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sexta-feira, 3 de março de 2017

EM CARTAZ: «HELLBOY II- O EXÉRCITO DOURADO»



 Um elfo vingativo planeia fazer marchar sobre a Terra uma imbatível horda mecânica que tudo dizimará à sua passagem. Apenas Hellboy e seus aliados poderão travar a contagem decrescente para o Dia do Juízo Final. Voltando, assim, o destino da Humanidade a repousar na Mão Direita do Diabo, nesta sequela que, apesar do tom mais ligeiro, não se deixou ofuscar pelo charme gótico do primeiro filme. 

Título original: Hellboy II- The Golden Army
Ano: 2008
País: EUA
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 120 minutos
Produção: Relativity Media e Dark Horse Entertainment
Distribuição: Universal Pictures
Realização: Guillermo del Toro
Argumento: Guillermo del Toro e Mike Mignola
Elenco: Ron Perlman (Hellboy), Selma Blair (Liz Sherman), Doug Jones (Abe Sapien), John Alexander/James Dodd (Johann Krauss), Luke Goss (Príncipe Nuada), Anna Walton (Princesa Nuala), Jeffrey Tambor (Diretor Manning), John Hurt (Professor Trevor Bruttenholm), Brian Steele (Mr. Wink) e Roy Dotrice (Rei Balor)
Orçamento: 85 milhões de dólares
Receitas: 160,4 milhões de dólares

Hellboy e Liz Sherman vivem nova aventura no cinema.
Desenvolvimento: Decorrido apenas um mês sobre a chegada de Hellboy aos cinemas de todo o mundo civilizado, a Revolution Studios anunciou o lançamento de um segundo filme baseado na criação suprema de Mike Mignola*. Porque em equipa ganhadora não se mexe, Guillermo del Toro voltaria a sentar-se na cadeira de realizador, Ron Perlman repetiria o papel principal e era quase certa a continuidade do restante elenco secundário.
Tendo em vista a produção de uma trilogia, os produtores avançaram 2006 como data provisória para a estreia do segundo capítulo da saga. Tudo parecia correr sobre esferas até que, no princípio do ano em questão, a Revolution Studios deixou meio mundo boquiaberto ao anunciar a sua extinção (retomaria a atividade em 2014), deixando assim órfão o projeto.
Após alguns meses em suspenso, os direitos da obra mudariam de mãos ao serem adquiridos pela Universal Pictures. Garantido o respetivo financiamento e distribuição, a rodagem da película arrancou em abril de 2007 no Reino Unido, transferindo-se, depois, para a Hungria. A estreia, essa, ficou agendada para o verão do ano seguinte.
Guillermo del Toro explorou, nesse ínterim, diversos conceitos a serem introduzidos na sequela na qual participaria na dupla condição de realizador e coargumentista. Entre as muitas ideias consideradas, incluía-se a recriação das versões clássicas de Drácula, Lobisomem e Frankenstein. Sempre em articulação com Mike Mignola, o cineasta mexicano ensaiou também uma adaptação de Almost Colossus, uma das mais aclamadas sagas de Hellboy.

