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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

GALERIA DE VILÕES: MAGNETO


  Sem concessões. Sem misericórdia. É assim que o Mestre do Magnetismo faz avançar a sua revolução mutante, mesmo se pela frente tem os pupilos de um velho amigo. Terrorista racial ou libertador de uma minoria oprimida, será sempre um dos homens mais perigosos à face da Terra.

Denominação original: Magneto 
Editora: Marvel Comics
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (arte conceptual)
Estreia: X-Men nº1 (setembro de 1963)
Identidade civil: Max Eisenhardt (vulgo Erik Magnus Lehnsherr) 
Espécie: Homo superior
Local de nascimento: Nuremberga, Alemanha
Parentes conhecidos: Jakob e Edie Eisenhardt (pais, falecidos); Ruth Eisenhardt (irmã, falecida); Magda Eisenhardt (esposa, presumivelmente falecida); Anya Eisenhardt (filha, falecida); Lorna Dane / Polaris (filha); Joseph (clone, falecido)
Ocupação: Ex-carpinteiro, ex-caçador de Nazis, ex-terrorista internacional e ex-docente do Instituto Xavier, continua a ser um obstinado ativista dos direitos cívicos da população mutante.
Base operacional: A ilha senciente de Krakoa, localizada algures no Pacífico Sul, serve presentemente de quartel-general a Magneto que, no passado, esteve sediado em diferentes geografias. Do Asteroide M a Genosha, passando pela Terra Selvagem e pela Mansão X, foram muitas as infraestruturas e territórios a acolherem as suas atividades subversivas. Consta que disporá ainda de várias bases secretas espalhadas pelo globo, inclusive na Antártida. 
Afiliações: Ex-agente da Mossad; ex-líder e fundador da Irmandade de Mutantes; ex-líder dos Acólitos; ex-professor dos Novos Mutantes; ex-membro do Clube do Inferno;  ex-líder do Conselho Regente de Genosha e ex-membro do Quinteto Fénix, Magneto copreside atualmente com o seu velho amigo Charles Xavier ao Governo de Krakoa.
Némesis: X-Men e qualquer inimigo declarado dos mutantes.
Poderes e parafernália: O incrível poder mutante de Magneto confere-lhe controlo absoluto sobre todas as formas de magnetismo. Graças ao qual consegue manipular, a seu bel-prazer, qualquer metal, mesmo os virtualmente indestrutíveis. Como ficou, de resto, demonstrado quando o Mestre do Magnetismo extraiu o adamantium que revestia o esqueleto de Wolverine, quase matando o X-Man no processo.
Embora se desconheça a quantidade máxima de massa que Magneto consegue manipular de uma só vez, ele já ergueu sem esforço no ar submarinos nucleares de centenas de toneladas. Também já foi visto a usar os seus poderes para mover montanhas, desviar o curso de rios, desencadear terramotos e travar divisões blindadas de exércitos. O Mestre do Magnetismo está igualmente capacitado a manipular campos gravitacionais, o que lhe possibilita voar a distâncias e velocidades consideráveis.
O seu impressionante catálogo de habilidades inclui ainda a criação de poderosos campos de força magnéticos para sua proteção ou de terceiros; a projeção de rajadas elétricas e a geração de gigantescos pulsos eletromagnéticos suscetíveis de causarem devastação à escala planetária. Montar ou desmontar armas e maquinarias em questão de segundos é outra das suas especialidades.
Apesar da habilidade primária de Magneto radicar no seu controlo sobre o magnetismo, ele consegue igualmente manipular qualquer forma de energia do espectro eletromagnético. A saber: ondas de rádio, luz ultravioleta, raios gama, etc.

Magneto ripping the adamantium from Wolverine's bones
O adamantium no corpo de Wolverine
 tornou-o presa fácil para o Mestre do Magnetismo.
Mesmo para telepatas tão poderosos como o Professor X ou Emma Frost, a mente de Magneto é uma fortaleza semi-inexpugnável. Várias explicações para esta sua invulgar resistência a investidas psíquicas foram já aventadas. Sendo a mais plausível aquela que teoriza que isso se deverá a algum tipo de interferência causada na telepatia pelos seus poderes eletromagnéticos. Muito mais do que um simples adereço, o seu capacete especial confere-lhe proteção eficaz contra ataques e sondagens mentais. Há quem, por outro lado, especule que Magneto possa possuir habilidades telepáticas latentes.
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Magneto resiste a uma potente investida telepática do Professor X.
Com reconhecidas competências em áreas tão diversificadas como a Robótica, a Física de Partículas ou a Bioengenharia, Magneto é senhor de um dos maiores intelectos da Terra. No seu currículo tem a construção de estações orbitais, a criação de formas de vida inteligentes e o desenvolvimento de sofisticados aparatos para efeitos diversos. Uma das suas mais brilhantes invenções nesse campo permitia-lhe anular os poderes de qualquer mutante - exceto, obviamente, os seus.
Poliglota, Magneto é fluente em alemão, hebraico, polaco e em vários outros idiomas. Certa vez, logrou mesmo decifrar a língua de uma antiga civilização há muito extinta.
À sua vasta experiência em combate, Magneto alia a sua mestria estratégica. A combinação dessas duas valências já lhe permitiu sair vitorioso de combates travados com os X-Men e os Vingadores.
Apesar de ser um adolescente durante o Holocausto, Magneto conserva a aparência de um homem de meia-idade no auge da forma física. Cortesia do processo de rejuvenescimento que em tempos lhe foi aplicado pelo Alto Evolucionário.
Devido ao seu treino militar, o Mestre do Magnetismo possui medianas aptidões no combate corpo a corpo. Quando em presença de um adversário mais forte, recorre aos seus poderes mutantes para incrementar as suas capacidades físicas.
O traje envergado por Magneto é na verdade uma espécie de armadura confecionada a partir de uma amálgama de ligas metálicas ultraleves e ultrarresistentes. Serve para protegê-lo, por exemplo, das balas de borracha que os seus campos de força magnéticos são incapazes de suster.
Por tudo o acima descrito, Magneto concorre a vários superlativos, designadamente o de mutante mais poderoso do mundo e inimigo nº1 da Humanidade.

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Nem o poder combinado dos X-Men intimida o Mestre do Magnetismo.
Fraquezas: A extensão e eficácia dos poderes de Magneto dependem diretamente da sua condição física. Quando ferido ou debilitado, o corpo do vilão é incapaz de resistir ao enorme esforço requerido pela manipulação da energia magnética.
Outro constrangimento ao potencial do Mestre do Magnetismo sobrevém da sua propensão para a depressão e outras patologias do foro psíquico, especificamente bipolaridade. Dada a prevalência destas condições no seu historial clínico, presume-se que serão efeitos colaterais de uma utilização desregrada das suas habilidades mutantes.
Magneto kneels before Cyclops on Utopia
Por vezes Magneto cede ao peso dos seus ideais.

Messias mutante

Magneto, o mais icónico dos supervilões mutantes, foi criado por Stan Lee e Jack Kirby para apadrinhar o batismo de fogo dos pupilos do Professor X, em X-Men nº1 (setembro de 1963). No entanto, Stan Lee nunca considerou o Mestre do Magnetismo um genuíno expoente de malignidade.
Para o saudoso arquiteto da Casa das Ideias, Magneto, vítima de preconceito e violência desde tenra idade, tornara-se ele próprio preconceituoso e violento. Com a diferença de não ser indefeso, uma vez que possui o poder para revidar contra os seus algozes.
«Eu nunca vi Magneto como um vilão», explicava Lee quando questionado sobre a moralidade da sua criação, acrescentando: «Ele limitava-se a retribuir a intolerância e o ódio dos humanos normais em relação aos mutantes. Ele tentava proteger os seus semelhantes e, como a sociedade não os respeitava, Magneto decidiu dar uma lição à sociedade. Claro que ele era uma ameaça, mas havia alguma nobreza na sua causa.»

Magneto apresentou-se ao mundo em X-Men nº1 (1963).
Com a luta pelos direitos cívicos dos negros como pano de fundo, as histórias dos X-Men pretendiam ser alegorias para as tensões raciais que, à época, fraturavam a sociedade americana. Nesse sentido, Martin Luther King Jr. e Malcom X serviram, respetivamente, de modelos à caracterização de Charles Xavier e Magneto.
Enquanto o primeiro - replicando a doutrina inclusiva de Luther King - acalentava o ideal de uma coexistência harmoniosa entre humanos e mutantes, o segundo - alinhado com as políticas separatistas de Malcom X - pugnava pela plena emancipação da sua raça. No fundo, malgrado as suas visões antagónicas de uma causa comum, os dois homens - na ficção como no mundo real - representavam as duas faces da mesma moeda.
Com efeito, a turbulenta amizade entre Charles Xavier e Magneto é uma pedra angular na vida dos dois homens. Sabe-se, no entanto, que Stan Lee ponderou inicialmente apresentá-los como irmãos, de molde a conferir maior dramatismo à relação entre ambos.

As filosofias opostas de Martin Luther King e Malcom X
 inspiraram Stan Lee a criar o Professor X e Magneto.
Nas suas aparições iniciais Magneto era retratado como um aspirante a tiranete, impelido pelo seu desejo de punir a Humanidade pelas suas atrocidades. Com o tempo, porém, ser-lhe-ia aplicado o mesmo processo de humanização de que foram alvo tantos outros vilões do Universo Marvel. No âmbito desse protocolo modificativo, foi-lhe atribuído o estatuto de sobrevivente do Holocausto empenhado em garantir que os mutantes, apenas por terem nascido diferentes, não sofreriam as mesmas sevícias que os judeus e outras minorias.
A face mais radical da revolução mutante, Magneto acredita que o Homo superior está predestinado a herdar o planeta, percecionando dessa forma o Homo sapiens como um estorvo nocivo à evolução da espécie humana.
Como qualquer messias, Magneto dispõem de apóstolos e julga-se investido de uma missão sagrada. No caso, a de assegurar, por todos os meios necessários, a sobrevivência e supremacia da sua raça num mundo que lhe é hostil.
Por cada mutante - amigo ou inimigo - morto às mãos de humanos, crescem a culpa e a raiva do Mestre do Magnetismo. A mesma raiva que reserva para os mutantes colaboracionistas e para todo e qualquer inimigo da sua causa. Como qualquer fanático que se preze, Magneto rege-se pelo velho mantra "Quem não está comigo, está contra mim." E tem sido assim, sem concessões nem misericórdia, que tem liderado os seus seguidores rumo ao alvorecer de uma nova era.

Complexo de messias.

