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sexta-feira, 3 de maio de 2013

BD CINE APRESENTA: OS 9 CONDENADOS





         Desde o início deste século, Hollywood parece ter (re)descoberto o maná das megaproduções com super-heróis.  Nos últimos anos, para gáudio dos fãs e com maior ou menor êxito, têm-se sucedido as adaptações ao grande ecrã de várias personagens icónicas da Marvel e da  DC.
         Houve, contudo, um considerável rol de projetos do género que nunca conheceram a luz do dia. Dentre os que nunca saíram do papel e os que morreram na praia; dentre os que foram dados como quase certos e os que permaneceram na obscuridade, aqui fica uma resenha composta por nove exemplos desses nados-mortos cinéfilos, convidando o leitor a tirar as suas próprias conclusões acerca da viabilidade dos mesmos:

1- MULHER-MARAVILHA

       Muito antes de dirigir a sensacional versão cinematográfica dos Vingadores, o realizador Joss Whedon (criador da série televisiva de sucesso Buffy, Caçadora de Vampiros) fora o eleito para levar a Princesa Amazona ao grande ecrã pela primeira vez.
      Whedon ficou em êxtase com tão aliciante desafio, mas logo perceberia que era bom de mais para ser verdade. Com efeito, apesar de ter sido contratado para escrever e dirigir a primeira longa-metragem da mais famosa heroína da DC, Whedon acabaria por ser descartado pela Warner Bros. que, alegadamente, ficou desagradada com a abordagem proposta pelo realizador à personagem.
      Algum tempo após o seu afastamento do projeto, em entrevista ao site RookieMag.com, Whedon levantou um pouco do véu sobre os seus planos para a primeira incursão da Princesa Amazona no cinema: "Ela seria algo parecida com a Angelina Jolie. (risos) Embora poderosa, seria muito ingénua em relação á natureza humana. O facto de ser uma semideusa seria, simultaneamente, a sua maior força e a sua maior fraqueza. Ela olharia, por exemplo, para a forma como os humanos se matam uns aos outros, como deixam crianças morrer á fome e, aos olhos dela, isso não faria qualquer sentido.  Por outro lado, o seu romance com Steve Trevor serviria para lhe mostrar a vulnerabilidade dos humanos, mas também o que há de melhor em cada um de nós. Steve seria portanto uma espécie de professor para ela".

Arte conceptual desenvolvida para o filme da Mulher-Maravilha que nunca chegou a ser realizado.

      Confessando-se desapontado com o cancelamento de um projeto que, não obstante os elevados custos envolvidos, muito provavelmente iria arrasar nas bilheteiras, Whedon não se coibiu de, na mesma entrevista, revelar que atriz sugerira aos produtores para encarnar a Princesa Amazona: nada mais nada menos que Cobie Smulders (celebrizada pelo papel da sedutora Robin na série Foi Assim Que Aconteceu e a quem o realizador outorgou o papel da agente da SHIELD Maria Hill em Os Vingadores).

Cobie Smulders, a atriz que daria vida à Princesa Amazona.

2- HOMEM-ARANHA

      Depois de ter dirigido um dos melhores filmes de ação de todos os tempos (o inigualável Exterminador Implacável 2) e muito antes de Sam Raimi assumir a realização do primeiro filme do Escalador de Paredes mais famoso do planeta, James Cameron foi a primeira escolha para tornar realidade esse velho sonho dos fãs do herói aracnídeo.
      Efetuada alguma pesquisa, Cameron apresentou o seu conceito para a personagem. Entre as muitas alterações introduzidas em relação à sua contraparte da banda desenhada, destaque para um forte pendor sexual de Peter Parker, retratado como um adolescente com as hormonas aos saltos e com uma língua suja capaz de fazer corar os mais pudicos. Decorrente dessa abordagem, haveria várias cenas de sexo ao longo do filme, uma das quais tendo como cenário a ponte sobre o rio Hudson.

Esquisso conceptual de Peter Parker, idealizado por James Cameron.

