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sexta-feira, 13 de julho de 2012

DO FUNDO DO BAÚ


      Transcorridos vinte anos sobre a morte do Homem de Aço às mãos da hedionda criatura conhecida como Apocalypse, evoco, nesta minha centésima publicação, esse marco incontornável na história dos quadradinhos.



Nota prévia: Embora conte na minha coleção com a edição portuguesa lançada em meados de 1995 pela Abril/Controljornal, optei por dar a conhecer aqui a edição brasileira da Abril Jovem, menos mutilada por cortes na narrativa e que incluía alguns brindes alusivos.

Título: A Morte do Super-homem
Data: Novembro de 1993
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Editora: Abril Jovem
Número de páginas: 164
Formato: 13,5 cm x 19 cm, colorido, lombada quadradada
Argumento: Dan Jurgens, Louise Simonson, Jerry Ordway e Roger Stern
Arte: Dan Jurgens, Jon Bogdanove, Brett Breeding, Tom Grummett e Jackson Guice
Publicado originalmente em: Justice League of America nº 69 (1992), Superman nº74 (1992), Adventures of Superman nº497 (1992), Action Comics nº 684 (1992), Superman: The Man of Steel nº19 (1993) e Superman nº75 (1993).


Sinopse: Algures no coração dos Estados Unidos, um monstro há muito aprisionado no subsolo consegue libertar-se e deixa um imenso rasto de destruição e morte à sua passagem. Enquanto o Super-homem participa num talk-show televisivo onde responde a questões colocadas pela plateia, a Liga da Justiça (à época composta pelo Gladiador Dourado, Besouro Azul, Fogo, Gelo, Máxima, Guy Gardner e Bloodwynd) responde a uma chamada de emergência proveniente do Ohio. Deparando-se com a misteriosa criatura, a equipa tenta, em vão, travar o seu avanço aparentemente errático.
                Longe dali, em Metrópolis, o Homem de Aço é posto a par dos acontecimentos e interrompe a sua participação no programa televisivo para ir em auxílio dos seus companheiros.
                Somente com um braço livre, o monstro, numa sequência particularmente violenta, derrota facilmente toda a Liga da Justiça. A sua brutalidade parece não conhecer limites e, depois de deixar muito maltratados alguns dos membros da equipa, é apelidado de Apocalypse pelo Gladiador Dourado.
                Chegado ao local, o Homem de Aço depara-se com um cenário de destruição e, inicialmente, subestima a ameaça que Apocalypse representa. Com a ajuda dos membros da Liga aptos a lutar, o Super-homem lança um ataque demolidor à abominação. No final, porém, o mesmo serve apenas para libertar o monstro das amarras que o prendiam. Os heróis são então uma vez mais sumariamente derrotados por Apocalypse, que acaba por escapar. O Super-homem ainda parte na sua peugada mas acaba por desistir da perseguição a fim de salvar algumas vítimas civis resultantes do confronto.
                Numa jornada de terror aparentemente imparável, Apocalypse atravessa os EUA sem que o Homem de Aço consiga travá-lo. Lois Lane e Jimmy Olsen, repórteres do Planeta Diário, são destacados para cobrir os acontecimentos. Em Metropólis, Lex Luthor, o arqui-inimigo do Último Filho de Krypton, demove a Supergirl (Matriz, não Kara Zor-El) de se juntar aos esforços para deter a criatura.
                 Depois de ver um anúncio televisivo promovendo um combate de luta-livre em Metrópolis, Apocalypse toma a direção da cidade, apesar dos esforços do Super-homem para impedi-lo. Uma vez em Metrópolis, o monstro provoca uma enorme rotura de gás que, por sua vez, resulta numa devastadora explosão que deixa todo um setor da cidade privado de eletricidade. O pânico e o caos estão instalados. A Supergirl é finalmente enviada por Luthor para procurar deter o avanço de Apocalypse mas este derrota-a com um único golpe. Igual sorte têm os esforços de alguns dos aliados do Homem de Aço como o Professor Hamilton e o Guardião.
                 Com o titânico combate a ser travado em pleno coração de Metropólis, os golpes desferidos pelo Super-homem e pelo seu oponente geram intensas ondas de choque que estilhaçam os vidros num raio de vários quilómetros. O recontro culmina defronte do edifício do Planeta Diário, onde, sob o olhar estarrecido de Lois Lane e de centenas de transeuntes, o Homem de Aço, ferido e exausto, investe com tudo o que lhe resta contra Apocalyse, numa derradeira tentativa de derrotá-lo. O monstro tomba por fim. E com ele o Último Filho de Krypton. A cidade está a salvo. Nos braços de Lois Lane, o Homem de Aço acaba por sucumbir aos graves ferimentos infligidos pela criatura. Pois aquele foi o dia em que o Super-homem morreu...

