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sexta-feira, 18 de Julho de 2014

DO FUNDO DO BAÚ: «A ERA DE APOCALIPSE»




    Após a morte de Charles Xavier às mãos do próprio filho, Magneto decide adotar o sonho do seu velho amigo de paz entre humanos e mutantes, pondo dessa forma em marcha um conjunto de eventos que darão origem a uma tenebrosa realidade alternativa na qual Apocalipse reina absoluto. 

Título original da saga: Age of Apocalypse
Licenciadora: Marvel Comics
País: EUA
Ano de publicação: 1995-96
Argumento: Scott Lobdell, Mark Waid, Fabian Nicieza, John Francis Moore, Larry Hama, Warren Ellis, Jeph Loeb, Howard Mackie e Terry Kavanagh
Arte: Roger Cruz, Steve Epting, Joe Madureira, Andy Kubert, Tony Daniel, Salvador Larroca, Chris Bachalo, Adam Kubert, Ken Lashley, Steve Skroce, Terry Dodson, Ian Churcill, Carlos Pacheco e Joe Bennett
Edições de referência (1995): X-Men Chronicles #1 (primeiro confronto dos X-Men com os Quatro Cavaleiros do Apocalipse); Tales from the Age of Apocalypse: By the Light (confronto com Morte, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse); X-Men Chronicles #2 (a partida de Jean Grey e da Arma X e o confronto entre X-Men e Wolverine); X-Men: Alpha (primeiro encontro dos X-Men com Bishop); Astonishing X-Men #1 (os X-Men tomam conhecimento do abate de humanos em Chicago); Amazing X-Men #1 (com a ajuda dos Sentinelas, os X-Men evacuam os humanos do Maine); Amazing X-Men #2 (Mercúrio enfrenta Abismo); Astonishing X-Men #3 (os X-Men resgatam Dentes-de-sabre da fábrica de processamento Infinito); Amazing X-Men #3 (Bishop e Magneto são capturados por Apocalipse); Astonishing X-Men #4 (destruição da Infinito pelos X-Men); Amazing X-Men #4 (Banshee sacrifica a própria vida para derrotar Abismo); X-Men: Omega (o dramático epílogo da saga)
Enredo: Charles Xavier acreditava ser possível uma coabitação pacífica entre homo sapiens e homo superior, mas o seu velho amigo Erik tinha uma opinião diferente. Tudo isso mudou quando Xavier foi acidentalmente morto pelo seu próprio filho (o mutante Legião).
   Essa tragédia alterou radicalmente a perceção que Erik tinha das relações entre humanos e mutantes. Em consequência disso, ele decide honrar o sonho do seu malogrado amigo colocando em prática os seus ideais. No entanto, a intolerância dos humanos para com aqueles que são diferentes acaba por prevalecer e Erik isola-se do mundo, acoitando-se numa base localizada na Montanha Wundagore.

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Pode a morte de um homem ditar o fim da esperança?

   Entretanto, Apocalipse tinha, praticamente sem oposição, posto em marcha o seu plano de dominação mundial. Assumindo a identidade de Magneto, Erik funda os X-Men com o propósito de manter vivo o sonho de Xavier e de tentar impedir Apocalipse de ser bem-sucedido. Os seus primeiros recrutas são os próprios filhos.  Mercúrio e Feiticeira Escarlate ajudam o pai a reunir outros apoiantes da causa.

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Apocalipse tem o mundo a seus pés.

   Na sequência do anúncio público feito por Magneto de que treinaria qualquer mutante no uso das suas habilidades, os pais de Jean Grey, temendo pela segurança da filha, procuram a ajuda do Mestre do Magnetismo. A jovem torna-se assim a terceira integrante dos X-Men. Seguem-se Colossus, Homem de Gelo e Tempestade. Vários jovens mutantes juntam-se também à causa, ficando sob a tutela de Magneto.
   Devido à inóspita realidade imposta pela tirania de Apocalipse, Magneto leva os seus pupilos ao limite nas sessões de treino a que exaustivamente os submete. No entanto, os X-Men passam com distinção nos sucessivos testes e anseiam por entrar em ação.
   Não tarda muito a que o grupo ganhe dois novos elementos: Arma X (versão alternativa de Wolverine) e Vampira, ambos trazidos por Mística para o santuário de Magneto. Longe dali, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse fazem-se notados atacando a Cidade do Cabo (África do Sul), ao mesmo tempo que mísseis norte-americanos espalhados pelo mundo são disparados.
   Os X-Men entram por fim em ação, com Magneto a pedir à Feiticeira Escarlate e a Vampira que fiquem na base a zelar pelos seus pupilos mais jovens. Contudo, uma ameaça ainda mais mortífera, que atende pelo nome de Némesis, ataca a mansão e os seus ocupantes.
   Wanda esforça-se por proteger os jovens mutantes, mas Némesis revela-se um adversário poderoso, que nem mesmo Vampira consegue sobrepujar. Tentando ajudar a amiga em apuros, a Feiticeira Escarlate usa os seus poderes contra o vilão, causando-lhe grande dor. Enfurecido, Némesis executa a filha do Mestre do Magnetismo antes de partir.
   Regressados à base após uma primeira missão coroada de êxito, os X-Men deparam-se com a destruição causada por Némesis e com o corpo sem vida da Feiticeira Escarlate, a primeira baixa na guerra contra Apocalipse.
   A morte da filha leva inicialmente o Mestre do Magnetismo a querer desistir do seu combate em nome dos ideais de Xavier, mas os seus pupilos dão-lhe alento para continuar. Engajando novos membros para os seus X-Men, como Noturno (filho de Mística) e o ex-Cavaleiro de Apocalipse Dentes-de-Sabre, a fação liderada por Magneto robustece-se.


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Antigos inimigos lutam lado a lado contra a tirania de Apocalipse.

