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sexta-feira, 27 de abril de 2012

BD CINE APRESENTA: SUPERGIRL


      Após o fracasso de Superman III (1983), Christopher Reeve anunciou a sua decisão de não voltar a ser o Homem de Aço no grande ecrã. Detentores dos direitos de toda a super-família, os produtores Alexander e Ilya Salkind decidiram avançar com um filme da Supergirl, a prima kriptoniana do herói. O resultado final, porém, ficaria aquém das expetativas...

Título original: Supergirl
Ano: 1984
País: EUA
Duração: 124 minutos
Realização: Jeannot Szwarc
Argumento: David Odell
Elenco: Helen Slater (Kara Zor-El/Linda Lee/Supergirl), Faye Dunaway (Selena), Peter O'Toole (Zaltar), Marc McClure (Jimmy Olsen)
Orçamento: 35 milhões de dólares
Receitas: 14,3 milhões de dólares
Sinopse: Numa dimensão inóspita, Argo City é habitada por sobreviventes da destruição do planeta Krypton. Entre estes vivem Kara Zor-El e seus pais. Zaltar, um proeminente cientista da cidade é o seu melhor amigo. Certo dia, mostra-lhe o Omegahedron, um poderoso artefacto que fornece energia a Argo City e que Zaltar surripiara. Devido a um acidente, o Omegahedron é lançado no espaço. A despeito da oposição dos seus pais, Kara voluntaria-se para partir em busca do dispositivo e assim salvar Argo City.
              Segue-se uma viagem até à Terra durante a qual a jovem se transforma em Supergirl. Entretanto, o Omegahedron é encontrado por Selena, uma aprendiz de feiticeira. Mesmo não sabendo do que se trata, Selena logo percebe que tem em mãos um enorme poder. Entretanto, Supergirl chega ao nosso mundo e descobre os seus novos superpoderes, resultantes da radiação do nosso sol amarelo. Para melhor levar a cabo a sua busca pelo Omegahedron, assume a identidade de Linda Lee e inscreve-se num colégio feminino onde se apresenta como prima de Clark Kent. É também lá que conhece Lucy Lane, irmã mais nova de Lois Lane. Quem, contudo, mais desperta a sua atenção é Ethan, o jardineiro da escola. Também Selena se interessa por Ethan e procura dominá-lo através de poções mágicas. Porém, o jovem acaba por voltar a si e vê-se a deambular pelas ruas da cidade. Furiosa, Selena usa os poderes do Omegahedron para controlar uma retroescavadora e assim trazer de volta o seu desejado.  Supergirl entra ação e salva Ethan que acaba por se enamorar pelo seu alter ego Linda Lee.
Selena (Faye Dunaway) versus Supergirl (Helen Slater).

             Supergirl e Selena enfrentam-se de várias maneiras até que, finalmente, a vilã usa o seu poder para lançar a jovem na Zona Fantasma (a dimensão para onde outrora eram banidos os criminosos kryptonianos). Privada dos seus poderes, Supergirl vagueia na paisagem desolada até reencontrar Zaltar que se autoexilara na Zona Fantasma como castigo pela perda do Omegahedron. Sacrificando a própria vida, o velho cientista ajuda a Supergirl a escapar daquela horrível prisão.
              Na Terra, Selena usa o Omegahedron para se autoproclamar Rainha da Terra com Ethan como seu consorte. Reemergindo da Zona Fantasma com os seus superpoderes restaurados, Supergirl derrota Selena e liberta Ethan do seu feitiço. Revelando o seu amor genuíno por Linda Lee, Ethan admite saber que ela e Supergirl são uma só pessoa. E sabe que ela precisa regressar a Argo City para salvar os seus semelhantes.
               A derradeira cena do filme mostra Supergirl a voar em direção a uma Argo City mergulhada nas trevas que, perante a presença do Omegahedron, se volta a iluminar em todo o seu esplendor.
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=2Ppot55xFco

A chegada à Terra da prima do Homem de Aço.
Curiosidades: Estava previsto que Christopher Reeve fizesse um cameo como Superman no filme mas logo a ideia foi descartada. Para explicar a ausência do Homem de Aço, é dito num noticiário radiofónico escutado por Selena que este se encontra fora da Terra numa missão de paz numa galáxia distante. O realizador Jeannot Szwar reconheceria posteriormente que desejava a participação de Reeve no filme da Supergirl de molde a dar-lhe maior credibilidade. Ainda assim, um poster promocional dele como Superman surge numa das cenas do filme.
               O ator Marc McClure, no papel de Jimmy Olsen, é único totalista dos cinco filmes produzidos dos primos de aço.
               Brooke Shields e Melanie Griffith foram cogitadas para o papel principal mas foram rejeitadas pelo realizador e por Ilya Salkind, filho do produtor Alexander Salkind. Ambos preferiam uma atriz desconhecida (como, de resto, sucedera no casting para o primeiro filme do Superman). 
A batalha final contra Selena.