Guillermo del Toro (esq.) e Mike Mignola:
obreiros de uma sequela bem-sucedida.
Ambos chegariam, porém, à conclusão de que seria mais fácil o desenvolvimento de uma história inédita baseada no folclore de diferentes culturas. Del Toro trabalhava por esses dias no enredo de O Labirinto do Fauno (filme que também dirigiu e que lhe valeu vários prémios, incluindo três Óscares em outros tantos segmentos técnicos). Já as histórias de Mike Mignola eram cada vez mais inspiradas em elementos mitológicos. Tratou-se, por conseguinte, de juntar o útil ao agradável.
Definido o foco da trama, Mignola e del Toro meteram mãos à obra e, em poucas semanas, apresentaram um primeiro rascunho da mesma aos mandachuvas da Universal. Ao que consta, a história original seria, no essencial, idêntica àquela que foi mostrada no grande ecrã. Consistindo a principal diferença na substituição dos quatro titãs elementais (Água, Terra, Ar e Fogo) inicialmente apresentados pelo infame Exército Dourado que subtitularia a sequela
De acordo com Mike Mignola, por contraponto ao anterior, o tema deste segundo filme de Hellboy não remete para cientistas loucos e máquinas diabólicas ao serviço dos Nazis. Mas sim para lendas e fábulas procedentes, essencialmente, do folclore celta e germânico. Trazendo assim de volta um cortejo de seres sobrenaturais esquecidos pelo mundo moderno onde a ciência e a tecnologia são endeusadas sobre todas as coisas.
Após uma passagem por Londres, as filmagens de Hellboy II prosseguiram em junho de 2007 nos recém-inaugurados Korda Studios, nos arredores de Budapeste ( a capital húngara). Foi, aliás, a primeira produção a ser rodada nesse gigantesco complexo cinemático. Cabendo, portanto, ao staff capitaneado por del Toro as honras de estreia daquela que é uma verdadeira fábrica da fantasia no coração do Velho Continente.
Concluídas as filmagens em dezembro de 2007, Hellboy II chegaria a mais de 3000 cinemas nos EUA e no Canadá a 11 de julho do ano seguinte. Arrebatando, logo no primeiro fim de semana em cartaz, o primeiro lugar do box office ao arrecadar 36 milhões de dólares em receitas de bilheteira. A partir daí, foi sempre a somar até amealhar uns impressionantes 160, 4 milhões de dólares.
De tão lucrativa, seria previsível que a franquia continuasse a prosperar com o lançamento de uma terceira película. Enquanto os fãs ardiam de excitação pelo epílogo de uma trilogia que, à partida, teria tudo para ser memorável, o fluir do tempo cobriu o projeto com uma borrasca de incerteza.
Com efeito, após sucessivos adiamentos, o próprio Guillermo del Toro anunciou no mês passado, via Twitter, que os planos para a produção de Hellboy III foram definitivamente abandonados. Permanecendo, contudo, por esclarecer as verdadeiras razões que estiveram na origem desta, ainda assim, surpreendente decisão. Que, um pouco por todo o mundo, terá certamente deixado inconsoláveis muitos fãs do demoníaco herói dado a conhecer ao mundo por Mike Mignola em 1993.

Doug Jones (esq.) e Ron Perlman
numa ação promocional de Hellboy II.

*Perfil disponível em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2012/06/eternos-mike-mignola-1960.html

Enredo: No Natal de 1955, o pequeno Hellboy, então com apenas 11 anos de idade, ouve fascinado a história que, ao deitar, lhe é contada pelo seu pai adotivo, o Professor Trevor Bruttenholm.
Muito tempo atrás, uma horrenda guerra opôs os homens aos seres mágicos que com eles dividiam o mundo. Motivado pela ganância humana, o conflito resultou na capitulação das forças que arregimentavam fadas, elfos, duendes e outras criaturas sobrenaturais que ainda hoje povoam o folclore pagão de diversas culturas.
Quando tudo parecia perdido para os seres mágicos, o ferreiro-mor dos elfos apresentou-se diante do Rei Balor e ofereceu-se para construir um exército mecânico indestrutível. Encorajado pelo orgulhoso Príncipe Nuada, um dos seus filhos gémeos, o velho monarca deu a sua bênção ao projeto bélico que permitiria alterar o curso dos acontecimentos a favor do seu povo.
Marchando imparável sobre a Terra. o Exército Dourado às ordens do Rei Balor rapidamente desbaratou as hostes humanas. Sem fazer prisioneiros, a horda mecânica, controlada por uma coroa de ouro mágica que adornava a cabeça do soberano, deixava atrás de si um rasto de morte e destruição.
Perante tamanha carnificina, Balor foi tomado pela culpa e resolveu travá-la. Propôs então uma trégua aos seus depauperados inimigos, a qual eles de muito bom grado aceitaram.
Para selar a paz entre as duas espécies desavindas, aos humanos foram atribuídas as cidades e aos seres mágicos as florestas. Ficando, assim, uns e outros proibidos de invadirem os domínios alheios, sob pena de nova guerra. 
Quanto ao Exército Dourado, foi confinado em local secreto e a coroa mágica que o controlava partida em três pedaços pelo Rei Balor. Que depois entregou um deles à Humanidade e os restantes dois a cada um dos seus filhos, o Príncipe Nuada e a Princesa Nuala. 
Discordando da decisão paterna, Nuada rejeitou o fragmento da coroa que lhe era destinado e partiu para um exílio autoimposto. Deixando, todavia, a promessa de regressar quando o seu povo mais precisasse do seu auxílio.