  Com a localização da sua base comprometida, os X-Men veem-se forçados a procurar um novo esconderijo. Recaindo a escolha sobre uma sumptuosa mansão em Westchester.
   Algum tempo depois, durante um raide contra as forças do Senhor Sinistro, uma jovem mutante chamada Clarice é resgatada por Dentes-de-Sabre. Sob a sua tutela, a rapariga torna-se uma combatente formidável adotando o codinome Blink (piscar de olhos) devido à sua habilidade de teleporte.
   Aliados a Ciclope (antigo membro da força de elite mutante do Senhor Sinistro), os X-Men enfrentam e derrotam Morte, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Após a refrega, os pupilos de Magneto resgatam um mutante japonês conhecido como Solaris, mantido cativo por Morte.
   Traindo a confiança dos seus novos aliados, Ciclope captura Jean Grey e envia-a para o laboratório do Senhor Sinistro, onde este extrai uma amostra de ADN da heroína mutante. Combinando-a com outra extraída de Ciclope, o vilão cria um novo homo superior, o X-Man.

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X-Man: nasce um novo herói

  Arma X invade o laboratório do Senhor Sinistro e liberta Jean, não sem antes se envolver numa encarniçada peleja com Ciclope, em resultado da qual perde a sua mão esquerda. Na sequência deste episódio, Arma X e Jean resolvem, perante a desolação de Magneto, abandonar os X-Men.
  Vampira, por seu turno, envolve-se amorosamente com o seu colega de equipa Gambit, embora nutra em segredo uma paixão por Magneto. Durante uma batalha com Wolverine (mutante geneticamente alterado pelo Fera Negra), a jovem vê-se perante o dilema de escolher salvar apenas um deles. Ao optar por Magneto, Vampira despedaça o coração de Gambit que, depois de levar de vencida Wolverine, deixa também a equipa.
  Mais tarde, Magneto desposa Vampira e desse casamento nasce um filho a quem o Mestre do Magnetismo dá o nome de Charles, em homenagem ao seu saudoso amigo.
    Os X-Men travam entretanto conhecimento com um homem que lhes dá um novo propósito para as suas vidas. Bishop testemunhou o assassinato de Charles Xavier vinte anos atrás, evento que, segundo alega, terá alterado a realidade. Com vista a certificar-se da veracidade destas afirmações, Magneto pede à sua esposa que absorva as memórias do enigmático forasteiro. Vampira acede e logo a mente de Erik é inundada com imagens que ratificam as palavras de Bishop.

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Bishop: personagem-chave em Age of Apocalypse.

   Na posse destes novos elementos, Magneto apressa-se a gizar um plano para emendar as coisas: enquanto Lince Negra e Colossus são enviados a Seattle para resgatar Illyana Rasputin (irmã deste último), Noturno recebe a missão de encontrar Mística e de lhe trazer a mutante com dons precognitivos conhecida como Sina. Passando por cima de antigos ressentimentos, Gambit (que agora lidera a sua própria equipa mutante, os X-Eternos), acede ao pedido que lhe é endereçado pelo Mestre do Magnetismo para que lhe traga  um fragmento do Cristal M'Krann.
    Divididos em duas equipas, os X-Men levam a cabo ações visando abalar o reinado de Apocalipse. Uma delas, liderada por Vampira, procura impedir o abate de humanos em Chicago; ao passo que a segunda, dirigida por Mercúrio, alia-se aos robôs Sentinelas para proceder à evacuação dos homo sapiens  do Maine.
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Senhor Sinistro, um dos esbirros de Apocalipse.

   Apesar de ambas as equipas terem sido bem-sucedidas nas suas respetivas missões, Apocalipse descobre a localização da nova base dos X-Men e, acolitado pelo seu  exército robótico, lança um devastador ataque à mesma. Face à ausência dos seus pupilos, cabe ao Mestre do Magnetismo e a Bishop resistirem bravamente à ofensiva, mas acabam subjugados pelas forças do vilão.
   Enquanto os X-Men se deparam com uma mansão vazia e com sinais de luta, Bishop é interrogado na fortaleza de Apocalipse. Quando o Senhor das Sombras perscruta a mente do viajante do tempo, descortina a existência de uma linha temporal onde Apocalipse não governa.
   Na Mansão X, Mercúrio prepara-se para comandar os X-Men no resgate de Bishop. Gambit regressa do espaço sideral com um fragmento do Cristal M'Krann, mas é atraiçoado pelo seu companheiro de equipa Guido.Este não só rouba o fragmento como rapta o filho de Magneto e de Vampira para entregar ambos a Apocalipse, em troca da sua libertação e da mulher que ama.
   A despeito destas contrariedades, os X-Men resgatam Bishop. São, porém, atacados por Abismo. Para detê-lo de uma vez por todas, Banshee imola a própria vida.
  Ao descobrir que o seu marido e filho foram levados por Apocalipse, Vampira culpa Gambit pelo sucedido, mas logo recupera o senso e empenha-se em encontrar uma maneira de os salvar. Entretanto, Noturno regressa acompanhado por Sina; Mercúrio traz consigo Bishop; Colossus e Lince Negra trazem Illyana Rasputin.

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X-Men, a derradeira esperança de humanos e mutantes.

   Com os X-Men reunidos e reforçados, os heróis mutantes decidem resgatar Magneto e o pequeno Charles e, de caminho, derrubar Apocalipse de uma vez por todas. Enquanto a equipa é teletransportada por Blink para a fortaleza de Apocalipse, o X-Man liberta o Mestre do Magnetismo. Illyana e Sina penetram no Cristal M'Krann e combinam os seus poderes para possibilitar que Bishop viaje ao passado com o objetivo de impedir o assassínio de Charles Xavier e, desse modo, evitar que aquela linha temporal venha alguma vez a existir.
   Porém, ao descobrir que  na linha temporal que Bishop pretende restaurar, a sua irmã estava morta, Colossus, num acesso de raiva, invade o cristal e mata acidentalmente Lince Negra. Gambit usa os seus poderes para travar a fúria do companheiro e acaba por matá-lo também.
    Enviado ao passado, Bishop tem êxito na sua missão de impedir a morte de Charles Xavier às mãos do próprio filho. Magneto e Apocalipse, entretanto, digladiam-se num combate brutal que culmina com a morte deste último.
    Chegado ao fim o longo reinado de terror de Apocalipse, Magneto e Vampira observam, na companhia do filho, a chuva de mísseis lançados pelo Alto Conselho Humano sobre Nova Iorque.

