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sábado, 13 de junho de 2015

EM CARTAZ: « CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR»


   Apesar do subtítulo, foi o último filme a solo de um Vingador antes do lançamento da película que reuniu o resto da equipa. Devido a percalços de vária ordem, o projeto demorou quase década a meia a ganhar forma. A longa espera valeu, porém, a pena. Com o produto final a assegurar a reabilitação cinematográfica do Sentinela da Liberdade após o monumental fiasco de 1990.

Título original: Captain America: The First Avenger
Ano: 2011
País: EUA
Duração: 124 minutos
Género: Ação/Aventura/Guerra/Fantasia
Produção: Marvel Studios
Realização: Joe Johnston
Distribuição: Paramount Pictures
Argumento: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Tommy Lee Jones (coronel Chester Phillips), Hugo Weaving (Johann Schmidt/Caveira Vermelha), Hayley Atwell (Peggy Carter), Sebastian Stan ( sargento James "Bucky" Barnes) e Dominic Cooper (Howard Stark)
Orçamento: 140 milhões de dólares
Receitas: 370,6 milhões de dólares



Desenvolvimento: Em abril de 1997, a Marvel estava em negociações para produzir um novo filme do Capitão América. Sete anos antes, outra transposição ao grande ecrã da personagem criada em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby redundara num confrangedor fiasco. Estando, por isso, a Casa das Ideias empenhada em assegurar a reabilitação cinematográfica do herói, em pleno boom de produções do género.
  Já com dois argumentistas designados, em maio de 2000 a Marvel estabeleceu uma parceria com a Artisan Entertainment com vista ao financiamento do projeto. Este seria, porém, suspenso ao longo dos três anos seguintes em virtude de um litígio judicial entre Joe Simon e a Casa das Ideias envolvendo os direitos de autor do Capitão América.
 Em 2005, a Marvel recebeu uma injeção de capital na ordem dos 525 milhões de dólares por parte do fundo de investimento Merrill Lynch. Montante que lhe permitiu assegurar a produção independente de uma dezena de filmes. Incluindo um baseado no Sentinela da Liberdade cuja distribuição ficaria a cargo da Paramount Pictures. Seria, de resto, a última vez que a Paramount o faria antes de os Estúdios Marvel passarem a ser uma subsidiária da Disney.
 Originalmente, os produtores tencionavam explorar a premissa de o Capitão América ser um homem fora do seu tempo. Metade do filme teria, assim, como pano de fundo a II Guerra Mundial, e a outra metade desenrolar-se-ia na atualidade. Com Avi Arad, um dos produtores do projeto, a indicar a trilogia de Regresso ao Futuro como uma das principais influências do enredo.
 Em meados de 2006, e já depois de Jon Favreau se ter oferecido para dirigir a película - acabando, no entanto, por assumir a realização de Homem de Ferro- , Joe Johnston foi sondado para dar forma ao projeto. Sem que das negociações entre o cineasta e a Marvel saísse, porém, fumo branco.

Joe Johnston, o homem por trás das câmaras.

  O cronograma da produção seria entretanto atrasado devido à greve de argumentistas que, entre 2007 e 2008, semiparalisou Hollywood. Após chegar a um acordo com o sindicato dessa classe profissional, a Marvel, empolgada pelo sucesso de Homem de Ferro, anunciou o lançamento de uma longa-metragem do Capitão América no verão de 2011.
  Apesar deste anúncio extemporâneo, a cadeira de realizador continuava vaga. Louis Leterrier, que dirigira O Incrível Hulk, ofereceu os seus serviços. A Marvel tinha, porém, outro nome em mente.
  Finalmente, em novembro de 2008, foi formalizada a contratação de Joe Johnston para assumir a direção do projeto. A sua experiência prévia em realizar filmes com super-heróis (Rocketeer em 1991) e o seu trabalho no campo dos efeitos especiais na primeira trilogia de Guerra das Estrelas, fizeram dele o candidato ideal aos olhos dos produtores. Com Johnston vieram dois novos argumentistas encarregues de reescrever o enredo da película: Christopher Markus e Stephen McFeely.
  Sobre o projeto pairou durante algum tempo o espectro do antiamericanismo instalado em vários pontos do globo, essencialmente devido à ocupação do Iraque. Sentimentos entretanto mitigados pela eleição de Barack Obama para a Casa Branca.
 Alheio a preocupações políticas, em dezembro de 2009 Joe Johnston anunciou que pretendia iniciar as filmagens em abril do ano seguinte. Escassas semanas antes de isso acontecer, a Variety confirmou que Chris Evans e Hugo Weaving haviam sido selecionados para interpretar, respetivamente, o Capitão América e o Caveira Vermelha. Nos meses seguintes foram sendo conhecidos outros nomes do elenco, como Tommy Lee Jones e Sebastian Stan.
  Passando por Londres, Manchester e vários outros pontos do Reino Unido e dos EUA, as filmagens de Capitão América: O Primeiro Vingador prolongaram-se por cerca de dez meses (junho de 2010 a abril de 2011). A antestreia mundial teve lugar a 19 de julho de 2011, no cinema El Capitan Theatre, em Hollywood.

