causará ou não dano ao visado.
  Em consequência do exigente treino a que foi submetida na Sala do Perigo da Escola Xavier, Vampira é também proficiente em diversas técnicas de combate e autodefesa.
 
De vilã a heroína: a evolução visual de Vampira.


Histórico de publicação: A introdução de Vampira na continuidade da Casa das Ideias deveria ter ocorrido em 1979, nas páginas de Miss Marvel nº25. Contudo, o súbito cancelamento do título (numa altura em que metade da arte da história já fora finalizada) adiou a sua estreia por um  par de anos. Assim, a primeira aparição oficial da personagem verificou-se em 1981, no décimo número de Avengers Annual. No ano seguinte, a  mutante surgiu pela primeira vez numa série regular dos Filhos do Átomo: Uncanny X-Men nº158. Com a sua adesão ao grupo a ter lugar em Uncanny X-Men nº171, datado de 1983.

Avengers Annual nº10 (1981) assinalou a estreia oficial de Vampira, então integrada na Irmandade dos Mutantes.

  Não obstante tudo isso, a origem e nome verdadeiro da Vampira apenas seriam revelados mais de uma vintena de anos depois. Até setembro de 2004, data da publicação de uma história escrita por Robert Rodi no efémero título mensal Rogue, o passado da personagem permanecia envolto num denso mistério.
 Apesar da intenção clarificadora da citada narrativa, alguma da informação nela apresentada era inconsistente com dados que haviam sido divulgados ao longo da década anterior. Com efeito, dez anos antes, em X-Men Unlimited vol.1 nº4, numa história com a assinatura de Scott Lobdell, haviam sido veiculados alguns factos até aí ignorados sobre o passado familiar de Vampira.

Em X-Men Unlimited nº4 (1994) foi apresenta a primeira versão da origem de Vampira, entretanto revista.

 Era explicitado, por exemplo, que ela fugira do seu pai depois de os seus poderes mutantes se manifestarem. Em clara contradição, portanto, com a versão de Rodi, em que a jovem assume nunca ter conhecido o pai por ele a ter abandonado antes mesmo do seu nascimento, tendo sido adotada por Mística e Sina antes da eclosão das suas capacidades mutantes.
 Continua, assim, por desvendar o enigmático passado de Vampira, essa eterna inadaptada.


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Beleza sulista que não pode ser tocada, apenas vista.
Biografia: Criada pela sua severa tia materna depois da tragédia se ter abatido sobre os seus pais, a pequena Anna Marie fugiu de casa, tendo sido acolhida por Raven Darkholme (Mística) e Irene Adler (Sina).
  Anos antes, na sequência de um ritual místico fracassado levado a cabo na comunidade hippie onde vivia com a filha e o marido, a mãe de Anna Marie, Priscilla, desaparecera sem deixar rasto. Ficando, assim, a menina entregue aos cuidados da sua irmã, Carrie. Educada por ela nos preceitos da educação tradicional sulista, Anna Marie cedo se tornou fluente em inglês e francês. Sempre se pautando, porém, pela rebeldia e irreverência.
  No princípio da adolescência, os  poderes mutantes de Anna Marie manifestaram-se pela primeira vez, quando ela beijou um rapaz chamado Cody Robbins. Em consequência disso, ela teve a mente preenchida pelas memórias do namorado, com este a cair num coma permanente.
 Amargurada pela impossibilidade de levar uma vida normal, Anna Marie começou a participar nas atividades criminosas da sua mãe adotiva, entrando pela mão de Mística na Irmandade dos Mutantes.
  Logo na sua primeira missão integrada no grupo, a inexperiente Vampira chocou de frente com a Miss Marvel. Daí resultando a absorção permanente das recordações e habilidades meta-humanas da heroína: invulnerabilidade, voo e superforça.

O exato momento em que Vampira absorve os poderes da Miss Marvel.

  Perturbada pela falta de controlo sobre os seus poderes, Vampira procurou a ajuda dos maiores inimigos da Irmandade dos Mutantes, os X-Men. Apesar da renitência dos seus pupilos em aceitá-la no seio da equipa, o Professor Xavier acreditou na sinceridade da filha adotiva de Mística. No entanto, apenas depois de arriscar a própria vida para salvar a noiva de Wolverine, Mariko Yashida, é que Vampira mereceu a confiança dos seus pares.
  Mesmo sabendo que nunca poderia consumar devidamente o seu amor por Gambit, Vampira apaixonou-se pelo seu colega de equipa. Algum tempo depois, os dois  iniciaram uma demanda pelos diários de Sina, cujos poderes precognitivos lhe haviam permitido vislumbrar o futuro dos homo superior. Durante essa jornada conjunta, o casal viu-se despojado das suas habilidades mutantes, aproveitando a oportunidade para viver uma vida normal e anónima numa pacata comunidade californiana.