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Um epílogo condizente com o registo obscuro da saga.

Prequelas: Antes do décimo aniversário da sua publicação, a saga Age of Apocalipse era considerada uma realidade paralela que havia cessado de existir. (facto, de resto, amiúde referido por sobreviventes, como Sugar Man e Blink). Nada que obstasse, ainda assim, a que nesse ínterim tenham sido produzidas várias prequelas e sequelas
   Numa das primeiras prequelas, Tales from the Age of Apocalypse: By the Light (1996),  Blink teletransporta os X-Men para a Lua, onde os heróis mutantes enfrentam o novo Cavaleiro da Morte de Apocalipse. Este era, ninguém mais ninguém menos, do que Maximus, o insano irmão de Raio Negro, monarca dos Inumanos.
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Tales from the Age of Apocalypse: By the light (1996).
   
   Já Tales from the Age of Apocalypse: Sinister Bloodlines (1997) acompanha o regresso do Corsário (Christopher Summers, pai de Ciclope e Destrutor) à Terra, após ter escapado dos tenebrosos experimentos científicos conduzidos pelo Senhor Sinistro e pelo Fera Negra no universo de A Era de Apocalipse.

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A família Summers reunida em Tales from the Age of Apocalypse: Sinister Bloodlines.

.    Em X-Man Annual (1996), Sugar Man usa uma variante da máquina do tempo alimentada pela energia psiónica de Nate Grey para regressar aos primeiros dias do reinado de Apocalipse na esperança de o conseguir apear e assumir ele próprio o poder. Nate segue-o nessa viagem através do fluxo temporal e encontra Magneto, Forge e outros sobreviventes mutantes. Antes, porém, já uma sua versão mais velha  havia avisado Forge do advento do jovem Nate. Sob as ordens do primeiro, Forge compele o segundo a reenergizar psionicamente a máquina do tempo para que ele e Sugar Man possam retornar à sua respetiva realidade. Decisão que provoca divergências entre Forge e Magneto, porquanto o Mestre do Magnetismo preferia que o jovem Nate permanecesse naquele plano de existência e os ajudasse a combater Apocalipse.

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Um jovem Nate Grey viaja no tempo até aos sombrios dias da Era do Apocalipse em X-Man Annual '96.

    Por fim, a minissérie em quatro edições Blink (2001) serviu essencialmente para introduzir a versão original da personagem saída de Age of Apocalypse no título Exiles. Com a particularidade de a narrativa desenvolvida ao longo da citada minissérie preceder os principais eventos demonstrados na saga. À deriva na Zona Negativa, Blink, depois de ter tentado incitar Blastarr a declarar guerra a Apocalipse, acaba por se juntar a uma rebelião para derrubá-lo. Sempre acompanhada pelo amante, que não é mais do que uma versão involuída do Aniquilador, a heroína mutante vê-se envolvida numa sucessão de peripécias. Nas quatro últimas páginas da história, é possível ver Blink no preciso momento em que ocorre a destruição da realidade paralela de Age of Apocalypse.

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Capa do primeiro de quatro volumes da minissérie Blink (2001)
 
Sequelas: Para assinalar o décimo aniversário da publicação de Age of Apocalypse em terras do Tio Sam, em 2005 a Marvel Comics presenteou os fãs da saga com o lançamento de uma edição especial comemorativa e uma minissérie.
   Em After the Fall é narrada uma história anterior aos eventos retratados na saga original, em linha com o enfoque dado na série Tales from the Age of Apocalypse. Nas suas páginas, é mostrado como Colossus e a Lince Negra abandonaram os X-Men para treinar a Geração X; a primeira aparição do Samurai de Prata; e como o mundo sobreviveu ao bombardeamento nuclear ordenado pelo Alto Conselho Humano.
  Já na minissérie X-Men: Age of Apocalypse, cujos eventos narrados são posteriores ao holocausto nuclear ocorrido em X-Men: Omega, são introduzidas algumas personagens que não figuravam na saga original. Entre elas destacam-se Psylocke e os Morlocks (sobreviventes dos cruéis experimentos científicos do Senhor Sinistro). É também revelado que Jean Grey, após exaurir o poder cósmico da Força Fénix para salvar o mundo do ataque nuclear perpetrado pelo Alto Conselho Humano, é trazida de volta à vida pelo Senhor Sinistro.

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X-Men: Age of Apocalypse #1 (2005).
   Em 2011, Uncanny X-Force #10 serviu de prólogo a The Dark Angel Saga. Como premissa para este novo capítulo de Age of Apocalypse, a demanda da X-Force pela semente da vida dos Celestiais, por forma a evitar que o Anjo (um dos X-Men originais) venha a ser o próximo Apocalipse.

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The Dark Angel Saga revisita o universo de Age of Apocalypse, 16 anos depois da publicação da saga original.


sexta-feira, 4 de Julho de 2014

GALERIA DE VILÕES: APOCALIPSE



     No Antigo Egito era adorado como um deus e autoproclama-se o primeiro mutante da História. Tem ao longo dos milénios manipulado eventos a fim de cumprir o seu desígnio de provocar uma guerra entre a sua espécie e a humanidade. Será ele o vilão de serviço no próximo filme dos X-Men.

Nome original da personagem: Apocalypse
Primeira aparição: X-Factor nº5 (julho de 1986)
Criadores: Louise Simonson (história) e Jackson Guice (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: En Sabah Nur
Local de nascimento: Akkaba (Egito)
Parentes conhecidos: Baal (pai adotivo falecido), Genocídio (filho falecido), Génesis (clone) e vários descendentes espalhados por diferentes épocas.
Afiliação: Líder e fundador do Clã Akkaba, dos Cavaleiros do Apocalipse e da Aliança do Mal.
Base de operações: Em tempos operou a partir da Face Oculta da Lua; presentemente usa a Nave Celestial como quartel-general móvel.


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De escravo a soberano absoluto.

