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segunda-feira, 21 de Julho de 2014

EM CARTAZ: SUPER-HOMEM II



    Depois de  ter frustrado os planos nefandos de Luthor no primeiro filme, o Homem de Aço enfrenta agora a ameaça de três renegados kryptonianos que procuram vingar-se do filho do seu carcereiro. Conservando ainda o tom épico do seu predecessor, Super-Homem II, malgrado a sua tumultuosa produção, redundou num retumbante sucesso.

Título original: Superman II
Data de lançamento: Dezembro de 1980 (Austrália e Europa Continental) e janeiro de 1981 (EUA e Reino Unido)
País: Reino Unido
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 127 minutos
Realização: Richard Lester e Richard Donner (embora não creditado, dirigiu a versão primitiva do filme posteriormente editada em DVD)
Argumento: Mario Puzo, David Nemwan, Leslie Newman e Tom Mankiewicz (consultor criativo)
Elenco: Christopher Reeve (Clark Kent/Super-Homem); Gene Hackman (Lex Luthor); Terence Stamp (General Zod), Margot Kidder (Lois Lane); Sarah Douglas (Ursa); Jack O'Halloran (Non), Jackie Cooper (Perry White) e Marc McClure (Jimmy Olsen)
Distribuição: Warner Bros.
Orçamento: 54 milhões de dólares
Receitas: 108 milhões de dólares
Produção: A produção de Superman II arrancou em simultâneo com as filmagens do primeiro filme do Homem de Aço, em abril de 1977. No entanto, devido à envergadura dos meios logísticos envolvidos e ao calendário apertado, a produção da sequela foi suspensa em outubro desse ano, por forma a permitir que Richard Donner se concentrasse exclusivamente em Superman.
    Devido a um diferendo entre o cineasta e os produtores (Alex e Ilya Salkind) acerca dos privilégios da edição final da película, Donner foi demitido. Para o seu lugar foi contratado outro Richard, de apelido Lester. Este tinha já trabalhado com os Salkind noutro projeto duplo: The Three Musketeers (1973) e The Four Musketeers (1974) e fora trazido meses antes na qualidade de assistente de realização, para apaziguar a crescente tensão entre Donner e os produtores.
   Umas das mais veementes objeções manifestadas por Donner antes do seu afastamento do projeto prendeu-se com a decisão dos Salkind de suprimir todas as cenas já filmadas com Marlon Brando, evitando desse modo ter de pagar uma maquia adicional ao ator, que reivindicava em tribunal uma parte dos lucros do filme.
     Em março de 1979, pouco mais de um ano após a estreia de Superman, os Salkind resolveram demitir Donner e oferecer a cadeira de realizador a Lester. Uma decisão controversa entre o elenco e a equipa de produção, com o ator Gene Hackman, o editor Stuart Baird e o consultor criativo Tom Mankiewicz a recusarem participar na nova versão da sequela, em solidariedade com Donner. 

Richard Donner, o primeiro realizador de Superman II.

    No dia 1 de junho de 1979, recomeçaram oficialmente as filmagens da nova versão de Superman II, sob a batuta de Lester. No argumento revisto figuravam agora várias sequências inéditas, como aquela em que Lois Lane salta para as Cataratas de Niagara ou a da bomba na Torre Eiffel. 
    Ao longo dos nove meses subsequentes, a rodagem do filme passou pelo Canadá, Noruega, Paris e pela ilha de Santa Lúcia. Já as cenas ambientadas em Metrópolis (rodadas em Nova Iorque no primeiro filme) foram inteiramente gravadas nos britânicos Estúdios Pinewood. Em março de 1980 as filmagens estavam finalmente concluídas.
     A despeito de todos os percalços e dificuldades inerentes à sua produção, Superman II recebeu críticas muito positivas (em particular quanto ao argumento e aos efeitos especiais) e foi um estrondoso sucesso de bilheteira (sendo mesmo o terceiro filme mais lucrativo de 1981). Factos que valeram a Lester um convite para dirigir a próxima sequela que, contudo, esteve longe de corresponder às expectativas do fãs (tema para um próximo artigo).

Richard Lester, o substituto.

   No entanto, segundo o próprio Richard Donner, a versão da película que chegou às salas de cinema contém, na melhor das hipóteses, 25% do material por ele filmado. A razão é simples: para ser creditado na produção de um filme, um realizador tem de ser responsável por,  pelo menos, 51% das cenas. Daí que Richard Lester tenha substituído muitas das sequências previamente gravadas pelo seu antecessor.
   Na sequência de um petição online promovida por fãs e coincidindo com a estreia de Superman Returns, em 2006 foi lançada em DVD a versão primitiva do filme: Superman II - The Richard Donner Cut. 
    Recuperando a maior parte do conceito original de Donner (aproximadamente 83% do material por si gravado foi restaurado), esta versão inclui também diversas cenas da autoria de Lester, usadas para preencher alguns espaços na narrativa.
     Entre as várias sequências recuperadas, constam:

* A destruição da Fortaleza da Solidão levada a cabo pelo herói kryptoniano;
* O Super-Homem usa a sua visão de calor para confecionar um suflé no seu jantar romântico com Lois na Fortaleza da Solidão;
* A cena que retrata a invasão da Casa Branca pelo trio de kryptonianos era originalmente muito mais violenta;
* Na reta final do filme, Clark Kent esbarra com um matulão careca e lembra-se que tem contas a ajustar com um certo rufia.


Enredo: Pouco tempo antes da destruição de Krypton, o Conselho - presidido por Jor-El - condena três criminosos, acusados de sedição e genocídio, ao banimento na Zona Fantasma. Os seus nomes: Zod, Ursa e Non. Apesar dos pungentes pedidos de clemência do primeiro, Jor-El ratifica a sentença dos seus pares. Face ao terrível destino que os espera, Zod jura vingança.
   Décadas passadas, a Zona Fantasma é estilhaçada pelas ondas de choque resultantes da detonação de uma bomba de hidrogénio lançada pelo Super-Homem na órbita terrestre, após ter impedido um atentado terrorista em Paris. Zod e os seus companheiros são assim acidentalmente libertados.
   Ainda aturdidos pela liberdade reconquistada e pelos recém-adquiridos superpoderes em consequência da sua exposição à radiação do nosso sol amarelo, o trio de kryptonianos voa até à Lua. 
   Antes de massacrarem a equipa de astronautas americanos e soviéticos que lá encontram, escutam as transmissões da NASA emitidas a partir de Houston. Julgando ser esse o nome do planeta de origem dos astronautas, os três dirigem-se para a Terra. 
   Chegados ao nosso mundo, atacam uma pequena cidade no interior dos EUA. Após desbaratarem o contingente militar destacado para o local, rumam a Washington, D.C. e tomam a Casa Branca. 
    Na sequência da capitulação das forças que defendiam o símbolo máximo do poder político dos EUA, Zod obriga o Presidente norte-americano a, perante as câmaras de televisão, ajoelhar-se aos seus pés. Quando o Presidente lança um desesperado pedido de socorro endereçado ao Super-Homem, Zod exige saber de quem se trata e ordena-lhe, em direto, que se venha ajoelhar diante dele.

Triunvirato kryptoniano (da esq. para a dir.): Non, Zod e Ursa.

