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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

HERÓIS EM AÇÃO: INVASORES



   Ao serviço da causa aliada nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, os Invasores foram decisivos para a capitulação das forças do Eixo e consequente triunfo da liberdade. Com a sua lenda a reverberar pelos esconsos labirintos da História, já este século o grupo foi revivido com o propósito de enfrentar ameaças menos óbvias, porém tão ou mais mortíferas do que as do passado.

Nome original do grupo:  The Invaders
Primeira aparição: The Avengers #71 (dezembro de 1969)
Criadores: Roy Thomas (história) e Sal Buscema (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Fundadores: Capitão América (Captain America), Bucky, Namor, o Príncipe Submarino (The Sub-Mariner), Tocha Humana original (The Human Torch) e Centelha (Toro)
Supletivos: Union Jack, Spitfire, Ciclone (Whizzer), Miss América, Escorpião de Prata (Silver Scorpion), Caveira Flamejante (Blazing Skull), além de vários outros heróis da Timely Comics (predecessora da Marvel Comics)
Formação atual: Capitão América, Namor, o Príncipe Submarino, Tocha Humana original e Soldado Invernal (Winter Soldier)
Base de operações: Nas suas primeiras aventuras. os Invasores usavam a Times Tower em Nova Iorque e a torre do relógio no Palácio de Westminster em Londres como bases de operações, sendo desconhecida a localização do seu atual quartel-general.

Retrato de família dos Invasores.

Histórico de publicação: Apesar de ter feito apenas um par de aparições entre 1946 e 1947, o All-Winners Squad (celebrizado como Esquadrão Vitorioso entre o público lusófono), equipa idealizada pelo editor Martin Goodman e pelo argumentista Bill Finger (ninguém menos que o não creditado cocriador de Batman), serviu de inspiração à dupla Roy Thomas/Sal Buscema para, em 1969, criarem os Invasores. Remontando à Idade do Ouro dos Quadradinhos, o Esquadrão Vitorioso era constituído pelos mesmos heróis que fariam parte dos Invasores, com a diferença de as suas aventuras serem ambientadas no pós-Segunda Guerra Mundial, coincidindo assim com sua data de publicação. Prefigurando os conflitos internos que caracterizariam, anos depois, o Quarteto Fantástico, o Esquadrão Vitorioso foi o primeiro coletivo heroico em que existiam notórias discordâncias entre os seus membros.

Esquadrão Vitorioso, o grupo da Idade do Ouro que serviu de inspiração aos Invasores.
   As primeiras aparições dos Invasores ocorreram sob a forma de flashbacks em histórias que faziam referência a antigas personagens da Timely Comics. Originalmente, a equipa era composta pelo Capitão América e seu parceiro juvenil Bucky, Namor, o Príncipe Submarino, e pelo androide Tocha Humana e respetivo adjunto adolescente Centelha. Antes de se reunirem, cada um deles combatia à sua maneira o Nazismo e as forças do Eixo nos campos de batalha da II Guerra Mundial. Passaram a atuar em conjunto por sugestão de Winston Churchill, cuja vida foi salva pelo quinteto. Deve-se também ao carismático antigo primeiro-ministro britânico o nome da equipa, uma vez que ele pretendia que os heróis realizassem operações em território inimigo.
    À medida que o conflito se desenrolava, os Invasores foram enfrentando as forças do Eixo um pouco por todo o mundo. Uma dessas missões levou-os à velha Albion, onde travaram conhecimento com o aristocrata inglês Lorde James Montgomery Falsworth. Tratava-se do primeiro Union Jack, herói patriótico que atuara na I Guerra Mundial, e que logo se uniu à equipa liderada pelo Capitão América. Algum tempo depois foi a vez de Brian e Jacqueline Folsworth (filhos de Lorde Folsworth) se juntarem aos Invasores. O primeiro dando continuidade ao legado de Union Jack, a segunda passando a operar sob o codinome Spitfire, após receber uma transfusão sanguínea do Tocha Humana que lhe concedeu supervelocidade. Outro velocista, Ciclone, seria entretanto recrutado para as fileiras do grupo. No qual posteriormente foram também incorporados a Miss América (espécie de mescla entre o Super-Homem e a Mulher-Maravilha), Caveira Flamejante (provável fonte de inspiração para o Motoqueiro Fantasma) e Escaravelho de Prata (uma temerária justiceira mascarada).

Os heróis britânicos Spitfire e Union Jack (em primeiro plano na imagem) reforçaram os Invasores.
  Sempre enfrentando uma panóplia de perigosas ameaças (incluindo a ocupação nazi da Atlântida e a ascensão da organização terrorista HIDRA), a maior provação dos Invasores surgiu, contudo, com a aparente morte do Capitão América e de Bucky em consequência da explosão de uma aeronave não tripulada, escassos meses antes do término do conflito (conforme descrito em The Avengers #4, de março de 1964).  Com o advento da paz, vários membros da equipa fundaram uma segunda encarnação do Esquadrão Vitorioso.
  Após uma breve passagem por The Avengers, em 1975 os Invasores estrelaram uma edição especial (Giant-Size Invaders #1) que serviu de prólogo ao lançamento, no final desse mesmo ano,  de The Invaders, a sua própria série regular. No seu auge de popularidade, o grupo teve também direito a um volume anual em 1977, dois anos antes do cancelamento do seu título mensal.

A estreia oficial dos Invasores em The Avengers #71 (1969).

Capa do número inaugural da série regular dos Invasores em 1975.

   Empurrados para o limbo do esquecimento durante um quarto de século, em 2004 os Invasores foram resgatados do fundo das águas turvas da memória. Também denominada Novos Invasores, a equipa fez a sua estreia em The Avengers vol.3 #82, numa história em quatro partes escrita por Chuck Austen. Na esteira da formação clássica, os Novos Invasores em breve trocariam as páginas do título dos Vingadores pelas do seu próprio. Com argumentos a cargo de Allan Jacobsen e arte de C.P. Smith, The New Invaders teve 11 edições publicadas (incluindo o nº0), entre agosto de 2004 e junho de 2005.
   Nesta sua versão moderna, os Invasores foram fundados pelo Secretário da Defesa norte-americano Dell Rusk (na verdade, um disfarce do Caveira Vermelha), sendo inicialmente compostos pelo Caveira Flamejante, Agente Americano (John Walker, o quinto Capitão América), Union Jack III e Tara (uma misteriosa jovem com poderes incandescentes, que viria a revelar-se uma espia ao serviço do Caveira). A este elenco juntar-se-ia entretanto o Tocha Humana original.
  Apesar de terem gorado os planos do seu falso benfeitor, os Novos Invasores testemunharam a aparente morte do Tocha Humana. Que, somada à traição de Tara, ditaria a dissolução precoce da equipa.
  No crossover  de 2007 Avengers/Invaders ( Vingadores & Invasores, minissérie em 6 fascículos publicada no Brasil pela Panini Comics dois anos depois), a equipa original (exceto Spitfire e Union Jack) foi trazida para a atualidade pelo vilão Desespero, então na posse do Cubo Cósmico. Acreditando tratarem-se de supersoldados nazis,  os Invasores confrontaram os Vingadores e os Thunderbolts, antes de embarcarem numa alucinante jornada através do fluxo temporal. No desfecho da saga, Centelha foi revivido pelo poder do Cubo Cósmico temporariamente adquirido por Bucky. Portando agora o escudo do Sentinela da Liberdade, o antigo parceiro do Capitão América liderou a terceira encarnação dos Invasores apresentada na minissérie Invaders Now, datada de setembro de 2010. Namor, o Príncipe Submarino, Tocha Humana, Centelha, Spitfire e Steve Rogers (o primeiro Capitão América) completavam o elenco da rediviva equipa, reunida pelo Visão original e por Union Jack para enfrentar uma terrível ameaça do passado.

Algumas das capas de Avengers/Invaders (2007), a minissérie que devolveu os Invasores à ribalta.
    Finalmente, em 2014, a Marvel Comics decidiu revitalizar os Invasores através do lançamento de uma nova série mensal escrita por James Robinson. Reduzidos agora a um quarteto (Capitão América, Soldado Invernal, Tocha Humana e Namor), os heróis do passado tentam adaptar-se à realidade dos novos tempos, em que os inimigos deixaram de ser movidos por causas ou ideologias,  e com os conflitos a deixarem os campos de batalha para se aninharem nas ruas das cidades.
    