Armas, poderes e habilidades: Apocalipse teve todos os seus dons e habilidades mutantes amplificados após a sua exposição à Nave Celestial. A saber:

- Controlo molecular: Por via de um absoluto controlo da sua estrutura molecular, o vilão consegue alterar a sua forma. Facto que lhe permite, entre outras coisas, aumentar ou diminuir de tamanho, bem como assumir a aparência que mais lhe aprouver;
- Poder de voo: Convertendo os seus braços em asas ou jatos, Apocalipse consegue voar. Também pode recorrer à telecinesia para fazê-lo;
- Geração de energia: Capacidade que lhe permite aumentar a sua velocidade, projetar campos de força e emitir rajadas energéticas de intensidade variável;
- Força e resistência sobre-humanas: Recorrendo a fontes de energia externas, Apocalipse consegue amplificar o seu nível de força a ponto de superar o do próprio Hulk;
- Teletransporte: Habilidade de conseguir transportar-se (e também a outros) a grandes distâncias à velocidade de um pensamento;
- Imortalidade: O corpo original de Apocalipse era imortal. Mesmo antes de ser aprimorado pela biotecnologia da Nave Celestial, já havia sobrevivido à passagem de muitos séculos;
- Interface tecnológica: Capacidade de se conectar diretamente a qualquer tecnologia ao seu dispor para, de seguida, a manusear a seu bel-prazer;
- Sangue do Apocalipse: Recentemente foram descobertas propriedades únicas no seu sangue tecno-orgânico. Uma gota sua basta para reescrever o código genético de qualquer órgão ou tecido por forma a criar-lhe um novo corpo;
- Intelecto superior: À sua extraordinária genialidade, Apocalipse alia um profundo conhecimento de tecnologia muito mais avançada do que a da nossa época.

Apocalipse, a encarnação do poder.

Histórico de publicação: Enquanto escrevia os cinco primeiros números de X-Factor, Bob Layton foi plantando indícios de que a Aliança do Mal estaria a ser manobrada nos bastidores por um misterioso vilão. Layton pretendia revelar tratar-se do Coruja, um velho inimigo do Demolidor. A ideia, porém, não agradou ao editor Bob Harras, que preferia a introdução de uma nova personagem. De preferência, um antagonista com um elevado nível de poder. Um peso-pesado capaz, portanto, de defrontar sozinho toda a equipa composta pelos X-Men originais.
    Em consequência disso, Layton foi afastado da série, dando lugar a Louise Simonson. Esta idealizou então um novo e formidável némesis para o X-Factor, pedindo de seguida a Jackson Guice que o desenhasse. E foi assim que, na última página de X-Factor nº5, Apocalipse foi apresentado como o sinistro patrono da Aliança do Mal.

Apocalipse surgiu pela primeira vez em X-Factor nº5 (1986). Era ele o mentor da Aliança do Mal.

     Apesar de a personagem se ter estreado em 1986, ela foi introduzida retroativamente na cronologia da Marvel. Assim, a identidade do benfeitor anónimo do Monólito Vivo na história publicada em Marvel Graphic Novel nº17 (1985) seria posteriormente revelada como sendo Apocalipse sob disfarce. Por outro lado, em X-Men Classic nº25 foram descritos alguns pormenores do passado do vilão, entre os quais o facto de ter travado conhecimento com o terrorista etíope Moses Magnum, a quem concedeu um superpoder.
    Durante o período em que escreveu Cable, o argumentista Robert Weinberg planeou produzir uma história na qual seria revelado que Apocalipse era, na verdade, irmão de Scott e Alex Summers (respetivamente, Ciclope e Destrutor). A história acabaria, no entanto, por nunca ser finalizada uma vez que Weinberg abandonou entretanto o título do herói mutante vindo do futuro.
    Quase uma década decorrida sobre a sua criação, em 1994 Apocalipse teria a sua origem, local de nascimento e nome verdadeiro revelados nas páginas de X-Force nº37. De origem árabe, En Sabah Nur supostamente significaria "O Primeiro", numa alusão ao facto de se tratar do primeiro indivíduo portador do gene X, nascido cinco mil anos atrás. Singularidade que faria dele o primeiro Homo superior da História.
    Estamos, contudo, em presença da  tradução errónea de uma expressão árabe que, na realidade, significa algo semelhante a "bom dia". Para assumir o significado que lhe foi atribuído, a grafia correta do nome da personagem deveria ser Sabah an-Nur (que pode igualmente ser traduzido como "As Sete Luzes").
    A personagem atingiu o seu zénite de popularidade em 1995, graças ao enorme êxito da saga Age of Apocalipse (A Era de Apocalipse). Nela é apresentada um linha temporal alternativa na qual o vilão conquistou grande parte do nosso planeta e governa quase sem oposição.
     De referir ainda que, sabe-se hoje, En Sabah Nur é o oitavo indivíduo a assumir o manto do Apocalipse.

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A consagração de Apocalipse como um dos mais emblemáticos vilões do Universo Marvel ocorreu na saga Age of Apocalipse, publicada nos EUA no biénio 1995/96.