    Entretanto, os repórteres do Planeta Diário, Clark Kent e Lois Lane(disfarçados de recém-casados) são destacados para as Cataratas de Niagara a fim de investigarem uma presumível burla tendo como alvos casais em lua de mel. 
    Cada vez mais desconfiada de que Clark e o Super-Homem são uma só pessoa, Lois recorre a diversos ardis para tentar comprovar a sua teoria. Chega mesmo a atirar-se para as cataratas, mas Clark evita comprometer a sua identidade secreta usando astutamente as suas habilidades para salvá-la.
   Nessa noite, na suíte nupcial onde o casal de repórteres se encontra alojado, Clark desequilibra-se ao tentar retirar da lareira acesa uma escova de cabelo de Lois. Perante a sua ausência de ferimentos, Clark é forçado a admitir que é o Homem de Aço.
    Feita a revelação, o casal voa até à Fortaleza da Solidão, no Ártico. O herói dá a conhecer a Lois alguns arquivos históricos de Krypton, armazenados sob a forma de cristais de pedra solar. Sendo que um deles foi, segundo ele explica à sua fascinada interlocutora, o responsável pela construção da estrutura e por o ter posto em contacto com os seus malogrados progenitores.
    Depois de declarar o seu amor por Lois, o Super-Homem expressa a sua vontade de renunciar aos seus poderes por forma a poder passar o resto da vida com ela. Apesar das advertências da mãe, ele não muda de ideias e adentra numa câmara molecular para se expor à radiação de um sol vermelho (idêntico ao que iluminava Krypton e que lhe anula os poderes).

Por amor, o Super-Homem deixa de ser super.

   Agora um simples humano, Clark passa a noite com Lois e, no dia seguinte, ambos abandonam a Fortaleza da Solidão de regresso aos EUA. Num restaurante de camionistas, Clark, ao tentar defender Lois do assédio de um rufia, acaba espancado por este. É também nesse momento que toma conhecimento das ações de Zod e dos seus aliados. 
    Com o mundo à mercê dos seus compatriotas, Clark resolve regressar à Fortaleza da Solidão para tentar recuperar os seus superpoderes.
    Longe dali, Lex Luthor escapa da penitenciária com a ajuda da sua assistente, Eve Teschmacher. Ambos rumam, de seguida, ao Ártico e infiltram-se na, agora deserta, Fortaleza da Solidão. Explorando as funcionalidades da estrutura, Luthor descobre a relação existente entre o pai biológico do seu inimigo e o general Zod. 
    Na posse dessa preciosa informação, Luthor vai ao encontro do triunvirato kryptoniano na Casa Branca. Em troca da propriedade da Austrália, ele oferece-se para conduzir Zod e seus comparsas ao filho do seu carcereiro.
   Ávidos de vingança, os três kryptonianos forjam uma aliança com Luthor e voam até Metrópolis, onde tomam de assalto a redação do Planeta Diário com o intuito de sequestrar Lois Lane e, dessa forma, atrair o Super-Homem. Este entra em cena, após ter conseguido reverter a sua transformação em humano com a ajuda do misterioso cristal de kryptonita verde.
   Na violenta batalha que se segue, embora em inferioridade numérica, o Homem de Aço tira vantagem da sua maior destreza no uso dos seus poderes. Pressentindo a derrota, Zod, depois de se aperceber que o filho de Jor-El se preocupa com os humanos, resolve tirar proveito dessa fraqueza do seu adversário, ordenando o ataque indiscriminado a transeuntes que assistiam à contenda.

Em plena batalha de Metrópolis, o Homem de Aço oferece uma voltinha de carrossel a Zod. 
   Constatando que a única forma de evitar a morte de inocentes seria levar os seus adversários para longe da cidade, o Super-Homem finge bater em retirada. Tomando-o por um covarde, Zod vangloria-se do seu aparente triunfo. Quando se prepara para descartar Luthor, este oferece-se para o levar até à Fortaleza da Solidão. Ursa, por seu lado, decide levar Lois como refém e o quinteto voa em direção ao Ártico.
   Após nova peleja, agora no reduto do Homem de Aço, a capitulação de Zod parece iminente. Porém, Ursa e Non ameaçam despedaçar Lois se o herói não se render. 
    Novamente descartado por Zod, Luthor aproxima-se do Super-Homem, que lhe confidencia o seu plano de usar a câmara molecular para remover os poderes do trio de renegados kryptonianos. Ansioso por voltar a cair nas boas graças de Zod, Luthor conta-lhe o plano do Homem de Aço e prontifica-se a acionar o dispositivo.
    Prevendo a traição de Luthor, o Super-Homem usa uma câmara de cristal para se proteger da radiação de sol vermelho que inunda a Fortaleza. Zod e os seus comparsas apercebem-se tarde demais do logro e, despojados das suas habilidades, são facilmente vencidos pelo Homem de Aço.
   No dia seguinte, no Planeta Diário, Clark encontra uma angustiada Lois, incapaz de lidar com seu segredo. Ele beija-a na boca e, ato contínuo, a memória recente da repórter é apagada.
   Depois de se desforrar do valentão que o havia espancado quando estava privado dos seus poderes, Clark dá lugar ao Super-Homem e voa até Washington para recolocar a cúpula destruída da Casa Branca com a bandeira norte-americana desfraldada no topo. Antes de partir para o seu habitual passeio orbital, o herói promete ao Presidente que não o tornará a deixar mal.
Trailerhttp://www.imdb.com/video/screenplay/vi3346572313


Curiosidades: 

* Gene Hackman não participou na segunda versão do filme, dirigida por Richard Lester. Todas as suas cenas como Lex Luthor haviam sido gravadas por Richard Donner. Nas que foram posteriormente inseridas na película, foram usados um duplo seu e um imitador de vozes;
* Na versão original, o míssil nuclear de Luthor que o Homem de Aço desvia para o espaço em Superman (1978), seria o responsável pela libertação de Zod e seus companheiros da Zona Fantasma. Cena incluída na edição em DVD de Superman II - The Richard Donner Cut, tendo a cena em Paris sido suprimida;
* Devido a significativas modificações fisionómicas operadas em Christopher Reeve no interlúdio entre as duas versões da sequela, algumas das suas cenas tiveram que ser regravadas;
* A cena em que Zod, Ursa e Non usam o seu supersopro para dispersar a multidão que os tenta atacar em Metrópolis, foi rodada ao longo de três gélidas noites de novembro num estúdio britânico, tendo Richard Lester improvisado a maior parte das situações cómicas;

Gene Hackman como Lex Luthor (papel que repetiria em 3 dos 4 filmes da franquia).