Heróis atemporais.
Biografia: Com a entrada dos EUA na II Guerra Mundial em finais de 1941, na sequência da agressão nipónica em Pearl Harbor, um quinteto heroico composto pelo Capitão América, Bucky, Namor, Tocha Humana e Centelha uniu forças para contrariar os planos do Grande Mestre (Master Man no original), um meta-humano americano de ascendência germânica simpatizante da causa nazi que atentou contra a vida de Winston Churchill. Este ficou tão impressionado com os seus salvadores que os encorajou a manterem-se juntos como os Invasores. Desse dia em diante, o grupo passou a combater tanto as tropas do Eixo nos campos de batalha como os superagentes nazis que levavam a cabo ações de sabotagem nos países aliados.
   Pouco tempo após terem iniciado a sua carreira conjunta, os Invasores adotaram o Reino Unido como base de operações. Enquanto enfrentavam o vampiro conhecido como Barão Sangue (Baron Blood), o grupo cruzou-se com Lorde Montgomery Falsworth, o Union Jack original que se notabilizara na I Guerra Mundial. O herói britânico juntou-se à equipa, apenas para ser incapacitado pelo Barão Sangue depois de este lhe ter esmagado as pernas. Na esteira desse dramático episódio, Lorde Falsworth autorizou os Invasores a usarem a sua mansão e viu os seus dois filhos - Union Jack e Spitfire - reforçarem as fileiras dos Invasores.
   Regressada a solo norte-americano para combater a ameaça personificada pelo Super-Eixo (Super-Axis, homólogo nazi dos Invasores), a equipa ganhou dois novos membros: Ciclone e Miss América. Ambos tinham feito parte da Legião da Liberdade (Liberty Legion),  grupo de meta-humanos e justiceiros mascarados reunidos em 1942 por Bucky para combaterem os Invasores, então sob o domínio mental do Caveira Vermelha. A eles juntar-se-iam também, pouco tempo depois, o Caveira Flamejante e a Escorpião de Prata. Na reta final do conflito, um diversificado naipe de heróis e heroínas reforçaria as fileiras dos Invasores para uma decisiva ofensiva no coração do Terceiro Reich.
  Dentre as incontáveis ameaças com que os Invasores se depararam durante a II Guerra Mundial, destacaram-se os alienígenas conhecidos como Deuses das Estrelas, o vilão blindado Cavaleiro Teutónico e o Cruz de Ferro (Gods from the Stars, Teutonic Knight e Iron Cross, respetivamente).

Thor foi um aliado do Super-Eixo, o coletivo meta-humano ao serviço do 3ª Reich.
   Com o fim da guerra e a presumível morte dos seus companheiros Capitão América e Bucky, os demais Invasores refundaram o Esquadrão Vitorioso. Esse não seria, contudo, o derradeiro capítulo da história da lenda dos Invasores. Já este século, a equipa seria ressuscitada para, inadvertidamente, servir os sinistros desígnios do Caveira Vermelha. Fazendo-se passar pelo Secretário da Defesa dos EUA, o arqui-inimigo do Capitão América manobrou os novos Invasores com o objetivo de se apoderar da tecnologia bélica do Infiltrador, a sofisticada aeronave que servia de base de operações móvel à equipa. Graças, porém, ao supremo sacrifício do Tocha Humana, os planos do Caveira Vermelha foram por água abaixo.
   Sem Centelha e com Bucky agora a responder pelo nome de Soldado Invernal, a formação clássica dos Invasores regressou entretanto em grande estilo à ribalta. Se para ficar ou não, só o tempo o dirá.

Lendas do passado combatem ameaças do presente.
Noutros media: Resumem-se a duas participações em outras tantas séries animadas produzidas sob a égide da Marvel as aparições dos Invasores fora dos quadradinhos. A primeira verificou-se num arco de histórias intitulado Six Forgotten Warriors desenrolado ao longo de alguns episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98). Com uma formação ligeiramente diferente da clássica, a equipa incluía o Capitão América, Ciclone, Miss América, Destruidor e Black Marvel.
  Num episódio avulso de The Super Hero Squad Show (2009-11) com o título World War Witch, os primeiros Invasores (exceto Namor) ajudaram a Feiticeira Escarlate (acidentalmente enviada ao passado por Thanos) a frustrar os planos do Caveira Vermelha de lançar um míssil termonuclear sobre as forças aliadas.
   Em 2011, no filme Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger), os Invasores surgem mesclados ao conceito do Comando Selvagem (Howling Commnados) como uma unidade de elite comandada pelo Sentinela da Liberdade. A qual incluía ainda Bucky Barnes (usando um blusão estilizado a fazer lembrar o uniforme clássico da personagem na banda desenhada) e James Montgomery Falsworth, embora despojado do seu traje de Union Jack.

Combatentes da Liberdade.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

GALERIA DE VILÕES: SENHOR SINISTRO



   Na Inglaterra vitoriana, um excêntrico geneticista obcecado com as teorias darwinistas aceita tornar-se acólito de Apocalipse. Surgiu assim o Senhor Sinistro, cujo grau de poder e de perversidade fazem dele um dos mais temíveis arqui-inimigos dos X-Men.

Nome original da personagem: Mister Sinister
Primeira aparição: Uncanny X-Men #221 (setembro de 1987)
Criadores: Chris Claremont (história) e Marc Silvestri (arte)
Licenciadora: Marvel Comics 
Identidade civil: Nathaniel Essex
Local de nascimento: Londres, Reino Unido
Parentes conhecidos: Mary Essex (mãe), Rebecca Essex (esposa falecida), Adam Essex (filho falecido), Claudine Renko (filha clonada), N2, Hans, Xraven e Madelyne Prior (criações)
Filiação: Ex-membro do Projeto Arma X e da Academia Real das Ciências de Londres; líder e fundador dos Carrascos; líder dos Cavaleiros de Apocalipse;
Base de operações: O Sr. Sinistro tem à sua disposição uma vasta rede de bases secretas espalhadas pelo globo
Armas, poderes e habilidades: Em consequência da bioengenharia nele operada por Apocalipse, o Sr. Sinistro possui um amplo espectro de poderes e habilidades. Ao longo dos anos, o vilão tem também usado material genético de mutantes para obter  dons adicionais aos que lhe foram concedidos pelo seu mentor. Dentre esse impressionante cardápio destacam-se os seguintes:

- controlo molecular do seu corpo (permitindo-lhe assumir qualquer forma que desejar);
- fator de cura acelerada (graças ao qual regenera, quase instantaneamente, ossos quebrados ou tecidos orgânicos danificados);
- força, velocidade, resistência e durabilidade sobre-humanas;
- telepatia (a que recorre para projetar os seus pensamentos a distâncias consideráveis, bem como para controlar mentalmente outros indivíduos, quando na sua presença);
- telecinesia (que usa para levitar e manipular psionicamente pessoas, objetos e determinados tipos de energia);
- rajadas concussivas (que tanto podem ser disparadas pelas suas mãos, olhos ou pela marca em forma de diamante que lhe adorna a testa);
- campos de força (poderosos o suficiente para, quando erguidos pelo vilão, repelirem ataques de natureza diversa);
- imortalidade (embora relativa, esta característica advém da imunidade do Sr. Sinistro a doenças e aos efeitos do envelhecimento, somada ao seu fator de regeneração acelerada)

   Complementarmente a tudo isto, o Sr. Sinistro, além de um bem treinado combatente, possui um intelecto superior. Geneticista supremo, é igualmente um exímio cirurgião e engenheiro mecânico.

Um vilão saído de um pesadelo distorcido.


Fraquezas: Residem em alguns traços da sua personalidade as maiores fraquezas do Sr. Sinistro. Desprovido de emoções ou sentimentos, não olha a meios para atingir os seus fins. Assume-se, porém, em primeiro lugar, como um cientista apostado em criar condições para que a humanidade atinja todo o seu potencial. Razão pela qual, num punhado de ocasiões, se aliou aos heróis para neutralizar qualquer ameaça que prejudicasse esse desígnio.
   Arrogante e prepotente, espera sempre total obediência às suas diretivas. O que, obviamente, nem sempre acontece. Por desprezar o trabalho sujo, Sinistro prefere manobrar a partir das sombras. Facto que acaba frequentemente por comprometer os resultados dos seus maquiavélicos planos.

Planos sinistros de uma mente diabólica.