Sobrevivente do Holocausto

Max Eisenhardt, o homem que o mundo aprenderia a temer como Magneto, nasceu nos anos terminais da década de 1920, no seio de uma família de judeus alemães de classe média. O seu pai, Jakob Eisenhardt, era um veterano condecorado da I Guerra Mundial e um orgulhoso patriota.
Após a ascensão de Hitler ao poder, o clã Eisenhardt sobreviveu às políticas discriminatórias emanadas das Leis de Nuremberga, bem como à fatídica Noite de Cristal. Quando o ar na Alemanha se tornou irrespirável para os judeus e outras minorias, Jakob fugiu com a família para a Polónia. Acabariam no entanto capturados pelas tropas germânicas durante a invasão e subsequente ocupação do país.
Enviada para o gueto de Varsóvia, a família Eisenhardt lograria escapar pouco tempo depois. Apenas para voltar a ser capturada pelas forças nazis, que resolveram fazer dela um exemplo para os restantes judeus. Os pais e a irmã de Max foram sumariamente executados e enterrados numa vala comum. A provável manifestação precoce dos seus dons mutantes salvou o rapaz de idêntico destino.
Sozinho no mundo, Max foi transferido para o campo de concentração de Auschwitz, onde foi nomeado Sonderkommando. Entre outras funções, competia-lhe a macabra tarefa de sepultar as vítimas das câmaras de gás. Essas sinistras memórias definiriam para sempre o seu caráter.
Foi também durante a sua passagem por Auschwitz que Max reencontrou Magda, a rapariga cigana por quem se enamorara na infância. Tal como os demais sobreviventes do campo, o casal seria libertado pelo Exército Vermelho, nos primeiros meses de 1945.

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Os poderes de Max Eisenhardt garantiram-lhe
 a sobrevivência num campo da morte nazi.
Finda a II Guerra Mundial, Max e Magda instalaram-se na cidade ucraniana de Vinnytsia. Max adotou o nome Magnus e Magda deu à luz a filha de ambos, Anya. ´
Para garantir o sustento da família, Magnus trabalhava como carpinteiro e, apesar da vida humilde que levavam, todos eram felizes. Tudo mudaria na noite em que Magnus, ao regressar da cidade, foi atacado por desconhecidos. Numa reação instintiva de autopreservação, os seus latentes poderes magnéticos liquidaram os agressores.
Mais tarde nessa noite, a casa de Magnus foi incendiada por uma turba enfurecida e a pequena Anya pereceu no incêndio. Tomado pela raiva e pela dor, Magnus usou os seus recém-descobertos poderes para chacinar os atacantes perante a sua horrorizada cara-metade.  Em pânico, Magda fugiu para a floresta para nunca mais ser vista.

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Memórias agridoces do Mestre do Magnetismo:
em cima, momentos felizes em família;
em baixo, Magnus chora a morte da filha.
Novamente sozinho no mundo e de coração entrevado, Magnus - agora respondendo pelo nome Erik Lehnsherr - viveu os anos seguintes incógnito entre a comunidade cigana local. Foi também sob essa identidade que viajou até Israel, onde trabalhou como voluntário num hospital psiquiátrico em Haifa.
Num obséquio do destino, foi lá que travou amizade com Charles Xavier, um jovem e idealista académico nascido em terras do Tio Sam. Noite após noite, os dois jogavam xadrez e debatiam o impacto das mutações genéticas no futuro da Humanidade. Apesar dessa afinidade, ambos guardavam sigilo da sua condição de mutantes.
Quando um comando da HIDRA tomou de assalto o hospital para raptar uma paciente, Erik e Charles viram-se forçados a fazer uso das suas habilidades magnéticas e telepáticas para repelirem o ataque. No rescaldo da batalha, com os seus segredos expostos, os dois amigos perceberam que defendiam pontos de vista inconciliáveis no que ao papel dos mutantes na sociedade dizia respeito, seguindo a partir desse momento caminhos separados.
Ironicamente, as mesmas ideias que os apartaram, voltariam a reuni-los anos mais tarde, ainda que em lados opostos da barricada.
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Charles Xavier e Magneto partilham a paixão pelo xadrez.
Mas apenas um deles quer fazer xeque-mate à Humanidade.
Durante esse ínterim, Erik, ao serviço da Mossad, caçou criminosos de guerra nazis. Colaboração que seria interrompida quando os serviços secretos israelitas assassinaram uma jovem por quem Erik se afeiçoara.
As traumáticas experiências vivenciadas por Erik durante o Holocausto moldaram a sua perceção da vulnerabilidade da comunidade mutante inserida em sociedades intolerantes e preconceituosas. Determinado em proteger os seus semelhantes do mesmo tipo de atrocidades que haviam sido impostas aos judeus, Erik abraçou métodos radicais e violentos.
Por acreditar que o Homo superior se tornaria, a breve trecho, a espécie dominante no planeta, Erik lutava pela criação de um etno-Estado onde todos os mutantes pudessem viver em paz e segurança. Consistindo a alternativa em conquistar o mundo e escravizar a Humanidade.
Na sua primeira aparição como Magneto, Erik atacou Cape Citadel, uma base militar instalada na Florida. Apesar de ter sido detido pelos X-Men (pupilos do seu velho amigo Charles Xavier), o Mestre do Magnetismo não mais concederia tréguas na sua guerra contra a Humanidade.
Terrorista racial aos olhos de uns, messias aos olhos de outros, depressa ganhou a reputação de homem mais perigoso à face da Terra, passando a planear as suas ações subversivas a partir do Asteroide M, uma sofisticada estação orbital que ele próprio construiu.
À criação dos X-Men e ao ideal de coexistência pacífica acalentado por Xavier, respondeu Magneto com a formação da Irmandade de Mutantes ao serviço da sua campanha supremacista. Sempre que a própria sobrevivência do Homo superior era posta em causa, as duas fações punham de lado as suas diferenças e uniam forças para enfrentarem a ameaça comum.
Magneto concretizou brevemente o seu sonho de liderar um etno-Estado quando, no início deste século, a ONU o reconheceu como soberano de Genosha. Para essa nação insular na costa oriental africana convergiram mutantes de todo mundo em busca de um lar. Apesar de hoje  restarem apenas escombros fumegantes dessa utopia que fez florescer as esperanças de toda uma raça, o Mestre do Magnetismo não chora o seu fim, orgulhando-se antes por ela existido.

The Mutant Brotherhood
Magneto e a sua Irmandade de Mutantes.

Miscelânea

*Rei Cinzento, Peregrino Branco, Erik, o Vermelho e Líder são outros dos cognomes tradicionalmente associados a Magneto;
*Homo superior foi o termo cunhado por Magneto para designar cientificamente os mutantes, a subespécie com poderes inatos que ele perceciona como o próximo estágio evolutivo da Humanidade;
*A cor encarnada dos paramentos do Mestre do Magnetismo pretende simbolizar o sangue derramado pelos mutantes às mãos daqueles que os temem e odeiam. Magneto faz-se habitualmente acompanhar de um arquivo holográfico contendo os nomes de numerosos representantes da sua espécie vítimas de mortes violentas e crimes de ódio;

O traje de Magneto invoca o de antigo um rei guerreiro
disposto a morrer pelo seu povo.
*Eisenhardt significa "coração de aço" em Alemão, apelido deveras apropriado para uma personagem com as idiossincrasias de Magneto;
*Conforme mostrado em X-Men nº161 (setembro de 1982), o número de identificação originalmente tatuado no antebraço de Magneto era 214782. Tratou-se, no entanto, de um erro por parte do artista da história que, ignorando o funcionamento do sistema de numeração implementado em Auschwitz, lhe atribuiu um número demasiado elevado, levando em conta que o clã Eisenhardt integrou a primeira leva de prisioneiros a serem admitidos no infame campo de extermínio Nazi. Em agosto de 2004, um retcon apresentado em Excalibur Vol.3 nº2 atribuiu a Max Eisenhardt o número 24005;
*Aquando da formação da Irmandade de Mutantes, Magneto fez notar aos seus apaniguados que os seus sentimentos pessoais eram insignificantes por comparação com a grandeza da causa por que se batiam. Apesar da sua retórica, era frequente o Mestre do Magnetismo deixar-se dominar pela raiva em relação aos algozes do seu povo;
*Num dos primeiros embates entre as duas fações rivais, a Irmandade de Mutantes capturou o Anjo e os X-Men fizeram o Sapo prisioneiro. Perante o dilema apresentado, Magneto mostrou-se prontamente disposto a sacrificar o seu subordinado porquanto considerava o seu refém mais valioso do que o "tolo saltitante" que o bajulava. Certa vez, o Mestre do Magnetismo ponderou também enviar Mercúrio num ataque suicida à Mansão X. Numa outra ocasião ainda, ameaçou matar a Feiticeira Escarlate se esta lhe desobedecesse. Demonstrações de insensibilidade e fanatismo que levaram o Mestre Mental a afirmar que Magneto é totalmente desprovido de emoções;
*Durante muito tempo, a paternidade dos gémeos Pietro e Wanda Maximoff (Mercúrio e Feiticeira Escarlate) foi atribuída a Magneto. Eventos recentes desmentiram, porém, essa relação familiar. Lorna Dane (a heroína mutante Polaris) é agora a única filha reconhecida do Mestre do Magnetismo, cujas habilidades herdou parcialmente;

Polaris, a herdeira de Magneto.
*Com o intuito de prevenir acusações de antissemitismo, a Marvel ponderou alterar a etnia de Magneto antes de voltar a apresentá-lo como um vilão sanguinário. A ideia do Mestre do Magnetismo ser cigano não colheu juntos do público e a sua origem clássica, embora retocada, acabaria por prevalecer;
*Doutor Polaris e Doutor Diabólico (Doctor Diehard, no original) são os dois supervilões da DC aos quais Magneto serviu de inspiração;

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Um dos pastiches de Magneto criados pela Distinta Concorrente.
*Desde 2011 que Magneto encabeça a lista dos cem melhores vilões da banda desenhada organizada pelo site IGN. Igualmente honroso é o nono lugar que ocupa no ranking das 200 melhores personagens de todos os tempos elaborado pela revista Wizard.
*Foi num episódio de Fantastic Four, série animada de 1978, que Magneto fez a sua transição para o segmento audiovisual. Apesar de possuir poderes idênticos aos da sua versão canónica, o vilão não era um mutante. No cinema, a estreia do Mestre do Magnetismo remonta a 2000, ano de lançamento da primeira longa-metragem dos X-Men (já aqui revisitada). Originalmente interpretado por Ian McKellen, o papel foi herdado por Michael Fassbender, em 2014. Personagem charneira na franquia dos Filhos do Átomo, o futuro de Magneto, bem como o dos próprios X-Men, permanece incerto no Universo Cinematográfico Marvel após a aquisição da Fox pela Disney.
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A primeira aparição de Magneto fora da banda desenhada.