* Originalmente, Donner tinha filmado Kal-El a conversar com o seu pai na Fortaleza da Solidão, mas Marlon Brando (que interpretou Jor-El no primeiro filme) interpôs um processo judicial exigindo uma parcela dos lucros do filme, mesmo que não participasse nele. Tendo os tribunais deferido esta reivindicação do finado ator, as cenas com Jor-El foram substituídas por Lara (mãe biológica do Super-Homem). No entanto, as cenas cortadas de Brando seriam reaproveitadas em Superman Returns (2006);
* Embora americano de gema, Richard Lester, há muito radicado no Reino Unido, afirmou nunca ter sequer ouvido falar do Super-Homem antes de ser convidado a ocupar a vaga deixada por Richard Donner. Explicação: em criança, as histórias aos quadradinhos eram expressamente proibidas em sua casa;
* Numa entrevista concedida vários anos após a estreia do filme, Margot Kidder declarou: "Olhando para trás, sou forçada a concordar com os moralistas que censuraram o facto de a Lois Lane ter ido para a cama com o Super-Homem"; 
* Noutra entrevista, datada de 2004, a mesma Margot Kidder revelou que Richard Donner gravara suficiente material para uma película completa, o qual estaria algures guardado num cofre. Na sequência destas declarações, um site lançou uma petição online exigindo à Warner Bros. que libertasse o material em questão. O que viria a acontecer um par de anos volvidos, sob o título Superman II - The Richard Donner Cut e coincidindo com a chegada às salas de cinema de todo o mundo de Superman Returns;
* Durante a filmagem da cena em que, na Fortaleza da Solidão, Lois Lane esmurra Ursa na face, Margot Kidder acertou acidentalmente em Sarah Douglas, deixando-a inanimada;
* Para apagar da memória de Lois o conhecimento de que Clark Kent e o Super-Homem são a mesma pessoa, o herói kryptoniano aplica-lhe um "superbeijo" nos lábios. Ainda que raramente usado, trata-se de um poder de que o Homem de Aço dispôs em tempos na BD, mas que acabou por ser eliminado;
* Os poderes perdidos do Super-Homem são restaurados após Clark Kent encontrar um cristal de kryptonita verde na Fortaleza da Solidão, sem que contudo seja aventada uma explicação para esse facto. Para mais considerando que a sua exposição a esses fragmentos radioativos do seu mundo natal lhe é potencialmente letal. Nada que impedisse a inclusão de uma cena similar em Super-Homem IV, Em Busca da Paz (1987).

Dois símbolos americanos.

Veredito: 84%

   Antes da massificação das adaptações cinematográficas de algumas personagens de charneira da Marvel e da DC que, para gáudio dos fãs, tem marcado o início deste século, houve uma primeira geração de películas que foram pioneiras num género até então menosprezado por Hollywood (e, bem vistas as coisas, pelo público em geral).
   O mote foi dado por Superman em 1978 e, ao invés do panorama atual, durante as décadas de 1980 e 1990 a DC dava cartas no grande ecrã. Entre 1978 e 1997, foram lançadas duas quadrilogias (uma do Homem de Aço, outra de Batman) e um filme a solo da Supergirl.
   No mesmo intervalo de tempo, a produção cinéfila da Marvel restringiu-se a um par de  telefilmes do Hulk e outros tantos do Homem-Aranha (que, na realidade, mais não eram do que episódios extendidos das respetivas séries televisivas), um filme extraoficial do Justiceiro e uma película série B do Capitão América. Pelo meio, houve uns quantos "abortos" cuja maternidade a Casa das Ideias só a muito custo assumiu. Refiro-me, por exemplo, aos infames  Nick Fury e Fantastic Four (1994), ambos votados ao mais recôndito oblívio.
   Focando-me agora nas produções da DC, tanto na quadrilogia do Super-Homem (1978-1987), como na do Homem-Morcego (1989-1997)), os dois primeiros capítulos são magistrais, ao passo que o terceiro e o quarto são inenarráveis (e responsáveis por recorrentes pesadelos em fãs mais sensíveis).
  Especificamente falando das aventuras do herói kryptoniano no grande ecrã, sou, ainda hoje, um fã incondicional dos dois primeiros filmes da franquia. Embora datados, alcançaram a intemporalidade por via do seu registo épico e do saudoso Christopher Reeve (que me desculpem os seus sucessores, mas ele foi  o Super-Homem).
Super-Homem versus General Zod: um duelo reeditado em Homem de Aço (2013).

   Por conseguinte, quando me perguntam qual dos dois prefiro, hesito sempre na resposta. Mesmo passados todos estes anos, ambos me conseguem ainda fazer vibrar como na primeira vez em que tive o prazer de assisti-los: no primeiro, perdi a conta às vezes em que vi e revi a cena em que o Homem de Aço apanha Lois Lane em pleno ar, ao mesmo tempo que segura, com uma só mão, um helicóptero em queda livre; no segundo, quase rebentei a fita da velhinha cassete VHS em que o tinha gravado, de tanto a rebobinar para assistir, uma e outra vez, à épica batalha travada em Metrópolis pelo Super-Homem e os vilões do seu planeta natal.
    Sem desprimor, pois, para o seu antecessor, Superman II continua a figurar no meu top 5 dos melhores filmes com super-heróis (encabeçado pelo igualmente clássico Batman, de Tim Burton).
   Mesmo a uma distância de quase 35 anos, Superman II mantém-se como um excelente entretenimento, graças ao seu elenco sólido, ao argumento consistente e a uma generosa porção de sequências de ação. Chegando mesmo a superar o primeiro filme, em especial devido ao foco nos dramas individuais de algumas personagens (o inviável triângulo amoroso entre Lois, Clark e o Super-Homem é uma das pedras de toque da trama) e à maior credibilidade dos vilões e suas motivações (Terence Stamp não podia ter sido melhor escolhido para o papel de Zod, não perdendo na comparação com Michael Shannon em Homem de Aço).
   Por tudo isto, Superman II é um digno tributo ao maior herói de todos os tempos, desde logo porque não desvirtua a sua mitologia e porque nos fez acreditar que um homem podia voar.

Christopher Reeve, o eterno Super-Homem cinematográfico.
        

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

DO FUNDO DO BAÚ: «A ERA DE APOCALIPSE»




    Após a morte de Charles Xavier às mãos do próprio filho, Magneto decide adotar o sonho do seu velho amigo de paz entre humanos e mutantes, pondo dessa forma em marcha um conjunto de eventos que darão origem a uma tenebrosa realidade alternativa na qual Apocalipse reina absoluto. 

Título original da saga: Age of Apocalypse
Licenciadora: Marvel Comics
País: EUA
Ano de publicação: 1995-96
Argumento: Scott Lobdell, Mark Waid, Fabian Nicieza, John Francis Moore, Larry Hama, Warren Ellis, Jeph Loeb, Howard Mackie e Terry Kavanagh
Arte: Roger Cruz, Steve Epting, Joe Madureira, Andy Kubert, Tony Daniel, Salvador Larroca, Chris Bachalo, Adam Kubert, Ken Lashley, Steve Skroce, Terry Dodson, Ian Churcill, Carlos Pacheco e Joe Bennett
Edições de referência (1995): X-Men Chronicles #1 (primeiro confronto dos X-Men com os Quatro Cavaleiros do Apocalipse); Tales from the Age of Apocalypse: By the Light (confronto com Morte, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse); X-Men Chronicles #2 (a partida de Jean Grey e da Arma X e o confronto entre X-Men e Wolverine); X-Men: Alpha (primeiro encontro dos X-Men com Bishop); Astonishing X-Men #1 (os X-Men tomam conhecimento do abate de humanos em Chicago); Amazing X-Men #1 (com a ajuda dos Sentinelas, os X-Men evacuam os humanos do Maine); Amazing X-Men #2 (Mercúrio enfrenta Abismo); Astonishing X-Men #3 (os X-Men resgatam Dentes-de-sabre da fábrica de processamento Infinito); Amazing X-Men #3 (Bishop e Magneto são capturados por Apocalipse); Astonishing X-Men #4 (destruição da Infinito pelos X-Men); Amazing X-Men #4 (Banshee sacrifica a própria vida para derrotar Abismo); X-Men: Omega (o dramático epílogo da saga)
Enredo: Charles Xavier acreditava ser possível uma coabitação pacífica entre homo sapiens e homo superior, mas o seu velho amigo Erik tinha uma opinião diferente. Tudo isso mudou quando Xavier foi acidentalmente morto pelo seu próprio filho (o mutante Legião).
   Essa tragédia alterou radicalmente a perceção que Erik tinha das relações entre humanos e mutantes. Em consequência disso, ele decide honrar o sonho do seu malogrado amigo colocando em prática os seus ideais. No entanto, a intolerância dos humanos para com aqueles que são diferentes acaba por prevalecer e Erik isola-se do mundo, acoitando-se numa base localizada na Montanha Wundagore.

