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sexta-feira, 16 de março de 2012

BD CINE APRESENTA: BATMAN



     Para comemorar os 50 anos do Cavaleiro das Trevas, a Detective Comics e a Warner Brothers lançaram Batman em 1989. Realizado por Tim Burton e com Michael Keaton no principal papel, o filme foi um sucesso de bilheteira e de crítica, reabilitando o género super-heroico no cinema após os fracassos de Superman III e IV.

Título original: Batman
Ano: 1989
País: Estados Unidos da América
Duração: 126 minutos
Realização: Tim Burton
Argumento: Sam Hamm e Warren Skaaren
Elenco: Michael Keaton (Bruce Wayne/Batman), Jack Nicholson (Jack Napier/Joker), Kim Basinger (Vicky Vale)
Orçamento: 35 milhões de dólares
Receita:411,350 milhões de dólares
Michael Keaton, um improvável Batman que surpreendeu pela positiva.

Sinopse: Em vésperas do 200º aniversário de Gotham City, os habitantes da cidade estão demasiado atemorizados com a elevadíssima taxa de criminalidade para celebrarem. Lei e ordem são apenas miragens em Gotham. Uma cidade lúgubre e corrupta, dominada por Carl Grissom, o líder da máfia local. Harvey Dent, o novo Promotor de Gotham, é incumbido pelo mayor de tornar a cidade segura novamente. Dent elege como alvo principal Grissom mas este tem na sua lista de pagamentos grande parte dos polícias de Gotham.
               Entretanto, um misterioso vigilante vestido de morcego atrai a atenção da polícia e dos media. Em especial do repórter Alexander Knox que inicia uma investigação, em conjunto com a fotojornalista Vicky Vale, sobre o lendário Batman.
               Após descobrir que a sua amante o traíra com o seu lugar-tenente, Jack Napier, Grissom monta-lhe uma cilada numa fábrica de químicos. O plano, porém, fracassa devido à entrada em cena da Polícia e de Batman. Segue-se uma troca de tiros que culmina com a queda de Jack numa enorme tina contendo uma sopa química desconhecida.
              Dado como morto, Jack ressurge pouco tempo depois horrivelmente desfigurado e ensandecido. Autodenominado-se Joker, o antigo braço direito de Carl Grissom mata-o a sangue frio e usurpa o seu império do crime.
Jack Nicholson, um Joker inesquecível.

              Morando com o seu fiel mordomo Alfred na sumptuosa Mansão Wayne, Bruce Wayne, o milionário órfão que se tornou Batman depois de testemunhar em criança o assassinato dos seus pais, vive um romance intermitente com Vicky Vale.
              Gotham está paralisada de medo na sequência de várias mortes causadas por produtos de higiene adulterados pelo Joker. Bruce descobre entretanto que se trata do mesmo homem que assassinou os seus pais.
              Em meio ao pandemónio, Joker rapta Vicky Vale,  cabendo ao Cavaleiro das Trevas resgatá-la. Antes terá, contudo, de salvar  a cidade de um plano genocida posto em marcha pelo Joker.
Trailer:http://www.youtube.com/watch?v=VRqa47-jv0M&sns=em
Curiosidades:
- Antes da escolha de Michael Keaton para vestir a pele do Homem-morcego, foram cogitados vários atores consagrados: Mel Gibson, Tom Selleck, Kevin Costner, entre outros.
- Por se ter celebrizado em comédias, a escolha de Keaton foi controversa. A Warner Brothers recebeu mais de 50 mil cartas de protesto enviadas por bat-fãs.
- Para aceitar o papel de Joker, Jack Nicholson exigiu receber uma percentagem das receitas de bilheteira ,além de um cachet de 6 milhões de dólares.
- O Batmobile apresentado no filme foi eleito o carro mais bonito da história do cinema.
- Tim Burton definiu o tema central do filme como "um duelo de freaks".
- Batman conquistou o Óscar de Melhor Direção Artística em 1990 e foi nomeado para vários outros prémios, entre os quais os Saturn Awards.
A bela e intrépida Vicky Vale (Kim Basinger) salva por Batman.