Histórico de publicação: Cansado de usar sempre Magneto, ora sozinho ora adjuvado pela sua Irmandade de Mutantes, como principal antagonista dos X-Men,  em meados dos anos 1980, o escritor Chris Claremont decidiu conceber um novo e poderoso vilão para as histórias dos Filhos do Átomo.
   Na sequência de diversas reuniões com Dave Cockrum (desenhador e cocriador de alguns dos X-Men de segunda geração, falecido em 2006), vingou a ideia de criar um vilão cuja aparência sinistra seria por si só suscetível de infundir medo aos seus oponentes. Um passado enigmático e um elevado nível de poder foram os outros dois ingredientes da receita que serviu de base à conceção daquela que se tornaria uma personagem ímpar nos meandros do Universo Marvel.
   A primeira referência ao Senhor Sinistro foi feita por Dentes-de-Sabre em Uncanny X-Men #219 (julho de 1987). No decurso da saga Mutant Massacre (Massacre dos Mutantes, publicado na 1ª série de X-Men da Abril), o estrante vilão foi identificado como o líder dos Carrascos (Marauders no original), a quem ordenara a chacina dos Morlocks que habitavam os túneis subterrâneos de Nova Iorque. Na edição seguinte, a X-Man Psylocke captaria telepaticamente uma imagem difusa do Sr. Sinistro na mente do Dentes-de-Sabre.
  Seria, no entanto, preciso esperar mais um mês para, nas páginas de Uncanny X-Men #221, Sinistro fazer enfim a sua triunfal primeira aparição.

A estreia de Sr. Sinistro não mereceu destaque na capa de Uncanny X-Men #221 (1987).

  Ainda com poucos detalhes conhecidos acerca da sua origem, Sinistro desempenharia um papel proeminente em Inferno (saga dos X-Men publicada originalmente no biénio 1988-89). Sendo então revelado que o vilão clonara Madelyne Pryor a partir de Jean Grey, com o propósito de que ela concebesse um filho em conjunto com Ciclope. Este, por sua vez, ficaria a saber que fora manipulado desde a infância por Sinistro.  
   No culminar de uma batalha travada com os X-Men e o X-Factor, o Sr. Sinistro seria aparentemente morto por uma rajada ótica de Ciclope.
    Sem grande surpresa o vilão, reapareceria, em 1992, nas páginas de X-Factor, determinado a infernizar a equipa de heróis mutantes composta pelos X-Men originais. Quatro anos volvidos, em 1996, a sua origem seria finalmente revelada em The Further Adventures of Cyclops and Phoenix (As Aventuras de Ciclope e Fénix, minissérie editada nesse mesmo ano no Brasil pela Abril). Dentre as várias revelações bombásticas vindas então a lume, destacava-se a descoberta de que o Sr. Sinistro seria na realidade um geneticista do século XIX que fizera um pacto com o mutante Apocalipse para se tornar virtualmente imortal. Foi igualmente convencionado que Sinistro criara Nathan Summers (o viajante temporal conhecido como Cable, filho de Ciclope e Madelyne Pryor) para derrubar Apocalipse.
   Já este século, foi também finalmente revelada a ligação existente entre o Sr. Sinistro e o antigo X-Man Gambit. Durante o Massacre dos Mutantes, o mutante francês fizera parte dos Carrascos, guiando-os através dos túneis subterrâneos até ao santuário dos Morlocks. Recebendo agora do seu ex-patrono o composto químico que neutralizava a mutação genética induzida pelos Skrulls como parte do seu plano de infiltração na Terra.

Antes de se unir aos X-Men, Gambit serviu o Sr. Sinisto.
   Depois de ter escapado uma vez mais à morte, transferindo a sua consciência e poderes para uma máquina que deveria garantir a sua ressurreição -  se não fosse pela sabotagem levada a cabo por Gambit e Sebastian Shaw -, o Sr. Sinistro desapareceu sem deixar rasto. No seu lugar surgiria então uma sua versão feminina. Crismada de Senhorita Sinistra (Miss Sinister em Inglês),  tratava-se na realidade de um clone produzido pelo vilão para dar  continuidade ao seu legado. Temporariamente usada como hospedeira do seu criador, a Senhorita Sinistra acabaria imolada para que ele ressuscitasse.

A Senhorita Sinistra teve vida curta.

   Adotando o visual de um aristocrata vitoriano,  nos últimos anos o Sr. Sinistro recuperou protagonismo no Universo Marvel. Durante o arco de histórias Avengers versus X-Men (Vingadores versus X-Men, minissérie publicada pela Panini Comics no Brasil em 2013) foi revelada a existência de uma cidadela subterrânea construída pelo vilão sob São Francisco. Habitada exclusivamente por clones do próprio, bem como de outros mutantes célebres, como Dentes-de-Sabre, Ciclope ou Mística, era uma réplica quase exata da Londres do século XIX, que  Sinistro considerava o expoente máximo de civilização. Tanto a cidadela como os seus habitantes seriam. contudo, incinerados pela Força Fénix, depois de Sinistro  ter tentado capturar a entidade para usar o seu imensurável poder em proveito próprio.
 Sobrevivendo ao desastre, Sinistro ressurgiu recentemente na Latvéria (nação fictícia governada pelo Doutor Destino), apostado em assenhorar-se das amostras genéticas de Loki em posse de Victor Von Doom. Objetivo: clonar o Deus da Trapaça para o usar como servo. Veria, no entanto, os seus planos frustrados pela intervenção de uma versão púbere do próprio Loki.

Nathaniel Essex (Earth-616) from Marvel War of Heroes 001
Primus inter pares.
      
Biografia: Devido ao seu envolvimento em assuntos relacionados com os mutantes, o Senhor Sinistro é frequentemente tomado por um. Tendo inclusivamente sido classificado como mutante de Nível Alfa, grau que preside à escala de poder dos homos superior. Trata-se, todavia, de um humano geneticamente modificado por intermédio de sofisticadas técnicas de bioengenharia.
  Quando criança, ao visitar uma das zonas abastadas de Londres, Nathaniel Essex ficou fascinado com o aspeto saudável e elegante dos transeuntes que por lá passeavam. Aos seus olhos tratavam-se de exemplos de pureza genética, predestinados a contribuírem para a evolução da humanidade.
  À medida que os anos passavam, crescia a sua obsessão pelas teorias evolucionistas de Charles Darwin. O jovem Essex considerava, no entanto, que o autor de A Origem das Espécies  estava demasiado espartilhado por princípios ético-morais. Por conseguinte, em 1859, recém-doutorado em Biologia, Essex apresentou à comunidade científica as suas revolucionárias teorias genéticas. Consistindo o seu maior sonho no aprimoramento da espécie humana por via da manipulação genética.
   Embora reconhecido  por muitos dos seus pares como o maior génio científico da sua geração, as teses de Essex foram consideradas excessivas e radicais. Fazendo dele um homem perigoso aos olhos de outros. Nada que o demovesse de aprofundar a sua pesquisa. A qual ganhou novo impulso após a morte do seu filho de quatro anos, Adam Essex, em resultado de diversas malformações congénitas, mormente ossos quebradiços e hemofilia.