O Rei Balor e os seus dois filhos,
 o Príncipe Nuada e a Princesa Nuala.
De volta ao presente, a Casa de Leilões Blackwood, em Nova Iorque, é tomada de assalto pelo Príncipe Nuada e por Mr. Wink, um gigantesco troll que lhe serve de guarda-costas. A parelha rouba o fragmento da coroa mágica pertencente à Humanidade depois de esta ter invadido as florestas habitadas pelos seres mágicos, obrigando-os a procurar refúgio debaixo da terra e violando dessa forma a ancestral trégua estabelecida pelo Rei Balor.
Antes de partir, Nuada liberta uma revoada de Fadas dos Dentes (pequenas criaturas aladas que se alimentam de cálcio e têm preferência pela arcada dentária, justificando assim o nome), matando todas as testemunhas oculares do assalto.
Dado o cariz sobrenatural do ataque, as autoridades acionam secretamente o Departamento de Pesquisa e Defesa Paranormal (DPDP). Destacados para a cena do crime pelo Diretor Manning, Hellboy, Liz Sherman e Abe Sapien dão início à investigação.
Nem tudo são, no entanto, rosas na vida conjugal de Hellboy e Liz. O casal vem atravessando uma fase complicada, muito por culpa da instabilidade emocional de Liz. À boleia disso, Hellboy vem-se insurgindo cada vez mais contra a natureza clandestina do DPDP. Organização tantas vezes responsável pela salvação do mundo, mas obrigada a agir nas sombras devido à bizarra aparência dos seus principais agentes.
Chegados à Casa de Leilões de Blackwood, Hellboy, Liz Sherman e Abe Sapien são atacados pelas ferozes Fadas dos Dentes. Durante a refrega, Hellboy deixa-se cair de uma janela, sendo avistado pela multidão de curiosos que se concentrara nas imediações do edifício. Como se isso não bastasse, a sua aparatosa queda captada e transmitida em tempo real pelas muitas câmaras televisivas presentes no local.Após décadas a operar sigilosamente, a existência do DPDP é revelada em consequência de um "acidente". Em meio ao pandemónio instalado, Abe Sapien descobre que Liz se encontra à espera de um filho de Hellboy. Depois de o fazer jurar segredo, a jovem confidencia a Abe a sua intenção de dar à luz o bebé, embora consciente dos perigos que daí advirão.
Agastada com a imprudência de Hellboy, a cúpula do DPDP em Washington retira-lhe o comando da equipa de campo e confia-o a Johann Krauss, um fantasma ectoplásmico de origem germânica e com talentos mediúnicos.

A elite do DPDP em ação.
Entrementes, algures nos subterrâneos nova-iorquinos onde habita boa parte dos seres mágicos expulsos das florestas devido ao avanço da civilização humana, o Príncipe Nuada assassina o próprio pai para se apoderar do segundo fragmento da coroa mágica que permite controlar o Exército Dourado. Contudo, a Princesa Nuala, sua irmã gémea, consegue escapar levando consigo o terceiro e último pedaço da coroa.
Agora sob o comando de Krauss, Hellboy e Abe Sapien seguem a pista das Fadas dos Dentes até um mercado subterrâneo de trolls situado debaixo da Ponte do Brooklyn. Enquanto o trio explora o local em busca de mais informação, Abe esbarra acidentalmente com a Princesa Nuala. perdendo-se de amores por ela. Os dois visitam em seguida uma loja de mapas onde um estranho ser chamado Cabeça-de-Catedral lhes fornece um com a localização do Exército Dourado: a ilha escocesa de Bethmoora.
A alegria da descoberta é, porém interrompida pelo ataque de Mr. Wink e de uma divindade elemental às ordens de Nuada. Encurralados pelas criaturas, Abe Sapien e a Princesa Nuala são salvos no último instante por Hellboy. Ato heroico que não evita que uma multidão de humanos o culpe pela destruição causada. Facto que o Príncipe Nuada aproveita para questionar Hellboy sobre o sentido de proteger quem o vê como um monstro.

