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terça-feira, 10 de abril de 2018

ETERNOS: ROY THOMAS (1940 - ...)


  Stan Lee confiou-lhe a chave da Casa das Ideias e ele, não mais despindo a pele de guardião do templo, salvou-a da ruína iminente. Da sua incansável pena saíram histórias e personagens emblemáticas, pelas quais nem sempre foi reconhecido. Fascinado pela mitologia da Idade do Ouro, na DC - onde deu os primeiros passos e que quis rebatizar - cumpriu o sonho de trabalhar com os seus ídolos de infância.

De seu nome completo Roy William Thomas, Jr., aquele que, aos ombros de um gigante da 9ª Arte, entraria para os anais da Marvel Comics como seu segundo editor-chefe veio ao mundo a 22 de novembro de 1940 em Jackson, pitoresca cidade impregnada do charme sulista do Missouri.
Leitor voraz de banda desenhada desde que aprendera a juntar as primeiras letras, era ainda pessoa de palmo e meio quando começou a produzir as suas próprias historietas aos quadradinhos. Entre esses projetos editoriais dos seus verdes anos, recorda com especial carinho All-Giant Comics, título totalmente da sua autoria que tinha Elephant Giant (Elefante Gigante) como cabeça de cartaz.
Coincidindo com a (re)fundação da Marvel Comics, em 1961 Roy Thomas diplomou-se em Ciências Educativas (com dupla especialização em História e Literatura Americana) através da Southeast Missouri University, instituição pública com extensos pergaminhos na área da formação pedagógica.
Nesses idos de 60 era ainda intenso o fulgor da Idade da Prata, período em que se assistiu ao recrudescimento do género super-heroico após o declínio registado no pós-guerra. Fiel à sua paixão de sempre, Roy Thomas, recém-chegado à idade adulta, era, por aqueles dias, um dos mais dinâmicos membros da comunidade de fãs. Que tinha em Jerry Bails o seu fundador e mais venerado guru.
Doutorada em Física, Bails foi pioneiro no estudo do impacto cultural dos super-heróis, tendo sido também o primeiro a reconhecer-lhes valor académico. Instado pelo à época editor-chefe da DC, Julius Schwartz, em 1961 o bom doutor lançaria  Alter Ego, um fanzine que, malgrado o seu grafismo tosco, depressa se converteria no evangelho dos seus cada vez mais numerosos apóstolos.

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O primeiro número de Alter Ego foi lançado em 1961.
Entre aqueles que, com fervor religioso, alimentavam essa borbulhante subcultura ia sobressaindo um jovem professor de Inglês do Missouri chamado Roy Thomas. Em comum, ele e Bails possuíam ainda um profundo fascínio pela Idade do Ouro, mormente pelo respetivo panteão heroico.
Por meio de doutas análises e dissertações, Roy Thomas colaborou em Alter Ego desde o primeiro número, tornando-se dessa forma o braço-direito de Jerry Bails. Isto ao mesmo tempo que via serem publicadas várias cartas da sua lavra nas secções de correspondência da Marvel e da DC, onde granjeara o estatuto de habitué. Afirmando-se, sem embargo, como uma das vozes mais respeitadas no fandom norte-americano.
Quando, em 1964, Jerry Bails abandonou o fanzine para se dedicar a outros projetos, foi com naturalidade que passou o testemunho a Roy Thomas. Facto que poderá por alguns ser percecionado como um curioso prenúncio do seu percurso ascendente na Casa das Ideias ao longo da segunda metade desse decénio.
A despeito da sua determinação em não deixar Alter Ego definhar, privando desse modo os fãs de uma inestimável fonte de informação numa época em que a Internet pertencia ao domínio da mais delirante ficção científica, em 1965 Roy Thomas recebeu uma proposta irrecusável. A convite de Mort Weisinger, o temperamental editor das séries periódicas do Superman, Thomas abalou para Nova Iorque, para trabalhar como seu assistente.
Segundo contaria o próprio Roy Thomas, em entrevista datada de 2005, o surpreendente convite de Weisinger (com quem trocara apenas uma ou duas cartas) surgiu poucos dias depois de lhe ter sido concedida uma bolsa académica para financiar os seus estudos em Relações Internacionais na George Washington University, na capital federal dos EUA.
A esta escolha não deverá, contudo, ter sido alheia a circunstância de, poucos meses antes, Roy Thomas ter assinado uma história de Jimmy Olsen. Tal como Lois Lane, o fotógrafo do Daily Planet amigo do Homem de Aço dispunha na altura de série mensal em nome próprio.