Vampira e Gambit: amor mutante.

  Esse quotidiano idílico seria, contudo, sol de pouca dura. Depois de recorrerem à ajuda dos X-Men para derrotarem um caçador de mutantes chamado Elias Bogan, Vampira e Gambit reingressaram na equipa.
 Readquirindo o seu poder de absorção graças à habilidade mutante do seu colega de equipa Sage, Vampira partiu numa jornada à descoberta do seu passado. Entre outras peças que lhe permitiram completar um pouco mais o seu puzzle familiar, a jovem descobriu que os seus pais haviam dedicado grande parte das suas vidas à busca pelos Bancos Distantes, uma dimensão onírica cujo acesso apenas era possível a quem atingia um elevado grau de consciência.
  Com a ajuda de Campbell - outro enigmático mutante - Vampira localizou os seus progenitores. Após a emoção do reencontro, a jovem convenceu a mãe a preservar a barreira que separava os Bancos Distantes do nosso mundo. Priscilla aquiesceu, mas foi traída pelo marido, obcecado com a  abertura de um portal entre as duas realidades. Perante estas circunstâncias, a mão de Vampira imolou-se a fim de impedir que outras pessoas mal intencionadas conseguissem futuramente aceder aos Bancos Distantes.
  De seguida, foi a vez de a própria Vampira adentrar esse mundo de sonhos, conseguindo por fim fazer as pazes com o espírito da sua mãe.
  Regressada à Mansão X, Vampira reencontrou Gambit e os dois iniciaram uma terapia telepática ministrada por Emma Frost na esperança de encontrarem uma solução para a impossibilidade de contacto físico entre o casal. As sessões redundaram, contudo, em fracasso.
  Entretanto, uma aluna de Gambit chamada Foxx tentou seduzi-lo. Falhado o ardil, a mulher revelou a sua verdadeira identidade: Mística. A mãe adotiva de Vampira tentara dessa forma apartar o casal, para que a filha pudesse tentar ter um relacionamento amoroso normal com alguém menos problemático.
  Apesar das maquinações de Mística, Vampira e Gambit permaneceram juntos, até ele ser transformado por Apocalipse em Morte, um dos seus quatro cavaleiros. Recusando-se a acreditar na corrupção da alma do seu amado, a heroína mutante quase foi morta por ele em diversas ocasiões.

Vampira encontrou em Mística uma segunda mãe.

  Quando finalmente interiorizou o facto de que o homem que amava não mais existia, Vampira aliou-se a Ciclope e a Emma Frost para resgatar mutantes de uma clínica onde estavam prestes a ser submetidos a horríficas experiências médicas. Recuperando, daí em diante, o estatuto de membro de pleno direito dos X-Men, ao lado dos quais viveu incontáveis peripécias.
   Mais recentemente, na esteira dos eventos mostrados na saga Vingadores versus X-Men (conflito em que começou por ser neutral, acabando, porém, por tomar partido da fação encabeçada por Ciclope), Vampira foi uma das escolhidas para fazer parte da Divisão Unidade dos Vingadores (DUV), força conjunta que reúne humanos e mutantes com o objetivo de promover a coexistência pacífica entre ambas as espécies.
  Culpando a Feiticeira Escarlate pela morte do Professor Xavier, a coabitação entre Vampira e a filha de Magneto na DUV foi sempre pautada por uma enorme tensão. Após assimilar os poderes de Wolverine, e convicta de que a sua colega de equipa seria uma traidora à própria espécie, Vampira assassinou a Feiticeira Escarlate. Apenas para ser logo de seguida morta pelo Ceifador.
  Meses atrás, porém, Vampira foi ressuscitada, tendo-lhe sido confiada a liderança da renovada DUV. Mais madura e determinada do que nunca, ela é hoje uma das mais formidáveis mutantes da Terra.

A morte da Feiticeira Escarlate às mãos de Vampira.