      Seriam dois os antagonistas do Homem-Aranha: Electro e Homem-Areia. Todavia, o primeiro também seria substancialmente diferente do vilão original e habitué nas histórias dos Escalador de Paredes.
      Provavelmente, muitos fãs terão sentido alívio pelo facto de esta pouco ortodoxa abordagem ao seu querido herói não ter vingado. O que não impediu que alguns elementos do guião hajam sido repescados aquando da produção de Spider-Man em 2002, já sob a batuta de Sam Raimi. Exemplo disso foi a utilização de lançadores de teias orgânico em vez do tradicional fluido de teia sintético.

Na versão de Cameron, Peter Parker pouco teria de menino do coro.


3 - FLASH

      Exatamente oito dias após a estreia de Blade: Trinity nas salas de cinema norte-americanas, foi oficialmente anunciado que o cineasta David S. Goyer (obreiro da trilogia de sucesso do caçador de vampiros da Marvel) iria escrever e realizar uma longa-metragem estrelada por outro super-herói: desta feita Flash, da concorrente DC.


      Entusiasmando com o potencial cinematográfico do velocista escarlate, Goyer aventou inicialmente que optaria por Wally West (o terceiro Flash), por ser este o favorito dos fãs. Mas rapidamente mudou de ideias, anunciando a sua opção por Barry Allen (o Flash da Idade da Prata), estando reservado para Wally West um papel secundário na intriga.
      Para encarnar o herói nesta sua primeira aventura no grande ecrã, Goyer terá indicado Ryan Reynolds (ator que, em 2011, seria escolhido para ser o Lanterna Verde). O realizador assumiu igualmente que o filme teria um registo obscuro, influenciado pela abordagem análoga feita na BD por escritores como Mike Barron ou Mark Waid.
      Contudo, a exemplo do que sucedeu com Joss Whedon e o seu projeto para a Mulher-Maravilha, Goyer e a Warner Bros. não conseguiram chegar a acordo quanto aos termos do contrato, pelo que o Flash permanece ainda em lista de espera para ganhar vida no cinema.

Depois de Blade, David S. Goyer tentou adaptar Flash ao grande ecrã.



4- MAGNETO

      Após o lançamento de X-Men 3: O Confronto Final (2006), que encerrava a primeira trilogia cinéfila dos Filhos do Átomo, foi anunciada a produção de vários spin-offs (filmes a solo de personagens do universo X). Encabeçando a lista, estavam Wolverine e Magneto. Ao contrário do primeiro, o segundo nunca teve, porém, direito a qualquer película própria.
      Em 2004, o argumentista Sheldon Turner foi contratado pela 20th Century Fox para escrever o guião da longa-metragem do mestre do magnetismo.  Ian McKellen reassumiria o manto do vilão, retocado digitalmente de modo a parecer mais novo, à semelhança do que fora feito em X-Men 3.


      Desconhecendo-se o que motivou tal decisão, três anos volvidos, David S. Goyer (outra vez ele) foi contratado para escrever e dirigir o filme de Magneto. Na sua abordagem, o Professor Charles Xavier desempenharia um papel preponderante, pelo que os respetivos papéis foram redirecionados para outros atores.
      Adiado para meados de 2008 e tendo como cenário a Austrália, o arranque das filmagens acabaria suspenso até ser conhecido o resultado do projeto paralelo que foi X-Men Origins: Wolverine. Apesar do sucesso deste último, a película que escalpelizaria a origem de Magneto nunca foi realizada. Parte dos seus elementos foi, todavia, absorvida pelo enredo de X-Men First Class (2011), assim se explicando a atribuição de créditos de coargumentista a Sheldon Turner.


5- ARQUEIRO VERDE

       Nota prévia: esta será a última vez que o nome de David S. Goyer será mencionado nesta lista.
      Sucede que em 2004 o cineasta em questão ( e, como vimos, repetente nestas andanças) e o argumentista Justin Marks (cujo currículo inclui vários guiões para megaproduções que nunca viram a luz do dia) foram contratados para escreverem o enredo de um filme simplesmente intitulado Super Max (posteriormente rebatizado Green Arrow: Escape From Super Max). A sua premissa certamente deixaria os fãs do Arqueiro Verde a salivar: incriminado num caso de homicídio, o vigilante mascarado seria encarcerado na penitenciária especial para meta-humanos chamada Super Max, de onde tentaria escapar para limpar o seu nome, contado para isso com a ajuda de alguns supervilões que ele anteriormente capturara.