Cover
A história de Roy Thomas
 publicada neste número da Superman's Pal Jimmy Olsen
rendeu-lhe um convite para trabalhar na DC.
Radiante com o se lhe prefigurava um emprego de sonho, Roy Thomas não pensou duas vezes antes de aceitar o convite de Weisinger. Este não era, no entanto, conhecido pelo seu trato fácil e logo despontaram as primeiras fricções entre ambos.
Ao fim de um dia de trabalho particularmente tenso, Roy Thomas, prestes a desmoronar emocionalmente, sentiu uma premente necessidade de extravasar as suas frustrações. Ocorreu-lhe fazê-lo através da escrita. A partir do seu minúsculo quarto de hotel em Manhattan, redigiu uma carta endereçada a ninguém menos do que Stan Lee. Essas singelas linhas mudariam para sempre a sua vida.
Thomas era um profundo admirador do trabalho que Lee vinha desenvolvendo no posto de editor-chefe da Marvel, e disso mesmo lhe deu conta na missiva que lhe enviou. Na esperança de que o mestre-de-cerimónias da Casa das Ideias se lembrasse dele do tempo em que colaborara no fanzine Alter Ego, Thomas convidou o seu ilustre interlocutor para uma bebida e dois dedos de prosa.
Tratou-se, todavia, de um gesto de simples cortesia. Conforme Roy Thomas reiterou em diversas ocasiões, apesar da sua insatisfação laboral, não tinha em mente candidatar-se a um emprego na concorrente que mordia os calcanhares à companhia para a qual trabalhava na altura.
A resposta de Stan Lee surgiu logo no dia seguinte sob a forma de um telefonema. O Papa da Marvel lembrava-se bem de Roy Thomas e desafiou-o a realizar o teste de escrita a que a editora submetia os aspirantes a roteiristas.
Embora constrangido, Roy Thomas resolveu de todo o modo juntar o útil ao agradável. Com o referido teste a consistir, tão-somente, na inserção de diálogos em quatro páginas a preto e branco de Fantastic Four Annual nº2 desenhadas por Jack Kirby. Seria, de resto, uma das últimas vezes em que esse método de seleção de candidatos foi aplicado na Casa das Ideias.
No dia seguinte, quando trabalhava no seu cubículo no quartel-general da DC, Roy Thomas recebeu o telefonema de um funcionário da Marvel que lhe transmitiu o convite de Stan Lee para que almoçassem juntos naquele mesmo dia.
Durante o repasto partilhado num modesto restaurante na baixa de Manhattan, Stan Lee propôs a Thomas que trocasse a DC pela Marvel. Proposta que o segundo, embora aturdido, aceitou de bom grado.
Regressado à Editora das Lendas, Roy Thomas logo cuidou de informar Mort Weisinger da sua decisão de ir trabalhar em breve para a arquirrival. Com a rispidez que o caracterizava, Weisinger ordenou-lhe, porém, que limpasse de pronto a sua secretária.
Apenas oito dias após ter sido contratado pela DC - e menos de uma hora depois de ter aceitado o convite de Stan Lee -, Roy Thomas mudou-se de armas e bagagens para a Casa das Ideias. Onde tinha já à sua espera a sua primeira empreitada literária: uma história para Modeling With Millie (decana das séries humorísticas da Marvel) que, em virtude do prazo apertado, escreveu contrarrelógio. E pela qual, devido a um alegado lapso editorial, não chegaria a ser creditado.

Modeling with Millie #52
A primeira história de Roy Thomas para a Marvel
 foi publicada nesta série humorística.
Roy Thomas recorda assim esses seus frenéticos primeiros dias na Casa das Ideias: «A minha primeira categoria profissional na Marvel Comics foi "escritor de apoio". O meu trabalho consistia em datilografar manuscritos 40 horas por semana com o gerente de produção Sol Brodsky e a sua secretária. Toda a gente que aparecia no escritório passava por mim e os telefones não paravam de tocar. Como se isso não perturbasse suficientemente a minha concentração, Stan Lee, seguindo uma prática consagrada, verificava pessoalmente cada uma das histórias finalizadas, trocando impressões com Brodsky a pouco passos da minha secretária. Era também comum Stan pedir-me para fazer outras coisas, ou perguntar-me em que edição tivera lugar determinada história, dado o meu sólido conhecimento da continuidade da Marvel naquela altura. Depressa, porém, ficou claro para todos que aquilo não estava a funcionar e Stan promoveu-me a redator assistente.»
Naqueles dias de glória em que das suas paredes a imaginação escorria em cascata, a Casa das Ideias tinha em Stan Lee e no seu irmão, Larry Lieber, os seus principais escribas. Recolhendo, numa primeira fase, as sobras das tramas planeadas por Lee, Roy Thomas, para despeito de alguns escritores veteranos ao serviço da editora,  logrou tornar-se presença assídua.

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Da esq. para a dir.: Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber,
os Três Mosqueteiros da Casa das Ideias.  