                    Golpe de marketing (as vendas dos títulos do Super-homem estavam em queda livre no dealbar da década de 1990) ou, como clama a DC, a melhor história aos quadradinhos alguma vez produzida? A Morte do Super-homem tem, a meu ver, um pouco de ambos. Esta não foi a morte que muitos fãs do Homem de Aço (eu incluído) haviam imaginado para o maior herói de todos os tempos. Muito menos foi a primeira vez que a sua morte foi abordada (tema que me comprometo a desenvolver num futuro próximo). A Morte do Super-homem é um arco de histórias repleto de pontas soltas (desde logo a origem de Apocalypse que apenas posteriormente seria revelada) e com arte nem sempre à altura de uma história que se queria épica (os desenhos de Jon Bogdanove são intragáveis). Mas que não deixou de servir os seus propósitos e que representa ainda hoje um marco histórico.  É, pois,  inegável o impacto comercial e mediático que este episódio trágico teve a nível mundial. Em resultado disso, o Super-homem foi relançado junto de toda uma nova geração de leitores que - talvez pela primeira vez - tomaram consciência da mortalidade de um ícone com poderes semidivinos. Depois de A Morte do Super-homem nada voltaria a ser igual na vida do Homem de Aço (entretanto "ressuscitado") e numa indústria dos comics em constante efervescência.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

ETERNOS: TODD MCFARLANE (1961 - ...)




      Depois de ter passado pela Marvel e pela DC (onde reformulou algumas das mais importantes personagens dessas editoras), Todd McFarlane foi, em 1992, um dos cofundadores da Image Comics. Pelo meio, criou Spawn, um dos mais carismáticos anti-heróis dos quadradinhos, e é hoje um dos homens mais influentes do ramo.
      McFarlane nasceu a 16 de março de 1961 em Calgary, na província canadiana de Alberta. Aos 17 anos descobriu os quadradinhos. Era fã do trabalho do seu compatriota John Byrne, assim como de outros desenhadores consagrados como George Pérez , Jack Kirby e Frank Miller. Apreciava igualmente o trabalho do conceituado argumentista britânico Alan Moore (Watchmen). Era, porém, a arte atípica de Michael Golden (Micronautas) e do criador da manga Akira, Katsuhiro Õtomo que lhe enchiam as medidas.
      No início dos anos 80, após concluir o liceu, McFarlane ingressou na Eastern Washington University com uma bolsa de estudo obtida graças ao basebol (outra das suas paixões) e estudou artes gráficas. Ambicionava vir a ser jogador profissional da modalidade após a conclusão dos estudos superiores. Porém, uma grave lesão no tornozelo, sofrida durante o seu primeiro ano, deitou por terra esse sonho. Passou então a trabalhar numa loja de banda desenhada em Spokane, Washington. Alguns desenhos que fez de várias personagens da Marvel e da DC foram vendidos nessa e noutras lojas da especialidade.
       Coyote, da editora Epic Comics, foi o seu primeiro trabalho publicado quando corria o ano de 1984. Não tardaria, porém, a começar a trabalhar em simultâneo para as arquirrivais Marvel e DC. Foi nesta última que ganhou maior projeção mercê do trabalho desenvolvido no título Infinity, Inc. (conhecido entre nós como Corporação Infinito) entre 1985 e 1987. Nesse mesmo ano ilustrou várias edições de Batman: Year Two. Daí passaria para a Marvel a fim de desenhar Incredible Hulk (1987-88).
Coyote nº13 (1985) contava com a arte de McFarlane no interior.


