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sexta-feira, 7 de março de 2014

BD CINE APRESENTA: «O INCRÍVEL HULK»



 

 
     Inserido na Fase 1 da Marvel que precedeu o filme dos Vingadores, O Incrível Hulk contou com um novo elenco, um novo realizador e uma nova abordagem para tentar apagar a má imagem deixada pelo seu antecessor dirigido por Ang Lee.
 
Título original: The Incredible Hulk
Ano: 2008
País: EUA
Duração: 112 minutos
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Estúdios: Marvel Studios (produção) e Universal Studios (distribuição)
Realização: Louis Leterrier
Argumento: Zak Penn e Edward Harrison (pseudónimo de Edward Norton)
Elenco: Edward Norton (Bruce Banner), Liv Tyler (Betty Ross), Tim Roth (Emil Blonsky e voz do Abominável), William Hurt (General Thaddeus Ross), Ty Burrell (Dr. Leonard Samson) e Lou Ferrigno (voz do Hulk)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 263,5 milhões de dólares
 
Em 2008, a fúria do Golias Esmeralda voltou a explodir no grande ecrã.
 
Produção: Logo após o lançamento de Hulk (2003), o argumentista James Schamus escreveu um rascunho para uma sequela, na qual figuraria o Hulk Cinzento. Como antagonistas foram equacionados o Líder e o Abominável. Por considerar que este último representaria um desafio maior para o Golias Esmeralda, a Marvel descartou o primeiro, dada a sua natureza mais cerebral.
     Durante a rodagem do primeiro filme do Gigante Verde, o produtor Avi Arad definiu maio de 2005 como a data de lançamento da referida sequela. No entanto, só em janeiro de 2006 é que a Marvel confirmou o financiamento do projeto, anunciando de passagem que a segunda película seria distribuída pelos Universal Studios. Nesse ínterim, os direitos de produção concedidos à Universal haviam expirado, facto que explicava este volte-face no desenvolvimento do projeto.
     Com vista a assegurar a viabilidade da franquia, a Marvel achou por bem, perante as reações negativas a Hulk, enxotar Ang Lee da cadeira de realizador. Louis Leterrier, fã assumido da série televisiva do Gigante Verde da década de 70 do século passado, foi o senhor que se seguiu. Como principal referência do cineasta, a aclamada minissérie Hulk: Grey (publicada em 2004 no Brasil pela Panini Comics sob o título Hulk Cinza), da autoria de Jeph Loeb e Tim Sale.
     O argumento foi entregue a Zak Penn que, em 1996, escrevera a versão primitiva do guião para a primeira longa-metragem do Hulk. Este comprometeu-se a adotar um registo mais próximo da BD e da série televisiva.
     Entretanto, Edward Norton (Clube de Combate, América Proibida), escolhido para suceder a Eric Bana no papel de Bruce Banner, negociara um acordo com os produtores que lhe permitiu assumir as funções de coargumentista.
     As filmagens de O Incrível Hulk tiveram início a 9 de julho de 2007, em Toronto. Grande fã do Golias Esmeralda, o mayor da cidade canadiana, David Miller, comprometeu-se a proporcionar todas as condições à rodagem do filme. Além de Toronto, vários outros pontos do Canadá serviram de cenário antes de a equipa de produção rumar a Nova Iorque e ao Rio de Janeiro.
     Transcorridos 88 dias, as filmagens foram dadas como concluídas, em novembro de 2007. Nos EUA, a estreia ocorreu a 13 de junho do ano seguinte.
     
Enredo: Na Universidade de Culver, no estado norte-americano da Virgínia, o general Thaddeus Ross encontra-se com o Dr. Bruce Banner, colega e namorado da sua filha, Betty. O objetivo desse encontro é reativar o programa Supersoldado - iniciado nos alvores da II Guerra Mundial - de modo a, supostamente, tornar os seres humanos imunes aos efeitos da radiação gama.
     No entanto, a experiência fracassa e Banner é exposto a uma elevadíssima dose de radiação gama. Em consequência disso, sempre que a pressão arterial do cientista aumenta, ele transforma-se no monstro de pele esverdeada batizado de Hulk. 
     Depois de o Hulk destruir o laboratório, causando vários mortos e feridos, Banner torna-se um fugitivo perseguido pelos militares, empenhados em capturar a criatura para usá-la como arma.