Roy Thomas seria o seu D'Artagnan. 

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Em janeiro de 1966, uma história do Homem de Ferro saída da pena de Roy Thomas foi publicada em Tales of Suspense nº73, marcando assim a sua estreia com aqueles que eram os maiores astros da companhia: os super-heróis.
Nesse mesmo mês, duas outras histórias da sua lavra foram também dadas à estampa pela Charlton Comics*, editora com a qual colaborara brevemente como autor freelancer. Apesar de não ter ficado particularmente impressionado com esses trabalhos de Thomas para a rival, em abril de 1966 Stan Lee confiou-lhe o seu primeiro título.
Durante exatamente um ano, Sgt. Fury and his Howling Commandos teve as suas histórias ambientadas na II Guerra Mundial escritas por Roy Thomas. Que, logo depois, assumiria Uncanny X-Men e The Avengers, duas das séries mais emblemáticas da Marvel.
A uma forte noção de continuidade, Roy Thomas aliava uma notável versatilidade narrativa que lhe permitia abordar com idêntico à-vontade histórias de caráter intimista ou epopeias cósmicas, como a guerra Kree-Skrull.
A este propósito declarou Thomas numa entrevista dada em 1981: «Uma das razões pelas quais Stan Lee apreciava o meu trabalho era porque sentia que podia confiar em mim ao ponto de não ter que ler nada do que eu escrevia. Quanto muito, leria uma ou duas páginas apenas para garantir que eu permanecia no caminho certo.»

Sgt Fury Vol 1 30


Avengers Vol 1 58

X-Men Vol 1 39
Três dos títulos Marvel em que Roy Thomas imprimiu o seu cunho.
Cada vez mais requisitado, em julho de 1968 Roy Thomas escapuliu-se durante alguns dias para casar com Jean Maxey, a sua primeira mulher. Mas nem durante a lua-de-mel do casal Thomas deu descanso à pena. Durante as suas férias caribenhas escreveu o casamento de Hank Pym e Janet Van Dyne ( o Homem-Formiga e a Vespa), aquele que se tornaria um dos capítulos mais memoráveis da história dos Vingadores.
O ano de 1969 teve um travo agridoce para Roy Thomas. Investido da espinhosa missão de contrariar a morte anunciada de Uncanny X-Men - título que se havia transformado num cemitério de roteiristas - Roy Thomas mais não conseguiu do que adiar o inevitável. Meses depois seria, porém, agraciado com o primeiro prémio de relevo da sua carreira pejada deles: o Alley Award para melhor escritor.
No que alguns consideram ter sido uma jogada de alto risco, em 1970 Roy Thomas introduziu o género Espada e Feitiçaria no Universo Marvel. Fê-lo através de Conan the Barbarian, título baseado na personagem homónima idealizada por Robert E. Howard em 1932, e que fora um dos maiores expoentes da literatura pulp.
Combinando o texto ágil de Thomas com as belíssimas ilustrações de Barry Windsor-Smith, a série do errático gigante cimério redundou num estrepitoso sucesso, abrindo caminho para a sua transposição ao cinema. A meias com Gerry Conway**, em 1984 Roy Thomas assinou o enredo de Conan the Destroyer, sequela de Conan the Barbarian. Filme que, recorde-se, um par de anos antes, apresentara ao mundo o ex-Mister Olímpia Arnold Schwarzenegger.

Conan the Barbarian 1


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Primeiro na BD e depois no cinema,
Conan foi um sucesso com o dedo de Roy Thomas.
Mesmo depois de, em 1972, Stan Lee lhe ter confiado as chaves do reino dourado, Roy Thomas, assim alcandorado a editor-chefe da Marvel, continuou a produzir histórias a uma cadência estonteante. Dedicando-se de alma e coração à sua nova missão, lançaria também séries inéditas que se revelariam apostas ganhas. Casos, por exemplo, de The Defenders e What If?, esta última introduzindo o conceito de realidades alternativas.
Ao mesmo tempo que, animado pelo seu imorredouro fascínio pela Idade do Ouro, criava os Invasores (coletivo que agrupava alguns dos ícones dessa era, como Capitão América e o Príncipe Submarino), a sua prodigiosa imaginação gerou uma nova safra de personagens icónicas. Punho de Ferro, Motoqueiro Fantasma e Miss Marvel seriam adições de peso ao panteão da Casa das Ideias.
Ainda hoje um acérrimo defensor dos direitos autorais, Roy Thomas teve um amargo de boca ao não ser creditado como cocriador de Wolverine. Nome que, na sua qualidade de editor-chefe, havia sugerido a Len Wein e John Romita, em alternativa a The Badger. Curiosamente, anos depois, seria essa a alcunha dada por Mike Baron ao seu anti-herói celebrizado pela First Comics***.
Levando em conta esses e outros precedentes, Roy Thomas preferiu amiúde a reciclagem de conceitos preexistentes à criação de personagens inéditas. Entre os que por ele foram resgatados das brumas da memória destacam-se Adam Warlock, Visão e Cavaleiro Negro, cujas versões modernas se tornaram casos sérios de popularidade.