Minha avaliação: 52%
                  Vi várias vezes Supergirl ao longo dos anos e a minha opinião sobre o mesmo oscilou bastante. Se na primeira vez (tinha eu cerca de onze anos) o filme me pareceu uma adaptação bastante aceitável da Rapariga de Aço ao grande ecrã, perdia, ainda assim, quando comparada com Superman e Superman II (embora claramente superior ao inenarrável Superman III). À medida que foram sendo lançados filmes mais recentes com outros super-heróis, Supergirl foi-me parecendo cada vez mais tosco. Não obstante, conserva ainda hoje um certo encanto naif. E por isso, no cômputo geral, a minha avaliação de Supergirl é positiva (até porque não perde na comparação com produções super-heroicas mais recentes que deixaram muito desejar como o Ghost Rider 2: The Spirit of Vengeance).
                 Aspetos positivos:
                       - Helen Slater parece saída diretamente das páginas de uma qualquer banda desenhada da Supergirl, à semelhança do que acontecera quando Christopher Reeve assumiu o papel de Superman;
                       - proximidade com os comics (alguns aspetos da origem da personagem parecerão decerto familiares aos fãs, pese embora a sua ligação a Krypton não seja devidamente explicada na história);
                     - efeitos especiais (bastante realísticos, em especial as cenas de voo e a Zona Fantasma);
                     - banda sonora (embora longe do registo épico de John Williams o tema principal é, ainda assim, bastante dinâmico).
As cenas de voo em Supergirl chegam a ser deslumbrantes.

               Aspetos negativos:
                      - Faye Dunaway não parece esforçar-se muito para tornar menos entediante a vilã Selena;
                      - o argumento está juncado de incongruências: por exemplo, ao embarcar na nave espacial que a traria à Terra, Kara veste roupas kryptonianas mas durante a viagem transforma-se em Supergirl;
                    -  a opção por uma antagonista dotada de poderes mágicos também me desagradou pois isso permitiu que qualquer coisa fosse possível mesmo sem fazer sentido algum;
                    - a ausência do Superman que, segundo consta, se deveu principalmente ao orçamento reduzido.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

ETERNOS: GARDNER FOX (1911-1986)