Nathaniel Essex 0001
 Dr. Nathaniel Essex, um evolucionista radical. 
   Ateu convicto, Essex depositava uma fé cega nos postulados de Darwin, acreditando, com fervor religioso, que a humanidade se encontra em permanente mutação devido à ação do que ele designou por Fatores Essex no genoma dos homos sapien. Sustentava também que, na descendência de certos espécimes geneticamente superiores, esses elementos serviriam, no espaço de aproximadamente um século, de catalisadores para um enorme salto evolutivo em alguns ramos da espécie humana. Teses impiedosamente ridicularizadas pelos outros membros da Academia Real das Ciências. Instituição de que Essex seria banido após a descoberta de que realizara secretamente experiências pouco ortodoxas.
   Para aumentar ainda mais o vexame do cientista caído em desgraça, o próprio Darwin sugeriu que Essex estaria transtornado em consequência do trauma causado pela morte do filho. Cáustico, Essex retorquiu que, se transformar-se num monstro seria o preço a pagar pelo progresso da Ciência, estaria mais do que disposto a tornar-se num.
  Depois de travar conhecimento com Cootie Tremble, Essex seria levado para o subsolo da capital britânica onde os Carrascos mantinham cativos indigentes, dementes e todo o tipo de párias da sociedade. Os quais serviriam doravante de cobaias aos seus experimentos científicos.
  Uma vez desperto, o mutante imortal En Sabah Nur (nome de batismo de Apocalipse) ordenou aos Carrascos que o levassem até ao Dr. Essex. Dominado como nunca pelas suas obsessões, este exumara o cadáver do seu filho a fim de usá-lo em mais uma das suas aterradoras experiências. Ao tomar conhecimento dessa macabra operação, Rebecca Essex, a  estarrecida esposa do cientista, deu-lhe a escolher entre o casamento de ambos ou a prossecução do seu trabalho. Apesar da gravidez de Rebecca, Essex hesitou na sua decisão.
   Abordado por En Sabah Nur, que lhe expressou o seu interesse nas pesquisas que vinha desenvolvendo, o Dr. Essex aceitaria aliar-se a ele. Mais tarde reconsideraria, porém, esta decisão.
  Disposto a renunciar à sua vida como cientista, Essex voltou para casa na expectativa de reconstruir a sua família. Apenas para descobrir que, durante a sua ausência, Rebecca libertara todas as suas cobaias, entrara em trabalho de parto prematuramente, agonizando agora, moribunda. Devastado, o cientista implorou pelo perdão da mulher que, contudo, lho negou antes do seu derradeiro suspiro. Momentos antes pronunciara palavras que se revelariam proféticas: Já não te reconheço. Aos meus olhos transformaste-te num ser sinistro.
    Essex voltaria então a procurar En Sabah Nur, comunicando-lhe que aceitava a sua proposta. Sem perda de tempo, o mutante egípcio ordenou-lhe que criasse uma praga que eliminasse a fraqueza existente no mundo, no que seria um prelúdio do nascimento de Pestilência, o primeiro dos quatro Cavaleiros do Apocalipse. Como recompensa pelo seu trabalho, Essex foi dolorosamente transformado por En Sabah Nur num ser imortal de aparência medonha e dotado de habilidades telecinéticas. A pedido do seu mestre, Essex renunciou à sua antiga identidade, assumindo o nome de Senhor Sinistro e tornando-se assim o lugar-tenente de Apocalipse.

Criado sob o signo do Apocalipse.
   Contudo, nas décadas que seguiram, temendo o poderio de Apocalipse, o Sr. Sinistro afadigou-se na sua demanda por um mutante poderoso o suficiente para fazer frente ao seu mestre. Isto enquanto continuava a coletar o ADN de incontáveis humanos e mutantes para a sua gigantesca base de dados genética.
  Por fim, Sinistro compreendeu que a combinação dos genes de Scott Summers e de Jean Grey daria origem ao mutante supremo capaz de levar a melhor sobre Apocalipse. À época, porém, Jean Grey servia de hospedeira à Força Fénix, o que a tornava incontrolável. Decorrente desse facto, o vilão produziria um clone da heroína mutante. O seu plano consistia em usar essa cópia genética para seduzir Ciclope (que Sinistro considerava um mutante superior) daí resultando um filho. Para seu grande desapontamento, o processo de clonagem foi, porém, malsucedido. Acabando o clone esquecido no seu tubo de incubação até, que anos depois, aquando da morte da Fénix Negra, uma faísca da Força Fénix lhe concedeu acidentalmente vida, renovando assim o interesse de Sinistro.

Madelyne Pryor como Rainha dos Demónios na saga Inferno.

  Recebendo do seu criador o nome de Madelyne Pryor e um conjunto de memórias falsas, o clone partiu em busca de Scott Summers com a missão de ser fecundada por ele. Daí resultando o nascimento de Nathan Summers (nome que Sinistro induziu Madelyne a escolher). E cujo poder era de tal ordem que a sua vinda ao mundo acordou Apocalipse da sua hibernação.
  Antes, porém, que Sinistro pudesse manipular o infante, Madelyne Pryor descobriu a sua verdadeira origem e traiu o seu criador, unindo-se ao demónio Nastirth após entregar o pequeno Nathan ao cuidados do pai e de Jean Grey (que, afinal, não morrera).
   Intuindo a ameaça que a criança poderia representar para ele, Apocalipse apressou-se a infetá-la com um vírus tecno-orgânico. Não restando a Scott Summers outra opção que não enviar o filho para o futuro onde seria curado, tornando-se o viajante temporal conhecido como Cable.

Cable, o predestinado verdugo de Apocalipse.
     
Noutros media: No Top 100 dos Melhores Vilões de Sempre dos Quadradinhos, organizado pelo IGN, o Senhor Sinistro quedou-se num respeitável 29º lugar. Em 2008, aquando da divulgação no site oficial da Marvel Comics da lista dos dez melhores antagonistas dos X-Men, o vilão classificou-se na 6ª posição.
 Com tão elevados índices de popularidade, não é de admirar que o Sr. Sinistro haja rapidamente extrapolado o circuito dos comics, passando a figurar em toda a sorte de merchandising associado à Casa das Ideias: séries animadas, jogos de vídeo, brinquedos, etc.
 A sua primeira incursão no pequeno ecrã verificou-se na série de animação X-Men: The Animated Series (1992-97). A exemplo da história original, o vilão surgia retratado como um cientista obcecado com a genética de Scott Summers e de Jean Grey.
 Depois de ter sido equacionada a produção de uma sua série animada a solo (projeto prontamente cancelado), o vilão marcaria presença num episódio de Wolverine and the X-Men (2009). Esta versão apresentava, porém, uma importante cambiante, com Sinistro a ser apresentado como um homo superiror em vez de um humano geneticamente modificado.
  Embora sem direito ainda a uma transposição para o cinema, Nathaniel Essex é um dos nomes contidos nos ficheiros do computador de Lady Letal invadido por Mística em X-Men 2 (2003). Há também a expectativa de que lhe sejam feitas referências no próximo filme dos heróis mutantes (X-Men: Age of Apocalypse, com estreia marcada para o próximo ano).



sábado, 31 de janeiro de 2015

EM CARTAZ: «SUPER-HOMEM III»




    Muito por culpa do inusitado registo cómico do enredo, do baixo orçamento e das várias alterações no elenco, é por muitos considerado o mais sofrível dos filmes do Homem de Aço. Pressentindo o inexorável declínio da franquia, Christopher Reeve anunciou depois dele a sua intenção de não repetir o papel que o imortalizaria na história do cinema e dos quadradinhos.

Título original: Superman III
Ano: 1983 (ano em que se assinalou o 45º aniversário da criação do Último Filho de Krypton)
País: EUA/Reino Unido
Duração: 125 minutos
Género: Ação/Aventura/Comédia/Fantasia
Realização: Richard Lester
Produção: Ilya e Alexander Salkind
Distribuição: Warner Bros.
Argumento: David e Leslie Newman
Elenco:Christopher Reeve (Clark Kent/Super-Homem); Margot Kidder (Lois Lane); Richard Pryor (Gus Gorman); Robert Vaughn (Ross Webster); Annette O'Toole (Lana Lang); Annie Ross (Vera Webster); Jackie Cooper (Perry White); Pamela Stephenson (Lorelei Ambrosia) e Marc McClure (Jimmy Olsen)
Orçamento: 39 milhões de dólares
Receitas globais: 71 milhões de dólares



Dois cartazes promocionais de Superman III.

Enredo: Gus Gorman, um desempregado de longa duração,descobre possuir um talento especial para a programação informática, facto que lhe vale ser contratado pela poderosa WebsCo. Descontente com o seu salário, Gus concebe um engenhoso esquema para desviar dinheiro das contas da empresa sem ser detetado. Acaba, no entanto, por chamar a atenção do seu patrão. Ross Webster é obcecado com o potencial dos computadores para o auxiliarem nos seus planos de dominação mundial pela via financeira, ficando portanto mais impressionado do que agastado com a façanha de Gus. Adjuvado pela sua pérfida irmã Vera e pela sua aparentemente desmiolada assistente Lorelei Ambrosia, Ross chantageia Gus para que este aceite ser seu cúmplice.

Ross Webster, magnata megalómano.

Gus Gorman, um desastrado génio informático.
   Entretanto, Clark Kent convence o seu editor no Planeta Diário a conceder-lhe alguns dias de licença a fim de participar na sua reunião anual de liceu, em Smallville. A caminho da sua cidade natal, o Super-Homem extingue um incêndio numa fábrica de químicos onde é produzido um ácido altamente volátil e suscetível de lançar vapores corrosivos quando exposto a temperaturas elevadas.
   Na reunião com os seus antigos colegas de liceu, Clark reencontra a sua amiga de infância, Lana Lang. Mãe solteira de um garoto chamado Ricky, Lana é constantemente assediada por Brad Wilson, um seu ex-namorado, em tempos jogador de futebol americano, e agora um rufia alcoólico que trabalha como segurança na filial de Smallville da WebsCo.
   A primeira etapa do plano de Ross Webster consiste em garantir o monopólio da produção mundial de café. Enfurecido pela recusa por parte da Colômbia em fazer negócios com a sua empresa, Ross ordena a Gus Gorman que assuma o controlo de um satélite meteorológico norte-americano com o objetivo de induzir um gigantesco tornado capaz de arrasar as colheitas de café colombianas.
  Para ativar o satélite em questão, Gus usa o computador instalado na filial da WebsCo em Smallville, sendo involuntariamente ajudado nessa missão por um ébrio Brad Wilson, que lhe fornece os códigos de acesso. Os planos de Ross Webster são, todavia, frustrados pela intervenção do Super-Homem, que neutraliza o tornado, salvando dessa forma as colheitas de café.