Biografia: Nasceu há cerca de cinco mil anos, na cidade egípcia de Akkaba (localizada perto do Vale dos Reis), a criatura que o mundo conheceria como Apocalipse. Portador do gene X, o bebé exibia uma pele cinzenta e umas bizarras linhas azuis que lhe contornavam a boca e as faces. Feio e deformado, foi abandonado para morrer no deserto pela sua tribo, que viu nele uma abominação.
   O recém-nascido seria, no entanto, salvo por um bando de salteadores nómadas conhecidos como Sandstormers e que, pouco antes, haviam chacinado os habitantes de Akkaba. Reconhecendo o potencial de poder do infante, o seu líder, Baal, resolveu poupar-lhe a vida e perfilhá-lo. Também lhe deu o nome de En Sabah Nur ("O Primeiro").
    Criado no seio de uma cultura onde prevalecia o primado da sobrevivência do mais forte, à medida que ia crescendo, En Sabah Nur ia suplantando em força e inteligência os restantes elementos do clã. Por este motivo, à parte Baal, todos os seus companheiros o odiavam e temiam. Nur não compreendia porque isso acontecia, mas era inabalável na sua crença de que somente os mais fortes, inteligentes e impiedosos seriam dignos de viver.
    À época, o Egito era governado pelo Faraó Rama-Tut, um deus aos olhos dos seus súbditos. Tratava-se, na verdade, de um viajante do tempo proveniente de um futuro longínquo. Muitos séculos depois, ficaria conhecido como Kang, o Conquistador.
   Ciente do que En Sabah Nur estava destinado a tornar-se e da sua localização, Rama-Tut ordenou ao seu exército, comandado pelo general Ozymandias, que exterminasse os Sandstormers  e capturasse o jovem Apocalipse. Feridos durante a refrega, Nur e Baal buscaram refúgio no interior de uma caverna, cuja entrada ficou bloqueada por uma rocha. Depois de uma semana sem água nem comida, os dois encontraram a nave de Rama-Tut oculta numa tumba subterrânea.
   Antes de sucumbir por inanição, Baal contou ao seu pupilo acreditar que, de acordo com as antigas profecias, ele estaria destinado a derrubar Rama-Tut e a tornar-se rei do Egito. Nur, que sobrevivera graças à sua fisiologia mutante, jurou vingar-se de Rama-Tut e reclamar o trono que lhe estaria predestinado.
    Quatro semanas volvidas, Nur conseguiu enfim regressar à superfície e tornou-se escravo na cidadela do Faraó. Durante esse período teve uma visão de Anúbis (o deus da morte egípcio) que lhe ordenou que se tornasse um conquistador.


En Sabah Nur antes de atender pelo nome de Apocalipse.


   Conservando o seu rosto desfigurado sempre oculto, Nur atraiu a atenção da irmã do general Ozymandias, Nephri. No entanto, quando lhe revelou a sua aparência, a jovem rejeitou-o e foi procurar proteção junto do irmão.
   De coração destroçado por mais esta rejeição, a fúria de Nur desencadeou a manifestação das suas habilidades meta-humanas.  Sabendo estar em presença de um dos seres mais poderosos da História, Rama-Tut propôs a Nur torná-lo seu herdeiro, em troca da sua lealdade. Nur recusou e, quando o Faraó o mandou mandar, desbaratou o seu exército.
   Na sequência da fuga atabalhoada de Rama-Tut para o futuro, Nur adotou o nome de Apocalipse e assumiu o trono egípcio. A exemplo do seu predecessor, passou a ser adorado como um deus pelos seus súbditos.
    Enquanto o Egito vivenciava uma nova e gloriosa era sob o seu domínio, Apocalipse urdia a sua trama com vista à conquista mundial. Para tal, ao longo dos séculos seguintes, viajou pelos quatro cantos da Terra. Jornada ao longo da qual conseguiu convencer diversas civilizações da sua origem divina. Depois de já ter gerado descendência (o Clã Akkaba, a quem concedeu uma fração do seu poder), em meados do século XV criou os seus primeiros Quatro Cavaleiros do Apocalipse. No futuro, dois X-Men (Arcanjo e Wolverine) fariam parte deles. Outra das suas criações, na Inglaterra vitoriana, foi o arqui-inimigo dos pupilos de Xavier conhecido como Senhor Sinistro.
   Numa linha temporal alternativa (premissa de A Era de Apocalipse) o vilão foi bem-sucedido nos seus intentos, conquistando a América do Norte no século XX. O que só foi possível devido ao facto de, nessa realidade paralela, Charles Xavier ter sido assassinado pelo próprio filho (o mutante Legião) antes de formar os X-Men.
   Fora dela, os seus planos - particularmente o que visa provocar uma guerra em grande escala entre humanos e mutantes - têm sido repetidas vezes frustrados pela ação dos Filhos do Átomo. Em algumas dessas ocasiões, Apocalipse tem morrido, apenas para ressuscitar algum tempo depois.

Apocalipse enfrenta os X-Men em mais uma batalha.

    Recentemente, o vilão foi uma vez mais trazido à vida pelo Clã Akkaba, embora desta feita no corpo de um rapazinho. Nesta sua nova forma, Apocalipse parece destituído de quaisquer memórias do seu passado e da sua verdadeira natureza. Enquanto a Nave Celestial e alguns dos seus servos o procuram doutrinar, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse foram reativados para proteger esta versão juvenil de um dos mais tenebrosos vilões de todos os tempos.
    
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Apocalipse em versão infantil.
       
Noutros media: Ocupando a 24ª posição no Top 100 dos Melhores Vilões de Todos Os Tempos do site IGN e um notável 3º lugar  em idêntica lista no site Marvel.com, por via da sua participação em várias séries de animação da Marvel (X-Men, X-Men: Evolution e Wolverine and the X-Men), Apocalipse já granjeou considerável popularidade fora dos quadradinhos. A qual será decerto reforçada quando, em 2016, assumir as funções de antagonista principal dos X-Men no próximo capítulo da saga cinematográfica da equipa de heróis mutantes. É, de resto, ele quem surge, a construir telecineticamente uma pirâmide em pleno ar sob o olhar atento dos seus Quatro Cavaleiros do Apocalipse e sendo aclamado por um turba extasiada, na cena pós-créditos finais do recente X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Caberá ao ator canadiano Brendan Pedder dar-lhe vida no grande ecrã. 
       
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En Sabah Nur e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

sábado, 28 de Junho de 2014

HERÓIS EM AÇÃO: CAÇADOR DE MARTE




     Único sobrevivente de uma civilização há muito extinta, fez da Terra o seu mundo adotivo. Sozinho ou com a Liga da Justiça, tem, desde então, usado os seus poderes em prol da humanidade.


Nome original da personagem: Martian Manhunter
Licenciadora: DC Comics
Criadores: Joseph Samachson (história) e Joe Certa (arte)
Primeira aparição: Detective Comics nº225 (novembro de 1955)
Identidade civil: J'onn J'onzz (nome marciano) e John Jones (nome terrestre)
Local de nascimento: Marte
Parentes conhecidos: M'yrnn e Sha'sheen J'onzz (pais falecidos), M'yri'ah (esposa falecida), K'hym (filha falecida) e Ma'alefa'ak (irmão gémeo maligno)
Base de operações: Móvel
Afiliação: Ex-membro, entre outras, da Liga da Justiça Internacional, Tropa dos Lanternas Brancos, Renegados e Stormwatch. É atualmente membro ativo da Liga da Justiça da América.

