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quarta-feira, 25 de março de 2015

HERÓIS EM AÇÃO: PANTERA NEGRA


  Personificação do Espírito da Pantera, T'Challa foi preparado desde o berço para ser o monarca de Wakanda. Primeiro herói negro na era moderna dos quadradinhos, notabilizou-se ao serviço dos Vingadores e será uma das próximas personagens da Casa das Ideias a ganhar vida no cinema. 

Nome original: Black Panther
Primeira aparição: Fantastic Four #52 (julho de 1966)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: T'Challa (convencionou-se que o T do seu nome é mudo)
Lugar de nascimento: Wakanda (minúsculo reino fictício localizado no coração da África)
Parentes conhecidos: Chanda e Nanali (avós paternos falecidos); T'Chaka e N'Yami (pais falecidos); Ramonda (madrasta); S'Yan (tio falecido); Hunter (irmão adotivo); Shuri e Jakarra (meios-irmãos); Ororo Munroe (ex-esposa)
Afiliação: Ex-membro dos Vingadores, do Quarteto Fantástico, dos Defensores e dos Vingadores Secretos (durante a saga  Guerra Civil). Atual integrante dos Illuminati, patrocina também os Mutantes Sem Fronteiras.
Base de operações: Necrópolis, Wakanda (Nova Iorque durante a sua passagem pelos Vingadores e quando substituiu o Demolidor)

A estreia do Pantera Negra em Fantastic Four nº52 (1966).

Armas, poderes e habilidades: Na hierarquia do Clã Pantera que há séculos governa Wakanda, o título máximo a que algum dos seus membros poderá aspirar é o de Pantera Negra. Quando é encontrado um herdeiro condigno dessa nobre linhagem africana, ele tem de comer uma erva em forma de coração. A qual, além de um vínculo místico com o deus Pantera, lhe concederá capacidades sobre-humanas. T'Challa possui, portanto, força, velocidade, resistência, reflexos e agilidade muito superiores aos de um humano comum. À semelhança do felino que inspirou o seu nome, o Pantera Negra dispõe igualmente de sentidos apurados. Entre outras coisas, ele consegue farejar o cheiro de uma presa à distância e memorizar dezenas de outros.
   Enquanto monarca de Wakanda, o Pantera Negra tem acesso a uma panóplia de artefactos místicos, assim como à mais sofisticada tecnologia civil e militar. Ainda nessa qualidade, o herói enverga um uniforme confecionado à base de vibranium (metal fictício que representa a principal fonte de riqueza de Wakanda), que mais não é do que um traje cerimonial do Culto da Pantera. Entre as várias funcionalidades da indumentária (adornada por vezes com um manto) destaca-se a cota de micro-ondas capaz de travar em pleno ar qualquer projétil disparada no direção do seu usuário. Com o tempo, a tecnologia da veste foi sendo aprimorada. Hoje, além de um dispositivo de teletransporte incorporado, inclui também adagas energéticas, garras retráteis de vibranium e botas especiais que, entre outras coisas, permitem ao Pantera Negra escalar paredes, deslizar sobre a água e aterrar sempre de pé, como um gato.
   Treinado desde tenra idade para ser o guerreiro supremo do seu povo, T'Challa é um exímio caçador, rastreador, estratega, político e cientista. Senhor de uma das mais fulgurantes mentes do planeta, o soberano de Wakanda possui  um doutoramento em Física pela Universidade de Oxford. Sendo esse conhecimento académico complementado pela sabedoria ancestral que lhe foi transmitida pelos seus antepassados.
   Perito em diversas artes marciais, T'Challa é um atleta e acrobata de nível olímpico. Tempos atrás, ele perdeu o seu vínculo místico com o deus Pantera. Forjou então nova conexão com uma divindade felina desconhecida de quem se tornou seu avatar. Em resultado disso, viu os seus atributos físicos amplificados, assim como a sua resistência à magia.

Um herói com muitos recursos.

Conceção:  O nome Pantera Negra é anterior à fundação, em 1966, do partido político homónimo que, nas décadas de 60 e 70 do século XX, adotou métodos radicais na luta pelos direitos cívicos dos negros nos EUA. O mesmo não se verificando relativamente ao logotipo dos Panteras Negras, o lendário regimento militar composto exclusivamente por afro-americanos que, durante a II Guerra Mundial e numa época em que vigorava ainda o segregacionismo racial nas forças armadas estadunidenses, combateu corajosamente pela Liberdade.
  Historicamente, o Pantera Negra foi, de facto, o primeiro super-herói negro nos quadradinhos mainstream, e o primeiro a possuir superpoderes. Antes dele, as personagens de cor eram, invariavelmente, caricaturadas. As únicas exceções foram Waku, o Príncipe de Bantu e Lobo. O primeiro protagonizou, em 1947, uma edição especial intitulada All-Negro Comics na série Jungle Tales publicada pela Atlas Comics (uma das predecessoras da Marvel); o segundo foi o primeiro herói negro a estrelar um título próprio sob a égide da Dell Comics Western.
   Considerando estes factos, é notório o forte pendor político inerente à conceção do Pantera Negra, num contexto de afirmação social e cultural dos afro-americanos.

Símbolo africano.

Histórico de publicação: Após a sua estreia nas páginas de Fantastic Four #52-53 (julho e agosto de 1966), da subsequente participação especial em Fantastic Four Annual #5 (1967) e ao lado do Capitão América em Tales of Suspense #97-99 (janeiro a março de 1968), o Pantera Negra viajou do coração de África para Nova Iorque, para reforçar as fileiras dos Vingadores. Facto ocorrido em maio de 1968, em The Avengers #52, título onde marcaria presença nos anos que se seguiram.
   Durante a sua passagem pelos Vingadores, o Pantera Negra fez uma aparição a solo em três edições de Daredevil e enfrentou o Doutor Destino em Astonishing Tales #6-7 (julho e agosto de 1971). Saliente-se que este último título, de curta longevidade, tinha a particularidade de ser estrelado por vilões do Universo Marvel.

Em The Avengers nº52 (1968), o Pantera Negra viveu a sua primeira aventura ao lado dos Vingadores. Usava então uma máscara em forma de capuz que logo desapareceria.

  Em fevereiro de 1972, o herói africano regressaria fugazmente às páginas de Fantastic Four. Período durante o qual se autodenominou Leopardo Negro (Black Leopard, no original) a fim de evitar ser conotado com o já citado Partido dos Panteras Negras.
  No ano seguinte, o Pantera Negra teve direito a um arco de histórias próprio em  Jungle Action. Facto que se repetiria entre janeiro e novembro de 1976, nos números 19 a 24 do referido título. A inclusão do Ku Klux Klan no enredo foi controversa, criando sérias dificuldades à respetiva equipa criativa.
  Embora popular entre os estudantes universitários norte-americanos, as vendas de Jungle Action eram baixas. Receando estar a subaproveitar a personagem, os editores da Marvel acharam por bem conceder um título próprio ao Pantera Negra. E para que este fosse um sucesso, convocaram ninguém menos que o seu cocriador, Jack Kirby, para assumi-lo. Recém-regressado à Casa das Ideias após uma estada na Distinta Concorrência, o Rei estava, contudo, pouco interessado em trabalhar com uma personagem que nada tinha de novo para si. Tomando, portanto, a contragosto as rédeas do neófito Black Panther. Quando, depois de ter produzido somente uma dúzia de números, Kirby abandonou a série, ninguém ficou propriamente surpreendido. A saída do Rei sentenciaria, porém, à morte o primeiro título autónomo do Pantera Negra, que resistiu apenas mais um trimestre.
   Entre 1988 e 2009 sucederam-se as tentativas, mais ou menos bem-sucedidas, de relançamento de Black Panther. Pelas suas páginas desfilaram escritores e artistas consagrados, como Gene Colan ou John Romita, Jr. Ao longo desses 21 anos, o Pantera Negra foi sofrendo algumas alterações, ganhou novos coadjuvantes e deixou gradualmente de ter como público-alvo os leitores afro-americanos. O herói fez também parte de equipas como o Quarteto Fantástico, Defensores e Vingadores Sombrios.
  A convite de Matt Murdock (identidade civil do Demolidor), em 2011 o Pantera Negra concordou em tornar-se o novo protetor do problemático bairro nova-iorquino conhecido como Cozinha do Inferno. Daí resultando a renomeação da série Daredevil, que, a partir do seu 513º número, passou a chegar às bancas como Black Panther: The Man Without Fear. 