Capa de Batman nº423 (1988) ilustrada por McFarlane.
       Em parceria com o argumentista David Michelinie, McFarlane assumiu, em 1988, o título Amazing Spider-Man, a partir do número 298. E logo revolucionou o herói aracnídeo. Entre outras alterações introduzidas, destacou-se a forma como passou a desenhar as teias do Escalador de Paredes: o modelo clássico foi substituído pelo que ficaria conhecido como "teia esparguete". Coube-lhe igualmente a honra de ser o primeiro artista a desenhar Eddie Brock, o alter ego original do popular vilão Venom. Embora lhe tenham sido atribuídos os créditos de cocriador da personagem, essa decisão nunca foi consensual e tem sido motivo de discussão no seio da indústria dos comics.
        Seja como for, o trabalho de McFarlane em Amazing Spider-Man converteu-o numa superestrela dos quadradinhos. Pela conceção da capa do número 313 desse título, McFarlane recebeu, em 1989, uns módicos 700 dólares. Em 2010, essa mesma capa seria vendida por 71,2 mil dólares. Talvez por isso, em 1990, depois de ter coproduzido 28 edições de Amazing Spider-Man, McFarlane anunciou ao seu editor a sua intenção de abandonar a série devido à sua saturação de desenhar as histórias de outrem. Tentando demovê-lo dessa decisão, Jim Salicrup ofereceu-lhe um novo título mensal do Escalador de Paredes que McFarlane escreveria e desenharia, gozando de ampla liberdade criativa. Batizada simplesmente Spider-Man, a nova série do herói aracnídeo foi um retumbante sucesso (tendo o primeiro número vendido uns impressionantes 2,5 milhões de exemplares). Ao cabo de 16 edições, onde os leitores foram brindados com vários crossovers do Homem-Aranha com outros heróis da editora como Wolverine, Motoqueiro Fantasma ou X-Force, McFarlane,  em rota de colisão com o novo editor, abandonou o projeto, sendo substituído por Erik Larsen - outro dos futuros cofundadores da Image.

Capa alternativa de Spider-Man nº1(1990).
        Depois da sua saída da Marvel, McFarlane, juntamente com seis outros ilustradores e argumentistas descontentes, fundou a Image Comics (vide Fábrica de Mitos: Image Comics). Dispondo de um estúdio independente, McFarlane deu a conhecer ao mundo a sua maior criação: Spawn, O Soldado Infernal (vide Heróis em Ação: Spawn), cujo número de estreia, em 1992, vendeu 1,7 milhões de exemplares. Um recorde de vendas absoluto para uma editora independente. Dois anos volvidos, McFarlane lançou uma linha de brinquedos própria - a McFarlane Toys. Em virtude desta nova aposta de mercado, delegou a produção criativa de Spawn, limitando-se doravante a participações esporádicas nos títulos da personagem. Além de estatuetas minuciosamente detalhadas do Soldado do Inferno e respetivos coadjuvantes, McFarlane obteve ainda licença para produzir action figures de atletas populares de modalidades como basebol, basquetebol, hóquei e futebol americano. Também lançou bonecos inspirados em estrelas do rock (Jim Morrison, Kiss, etc) e em filmes de culto (Terminator, Matrix, etc.).
Spawn nº1 (1992) vendeu 1,7 milhões de exemplares.
          Em 1996 criou um estúdio de cinema e animação chamado McFarlane Entertainment. Em colaboração com a New Line Cinema, produziu, no ano seguinte, o filme Spawn cujas modestas receitas de bilheteira inviabilizaram uma sequela.
          Fanático por basebol, McFarlane é um ávido colecionador de artigos relacionados com esse desporto e não olha a despesas para obtê-los. Ao longo dos anos tem adquirido várias bolas com que algumas estrelas da modalidade fizeram home runs. Por uma delas desembolsou 3 milhões de dólares...
         Como não há bela sem senão, McFarlane já esteve  envolvido em várias disputas judiciais. Na primeira, que remonta a 1997, foi processado pelo jogador de basebol Anthony Twist por apropriação indevida do seu nome para batizar um dos coadjuvantes das histórias de Spawn (Tony Twist). Condenado, em primeira instância, a pagar uma indemnização no valor de 24,5 milhões de dólares, McFarlane veria o veredicto ser anulado pelo Supremo Tribunal do Missouri em 2003. Um ano antes, novo processo movido contra si, desta vez pelo escritor e argumentista Neil Gaiman. Acusação: violação de direitos autorais e não pagamento de royalties referentes à personagem Miracle Man. McFarlane foi obrigado a pagar 45 mil dólares a Gaiman, assim como todas as custas judiciais, montante que o escritor doou a um fundo para a defesa legal de criadores de comics.
         Polémicas à parte, Todd McFarlane é hoje um dos nomes mais influentes na indústria dos quadradinhos, gerindo negócios que movimentam anualmente milhões de dólares.
Stan Lee e Todd McFarlane: duas lendas vivas dos quadradinhos.