De volta a Smallville, Clark reencontra Lana Lang.

   Lembrando-se da entrevista feita por Lois Lane ao herói, Ross ordena então a Gus que use o computador para descobrir a composição química da kryptonita a fim de sintetizar uma amostra do mineral radioativo que é a única fraqueza conhecida do Homem de Aço. Gus usa o satélite meteorológico para procurar destroços de Krypton no espaço sideral, mas a demanda resulta infrutífera. O computador, por outro lado, falha na sua análise química da kryptonita, incapaz de identificar um elemento desconhecido presente nela. O qual Gus decide prontamente substituir por alcatrão contido na cinza de um cigarro que fumava.
   Lana convence o Super-Homem a comparecer na festa de aniversário do pequeno Ricky. Porém, quando se espalha a notícia acerca da presença do herói em Smallville, a cidade engalana-se para o receber. Sendo até organizada uma cerimónia de entrega da chave da cidade. A qual é inopinadamente interrompida por Gus Gorman e Vera Webster que, disfarçados de oficiais do Exército, entregam ao Super-Homem uma bizarra escultura feita com kryptonita. Ficam, todavia, desconcertados ao verificarem que a mesma não surte um efeito imediato sobre o herói.
  Horas depois, contudo, o Homem de Aço começa a evidenciar alguns comportamentos atípicos: mais empenhado em concretizar os seus intentos lascivos relativamente a Lana, demora a acudir a um camionista em apuros. A partir daí, o herói kryptoniano começa a questionar o seu próprio valor e papel no mundo, mergulhando numa espiral depressiva e tornando-se gradualmente mais egoísta e agressivo. Para extravasar a frustração acumulada, comete atos de vandalismo, como endireitar a Torre de Pisa ou apagar a tocha olímpica com o seu supersopro.

A exposição a kryptonita adulterada causa uma terrível transformação na personalidade do Homem de Aço.
  Ross Webster põe entretanto em marcha a segunda fase do seu plano: controlar o fornecimento de petróleo a nível mundial. Ordena para esse efeito a Gus Gorman que use os seus prodigiosos conhecimentos informáticos para desviar todos os petroleiros das suas atuais rotas, concentrando-os no meio do Atlântico. Gus entrega ao seu patrão os esboços para a construção de um supercomputador. Em troca da lealdade de Gus, Ross aceita financiar o projeto.
  Depois de o comandante de um dos petroleiros recusar seguir as instruções de Gus, Webster usa Lorelei como engodo para atrair o Super-Homem à sua cobertura. Totalmente corrompido pelos efeitos da kryptonita sintética, o Homem de Aço, a troco de contrapartidas carnais, aceita intercetar o petroleiro rebelde, abrindo um rombo no casco da embarcação e causando assim um desastre ambiental.
  Enquanto se embebedava num bar, o Super-Homem é interpelado pelo filho de Lana Lang. Apesar de rapidamente alçar voo, o atormentado herói escuta com a sua superaudição os apelos do petiz para que lute contra a doença que dele se apossou.
   À beira do colapso, a versão corrompida do Último Filho de Krypton quase se despenha pouco depois num ferro-velho. Dividindo-se de seguida em duas personalidades: o Super-Homem maligno e o seu íntegro alter ego, Clark Kent. No final da intensa refrega que se segue, Clark consegue liquidar a sua contraparte corrompida. Recuperado o seu heroísmo, o Homem de Aço apressa-se a reparar os danos causados pela seu eu sombrio.

O icónico mano a mano entre Clark Kent e o Super-Homem maligno.

   Ao tentar aproximar-se do esconderijo de Ross Webster e seus comparsas (localizado no Grand Canyon), o Super-Homem é alvejado por mísseis. O ataque é, no entanto, incapaz de detê-lo. Pressentindo o perigo, o supercomputador construído por Gus Gorman aciona contramedidas defensivas, atingindo o Homem de Aço com uma rajada de kryptonita verdadeira.
    Apavorado com a perspetiva de ficar para a História como o carrasco do Super-Homem, Gus serve-se de um machado para destruir o emissor da rajada de kryptonita, salvando dessa forma a vida do herói. O supercomputador entretanto adquire consciência própria, inviabilizando as tentativas do seu criador para desligá-lo. Para se alimentar, a máquina drena energia do sistema elétrico, causando blackouts em série. Ross Webster e Lorelei conseguem esgueirar-se para fora da cabine de comando, mas Vera Webster é capturada pelo computador e transformada num sinistro cyborg.
    Aproveitando o tumulto, o Super-Homem sai da caverna, regressando pouco depois trazendo consigo um recipiente contendo o ácido produzido na fábrica de químicos que salvara dias antes.
   Classificando a substância como inócua, o supercomputador permite que o Homem de Aço deposite o recipiente no seu interior. Devido ao calor produzido pelo funcionamento da máquina, o ácido não tarda a reagir, entrando em ebulição e salpicando os seus componentes. Daí resultando a destruição do supercomputador.
   Deixando para trás Ross Webster e as suas cúmplices, o Super-Homem voa  até uma mina de carvão na Virgínia Ocidental levando consigo Gus Gorman. Apesar da oferta de emprego conseguida pelo herói, Gus declina-a e arrepia caminho para parte incerta.
   Regressado a Metrópolis, Clark Kent paga a viagem de Lana Lang e Ricky à cidade. Lana consegue um emprego no Planeta Diário como secretária de Perry White. Brad Wilson, que a havia perseguido até Metrópolis, ataca Clark, com este a esquivar-se, fazendo com que o rufia caia dentro de um carrinho de produtos de limpeza que se precipita escadas abaixo.
  Como habitualmente, o filme termina com o Super-Homem a fazer um passeio orbital ao som do magnífico tema musical composto por John Williams.
Trailer: .https://www.youtube.com/watch?v=UiwduaIGVVE


A amizade improvável de Super-Homem e Gus Gorman.
Curiosidades:

* O menino que espera do lado de fora da cabine fotográfica onde Clark Kent se transforma em Super-Homem é na verdade o mesmo que, 5 anos antes, fizera de pequeno Kal-El recém-chegado à Terra, no primeiro capítulo da saga;
* Após Margot Kidder ter expressado junto dos irmãos Salkind a sua discordância relativamente à demissão de Richard Donner (realizador de Superman e Superman II, antes de ser afastado da direção deste último e substituído por Richard Lester), a atriz que interpretou Lois Lane na quadrilogia viu o seu papel ser reduzido a 12 linhas, correspondentes a uns meros 5 minutos no ecrã. No entanto, em 2006, num comentário incluso na edição em DVD de Superman III, Ilya Salkind negou qualquer correlação entre esses dois factos. Segundo ele, derivou do esgotamento do romance entre o Super-Homem e Lois Lane, a opção por reduzir a participação de Margot Kidder no terceiro filme do herói kryptoniano;
* Ainda de acordo com Ilya Salkind, a versão primitiva do argumento incluía dois dos arqui-inimigos do Homem de Aço na BD (Brainiac e Mr. Mxyzptlk), além da Supergirl (cuja aparição no filme do primo seria o mote para um potencial spin-off);
* Os irmãos Salkind resolveram convidar Richard Pryor a integrar o elenco depois de este ter comentado no célebre programa televisivo Saturday Night o quanto tinha gostado de Superman II;
* Na sua autobiografia, Richard Pryor admite que o enredo era péssimo, mas que aceitou participar na película por causa do cachê de 5 milhões de dólares que lhe foi oferecido;
* O título original da película era Superman versus Superman, o que valeu aos seus produtores uma ameaça de processo judicial por parte dos seus homólogos do aclamado Kramer versus Kramer (1979);
* Foi a primeira vez que Christopher Reeve mereceu honras de protagonista, visto que nos dois anteriores filmes esse estatuto fora concedido, respetivamente, a Marlon Brando e Gene Hackman;