Minha avaliação: 87%. Já perdi a conta às vezes que vi e revi Batman. E fi-lo sempre com o mesmo prazer e entusiasmo da primeira vez. Se tivesse de eleger o meu filme preferido com super-heróis, Batman estaria decerto no pódio. Mais de 20 anos depois, a atmosfera sombria criada por Burton e a magistral representação de Jack Nicholson continuam a ser uma referência para os fãs do Cavaleiro das Trevas. A trama é envolvente e muito fiel à essência da personagem. As cenas de ação são espetaculares e os efeitos visuais também. Um exemplo para as atuais adaptações (nem sempre bem conseguidas) de personagens dos comics ao grande ecrã.

terça-feira, 13 de março de 2012

NÉMESIS: BANE

     
     Foi ele quem, literalmente, quebrou o Batman. Brutal e impiedoso, Bane entrou nos anais da história dos comics como o vilão que atirou o Cavaleiro das Trevas para uma cadeira de rodas. Desengane-se, porém, quem pensa que não passa de um brutamontes anabolizado...

Nome original: Bane
Primeira aparição: Batman: Vengeance of Bane nº1 (janeiro de 1993)
Criadores: Chuck Dixon, Doug Moench e Graham Nolan
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Desconhecida
Origem: República de Santa Prisca
Parentes conhecidos: Edmund  Dorrance (suposto pai)
Filiação: Esquadrão Suicida, Sexteto Secreto, Sociedade Secreta dos Supervilões
Poderes e habilidades: Bane é poliglota (fala fluentemente oito línguas, entre as quais Latim); possui memória fotográfica e raciocínio apurado (em menos de um ano deduziu a identidade secreta de Batman); é um exímio estratega; na prisão desenvolveu um estilo de luta único; o uso da substância Veneno dota-o de força e resistência sobre-humanas, assim como de um fator de cura acelerado; é ainda um mestre do disfarce.

Biografia: Bane nasceu numa prisão chamada Peña Dura na república caribenha de Santa Prisca (país fictício). O  seu putativo pai, Edmund Dorrance, era um ex-revolucionário que logrou escapar ao sistema penal corrupto.  O mesmo que sentenciou o seu filho a cumprir, no seu lugar, a pena de prisão perpétua a que fora condenado. Foi assim que Bane passou a sua infância e início da idade adulta entre a amoralidade vigente dentro dos muros de Peña Dura.
                 Mesmo encarcerado, Bane desenvolveu ao máximo o seu potencial: leu o maior número de livros possível, enrijeceu o corpo no ginásio da prisão e aprendeu a combater sem regras. Aos oito anos comete o seu primeiro homicídio: esfaqueia até à morte um criminoso que o queria usar para obter informações sobre o funcionamento de Peña Dura. Também costumava fazer-se acompanhar de um ursinho de peluche a quem chamava Osito (palavra espanhola para "ursinho") e que ele afirmava ser o seu único amigo. A verdade, porém, é que, dentro do boneco escondia uma faca que usava para se defender de qualquer atacante.
                Com o passar do tempo, Bane acaba por se tornar no "rei" de Peña Dura. Estatuto que não passa despercebido aos responsáveis da prisão que o forçam a ser cobaia numa experiência com uma misteriosa substância chamada Veneno. A mesma que se revelara letal para todas as anteriores cobaias. Bane, porém, não só sobrevive como vê a sua força física ampliada para níveis sobre-humanos devido à ação da droga. Necessita contudo de tomá-la a cada doze horas(através de um sistema de tubos que injeta Veneno diretamente no cérebro),  sob pena de sofrer terríveis efeitos colaterais.
             Pouco tempo depois, Bane escapa de Peña Dura juntamente com alguns cúmplices. Está obcecado com a ideia de destruir o Batman sobre quem ouvira estórias no cativeiro. Gotham City fascina-o porque, tal como Penã Dura, é um lugar onde o medo impera. Bane acredita que o demoníaco morcego que lhe assombrara os sonhos de infância é, com efeito, uma representação simbólica do Cavaleiro das Trevas. E por isso está convencido que é seu destino confrontá-lo.
              Sabendo que um ataque direto ao Batman seria altamente arriscado, Bane opta por derrubar as paredes do Asilo Arkham, assim libertando uma horda de criminosos insanos: Joker, Hera Venenosa, Victor Zsasz, entre outros. Batman demora três meses a recapturar todos os foragidos, o que o deixa exausto. Ao regressar à Batcaverna, é emboscado por Bane (que, após minucioso estudo, deduzira a sua verdadeira identidade de Bruce Wayne). Após derrotar o Cavaleiro das Trevas em combate, Bane parte-lhe a coluna, deixando-o paraplégico.
Bane foi o primeiro a conseguir quebrar Batman.