Uma experiência científica malsucedida transformou o Dr. Banner no Incrível Hulk.

     Cinco anos volvidos, Banner trabalha numa fábrica numa favela do Rio de Janeiro, enquanto procura, secreta e obstinadamente, uma cura para a sua condição. Isto ao mesmo tempo que mantém contacto com o misterioso Sr. Blue, a quem envia uma amostra do seu sangue. 
     Quando o  paradeiro de Banner é descoberto, o general Ross envia para o local uma força-tarefa comandada por um fuzileiro naval britânico de origem russa, Emil Blonsky. Banner transforma-se no Hulk e massacra Blonsky e os seus homens.  
     Na sequência desses eventos, Blonsky voluntaria-se para ser injetado com uma pequena porção do soro do Supersoldado que esteve na origem do Capitão América. Blonsky ganha assim força, velocidade e resistência sobre-humanas. Como efeitos colaterais, o seu raciocínio é afetado e o seu esqueleto começa a deformar-se.
     Banner, entretanto, regressa à Universidade de Culver onde reencontra Betty. Esta, porém, namora agora com o psiquiatra Leonard Samson que, por sua vez,  informa os militares da presença de Banner no local. Após uma curta batalha nas imediações do campus universitário, as forças do general Ross(que incluem tanques e outro armamento pesado) são destroçadas pelo Hulk. De seguida, o Gigante Verde parte, levando consigo Betty.
 
Betty e general  Ross: pai e filha nutrem sentimentos opostos em relação a Banner e ao seu monstruoso alter ego.
 
     Quando reverte à sua forma humana, Banner ruma a Nova Iorque na companhia de Betty. Lá é informado pelo microbiólogo Samuel Sterns (o misterioso Sr. Blue) de um possível antídoto para a sua condição, desenvolvido a partir da amostra de sangue fornecida pelo cientista. Alarmado com a possibilidade desse material cair nas mãos erradas, Banner insta o Dr. Sterns a destruir todas as amostras do seu sangue.
 
O Dr. Banner nunca desiste de encontrar uma cura para si.
     Novamente descoberto o seu paradeiro, Banner e Betty são levados sob custódia pelos militares. Blonsky, entretanto, obriga o Dr. Sterns a inoculá-lo com o sangue de Banner com o fito de adquirir poderes idênticos aos do Hulk.
     Da combinação do soro do Supersoldado com o sangue radioativo de Banner resulta uma abominação. Transformado numa criatura medonha e mais poderosa do que o próprio Hulk, Blonsky espalha caos e destruição no Harlem.
 
Hulk e Abominável digladiam-se no coração de Nova Iorque.

     Percebendo que somente o Hulk poderá travar o Abominável, Banner convence Ross a libertá-lo. Segue-se uma violenta refrega entre as duas criaturas, culminando com a vitória do Golias Esmeralda. Betty suplica-lhe que poupe a vida de Blonsky e, após um momento emotivo, o Hulk deixa Nova Iorque rumando a parte incerta.
     Um mês depois, Banner encontra-se algures na Colúmbia Britânica, onde tenta aprender a controlar as suas transformações, em vez de as tentar suprimir.
     Numa cena após os créditos finais, o general Ross encontra-se num bar com Tony Stark (o Homem de Ferro), que lhe anuncia que uma equipa está a ser formada (referência ao futuro filme dos Vingadores).

 
O Incrível Hulk abriu caminho para o filme dos Vingadores.
  