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No cinema, o  britânico Ian McKellen e o germânico Michael Fassbender
 vêm-se revezando no papel de Magneto.

Nota: Este blogue tem como Guia de Estilo o Acordo Ortográfico de 1990 aplicado à norma europeia da Língua Portuguesa.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

RETROSPETIVA: «X-MEN»



   Na viragem do milénio, o advento dos Filhos do Átomo ao grande ecrã foi a chave para o salto evolutivo de todo um género. Manifesto simbólico contra o preconceito social, o filme de Bryan Singer cumpriu exemplarmente o duplo desígnio de entreter e consciencializar. 

Título original: X-Men
Ano: 2000
País: EUA
Duração: 104 minutos
Género: Ação / Fantasia / Super-heróis
Produção: Marvel Entertainment Group / The Donner's Company
Realização: Bryan Singer
Argumento: David Hayter, Tom DeSanto e Bryan Singer
Distribuição: 20th Century Fox
Elenco: Patrick Stewart (Charles Xavier / Professor X), Hugh Jackman (Logan / Wolverine),  Ian McKellen (Eric Lehnsherr / Magneto),  Halle Berry (Ororo Munroe / Tempestade), Famke Janssen (Drª. Jean Grey), James Marsden (Scott Summers / Ciclope), Bruce Davison (Senador Robert Kelly), Rebecca Romijn-Stamos (Raven Darkholme / Mística), Ray Park (Mortimer Toynbee / Sapo), Tyler Mane ( Victor Creed / Dentes-de-Sabre) e Anna Paquin (Marie D'Ancanto / Vampira)
Orçamento: 75 milhões de dólares
Receitas: 296, 3 milhões de dólares

O genoma de um clássico 

Os primeiros planos para uma adaptação cinematográfica dos X-Men começaram a ser alinhavados a meio da década de 80, especificamente em 1984. Nesse ano, Roy Thomas e Gerry Conway, editores-chefes da Marvel Comics, escreveram em conjunto o argumento para um filme dos heróis mutantes criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby, cuja produção deveria ter ficado a cargo da Orion Pictures. O projeto seria no entanto inviabilizado pelos graves problemas de tesouraria entretanto enfrentados pelo estúdio.
Cinco anos mais tarde, em 1989, Stan Lee e Chris Claremont encetaram negociações com a Carolco Pictures com vista à produção de uma longa-metragem baseada nos X-Men. James Cameron seria produtor executivo do filme, ficando a direção endossada a Kathryn Bigelow, que assinaria também o respetivo argumento.
Tudo parecia bem encaminhado (Angela Basset chegou a ser cogitada para o papel de Tempestade) não fosse a inesperada falência da Carolco. Em consequência da qual os direitos da película reverteram para a Marvel, ela própria em situação de pré-rutura financeira.
Em 1992, ao mesmo tempo que a Marvel procurava convencer a Columbia Pictures a adquirir os direitos de adaptação daqueles que eram então os seus mais valiosos ativos, Avi Arad produziu uma série animada dos X-Men para o canal Fox Kids. Impressionada com o enorme êxito desse projeto, a 20th Century Fox, associada à produtora Lauren Shuler Donner (esposa de Richard Donner, realizador de Superman, the Movie), assegurou os direitos das personagens em 1994.

X Men Clássico
O sucesso da primeira série animada dos X-Men
foi fundamental
 para o lançamento do filme dos Filhos do Átomo.
Com o vindouro filme dos X-Men em fase de pré-produção, Andrew Kevin Walker escreveu um argumento focado na rivalidade entre o Professor X e Magneto, mas também entre Wolverine e Ciclope. Na trama participariam ainda a Irmandade de Mutantes e os Sentinelas, os robôs gigantes projetados para caçar indivíduos portadores do gene X.
A este primeiro rascunho do enredo sucederam-se várias outras versões, incluindo uma da autoria de Joss Whedon, o futuro realizador de The Avengers. Robert Rodríguez, Paul W.S. Anderson e Brett Retner (que, em 2006, viria a dirigir X-Men 3: Last Stand) foram alguns dos realizadores sondados para o projeto, mas nenhum deles se mostrou disponível para capitaneá-lo.
Depois de ter dirigido com mestria o aclamado The Usual Suspects (1995), Bryan Singer pretendia aventurar-se na ficção cientifica. Sensível a essa veleidade do cineasta, a 20th Century Fox começou por oferecer-lhe a direção de Alien Resurrection mas acabaria por considerá-lo mais indicado para levar X-Men a bom porto.
Apesar de oficialmente confirmado, desde dezembro de 1996, como realizador da película dos Filhos do Átomo, em abril do ano seguinte Bryan Singer assumiu a direção de Apt Pupil, que tinha Ian McKellen como protagonista. Ainda no decurso de 1997, a Fox aprovou um orçamento de 60 milhões  de dólares para X-Men e anunciou o Natal de 1998 como data oficial para a estreia do filme.

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Bryan Singer foi o realizador escolhido para dirigir X-Men.
Seria no entanto apenas em finais de 1998, na sequência de uma profunda revisão do argumento de Tom DeSanto, que a Fox aprovaria o orçamento final da produção, que ascendia agora aos 75 milhões de dólares. O que só foi possível após intensas negociações entre os representantes do estúdio e Bryan Singer, com este a concordar com a remoção de certos elementos e referências extraídos do material original. Entre os quais Fera (um dos X-Men fundadores) e a Sala do Perigo (espécie de campo de treino virtual instalado na Mansão X). Se no caso do primeiro a solução passou por transferir os conhecimentos médico-científicos da personagem para Jean Grey, a ausência da segunda permitiu a Bryan Singer dar mais ênfase a cenas com maior carga dramática.

Drawing of an ape-man wearing trunks. He has huge, muscular arms that hang down past his knees.
Arte conceptual do Fera
descartada após a revisão do argumento.
Ainda que a versão final do argumento tenha sido (re)escrita por David Hayter, Bryan Singer e Tom DeSanto foram igualmente creditados pela história transposta ao grande ecrã. Uma história, que atendendo à enorme popularidade da personagem entre os fãs, tinha, inevitavelmente, em Wolverine uma das figuras centrais.
Com efeito, tão logo as primeiras notícias e rumores acerca do desenvolvimento do filme dos X-Men começaram a circular (viviam-se ainda os primórdios da Internet), nenhum despertou tanto interesse junto dos fãs como aqueles que diziam respeito à escolha do ator para encarnar Wolverine.
Depois de Gary Sinise ter ficado bem cotado em meados dos anos 1990, Russel Crowe seria a primeira escolha de Bryan Singer para o papel. O ator neozelandês recusou mas indicou Hugh Jackman, seu amigo de longa de data. Também ele originário da Oceânia, designadamente da Austrália, Jackman era, à época, um ilustre desconhecido, circunstância que deixou Singer reticente. No entanto, por força das sucessivas "negas" dadas por atores de maior nomeada, Singer resolveu dar uma oportunidade a Jackman, que acabaria por ser contratado apenas três semanas antes do arranque das filmagens.
Incluindo diferentes localizações no Canadá, mormente Toronto, a rodagem do filme prolongou-se por um semestre, entre setembro de 1999 e março de 2000. Inicialmente prevista para o Natal desse ano, a estreia de X-Men acabaria por ser antecipada para 14 de julho de 2000, por forma a preencher uma vaga no calendário de lançamentos resultante do adiamento de Minority Report. Estavam assim lançadas as bases para uma das mais bem-sucedidas franquias da história da 7ª Arte, que perdura até hoje.

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X-Men guindou Hugh Jackman ao estrelato.

Sinopse

Sob chuva torrencial, uma multidão de prisioneiros judeus arrasta-se pelo campo de concentração de Auschwitz, na Polónia ocupada. Quando o pequeno Eric Lehnsherr é separado à força dos pais, o desespero do garoto faz com que a sua habilidade mutante de gerar campos magnéticos e de controlar o metal se manifeste. A fúria de Eric cessa apenas quando um dos guardas o golpeia violentamente na cabeça com a coronha da sua espingarda. 
Num futuro não muito distante, o Senador Robert Kelly pugna no Congresso dos EUA pela aprovação da Lei de Registo de Mutantes. Medida legislativa que visa compelir os Homo Superior (designação científica para mutantes) a revelarem publicamente os seus poderes e identidades.

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O Senador Kelly lidera uma feroz campanha antimutante.
A assistir de camarote ao debate travado por Kelly e a Drª. Jean Grey em pleno Congresso estão Eric Lehnsherr e Charles Xavier. Dois velhos amigos que a causa mutante atirou para lados opostos da barricada, e que atendem agora pelos nomes de Magneto e Professor X, respetivamente.
Perante a iminente aprovação da nova lei, Xavier fica apreensivo com a reação de Magneto ao que este considera ser um ato persecutório dos humanos relativamente à população mutante. Os dois trocam breves palavras nos corredores do Congresso mas ficam claras as suas divergências no que à coexistência entre as duas espécies diz respeito.
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Professor X e Magneto, as duas faces de uma causa.
Longe dali, numa pequena cidade do Mississipi, uma adolescente chamada Marie deixa o seu namorado em coma depois de permitir que este a beijasse. Apavorada com o perigo que as suas habilidades mutantes representam para aqueles que a rodeiam, a jovem foge de casa e assume a identidade de Vampira.
Na cidade canadiana de Alberta, Vampira encontra Logan, mais conhecido por Wolverine, um mutante possuidor de fator de cura acelerada e com garras metálicas retráteis nas mãos. Apesar de relutante, Wolverine acaba por consentir que Vampira o acompanhe na sua jornada através dos gélidos confins do Grande Vizinho do Norte.
A viagem de ambos é, porém, abruptamente interrompida quando sofrem uma emboscada montada por Dentes-de-Sabre, um dos apaniguados de Magneto e membro da Irmandade de Mutantes. 
Com Wolverine ainda aturdido e a recuperar dos graves ferimentos sofridos, Vampira é salva pela intervenção de Ciclope e Tempestade, dois dos X-Men reunidos por Charles Xavier.