Da esq. para dir.: Joe Johnston. Chris Evans e Hugo Weaving na Comic Con 2010 de San Diego.
   
Enredo: Na atualidade, um objeto metálico com formato circular e motivos azuis, brancos e vermelhos é descoberto por cientistas no habitáculo de uma vetusta aeronave militar soterrada pelo gelo do Ártico.
  Em 1942, na Noruega sob ocupação nazi, Johann Schmidt, um sinistro oficial germânico , e os seus homens tomam de assalto um pequeno vilarejo em busca de um misterioso artefacto conhecido como Tesseract, e ao qual são atribuídos enormes poderes.
 Do outro lado do Atlântico, em Nova Iorque, o franzino Steve Rogers é rejeitado pelo Exército em consequência dos seus diversos problemas de saúde. Depois de assistir a uma exposição de tecnologia futurista na companhia do seu amigo James "Bucky" Barnes, o jovem tenta novamente, sem sucesso, alistar-se.

Devido à sua debilidade física, Steve Rogers é sucessivamente rejeitado pelo Exército.

 Inconformado, Steve expressa a Bucky o seu desejo de participar ativamente na guerra. Ao escutar estas palavras, o Dr. Abraham Erskine usa a sua influência para autorizar o recrutamento do jovem, não para as fileiras das forças armadas, mas para um ultrassecreto projeto militar. Tutelado pelo próprio Erskine, pelo coronel Chester Phillips e pela agente secreta britânica Peggy Carter, o Programa do Supersoldado tem como objetivo conceber combatentes fisicamente aprimorados.
  Apesar de Erskine apresentar Steve como o candidato ideal para participar no experimento, o coronel Phillips veta a escolha do cientista. Mudando, contudo, de opinião após testemunhar um impressionante ato de bravura e autossacrifício praticado pelo rapaz.
  Na noite antes da realização da experiência, Erskine confidencia a Steve que o seu antecessor, um alemão de nome Johann Schmidt, sofreu terríveis efeitos colaterais, convertendo-se numa aberração com delírios de grandeza. Steve, porém, não vacila e reafirma-se ansioso por servir o seu país.
  De volta à Europa, Johann Schmidt e o Dr. Arnim Zola utilizam o Tesseract como fonte de energia para as invenções bélicas do cientista nazi. Ambos ambicionam montar uma ofensiva que mudaria o curso da guerra a favor do III Reich.

Da esq. para a dir.: Coronel Chester Phillips, Peggy Carter, Bucky Barnes, Dr. Erskine e Arnim Zola.

  Ao descobrir o paradeiro do Dr. Erskine, Schmidt envia um espião para assassiná-lo. Nos EUA, Steve Rogers é inoculado com um soro especial e de seguida irradiado com raios Vita. Perante o assombro dos que assistem ao experimento, o frágil Steve dá lugar a um vigoroso Adónis.
  Quando é felicitado pelos presentes pelo sucesso da experiência, o Dr. Erskine é baleado mortalmente pelo espião a soldo de Schmidt. Pondo-se de imediato em fuga, o homem é perseguido e finalmente capturado por Steve. Antes, porém, de poder ser levado para interrogatório, o agente nazi suicida-se trincando uma cápsula de cianeto.
  Com Erskine morto e a fórmula do soro do supersoldado perdida, em vez de permitir que os cientistas estudem Steve, o senador Brant leva-o em digressão pelos EUA. Batizado de Capitão América pelo político, Steve é obrigado a usar um uniforme inspirado no estandarte norte-americano para promover a compra de Obrigações de Guerra (instrumento financeiro comercializado pelo Governo estadunidense que tinha com objetivo ajudar a suportar os custos do conflito). Visto como um fantoche, o Capitão América é amiúde  ridicularizado pelas plateias que assistem às suas atuações.