      Se somarmos a esta premissa promissora a inclusão de alguns dos vilões mais famosos do universo DC como Joker, Lex Luthor ou Charada, e o facto de a Warner Bros. parecer apostada em dar uma resposta à altura aos projetos bem-sucedidos da arquirrival Marvel no que toca a transposições para o grande ecrã, a película arriscar-se-ia seriamente a ser um blockbuster. No entanto, contra todas as expectativas, o interesse dos estúdios em relação ao projeto foi lentamente esmorecendo, votando-o ao esquecimento e confirmando assim a malapata que parece perseguir Goyer.

6- CRISTAL

       Pequena curiosidade: a personagem Cristal (Dazzler, no original), uma mutante com a habilidade de converter som em luz e energia, foi criada exclusivamente por causa do sucesso da famosa banda rock KISS, nos palcos e também nos quadradinhos. Com efeito, a sua criação resultou de uma parceria entre a Marvel Comics e a produtora discográfica Casablanca Records.
       Surpreendentemente, o título próprio de Cristal tornou-se bastante popular entre os leitores do material produzido pelas Casa das Ideias e, em resultado disso, Jim Shooter (editor-chefe da Marvel à época) foi encarregado de coordenar o projeto para um filme de animação estrelado pela heroína. Em virtude de vários entraves e reveses, a Marvel resolveu apostar antes numa longa-metragem com atores de carne e osso.
        Para o papel principal, foi escolhida Bo Derek, facto que daria azo a uma guerra entre os estúdios. Já o argumento ficou a cargo de Leslie Stevens, apesar de Shooter ter entretanto apresentado um rascunho do mesmo.

Bo Derek foi a primeira escolha para ser a estonteante Cristal no cinema.

        No entanto, a sentença de morte do projeto surgiu sob a forma da espatafúrdia exigência de Bo Derek de que fosse o seu marido, John Derek, a dirigir o filme. Perante a recusa da Marvel, Bo desistiu do papel. Daryl Hannah ainda chegou a ser contratada para sua substituta, mas o projeto estava irremediavelmente comprometido.
       Jim Shooter aproveitou entretanto a sua ideia original para o guião do filme para lançar um graphic novel  intitulada, Dazzler, The Movie.

O guião original de Shooter deu origem a uma graphic novel.


7- WATCHMEN

      Até Zack Snyder descobrir a receita para adaptar ao cinema aquela que é considerada uma das melhores histórias de banda desenhada alguma vez escritas, houve várias tentativas goradas nesse sentido. Assim, a primeira tentativa de transpor Watchmen ao grande ecrã partiu do produtor Joel Silver que, depois de ter adquirido os direitos da série escrita por Alan Moore, sondou o realizador Terry Gilliam para dirigir a projeto.
     Considerando que Gilliam é um cineasta de reconhecido talento, famoso pela densidade das suas narrativas, tudo parecia bem encaminhado. Todavia, os  problemas começaram logo aquando da escolha do naipe de atores que interpretariam o singular grupo de super-heróis idealizado por Moore. Joel Silver exigiu que Arnold Scharwzenegger vestisse a pele do Dr. Manhattan.
     Dave Gibbons, ilustrador e cocriador dos Watchmen insurgiu-se, replicando que  concordava com a utilização dos atributos físicos do ator austríaco, mas que o seu forte sotaque germânico não se coadunaria com a personagem.

Teria Schwarzenegger dado um bom Dr. Manhattan? Nunca saberemos.