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Amizade entre proscritos.
Levados para a Escola de Jovens Sobredotados instalada na mansão de Xavier, nos arrabaldes nova-iorquinos, Wolverine e Vampira travam conhecimento com os restantes X-Men e com os alunos mutantes que frequentam a instituição.
Xavier pede a Wolverine que permaneça na escola enquanto os X-Men investigam os planos de Magneto, que parece ter um especial interesse nas capacidades do mutante canadiano. Vampira, por sua vez, é integrada numa das turmas e logo faz amizade com Bobby Drake, o Homem de Gelo. 
Dias depois, o Senador Kelly é raptado por Mística e por Sapo, da Irmandade de Mutantes. Levado para o esconderijo de Magneto numa ilha não-cartografada, Kelly é usado como cobaia para testar os efeitos de uma máquina capaz de induzir mutações em seres humanos normais. Contudo, o esforço despendido por Magneto para energizar o aparato deixa-o exaurido.
Graças às suas novas habilidades mutantes, Kelly consegue evadir-se da base secreta da Irmandade de Mutantes e dá à costa numa praia apinhada de gente.

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Mutante de mil caras.
Enquanto isso, depois de ter usado os seus poderes para absorver temporariamente as capacidades regenerativas de Wolverine - que a tinha, acidentalmente, trespassado com as suas garras de adamantium - , Vampira é convencida por Bobby Drake (na verdade, Mística) de que a sua presença na Escola Xavier é indesejada, devendo partir de imediato. 
Ao detetar a fuga da sua mais recente pupila, o Professor X recorre ao seu supercomputador Cérebro para localizar Vampira numa estação ferroviária a vários quilómetros da mansão e envia os X-Men para resgatá-la.Sem que ninguém se aperceba, Mística, agora disfarçada de Charles Xavier, implanta um vírus informático em Cérebro.
Adiantando-se aos seus colegas de equipa, Wolverine encontra Vampira a bordo de um comboio e convence-a a regressar com ele para a Escola Xavier. Contudo, antes que os dois possam arrepiar caminho são atacados por Magneto, que derruba Wolverine e sequestra Vampira.
Malgrado os esforços de Xavier para deter Magneto, este acaba por levar avante os seus intentos ao ameaçar matar os agentes policiais que haviam acorrido à estação de caminhos de ferro.
Quando o Senador Kelly chega à Escola Xavier à procura de ajuda para a sua nova condição, o Professor X submete-o a uma sondagem telepática. Ficando assim a conhecer o verdadeiro plano de Magneto e o funcionamento da máquina por ele construída. Ao observar o estado debilitado de Magneto após operá-la, Xavier deduz que o vilão pretende transferir os seus poderes para Vampira, usando-a como uma bateria para o seu dispositivo, o que resultará na morte da jovem.

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Os pupilos do Professor X.
Já depois do corpo de Kelly se ter liquefeito, Xavier recorre novamente a Cérebro para descobrir o paradeiro de Vampira, mas fica incapacitado devido à sabotagem executada por Mística. Cabendo então a Jean Grey usar os seus poderes telepáticos para se conectar ao supercomputador. Apesar da agonia que isso lhe causa, Jean consegue descobrir que Magneto instalou a sua máquina na cabeça da Estátua da Liberdade e que tenciona usá-la para transformar em mutantes os líderes mundiais reunidos numa cimeira histórica das Nações Unidas  à qual Ellis Island serve de palco.
Ao mesmo tempo que Magneto transfere os seus poderes para Vampira, os X-Men enfrentam a Irmandade de Mutantes no interior da Estátua da Liberdade. A máquina de Magneto acaba, no entanto, destruída pelos heróis antes que os seus raios pudessem atingir o alvo. 
Para salvar a vida de Vampira, Wolverine permite que ela lhe absorva o seu fator de cura, mergulhando de imediato num coma. 
Já com Wolverine e Xavier restabelecidos, os X-Men descobrem que Mística escapou de Ellis Island usando o falecido Senador Kelly como disfarce. Xavier sonda telepaticamente a mente de Wolverine e fornece-lhe pistas sobre o seu passado numa instalação militar secreta numa região remota do Canadá.
Aprisionado numa cela de plástico suspensa num complexo subterrâneo, Magneto recebe a visita de Xavier. Terminada a partida de xadrez disputada por ambos, Magneto avisa o seu velho amigo que pretende recuperar a sua liberdade para liderar a revolução mutante. Ao que Xavier responde que, quando esse dia chegar, ele estará lá fora à sua espera.


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Prémios e nomeações

X-Men traduziu em prémios metade das 26 nomeações recebidas. Foi particularmente bem-sucedido nos Saturn Awards ao sair vitorioso em segmentos importantes como Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Realizador (Bryan Singer), Melhor Argumento (David Hayter) e Melhor Ator (Hugh Jackman). Um registo notável que faz de X-Men o filme mais galardoado da trilogia original (2000-2006), mas apenas o quinto de toda a franquia, que, recorde-se, inclui igualmente as três películas de Wolverine e as duas já realizadas de Deadpool.

Curiosidades

*Por considerar os comics um género literário menor, Bryan Singer declinou três vezes a proposta para assumir a direção da primeira longa-metragem baseada nos X-Men. Homossexual assumido, o realizador celebrizado por Os Suspeitos do Costume (1995) mudaria radicalmente de opinião após ler algumas das sagas mais marcantes dos Filhos do Átomo, às quais ficou rendido visto abordarem temas como o preconceito e a discriminação de minorias;
*Conscientes do risco de iniciarem uma franquia dispendiosa que poderia não ir além do primeiro filme, os executivos da 20th Century Fox deram luz  verde a  um orçamento de "apenas" 75 milhões de dólares para X-Men. Valor modesto por comparação com os mais de 100 milhões de dólares que, à época, eram alocados, em média, aos blockbusters estivais;
*Apesar de expressamente proibidas por Bryan Singer, que as considerava uma influência nociva para os atores, as revistas dos X-Men circularam clandestinamente entre o elenco do princípio ao fim das filmagens;

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Ian McKellen lê a adaptação oficial de X-Men aos quadradinhos.
*Nem Patrick Stewart nem Ian McKellen sabiam jogar xadrez. Houve, por isso, a necessidade de contratar um mestre para ensinar-lhes os preceitos básicos do jogo;
*Há muito desejado pelos fãs para o papel de Professor X, o britânico Patrick Stewart foi a única escolha de Bryan Singer e o primeiro ator a ser escalado para o filme. Isto apesar do profundo desconhecimento de Stewart acerca dos heróis mutantes criados por Stan Lee e Jack Kirby;
*O exterior de uma destilaria de Toronto fez as vezes do campo de concentração nazi que enquadra a cena de abertura do filme. Curiosamente, essa havia sido a última cena a ser gravada no Canadá;
*Desde a sua primeira aparição em 1981, Vampira (Rogue, em inglês) nunca possuíra uma identidade civil. Crismada simplesmente de Marie no filme, o seu apelido - D'Ancanto - seria revelado no capítulo seguinte da saga. Em consequência disso, à sua versão canónica seria entretanto atribuído o nome Anna Marie;
*Indiferente ao facto de Vampira ser, à data, uma personagem relativamente secundária nas histórias dos X-Men, Bryan Singer concedeu-lhe papel central na trama, devido à sua capacidade mutante para drenar as memórias, habilidades e energia vital de todos aqueles em quem toca. Misturando elementos de Jubileu e Kitty Pryde, outras jovens pupilas do Professor X na BD, a caracterização de Vampira visou convertê-la num símbolo de alienação das minorias;

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Vampira foi personagem charneira em X-Men.
*A troca de sorrisos entre um menino e Ciclope durante a cena na estação ferroviária foi totalmente improvisada. O menino era um grande fã dos X-Men, sendo Ciclope o seu favorito, razão pela qual não conseguia parar de sorrir para James Marsden. Bryan Singer gostou tanto dessa interatividade espontânea que decidiu incluir a cena no filme, em detrimento da que havia sido inicialmente planeada;
*Composta por 110 próteses personalizadas que cobriam 60% da sua área corporal, a maquilhagem de Mística demorava 9 horas a ser aplicada. Rebecca Romijn-Stamos estava, ademais, proibida de beber álcool ou viajar de avião na véspera de ser submetida ao processo de caracterização, dado o risco de ser desencadeada uma reação química de efeitos imprevisíveis. Apesar dessas interdições, no último dia de filmagens a atriz levou consigo uma garrafa de tequila, que dividiu com o restante elenco. Sucede que ainda lhe faltava gravar a cena de luta com Wolverine, durante a qual Rebecca cobriria Hugh Jackman de vómito azul;
*Tyler Mane ficou temporariamente cego devido ao uso de lentes especiais requerido para a sua caracterização como Dentes-de-Sabre;
*Conhecido pela sua ferocidade animal e pelo seu instinto assassino nos quadradinhos, no filme Wolverine não é responsável por qualquer morte;
*Reverso do sonho do Professor X de uma coexistência harmoniosa entre humanos e mutantes, a Irmandade de Mutantes de Magneto é um grupo terrorista que se bate pela supremacia do Homo Superior. Pela mão de Stan Lee e Jack Kirby, a Irmandade de Mutantes fez a sua estreia em X-Men nº4 (março de 1964), tendo como membros fundadores, além do próprio Mestre do Magnetismo, Sapo (anteriormente conhecido como Groxo, no Brasil), Mestre Mental e os gémeos Mercúrio e Feiticeira Escarlate (filhos secretos de Magneto);
*Na dupla qualidade de coautor dos Filhos do Átomo e de produtor executivo da película,, o malogrado Stan Lee fez um cameo em X-Men. É ele o homem junto a uma rulote de cachorros-quentes à entrada da praia quando o Senador Kelly emerge do oceano.

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A primeira Irmandade de Mutantes.

Veredito: 75% 

Pelo seu significado e repercussão - equiparável apenas a Superman, The Movie - X-Men foi o principal responsável pelo regresso em força dos super-heróis ao grande ecrã. De onde andavam arredados há largo tempo, tanto por conta do elevado custo desse tipo de produções como pelos apocalipses de bilheteira de algumas delas, tornando-as um género menor aos olhos de Hollywood.
Através de um veículo inteligente, ágil e respeitoso à fonte, Bryan Singer conseguiu estabelecer grande identificação entre o público e as personagens do seu filme. Que transita elegantemente por temáticas tão atemporais como a amizade entre inadaptados sociais e o preconceito de que são alvo.
Singer tem, no entanto, de dividir os méritos de X-Men com David Hayter, autor de um argumento adulto, sagaz e bem trabalhado. É, com efeito, na sua sólida trama (a única original em toda a saga cinematográfica dos X-Men) que reside a mais-valia da película.
Por contraste com muitas adaptações atuais de super-heróis, que privilegiam a espetacularidade visual em prejuízo da consistência narrativa, X-Men presenteia os espectadores com uma história envolvente, repleta de dramas interpessoais, ambivalência moral e amizades nascidas do infortúnio.
A despeito da desenvoltura narrativa de Hayter, a curta duração do filme não lhe permitiu porém desenvolver satisfatoriamente todas as personagens que desfilam pelo ecrã - sendo Tempestade, remetida a um estranho mutismo, a maior vítima dessa circunstância.
O que mais empalidece X-Men quando é feita a comparação com muitas das produções atuais é a notória falta de ambição no que à grandiosidade diz respeito. O filme dececiona nas cenas de ação carentes de espetacularidade e emoção - exceção feita às que têm Mística como protagonista.
Se, mesmo analisando X-Men com a perspetiva concedida por quase uma vintena de anos, o filme se mantém apelativo do ponto de vista simbólico, o mesmo não poderá dizer-se dos seus efeitos especiais datados. Tecnicamente, X-Men não envelheceu bem, comprometendo em certa medida o toque verosímil que Singer se esforçou por imprimir-lhe.
Nada disto impede, contudo, que X-Men continue a exalar o fascínio de um clássico que criou caminho deslizante para a prosperidade do género super-heroico, que vive por estes dias (pelo menos, no cinema) a sua segunda Idade de Ouro. Se X-Men não tivesse sido produzido -  ou tivesse fracassado - as adaptações de quadradinhos ao grande ecrã seriam hoje seguramente muito menos exuberantes.