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Pode a morte de um homem ditar o fim da esperança?

   Entretanto, Apocalipse tinha, praticamente sem oposição, posto em marcha o seu plano de dominação mundial. Assumindo a identidade de Magneto, Erik funda os X-Men com o propósito de manter vivo o sonho de Xavier e de tentar impedir Apocalipse de ser bem-sucedido. Os seus primeiros recrutas são os próprios filhos.  Mercúrio e Feiticeira Escarlate ajudam o pai a reunir outros apoiantes da causa.

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Apocalipse tem o mundo a seus pés.

   Na sequência do anúncio público feito por Magneto de que treinaria qualquer mutante no uso das suas habilidades, os pais de Jean Grey, temendo pela segurança da filha, procuram a ajuda do Mestre do Magnetismo. A jovem torna-se assim a terceira integrante dos X-Men. Seguem-se Colossus, Homem de Gelo e Tempestade. Vários jovens mutantes juntam-se também à causa, ficando sob a tutela de Magneto.
   Devido à inóspita realidade imposta pela tirania de Apocalipse, Magneto leva os seus pupilos ao limite nas sessões de treino a que exaustivamente os submete. No entanto, os X-Men passam com distinção nos sucessivos testes e anseiam por entrar em ação.
   Não tarda muito a que o grupo ganhe dois novos elementos: Arma X (versão alternativa de Wolverine) e Vampira, ambos trazidos por Mística para o santuário de Magneto. Longe dali, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse fazem-se notados atacando a Cidade do Cabo (África do Sul), ao mesmo tempo que mísseis norte-americanos espalhados pelo mundo são disparados.
   Os X-Men entram por fim em ação, com Magneto a pedir à Feiticeira Escarlate e a Vampira que fiquem na base a zelar pelos seus pupilos mais jovens. Contudo, uma ameaça ainda mais mortífera, que atende pelo nome de Némesis, ataca a mansão e os seus ocupantes.
   Wanda esforça-se por proteger os jovens mutantes, mas Némesis revela-se um adversário poderoso, que nem mesmo Vampira consegue sobrepujar. Tentando ajudar a amiga em apuros, a Feiticeira Escarlate usa os seus poderes contra o vilão, causando-lhe grande dor. Enfurecido, Némesis executa a filha do Mestre do Magnetismo antes de partir.
   Regressados à base após uma primeira missão coroada de êxito, os X-Men deparam-se com a destruição causada por Némesis e com o corpo sem vida da Feiticeira Escarlate, a primeira baixa na guerra contra Apocalipse.
   A morte da filha leva inicialmente o Mestre do Magnetismo a querer desistir do seu combate em nome dos ideais de Xavier, mas os seus pupilos dão-lhe alento para continuar. Engajando novos membros para os seus X-Men, como Noturno (filho de Mística) e o ex-Cavaleiro de Apocalipse Dentes-de-Sabre, a fação liderada por Magneto robustece-se.


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Antigos inimigos lutam lado a lado contra a tirania de Apocalipse.

  Com a localização da sua base comprometida, os X-Men veem-se forçados a procurar um novo esconderijo. Recaindo a escolha sobre uma sumptuosa mansão em Westchester.
   Algum tempo depois, durante um raide contra as forças do Senhor Sinistro, uma jovem mutante chamada Clarice é resgatada por Dentes-de-Sabre. Sob a sua tutela, a rapariga torna-se uma combatente formidável adotando o codinome Blink (piscar de olhos) devido à sua habilidade de teleporte.
   Aliados a Ciclope (antigo membro da força de elite mutante do Senhor Sinistro), os X-Men enfrentam e derrotam Morte, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Após a refrega, os pupilos de Magneto resgatam um mutante japonês conhecido como Solaris, mantido cativo por Morte.
   Traindo a confiança dos seus novos aliados, Ciclope captura Jean Grey e envia-a para o laboratório do Senhor Sinistro, onde este extrai uma amostra de ADN da heroína mutante. Combinando-a com outra extraída de Ciclope, o vilão cria um novo homo superior, o X-Man.

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X-Man: nasce um novo herói

  Arma X invade o laboratório do Senhor Sinistro e liberta Jean, não sem antes se envolver numa encarniçada peleja com Ciclope, em resultado da qual perde a sua mão esquerda. Na sequência deste episódio, Arma X e Jean resolvem, perante a desolação de Magneto, abandonar os X-Men.
  Vampira, por seu turno, envolve-se amorosamente com o seu colega de equipa Gambit, embora nutra em segredo uma paixão por Magneto. Durante uma batalha com Wolverine (mutante geneticamente alterado pelo Fera Negra), a jovem vê-se perante o dilema de escolher salvar apenas um deles. Ao optar por Magneto, Vampira despedaça o coração de Gambit que, depois de levar de vencida Wolverine, deixa também a equipa.
  Mais tarde, Magneto desposa Vampira e desse casamento nasce um filho a quem o Mestre do Magnetismo dá o nome de Charles, em homenagem ao seu saudoso amigo.
    Os X-Men travam entretanto conhecimento com um homem que lhes dá um novo propósito para as suas vidas. Bishop testemunhou o assassinato de Charles Xavier vinte anos atrás, evento que, segundo alega, terá alterado a realidade. Com vista a certificar-se da veracidade destas afirmações, Magneto pede à sua esposa que absorva as memórias do enigmático forasteiro. Vampira acede e logo a mente de Erik é inundada com imagens que ratificam as palavras de Bishop.

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Bishop: personagem-chave em Age of Apocalypse.

   Na posse destes novos elementos, Magneto apressa-se a gizar um plano para emendar as coisas: enquanto Lince Negra e Colossus são enviados a Seattle para resgatar Illyana Rasputin (irmã deste último), Noturno recebe a missão de encontrar Mística e de lhe trazer a mutante com dons precognitivos conhecida como Sina. Passando por cima de antigos ressentimentos, Gambit (que agora lidera a sua própria equipa mutante, os X-Eternos), acede ao pedido que lhe é endereçado pelo Mestre do Magnetismo para que lhe traga  um fragmento do Cristal M'Krann.
    Divididos em duas equipas, os X-Men levam a cabo ações visando abalar o reinado de Apocalipse. Uma delas, liderada por Vampira, procura impedir o abate de humanos em Chicago; ao passo que a segunda, dirigida por Mercúrio, alia-se aos robôs Sentinelas para proceder à evacuação dos homo sapiens  do Maine.
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Senhor Sinistro, um dos esbirros de Apocalipse.