Antes de ganhar um título próprio, o Pantera Negra passou pelas páginas de Jungle Action.

Biografia: Num passado distante, um meteorito feito do estranho metal que, anos depois, se convencionou chamar vibranium, despenhou-se em Wakanda. Nunca desenterrado, o meteorito disseminou o vibranium pelo subsolo do pequeno reino africano. Temendo a ação depredatória exercida sobre os recursos naturais wakandianos por rapinadores estrangeiros, T'Chaka, à semelhança de todos os anteriores Panteras Negras, optou pelo isolacionismo.
  Anos depois, o soberano wakandiano viu a sua esposa, N'Yami, morrer durante o parto do seu primogénito, T'Challa. Com este a ser culpado da tragédia pelo seu irmão adotivo, Hunter.
  Casado entretanto em segundas núpcias com Ramonda, T'Chaka viu-a abandonar a sua família para regressar à sua África do Sul natal. Com apenas oito anos de idade, o pequeno T'Challa viu-se, assim, privado pela segunda vez de uma figura materna. Tendo sido, portanto, educado quase em exclusivo pelo seu pai. Este seria, todavia, assassinado quando T'Challa mal atingira a puberdade. Por causa do vibranium, T'Chaka foi morto às mãos de Ulysses Klaw, filho de um criminoso nazi.
   Sedento de vingança e com o seu povo ainda em perigo, o jovem T'Challa usou contra Klaw a mesma arma sónica que este usara para tirar a vida ao seu progenitor. Com a mão direita decepada, o vilão e o seus asseclas bateram em retirada.
   Primeiro na linha de sucessão ao trono wakandiano e ao título de Pantera Negra, T'Challa não estava ainda preparado para assumir essas funções. Cabendo assim ao seu tio S'Yan (irmão mais novo do malogrado T'Chaka) fazê-lo. Não sem antes se submeter aos exigentes desafios para provar ser digno de se tornar o avatar do deus Pantera.
   Enquanto realizava uma longa jornada inserida nos seus ritos de passagem, T'Challa cruzou-se com Ororo Munroe, a órfã mutante que, anos depois, se tornaria a X-Man Tempestade. O casal apaixonou-se, mas o incipiente romance foi interrompido devido à obstinação de T'Challa em honrar a memória do seu pai. Antes de se separarem, os dois prometeram, contudo, tudo fazerem para manterem contacto. Ficava assim suspensa uma história de amor cujos capítulos finais só seriam escritos muitos anos depois, quando T'Challa desposou Ororo, fazendo dela sua rainha consorte.

T'Challa e Ororo: destinos entrelaçados.
   Após levar de vencida os campeões das diversas tribos wakandianas, T'Challa conquistou o direito a ser investido do poder do deus Pantera. Um dos seus primeiros atos oficiais consistiu em ordenar o desmantelamento da polícia política do reino (responsável por inúmeras arbitrariedades), e o exílio do seu sádico intendente: Hunter, o seu irmão adotivo.
   T'Challa decidiu também vender pequenas quantidades de vibranium a instituições científicas de vários pontos do globo, acumulando dessa forma uma fortuna que usou de seguida para adquirir tecnologia de ponta para o seu país. Para apaziguar as tensões entre as tribos rivais, o novo soberano recrutou alguns dos seus mais valorosos mancebos para a sua guarda pessoal, e algumas das suas mais formosas raparigas para o seu harém. Do qual, de acordo com a tradição, deveria sair a sua futura esposa.
  Ansioso por descobrir o mundo e por ampliar os seus conhecimentos, T'Challa foi estudar para o estrangeiro durante uma temporada.  Em Oxford obteve um doutoramento em Física, sobressaindo pela sua genialidade e empenho.
  Quando regressou a Wakanda, já adulto, T'Challa convidou o Quarteto Fantástico a visitar o pequeno reino africano. Apenas para atacar e subjugar individualmente cada um dos elementos do grupo. Com este desafio, T'Challa queria testar as suas capacidades, certificando-se de que estaria pronto para defrontar Klaw. Este substituíra a sua mão amputada por uma devastadora arma sónica e clamava por vingança em relação ao novo Pantera Negra.
  Depois de apresentados os devidos esclarecimentos, o Quarteto Fantástico prontificou-se a ajudar o Pantera Negra a derrotar Klaw. Com o herói africano a retribuir a cortesia adjuvando o grupo na sua liça com o Homem Psíquico.
  Esses episódios espevitaram, no entanto, o espírito aventureiro de T'Challa. Tendo garantido paz e prosperidade aos seus súbditos, ele viaja para Nova Iorque, para se juntar aos Vingadores. Começando, assim, uma longa associação com os heróis mais poderosos da Terra. Período durante o qual se envolveu romanticamente com a cantora Monica Lynne.

Na savana africana ou na selva urbana, o Pantera Negra é adversário de respeito.

   Com Wakanda a ferro e fogo devido a uma sangrenta guerra civil,  o Pantera Negra viu-se forçado a abandonar os Vingadores e a regressar à terra dos seus antepassados. Fê-lo, contudo, na companhia de Monica Lynne.
  Restabelecida a paz em Wakanda, o Pantera Negra aventura-se no Sul dos EUA para combater o Ku Klux Klan. Seguindo depois para a África do Sul, numa demanda pela sua madrasta, onde choca de frente com as autoridades do apartheid. Pelo meio, T'Challa propõe casamento a Monica Lynne. Os dois ficam noivos, mas nunca chegam a unir-se pelos laços do matrimónio.
   Depois de ter ajudado a sua antiga paixão Ororo a reencontrar os membros remanescente da sua família no Quénia e nos EUA, T'Challa pediu a Rainha dos Ventos em casamento. Na sumptuosa cerimónia em que o casal trocou os seus votos nupciais, estiveram presentes muitos super-heróis. Quase sem tempo para desfrutarem da sua lua de mel, os monarcas wakandianos partiram numa missão diplomática quando já se adivinhava a eclosão de um conflito entre os defensores e os opositores do registo obrigatório de meta-humanos decretado pelas autoridades estadunidenses. Falhados os seus esforços diplomáticos, o casal aliou-se à fação liderada pelo Capitão América que se opunha à referida medida legislativa.

O casamento do Pantera Negra com Tempestade foi um dos mais grandiosos eventos da história da Marvel.

  Finda a Guerra Civil, T'Challa e Ororo ofereceram-se para substituir temporariamente Reed e Susan Richards no Quarteto Fantástico, casal que estivera em lados opostos da barricada durante a contenda.
  Deixando Ororo em Nova Iorque para que esta pudesse ajudar os seus camaradas X-Men, o Pantera Negra regressou sozinho a Wakanda. Na sua terra natal, enfrentou e derrotou novamente Erik Killmonger, o responsável pela guerra civil que devastara o reino anos atrás.
  Ainda mal refeito do esforço, o Pantera Negro é atacado pelas forças da Cabala, uma congregação secreta de supervilões a que pertencem, entre outros, Namor e o Dr. Destino. Deixado em estado comatoso, ao despertar, o soberano de Wakanda é forçado a passar o cetro à sua irmã Shuri.
   Além do trono, T'Challa perdeu também os seus poderes. Com o auxílio de um feiticeiro do reino, ele firma um pacto com uma divindade felina anónima. Em consequência disso, vê os seus atributos físicos amplificados e adquire uma resistência superior a ataques místicos.
   De volta à cidade que nunca dorme, o Pantera Negra concorda em tomar o lugar do Demolidor como guardião da Cozinha do Inferno. Para medir o pulso aos habitantes do bairro, assume a identidade de um imigrante proveniente da República Democrática do Congo e passa a gerenciar um modesto restaurante.
   Algum tempo depois, T'Challa retorna a Wakanda para acolitar a sua irmã, atual regente da pequena nação africana. Antecipando o perigo que paira sobre o reino, o deus Pantera restitui os poderes a T'Challa. Mas eles de nada valem quando, possesso pela Força Fénix, Namor empreende um ataque massivo contra Wakanda (eventos ocorridos na minissérie X-Men versus Avengers, já publicada no Brasil pela Panini Comics)
    Regressada para auxilar os sobreviventes da destruição, Ororo é surpreendida pelo anúncio do marido de que o casamento de ambos chegara ao fim. Na sua qualidade de sumo-sacerdote wakandiano, T'Challa decretara a nulidade da união. Decisão motivada tanto pela prolongada ausência de Ororo, como pelo facto de a catástrofe ter sido causada por um mutante.
   