Cover for Detective Comics #225 (1955)
Exceto por uma pequena referência acima do logotipo, a estreia do Caçador Marte não teve destaque na capa de Detective Comics nº225 (1955).
Armas, poderes e habilidades: Devido à sua panóplia de poderes (vários deles idênticos aos do Super-Homem), o Caçador de Marte é uma espécie de "canivete suíço" dos super-heróis. As suas habilidades derivam da sua fisiologia marciana. Desconhece-se, no entanto, se se trata de uma condição natural comum a todos os da sua espécie ou de uma modificação genética induzida em somente alguns indivíduos.
   Sabe-se apenas que a complexa estrutura molecular marciana se assemelha a uma rede de polímeros extremamente flexíveis e resistentes, além de aparentemente autossustentáveis. Característica que permite aos habitantes do Planeta Vermelho alterarem a seu bel-prazer a sua cor, forma e massa corporal.
    Do vasto catálogo de talentos do Caçador de Marte, destacam-se assim os seguintes:

- Invisibilidade: Reajustando mentalmente os seus biopolímeros, estes deixam de refletir a luz, tornado J'onn invisível ao olho humano. Com um maior grau de concentração pode mesmo tornar-se indetetável em quase todas as frequências do espectro eletromagnético (incluindo ultravioleta e infravermelho);
- Transmorfismo: De longe a mais incrível habilidade do Caçador de Marte, permite-lhe assumir qualquer forma que deseje, bem como replicar objetos inanimados;
- Desmaterialização: J'onn consegue atravessar matéria sólida. Embora não haja certezas sobre a origem deste poder, especula-se que derive das suas habilidades psiónicas. Outra hipótese sustenta que ele poderá transferir temporariamente a sua massa para outra dimensão, ficando etéreo como um fantasma enquanto ela lá permanece;
- Perceção extrassensorial: O Caçador de Marte dispõe de nove sentidos e possui  dons precognitivos;
- Telepatia: Um dos mais poderosos telepatas da galáxia, J'onn consegue, mesmo a grandes distâncias, ler mentes com extrema facilidade. Pode igualmente reprogramar o subconsciente de um indivíduo levando-o a esquecer ou a acreditar em algo. Às suas extraordinárias habilidades telepáticas, J'onn associa ainda a capacidade de mover objetos com a mente (telecinesia);
- Regeneração acelerada: Graças ao absoluto controlo que tem sobre a sua estrutura molecular, o Caçador de Marte consegue regenerar quase instantaneamente tecidos orgânicos danificados e membros amputados;
- Visão marciana: À semelhança do Super-Homem, J'onn dispõe de poderes oculares de amplos espectro consistindo em visão calorífera, telescópica, microscópica, infravermelha e de raios X;
    A este impressionante rol, somam-se ainda:
- Força, velocidade e resistência sobre-humanas;
- Poder de voo;
-Multilinguismo;
- Q.I. superior;
- Longevidade
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Fraquezas: O Caçador de Marte tem uma fobia psicossomática ao fogo. Quando, muitos séculos atrás, defrontaram pela primeira vez os marcianos, os Guardiões do Universo (fundadores da Tropa dos Lanternas Verdes) infundiram-lhes esse medo. Exposto às chamas, J'onn tem os seus poderes anulados. Em casos extremos, perde também o controlo dos biopolímeros que lhe permitem alterar a sua forma. Nessas circunstâncias fica vulnerável a ataques.

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Curiosidade: 
* Entre os leitores lusófonos, durante décadas o Caçador de Marte foi conhecido como Ajax. Adaptação levado a cabo no Brasil pela EBAL (e mantida posteriormente pela Abril) do nome original da personagem, decorrente da necessidade de economizar espaço nos balões e vinhetas das histórias publicadas à época no famigerado formatinho. De referir que Ajax, além de uma personagem da mitologia grega, é também o nome de um popular líquido limpa-vidros.

Biografia: Séculos atrás, no planeta Ma'aleca'andra (Marte no dialeto nativo), um casal teve dois filhos gémeos. Este tipo de nascimentos era raro na cultura marciana e assim o primeiro bebé foi batizado de J'onn J'onzz (Raio de Luz) e o segundo de Ma'alefa'ak (Trevas no Coração). Uma mau augúrio para mais considerando que este último nascera sem a capacidade, comum a todos os seus semelhantes, de comunicar telepaticamente.
    Em adulto, J'onn tornou-se um Caçador (designação dada aos agentes policiais marcianos) e casou-se com M'yri'ah. Dessa relação nasceu uma filha chamada K'hym. Os três formavam uma família feliz e levavam uma vida tranquila.
   Com os anos, porém, Ma'alefa'ak passara a repudiar todos os aspetos da cultura marciana. Num monstruoso plano que visava exterminar o seu próprio povo, o gémeo de J'onn fabricou um vírus altamente contagioso e mortal. Conhecido como a Maldição de H'ronmeer, reagia à energia telepática, sendo portanto transmitido sempre que um infetado comunicava por essa via com outro indivíduo. A praga reagia também ao medo inato dos marcianos em relação ao fogo, causando-lhes um stresse psicossomático tão intenso que os seus corpos e mentes, literalmente, se incendiavam.
    J'onn procurou, em vão, impedir a sua família de fazer uso dos seus dons telepáticos. M'yri'ah e K'hym acabaram mesmo por ser contaminadas. O trauma de ver a sua esposa e filha serem consumidas pelas chamas diante dos seus olhos quase enlouqueceu J'onn.
     Entretanto, na Terra, um cientista chamado Saul Erdel havia projetado um transmissor baseado em antiga tecnologia marciana. Obcecado em estabelecer contacto com inteligências alienígenas, Erdel direcionou o aparelho para o Planeta Vermelho e acionou-o. O raio por ele emitido atravessou o espaço e o tempo, capturando J'onn J'ozz numa época que precedia em vários séculos aquela a que Erdel pertencia, e para a qual ele foi transportado.