              Assumindo-se como o novo rei do submundo do crime de Gotham, Bane é, no entanto, derrotado por um novo e violento Batman. Trata-se de Jean-Paul Valley, escolhido por Bruce Wayne para envergar o manto do morcego no final da saga "A Queda do Morcego" (Knightfall). Usando uma sofisticada armadura, Valley espanca Bane quase até à morte.
              De acordo com o seus criadores, Bane foi inicialmente pensado para ser uma espécie de reflexo distorcido de Doc Savage, uma personagem muito popular na pulp fiction dos anos 30 e 40 do século passado. Quer a droga Veneno quer  Santa Prisca já haviam contudo sido criadas anos antes por Denny O´Neil (argumentista veterano das estórias do Homem-Morcego e, à época, editor dos seus vários títulos) para uma aventura do Questão. Foi também O´Neil que, nas páginas de Azrael, descreveu um Bane consciente da sua dependência do Veneno.
              Bane, encarnado por Robert Swenson (um ex-lutador de luta livre já falecido), estreou-se no cinema em 1997 como um dos vilões de serviço no inefável Batman & Robin. Contrariamente ao original, o Bane cinematográfico é apresentado como uma criatura deformada e quase irracional que serve de guarda-costas à Hera Venenosa (Uma Thurman).
Robert Swenson foi Bane em Batman & Robin (1997).

              Diferentes versões do vilão figuraram também ao longo dos anos em várias séries e filmes de animação produzidos pela DC: desde Batman: The Animated Series até Justice League: Doom, passando por Batman Beyond.
               Em Batman: The Dark Knight Rises, o terceiro filme da trilogia do Cavaleiro das Trevas realizado por Christopher Nolan, Bane, representado por Tom Hardy, surgirá como o principal antagonista do herói, ao que tudo indica numa versão mais próxima da banda desenhada.
Em Dark Knight Rises, Tom Hardy

segunda-feira, 12 de março de 2012

FÁBRICA DE MITOS: DARK HORSE COMICS

       

         Proprietário da cadeia de lojas de banda desenhada Things From Another World sediada no estado norte-americano do Oregon, Mike Richardson apostou na criação, em 1986, de um espaço criativo ideal que atraísse os melhores profissionais do ramo. O projeto resultou na fundação da Dark Horse Comics que, atualmente, disputa com a Image Comics o estatuto de terceira "grande" no mercado editorial dos EUA.
         Tudo começou, porém, em 1980. Nesse ano, Mike Richardson usou o seu cartão de crédito com um plafond de dois mil dólares para abrir uma loja de venda de comics na pequena cidade de Bend (Oregon). Batizou-a de Pegasus Books e a sua intenção era produzir um livro infantil ao mesmo tempo que geria o negócio. Este cresceu e não tardou a que Mike inaugurasse duas outras lojas (uma das quais no estado vizinho de Washington).
          A falta de qualidade do material que comercializava deixava Mike frustrado. Usando verbas resultantes do seu negócio de venda a retalho, Mike resolveu fundar a sua própria editora. Desde o início que a Dark Horse Comics primou pela diferença em relação às demais licenciadoras. Seis anos antes da revolução levada a cabo pela Image Comics, os escritores e artistas que trabalhavam para a Dark Horse eram tratados como parceiros, e não como assalariados. Não tardou por isso que alguns dos mais prestigiados criadores de banda desenhada migrassem para a nova editora. Nela podiam desenvolver e comercializar os seus próprios projetos e ideias.