Rei solitário.

Noutros media: A revista Wizard, especializada em comics e seu derivados, colocou o Pantera Negra na 71ª posição do seu ranking das cem melhores personagens da história dos quadradinhos. Por sua vez, o site IGN, atribuiu-lhe o 51º lugar numa tabela idêntica por ele organizada. Referindo-se ao herói africano como o Batman da Marvel. Não pelas semelhanças de visual, mas pelo caráter obstinado e pelos muitos recursos de que dispõe.
   Data de 1994, a primeira aparição televisiva do Pantera Negra. Aconteceu num episódio da série animada Fantastic Four, intitulado Prey of the Black Panther. Seguindo-se várias participações do herói, com maior ou menor relevo, em séries do género. Num episódio de The Avengers: Earth's Mightiest Heroes, foi apresentada a sua origem.

O Pantera Negra na série animada Fantastic Four (1994).

   Ainda sem direito a transposição para o grande ecrã, o Pantera Negra teve, contudo, papel de destaque em três filmes de animação produzidos pelos Estúdios Marvel: Ultimate Avengers 2 (2006), Next Avengers: Heroes of Tomorrow (2008) e Marvel Knights: Wolverine versus Sabretooth (2014). Todos eles foram lançados diretamente em DVD.
  Há mais de uma vintena de anos que circulam rumores sobre uma adaptação cinematográfica do Pantera Negra. Em junho de 1992, Wesley Snipes anunciou a intenção de fazer um filme baseado no herói. O tempo foi passando sem que o projeto saísse da gaveta. Snipes daria entretanto vida na grande tela a outro super-herói negro da Marvel: Blade, o Caçador de Vampiros, cujos três primeiros capítulos da franquia protagonizou.
  Por fim, em outubro de 2014, os Estúdios Marvel confirmaram oficialmente a produção de uma longa-metragem do Pantera Negra. Com estreia agendada para julho de 2018, a película insere-se na Fase III do universo cinemático da Casa Das Ideias. Segundo a mesma fonte, Chadwick Boseman (Dia de Treino) será o ator escolhido para encarnar o herói. O qual fará uma aparição preliminar, já no próximo ano, em Captain America: Civil War.

Chadwick Boseman Deauville 2014.jpg
Chadwick Boseman é o nome de que fala para interpretar o Pantera Negra.

sexta-feira, 6 de março de 2015

DO FUNDO DO BAÚ: «INFERNO»




  Nova Iorque infestada de demónios. Almas corrompidas. Rituais sacrificiais com recém-nascidos. Os portões do Inferno abertos de par em par numa saga dantesca com a assinatura de Chris Claremont.

Título original: Inferno
Ano: 1988/89
Licenciadora: Marvel Comics
Autores: Chris Claremont, Steve Engelhart, Gerry Conway, Ann Nocenti, Louise Simonson e David Michelinie (história); Walter Simonson, Jon Bogdanove e Terry Austin (arte)
Histórico de publicação (EUA): New Mutants #71-73; Uncanny X-Men #239-243; X-Factor #35-39; X-Terminators #1-4; Excalibur #6-7; Avengers #298-300; Daredevil #262,263 e 265; Power Pack #42-44; Cloak and Dagger (vol.3) #4; Fantastic Four #322-324; Spectacular Spider-Man #146-148; Web of Spider-Man #47-48; The Amazing Spider-Man #311-313; X-Factor Annual #4 (títulos publicados originalmente entre outubro de 1988 e agosto de 1989).

O nascimento de Nathan Summers anunciado em X-Men #241 (1989).
Histórico de publicação (Brasil): X-Men nº 46 a 49 (agosto a novembro de 1992) e Homem-Aranha nº 110 a 112 (agosto a outubro do mesmo ano). A interligação entre estes dois títulos da Abril (ambos referentes às respetivas primeiras séries lançadas pela editora) decorreu da possessão demoníaca que investiu o Duende Macabro (Hobgoblin em Inglês) de poderes sobrenaturais durante a saga. Finda a mesma, a entidade abandonaria o seu hospedeiro, transformando-se no Duende Demoníaco.

Um duende ainda mais macabro.

Equipas mutantes envolvidas:

* X-Men: À época formada por Cristal, Longshot, Destrutor, Wolverine, Vampira, Psylocke e Colossus, a equipa era liderada por Tempestade e operava a partir de uma base secreta localizada no deserto australiano. Para o mundo, os heróis mutantes estavam mortos, facto que lhes conferia uma vantagem tática;
*X-Factor: Designação adotada pelos X-Men fundadores (Ciclope, Anjo, Fera. Homem de Gelo e Garota Marvel) após o ressurgimento desta última;
*Novos Mutantes: Alunos do Instituto Xavier e potenciais X-Men do futuro, contavam nas suas fileiras com Míssil. Lupina, Mancha Solar, Miragem, Magia e Warlock. Durante a saga, a alienígena Gosamyr também colaborava com o grupo;
*Exterminadores: Rictor, Dinamite, Rusty, Skids e Taki Matsuya (ocasionalmente acompanhados por  Artie e Sanguessuga, dois pequenos mutantes)

 Novos Mutantes, uma das equipas X em destaque na saga.

Enredo: S'ym e Nastirth, dois hediondos demónios do Limbo, planeiam uma invasão em larga escala da Terra. Plano que tem em Illyana Rasputin (membro dos Novos Mutantes e irmã mais nova de Colossus) o seu principal instrumento, visto que o poder da jovem lhe permite abrir uma passagem entre o nosso mundo e a dimensão infernal.
   Durante uma curta paragem dos Novos Mutantes no Limbo, Nastirth conjura um feitiço bloqueador das habilidades de teletransporte de Illyana. Ficando assim a equipa à mercê de S'ym que, ansioso por consolidar o seu domínio sobre aquele reino dantesco, assumira o controlo das hordas demoníacas que o povoam.
  Manipulada por Nastirth, Illyana acede ao pedido deste para que liberte o seu poder demoníaco, pois somente dessa forma ela conseguirá regressar em segurança à Terra na companhia dos seus amigos. Quando a jovem abre um portal com ligação a Manhattan, Nastirth apressa-se a lançar um feitiço que o mantém aberto, permitindo assim a passagem do seu exército infernal. O que só se tornou possível graças ao supercomputador construído por Taki Matsuya (um dos Exterminadores), raptado tempos antes por Nastirth.



S'ym  (em cima) e Nastirth: duarquia infernal.

   Vingadores, Quarteto Fantástico, Quarteto Futuro, Homem-Aranha e Demolidor formam a primeira linha de defesa face à invasão, desbaratando um considerável número de demónios. Um dos quais possui o Duende Macabro, usando-o como hospedeiro e dotando-o de poderes sobrenaturais.
  Em meio ao caos e à loucura instalados, um pouco por toda a cidade objetos inanimados adquirem vida própria, atacando e devorando pessoas. Foi o que aconteceu com grande parte dos motoristas de autocarro de Manhattan, comidos pelos veículos que conduziam, ou sendo eles próprios transformados em medonhos demónios. No caso do metropolitano, todas as linhas em funcionamento passaram a ter o Inferno como destino final. Em ambos os casos, porém, os nova-iorquinos, enfeitiçados por Nastirth, continuam a usar voluntariamente esses meios de transporte no seu quotidiano.