Os dois trajes usados por Christopher Reeve em Superman III expostos na Comic-Con de Las Vegas, em 2013.
* Trata-se do único filme da quadrilogia (à qual se somou, em 2006, Superman Returns) em que Lex Luthor não participa, e onde não são feitas quaisquer referências à Fortaleza da Solidão ou aos pais biológicos do Super-Homem (Jor-El e Lara);
* A kryptonita sintética a que o herói é exposto provoca efeitos colaterais característicos tanto da kryptonita vermelha como da kryptonita preta ( apenas algumas das cores do mineral existentes no período pré-Crise): a primeira anula as inibições morais do Homem de Aço, ao passo que a segunda faz emergir o seu lado mais sombrio;
* Numa referência a algumas das suas histórias da Idade da Prata, nas quais essa era uma proeza comum, o Super-Homem cria instantaneamente um diamante apertando um pedaço de carvão na mão;
* Annette O'Toole (Lana Lang) desempenhou já este século o papel de Martha Kent na série televisiva Smallville;
* Os sons do jogo de vídeo que Ross Webster joga enquanto tenta atingir o Super-Homem com mísseis pertencem à versão para o Atari 2600 do mítico Pac-Man (lançado no mercado em 1982, um ano antes da estreia de Superman III);


Brainiac e Mr. Mxyzptlk (em cima): os dois vilões inicialmente cogitados para Superman III.
Prémios e nomeações: Perante a reação adversa dos espectadores e dos críticos, ninguém estranhou que Superman III fosse nomeado para dois Razzies (espécie de anti-Oscares que "premiam" o que de pior se faz na 7ª arte). Os visados foram Richard Pryor (na categoria de Pior Ator Secundário) e Giorgio Moroder (Pior Banda Sonora). Nenhum dos dois acabaria, no entanto, por ser laureado com esse pouco prestigiante galardão.

Richard Lester, o polémico realizador de Superman III.
Veredito: 53%

   Aparentemente, o número três é aziago (ou mesmo fatídico) para muitas franquias cinematográficas. Não raras vezes, o  terceiro capítulo costuma marcar o início do seu declínio.  Quando não o seu epitáfio...
   Malapata que não atinge somente adaptações de super-heróis ao grande ecrã. Noutros géneros tivemos, somente à guisa de exemplo, Tubarão 3, Exterminador Implacável 3 ou Alien 3. Entre as películas baseadas nos universos Marvel e DC os exemplos são ainda mais abundantes: Batman Para Sempre, X-Men 3 - O Confronto Final, Homem-Aranha 3, Homem de Ferro 3 e, claro, Superman III. Em maior ou menor medida, todos os títulos citados redundaram em fiascos (de crítica, bilheteira ou de ambas). De uma forma ou de outra, todos eles comprometeram o futuro das respetivas franquias.
  Enquanto cinéfilo e acérrimo fã do Homem de Aço senti-me obviamente defraudado quando vi este seu terceiro filme pela primeira vez. Mais a mais porque a fasquia tinha sido deixada muito alta pelos seus predecessores. Estranhei desde logo a opção pela comicidade num enredo implausível mesmo para uma produção do género. E não fui certamente o único. Anos depois da estreia de Superman III,  o próprio Christopher Reeve - cuja representação foi irrepreensível, sobretudo no que toca à versão maligna do herói - confidenciou o seu desconforto perante a obstinação do realizador Richard Lester em tentar transformar qualquer sequência da película numa cena cómica.
  Parece-me por demais evidente o nexo de causalidade existente entre este facto e a escolha de Richard Pryor (ator catapultado para o estrelato nos alvores da década de 1980 por via das comédias desbragadas em que participou) para coprotagonista.Ou, na ótica de alguns, de verdadeiro protagonista, com o Super-Homem relegado para um papel secundário.
  Pryor não foi, contudo, a única escolha falhada no elenco. Num filme sem Lex Luthor (magistralmente encarnado por Gene Hackman nos restantes três capítulos da quadrilogia), Ross Webster foi visto como um fraco sucedâneo daquele que é o mais antigo e carismático némesis do Super-Homem. Perceção reforçada pela desinspirada atuação de Robert Vaughn.
   Ironicamente, em Superman III o próprio herói acaba por ser o seu mais condigno antagonista. Depois, de nos dois primeiros filmes, ter tido pela frente Luthor e o triunvirato de renegados kryptonianos liderados pelo general Zod, a grande ameaça que teve de enfrentar na sua terceira aventura cinematográfica foi um supercomputador senciente construído por um palerma  com dotes de programador informático. Tanto mais frustrante considerando que, numa das primeiras versões do argumento, estava previsto o Homem de Aço ter de medir forças com dois dos seus mais formidáveis arqui-inimigos: Brainiac e Mr.Mxyzptlk (com o bónus da participação especial da Supergirl). A culpa terá sido dos mandachuvas da Warner que, ao que consta, detestaram a ideia, rejeitando-a sem apelo nem agravo.
   Malgrado os seus muitos defeitos, nem tudo é mau em Superman III. Se é verdade que ficou muito furos abaixo dos seus predecessores (facto a que não será alheio o seu orçamento inferior), não é menos verdade que consegue ser bem melhor do que o quarto e último filme da saga (Superman IV- Em Busca da Paz). Ganhando mesmo na comparação com outras produções mais recentes do género, como Motoqueiro Fantasma 2, Elektra ou qualquer uma das longas-metragens já realizadas do Quarteto Fantástico.
   Entre os aspetos positivos da película, além da já realçada interpretação de Reeve, conta-se também o icónico mano a mano entre Clark Kent e o Super-Homem maligno num ferro-velho; o regresso às origens em Smallville (que permitiu a introdução de Lana Lang no universo cinemático do herói); alguns gags divertidos; e, claro, o magnífico tema de abertura da autoria de John Williams.
   Também do ponto de vista financeiro, o filme esteve longe de ter sido um fracasso. Não obstante as suas receitas de bilheteira terem ficado aquém das dos seus antecessores, o saldo foi claramente favorável. São estes elementos que, somados à minha memória afetiva do insuperável Christopher Reeve, me levam a atribuir-lhe uma nota tangencialmente positiva. Salvando-o assim do desonroso rótulo de monumental flop que muitos não hesitam em colar-lhe.
   Tivesse Superman III sido realizado numa época em que as trilogias estivessem na moda, e aos aspetos positivos supramencionados acrescentar-se-ia ainda outro: a inexistência da sua inenarrável sequela.


    

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

ETERNOS: JOHN BYRNE (1950 - ...)




    Canadiano naturalizado, o seu nome ficará para sempre associado a alguns dos marcos mais importantes na história da Marvel e da DC, ao serviço das quais erigiu o grosso da sua fulgurante - porém, não isenta de controvérsia - carreira. Dono de um traço inconfundível, gosta de explorar a sensualidade das personagens que desenha e detém créditos firmados como argumentista.