   Apesar de ambas as equipas terem sido bem-sucedidas nas suas respetivas missões, Apocalipse descobre a localização da nova base dos X-Men e, acolitado pelo seu  exército robótico, lança um devastador ataque à mesma. Face à ausência dos seus pupilos, cabe ao Mestre do Magnetismo e a Bishop resistirem bravamente à ofensiva, mas acabam subjugados pelas forças do vilão.
   Enquanto os X-Men se deparam com uma mansão vazia e com sinais de luta, Bishop é interrogado na fortaleza de Apocalipse. Quando o Senhor das Sombras perscruta a mente do viajante do tempo, descortina a existência de uma linha temporal onde Apocalipse não governa.
   Na Mansão X, Mercúrio prepara-se para comandar os X-Men no resgate de Bishop. Gambit regressa do espaço sideral com um fragmento do Cristal M'Krann, mas é atraiçoado pelo seu companheiro de equipa Guido.Este não só rouba o fragmento como rapta o filho de Magneto e de Vampira para entregar ambos a Apocalipse, em troca da sua libertação e da mulher que ama.
   A despeito destas contrariedades, os X-Men resgatam Bishop. São, porém, atacados por Abismo. Para detê-lo de uma vez por todas, Banshee imola a própria vida.
  Ao descobrir que o seu marido e filho foram levados por Apocalipse, Vampira culpa Gambit pelo sucedido, mas logo recupera o senso e empenha-se em encontrar uma maneira de os salvar. Entretanto, Noturno regressa acompanhado por Sina; Mercúrio traz consigo Bishop; Colossus e Lince Negra trazem Illyana Rasputin.

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X-Men, a derradeira esperança de humanos e mutantes.

   Com os X-Men reunidos e reforçados, os heróis mutantes decidem resgatar Magneto e o pequeno Charles e, de caminho, derrubar Apocalipse de uma vez por todas. Enquanto a equipa é teletransportada por Blink para a fortaleza de Apocalipse, o X-Man liberta o Mestre do Magnetismo. Illyana e Sina penetram no Cristal M'Krann e combinam os seus poderes para possibilitar que Bishop viaje ao passado com o objetivo de impedir o assassínio de Charles Xavier e, desse modo, evitar que aquela linha temporal venha alguma vez a existir.
   Porém, ao descobrir que  na linha temporal que Bishop pretende restaurar, a sua irmã estava morta, Colossus, num acesso de raiva, invade o cristal e mata acidentalmente Lince Negra. Gambit usa os seus poderes para travar a fúria do companheiro e acaba por matá-lo também.
    Enviado ao passado, Bishop tem êxito na sua missão de impedir a morte de Charles Xavier às mãos do próprio filho. Magneto e Apocalipse, entretanto, digladiam-se num combate brutal que culmina com a morte deste último.
    Chegado ao fim o longo reinado de terror de Apocalipse, Magneto e Vampira observam, na companhia do filho, a chuva de mísseis lançados pelo Alto Conselho Humano sobre Nova Iorque.

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Um epílogo condizente com o registo obscuro da saga.

Prequelas: Antes do décimo aniversário da sua publicação, a saga Age of Apocalipse era considerada uma realidade paralela que havia cessado de existir. (facto, de resto, amiúde referido por sobreviventes, como Sugar Man e Blink). Nada que obstasse, ainda assim, a que nesse ínterim tenham sido produzidas várias prequelas e sequelas
   Numa das primeiras prequelas, Tales from the Age of Apocalypse: By the Light (1996),  Blink teletransporta os X-Men para a Lua, onde os heróis mutantes enfrentam o novo Cavaleiro da Morte de Apocalipse. Este era, ninguém mais ninguém menos, do que Maximus, o insano irmão de Raio Negro, monarca dos Inumanos.
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Tales from the Age of Apocalypse: By the light (1996).
   
   Já Tales from the Age of Apocalypse: Sinister Bloodlines (1997) acompanha o regresso do Corsário (Christopher Summers, pai de Ciclope e Destrutor) à Terra, após ter escapado dos tenebrosos experimentos científicos conduzidos pelo Senhor Sinistro e pelo Fera Negra no universo de A Era de Apocalipse.

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A família Summers reunida em Tales from the Age of Apocalypse: Sinister Bloodlines.

.    Em X-Man Annual (1996), Sugar Man usa uma variante da máquina do tempo alimentada pela energia psiónica de Nate Grey para regressar aos primeiros dias do reinado de Apocalipse na esperança de o conseguir apear e assumir ele próprio o poder. Nate segue-o nessa viagem através do fluxo temporal e encontra Magneto, Forge e outros sobreviventes mutantes. Antes, porém, já uma sua versão mais velha  havia avisado Forge do advento do jovem Nate. Sob as ordens do primeiro, Forge compele o segundo a reenergizar psionicamente a máquina do tempo para que ele e Sugar Man possam retornar à sua respetiva realidade. Decisão que provoca divergências entre Forge e Magneto, porquanto o Mestre do Magnetismo preferia que o jovem Nate permanecesse naquele plano de existência e os ajudasse a combater Apocalipse.

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Um jovem Nate Grey viaja no tempo até aos sombrios dias da Era do Apocalipse em X-Man Annual '96.

    Por fim, a minissérie em quatro edições Blink (2001) serviu essencialmente para introduzir a versão original da personagem saída de Age of Apocalypse no título Exiles. Com a particularidade de a narrativa desenvolvida ao longo da citada minissérie preceder os principais eventos demonstrados na saga. À deriva na Zona Negativa, Blink, depois de ter tentado incitar Blastarr a declarar guerra a Apocalipse, acaba por se juntar a uma rebelião para derrubá-lo. Sempre acompanhada pelo amante, que não é mais do que uma versão involuída do Aniquilador, a heroína mutante vê-se envolvida numa sucessão de peripécias. Nas quatro últimas páginas da história, é possível ver Blink no preciso momento em que ocorre a destruição da realidade paralela de Age of Apocalypse.

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Capa do primeiro de quatro volumes da minissérie Blink (2001)
 
Sequelas: Para assinalar o décimo aniversário da publicação de Age of Apocalypse em terras do Tio Sam, em 2005 a Marvel Comics presenteou os fãs da saga com o lançamento de uma edição especial comemorativa e uma minissérie.
   Em After the Fall é narrada uma história anterior aos eventos retratados na saga original, em linha com o enfoque dado na série Tales from the Age of Apocalypse. Nas suas páginas, é mostrado como Colossus e a Lince Negra abandonaram os X-Men para treinar a Geração X; a primeira aparição do Samurai de Prata; e como o mundo sobreviveu ao bombardeamento nuclear ordenado pelo Alto Conselho Humano.
  Já na minissérie X-Men: Age of Apocalypse, cujos eventos narrados são posteriores ao holocausto nuclear ocorrido em X-Men: Omega, são introduzidas algumas personagens que não figuravam na saga original. Entre elas destacam-se Psylocke e os Morlocks (sobreviventes dos cruéis experimentos científicos do Senhor Sinistro). É também revelado que Jean Grey, após exaurir o poder cósmico da Força Fénix para salvar o mundo do ataque nuclear perpetrado pelo Alto Conselho Humano, é trazida de volta à vida pelo Senhor Sinistro.

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X-Men: Age of Apocalypse #1 (2005).
   Em 2011, Uncanny X-Force #10 serviu de prólogo a The Dark Angel Saga. Como premissa para este novo capítulo de Age of Apocalypse, a demanda da X-Force pela semente da vida dos Celestiais, por forma a evitar que o Anjo (um dos X-Men originais) venha a ser o próximo Apocalipse.