Curiosidades:
* Existem referências no filme à próxima produção dos Estúdios Marvel (Capitão América, O Primeiro Vingador, lançado em 2011 também no âmbito da Fase 1 que antecedeu Os Vingadores): no gabinete do general Ross pode ver-se um retrato de Steve Rogers (identidade civil do Sentinela da Liberdade). Noutra cena, uma etiqueta com o nome «Dr. Reinstein» escrito identifica um tanque de armazenamento. Trata-se, nada mais nada menos,  do cientista responsável pelo desenvolvimento do soro do Supersoldado que deu origem ao Capitão América;
* De acordo com o que Tim Roth (que aceitou participar no filme por ser um fã da antiga série televisiva do Hulk) afirmou, Edward Norton reescreveu várias cenas. Ele e Liv Tyler também passavam horas a discutir o background das suas personagens. Factos que valeram a Norton, ainda que sob o pseudónimo de Edward Harrison, ser creditado como coargumentista;
* William Hurt baseou a sua interpretação do general Ross no capitão Ahab, que obstinadamente perseguia a baleia branca Moby Dick no romance homónimo;
* Foi Lou Ferrigno (que dava vida ao Hulk na série televisiva dos anos 1970 e que lhe emprestou a voz nesta segunda longa-metragem) quem recomendou Edward Norton para o papel de Bruce Banner. Segundo ele, Norton fazia-lhe lembrar Bill Bixby, ator a quem coube dar vida à contraparte humana do monstro na citada série;
* David Duchovny (X-Files, Californication) foi um dos nomes considerados para assumir o papel de Bruce Banner;
* A dada altura do filme, Betty Ross compra um par de calças roxas a Bruce. Peça de vestuário icónica nos quadradinhos, onde o Gigante Verde surge muitas vezes vestido dessa forma;
* Louis Leterrier manifestara interesse em dirigir Homem de Ferro 2, mas seria Jon Favreau o realizador escolhido. O produtor Avi Arad ofereceu-lhe então a sequela de Hulk, sucedendo dessa forma a Ang Lee. Contudo, o  Leterrier teve de dirigir metade do filme com um pé partido;
* Leterrier justificou a aparência do Abominável no filme (muito diferente da sua contraparte da BD) com o facto de o público ter dificuldade em perceber porque teria o vilão um aspeto reptiliano em vez de surgir como uma versão disforme do Golias Esmeralda;
 
Tim Roth e a arte conceptual do Abominável.
* Ao longo de todo o filme, Hulk pronuncia somente seis palavras: "Deixem-me em paz", "Hulk esmaga" e "Betty";
* Ao invés do que sucedia na primeira película, o Hulk deixou de aumentar de tamanho à medida que ficava mais furioso. A sua pele também ganhou um tom de verde mais escuro.
 
 
Veredito: 64%
 
     Mais um reboot do que uma sequela, O Incrível Hulk  supera em todos os aspetos a primeira adaptação do Gigante Verde ao grande ecrã, dirigida cinco anos antes por Ang Lee. O que, convenhamos, também não era propriamente missão difícil, considerando que Hulk, de tão entediante e desfasado do conceito original da BD, redundou num confrangedor fiasco. Não restou por isso outro remédio à Marvel se não relegá-lo para o limbo de uma pretensa realidade alternativa.
      Com o lançamento de um filme dos Vingadores no horizonte, a Casa das Ideias teve de relançar a série para se retratar juntos dos fãs e, claro, para fazer mais dinheiro. Percebe-se assim que, ao fazer regressar a personagem às suas raízes, Louis Leterrier haja preferido jogar pelo seguro.
      Não obstante a dialética Dr. Jekyll/Mr. Hyde, que subjaz ao conceito desenvolvido por Stan Lee e Jack Kirby há mais de meio século, ser ligeiramente preterida em favor de uma história mais centrada no atribulado romance entre Bruce e Betty, o resultado final, também pelas formidáveis sequências de ação presentes ao longo filme, é claramente satisfatório. Para isto contribuiu também a forte evolução em matéria de efeitos especiais desde a primeira aventura cinematográfica do Gigante Verde.
      Edward Norton, um dos mais brilhantes e versáteis atores da sua geração, possui, na minha opinião, um perfil muito mais adequado ao papel de Bruce Banner do que o seu antecessor, Eric Bana. E também não perde na comparação com Mark Ruffalo em Os Vingadores (2012). Norton, pela sua aparência frágil, personifica na perfeição o drama de um homem obrigado a lutar constantemente contra a sua indómita fera interior, ao mesmo tempo que vive o pavor dos caçados e o tormento de uma mente que não é totalmente sua nem inteiramente sã.
      Não estando, portanto, em presença do melhor filme produzido até à data pelos estúdios da Marvel, O Incrível Hulk está longe de ser o pior. Pela sua espetacularidade, pela história mais fiel à banda desenhada original e pela densidade conferida às principais personagens por um elenco renovado (e manifestamente mais competente do que o anterior), vale a pena ser visto na companhia de um grande balde de pipocas. Não mudará a vida de ninguém mas garantirá uma generosa dose de entretenimento.