Biografia e carreira: A 6 de junho de 1950, John Lindley Byrne nascia na pequena cidade britânica de West Bromwich. Lá viveu, com os pais e avó materna, até aos 8 anos de idade, quando a sua família tomou a decisão de emigrar para o Canadá. Antes, porém, teve ainda tempo para um primeiro contacto com os comics. Este deu-se por via de Adventures of Superman, série televisiva dos anos 50 do século passado, estrelada por George Reeves e que, segundo recordou o próprio Byrne numa entrevista concedida em 2005, era exibida no Reino Unido pela BBC, quando ele tinha cerca de 6 anos.
    Em discurso direto Byrne evocou assim esse episódio da sua infância: "Pouco tempo depois de começar a acompanhar Adventures of Superman na TV, comprei um almanaque australiano chamado Super Comics que incluía histórias de Superboy, Johnny Quick e Batman. Esta última deixou-me positivamente fascinado. Nunca mais a esqueci. Quando, um par de anos depois, a minha família se mudou de armas e bagagens para o Canadá, tive oportunidade de descobrir o enorme repertório de títulos estadunidenses que lá eram distribuídos."
      Em 1962, Byrne teve o seu primeiro contacto com as publicações da Marvel através de Fanstastic Four #5 - título à data ainda produzido pela dupla-maravilha Stan Lee e Jack Kirby. Byrne diria mais tarde a propósito desta sua experiência que a revista tinha um charme muito próprio, totalmente diferente daquilo que ele estava habituado a ler na DC. O traço de Kirby influenciaria, de resto, a sua arte. Tendo, enquanto profissional da 9ª arte, trabalhado com diversas criações e cocriações do Rei. Outra das suas referências futuras seria o estilo naturalista de Neal Adams.
    Corria o ano de 1970 quando Byrne se matriculou pela primeira vez no Alberta College of Art and Design, em Calgary. Durante a sua passagem pela instituição, criou Gay Guy para o jornal universitário. Num registo cómico que Byrne transplantaria para trabalhos vindouros (como She-Hulk), o objetivo era parodiar os esterótipos homossexuais enraizados em muitos dos seus colegas. A personagem serviria igualmente de protótipo para Estrela Polar, um dos membros fundadores da Tropa Alfa (ver texto anterior). Ainda durante este período, Byrne publicou a sua primeira banda desenhada, ACA Comix #1.
     Três anos volvidos, Byrne abandonaria a escola de arte e design sem terminar o curso. No início de 1974 debutaria no circuito profissional dos comics através de uma pequena participação numa edição promocional da Marvel intitulada Foom. No verão desse ano assumiria a arte de uma estória de duas páginas publicada no nº 20 da revista de terror a preto e branco Nightmare, editada pela Skywald Publications. Passando de seguida a trabalhar como freelancer para a Charlton Comics. Foi ao serviço dessa editora que se estreou a desenhar um título colorido, E-Man. Para o qual criaria Rog-2000, um herói robótico cujas aventuras chegaram a ser escritas por Roger Stern e Bob Layton, e que se tornaria uma personagem emblemática da Charlton.
     Algum tempo depois, o trabalho desenvolvido por Byrne na Charlton chamou a atenção do escritor Chris Claremont, que o aliciou a desenhar uma das suas histórias. A oportunidade propiciar-se-ia quando, num inesperado golpe de asa do destino, o ilustrador encarregue da arte de Iron Fist falhou o seu prazo de entrega e a vaga foi oferecida a Byrne. Agradados pela qualidade do seu trabalho, os mandachuvas da Marvel oferecer-lhe-iam um lugar a tempo inteiro como desenhador. Em consequência disso, viu-se obrigado a deixar a Charlton por forma a poder concentrar-se exclusivamente nas empreitadas que lhe eram adjudicadas pelos seus novos empregadores.

John Byrne numa foto tirada em finais dos anos 1980.
    Demorou pouco para que Byrne começasse a desenhar títulos regulares, como The Champions e Marvel Team-Up. Neste último assumiria pela primeira vez a arte de uma história dos X-Men. Em vários números  subsequentes da série fez dupla com Chris Claremont. O mesmo sucedendo no título a preto e branco Marvel Preview, onde pontificava Star-Lord (futuro líder dos Guardiões da Galáxia).
     A sinergia de Chris Claremont e John Byrne que revolucionaria os heróis mutantes mais famosos do planeta principiou em dezembro de 1977, em X-Men #108. Arcos de histórias como Saga da Fénix Negra ou Dias de um Futuro Esquecido valeram-lhes o reconhecimento dos fãs e da crítica, guindando-os ao Olimpo da 9ª arte. Por insistência de Byrne, o seu patrício Wolverine continuou a marcar presença nas aventuras dos Filhos do Átomo. Facto que contribuiria inapelavelmente para a estratosférica popularidade daquela que é, ainda hoje, uma das figuras de proa do Universo Marvel.
      A partir de X-Men #114, Byrne passaria a acumular as funções de coargumentista com as de ilustrador. Foi, aliás, nessa dupla condição que deu o seu contributo na produção daquela que é quase unanimemente considerada uma das melhores histórias aos quadradinhos de todos os tempos: a Saga da Fénix Negra (The Dark Phoenix Saga no original). Chegando ao ponto de haver quem a compare com a Galactus Trilogy, da autoria de Stan Lee e Jack Kirby.

Capa de The Uncanny X-Men #135 (1980) pelo traço de John Byrne.

     Durante a sua passagem por X-Men, Byrne criou a nova benjamim da equipa, Kitty Pryde (vulgo Ninfa, posteriormente rebatizada de Lince Negra), o vilão Proteus (notabilizado também como Mutante X) e, claro, o grupo de superseres seus conterrâneos: a Tropa Alfa. Quando, em março de 1981, Byrne abandonou a série regular dos Filhos do Átomo, a periodicidade desta deixara de ser bimestral para passar a mensal devido ao pico de vendas, que se manteve por muito tempo após a saída do ilustrador canadiano.
   Do portefólio de John Byrne ao serviço da Casa das Ideias, no período pós-X-Men, destaca-se o quinquénio (1981-86) em que tomou em mãos Fantastic Four. Sob a sua batuta, o título viveu uma segunda idade do ouro, com Byrne a introduzir alterações importantes naquela que é uma das mais antigas e emblemáticas equipas de super-heróis na história da banda desenhada. Além da substituição do Coisa pela Mulher-Hulk (personagem cujas aventuras a solo Byrne também escreveria), os leitores puderam testemunhar a transformação da Mulher Invisível no elemento mais poderoso do grupo e o controverso romance entre o Tocha Humana e Alicia Masters (namorada de longa data do seu colega de equipa Ben Grimm).

Com Byrne à frente da série, Fantastic Four viveu novo período áureo.
     Pelo meio Byrne teve ainda tempo para criar a Tropa Alfa. Malgrado o bom desempenho comercial do novo título (meio milhão de exemplares vendidos da primeira edição), Byrne considerava-o pouco divertido e as personagens insípidas. Isto apesar de um dos integrantes da Tropa Alfa, Estrela Polar, se ter tornado o primeiro herói assumidamente gay da Marvel. A sua homossexualidade só seria, contudo,  abordada abertamente enquanto Byrne esteve à frente dos destinos da série.

A Tropa Alfa foi a principal criação de Byrne para a Marvel.
 
     Invocando cansaço criativo e questões de política interna, Byrne deixou Fantastic Four no verão de 1986 Depois de uma fugaz passagem por The Incredible Hulk (do qual escreveria e desenharia apenas 5 números), transferiu-se para a DC.
     Esta não foi, todavia, a sua primeira experiência na Editora das Lendas. No início da década de 1980, aproveitando um ínterim de três meses durante os quais esteve desvinculado contratualmente da Marvel, Byrne concretizou o seu velho sonho de desenhar o Cavaleiro das Trevas, assumindo a arte do primeiro capítulo da minissérie The Untold Legend of the Batman.
    Naquela que foi, portanto, a sua segunda passagem pela DC, Byrne foi incumbido de revitalizar a mitologia do Super-Homem pós-Crise nas Infinitas Terras. Pela mão do desenhador canadiano, o Homem de Aço foi humanizado, vendo significativamente reduzido o seu nível de poder. Trabalho que teve eco fora da indústria dos comics, sendo inclusivamente objeto de reportagem em dois dos mais circunspetos tabloides nova-iorquinos, o Times e o The New York Times.
     A origem e os primórdios da carreira heroica da versão de Byrne do Último Filho de Krypton (epíteto a que Kal-El fazia agora jus devido à eliminação de outros sobreviventes do seu mundo natal) foram apresentados na minissérie The Man of Steel (julho a setembro de 1986). Com a particularidade de Byrne ter produzido duas capas diferentes para o primeiro número da dita. Inaugurando assim a moda das capas variantes, tão voga ainda nos dias que correm.

Man of Steel #1 (1986) lançou a moda das capas variantes.