O monstruoso Mr. Wink.
Para júbilo de Abe Sapien, a Princesa Nuala é acolhida pelo DPDP e levada para o quartel-general da organização. No entanto, graças ao vínculo mágico que une os dois herdeiros do malogrado Rei Balor, Nuada consegue localizar a irmã e parte no seu encalço.
Pressentindo a iminente  chegada de Nuada, Nuala procura destruir o mapa que indica o paradeiro do Exército Dourado e esconde o último fragmento da coroa mágica que o controla entre os livros da biblioteca pessoal de Abe Sapien.
Nuada invade a sede do DPDP, apodera-se do mapa semidestruído mas falha em encontrar o último fragmento da coroa. Quando Hellboy o confronta, o vilão trespassa-o com uma lança mágica, ferindo-o com extrema gravidade.
Apesar dos esforços dos seus colegas de equipa, ninguém consegue arrancar a lança do torso de Hellboy. Nuada propõe então à irmã uma troca: a vida do herói pelo derradeiro pedaço da coroa mágica. Nuala aquiesce e ambos partem para a ilha de Bethmoora a fim de reviver o Exército Dourado.
Socorrendo-se de uma cópia do mapa de Nuala, Krauss, Liz e Abe Sapien viajam também para a ilha, transportando com eles o moribundo Hellboy. Lá encontram um duende que os conduz à presença do Anjo da Morte. A entidade anuncia-lhes poder salvar o herói mas que isso implicará que ele venha um dia a desencadear o Apocalipse. Liz escuta também o inquietante aviso de que será ela, mais do que qualquer outra pessoa no mundo, a sofrer com a concretização dessa funesta profecia. De coração pesado e debulhada em lágrimas, a jovem implora pela vida do amado.
Após extrair a lança do peito de Hellboy, o Anjo da Morte exorta Liz a dar-lhe um motivo para viver. Liz obedece e revela ao herói que ele irá ser pai dentro em breve.
Com Hellboy já plenamente restabelecido, o grupo é conduzido pelo duende até ao local onde Nuada os aguarda com a irmã feita refém, exigindo como moeda de troca o terceiro fragmento da coroa mágica em posse de Abe Sapien. Este entrega-lho e o perverso príncipe dos elfos apressa-se a reviver o Exército Dourado com que pretende varrer a Humanidade da face da Terra. Antes, porém, ordena aos seus soldados mecânicos que matem os agentes do DPDP.
Segue-se um acirrado confronto que serve apenas para confirmar a indestrutibilidade da horda mecânica que, quando danificada, se autorrepara num piscar de olhos. Face à impossibilidade de derrotar o Exército Dourado, Hellboy desafia o Príncipe Nuada para um duelo, cabendo ao vencedor a posse da coroa mágica outrora portada pelo Rei Balor. Embora a contragosto, Nuada é forçado a aceitar o desafio, uma vez que o pai de Hellboy fizera parte da realeza do Inferno.