O enigma de um nome: Na trilogia cinemática dos X-Men (2000-2006), Vampira é identificada simplesmente como Marie. Nos quadradinhos, porém, ela já usou vários nomes. Um dos mais notórios e duradouros foi Anna Raven (adotando como apelido o nome próprio de Mística, sua precetora). Chris Claremont, por seu turno, crismou-a de Anna Marie Raven em X-Men Forever. De facto, só em 2004 o seu nome de batismo foi finalmente estabelecido: Anna Marie. Vampira interiorizou-o graças às memórias que absorvera da sua tia que a criara após o desparecimento da mãe. E é esse o nome que consta no prontuário da personagem no Official Handbook of the Marvel Universe (espécie de "quem é quem" da editora). Quanto ao seu apelido verdadeiro, talvez um dia venha a ser revelado...

Vampira fez parte de diversas formações dos X-Men.
Romances de alto risco: Devido à sua habilidade mutante de absorver poderes, energia e memórias alheias com um simples toque, Vampira nunca conseguiu ter um relacionamento amoroso normal. Após o trágico episódio com o seu primeiro namorado (Cody Robbins, que ficou em coma depois de ambos terem trocado o primeiro beijo), a jovem evitou ao máximo o contacto com outras pessoas de modo a evitar incidentes semelhantes. Razão pela qual nutriu durante algum tempo uma paixão platónica pelo seu ex-companheiro de equipa, Longshot. Ficando intimamente devastada quando este se envolveu romanticamente com Cristal.
 O grande amor de Vampira foi, porém, Remy LeBeau, o garboso mutante francês conhecido como Gambit. O que não a impediu de viver também uma intensa paixão com Magneto. Ironicamente, a icónica madeixa branca de Anna Marie foi resultado da sua tentativa de absorção dos poderes do Mestre do Magnetismo, vários anos antes.

Mutante de coração dividido.

Noutros media: Um dos mais carismáticos e proeminentes membros dos X-Men desde meados dos anos 1980, a notoriedade de Vampira há muito transcendeu os quadradinhos. Fora deles, a sua estreia deu-se em 1992, na série animada X-Men. Ainda no campo da animação, a filha adotiva de Mística foi figura de destaque em X-Men: Evolution (2000) e Wolverine and the X-Men (2008).
  No cinema, vem há 15 anos sendo interpretada pela oscarizada Anna Paquin, tendo marcado presença em quatro das cinco longas-metragens dos X-Men (a exceção foi X-Men: Origins). Com a particularidade de Vampira não ter qualquer ligação afetiva com Mística nesta sua versão cinematográfica.
 Em 2008, Vampira ganhou a eleição online promovida pela Comic Book Resources para escolher o melhor X-Men de sempre. Quedando-se, no ano seguinte, na 10º posição da lista das 100 Personagens Femininas Mais Sexys Dos Quadradinhos elaborada pelo Comics Buyer's Guide. Títulos que ratificam de forma incontestável a sua enorme popularidade no seio da comunidade nerd.

Anna Paquin como Vampira em X-Men 3: O Confronto Final (2006).

sexta-feira, 15 de maio de 2015

DO FUNDO DO BAÚ: "O CONTRATO DE JUDAS"




   Caçados um a um por um novo e implacável inimigo, os Titãs perdem a inocência depois de provarem o fruto amargo da insídia. Coincidindo com fase áurea da equipa de jovens heróis, a saga, tectónica e polémica, continua a ser considerada uma das melhores de sempre.

Título original: The New Teen Titans: The Judas Contract
Ano: 1984
Licenciadora: DC Comics
Argumento: Marv Wolfman e George Pérez
Arte: George Pérez, Dick Giordano, Romeo Thangal, Mike DeCarlo e Adrienne Roy
Personagens principais: Titãs (Estelar, Ravena, Asa Noturna, Mutano, Cyborg e Moça-Maravilha); Exterminador, Terra, Jericó e C.O.L.M.E.I.A.
Coadjuvantes: Adeline Kane; Sarah Simms; Terry Long; W.R. Wintergreen; Renegados (Batman, Raio Negro, Halo, Metamorfo, Katana e Geoforça) 
Títulos abrangidos nos EUA: Tales of the Teen Titans nº42 a 44 (maio a julho de 1984) e Tales of the Teen Titans Annual nº3 (julho do mesmo ano)

Os quatro capítulos da saga.

VERSÃO EM PORTUGUÊS

Editora: Abril 
Títulos abrangidos no Brasil: Os Novos Titãs nº 18 a 20 (outubro a novembro de 1987) e Clássicos DC (reedição da saga lançada em 1992 pela mesma editora)
Na minha coleção desde: 1988


Reedição da saga com a chancela da Abril em 1992.