Instrumento propagandístico de carne e osso.
  Durante uma passagem por Itália em 1943, Steve toma conhecimento de que a unidade militar do seu amigo Bucky Barnes havia desaparecido em combate após batalhar as forças de Schmidt. Recusando-se a aceitar a hipótese de Bucky estar morto, Steve convence Peggy Carter e Howard Stark a auxiliarem-no numa arriscadíssima missão de resgate atrás das linhas inimigas.
  Por sua conta e risco, Steve infiltra-se na fortaleza da Hidra onde se acoitam os apaniguados de Schmidt e são mantidos prisioneiros Bucky e os seus camaradas de armas.Após libertá-los, Steve vê-se frente a frente com Schmidt. Este remove a máscara para exibir o seu medonho rosto que lhe valeu a alcunha de Caveira Vermelha. Segue-se uma acirrada refrega entre as duas cobaias do Dr. Erskine, com o alemão a conseguir escapulir-se. Steve regressa então à base acompanhado de Bucky e dos demais soldados libertados, sendo aclamado como um herói.
  Determinado a debelar a ameaça representada pelo Caveira Vermelha, o Capitão América mobiliza o Comando Selvagem para empreender um  ataque a outras bases da Hidra. De Howard Stark o herói recebe um novo escudo feito de vibranium, um metal raro e virtualmente indestrutível.

Caveira Vermelha, o supersoldado do III Reich.

 Nos dias seguintes, o Sentinela da Liberdade e seus aliados sabotam diversas operações da Hidra. O seu próximo alvo é um comboio que transporta Arnim Zola. O cientista é capturado mas Bucky Barnes é dado como morto depois de cair da composição em movimento.
 Interrogado pelos americanos, Zola revela a localização do reduto secreto da Hidra onde estão a ser produzidas armas de destruição massiva para serem usadas contra os principais centro urbanos dos EUA.
 Novamente liderado pelo Capitão América, o Comando Selvagem invade o quartel-general do Caveira Vermelha. Pressentindo a derrota iminente, o vilão tenta escapar a bordo de um avião. Levando, contudo, um passageiro indesejado: ninguém menos que o Sentinela da Liberdade.

Comando Selvagem.
  Enquanto cruzam os céus, o Capitão América e o seu némesis guerreiam-se até que o recetáculo que continha o Tesseract é danificado. Ao empunhar o artefacto, o Caveira Vermelho é dissolvido em meio a um clarão de luz ofuscante. Em consequência disso, o Tesseract tomba no chão da aeronave, derretendo-o e caindo na vastidão do Atlântico.
  Sem conseguir descortinar uma forma de aterrar o avião sem deflagrar as armas a bordo, o Capitão América toma a decisão de despenhar o aparelho no Ártico. Pouco tempo depois, o Tesseract é resgatado por Howard Stark do fundo do oceano. As diligências deste para localizar Steve Rogers e a aeronave onde ele seguia, revelam-se, contudo, infrutíferas. O Capitão América é, por conseguinte, dado como morto.
  Steve Rogers desperta num quarto hospitalar que parece saído da década de 40. Quase imediatamente deduz que algo não bate certo, ao escutar uma transmissão radiofónica que veicula uma informação anacrónica.
  Aturdido, Rogers foge da instalação onde se encontra e depara-se com a vertigem feérica da Times Square dos nossos dias. Sendo então informado pelo diretor da SHIELD, Nick Fury, de que esteve em hibernação durante 70 anos.
  Numa cena pós-créditos, Fury convida Rogers a participar numa missão com ramificações globais.

Trailer:

Curiosidades: 

* Antes de aceitar interpretar o Capitão América no grande ecrã, Chris Evans declinou três vezes o papel. Não porque este lhe desagradasse, mas porque o ator temia o impacto que a fama acrescida que dele adviria poderia ter na sua vida pessoal. Foi Robert Downey Jr. (com quem, no ano seguinte, contracenaria no filme dos Vingadores) quem o fez mudar de ideias. Decisão que valeu a Evans um cachê de 300 mil dólares;
* A banda desenhada do Capitão América mostrada no filme é um fac-símile da capa de Captain America nº1, lançado em 1941. O escudo inicialmente manejado pelo herói é também uma réplica daquele que apetrechava a personagem nos seus primórdios nos quadradinhos. Tendo a sua posterior substituição pelo  icónico modelo circular sido ditada pelas acusações de plágio feitas pela Archie Comics. Editora que publicava o Escudo (The Shield em inglês), super-herói patriótico criado um ano antes do Sentinela da Liberdade;

 São notórias as parecenças entre o Capitão América e o Escudo da Archie Comics.