Inferno na Terra.
   Nastirth sela entretanto um pacto com Madelyne Pryor: em troca da localização do seu filho Nathan e da morte dos Carrascos às mãos dos X-Men, o demónio reivindica a criação de uma ponte permanente entre o Limbo e a Terra. Para cumprir a sua parte no acordo, Nastirth invade e modifica o sistema informático utilizado pelos heróis mutantes, de modo a que estes o possam usar para localizar os Carrascos. De seguida, por intermédio de outro dos seus encantamentos,o demónio infunde os pupilos de Xavier de uma inaudita ferocidade, traduzida numa incontrolável sede de sangue.
  Tomando de assalto o reduto dos Carrascos, os X-Men chacinam a quase totalidade do contingente adversário. Graças à proteção conferida pelo aço orgânico que lhe recobre o corpo, apenas Colossus se mantém imune ao sortilégio que transformou os seus camaradas em assassinos de sangue frio.No entanto, ao interiorizar o que sucedeu à sua irmã, o mutante russo rapidamente conclui que a única forma de libertar os demais X-Men da perniciosa influência de Nastirth será salvá-la.
   Cumprindo a segunda parte do acordo entre ambos, Nastirth  liberta Nathan Summers do laboratório do Senhor Sinistro, onde Madelyne Pryor descobre ser, afinal, um clone de Jean Grey.
  Com o seu plano coroado de êxito, S'ym e Nastirth iniciam uma brutal disputa pelo comando das hordas demoníacas e, por inerência, pelo governo do Limbo e da Terra. Quando o primeiro estás prestes a levar a melhor, o segundo, numa jogada desesperada, permite ser infetado pelo Vírus Tecno-orgânico. Devido às alterações que este lhe induz no organismo, o demónio funde-se ao supercomputador criado por Taki Matsuya. Em consequência disso, Nastirth tem exponencialmente amplificados os seus poderes  mágicos, iniciado de seguida a construção de uma ponte permanente entre o Limbo e a Terra, sem a ajuda de Madelyne Pryor. Antes, porém, que o processo esteja terminado, Taki destrói a máquina. Reduzido a cinzas pela explosão daí resultante, Nastirth tem o seu organismo instantaneamente reconstituído pela ação do Vírus Tecno-orgânico.
  Entrementes, a muitos quilómetros de distância, Colossus encontra a sua irmã Illyana e fica horrorizado com a sua grotesca aparência. Tendo sucumbido totalmente ao seu lado demoníaco, a jovem apresenta-se agora com cornos, pés de cabra e uma cauda bífida. Envergonhada pela reação de repulsa que suscitou no irmão, Illyana voa para o Limbo disposta a pôr um ponto final no reinado infernal de S'ym e Nastirth na Terra. Bastará, para isso, que assuma o governo da dimensão maldita. É, contudo, dissuadida destes seus intentos pela sua colega de equipa, Lupina. Em vez disso, Illyana renuncia ao seu poder demoníaco, criando um gigantesco vórtice que arrasta a maior parte dos demónios (incluindo S'ym) de volta ao Limbo. De seguida,  a jovem mutante usa a sua Espada das Almas para selar o portal. Quando a poeira assenta, os Novos Mutantes encontram uma menina de sete anos dentro da armadura sobrenatural usada por Illyana.

Illyana Rasputin e a sua Espada de Almas.

  Apesar de as ações de Illyana terem resultado no banimento das hordas demoníacas para o Limbo, Nastirh permanece no nosso mundo e os objetos e pessoas possuídos não voltaram ao seu estado normal.
  Graças aos esforços combinados dos X-Men e do X-Factor, Nastirth é finalmente destruído. No entanto, Madelyne Pryor mantém ativo o feitiço conjurado pelo demónio enquanto ameaça matar o próprio filho num ritual sacrificial para reabrir o portal entre a Terra e o Limbo. Depois de ter forçado um vínculo telepático com Jean Grey, a autointitulada Rainha dos Duendes mostra à sua gémea o filme completo da sua vida, incluindo a descoberta feita no laboratório do Sr. Sinistro.
  Quando, depois de romperem as defesas místicas da Rainha dos Duendes, os X-Men e o X-Factor resgatam o pequeno Nathan, a vilã, movida pelo desejo de vingança, prepara-se para pôr termo à própria vida arrastando Jean Grey consigo. Todavia, numa amarga ironia, a centelha de poder da Força Fénix que lhe concedera vida transfere-se para o corpo de Jean, permitindo-lhe assim salvar-se. Com a morte de Madelyne, Nova-Iorque volta imediatamente à normalidade.
 Apesar disso, devido ao vínculo telepático que unira a mente de ambas, uma reminiscência da personalidade de Madelyne transfere-se para Jean, imbuindo-a de um desejo de vingança relativamente ao Sr. Sinistro, a quem culpa por todo o seu sofrimento. Aproveitando a ausência de Magneto para combater a invasão, o Sr. Sinistro apoderara-se do Instituto Xavier. Ciente da vinda dos X-Men e do X-Factor, o vilão espera que os heróis mutantes adentrem o edifício para, de seguida, detonar cargas explosivas. Embora soterradas, ambas as equipas saem ilesas. No final, Ciclope incinera o Sr. Sinistro com uma das suas devastadoras rajadas óticas. Ninguém acredita, contudo, que essa seja a última vez que terão de lidar com o vilão.
  A despeito de toda a destruição e morte causadas pelo Inferno, muitos sobreviventes humanos estão absolutamente convencidos de que tudo não passou de uma alucinação coletiva.

Mãe desnaturada.
Repercussões: Conquanto o seu escopo tenha abrangido diversas personagens do universo Marvel além dos X-Men e seus subsidiários, as consequências de Inferno refletiram-se essencialmente nos heróis mutantes envolvidos na saga. A saber:

* A revelação de que Madelyne Pryor era, de facto, um clone de Jean Grey produzido pelo Sr. Sinistro para obter o mutante perfeito através da mescla dos genomas de Ciclope e da Garota Marvel. Processo de que resultou o nascimento de Nathan Summers (o mutante futuramente notabilizado como Cable);
*A primeira evidência da real amplitude e perigosidade das maquinações do Sr. Sinistro (até então um vilão subestimado);
*O reencontro entre os X-Men e o X-Factor, afastados em virtude de um conjunto de mal-entendidos;
* A reversão de Illyana Rasputin para a idade de sete anos;
* A contaminação do Limbo pelo Vírus Tecno-orgânico;
* A dissolução dos Exterminadores, cuja maior parte dos membros transitou para os Novos Mutantes;
* A morte de Madelyne Pryor

Sequelas: Sob o título X-Infernus, entre fevereiro e maio de 2009, foi publicada nos EUA uma minissérie mensal em quatro fascículos, tendo como protagonista Magia (codinome entretanto adotado por Illyana Rasputin). Escrita por C.B. Cebulski e com esboços de Giuseppe Camuncoli, a história retrata os esforços de Colossus para resgatar a sua irmã do Limbo.
  Uma segunda sequela, Fall of the New Mutants, chegou às bancas norte-americanas um par de anos depois. Desta feita, o foco narrativo centrava-se no Projeto Purgatório, uma sigilosa operação governamental que consistia em usar mutantes recém-nascidos para abrir um portal de acesso ao Limbo. Objetivo: usar a dimensão infernal como base para um exército secreto. Uma vez mais, Illyana Rasputin foi uma peça-chave em toda a trama.

O regresso dos X-Men originais, agora como X-Factor.

Índice de boa leitura: 78%

   Em muitos aspetos, Inferno retrata os X-Men no seu pior: demasiadas personagens, demasiados enredos secundários, demasiadas pontas soltas. Mas essas são, por outro lado, algumas das idiossincrasias que tornam tão empolgantes as estórias dos Filhos do Átomo.
 Mercê do cariz burlesco da sua trama (objetos comuns transformados em demónios; demónios transformados em robôs; uma vilã seminua postada no cimo de um arranha-céus ameaçando sacrificar o seu próprio bebé), a saga converte-se a espaços ela própria numa divertida paródia  ao universo X.
 Numa análise mais aprofundada, Inferno poderá ser perspetivada como um repositório de tormentos pessoais, materializados nas consequências das escolhas e ações realizadas pelos seus principais protagonistas. Sendo o exemplo mais ilustrativo o de Madelyne Pryor, uma mulher despeitada devido ao facto de ter saído a perder do triângulo amoroso com Scott Summers e Jean Grey, formado após o regresso desta última ao mundo dos vivos. Como qualquer mulher nessa posição, Madelyne teve no desejo de vingança a sua força motriz. Todos os seus atos foram, pois, condicionados por esse sentimento tão pungentemente humano.