Histórico: Saga composta por quatro partes, O Contrato de Judas foi originalmente publicada nos EUA nos números 42 a 44 da série regular dos Titãs - Tales of the New Teen Titans -, de maio a julho de 1984. Com o respetivo epílogo a ser narrado, nesse mesmo mês, nas páginas de Tales of the Teen Titans Annual nº3.
  Escrita e editada por Marv Wolfman e George Pérez (ver texto anterior), foi também este último a presidir à equipa de ilustradores responsáveis pela arte da saga. Nesse naipe de desenhadores de primeira grandeza, pontificavam, além de Pérez, Dick Giordano, Romeo Thangal, Mike DeCarlo e Adrienne Roy.

 Pérez & Wolfman:  Duo Dinâmico.

   Quatro anos decorridos, em 1988, a saga seria compilada no volume encadernado New Teen Titans: The Judas Contract. Entre os leitores, este arco de histórias é quase unanimamente citado como o clímax do trabalho desenvolvido por Wolfman e Pérez com os Titãs. O Contrato de Judas é, com efeito, o corolário de uma complexa filigrana narrativa que começou a ser trabalhada com a precisão de um ourives, logo no segundo número da primeira série de New Teen Titans. Nessa edição, datada de dezembro de 1980, foram introduzidas duas das personagens-chave da trama: o mercenário conhecido como Exterminador e a organização terrorista com projetos de dominação mundial autodenominada C.O.L.M.E.I.A.

New Teen Titans nº2 (1980), marcou a estreia do Exterminador e plantou as sementes para O Contrato de Judas.

   Esta narrativa é significativa por várias razões. Em primeiro lugar, porque dá a conhecer a origem secreta do Exterminador, muito provavelmente o mais notório némesis dos Titãs. Depois, porque explana os termos do contrato que vincula o mercenário à C.O.L.M.E.I.A. Com a destruição desta última a ser revelada pouco tempo após o desfecho da saga, em Tales of the Teen Titans nº45 a 47.
   Terra, a comparsa do Exterminador na ignomínia que visa subjugar os Titãs, fora, por sua vez, introduzida em New Teen Titans nº26. Depois de se ter tornado assídua nas aventuras da equipa, a irmã caçula de Geoforça acabaria por ser admitida nas suas fileiras.Apenas para se revelar um cavalo de Troia  plantado por Slade Wilson, com quem mantinha um relacionamento íntimo. Residindo, aliás, neste elemento transgressor um dos aspetos mais controversos da história: o envolvimento sexual entre um homem de meia-idade e uma adolescente de apenas 16 anos. Inevitavelmente, algumas mentes mais puritanas (ou poluídas) viram aqui um despudorado incentivo à pedofilia.

Terra Markov, a maçã podre.


  Adeline Kane (ex-mulher de Slade Wilson) e Joey Wilson (o segundo filho do casal) são outras duas adições importantes na trama e na própria continuidade dos Titãs. Na sequência dos eventos narrados na saga, Joey assume a identidade de Jericó e torna-se membro de pleno direito da equipa. À sua mãe ficaria, por outro lado, reservado o papel de coadjuvante regular nas histórias vindouras dos Titãs.
  Outro marco histórico apresentado no decurso da saga consiste na primeira aparição de Dick Grayson como Asa Noturna (vide prontuário da personagem já publicado neste blogue).
  Com tão suculentos ingredientes, estava, assim, encontrada a receita para um épico dos tempos modernos. Nada voltaria a ser como antes na vida dos Titãs após a conclusão desta tectónica saga, com a assinatura daquela que foi, sem sombra de dúvida, uma das mais formidáveis duplas criativas da história da nona arte: Marv Wolfman e George Pérez.

Asa Noturna, Exterminador e Jericó: três personagens nucleares da trama.
    
Enredo: A história começa pouco tempo depois de Dick Grayson (Robin) e Wally West (Kid Flash) abandonarem as respetivas identidades heroicas com que se haviam notabilizado ao lado dos seus precetores, afastando-se também ambos da equipa de que haviam sido cofundadores. Entretanto, a mais recente aliada dos Titãs, Terra Markov, não tendo ainda obtido o estatuto de membro de pleno direito do grupo, conquistara já o coração e a mente de Mutano. Nenhum dos seus colegas suspeitava, porém, que ela os estivesse a espiar a mando do Exterminador, seu comparsa e amante. Entre a diversificada informação que a jovem vinha transmitindo ao vilão, incluíam-se as identidades secretas dos Titãs.
  O primeiro sinal de alerta em relação a Terra surgiu durante a realização de um treino de campo da equipa. Após ter sido alvo de várias brincadeiras de Mutano, a jovem lançou sobre ele um violento ataque que só por milagre não o deixou incapacitado para o resto da vida. Semelhante demonstração de instabilidade emocional deixa os restantes membros inquietos. É, no entanto, Ravena quem, graças aos seus poderes empáticos, diagnostica o real grau de perigosidade da rapariga.

