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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

ETERNOS: STAN LEE




    Nesta rubrica, pretendo homenagear os criadores de algumas das maiores maravilhas das histórias aos quadradinhos. Algumas dessas homenagens, lamentavelmente, serão póstumas. Mas mesmo depois do desaparecimento dos seus criadores, as suas criações (muitas delas ícones mundiais), perpetuarão o seu trabalho e a sua memória junto das novas gerações de leitores.
    O primeiro eterno a quem presto o meu singelo tributo está, contudo, vivo e de boa saúde, não obstante a sua provecta idade (88 anos). Senhoras e senhores, convosco o mago da BD, o génio criativo que deu ao mundo personagens fantásticas como Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Quarteto Fantástico entre tantos outros, o inigualável Stan "The Man" Lee!
    Stanley Martin Lieber nasceu em Nova York a 28 de dezembro de 1922. Trabalhou como escritor, editor, publicitário e ator. Com vários artistas e co-criadores, nomeadamente Jack Kirby e Steve Ditko, introduziu personagens complexas que revolucionaram a banda desenhada com super-heróis.
    Entre as suas maiores criações, destacam-se Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Thor, Homem de Ferro, Demolidor, Quarteto Fantástico e Doutor Estranho.
    O seu sucesso ajudou a transformar a Marvel Comics de uma pequena publicadora para uma grande corporação multimedia que acabou com a hegemonia da arquirrival DC.
    Na adolescência, Lee trabalhou na Timely Comics, que mais tarde se tornaria a Marvel Comics. O seu primeiro trabalho publicado foi uma página para preencher texto assinada com o nome Stan Lee, que apareceu numa revista do Capitão América em 1941. Stanley usou o pseudónimo "Stan Lee" porque sonhava um dia escrever o maior de todos os livros do país e não queria o seu verdadeiro nome associado às histórias em quadradinhos. Contudo, não tardou a ser um dos argumentistas mais requisitados dentro da editora e, aos 17 anos, tornou-se o mais jovem editor do ramo.
    Lee com a ajuda de Jack Kirby, imprimiu maior humanidade às suas novas personagens. Uma mudança radical numa época em que os super-heróis tinham como público-alvo os pré-adolescentes. Assim, os seus heróis tinham temperamentos difíceis, ficavam melancólicos, cometiam erros, amavam e odiavam como qualquer pessoa. Preocupavam-se em pagar as suas contas e em impressionar as suas namoradas. Às vezes ficavam até doentes fisicamente. Os super-heróis de Lee capturaram a imaginação dos adolescentes e jovens adultos, e as vendas aumentaram drasticamente.
   Nos últimos anos, Lee tornou-se um ícone e o rosto da Marvel Comics fazendo aparições em convenções de comics um pouco por todos os EUA. Também tem dado palestras e participado em debates.
    Stan Lee tem o hábito de fazer pequenas aparições em  muitos filmes de super-heróis baseados nas personagens da Marvel Comics que ele ajudou a criar. Em "Captain America - The Firts Avenger", por exemplo, surge disfarçado de oficial do exército norte-americano na plateia que aguarda pela primeira aparição pública do Capitão. É ele que comenta "Pensei que fosse mais alto" quando surge o militar que anuncia não comparência do Sentinela da Liberdade.
    Termino com uma frase que é, desde a década de 1960, a sua marca registada: EXCELSIOR!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: JUSTICEIRO




     Desenganem-se se pensam que todos os super-heróis são bons samaritanos, dotados de uma moral inabalável e sempre prontos a sacrificarem-se em prol da Humanidade.
      Alguns como o Justiceiro (The Punisher), possuem o seu próprio código moral e agem de acordo com as suas próprias regras, sendo por vezes difícil distingui-los dos criminosos que perseguem. Hesitei por isso em inclui-lo nesta categoria. Dados os seus métodos violentos (alguns diriam fascizantes), o Justiceiro está longe de se enquadrar no esterótipo heroico, podendo até, numa lógica maniqueísta, ser considerado por alguns como um perigoso vilão. Isto porque o Justiceiro, ao contrário do que o nome indica, não procura justiça mas sim punição e vingança. Para ele, um criminoso bom é um criminoso morto. Essa lógica de juiz, júri e executor coaduna-se com o seu nome original que, traduzido à letra, daria "O Punidor".
     Este anti-heroi move-se numa imensa zona cinzenta numa realidade cruel que raramente pode ser pintada a preto e branco.

Criadores: Gerry Conway, Ross Andru e John Romita
Primeira aparição:The Amazing Spider-Man nº 129 (fevereiro de 1974)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Frank Castle (nascido Castiglione)
Origem: Nova York
Família conhecida: Maria Elisabeth, Frank David e Lisa Barbara Castle (respetivamente, esposa, filho e filha falecidos)
Base de operações: móvel
Filiação: nenhuma
Poderes e armas: o Justiceiro não possui nenhuma habilidade sobre-humana, sendo porém um perito estratégico e tático, altamente treinado em combate armado e desarmado. Dispõe de um vasto arsenal composto por armas ligeiras e semipesadas.