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X-Men escancarou as portas do futuro a todo um género.










segunda-feira, 30 de outubro de 2017

RETROSPETIVA: «X-MEN - DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO»


 Mutantes de duas épocas entrelaçadas procuram desesperadamente reescrever a História a fim de prevenir um distópico porvir. Missão, ainda assim, menos complicada do que o reajustamento da cronologia de uma franquia que faz gala dos seus paradoxos. Mesmo tendo falhado esse objetivo, o filme - vagamente inspirado no clássico epónimo e o primeiro dos X-Men indicado para um Óscar - arrebatou a crítica e os fãs.

Título original: X-Men: Days of Future Past
Ano: 2014
País: EUA
Duração: 131 minutos
Género: Ação/Fantasia/Super-heróis
Produção: 20th Century Fox, Marvel Entertainment e The Donners' Company
Realização: Bryan Singer
Argumento: Simon Kinberg (baseado na obra homónima de Chris Claremont e John Byrne)
Distribuição: 20th Century Fox
Elenco: Hugh Jackman (Logan/Wolverine); James McAvoy e Patrick Stewart (Professor Charles Xavier), Michael Fassbender e Ian McKellen (Erik Lehnsherr/Magneto); Jennifer Lawrence (Raven Darkholme/Mística);  Nicholas Hoult e Kelsey Gremmer (Dr. Hank McCoy/Fera); Halle Berry (Ororo Munroe/Tempestade); Ellen Page (Kitty Pryde/Lince Negro); Shawn Ashmore (Bobby Drake/Homem de Gelo); Peter Dinklage (Bolivar Trask); Evan Peters (Peter Maximoff/Mercúrio); Josh Helman (Major William Stryker); Omar Sy (Bishop); Daniel Cudmore (Piotr Rasputin/Colossus); Fan Bingbing (Blink); Adan Canto (Mancha Solar); Booboo Stewart (Apache); Anna Paquin (Marie/Vampira); Famke Janssen (Jean Grey) e James Marsden (Scott Summers/Ciclope)
Orçamento: 200 milhões de dólares
Receitas globais: 747,9 milhões de dólares


Pré- produção e desenvolvimento

Face aos resultados dececionantes de X-Men 3: The Final Stand (2006), a 20th Century Fox , mesmo sem o assumir publicamente, perspetivou X-Men: First Class (2011) como o capítulo inaugural de uma nova trilogia baseada nos heróis mutantes criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby.
As primeiras informações veiculadas apontavam para os regressos de Matthew Vaughn e Bryan Singer. Ao primeiro, que dirigira X-Men: First Class, ficaria novamente reservada a cadeira de realizador. Ao passo que Singer, realizador de X-Men e X-Men 2, vestiria agora a pele de produtor.
Simon Kinberg, coargumentista de X-Men 3 e coprodutor de X-Men: First Class, foi contratado, em novembro de 2011, para escrever o enredo do novo filme. Tendo, para esse efeito, estudado vários clássicos da 7ª Arte que abordavam as viagens no tempo. Casos, por exemplo, de The Terminator ou Back to the Future.
Quando, em outubro de 2012, Vaughn trocou a direção do projeto pela de Kingsman, Singer perfilou-se como a escolha natural para o substituir.


Dança de cadeiras:
Bryan Singer substituiu Matthew Vaughn (cima) na direção do projeto.
Já depois de ter anunciado a data de estreia da película, em agosto de 2012 a Fox confirmou oficialmente o respetivo título: X-Men: Days of Future Past.
Com um orçamento de 200 milhões de dólares, Days of Future Past começou a ser rodado em abril de 2013. Cumprindo o cronograma estipulado, as filmagens ficaram concluídas cinco meses depois, em setembro do mesmo ano. A Cité du Cinema e outras localizações da cidade canadiana de Montreal - como o seu icónico Estado Olímpico - serviram de cenário às gravações. Chris Claremont, coautor da saga original, foi contratado como consultor.
Além de ter sido a segunda produção mais dispendiosa da Fox depois de Avatar (2009), Days of Future Past foi também a primeira longa-metragem dos X-Men filmada em 3D.
A 10 de maio de 2014, o Centro de Convenções Jacob Javits, em Nova Iorque, foi o palco escolhido para acolher a antestreia mundial de X-Men: Days of Future Past. Onze dias depois o filme chegaria às salas de cinema de todo o mundo.

Caça aos mutantes.

Enredo: Em 2023, robôs Sentinelas são programados para identificar e exterminar mutantes e seus aliados humanos. Durante um raide na Rússia que praticamente erradica a população local de Homo superiores, Kitty Pryde faz a consciência de Bishop retroceder alguns meses de modo a prevenir a chacina. Apesar de bem-sucedido, o expediente tem eficácia e alcance limitados devido ao seu impacto na fisiologia do viajante temporal.
Após ser contactada telepaticamente pelo Professor Xavier, Kitty reúne-se aos mutantes sobreviventes acantonados num remoto templo chinês. É lá que fica a conhecer a origem dos Sentinelas. Projetados por Bolivar Trask - assassinado por Mística em 1973 - os robôs tornaram-se virtualmente invencíveis graças a uma amostra do ADN da mutante.

Num futuro não muito distante,
 os Homo superiores encaram a ameaça de extinção.
Kitty sugere usar a sua habilidade para enviar alguém ao passado por forma a impedir o assassinato de Trask e, desse modo, alterar o curso da História. Xavier pondera ser ele a viajar no tempo, mas Wolverine voluntaria-se, alegando que o seu fator de cura lhe garantiria maiores hipóteses de sobreviver ao processo.
Logo depois de ter acordado em 1973, Wolverine visita a Mansão X, onde quase já não existem vestígios da Escola para Jovens Sobredotados fundada por Charles Xavier. É lá também que o herói canadiano encontra o seu antigo mentor, com notórios sintomas de alcoolismo e depressão.
Graças a um soro especial desenvolvido pelo Dr. Henry McCoy (o Fera), Xavier recuperou a capacidade de andar. Em contrapartida, os seus poderes psíquicos foram desabilitados pela substância.
Na esperança de que isso lhe permita reencontrar Mística, Xavier concorda em auxiliar Wolverine a resgatar Magneto da prisão especial localizada no subsolo do Pentágono. O que, contudo, só é possível graças à supervelocidade de Mercúrio, o jovem mutante entretanto recrutado para a operação.

Magneto prestes a ser resgatado da prisão especial
onde passara os últimos meses.
Mística descobre que Trask tem vindo a usar mutantes como cobaias para as suas sinistras experiências científicas e resolve matá-lo durante a cerimónia dos Acordos de Paz de Paris que serviriam para  pôr fim à Guerra do Vietname. Sendo, no entanto, impedida de consumar os seus desígnios por Xavier e Magneto. Este resolve matar a ex-amante por forma a certificar-se que o futuro apocalíptico descrito por Wolverine jamais terá lugar.
Ao intervir para salvar a vida de Mística, o Fera acaba por expor-se a si e aos seus companheiros como mutantes.
Tirando proveito da histeria anti-mutante potenciada pelo incidente, Trask consegue persuadir o Presidente Nixon a autorizar o Programa Sentinela. Entretanto, Magneto assume em segredo o controlo dos Sentinelas já construídos.

"Mutantes são o inimigo", clama um cartaz das Indústrias Trask.
Novamente confinado a uma cadeira de rodas depois de abandonar o soro que suprimia os seus talentos psíquicos, Xavier socorre-se deles para comunicar com o seu eu mais velho. Que o inspira a manter vivo o seu sonho de uma coexistência harmoniosa entre humanos e mutantes.
Depois de usar Cérebro (o supercomputador que permite a deteção remota de portadores do gene X) para localizar Mística, Xavier e seus aliados rumam a Washington D.C. com o propósito de fazerem abortar os planos da mutante transmorfa para assassinar Trask.
Enquanto Nixon apresenta, com pompa e circunstância, os Sentinelas, Xavier, Fera e Wolverine procuram Mística. Que, disfarçada de agente dos Serviços Secretos, se encontra perigosamente perto do Presidente e de Bolivar Trask.
Antes que Mística consiga agir, Magneto entra em cena controlando os Sentinelas e fazendo levitar um estádio de basebol acima da Casa Branca. Wolverine ataca o mestre do magnetismo mas é prontamente rechaçado, acabando atirado para as águas do rio Potomac.
No meio da confusão instalada, Nixon, Trask e Mística (ainda disfarçada de agente dos Serviços Secretos) procuram abrigo num bunker subterrâneo instalado sob a Sala Oval. O qual é arrancado por Magneto para fora da Casa Branca com a intenção de matar todos os seus ocupantes.


A cerimónia de apresentação dos Sentinelas presidida por Nixon.
No futuro, os Sentinelas invadem o templo que dá guarida aos mutantes, matando vários deles, incluindo Tempestade. Também Magneto é gravemente ferido durante o ataque e a capitulação parece iminente.
Entretanto, no passado, Mística impede Magneto de assassinar Nixon mas não desiste da sua intenção de liquidar Trask. No último instante Xavier consegue demovê-la de o fazer, explicando-lhe que isso apagará os Sentinelas da existência, poupando assim muitas vidas inocentes.
Mística parte com Magneto e Trask é posto atrás das grades por ter tentado vender segredos militares norte-americanos a dignitários vietnamitas.
No presente, Wolverine desperta na Mansão X e encontra todos os outros X-Men vivos e de boa saúde. Sendo, contudo, o único a estar ciente das alterações ocorridas na História.
Numa cena pós-créditos, uma multidão em transe venera com os seus cânticos En Sabah Nur (nome de batismo de Apocalipse) enquanto este faz flutuar pelo ar enormes blocos de pedra que servem para construir uma antiga pirâmide egípcia. Proeza testemunhada à distância pelos seus quatro Cavaleiros.

