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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

DO FUNDO DO BAÚ

      Escrita e desenhada por Pepe Moreno, a novela gráfica Batman: Digital Justice foi gerada por computador numa época em que as novas tecnologias e o 3D eram ainda do domínio da ficção científica.
      Embora a história se desenrole fora da continuidade oficial da DC, não se trata de uma realidade alternativa.

Título: Graphic Album nº2
Subtítulo: Batman: Digital Justice
Data: Outubro de 1990
Licenciador: DC
Editora: Abril Jovem
Número de páginas: 116
Formato: 21 cm x 27,5 cm (colorido/lombada quadrada)
Publicada originalmente em: Batman: Digital Justice (EUA, 1990)
Argumento e arte: Pepe Moreno
Sinopse: Tendo como cenário uma Gotham City que, no final do século XXI, é dominada pela alta tecnologia e pelos controladores humanos de uma vasta e intrincada rede de computadores, a ação tem como protagonista o sargento James Gordon do departamento policial da metrópole. Detetive e neto do lendário comissário Gordon, James assume a identidade de Batman, muitos anos após o desaparecimento do Cavaleiro das Trevas, para libertar Gotham City do jugo de um vírus informático inspirado no seu arqui-inimigo Joker (também ele há muito falecido). Movido também pelo desejo de vingança após o assassínio da sua ex-parceira, Lena Schwartz, James é auxiliado na sua cruzada por um computador dotado de consciência própria chamado Batcomp, programado pelo primeiro Batman. Também a antiga Batcaverna (localizada sob a agora devoluta mansão Wayne) é reativada e usada como base de operações do novo Batman. E nem falta um mordomo robótico batizado Alfred Pennyworth (em homenagem ao fiel serviçal de Bruce Wayne) para o servir. Unindo-se ao Batman no combate ao crime e à corrupção dos governantes de Gotham, um adolescente punk torna-se o novo Robin, ao passo que Sheila Romero, uma estrela pop cujo nome artístico é Gata, assume a identidade de Catwoman. À semelhança dos seus antepassados, também nesta versão futurista o Batman e a Catwoman começam por ser adversários mas logo se tornam aliados e amantes
        A história de Batman: Digital Justice serviu de inspiração à série animada Batman Beyond e ao filme de animação Batman Beyond: Return of the Joker. Em ambas, o eterno némesis do Homem-Morcego regressa sob a forma de um vírus informático para controlar as pessoas.
        A série Graphic Album foi publicada no Brasil pela Abril Jovem entre março de 1990 e agosto de 1991, tendo sido lançados seis volumes. Batman: Digital Justice corresponde ao segundo número da série e é um dos itens há mais tempo na minha coleção.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ETERNOS: WILLIAM MOULTON MARSTON (1893-1947)



      Psicólogo, inventor, escritor, feminista. A personalidade de William Moulton Marston tinha tanto de multifacetada como de excêntrica. Como legado, deixou duas invenções mundialmente famosas: o polígrafo (vulgarmente conhecido como "detetor de mentiras") e a mais icónica das super-heroínas: a Mulher-Maravilha.
      Também conhecido pelo pseudónimo Charles Moulton,  William Marston nasceu a 9 de maio de 1893 em Saugus, no estado norte-americano do Massachusetts. Estudou na prestigiada universidade de Harvard onde se doutorou em Psicologia no ano de 1921. Após lecionar nas universidades de Washington D.C. e de Tufts, mudou-se para a Califórnia em 1929 para trabalhar como diretor dos Serviços Públicos dos estúdios da Universal.
      É-lhe atribuída a invenção do teste de pressão sanguínea sistólica, usado para detetar mentiras e que se tornaria um componente fundamental no desenvolvimento do polígrafo. Embora não surja referenciada como colaboradora no estudo, julga-se que a sua esposa, Elizabeth Holloway Marston, foi quem sugeriu que iniciasse uma pesquisa nesse sentido. Especula-se igualmente quanto à existência de uma correlação entre a invenção do polígrafo por parte de William Marston e o laço mágico usado pela Mulher-Maravilha que obriga quem nele for envolvido a dizer a verdade. Confirmada é, porém, a influência da esposa e de outra mulher com quem o casal mantinha uma relação polígama, Olive Byrne, na criação do conceito original da Mulher-Maravilha.

Originalmente, a Mulher-Maravilha usava saia.