      O Justiceiro alcançou a ribalta em finais dos anos 1980 e nos anos 1990, depois de aparecer numa história do Homem-Aranha desenhada por Frank Miller. Deixou assim de ser uma personagem coadjuvante nas histórias do aracnídeo para se transformar no principal anti-herói da Marvel . 
     Pelas mãos da editora Abril Jovem,  chegou a ter uma revista própria no Brasil e em Portugal na década de 1990, em formato americano e a preto e branco. Também protagonizou várias graphic novels e minisséries.
    Frank Castle decidiu  tornar-se o Justiceiro após ver sua família (esposa e dois filhos) ser assassinada por mafiosos, apenas por terem testemunhado uma execução cometida por eles. Quando saiu do hospital (ele também fora baleado) esperou que a polícia fizesse justiça, prendendo a quadrilha. Goradas as suas expetativas pela corrupção nos altos escalões do governo (segundo o detetive encarregado do caso, a ordem de arquivar o mesmo veio "tão de cima que tinha até neve"), Castle recorreu à imprensa, mas depois que o jornalista em quem confiava foi assassinado, desiludiu-se com todas as formas de se conseguir justiça. Resolveu então fazer justiça pelas próprias mãos, não hesitando em usar o dinheiro apreendido aos criminosos para financiar a sua guerra contra eles.
       O argumentista Gerry Gonway criou o Justiceiro em 1974, personagem cujo conceito foge de tudo o que um leitor de histórias em quadradinhos está acostumado a ver. Normalmente um super-herói  preocupava-se sempre em poupar vidas. O Justiceiro marca a diferença relativamente aos restantes vigilantes por considerar que os criminosos, principalmente aqueles ligados ao crime organizado, são como uma doença na sociedade. Porquanto devem ser mortos para que não causem mais nenhum mal aos seus semelhantes. Ele não espera que os criminosos ajam para entrar em ação. Ele caça-os e liquida-os antes que causem mais sofrimento aos inocentes.
      Os seu métodos são condenados pela maioria da comunidade heroística. Heróis como o Demolidor nutrem uma especial antipatia pelo Justiceiro e, em várias ocasiões, tentou travá-lo.
       Em 1989, no auge da sua popularidade nos EUA, o Justiceiro teve direito à sua primeira aventura no cinema, num filme sofrível protagonizado por Dolph Lundgren. Em 2004 e 2008, saltou novamente para o grande ecrã em dois filmes pouco recomendáveis com, respetivamente, Thomas Jane e Ray Stevenson no papel daquele que é um dos anti-heróis mais carismáticos das histórias aos quadradinhos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DO FUNDO DO BAÚ

Capa de Graphic Novel nº5.


      Escolhi hoje uma obra-prima das histórias aos quadradinhos que há muito faz parte do meu espólio, para demonstrar quão errados estão todos aqueles que consideram a leitura desse género de material um exercício infantil de adultos com a Síndrome de Peter Pan.
       Da autoria de Alan Moore (texto) e  Brian Bolland (arte), "Batman: The Killing Joke" (A Piada Mortal), é considerada umas das melhores histórias de super-heróis alguma vez escritas. Trata-se de uma novela gráfica de 1988 que apresenta uma possível origem do Joker (ler perfil publicado abaixo). A primeira edição em Português ficou a cargo da editora Abril Jovem nesse mesmo ano, no quinto número da coleção "Graphic Novel". Nela acompanhamos, através de flashbacks, a origem do sinistro Palhaço do Crime.
   Após fugir do Asilo Arkham, o Joker decide provar ao Batman que basta apenas um momento de intensa pressão psicológica para que um indivíduo escolha a loucura como meio de subjugar uma realidade de atroz sofrimento. Para isso, ele e os seus comparsas invadem a casa do Comissário Gordon para sequestrá-lo. Não satisfeito, o Joker dispara sobre a filha do Comissário, Barbara Gordon (Batgirl), deixando-a incapacitada. Em seguida ele viola-a (sugerido pelos autores), registando tudo fotograficamente. Posteriormente o Joker leva o Comissário Gordon a um parque de diversões macabro e coloca-o numa montanha-russa que circula entre projeções de fotos da sua filha sendo violentada. Com isso ele tenta provar a sua tese, deixando Gordon louco.
    Batman intervém, salvando Gordon e prendendo o Joker. A tese deste não é provada conclusivamente, pois vê-se que Gordon não enlouqueceu, apesar de toda a tortura psicológica a que fora submetido. Isso levanta a questão: Por que será que alguns escolhem a loucura como refúgio de uma realidade massacrante (como o Joker e o próprio Batman) e outros não?
    O inquietante final da história, dá-se com uma piada contada pelo Joker ao Batman:" Havia dois tipos num manicómio... Uma noite eles decidiram que não queriam continuar lá... e resolveram escapar para nunca mais voltar. Foram então até ao telhado e viram, ao lado, o telhado de um outro prédio apontando para a lua... apontando para a liberdade! Então um dos sujeitos saltou sem problemas para o  telhado vizinho, mas o amigo dele acobardou-se...  Tinha medo de cair. Então o primeiro teve uma ideia e disse:
    -Ei! Tenho aqui a minha lanterna. Vou acendê-la pelos vãos dos prédios e tu atravessas sobre o facho de luz!
   Mas o outro sacudiu a cabeça e disse:
  - Pensas que sou maluco? E se apagares a luz quando eu estiver a meio do caminho?!"
   Nisto, o Joker começa a rir. De repente, o Batman esboça um sorriso e depois solta uma gargalhada  com seu arqui-inimigo. Afinal, quem está certo nesta história? O Joker que quer provar a todos sobre a loucura? Ou o Batman que tenta mostrar o lado correto da justiça?