Um trágico triângulo amoroso.

  Qualquer empatia sentida pelos leitores relativamente à angústia de Madelyne (a par de Illyana Rasputin, uma das pedras angulares da trama) acaba, todavia, por desvanecer-se no desfecho da história, quando ela assume de bom grado os efeitos negativos decorrentes do poder de que foi imbuída.
  Vista desse ângulo, Inferno afigura-se, em certa medida, como uma sequela da Saga da Fénix Negra, escrita pelo mesmo Chris Claremont, quase uma década antes. Usando uma réplica perfeita de Jean Grey (até então sem grande importância na continuidade dos X-Men), Claremont revisita a questão de como reagiria a heroína mutante a uma súbita exposição a um poder desmesurado.
  Nesse sentido, Inferno surge quase como uma realidade alternativa onde é explorada a premissa do que aconteceria caso Jean Grey abdicasse da sua humanidade em prol do poder semidivino de que é portadora. Claremont tem, no entanto, o cuidado de não brindar os leitores com uma narrativa requentada, optando por promover o distanciamento emocional destes em relação à personagem.Que surge na trama investida da função de principal catalisador narrativo.
  Metódico como é seu apanágio, Claremont burilou a trama com a precisão e paciência de um cultivador de bonsais. As sementes para o clímax de Inferno foram sendo plantadas desde a primeira aparição de Madelyne Pryor, cerca de 80 edições antes. A colheita, essa, não podia ter sido mais auspiciosa.
 



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

HERÓIS EM AÇÃO: INVASORES



   Ao serviço da causa aliada nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, os Invasores foram decisivos para a capitulação das forças do Eixo e consequente triunfo da liberdade. Com a sua lenda a reverberar pelos esconsos labirintos da História, já este século o grupo foi revivido com o propósito de enfrentar ameaças menos óbvias, porém tão ou mais mortíferas do que as do passado.

Nome original do grupo:  The Invaders
Primeira aparição: The Avengers #71 (dezembro de 1969)
Criadores: Roy Thomas (história) e Sal Buscema (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Fundadores: Capitão América (Captain America), Bucky, Namor, o Príncipe Submarino (The Sub-Mariner), Tocha Humana original (The Human Torch) e Centelha (Toro)
Supletivos: Union Jack, Spitfire, Ciclone (Whizzer), Miss América, Escorpião de Prata (Silver Scorpion), Caveira Flamejante (Blazing Skull), além de vários outros heróis da Timely Comics (predecessora da Marvel Comics)
Formação atual: Capitão América, Namor, o Príncipe Submarino, Tocha Humana original e Soldado Invernal (Winter Soldier)
Base de operações: Nas suas primeiras aventuras. os Invasores usavam a Times Tower em Nova Iorque e a torre do relógio no Palácio de Westminster em Londres como bases de operações, sendo desconhecida a localização do seu atual quartel-general.

Retrato de família dos Invasores.

Histórico de publicação: Apesar de ter feito apenas um par de aparições entre 1946 e 1947, o All-Winners Squad (celebrizado como Esquadrão Vitorioso entre o público lusófono), equipa idealizada pelo editor Martin Goodman e pelo argumentista Bill Finger (ninguém menos que o não creditado cocriador de Batman), serviu de inspiração à dupla Roy Thomas/Sal Buscema para, em 1969, criarem os Invasores. Remontando à Idade do Ouro dos Quadradinhos, o Esquadrão Vitorioso era constituído pelos mesmos heróis que fariam parte dos Invasores, com a diferença de as suas aventuras serem ambientadas no pós-Segunda Guerra Mundial, coincidindo assim com sua data de publicação. Prefigurando os conflitos internos que caracterizariam, anos depois, o Quarteto Fantástico, o Esquadrão Vitorioso foi o primeiro coletivo heroico em que existiam notórias discordâncias entre os seus membros.

Esquadrão Vitorioso, o grupo da Idade do Ouro que serviu de inspiração aos Invasores.
   As primeiras aparições dos Invasores ocorreram sob a forma de flashbacks em histórias que faziam referência a antigas personagens da Timely Comics. Originalmente, a equipa era composta pelo Capitão América e seu parceiro juvenil Bucky, Namor, o Príncipe Submarino, e pelo androide Tocha Humana e respetivo adjunto adolescente Centelha. Antes de se reunirem, cada um deles combatia à sua maneira o Nazismo e as forças do Eixo nos campos de batalha da II Guerra Mundial. Passaram a atuar em conjunto por sugestão de Winston Churchill, cuja vida foi salva pelo quinteto. Deve-se também ao carismático antigo primeiro-ministro britânico o nome da equipa, uma vez que ele pretendia que os heróis realizassem operações em território inimigo.
    À medida que o conflito se desenrolava, os Invasores foram enfrentando as forças do Eixo um pouco por todo o mundo. Uma dessas missões levou-os à velha Albion, onde travaram conhecimento com o aristocrata inglês Lorde James Montgomery Falsworth. Tratava-se do primeiro Union Jack, herói patriótico que atuara na I Guerra Mundial, e que logo se uniu à equipa liderada pelo Capitão América. Algum tempo depois foi a vez de Brian e Jacqueline Folsworth (filhos de Lorde Folsworth) se juntarem aos Invasores. O primeiro dando continuidade ao legado de Union Jack, a segunda passando a operar sob o codinome Spitfire, após receber uma transfusão sanguínea do Tocha Humana que lhe concedeu supervelocidade. Outro velocista, Ciclone, seria entretanto recrutado para as fileiras do grupo. No qual posteriormente foram também incorporados a Miss América (espécie de mescla entre o Super-Homem e a Mulher-Maravilha), Caveira Flamejante (provável fonte de inspiração para o Motoqueiro Fantasma) e Escaravelho de Prata (uma temerária justiceira mascarada).

Os heróis britânicos Spitfire e Union Jack (em primeiro plano na imagem) reforçaram os Invasores.
  Sempre enfrentando uma panóplia de perigosas ameaças (incluindo a ocupação nazi da Atlântida e a ascensão da organização terrorista HIDRA), a maior provação dos Invasores surgiu, contudo, com a aparente morte do Capitão América e de Bucky em consequência da explosão de uma aeronave não tripulada, escassos meses antes do término do conflito (conforme descrito em The Avengers #4, de março de 1964).  Com o advento da paz, vários membros da equipa fundaram uma segunda encarnação do Esquadrão Vitorioso.
  Após uma breve passagem por The Avengers, em 1975 os Invasores estrelaram uma edição especial (Giant-Size Invaders #1) que serviu de prólogo ao lançamento, no final desse mesmo ano,  de The Invaders, a sua própria série regular. No seu auge de popularidade, o grupo teve também direito a um volume anual em 1977, dois anos antes do cancelamento do seu título mensal.

A estreia oficial dos Invasores em The Avengers #71 (1969).

Capa do número inaugural da série regular dos Invasores em 1975.