O fim da inocência dos Titãs chegou com a traição de um dos seus.
  Uma vez recolhida toda a informação de que necessitava, Terra transmite-a ao Exterminador, que logo empreende uma meticulosa caçada aos Titãs. Na mira do mercenário começa por estar a cobertura onde residem Donna Troy (Moça-Maravilha) e Koriander (Estelar). A primeira é deixada inconsciente devido à exposição a uma mistura de gases tóxicos, ao passo que a segunda é neutralizada pela deflagração de uma bomba disruptora.
  Na lista de alvos a abater segue-se Cyborg. Victor Stone é deixado fora de combate depois de receber uma descarga elétrica de alta voltagem ao sentar-se numa cadeira no seu apartamento, previamente armadilhada pelo Exterminador. Mesmo sem causar danos de monta no herói cibernético, o ataque desativa-lhe os circuitos por tempo suficiente para o Exterminador o capturar.
  Único Titã sem superpoderes, Dick Grayson revela-se uma verdadeira dor de cabeça para o Exterminador. Surpreendido pela astúcia da sua presa, o mercenário não consegue evitar que ele escape.
  Frustrado, o Exterminador atravessa a cidade no encalço de Mutano. E nem precisa mexer um dedo para capturar o benjamim dos Titãs. Depois de lamber um selo embebido em veneno, o jovem ficara inconsciente e pronto a ser recolhido pelo vilão.

Fazendo uso dos ensinamentos de Batman, Dick Grayson logra escapar ao Exterminador.

 Com cinco dos seis Titãs capturados, o Exterminador viaja até à base secreta da C.O.L.M.E.I.A., localizada nas Montanhas Rochosas. Satisfeito por ter cumprido o contrato que fora celebrado pelo seu filho mais velho, Grant, o mercenário não evita ser repreendido pelos seus empregadores, agastados com a fuga do líder do grupo.
  Entretanto, após descobrir que todos os seus companheiro foram sequestrados, Dick Grayson regressa à Torre Titã. À sua espera tem Adeline Kane, a ex-esposa de Slade Wilson. Esta apresenta-o então ao filho mais novo do casal, Joey. De seguida, a mulher faz uma revelação bombástica: Terra é uma espia infiltrada nos Titãs pelo Exterminador.
  Incrédulo num primeiro instante, Dick acaba por acreditar nas palavras de Adeline, depois de esta lhe relatar as circunstâncias que estiveram por trás da transformação do ex-marido no Exterminador. Surdo-mudo de nascença, Joey é também um mutante com a habilidade de possuir outras pessoas. Ressentido com o  pai, o jovem está ansioso por ajudar Dick a derrotá-lo.
  Consciencializando-se de que não lhe será possível abandonar a sua carreira heroica a título definitivo, Dick assume uma nova identidade: Asa Noturna. Joey, por seu turno, está pronto para entrar em ação sob o codinome Jericó. Ambos partem para o resgate dos Titãs assim que recebem de Adeline as coordenadas do quartel-general da C.O.L.M.E.I.A.

Mutano apaixonou-se pela rapariga errada.
   Asa Noturna e Jericó infiltram-se na base secreta da organização e logo descobrem que os Titãs estão ligados a uma estranha máquina que lhes drena lentamente a energia vital. Confrontados por uma horda de agentes da C.O.L.M.E.I.A., os dois heróis acabam também capturados.
   Atónito por ver o seu filho aliado aos Titãs, o Exterminador procura negociar a sua libertação com a C.O.L.M.E.I.A. Perante a recusa desta e a hesitação do mercenário, Jericó aproveita o ensejo para possuir o próprio pai.
   Usando o corpo e o arsenal do Exterminador, Jericó consegue libertar os Titãs, liquidando de caminho diversos operacionais da C.O.L.M.E.I.A. Terra tem um acesso de fúria ao presenciar a cena, por considerar que a afeição de Slade ao filho o enfraquece. Completamente descontrolada, a jovem lança um ataque massivo com o objetivo de matar todos à sua volta. Apesar disso, Mutano, ainda enamorado dela, recusa-se a acreditar na malícia de Terra, sugerindo que o Exterminador lhe terá feito uma lavagem ao cérebro.
  Num crescendo de loucura e raiva, Terra provoca o desabamento do teto das instalações, ficando soterrada pelos destroços. Com os Titãs escaparem por um triz de idêntico destino.
   De volta a Nova Iorque, os Titãs realizam o funeral de Terra. À cerimónia fúnebre, além deles, apenas comparecem os Renegados. Geoforça, irmão mais velho da malograda jovem, é levado a acreditar que ela perdeu a vida de forma heroica.