Hellboy procura, em vão, deter o Exército Dourado.
Hellboy e Nuada digladiam-se num combate mano a mano até o maligno elfo acabar prostrado aos pés do herói.
Apesar de Hellboy lhe poupar a vida, Nuada procura apunhalá-lo, sendo impedido de o fazer pela irmã, que sustém o golpe com o próprio corpo, acabando a soltar o seu último suspiro nos braços de Abe Sapien. Mas assim também sentenciando à morte Nuada devido ao elo mágico que os unia.
Tentado por um breve instante a usar a coroa, Hellboy é prontamente dissuadido por Liz que usa a sua pirocinese para derretê-la, neutralizando para sempre o Exército Dourado.
De regresso à superfície, o grupo é confrontado por um furioso diretor Manning, que os repreende pela imprudência das suas ações. Em resposta, Hellboy e os seus colegas de equipa apresentam a sua demissão do DPDP. 
Ansioso por constituir família ao lado de Liz, Hellboy descobre que esta será, afinal, maior do que o previsto, quando a namorada lhe anuncia estar grávida de gémeos.

Trailer: 




Prémios e nomeações: Indicado para vários galardões, Hellboy II, conquistaria cinco deles: o Saturn Award para Melhor Filme de Terror e quatro Fangoria Chainsaw Awards nas categorias de Melhor Ator (Ron Perlman), Melhor Ator Secundário (Doug Jones), Melhor Caracterização (Mike Elizalde) e Melhor Distribuição (Warner Bros). Recorde-se que, quatro anos antes, o seu antecessor, apesar das várias nomeações recebidas, voltara para casa de mãos a abanar.

Foram quatro os troféus iguais a este
 arrebatados por Hellboy II.

Curiosidades:

*São vários os elementos da mitologia celta conceptualizados em Hellboy II. Segundo a lenda, Nuada terá sido o primeiro soberano do povo Tuatha De Dannan, sendo cognominado de Mão de Prata por ter passado a usar um braço fabricado com esse metal precioso após perder o verdadeiro numa batalha. No filme, o Príncipe Nuada é alcunhado de Lança de Prata e o seu pai, o Rei Balor, possui um braço mecânico;
*Apesar da insistência dos produtores, Christopher Lee (falecido em 2015) manteve-se irredutível na sua decisão de não aceitar desempenhar o papel de Rei Balor;
*Brian Steele, o ator que interpreta o troll chamado Mr. Wink, perdeu mais de 5 Kg durante a rodagem do filme. Consequência do enorme desgaste físico de um papel que implicava a utilização de um fato de 60 Kg e de umas andas de 2,5 metros;
*Mr. Wink foi assim batizado em homenagem ao cão zarolho que Selma Blair tinha à época como mascote;
*Quando envergava os figurinos de Abe Sapien, Chamberlain e Anjo da Morte (os três papéis por ele representados na película), Doug Jones ficava praticamente privado da visão e da audição devido aos implantes prostéticos na cabeça que ajudavam à caracterização;

Um irreconhecível Doug Jones
 em pleno processo de transformação em Abe Sapien.
*No interior de uma redoma de vidro na sede do Departamento de Pesquisa e Defesa Paranormal é possível ver a máscara danificada de Kroenen, o sinistro cientista nazi que foi um dos vilões de Hellboy;
*Tal como já se verificara no primeiro filme, o nome dos atores não consta no genérico de abertura, tampouco nos cartazes promocionais ou nos trailers oficiais;
*A invenção dos óculos especiais usados por Hellboy e companhia para verem o mercado dos trolls é atribuída a Eugene Schufftan. Trata-se de uma homenagem àquele que foi um dos pioneiros no emprego de efeitos visuais no cinema, recorrendo, essencialmente, a espelhos e lentes deformadoras;
*O número 7 é referenciado em diferentes momentos do filme: é dito que o Exército Dourado é composto por um total de 70 x 70 soldados e, na Casa de Leilões, o fragmento da coroa mágica que o comandava surge catalogado como o item nº777, com um valor-base de licitação de 7 milhões de dólares;
*Na versão original do enredo, o Exército Dourado estaria depositado no fundo do mar, o que implicaria gravações subaquáticas. Ideia que seria no entanto descartada por questões orçamentais;
*Não é por acaso que a aparência vampiresca do Príncipe Nuada faz lembrar a de Nomak em Blade 2. Ambos os filmes tiveram Guillermo del Toro como realizador e ambas as personagens foram interpretadas por Luke Goss;
*A repórter televisiva a quem Hellboy concede uma curta entrevista do lado de fora da Casa de Leilões Blackwood após o incidente com as Fadas dos Dentes é na verdade Blake Perlman, filha de Ron Perlman.