   Empurrados para o limbo do esquecimento durante um quarto de século, em 2004 os Invasores foram resgatados do fundo das águas turvas da memória. Também denominada Novos Invasores, a equipa fez a sua estreia em The Avengers vol.3 #82, numa história em quatro partes escrita por Chuck Austen. Na esteira da formação clássica, os Novos Invasores em breve trocariam as páginas do título dos Vingadores pelas do seu próprio. Com argumentos a cargo de Allan Jacobsen e arte de C.P. Smith, The New Invaders teve 11 edições publicadas (incluindo o nº0), entre agosto de 2004 e junho de 2005.
   Nesta sua versão moderna, os Invasores foram fundados pelo Secretário da Defesa norte-americano Dell Rusk (na verdade, um disfarce do Caveira Vermelha), sendo inicialmente compostos pelo Caveira Flamejante, Agente Americano (John Walker, o quinto Capitão América), Union Jack III e Tara (uma misteriosa jovem com poderes incandescentes, que viria a revelar-se uma espia ao serviço do Caveira). A este elenco juntar-se-ia entretanto o Tocha Humana original.
  Apesar de terem gorado os planos do seu falso benfeitor, os Novos Invasores testemunharam a aparente morte do Tocha Humana. Que, somada à traição de Tara, ditaria a dissolução precoce da equipa.
  No crossover  de 2007 Avengers/Invaders ( Vingadores & Invasores, minissérie em 6 fascículos publicada no Brasil pela Panini Comics dois anos depois), a equipa original (exceto Spitfire e Union Jack) foi trazida para a atualidade pelo vilão Desespero, então na posse do Cubo Cósmico. Acreditando tratarem-se de supersoldados nazis,  os Invasores confrontaram os Vingadores e os Thunderbolts, antes de embarcarem numa alucinante jornada através do fluxo temporal. No desfecho da saga, Centelha foi revivido pelo poder do Cubo Cósmico temporariamente adquirido por Bucky. Portando agora o escudo do Sentinela da Liberdade, o antigo parceiro do Capitão América liderou a terceira encarnação dos Invasores apresentada na minissérie Invaders Now, datada de setembro de 2010. Namor, o Príncipe Submarino, Tocha Humana, Centelha, Spitfire e Steve Rogers (o primeiro Capitão América) completavam o elenco da rediviva equipa, reunida pelo Visão original e por Union Jack para enfrentar uma terrível ameaça do passado.

Algumas das capas de Avengers/Invaders (2007), a minissérie que devolveu os Invasores à ribalta.
    Finalmente, em 2014, a Marvel Comics decidiu revitalizar os Invasores através do lançamento de uma nova série mensal escrita por James Robinson. Reduzidos agora a um quarteto (Capitão América, Soldado Invernal, Tocha Humana e Namor), os heróis do passado tentam adaptar-se à realidade dos novos tempos, em que os inimigos deixaram de ser movidos por causas ou ideologias,  e com os conflitos a deixarem os campos de batalha para se aninharem nas ruas das cidades.
    
Heróis atemporais.
Biografia: Com a entrada dos EUA na II Guerra Mundial em finais de 1941, na sequência da agressão nipónica em Pearl Harbor, um quinteto heroico composto pelo Capitão América, Bucky, Namor, Tocha Humana e Centelha uniu forças para contrariar os planos do Grande Mestre (Master Man no original), um meta-humano americano de ascendência germânica simpatizante da causa nazi que atentou contra a vida de Winston Churchill. Este ficou tão impressionado com os seus salvadores que os encorajou a manterem-se juntos como os Invasores. Desse dia em diante, o grupo passou a combater tanto as tropas do Eixo nos campos de batalha como os superagentes nazis que levavam a cabo ações de sabotagem nos países aliados.
   Pouco tempo após terem iniciado a sua carreira conjunta, os Invasores adotaram o Reino Unido como base de operações. Enquanto enfrentavam o vampiro conhecido como Barão Sangue (Baron Blood), o grupo cruzou-se com Lorde Montgomery Falsworth, o Union Jack original que se notabilizara na I Guerra Mundial. O herói britânico juntou-se à equipa, apenas para ser incapacitado pelo Barão Sangue depois de este lhe ter esmagado as pernas. Na esteira desse dramático episódio, Lorde Falsworth autorizou os Invasores a usarem a sua mansão e viu os seus dois filhos - Union Jack e Spitfire - reforçarem as fileiras dos Invasores.
   Regressada a solo norte-americano para combater a ameaça personificada pelo Super-Eixo (Super-Axis, homólogo nazi dos Invasores), a equipa ganhou dois novos membros: Ciclone e Miss América. Ambos tinham feito parte da Legião da Liberdade (Liberty Legion),  grupo de meta-humanos e justiceiros mascarados reunidos em 1942 por Bucky para combaterem os Invasores, então sob o domínio mental do Caveira Vermelha. A eles juntar-se-iam também, pouco tempo depois, o Caveira Flamejante e a Escorpião de Prata. Na reta final do conflito, um diversificado naipe de heróis e heroínas reforçaria as fileiras dos Invasores para uma decisiva ofensiva no coração do Terceiro Reich.
  Dentre as incontáveis ameaças com que os Invasores se depararam durante a II Guerra Mundial, destacaram-se os alienígenas conhecidos como Deuses das Estrelas, o vilão blindado Cavaleiro Teutónico e o Cruz de Ferro (Gods from the Stars, Teutonic Knight e Iron Cross, respetivamente).

Thor foi um aliado do Super-Eixo, o coletivo meta-humano ao serviço do 3ª Reich.
   Com o fim da guerra e a presumível morte dos seus companheiros Capitão América e Bucky, os demais Invasores refundaram o Esquadrão Vitorioso. Esse não seria, contudo, o derradeiro capítulo da história da lenda dos Invasores. Já este século, a equipa seria ressuscitada para, inadvertidamente, servir os sinistros desígnios do Caveira Vermelha. Fazendo-se passar pelo Secretário da Defesa dos EUA, o arqui-inimigo do Capitão América manobrou os novos Invasores com o objetivo de se apoderar da tecnologia bélica do Infiltrador, a sofisticada aeronave que servia de base de operações móvel à equipa. Graças, porém, ao supremo sacrifício do Tocha Humana, os planos do Caveira Vermelha foram por água abaixo.
   Sem Centelha e com Bucky agora a responder pelo nome de Soldado Invernal, a formação clássica dos Invasores regressou entretanto em grande estilo à ribalta. Se para ficar ou não, só o tempo o dirá.

Lendas do passado combatem ameaças do presente.
Noutros media: Resumem-se a duas participações em outras tantas séries animadas produzidas sob a égide da Marvel as aparições dos Invasores fora dos quadradinhos. A primeira verificou-se num arco de histórias intitulado Six Forgotten Warriors desenrolado ao longo de alguns episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98). Com uma formação ligeiramente diferente da clássica, a equipa incluía o Capitão América, Ciclone, Miss América, Destruidor e Black Marvel.
  Num episódio avulso de The Super Hero Squad Show (2009-11) com o título World War Witch, os primeiros Invasores (exceto Namor) ajudaram a Feiticeira Escarlate (acidentalmente enviada ao passado por Thanos) a frustrar os planos do Caveira Vermelha de lançar um míssil termonuclear sobre as forças aliadas.
   Em 2011, no filme Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger), os Invasores surgem mesclados ao conceito do Comando Selvagem (Howling Commnados) como uma unidade de elite comandada pelo Sentinela da Liberdade. A qual incluía ainda Bucky Barnes (usando um blusão estilizado a fazer lembrar o uniforme clássico da personagem na banda desenhada) e James Montgomery Falsworth, embora despojado do seu traje de Union Jack.

Combatentes da Liberdade.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

GALERIA DE VILÕES: SENHOR SINISTRO



   Na Inglaterra vitoriana, um excêntrico geneticista obcecado com as teorias darwinistas aceita tornar-se acólito de Apocalipse. Surgiu assim o Senhor Sinistro, cujo grau de poder e de perversidade fazem dele um dos mais temíveis arqui-inimigos dos X-Men.