Trailer:



Versão alternativa

A 14 de julho de 2015, data em que a franquia dos X-Men cumpria o seu 15º aniversário, a 20th Century Fox Home lançou uma versão alternativa de Days of Future Past. Sob o título genérico The Rogue Cut, incluía 17 minutos de cenas cortadas e uma subtrama envolvendo Vampira (Rogue, no original), cuja participação no filme, recorde-se, se resumira a um brevíssimo cameo de poucos segundos.
Em Rogue Cut a narrativa é mais complexa e o papel desempenhado nela por Vampira menos inconsequente. Quando, devido à ação de William Stryker, a consciência de Wolverine balança entre o passado e o futuro - levando-o a ferir acidentalmente Kitty Pryde com as suas garras - o Professor X chama a atenção para a necessidade de Logan dispor de mais tempo no passado. O Homem de Gelo propõe então invadir a antiga Escola Xavier para Jovens Sobredotados, onde Vampira se encontra confinada sob a apertada vigilância dos Sentinelas.
Levada a cabo pelo Professor X, Magneto e Homem de Gelo, a operação de resgate é coroada de êxito, mas apenas os dois primeiros escapam com vida.
A partir do baluarte da resistência mutante, Vampira, embora devastada pela perda do namorado, assume o lugar de Kitty Pryde durante o tempo necessário para que, em 1973, Wolverine consiga alterar o curso da História.

Em Rogue Cut, é Vampira a assegurar
 o sucesso da missão de Wolverine.
Os Sentinelas conseguem, porém, encontrar o esconderijo dos mutantes graças a um dispositivo de localização que um dos robôs havia conseguido colocar no Pássaro Negro (o sofisticado jato dos X-Men) no momento da fuga do comando mutante da Mansão X.
A versão alternativa inclui ainda duas outras cenas: a primeira mostra Mística a visitar a Mansão X enquanto Xavier e Logan dormiam o sono dos justos. Após uma tórrida noite de amor com o Fera, Mística sai furtivamente antes do alvorecer, não sem antes sabotar Cérebro, de modo a evitar que Xavier lhe siga o rasto. Já a segunda mostra como a prisão especial do Pentágono está a ser reparada enquanto recebe um novo recluso. Ninguém menos do que Bolivar Trask.

Fera e Mística: paixão em tons de azul.

Prémios e nomeações

Além da inédita indicação para um Óscar na categoria de Melhores Efeitos Visuais, Days of Future Past recebeu nomeações para dezenas de outros prémios. Arrecadaria, no entanto, apenas quatro. A saber: um Empire Award para Melhor Filme de Ficção Científica, um Saturn Award para Melhor Edição Especial em DVD e dois Visual Effects Society Awards para Melhor Fotografia e Melhores Efeitos Especiais.

Curiosidades

*Quando Wolverine acorda em 1973, a mulher deitada ao seu lado na cama chama-lhe Jimmy. Algumas revisitações recentes da origem do mutante canadiano estabeleceram James Howlett como seu nome de batismo. Logan, por seu turno, corresponde ao apelido herdado do seu pai biológico, Thomas Logan. Originalmente, nessa mesma cena, Logan deveria usar boxers ao sair da cama. Alegando que, na sua Austrália natal, nenhum homem a sério acorda vestido ao lado de uma mulher bonita, Hugh Jackman vetou essa diretriz e brindou a plateia com uma visão do seu traseiro desnudo;
*Halle Berry teve o seu papel como Tempestade substancialmente reduzido em consequência da sua gravidez. Não obstante, o seu nome surge em destaque nos créditos do filme;
*Com o intuito de assegurar a verosimilhança e a exequibilidade do conceito de viagens no tempo na película cuja direção assumiu após a saída de Matthew Vaughn, Bryan Singer discutiu durante duas horas com James Cameron (Exterminador Implacável, Avatar) alguns teoremas da física quântica, mormente a complexa Teoria das Cordas. Singer resumiu desta forma aquela que é a pedra angular do enredo de Days of Future Past: "Até um objeto ser observado, ele é inexistente. Ao viajante do tempo, cuja consciência retrocede até a uma determinada época, eu chamo, portanto, Observador. Enquanto o Observador não regressar ao seu ponto de partida, esse futuro será apenas um cenário em aberto. É por isso que, em teoria, seria possível alterá-lo. No filme, Wolverine é o Observador a quem compete reescrever cirurgicamente o passado para precaver um Amanhã de pesadelo.";
*Na sua audiência no Senado norte-americano, Bolivar Trask lê em voz alta alguns excertos de uma dissertação académica que explica como a emergência do Homo sapiens induziu a extinção do Homem de Neandertal, seu antepassado na escala evolutiva. A referida dissertação fora elaborada por Charles Xavier que, em X-Men: First Class, também lera as mesmas passagens a Mística. Len Wein (cocriador de Wolverine, recentemente falecido) e Chris Claremont (o autor da saga original) são dois dos congressistas que assistem à preleção de Trask;
*Desde The Dark Knight Rises (2012) que nenhum filme de super-heróis reunia um elenco tão sumptuoso. Além de três atrizes oscarizadas (Anna Paquin, Halle Berry e Jennifer Lawrence), Days of Future Past contabilizou ainda cinco nomeados pela Academia de Hollywood: Hugh Jackman, Michael Fassbender, Ellen Page, Michael Lerner e Ian McKellen;

Um elenco que era uma verdadeira constelação.
*Quando aos comandos do projeto estava ainda Matthew Vaughn, caberia ao Fanático a missão de resgatar Magneto da prisão. Escalado para o papel que, em X-Men 3: The Final Stand (2006), pertencera ao britânico Vinnie Jones, Josh Helman acabaria por encarnar o jovem William Stryker depois de Bryan Singer ter decidido colocar Mercúrio no lugar do Fanático. Troca que, curiosamente, só se verificou após a confirmação de que o filho de Magneto também marcaria presença em Vingadores: Era de Ultron (2015). Especula-se que esse poderá ter sido o estratagema encontrado pela Fox para salvaguardar os seus os direitos sobre a personagem;
*Enquanto Magneto faz levitar um estádio inteiro sobre Washington D.C., é possível ver uma pequena Jean Grey de olhos postos no céu, indiferente à multidão espavorida que a rodeia.

Uma Jean Grey de palmo e meio
assiste às proezas de Magneto.

Diferenças em relação à BD

Obra capital no repertório dos Filhos do Átomo, Days of Future Past granjeou há muito o estatuto de clássico da 9ª Arte de leitura obrigatória para qualquer "bedéfilo".
Publicada originalmente em janeiro e fevereiro de 1981, nos números 141 e 142 de The Uncanny X-Men, a história teve o cunho de Chris Claremont* e John Byrne**, o binómio criativo responsável  por aquela que é quase unanimemente considerada a fase áurea dos heróis mutantes.
Antes da sua transposição ao grande ecrã, Days of Future Past tivera já direito a duas adaptações televisivas em outras tantas séries animadas dos X-Men: X-Men (1992-97) e Wolverine and the X-Men (2009).
No entanto, se essas adaptações prévias tiveram na fidelidade ao conceito original o seu eixo comum, o mesmo não se poderá dizer da sua versão cinematográfica.
Tantas são, de facto, as discrepâncias relativamente à saga original que, quanto muito, poderá considerar-se que o filme é vagamente inspirado nela.
De tão extensa que é a lista, limito-me, por isso, a identificar apenas algumas das diferenças fundamentais relacionadas com o protagonista, a trama e o desfecho desta.

A capa de Uncanny X-Men nº141 (1981)
 ocupa lugar de relevo na iconografia da 9ª Arte.
Comecemos então pelo protagonista. Na história original, esse posto cabe a Kitty Pryde. É a sua consciência que é enviada para o passado com a missão de alertar os X-Men para o lúgubre futuro que os espera. O facto de ela ser, à época, a novata da equipa foi preponderante para a escolha de Kitty. Ademais, a ausência de bloqueios mentais facilitaria a leitura dos seus pensamentos por parte do Professor X, fornecendo ao líder dos X-Men uma visão mais nítida do porvir.
No filme, como sabemos, é Wolverine a viajar ao passado. E há uma boa razão para isso: o seu fator de cura torna-o o único capaz de suportar os danos cerebrais decorrentes de passar longos períodos de tempo com a consciência numa época diferente.
No que à trama diz respeito, na história original Kitty Pryde regressa aos anos 1980 (e não a 1973) para prevenir os X-Men para as consequências catastróficas do assassinato do Senador Robert Kelly, o promotor político de uma virulenta campanha anti-mutante.  Crime cometido por Sina, da Irmandade de Mutantes, e que motivaria o Governo dos EUA a autorizar a produção em massa dos Sentinelas, já velhos conhecidos dos X-Men.
Apesar da premissa comum, no filme é a morte do Major William Stryker às mãos de Mística  a pôr em marcha essa trágica cadeia de eventos.
Também o tratamento aplicado pelos Sentinelas aos mutantes é um aspeto pouco explorado na película. Na BD os robôs de Trask promovem uma segregação entre humanos que podem procriar, humanos portadores do gene X latente (proibidos de se reproduzirem) e Homo superiores. A estes últimos restam duas opções: o extermínio ou o confinamento em campos de concentração onde são obrigados a usar colares inibidores de poder. Sendo este o único elemento presente no filme, no qual pouco mais é revelado acerca do destino dado aos mutantes capturados.

Lápides com os nomes de X-Men
 testemunham o genocídio mutante na saga original.
Previsivelmente, todas estas divergências conduzem a desfechos distintos para as duas versões da mesma história. Enquanto na BD os X-Men chegam a tempo de evitar o assassinato do Senador Kelly - daí resultando um acirrado conflito com a Irmandade de Mutantes - no filme é Mística quem, ironicamente, impede Magneto de cometer uma chacina.
Todas estas licenças poéticas não deturpam, ainda assim, a essência e o escopo da saga que serviu de base ao enredo da película. Algo que por si só é digno de louvor, atendendo ao ror de adaptações que, de tão heterodoxas, deixam irreconhecíveis as respetivas matrizes.