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    Através de um vínculo telepático estabelecido entre ambos, o cientista terrestre tomou conhecimento da pandemia que dizimara a população marciana, bem como da sua origem. Sensibilizado pelo drama de J'onn, Erdel usou a ligação psiónica deles para implantar novas memórias na mente do seu amigo marciano.
    Quando J'onn finalmente recuperou a sua estabilidade mental, partiu à descoberta do seu desconcertante mundo adotivo. Influenciado por Erdel, passou a usar os seus superpoderes em prol da humanidade. Atuando com o codinome Caçador de Marte, rapidamente se tornou um dos maiores campeões da Terra e foi nessa qualidade que ajudou a fundar a Liga da Justiça.
    Paralelamente, e já depois da morte de Erdel, J'onn assumiu a identidade civil do detetive policial John Jones.
     Na nova continuidade do Universo DC, introduzida em 2011 no âmbito de Os Novos 52, o Caçador de Marte começa por fazer parte da Stormwatch, uma organização secreta anteriormente publicada sob a égide da Wildstorm Comics.
   Pouco tempo depois, contudo, a DC decidiu transferir o herói marciano para a Liga da Justiça da América. Tal com os restantes membros da equipa, patrocinada pelo governo norte-americano e sob a tutela férrea de Amanda Waller, o Caçador de Marte foi selecionado para ser a salvaguarda de um dos integrantes da Liga da Justiça. Na eventualidade de esta ficar fora de controlo, o protocolo de contenção determina que J'onn seja a contraparte do Super-Homem.

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O Caçador de Marte na Liga da Justiça da América.

Noutros media: No episódio-piloto da obscura série televisiva Justice League of America (1997), o Caçador de Marte foi interpretado por David Odgen Stiers, um igualmente obscuro ator. O referido episódio foi suficiente para ditar o cancelamento do projeto.
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À esquerda da imagem, o visual do Caçador de Marte  no episódio-piloto de Justice League of America.
 
    Já neste século, o herói marciano marcou presença em diversas séries animadas da DC, como Justice League (2001-2004) e Justice League Unlimited (2004-2006). Em Smallville (2001-2011), coube a Phil Morris dar-lhe vida. Na série, J'onn J'onzz é apresentado como um velho amigo de Jor-El (pai biológico do Super-Homem) que vem à Terra para monitorizar as atividades do filho deste (Kal-El). Um ponto de ligação com a novela The Last Days of Krypton, escrita por Kevin Anderson. Nela, J'onn afirma-se o único sobrevivente de uma civilização varrida pelos ventos do tempo.
    No cinema, o Caçador de Marte participou em três filmes de animação lançados diretamente em DVD: Justice League: The New Frontier (2008), Justice League: Crisis on Two Earths (2010) e Justice League:Doom (2012).

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O Caçador de Marte com a Mulher-Maravilha e a Mulher-Gavião num episódio de Justice League.


     

sexta-feira, 20 de Junho de 2014

ETERNOS: NEAL ADAMS (1941 - ...)

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     Reabilitou Batman e outras personagens emblemáticas da DC, cativando dessa forma toda uma nova safra de leitores. Lenda viva da nona arte, notabilizou-se também pela defesa dos direitos autorais dos seus pares.

Biografia e carreira: Neal Adams nasceu em Governors Island (Nova Iorque), a 15 de junho de 1941, no seio de uma família judaica. Frequentou a School of Industrial Art (espécie de escola profissional vocacionada para as artes gráficas situada em Manhattan), onde se diplomou em 1959.
     Nesse mesmo ano, o jovem (tinha apenas 18 anos) e ambicioso Adams enviou uma amostra do seu trabalho para a DC Comics, na esperança de se tornar um ilustrador freelancer ao serviço da Editora das Lendas. Quando esta rejeitou o seu portefólio, Adams não esmoreceu e tentou a sua sorte junto da Archie Comics. Conseguiu então fazer-se contratar e assumiu a arte das aventuras da lenda do Velho Oeste, Bat Masterson, publicadas sob a forma de tiras diárias num jornal.
     Entre 1962 e 1966, Adams ganhou projeção ao ilustrar outra tira de jornal, baseada em Ben Casey, popular série televisiva transmitida pelo canal ABC que retratava o dia da dia num hospital.

A arte de Neal Adams na tira inaugural de Ben Casey (novembro de 1962)

     Após uma saída pouco pacífica da Archie Comics, Neal Adams enveredou pela arte comercial ao serviço de uma agência publicitária. Um trabalho que não lhe enchia as medidas, motivando-o por isso a tentar nova aproximação à DC no ano seguinte.
     Com efeito, em meados de 1967, Adams acabou mesmo por ser contratado pela Editora das Lendas para desenhar uma história do Desafiador (Deadman, no original), inserida no título Strange Adventures. Esta foi, de resto, a primeira personagem da DC para cuja revitalização contribuiu.
      O traço realista de Adams deixou os leitores impressionados e não tardou a que se tornasse o principal capista da DC. Entre os variadíssimos trabalhos produzidos nessa qualidade, destacam-se as capas de Action Comics nº356  e Superman's Girl Friend, Lois Lane nº79, ambas datadas de novembro de 1967 e estreladas pelo Homem de Aço.
 
A premiada capa de Strange Tales nº207, uma das primeiras produzidas por Neal Adams.
   
