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terça-feira, 27 de março de 2012

BD CINE APRESENTA: THE PUNISHER (1989)



      Lançado em Portugal diretamente para o circuito de vídeo sob o insólito título "Fúria Silenciosa", o primeiro filme do Justiceiro passou quase despercebido. Controverso entre os fãs do anti-herói e mal acolhido pela crítica (ainda deslumbrada com o magistral Batman de Tim Burton), o tempo encarregou-se, contudo, de mostrar que fora menosprezado.

Título original: The Punisher
Ano: 1989
País: EUA/Austrália
Duração: 89 minutos
Realização: Mark Goldblatt
Argumento: Robert Mark Kamen e Boaz Yakin
Elenco: Dolph Lundgren (Frank Castle/Justiceiro), Louis Gossett Jr. (Jake Berkowitz) e Jeroen Krabbé (Gianni Franco)
Orçamento: 9 milhões de dólares
Sinopse: Conhecido como "The Punisher", Frank Castle é o mais misterioso e procurado vigilante da cidade. Nos últimos 5 anos, matou 125 malfeitores. É por isso investigado por Jake Berkowitz, um obstinado detetive da polícia que nutre por ele um misto de repulsa e admiração. Castle é, na verdade, um ex-polícia cuja família foi assassinada pela máfia. Vivendo nos esgotos, Castle leva a cabo uma guerra solitária contra o crime organizado. O seu único amigo é um bêbado chamado Shake. Devido aos mortíferos ataques de Castle, os vários clãs mafiosos encontram-se enfraquecidos. Gianni Franco, um dos mais poderosos chefes da máfia, regressa da Europa para assumir o controlo das várias famílias e organizar o contra-ataque. Este facto, porém, atrai a atenção da concorrente Yakuza (a máfia japonesa). Liderada pela implacável Lady Tanaka, a Yakuza ataca a máfia e todos os seus interesses. O objetivo é obrigar Franco e companhia a trabalharem para a Yakuza. Perante a recusa dos seus congéneres mafiosos, Lady Tanaka ordena o rapto do filho de Gianni Franco.
               Após uma tentativa frustrada de resgatar o garoto, Castle é persuadido por Franco a ajudá-lo a salvar o filho e a derrotar a Yakuza. Segue-se um violento assalto ao quartel-general da organização que resulta num massacre. Já com o filho são e salvo, Franco trai Castle e tenta matá-lo mas este ganha o duelo e liquida o criminoso. Antes de desaparecer, Castle avisa o filho de Franco para não seguir as pisadas do pai ou ele virá no seu encalço.
Trailer:http://www.youtube.com/watch?v=umYvv7K4Z_I
Armado até aos dentes, o Justiceiro trava uma guerra sem quartel contra o crime organizado.

Curiosidades: Ao longo do filme, morrem 91 pessoas (sem contar com as que sucumbem nas explosões em massa); Dolph Lundgren fez todas as suas cenas de luta e escreveu os seus monólogos no início e no fim do filme; durante um flashback que mostra a morte da sua família, as filhas de Castle vestem pijamas do Homem-Aranha (o Justiceiro estreou-se nas histórias do aranhiço em 1974); por não ser uma criação sua, Stan Lee não faz a sua habitual aparição no filme.
Uma das facas com a caveira usadas pelo Justiceiro.

Minha avaliação: 55% Era ainda um pré-adolescente quando vi pela primeira vez The Punisher. Pareceu-me tosco e excessivamente violento, além de só vagamente inspirado na banda desenhada homónima. Claro que o facto de, meses antes, ter visto Batman explica em grande medida esta minha avaliação inicial. Também me desagradou a ausência da caveira que a personagem usa como símbolo na BD. Ainda assim, sempre considerei (e continuo a considerar) que Dolph Lundgren foi uma escolha acertada para o papel. Não apenas pelo seu físico imponente mas sobretudo pelas suas expressões faciais. Ao contrário dos seus sucessores (Thomas Jane e Ray Stevenson), Lundgren consegue tornar o Justiceiro realmente assustador, apesar das suas muitas lacunas como ator(?). Quanto ao filme em si, mudei ligeiramente de opinião depois de ter visto as duas mais recentes adaptações ao grande ecrã  (The Punisher e Punisher: War Zone). Embora rústico, o filme original do Justiceiro consegue ser muito melhor do que as suas pretensas sequelas. Recomendo-o a todos os fãs de filmes de ação com muitos tiros, explosões em série e hectolitros de hemoglobina, que não se importem de dar descanso ao cérebro durante os 90 minutos que dura o filme.
Louis Gossett Jr. (à esq.) é o detetive Berkowitz que persegue o Justiceiro.