* Em apenas dois trechos do filme Johann Schmidt é referido como Caveira Vermelha: quando os emissários do Fuehrer trazem as ordens de encerramento da Hidra, e quando um oficial das SS lê em voz alta uma missiva da lavra do próprio Hitler;
* Na feira tecnológica onde Howard Stark dá a conhecer as suas criações visionárias, é visível dentro de uma redoma de vidro um manequim trajando um uniforme encarnado. Trata-se de uma referência ao primeiro Tocha Humana, um androide que foi também o mais antigo super-herói da Timely Comics (idealizado em 1939 pela precursora da Marvel). Na banda desenhada, o Tocha Humana foi um dos fundadores dos Invasores (ver prontuário da equipa já publicado neste blogue), grupo a que também pertenceu o Capitão América;
* Para se preparar para o papel de Bucky Barnes, Sebastian Stan assistiu a vários documentários e filmes sobre a II Guerra Mundial. Dentre estes últimos elegeu Irmãos de Armas (2011) como sua principal referência;
* Joe Simon (que com Jack Kirby criou o Capitão América em 1941, antes de Stan Lee o revitalizar em 1964) foi convidado a fazer um pequeno cameo no filme.Então com 97 anos e uma saúde debilitada, Simon viu-se, no entanto, impedido de corresponder ao convite. Acabaria, aliás, por falecer escassos meses após a estreia da fita;
* Hugo Weaving declarou publicamente o seu diminuto interesse em repetir o papel de Caveira Vermelha,  essencialmente por causa do desgastante processo de caracterização inerente à personagem;

Hugo Weaving em plena sessão de caracterização.
* Apesar do subtítulo o sugerir, na banda desenhada o Capitão América não fez parte do quinteto fundador dos Vingadores. Este era composto por Thor, Homem de Ferro, Vespa, Homem-Formiga e Hulk. Foi, aliás, na sequência do abandono da equipa por parte deste último que o Capitão foi recrutado para as suas fileiras. Cronologicamente, porém, o Sentinela da Liberdade é mais antigo do que qualquer um dos seus companheiros. Justificando-se assim o título de Primeiro Vingador;
* Capitão América: O Primeiro Vingador é a quinta adaptação em ação real do herói. A primeira remonta a 1944 e foi lançada sob o formato de uma série cinematográfica em  15 episódios -ainda a preto e branco - com Dick Purcell como protagonista; seguiram-se dois telefilmes produzidos em 1979 (Capitão América e Capitão América II), ambos estrelados por Reb Brown; finalmente, em 1990, no que pretendia ser a resposta da Marvel ao sucesso do Batman de Tim Burton no ano anterior, foi lançada uma tosca coprodução internacional de baixo orçamento e repleta de liberdades poéticas intitulada As Aventuras do Capitão América. Tendo como ator principal Matt Salinger, o descalabro foi de tal ordem que o filme acabaria por nunca chegar às salas de cinema, acabando por ser distribuído apenas no circuito de vídeo em 1992.

A evolução do Sentinela da Liberdade no pequeno e no grande ecrã.

Prémios e nomeações (2011): Chris Evans arrebatou o Scream Award na categoria de Melhor Super-Herói. Já a banda sonora composta por Alan Silvestri foi distinguida com um BMI Film & TV Award. Tanto o filme como  alguns elementos do elenco foram nomeados para diversos outros prémios. Destaque para o MTV Award para Melhor Ator (Chris Evans), o Saturn Award  para Melhores Efeitos Especiais e para o Teen Choice Award para Melhor Filme de Verão.



Veredito: 74%

  Precedo a minha avaliação com uma declaração de interesses: Capitão América é o meu segundo herói favorito do Universo Marvel (perdendo apenas para o Homem-Aranha). Chamem-me antiquado, mas identifico-me com muitos dos valores e princípios defendidos pela personagem. Tal como Steve Rogers, sinto-me frequentemente como se tivesse nascido na época errada.
  Dito isto, e tendo visto na minha adolescência o infame As Aventuras do Capitão América, seria muito difícil eu não gostar desta nova vida do Sentinela da Liberdade no grande ecrã.
 Ao contrário de Matt Salinger na fita de 1990, Chris Evans sabe realmente representar e interpretou admiravelmente bem o Capitão América, captando a essência idealista e tenaz do herói. Hugo Weaving também foi uma escolha acertada para Caveira Vermelha (com os argumentistas a não trocarem desta vez a nacionalidade ao vilão).
 Apesar do seu fortíssimo cunho patriótico e anacrónico, o Capitão América é também um símbolo vivo da Liberdade. Em paralelo com a sua valentia, é esse o aspeto mais destacado na película. Tornando, assim, o herói simpático aos olhos da maioria dos espectadores (exceto, porventura, os tiranetes em potencial ou os visceralmente antiamericanos).
 Com um argumento consistente temperado com as doses certas de humor e ação, Capitão América: O Primeiro Vingador possui mais substância do que à primeira vista possa parecer. Num mundo onde a fronteira entre o Bem e o Mal está cada vez mais esbatida, é agradável evocar um conflito onde os bons e os maus estavam perfeitamente identificados.
 Mesmo aos leigos, o filme conseguirá facilmente garantir um par de horas bem passadas graças ao seu registo ligeiro e ao seu charme retro. Sugiro que o vejam acompanhados por um balde de pipocas, ao bom estilo americano.