     Feminista militante, William Marston acreditava também no enorme potencial pedagógico da banda desenhada. Na sequência de uma entrevista onde defendeu essa tese, chamou a atenção de um dos editores da National Periodicals e da All-American Publications (duas das companhias que se fundiriam para dar origem à atual Detective Comics) que o contratou para consultor educacional.
      No início dos anos 1940. o panorama editorial dos comics era dominado por super-heróis masculinos como o Lanterna Verde, o Batman e, claro, o mais popular de todos: o Super-Homem. Terá por isso partido da esposa do doutor Marston a ideia de criar uma heroína superpoderosa capaz de ombrear com os seus congéneres masculinos. Já famoso pela invenção do polígrafo, Marston usou a própria esposa -que considerava um raro exemplo da mulher emancipada -  como modelo para a criação da Mulher-Maravilha (Wonder Woman).
William Marston (à esq.) com editores da National Periodicals.

       Marston pretendia criar um novo arquétipo feminino que deitasse por terra a imagem sexista de uma mulher submissa e dominada pelas emoções. Batizando originalmente a nova personagem de Suprema, Marston conjugou a força e o poder do Super-homem com a beleza e a ternura femininas. Para tal, inspirou-se na aparência da sua parceira amorosa Olive Byrne.
       Aprovada a ideia, o editor Sheldon Mayer rebatizou a nova super-heroína de Mulher-Maravilha antes da sua estreia na série All Star Comics nº8 (dezembro de 1941). As histórias eram inicialmente escritas pelo próprio Marston e ilustradas por Harry Peter, um artista com vasta experiência em desenhar tiras para jornais. Com efeito, ao longo da sua vida, Marston escreveu diversos artigos e livros sobre Psicologia mas os seus últimos seis anos de vida foram dedicados à produção de histórias aos quadradinhos. Além da Mulher-Maravilha, Marston criou várias outras personagens, quase todas femininas: Artémis, Giganta, Máscara, etc.
       As aventuras da Mulher-Maravilha escritas por Marston, não raro, versavam sobre temas associados ao bondage. Eram pois frequentes as situações em que as personagens surgiam amarradas e subjugadas. Esses elementos fetichistas foram posteriormente amenizados pelos argumentistas que lhe sucederam. A este propósito, Marston diria um dia: "Deem aos homens uma mulher deslumbrante e mais forte do que eles e ele terão todo o prazer em serem seus escravos".
         William Moulton Marston faleceria de cancro a 9 de maio de 1947, em Rye (Nova Iorque), exatamente uma semana antes de completar 54 anos. Depois da sua morte, Elizabeth e Olive continuaram a viver juntas. Em 1985, Marston seria distinguido postumamente pela DC como um dos 50 grandes criadores da editora.
Passado e presente da Mulher-Maravilha.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

NÉMESIS: FÉNIX NEGRA

     

      Mais do que uma vilã, a Fénix Negra era uma força da Natureza cujo incomensurável poder quase destruiu o Universo. Ao usar Jean Grey como hospedeira, a Força Fénix provou que o poder absoluto corrompe absolutamente . Mas aprendeu também que o amor tudo vence...

Nome original: Dark Phoenix
Primeira aparição (como Jean Grey/ Marvel Girl): X-Men nº1 (setembro de 1963)
Primeira aparição (como Fénix Negra): Uncanny X-Men nº 129 ( 1980)
Criadores (Jean Grey/ Marvel Girl): Stan Lee e Jack Kirby
Criadores( Fénix Negra): Chris Claremont e John Byrne
Licencidador: Marvel Comics
Identidade civil: Jean Grey-Summers
Parentes conhecidos: John e Elaine Grey (pais), Scott Summers (marido), Rachel Summers (filha de uma realidade alternativa).
Filiação: X-Men, X-Factor, Clube do Inferno
Poderes e habilidades: Jean Grey é uma mutante nível Ómega cujas capacidades telepáticas são apenas suplantadas pelas do Professor Xavier. Quando passou a ser hospedeira da Força Fénix, os seus poderes foram elevados quase ao infinito. Assim, além da telepatia e telecinese inatas, Jean passou também a poder manipular a matéria a um nível subatómico, manipular energia cósmica e eletromagnética e a criar portais interestelares que lhe permitiam viajar instantaneamente para qualquer ponto do Universo. Passou também a poder gerar chamas cósmicas (que, habitualmente, assumiam a forma de asas ou de garras) e a tornar real qualquer pensamento seu. À semelhança da ave mitológica, a Fénix Negra renascia das próprias cinzas e podia também devolver a vida aos mortos.
A Fénix foi uma heroína antes de se corromper.