     Entre as várias alterações introduzidas na mitologia e na personalidade do Homem de Aço, avulta o facto de, nesta nova versão, os seus poderes só se terem começado a manifestar na adolescência e de ele só se ter revelado ao mundo já adulto. Inviabilizando desse modo a existência de um Superboy. Outros elementos clássicos, como a Fortaleza da Solidão e Krypto (o supercão que servia de mascote à versão juvenil do Super-Homem) foram igualmente suprimidos. Em contrapartida, os pais adotivos do herói foram mantidos vivos. Também o seu alter-ego, o acanhado repórter Clark Kent, viu a sua personalidade retocada, convertendo-se num indivíduo mais confiante e extrovertido.
    Ao mesmo tempo que escrevia e desenhava dois títulos mensais do Super-Homem (Superman e Action Comics), Byrne ilustrou os seis números da minissérie Legends. Em 1988, ano em que se assinalou o cinquentenário da criação do herói kryptoniano, Byrne colaborou em mais um punhado de projetos alusivos a essa efeméride: The World of Krypton, The World of Metropolis e The World of Smallville (respetivamente, O Mundo de Krypton, O Mundo de Metrópolis e O Mundo de Smallville, todos editados no Brasil pela Abril).
    Apesar  do sucesso do renovado Homem de Aço, Byrne acabaria por abandonar os seus títulos ao cabo de dois anos, descontente com uma alegada falta de apoio por parte dos responsáveis da DC. Saber-se-ia posteriormente que, na base do diferendo entre o desenhador e a editora, esteve o facto de a versão do Super-Homem licenciada para merchandising ser contrária àquela que fora burilada por Byrne na banda desenhada. Não obstante, muitos dos elementos introduzidos por Byrne na mitologia do herói kryptoniano não só continuam a ser usados no atual Universo DC, como influenciaram adaptações suas ao pequeno e grande ecrãs. Exemplos disso são as duas últimas incursões cinematográficas do Último Filho de Krypton: Superman Returns (2006) e Man of Steel (2013). No primeiro, a cena em que o Super-Homem resgata Lois Lane e demais passageiros de um avião prestes a despenhar-se é decalcada do desastroso voo inaugural de um vaivém espacial retratado na já referida minissérie Man of Steel. Sendo, por outro lado, óbvia a referência à mesma no título escolhido para a mais recente longa-metragem estrelada pela personagem criada por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938.
    Qual filho pródigo que a casa torna, Byrne regressou de seguida à Marvel. Desde meados de 1986 que, num projeto apadrinhado pelo à época seu editor-chefe Jim Shooter, a Casa das Ideias vinha publicando uma nova linha de títulos ambientados fora da continuidade oficial da editora, o chamado Novo Universo. No ano seguinte, já com Tom DeFalco no lugar de Shooter, Byrne foi convidado a assumir os argumentos e a arte de Star Brand (conhecido entre os leitores lusófonos que acompanharam as sua aventuras publicadas em Força Psi da Abril, como Estigma, a Marca da Estrela). Após o cancelamento da série, Byrne transitou para  Avengers West Coast (Vingadores da Costa Oeste), onde reformulou a origem para o Visão.
    A pedido de Mark Gruenwald (antigo argumentista da Mulher-Hulk), em 1989 John Byrne assumiu The Sensational She-Hulk, o segundo título a solo da Amazona de Jade. Com um refrescante registo humorístico, as aventuras da prima do Hulk fizeram as delícias dos leitores. Byrne seria, todavia, afastado da série depois de apenas oito edições publicadas. Na génese desse afastamento estiveram presumíveis divergências com a sua editora, Bobbie Chase. Byrne reassumiria ainda assim o título, a partir do seu 31º número, já com Renée Witterstaetter como sua editora.

Byrne carregado em ombros pela Mulher-Hulk em The Sensational She-Hulk #131.

   Em abril de 1990, Byrne inaugurou Namor, The Sub-Mariner, a nova série mensal do Príncipe Submarino. Tendo as 25 primeiras edições sido escritas e desenhadas pelo canadiano, altura em que a arte ficou a cargo de Jae Lee. Meses depois, Byrne começaria a escrever as histórias do Homem de Ferro. Deixando também aí a sua marca ao ser o primeiro argumentista a retocar a origem da personagem concebida em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby. De caminho ainda restituiu ao Mandarim o estatuto de principal némesis do herói blindado.
    Em meados da década de 1990, em linha com a tendência inaugurada pela ascensão de licenciadoras independentes como a Image Comics, Byrne criou material original próprio a ser editado pela Dark Horse Comics. Next Men deu a conhecer aos leitores a história de cinco jovens meta-humanos que eram o resultado de uma experimento militar ultrassecreto. Byrne incutiu na série um registo mais realístico e sombrio do que em qualquer um dos seus anteriores trabalhos. Tendo sido o seu projeto com maior visibilidade, não foi, porém, o único a ser criado nesse âmbito. A par de Next Men, Byrne deu também a conhecer Babe e Danger Unlimited, títulos vocacionados para um público adulto.

Next Men, o mais bem sucedido projeto independente de Byrne.
     Nos anos mais recentes, Byrne tem escrito e ilustrado uma panóplia de títulos da Marvel, DC e de outras editoras. Dentre os seus trabalhos mais ovacionados ressaltam Wonder Woman (com Byrne a elevar a Princesa Amazona ao estatuto de divindade), Spider-Man: Chapter One (série especial em que revisitou algumas das primeiras aventuras do Escalador de Paredes) e várias minisséries baseadas no universo de Star Trek publicadas com a chancela da IDW.
    Durante 15 anos, John Byrne foi casado com a fotógrafa e atriz Andrea Braun, que tinha um filho de uma anterior relação. O rapaz, de quem Byrne se tornou padastro quando ele tinha 13 anos de idade, era ninguém menos do que Kieron Dwyer, um dos mais versáteis e requisitados profissionais atualmente no ativo na indústria dos quadradinhos. Embora tenham vivido juntos apenas por um curto período de tempo, Byrne sempre encorajou o enteado a procurar cumprir as suas aspirações como cartunista. Foi, aliás, graças aos seus contactos que Dwyer conseguiu o seu primeiro trabalho, ilustrando Batman #413, em novembro de 1987.
 
Paródia de Byrne a uma das mais icónicas capas de Fantastic Four.

Prémios e controvérsias: Mercê da sua vetusta e prolixa carreira de iconoclasta, Jonh Byrne foi em múltiplas ocasiões agraciado com prémios e distinções. No seu impressionante currículo sobressaem, por exemplo, dois Eagle Awards para Melhor Artista de Banda Desenhada (conquistados em 1978 e 1979), um Inkpot Award (1980) e um Squiddy Award Para Melhor Ilustrador (1993). Em 2008, Byrne foi nomeado para o Joe Shuster Canadian Comic Book Creator Award (prémio anual criado em homenagem ao cocriador do Super-Homem e que serve para distinguir os maiores talentos em diversas categorias).
    Em paralelo com os prémios e distinções, John Byrne colecionou igualmente controvérsias. A mais antiga e célebre das quais remonta a 1981. Ano em que Jack Kirby começou a falar publicamente sobre a sua crença de que teria sido espoliado dos créditos e lucros decorrentes das inúmeras personagens que concebeu ao longo dos anos para a Marvel.  Em resposta a estas denúncias, Byrne escreveu um polémico editorial, no qual se afirmava orgulhoso da sua condição de mero obreiro na indústria dos comics. Argumentando de permeio que todos os criadores deveriam seguir as regras das companhias para as quais trabalhavam. Tomada de posição que lhe valeu ser satirizado por Kirby e Steve Gerber, numa paródia intitulada Destroyer Duck. Nela pontificava uma personagem a que deram o nome de Booster Cogburn, que pretendia retratar Byrne. Sendo a mesma descrita como uma criatura invertebrada que vivia apenas para servir a gigantesca corporação da qual era, literalmente, pertença.
   No ano seguinte, quando participava num painel de discussão na Dallas Fantasy Fair, Byrne voltou a melindrar suscetibilidades ao tecer considerações pouco simpáticas relativamente a Roy Thomas, veterano escritor de banda desenhada e em tempos editor-chefe da Marvel. Em consequência deste episódio, Thomas ameaçou processar Byrne a menos que este se retratasse publicamente. O que o artista canadiano faria através de uma carta publicada num jornal especializado em assuntos da 9ª arte.
  Quase uma década depois, em 1990, foi a vez de Erik Larsen criar um vilão, Johnny Readbeard (Joãozinho Barba Ruiva, numa clara alusão à tonalidade capilar de Byrne), com o intuito de parodiar o seu colega canadiano. Figurando em algumas histórias de Savage Dragon e Freak Force (títulos produzidos por Larsen para a Image Comics), Johnny Redbeard exibia um crânio enorme carregado por uns membros atrofiados e podia conceder superpoderes a quem lhe desse na real gana.

Caricatura de Byrne da autoria do próprio.
  Além dos já citados, outros nomes sonantes do meio com quem em algum momento Byrne se incompatibilizou foram: Peter David, Marv Wolfman, Jim Shooter e Joe Quesada.
    Gail Simone, que trabalhou em 2006 com Byrne em The All New Atom, descreve o colega nos seguintes termos: "John é muito opinativo. Essa é uma característica comum a muitos artistas e eu não tenho problemas com ela. Honestamente, considero que ele é brilhante e que a sua personalidade vincada contribui para esse brilhantismo".  Análise que parece ser corroborada pelo próprio Byrne que se autodefine como alguém "sem paciência para aturar idiotas".
   Polémicas e traços de personalidade à parte, John Byrne há muito conquistou o direito a figurar no panteão da 9ª arte, a bem da qual se espera que continue a presentear-nos com o seu extraordinário talento por muito e bom tempo.