      Nos derradeiros dias da chamada Idade da Prata dos Quadradinhos, Adams foi desafiado a desenhar um história do Homem-Elástico da autoria de Gardner Fox (argumentista prolífico e criador, entre outros, da versão moderna do Gavião Negro). Não obstante tratar-se de uma personagem secundária do Universo DC, a história em questão seria publicada em Detective Comics, título icónico onde, em 1939, se estreara um certo Homem-Morcego.
      Apesar do seu crescente sucesso ao serviço da DC, a verdade é que Adams continuava a colaborar com a editora na qualidade de freelancer. Razão pela qual não viu problema em trabalhar em simultâneo para  a sua principal concorrente. A partir de 1969, Neal Adams começou a desenhar várias histórias dos X-Men para a Marvel Comics. Durante esse período teve como parceiros criativos argumentistas veteranos, como Roy Thomas e Dennis O'Neil.
       Foi precisamente com este último que Neal Adams, sob a orientação de Julius Schwartz (editor-chefe da DC na altura), devolveu o tom sombrio e intenso às histórias de Batman, demarcando-o em definitivo do registo pueril da série televisiva homónima, exibida entre 1966 e 1968 pela ABC. O contributo de Adams para a reabilitação do herói passou ainda pela introdução na sua mitologia de duas novas e carismáticas personagens: R'as al Ghul (1970) e Morcego Humano (1971). Deve-se-lhe igualmente a revitalização do principal némesis do Cruzado Encapuzado. Com Adams, o Joker voltou às suas origens, sendo retratado como um homicida psicótico que se deleita com o caos que provoca.

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Graças ao traço realista de Adams, Batman readquiriu a sua tonalidade obscura.

    Se a revitalização de Batman foi bem acolhida pelos fãs, já a nova abordagem da dupla Neal Adams/Dennis O'Neil ao Lanterna Verde e ao Arqueiro Verde foi controversa. Nas páginas do novo título conjunto - Green Lantern/Green Arrow - de duas personagens com pouco em comum,  à parte uma notória afinidade pela cor verde, temas como o racismo, a poluição e a toxicodependência foram amplamente explorados. Embora o trabalho desenvolvido pela dupla à frente da série lhes tenha valido alguns prémios e de ter inaugurado uma nova tendência na indústria dos comics, as vendas ficaram aquém do esperado e, três anos após ter sido lançado, Green Lantern/Green Arrow foi cancelado.


Uma das melhores ( e mais polémicas) produções da dupla Adams/O'Neill, Green Lantern/Green Arrow não resistiu aos fracos resultados comerciais.
     A partir daí - exceção feita ao trabalho desenvolvido com Batman -, as colaborações de Neal Adams com a DC tornaram-se mais e mais ocasionais. O álbum gigante que apresentava um combate de boxe entre o Super-Homem e o lendário campeão de pesos-pesados Muhammad Ali foi, em 1978, o último trabalho completo que Adams executou para a DC antes de fundar a sua própria editora. A Continuity Associates (mais tarde rebatizada Continuity Studios) produzia inicialmente arte para anúncios publicitários e para guiões cinematográficos. Por ela passaram nomes sonantes da indústria dos quadradinhos, como Jim Starlin, Al Milgrom e Howard Chaykin, apenas para citar alguns.
     Após um longo interregno (a sua última colaboração com a Casa das Ideias remontava a 1981), em 2005 Neal Adams regressou à Marvel para desenhar uma história de 8 páginas em Giant Size X-Men nº3. Cinco anos depois, em 2010, foi a vez de a DC lhe voltar a abrir as portas. Adams foi encarregue de escrever e desenhar os doze volumes da minissérie Batman: Odyssey.

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Exemplo do trabalho feito por Neal Adams para a Marvel.

      Ao frenesim criativo que o caracterizou na década de 1970, Adams aliou um intenso ativismo político, tendo como principal objetivo a unidade dos criadores ao serviço da indústria dos comics. Adams assumiu-se, efetivamente, com um incansável defensor dos direitos autorais dos seus pares. Graças à sua coragem e perseverança, foi introduzida na indústria a prática presentemente comum de devolver a arte original aos seus autores, permitindo-lhes dessa forma retirarem dividendos adicionais, designadamente através da sua venda a colecionadores.
     Em 1987, com a devolução de diversos originais seus e de Jack Kirby por parte da Marvel, Neal Adams venceu esta sua batalha. O seu maior triunfo consistiu, porém, em assegurar o pagamento de créditos acumulados ao longo de décadas a Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do Super-Homem. Além desse estorno, Adams garantiu ainda o direito a uma remuneração financeira para ambos.
     Outra das suas singularidades reside no facto de Adams ser um adepto incondicional da Teoria da Expansão da Terra. Trata-se de uma hipótese formulada pelo eminente geólogo australiano Samuel Warren Carey, segundo a qual tanto o nosso planeta como outros corpos celestes se expandem. Um postulado que  põe em xeque, entre outras teses comummente aceites, a existência, nos primórdios da Terra, de um  supercontinente chamado Pangeia. Para difundir a Teoria da Expansão da Terra, Adams produziu um documentário em DVD e posta regularmente vídeos da sua autoria no YouTube.
      Neal Adams vive atualmente com a esposa, Marilyn, em Nova Iorque. O casal tem três filhos: Jason, Joel e Josh. O primeiro é escultor de estátuas e miniaturas de fantasia, ao passo que os seus dois irmãos mais novos trabalham como ilustradores de banda desenhada, produzindo também arte conceptual para programas televisivos. Em 2010, Josh Adams desenhou um pinup do Homem-Morcego, para o  primeiro volume da minissérie Batman: Odyssey, escrita e desenhada pelo seu pai.
  
Neal Adams ladeado pelo filho Josh numa sessão de autógrafos em 2010.
        
Prémios e distinções:  Neal Adams conquistou em 1967 o Alley Award Para Melhor Capa (Strange Adventures nº207). No ano seguinte arrebatou outro destes prémios, desta feita na categoria de Melhor História (Track of the Hook, publicada em The Brave and the Bold nº79 e escrita a meias com Bob Haney). Finalmente, em 1969, foi agraciado com um terceiro Alley Award para melhor desenhista.
      Em 1970 ganhou dois Shazam Awards: um na categoria de Melhor História Individual (No Evil Shall Escape my Sight, em Green Lantern nº76 com Dennis O'Neil) e outro para Melhor Desenhista. No ano seguinte, não foi novamente distinguido nesta categoria, mas tornou a vencer - outra vez com Dennis O'Neil - o galardão para Melhor História Individual (Snowbirds Don't Fly em Green Lantern nº85).
     Finalista nas votações de 1990 e 1991 para o Jack Kirby's Hall of Fame (equivalente bedéfilo aos Óscares cinematográficos), conquistou o seu lugar no panteão da 9ª arte em 1999.

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