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The Dark Angel Saga revisita o universo de Age of Apocalypse, 16 anos depois da publicação da saga original.


sexta-feira, 4 de Julho de 2014

GALERIA DE VILÕES: APOCALIPSE



     No Antigo Egito era adorado como um deus e autoproclama-se o primeiro mutante da História. Tem ao longo dos milénios manipulado eventos a fim de cumprir o seu desígnio de provocar uma guerra entre a sua espécie e a humanidade. Será ele o vilão de serviço no próximo filme dos X-Men.

Nome original da personagem: Apocalypse
Primeira aparição: X-Factor nº5 (julho de 1986)
Criadores: Louise Simonson (história) e Jackson Guice (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: En Sabah Nur
Local de nascimento: Akkaba (Egito)
Parentes conhecidos: Baal (pai adotivo falecido), Genocídio (filho falecido), Génesis (clone) e vários descendentes espalhados por diferentes épocas.
Afiliação: Líder e fundador do Clã Akkaba, dos Cavaleiros do Apocalipse e da Aliança do Mal.
Base de operações: Em tempos operou a partir da Face Oculta da Lua; presentemente usa a Nave Celestial como quartel-general móvel.


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De escravo a soberano absoluto.

Armas, poderes e habilidades: Apocalipse teve todos os seus dons e habilidades mutantes amplificados após a sua exposição à Nave Celestial. A saber:

- Controlo molecular: Por via de um absoluto controlo da sua estrutura molecular, o vilão consegue alterar a sua forma. Facto que lhe permite, entre outras coisas, aumentar ou diminuir de tamanho, bem como assumir a aparência que mais lhe aprouver;
- Poder de voo: Convertendo os seus braços em asas ou jatos, Apocalipse consegue voar. Também pode recorrer à telecinesia para fazê-lo;
- Geração de energia: Capacidade que lhe permite aumentar a sua velocidade, projetar campos de força e emitir rajadas energéticas de intensidade variável;
- Força e resistência sobre-humanas: Recorrendo a fontes de energia externas, Apocalipse consegue amplificar o seu nível de força a ponto de superar o do próprio Hulk;
- Teletransporte: Habilidade de conseguir transportar-se (e também a outros) a grandes distâncias à velocidade de um pensamento;
- Imortalidade: O corpo original de Apocalipse era imortal. Mesmo antes de ser aprimorado pela biotecnologia da Nave Celestial, já havia sobrevivido à passagem de muitos séculos;
- Interface tecnológica: Capacidade de se conectar diretamente a qualquer tecnologia ao seu dispor para, de seguida, a manusear a seu bel-prazer;
- Sangue do Apocalipse: Recentemente foram descobertas propriedades únicas no seu sangue tecno-orgânico. Uma gota sua basta para reescrever o código genético de qualquer órgão ou tecido por forma a criar-lhe um novo corpo;
- Intelecto superior: À sua extraordinária genialidade, Apocalipse alia um profundo conhecimento de tecnologia muito mais avançada do que a da nossa época.

Apocalipse, a encarnação do poder.

Histórico de publicação: Enquanto escrevia os cinco primeiros números de X-Factor, Bob Layton foi plantando indícios de que a Aliança do Mal estaria a ser manobrada nos bastidores por um misterioso vilão. Layton pretendia revelar tratar-se do Coruja, um velho inimigo do Demolidor. A ideia, porém, não agradou ao editor Bob Harras, que preferia a introdução de uma nova personagem. De preferência, um antagonista com um elevado nível de poder. Um peso-pesado capaz, portanto, de defrontar sozinho toda a equipa composta pelos X-Men originais.
    Em consequência disso, Layton foi afastado da série, dando lugar a Louise Simonson. Esta idealizou então um novo e formidável némesis para o X-Factor, pedindo de seguida a Jackson Guice que o desenhasse. E foi assim que, na última página de X-Factor nº5, Apocalipse foi apresentado como o sinistro patrono da Aliança do Mal.

Apocalipse surgiu pela primeira vez em X-Factor nº5 (1986). Era ele o mentor da Aliança do Mal.

     Apesar de a personagem se ter estreado em 1986, ela foi introduzida retroativamente na cronologia da Marvel. Assim, a identidade do benfeitor anónimo do Monólito Vivo na história publicada em Marvel Graphic Novel nº17 (1985) seria posteriormente revelada como sendo Apocalipse sob disfarce. Por outro lado, em X-Men Classic nº25 foram descritos alguns pormenores do passado do vilão, entre os quais o facto de ter travado conhecimento com o terrorista etíope Moses Magnum, a quem concedeu um superpoder.
    Durante o período em que escreveu Cable, o argumentista Robert Weinberg planeou produzir uma história na qual seria revelado que Apocalipse era, na verdade, irmão de Scott e Alex Summers (respetivamente, Ciclope e Destrutor). A história acabaria, no entanto, por nunca ser finalizada uma vez que Weinberg abandonou entretanto o título do herói mutante vindo do futuro.
    Quase uma década decorrida sobre a sua criação, em 1994 Apocalipse teria a sua origem, local de nascimento e nome verdadeiro revelados nas páginas de X-Force nº37. De origem árabe, En Sabah Nur supostamente significaria "O Primeiro", numa alusão ao facto de se tratar do primeiro indivíduo portador do gene X, nascido cinco mil anos atrás. Singularidade que faria dele o primeiro Homo superior da História.
    Estamos, contudo, em presença da  tradução errónea de uma expressão árabe que, na realidade, significa algo semelhante a "bom dia". Para assumir o significado que lhe foi atribuído, a grafia correta do nome da personagem deveria ser Sabah an-Nur (que pode igualmente ser traduzido como "As Sete Luzes").
    A personagem atingiu o seu zénite de popularidade em 1995, graças ao enorme êxito da saga Age of Apocalipse (A Era de Apocalipse). Nela é apresentada um linha temporal alternativa na qual o vilão conquistou grande parte do nosso planeta e governa quase sem oposição.
     De referir ainda que, sabe-se hoje, En Sabah Nur é o oitavo indivíduo a assumir o manto do Apocalipse.

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A consagração de Apocalipse como um dos mais emblemáticos vilões do Universo Marvel ocorreu na saga Age of Apocalipse, publicada nos EUA no biénio 1995/96.


Biografia: Nasceu há cerca de cinco mil anos, na cidade egípcia de Akkaba (localizada perto do Vale dos Reis), a criatura que o mundo conheceria como Apocalipse. Portador do gene X, o bebé exibia uma pele cinzenta e umas bizarras linhas azuis que lhe contornavam a boca e as faces. Feio e deformado, foi abandonado para morrer no deserto pela sua tribo, que viu nele uma abominação.
   O recém-nascido seria, no entanto, salvo por um bando de salteadores nómadas conhecidos como Sandstormers e que, pouco antes, haviam chacinado os habitantes de Akkaba. Reconhecendo o potencial de poder do infante, o seu líder, Baal, resolveu poupar-lhe a vida e perfilhá-lo. Também lhe deu o nome de En Sabah Nur ("O Primeiro").
    Criado no seio de uma cultura onde prevalecia o primado da sobrevivência do mais forte, à medida que ia crescendo, En Sabah Nur ia suplantando em força e inteligência os restantes elementos do clã. Por este motivo, à parte Baal, todos os seus companheiros o odiavam e temiam. Nur não compreendia porque isso acontecia, mas era inabalável na sua crença de que somente os mais fortes, inteligentes e impiedosos seriam dignos de viver.
    À época, o Egito era governado pelo Faraó Rama-Tut, um deus aos olhos dos seus súbditos. Tratava-se, na verdade, de um viajante do tempo proveniente de um futuro longínquo. Muitos séculos depois, ficaria conhecido como Kang, o Conquistador.
   Ciente do que En Sabah Nur estava destinado a tornar-se e da sua localização, Rama-Tut ordenou ao seu exército, comandado pelo general Ozymandias, que exterminasse os Sandstormers  e capturasse o jovem Apocalipse. Feridos durante a refrega, Nur e Baal buscaram refúgio no interior de uma caverna, cuja entrada ficou bloqueada por uma rocha. Depois de uma semana sem água nem comida, os dois encontraram a nave de Rama-Tut oculta numa tumba subterrânea.
   Antes de sucumbir por inanição, Baal contou ao seu pupilo acreditar que, de acordo com as antigas profecias, ele estaria destinado a derrubar Rama-Tut e a tornar-se rei do Egito. Nur, que sobrevivera graças à sua fisiologia mutante, jurou vingar-se de Rama-Tut e reclamar o trono que lhe estaria predestinado.
    Quatro semanas volvidas, Nur conseguiu enfim regressar à superfície e tornou-se escravo na cidadela do Faraó. Durante esse período teve uma visão de Anúbis (o deus da morte egípcio) que lhe ordenou que se tornasse um conquistador.