*http://bdmarveldc.blogspot.pt/search?q=chris+claremont
**http://bdmarveldc.blogspot.pt/2015/01/eternos-john-byrne-1950.html

Veredito: 70%

Ironia das ironias: Days of Future Past foi escolhido pelos mandachuvas da Fox porque a história permitiria atar as muitas pontas soltas na cronologia de uma franquia que, recorde-se, além dos X-Men integra também Wolverine e Deadpool.
Ora, o filme não só falhou redondamente em resolver este ponto problemático como ainda acrescentou mais uns quantos fios emaranhados a um novelo que poucos se atreverão a tentar desembaraçar. Alguns exemplos: além de ficar intangível, Kitty Pryde parece ter descoberto da noite para o dia possuir a habilidade de enviar consciências alheias de volta no tempo; o Professor X regressou do além-túmulo depois de ter sido assassinado por Jean Grey em X-Men 3; e também Wolverine recuperou as suas garras de adamantium perdidas no seu segundo filme a solo.
Para nenhuma destas inconsistências é aventada qualquer justificação. O que não deixa de causar estranheza se consideramos que o enredo de Days of Future Past ambicionava conectar a trilogia original dos X-Men, os dois filmes de Wolverine e ainda X-Men: First Class.
Se fizermos vista grossa a estes pecadilhos cronológicos e nos focarmos na trama, o núcleo futurista é uma das suas mais-valias. O peso dramático de um mundo pós-apocalíptico é sentido perfeitamente pelo espectador e as cenas de combate com os Sentinelas são soberbas.
Perante essa atmosfera sufocante, é mais do que bem-vindo o alívio cómico proporcionado pelas sequências protagonizadas por Mercúrio. Sendo, de resto, muito interessante a forma como as duas perceções - do próprio e dos outros - da sua supervelocidade foram mostradas. Curioso notar, a este propósito, como Evan Peters emprestou o seu carisma a uma personagem que nunca o possuiu na BD.

O impagável Mercúrio em ação.
Apesar do natural destaque concedido a Wolverine na trama, ele é um falso protagonista. Pela primeira vez na franquia, Charles Xavier é o coração e a alma da história. E o resultado é sensacional, muito por conta da magistral representação de James McAvoy.
Quase sempre retratado como um rochedo inabalável nas suas convicções, desta feita o mentor dos X-Men debate-se com uma crise de fé. Ficando bem patente o quanto esse seu estado de alma se reflete na comunidade Homo superior e, por irradiação, no mundo inteiro.
Outro ponto positivo do filme é, aliás, a ausência de maniqueísmo: as retaliações de humanos e mutantes afiguram-se justificáveis e inevitáveis porque, no fundo, todos estão errados. Cabendo dessa forma a Charles Xavier a ingrata missão de se assumir como o fiel de uma balança que pende cada vez mais para o ódio inter-espécies.
Boa parte desses e de outros méritos da produção devem ser atribuídos a Bryan Singer, cineasta que já deu sobejas provas do seu amor ao género super-heroico e do seu profundo conhecimento do universo dos X-Men.
De facto, mais importante do que a estética ou a cronologia, é o conteúdo social, moral e filosófico que sempre esteve no cerne das melhores histórias dos Filhos do Átomo. E é por isso que as imperfeições de Days of Future Past merecem ser perdoadas.






quinta-feira, 15 de outubro de 2015

EM CARTAZ: «X-MEN: PRIMEIRA CLASSE»





  Nesta prequela que esteve para ser um spin-off de Magneto e acabou por se converter no capítulo inaugural de uma nova e bem-sucedida trilogia cinematográfica dos X-Men, são revisitados os primórdios da causa mutante que ditou a separação de dois velhos amigos, colocando-os em lados opostos da barricada.


Título original: X-Men: First Class
Ano: 2011
País: Estados Unidos da América
Duração: 132 minutos
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Produtores: Bryan Singer, Simon Kinberg, Gregory Goodman e Lauren Shuler Donner
Realização: Matthew Vaughn
Argumento: Jane Goldman, Ashley Edward Miller e Zack Stentz
Distribuição: 20th Century Fox
Elenco: James McAvoy (Professor Charles Xavier), Michael Fassbender (Erik Lensherr/Magneto), Rose Byrne (Moira MacTaggert), Jennifer Lawrence (Raven Darkholme/Mística), January Jones (Emma Frost/ Rainha Branca), Nicholas Hoult (Dr. Hank McCoy/Fera), Jason Flemyng (Azazel), Lucas Till (Alex Summers/Destrutor), Edi Gathegi (Armando Muñoz/Darwin), Kevin Bacon (Dr. Klaus Schmidt/Sebastian Shaw), Caleb Landry Jones (Sean Cassidy/Banshee), Zoe Kravitz (Angel Salvadore) e Álex González (Janos Quested/Maré Selvagem)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 353,6 milhões de dólares

Uma causa, vários destinos.

Desenvolvimento: Durante a rodagem de X-Men 2 (2003), a produtora Lauren Shuler Donner debatera com a restante equipa a possibilidade de realização de um filme retratando a origem das personagens. A ideia foi bem acolhida e voltaria a ser aflorada aquando das filmagens do terceiro capítulo da saga. Zak Penn, um dos argumentistas de X-Men 3: O Confronto Final (2006), chegou mesmo a ser contratado para escrever e dirigir o spin-off. O projeto seria, contudo, abandonado pouco tempo depois.
   Em 2007, o próprio Zak Penn explicaria o que esteve na origem dessa decisão: "Inicialmente, a ideia consistia em que eu fizesse um filme mostrando os antecedentes da fundação dos X-Men. No entanto, Mike Chamoy, um tipo com quem eu trabalhara muito em X-Men 3, apresentou uma ideia mais interessante: e se fizéssemos um filme sobre a origem das personagens, que não fosse exatamente o que os fãs esperavam?"
  Paralelamente, os estúdios da Fox tinham dado luz verde a um projeto semelhante, mas focado exclusivamente na história de Magneto. Segundo Sheldon Turner, o argumentista contratado para escrever o enredo, este desenrolar-se-ia no período compreendido entre 1939 e 1955, e mostraria a luta pela sobrevivência de Erik Lensherr em Auschwitz. O filme chegou a ter data de estreia marcada para 2009, mas acabaria por sofrer diversos atrasos por causa da greve dos argumentistas que praticamente paralisou Hollywood nos dois anos anteriores.

De indesejado, Matthew Vaughn passou a aclamado.
   Depois de ler o arco de histórias X-Men: First Class (originalmente publicado pela Marvel Comics entre setembro de 2006 e abril de 2007), o produtor Simon Kinberg propôs à Fox que o adaptasse ao cinema. Por considerar que a saga não seguia uma linha narrativa inovadora, Kinberg não desejava que a adaptação lhe fosse demasiado fiel. Tanto ele como Lauren Donner pretendiam introduzir personagens novas, com poderes e visuais diferentes, mesmo que habitualmente não coabitassem nos comics. O avanço do projeto dependeria, porém, do sucesso do filme a solo de Magneto.
   Em 2008, Josh Schwartz aceitou escrever o argumento de X-Men: First Class, embora tenha declinado o convite para assumir também a sua realização. Bryan Singer (cineasta que dirigira as duas primeiras aventuras cinematográficas dos pupilos do Professor X), seria então sondado pela Fox. Apesar de se mostrar recetivo à ideia, Singer deixou claro que pretendia fazer uma abordagem muito diferente à história.
  Com o anúncio oficial do cancelamento do spin-off de Magneto por parte da Fox, o argumento da prequela dos X-Men foi reescrito. Por sugestão de Lauren Donner, o Clube do Inferno foi incluído na nova trama. A qual giraria, também, em torno daquilo que aproximava e afastava Charles Xavier e Erik Lensher, e de como essa dinâmica entre ambos influenciava a causa mutante.
  Tudo parecia bem encaminhado até que, em outubro de 2010, devido ao seu compromisso com a transposição de Jack, o Caçador de Gigantes ao grande ecrã, Bryan Singer desistiu da realização de X-Men: First Class. Manter-se-ia contudo vinculado ao projeto, embora na qualidade de produtor.
  Devido a esta contrariedade, a Fox começou imediatamente à procura de um substituto para Singer. Um dos nomes inicialmente excluídos foi precisamente o de Matthew Vaughn. Cineasta que, anos antes, fora o eleito para dirigir o terceiro filme dos X-Men, mas que preferira assumir a realização do satírico Kick-Ass (2010).
  No entanto, num daqueles volte-faces tão típicos das produções hollywoodescas, Vaughn seria mesmo o escolhido para ocupar a cadeira de realizador de X-Men: First Class. Sob a sua batuta, as filmagens arrancariam em outubro de 2010, nos estúdios Pinewood e em várias cidades da Geórgia. Não sem antes o enredo ter sido novamente reescrito. Um dos elementos removidos foi um triângulo amoroso envolvendo Xavier, Eric e Moira MacTaggert.
  Em retrospeto, Matthew Vaughn avalia assim o seu trabalho na prequela dos X-Men: "A minha principal preocupação foi fazer um bom filme, sólido o suficiente para se impor por si próprio. E que, ao mesmo tempo, servisse para revitalizar a franquia." Objetivo cumprido com distinção, visto que X-Men: First Class, além de um bem-sucedido reboot, foi também o capítulo inicial de uma nova trilogia estrelada pelos Filhos do Átomo.

Diversidade mutante.

Enredo: Em 1944, num campo de concentração nazi localizado algures na Polónia ocupada, o Dr. Klaus Schmidt testemunha o momento em que um pequeno prisioneiro curva mentalmente um portão metálico enquanto é apartado da sua mãe.
  Logo depois, mãe e filho são conduzidos ao gabinete de Schmidt. O nome do garoto é Erik Lensherr e Schimdt ordena-lhe que use as suas habilidades para mover uma moeda pousada sobre a sua secretária. Transido de medo, Erik não consegue atender o pedido  e vê a sua progenitora ser abatida a sangue-frio pelo médico. O choque faz com que os poderes do rapaz se manifestem, matando dois soldados e destruindo o gabinete antes de ser subjugado.
  Enquanto isso, a um continente de distância, numa sumptuosa mansão situada na periferia de Nova Iorque, um menino com dons telepáticos conhece uma pequena transmorfa, cuja verdadeira aparência é azulada e escamosa. Radiante por finalmente encontrar alguém também diferente, o pequeno Charles Xavier (assim se chamava o menino) convida Raven Darkholme a morar com a sua família. A partir desse dia, os dois tornam-se amigos inseparáveis e irmãos adotivos.
  Dezoito anos volvidos, em 1962, Erik Lensherr anda na peugada do assassino da sua mãe, enquanto Charles Xavier conclui o seu percurso académico em Oxford com uma revolucionária tese sobre mutações genéticas. Em Las Vegas, a operacional da CIA Moira MacTaggert segue o Coronel Hendry até ao Clube do Inferno. Grémio elitista e envolto em secretismo presidido por Sebastian Shaw, a nova identidade do Dr. Klaus Schmidt. Do seu  círculo interno fazem também parte Emma Frost (uma poderosa telepata), Azazel (um teleportador de aparência demoníaca) e Maré Selvagem ( mutante capaz de rodopiar o corpo a grande velocidade).
  Coagido por Shaw e teletransportado por Azazel para o Centro de Comando Militar nos arredores de Washington, D.C., Hendry cede os códigos de lançamento dos mísseis nucleares americanos instalados na Turquia. Levado novamente à presença de Shaw (que é, afinal, um mutante absorvedor de energia), é morto por ele.
Sebastian Shaw e Emma Frost: Rei Negro e Rainha Branca do Clube do Inferno.