Foto de Ricardo Cardoso.


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Miss Marvel, Punho de Ferro e Motoqueiro Fantasma:
três criações icónicas de Roy Thomas para a Casa das Ideias.
Apesar de ter abandonado as funções de editor-chefe da Marvel em 1974, Roy Thomas não mais despiu a pele de guardião do templo. Tendo a sua intervenção sido providencial para, volvidos três anos, salvar a editora da bancarrota iminente.
Graças à sua perseverança e capacidade negocial, a adaptação oficial do primeiro filme da saga Star Wars foi lançada sob a chancela da Marvel. Projeto que antecedeu uma lucrativa série mensal baseada no universo imaginado por George Lucas, e cujas histórias ficaram inicialmente a cargo do próprio Roy Thomas.

Marvel Special Edition Featuring Star Wars Vol 1 1
A adaptação aos quadradinhos de Star Wars
 foi o deus ex machina da crise financeira que afetava a Marvel.
Após um longo braço-de-ferro com Jim Shooter (o novo editor-chefe da Marvel), motivado por disputas criativas, em 1981 Roy Thomas assinou um contrato de exclusividade com a DC válido por três anos. Nesse mesmo ano casou, em segundas núpcias, com Danette Couto, que se tornaria sua parceira criativa nessa nova fase seminal da sua carreira. Pela mão do marido, Danette (celebrizada como Dan Thomas) seria, aliás, a primeira mulher a escrever as histórias da Princesa Amazona.
Numa altura em que a Editora das Lendas fora já destronada pela Marvel na preferência dos leitores, Roy Thomas conseguiu dar novo impulso a vários dos seus títulos de charneira. Graças ao seu toque de Midas, Wonder Woman, DC Comics Presents e Legion of the Super-Heroes recuperaram a vitalidade de outrora.
Embalado por estes sucessos - e tendo em mente projetar uma imagem de maior dinamismo -, Roy Thomas propôs rebatizar a DC. Iniciais que, no seu entendimento, deveriam doravante corresponder a Dynamic Comics.
Apesar desta sua ideia ter sido liminarmente rejeitada pela direção da empresa, Roy Thomas cumpriria entretanto um sonho de infância: escrever as histórias da Sociedade da Justiça da América.  Grupo que reunia alguns dos maiores heróis da Idade do Ouro e que, graças à sua mestria e dedicação, foi devolvido à ribalta nas páginas de All-Star Squadron.
Já com mais de uma dúzia de comendas a adornar-lhe o currículo, em 1985 Roy Thomas foi uma das 50 personalidades homenageadas pela DC, no âmbito das comemorações do 50º aniversário da editora. Outras honrarias se seguiriam, invariavelmente recebidas com a humildade que sempre caracterizou aquele que é, sombra de dúvidas, um dos maiores vultos da 9ª Arte.

Sociedade da Justiça da América em All-Star Squadron:
o regresso de um clássico com a assinatura de Roy Thomas.
 A partir da década seguinte, começaram no entanto a rarear as colaborações de Roy Thomas com as grandes editoras, preteridas em relação às companhias independentes. 
Numa espécie de regresso às origens, em 1999 relançou Alter Ego, agora como uma revista formal editada pela TwoMorrows Publishing.A residir desde 2006 na Carolina do Sul, em anos mais recentes Roy Thomas tem-se desdobrado entre a atividade literária e as suas funções de dirigente da Hero Initiative. Organização solidária sem fins lucrativos que presta assistência aos deserdados da indústria dos quadradinhos. Pelo meio, em 2014, escreveu 75 Years of Marvel: From  the Golden Agen to the Silver Screen, um imponente volume de 700 páginas que compila a história da Casa das Ideias desde a sua fundação até à atualidade.
Ontem como hoje, Roy Thomas possui o condão de ser o homem certo no lugar certo e no tempo certo. Ter crescido à sombra de titãs da  9ª Arte, serviu apenas para o transformar num deles.

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A rediviva Alter Ego.

Roy Thomas com Stan Lee na apresentação de
 75 Years of Marvel: from the Golden Age to the Silver Screen.
Uma obra para a eternidade.


*http://bdmarveldc.blogspot.pt/2018/03/fabricas-de-mitos-charlton-comics.html
**http://bdmarveldc.blogspot.pt/2016/03/eternos-gerry-conway-1952.html
***http://bdmarveldc.blogspot.pt/2017/03/fabrica-de-mitos-first-comics.html



















































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