Biografia: Foi depois de assistir ao atropelamento mortal da sua melhor amiga que os poderes  de Jean Grey se manifestaram pela primeira vez. Estabelecendo um elo telepático com a amiga no momento do acidente, Jean quase morreu também. Com a filha mergulhada num coma profundo, os pais recorreram à ajuda do Professor Charles Xavier. O futuro mentor dos X-Men bloqueou  então os poderes telepáticos de Jean, permitindo-lhe apenas que usasse a sua telecinesia. Anos mais tarde, Xavier recrutaria Jean (à época uma adolescente) para os seus X-Men. Ao atingir a maioridade, os poderes telepáticos da jovem mutante foram desbloqueados pelo seu tutor.
            Assumindo a identidade de Garota Marvel (Marvel Girl no original), Jean participou em várias missões da equipa mutante e envolveu-se emocionalmente com o seu colega Scott Summers (Ciclope). Durante uma missão no espaço, o vaivém que transportava os X-Men foi seriamente danificado. Usando a sua telecinese para pilotar a nave de volta à Terra, Jean foi contudo exposta a níveis fatais de radiação. Moribunda, mas determinada a salvar os seus companheiros e o seu amado, Jean lançou um S.O.S. telepático que foi atendido pela Força Fénix, uma entidade cósmica tão velha como o próprio tempo. Intrigada pelo amor e espírito de sacrifício da jovem, a Força Fénix gerou uma duplicata de Jean para albergar a sua psique. Nessa inusitada fusão, a entidade acredita ser a verdadeira Jean Grey e coloca o corpo moribundo da jovem num casulo reparador enquanto assume o seu lugar nos X-Men. Nascia assim  a Fénix, a encarnação do poder.´
A Saga da Fénix Negra foi uma das melhores histórias de sempre.
             Enquanto Fénix salvava o Universo ao lado dos X-Men, o casulo contendo o corpo da verdadeira Jean Grey repousava no fundo do oceano. Sem que os seus companheiros suspeitassem da verdade, a Fénix acaba por ser corrompida após o seu primeiro contacto com o Mal. Transforma-se assim numa força destrutiva que responde pelo nome de Fénix Negra. Acidentalmente, a Fénix Negra consome uma estrela ditando a morte de todos os habitantes do respetivo sistema solar e ameaçando o próprio Universo. Incapazes de deter a sua ex-companheira, os X-Men sobrevivem por um triz à sua ira. No entanto, graças ao elo telepático existente entre Ciclope e Jean, esta, movida pelo desejo de salvar o seu amor e os seus amigos, consegue assumir o controlo da Força Fénix. Sentindo-se encurralada, a entidade suicida-se.
           A Força Fénix reassume assim a sua forma original mas um fragmento da sua energia cósmica atinge o casulo que guarda o corpo da verdadeira Jean Grey. A entidade tenta restabelecer a ligação com a jovem mas esta rejeita-a. Isso leva a que a Força Fénix use como hospedeira Madelyne Prior, um clone de Jean criado pelo vilão Senhor Sinistro. Em tudo idêntica à original, Madelyne conhece Ciclope numa situação manipulada por Sinistro e ambos acabam por se apaixonar. Desse amor resultaria o casamento de ambos e o nascimento de um filho (também ele mutante): Nathan Cristopher Summers.
         Entretanto, o casulo onde repousava a verdadeira Jean é descoberto pelos Vingadores e pelo Quarteto Fantástico ao largo da baía da Jamaica. Jean desperta sem quaisquer memórias das suas ações como Fénix ou Fénix Negra. Após o choque do seu regresso, Jean junta-se aos X-Men originais para formar o novo grupo X-Factor. Embora destroçada com a notícia do casamento de Scott, Jean encoraja-o a permanecer ao lado da sua esposa que ficara agastada com o facto de o marido se ter afastado da família para liderar o X-Factor. Era, porém, tarde demais. Madelyne Pryor abandonaria Scott, levando consigo o filho de ambos. Scott e Jean têm assim caminho livre para retomarem o seu amor.
A morte da Fénix Negra em GHM 7 (1985).
         A relação entre Jean Grey e a Força Fénix é retratada de diferentes formas ao longo da história da personagem. Inicialmente, a Fénix era a manifestação do verdadeiro potencial mutante de Jean, ou seja, os poderes não advinham da entidade cósmica mas da própria Jean.  Esta versão enquadrava-se no desejo de Chris Claremont e John Byrne (cocriadores da personagem) de lançarem a primeira super-heroína cósmica. Com o decorrer do tempo, porém, vingaria a tese de que a Fénix era uma entidade separada de Jean Grey, sendo esta apenas uma das suas muitas hospedeiras. Posteriormente, Jean ganharia o título de Rainha Fénix, o que a tornava única entre todas as hospedeiras passadas, presentes e futuras da Força Fénix.
        No filme X-Men 3: O Confronto Final (2006), a Fénix Negra (interpretada por Famke Janssen) é a antagonista dos heróis mutantes, ainda que os seus poderes surjam muito reduzidos. O enredo é vagamente inspirado na "Saga da Fénix Negra", um dos maiores épicos alguma vez produzidos na história dos comics.
Famke Janssen como Fénix Negra em X-Men 3 (2006).