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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: O FANTASMA



    Reza a lenda que o descendente de um navegante inglês aportou, há mais de 400 anos, na costa de Bengalla (África). Sobre o crânio do assassino do seu pai, jurou que devotaria a vida a combater a crueldade, a injustiça e a pirataria. Nascia assim o Fantasma, o Espírito-Que-Anda.    

Nome original: The Phantom
Criadores: Lee Falk  (texto) e Ray Moore (arte)
Primeira aparição: Edição de 17 de fevereiro de 1936 do New York American Journal
Licenciador: King Features Syndicate
Identidade civil: Christopher "Kit" Walker
Família conhecida: Diana Palmer (esposa) , Kit e Heloíse (filhos), Rex King (sobrinho)
Base de operações: Bengalla
Filiação: Patrulha da Selva e tribo Bandar
Poderes e armas: O grande poder do Fantasma reside na lenda que lhe está associada. Muitos julgam-no imortal e por isso temem-no. Na verdade, não passa de um atleta altamente treinado, perito em várias artes marciais e com uma astúcia acima da média. Como companheiras inseparáveis, tem duas pistolas que evita usar de forma letal. Conta ainda com a prestimosa ajuda do cavalo Herói e de um lobo chamado Diabo. Na versão moderna, usa um uniforme de kevlar.

     Na esteira do sucesso alcançado dois anos antes por Mandrake, Lee Falk apresentou ao mundo em 1936 a sua segunda criação. Considerado o primeiro super-herói mascarado da história dos comics, o Fantasma é ainda hoje uma das personagens mais populares da nona arte e as suas aventuras encantaram sucessivas gerações.
    Influenciado pelo seu antigo fascínio por mitos e lendas como a do Rei Artur ou a de El Cid, assim como pelas aventuras de Tarzan, Zorro e Mowgli (personagem de "O Livro da Selva"), Lee Falk imaginou inicialmente um playboy milionário que à noite combateria o crime como o misterioso Fantasma (seria esta, curiosamente, a premissa para a criação do Batman por Bob Kane em 1939). Sem nunca revelar a verdadeira identidade do herói na sua primeira história - "The Singh Brotherhood" - Falk logo transportou o Fantasma para as profundezas da selva, dando-lhe uma aura de imortalidade. Dada a existência na literatura de várias personagens com o nome fantasma associado, Falk desisitiu de batizar o herói de "Gray Ghost".
     Numa entrevista concedida muitos anos depois, Lee Falk revelaria que se inspirou no visual clássico de Robin Hood para conceber o uniforme colante do Fantasma. Já a ausência de pupilas (que ditaria uma tendência na indústria dos super-heróis) decorreu dos bustos esculpidos na Grécia antiga que também não tinham pupilas. Falk achou que esse pormenor daria um aspeto inumano e enigmático à sua nova personagem.
      A sua história começou 400 anos atrás quando, após um ataque pirata, um naúfrago alcançou a costa de Bengalla, um país africano fictício. Filho de um marinheiro inglês que na sua juventude navegara com Cristóvão Colombo, Cristopher Standish jurou, sobre a caveira do assassino do seu pai, lutar pela justiça e combater a pirataria. O apelido Standish seria posteriormente alterado para Walker por Lee Falk, decorrendo do epíteto "The Ghost Who Walks" (Espírito-Que-Anda) numa alusão à sua suposta imortalidade. A verdade, porém, é que o atual Fantasma é o 21º de uma linhagem de justiceiros cuja missão foi sendo transmitida de pais para filhos ao longo de várias gerações.
      O Fantasma usa dois anéis: um com a forma de caveira e outro com a imagem de duas espadas cruzadas. O primeiro deixa uma marca indelével em quem é esmurrado pelo herói; o segundo assinala que determinada pessoa ou local estão sob sua proteção. Segundo a lenda, o primeiro usuário do anel da caveira foi o imperador romano Nero, sendo a joia feita a partir dos pregos que prenderam Jesus Cristo à cruz. A Marca da Caveira é um estigma para os que enfrentam a ira do Fantasma.
      Como base de operações, o Espírito-Que-Anda tem a selva de Bengalla (país entretanto rebatizado de Bengali) que Lee originalmente localizou na Ásia mas que na década de 1960 transferiu para o continente africano.
      O Fantasma tem dois ajudantes: um lobo da montanha chamado Diabo e Herói, um magnífico corcel branco. Em 1978, casou com a sua eterna namorada Diana Palmer (numa história que contou com a participação especial de Mandrake), daí resultando o nascimento dos gémeos Kit e Heloíse (cabendo ao primeiro dar continuidade ao legado do Espírito-Que-Anda).
     Em todos os países onde foi publicado, o uniforme do Fantasma sempre foi roxo, exceto no Brasil. Para conseguir obter essa cor, as gráficas brasileiras teriam de sobrepor várias vezes as cores o que acarrateria um aumento do custo de produção. Optaram assim pelo vermelho. Já equipadas com impressoras modernas, as gráficas tentaram, após muitos anos de publicação, obter o padrão da cor original do uniforme mas os leitores estranharam a mudança. O Fantasma continuou assim a ter uma versão exclusiva para o Brasil (e também para Portugal onde foi publicado por editoras como a RGE).

A exclusiva versão brasileira do Fantasma.

     Antes de saltar para as páginas dos comics, o Fantasma foi lido diariamente por milhares de pessoas sob a forma de tiras publicadas em vários jornais norte-americanos. A partir de meados da década de 1940, a série passou a ser publicada por várias editoras como a Harvey Comics, a King Comics, entre outras. Em 1987, foi a vez da Marvel Comics lançar uma minissérie escrita por Stan Lee e baseada na série de animação Defenders of the Earth.
     O Fantasma protagonizou ainda várias novelas escritas por diferentes autores,entre os quais o próprio Lee Falk. Logo em 1943 teve direito a uma série televisiva de 15 episódios com Tom Tyler no papel principal. A série fez furor e em 1955 tentou lançar-se uma segunda temporada com um novo ator (John Hart) a dar vida ao Fantasma. Devido a problemas relacionados com direitos autorais, a série seria apressadamente reescrita e rebatizada de "As aventuras do Capitão África"(!).
     Seria preciso esperar mais de 40 anos para voltar a ver o Fantasma no grande ecrã. Em 1996, com Billy Zane vestindo o lendário uniforme roxo, estreou a primeira longa-metragem do herói, a qual esteve longe de ser um sucesso de bilheteira, apesar de contar no elenco com nomes sonantes como Catherine Zeta-Jones e Timothy Dalton.
     Em março de 2009, o canal SyFy anunciou que encomendara uma minissérie em dois episódios baseada na história do 22º Fantasma (ainda inédita em Portugal).
Billy Zane em The Phantom (1996).