  Procurando o conhecimento científico de Xavier sobre mutações genéticas, Moira MacTaggert leva-o a participar numa reunião no quartel-general da CIA. Ambos convencem o diretor da agência da existência de mutantes e da ameaça que Sebastian Shaw representa. É então criada a ultrassecreta Divisão X, com a finalidade de recrutar e treinar mutantes.
 Xavier e MacTaggert descobrem o paradeiro de Sebastian Shaw quando este está a ser atacado por Erik Lensherr. O líder do Clube do Inferno logra contudo escapulir-se, enquanto Xavier salva Erik de uma morte por afogamento.
  Persuadido a juntar-se à Divisão X, Erik descobre ter várias afinidades com Xavier e a amizade entre ambos vai-se consolidando à medida que o tempo passa. Os dois travam entretanto conhecimento com Hank McCoy, um jovem cientista mutante com pés preênseis, firmemente convencido de que o ADN de Raven Darkholme poderá conter a cura para a sua deformidade.

Charles Xavier e Erik Lensherr, amigos que o tempo deixou de costas voltadas.

  Xavier utiliza Cérebro, o dispositivo eletrónico concebido por McCoy para detetar Homo Superiores, para recrutar mutantes para a Divisão X. Entre os engajados incluem-se a stripper Angel Salvadore, o taxista Armando Muñoz, o recluso Alex Summers e o presunçoso Sean Cassidy. Uma vez reunidos e treinados, todos eles adotam codinomes.
 Quando, semanas depois, Emma Frost se encontra com um general soviético, Xavier e Erik capturam a concubina de Sebastian Shaw, descobrindo através dela que o vilão pretende deflagrar a III Guerra Mundial, para assim abrir caminho à ascensão do Homo Superior.
  Em retaliação, Sebastian Shaw e alguns dos seus apaniguados invadem a Divisão X, chacinando todos os humanos que encontram pela frente, mas deixando vivos os mutantes. Estes são convidados pelo líder do Clube do Inferno a juntarem-se a ele na nova ordem mundial. No entanto, apenas Angel Salvadore aceita o convite. Quando Sean Cassidy e Armando Munõz procuram impedi-la, o segundo é assassinado por Shaw.
 Com as instalações da Divisão X destruídas, Xavier decide levar os membros remanescentes para a mansão da sua família. Em Moscovo, Shaw compele um general soviético a instalar mísseis nucleares em Cuba. Usando um capacete bloqueador de sondagens telepáticas, o vilão recorre a um submarino para acompanhar o trajeto da frota soviética, por forma a assegurar-se de que esta não será travada pelo bloqueio naval norte-americano entretanto montado no perímetro da ilha.
  Raven, convicta de que McCoy se sentia atraído por ela na sua forma verdadeira, dissuade-o de testar a cura. Mais tarde recorre a múltiplas formas femininas para tentar seduzir Erik, que a faz perceber que ela é naturalmente bonita, dispensando portanto tais ardis.

Mística: sedução e insídia em tons de azul.

  Ao inocular em si mesmo um soro produzido a partir do ADN de Raven, McCoy sofre uma mutação secundária, em consequência da qual adquire um aspeto ferino com uma exuberante penugem azul-cobalto.     A bordo de um sofisticado jato supersónico, o grupo voa até à linha de bloqueio montada pela Armada norte-americana. Erik usa os seus poderes magnéticos para retirar o submarino de Shaw do mar, depositando-o de seguida em terra.
  Durante a refrega que se segue entre os X-Men e os acólitos do Clube do Inferno, Erik consegue arrancar o capacete de Shaw, permitindo dessa forma a Xavier imobilizá-lo psionicamente. Apesar das objeções de Xavier, Erik mata Shaw perfurando-lhe o cérebro com a mesma moeda que o vilão usara para testar as suas habilidades no campo de concentração nazi. Enquanto Shaw agoniza, Erik declara compartilhar da sua visão da supremacia mutante, mas que o desejo de vingar a morte da  mãe se sobrepõe ao ideal em comum.
  Temendo os mutantes, as frotas americana e soviética disparam mísseis sobre eles. Agastado, Erik usa os seus poderes para devolvê-los à procedência. Para tentar detê-lo, Moira MacTaggert abre fogo sobre Erik, mas ele deflete magneticamente as balas, uma das quais atinge acidentalmente a coluna vertebral de Xavier.
  Correndo para socorrer o amigo, Erik permite que os mísseis caiam no mar sem ferirem ninguém. Após uma breve troca de impressões entre ambos acerca das suas visões distintas sobre o papel dos mutantes no mundo, Erik parte, levando consigo Angel Salvadore, Azazel, Maré Selvagem e Mística.
  Agora paraplégico e contando com a  cumplicidade de Moira MacTaggert, Charles Xavier funda uma escola secreta para mutantes. Ao mesmo tempo, longe dali, Erik Lensherr (autodenominando-se Magneto), liberta Emma Frost do seu confinamento.
   
Trailer:




Curiosidades: 

* Na sua preparação para o papel de Charles Xavier, James McAvoy decidiu rapar por completo a cabeça. Os produtores pretendiam, no entanto, que a versão jovem da personagem dispusesse de uma farta cabeleira. Circunstância que obrigou o ator a usar perucas e extensões capilares durante as filmagens;
* Às características de personalidade de Sebastian Shaw na BD, o seu avatar cinematográfico acrescenta as de Josef Mengele, médico nazi que, durante a II Guerra Mundial, se notabilizou pelas suas tenebrosas experiências eugénicas realizadas principalmente em crianças judias;
* Os uniformes azuis e amarelos usados pelos X-Men na película constituem uma homenagem ao guarda-roupa original da equipa nos quadradinhos. De realçar que as partes amarelas dos trajes foram confecionadas com um raríssimo tipo de seda chinesa, o que encareceu significativamente a sua produção;
* Depois de X-Men 2 (2003), este foi o segundo filme dos heróis mutantes em  que Stan Lee não fez um cameo. Motivo: a longa distância que o nonagenário Papa da Marvel teria de percorrer até ao local onde decorriam as gravações (Jekyll Island, ao largo da costa do estado da Geórgia);
* Diversas peças do figurino da Mística usadas por Rebecca Romijn-Stamos na primeira trilogia dos X-Men foram reaproveitadas por Jennifer Lawrence;
* Os pelos azuis que recobrem o corpo do Fera no filme foram feitos a partir da penugem de uma raposa do Ártico;
* A primeira formação de X-Men apresentada no filme surge como um reflexo simbólico do elenco original da equipa na BD. Assim, além do Professor X e do Fera que integraram ambas as versões, temos o Destrutor a fazer as vezes do Ciclope (são irmãos nos quadradinhos); Banshee no lugar do Anjo (ambos voam); Mística no papel de Jean Grey (eram ambas as únicas representantes do sexo feminino nas respetivas equipas); por fim, é possível traçar um paralelismo entre os poderes elementais de Magneto e os do Homem de Gelo;
* O filme recupera um conceito outrora central no Universo Marvel: as mutações genéticas causadas pela radiação. Em anos mais recentes, o fenómeno passou a ser explicado pela bioengenharia ou pela evolução da espécie humana.

O poder de Magneto.

Veredito:  79%


   Depois do passo em falso dado com X-Men 3 - O Confronto Final (filme muito injustiçado pela crítica e pelos fãs, conforme já aqui sustentei), o futuro dos heróis mutantes no grande ecrã tornou-se uma incógnita. Receando virem a perder uma das suas galinhas dos ovos de ouro, a Marvel e a Fox sabiam ser imperativo relançar a franquia. A questão era como fazê-lo. Oscilando entre as hipóteses spin-off ou prequela, a escolha recaiu sobre a segunda. E não poderia ter sido uma opção mais acertada. Tanto mais que, pelo meio, houve um filme a solo do Wolverine que muito deixou a desejar.
  Uma das principais mais-valias do filme reside no facto de ser ambientado na década de 60 do século passado. Época caracterizada pela efervescência social e política (captada, de resto, em vários elementos da trama) e a que remontam as origens dos X-Men (e de uma grande parte de outros notáveis inquilinos da Casa das Ideias). Este registo retro seria suficiente, por si só, para atribuir um toque de charme revivalista à história. Que possui, no entanto, muitos outros pontos fortes.
  Explorando a importância do autoconhecimento e da amizade num mundo que tolera mal a diferença, a narrativa adquire maior intensidade dramática por via do primor das interpretações. Relevando dentre estas a de Michael Fassbender, competentíssimo a suceder a Ian McKellen no papel de Mestre do Magnetismo. Em nenhum outro filme dos X-Men é tão bem retratada a ambiguidade moral daquele que é, indiscutivelmente, um dos melhores supervilões da história da 9ª arte.Conquanto ele não se reveja nesse estatuto.
  Espetaculares, os efeitos visuais empregues na película acabam por ser a cereja em cima do bolo. Do qual ninguém quererá apenas comer uma fatia. Porque - acreditem- é de comer e chorar por mais!
  Mesmo quem não seja  fã de super-heróis (e dos X-Men, em particular) conseguirá decerto identificar-se com algumas das personagens que vão desfiando o seu rosário de dramas e dilemas no ecrã. E que, apesar da sua singularidade cromossomática (ou por causa dela) se assumem como filhas bastardas da humanidade. Aquela que os chamados Homo Superiores tentam a todo custo destruir ou proteger, sendo temidos e odiados em qualquer um dos casos. Convidando assim os espectadores a tomarem partido entre as duas visões antagónicas de uma mesma causa. Xavier ou Magneto? De que lado ficaríamos se tivéssemos nascido com dons extraordinários num mundo que nos olhasse de soslaio? 
 Das cinco longas-metragens dos Filhos do Átomo já produzidas, atribuo a X-Men: First Class (ex aequo com X-Men 2), a medalha de ouro. Se ainda não o viram, tratem de ver, pois não sabem o que estão a perder. Se já o viram, tratem de revê-lo, porque os clássicos devem ser revisitados com regularidade.

    
Xavier ou Magneto? Escolham o vosso lado.