En Sabah Nur antes de atender pelo nome de Apocalipse.


   Conservando o seu rosto desfigurado sempre oculto, Nur atraiu a atenção da irmã do general Ozymandias, Nephri. No entanto, quando lhe revelou a sua aparência, a jovem rejeitou-o e foi procurar proteção junto do irmão.
   De coração destroçado por mais esta rejeição, a fúria de Nur desencadeou a manifestação das suas habilidades meta-humanas.  Sabendo estar em presença de um dos seres mais poderosos da História, Rama-Tut propôs a Nur torná-lo seu herdeiro, em troca da sua lealdade. Nur recusou e, quando o Faraó o mandou mandar, desbaratou o seu exército.
   Na sequência da fuga atabalhoada de Rama-Tut para o futuro, Nur adotou o nome de Apocalipse e assumiu o trono egípcio. A exemplo do seu predecessor, passou a ser adorado como um deus pelos seus súbditos.
    Enquanto o Egito vivenciava uma nova e gloriosa era sob o seu domínio, Apocalipse urdia a sua trama com vista à conquista mundial. Para tal, ao longo dos séculos seguintes, viajou pelos quatro cantos da Terra. Jornada ao longo da qual conseguiu convencer diversas civilizações da sua origem divina. Depois de já ter gerado descendência (o Clã Akkaba, a quem concedeu uma fração do seu poder), em meados do século XV criou os seus primeiros Quatro Cavaleiros do Apocalipse. No futuro, dois X-Men (Arcanjo e Wolverine) fariam parte deles. Outra das suas criações, na Inglaterra vitoriana, foi o arqui-inimigo dos pupilos de Xavier conhecido como Senhor Sinistro.
   Numa linha temporal alternativa (premissa de A Era de Apocalipse) o vilão foi bem-sucedido nos seus intentos, conquistando a América do Norte no século XX. O que só foi possível devido ao facto de, nessa realidade paralela, Charles Xavier ter sido assassinado pelo próprio filho (o mutante Legião) antes de formar os X-Men.
   Fora dela, os seus planos - particularmente o que visa provocar uma guerra em grande escala entre humanos e mutantes - têm sido repetidas vezes frustrados pela ação dos Filhos do Átomo. Em algumas dessas ocasiões, Apocalipse tem morrido, apenas para ressuscitar algum tempo depois.

Apocalipse enfrenta os X-Men em mais uma batalha.

    Recentemente, o vilão foi uma vez mais trazido à vida pelo Clã Akkaba, embora desta feita no corpo de um rapazinho. Nesta sua nova forma, Apocalipse parece destituído de quaisquer memórias do seu passado e da sua verdadeira natureza. Enquanto a Nave Celestial e alguns dos seus servos o procuram doutrinar, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse foram reativados para proteger esta versão juvenil de um dos mais tenebrosos vilões de todos os tempos.
    
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Apocalipse em versão infantil.
       
Noutros media: Ocupando a 24ª posição no Top 100 dos Melhores Vilões de Todos Os Tempos do site IGN e um notável 3º lugar  em idêntica lista no site Marvel.com, por via da sua participação em várias séries de animação da Marvel (X-Men, X-Men: Evolution e Wolverine and the X-Men), Apocalipse já granjeou considerável popularidade fora dos quadradinhos. A qual será decerto reforçada quando, em 2016, assumir as funções de antagonista principal dos X-Men no próximo capítulo da saga cinematográfica da equipa de heróis mutantes. É, de resto, ele quem surge, a construir telecineticamente uma pirâmide em pleno ar sob o olhar atento dos seus Quatro Cavaleiros do Apocalipse e sendo aclamado por um turba extasiada, na cena pós-créditos finais do recente X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Caberá ao ator canadiano Brendan Pedder dar-lhe vida no grande ecrã. 
       
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En Sabah Nur e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

sábado, 28 de Junho de 2014

HERÓIS EM AÇÃO: CAÇADOR DE MARTE




     Único sobrevivente de uma civilização há muito extinta, fez da Terra o seu mundo adotivo. Sozinho ou com a Liga da Justiça, tem, desde então, usado os seus poderes em prol da humanidade.


Nome original da personagem: Martian Manhunter
Licenciadora: DC Comics
Criadores: Joseph Samachson (história) e Joe Certa (arte)
Primeira aparição: Detective Comics nº225 (novembro de 1955)
Identidade civil: J'onn J'onzz (nome marciano) e John Jones (nome terrestre)
Local de nascimento: Marte
Parentes conhecidos: M'yrnn e Sha'sheen J'onzz (pais falecidos), M'yri'ah (esposa falecida), K'hym (filha falecida) e Ma'alefa'ak (irmão gémeo maligno)
Base de operações: Móvel
Afiliação: Ex-membro, entre outras, da Liga da Justiça Internacional, Tropa dos Lanternas Brancos, Renegados e Stormwatch. É atualmente membro ativo da Liga da Justiça da América.

Cover for Detective Comics #225 (1955)
Exceto por uma pequena referência acima do logotipo, a estreia do Caçador Marte não teve destaque na capa de Detective Comics nº225 (1955).
Armas, poderes e habilidades: Devido à sua panóplia de poderes (vários deles idênticos aos do Super-Homem), o Caçador de Marte é uma espécie de "canivete suíço" dos super-heróis. As suas habilidades derivam da sua fisiologia marciana. Desconhece-se, no entanto, se se trata de uma condição natural comum a todos os da sua espécie ou de uma modificação genética induzida em somente alguns indivíduos.
   Sabe-se apenas que a complexa estrutura molecular marciana se assemelha a uma rede de polímeros extremamente flexíveis e resistentes, além de aparentemente autossustentáveis. Característica que permite aos habitantes do Planeta Vermelho alterarem a seu bel-prazer a sua cor, forma e massa corporal.
    Do vasto catálogo de talentos do Caçador de Marte, destacam-se assim os seguintes:

- Invisibilidade: Reajustando mentalmente os seus biopolímeros, estes deixam de refletir a luz, tornado J'onn invisível ao olho humano. Com um maior grau de concentração pode mesmo tornar-se indetetável em quase todas as frequências do espectro eletromagnético (incluindo ultravioleta e infravermelho);
- Transmorfismo: De longe a mais incrível habilidade do Caçador de Marte, permite-lhe assumir qualquer forma que deseje, bem como replicar objetos inanimados;
- Desmaterialização: J'onn consegue atravessar matéria sólida. Embora não haja certezas sobre a origem deste poder, especula-se que derive das suas habilidades psiónicas. Outra hipótese sustenta que ele poderá transferir temporariamente a sua massa para outra dimensão, ficando etéreo como um fantasma enquanto ela lá permanece;
- Perceção extrassensorial: O Caçador de Marte dispõe de nove sentidos e possui  dons precognitivos;
- Telepatia: Um dos mais poderosos telepatas da galáxia, J'onn consegue, mesmo a grandes distâncias, ler mentes com extrema facilidade. Pode igualmente reprogramar o subconsciente de um indivíduo levando-o a esquecer ou a acreditar em algo. Às suas extraordinárias habilidades telepáticas, J'onn associa ainda a capacidade de mover objetos com a mente (telecinesia);
- Regeneração acelerada: Graças ao absoluto controlo que tem sobre a sua estrutura molecular, o Caçador de Marte consegue regenerar quase instantaneamente tecidos orgânicos danificados e membros amputados;
- Visão marciana: À semelhança do Super-Homem, J'onn dispõe de poderes oculares de amplos espectro consistindo em visão calorífera, telescópica, microscópica, infravermelha e de raios X;
    A este impressionante rol, somam-se ainda:
- Força, velocidade e resistência sobre-humanas;
- Poder de voo;
-Multilinguismo;
- Q.I. superior;
- Longevidade
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Fraquezas: O Caçador de Marte tem uma fobia psicossomática ao fogo. Quando, muitos séculos atrás, defrontaram pela primeira vez os marcianos, os Guardiões do Universo (fundadores da Tropa dos Lanternas Verdes) infundiram-lhes esse medo. Exposto às chamas, J'onn tem os seus poderes anulados. Em casos extremos, perde também o controlo dos biopolímeros que lhe permitem alterar a sua forma. Nessas circunstâncias fica vulnerável a ataques.

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Curiosidade: 
* Entre os leitores lusófonos, durante décadas o Caçador de Marte foi conhecido como Ajax. Adaptação levado a cabo no Brasil pela EBAL (e mantida posteriormente pela Abril) do nome original da personagem, decorrente da necessidade de economizar espaço nos balões e vinhetas das histórias publicadas à época no famigerado formatinho. De referir que Ajax, além de uma personagem da mitologia grega, é também o nome de um popular líquido limpa-vidros.

Biografia: Séculos atrás, no planeta Ma'aleca'andra (Marte no dialeto nativo), um casal teve dois filhos gémeos. Este tipo de nascimentos era raro na cultura marciana e assim o primeiro bebé foi batizado de J'onn J'onzz (Raio de Luz) e o segundo de Ma'alefa'ak (Trevas no Coração). Uma mau augúrio para mais considerando que este último nascera sem a capacidade, comum a todos os seus semelhantes, de comunicar telepaticamente.
    Em adulto, J'onn tornou-se um Caçador (designação dada aos agentes policiais marcianos) e casou-se com M'yri'ah. Dessa relação nasceu uma filha chamada K'hym. Os três formavam uma família feliz e levavam uma vida tranquila.
   Com os anos, porém, Ma'alefa'ak passara a repudiar todos os aspetos da cultura marciana. Num monstruoso plano que visava exterminar o seu próprio povo, o gémeo de J'onn fabricou um vírus altamente contagioso e mortal. Conhecido como a Maldição de H'ronmeer, reagia à energia telepática, sendo portanto transmitido sempre que um infetado comunicava por essa via com outro indivíduo. A praga reagia também ao medo inato dos marcianos em relação ao fogo, causando-lhes um stresse psicossomático tão intenso que os seus corpos e mentes, literalmente, se incendiavam.
    J'onn procurou, em vão, impedir a sua família de fazer uso dos seus dons telepáticos. M'yri'ah e K'hym acabaram mesmo por ser contaminadas. O trauma de ver a sua esposa e filha serem consumidas pelas chamas diante dos seus olhos quase enlouqueceu J'onn.
     Entretanto, na Terra, um cientista chamado Saul Erdel havia projetado um transmissor baseado em antiga tecnologia marciana. Obcecado em estabelecer contacto com inteligências alienígenas, Erdel direcionou o aparelho para o Planeta Vermelho e acionou-o. O raio por ele emitido atravessou o espaço e o tempo, capturando J'onn J'ozz numa época que precedia em vários séculos aquela a que Erdel pertencia, e para a qual ele foi transportado.

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    Através de um vínculo telepático estabelecido entre ambos, o cientista terrestre tomou conhecimento da pandemia que dizimara a população marciana, bem como da sua origem. Sensibilizado pelo drama de J'onn, Erdel usou a ligação psiónica deles para implantar novas memórias na mente do seu amigo marciano.
    Quando J'onn finalmente recuperou a sua estabilidade mental, partiu à descoberta do seu desconcertante mundo adotivo. Influenciado por Erdel, passou a usar os seus superpoderes em prol da humanidade. Atuando com o codinome Caçador de Marte, rapidamente se tornou um dos maiores campeões da Terra e foi nessa qualidade que ajudou a fundar a Liga da Justiça.
    Paralelamente, e já depois da morte de Erdel, J'onn assumiu a identidade civil do detetive policial John Jones.
     Na nova continuidade do Universo DC, introduzida em 2011 no âmbito de Os Novos 52, o Caçador de Marte começa por fazer parte da Stormwatch, uma organização secreta anteriormente publicada sob a égide da Wildstorm Comics.
   Pouco tempo depois, contudo, a DC decidiu transferir o herói marciano para a Liga da Justiça da América. Tal com os restantes membros da equipa, patrocinada pelo governo norte-americano e sob a tutela férrea de Amanda Waller, o Caçador de Marte foi selecionado para ser a salvaguarda de um dos integrantes da Liga da Justiça. Na eventualidade de esta ficar fora de controlo, o protocolo de contenção determina que J'onn seja a contraparte do Super-Homem.

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O Caçador de Marte na Liga da Justiça da América.

Noutros media: No episódio-piloto da obscura série televisiva Justice League of America (1997), o Caçador de Marte foi interpretado por David Odgen Stiers, um igualmente obscuro ator. O referido episódio foi suficiente para ditar o cancelamento do projeto.
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À esquerda da imagem, o visual do Caçador de Marte  no episódio-piloto de Justice League of America.
 
    Já neste século, o herói marciano marcou presença em diversas séries animadas da DC, como Justice League (2001-2004) e Justice League Unlimited (2004-2006). Em Smallville (2001-2011), coube a Phil Morris dar-lhe vida. Na série, J'onn J'onzz é apresentado como um velho amigo de Jor-El (pai biológico do Super-Homem) que vem à Terra para monitorizar as atividades do filho deste (Kal-El). Um ponto de ligação com a novela The Last Days of Krypton, escrita por Kevin Anderson. Nela, J'onn afirma-se o único sobrevivente de uma civilização varrida pelos ventos do tempo.
    No cinema, o Caçador de Marte participou em três filmes de animação lançados diretamente em DVD: Justice League: The New Frontier (2008), Justice League: Crisis on Two Earths (2010) e Justice League:Doom (2012).

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O Caçador de Marte com a Mulher-Maravilha e a Mulher-Gavião num episódio de Justice League.