Nome original da personagem: Mister Sinister
Primeira aparição: Uncanny X-Men #221 (setembro de 1987)
Criadores: Chris Claremont (história) e Marc Silvestri (arte)
Licenciadora: Marvel Comics 
Identidade civil: Nathaniel Essex
Local de nascimento: Londres, Reino Unido
Parentes conhecidos: Mary Essex (mãe), Rebecca Essex (esposa falecida), Adam Essex (filho falecido), Claudine Renko (filha clonada), N2, Hans, Xraven e Madelyne Prior (criações)
Filiação: Ex-membro do Projeto Arma X e da Academia Real das Ciências de Londres; líder e fundador dos Carrascos; líder dos Cavaleiros de Apocalipse;
Base de operações: O Sr. Sinistro tem à sua disposição uma vasta rede de bases secretas espalhadas pelo globo
Armas, poderes e habilidades: Em consequência da bioengenharia nele operada por Apocalipse, o Sr. Sinistro possui um amplo espectro de poderes e habilidades. Ao longo dos anos, o vilão tem também usado material genético de mutantes para obter  dons adicionais aos que lhe foram concedidos pelo seu mentor. Dentre esse impressionante cardápio destacam-se os seguintes:

- controlo molecular do seu corpo (permitindo-lhe assumir qualquer forma que desejar);
- fator de cura acelerada (graças ao qual regenera, quase instantaneamente, ossos quebrados ou tecidos orgânicos danificados);
- força, velocidade, resistência e durabilidade sobre-humanas;
- telepatia (a que recorre para projetar os seus pensamentos a distâncias consideráveis, bem como para controlar mentalmente outros indivíduos, quando na sua presença);
- telecinesia (que usa para levitar e manipular psionicamente pessoas, objetos e determinados tipos de energia);
- rajadas concussivas (que tanto podem ser disparadas pelas suas mãos, olhos ou pela marca em forma de diamante que lhe adorna a testa);
- campos de força (poderosos o suficiente para, quando erguidos pelo vilão, repelirem ataques de natureza diversa);
- imortalidade (embora relativa, esta característica advém da imunidade do Sr. Sinistro a doenças e aos efeitos do envelhecimento, somada ao seu fator de regeneração acelerada)

   Complementarmente a tudo isto, o Sr. Sinistro, além de um bem treinado combatente, possui um intelecto superior. Geneticista supremo, é igualmente um exímio cirurgião e engenheiro mecânico.

Um vilão saído de um pesadelo distorcido.


Fraquezas: Residem em alguns traços da sua personalidade as maiores fraquezas do Sr. Sinistro. Desprovido de emoções ou sentimentos, não olha a meios para atingir os seus fins. Assume-se, porém, em primeiro lugar, como um cientista apostado em criar condições para que a humanidade atinja todo o seu potencial. Razão pela qual, num punhado de ocasiões, se aliou aos heróis para neutralizar qualquer ameaça que prejudicasse esse desígnio.
   Arrogante e prepotente, espera sempre total obediência às suas diretivas. O que, obviamente, nem sempre acontece. Por desprezar o trabalho sujo, Sinistro prefere manobrar a partir das sombras. Facto que acaba frequentemente por comprometer os resultados dos seus maquiavélicos planos.

Planos sinistros de uma mente diabólica.

Histórico de publicação: Cansado de usar sempre Magneto, ora sozinho ora adjuvado pela sua Irmandade de Mutantes, como principal antagonista dos X-Men,  em meados dos anos 1980, o escritor Chris Claremont decidiu conceber um novo e poderoso vilão para as histórias dos Filhos do Átomo.
   Na sequência de diversas reuniões com Dave Cockrum (desenhador e cocriador de alguns dos X-Men de segunda geração, falecido em 2006), vingou a ideia de criar um vilão cuja aparência sinistra seria por si só suscetível de infundir medo aos seus oponentes. Um passado enigmático e um elevado nível de poder foram os outros dois ingredientes da receita que serviu de base à conceção daquela que se tornaria uma personagem ímpar nos meandros do Universo Marvel.
   A primeira referência ao Senhor Sinistro foi feita por Dentes-de-Sabre em Uncanny X-Men #219 (julho de 1987). No decurso da saga Mutant Massacre (Massacre dos Mutantes, publicado na 1ª série de X-Men da Abril), o estrante vilão foi identificado como o líder dos Carrascos (Marauders no original), a quem ordenara a chacina dos Morlocks que habitavam os túneis subterrâneos de Nova Iorque. Na edição seguinte, a X-Man Psylocke captaria telepaticamente uma imagem difusa do Sr. Sinistro na mente do Dentes-de-Sabre.
  Seria, no entanto, preciso esperar mais um mês para, nas páginas de Uncanny X-Men #221, Sinistro fazer enfim a sua triunfal primeira aparição.

A estreia de Sr. Sinistro não mereceu destaque na capa de Uncanny X-Men #221 (1987).

  Ainda com poucos detalhes conhecidos acerca da sua origem, Sinistro desempenharia um papel proeminente em Inferno (saga dos X-Men publicada originalmente no biénio 1988-89). Sendo então revelado que o vilão clonara Madelyne Pryor a partir de Jean Grey, com o propósito de que ela concebesse um filho em conjunto com Ciclope. Este, por sua vez, ficaria a saber que fora manipulado desde a infância por Sinistro.  
   No culminar de uma batalha travada com os X-Men e o X-Factor, o Sr. Sinistro seria aparentemente morto por uma rajada ótica de Ciclope.
    Sem grande surpresa o vilão, reapareceria, em 1992, nas páginas de X-Factor, determinado a infernizar a equipa de heróis mutantes composta pelos X-Men originais. Quatro anos volvidos, em 1996, a sua origem seria finalmente revelada em The Further Adventures of Cyclops and Phoenix (As Aventuras de Ciclope e Fénix, minissérie editada nesse mesmo ano no Brasil pela Abril). Dentre as várias revelações bombásticas vindas então a lume, destacava-se a descoberta de que o Sr. Sinistro seria na realidade um geneticista do século XIX que fizera um pacto com o mutante Apocalipse para se tornar virtualmente imortal. Foi igualmente convencionado que Sinistro criara Nathan Summers (o viajante temporal conhecido como Cable, filho de Ciclope e Madelyne Pryor) para derrubar Apocalipse.
   Já este século, foi também finalmente revelada a ligação existente entre o Sr. Sinistro e o antigo X-Man Gambit. Durante o Massacre dos Mutantes, o mutante francês fizera parte dos Carrascos, guiando-os através dos túneis subterrâneos até ao santuário dos Morlocks. Recebendo agora do seu ex-patrono o composto químico que neutralizava a mutação genética induzida pelos Skrulls como parte do seu plano de infiltração na Terra.

Antes de se unir aos X-Men, Gambit serviu o Sr. Sinisto.
   Depois de ter escapado uma vez mais à morte, transferindo a sua consciência e poderes para uma máquina que deveria garantir a sua ressurreição -  se não fosse pela sabotagem levada a cabo por Gambit e Sebastian Shaw -, o Sr. Sinistro desapareceu sem deixar rasto. No seu lugar surgiria então uma sua versão feminina. Crismada de Senhorita Sinistra (Miss Sinister em Inglês),  tratava-se na realidade de um clone produzido pelo vilão para dar  continuidade ao seu legado. Temporariamente usada como hospedeira do seu criador, a Senhorita Sinistra acabaria imolada para que ele ressuscitasse.

A Senhorita Sinistra teve vida curta.

   Adotando o visual de um aristocrata vitoriano,  nos últimos anos o Sr. Sinistro recuperou protagonismo no Universo Marvel. Durante o arco de histórias Avengers versus X-Men (Vingadores versus X-Men, minissérie publicada pela Panini Comics no Brasil em 2013) foi revelada a existência de uma cidadela subterrânea construída pelo vilão sob São Francisco. Habitada exclusivamente por clones do próprio, bem como de outros mutantes célebres, como Dentes-de-Sabre, Ciclope ou Mística, era uma réplica quase exata da Londres do século XIX, que  Sinistro considerava o expoente máximo de civilização. Tanto a cidadela como os seus habitantes seriam. contudo, incinerados pela Força Fénix, depois de Sinistro  ter tentado capturar a entidade para usar o seu imensurável poder em proveito próprio.
 Sobrevivendo ao desastre, Sinistro ressurgiu recentemente na Latvéria (nação fictícia governada pelo Doutor Destino), apostado em assenhorar-se das amostras genéticas de Loki em posse de Victor Von Doom. Objetivo: clonar o Deus da Trapaça para o usar como servo. Veria, no entanto, os seus planos frustrados pela intervenção de uma versão púbere do próprio Loki.

Nathaniel Essex (Earth-616) from Marvel War of Heroes 001
Primus inter pares.
      