segunda-feira, 26 de março de 2012

ETERNOS: STEVE DITKO




       Com Stan Lee, criou o Homem-Aranha, uma das mais icónicas personagens dos comics. Ao contrário, porém, do seu parceiro criativo (com o qual, segundo reza a lenda, teve fortes divergências que ditaram a sua saída prematura da Marvel Comics), Steve Ditko, espécie de eremita genial, manteve-se sempre na penumbra.
       Aos 84 anos, há muito reformado, Ditko é uma lenda viva, estatuto reforçado pela aura de mistério que envolve um dos mais talentosos ilustradores da sua geração.
       Stephen "Steve" Ditko nasceu em Johnstown (no estado norte-americano da Pensilvânia) no dia 2 de novembro de 1927, segundo filho de imigrantes eslovacos. Influenciado pela paixão do seu pai pelas tiras de banda desenhada publicadas em jornais, Steve, muito habilidoso com as mãos, começou a interessar-se pelo desenho. Para isso muito contribuiu também o surgimento das personagens Batman e de The Spirit, das quais Steve era fã.
        Após ter cumprido o serviço militar durante II Guerra Mundial, Ditko mudou-se em 1950 para Nova Iorque onde ingressou na Cartoonists and Ilustrators School. Teve como professor Jerry Robinson, desenhador à época das aventuras do Homem-Morcego e que há muito era idolatrado pelo jovem Ditko.
        Descrito como talentoso e trabalhador incansável pelos seus ex-professores, Steve Ditko começou a sua carreira profissional em 1953 desenhando contos de ficção científica para a Key Publications. Pouco tempo depois, contudo, passaria a trabalhar como arte-finalista no estúdio de Joe Simon e Jack Kirby (criadores do Capitão América).
         Foi também nessa época que Ditko iniciou a sua longa colaboração com a Charlton Comics para a qual criou, entre outros, o herói conhecido como Capitão Átomo (Captain Atom no original), cujos direitos seriam posteriormente adquiridos pela DC.
        Seria, contudo, em 1955 que se daria a grande viragem na sua carreira artística. Nesse ano, Steve Ditko foi contratado pela Atlas Comics (precursora da Marvel Comics) para ilustrar várias estórias publicadas em alguns dos seus títulos mais emblemáticos como Strange Tales e Journey Into Mistery.
        Quando o editor-chefe da Marvel Comics, Stan Lee, obteve autorização para criar um novo super-herói adolescente, a sua primeira escolha para desenhar o visual da personagem recaiu sobre Jack Kirby. O esboço apresentado por Kirby, porém, desagradou a Lee e este virou-se então para Steve Ditko. Numa das raras entrevistas concedidas ao longo da sua carreira, Ditko revelou, em 1965, ter sido ele a conceber o uniforme e os lançadores de teias do herói aracnídeo, ao passo que Lee crismou a novel personagem. Estávamos em 1962 e o Homem-Aranha fez furor desde a sua primeira aparição. No ano seguinte, novamente em parceria com Stan Lee, Steve Ditko criou o Doutor Estranho (Doctor Strange), mestre do ocultismo e das artes místicas. Embora ofuscado pelo sucesso do Escalador de Paredes, o Doutor Estranho viria a ser muito popular, em especial entre os estudantes universitários que muito apreciavam os cenários psicadélicos das suas estórias.
O Homem-Aranha desenhado por Steve Ditko.

           Paralelamente, Ditko desenhou várias outras personagens da Casa das Ideias como o Hulk e o Homem de Ferro. Tornou-se igualmente coargumentista das estórias do Homem-Aranha, apesar de algumas fricções com Stan Lee. As mesmas que culminariam com a saída de Ditko da Marvel em circunstâncias nunca cabalmente esclarecidas. Ainda hoje se especula que, por trás desta sua decisão, estiveram divergências em torno da identidade secreta do principal némesis do Homem-Aranha, o Duende Verde. Ao que consta, Ditko discordava da escolha de Norman Osborne para alter ego do vilão por considerá-la demasiado óbvia.  Outra explicação possível deriva dos caráter autobiográfico que Ditko imprimiu nas estórias do Escalador de Paredes. Ao longo dos anos, Ditko terá criado laços afetivos com a personagem e não terá sabido lidar com a pressão dos leitores que exigiam uma nova orientação.
Dr. Estranho, outra das criações de Ditko para a Marvel.

           Em 1967, Steve Ditko regressou à Charlton Comics onde gozava de maior liberdade criativa. Dessa nova colaboração nasceram os heróis Besouro Azul (Blue Beetle) e Questão (Question), ambos integrados anos depois no universo DC. A mesma editora por onde teve uma passagem fugaz (de junho de 1968 a abril de 1969). Tempo suficiente, ainda assim, para criar três novos super-heróis: O Rastejante (The Creeper) e a dupla Rapina & Columba (Hawk and Dove). Mais uma vez, os verdadeiros motivos da sua saída da DC permanecem um mistério.
           Até meados da década de 1970, Steve Ditko trabalhou em exclusivo para a Charlton e algumas editoras independentes. Acabaria, no entanto, por regressar em 1975 à DC onde, além de participar em vários projetos, criou Shade, o Mutante (Shade, the Changing Man). Quatro anos depois, novo regresso. Desta feita à Marvel onde, entre outras coisas, desenhou a saga dos Micronautas e as aventuras do Homem-Máquina (projeto iniciado por Jack Kirby). A partir de 1982, passou também a trabalhar como freelancer para várias editoras independentes, entre as quais a recém-fundada Pacific Comics.

Personagens criadas por Ditko para a DC.

          Steve Ditko reformou-se em 1998. Continua, todavia, a residir e a trabalhar em Nova Iorque. Pouco mais se sabe da sua vida pessoal, excetoperentoriamente a conceder entrevistas ou a fazer aparições públicas desde meados dos anos 1960, Ditko explicou em 1969 essa sua fobia à ribalta: "Quando executo um trabalho, não é a minha personalidade mas a minha arte que ofereço aos leitores. O que conta é a qualidade do meu trabalho, não aquilo que eu sou pois limito-me a produzir uma história aos quadradinhos".
           Uma personalidade enigmática que já assegurou o seu lugar no panteão dos Eternos...