Mike Richardson, fundador da Dark Horse.
           Em 1986, a Dark Horse lançou-se no competitivo mercado editorial dos comics com apenas dois títulos: Dark Horse Presents e Boris the Bear. Foi, todavia, com a aclamada série Concrete ( da autoria de Paul Chadwick e que contava a história de um congressista transformado numa criatura de cimento) que ganhou maior visibilidade. No final do primeiro ano de atividade da editora, já eram publicados nove títulos com a sua chancela.
           Com o lançamento de Aliens, em 1988, e de Predator pouco depois,  a Dark Horse revolucionou os comics baseados em filmes e séries televisivas de grande sucesso. Contrariamente às suas concorrentes, a Dark Horse não hesitou em investir em títulos cujos direitos autorais não lhe pertenciam. Consolidou a sua posição nesse nicho de mercado em 1990 com a adaptação de Star Wars aos quadradinhos. No fundo, a Dark Horse produzia sequelas em banda desenhada de filmes e séries populares. Às já citadas, seguiram-se, entre outros, Conan, Serenity e Buffy, The Vampire Slayer. Com esta abordagem inovadora, as vendas dispararam.
            Ainda em 1990, a Dark Horse surpreendeu a letárgica indústria dos comics com o crossover Aliens versus Predator. O sucesso foi tal que logo a gigante DC ofereceu uma parceria visando o lançamento de vários encontros entre personagens de ambas as editoras. Superman versus Aliens e Batman versus Predator foram algumas das produções resultantes desse projeto conjunto.
O universo Dark Horse com Darth Vader, Concrete e Hellboy em destaque.
            O sucesso da Dark Horse continuou assim a atrair nomes sonantes dos comics como Frank Miller, Dave Gibbons, Mike Mignola, John Byrne, etc.
            Com o sucesso obtido na conversão de filmes em BD, o passo seguinte foi, obviamente, apostar na adaptação ao grande ecrã de algumas das suas personagens originais. Nascia assim a Dark Horse Entertainment, Inc. em 1992. Estabelecida uma parceria com os estúdios Twentieth Century Fox, em menos de três anos foram produzidos quatro filmes no âmbito desse projeto. Dois deles foram êxitos de bilheteira: The Mask e Timecop. Foi, todavia, com o filme "Hellboy II: The Golden Army", realizado em 2008 por Guillermo del Toro e aclamado pelo público e pela crítica, que a Dark Horse conheceu um dos seus momentos de glória neste campo.
             Sempre em busca de novas oportunidades de negócio, a Dark Horse lançou, em 1998, a Dark Horse Deluxe, uma vasta linha de brinquedos, miniaturas e colecionáveis.
             Após o cancelamento da popular série televisiva Buffy, The Vampire Slayer, a Dark Horse deu continuidade à mesma em 2007, através do lançamento da respetiva oitava temporada em banda desenhada. Escrita pelo próprio criador da série, Joss Whedon, e com soberbas capas da autoria de Jo Chen, foram vendidos mais de cem mil exemplares do primeiro número.
             Para assinalar o seu 25º aniversário, a empresa lançou em 2011 uma aplicação que permite descarregar centenas de títulos em formato digital através da loja iTunes e da Dark Horse Digital. Com o regresso de Paul Chadwick e da sua obra-prima Concrete e a entrada de novos talentos, o futuro adivinha-se promissor para a Dark Horse Comics.

Solar e Magnus, dois super-heróis da Dark Horse.