       Com umas impressionantes quatro mil histórias no currículo, Gardner Fox foi, sem dúvida, um dos mais profícuos e versáteis escritores de banda desenhada de sempre. Ao serviço da DC por mais de três décadas, criou uma miríade de personagens para a editora. O primeiro Flash, Gavião Negro, Batgirl e a Sociedade da Justiça da América foram apenas algumas delas. Permanece, ainda assim, um ilustre desconhecido para as atuais gerações de leitores.
       Gardner Francis Cooper Fox, nasceu no Brooklyn (Nova Iorque) no dia 20 de maio de 1911, no seio de um família católica. Desde tenra idade se interessou por temas ligados ao fantástico, sendo um leitor compulsivo de literatura de ficção científica. Duas histórias em particular o marcaram, franqueando-lhe a porta para um novo mundo que, até aí, desconhecia: The Gods of MarsThe Warlord of Mars. Ambas da autoria de Edgar Rice Burroughs ("pai" de Tarzan) cuja obra muito influenciou Fox.
        Licenciado em Direito pelo St. John´s College, Gardner Fox começou a exercer advocacia em 1935. Dois anos volvidos, em plena Grande Depressão, desistiu da sua incipiente carreira de causídico para ingressar na Detective Comics (DC) pela mão do então editor-chefe Vin Sullivan. A sua estreia como argumentista deu-se nas páginas de Detective Comics, embora tenha colaborado esporadicamente em quase todos os restantes títulos da editora.
Sandman, uma das primeiras criações de Gardner Fox.
          Dotado de uma cultura geral acima da média, Gardner Fox (para quem a aquisição de conhecimento, era, nas suas próprias palavras, uma espécie de hobby), matizou as suas histórias com referências históricas, mitológicas e científicas. Numa carta enviada a um fã em 1971, revelou possuir dois gabinetes e um sótão atulhados de livros, revistas e todo o tipo de material relacionado com ciência, natureza e factos invulgares que amiúde consultava para escrever as histórias aos quadradinhos e não só pois, ao longo da sua carreira, Gardner Fox produziu igualmente dezenas de contos e romances sob outros tantos pseudónimos, tanto masculinos como femininos. Entre 1944 e 1982, escreveu pelo menos um romance por ano (1950, 1951 e 1971 foram as exeções). A média anual era, todavia de três. E só em 1974 publicou doze (!) romances.
          Durante a II Guerra Mundial, Gardner Fox assumiu várias personagens e histórias de colegas mobilizados para o conflito, tendo inclusivamente trabalhado para a Timely Comics, precursora da Marvel. Com a perda de popularidade dos super-heróis no período pós-guerra, Gardner aventurou-se noutros géneros, designadamente, western, humor e ficção científica.
          Antes, porém, em 1939, fora cocriador de Sandman, um combatente do crime que usava chapéu e uma máscara antigás. Nesse mesmo ano, em julho (apenas dois meses após a estreia de Batman), começou a colaborar, em conjunto com Bob Kane e Bill Finger, nas estórias do Homem-Morcego. Foi dele a ideia de Batman usar o seu lendário cinto de utilidades onde pontuavam, entre outros utensílios, o batarangue e as cápsulas de gás.
          No ano seguinte, Gardner Fox escreveu três das primeiras seis aventuras de Jay Garrick, o Flash da Idade do Ouro. Ainda em 1940, criou a primeira versão do herói alado conhecido entre nós como Gavião Negro (Hawkman).
O Gavião Negro da Idade do Ouro.
           Muitas vezes escrevendo mais de seis estórias em cinco títulos mensais da DC, Gardner Fox conseguia, ainda assim, criar novas personagens. Foi o caso do Senhor Destino (Doctor Fate) e da Sociedade da Justiça da América (Justice Society of America).
           Pese embora tenha construído a maior parte da sua carreira ao serviço da DC, Gardner Fox trabalhou igualmente para outras editoras. Durante aproximadamente três anos (1947-1950), produziu diverso material para a EC Comics, especialmente contos de terror.  No final da década de 1940 e início dos anos 1950, Gardner Fox colaborou com a Magazine Enterprises e a Avon Comics (sem qualquer relação com a famosa marca de cosméticos norte-americana).
          Regressaria nos primeiros anos da década de 1950 à DC onde viveria a chamada Idade da Prata. Este período, marcado pela reformulação de várias personagens clássicas da editora, principiou com o surgimento do Código de Autoridade dos Comics (Comics Code Authority), uma espécie de código de conduta que deveria nortear doravante as histórias aos quadradinhos e que muitos profissionais da área classificaram de censura. Na origem desta situação esteve o subcomité do Senado para a delinquência juvenil que, nas suas audições, alertou para os perigos da banda desenhada. Para que o negócio pudesse sobreviver, não restou portanto outra alternativa senão a reinvenção de muitos dos super-heróis da Idade do Ouro. Sob a batuta criativa de Gardner Fox e do editor-chefe da DC à época, Julius Scharwtz, personagens como o Lanterna Verde, Flash e Gavião Negro ganharam novos visuais e novas identidades.
            A década de 1960 foi especialmente profícua para Gardner Fox e para a DC: logo em 1960 criou a Liga da Justiça; no ano seguinte introduziu o conceito do multiverso (composto por realidades paralelas onde coexistiam diferentes versões de algumas de principais personagens da editora); e em 1964 retomou as histórias de Batman onde reintroduziu os vilões Charada e Espantalho, além de criar a Batgirl (1967).

Em 1967, a Batgirl juntou-se ao Duo Dinâmico no combate ao crime.
           Fox abandonou a DC em 1968, em resultado da recusa desta em conceder seguro de saúde e outros benefícios aos seus colaboradores mais antigos. Chegava assim ao fim uma longa e produtiva parceria entre o escritor e a editora. Durante os anos seguintes, Gardner Fox dedicou-se em exclusivo à literatura. No início da década de 1970 foi convido pela Marvel a escrever alguns argumentos para o Doutor Estranho e Drácula. Em 1985, ano anterior ao da sua morte, Fox teve uma fugaz passagem pela Eclipse Comics que praticamente se resumiu à produção de uma antologia de ficção científica intitulada Alien Encounters.
            Membro de várias agremiações literárias como a Authors Guild e a Science Fiction Writers of America, foi distinguido com vários prémios, alguns a título póstumo. Foi o caso do Harvey Award e da sua entrada no Jack Kirby Hall of Fame em 1998.
           Na véspera de Natal de 1986, aos 75 anos de idade, Gardner Fox faleceu devido a causas naturais. Como parte do seu legado, deixou à Universidade do Oregon um precioso espólio composto por livros, guiões e cartas de fãs.
A SJA reunia vários heróis da Idade do Ouro.