Fúria telúrica.

Vale a pena ler?
   
   Atendendo ao facto de que estamos em presença de uma das melhores sagas da história da DC e da nona arte, a resposta à pergunta acima só poderá ser um rotundo "sim.". Devendo, portanto, ser considerada leitura obrigatória para qualquer fã dos Titãs e/ou do trabalho conjunto de Marv Wolfman e George Pérez.
  Dos variadíssimos pontos de interesse da narrativa, começo por destacar um em particular: a clareza desde o início das perversas intenções de Terra. Contrariamente ao que seria expectável, o leitor nunca duvida que ela irá trair os seus companheiros de equipa. Tornando-se, assim, uma testemunha ocular das maquinações em curso nos bastidores da intriga. Quem lê a história pela primeira vez é, ainda assim, induzido a acreditar num possível volte-face da personagem, abrindo desse modo caminho para um desfecho redentor. Esperanças, contudo, infundadas, pois a má índole da pequena Judas prevalece até ao fim.
  Outro ponto interessante, também relacionado com Terra, é a sua idade. Mesmo não sendo surpreendente que uma saga estrelada por heróis juvenis conte com uma personagem de apenas 16 anos, não deixa ser assinalável a sua erotização. Se à luz dos padrões morais da atualidade um romance entre uma adolescente e um homem com idade para ser seu avô é suscetível de reprovação social, imagine-se o impacto do mesmo três décadas atrás. Espanta-me, aliás, como terá esse e outros elementos da história (como o facto de Terra surgir várias vezes a fumar e a beber) passado no crivo da Comics Code Authority. 


Terra e Exterminador: farinha do mesmo saco.
  
  Creio que, ao invés do que fizeram com o Exterminador - apetrechando-o com um código de honra e um peculiar sentido de humor - Wolfman e Pérez nunca quiseram suavizar os traços do (mau) caráter de Terra, por forma a torná-la um pouco mais simpática aos olhos dos leitores.
  Fluida e dinâmica, a escrita de Marv Wolfman é igualmente competente na formulação dos diálogos e na caracterização das personagens. Conquanto se trate de uma história de super-heróis e supervilões, a cada um deles é atribuída uma personalidade consistente com a de pessoas de carne e osso. Wolfman tem ainda o mérito de evitar sucessivas recapitulações da história, quase inevitáveis quando a mesma é contada em capítulos interpolados por um mês.
  Focando-me agora na arte da saga, sou suspeito na minha apreciação da mesma, na medida em que George Pérez é um dos meus desenhadores preferidos. Dito isto, apenas posso classificar de esplêndido mais este seu trabalho. Realço particularmente o seu esmero em retratar de forma distinta a fisionomia e a personalidade de cada um dos protagonistas. Embora subtis, são percetíveis as diferenças nas suas expressões faciais e maneirismos. Notável também a capacidade de Pérez de acumular vários painéis numa só página sem, contudo, a deixar confusa. Sendo essa, de facto, uma das suas marcas registadas, como ficou comprovado em Crise nas Infinitas Terras.
  Um dos aspetos mais memoráveis da passagem de Wolfman e Pérez pelos Titãs, foi o sentimento e humanismo infundidos nas histórias do grupo. O Contrato de Judas pode muito bem ter sido o melhor exemplo disso, robustecendo por essa via o seu valor literário. Mesmo se perspetivada como uma clássica narrativa com super-heróis, a saga distingue-se pela sua profundidade e dramatismo.
  Motivos mais do que suficientes para me orgulhar de ter esta magnífica pérola da nona arte na minha coleção e para recomendar a sua leitura aos iniciados neste saudável vício de ler banda desenhada de qualidade.

Os Titãs sobreviveram à traição de Terra, mas nada voltaria a ser como dantes.