Biografia: Devido ao seu envolvimento em assuntos relacionados com os mutantes, o Senhor Sinistro é frequentemente tomado por um. Tendo inclusivamente sido classificado como mutante de Nível Alfa, grau que preside à escala de poder dos homos superior. Trata-se, todavia, de um humano geneticamente modificado por intermédio de sofisticadas técnicas de bioengenharia.
  Quando criança, ao visitar uma das zonas abastadas de Londres, Nathaniel Essex ficou fascinado com o aspeto saudável e elegante dos transeuntes que por lá passeavam. Aos seus olhos tratavam-se de exemplos de pureza genética, predestinados a contribuírem para a evolução da humanidade.
  À medida que os anos passavam, crescia a sua obsessão pelas teorias evolucionistas de Charles Darwin. O jovem Essex considerava, no entanto, que o autor de A Origem das Espécies  estava demasiado espartilhado por princípios ético-morais. Por conseguinte, em 1859, recém-doutorado em Biologia, Essex apresentou à comunidade científica as suas revolucionárias teorias genéticas. Consistindo o seu maior sonho no aprimoramento da espécie humana por via da manipulação genética.
   Embora reconhecido  por muitos dos seus pares como o maior génio científico da sua geração, as teses de Essex foram consideradas excessivas e radicais. Fazendo dele um homem perigoso aos olhos de outros. Nada que o demovesse de aprofundar a sua pesquisa. A qual ganhou novo impulso após a morte do seu filho de quatro anos, Adam Essex, em resultado de diversas malformações congénitas, mormente ossos quebradiços e hemofilia.

Nathaniel Essex 0001
 Dr. Nathaniel Essex, um evolucionista radical. 
   Ateu convicto, Essex depositava uma fé cega nos postulados de Darwin, acreditando, com fervor religioso, que a humanidade se encontra em permanente mutação devido à ação do que ele designou por Fatores Essex no genoma dos homos sapien. Sustentava também que, na descendência de certos espécimes geneticamente superiores, esses elementos serviriam, no espaço de aproximadamente um século, de catalisadores para um enorme salto evolutivo em alguns ramos da espécie humana. Teses impiedosamente ridicularizadas pelos outros membros da Academia Real das Ciências. Instituição de que Essex seria banido após a descoberta de que realizara secretamente experiências pouco ortodoxas.
   Para aumentar ainda mais o vexame do cientista caído em desgraça, o próprio Darwin sugeriu que Essex estaria transtornado em consequência do trauma causado pela morte do filho. Cáustico, Essex retorquiu que, se transformar-se num monstro seria o preço a pagar pelo progresso da Ciência, estaria mais do que disposto a tornar-se num.
  Depois de travar conhecimento com Cootie Tremble, Essex seria levado para o subsolo da capital britânica onde os Carrascos mantinham cativos indigentes, dementes e todo o tipo de párias da sociedade. Os quais serviriam doravante de cobaias aos seus experimentos científicos.
  Uma vez desperto, o mutante imortal En Sabah Nur (nome de batismo de Apocalipse) ordenou aos Carrascos que o levassem até ao Dr. Essex. Dominado como nunca pelas suas obsessões, este exumara o cadáver do seu filho a fim de usá-lo em mais uma das suas aterradoras experiências. Ao tomar conhecimento dessa macabra operação, Rebecca Essex, a  estarrecida esposa do cientista, deu-lhe a escolher entre o casamento de ambos ou a prossecução do seu trabalho. Apesar da gravidez de Rebecca, Essex hesitou na sua decisão.
   Abordado por En Sabah Nur, que lhe expressou o seu interesse nas pesquisas que vinha desenvolvendo, o Dr. Essex aceitaria aliar-se a ele. Mais tarde reconsideraria, porém, esta decisão.
  Disposto a renunciar à sua vida como cientista, Essex voltou para casa na expectativa de reconstruir a sua família. Apenas para descobrir que, durante a sua ausência, Rebecca libertara todas as suas cobaias, entrara em trabalho de parto prematuramente, agonizando agora, moribunda. Devastado, o cientista implorou pelo perdão da mulher que, contudo, lho negou antes do seu derradeiro suspiro. Momentos antes pronunciara palavras que se revelariam proféticas: Já não te reconheço. Aos meus olhos transformaste-te num ser sinistro.
    Essex voltaria então a procurar En Sabah Nur, comunicando-lhe que aceitava a sua proposta. Sem perda de tempo, o mutante egípcio ordenou-lhe que criasse uma praga que eliminasse a fraqueza existente no mundo, no que seria um prelúdio do nascimento de Pestilência, o primeiro dos quatro Cavaleiros do Apocalipse. Como recompensa pelo seu trabalho, Essex foi dolorosamente transformado por En Sabah Nur num ser imortal de aparência medonha e dotado de habilidades telecinéticas. A pedido do seu mestre, Essex renunciou à sua antiga identidade, assumindo o nome de Senhor Sinistro e tornando-se assim o lugar-tenente de Apocalipse.

Criado sob o signo do Apocalipse.
   Contudo, nas décadas que seguiram, temendo o poderio de Apocalipse, o Sr. Sinistro afadigou-se na sua demanda por um mutante poderoso o suficiente para fazer frente ao seu mestre. Isto enquanto continuava a coletar o ADN de incontáveis humanos e mutantes para a sua gigantesca base de dados genética.
  Por fim, Sinistro compreendeu que a combinação dos genes de Scott Summers e de Jean Grey daria origem ao mutante supremo capaz de levar a melhor sobre Apocalipse. À época, porém, Jean Grey servia de hospedeira à Força Fénix, o que a tornava incontrolável. Decorrente desse facto, o vilão produziria um clone da heroína mutante. O seu plano consistia em usar essa cópia genética para seduzir Ciclope (que Sinistro considerava um mutante superior) daí resultando um filho. Para seu grande desapontamento, o processo de clonagem foi, porém, malsucedido. Acabando o clone esquecido no seu tubo de incubação até, que anos depois, aquando da morte da Fénix Negra, uma faísca da Força Fénix lhe concedeu acidentalmente vida, renovando assim o interesse de Sinistro.

Madelyne Pryor como Rainha dos Duendes na saga Inferno.

  Recebendo do seu criador o nome de Madelyne Pryor e um conjunto de memórias falsas, o clone partiu em busca de Scott Summers com a missão de ser fecundada por ele. Daí resultando o nascimento de Nathan Summers (nome que Sinistro induziu Madelyne a escolher). E cujo poder era de tal ordem que a sua vinda ao mundo acordou Apocalipse da sua hibernação.
  Antes, porém, que Sinistro pudesse manipular o infante, Madelyne Pryor descobriu a sua verdadeira origem e traiu o seu criador, unindo-se ao demónio Nastirth após entregar o pequeno Nathan ao cuidados do pai e de Jean Grey (que, afinal, não morrera).
   Intuindo a ameaça que a criança poderia representar para ele, Apocalipse apressou-se a infetá-la com um vírus tecno-orgânico. Não restando a Scott Summers outra opção que não enviar o filho para o futuro onde seria curado, tornando-se o viajante temporal conhecido como Cable.

Cable, o predestinado verdugo de Apocalipse.
     
Noutros media: No Top 100 dos Melhores Vilões de Sempre dos Quadradinhos, organizado pelo IGN, o Senhor Sinistro quedou-se num respeitável 29º lugar. Em 2008, aquando da divulgação no site oficial da Marvel Comics da lista dos dez melhores antagonistas dos X-Men, o vilão classificou-se na 6ª posição.
 Com tão elevados índices de popularidade, não é de admirar que o Sr. Sinistro haja rapidamente extrapolado o circuito dos comics, passando a figurar em toda a sorte de merchandising associado à Casa das Ideias: séries animadas, jogos de vídeo, brinquedos, etc.
 A sua primeira incursão no pequeno ecrã verificou-se na série de animação X-Men: The Animated Series (1992-97). A exemplo da história original, o vilão surgia retratado como um cientista obcecado com a genética de Scott Summers e de Jean Grey.
 Depois de ter sido equacionada a produção de uma sua série animada a solo (projeto prontamente cancelado), o vilão marcaria presença num episódio de Wolverine and the X-Men (2009). Esta versão apresentava, porém, uma importante cambiante, com Sinistro a ser apresentado como um homo superiror em vez de um humano geneticamente modificado.
  Embora sem direito ainda a uma transposição para o cinema, Nathaniel Essex é um dos nomes contidos nos ficheiros do computador de Lady Letal invadido por Mística em X-Men 2 (2003). Há também a expectativa de que lhe sejam feitas referências no próximo filme dos heróis mutantes (X-Men: Age of Apocalypse, com estreia marcada para o próximo ano).