Nomak (Blade II) versus Nuada (Hellboy II):
descubram as diferenças.
Veredito: 76%


Para quem está pouco ou mesmo nada familiarizado com o material em que se baseia este filme, mas que, ainda assim, não chorou o dinheiro do bilhete, importa esclarecer que as bandas desenhadas de Hellboy, publicadas em terras do Tio Sam sob a chancela da Dark Horse Comics, não são exatamente um fenómeno de vendas. Não pela sua falta de qualidade, note-se, mas pelo caráter profano das histórias impregnadas de elementos mitológicos e sobrenaturais numa opressiva atmosfera gótica.
Sejamos claros: apesar do seu bom coração e do seu fundo humano, Hellboy é uma criatura infernal. Que, ainda para mais, encerra em si a chave para o Juízo Final. Some-se a isto uma personalidade irreverente e sarcástica, e ele não poderia estar mais afastado do arquétipo super-heroico consagrado por editoras como a Marvel e a DC. 
Quanto muito, Hellboy poderá ser classificado como um anti-herói. Conceito que, como é sabido, goza atualmente de uma crescente popularidade nos diversos segmentos culturais. Personagens com essas características continuam, não obstante, a ter alguma dificuldade em cair nas boas graças do vulgo, mais apreciador de adolescentes picados por aranhas irradiadas ou por extraterrestres que usam os seus poderes semidivinos em prol da comunidade.

Hellboy pelo traço do seu criador.
Assim se explicando os retoques a que foi necessário proceder na essência de Hellboy aquando da sua transposição ao grande ecrã. Cedendo à pressão comercial, Mike Mignola aceitou sacrificar alguma da originalidade do seu conceito, por forma a aproximá-lo um pouco mais dos super-heróis convencionais. Esforço que se torna ainda mais evidente neste segundo filme do que no primeiro. E que foi generosamente recompensado tanto pelos espectadores como pela crítica, que não lhe regateou elogios.
Os quais, diga-se de passagem, foram mais do que merecidos considerando que estamos em presença de um filme 3D (divertido, dinâmico e despretensioso). Daqueles que combinam muito bem com um grande balde de pipocas e com lânguidas matinés caseiras em domingos chuvosos. Mas que nem por isso é tão esquecível como a maioria dos blockbusters estivais.
Além da magnífica caracterização (não foi por acaso que foi nomeado para um Óscar nessa categoria), o filme tem nos efeitos especiais (consideravelmente mais fascinantes do que os do seu antecessor) e na soberba interpretação de Ron Perlman (de tão talhado para o papel, parece a ele predestinado) os seus pontos mais fortes.
O charme de Hellboy II não se limita, porém, ao apelo estético e performativo. Conta também com uma trama menos simplista do que a da película original, embora sem nada de verdadeiramente inovador. Apesar disso, o dilema existencial com que o herói se debate (valerá a pena continuar a defender uma Humanidade que o despreza?) leva a alguns bons momentos de reflexão.
Mestre do cinema fantástico, Guillermo del Toro confirmou os seus créditos ao realizar um filme que dignifica o seu protagonista e cumpre com louvor a sua missão de entreter. 
Só é pena ter ficado incompleta a prometida trilogia. Mas o mundo dá muitas voltas e o que hoje é verdade, amanhã poderá muito bem deixar de o ser. Mesmo não padecendo de um otimismo narcótico, ainda acredito no relançamento de uma franquia que teria todas as condições para se intrometer num campeonato atualmente disputado apenas pelas arquirrivais Marvel e DC, com clara vantagem para a primeira.

Voltará Hellboy a dar um ar sua graça no grande ecrã?
A esperança é a última a morrer...









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