      Indiferente às críticas, Joel Silver encomendou um primeiro esboço do guião a Sam Hamm (argumentista de Batman e Batman Regressa), material que seria consideravelmente diferente da história original. Nesta versão, tudo começaria, não com o assassinato do Comediante, mas com um ataque terrorista à Estátua da Liberdade que os Watchmen falhariam em impedir. Daí resultando a revolta popular contra os heróis uniformizados. Em vez do exílio autoimposto em Marte, o Dr. Manhattan viajaria para o futuro e, a partir daí, o enredo seguiria fielmente a narrativa primordial, desembocando num final em tudo idêntico ao da BD.
      Classificando a história de Watchmen de "infilmável", Terry Gilliam, depois de ter proposto que a mesma fosse produzida no formato de uma minissérie em cinco capítulos, abandonaria o projeto. E assim Hollywood gerou mais um nado-morto.

8- BATMAN: ANO UM

     Na esteira da hecatombe que representou o ignóbil Batman & Robin (1997), a Warner Bros. viu-se perante um dilema sobre o destino a dar à franquia do Cavaleiro das Trevas que, até então, se revelara extraordinariamente lucrativa. Joel Schumacher, o realizador responsável por esse flop, propôs que, para a salvar, seria necessário voltar à estaca zero. Nesse sentido, apresentou um projeto de adaptação de Batman: Year One, o emblemático arco de histórias da autoria de Frank Miller que reconta a origem do Homem-Morcego.


      A ideia agradou à Warner Bros. que, após muito sensatamente descartar Schumacher, começou a procura por um realizador competente que permitisse materializar o projeto. A escolha recaiu sobre Darren Aronofsky que dera nas vistas ao dirigir em 2000 o polémico A Vida Não É Um Sonho (Requiem For A Dream). Aronofsky seria também coargumentista, num enredo escrito a duas mãos com o próprio Frank Miller. Alguns dos pormenores entretanto revelados deixaram os puristas da BD original à beira de um ataque de nervos: Bruce Wayne não seria milionário, não seria órfão e não cresceria na mansão da sua família tendo Alfred como precetor. Ao invés disso, ele teria sido resgatado das ruas onde crescera por um mecânico negro chamado Big Al.
      Descrito como esquizofrénico, Bruce Wayne desenvolveria progressivamente o seu alter ego notívago, com um fetiche por morcegos. Haveria ainda várias referências a outras personagens importantes do universo de Batman, nomeadamente Selina Kyle (a Mulher-Gato) e o Joker.
       A certidão de óbito do projeto foi emitida quando Aranofsky indicou Clint Eastwood (!) para assumir o manto do Cavaleiro das Trevas neste reboot, que, também por exigência do realizador, seria integralmente rodado em Tóquio.

Clint Eastwood como Batman? Com menos 30 anos, quem sabe?

       Em 2005, já depois de ter visto abortar o projeto para a realização de uma megaprodução que reuniria Batman e Superman, a Warner Bros. tornaria a convidar Aranofsky para dirigir Batman Begins. Face à recusa deste, Christopher Nolan foi o senhor que seguiu, iniciando assim uma trilogia de enorme sucesso que reabilitou o Cruzado da Capa junto dos fãs da 7ª arte.

9- LIGA DA JUSTIÇA

      Em 2007 a Warner Bros. contratou Kieran e Michele Mulroney para escreverem o guião de um filme da Liga da Justiça, a ser realizado por George Miller (Mad Max).
      A produção foi suspensa durante alguns meses devido à greve dos argumentistas de Hollywood, mas a Warner Bros. não desistiu do projeto.
      Quando a greve terminou, os estúdios anunciaram que a película seria produzida recorrendo a tecnologia semelhante à utilizada em Beowulf e The Polar Express. Já o elenco, segundo rumores postos a circular na altura, mais se assemelharia a uma constelação.

Para quando um filme da Liga da Justiça?

       Duas coisas feriram, contudo, mortalmente o projeto: os produtores não estavam dispostos a pagar alguns milhões de dólares extras referentes a taxas e impostos cobrados na Austrália (local escolhido para servir de cenário à história, que tinha em Maxwell Lord o vilão de serviço), e o orçamento previsto de 300 milhões de dólares.
       E assim morreu à nascença outro projeto megalómano da Warner Bros. A boa notícia é que, segundo  rumores postos a circular com alguma insistência no ciberespaço, poderá haver em 2015 nova tentativa de dar vida no grande ecrã à mais proeminente superequipa da DC, na esteira do retumbante êxito de Os Vingadores.